A greve nas universidades e institutos federais e o papel de quinta coluna dos “intelectuais consentidos”

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As universidades e institutos federais estão neste momento em meio a um processo de greve que deve paralisar a maioria dessas instituições. As demandas são muitas e incluem não apenas a necessária recomposição de salários corroídos por anos sem recomposição sequer das perdas inflacionárias, mas também de orçamentos que hoje ameaçam inviabilizar essas instituições estratégicas para o desenvolvimento nacional.

O governo Lula, ao contrário do que prometeu na campanha eleitoral, vem impondo também na educação federal a sua agenda neoliberal e, com isso, não apenas se recusa a negociar com os sindicatos, mas continua asfixiando financeiramente as instituições.  Desta forma, restou aos servidores de universidades e institutos federais o caminho da mobilização.  Assim, o Brasil assiste neste momento o nascimento de um movimento grevista que busca o cumprimento das promessas desprezadas em nome da obediência ao “novo teto de gastos” que apenas serve aos interesses dos agentes do rentismo, a começar pelas grandes instituições financeiras que hoje controlam a economia brasileira.

Curiosamente tenho lido uma série de manifestações nas redes sociais vindas daquilo que pode se chamar de “intelectuais consentidos” que não apenas condenam o movimento de greve, mas que imputam a ele a chance de que a dita reforma administrativa seja mais facilmente aprovada pelo congresso nacional.  É preciso que se esclareça que essa reforma administrativa que visa solapar o caráter público do funcionalismo estatal vem avançando sob os olhares plácidos do governo Lula em um misto de tolerância e cumplicidade.

Um dos argumentos que são usados pelo que eu estou chamando de “intelectuais consentidos”  é de que este não é o momento de fazer greve, pois o governo Lula estaria, digamos, encurralado pela extrema-direita no congresso nacional.  Além disso, se diz que se não houve greve no governo Bolsonaro, por que se fazer no de Lula? Ora, essa me parece uma questão óbvia, pois nem sempre as condições materiais são suficientes para que haja uma greve, há que existir as condições políticas.  Curiosamente, o abandono do governo Lula de seus compromissos de campanha foi quem criou as condições políticas para que um movimento grevista pudesse ocorrer.

Como alguém que já está em uma universidade pública desde 1998, já muita coisa, inclusive a ação de docentes que negavam a necessidade do confronto para se obter melhorias orçamentárias e salariais. No caso da Universidade Estadual do Norte Fluminense, os grandes avanços que tivemos sempre resultaram de greves, nunca se dando chance a uma súbita disposição dos governantes para conceder o óbvio. Mas o que assisto hoje me parece estar diretamente alinhado com a hegemonia neoliberal na sociedade brasileira, inclusive dentro dos segmentos que se dizem de esquerda dentro das universidades públicas. É a supremacia das ideias de empreendedorismo e do mérito pessoal sobre as demandas coletivas e de natureza universalista. 

E antes que eu me esqueça, uma definição sobre o que seriam intelectuais consentidos. Eles seguem o figurino daquilo que eu identifiquei como “menudos neoliberais” no governo desastroso de Rafael Diniz em Campos dos Goytacazes. A maioria deles aparece sempre usando os melhores figurinos da moda, seguem um perfil estético engomadinho, e são aqueles que sempre aparecem como figurinhas carimbadas em programas de TV e rádio da mídia corporativa.  Por isso tudo, eles são consentidos.

Finalmente, de minha parte deixo clara a minha posição de apoio à greve nas universidades e institutos federais. Essa mobilização mostra o caminho que precisamos seguir para defender o ensino público superior. Na Uenf já tarda a hora de começarmos um movimento que faça o governo de Cláudio Castro a cumprir seus compromissos, a começar pelo pagamento da recomposição das perdas inflacionárias.

Transparência de contratos para obras na BR-319 é baixa em quase todas as etapas

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A avaliação dos contratos celebrados para obras na rodovia BR-319 indica baixos níveis de transparência em quase todas as fases da contratação. Foram identificadas ausência de consultas livres, prévias e informadas à população impactada; fragilidade de informações sobre a execução dos contratos; e falta de informação ampla sobre o licenciamento ambiental.

