A guerra dos mundos pode chegar no herdeiro daquela casinha da Lapa

paes wladimir

Por Douglas Barreto da Mata

Quem observar atentamente os resultados das eleições, em todos os níveis, dentro e fora do país, desde o início dos anos 2000, perceberá que o eixo do debate político mudou drasticamente.  Isso é óbvio, dirão vocês. Eu sei, mas alguém já disse que o óbvio precisa ser dito e repetido várias vezes. As reduções das gestões de políticas econômicas aos dogmas de mercado, e seus rigores fiscais impuseram uma aproximação radical de campos até então opostos.

De forma simplista, sobrou pouca diferença, por exemplo, entre Haddad e Paulo Guedes, Lula ou Bolsonaro, quando se observa as gestões fiscais e orçamentárias de ambos.  Seja na Noruega ou na Argentina, a agenda de mercado pressiona as conquistas sociais. O terrorismo econômico, da “gastança do governo”, imobiliza-o no atendimento aos mais pobres! É uma estratégia de duas cabeças: a interdição do debate econômico (onde só há uma tese certa, a do mercado), e desestabilizar pelo conflito “cultural”.

De forma simplista, seja quem for o candidato da direita e da esquerda, não importará muito se foram criados empregos, a taxa de juros, o PIB, etc. 

No âmbito estadual também não importará muito a saúde financeira do Estado, os índices de IDEB, se há filas de espera para atendimentos na saúde, se o transporte público faliu, ou outros indicadores.  Os eixos centrais são aqueles que alimentam essa “guerra de mundos”, como segurança, religião, gênero, e toda a pauta identitária, conjugado com as limitações permanentes de investimento social. Quer dizer, os temas econômicos e de gestão administrativa não são cruciais pelos seus aspectos reais, mas pela capacidade de cada oponente distorcer a realidade a seu favor, seja realçando suas qualidades, seja destacando os defeitos do outro. Prova?  Apesar de Trump ter deixado a economia dos EUA como uma bomba relógio para seu sucessor, o fato é que ele pinçou a alta dos preços, e transformou um dos aspectos da economia em sua pièce de résistance.

Ao mesmo tempo, ainda que o Brasil ostente crescimento positivo de PIB inesperado, com desemprego em patamar baixíssimo, apesar da taxa de juros mais alta do planeta, estabelecida pela sabotagem do Banco Central, o leve aumento inflacionário resultou em um ataque especulativo colossal, seguido de uma chantagem cruel da mídia para que sejam feitos cortes nos gastos sociais.

Não tenho como conspirar e dizer que mídia e mercado andam juntos, mas parece estranha a coincidência que todos sigam na mesma direção, sempre, subtraindo deste governo a base necessária para que mantenha uma agenda de direitos sociais e seu capital político para as eleições que se aproximam.

Voltando para o nosso Estado e para nossa região, dentro desse cenário descrito, nas eleições estaduais me parece que o papel de “herói” das esquerdas e do centro já foi escalado para Eduardo Paes. Ele é prefeito “playboy” boa praça, que circula nas altas rodas, pela sua origem privilegiada, mas sabe “entrar e sair” das “quebradas”, que samba com chapéu de Zé Pilintra, ecoando ‘miscigenação” e seu “sincretismo”, “um democrata racial e cultural”, para emprestar a lógica de Casa Grande & Senzala, de Gilberto Freyre. O papel dos “anti heróis” vai ficar para o outro lado.

Sim, a direita vai se reunir em torno do governador e do amplo leque de alianças de sua base. Vão ter que encarar a poderosa Rede Globo, cria do Estado, e que tem na pauta identitária uma de suas preferências (hipócritas, por certo), e não escondem seu zelo com o “mocinho Paes”. Por isso, o que Paes mais deseja é um plebiscito com um “vilão” característico, um candidato truculento ou com histórico truculento, mau encarado, fundamentalista religioso, do tipo KKK carioca…um híbrido de Malafaia com Tenório Cavalcante. 

A direita fluminense parece não ter percebido a jogada de Paes, que esfrega as mãos, aguardando um antagonista desse tipo.  Esse é o prato que Paes espera que lhe seja servido, para que ele possa desempenhar o papel de centrista ilustrado, amigo de Macron, um prefeito internacional, sintonizado com a imagem de um Rio cosmopolita. Paes tem tentado evitar que uma candidatura com as mesmas características dele, mas de sinal trocado, ou seja, deliberadamente conservadora, porém suave e ponderada, simpática mesmo, lhe enfrente.

Embora a pré candidatura anunciada seja a de Washington Reis, e só os tolos acreditam que o presidente da ALERJ tenha desistido da ideia de ser ele mesmo o candidato, o fato é que o ex-prefeito de Duque de Caxias está impedido juridicamente, e o presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) se encaixe mais no papel de “vilão” que de “mocinho”. Na verdade, o candidato dos sonhos de Paes, observando essa lógica acima, seria o presidente da Alerj. 

No Estado do Rio há poucos com esse perfil de direita mais ameno e com potencial capital eleitoral significativo. Eu arriscaria dizer que o prefeito Wladimir Garotinho é um dos que pode colocar água no chopp de Paes. É de direita assumido, mas transita com facilidade na esquerda.  Como filho de governadores não se pode dizer pobre ou de origem humilde, mas traz na carreira a referência da trajetória dos pais junto ao eleitorado popular. Soube se diferenciar de seus pais, sem ignorar seu legado.  É religioso, mas sai do culto ao pagode sem perder a linha, nem parecer falso. Tem ótima entrada no público feminino pobre, principalmente das mães solo, e é atração entre crianças. 

O perfil conciliador e bonachão de Wladimir, e sua habilidade nas redes sociais se compara à de Paes, soando às vezes parece mais sincero, dada a história da família Garotinho, como já mencionado.  Ao contrário de Paes, tido e havido como um animal político de Zona Sul, até que, recentemente, conseguiu ultrapassar o túnel, mas não sem muito esforço e ruído, como o que aconteceu, recentemente, com a base evangélica. Outros atributos são a enorme capilaridade possível a Wladimir pelo Estado todo, ao contrário de Paes, que no máximo chega a Niterói, e com muito esforço, em boa parte, é verdade, pela parceria com Rodrigo Neves.

De todo modo, como diziam os romanos, alea jacta est. Que comecem os “jogos vorazes”.

A reitoria da Uenf flerta com contratos temporários para docentes e ameaça de morte projeto de universidade de Darcy Ribeiro

temporário

Confrontada com sua própria incapacidade negociar com o governador Cláudio Castro questões básicas como o novo Plano de Cargos e Vencimentos (PCV) e a realização de concursos para docentes cuja ocorrência está permitida até pelo draconiano regime de recuperação fiscal (RRF), a atual reitoria da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf) vem lançando mão de uma série de ações do tipo “band aid” que refletem o grau de incapacidade de gestão existente.

Agora, temos a notícia de que a reitoria da Uenf está flertando com a adoção de um modelo de contratos temporários para cobrir a falta de docentes em determinadas áreas. O modelo que estaria sendo imitado é o da Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec) que recentemente lançou mão desse expediente para garantir a contratação de 664 professores para atuarem apenas nos anos letivos de 2024 e 2025.

