Errar é humano, persistir no erro é uma prova de baixa inteligência. Se for em período eleitoral, pior ainda

abraço dos afogados 1

Por Douglas Barreto da Mata

Hoje cedo dei uma passeada, muito à contragosto, pelas redes sociais.  Parece que, no campo da delegada Madeleine, o desespero se aproxima.

Pelo que li, as críticas sobre o fato da deputada Carla Machado ter trazido o “bode para a sala”, defendendo o ex-prefeito Rafael Diniz e seu “governo” (que esteve mais para desgoverno) calaram fundo nos apoiadores da delegada, e principalmente, porque essa fala se deu por uma parlamentar do PT, o que é inimaginável para aqueles que disputam a primazia de serem a extrema-direita campista.

Pois bem, o argumento fajuto deles é que o atual prefeito trouxe para seu lado pessoas que estiveram no “governo” Rafael Diniz.  Ora, pelotas!  Em uma cidade onde os grupos políticos que se revezaram no poder, ou estiveram ao lado da família Garotinho, ou contra eles, e vice-versa, muito pouca gente pode escapar de ter, um hora ou outra, participado deste ou daquele governo.

A questão não é essa, embora os fundamentalistas da delegada desejem rebaixar a conversa para o aspecto pessoal, e diga-se, como forma de fazer justiça, tais abordagens pessoais nunca foram proferidas (em público) por Rafael ou por Wladimir, conhecidos por suas fidalguias.

Porém, afastadas essas circunstâncias menores, há um campo para debater o recrutamento pelo atual prefeito de vários quadros, inclusive alguns da gestão Rafael Diniz.

Ninguém nunca disse que o governo Rafael Diniz deu errado por causa das pessoas, ao contrário, havia ali quadros tidos como muito capacitados, como foi o caso de Brand Arenari, ex-secretário de Educação, do ex- Procurador Geral do Município, tido como um jurista novo, mas talentoso.

Há outros exemplos de pessoas inteligentes, mas que não deram certo sob o comando de Rafael.  Parece óbvio que não deu certo foi  o governo, a reunião desses quadros em torno de uma ideia ruim. Um governo com princípios ruins só poderia dar errado.

Rafael Diniz preferiu usar todo o capital político que tinha, conferido por uma surpresa alucinante nas urnas, que o levou a derrotar a família Garotinho, na empreitada de apagar da memória da cidade o legado desse grupo político.

Era possível? Sim, era, mas para tanto, ele precisava governar, dialogar, articular, e não apenas repetir jargões da mídia e da campanha. Era preciso fazer mais e melhor, ainda que com menos dinheiro.  Lamentar e chorar pela perda de receita não adianta, os problemas da população não entendem essa choradeira.

No fim, sobrou para Rafael e seus seguidores apenas o ressentimento. Ressentimento, sabemos, não é um bom adubo para semear carreiras políticas.

O que a oposição a Wladimir, que hoje se reúne em torno de Rafael Diniz, não entende, quando parte para esse desagravo tardio e burro, trazendo ele de volta ao cenário, para a alegria do prefeito Wladimir Garotinho, é que o atual prefeito conjugou a fórmula que era necessária: usou o antecessor desastroso como referência sim, mas articulou, conseguiu recursos externos, fez o dever de casa no quesito fiscal, criou obras de impacto, e principalmente, estabeleceu uma interlocução diária e cotidiana com o povo, através de todos os meios que soube utilizar magistralmente, as mídias e redes sociais, mesmo quando aparecia em desvantagem.

Rafael Diniz, eleito à base da onda digital, nunca pareceu entender o que havia lhe beneficiado, ao contrário, deu a entender que estava ali de passageiro e não de motorista do seu próprio destino.

Desmontou uma rede de proteção social, que embora não fosse perfeita, conseguiria deter os efeitos do que estava por vir, e veio, com a diminuição das rendas do petróleo, e depois, com a pandemia, já no governo atual.

Rafael Diniz quando se deparou com verbas menores, tirou os recursos dos programas que atendiam quem mais seria vulnerável a essa carência orçamentária.  Cortou os programas de renda mínima municipais.  Implodiu um sistema de transporte público que já era precário, é verdade, mas não colocou nada no lugar.  Deixou a cidade sem avaliação junto ao MEC, zerando a nota do IDEB.

Enfim, todo mundo se lembra da sua gestão como a pior de todas.

A presença dos quadros políticos de Rafael Diniz, que foram reaproveitados no atual governo, de Wladimir Garotinho, e que contribuíram para uma avaliação positiva de 76% da população, mostra que faltava liderança, faltava prefeito.

Quando os apoiadores da delegada mostram fotos desses quadros ao lado de Rafael Diniz, e hoje, ao lado de Wladimir, eles afundam ainda mais no desgoverno de Rafael, porque se estes quadros funcionam bem na atualidade, com Wladimir, por quê não deram certo antes?

Sim, o problema era o comandante. Justamente aquele com quem o PT, a delegada, e a deputada Carla Machado querem abraçar. Abraço de afogados?  As urnas dirão.

MPF assina acordo para desfazer construção no Parque Nacional da Tijuca

Recursos pagos como compensação serão voltados à preservação de arquivos da escravidão e ao patrimônio cultural do estado

mansão joá

O Ministério Público Federal (MPF) assinou um termo de ajustamento de conduta (TAC) com o proprietário de um imóvel na Rua Engenheiro Alberto Wolf Teixeira, em São Conrado, no Rio de Janeiro (RJ), para desfazimento de construção embargada pela Prefeitura Municipal e pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A propriedade está localizada na área do Parque Nacional da Tijuca, bem tombado por sua importância cultural.

A construção foi embargada pelo Iphan porque o proprietário construiu 500 metros quadrados acima do limite de 200 metros permitido para a área do imóvel. Inquérito civil foi instaurado pelo MPF a partir de representação dos moradores da vizinhança.