Essa vulnerabilidade se torna ainda mais preocupante num momento em que o Congresso Nacional discute flexibilizar as regras para o licenciamento ambiental de obras da rodovia, construída nos anos 1970 e causa de inúmeros casos de desmatamento e danos socioambientais até hoje.

Foram analisados os 21 contratos que vigoravam em outubro do ano passado, sendo que 18 deles ainda estão vigentes. Os resultados constam da nota técnica “Transparência dos Contratos Vigentes da BR-319”, produzida pela Transparência Internacional – Brasil e pelo Observatório BR-319, lançada nesta sexta-feira, dia 5 de abril, no site observatoriobr319.org.br.

O estudo foi feito com base na metodologia do “Guia Infraestrutura Aberta”, desenvolvida pela Transparência Internacional – Brasil. A ferramenta permite a avaliação dos níveis de transparência de grandes projetos de infraestrutura, considerando as diferentes fases do ciclo de vida das obras, incluindo avaliações sobre os formatos das informações, os riscos socioambientais da infraestrutura e a existência de oportunidades de participação social no processo decisório.

Para a avaliação, foram acessados diversos portais do governo federal com informações sobre os contratos da BR-319, sendo que o mais usado para o diagnóstico foi o contratos.gov. A nota técnica vai além da avaliação dos contratos e busca outros mecanismos capazes de garantir mais transparência e aprimorar a governança das obras da rodovia BR-319.

A avaliação mostrou que o pior desempenho (que recebeu a nota 0, numa escala de 0 a 100) foi em relação às consultas livres, prévias e informadas aos povos da floresta e a todos os grupos e comunidades potencialmente afetados pela construção da BR-319, principalmente aqueles que residem em territórios na área de influência da estrada. Apesar de essas consultas serem previstas pela Convenção n.º 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), da qual o Brasil é signatário, isso nunca foi cumprido no caso da BR-319.

A segunda pior nota foi atribuída à fase de execução contratual (nota 5,5, na escala de 0 a 100). A avaliação demonstrou que não há transparência sobre relatórios de auditoria de fiscalizações efetuadas, informações sobre programas de integridade existentes nas empresas vencedoras das licitações, e sobre possíveis sanções ou multas já aplicadas. Além disso, viu-se que não é possível tomar conhecimento, por transparência ativa – isto é, aqueles dados e informações publicados proativamente pelos órgãos do governo – de informações mais específicas sobre as obras contratadas, como fotos, localizações e cronogramas, e nem dos registros de reuniões com grupos e comunidades impactadas pela obra após a fase de contratação. Não foi possível identificar agências financiadoras, nem se há salvaguardas ambientais impostas pelos financiadores.

Também foi considerada baixa a nota da fase preliminar dos contratos e riscos socioambientais (nota 23,3). Nesse quesito, foram encontradas apenas as informações mais básicas buscadas, como avaliação sobre os riscos da contratação, a designação do local do empreendimento, o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e o Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) – que estão entre os instrumentos mais importantes para o processo prévio de licenciamento ambiental – e o chamamento para realização de audiências públicas sobre o licenciamento ambiental prévio. Faltavam, no entanto, estudos prévios de viabilidade e informações sobre os estudos do componente indígena ou quilombola realizados, o termo de referência para contratação do EIA e RIMA, e a ata e relatório de devolutiva da audiência pública sobre o licenciamento prévio.

Outro aspecto que recebeu classificação baixa foi em relação a diretrizes para a publicação de dados e informações (nota de 38,9). O portal analisado (contratos.gov) cumpriu apenas diretrizes mais gerais de centralização e acessibilidade aos contratos, e falhou em ampliar acesso à informação via transparência passiva e permitir que cidadãos façam denúncias ou sugestões.

