Brasil em chamas: MapBiomas mostra recorde de queimadas para o mês de Novembro

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Por MapBiomas

A área queimada no Brasil de janeiro a novembro de 2024 quase dobrou em relação ao mesmo período do ano passado, totalizando um território equivalente a todo o estado do Rio Grande do Sul. Os dados são da mais recente edição do Monitor do Fogo, do MapBiomas. Ao todo, 29,7 milhões de hectares foram queimados no período – um aumento de 90% em relação ao mesmo período de 2023 e a maior extensão dos últimos seis anos. A diferença em relação ao ano passado é de 14 milhões de hectares a mais, uma área equivalente ao estado do Amapá. 

“Esse aumento desproporcional da área queimada no Brasil em 2024, principalmente a área de floresta, acende um alerta de que além de reduzir o desmatamento, precisamos reduzir e controlar o uso do fogo, principalmente em anos onde as condições climáticas são extremas e podem fazer o que seria uma pequena queimada virar um grande incêndio”, explica Ane Alencar, diretora de ciência do IPAM e coordenadora do Monitor do Fogo do MapBiomas. 

Mais da metade (57%) da área queimada entre janeiro e novembro no Brasil fica na Amazônia, onde 16,9 milhões de hectares foram afetados pelo fogo.  Nesse bioma, foram queimados 7,6 milhões de hectares de florestas, incluindo florestas alagáveis – extensão que ficou à frente das pastagens queimadas no período na Amazônia, que totalizaram 5,59 milhões de hectares. O segundo bioma mais afetado pelo fogo foi o Cerrado, com 9,6 milhões de hectares – 85% dos quais (ou 8,2 milhões de hectares) em áreas de vegetação nativa. Esse número representa um aumento de 47% em relação à média dos últimos 5 anos. Houve aumento também no Pantanal, onde a área queimada de janeiro a novembro foi de 1,9 milhão de hectares e representou um crescimento de 68% em relação à média dos últimos 5 anos. 

Confira o Boletim do Fogo de novembro clicando aqui

area queimada

A área queimada nos demais biomas entre janeiro e novembro deste ano foi: 1 milhão hectares na Mata Atlântica, sendo que 71% da área afetada estava em áreas agropecuárias; 3,3 mil hectares no Pampa; e 297 mil hectares na Caatinga – uma diminuição de 49% em relação ao mesmo período de 2023, com 82% das queimadas concentradas em formações savânicas. Eduardo Velez, da equipe do Pampa do MapBiomas, explica que a área queimada no Pampa é a menor dos últimos três anos para esse período. “Trata-se de uma consequência da maior umidade observada na região, com chuvas acima da média para o período”, detalha.

O estado que mais queimou nos 11 primeiros meses deste ano foi o Pará, com 6,97 milhões de hectares. Esse total equivale a 23% de toda a área queimada no Brasil e a 41% do que foi queimado na Amazônia entre janeiro e novembro. Mato Grosso e Tocantins ficaram em segundo e terceiro lugares, com 6,8 milhões e 2,7 milhões de hectares, respectivamente. Juntos, esses três estados totalizaram 56% da área queimada no período no país. Os municípios de São Félix do Xingu (PA) e Corumbá (MS) registraram as maiores áreas queimadas entre janeiro e novembro de 2024, com 1,47 milhão de hectares e 837 mil hectares queimados, respectivamente.

Em todo o país, o fogo atingiu prioritariamente áreas de vegetação nativa, que representam 73% do total. Um quarto (25%) da área queimada no Brasil foi em florestas. Entre as áreas de uso agropecuário, as pastagens se destacaram, com 6,4 milhões de hectares queimados entre janeiro e novembro de 2024, ou 21% do total nacional.

“Os números de 2024 são alarmantes, especialmente considerando que 2023 já havia registrado uma tendência de alta, comprometendo não apenas os biomas mais afetados, como Amazônia e Cerrado, mas também o equilíbrio climático”, alerta Vera Arruda,  pesquisadora no IPAM e coordenadora técnica do Monitor do Fogo do MapBiomas.  “O recorde de área queimada também em florestas afeta sua capacidade de regeneração e a resiliência ecossistêmica”, ressalta.

Área queimada em novembro concentra-se na Amazônia e no Pará 

Os números de novembro refletem o arrefecimento da estação do fogo no Brasil, porém em patamares mais altos que em 2023. Embora represente uma queda em relação aos 5,2 milhões de hectares queimados em outubro, a área afetada pelo fogo em novembro foi 70% maior em relação à média para esse mês nos últimos seis anos. Os 2,2 milhões de hectares queimados em novembro – área equivalente ao estado de Sergipe – correspondem a 7,4% de toda a área queimada no Brasil de janeiro a novembro de 2024. 

Quase dois terços (64%) da área queimada em novembro de 2024 foi de vegetação nativa – a maioria em florestas (40% da área queimada no mês). Novamente as pastagens se destacam entre as áreas de uso agropecuário, com 32,7% da área queimada em novembro de 2024.

A Amazônia representa 81% do total queimado no mês. Os 1,8 milhão de hectares representam o dobro em relação à média para o mês nos últimos seis  anos. O tipo de vegetação nativa que mais queimou foram as florestas, com 37% da área queimada em novembro de 2024 (662 mil hectares). A classe de uso da terra mais afetada foi pastagem, com 38% da área total queimada na Amazônia em novembro de 2024 (680 mil hectares).

“Esse crescimento da área queimada na Amazônia reflete não apenas a intensificação das atividades humanas, mas também a continuidade de condições climáticas adversas, com a seca que já marcava 2023 e se prolongando por 2024. Este aumento considerável evidencia a crescente vulnerabilidade das florestas diante da seca prolongada e da pressão do desmatamento”, explica Felipe Martenexen, pesquisador do IPAM e da equipe do Monitor do Fogo do MapBiomas. “Em 2024, observou-se uma mudança preocupante no padrão das áreas atingidas pelo fogo, enquanto nos últimos seis anos as queimadas afetaram predominantemente áreas de pastagem, neste ano as florestas passaram a ser as mais impactadas”, destaca. 

Dentro da Amazônia, quase metade (48%) da área queimada em novembro fica no Pará, onde 870 mil hectares foram afetados pelo fogo. Maranhão (477 mil hectares) e Mato Grosso (180 mil hectares) são o segundo e o terceiro estados com maior área queimada em novembro. 

Os três municípios que mais queimaram no Brasil em novembro ficam no Pará: Oriximiná (81 mil hectares), Moju (54 mil hectares) e Nova Esperança do Piriá (50 mil hectares). Em Santarém, foram queimados 10,7 mil hectares em novembro – mais de 277% em relação a outubro deste ano, quando foram queimados 2,8 mil hectares no município. Apesar desse grande crescimento de um mês para o outro, a área queimada em novembro de 2024 está abaixo do mesmo período no ano passado, quando 54,7 mil hectares foram atingidos pelo fogo em Santarém. 