Afora dizer que os modelos institucionais da Uenf e da Faetec são completamente diferentes, o problema é que contratos temporários podem funcionar quando se está pensando apenas no oferecimento de aulas por um período relativamente curto, mas se tornam um verdadeiro Cavalo de Tróia quando se pensa na formação universitária onde é necessário, além das aulas, se ter acesso a atividades de pesquisa e extensão.

Ao flertar com essa hipótese, a reitoria da Uenf esquece que na sua co-irmã mais poderosa, a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), a contratação de professores temporários acabou há exatamente 10 anos gerando uma intervenção do Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro para obrigar a realização de concursos para vagas permanentes após anos de congelamento.  Essa ação do MP/RJ ocorreu após provocação da associação de docentes da Uerj (Asduerj) que demonstrou a piora das condições de trabalho e de performance da qualidade geral das atividades universitárias por causa da quantidade persistente de contratos temporários.

A verdade é que se essa proposta for implementada na Uenf, o que estará se matando é a proposta institucional de Darcy Ribeiro que não apenas tornou a instituição a primeira do Brasil a ter apenas docentes com dedicação exclusiva, mas também pagando os melhores salários do país no ano de sua fundação. Em vez de termos a Universidade do Terceiro Milênio idealizada por Darcy, o que os contratos temporários criarão será uma situação de inviabilização do tripé ensino-pesquisa-extensão e a instalação de um modelo precarizado em que docentes sem estabilidade estarão sempre na  espera da renovação ou não de seus contratos.

Por essas e outras é que essa proposta não pode prosperar e deve ser rejeitada de pronto. É que não se pode admitir que, por falta de capacidade de gestão, se recorra a um expediente que já deu provas que não resolve, mas apenas cria problemas.  O que deixará o governador Cláudio Castro ainda mais livre para impor ainda mais precarização nas universidades fluminenses. Será  tipo sai a Universidade do Terceiro Milênio, e entra a Uberversidade ou a IFoodsidade.

Guerra química: agrotóxicos viram arma de guerra nas áreas de expansão do agronegócio, mostra relatório da CPT

Dados divulgados pela CPT (Comissão Pastoral da Terra) relativos ao primeiro semestre de 2024 indicam crescimento de disputas nas áreas conhecidas como Amacro, Matopiba e Amazônia Legal, fronteiras do agronegócio. Explosão de casos de contaminação por agrotóxicos no Maranhão chama a atenção

Pulverização aérea de agrotóxicos tem causado aumento de casos de contaminação no Maranhão (Foto: Reprodução/Academia do Agronegócio)

Por Igor Ojeda para a Repórter Brasil 

Os conflitos de terra se acirraram durante o primeiro semestre de 2024 em regiões do Brasil onde o agronegócio tem avançado, revelam dados divulgados nesta segunda-feira (2) pela CPT (Comissão Pastoral da Terra). 

O levantamento aponta queda no número total de conflitos em relação ao mesmo período de 2023, mas aumento de disputas no campo na Amazônia Legal e nas áreas conhecidas como Amacro – que abrange 45 milhões de hectares na divisa entre o Amazonas, Acre e Rondônia – e Matopiba – que se estende por territórios dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. São regiões marcadas pela expansão do agronegócio nas últimas décadas.

Segundo os dados parciais levantados pela CPT, entidade vinculada à CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), foram 1.056 ocorrências de conflitos no campo entre janeiro e junho de 2024, uma queda de 6% em relação às 1.127 registradas no primeiro semestre do ano anterior. 

No entanto, o índice deste ano é o segundo maior desde 2015. Do total de ocorrências em 2024, foram 872 conflitos por terra, 125 conflitos por água e 59 casos de trabalho escravo. 

“O semestre apresentou menos vítimas da violência no campo em relação ao mesmo período no último ano, mas a conflitividade continua elevada, somada aos danos sofridos pelas comunidades rurais devido à crise climática e aos incêndios criminosos em seus territórios”, diz a CPT.

Os números parciais divulgados nesta segunda integrarão o Caderno Conflitos no Campo 2024, que será lançado pela entidade em abril de 2025. O relatório, que já teve 38 edições, é um dos mais importantes registros da violência e da resistência no campo brasileiro. 

“Quando se olha os últimos dez anos, há uma crescente que se mantém. Houve uma diminuição muito leve de casos em 2024, mas, ao mesmo tempo, ainda existe um índice muito alto de violência contra a pessoa e um crescimento de outras formas de violência”, avalia Cecília Gomes, da Coordenação Nacional da CPT.

Para ela, o aumento da conflitividade em áreas de expansão das fronteiras agrícolas “indicam que o campo ainda não é um lugar seguro pra se viver”. “O campo é um lugar onde há um desrespeito extremo aos direitos humanos e à vida digna. Vivemos momentos de ataques crescentes aos povos da terra, das águas e das florestas”, diz.

Entre os 872 casos relativos a conflitos por terra, a maior parte (824) foi de casos de violência contra a ocupação e posse, o terceiro maior índice dos últimos dez anos. O restante dos casos (48) deve-se a ações de resistência: ocupações, retomadas e acampamentos.

Apesar de ter ocorrido redução no registro de formas de violência como grilagem, invasão, expulsão concretizada, pistolagem e omissão/conivência das autoridades, houve aumento significativo das ocorrências de ameaça de expulsão, que passaram de 44, em 2023, para 77, em 2024, revela a CPT. Em relação à pistolagem, apesar da redução de 150 para 88 casos, é o segundo maior índice da última década. 

Entre os casos de assassinatos, os dados revelam que houve uma diminuição no número de vítimas: 6 no primeiro semestre – o menor número em dez anos. Mas a CPT alerta que já são 11 mortes confirmadas até o final de novembro. Destas, quase metade foi cometida por fazendeiros. Segundo a entidade, em quatro dos casos, forças policiais atuaram como executoras ou apoiadoras aos executores. . 

Explosão de casos de contaminação por agrotóxicos 

Um dos índices que mais chamam a atenção nos dados divulgados pela CPT é o crescimento acentuado de ocorrências de contaminação por agrotóxicos. De 19 casos registrados no primeiro semestre de 2023, houve um salto para 182 no mesmo período de 2024 – alta de 857%. A maioria dos casos (156) aconteceu no Maranhão. 

Na avaliação de Gomes, esse dado é reflexo de uma diversificação nas formas de opressão e violência no campo. “As populações de comunidades camponesas e tradicionais estão sendo atingidas diretamente pelas pulverizações aéreas de agrotóxicos. Estão sendo diretamente envenenadas. Quando não se expulsa pela força, se expulsa por banhos de veneno”, denuncia.

agrotóxicos

A violência decorrente da contaminação por agrotóxicos teve um crescimento alarmante, passando de 19 ocorrências em 2023 para 182 em 2024. A maior parte desses casos (156) ocorreu no estado do Maranhão, onde comunidades estão sofrendo severas consequências da pulverização aérea de veneno. 

O uso dos agrotóxicos como arma para expulsar moradores no contexto de disputa de terras tem crescido nos últimos, alertam comunidades rurais e organizações da sociedade civil. 

