Governo Lula quebra recorde de liberação de agrotóxicos: 663 novos produtos foram autorizados só em 2024

Tem mais veneno no seu prato: Brasil bate recorde de liberação de agrotóxicos em 2024. Aumento foi de 19% em relação a 2023, quando o país registrou queda no registro de novos produtos 

O Brasil é o país que mais usa agrotóxicos no mundo, com percentual maior do que a China e os Estados Unidos juntos

Por Leonardo Fernandes para o Brasil de Fato

 Brasil bateu recorde de liberação de agrotóxicos em 2024, segundo informações do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Foram 663 produtos aprovados, um aumento de 19% em relação a 2023, quando foram liberados 555 produtos. Naquele ano, houve redução no número de liberações. A maioria dos novos produtos aprovados são genéricos de outros agentes já liberados (541). Quinze novas substâncias foram aprovadas, assim como 106 produtos de origem biológica, os chamados “bioinsumos”.   

Para Alan Tygel, integrante da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, o acréscimo ainda não é consequência da nova lei de agrotóxicos, aprovada e sancionada em 2023 com vetos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), já que a norma não está regulamentada. Ele opina que esses dados refletem a continuidade de um modelo de produção agrícola que ignora os efeitos do uso desses produtos químicos e prioriza a garantia de suas margens de lucro.  

“A curva dos novos registros vem apresentando aumento desde 2016, ano do golpe sobre a presidenta Dilma. Os dados de 2024 mostram apenas que esta tendência não se reverteu no governo Lula, pelo contrário, a estrutura de apoio ao agronegócio e às transnacionais agroquímicas segue firme e forte dentro do Executivo federal. Não estamos vendo ainda os efeitos da nova lei, pois ela ainda não está regulamentada; é apenas a continuidade de uma política de incentivo agronegócio, às exportações de produtos primários e à desindustrialização”, disse o pesquisador e ativista. 

Pedro Vasconcelos, assessor da Fian Brasil, concorda que ainda é cedo para atestar que o recorde na liberação de agrotóxicos tenha a ver com a aprovação da nova lei, mas pondera que a aprovação e sanção da nova legislação fortaleceu o papel do Mapa e enfraqueceu as demais instituições envolvidas no processo de análise e aprovação de novos registros. “A nova lei deu uma segurança jurídica para que o Ministério da Agricultura tenha a palavra final”, critica Vasconcelos. 

A nova lei dos agrotóxicos, além de encurtar os prazos de análises dos produtos, retirou da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) o poder de veto sobre a liberação dessas substâncias, cabendo a essas instituições apenas a classificação de risco dos produtos. Desta forma, a decisão passa a estar concentrada no Ministério da Agricultura, que já se manifestou publicamente contra qualquer medida que vise a redução do uso de agrotóxicos no Brasil

Vasconcelos avalia que os dados de 2024 revelam o tamanho a contradições internas do próprio governo que, embora já tenha se posicionado contra o abuso dessas substâncias, encontra forças contrárias a qualquer movimento no sentido de restringir o uso dos agrotóxicos no Brasil. “A meu ver, esse número de registros é o registro de uma de uma dificuldade muito grande na pauta, a ponto de não assumir de verdade um posicionamento contrário.”

Os pesquisadores alertam que esse modelo de produção agroalimentar tem levado o país à perda de área cultivada de alimentos que não são de interesse do agronegócio, que priorizam commodities para exportação. A situação agrava o quadro de insegurança alimentar no país. “Uma das consequências desta escolha é a alta do preço dos alimentos, já que a soja vem tomando lugar das plantações de comida“, afirma Tygel.  

“Tudo isso faz com que a população sofra os efeitos de um sistema que está destruindo. Está destruindo nossas formas de produção, a gente está comendo comida envenenada, e o nível de produtividade cai a cada momento, graças a esse modelo. É um ciclo. O nível de produtividade cai, as questões climáticas impactam cada vez, então é um modelo muito pouco adaptável, do ponto de vista climático”, avalia Vasconcelos. 

Novos venenos 

Entre as novas substâncias liberadas para uso no Brasil, duas receberam a categoria 2 na classificação toxicológica da Anvisa, como “altamente tóxico”. O Orandis, produto a base de Clorotalonil e Oxatiapiprolim, atua como fungicida e é indicado para pequenas culturas. Já o Miravis é um composto de Clorotalonil e Pidiflumetofem. Também atua como fungicida e é usado em grandes cultivos de soja, milho, algodão e trigo. Ambos são produzidos pela Syngenta. Segundo informações dos fabricantes, a inalação dos produtos pode levar a óbito, além de provocar reações alérgicas e lesões oculares em caso de exposição indevida. 


Evolução da liberação de agrotóxicos no Brasil / Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento

Sua comida está envenenada  

A liberação massiva de sustâncias químicas para uso agrícola se reflete na qualidade da alimentação dos brasileiros e tem consequências graves à saúde. Os resultados do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (Para) no ano de 2023, realizado pela Anvisa, revelaram que cerca de 26% dos alimentos consumidos pelos brasileiros possuem resíduos de agrotóxicos no momento do consumo. E desses resíduos, pelo menos cinco possuem restrições e proibições em outros países, incluindo o Carbendazim, que tem uso proibido no Brasil desde 2022.  

Apenas nas amostras de arroz, foram encontrados 25 agrotóxicos tipos diferentes de agrotóxicos. Já no abacaxi, foram identificadas 31 substâncias residuais, entre elas, o glifosato, ingrediente ativo proibido em diversos países da União Europeia, a partir de estudos que o relacionam com a incidência de diversos tipos de cânceres.  

Outro produto que vem sendo utilizado em larga escala e que também foi encontrado em amostras de alimentos, como a goiaba, é o clorpirifós, que está associado a distúrbios neurológicos, malformação de fetos e ocorrências de abortos espontâneos. 

Diante desse panorama, a toxicologista e pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Karen Friedrich reconhece o trabalho técnico da Anvisa, mas aponta limitações. “Um agrotóxico pode causar um problema ou pode não causar nada ou pode causar muito pouco, mas esse coquetel, a chance de isso interagir e potencializar os danos é muito grave”, avalia.   

Edição: Thalita Pires


Fonte: Brasil de Fato

Jogada de mestres: com o DeepSeek, a China deixa escancarada a fraqueza dos EUA e das suas “big” techs

Por Douglas Barreto da Mata

O meu amigo e editor do Blog do Pedlowski, Marcos Pedlowski, tem acompanhado com interesse a guerra da tecnologia, travada entre China e EUA, em um prenúncio de qual será a natureza dos próximos conflitos mundiais.  Para quem tem dúvida sobre o assunto, sugiro ler os textos (Aqui!,Aqui! e Aqui!).

Parece claro que se anuncia um novo tremor geopolítico, daqueles com potencial destrutivo de outros passados, como os que deram ignição a guerras coloniais entre França, Inglaterra, Espanha, Holanda, etc.

Ou outras mais recentes, como as duas grandes guerras, e outros conflitos regionais de repercussões mundiais, como Coréia, Vietnã, Afeganistão, ou Iraque.

Essa situação que se avizinha revela muitas circunstâncias, que não raro são escondidas sob os editoriais da mídia empresarial, ou sob o manto das narrativas ideológicas das elites mundiais. 

Em cada tempo da História, desde sempre, os recursos do Estado sempre estiveram a serviço da classe dominante e seus interesses.  Toda vez que você ouvir um liberal falar o contrário, ignore, pois ele mente.  Não existe capitalismo sem Estado. 

Foi assim que os burgueses acumularam riquezas para a transição do feudalismo para o capitalismo, lançando expedições estatais para os confins de um mundo desconhecido, até aquela época, para subtração de riquezas minerais, e para captura de escravos.

Depois, estabelecido o capitalismo como modo de produção hegemônico, vieram os conflitos e novas expedições coloniais, outra vez, em busca de recursos e novos mercados para os excedentes de produção, que se acumulavam nos países centrais. Claro que cada etapa foi salpicada de enormes embates bélicos, pois “bicudos não se beijam”.

Já recentemente, com a escalada exponencial de acumulação, sobrando dinheiro parado, o capitalismo mundial lançou-se na busca por remuneração em outras paragens, criou-se assim as armadilhas das dívidas públicas em países pobres, seus déficits fiscais, que dão azo às chantagens dos juros como único remédio para conter surtos inflacionários. 

Seja o destino manifesto dos EUA, seja o Lebensraum (o espaço vital alemão), a cada etapa histórica, potências capitalistas disputam a primazia política e/ou militar da dominação de recursos e de mercados, e claro, da remuneração constante, no fluxo permanente de transferência de riquezas dos países pobres para os países ricos. 

Não poderia ser diferente com a nova fase tecnológica. China e EUA estão se estapeando para determinar quem será a dona do mundo digital, e como sempre, os EUA seguem o mesmo padrão de conduta:  Expansão gigantesca de ativos inflados (superestimados), com o objetivo de soterrar concorrentes, tendo como ferramenta principal o poderio do governo que emite a moeda na qual todo o resto do mundo se endivida.

O que a China fez com a DeepSeek foi coisa típica de chineses. Foi, com o perdão da expressão, um “chute nas bolas do Tio Sam”. 

Às vezes leio muita besteira de supostos analistas, alguns até com “background” acadêmico, tentando desvendar uma civilização que está aí faz milhares de anos, e que já resistiu a diversos períodos de assédio por outros impérios, como o inglês, por exemplo.  Ninguém sabe o que vai na cabeça dos chineses, até que eles tomem alguma atitude.