“O estado do Pará, que liderou o ranking de queimadas no Brasil no mês de novembro, enfrenta graves consequências ambientais e de saúde pública”, adverte Felipe Martenexen.” Entre as regiões mais afetadas está Santarém, no oeste do estado, onde a qualidade do ar tem se deteriorado rapidamente. Os moradores convivem com uma atmosfera carregada de partículas tóxicas, que afetam a visibilidade e aumentam os riscos de doenças respiratórias”, explica.

No Cerrado, o fogo atingiu 237 mil hectares em novembro. Áreas de vegetação nativa representaram 74% desse total (175 mil hectares), principalmente formações savânicas  (96 mil hectares) e formações florestais (63 mil hectares). No Pantanal, a área atingida pelo fogo em novembro foi de 98 mil hectares, 87% em áreas de formação campestre. Na Mata Atlântica, 12,5 mil hectares foram queimados em novembro, principalmente em áreas de várzea (35% ou 4,4 mil hectares). 


Fonte: MapBiomas

Drones do veneno: equipamento responde por 94% das contaminações por agrotóxicos no Maranhão

Comunidades rurais afirmam que os drones são usados como ferramenta de perseguição e ataques contra pequenos produtores; especialistas alertam para aumento de casos e falta de fiscalização

drones do veneno

Por Hélen Freitas/ Edição Diego Junqueira para a Repórter Brasil 

“Tanto o drone quanto o avião, toda a volta que faz, passa por cima do lote e da plantação, para você perder a produção e seus animais morrerem”, conta uma agricultora de Açailândia, polo de produção de soja no Maranhão. “Fazem isso para nos forçar a deixar a terra.” 

Comunidades rurais do Maranhão afirmam que drones estão sendo utilizados como instrumento de intimidação e de expulsão de agricultores familiares. As denúncias, porém, não são investigadas, segundo advogados que acompanham os casos.

Dados inéditos obtidos pela Repórter Brasil mostram que 228 comunidades em 35 municípios do estado denunciaram contaminação por agrotóxicos entre janeiro e outubro de 2024. Do total, 214 casos (94%) correspondem a ataques por drones. 

Os dados foram coletados pela Fetaema (Federação dos Trabalhadores Rurais, Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado do Maranhão), pela Rama (Rede de Agroecologia do Maranhão) e pelo Laboratório de Extensão, Pesquisa e Ensino de Geografia da Universidade Federal do Maranhão. 

As queixas vão desde intoxicações humanas até prejuízos ambientais, como o envenenamento de rios e a morte de animais.

“Se você não estiver prestando atenção, às vezes você nem percebe, a não ser pelo cheiro, que é mais forte porque o drone voa mais baixo [do que os aviões agrícolas]”, afirma a trabalhadora rural de Açailândia, que pede para não ser identificada por temer represálias. 

A cerca de 600 km da capital São Luís, Açailândia tem se consolidado como grande produtor de soja. Em 2024, sediou a “Abertura Nacional do Plantio da Soja 2024/2025”, que ocorreu pela primeira vez no estado, reunindo produtores e autoridades, como o governador Carlos Brandão (PSB). “Queremos informar aos produtores rurais de outros estados que, no Maranhão, eles têm como plantar e colher com apoio do governo”, afirmou o mandatário no evento.

Para a trabalhadora, contudo, a expansão da soja não é sinônimo de progresso. A cada ano que passa, ela diz que mais lotes da reforma agrária são repassados para a monocultura. Quem fica é vigiado e ameaçado de morte e expulsão, principalmente com o uso dos drones, ela diz.

Governador Carlos Brandão (PSD) comemora a abertura da safra da soja em Açailândia, município que vem denunciando ataques pela pulverização de agrotóxicos (Foto: Brunno Carvalho/Divulgação
Governador Carlos Brandão (PSD) comemora a abertura da safra da soja em Açailândia, município que vem denunciando ataques pela pulverização de agrotóxicos (Foto: Brunno Carvalho/Divulgação)

Em São Mateus (MA), município conhecido como a “capital do arroz”, relatos apontam que aviões e drones despejam agrotóxicos nas proximidades de moradias e pequenas plantações. “Eles usam essa estratégia justamente para expulsar as pessoas”, conta outra agricultora, que também não será identificada. “Lá onde eu moro era um lugar de muito peixe, mas com essa pulverização hoje não existe mais“, continua.

Com o crescimento das denúncias, movimentos populares e legisladores locais têm se mobilizado para criar mecanismos de proteção. Nove municípios maranhenses já aprovaram leis que proíbem a pulverização aérea. Além disso, a Rama e organizações ligadas à igreja católica iniciaram uma campanha em abril passado para a criação de um projeto de lei estadual de iniciativa popular contra a prática. 

A reação foi rápida. Um mês depois, um projeto de lei para permitir a pulverização aérea no estado foi protocolado na assembleia legislativa do Maranhão. “Não foi coincidência, foi reação às denúncias”, afirma Diogo Cabral, advogado da Fetaema.

Porém, mesmo que o projeto estadual seja aprovado, continuarão valendo as leis municipais, que são mais restritivas, afirma Cabral. Ele explica que essas normas locais seguem o entendimento do STF de que estados e municípios têm competência legislativa para estabelecer diretrizes de proteção à saúde e ao meio ambiente, como é o caso da aplicação de agrotóxicos.

Falta de fiscalização e punição

As denúncias, porém, não foram comprovadas pelas autoridades. As duas agricultoras ouvidas pela reportagem contam que vídeos e fotos não têm sido suficientes para apontar os responsáveis. “A gente vai buscar ajuda em todos os lugares, mas parece que as portas se fecham, porque ninguém dá importância”, diz uma delas.

Marcos Orellana, relator especial da ONU para tóxicos e direitos humanos, já manifestou preocupação com o uso indiscriminado de agrotóxicos no Brasil. Em 2022, ele enviou uma carta ao governo brasileiro alertando sobre os impactos da pulverização aérea e criticou a ausência de respostas efetivas. Segundo ele, há um padrão de intimidação contra comunidades que denunciam essas práticas, o que amplia a vulnerabilidade dos grupos mais atingidos.

“Essas pulverizações não eram ocorrências isoladas, mas parte de um padrão de ataques repetidos e perseguições contra essas comunidades, que são submetidas a um medo constante e a sofrimento psicológico contínuo”, afirma Orellana.

Em maio do ano passado, a Repórter Brasil publicou uma denúncia de tentativa de intimidação a Diogo Cabral. O advogado da Fetaema havia recebido uma notificação extrajudicial do Sindag (Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola) para se retratar ou comprovar, em até 48h, que a pulverização aérea de agrotóxicos no Maranhão prejudica comunidades. A notificação ocorreu após entrevista de Cabral sobre a proibição da pulverização aérea no município de Caxias (MA). 

À Repórter Brasil, o Sindag afirmou na época que buscou esclarecimentos tanto com o advogado popular quanto com a rede de televisão que veiculou a reportagem a fim de buscar a “transparência sobre as informações divulgadas e a verdade sobre os fatos”.

Para Cabral, a falta de uma fiscalização efetiva cria um cenário de impunidade. “O agronegócio quer um Estado máximo para investir e garantir a produção, e um Estado mínimo para fiscalizar e punir quem comete crime ambiental.”