O proprietário do imóvel foi notificado pelo MPF para cessar a obra e, em seguida, aceitou celebrar um TAC para desfazimento da área indevidamente acrescida e obtenção de prévia aprovação do Iphan para a edificação no local.

O responsável pelo imóvel também concordou em pagar, a título de compensação pelos danos causados ao patrimônio cultural paisagístico, o valor de R$ 400 mil, convertidos em equipamentos doados a quatro instituições públicas indicadas pelo MPF, conforme previsto na Resolução Conjunta CNJ e CNMP nº 10, de 29 de maio de 2024.

Arquivos da escravidão no Vale do Paraíba – Metade dos recursos do TAC serão utilizados para aquisição de equipamentos de higienização e digitalização de processos judiciais do século XIX, que estão na guarda dos Municípios de Piraí e Rio Claro, no Vale do Paraíba fluminense. O MPF desenvolve atualmente projeto com o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro voltado à identificação e organização de arquivos ligados à história da escravidão no Vale do Paraíba. Os equipamentos adquiridos servirão para a criação de um polo de digitalização de documentos históricos no Município de Piraí.

O procurador da República Sergio Gardenghi Suiama, responsável pela assinatura do TAC, comemorou a destinação dos recursos para o projeto com o Tribunal de Justiça. “As plantações de café do Vale do Paraíba testemunharam o ápice da escravidão no Brasil. As histórias de milhares de pessoas escravizadas, das violências que sofreram e da luta pela liberdade que travaram na Justiça estão registradas nos arquivos do judiciário, e precisam ser preservadas, estudadas e conhecidas”, afirmou o procurador.

Museu Nacional de Belas Artes e UFRJ – Os recursos de compensação do TAC também serão empregados na aquisição de equipamentos destinados ao Museu Nacional de Belas Artes e ao Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Serão adquiridos, para as duas instituições públicas, dentre outros equipamentos, desumidificadores, filtros de ar, computadores, projetores, scanners, impressoras e lousas de vidro, totalizando um investimento de R$ 200 mil em bens que serão incorporados ao patrimônio público federal.

Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) anexo

Acordo de Cooperação – Município de Rio Claro

Acordo de Cooperação – Museu Nacional de Belas Artes

Acordo de Cooperação – Universidade Federal do Rio de Janeiro

Queimadas da cana colocam Campos como principal área de contaminação por mercúrio atmosférico no RJ, mostra estudo

Produção de poluentes pela queima da vegetação e de combustível pode se espalhar pelo ar e comprometer a saúde da população. É que mostrou um levantamento da PUC-Rio

cana

Por Arthur Almeida para a Revista Galileu 

Um estudo feito no Laboratório de Química Atmosférica PUC-Rio avaliou as concentrações de mercúrio (Hg) em material particulado (PM2.5) no ar em três locais no estado do Rio de Janeiro. Os resultados revelaram que 63% das amostras apresentavam níveis diários superiores aos padrões estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Dentre as regiões investigadas estavam o bairro da Gávea, na capital fluminense; o município de Campos dos Goytacazes, área urbana afetada pela queima de cana-de-açúcar; e a zona de proteção do Parque Nacional da Serra dos Órgãos (Parnaso). Um artigo que detalha a análise foi publicado em junho na revista científica Royal Society of Chemistry.

poluição Hg

“A novidade dos nossos resultados está na quantificação das concentrações de mercúrio no material particulado no Rio de Janeiro, na identificação das variações sazonais e nas suas possíveis fontes de emissão”, aponta Luis Fernando Mendonça da Silva, primeiro autor do estudo, em nota enviada à imprensa. Dado que possui um dos maiores centros urbanos e industriais do Brasil, ele acredita que o estado apresenta características únicas que tornam a investigação desses níveis de poluição relevante.

Na comparação das áreas avaliadas, a concentração média de mercúrio no PM2.5 em Campos dos Goytacazes foi a maior encontrada, com níveis de 169 ± 139 pg m⁻³. Segundo os especialistas, tal fato pode ser explicado pelas queimadas da cana-de-açúcar recorrentes na região.

Da mesma forma, embora o Parnaso seja uma área de preservação, suas concentrações médias de mercúrio (110 ± 71 pg m⁻³) foram maiores do que as identificadas na Gávea (81 ± 116 pg m⁻³). A provável explicação para essa diferença é a proximidade do ponto de amostragem do parque com a rodovia, na qual a queima de diesel dos veículos emite mercúrio para a atmosfera.

“As queimadas, independentemente do tipo de biomassa, não causam a poluição do ar apenas pela emissão de partículas, mas também pelos componentes associados a elas”, aponta Adriana Gioda, coordenadora do Laboratório de Química Atmosférica. Ela lembra ainda que essas partículas não são estáticas e tampouco se restringem a seus limites geográficos, o que significa que o mercúrio pode migrar para outras regiões e afetar populações distantes de onde as queimas aconteceram.

A variação sazonal também foi recorte de avaliação dos pesquisadores. As amostras levantadas entre 2022 e 2023 revelam que as maiores porcentagens de mercúrio no PM2.5 foram encontradas no outono (37%); seguido pela primavera (28%); inverno (24%); e, por fim, verão (11%).

Para explicar a diferença do mercúrio nas amostras ao longo do ano, a equipe trabalha com a hipótese de que as temperaturas elevadas e a maior radiação solar no verão podem facilitar a transformação de gás em partículas. “As concentrações de Hg foram, aproximadamente, duas vezes maiores durante o período seco, quando comparados com o verão, sugerindo contribuições de fontes locais e poluição transfronteiriça”, revela Gioda.

De acordo com os pesquisadores, estudos complementares devem ser realizados no futuro. A ideia agora é entender como ocorre o ciclo desse poluente no Rio de Janeiro.