A China disse ao mundo que a indústria de Inteligência Artificial (IA) dos EUA, e suas big techs, somadas à empresa que vende as máquinas necessárias para processamento, NVidia, são uma enorme fraude, um golpe em escala mundial.

Quando os chineses colocaram sua empresa de IA com menos de 10 milhões de dólares para fazer o mesmo que as dos EUA fazem por bilhões, e com a mesma capacidade de processamento destas chamadas gigantes do setor, eles desmascaram, em essência, a própria estrutura de funcionamento do capitalismo estadunidense.  Furaram a bolha de IA dos EUA. O mesmo pode se aplicar ao sistema financeiro, dentre outras tantas atividades.

Hoje sabemos, por exemplo, que a indústria automobilística, que por anos foi dominada pelos padrões dos EUA, poderia ter beneficiado a Humanidade com veículos muito mais eficientes, com menos desperdício de recursos e combustíveis, e óbvio, com impactos sócio-ambientais muitíssimos menores. 

Sabemos que esse modelo que privilegiou soluções privadas e particularizadas de transporte(carros de passeio), em detrimento de opções coletivas e públicas, foi moldado para responder e dar essência à demanda estadunidense de dominação geopolítica, e vice-versa. Junto com esse mercado cresceu toda uma cultura de “culto ao carro”, desde dos filmes de Hollywood até as estruturas pedagógicas estatais.

Em todas estas etapas, o governo dos EUA atuou com toda sua força para beneficiar seus empresários, agindo sempre em contradição ao que vaticina para os “cucarachos” ao redor do mundo, onde intervenção estatal na economia só é aceitável para pagar juros. A mesma fraude se deu no mercado de hipotecas. Toda a estrutura pública e estatal dos EUA atuou para fortalecer a expansão desmedida dos títulos podres, que se dissolveram como açúcar na água, levando o mundo todo junto, assim como aconteceu no Crash de 1929.

As guerras foram travadas pelos orçamentos públicos dos EUA em nome do petróleo, que alimenta os veículos.  Golpes foram patrocinados em países que ameaçavam sair da esfera de influência dessa geopolítica.

Não que os chineses de hoje, os alemães de 1939, ou os portugueses e ingleses do século XV não tenham feito igual, ou tentado fazer, até que foram detidos pelas derrotas militares. A questão é a enorme hipocrisia.  Chineses não alardeiam seus objetivos de conquistas através de narrativas fantasiosas de “liberdade e democracia”, ou “livre comércio ou livre concorrência”.  Só tolos acreditam nessa baboseira. Para sermos honestos, os chineses sequer falam.

Agora, com o golpe dado pelos chineses nas big techs dos EUA, ficou claro por que os mega empresários do setor estão de mãos dadas com o pato laranja.  O contribuinte dos EUA vai pagar a conta, e o contribuinte do resto do mundo idem, com exceção, talvez, dos chineses e russos (e aliados que estão fora do eixo ocidental), e com certeza, não haverá “American Dream” ou “America Great Again”. Dessa vez não vai haver nem fingimento de um “happy end”.

Sucesso da chinesa DeepSeek expõe sobrevalorização de empresas de IA dos EUA e pode causar banho de sangue no mercado de ações

O logotipo da empresa chinesa de inteligência artificial DeepSeek é visto em Hangzhou, província de Zhejiang, China, em 26 de janeiro de 2025. CFOTO/Future Publishing via Getty Images
Por Ryan Grim e Waqas Ahmed para o DropSite

As ações de tecnologia dos EUA estão despencando enquanto a China parece estar expondo as empresas americanas envolvidas em Inteligência Artificial (IA) como extremamente supervalorizadas. É uma consequência previsível de como o governo americano abordou o Vale do Silício e vice-versa. Este não é o tipo de coisa que normalmente cobrimos, mas não confiamos muito na mídia dos EUA para contar essa história com precisão.

Qualquer um que acompanha casualmente viu como foi. Empresas de tecnologia dos EUA, com o apoio do governo federal (e do Pentágono), construíram uma posição global dominante por meio de inovação genuína. Microsoft, Facebook, Apple, Google e Amazon remodelaram o mundo. A Microsoft, uma das primeiras grandes empresas a crescer, tentou interromper essa inovação comprando e/ou esmagando seus concorrentes, mas os EUA a processaram em 1998 por violar as leis antitruste. O governo Bush resolveu o caso, recuando no esforço de separá-los. O que se seguiu foi um abraço bipartidário da Big Tech; as eras Bush e Obama viram crescimento desenfreado e fusões. À medida que as empresas de tecnologia viam empresas menores inovando, elas compravam a empresa, a matavam e absorviam parte de sua equipe.

Um movimento antimonopólio começou a borbulhar, levando a processos judiciais contra Facebook, Amazon, Google e Apple na última década. Lina Khan, como presidente da Comissão Federal de Comércio sob o ex-presidente Joe Biden, tornou-se uma heroína popular ao alertar que a ganância e a consolidação não estavam prejudicando apenas consumidores e trabalhadores, mas que as próprias empresas escleróticas acabariam sofrendo com a falta de concorrência. “Nossa história mostra que manter mercados abertos, justos e competitivos, especialmente em pontos de inflexão tecnológica, é uma maneira fundamental de garantir que a América se beneficie da inovação que essas ferramentas podem catalisar”, disse Khan em 2023.

Agora ficou claro que o fosso que os EUA construíram para proteger suas empresas da concorrência doméstica na verdade criou as condições que permitiram que elas atrofiassem. Elas ficaram gordas e felizes dentro de seus castelos. Seus negócios mudaram da inovação tecnológica para a realização de alquimia com planilhas, transformando métricas inventadas em avaliações em dólares desvinculadas da realidade. Agora, a DeepSeek expôs o golpe. Com uma pequena fração dos recursos e sem acesso a toda a panóplia de tecnologia de chips dos EUA, a empresa chinesa DeepSeek enganou o Vale do Silício. A empresa americana OpenAI começou como uma organização sem fins lucrativos dedicada a tornar a IA amplamente disponível, como seu nome sugere. Seu chefe, Sam Altman, conseguiu transformá-la em uma empresa com fins lucrativos e fechá-la.

Agora, o DeepSeek está ironicamente cumprindo a missão original do OpenAI ao fornecer um modelo de código aberto que simplesmente tem melhor desempenho do que qualquer outro no mercado. 

Enquanto isso, aqui nos Estados Unidos, Trump está comemorando um investimento (possivelmente exagerado) de US$ 500 bilhões no Texas para abastecer o poder computacional de IA que parece estar obsoleto — ou muito menos relevante — graças à inovação da DeepSeek. E Trump está enchendo sua administração com manos da criptografia, magnatas da tecnologia se recusando a desinvestir e até lançou sua própria moeda meme de golpe. Os principais conselheiros de tecnologia de Trump, como Elon Musk, enquanto isso, têm extensos laços comerciais diretamente com a China. Você não precisa apertar os olhos muito para ver qual desses países vai ganhar essa competição.

O contrato social firmado entre o governo dos EUA e o Vale do Silício — do qual o povo americano se tornou parte involuntária — era direto: deixaremos um punhado de caras da tecnologia se tornarem incomensuravelmente ricos e, em troca, eles construirão uma indústria de tecnologia que manterá a América globalmente dominante. Em vez disso, os caras da tecnologia quebraram o acordo. Eles pegaram o dinheiro, mas em vez de continuar a inovar e competir, construíram monopólios para manter a concorrência fora — até mesmo recebendo a ajuda do estado de segurança nacional dos EUA para bloquear o acesso chinês à nossa tecnologia. Mas eles não conseguiram ficar fora da competição para sempre. Lina Khan estava certa. E agora aqui estamos.

Os efeitos posteriores serão profundos se a trajetória de uma transferência de riqueza dos EUA para a China continuar acelerada. É comum dizer que a maioria das pessoas não possui ações individuais, mas isso subestima a exposição que todos nós temos a esse golpe. Está em nossos IRAs ou 401ks e a ascensão dessas ações constituiu quase todo o crescimento do mercado de ações nos últimos anos. E se a China se tornar cada vez mais o lugar para trabalhar se você for um pesquisador ou desenvolvedor ambicioso, não é difícil ver aonde isso leva.

Abaixo está uma explicação sobre o DeepSeek que pedimos ao nosso correspondente Waqas Ahmed para elaborar.
   

CEO da OpenAI, Sam Altman. Foto de Justin Sullivan/Getty Images.

P: O que é DeepSeek e por que ele está causando um colapso nas ações?

R: A empresa chinesa DeepSeek lançou um modelo de IA que é tão bom quanto qualquer um de seus equivalentes americanos e o tornou de código aberto. Isso mudou fundamentalmente a economia e a política da indústria de IA em rápido crescimento, que até agora tem sido liderada por um oligopólio de empresas de tecnologia americanas tentando posicionar os Large Language Models (LLMs) como o avanço tecnológico definidor deste século, e eles próprios como os guardiões de seu molho secreto.

Há muita conversa sobre o DeepSeek custar apenas cerca de US$ 6 milhões para ser construído, embora esse valor não inclua pesquisa e desenvolvimento. E, apesar dos controles de exportação, o DeepSeek conseguiu explorar um número não trivial de chips de alta tecnologia que estávamos tentando manter deles. No entanto, ainda é um choque enorme para a indústria dos EUA.

P: O que são LLMs e como eles surgiram ?