Angela Silva, presidenta da Fetaema, afirma que as análises de amostras para verificar a contaminação de agrotóxicos não acontecem de forma rápida no estado, o que interfere nas denúncias que a organização têm feito. 

“O sentimento das comunidades, assim como o nosso, é de tristeza, de impunidade, de não valorização. A gente denuncia, mas, às vezes, o caso não é levado a sério como deveria”, diz ela, ressaltando que as autoridades desconfiam se as denúncias são verdadeiras.

À Repórter Brasil, o pesquisador da Fiocruz no Ceará Fernando Carneiro afirmou que o aumento de casos no Maranhão mostra que “há pessoas não qualificadas operando os drones e causando contaminações”.

Estudos realizados em outros países mostram que há uma dificuldade em se obter precisão na aplicação. Pesquisa da Chinese Society of Agricultural Engineering revelou que até 55% do volume aplicado pelo drone se espalhou pelo entorno.

Procurado, o governo do Maranhão informou que “atua de forma ativa na mediação de conflitos agrários e na proteção das comunidades rurais” e que encaminha as denúncias sobre uso incorreto de agrotóxicos para órgãos de fiscalização, como a Aged (Agência Estadual de Defesa Agropecuária do Maranhão), Sema (Secretaria de Estado do Meio Ambiente) e a Superintendência do Ministério da Agricultura no Maranhão.

A Sema declarou que lidera a “fiscalização compartilhada do uso de agrotóxicos, em todas as etapas, desde a aquisição até o descarte adequado das embalagens” e que “tem adotado medidas mais rigorosas e preventivas para assegurar a preservação dos recursos naturais e a qualidade de vida das comunidades”. Jà a Aged declarou que monitora o comércio, uso, armazenamento e transporte das substâncias, assim como realiza atividades de educação quanto ao uso seguro dos agrotóxicos. 

Para o Sindag , os conflitos agrários devem ser investigados e resolvidos pelas autoridades “na melhor forma da lei e do bem-estar das pessoas”. O grupo afirma que, por ser uma  “ferramenta” visível em campo, a aviação agrícola sofre com os estereótipos. 

“A exemplo do que ocorre no Maranhão, onde ela está no centro de uma campanha da Igreja para que seja proibida nos Municípios”, afirma a organização, em referência à campanha da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil em torno de um projeto de lei estadual contra a pulverização.

O Sindag diz ainda ser necessária uma fiscalização ampla e constante para que “inocentes não paguem por culpados”. Leia as manifestações na íntegra.

“Eu estou ficando sem condições de contar essa história, porque dói muito, mas ficar calada é pior”, conta, emocionada, a agricultora de Açailândia.

A agricultora de São Mateus afirma ter medo de dar depoimentos sobre a atuação do agronegócio na sua região. Assim como ela, outros vivem com medo de falar e sofrerem mais represálias. “Enquanto eu puder e tiver condição de lutar junto com os demais, eu vou lutar para que chegue o fim da pulverização aérea”, finaliza.


Fonte: Repórter Brasil

As palavras convencem, mas os exemplos arrastam

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Por Douglas Barreto da Mata
Quero pedir licença para discordar do texto do Professor Marcos Pedlowski, publicado aqui. Goste-se ou não das políticas públicas implementadas pelo atual prefeito Wladimir Garotinho, reeleito com nada menos que mais de 192 mil votos, uma coisa é certa: ele nunca disse que faria o contrário.
 
Desde a mais tenra hora do seu primeiro mandato, ele tem se comprometido com as teses da responsabilidade fiscal, com o saneamento das contas municipais, mesmo que isso implicasse em sacrifícios para a parte mais pobre dos munícipes, e também, em detrimento dos direitos dos servidores. Eu ouso dizer que o problema não é do Prefeito.
 
A questão principal é a agenda política que se estabeleceu, em 2003, quando a “esquerda” assumiu o poder. Soterrado pela própria capitulação frente ao mercado, com a Carta aos Brasileiros, onde o PT disse que seria um partido bem comportado e cumpriria todas as ordens da banca, já estabelecidas na famigerada Lei de Responsabilidade Fiscal, o PT e a esquerda foram incapazes (e se isentam, desde sempre) de qualquer debate que buscasse mostrar o óbvio:
 
A chamada responsabilidade fiscal nada mais é que um instrumento de sequestro dos direitos sociais dos mais pobres, já que a conta dos pagamentos dos juros mais altos e extorsivos do planeta não entram no cálculo das obrigações estatais de controle de gastos.
 
Ou seja, retiram dos pobres, suprimindo ao máximo os investimentos e gastos sociais para colocar no saco sem fundo da dívida pública, que, como vimos recentemente, só cresce a golpes de chantagem explícita do “mercado”, da mídia, e dos sócios no Congresso.
 
Mesmo assim, a cada passo na direção oposta, ou seja, quando o governo federal tenta inverter essa lógica, o mundo desaba, os dólares somem, e o Banco Central, obediente, aumenta os juros, e claro, a quantidade de dinheiro pago aos rentistas.
 
É um círculo vicioso e criminoso, mas que não enfrenta nenhuma voz dissidente no governo chamado de “esquerda”, até porque, se alguém se atrever, será enviado para algum “gulag” político.
 
Para sermos justos, não podemos cobrar de Wladimir Garotinho esse embate, afinal, ele é de direita! 
 
Como cobrar a Wladimir que adote bandeiras da esquerda, quando a própria esquerda as abandona, e implementa aquelas caras à direita?
 
O pacote de medidas de Wladimir Garotinho, frente ao que Haddad e Lula fizeram com os mais pobres que ganham salário mínimo, BPC, PIS/PASEP, etc, parece até um passeio pela Disneylândia.
 
No campo político, além de subtraírem do debate qualquer chance de oposição a este fiscalismo assassino, ao rentismo abutre, o PT de Lula ainda incorporou a defesa dos estandartes do establishment, perdendo as bandeiras das críticas antissistema para a extrema-direita.
 
O PT e Lula hoje (e já faz tempo) flertam com a Globo, defendem os juros altos, o poder judiciário, e passam a mão na cabeça de militares golpistas.
 
Dilma fazendo omelete com Ana Maria Braga (lembram?), ou Dilma dizendo que a melhor forma de controle social da mídia era o controle remoto (lembram?), e Lula saindo do hospital para ser achincalhado no Fantástico são exemplos recentes.
 
Para se diferenciar da extrema-direita, ao invés de propor teses de esquerda, o PT e Lula querem se parecer cada vez mais com a direita, como se a extrema-direita não fosse uma variação desta!!!!!
 
Ora, todos sabem que os atos do presidente irradiam pela coluna cervical das instituições e da vida política do país. Logo, é possível dizer que Lula e Wladimir estão cada vez mais próximos. Wladimir segue o exemplo de Lula, e do PT, por mais que isso soe estranho.
 