O fim da pulverização aérea de venenos agrícolas tem sido discutido em vários estados do país. No Brasil, por enquanto, só o Ceará tem uma legislação que veda a prática — a “Lei Zé Maria do Tomé”, batizada em homenagem a um ativista ambiental assassinado em 2010, no interior do estado. 

A Repórter Brasil mostrou na semana passada que duas comunidades próximas a lavouras de frutas no Ceará – Tomé, em Limoeiro do Norte, e Assentamento Maceió, em Itapipoca – continuam registrando mortes de crianças que poderiam ser atribuídas à exposição aos agrotóxicos, mas que não são investigadas por órgãos de vigilância.

Para Cecília Gomes, o Maranhão tem sido palco de uma disputa territorial e de uma “corrida por bens naturais”. Segundo os dados do CPT, o Matopiba registrou um aumento em diversas formas de violência. O desmatamento ilegal teve crescimento de 16%, a destruição de roçados, de 30%, as ameaças de despejo aumentaram em 60% e as ameaças de expulsão saltaram 150%. 

Nessa região, diferentemente do registrado no Amacro e na Amazônia Legal, também houve aumento na quantidade de vítimas de violência contra a pessoa.

Vítimas e causadores

Os posseiros, ou seja, famílias de comunidades tradicionais que ainda não têm a titulação da terra, foram as maiores vítimas dos conflitos por terra (235), seguidos por povos indígenas (220), quilombolas (116) e sem-terra (92), revelam os dados.

Já em relação aos causadores da violência, a CPT aponta os fazendeiros (339) como principal força, seguidos por empresários (137), governo federal (88), governos estaduais (44) e grileiros (33).

Em relação aos conflitos por água, as maiores vítimas foram os povos indígenas (35 casos). Em seguida, vêm os quilombolas (24), posseiros (21), ribeirinhos (18) e pescadores (13). Nessa categoria, os causadores das violências são os empresários (32), fazendeiros (26), hidrelétricas (23), mineradoras (19) e governo federal.

Áreas de Cerrado na Bahia ocupadas por plantações de soja (Foto: Fernando Martinho/Repórter Brasil)

Trabalho escravo

Segundo o levantamento da CPT, o primeiro semestre de 2024 apresentou uma redução significativa do número de casos de trabalho escravo e pessoas resgatadas, após três anos consecutivos de crescimento. 

Foram 59 casos e 441 trabalhadores rurais resgatados, em comparação a 98 casos e 1.395 resgatados em 2023. 

As atividades com maior concentração de pessoas resgatadas foram as lavouras permanentes (209), desmatamento (75), mineração (70), produção de carvão vegetal (44) e a pecuária (39), números que demonstram “a grande contribuição do agronegócio e da mineração para a perpetuação do trabalho análogo à escravidão”, diz a CPT.

Crise climática

Embora não contem como violência do campo, a CPT levantou dados sobre os impactos sentidos pelas comunidades camponesas, quilombolas e indígenas em três eventos relacionados à crise climática: enchentes na região Sul, secas na Amazônia e incêndios em todo o país.

No Rio Grande do Sul, mais de 300 famílias camponesas, 145 comunidades quilombolas e nove aldeias do povo Guarani foram afetadas. Em relação aos incêndios, os povos indígenas foram os que mais sofreram. Ao todo, 37% dos casos de desmatamento ilegal registrados foram em territórios indígenas. Segundo a CPT, fazendeiros foram responsáveis por metade dos casos identificados de incêndios criminosos. 


Fonte: Repórter Brasil e CPT

Boias de navegação em regiões portuárias podem facilitar entrada de espécies invasoras, mostra estudo

boiasEquipe coletou 73 amostras de 23 boias do porto de Paranaguá durante substituição dos equipamentos

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Além de transportar humanos e objetos, navios também podem levar de carona espécies de animais marinhos. Um estudo publicado na última sexta (29/11) na revista “Ocean and Coastal Research” identificou, em nível de espécie, 25 animais sésseis – que vivem fixos em substratos – em boias de navegação no litoral do Paraná. Dessas espécies, 13 são consideradas introduzidas – ou seja, não são nativas da costa brasileira, mas mantêm populações que sobrevivem e se reproduzem no local. Quase todas podem ser ainda consideradas invasoras – com dispersão e reprodução frequente na região. A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade Estadual do Paraná (Unespar) e da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Em 2011, os pesquisadores obtiveram autorização para coletar amostras de boias do porto de Paranaguá, no Paraná, quando seria feita a substituição dos itens de sinalização da região portuária. Foram coletadas 73 amostras em 23 boias. “É muito difícil conseguir esse tipo de material, porque é proibido mexer nessas boias, elas são importantes para a segurança do tráfego portuário e da navegação”, explica o biólogo Rafael Metri, pesquisador da Unespar e primeiro autor do artigo. As boias às quais Metri e seus colegas tiveram acesso estavam posicionadas na região portuária paranaense havia mais de dez anos.

Os cientistas conseguiram identificar, ao todo, 88 táxons (grupos de animais) nas amostras, sendo 44 sésseis (organismos que vivem presos a um substrato) e 44 vágeis (organismos que se movem livremente). Foi possível determinar 25 espécies no primeiro conjunto. Além das 13 introduzidas, esse grupo conta com 11 espécies que têm larga distribuição e origem desconhecida, enquanto apenas uma é nativa. Já o segundo conjunto é composto por 23 espécies, sendo 12 de origem desconhecida e 11 nativas.

A maioria dos animais introduzidos mapeados no estudo são do grupo bivalve, caracterizado por conchas, que inclui ostras e mexilhões. O mexilhão marrom Perna perna, já comum na costa brasileira há alguns séculos, foi a espécie mais constante, aparecendo em 80% das boias estudadas. O artigo também destaca a presença de outro bivalve invasor, Isognomon bicolor, registrado pela primeira vez no Brasil nos anos 2000, em 40% das boias.

Segundo Metri, as espécies introduzidas promovem a homogeneização da biota, diminuindo a ocorrência de espécies nativas. “A colonização de espécies invasoras é a segunda principal causa da perda de biodiversidade no mundo, perdendo apenas para a destruição de habitats naturais”, alerta o biólogo.

Além dos impactos ambientais, Metri aponta consequências econômicas do desequilíbrio causado pelas espécies invasoras na região portuária. “Os pescadores estão bastante preocupados com algumas espécies invasoras que podem atrapalhar a atividade porque afetam as espécies pescadas por eles”, comenta o biólogo. A bioincrustação por espécies invasoras também pode danificar a infraestrutura costeira, o que gera custos de manutenção e reparo.

Para evitar problemas, os autores recomendam aos gestores portuários que façam a limpeza periódica das boias de navegação e a utilização de tintas anti-incrustantes não tóxicas, que impedem a fixação de organismos. Eles também destacam a importância do monitoramento ambiental. “A detecção precoce de novas espécies introduzidas é crucial para a implementação de estratégias para minimizar o problema”, diz Metri. O biólogo e seus colegas têm trabalhado em projetos de mapeamento das espécies introduzidas por toda a região da baía de Paranaguá, o que pode ajudar na prevenção de desequilíbrios ecológicos.