R: Um artigo de 2017 intitulado “Atenção é tudo o que você precisa ” foi um ponto de virada na indústria de IA. O artigo descreveu um método de criação de um modelo de aprendizado de máquina que poderia produzir texto semelhante ao humano com precisão e escala sem precedentes usando uma arquitetura chamada “transformadores”. Esses “transformadores” melhoraram consideravelmente uma classe de modelos chamados Large Language Models (LLMs). Os LLMs usam grandes quantidades de texto — livros, artigos, e-mails, receitas, perguntas frequentes, tudo — para criar representações matemáticas internas de relacionamentos entre bilhões de palavras e frases — ou, mais precisamente, entre combinações de tokens encontrados em uma linguagem humana natural.

Antes de 2017, os LLMs não eram muito úteis, mas os “transformadores” mudaram isso. Ao processar grandes quantidades de texto usando a arquitetura do transformador, esses modelos agora podiam “aprender” o que as palavras significam em diferentes contextos e detectar nuances que os computadores nunca tinham conseguido antes, permitindo que esses modelos produzissem texto extremamente relevante em resposta a um prompt ou pergunta do usuário.

P: Como começou o entusiasmo pela IA?

R: A OpenAI se tornou a primeira empresa americana a demonstrar que se você tirar um instantâneo de toda a internet conhecida e de todos os livros digitalizados existentes sem se preocupar muito com a lei de direitos autorais , você pode criar um modelo tão bom que sua saída seria quase indistinguível daquela de um burocrata de DC com inteligência medíocre. No entanto, a OpenAI mostrou que seu modelo poderia ser treinado para ter experiência em diferentes domínios e poderia dar respostas aprofundadas a perguntas muito específicas. Seu modelo passou em exames de codificação, no exame da ordem e se formou na escola de negócios. Os resultados foram tão chocantes que a OpenAI saiu e afirmou que valia um zilhão de dólares e que o futuro da humanidade dependia disso.

P: Qual é o estado atual do setor de IA?

R: A OpenAI, parcialmente de propriedade da Microsoft, foi a primeira a lançar um grande produto LLM, o ChatGPT, em novembro de 2022. Logo depois, a Meta lançou seu próprio modelo, o LLaMa, e o Google lançou o Gemini. Todas as três empresas tinham grandes quantidades de texto para treinar seus modelos, mas um LLM precisa de outro ingrediente crucial: poder de computação para processar esse texto e, em seguida, gerar respostas às consultas do usuário. A empresa líder que fabrica as máquinas de computação é a Nvidia, cujas ações cresceram exponencialmente como resposta quando as guerras de LLM lideradas pela OpenAI/Microsoft, Google e Meta se seguiram.

As máquinas de computação são chamadas de GPUs — Unidades de Processamento Gráfico. Elas foram originalmente inventadas para processar gráficos de computador para jogos, como renderização 3D. Mais tarde, elas se tornaram populares porque suas capacidades de processamento paralelo as tornaram ideais para mineração de criptomoedas. Agora, ao que parece, elas também são ótimas em processamento de dados de IA por razões semelhantes. A Nvidia basicamente tem surfado ondas de booms à medida que diferentes mercados descobrem novos usos para seu produto.

Nos últimos anos, Meta, Google, Microsoft e OpenAI conseguiram acumular centenas de milhares das GPUs mais avançadas e obter tratamento preferencial da Nvidia e de seu fornecedor, o principal fabricante mundial de semicondutores, a TSMC.

A indústria tecnológica americana tem tomado medidas significativas para se alinhar em torno da IA. As empresas têm adquirido startups, recrutado os melhores pesquisadores de IA e investido recursos no desenvolvimento de seus modelos primários de IA proprietários (chamados de modelos fundamentais), criando um fluxo de investimento em IA e tecnologias relacionadas, como computação em nuvem, fabricação avançada de chips e infraestrutura de dados. Tudo isso é uma tentativa de garantir o domínio no que eles afirmam ser a próxima fronteira da inovação tecnológica.

P: Como a China está envolvida?

R: Como parte de seu esforço maior para conter a China, o governo dos EUA tem a missão de impedir que empresas chinesas se tornem líderes em diferentes áreas de tecnologia. Ele fez isso exercendo controle sobre as cadeias de suprimentos globais e protegendo as empresas de tecnologia americanas da concorrência no processo. Os EUA bloquearam a entrada da Huawei no seu território no momento em que ela estava ultrapassando a Apple para se tornar a segunda maior fabricante de smartphones do mundo e impediram que países europeus instalassem infraestrutura 5G fabricada pela Huawei quando era claramente mais econômica; e, mais recentemente, aprovaram uma legislação proibindo o TikTok, um aplicativo de mídia social chinês que se tornou extremamente popular nos Estados Unidos e cujo algoritmo de recomendação nenhum aplicativo de mídia social americano conseguiu superar.

A alegação dos EUA de que a Huawei e outras empresas de tecnologia chinesas estão inextricavelmente ligadas à estratégia geopolítica da China e colocam empresas e pessoas ocidentais em risco elevado de vigilância e espionagem corporativa é, claro, baseada na realidade. A DeepSeek não tem vergonha de quantos dados coleta em sua plataforma, incluindo até mesmo suas teclas digitadas:

Coletamos certas informações de conexão de dispositivo e rede quando você acessa o Serviço. Essas informações incluem o modelo do seu dispositivo, sistema operacional, padrões ou ritmos de pressionamento de tecla, endereço IP e idioma do sistema. Também coletamos informações relacionadas ao serviço, diagnóstico e desempenho, incluindo relatórios de falhas e logs de desempenho. Atribuímos automaticamente a você um ID de dispositivo e um ID de usuário. Quando você faz login em vários dispositivos, usamos informações como o ID do seu dispositivo e o ID do usuário para identificar sua atividade em todos os dispositivos para fornecer a você uma experiência de login perfeita e para fins de segurança.

No entanto, como o DeepSeek é de código aberto e pode ser executado localmente em um dispositivo separado, os olhos curiosos do presidente Xi Jinping podem ser protegidos.

Manter o domínio tecnológico global é uma das principais preocupações que os formuladores de políticas dos EUA têm repetidamente citado e identificado a IA como uma tecnologia crucial para manter esse domínio . Em 2018, quando o governo dos EUA estava no processo de banir a Huawei, percebeu que precisaria fazer o mesmo com tecnologias downstream, como chips semicondutores, o principal componente usado em CPUs e GPUs. A grave escassez de chips devido a interrupções na cadeia de suprimentos global durante a Covid-19 mostrou que chips avançados são um gargalo na cadeia de suprimentos global e um recurso escasso. Em 2022, o governo Biden impôs sanções abrangentes à China, interrompendo a exportação desses chips para o país e impedindo que as empresas chinesas de IA acessassem as GPUs mais recentes e eficientes. Ao mesmo tempo, aprovou a lei CHIPS, subsidiando a fabricação nacional de semicondutores com mais de US$ 50 bilhões.

P: Por que todo mundo de repente está tão interessado em IA?

R: O nível exagerado de marketing e vendedor de óleo de cobra da indústria de IA dos EUA causou um certo pânico entre os formuladores de políticas governamentais menos alfabetizados tecnicamente. Muitos especialistas da indústria alegaram que os avanços em LLMs poderiam em breve levar à criação da Inteligência Artificial Geral (AGI), basicamente um computador que pensa como um ser humano e é bom em muitas tarefas diferentes. Alguns  soaram o alarme de que ele pode se tornar maligno e autoconsciente. Mas até mesmo seus detratores concordaram que os LLMs são uma tecnologia revolucionária que mudará fundamentalmente a forma como interagimos com os computadores.

P: Por que os caras da tecnologia estão tão bravos?

Grandes empresas de tecnologia também têm dito ao governo e investidores que construir IA é muito, muito caro. Em sua primeira semana no cargo, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou US$ 500 bilhões em investimentos do setor privado em IA sob um projeto chamado Stargate — uma colaboração entre OpenAI, Softbank e Oracle.

No passado, o fundador da OpenAI, Sam Altman, afirmou que precisaria de até US$ 7 trilhões para criar sua IA dos sonhos e estava levantando investimentos usando essa meta. Para contextualizar, nenhum homem em toda a história do mundo já gastou essa quantia de dinheiro em uma única coisa. Mas a mensagem subjacente parece ser: esta é uma tecnologia mágica e uma força mais poderosa do que qualquer outra que o mundo já viu, precisamos de quantias astronômicas de dinheiro para construí-la e precisamos da proteção do governo dos EUA enquanto fazemos isso.

Então veio uma pequena empresa chinesa que estourou essa bolha com seu projeto paralelo. Ela usou US$ 5,5 milhões em poder computacional para fazer isso, usando apenas 2.048 GPUs Nvidia H800 que a empresa chinesa tinha porque não podia comprar as GPUs superiores H100 ou A100 que as empresas americanas estão reunindo em centenas de milhares.

Para contextualizar, a Meta AI estabeleceu a meta de possuir um cluster de 600.000 GPUs H100 até o final de 2024. Elon Musk tem 100.000 GPUs, enquanto a OpenAI treinou seu modelo GPT-4 em aproximadamente 25.000 GPUs A100. Enquanto isso, a DeepSeek foi fundada pela gestora de fundos de hedge chinesa High Flyer que queria colocar seu cluster de, de acordo com a mídia chinesa , 10.000 GPUs H800 em bom uso.