Se dermos uma olhada para Maricá, o conjunto de atos administrativos baixados pelo novo-velho prefeito QuaQuá não ficou distante dos aplicados aqui. Como se não bastasse a covardia política explicitada pelo PT, o que temos assistido aqui em Campos dos Goytacazes é ainda pior.
 
É a impregnação dos gestos e costumes do bolsonarismo pela turma petista, fenômeno que ganhou corpo desde a eleição de 2024, quando uma estranha simbiose se deu entre o PT e a candidata de extrema-direita da cidade.
 
Por último, no afã de atacar o prefeito, o PT de Campos lançou uma nota acusando o Prefeito de demissão dos agentes de endemia, contratados de forma emergencial, quando qualquer imbecil sabe que esses servidores são custeados pelo governo federal, e este já não supre o que a lei manda há tempos.
 
O que está ruim, como vemos, sempre pode piorar: o PT de Campos usando métodos da extrema-direita.

Contestação à aprovação do Glifosato pela União Europeia chega ao Tribunal de Justiça Europeu

glifosato

Por Sustainable Pulse

A Pesticide Action Network (PAN) Europe e seus membros ClientEarth, Générations Futures, GLOBAL 2000, Pesticide Action Network Germany e Pesticide Action Network Netherlands contestaram a aprovação do glifosato pela União Europeia perante o Tribunal de Justiça Europeu.

As organizações apresentaram uma análise científica e jurídica robusta ao Tribunal de Justiça Europeu, destacando sérias deficiências na avaliação do glifosato na Europa, incluindo o fato de que a Comissão e as agências científicas da UE excluíram sistematicamente estudos científicos críticos relatando efeitos adversos causados ​​pelo glifosato, usando argumentos cientificamente infundados, ou minimizaram esses efeitos aplicando, por exemplo, metodologias estatísticas menos sensíveis e inadequadas.

De acordo com as ONGs, ao fazer isso, a CE e a EFSA violaram suas próprias diretrizes e protocolos internacionais e sua conclusão de que o glifosato é seguro é cientificamente infundada e resulta de uma avaliação de risco que não cumpre com os principais requisitos legais. Portanto, as ONGs estão solicitando a intervenção do Tribunal.

O herbicida amplamente utilizado tem sido associado a sérios riscos à saúde e ao meio ambiente, incluindo câncer, distúrbios reprodutivos e doenças neurológicas. Sendo reaprovado por 10 anos, ele continuará a ser usado extensivamente em toda a Europa. Cidadãos europeus, incluindo crianças, continuam amplamente expostos a essa substância.

Em janeiro de 2024, as ONGs solicitaram à Comissão que revisasse sua decisão de reaprovar o glifosato até 2033, pois ele não cumpre com as disposições da lei da UE e, particularmente, com o Regulamento (CE) 1107/2009. A legislação dá prioridade à proteção da saúde humana e do meio ambiente sobre a colocação de produtos pesticidas no mercado, como foi destacado anteriormente pelo tribunal da UE.

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Glyphosate: Europe divided by the world's most widely used pesticide |  Euronews

Em resposta, a Comissão rejeitou formalmente o pedido de revisão em setembro de 2024. Agora, as ONGs estão oficialmente entrando com uma contestação no Tribunal.

“As agências científicas da União Europeia (UE) estão contornando as regras para concluir que o glifosato é seguro. Vários estudos científicos, incluindo da própria indústria, claramente o vinculam a efeitos adversos sérios, como câncer e doenças potencialmente neurológicas”, diz Angeliki Lysimachou, chefe de ciência e política da PAN Europe.

“Ao usar intencionalmente métodos estatísticos menos sensíveis, desconsiderando evidências científicas críticas e negligenciando pesquisas inovadoras sobre o câncer, a UE está falhando em seu dever de proteger a saúde pública. Não podemos ficar em silêncio sobre essa questão – é uma questão de salvaguardar a saúde das gerações atuais e futuras.”

As ONGs se concentraram no que identificaram como as falhas mais significativas na avaliação de risco do glifosato pela UE. Sua análise revela uma avaliação incompleta da formulação representativa usada em campos europeus, sem toxicidade de longo prazo, carcinogenicidade e efeitos cumulativos. Elas também explicam a rejeição de evidências revisadas por pares em favor de estudos financiados pela indústria que minimizam evidências sobre genotoxicidade, neurotoxicidade e impactos ambientais. Além disso, as ONGs mostram como a avaliação da UE está desconsiderando os impactos do glifosato na biodiversidade e no microbioma e as implicações relacionadas à saúde. Essas descobertas juntas demonstram a clara violação do princípio da precaução ao aprovar o glifosato apesar de incertezas significativas e lacunas de conhecimento.

Antoine Bailleux, advogado da coalizão de ONGs, comenta: “É legítimo que a Comissão desfrute de alguma margem de manobra ao gerenciar riscos relacionados à aprovação de substâncias ativas usadas em pesticidas. No entanto, há limites para tal poder discricionário. É jurisprudência bem estabelecida que a avaliação de risco deve, por exemplo, cumprir com os princípios de excelência, transparência e independência. Acreditamos que a avaliação do glifosato não correspondeu a esses padrões de qualidade. É por isso que estamos indo ao Tribunal.”

Na sua análise da avaliação de risco da UE para o glifosato, as organizações apresentam ao Tribunal as seguintes conclusões importantes:

  • Preocupações levantadas por especialistas em neurotoxicidade foram ignoradas . Cartas obtidas pela PAN Europe por meio de uma solicitação de acesso a documentos revelam que cientistas alertaram a Comissão Europeia, a Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar (EFSA) e a Agência Europeia de Produtos Químicos (ECHA) sobre as potenciais ligações do glifosato com a doença de Parkinson [ Carta 1 ] e neurotoxicidade do desenvolvimento – relevante para autismo e deficiências cognitivas em crianças [ Carta 2 ]. As cartas criticam as autoridades da UE por não refutar esses riscos.
  • A Comissão e a Agência Europeia de Produtos Químicos em sua  resposta, confiam fortemente na análise de câncer  feita por Kenny Crump, um consultor privado com um histórico de defesa de indústrias  ligadas ao chumbo, amianto e benzeno. Crump descarta todos os tumores induzidos por glifosato como “falsos positivos”, tentando minar a credibilidade da avaliação de outros cientistas, incluindo aqueles da Agência Internacional de Pesquisa sobre Câncer (IARC) da OMS.
  • Manipulação’ estatística : Costuma-se dizer que o diabo está nos detalhes. Isso não poderia ser mais verdadeiro no caso do glifosato. Avaliadores de risco da UE empregaram testes estatísticos em estudos de câncer com glifosato projetados para examinar potenciais efeitos terapêuticos, diminuindo o poder do teste. O professor de Biologia Ambiental Geert de Snoo (Universidade de Leiden, diretor de pesquisa na Academia Real Holandesa de Ciências e ex-membro da autoridade holandesa de pesticidas Ctgb) recentemente  chamou isso de “má ciência” e “estatísticas ruins” . Avaliadores de risco da UE também escolheram  uma abordagem que não foi projetada para examinar aumentos de dose-resposta em tumores em animais expostos ao glifosato, distorcendo ainda mais os resultados em favor do glifosato.
  • O IARC, em suas  recomendações de prioridades para 2025–2029 , revisou a literatura científica recente sobre glifosato e câncer e concluiu que as “ evidências existentes não parecem apoiar uma mudança na classificação ”. Como resultado, a classificação como ‘provavelmente cancerígeno para humanos’ permanece, enquanto a ECHA recusou essa classificação, construindo sua decisão sobre o que pode ser descrito como dados “manipulados”.