Fonte: Revista Galileu

O PT Campos na encruzilhada: se correr o bicho pega, se ficar, o bicho come

crossroads campos

Por Douglas Barreto da Mata

Eis a situação do PT de Campos hoje, muitíssimo bem retratada no texto do editor, que dá nome a esse blog (do Pedlowski), me chamou atenção, especialmente o parágrafo final, que reproduzo abaixo:

“(…)Aí me parece que não apenas se deverá fazer o devido balanço do custo de ter se incensado uma política que é efetivamente uma alienígena dentro do PT e perdido tanto tempo em um esforço para viabilizar uma candidatura impossível.   Há que se tirar consequências práticas não apenas sobre o que fazer com Carla Machado após sua migração para a candidatura da delegada Madeleine, mas também para que se evite o mesmo tipo de vexame político no futuro.(…)”

É uma questão importante, que não merece passar despercebida.  O que o PT de Campos fará com Carla Machado, e mais, como irão se comportar suas instâncias acerca do triste papel desempenhado por seu candidato, e a coordenação de campanha, que levaram a legenda ao desastre político, desastre este muito mais significativo, diga-se, que as meras somas eleitorais desfavoráveis?  Como encarar o eleitor, e pior, como encarar a sociedade, após a eleição?

A fusão do PT com a extrema-direita é um movimento estranhíssimo e difícil de engolir. Ainda mais da forma como se deu, com a adesão da deputada petista Carla Machado à candidatura da delegada Madeleine, ao mesmo tempo que, na mesma ocasião da declaração de apoio, a deputada trouxe de volta o bode para a sala.

O bode é Rafael Diniz.  Não foi possível entender como a deputada teceu elogios e defesas ao ex-prefeito Rafael Diniz, que vinha sendo evitado como uma doença contagiosa pelo grupo da delegada. 

A coordenação de campanha da delegada buscou, de todo modo, esconder as conexões com o ex-prefeito Rafael Diniz, como escondem um parente indesejável, já que a administração dele é considerada a pior de todos os tempos, sendo atribuída a esta administração boa parte do favoritismo e vantagem do atual prefeito Wladimir Garotinho, quando comparadas as gestões.

Inexplicável que a deputada, em pleno discurso de apoio à delegada, tenha trazido o pobre Rafael Diniz, que implorava ser esquecido, de novo à ribalta do debate político municipal. Se havia alguma dúvida para o eleitor, agora ficou claro e escancarado:  Carla Machado é Rafael Diniz, que é o mesmo que o PT e o Professor Jefferson, e todos são a delegada e seu grupo político!

Com a surpresa por este péssimo passo da deputada em mente, que passo à minha conversa com George Gomes Coutinho, neste sábado, dia 21/06, pela manhã. Coutinho me alertou sobre a impropriedade de um partido, que teve seu principal líder preso e impedido de concorrer à uma eleição (2018), pelo emprego do lawfare, recorrer a esta prática nefasta de judicializar a disputa.  Não poderia concordar mais.

O PT padece de uma Síndrome de Estocolmo, depois de apanhar com as vergastadas das varas judiciais, parece ter assumido para si o papel dos seus algozes, e se lança na cruzada de protagonismo judicial.  O uso pornográfico (emprestando a expressão de Nelson Rodrigues) do poder judiciário é algo que não faz sentido para um partido que foi esmagado pela república das togas.

É preciso dizer que todas suspeitas embasadas em indícios razoáveis devem ser apuradas com rigor máximo, ao mesmo tempo que devemos evitar, a todo custo, levar ao conhecimento da Justiça meras ilações e leviandades, com o intuito provocar danos ao concorrente, como veda, inclusive, o Artigo 326-A da Lei 4737/65.

Esse é o remédio amargo que deverá ser ministrado ao Professor Jefferson, agora chamado nas redes de Professor Girafales, ou Playmobil, tamanho o ridículo que se fez passar.  Bem, se eu fosse o corpo jurídico do candidato Wladimir Garotinho, é por aí que eu começaria. 

Como agora não consegue justificar o papelão, o Professor Jefferson Manhães cavou mais o fundo do poço onde se encontra, e clama desafios sobre advogados, como se essa fosse a questão principal.  Não é. 

Antes de propor desistência de candidaturas, ele mesmo deveria repensar a sua, depois do vexame que passou, desde o início, quando foi preterido por uma tese jurídica impossível, e agora, quando a deputada estadual Carla Machado lhe retira a escada, deixando-o pendurado na brocha, como diziam os antigos.

Há várias outras questões cruciais. Pois bem, por último, eu trago outras considerações de ordem prática. O movimento de Carla Machado para apoiar a delegada Madeleine pode ser ainda mais deletério para a delegada, além do que já enumeramos.

Explico.  Agremiações políticas como o PT, ou aquelas de extrema-direita sobrevivem na reivindicação de uma originalidade específica, isto é, dizem a todos que são diferentes e portam uma mensagem “pura” da política. Necessitam de certa “radicalização”. No caso da extrema-direita, essa perspectiva se amplia ao grotesco, como o influencer goiano admirado pela delegada Madeleine, o moço da “cadeirada”, da luta com tubarões, da ressuscitação e das tentativas de curas. 

Ora, embora não seja um cálculo exato, a presença de uma petista, mesmo que seja uma “petista tipo Carla Machado”, traz para os setores mais conservadores (leia-se extrema-direita) que se alinham junto à delegada e seu grupo, um desconforto que, muito provavelmente, provocará deserções, cujo número, já dissemos, não é muito fácil de estipular, mas não é leviano supor. 

Nessa extrema-direita estão os que detestam a família Garotinho, justamente por causa da inclinação social dos governos deles, considerados pelos ultraconservadores como “socialistas” ou “de esquerda”, ou como a própria delegada disse, “Wladimir melancia”, vermelho em seu interior.

Parte desse pessoal disputou ferrenhamente o apoio do ex-presidente Bolsonaro, enquanto acusava o atual prefeito Wladimir de não ser “direita raiz”.  E agora, José?  Como explicar para os enfurecidos da extrema-direita que o PT chegou para o baile, e vai dançar com a delegada?

O que fará esse pessoal?  Eu apostaria em um derretimento de entre 2 a 5% nos votos da delegada, sendo certo que destes votos perdidos, uma parte iria para brancos e nulos, já que o antigarotismo não cederia espaço a conversão destes eleitores desiludidos.