A DeepSeek, de acordo com a tradição , contratou uma equipe muito jovem e os impulsionou a inovar e aproveitar ao máximo seu hardware limitado. Eles lançaram o modelo DeepSeek-V3 no mês passado, um modelo que supera o OpenAI GPT-4 e todos os outros modelos do setor na maioria dos benchmarks. Não há nenhum desenvolvimento significativo na tecnologia básica, eles apenas usam o hardware de forma eficiente e treinam melhor seu modelo.

Os manos da tecnologia são salgados porque isso os faz parecer ruins. O que complica ainda mais as coisas é que o DeepSeek lançou seu modelo e métodos de treinamento como software de código aberto, o que significa que qualquer um pode ver como eles fizeram seu modelo e replicar o processo. Isso também significa que os usuários podem instalar modelos do DeepSeek em suas próprias máquinas e executá-los em suas próprias GPUs , onde eles parecem estar tendo um desempenho muito bom.

P: Como os caras da tecnologia estão reagindo?

R: Embora tenha havido uma mudança significativa na vibração em direção a “acabou “, alguns ainda afirmam que “estamos de volta ” e este é o “momento Sputnik da IA “. Outros não foram tão magnânimos.

“Deepseek é uma operação psicológica do estado do Partido Comunista da China+ guerra econômica para tornar a IA americana não lucrativa. Eles estão fingindo que o custo era baixo para justificar a fixação de um preço baixo e esperando que todos mudem para ele, prejudicando a competitividade da IA nos EUA, não morda a isca”, tuitou Neal Khosla, filho do investidor Vinod Khosla. A Khosla Ventures levantou mais de US$ 400 milhões para a OpenAI e é um dos maiores investidores da empresa.

“O DeepSeek é um alerta para a América”, disse Alexandr Wang, fundador da empresa de IA Scale AI, e alguém que acusou mais notavelmente o DeepSeek de esconder um estoque secreto de 50.000 GPUs H100.

“As acusações/obsessões sobre o DeepSeek usar o H100 parecem como se um time de crianças ricas tivesse sido derrotado por um time de crianças pobres, que nem sequer tinham permissão para usar sapatos”, tuitou Jen Zhu, um investidor em IA, “e agora as crianças ricas estão exigindo uma investigação para saber se sapatos foram usados em vez de treinar mais para se aprimorarem”.

P: Por que o mercado de ações está despencando?

R: Embora o DeepSeek v3 já esteja disponível há quase um mês, as notícias estão começando a chegar ao mercado somente agora. As ações da Nvidia caíram quase 15% antes do mercado na segunda-feira, perdendo aproximadamente US$ 420 bilhões de sua capitalização de mercado e desencadeando um banho de sangue nas ações de semicondutores que poderia varrer US$ 1 trilhão do mercado de ações em um único dia. Quando foi lançado no final de dezembro, Andrej Karpathy, um importante cientista na área, comentou sobre sua eficiência surpreendente, mas as repercussões de uma empresa chinesa desconhecida lançando um modelo fundamental de código aberto só decolaram quando o Vale do Silício começou a testar o DeepSeek em seus computadores pessoais e o DeepSeek subiu para o aplicativo número um .

Ironicamente, os caras da tecnologia surtando e gerando níveis de conflito nunca antes vistos estão contribuindo para a viralidade do DeepSeek.


Fonte:  DropSite

Ações da Nvidia despencam com grande avanço da chinesa DeepSeek que está abalando os investidores de IA

DeepSeek lançou um concorrente ChatGPT e Llama usando chips de capacidade reduzida da Nvidia

Por Rocio Fabbro para o “Quartz” 

As ações da Nvidia ( NVDA ) caíram até 14% no pré-mercado na segunda-feira, depois que o modelo mais recente da startup chinesa de inteligência artificial (IA) DeepSeek levantou questões sobre a competitividade americana no espaço da IA.

A DeepSeek lançou em dezembro um modelo de linguagem grande (LLM) de código aberto e gratuito, que ela alegou ter desenvolvido em apenas dois meses por menos de US$ 6 milhões. E na semana passada, a empresa disse que lançou um modelo que rivaliza com o ChatGPT da OpenAI e o Llama 3.1 da Meta ( META ) — e que chegou ao topo da App Store da Apple ( AAPL ) no fim de semana.

Mais notavelmente, a DeepSeek construiu o modelo usando chips de menor capacidade da Nvidia, o que pode pressionar a queridinha dos semicondutores se outras empresas se afastarem de suas ofertas premium.

Analistas da Wedbush disseram em uma nota de pesquisa na segunda-feira que “as ações de tecnologia estão sob enorme pressão liderada pela Nvidia, já que a Wall Street verá o DeepSeek como uma grande ameaça percebida ao domínio da tecnologia dos EUA e à posse desta Revolução da IA”.

As ações da Nvidia caíram quase 12% na manhã de segunda-feira. A notícia fez outras grandes ações de chips caírem, incluindo a ASML ( ASML ), que caiu 7%, e a Broadcom ( AVGO ), que teve uma queda de 12%. A liquidação fez o índice Nasdaq, pesado em tecnologia, cair no pré-mercado , com os futuros quase 4% mais baixos.

“As empresas de tecnologia dos EUA estão sendo negociadas com avaliações premium, com grandes players de IA como Nvidia, Microsoft ( MSFT ) e Alphabet ( GOOGL ) comandando múltiplos [preço-lucro] futuros muito acima das médias históricas”, disse Charu Chanana, estrategista-chefe de investimentos na plataforma de investimentos Saxo, em uma declaração. “Com essas ações precificadas para a perfeição, até mesmo pequenas interrupções, como a DeepSeek provando que a IA avançada pode ser construída sem chips de primeira linha, podem pesar muito nos preços das ações.”

Com o objetivo final da IA ​​sendo a inteligência artificial geral (AGI) — e com as empresas dos EUA bem encaminhadas para alcançá-la nos próximos anos — os analistas da Wedbush acreditam que o nervosismo dos investidores de segunda-feira pode ser exagerado.

“Embora o modelo seja impressionante e tenha um impacto cascata”, eles disseram, “a realidade é que a Mag 7 e a tecnologia dos EUA estão focadas no jogo final da AGI com toda a infraestrutura e ecossistema que a China e especialmente a DeepSeek não conseguem chegar perto, em nossa opinião”.


Fonte: Quartz

Aves canoras estão sendo dizimidas por Fipronil usado em tratamento contra pulgas em animais de estimação, mostra estudo

Exclusivo: Produto químico usado no tratamento de pulgas e carrapatos de animais de estimação é encontrado em ninhos de chapins-azuis e chapins-reais, matando filhotes 

O fipronil é proibido para uso agrícola no Reino Unido, mas ainda é amplamente usado para impedir que animais de estimação peguem pulgas, acabando nos ninhos de pássaros canoros, como os chapins-azuis. Fotografia: Geoffrey Swaine/Rex/Shutterstock

Por Helena Horton para o “The Guardian”

Um estudo descobriu que filhotes de pássaros canoros estão sendo mortos por altos níveis de pesticidas nos pelos de animais de estimação usados ​​pelos pais para forrar seus ninhos.

Pesquisadores que pesquisaram ninhos em busca do produto químico nocivo encontrado em tratamentos contra pulgas de animais de estimação descobriram que ele estava presente em todos os ninhos. Os cientistas da Universidade de Sussex agora estão pedindo que o governo reavalie urgentemente o risco ambiental dos agrotóxicos usados ​​em tratamentos contra pulgas e carrapatos e considere restringir seu uso.

Cães e gatos são amplamente tratados com inseticidas para prevenir pulgas. Os veterinários geralmente recomendam tratamentos regulares contra pulgas como uma medida preventiva, mesmo quando cães e gatos não têm a praga. Mas os cientistas agora recomendam que os animais não sejam tratados contra pulgas, a menos que realmente as tenham.

Um chapim-real em um galho no invernoUm chapim-real. Nenhum ninho no estudo estava livre de inseticidas, disseram os pesquisadores, o que pode estar tendo consequências devastadoras nas populações de pássaros do Reino Unido. Fotografia: JMP/Abaca/Rex/Shutterstock

Já era amplamente conhecido que os produtos químicos nos tratamentos estavam afetando a vida em rios e córregos depois que animais de estimação nadavam neles, mas a descoberta da contaminação de ninhos de pássaros canoros aumentará a pressão.

Cannelle Tassin de Montaigu, principal autora do artigo de pesquisa, disse: “Nenhum ninho estava livre de inseticidas em nosso estudo, e essa presença significativa de produtos químicos nocivos pode estar tendo consequências devastadoras nas populações de pássaros do Reino Unido.

“Nossa pesquisa mostra que, com base nos produtos químicos detectados, os medicamentos veterinários contra pulgas e carrapatos são a fonte mais provável de contaminação. Realizamos nossa pesquisa quando era seguro fazê-lo, no final da temporada de reprodução, então o problema pode, de fato, ser muito pior. Isso levanta questões sobre o impacto ambiental dos medicamentos veterinários e exige uma avaliação abrangente do risco ambiental dos tratamentos veterinários.”

O estudo, publicado hoje na Science of the Total Environment , mostra que o pelo usado pelos pássaros para construir o revestimento interno de seus ninhos continha produtos químicos usados ​​em tratamentos contra pulgas de animais de estimação, como o fipronil.

Os pesquisadores coletaram 103 ninhos de chapim-azul e chapim-real que foram forrados com pelos, descobrindo que 100% dos ninhos continham fipronil, que é proibido no Reino Unido e na UE para uso agrícola, e 89% continham imidacloprida, que foi proibida na União Europeia como um produto de proteção vegetal em 2018. Ambos ainda são amplamente usados ​​em tratamentos contra pulgas de animais de estimação. O governo do Reino Unido está elaborando planos para uma proibição total de imidacloprida na agricultura, mas não para tratamentos de animais de estimação. Os pesquisadores também detectaram 17 dos 20 inseticidas que estavam testando.