Linha de base

O glifosato tem sido uma fonte de controvérsia desde que a Agência Internacional de Pesquisa sobre Câncer (IARC) o classificou como “provavelmente cancerígeno para humanos” em 2015. De acordo com a lei da UE, pesticidas com essa classificação de risco devem ser proibidos de usar. No entanto, as avaliações de risco da UE de 2017 e 2023 concluíram que o glifosato não apresenta riscos significativos à saúde, permitindo que ele continue sendo um dos herbicidas mais amplamente usados ​​na Europa e no mundo.

Essa discrepância levou vários especialistas e cientistas a investigar a toxicidade do glifosato e a avaliação realizada pelas agências da UE e pelo IARC. As deficiências da avaliação foram expostas em várias ocasiões.

Este desafio legal segue crescentes críticas públicas e científicas ao processo de avaliação de risco da UE. Em 2023, a Comissão renovou a aprovação do glifosato por 10 anos, apesar das preocupações generalizadas e da falha em atender aos altos padrões exigidos pela lei da UE sobre pesticidas. Após receber uma resposta insatisfatória à sua solicitação de revisão interna em setembro de 2024, a coalizão de seis ONGs decidiu escalar sua luta para o Tribunal de Justiça Europeu.


Fonte: Sustainable Pulse

Crise climática está ‘causando caos’ no ciclo da água da Terra, mostra relatório

O aquecimento global está turbinando tempestades, inundações e secas, afetando ecossistemas inteiros e bilhões de pessoas

Enorme leito de rio seco com três pessoas caminhando

A seca obrigou os moradores a transportar água potável de Humaitá para a comunidade de Paraizinho ao longo do seco Rio Madeira, um tributário do Amazonas. Fotografia: Edmar Barros/AP

Por Damian Carrington para o “The Guardian” 

A crise climática está “causando estragos” no ciclo hídrico do planeta, com inundações violentas e secas devastadoras afetando bilhões de pessoas, segundo um relatório.

A água é o recurso natural mais vital para as pessoas, mas o aquecimento global está mudando a maneira como a água se move pela Terra. A análise dos desastres hídricos em 2024, que foi o ano mais quente já registrado , descobriu que eles mataram pelo menos 8.700 pessoas, tiraram 40 milhões de suas casas e causaram danos econômicos de mais de US$ 550 bilhões (£ 445 bilhões).

O aumento das temperaturas, causado pela queima contínua de combustíveis fósseis, interrompe o ciclo da água de várias maneiras. O ar mais quente pode reter mais vapor de água, levando a chuvas mais intensas. Mares mais quentes fornecem mais energia para furacões e tufões, sobrecarregando seu poder destrutivo. O aquecimento global também pode aumentar a seca, causando mais evaporação do solo, bem como alterando os padrões de precipitação.

Enchentes repentinas mortais atingiram o Nepal e o Brasil em 2024, enquanto inundações de rios causaram devastação na Europa Central , China e Bangladesh . O supertufão Yagi , que atingiu o sudeste da Ásia em setembro, foi intensificado pela crise climática, assim como a tempestade Boris , que atingiu a Europa no mesmo mês.

As secas também causaram grandes danos, com a produção agrícola no sul da África caindo pela metade, fazendo com que mais de 30 milhões de pessoas enfrentassem escassez de alimentos. Os fazendeiros também foram forçados a abater o gado, pois suas pastagens secaram, e a queda na produção de represas hidrelétricas levou a apagões generalizados.

“Em 2024, a Terra experimentou seu ano mais quente já registrado e os sistemas hídricos em todo o mundo foram os mais afetados, causando estragos no ciclo da água”, disse o líder do relatório, Prof. Albert van Dijk.

Ele disse que 2024 foi um ano de extremos, mas que não foi uma ocorrência isolada. “É parte de uma tendência de piora de inundações mais intensas, secas prolongadas e extremos recordes.” O relatório alertou sobre perigos ainda maiores em 2025, à medida que as emissões de carbono continuaram a aumentar .

O Relatório Global Water Monitor de 2024 foi produzido por uma equipe internacional de pesquisadores de universidades na Austrália, Arábia Saudita, China, Alemanha e outros lugares. A equipe usou dados de milhares de estações terrestres e satélites orbitando a Terra para avaliar variáveis ​​críticas da água, como precipitação, umidade do solo, fluxos de rios e inundações.

Eles descobriram que recordes de precipitação estão sendo quebrados com regularidade crescente. Por exemplo, recordes de precipitação mensal foram estabelecidos 27% mais frequentemente em 2024 do que no ano 2000 e recordes diários de precipitação foram estabelecidos 52% mais frequentemente. Recordes de baixa precipitação foram estabelecidos 38% mais frequentemente. “Então estamos vendo extremos piores em ambos os lados”, disse Van Dijk.

No sul da China, de maio a julho, os rios Yangtze e Pearl inundaram cidades e vilas, deslocando dezenas de milhares de pessoas e causando centenas de milhões de dólares em danos às plantações. As inundações do rio em Bangladesh em agosto, após fortes chuvas de monções, afetaram quase 6 milhões de pessoas e destruíram pelo menos um milhão de toneladas de arroz.

Enquanto isso, na Espanha, em outubro, mais de 500 mm de chuva caíram em oito horas, causando inundações repentinas mortais. A cidade de Porto Alegre, no Brasil, foi inundada com dois meses de chuva em apenas três dias em maio, transformando estradas em rios.

“Eventos de chuvas intensas também causaram inundações repentinas generalizadas no Afeganistão e no Paquistão, matando mais de 1.000 pessoas”, disse Van Dijk. As inundações também desalojaram 1,5 milhão de pessoas.

Na Amazônia, a seca atingiu. “Incêndios florestais causados ​​pelo clima quente e seco queimaram mais de 52.000 km² somente em setembro, liberando vastas quantidades de gases de efeito estufa”, disse Van Dijk. “De secas históricas a inundações catastróficas, esses eventos extremos impactam vidas, meios de subsistência e ecossistemas inteiros.”

Os pesquisadores disseram que as previsões climáticas sazonais para 2025 e as condições atuais sugeriram que as secas podem piorar no norte da América do Sul, sul da África e partes da Ásia. Regiões mais úmidas, como o Sahel e a Europa, podem enfrentar riscos elevados de inundações.

“Precisamos nos preparar e nos adaptar a eventos extremos inevitavelmente mais severos”, disse Van Dijk. “Isso pode significar defesas mais fortes contra inundações, desenvolvimento de produção de alimentos e suprimentos de água mais resistentes à seca e melhores sistemas de alerta precoce. A água é nosso recurso mais crítico, e seus extremos – tanto inundações quanto secas – estão entre as maiores ameaças que enfrentamos.”


