Coletânea organizada pela Rede de Pesquisadores em Geografia (Socio)Ambiental está disponível gratuitamente e inclui capítulo sobre o processo que transformou o Brasil no epicentro da economia política global dos agrotóxicos
A Rede de Pesquisadores em Geografia (Socio)Ambiental (RP-G[S]A) acaba de disponibilizar gratuitamente a versão digital de seu segundo livro, intitulado Geografia e Ecologia Política: conflitos (socio)ambientais no Brasil e nos territórios do Cerrado e do Pantanal – da pesquisa ao enfrentamento. A publicação reúne contribuições de pesquisadores que participaram do III Simpósio Nacional Geografia, Ambiente e Território (III SIMGAT), realizado na Cidade de Goiás (GO), com o apoio do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Geografia da Universidade Estadual de Goiás (UEG).
A coletânea resulta dos debates realizados durante os chamados Baiados, mesas de discussão que reuniram pesquisadores de diferentes instituições brasileiras para refletir sobre as transformações territoriais, os conflitos socioambientais e os desafios colocados à Geografia diante das disputas pela apropriação da natureza e de seus recursos.
Durante os quatro dias do III SIMGAT, integrantes da RP-G[S]A interagiram com pesquisadores convidados, estudantes, profissionais e participantes dos Grupos de Trabalho, denominados Veredas, em referência a uma das paisagens características do Cerrado. A diversidade de abordagens e experiências compartilhadas durante o encontro está refletida nos textos que compõem a publicação, evidenciando a importância da Geografia e da Ecologia Política para a compreensão das relações entre poder, território, natureza e sociedade.
Brasil como epicentro da economia política global dos agrotóxicos
Entre os trabalhos que integram a coletânea está o capítulo “O Brasil no epicentro da economia política global dos agrotóxicos: origens e consequências”, de minha autoria. No capítulo, eu analiso o processo histórico, político e econômico que resultou na transformação do Brasil em um dos principais centros da economia global dos agrotóxicos. A análise procura identificar os agentes envolvidos nessa transformação, compreender as mudanças estruturais ocorridas na agricultura brasileira e examinar suas repercussões socioambientais.
O trabalho parte da perspectiva de que a posição ocupada pelo Brasil no mercado internacional de agrotóxicos não pode ser compreendida de maneira isolada, mas precisa ser situada no contexto da expansão da agricultura voltada à produção de commodities e de sua crescente integração aos circuitos globais de acumulação de capital. Nesse processo, a ampliação do consumo de agrotóxicos está associada a transformações nas formas de produção agrícola, nas relações entre empresas e produtores rurais e na própria organização dos territórios.
Ao adotar a perspectiva da economia política, o capítulo busca ultrapassar as explicações que tratam o uso de agrotóxicos como uma questão exclusivamente técnica ou agronômica. A proposta é demonstrar a necessidade de considerar os interesses econômicos, as decisões políticas e as relações de poder que sustentam esse modelo agrícola, bem como suas consequências para o ambiente, a saúde humana e as populações que vivem e trabalham nos territórios submetidos à expansão da agricultura intensiva.
A minha contribuição à coletânea está diretamente relacionada às pesquisas que desenvolve no LEEA/UENF sobre transformações territoriais, conflitos socioambientais e os impactos associados à expansão de atividades econômicas sobre diferentes grupos sociais.
Da produção científica ao enfrentamento dos conflitos socioambientais
Um dos aspectos centrais da coletânea é a preocupação em aproximar a produção do conhecimento científico dos processos concretos de enfrentamento dos conflitos socioambientais. Ao articular a Geografia e a Ecologia Política, a publicação oferece instrumentos analíticos para compreender como a apropriação dos recursos naturais e a reorganização dos territórios produzem benefícios econômicos para determinados agentes, ao mesmo tempo que transferem custos sociais e ambientais para outros grupos.
Essa perspectiva ganha particular importância diante das transformações em curso no Cerrado e no Pantanal, regiões submetidas a diferentes pressões econômicas e ambientais. Entretanto, as reflexões reunidas no livro ultrapassam essas duas regiões e contribuem para o entendimento de processos que se manifestam em diferentes partes do território brasileiro.
A publicação também reforça a importância de uma produção científica comprometida com a compreensão crítica da realidade e com a ampliação do acesso público ao conhecimento. Nesse sentido, a disponibilização gratuita da obra constitui uma oportunidade para pesquisadores, professores, estudantes, movimentos sociais e comunidades atingidas por conflitos socioambientais aprofundarem o debate sobre os modelos de desenvolvimento e suas consequências territoriais.
Organizadores e acesso gratuito
A coletânea foi organizada pelos pesquisadores Ricardo Assis Gonçalves, Marcelo Lopes de Souza, Thiago Roniere Rebouças Tavares e Márcia Aparecida da Silva Pimentel.
A versão digital já está disponível gratuitamente, e os organizadores informam que uma edição impressa será lançada em breve.
O livro completo pode ser acessado gratuitamente no seguinte endereço:
https://geografia-socio-ambiental.webnode.page/livros-coeditados-pela-rp-g-s-a/
Para acompanhar outras publicações e atividades da Rede de Pesquisadores em Geografia (Socio)Ambiental, os interessados podem acessar os seguintes canais:
Revista AMBIENTES:https://e-revista.unioeste.br/index.php/ambientes/index
YouTube: https://www.youtube.com/c/GeografiaAmbiental
Instagram:https://www.instagram.com/rede_pgsa
A publicação representa mais uma contribuição ao esforço de compreender criticamente os processos que estão transformando os territórios brasileiros e evidencia a importância de uma Geografia capaz de articular o rigor da investigação científica com a análise das desigualdades sociais e dos conflitos ambientais que marcam o desenvolvimento econômico do país.