Os cientistas encontraram um número maior de ovos não eclodidos ou filhotes mortos em ninhos onde houve maior incidência de inseticida.

Pesquisas recentes descobriram que esses tratamentos contra pulgas também entram nos rios, matando os animais selvagens, e que os donos de animais de estimação que os utilizam correm o risco de contaminar as mãos com os produtos químicos por pelo menos 28 dias após a aplicação do tratamento.

Sue Morgan, a presidente-executiva da SongBird Survival, disse: “Somos uma nação de amantes de animais de estimação e amantes de pássaros, e é extremamente preocupante ver os níveis alarmantes de agrotóxicos em ninhos de pássaros de medicamentos veterinários. Os donos de animais de estimação ficarão chateados ao saber que, ao tentar fazer a coisa certa para sustentar seus animais de estimação com pulgas e carrapatos, eles podem estar prejudicando nosso ecossistema, resultando em filhotes recém-nascidos mortos e ovos não eclodidos. Como donos de animais de estimação, precisamos ter confiança de que estamos mantendo nossos animais de estimação bem, sem impactos devastadores em nossa vida selvagem.

“Nossos pássaros canoros do Reino Unido estão em crise. Mais da metade dos nossos pássaros canoros do Reino Unido estão ameaçados ou já em declínio, e é por isso que esta última pesquisa mostra a importância de agir o mais rápido possível. Queremos que o governo realize uma avaliação de risco ambiental mais abrangente de medicamentos veterinários.”


Fonte: The Guardian

O blefe de Donald Trump para deportar imigrantes com voos militares só dará certo se for respondido com covardia

Como sou leitor do blog “The Proof” do jornalista Seth Abramson, posso compartilhar o fato de que toda a gritaria do governo Trump em torno dos voos militares para retornar imigrantes considerados ilegais esconde um blefe salgado para os contribuintes dos EUA.  Segundo Abramson, os governos de Barack Obama e Joe Biden expulsaram muito mais imigrantes considerados ilegais do que Trump o fez durante seu primeiro mandato.  A diferença é que tanto Obama quanto Biden não utilizaram voos militares para mandar de volta os imigrantes, mas voos de carreira com empresas aéreas civis.

Essa opção por voos militares, além de desrespeitar a soberania dos países que podem sim recusar a chegada de aeronaves com forças estrangeiras em seus territórios nacionais, esconde o fato de que o plano de deportação em massa que Donald Trump diz que realizará não custará os US$ 3 bilhões anunciados na campanha eleitoral, mas salgados US$ 86 bilhões. Com isso, os contribuintes americanos estão pagando 300% a mais pelo plano de imigração de Trump do que deveriam.  Como essa diferença  teria que sair de um orçamento para lá de estourado, toda a pantomima em torno de exigências mínimas de civilidade no retorno de imigrantes indesejados só serve para Trump blefar em cima de outros governos nacionais.

A resposta, ainda que limitada do presidente da Colômbia, Gustavo Petro, é um exemplo de como se portar frente à imposição dessa intrusão de voos militares no seu espaço aéreo  vai no sentido totalmente oposto ao que foi adotado até agora pelo governo do Brasil. As cenas vindas de Manaus onde um voo militar teve que parar por razões técnicas são acima de tudo humilhantes não apenas para os deportados, mas para um governo que se diz de esquerda.

A verdade é que uma resposta mais dura do Brasil teria criado mais dificuldades para Donald Trump, na medida em que o valor dos intercâmbios comerciais entre nós e os EUA é muito mais significativo do que aquele representado pela Colômbia.  Mas ao invés de recusar o uso de voos militares que aviltam a nossa soberania nacional, o governo Lula preferiu uma saída meia boca que foi realizar as medidas óbvias de retirar algemas e correntes e de colocar os brasileiros em voos da FAB.  Para os EUA mesmo, só sobrararam muchochos. 

Quem um dia participou de um jogo de pôquer sabe que em toda mesa existente um blefador contumaz cuja única chance de ganho é amedrontar os outros membros da mesa. É exatamente essa a postura que Donald Trump está adotando e que nos seus primeiros dias de governo está servindo para deixar a mesa em polvorosa. A saída mais óvia seria chamar o de chamar cada blefe do blefador, mas até agora, no caso da América do Sul, o único jogado com um mínimo de capital para chamar o blefe está preferindo se fazer de morto. Resta saber até quando.

Chefões das “big techs” abraçam Trump: gesto de força ou sinal de fraqueza?

O abraço entre as grandes empresas de tecnologia e o presidente Donald Trump vem suscitando uma série de reflexões sobre o futuro das chamadas redes sociais, já que boa parte da existência das mesmas se ancorou na premissa de que ofereciam novos espaços de sociabilidade que estariam livres do controle de governos.

Já é sabido que esa premissa era falsa, pois a relação entre grandes empresas e as diferentes administrações que governaram os EUA nas últimas décadas já estava clara. O problema é que agora está escancarado que figuras como Jeff Bezos, Elon Musk e Mark Zuckerberg que estiveram na posse de Trump decidiram aderir à sua forma particular de hegemonismo estudanidense.  Diante disso,  cai definitivamente a máscara de neutralidade e se vê um processo de adesão a um projeto geopolítico que visa estancar a decadência da hegemonia política, econômica e militar dos EUA. 

A consequência dessa tomada de posição por parte das big techs estadunidenses que controlam as chamadas redes sociais dependerá do que irão fazer os bilhões de pessoas que acreditaram na ideia de que era possível estabelecer ambientes de interação social que dispensassem o contato direto entre as pessoas. 

Os próximos meses deveram ser importantes para se verificar o que vai acontecer em termos da migração de usuários para espaços que estejam ainda fora do controle do oligopólio de informação que foi sendo formado pela aquisição de redes e aplicativos, processo esse que deixou nas mãos de figuras como Elon Musk e Mark Zuckerberg o controle total da informação que circula de forma digital.

Por outro lado, há que se reconhecer que os chefões das redes sociais se jogaram no colo de Donald Trump por razões estratégicas para os seus negócios, em que pesem as mega fortunas que já acumularam.  A questão é que junto com a decadência da hegemonia dos EUA e o surgimento de blocos alternativos como o do BRICS, há o surgimento de uma contra-hegemonia que se ancora no extraordinário desenvolvimento das ferramentas digitais a partir da China. Essa parece ser a principal razão para que a máscara tivesse que cair. É mais um gesto de fraqueza do que de força, e com grandes riscos envolvidos já que a deserção dos usuários/consumidores poderá ser massiva.

Uma reflexão que me parece necessária é que embora tenhamos que reconhecer a  atual dominância das formas virtuais de relação social, esse giro das big techs forçará a todos nós a retomada de formas de interação que se julgava estarem ultrapassadas.  E essa parece a melhor notícia que surge nesse início de 2025.

Reportagem mostra que o JP Morgan está maquiando suas operações

A divulgação incorreta de atividades comerciais em Wall Street pode levar a uma crise financeira e inflacionar a remuneração dos executivos

Por Josephine Moulds e  David Kenner para o TBIJ 

A senadora Elizabeth Warren criticou o Federal Reserve por permitir que bancos dos EUA violem regras criadas para evitar outra crise financeira e evitar grandes resgates dos contribuintes.

Um denunciante do JPMorgan disse que o maior banco do mundo estava relatando incorretamente sua atividade de negociação, o que poderia ter inflado seus lucros em bilhões de dólares e adicionado milhões aos pacotes de remuneração dos executivos. Eles relataram o problema em uma carta enviada aos membros do conselho, o Federal Reserve e o regulador financeiro, o Bureau of Investigative Journalism (TBIJ) e o International Consortium of Investigative Journalists (ICIJ) podem revelar.

Outro banqueiro familiarizado com o assunto disse que outros grandes bancos dos EUA estavam fazendo o mesmo – com a aprovação tácita do Federal Reserve, o banco central dos EUA.

Warren, uma democrata e voz de liderança em responsabilidade no setor financeiro, disse: “Estou profundamente preocupada que o Fed possa estar fazendo vista grossa enquanto o JPMorgan e outros bancos de Wall Street maquiam seus livros e desviam fundos destinados a evitar um colapso econômico global. A supervisão bancária inconsistente e frouxa já destruiu nossa economia antes.

“[O presidente do Federal Reserve, Jerome] Powell deve uma explicação ao povo americano por permitir que os CEOs manipulem seus relatórios financeiros para que possam pagar a si mesmos e a seus ricos investidores mais em remuneração executiva e recompras.”

Contágio global

Na esteira da crise financeira de 2008, reguladores ao redor do mundo concordaram com um conjunto de regras projetadas para evitar outro cenário em que os contribuintes fossem forçados a socorrer os bancos. Uma área-chave de foco era garantir que os bancos mantivessem capital suficiente para se manterem à tona no caso de outra crise financeira.

De acordo com as regras, que o Federal Reserve é responsável por manter nos EUA, os bancos considerados “grandes demais para falir” devem enviar dados sobre as negociações que estão realizando, o que determina quanto capital eles são obrigados a manter contra perdas potenciais.

O denunciante do JPMorgan disse que o banco vinha deliberadamente subnotificando esses dados desde que as regras foram introduzidas em 2016. Isso teria reduzido artificialmente as reservas que ele era obrigado a manter em cerca de US$ 7,5 bilhões por ano.