Fonte: The Guardian

No alvorecer de 2025, Wladimir mostra sua cara “malvadona”, enquanto o céu ameaça cair sobre nossas cabeças

Um analista sábio das coisas da pobre/rica cidade de Campos dos Goytacazes, me alertou ao longo do segundo semestre de 2024 que a coisa andava feia nos cofres da prefeitura comandada por Wladimir Garotinho e que o “bicho ia pegar em 2025”.  Como conheço esse analista desde que cheguei em Campos, nunca duvidei do alerta, mesmo com toda a pujança que eu via pelas ruas e avenidas da planície onde os Goytacazes um dia correram livres.

Eis que nas primeiras horas deste novo ano, o prefeito Wladimir Garotinho desatou um daqueles pacotes de maldades de deixar roxo de inveja o mais neoliberal dos governantes. Primeiro escolheu as vítimas de sempre, qual seja, os servidores públicos municipais, das quais retirou parte dos parcos direitos que ainda lhes restam após mais de três décadas de arrocho neoliberal, mas também atacou os bolsos da população que ainda consegue pagar o IPTU.  De quebra, nem se deu ao trabalho de fingir vetar as demandas por mais lucros da concessionária “Águas do Paraíba”, e tascou mais um reajuste inicial em uma tarifa que já é reconhecidamente uma das (senão a mais) salgadas do nosso país.

Mas enquanto assistimos a esse terror de horrores fiscal, os munícipes não estão nem tendo tempo para reclamar, já que chuvas torrenciais estão trazendo uma mistura particularmente intensa de raios e gelo. Como eu venho chamando atenção nos últimos 4 anos, Campos dos Goytacazes (como a imensa maioria das cidades brasileiras) continua totalmente inerte em relação à adaptação ao processo de mudanças climáticas. Com isso, o agravamento da crise climática que é vista em todo o planeta nos coloca diante de um precipício sob os olhares plácidos dos governantes, Wladimir Garotinho incluso.

Chuva forte e granizo marca início de semana em Campos dos Goytacazes - Vídeo

Obviamente que Wladimir não é um caso isolado de cegueira climática, pois raros são os prefeitos que estão fazendo alguma coisa para iniciar o urgente e necessário processo de adaptação climática. O problema é que, dada a inexistência de uma polítca municipal de adaptação, e o aperto fiscal em curso, certamente continuaremos vendo a canoa climática passar. Alguns poderão até achar bom, pois canoas serão cada vez mais necessárias até nas áreas com metro quadrado caro, o problema é que os desprovidos de políticas sociais cortadas pela tesoura ávida de Wladimir vão certamente sentir as consequências. Apenas para questões de reflexão, qual será o orçamento deixado para a Secretaria Municipal de Defesa Civil e para a sub-secretaria de Meio Ambiente?

O balanço desta ópera bufa é claro: para manter os contentes de sempre ainda mais contentes, a conta está sendo jogada nas contas de quem sempre arca com a alegria de uma minoria.  Mas como um eterno otimista, eu tenho a dizer que pelo menos agora, Wladimir rasgou a fantasia que o catapulpou a um segundo mandato com relativa facilidade. E como eu já disse antes aqui mesmo neste blog, agora ele será comparado consigo mesmo, e é aí que o bicho vai pegar.

O problema é que em nosso caso, nem correr para as montanhas é possível. Talvez dessa inescapável realidade surja, finalmente, algum tipo de reação política à aplicação dessas medidas anti-pobre com as quais fomos brindados, enquanto o céu ameaça literalmente cair sobre nossas cabeças.

A gravidade do poder ou o poder da gravidade

mesa diretora

Por Douglas Barreto da Mata

Assisti  à eleição da Mesa Diretora da Câmara Municipal de Campos dos Goytacazes, e a subsequente posse do prefeito e vice-prefeito reeleitos. Uma votação expressiva para a composição da Mesa nesse biênio, para a presidência, vice-presidência, secretaria e etc.

Com algumas pequenas diferenças entre um ou outro cargo, que são citados um por vez, e nominalmente eleitos, é possível afirmar que 22 dos vereadores votaram no candidato indicado pelo prefeito Wladimir Garotinho.

Não deixa de ser relevante, considerando que em 2021, apesar da eleição do aliado Fábio Ribeiro, o atual prefeito tentou antecipar a eleição do biênio 2023/2024 e perdeu para o líder da oposição Marquinho Bacelar. O resto foi história, e seguiu-se uma série de turbulências, com destaque para o impedimento da votação da LOA 2024.

Ali foi o ponto de virada do prefeito, que não só contornou o problema como recuperou a maioria parlamentar. É o poder da gravidade.

Vereadores são cargos muito relevantes, mas que nessa última legislatura, em Campos dos Goytacazes, se resumiram às questões menores, e hoje é certo que a oposição ao atual prefeito e seu grupo saíram menores do processo que entraram, mesmo como os quase 70 mil votos da candidata da oposição para o cargo de prefeita.

Não é acidental que o ex-Presidente da Câmara, biênio 2023/2024, tenha ficado bem abaixo da votação esperada, ainda mais em se tratando do irmão do Presidente da Alerj.

Sem demérito para nenhum dos que foram os mais votados, eles não eram favoritos ou figuras principais do jogo político até outubro de 2024.

Em circunstâncias como essa, quando parlamentares reduzem sua legitimidade, deixando a impressão à população de que agem para satisfação de demandas imediatistas, o Poder Executivo exerce todo seu poder de gravidade para atrair as forças políticas que, aparentemente, lhe oferecem obstáculos…

Foi exatamente essa receita, seguida por Wladimir Garotinho, e que se consumou, por completo, na eleição da Mesa Diretora 2025/2026, aumentando o tamanho de sua base para 22 vereadores, 3 a mais que elegeu em outubro último.Quem viu os 22 votos consagrados não deve se enganar pelas aparências.

O que estava em jogo ali era uma disputa dramática, que dá dimensão da gravidade do poder.

A possibilidade de uma chapa alternativa bem sucedida, ainda que no campo político governista, poderia deflagrar não só o ressurgimento da oposição, mas também um pacote de dificuldades no relacionamento Legislativo e Executivo, em um momento sensível para um governo que deve enfrentar uma transição em 2026, caso o atual prefeito se afaste para candidaturas majoritárias.

A verdade é que Wladimir Garotinho demonstrou, gostemos dele ou não, habilidade e maturidade para articular a eleição de Fred Rangel, passando um rolo compressor na oposição, ou melhor dizendo, do que restou dela.

O atual prefeito percebeu que o mais sutil cheiro de sangue na água precipitaria um ataque dos tubarões com os quais compartilha a piscina. Não houve chance para tanto…

Porém, como ensinou Winston Churchill, “a política e a guerra são idênticas, porém, na política morremos e revivemos várias vezes.” Wladimir ganhou tempo para montar seu governo, estabelecer espaço para quem foi leal e para os “cristãos novos”, retirar de quem não foi, e perdoar quem, mesmo sendo recalcitrante, merece uma segunda chance.