É possível, no entanto, que uma parte do eleitorado migre para o atual prefeito Wladimir Garotinho, como uma aposta de “voto de vingança”, para punir a delegada, com uma derrota mais acachapante, ou ainda, um “voto de rendição”, é melhor não perder o voto, e votar no vencedor, já que a desafiante mostrou-se pior do que o prefeito.  As urnas soberanas falarão.

O certo é que a frase de Napoleão Bonaparte parece cada vez mais atual, deve ecoar nos corredores da campanha de Wladimir: “Não incomode nossos inimigos, enquanto eles cometem erros”.

A UERJ em crise: A inércia que ameaça a educação pública no Rio de Janeiro

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Por Magnum B. Sender

A Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) enfrenta um momento delicado, resultado de uma herança mal administrada e de um flagrante desrespeito aos seus procedimentos internos, agravada por um elevado nível de intransigência por parte da atual administração. Essa postura impacta diretamente os mais vulneráveis dentro da instituição.

Como já mencionei anteriormente neste blog, acompanho de perto os movimentos da Uenf e de outras universidades públicas, tanto no estado do Rio de Janeiro quanto em todo o Brasil.

Minha preocupação com a educação pública cresce diante do que temos testemunhado nos últimos anos, tanto a nível nacional, desde o segundo mandato da presidente Dilma e o golpe de Temer, quanto no cenário estadual, com a gestão de Pezão e Wilson Witzel e, posteriormente, do atual governador, Cláudio Castro.

Assistimos à extinção sumária da Universidade Estadual da Zona Oeste (Uezo) pelo governo estadual, com sua incorporação à Uerj. O que mais impressionou foi a ausência, quase que total, de qualquer manifestação significativa em defesa da Uezo. Será que não perceberam os riscos que esse tipo de medida pode trazer para as demais instituições estaduais e para o ensino público no estado? Isso ocorreu no Rio de Janeiro, um verdadeiro laboratório de crueldades contra servidores e instituições públicas.

O mais preocupante é que tanto as Instituições de Ensino Superior (IES) quanto a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) naturalizaram todo esse processo, materializando um completo descaso por uma instituição que foi criada com uma missão nobre em uma região que merecia atenção para promover sua transformação social.

Volto, então, à minha preocupação inicial com a Uerj. Recentemente, tomei conhecimento da criação do Fórum de Reitores das Instituições Públicas de Ensino do Estado do Rio de Janeiro (Friperj), que congrega as instituições de ensino superior públicas com o objetivo de fortalecê-las como instâncias da sociedade civil, no campo do ensino, da pesquisa e da extensão.

Diante disso, pergunto: não seria o momento para o Friperj se posicionar em defesa da Uerj e do ensino público, com qualidade, inclusiva e, respeito e compromisso com a autonomia financeira dada sua importância para o estado? A Uerj tem enfrentado, em mais de uma ocasião, tentativas de privatização, o que torna inaceitável que a Uenf, como irmã mais nova, e o Friperj permaneçam como meros espectadores em meio a uma crise que pode se espalhar para outras instituições.

A Uerj merece respeito. Seus estudantes e professores precisam ser ouvidos, e a reitoria eleita deve honrar os compromissos assumidos com toda a comunidade universitária.

Via decreto, Cláudio Castro promove sangria no RioPrevidência e ameaça o pagamento de pensões e aposentadorias

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Cláudio Castro, ao lado do presidente da Alerj, na cerimônia de inauguração da UTE Marlim Azul

Enquanto o estado do Rio de Janeiro continua concedendo centenas de bilhões de isenções fiscais para as quais não se vê qualquer retorno para o seu desenvolvimento econômico, o governador Cláudio Castro resolveu decretar o desvio dos recursos royalties de petróleo e participação especial que entram nas contas do Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro (RioPrevidência)— responsável pelo pagamento de aposentadorias, pensões e outros benefícios do funcionalismo fluminense para quitar parcelas da dívida pública do governo Cláudio Castro com a União.

Ainda que sob pressão, Cláudio Castro tenha limitado o alcance dessa verdadeira tunga nos recursos do RioPrevidência até o final de 2024 e limitado o teto da verba a ser transferida em R$ 4,9 bilhões, o decreto de Cláudio Castro é uma porta aberta, já que impede que seja renovado ano a ano.

Em 2024, já entraram nas contas do RioPrevidência R$ 15,3 bilhões de royalties e participação especial. Cerca de mais R$ 5 bilhões são esperados até o fim deste ano. Para 2025, a expectativa é de as transferências chegarem a R$ 20 bilhões, embora os repasses estejam condicionados ao preço do barril do petróleo e à variação cambial.

Dados da Secretaria de Fazenda informam que a dívida total do estado alcança R$ 196 bilhões, sendo R$ 164 bilhões devidos à União e R$ 32 bilhões de contratos garantidos pelo governo federal.

Segundo o deputado Luiz Paulo,  vice-presidente da Comissão de Tributação, Controle de Arrecadação e de Fiscalização da Assembleia Legislativa (Alerj), Cláudio Castro está praticando uma operação contábil, profundamente prejudicial ao RioPrevidência, ou seja aos aposentados e pensionistas que precisam acessar esses recursos. 

Em outras palavras, para continuar dando isenções bilionárias sem retorno e continuar pagando uma dívida impagável, Cláudio Castro está ameaçando os atuais e futuros servidores aposentados com a falta de suas pensões e aposentadorias.

Vejam abaixo vídeo com o deputado Flávio Serafini para entender o tamanho da ameaça que Castro está colocando sobre as cabeças dos aposentados.