Único quesito a receber a classificação “média” foi a transparência na fase externa da licitação. Tanto no portal do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) quanto no contratos.gov foi possível identificar informações como homologações das licitações, atas das reuniões das comissões de licitações, licenças de instalação, propostas vencedoras e nomes das empresas contratadas. Em contrapartida, não estão disponíveis informações como o parecer técnico dos órgãos envolvidos quanto ao licenciamento ambiental e extrato do contrato. 

Nenhum dos itens avaliados recebeu a classificação de alta transparência. “A ausência de transparência em obras que possuem grande relevância para o país, como é o caso da rodovia BR-319, evidencia as dificuldades para os órgãos de controle, a população em geral e a sociedade civil realizarem o controle social dessas obras e, ao mesmo tempo, uma dificuldade dos órgãos governamentais em organizar e publicar as informações sobre todo o ciclo de vida de uma obra dessa magnitude. Para garantirmos a realização íntegra, transparente e sustentável das obras na rodovia, é urgente a organização e oferta de informações sobre as decisões relativas às obras na BR-319, além da ampliação do diálogo e consulta aos povos e comunidades afetados pela rodovia”, diz Amanda Faria Lima, analista de integridade e governança pública da Transparência Internacional – Brasil.

Esta é a primeira vez que uma organização da sociedade civil realiza um levantamento sobre transparência na BR-319. “Esta nota técnica representa um marco importante para o Observatório BR-319, pois a transparência contribui bastante para o fortalecimento da governança na área de influência da rodovia. Além disso, a publicação reafirma o que já estamos dizendo há anos: que as consultas livres, prévias e informadas são essenciais para a tomada de decisões a respeito do empreendimento”, destaca Fernanda Meirelles, secretária-executiva do Observatório BR-319.

Sobre o Observatório BR-319

O Observatório BR-319 é uma rede criada em 2017 e formada por organizações da sociedade civil que atuam na área de influência da rodovia, que compreende 13 municípios, 42 Unidades de Conservação e 69 Terras Indígenas entre os Estados do Amazonas e de Rondônia. As atividades desenvolvidas pela rede têm o objetivo de produzir informações sobre a rodovia e os processos necessários para um desenvolvimento inclusivo, com respeito aos direitos legais constituídos dos povos da floresta e de conservação dos recursos naturais. O OBR-319 também tem o objetivo de fomentar o protagonismo, a governança e a autonomia dos moradores dos territórios locais, sendo uma rede comprometida com o fortalecimento da sustentabilidade da região do interflúvio Purus-Madeira.

Desde 2018, o Observatório BR-319 já publicou oito notas técnicas e três retrospectivas anuais de desmatamento e focos de calor com recorte para a rodovia. É importante destacar que estas produções são realizadas com base na expertise técnica de cada organização membro como forma de contribuir para o fortalecimento do debate sobre assuntos a respeito da rodovia e contribuir com órgãos de controle e da administração pública, munindo-os com informações resultantes dos monitoramentos e pesquisas realizados pelas organizações membro, visando resguardar o bem-estar e o modo de vida das populações indígenas, extrativistas e tradicionais que vivem no local.

Sobre a Transparência Internacional – Brasil

A Transparência Internacional é um movimento global com um mesmo propósito: construir um mundo em que governos, empresas e o cotidiano das pessoas estejam livres da corrupção. Atuamos no Brasil no apoio e mobilização de grupos locais de combate à corrupção, produção de conhecimento, conscientização e comprometimento de empresas e governos com as melhores práticas globais de transparência e integridade, entre outras atividades. A presença global da TI nos permite defender iniciativas e legislações contra a corrupção e que governos e empresas efetivamente se submetam a elas. Nossa rede também significa colaboração e inovação, o que nos dá condições privilegiadas para desenvolver e testar novas soluções anticorrupção.

Agrotóxicos usados na monocultura da cana causam a morte de tilápias

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Por Rafael J. Gonçalves Rubira para o “The Conversation”

A tilápia do Nilo (Oreochromis niloticus) está entre os peixes mais consumidos no Brasil e no mundo. Espécie originária da África, ela tem boa capacidade de adaptação a diferentes condições ambientais e apresenta crescimento rápido em cativeiro, a principal forma de abastecimento do mercado brasileiro.