Outro ex-banqueiro do JPMorgan que trabalhou nessa área e desde então mudou para outro banco disse que entende que outros bancos dos EUA adotam essa abordagem para relatar suas atividades comerciais.

Graham Steele, ex-secretário assistente de instituições financeiras do Tesouro dos EUA, disse: “Se [os bancos] não têm capital suficiente para os momentos em que passam por estresse financeiro, isso coloca suas economias domésticas em maior risco, porque está corroendo sua capacidade de absorver perdas.

“Ele também impõe riscos ao sistema financeiro global. Eles espalharão risco e contágio porque são instituições financeiras globais e mercados financeiros globais.”

As revelações vêm em um momento crítico. O Federal Reserve já está sob fogo por ceder à pressão dos bancos dos EUA, que no ano passado fizeram lobby com sucesso contra uma proposta para aumentar a quantidade de capital que eles são forçados a manter. No início deste mês, Michael Barr renunciou ao cargo de chefe de supervisão do Fed antes do segundo mandato de Trump, supostamente para evitar um potencial conflito com o novo presidente.

Quebrando as regras

O desrespeito a essas regras nos EUA corre o risco de minar promessas semelhantes feitas ao redor do mundo. O Federal Reserve é membro do Comitê de Basileia, uma organização internacional que desenvolve padrões regulatórios mínimos. A estrutura não é juridicamente vinculativa, mas os membros concordam em implementá-la integralmente.

David Aikman, professor de finanças no King’s College London, disse: “Nenhum país individual vai querer penalizar seus próprios grandes bancos. Eles só vão assinar essas regras se acharem que todos os outros estão aplicando as regras fielmente.”

O denunciante do JPMorgan disse que os relatórios incorretos do banco poderiam permitir que ele ganhasse US$ 2 bilhões extras por anoWolterfoto / Ullstein Bild via Getty

Um porta-voz do Federal Reserve não respondeu a uma pergunta do ICIJ e do TBIJ sobre se ele permitia que os bancos interpretassem as regras dessa forma. Em vez disso, eles apontaram para as maiores quantidades de capital adicional que os grandes bancos dos EUA devem manter e a natureza consultiva da estrutura de Basileia.

O porta-voz disse: “Os maiores e mais complexos bancos dos EUA são obrigados pelas regras do Fed a ter sobretaxas de capital substancialmente mais altas do que suas contrapartes internacionais e sobretaxas de capital substancialmente mais altas do que as especificadas no Acordo de Basileia não vinculativo.”

Steele disse que a falha do Fed em esclarecer sua posição sobre essa regra era preocupante. “É profundamente lamentável que [o Federal Reserve] permita que os bancos escapem com a violação de padrões nacionais e internacionais muito claros, mas é ainda mais chocante fazê-lo de uma forma tão opaca.”

Ele disse que haveria questões de justiça se outros bancos dos EUA não estivessem cientes da posição do Fed.

Jogando com o sistema

Executivos dos maiores bancos dos EUA não fizeram segredo de sua oposição à retenção de mais capital – ativos que poderiam ser investidos, distribuídos a acionistas ou emprestados. Em outras palavras, esse capital poderia estar rendendo dinheiro ao banco.

Jamie Dimon, CEO do JPMorgan, disse em 2023: “Temos nossos funcionários mais inteligentes descobrindo todos os ângulos para reduzir os requisitos de capital do JPMorgan.”

Uma maneira de um grande banco dos EUA burlar as regras de capital seria subestimar sua atividade de negociação. Os bancos que realizam mais negociações são considerados como representando um risco maior para o sistema financeiro e, portanto, são forçados a manter maiores quantidades de capital.

Frequentemente, as mesas de operações bancárias mantêm posições “longas” e “curtas” em ações e outros produtos financeiros – o que significa que compram as ações assumindo que seu preço subirá, mas também fazem uma aposta oposta de que o valor dessas ações cairá.

Se eles compensarem suas posições longas – as ações que detêm – com suas posições curtas ao reportar ao regulador, a quantidade de negociações que eles estão fazendo parecerá menor e o banco parecerá menos exposto.

Mas as regras do Federal Reserve, baseadas na estrutura de Basileia, proíbem especificamente os bancos de fazer isso, afirmando que eles devem “relatar valores em uma base bruta longa (ou seja, não compensar posições curtas com posições longas)”.

Na carta aos membros do conselho do JPMorgan datada de agosto de 2023, o denunciante disse que o banco estava quebrando essa regra ao compensar posições longas e curtas quando elas eram mantidas na mesma entidade legal. Eles escreveram que faziam parte de uma equipe no JPMorgan que levantou isso como um problema em 2018. Junto com colegas, eles descobriram que essa abordagem teve o resultado de subestimar os requisitos de capital do banco em meio ponto percentual.

Cálculos baseados nas próprias estimativas do JPMorgan sugerem que isso poderia liberar US$ 7,5 bilhões, permitindo que o banco fizesse US$ 95 bilhões a mais em empréstimos. O denunciante calculou que, com base nas margens de lucro do JPMorgan, isso poderia gerar lucro líquido de mais de US$ 2 bilhões em apenas um ano. “O efeito cumulativo ao longo de vários anos dessa conduta é impressionante”, eles escreveram.

O CEO do JPMorgan, Jamie Dimon, ganhou mais de US$ 30 milhões em 2023 com base no desempenho de seu bancoJeenah Moon / Bloomberg via Getty

Isso teria um efeito cascata nos bônus dos executivos, que estão intimamente ligados aos ganhos. Em 2023, US$ 34,5 milhões do pacote de remuneração de Dimon estavam diretamente ligados ao desempenho do banco.

Além de levantar a questão internamente, o denunciante disse que havia informado o Federal Reserve e a Securities and Exchange Commission, um regulador financeiro, em 2022.

O JPMorgan disse ao TBIJ e ao ICIJ que o banco cumpre integralmente com todas as regulamentações de capital e está confiante em sua metodologia, que “é totalmente transparente para nossos reguladores”. Ele não respondeu a uma pergunta sobre se a abordagem detalhada pelo denunciante refletia com precisão sua política.

O outro ex-banqueiro do JPMorgan sugeriu que o banco não havia buscado aprovação para sua interpretação das regras do Federal Reserve. “As empresas dos EUA são meio que desencorajadas de fazer dos reguladores seus escritórios de interpretação”, eles disseram.

“Os supervisores esperam que os bancos tenham expertise, que façam seu trabalho e então ele esteja sujeito à revisão. É menos pedir permissão antecipadamente e mais fazer as interpretações e estar sujeito a ser informado de que estão errados.”

Um porta-voz do Financial Services Forum, que representa os maiores bancos dos EUA, disse: “[Os maiores bancos dos EUA] enfrentam requisitos de capital significativamente mais altos do que outros bancos nacionais e globais, com envios de dados regulares e obrigatórios sujeitos a uma supervisão rigorosa.”

Repórter: Josephine Moulds
Editor: Franz Wild
Editor de produção: Alex Hess
Verificador de fatos: Jasper Jackson

O TBIJ tem vários financiadores, uma lista completa dos quais pode ser encontrada aqui . Nenhum dos nossos financiadores tem qualquer influência sobre decisões editoriais ou produção.


Fonte: TBIJ

Proposta da EPA para atrazina, agrotóxico vinculado a danos reprodutivos, volta a cair com Donald Trump

Por Douglas Main para o “The New Lede” 

Os reguladores ambientais dos EUA estão planejando alterar os níveis permitidos de um herbicida associado a problemas de saúde reprodutiva para uma concentração que, segundo os críticos, desconsidera anos de riscos documentados à saúde e ao meio ambiente — o que pode marcar uma nova frente de batalha dentro do governo Trump.

A proposta da Agência de Proteção Ambiental (EPA), apresentada no final de 2024 sob o governo Biden, permitiria concentrações do herbicida atrazina de até 9,7 partes por bilhão (ppb) em riachos e lagos antes que quaisquer esforços de mitigação fossem necessários.

Isso é quase três vezes maior do que o nível de 3,4 ppb proposto pela EPA em 2016 e reiterado pela agência como adequado em 2022. Mas é menor do que um nível pressionado pela administração Trump anterior. Também é menor do que a referência de longa data de 10 ppb que estava em vigor de 2011 a 2019, e menor do que a fabricante de atrazina Syngenta diz ser necessário.

A ação da agência foi recebida com indignação pelos defensores da saúde ambiental, que dizem que a influência da indústria está anulando a ciência sólida, e anos de luta para reduzir a contaminação de cursos d’água por atrazina estão em risco.

“É um soco no estômago de todas as pessoas que trabalharam para nos proteger desse veneno incrivelmente prejudicial”, disse Nathan Donley , diretor de ciências da saúde ambiental do Centro de Diversidade Biológica.

Atrazina é um produto químico herbicida amplamente utilizado, popular entre fazendeiros, particularmente aqueles que cultivam milho, e descobriu-se que o produto químico contamina fortemente o abastecimento de água potável em todo o país, levantando preocupações com a saúde humana. O produto químico foi proibido para uso como herbicida na União Europeia desde 2003.

Pesquisas mostraram que a atrazina é um disruptor endócrino que pode afetar o desenvolvimento sexual de sapos — castrando sapos quimicamente e feminilizando anfíbios machos. Os efeitos são vistos em exposição a níveis bem abaixo de 1 ppb — mais de 10 vezes menor do que o novo limite proposto para segurança ambiental, conhecido como CE-LOC, ou nível de preocupação equivalente à concentração.