O dia do juízo final foi adiado na geleira mais vulnerável da Antártida

A colaboração de Thwaites descobre que a geleira se estabilizou um pouco – no curto prazo

geleira 0Não se espera que a geleira Thwaites entre em colapso até o final do século, mas ainda pode adicionar 6 centímetros aos níveis globais do mar. Rob Larter/British Antarctic Survey

Por Paul Voosen para “Science”

A Geleira Thwaites da Antártida não é chamada de Geleira do Juízo Final à toa. Se a camada de gelo do tamanho da Flórida derretesse, ela poderia elevar os níveis globais do mar em 65 centímetros. E como é uma pedra angular que impede que outras camadas de gelo fluam para o oceano, seu desaparecimento poderia desbloquear um total de mais de 3 metros de elevação global do nível do mar. Em 2018, financiadores dos EUA e do Reino Unido criaram a Colaboração Internacional da Geleira Thwaites (ITGC) de 100 pessoas para sondar o gelo — e seu futuro — com uma campanha concertada de trabalho de campo, submersíveis, sensoriamento remoto e modelagem computacional.

Agora, o ITGC está fazendo um balanço do que aprendeu em uma reunião esta semana no British Antarctic Survey (BAS) em Cambridge, Inglaterra — uma reunião final enquanto seus oito projetos terminam no próximo ano. E uma conclusão é que alguns dos piores cenários — como o colapso descontrolado da frente de desprendimento de icebergs da geleira, que se projeta para o oceano como uma plataforma de gelo — são improváveis ​​neste século, diz Robert Larter, um geofísico marinho do BAS e colíder do projeto. Essa preocupação, ele diz, “não é o monstro enorme que poderia ter sido há 10 anos”.

Em vez disso, resultados preliminares de um dos grupos de modelagem do ITGC sugerem que nas próximas décadas Thwaites recuará constantemente, mas não entrará em colapso, contribuindo com até 6 centímetros de aumento global do nível do mar até o fim do século. Isso ainda é uma fração importante dos 38 a 77 centímetros de aumento que o último relatório climático da ONU estima que ocorrerá até 2100 por causa do derretimento na Antártida e na Groenlândia. E isso acontecerá mesmo se a humanidade interromper repentinamente as emissões de gases de efeito estufa, dado o aquecimento que já ocorreu e o lento tempo de resposta da camada de gelo, diz Daniel Goldberg, um glaciologista computacional da Universidade de Edimburgo.

A longo prazo, a perspectiva ainda é sombria. Sob o pior cenário para emissões, Thwaites e muitas das camadas de gelo que ele sustenta podem entrar em colapso até 2300, adicionando mais de 4 metros ao nível do mar, de acordo com uma estimativa publicada este mês no Earth’s Future por uma grande colaboração de modeladores, incluindo membros do ITGC. (Modelos que apresentaram cortes agressivos de emissões, no entanto, não viram tal colapso.) E cientistas paleoclimáticos fora do ITGC estão encontrando evidências crescentes — em núcleos de gelo e até mesmo em DNA de polvo — de que esta região perdeu grandes quantidades de gelo há cerca de 125.000 anos, quando as temperaturas eram semelhantes às de hoje.

Os glaciologistas reconheceram a vulnerabilidade única de Thwaites e outras geleiras na Antártida Ocidental na década de 1970. O gelo preenche uma imensa planície que fica abaixo do nível do mar e desce para o interior. Essa topografia levantou temores de que, uma vez que Thwaites se afaste de uma crista de leito rochoso, ou soleira, que ajuda a desacelerá-la, águas quentes do oceano irão se precipitar, corroendo a parte inferior da geleira e acelerando seu recuo.

Dois dos projetos do ITGC usaram explosões controladas para sondar esse leito rochoso com ondas sísmicas. Devido aos atrasos da pandemia, “obtivemos alguns dados, mas não tantos quanto eu gostaria”, diz Sridhar Anandakrishnan, um sismólogo glacial da Universidade Estadual da Pensilvânia que liderou um dos projetos. Ainda assim, sua equipe descobriu que uma mistura irregular de rocha dura, sedimentos e lagos está por baixo da geleira. A topografia complexa pode dificultar que os modelos prevejam a rapidez com que Thwaites deslizará e o que ele pegará, uma vez que recue além do peitoril. Por enquanto, o recuo só pode ir até certo ponto, diz Jeremy Bassis, um glaciologista da Universidade de Michigan. “Será necessário um golpe de tamanho decente para tirá-lo daquele peitoril e levá-lo para águas profundas neste século.”

Duas outras equipes do ITGC usaram radar para sondar a espessura da plataforma de gelo flutuante em estações de campo com vários anos de intervalo. Eles descobriram que a espessura da plataforma não havia mudado substancialmente, diz Erin Pettit, uma glaciologista da Oregon State University. “As taxas de derretimento que podemos medir com radar são próximas de zero em todos os lugares”, diz ela. O recuo da geleira parece ser causado por fraturamento em vez de derretimento, diz ela.

Cinco anos atrás, Pettit e sua equipe avistaram fendas ameaçadoras em forma de “punhal” se desenvolvendo na plataforma de gelo da geleira. Desde então, seu progresso diminuiu drasticamente, embora ela ainda acredite que a plataforma irá rachar na próxima década. Sempre que isso acontecer, não acelerará muito as perdas, diz Mathieu Morlighem, um modelador de camadas de gelo no Dartmouth College. A modelagem feita por ele e outros cientistas do ITGC sugere que a plataforma já faz pouco para desacelerar a geleira, pois já está perdendo uma conexão com a ponta de uma crista submarina. “Não está reforçando muito”, diz Morlighem. “As pessoas não gostaram muito disso, mas é a verdade.”

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M. Hersher/Science

Apesar dos atrasos da pandemia no trabalho de campo, as duas equipes de modelagem dedicadas do ITGC integraram um novo mapeamento submarino de Thwaites e desenvolveram modelos que acoplam dinamicamente a camada de gelo e o oceano. Um projeto de modelagem, por exemplo, analisou de perto a chamada “instabilidade do penhasco de gelo marinho”, a ideia de que, à medida que a frente da plataforma de gelo perde icebergs, ela ficaria mais alta e menos estável, formando um penhasco imponente que acabaria por começar a desabar sob seu próprio peso. Em um estudo publicado no mês passado na Science Advances , os pesquisadores descobriram que a instabilidade não ocorreria mesmo quando Thwaites recuasse além de sua zona de aterramento no peitoril do leito rochoso. A tendência da geleira de fluir mais rápido uma vez liberada do peitoril ajudaria a mantê-la fina e evitaria que o gelo se projetasse mais de 1 quilômetro acima da água, o que parecia ser o limite para o colapso.