Fonte: Agência Bori

Países pedem metas vinculativas para reduzir produção de plástico após fracasso de negociações em conferência da ONU

Grupo de 85 países e blocos pressiona por ambição no tratado sobre resíduos plásticos após nenhum acordo ter sido alcançado em Busan

garras petSacos de garrafas plásticas em uma loja de sucata em Quezon City, nas Filipinas. Fotografia: Eloisa Lopez/Reuters

Por Sandra Laville, correspondente de Meio Ambiente, para o “The Guardian”

Metas globais vinculativas para reduzir a produção de plástico devem estar no centro de quaisquer negociações contínuas para garantir o primeiro tratado do mundo para lidar com o desperdício de plástico, disse um grupo de 85 países.

Negociações em Busan, Coreia do Sul, tentando garantir um acordo entre mais de 200 países sobre os detalhes de um tratado sobre poluição plástica terminaram em fracasso no fim de semana.

Graham Forbes, o delegado líder do Greenpeace nas negociações, disse na segunda-feira: “Estamos em uma encruzilhada histórica. A oportunidade de garantir um tratado de plásticos impactante que proteja nossa saúde, biodiversidade e clima continua ao nosso alcance.”

As negociações de uma semana, conhecidas como INC-5, que deveriam ser as últimas antes da assinatura do primeiro tratado para reduzir a poluição por plástico, terminaram sem acordo nas primeiras horas de segunda-feira, em um impasse sobre a inclusão de cortes na produção de plástico entre os chamados países ambiciosos e os estados produtores de combustíveis fósseis, que se opõem a quaisquer reduções na produção.

Mais de 100 países apoiaram um rascunho de texto que incluía reduções globais juridicamente vinculativas na produção de plástico e a eliminação gradual de certos produtos químicos e plásticos de uso único.

Mas a resistência de países como Arábia Saudita, Irã e Rússia às reduções de produção, de acordo com declarações em suas submissões às negociações do tratado, levou os negociadores a admitir a derrota. Eles reconheceram que falharam em superar sérias divisões sobre os objetivos do tratado.

Abdulrahman al-Gwaiz, o delegado da Arábia Saudita, indicou que os cortes de produção continuaram sendo uma linha vermelha para muitos países. “Se você abordar a poluição por plástico, não deve haver problema em produzir plásticos, porque o problema é a poluição, não os plásticos em si”, disse ele.

Em resposta ao fracasso das negociações, os países que pressionavam por cortes de produção continuaram a pedir reduções juridicamente vinculativas. Oitenta e cinco países e blocos políticos, incluindo o Reino Unido, a UE, a Espanha, a Alemanha, o México e a Grécia, assinaram uma declaração comprometendo-se a defender a ambição no tratado.

Juliet Kabera, diretora-geral da autoridade de gestão ambiental de Ruanda, disse em uma declaração em nome dos países de alta ambição: “Expressamos nossas fortes preocupações sobre os apelos contínuos de um pequeno grupo de países para remover disposições vinculativas do texto que são indispensáveis ​​para que o tratado seja eficaz.”

Os EUA, que haviam falado em apoio a reduções voluntárias na produção, foram acusados ​​de não usar sua influência para pressionar por medidas juridicamente vinculativas.

Rachel Radvany, uma ativista do grupo de direito ambiental CIEL, disse: “Apesar de manterem na preparação e durante o INC que a produção e os produtos químicos eram medidas importantes para o tratado, eles se recusaram a… atender ao chamado para se juntar a mais de 100 países que pedem medidas juridicamente vinculativas.”

Hugo Schally, diretor-geral do meio ambiente da Comissão Europeia, disse: “A UE está decepcionada com o resultado do INC-5; não obtivemos o que viemos buscar aqui, um tratado vinculativo com ação decisiva contra a poluição plástica, mas nos sentimos encorajados e fortalecidos por um número crescente de países que compartilham as mesmas ambições.”

Outra reunião está planejada, mas a chefe do meio ambiente da ONU, Inger Andersen, reconheceu que profundas diferenças permaneceram e “algumas conversas significativas” eram necessárias primeiro. “Eu acredito que não há sentido em nos reunirmos a menos que possamos ver um caminho de Busan para o texto do tratado sendo batido”, ela disse.

Andersen disse que estava claro que “há um grupo de países que dão voz a um setor econômico”, mas ela disse que encontrar um caminho a seguir era possível. “É assim que as negociações funcionam. Os países têm interesses diferentes, eles os apresentam e as conversas então têm que acontecer… buscando encontrar esse ponto em comum.”

Nenhuma data ou local foi definido para a retomada das negociações. A Arábia Saudita e outros países estão tentando garantir que elas comecem não antes de meados de 2025.

Números recordes de lobistas da indústria do plástico compareceram às negociações em Busan, com 220 representantes da indústria química e de combustíveis fósseis presentes. Tomados como um grupo, eles foram a maior delegação nas negociações, com mais lobistas da indústria do plástico do que representantes da UE e de cada um de seus estados-membros (191) ou do país anfitrião, a Coreia do Sul (140), de acordo com uma análise do CIEL.

Dezesseis lobistas da indústria de plásticos compareceram às conversas como parte de delegações de países. China, República Dominicana, Egito, Finlândia, Irã, Cazaquistão e Malásia tinham representantes da indústria em suas delegações, mostrou a análise.


Fonte: The Guardian

Na Argentina, formas de violência lenta avançam a fronteira da soja e dos agrotóxicos venenosos

296776Nancy López é uma líder indígena. Seu neto nasceu de cesariana após uma reação de choque aos agrotóxicos. Foto de : Naomi Hennig

Por Naomi Hennig para o Neues Deutschland 

Há alguns anos, um anúncio da empresa de produtos químicos agrícolas Syngenta proclamava a “República Unida da Soja”, uma ficção nascida do imaginário do setor agrícola que parece tornar-se cada vez mais real com o passar dos anos. Estende-se por várias fronteiras nacionais no Cone Sul da América do Sul, a área ao redor do Trópico de Capricórnio. Desde a década de 1990, o feijão asiático tem desfrutado de uma marcha triunfante em toda a região. E com ele os intervenientes no pacote tecnológico associado: grandes empresas agrícolas, empresas químicas e de sementes, comerciantes agrícolas globais, investidores. Nos limites da república da soja, na região do Chaco, no noroeste da Argentina, que está ameaçada pelo desmatamento, o lado obscuro deste modelo de desenvolvimento é particularmente evidente.

Num dia quente e úmido de fevereiro – é verão no hemisfério sul e estação chuvosa no Chaco – encontro Isaías Fernandez e Nancy López, líderes indígenas dos pequenos assentamentos Wichí-Weenhayek de Quabracho e Oka Puckie, para uma entrevista. Algumas das cabanas de madeira parecem bastante danificadas depois de uma tempestade na noite anterior, mas as pessoas com quem falo permanecem impassíveis. Há coisas mais importantes para relatar. Agora, na época das chuvas, as empresas agrícolas locais começam a cultivar os campos. Para os moradores dos assentamentos, isso significa sofrer os efeitos nocivos dos agrotóxicos pulverizados nas plantações de soja vizinhas.