Em uma ampla variedade de espécies, incluindo mamíferos, a atrazina faz com que andrógenos, ou produtos químicos masculinizantes, sejam convertidos em estrogênio. Também foi associada a um risco aumentado de vários tipos de câncer, parto prematuro , defeitos congênitos e função imunológica diminuída.

A Syngenta, a principal fabricante de atrazina, não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. Mas o site da empresa afirma que a atrazina é bem estudada, boa para o meio ambiente e não perigosa.

“Não há ligação entre atrazina e desregulação endócrina em níveis de exposição no mundo real”, afirma a empresa.

Embora os defensores da saúde pública digam que o novo nível permitido é alto demais para ser realmente protetor, a posição mais recente da EPA discorda. Antes de Biden deixar o cargo, o porta-voz da EPA, Remmington Belford, observou em uma declaração enviada em resposta a perguntas que a nova proposta CE-LOC seguiu uma reavaliação do painel consultivo científico de 2023 de um subconjunto de estudos sobre o tópico.

“A EPA não prevê nenhum risco à saúde humana decorrente da exposição à atrazina em águas superficiais e água potável”, acrescentou Belford.

A EPA está atualmente recebendo comentários públicos sobre a proposta. O período de comentários termina em 18 de fevereiro, embora a agência diga que os comentários devem ser recebidos até 3 de fevereiro.

Não está claro se a proposta será impactada por mudanças na administração da EPA sob o recém-empossado presidente Donald Trump. Mas a administração Trump anterior provocou um alvoroço quando tentou aumentar o CE-LOC para 15 ppb.

Cientistas da EPA relataram que interferência administrativa os forçou a desconsiderar descobertas científicas para respaldar esse nível, e a medida foi contestada com sucesso no tribunal.

Vai e volta

Conforme definido, o CE-LOC deve fornecer um limite que proteja peixes, invertebrados e anfíbios no ecossistema aquático. Mas concordar sobre onde esse nível deve estar tem sido uma batalha prolongada entre a Syngenta e os apoiadores que pressionam por níveis mais altos contra os defensores da saúde e do meio ambiente que pressionam por níveis mais baixos.

A EPA tem oscilado sobre a questão em meio a mudanças políticas na liderança da EPA.

Em uma carta de 2022 da Administradora Assistente da EPA, Michal Freedhoff, para um grupo de defesa da indústria, Freedhoff citou “confusão” sobre as posições de mudança da agência sobre o assunto. Ela disse que os 15 ppb assumidos pela primeira administração Trump representavam uma “decisão política”, mas os melhores dados sobre o assunto — conforme analisados ​​em 2016 antes de Trump assumir o cargo e novamente durante a administração Biden — apoiavam os 3,4 ppb.

Não está claro por que a agência passou de 3,4 ppb para 9,7 ppb antes de Biden deixar o cargo, mas muitos suspeitam que a pressão corporativa seja uma possível culpada.

A Syngenta tem um longo histórico de tentar influenciar descobertas regulatórias sobre atrazina e outros produtos pesticidas e usar táticas secretas para desconsiderar a ciência independente, e alguns observadores dizem que a pressão da empresa e seus apoiadores é um fator-chave na mudança de posição da EPA. A Syngenta é uma das maiores empresas agroquímicas do mundo e é de propriedade da ChemChina, uma gigante química estatal chinesa.

Registros internos divulgados por meio de litígio há mais de uma década mostram que a empresa tem um histórico de uso de várias táticas para silenciar as críticas à atrazina, incluindo investigar cientistas em um painel consultivo da EPA, assediar um cientista que estudava a atrazina e outras medidas , como recrutar “aliados terceirizados” para apoiar a segurança de seus produtos, ao mesmo tempo em que parece ser independente da empresa.

Táticas semelhantes foram usadas pela Syngenta para minimizar os riscos de seus herbicidas paraquate, revelou o The New Lede após obter milhares de registros internos da empresa .

O pesquisador Tyrone Hayes , um ecotoxicologista e biólogo do desenvolvimento da UC-Berkeley que estuda a atrazina há quase 30 anos, disse que a ação da EPA para permitir um nível tão alto de atrazina na água é inexplicável, dada a evidência de danos da atrazina ao meio ambiente. A pressão da indústria é a única explicação razoável para a ação da agência, disse ele.

Jason Rohr , um pesquisador que estudou a atrazina na Universidade de Notre Dame, disse que a última medida da EPA de estabelecer uma referência em 9,7 é “um pouco decepcionante”.

“Eu esperava que [a EPA] fosse na direção oposta, que houvesse mais regulamentações e restrições, especialmente na última década, com tudo o que aprendemos”, disse ele.

Em um artigo de 2021 , Rohr escreveu que a história da atrazina “representa um exemplo clássico de fabricação de incerteza e distorção da ciência para atrasar decisões regulatórias indesejadas”.

O artigo relata como a Syngenta e outros grupos da indústria regularmente “distorceram a ciência” em direção a resultados favoráveis; atacaram e negaram a ciência percebida como prejudicial aos seus interesses; assediaram cientistas como Hayes e, em geral, “fabricaram incerteza” para atrasar ou impedir regulamentações.

Além dos efeitos de desregulação endócrina da atrazina, ela suprime a atividade de plantas aquáticas e algas, que formam a base de toda a cadeia alimentar. “A atrazina, como muitos herbicidas, suprime a produtividade primária, [que] tem potencial para ter efeitos em cascata em todos os outros organismos”, disse Rohr.

Medidas de mitigação

O CE-LOC é a concentração média de atrazina encontrada em corpos d’água que “quando excedida, apresenta uma chance maior que 50% de afetar negativamente” um ambiente aquático, de acordo com a EPA. Ele é destinado principalmente para proteger plantas aquáticas, que a atrazina, um herbicida, suprime diretamente — mas também deve ser definido em um nível que não machuque animais.

A proposta sobre atrazina é parte de um plano mais amplo para implementar um conjunto de medidas de mitigação   destinadas a reduzir danos associados à atrazina. Junto com a alteração do CE-LOC, a proposta da EPA inclui um “ menu de mitigação ” baseado em pontos destinado a promover medidas que reduzam o escoamento, como deixar campos agrícolas sem cultivo.

A quantidade de pontos que os agricultores precisam varia de acordo com a área e inclui fatores que a EPA tentou levar em consideração, como o uso de atrazina pela comunidade, a quantidade de chuva e o tipo de solo.

Em algumas áreas, os fazendeiros precisam apenas de três “pontos” para cumprir as instruções do rótulo proposto; em outras áreas, são cinco. Praticar o plantio direto rende três pontos — mas isso não é suficiente para eliminar o risco de escoamento, acusam os críticos.


Fonte: The New Lede

A herança maldita do Tsulama da Vale: estudo da Fiocruz detecta presença de metais pesados na urina de crianças em Brumadinho (MG)

Percentual de arsênio passou de 42% em 2021 para 57% em 2023

Exames feitos em crianças de até 6 anos moradoras de Brumadinho, na Grande BH, apontam aumento da taxa de detecção de metais na urina. Os menores foram avaliados pela Fiocruz Minas e Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O estudo analisa as condições de vida e saúde da população após o desastre causado pelo rompimento de uma barragem da Vale, que completa 6 anos neste sábado (25). A tragédia matou 272 pessoas.

Foi detectada a presença de pelo menos um de cinco metais (cádmio, arsênio, mercúrio, chumbo e manganês) em todas as amostras analisadas. O percentual total de crianças com níveis de arsênio acima do valor de referência passou de 42%, em 2021, para 57%, em 2023, sendo que, nas regiões próximas a áreas do desastre e de mineração ativa, o percentual de aumento entre um ano e outro é ainda mais significativo.

O estudo visa detectar as mudanças ocorridas nessas condições em médio e longo prazo e, dessa forma, os participantes são acompanhados anualmente, desde 2021. Um compilado dos dados coletados durante o primeiro ano de acompanhamento já havia sido realizado. Agora, as análises incluem dados do terceiro ano, 2023, permitindo estabelecer uma comparação.

Dos metais, o arsênio é o que aparece mais frequentemente acima dos limites de referência, detectado, entre os adultos, em cerca de 20% das amostras e, entre os adolescentes, em aproximadamente 9% das amostras. No entanto, nesse público, dependendo da região de moradia, o percentual de amostras com arsênio acima do limite chega a 20,4%.

Conforme a pesquisa, chama atenção o fato de todos os metais apresentaram elevado percentual de detecção, nos dois anos, com reduções mais relevantes dos valores para manganês e menos expressivas para arsênio e chumbo, quando se compara 2021 e 2023. Esse quadro demonstra uma manutenção da exposição a esses metais no município, de forma disseminada em todas as regiões investigadas, ainda que com níveis mais baixos no último ano investigado.

“Os resultados encontrados demonstram uma exposição aos metais, e não uma intoxicação, que só pode ser assim considerada após avaliação clínica e realização de outros exames para definir o diagnóstico. Dessa forma, recomenda-se uma avaliação médica para todos os participantes da pesquisa que apresentaram níveis acima dos limites biológicos recomendados, de forma que os resultados sejam analisados no contexto geral da sua saúde”, informou a Fiocruz.

Além disso, é necessária uma rede de atenção que permita realização de exames de dosagem desses metais não apenas na população identificada pelo projeto, mas para atender outras demandas do município. Segundo a Fiocruz, a organização dessa rede de serviços é importante, considerando que a exposição aos metais investigados permanece entre 2021 e 2023, de forma disseminada em todo município.