Embora algumas dessas coisas possam parecer boas notícias para o futuro imediato de Thwaites, os dois projetos paleoclimáticos do ITGC deixam claro que a geleira tem um histórico de ser imprevisível e mudar rapidamente. Em um projeto, pesquisadores perfuraram gelo até a rocha subjacente perto de Thwaites, medindo em laboratório quando essas amostras foram expostas pela última vez ao bombardeio de radiação cósmica e luz solar. Essas rochas mostraram, de acordo com um estudo do ano passado no The Cryosphere , que Thwaites e seus vizinhos eram pelo menos 35 metros mais finos do que hoje, apenas alguns milhares de anos atrás. A descoberta sugere que a geleira pode se recuperar de perdas passadas, embora a recuperação do afinamento atual exigiria que o mundo reduzisse rapidamente suas emissões de gases de efeito estufa, diz Joanne Johnson, geóloga da BAS. “E em escalas de tempo sociais, 3.000 anos é um tempo muito longo para se recuperar”, diz ela.

O segundo projeto paleoclimático extraiu núcleos de sedimentos de picos submarinos para mapear o quão longe Thwaites se estendeu em direção ao mar nos últimos séculos. Em um estudo publicado este ano no Proceedings of the National Academy of Sciences , os pesquisadores descobriram que o recuo de Thwaites e sua vizinha Pine Island Glacier começou na década de 1940, antes do aumento do aquecimento moderno, talvez provocado por um forte El Niño no Oceano Pacífico.

Usando uma sonda subaquática, a equipe também examinou uma crista do fundo do mar que costumava ajudar a aterrar a geleira. A sonda identificou cicatrizes deixadas na crista pelo gelo conforme ele era levantado e abaixado pelas marés. Os rastros mostraram que, por um ou dois anos no século passado, Thwaites recuou até três vezes mais rápido do que o presente , diz Julia Wellner, geóloga glacial da Universidade de Houston. “Tudo o que obtemos continua sugerindo o quão dinâmico ele pode ser.”

Essa inconstância torna difícil definir o futuro de Thwaites. Assim como as lacunas restantes nos dados. Anandakrishnan, por exemplo, não conseguiu mapear os 70 quilômetros de leito rochoso logo no interior da plataforma de gelo, então ele não pode dizer com certeza como as cristas ali podem impedir o recuo de Thwaites no futuro. E os membros do ITGC não conseguiram fazer trabalho de campo no tronco ocidental mais rápido da geleira, pois ele está muito quebrado e perigoso. Mas outro grande esforço como o ITGC é improvável em breve, dado que o principal financiador do ITGC dos EUA, a National Science Foundation (NSF), está com falta de fundos e suporte logístico para o trabalho na Antártida. “Não acho que [a NSF] queira ouvir a palavra Thwaites por 10 anos”, diz Anandakrishnan.

Paul Voosen é um redator que cobre ciências da Terra e planetárias para a revista Science.


Fonte:  Science

Carla Machado, como Greta Garbo, quem diria, acabou no Irajá. E o PT Campos arrisca ir junto

A então prefeita Carla Machado entregando a medalha de “Barão de São João da Barra” a Eike Batista

Esta postagem pode parecer uma sequência do preciso texto assinado pelo Douglas da Matta, e até certo ponto é, porque trata de uma mesma personagem, a ex-prefeita de São João e atual deputada estadual pelo PT, Carla Machado. Começo dizendo que sou do tempo em que a hoje deputada pelo PT era uma espécie de filial do chamado Garotismo nas terras que dão ao Brasil o conhaque de alcatrão São João da Barra. Depois por motivos que se tornaram óbvias, Carla Machado assumiu voo próprio e passou a fazer uma oposição visceral a Anthony Garotinho e seu grupo político.

Mas passada a introdução, eu tenho que dizer que Carla Machado foi uma personagem habitual no espaço deste blog desde sua criação em 2011 por um motivo que considero emblemático da sua trajetória pós-Garotismo que foi o processo de desapropriação de 7.500 hectares pertencentes a agricultores familiares para a implantação de um natimorto Distrito Industrial de São João da Barra que daria uma conformação produtiva ao Porto do Açu, empreendimento iniciado sob os auspícios de um grande amigo de Carla Machado, o ex-(des) governador Sérgio Cabral  (Aqui!, Aqui!, Aqui!, Aqui!).

Carla Machado foi uma figura instrumental não apenas para a Codin tomar terras cujas indenizações ainda não pagas, mas também para transformar terras que eram agrícolas em um grande latifúndio improdutivo, o que facilitou não apenas a instalação do Porto do Açu com Eike Batista, mas também todo o desarranjo social e produtivo que vigia no V Distrito de São João da Barra.

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Carla Machado e o então reitor do IFF, Jefferson Manhães na Feira de Oportunidades de 2019

As imagens abaixo mostram Carla Machado participando de uma espécie de divisão (neo) colonial do V Distrito com direito a poses com mapas que lembram muito o que as potências europeias fizeram na Ásia e na África no Século XIX.

O fato é que Carla Machado nunca foi cobrada por sua participação na tomada de terras de centenas de agricultores pobres que tiveram seu modo de produção e reprodução completamente dilacerados por um empreendimento que até hoje se mostra um pesado fardo para São João da Barra. As promessas de crescimento de empregos e da renda municipal não se confirmaram e o nível de miséria se manteve firme, mas Carla Machado continuou surfando nas boas ondas da política regional. O que ficou foi  salinização das águas continentais, erosão costeira, aumento dos problemas sociais, e perda da produção agrícola.