As duas comunidades se estabeleceram há anos ao longo da estrada arterial, na periferia da pequena cidade de Tartagal: 24 famílias em 95 hectares de terra. A comunidade vive num conflito permanente pelas suas terras – existe atualmente outro aviso de despejo e as pessoas estão gravemente ameaçadas de perder suas terras. A vida aqui é difícil, o dia a dia é caracterizado por muitos obstáculos. Como não há ligação de água potável, a água é transportada em recipientes plásticos. Se você olhar de perto poderá ver a caveira e o aviso “Veneno”. São latas de agrotóxicos recicladas que as fazendas vendem para as pessoas da região.

Pouco antes, houve outra campanha noturna de pulverização bem próximo ao assentamento. A filha grávida de Nancy sofreu convulsões e teve que ser levada ao hospital onde foi realizada uma cesariana. Seu filho nasceu como resultado de uma reação de choque aos agrotóxicos. Como será o futuro para um recém-nascido que vem ao mundo sob tais circunstâncias?

Isaías está ciente de que viver num ambiente tão poluído tem consequências para a saúde a longo prazo. Aqui e também no próximo assentamento maior, Misión Kilómetro 6, as pessoas relatam doenças tumorais, problemas respiratórios e de pele, além de nascimentos prematuros e abortos espontâneos. A certa altura, os moradores de Oka Puckie e Quebracho decidiram que já estavam fartos e confrontaram o motorista de um caminhão pulverizador que circulava no campo de soja ao lado, sob o manto da escuridão. O subcontratado, que nada sabia da existência do assentamento vizinho, teve uma ideia e desligou a máquina – por enquanto.

Hoje eles estão nos matando com papéis

A identidade da população indígena do Chaco foi moldada pela experiência histórica de colonização da Conquista Espanhola e posteriormente do Estado-nação argentino, explica Nancy. A incursão do agronegócio e o desmatamento associado na região levaram a numerosos conflitos sobre direitos de uso da terra e títulos de propriedade, chamados simplesmente de “papeles” (papéis) no jargão local. Ela descreve as expulsões e a precarização da população indígena como uma nova onda de colonização, como uma ameaça aguda: “Se você perde a floresta, você perde a sua cultura. Se as empresas vierem e derrubarem a floresta, perderemos tudo. Eles costumavam nos matar com armas – agora nos matam com papéis.”

A partir da década de 2000, durante o período do boom das matérias-primas e dos elevados preços do mercado mundial, a agricultura argentina expandiu-se para além da fértil região dos Pampas e levou a um desmatamento alarmante na região do Chaco, a norte. Os campos de soja consumiram áreas florestais que foram utilizadas pela primeira vez para a agricultura. Ocorreram cenas de destruição que, para muitos moradores do Chaco, representaram um apocalipse: escavadeiras, protestos e despejos. O fim da auto-suficiência local destruiu modos de vida e comunidades.

As duras condições desta região impediram que os espanhóis conquistassem todo o Chaco. Na época das chuvas tudo se transforma numa paisagem lamacenta, pequenas estradas rurais e estradas agrícolas tornam-se intransitáveis ​​e muitas aldeias e quintas ficam isoladas do mundo exterior. No verão, as temperaturas às vezes ultrapassam os 40 graus, o que torna impossível trabalhar ao ar livre. No entanto, há muito investimento acontecendo aqui. Enormes silos operados por comerciantes internacionais de grãos como Cargill, Bunge e Cofco estão sendo construídos ao longo de estradas rurais. A concentração de terras aqui no norte é particularmente elevada; as operações agrícolas com dezenas de milhares de hectares dominam o negócio. Ocasionalmente você vê pequenos assentamentos improvisados, escolas abandonadas ou cemitérios. Parecem irritações breves entre os imensos e monótonos campos de soja e milho que se estendem até ao horizonte. Esta região remota e muitas vezes referida como marginal está totalmente ligada às cadeias de valor globais da indústria alimentar.

O crescimento das exportações agrícolas e de matérias-primas foi a salvação financeira para a economia argentina, que conseguiu reestruturar-se rapidamente após a falência nacional em 2001 e libertar-se brevemente do endividamento excessivo. Com taxas de exportação superiores a 30 por cento, o boom da soja representou uma fonte lucrativa de divisas estrangeiras. Mas hoje os sacrifícios que o modelo de produção de soja exige dificilmente podem ser ignorados. As pessoas nas zonas rurais da Argentina estão a organizar-se e a formar redes de ativistas como os Pueblos Fumigados, as aldeias pulverizadas. Em Tartagal, a rádio comunitária Voz Indígena desempenha um papel importante. Principalmente as mulheres das comunidades indígenas participam de oficinas e produzem seus próprios programas de rádio. Foi aqui que ela “acordou”, diz Mónica Medina, de Quebracho. Não pode mais ser pulverizado com pesticidas ou distribuído.

Responsabilidade dos fabricantes de agrotóxicos

É um dia frio de abril no Hemisfério Norte, a 12 mil quilômetros de Tartagal. Numerosos convidados estão reunidos na sala de eventos da organização de direitos humanos ECCHR, em Berlim, representantes de organizações parceiras do Paraguai, Brasil, Bolívia e Argentina, bem como de organizações ambientais alemãs. Trata-se da responsabilidade da Bayer AG alemã e da exigência de que a empresa cumpra o seu dever de cuidado para limitar os efeitos nocivos de produtos como o glifosato nas pessoas e no ambiente. Ao mesmo tempo que a assembleia de acionistas da Bayer, no final de abril, a aliança apresentou uma reclamação ao ponto de contato alemão para as Diretrizes da OCDE, acompanhada de numerosos eventos informativos. Trata-se do pacote tecnológico que a Bayer tem vendido desde que assumiu o controle do Grupo Monsanto: sementes de soja geneticamente modificadas e agrotóxicos adaptados a elas. E trata-se de práticas empresariais num ambiente social caracterizado por inúmeros conflitos devido ao avanço do setor agrícola.

Soja geneticamente modificada e pesticidas na América do Sul

Em 1996, as sementes de soja da Monsanto foram o primeiro organismo geneticamente modificado (OGM) a ser aprovado na Argentina e desde então se espalharam por toda a região. Um gene patenteado foi inserido no DNA das sementes de soja da Monsanto (marca RoundupReady) que as torna resistentes ao herbicida Roundup, também produzido pela Monsanto. O herbicida, à base de glifosato, mata todas as plantas daninhas, mas deixa a planta de soja RoundupReady resistente a este agrotóxico.

A denúncia se baseia em um dossiê detalhado, em pesquisas meticulosas sobre as estruturas de vendas da Bayer Crop Science em quatro países do Cone Sul (Argentina, Chile, Uruguai e Paraguai), bem como em relatórios e entrevistas com pessoas das regiões rurais afetadas por pesticidas.  Deriva, águas poluídas, fontes de água potável inutilizáveis ​​e graves consequências para a saúde decorrentes do contato com agrotóxicos. Metade da área agrícola total da Argentina é utilizada para o cultivo de soja, bem como enormes áreas para o cultivo de milho geneticamente modificado. O glifosato e outros pesticidas são usados ​​quase incontrolavelmente em todas estas áreas – em média, os agricultores argentinos usam o dobro da quantidade de pesticidas por hectare em comparação com os EUA, de 12 a 15 litros. É semelhante nos países vizinhos.