Por sua presença à mesa, foi esse o peixe que escolhemos para um estudo realizado na Universidade Estadual de São Paulo (Unesp) que investigou os efeitos de resíduos dos pesticidas parationa-metílica (MP) e imazapique (IMZ) sobre esse animal.

MP e IMZ são borrifados nas plantações de cana-de-açúcar na região de Presidente Prudente, interior de São Paulo. Devido à sua toxicidade, há uma preocupação crescente com os resíduos desses produtos no solo e na água, que podem afetar diretamente os ecossistemas aquáticos.

O IMZ é um herbicida seletivo autorizado para uso no Brasil no plantio do amendoim, arroz, cana-de-açúcar, milho, pastagem, soja, sorgo e trigo. Porém, é considerado altamente tóxico e pode causar danos ao meio ambiente e à saúde humana.

O uso da parationa-metílica (MP), do grupo dos organofosforados, é permitido até o limite de concentração de 9,3 microgramas por litro (µg/L) nos Estados Unidos, mas proibido no Brasilpor seus efeitos tóxicos aos seres vivos.

No estudo que fizemos, utilizamos técnicas avançadas de microscopia para examinar alterações celulares nas brânquias das tilápias expostas a esses pesticidas em condições controladas de laboratório. O trabalho teve apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (FAPESP).

Desenho criativo do pesquisador Rafael Rubira exibe, no destaque, a localização das brânquias. A ação dos pesticidas degrada essas estruturas e mata os peixes por asfixia. Arquivo do autor

Brânquiasou guelras são órgãos respiratórios compostos por lamelas altamente vascularizadas que estão localizados na parte lateral da cabeça dos peixes. As lamelas absorvem oxigênio da água e eliminam dióxido de carbono, permitindo a respiração dos peixes em ambiente aquático.

A microscopia de fluorescência confocal é um tipo de microscópio óptico avançado que permite visualizar estruturas celulares ou subcelulares com alta resolução e sensibilidade. Ele utiliza luz fluorescente para destacar estruturas específicas dentro de uma amostra biológica. A técnica confocal elimina a luz dispersa fora do foco, resultando em imagens mais nítidas e contrastadas.

Isso é possível através de um sistema (pin hole) que permite a detecção de fluorescência apenas de uma pequena área focalizada da amostra e cria imagens tridimensionais de alta resolução.

Lesões e morte

O resultado dos testes feitos com tilápias em tanques de água no laboratório com diluição de pesticidas (em quantidades abaixo dos limites) revelou que os animais sofreram lesões significativas.

As análises microscópicas revelaram danos à integridade e funções das lamelas, comprometendo a capacidade dos peixes de absorver oxigênio da água.

Essas alterações nas brânquias levaram os peixes à morte por asfixia, evidenciando a sensibilidade das tilápias a esses pesticidas e os sérios impactos que podem causar na vida aquática.

O próximo passo será investigar as interações químicas nas moléculas de gordura desses órgãos. Usaremos um espectrômetro Raman, que permite estudar a resposta das células a estímulos com luz laser. As variações podem indicar possíveis alterações associadas a processos cancerígenos.

Os achados que fizemos até o momento com este estudo sugerem que a exposição prolongada das tilápias do Nilo estudadas aos pesticidas aumenta o risco de malformações, de problemas de desenvolvimento e reprodutivos.

As implicações para o meio ambiente do uso indiscriminado de pesticidas como o MP e o IMZ são vastas e profundas. A contaminação da água encabeça a lista de perigos, pois os pesticidas se infiltram no solo e podem alcançar corpos d’água, comprometendo fontes de água potável e ecossistemas aquáticos. O impacto recai sobre toda a cadeia alimentar aquática, incluindo organismos microscópicos, insetos e plantas.

A toxicidade dos pesticidas sobre organismos não-alvo é mais uma questão grave, atingindo insetos polinizadores, como as abelhas, e predadores naturais que desempenham um papel fundamental no equilíbrio ecológico. Isso pode levar a um aumento das populações de pragas e a uma diminuição da diversidade biológica.