Uma das explicações para isso foi sua migração para o Partido dos Trabalhadores (PT) e sua eleição para deputada estadual, a despeito da trajetória anti-camponesa que ela construiu como uma das avalistas da tomada de terras pelo (des) governo de Sérgio Cabral. As cenas de agricultores idosos sendo removidos algemados de suas propriedades nunca resultaram na devida fatura política para Carla Machado e seu acolhimento nas hostes do PT serviu como uma espécie de indulto da qual ele se beneficiou alegremente.

Como alguém que trabalhou para conseguir o registro nacional do PT junto ao Tribunal Superior Eleitoral em 1982 subindo os morros na cidade do Rio de Janeiro para captar filiados, ver uma personagem como Carla Machado andando com a estrela no peito é não apenas fonte de desgosto, mas também de confirmação de que ter me retirado do partido a que ajudei a fundar foi um ato correto.  Mas como considero que existem militantes sinceros no PT de Campos, eu fico imaginando como eles estão se sentindo hoje com a ida de Carla Machado para a campanha da Delegada Madeleine, enquanto o partido tem um candidato no pleito, o Professor Jefferson Manhães.

Mas para além do desrespeito com a candidatura oficial do partido, o abraço de Carla Machado em outra candidatura de viés claramente mais à direita do espectro ocupado pelo PT torna ainda mais difícil o esforço que os membros da nominata de vereadores estão tendo que fazer para serem chances mínimas de eleição.  Curiosamente nesta nominata existem militantes do campo da reforma agrária, como no caso do Hermes Mineiro e do Mateus do MST. Pelo menos para esses, a boa notícia é que não terão a companhia de uma inimiga da agricultura familiar nas caminhadas em que estão gastando a sola do sapato e as cordas vocais para enfrentar alianças que possuem mais dinheiro para se viabilizarem.

Aliás, o aparecimento de jovens militantes que ainda acreditam no PT como instrumento de luta era uma das poucas coisas boas que eu pude ver no atual ciclo eleitoral. Agora, com essa guinada pró-Madeleine de Carla Machado, fico me perguntando se até isso não está sendo jogado pelo ralo.

Aí me parece que não apenas se deverá fazer o devido balanço do custo de ter se incensado uma política que é efetivamente uma alienígena dentro do PT e perdido tanto tempo em um esforço para viabilizar uma candidatura impossível.   Há que se tirar consequências práticas não apenas sobre o que fazer com Carla Machado após sua migração para a candidatura da delegada Madeleine, mas também para que se evite o mesmo tipo de vexame político no futuro.

A sinuca de bico do PT Campos: ou expulsa Carla Machado ou retira a candidatura do Professor Jefferson

sinuca de bico

Por Douglas Barreto da Mata

Vou repetir mil vezes, todos os partidos e políticos têm direito ao seu cálculo político, às alianças e adesões.  Seja qual for o motivo for.  O que não se pode é tomar a todos por burros, escondendo interesses inexplicáveis, ou atitudes incoerentes com aquilo que pregam. 

Se os petistas campistas  e o pessoal da Delegada  Madeleine dizem que o atual prefeito anda em todos os lados, o que eu nem acho ruim para a biografia dele, o que dizer da incomum e estranha “união” do PT de Campos com a extrema-direita e seus padrinhos políticos.

Hoje tivemos uma dose dupla de afagos, onde o PT de Campos, nas pessoas de seu candidato Professor Jefferson Azevedo e da deputada estadual Carla Machado, vestiu a camisa desta extrema-direita.  Uma cena grotesca e surreal.

Enquanto, de um lado, Jefferson, o candidato a prefeito entrava com uma ação, patrocinada pelo mesmo advogado do grupo da extrema-direita, inclusive foi esse advogado que acompanhou o bombeiro reformado, e segurança desse mesmo pessoal, e que é suspeito de assassinar um trabalhador de entregas, de outro lado, a deputada traía esse mesmo Jefferson, declarando apoio à candidata da extrema-direita.

Na declaração de apoio, a deputada fez questão de elogiar e defender a gestão de Rafael Diniz, que até já foi execrado pela própria Delegada Madeleine, a qual a deputada estava aderindo, Ou seja, uma confusão tremenda.  Afinal, em quem o eleitor do PT deve votar? E mais: Rafael é ou não é referência para o PT, para a deputada, para o Professor Jefferson e para a Delegada Madeleine?

Eu falo estas perguntas diretamente à coordenação de campanha do PT, nas pessoas do decano Luciano D’Angelo, do ilustre professor José Luís Vianna da Cruz, e de tantos outros dedicados a tornar o Professor Jefferson um candidato palatável.

Eu sentiria pena do Professor Jefferson, afinal, ele foi a última escolha, já que essa mesma coordenação apostava na possibilidade de que a deputada pudesse obter um milagre jurídico, e mesmo depois de não consumado o milagre, esperavam que senhora parlamentar viesse a se engajar para transferir seu capital de votos para o Professor Jefferson.  Mas depois de ver o papel que ele cumpriu na data de hoje, funcionando como uma marionete do grupo da extrema-direita, acho que ele tem o tratamento que merece.

Já em relação à deputada, não esperava nada diferente do que ela sempre fez. 

E o PT de Campos? Do jeito que vai, o jeito vai ser desejar um sonoro e lamentoso “rest in peace” (ou em bom português, descanse em paz). Na linha do “temos a tristeza de comunicar o falecimento, na data de hoje, do PT de Campos dos Goytacazes, por falência múltipla de sua vida interna, resultado de agressões violentas de grupos externos.  O velório será a partir da madrugada de hoje, na Capela do Cemitério do Caju, e o sepultamento, dia 6 de outubro.  O falecido não deixou herdeiros políticos, nem capital político nenhum”.

Até 2050, áreas mais antigas da Amazônia serão emissoras e não sumidouros de carbono

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As árvores amazônicas estão perdendo sua resiliência devido a diversos fatores, que agravarão o aquecimento global. Crédito da imagem: Serfor, imagem em domínio público.