Abel Areco, o advogado que viajou do Paraguai e chefe da organização BASE-IS, fala sobre a morte de Rubén Portillo: O pequeno agricultor da Colônia Yerutí, no leste do Paraguai, morreu em 2011 devido a agrotóxicos, e outras 20 pessoas foram envenenadas. As fazendas locais descartaram recipientes de agrotóxicos de maneira inadequada; o veneno entrou nos poços dos moradores vizinhos. A organização da Areco trabalha há anos com pequenos agricultores e comunidades indígenas afetados e tem acompanhado muitos desses casos. María José Venancio, da organização argentina de direitos humanos CELS, também relata seu trabalho como advogada em Santiago del Estero, uma província do norte da Argentina. Ao falar dos inúmeros conflitos que cercam a expansão do agronegócio em sua região, ela se consome de raiva.

O autor Rob Nixon descreve esta violência quotidiana contra as pessoas e a natureza, em muitas pequenas etapas ao longo das cadeias de abastecimento de produtos agrícolas e produção alimentar, como violência lenta – violações dos direitos humanos através da poluição e da extração de recursos que normalmente não produzem quaisquer notícias espectaculares. É uma violência lenta que se espalha territorialmente, que está distante e absolutamente normalizada. Uma violência da qual muitos na Europa dificilmente suspeitam e que pessoas como Nancy e Isaías, na distante Tartagal, há muito analisam. Resta ainda saber se o ponto de contacto alemão da OCDE também concorda com a sua análise.


Fonte: Neues Deutschland

Ondas de calor misteriosas estão surgindo em todo o mundo sem explicação

terra derretida(© sveta – stock.adobe.com)

Por StudyFinds Staff 

NOVA YORK  Quando uma onda de calor ataca, muitas pessoas provavelmente pensam que é apenas mais um sinal do aquecimento global. No entanto, um novo estudo preocupante descobriu uma coleção de “pontos quentes” globais, onde as temperaturas estão se tornando tão extremas sem aviso que a mudança climática não consegue explicar.

Nessas regiões, o calor do verão não surge apenas sorrateiramente, ele explode repentinamente em território desconhecido. Pesquisadores da Columbia Climate School acrescentam que essas ondas de calor são tão extremas que estão quebrando todos os modelos climáticos de previsão que foram feitos.

Estamos falando de recordes de temperatura quebrados por margens alucinantes, como a onda de calor de 2021 no noroeste do Pacífico, que quebrou recordes diários em impressionantes 12 graus Celsius.

“Essas regiões se tornam estufas temporárias”, diz o pesquisador principal Kai Kornhuber em um comunicado à imprensa.

Regiões onde as ondas de calor observadas excedem as tendências dos modelos climáticos. As áreas em caixa com as cores vermelhas mais escuras são as mais extremas; vermelhos e laranjas menores excedem os modelos, mas não tanto. Os amarelos correspondem aproximadamente aos modelos, enquanto os verdes e azuis estão abaixo do que os modelos projetariam.
Regiões onde as ondas de calor observadas excedem as tendências dos modelos climáticos. As áreas em caixa com as cores vermelhas mais escuras são as mais extremas; vermelhos e laranjas menores excedem os modelos, mas não tanto. Os amarelos correspondem aproximadamente aos modelos, enquanto os verdes e azuis estão abaixo do que os modelos projetariam. (Crédito: Adaptado de Kornhuber et al., PNAS 2024)

O estudo, publicado no Proceedings of the National Academy of Sciences , analisou 65 anos de dados de ondas de calor e descobriu algo realmente inquietante. Enquanto as temperaturas globais estão subindo, algumas áreas estão vivenciando ondas de calor completamente fora do normal.

Os exemplos mais dramáticos parecem uma viagem de desastre de calor global. China Central, Japão, Península Arábica, leste da Austrália e noroeste da Europa foram os mais atingidos. Só na Europa, as ondas de calor contribuíram para quase 60.000 mortes em 2022 e 47.000 em 2023.

O que torna essas ondas de calor tão incomuns é sua imprevisibilidade. Uma possível explicação envolve a corrente de jato – aquele rio de ar em movimento rápido que circula o Hemisfério Norte. À medida que o Ártico esquenta mais rápido do que outras regiões, a corrente de jato se torna instável, potencialmente criando “ondas de Rossby” que prendem o ar quente em lugares inesperados por dias ou até semanas.

Aqui está a parte realmente assustadora: não estamos preparados para esses eventos extremos . Muitas regiões, como o noroeste do Pacífico e a Europa, tradicionalmente não precisavam de ar condicionado. De repente, elas estão enfrentando temperaturas que podem matar.

“Não fomos feitos para eles e talvez não consigamos nos adaptar rápido o suficiente”, alerta Kornhuber.

Curiosamente, nem todos os lugares estão vivenciando esses picos extremos de calor. Grandes áreas como o centro-norte dos Estados Unidos, o centro-sul do Canadá e partes da Sibéria estão vendo aumentos de temperatura que correspondem mais de perto às previsões.

Como 2024 está a caminho de ser outro ano recorde – seguindo 2023, o ano mais quente já registrado – esta pesquisa serve como um lembrete severo. Nosso clima está mudando de maneiras que não entendemos completamente, e as consequências são potencialmente devastadoras.

A mensagem é clara: estes não são apenas verões quentes. Eles são um vislumbre de um mundo em rápida transformação , onde nossos modelos e preparações existentes podem não ser mais suficientes.


Fonte: Study Finds

Mileinomics: os retrocessos na Argentina de Milei e o acordo comercial UE-Mercosul

mileinomics

Um projeto de lei de reforma econômica abrangente, chamado Ley Bases (Lei de Bases), foi aprovado em junho deste ano na Argentina, gerando protestos massivos. Ele concede poderes extraordinários ao presidente por um ano para impulsionar as exportações nos setores de petróleo, gás, mineração, agronegócio e florestal, por meio do novo Regime de Incentivos para Grandes Investimentos (RIGI) 

O regime RIGI visa atrair grandes investimentos estrangeiros diretos em larga escala, impulsionando as exportações da Argentina por meio de uma série de isenções fiscais de longo alcance, alfândega, câmbio e benefícios regulatórios, para projetos que valem mais de US$ 200 milhões. Ele também enfraquecerá ainda mais os controles estatais, com desregulamentação, privatização e a abertura incondicional da economia. Mas, embora as indústrias extrativas se beneficiem de benefícios econômicos de longo alcance, o pacote de reforma econômica radical não inclui nenhuma responsabilização pelos impactos sociais ou ambientais dessas indústrias, nem estabelece quaisquer requisitos para que as empresas enviem Estudos de Impacto Ambiental. 

Além disso, o RIGI dá às corporações direitos ainda mais exclusivos sobre a população, pois prevê o notório ISDS (solução de disputas entre investidores e Estados). Todas as disputas relacionadas ao RIGI serão resolvidas em tribunais secretos de arbitragem internacional fora da Argentina, em vez de seus tribunais nacionais . O sistema ISDS foi criticado por órgãos internacionais como o IPCC e a ONU por seu efeito prejudicial sobre a ação climática e medidas de proteção ambiental. Ele permite que as corporações processem governos provinciais que assinaram o RIGI por milhões de dólares do dinheiro dos contribuintes quando acreditam que seus lucros foram prejudicados por uma medida pública, incluindo medidas de proteção ambiental. A Argentina já é o país mais processado do mundo em termos de disputas entre investidores e Estados, incluindo reivindicações de grandes corporações nos setores de gás e petróleo, como Total Energies, BP e Repsol. Corporações como Shell e BP já disseram que, sob o RIGI, seus investimentos podem aumentar para números ainda maiores. 