‘Irônico’: aumento do nível do mar causado pelo clima inundará grandes portos de petróleo, mostra estudo

Portos, incluindo os da Arábia Saudita e dos EUA, devem ser seriamente danificados por um metro de elevação do nível do mar

porto saudita

Por Damian Carrington para o “The Guardian”

A elevação do nível do mar causada pela crise climática sobrecarregará muitos dos maiores portos petrolíferos do mundo, indica uma análise.

Cientistas disseram que a ameaça era irônica, pois a queima de combustíveis fósseis causa aquecimento global. Eles disseram que reduzir as emissões mudando para energia renovável interromperia o aquecimento global e forneceria energia mais confiável.

Treze dos portos com o maior tráfego de superpetroleiros serão seriamente danificados por apenas 1 metro de elevação do nível do mar, descobriu a análise. Os pesquisadores disseram que dois portos baixos na Arábia Saudita – Ras Tanura e Yanbu – eram particularmente vulneráveis. Ambos são operados pela Aramco, a empresa estatal de petróleo saudita, e 98% das exportações de petróleo do país saem por esses portos.

Os portos petrolíferos de Houston e Galveston, nos EUA, o maior produtor de petróleo do mundo, também estão na lista, assim como portos nos Emirados Árabes Unidos, China, Cingapura e Holanda.

ciência mais recente publicada pela International Cryosphere Climate Initiative (ICCI) mostra que 1 metro de elevação do nível do mar é agora inevitável dentro de um século ou mais e pode ocorrer já em 2070 se as camadas de gelo entrarem em colapso e as emissões não forem contidas. Uma elevação ainda mais catastrófica de 3 metros é provavelmente inevitável no próximo milênio ou dois e pode ocorrer já no início dos anos 2100.

A elevação do nível do mar já está causando problemas ao redor do mundo, mesmo antes de ultrapassar os desenvolvimentos costeiros. A elevação até o momento significa que as tempestades são maiores e significativamente mais propensas a causar inundações costeiras, enquanto a infiltração de água salgada em terras costeiras pode corroer as fundações, observam os pesquisadores. Cortar as emissões drasticamente não apenas desaceleraria a taxa de elevação do nível do mar, mas também limitaria a elevação final.

Pam Pearson, diretora do ICCI, disse: “É irônico que esses portos de petroleiros estejam abaixo de 1 metro de elevação do nível do mar e precisem ficar de olho nessas taxas potencialmente maiores de elevação do nível do mar, que vêm do uso contínuo de combustíveis fósseis.”

A elevação do nível do mar é o impacto mais profundo de longo prazo da crise climática, redesenhando o mapa do mundo e afetando muitas cidades importantes, de Nova York a Xangai. Mas Pearson disse que os interesses de curto prazo do governo e das empresas significavam que estava sendo negligenciado. “Informações básicas [de avaliações científicas da elevação do nível do mar] não parecem ter chegado à consciência dos governos”, disse ela.

James Kirkham, o principal consultor científico do ICCI, disse: “Recusar-se a fechar as torneiras do petróleo significa manter as torneiras abertas para o aumento do nível do mar. O derretimento acelerado do gelo e a expansão do oceano já fizeram com que a taxa de aumento do nível do mar dobrasse nos últimos 30 anos. A menos que os líderes redobrem a aposta na transição para longe dos combustíveis fósseis, os terríveis impactos do aumento do nível do mar só aumentarão ainda mais – afetando todos os países com litoral, incluindo aqueles que continuam a obstruir os esforços crescentes de descarbonização.”

A Aramco não quis comentar.

A Arábia Saudita foi acusada de obstrucionismo em uma série de cúpulas globais recentes, incluindo táticas de “ bola de demolição ” na assembleia climática Cop29, e de bloquear o progresso nas negociações sobre um tratado de plásticos e sobre o combate à seca e à desertificação. As últimas negociações foram realizadas em Riad e terminaram sem acordo, com os sauditas se recusando a incluir qualquer referência ao clima no acordo.

A nova análise foi baseada no trabalho de maio , no qual pesquisadores descobriram que 12 dos 15 portos de petróleo com o maior tráfego de petroleiros eram vulneráveis ​​à elevação do nível do mar. Mapas de elevação do nível do mar do Climate Central e do GoogleMaps foram usados ​​para mostrar que uma elevação de 1 metro danificaria molhes, instalações de armazenamento de petróleo, refinarias e outras infraestruturas.

A nova análise adicionou o segundo porto saudita, Yanbu, que também está em alto risco com uma elevação de 1 metro. A equipe usou dados de exportação de petróleo da Bloomberg para estimar o volume e o valor do petróleo importado e exportado dos portos. Juntos, Ras Tanura e Yanbu exportaram US$ 214 bilhões (£ 171 bilhões) em petróleo em 2023. No total, os 13 portos foram responsáveis ​​por cerca de 20% das exportações globais de petróleo em 2023.

Murray Worthy, da Zero Carbon Analytics , que faz parte da equipe, disse: “Esta análise mostra que depender de combustíveis fósseis em um mundo em aquecimento é um caminho para o desastre, não para a segurança energética. Os países enfrentam uma escolha: continuar com combustíveis fósseis e arriscar interrupções no fornecimento, pois a elevação dos mares inunda portos e terminais, ou fazer a transição para energias renováveis ​​domésticas seguras e sustentáveis.”

Esforços poderiam ser feitos para construir defesas contra inundações, o que seria muito custoso, mas Worthy disse: “No final das contas, é uma batalha perdida. Você tem que continuar construindo esses muros de contenção mais altos ao longo do tempo.”


Fonte: The Guardian 

Desmatamento e degradação tem sexto mês consecutivo de aumento na Amazônia, aponta Imazon

Novembro teve alta de 41% nas áreas desmatadas e 84% nas degradadas

Monitoring of Deforestation and Fires in the Amazon
Monitoramento de Desmatamento e Fogo na Amazônia em julho de 2024

Sobrevoo no sul do Amazonas e no norte de Rondônia para monitorar o desmatamento e queimadas em 2024. Imagem: Marizilda Cruppe / Greenpeace

Por Imazon

A Amazônia teve em novembro o sexto mês consecutivo de aumento tanto no desmatamento, que é a remoção completa da vegetação, quanto na degradação florestal, que é o dano causado pelo fogo ou pela extração madeireira. Segundo o monitoramento por imagens de satélite Imazon, as áreas desmatadas passaram de 116 km² em novembro de 2023 para 164 km² no mesmo mês neste ano, uma alta de 41%. Já a as florestas degradadas passaram de 1.566 km² para 2.882 km², 84% a mais.

Com isso, o desmatamento acumulado de janeiro a novembro de 2024 chegou aos 3.654 km², apenas 7% a menos do que no mesmo período do ano passado. Além disso, foi a 7ª maior área desde 2008, quando o Imazon implementou seu sistema de monitoramento.