Por Luiz Felipe Fernandes para a SciDEv

O Escudo das Guianas – ou Maciço – e a Amazônia centro-oriental deixariam de sequestrar e começariam a emitir carbono a partir da década de 2050. O mesmo poderia acontecer com o Escudo Brasileiro por volta de 2060.

Estes são alguns resultados de uma nova versão do modelo de superfície terrestre denominado ORCHIDEE, que ajuda a simular o funcionamento das florestas, principalmente em relação ao crescimento e à competição entre as árvores. A nova versão, denominada ORCHIDEE-CAN-NHA, leva em consideração a mortalidade das árvores.

Os Escudos da Guiana e do Brasil são algumas das estruturas geológicas mais antigas da Terra.

A primeira inclui parte dos territórios da Guiana, Suriname, Venezuela, Brasil e Colômbia, e é coberta pela maior massa florestal tropical intocada do mundo, fornecendo cerca de 15% da água doce do planeta .

O Escudo Brasileiro ocupa grande parte da superfície central e sudeste do Brasil. Juntamente com o Escudo das Guianas formam o Cráton Amazonas. Os crátons são entidades geológicas antigas nas quais podem existir grandes depósitos de minerais, incluindo ouro , o que aumenta as expectativas económicas.

transição das regiões amazônicas de sumidouros de carbono para fontes de carbono trará consequências devastadoras para todo o planeta.

Yitong Yao, autor principal do artigo que descreve o modelo ORCHIDEE-CAN-NHA, diz ao SciDev.Net que a primeira consequência será o agravamento do aquecimento global , responsável pela ocorrência de eventos climáticos extremos com maior frequência.

A mortalidade das árvores também afeta o ciclo global da água.

Marina Hirota, professora de Meteorologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), no Brasil, destaca que o regime de chuvas regulado pela Amazônia tem influência direta nas áreas agrícolas e na geração de eletricidade no Brasil. No nível continental, estima-se que na Bolívia, por exemplo, 33% da água da chuva esteja potencialmente associada à Amazônia.

“Como a floresta amazónica também desempenha um papel crucial na reciclagem global da água, a perda florestal poderia perturbar este ciclo e levar à redução das chuvas”, concorda Yao.

Como as árvores morrem?

A mortalidade de árvores continua a ser um processo incerto que representa um desafio adicional para o desenvolvimento de modelos que procurem prever os impactos ambientais de eventos como secas e incêndios .

As características variadas dentro de uma mesma espécie, as interações com o meio ambiente e a ação de agentes bióticos (predadores, parasitas ou doenças) são alguns dos fatores que podem tornar essas previsões menos precisas ou mesmo levar a conclusões errôneas.

Hirota explica ao SciDev.Net que as plantas têm estratégias diferentes para lidar com condições adversas, e incorporar todas essas estratégias combinadas em um modelo preditivo é um grande desafio.

“Primeiro é preciso entender os mecanismos utilizados pelas plantas, depois incorporar tudo isso nos modelos de forma realista e, ao mesmo tempo, de forma que possa ser executado no computador”, diz o pesquisador, que não fez parte do o desenvolvimento da nova versão do modelo.

Para uma simulação mais realista, Yao e sua equipe desenvolveram um novo módulo de hidráulica de plantas e adicionaram um módulo de mortalidade de árvores que vincula a perda de condutividade da água ao risco de mortalidade de árvores. Este modelo considera como a água é transportada dentro das plantas e como a falta de água pode danificar as árvores ao longo do tempo.

Segundo Yao, os principais desafios envolveram representar com precisão os processos fisiológicos relacionados à mortalidade das árvores e a falta de observações para validar a estrutura do módulo proposto.

Previsões e consequências alarmantes

Os pesquisadores usaram o modelo de mortalidade de árvores para projetar mudanças na biomassa da floresta amazônica até o ano 2100, com base em dois cenários e quatro modelos diferentes de mudanças climáticas na região.

Embora as projeções variassem dependendo do modelo climático utilizado, a tendência geral foi de seca no nordeste da Amazônia.

“Os inventários florestais e o sensoriamento remoto têm sido utilizados para avaliar os riscos de desestabilização e perda gradual de resiliência da floresta amazônica. No entanto, para melhorar a nossa compreensão e previsão do risco futuro de seca, os esforços de modelização são essenciais.”

Yitong Yao, Laboratório de Ciências Climáticas e Ambientais, França

A projeção confirma uma realidade já observada na prática. Em 2021, um estudo publicado na Nature mostrou que o sudeste da Amazônia já atua como fonte líquida de carbono para a atmosfera. Os resultados foram obtidos a partir de 590 medições de amostras de ar coletadas por avião entre 2010 e 2018.

Nesse estudo, os pesquisadores relatam que a Amazônia oriental sofreu desmatamento, aumento de temperaturas e secas. Esta combinação desequilibra os ecossistemas, provocando mais incêndios, o que se traduz em mais emissões de carbono.

A situação é ainda mais preocupante dada a maior frequência de eventos climáticos extremos. Um estudo recente publicado na revista AGU Advances observou que a perda total de carbono causada pelo El Niño de 2015-2016 na bacia Amazónica ainda não tinha sido recuperada até ao final de 2018. Isto mostra que a resiliência da floresta está cada vez mais comprometida.

Yao, que desenvolveu o projeto em sua pesquisa de doutorado no Laboratório de Ciências Climáticas e Ambientais da França, acredita que a comunidade científica tem prestado considerável atenção à estabilidade da floresta amazônica, reconhecendo-a como um ponto de inflexão crítico no sistema climático.

“Os inventários florestais e o sensoriamento remoto têm sido utilizados para avaliar os riscos de desestabilização e perda gradual de resiliência da floresta amazônica. No entanto, para melhorar a nossa compreensão e previsão do risco futuro de seca, os esforços de modelização são essenciais”, considera.

Link para o artigo completo sobre o Futuro da Terra


Fonte: SciDev