O mais preocupante é a repressão estatal em andamento pelo governo de Milei e a maneira como ele está restringindo os protestos sociais. O governo anunciou a criação de uma ‘Unidade de Segurança’ especial. A unidade tem autoridade para mobilizar e concentrar forças policiais e federais a qualquer hora e lugar, apenas por ordem do governo nacional para permitir que territórios extrativistas recebam proteção extra das forças militares em caso de conflito social e protestos contra projetos extrativistas. Tudo isso indica que o RIGI prioriza as necessidades das empresas sobre as necessidades da população local, incluindo acesso à água e energia, mesmo em tempos de escassez. O RIGI desencadeou uma campanha nacional de movimentos sociais chamada “Não ao RIGI”.

Neste contexto, a União Europeia (UE), que afirma ser uma defensora da transição verde, está disposta a fazer negócios com o presidente de extrema direita cético em relação ao clima na Argentina e está correndo para finalizar o acordo comercial UE-Mercosul prejudicial ao meio ambiente. O acordo tem como objetivo impulsionar o comércio de produtos agrícolas como carne bovina, soja e etanol, bem como agrotóxicos perigosos proibidos na UE e carros poluentes feitos na Europa. Muitas dessas commodities são os maiores impulsionadores do desmatamento, emissões de gases de efeito estufa e perda de biodiversidade, além de levar ao deslocamento de povos indígenas e outras violações de direitos humanos na Argentina e em outros países do Mercosul (Brasil, Paraguai e Uruguai). A influência das grandes empresas se reflete no design do acordo, que não faz referência à responsabilidade corporativa vinculativa por violações de direitos humanos e ambientais. Em vez disso, o acordo contém regras vinculativas que favorecem o acesso ao mercado para que as corporações garantam e barateiem o fornecimento de matérias-primas.

O segundo maior ecossistema florestal do continente sul-americano, a floresta do Chaco, será ainda mais ameaçada pelo acordo. Na parte argentina do Gran Chaco, cinco milhões de hectares de floresta nativa foram perdidos nas últimas duas décadas, principalmente devido à expansão da soja e da carne bovina, produtos promovidos no acordo UE-Mercosul. A floresta do Chaco é considerada de importância global por seu papel na mitigação dos efeitos das mudanças climáticas, atuando como um dos maiores sumidouros de carbono do planeta. A “motosserra acenando” de Milei já eliminou fundos para a proteção de florestas nativas, deixando a Lei Florestal sem suas principais ferramentas de monitoramento e ação e abrindo a porta para mais desmatamento da floresta do Chaco. 

Além disso, os direitos humanos das comunidades indígenas são diretamente ameaçados pelo acordo UE-Mercosul , uma vez que áreas em risco de desmatamento frequentemente fazem fronteira ou estão em territórios indígenas. O mais alarmante são as tendências relatadas de repressão contra grupos indígenas, bem como a discriminação racial estrutural que eles enfrentam na Argentina. Mas, apesar da pressão crescente que o acordo comercial UE-Mercosul poderia exercer sobre as comunidades indígenas, suas vozes foram excluídas das negociações e da criação do acordo.

As empresas europeias de agrotóxicos estão buscando capitalizar leis mais fracas sobre  agrotóxicos por meio do acordo UE-Mercosul . A Argentina é reconhecida há muito tempo como um dos três maiores usuários de agrotóxicos do mundo, ao lado do Brasil. Pessoas em comunidades rurais fizeram campanha contra o uso de agrotóxicos perto de suas casas devido aos graves riscos à saúde. Mas os impactos sobre os direitos humanos não parecem incomodar a indústria química. O maior grupo de lobby químico europeu, o Conselho Europeu da Indústria Química (CEFIC), vem promovendo a rápida ratificação do acordo UE-Mercosul, afirmando que tarifas reduzidas para produtos químicos permitirão um crescimento constante nas exportações de agrotóxicos para os países do Mercosul.

O acordo é alardeado como uma vitória para o desenvolvimento econômico e a diversificação, mas estudos mostraram que ele representa sérios riscos econômicos para os países do Mercosul e pode até contribuir para uma maior desigualdade, desestabilizando ainda mais economias já vulneráveis ​​e afastando os países do Mercosul do desenvolvimento sustentável. A própria avaliação de impacto sustentável da Comissão Europeia admite que os ganhos do PIB com o acordo são insignificantes.

Neste contexto, a Comissão Europeia está agora tentando criar um atalho alterando o processo de votação que contornaria a oposição dos governos nacionais que têm criticado o acordo UE-Mercosul. Esta proposta é para dividir o pilar comercial do acordo UE-Mercosul do resto do Acordo de Associação para ser colocado para adoção pela Comissão sem exigir o consentimento de todos os Estados-Membros da UE dentro do Conselho da UE, e sem exigir qualquer tipo de ratificação nacional e violando o mandato de negociação. Centenas de organizações da sociedade civil e parlamentares expressaram preocupação sobre a proposta da Comissão de dividir o processo de aprovação, o que ameaça severamente os processos democráticos.

Em um momento em que o governo argentino está promovendo reformas que exacerbam os impactos do modelo extrativista, ao mesmo tempo em que rejeita estruturas para proteger os direitos humanos e ambientais e facilita a repressão e a criminalização de protestos legítimos, o acordo UE-Mercosul corre o risco de alimentar o colapso climático e agravar a crise socioecológica na Argentina.  

O acordo UE-Mercosul é, na realidade, um exemplo gritante dos padrões duplos hipócritas da UE. Enquanto a Comissão Europeia estabeleceu metas internas para o Acordo Verde Europeu para atingir a neutralidade climática, reduzir o uso de agrotóxicos e eliminar gradualmente os carros a gasolina e diesel na UE, ela está pressionando pela ratificação de um acordo comercial que promove o oposto completo para os países da América do Sul. Isso retrata a troca ecologicamente desigual entre o Sul Global e o Norte Global, e as estruturas neocoloniais do comércio global. 

O instrumento ambiental conjunto no qual a Comissão Europeia está trabalhando atualmente não pode abordar os impactos destrutivos de longo prazo que o acordo comercial terá. A insustentabilidade do acordo está em sua própria essência, pois é precisamente o comércio de produtos nocivos e a expansão do modelo intensivo de agronegócio que impulsiona crimes ambientais, grilagem de terras, destruição da natureza e emissões de gases de efeito estufa. O chamado “experimento libertário” de Milei, ou “Mileinomics”, para reformas radicais de livre mercado combinadas com o acordo desatualizado UE-Mercosul são uma receita para o desastre econômico. Ele está enraizado em um modelo econômico neocolonial que criou a crise socioecológica em primeiro lugar.

Baixe o relatório completo de que trata este texto, aqui!