Captura de tela 2024 12 18 135732 - Desmatamento e degradação têm sexto mês consecutivo de aumento na Amazônia

Enquanto isso, por causa do aumento expressivo nas queimadas, a degradação acumulada de janeiro a novembro de 2024 chegou aos 35.751 km², área sete vezes maior do que a registrada no mesmo período do ano anterior e a pior desde 2009. Já em comparação com o desmatamento registrado no período, a degradação foi quase 10 vezes maior.

Captura de tela 2024 12 18 135821 - Desmatamento e degradação têm sexto mês consecutivo de aumento na Amazônia

“Esses aumentos consectivos mostram a necessidade de ações de prevenção mais efetivas tanto em relação ao desmatamento quanto à degradação. E principalmente a partir de maio, quando as chuvas na Amazônia deverão reduzir”, alerta o pesquisador do Imazon Carlos Souza Jr.

Pará lidera desmatamento e degradação

Sede da próxima Conferência do Clima das Nações Unidas, a COP 30, o Pará liderou tanto o raking de desmatamento quanto o de degradação em novembro. O estado desmatou 95 km² de florestas (58% do detectado na Amazônia) e degradou 1.118 km² (39% do registrado na região).

Dos 10 municípios com as maiores áreas desmatadas em novembro, nove ficam no Pará: Uruará, Medicilândia, Pacajá, Portel, Prainha, Amajari, Placas, Nova Canaã do Norte, Porto de Moz e Monte Alegre. Além disso, o estado também tem nove assentamentos entre os 10 mais destruídos: Nova União, Surubim, Ouro Branco, Paraíso do Norte, Serra Azul, Paraíso, Ademir Fredericce, Renascer II e São Sebastião do Tutuí.

Estado Desmatamento em novembro 2023 (km²) Desmatamento em novembro 2024 (km²) Variação
Pará 37 95 157%
Mato Grosso 18 23 28%
Roraima 19 21 11%
Amazonas 14 8 -43%
Maranhão 9 7 -22%
Acre 10 6 -40%
Rondônia 7 2 -71%
Amapá 1
Tocantins 2 1 -50%
Amazônia 116 164 41%

Mato Grosso fica em segundo

Em segundo lugar nos rankings de desmatamento e de degradação em novembro está Mato Grosso. O estado desmatou 23 km² de florestas (14% do detectado na Amazônia) e degradou 737 km² (26% do registrado na região). Em solo matogrossense, o destaque negativo foi para o município de Nova Canaã do Norte, o único fora do Pará no ranking dos 10 com as maiores áreas desmatadas. 

Estado Degradação em
novembro 2023 (km²)
Degradação em novembro 2024 (km²) Variação
Pará 1.093 1.118 2%
Mato Grosso 94 737 684%
Rondônia 67 545 713%
Maranhão 188 272 45%
Amazonas 121 152 26%
Amapá 1 30 2.900%
Tocantins 25
Roraima 2
Acre 2 1 -50%
Amazônia 1.566 2.882 84%

Rondônia tem quatro UCs entre as 10 mais degradadas

Especificamente em relação à degradação dentro de unidades de conservação, o destaque negativo foi para Rondônia, que possui quatro dos 10 territórios mais degradados em novembro nessa categoria. Juntos, eles somaram 274 km² de florestas degradadas, o que equivale a quase mil campos de futebol por dia.

Unidade de Conservação Estado Degradação em novembro 2024 (km²)
Resex do Rio Cautário RO 130
Parna Serra da Cutia RO 114
Rebio do Gurupi MA 42
Resex do Rio Pacaás Novos RO 22
Resex Riozinho do Anfrísio PA 20
Resex do Rio Cajari AP 18
FES do Paru PA 15
Resex Verde para Sempre PA 9
Resex Barreiro das Antas RO 8
APA Upaon-Açu/Miritiba/Alto Preguiças MA 8

Terra Indígena Alto Rio Guamá foi a mais degradada

Já entre as terras indígenas, a mais degradada em novembro foi a Alto Rio Guamá, no Pará. Somente esse território teve 192 km² afetados pelo dano ambiental, o equivalente a 640 campos de futebol por dia.

Terra Indígena Estado Degradação em novembro 2024 (km²)
Alto Rio Guamá PA 192
Menkragnoti PA/MT 128
Pacaás-Novas RO 111
Rio Guaporé RO 101
Alto Turiaçu MA 98
Aripuanã RO/MT 89
Nambiquara MT 31
Apinayé TO 25
Araribóia MA 24
Kayabi PA/MT 23

Veja os dados de novembro aqui
Acesse aqui todos os boletins do SAD
Saiba como funciona o sistema aqui


Fonte: Imazon

 

SUS gasta R$ 12 bilhões por ano para tratar doenças causadas por agrotóxicos

Estudo revelou que exposição à substância encontrada em centenas de produtos vendidos no país pode desencadear doenças neurodegenerativas

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Por Camila Bezerra para o Jornal GGN

Um estudo da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) apontou que o Sistema Único de Saúde (SUS) gasta, aproximadamente, R$ 12 bilhões por ano para tratar doenças causadas pela exposição a agrotóxicos. 

Em contrapartida, o governo federal torna o prejuízo aos cofres públicos ainda maior ao conceder R$ 10 bilhões em isenções fiscais anualmente para tais indústrias.  

“Estamos discutindo a reforma tributária. Os agrotóxicos têm bilhões de reais em isenção todos os anos. Quando olhamos a relação do que é isento e dos gastos para tratar essas pessoas, podemos até questionar a história de que o agronegócio é líder do Produto Interno Bruto [PIB]. Sabemos que, se botarmos na conta os problemas, eles vão ficar devendo”, afirma  Karen Friedrich,  servidora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e integrante da Abrasco.

A exposição ao glifosato, usada em centenas de produtos vendidos no país, mesmo em curto prazo, pode causar danos permanentes, como o acúmulo no cérebro. Consequentemente, o usada em centenas de produtos vendidos glifosato pode desencadear processos inflamatórios associados a doenças neurodegenerativas. 

Pesquisadores chamam atenção ainda para o risco que a pulverização aérea, tendo em vista que se trata da prática mais nociva em diversos fatores, pois requer controle da quantidade de agrotóxico dispensada, do vento e temperatura. 

“As condições climáticas do país são muito diversas e mais ainda com o momento de crise e de colapso climático. Então, garantir a segurança é algo antiético. Não é possível dizer que é 100% seguro quando não é. Os mais atingidos são os trabalhadores da agricultura, suas famílias, quem mora nas áreas do entorno e povos e comunidades tradicionais, inclusive de maneira proposital. Além de tudo, o agrotóxico no Brasil também é usado como arma química”, continua a servidora. 

Além da reforma tributária, que assegurou 60% de redução de impostos para agrotóxicos registrados no Ministério da Agricultura, Karen Friedrich também observou o atraso no Programa Nacional de Redução de Agrotóxicos (Pronara)

Ainda que o Pronara estivesse previsto para 2014, o programa foi adiado e não saiu do papel até hoje. Há a expectativa de que o programa seja anunciado ainda no primeiro semestre do próximo ano.


Fonte: Jornal GGN