Além disso, há riscos diretos à saúde dos trabalhadores e outras pessoas expostas aos resíduos de pesticidas, cujo efeito já foi relacionado por diversos estudos a alterações que vão desde distúrbios hormonais e no crescimento das crianças a problemas neurológicos e diversos tipos de câncer.

Não restam dúvidas de que medidas mais rigorosas são necessárias para fiscalizar e punir o uso e a aplicação dos pesticidas já proibidos no Brasil. Também são imprescindíveis os investimentos contínuos para a realização de mais estudos e monitoramento dos efeitos dessas substâncias no ambiente e na saúde coletiva.

Rafael J. Gonçalves Rubira  é Físico, Ph.D pela Universidade de Málaga (com foco na análise dos efeitos de agrotóxicos em sistemas biológicos) e pesquisador da Faculdade de Ciência e Tecnologia , Universidade Estadual Paulista (Unesp)


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Este texto foi inicialmente publicado pelo “The Conversation” [Aqui!].

A política centrada na pré-impressão da Fundação Gates ajudará o acesso aberto?

A política revisada diz que os beneficiários dos subsídios devem compartilhar os manuscritos como pré-impressões – e remove o suporte para taxas de processamento de artigos

FGatesA Fundação Bill & Melinda Gates é um dos primeiros financiadores a exigir o uso de preprints. Crédito: David Ryder/Getty 

Por Mariana Lenharo para a Nature

A Fundação Bill & Melinda Gates, um dos principais financiadores de investigação biomédica do mundo, exigirá a partir do próximo ano que os seus bolsistas disponibilizem publicamente as suas investigações sob a forma de preprints, artigos que ainda não foram aceites por uma revista ou passaram por revisão por pares. A fundação também disse que deixaria de pagar taxas de processamento de artigos (APCs) – taxas impostas por alguns editores de periódicos para disponibilizar artigos científicos gratuitamente on-line para todos os leitores, um sistema conhecido como acesso aberto (OA) .

A Fundação Gates é o primeiro grande financiador científico a adotar essa abordagem com pré-impressões, diz Lisa Hinchliffe, bibliotecária e acadêmica da Universidade de Illinois Urbana – Champaign. As políticas — que entram em vigor em 1 de janeiro de 2025 — elevam o papel dos preprints e visam reduzir o dinheiro que a Fundação Gates gasta em APCs, ao mesmo tempo que garantem que a investigação seja de leitura gratuita.

Mas as ramificações da política não são claras. “Se isso vai ajudar ou não o movimento de acesso aberto, é difícil saber”, diz Hinchliffe. Por um lado, mais pesquisas estarão disponíveis gratuitamente em formato pré-impresso, observa ela. Por outro lado, as versões finais publicadas dos artigos, conhecidas como versão de registro, podem se tornar mais difíceis de acessar. De acordo com as regras revisadas, após compartilhar seu manuscrito como preprint, os autores poderão submetê-lo ao periódico de sua escolha e não serão mais obrigados a selecionar a opção OA.

“A nossa decisão é motivada pelos nossos objetivos de acesso imediato à investigação, reutilização global e ação equitativa”, afirma Ashley Farley, responsável pelo programa de conhecimento e serviços de investigação da Fundação Gates em Seattle, Washington. Os beneficiários das subvenções ainda serão obrigados a publicar as suas pré-impressões sob uma licença que permite a reutilização do seu conteúdo, diz ela. A fundação planeja publicar a política completa nas próximas semanas.

Esforços de acesso aberto

A Fundação Gates anunciou em 2015 que exigiria que os seus beneficiários disponibilizassem gratuitamente os seus artigos de investigação no momento da publicação, colocando-os em repositórios abertos. Mais tarde, juntou-se à coAlition S – um grupo de financiadores e organizações de investigação principalmente europeus que apoiam a publicação académica AA – e endossou o Plano S do grupo , pelo qual os financiadores determinam que os bolseiros publiquem o seu trabalho através de uma via AA.