Sentindo-se com 60 aos 30: Cientistas investigam o impacto negativo das bebidas energéticas

red bull

Um estudo realizado por um grupo de cientistas russos revelou que a combinação de nicotina e bebidas energéticas em jovens entre 18 e 20 anos pode causar envelhecimento precoce e aumentar o risco de doenças cardiovasculares.

Os investigadores alertam para as consequências irreversíveis destes hábitos nocivos. A investigação realizada por um estudante da Universidade Estatal de Medicina de Saratov , na Rússia (SSMU), que foi a primeira do gênero e foi publicada na revista científica Week of Russian Science , estas descobertas têm grande relevância num contexto onde as bebidas energéticas são muito populares entre os jovens de hoje e espera-se que o seu consumo se multiplique por 2,5 até 2029 em comparação com o início desta década, de acordo com o SSMU.

É bem sabido que eles afetam negativamente as células nervosas humanas, aumentam os níveis dos hormônios tireoidianos e elevam as concentrações de íons cálcio. Até recentemente, porém, a extensão dos danos causados ​​pela combinação de bebidas energéticas com nicotina não era clara, dizem os investigadores.

“Eu estudo em uma faculdade de medicina com uma carga horária acadêmica pesada, então muitos estudantes recorrem a bebidas energéticas para ficarem acordados por mais tempo. Fumar também é um hábito muito difundido entre os jovens, então fiquei curioso para explorar seus efeitos combinados”, explica o terceiro ano. estudante da SSMU e um dos autores do estudo, Nicol Klochkova.

Em sua pesquisa, os cientistas da SSMU observaram um aumento na pressão arterial e na frequência cardíaca, juntamente com níveis elevados de colesterol. Eles também identificaram marcadores que indicam danos às células do fígado e do pâncreas.

“Aconselho os jovens a não danificarem o seu corpo apenas por mais duas ou três horas de vigília, porque as consequências, se não forem imediatas, serão inevitavelmente sentidas mais tarde. Estes efeitos podem ser irreversíveis. Dentro de dez anos, muitos sentirão o impacto dos seus hábitos e, aos 30 anos, os seus corpos poderão parecer-se com os de uma pessoa de 60 anos”, alerta Klochkova.

Destaca que a cada ano as doenças cardiovasculares são mais comuns entre os mais jovens, por isso é fundamental evitar hábitos nocivos que aumentem os riscos de acidentes vasculares cerebrais e enfartes do miocárdio.

“Os resultados do estudo têm um importante valor clínico preditivo e podem ser usados ​​para prevenir o abuso de bebidas energéticas e o tabagismo entre a população jovem trabalhadora na Rússia”, afirma a professora sênior da SSMU e investigadora principal do estudo, Galina Uriadova .

O professor acrescenta que pesquisas futuras irão aprofundar os efeitos do etanol, da nicotina e das bebidas energéticas nos corpos jovens.


Fonte: Sputnik Mundo

Estudo relaciona níveis mais altos de PFAS a riscos tóxicos e acesso limitado a alimentos frescos

Os resultados destacam como o ambiente construído em bairros de baixa renda apresenta múltiplas rotas de exposição ao PFAS

pfas torneiraEnchendo um copo de água em uma torneira de cozinha em Santa Ana em 26 de abril de 2024. Fotografia: MediaNews Group/Orange County Register/Getty Images

Por Tom Perkins para o “The Guardian” 

Uma nova pesquisa que visa identificar quais bairros dos EUA enfrentam maior exposição aos tóxicos “produtos químicos eternos” PFAS descobriu que aqueles que vivem perto de locais “superfund” e outros grandes poluidores industriais, ou em áreas com acesso limitado a alimentos frescos, geralmente têm níveis mais altos dos compostos perigosos no sangue.

O estudo analisou centenas de pessoas que vivem no sul da Califórnia e descobriu que aqueles que não moram a menos de 800 metros de um supermercado têm níveis 14% mais altos de PFOA e PFOS – dois compostos comuns de PFAS – no sangue do que aqueles que moram.

Enquanto isso, aqueles que vivem a menos de cinco quilômetros de um local de superfundo — um local contaminado com substâncias perigosas — têm níveis até 107% mais altos de alguns compostos, e pessoas que vivem perto de uma instalação conhecida por usar PFAS apresentaram níveis sanguíneos significativamente mais altos.

As descobertas destacam como o ambiente construído em bairros de baixa renda apresenta múltiplas rotas de exposição a PFAS, disse Sherlock Li, pesquisador de pós-doutorado na University of Southern California. As soluções não são fáceis, ele acrescentou.

“É uma pergunta difícil porque você não pode dizer às pessoas para simplesmente se mudarem ou comprarem filtros de ar e filtros de água e comerem alimentos saudáveis”, disse Li. “Esperamos que o governo veja a análise e tome medidas… porque é mais econômico reduzir a poluição na fonte.”

PFAS são uma classe de cerca de 15.000 compostos normalmente usados ​​para fazer produtos que resistem à água, manchas e calor. Eles são chamados de “produtos químicos eternos” porque não se decompõem e se acumulam naturalmente, e estão ligados a câncer, doença renal, problemas de fígado, distúrbios imunológicos, defeitos congênitos e outros problemas de saúde sérios.

O estudo também descobriu que pessoas que vivem em bairros com água contaminada com PFAS têm níveis sanguíneos 70% mais altos de PFOS e PFOA, embora não haja correlação entre alguns outros compostos.

Pesquisadores dizem que a dieta é provavelmente um fator contribuinte para os níveis mais altos em bairros com acesso limitado a alimentos frescos. Pesquisas anteriores descobriram que alimentos processados ​​e fast foods que são mais acessíveis nesses bairros geralmente contêm níveis mais altos de PFAS – os produtos químicos são comumente adicionados para resistir à umidade e à gordura em embalagens de fast food e recipientes para viagem . Por outro lado, comer uma dieta com mais alimentos frescos pode ajudar a reduzir os níveis sanguíneos de PFAS.

Embora a Food and Drug Administration tenha anunciado no ano passado que os compostos PFAS não eram mais aprovados para uso em embalagens de papel para alimentos produzidas nos EUA, os produtos químicos podem estar em embalagens importadas ou em recipientes de plástico.

As embalagens estão entre as “principais fontes” de níveis elevados nos bairros, disse Li, mas a solução é em parte estrutural – melhorar o acesso a alimentos frescos com mais supermercados ou hortas comunitárias também terá o benefício de reduzir os níveis de PFAS.

Alguns participantes do estudo moravam perto de várias antigas bases da Força Aérea e de uma instalação de galvanoplastia que agora são locais de superfundos contaminados com PFAS.

A ligação entre as águas subterrâneas no local e a água potável era fraca, e os autores levantam a hipótese de que os níveis mais altos de PFAS no sangue ao redor dos locais de superfundo e instalações industriais que usam os produtos químicos derivam em grande parte da poluição do ar. O PFAS pode ser volátil, o que significa que ele é liberado no ar de uma área poluída, ou pode entrar na poeira e, então, ser inalado ou ingerido.

“Precisamos ser mais holísticos para reduzir a exposição à água, aos alimentos, ao ar do solo – todos eles”, disse Li.


Fonte: The Guardian