Um dos aspectos avaliados na pesquisa é o perfil de exposição. A dosagem de cádmio, arsênio, mercúrio, chumbo e manganês foi verificada por meio de exames de sangue e/ou urina. Na população acima de 12 anos, os resultados mostraram que há exposição a esses metais nos dois anos analisados, mas, em 2023, o percentual de amostras detectadas com metais acima dos valores de referência diminuiu.

Chumbo e mercúrio apresentaram taxa de detecção em 100% das amostras em 2023, mas apenas 6,8% delas apontaram dosagem de chumbo acima dos valores de referência.

Condições de saúde da população

O estudo também analisa as condições de saúde da população, baseando-se em diagnósticos médicos anteriores e na percepção dos próprios participantes. Quando perguntados como avaliavam sua saúde, a maioria dos adultos e adolescentes, tanto em 2021 quanto em 2023, avaliou como boa ou muito boa, com variações entre as regiões de moradia. No entanto, o percentual da população adulta que avaliou a saúde como ruim ou muito ruim se manteve elevado nas regiões atingidas pela lama ou com atividade de mineração.

Entre os adolescentes, quando perguntados se já tinham recebido diagnósticos de doenças crônicas, as respostas mais frequentes, em 2021, foram asma ou bronquite asmática, mencionadas por 12,7% dos entrevistados. Em 2023, o percentual subiu para 14%. Chama a atenção dos pesquisadores o aumento na prevalência de algumas condições, como colesterol alto, que passou de 4,7%, em 2021, para 10,1%, em 2023; e um grupo de doenças que inclui enfisema, bronquite crônica ou doença pulmonar obstrutiva crônica, que foi de 2,7%, em 2021, para 10,7%, em 2023.

Quanto às doenças crônicas, em 2021, ao serem questionados se algum médico já havia diagnosticado essas condições, os adultos mencionaram principalmente hipertensão (27,9%), colesterol alto (20,9%) e problemas crônicos de coluna (19,7%). Em 2023, essas doenças continuam sendo as mais prevalentes, mas com aumento na frequência em que ocorrem: hipertensão foi citada por 30% dos adultos, colesterol alto por 28,5% e problemas crônicos de coluna por 22,8%. Deve-se destacar também um aumento no diagnóstico médico do diabetes entre adultos, que passou de 8,7% para 10,7%, entre os dois anos avaliados.

A pesquisa investigou ainda a presença de sintomas e outros sinais nos 30 dias anteriores à entrevista. Em 2021, os adultos relataram principalmente irritação nasal (31,8%), dormências ou cãibras (25,2%) e tosse seca (23,5%). Em 2023, houve aumento na frequência dessas condições para 40,3%, 34,4% e 21,5%, respectivamente. Esses sintomas também foram os mais citados entre os adolescentes tanto em 2021 quanto em 2023, mas com poucas alterações entre um ano e outro.

“A pior percepção da saúde é um indicador de extrema importância para avaliação da condição geral da saúde em uma população, refletindo impacto negativo nessa condição entre os moradores das áreas atingidas pela lama e pela atividade de mineração. Sobre as condições crônicas, é importante ressaltar a elevada carga de doenças respiratórias e do relato de sinais e sintomas, o que demonstra a necessidade de maior atenção dos serviços de saúde sobre esse aspecto, que pode estar relacionado às condições do ambiente, como disseminação de poeira pela natureza da atividade produtiva”, disse o pesquisador da Fiocruz Minas Sérgio Peixoto, coordenador-geral da pesquisa.

Depressão, ansiedade e insônia

A avaliação da saúde mental incluiu perguntas sobre o diagnóstico médico de algumas condições. Os resultados mostraram poucas alterações de um ano para outro. Entre os adolescentes, quando perguntados sobre o diagnóstico para depressão, o percentual foi de 9,9%, em 2021, e 10,6%, em 2023. Entre os adultos, 21,3% relataram diagnóstico médico de depressão, em 2021, e 22,3%, em 2023, valores superiores aos 10,2% relatados por adultos brasileiros avaliados na Pesquisa Nacional de Saúde, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2019. Já o diagnóstico de ansiedade ou problemas do sono foi reportado por 32,8% dos entrevistados com mais de 18 anos de idade, em 2021, e por 32,7%, em 2023.

A dificuldade para dormir em três ou mais noites por semana nos últimos 30 dias foi relatada por 26,7% da população adulta de Brumadinho em 2021; no ano de 2023, houve aumento, que chegou a 35,1%. Entre os adolescentes, tal dificuldade foi reportada por 18,3% em 2021, e 17,4% em 2023.

“Os números mostram a necessidade de avaliar as ações voltadas à saúde mental no município, dada a manutenção de elevada carga de transtornos mentais na população nos dois anos avaliados. Faz-se necessário priorizar estratégias intersetoriais, considerando a complexidade do problema e as especificidades de cada território”, explica Sérgio Peixoto.

Procura por serviços de saúde aumenta em Brumdinho

O estudo também mostrou que aumentou a procura por serviços de saúde no município. Sobre a realização de consultas médicas, em 2023, 44,1% dos adolescentes relataram ter realizado três ou mais consultas; em 2021, eram apenas 21,7%. Entre os adultos, 53,7% tiveram três ou mais consultas, em 2023, e 38,6%, em 2021.

De acordo com os resultados, o Sistema Único de Saúde (SUS) é a principal referência dos entrevistados. Os profissionais da Atenção Primária à Saúde foram apontados, em 2021, como os mais procurados por 56,8% dos adultos e por 59,6% dos adolescentes. Em 2023, o percentual passou para 64% entre os adultos e para 66% entre os adolescentes.

Dos adultos, 34,9% declararam ter plano privado de saúde, em 2021, e 39,8%, em 2023. Entre os adolescentes que afirmaram ter plano, foram 27,8%, em 2021, e 33,9%, em 2023.

“A elevada utilização dos serviços de saúde e a menção ao serviço público como sendo a principal referência para atendimento demonstram a grande demanda para o SUS no município, mas também o grande potencial desse sistema para a realização de intervenções efetivas que visem minimizar os impactos na saúde da população”, destaca Peixoto.

Número de crianças com risco de atraso no desenvolvimento de habilidades apresenta queda

Além da analisar a exposição das crianças a metais, foram avaliados também os efeitos em relação ao desenvolvimento neuromotor, cognitivo e emocional, por meio da aplicação do Teste de Denver II. Os resultados mostraram que, de um ano a outro, caiu o número de crianças com risco de atraso no desenvolvimento de habilidades esperadas para sua faixa etária. Em 2021, eram 42,5% na faixa de risco, sendo, em 2023, 28,3% do total de avaliados.

O estudo avaliou ainda o crescimento pôndero-estatural das crianças, que considera a estatura, o peso e o índice de massa corporal. Entre 2021 e 2023, a maioria das crianças apresentou Índice de Massa Corporal (IMC) normal. Em relação aos quadros de obesidade (IMC > 30) e sobrepeso (IMC > 25), houve melhora nos índices. Em 2021, cerca de 11% das crianças eram consideradas obesas; em 2023, o percentual caiu para 4,6%. Com sobrepeso, eram 12,5%, em 2021, e 4,6%, em 2023.

Para os pesquisadores, essa melhora na avaliação das crianças pode ser justificada pelo retorno das atividades escolares e da vida social, após o isolamento social provocado pela pandemia de covid-19. A equipe recomenda o acompanhamento das que apresentaram alterações nos indicadores antropométricos e na aquisição de habilidades associadas com o desenvolvimento neuropsicomotor, social e cognitivo. Os pesquisadores sugerem ainda a articulação entre as equipes de saúde e educação municipais, já que a atividade escolar tem grande potencial de estímulo sobre o desenvolvimento infantil.

Como é feita a pesquisa

Intitulado Programa de Ações Integradas em Saúde de Brumadinho, o estudo é desenvolvido em duas frentes de trabalho: uma com foco na população com idade acima de 12 anos, chamada Saúde Brumadinho, e outra voltada para as crianças de até 6 anos de idade, que recebeu o nome de Projeto Bruminha. Em 2021, a amostra foi composta por 3.297 participantes, sendo 217 crianças, 275 adolescentes com idade entre 12 e 17 anos, e 2.805 adultos com mais de 18 anos. Em 2023, foram 2.825 participantes: 130 crianças, 175 adolescentes e 2.520 adultos.

Ao compor a amostra, os pesquisadores buscaram cobrir toda a extensão territorial do município. No projeto Saúde Brumadinho, a amostra foi segmentada em três regiões geográficas, incluindo as áreas diretamente expostas ao rompimento da barragem de rejeitos; a região de moradores em área com atividade de mineração, mas não atingida pela lama; e a parcela considerada como não exposta diretamente ao rompimento da barragem ou à atividade mineradora, constituída aleatoriamente pelo restante do município.

Para o Projeto Bruminha, a amostra do estudo incluiu todas as crianças com até 6 anos, residentes em quatro localidades selecionadas: Córrego do Feijão, Parque da Cachoeira, Tejuco e Aranha, sendo as duas primeiras localizadas na rota da lama de rejeitos, a terceira em região de mineração ativa e a última distante dessas três áreas.

A pesquisa se baseia em diversas fontes de dados, incluindo exames de sangue e ou de urina, feitos por todos os participantes para verificar a dosagem de metais no organismo, além de entrevistas que analisam diversos aspectos relacionados à saúde e avaliação física e antropométrica.

* Com informações da Agência Brasil


Fonte: Hoje em Dia