Mas a mais recente política da Fundação Gates coloca-a no caminho de divergir do grupo. Não está “inteiramente alinhado com a CoAlition S”, afirma Johan Rooryck, diretor executivo da coligação, com sede em Leiden, na Holanda. Embora a cOAlition S exija que um manuscrito aceito ou a versão do registro esteja disponível em OA, ele diz, “a Fundação Gates é claramente da opinião de que a pré-impressão é suficiente”. Ele observa que o grupo permite “muita margem de manobra nas políticas” entre os seus membros, acrescentando que a política de Gates continua a defender aspectos-chave do Plano S, como a promoção da retenção dos direitos dos autores sobre os seus manuscritos aceites.

A coligação tem examinado o papel dos preprints no acesso aberto, mas ainda está muito longe de adoptar quaisquer mudanças políticas relacionadas, diz Rooryck. Um documento divulgado pelo grupo no ano passado discutiu a questão, e a coligação está a recolher feedback da comunidade de investigação através de um inquérito aberto até 22 de Abril. Nenhuma decisão será tomada sobre a adoção de qualquer proposta antes do final do ano.

Outra diferença entre o Plano S e a política de Gates é a sua posição em relação às APCs. “Acabar com o apoio aos pagamentos da APC não é a política da CoAlition S, posso ser muito claro sobre isso”, diz Rooryck. “Essa é uma decisão que Gates tomou. Não é uma decisão que nós, como CoAlition S, estejamos prontos para tomar até 1º de janeiro de 2025.”

Acabar com o apoio aos APCs é um “plano muito sensato”, dado o aumento insustentável de tais encargos nos últimos anos, diz Lynn Kamerlin, biofísica computacional do Instituto de Tecnologia da Geórgia, em Atlanta. “O plano da Fundação Gates é o plano de acesso aberto que eu gostaria de ver quando o Plano S foi anunciado.”

Juan Pablo Alperin, pesquisador de comunicações acadêmicas da Universidade Simon Fraser em Vancouver, Canadá, observa que as APCs são “inerentemente uma forma injusta” de apoiar o acesso aberto. “Interromper o apoio às APCs envia um sinal à comunidade em geral, incluindo a comunidade de financiadores, de que este mecanismo não é um caminho a seguir”, diz ele.

Efeitos na publicação

É difícil prever os efeitos da política de Gates na publicação científica, diz Hinchliffe. Alguns bolsistas podem ter mais dificuldade em publicar em revistas de acesso aberto e confiar mais em preprints para divulgar o seu trabalho. Mas outros poderão continuar a publicar através de periódicos de acesso aberto, especialmente se tiverem outras fontes de financiamento para cobrir as APCs, ou se as bibliotecas das suas instituições tiverem acordos com editores para reduzir os custos de publicação de acesso aberto.

Embora a Fundação Gates seja um grande financiador — com um orçamento de 8,6 bilhões de dólares em 2024 — ainda financia apenas uma percentagem modesta da investigação mundial, observa Hinchliffe, e não está claro se outros financiadores seguirão o exemplo. Alguns, mesmo entre aqueles que exigem publicação AA, já se recusam a cobrir APCs.

Outra consequência potencial da política é que pode haver uma diferença na qualidade de um manuscrito disponível gratuitamente como pré-impressão e sua versão final atrás de um acesso pago. Em certos casos, as pessoas com acesso à versão final estarão em melhor posição para evitar determinados tipos de erros do que aquelas que dependem apenas da pré-impressão, diz Hinchliffe. Kamerlin observa que um número crescente de editores de preprints permite que os autores atualizem seus preprints quantas vezes forem necessárias, o que poderia aliviar essa preocupação.

Farley diz que há evidências crescentes de que os erros nas primeiras versões dos preprints são resolvidos rapidamente, “já que há um grupo muito mais amplo de pesquisadores para ler e avaliar o preprint”. A fundação fornecerá aos beneficiários uma lista de servidores de pré-impressão recomendados “que demonstraram um nível de verificações que garantem a validade científica da investigação”, acrescenta ela. Também investiu num novo serviço de pré-impressão chamado VeriXiv, “que estabelecerá novos padrões para verificação de pré-impressão”.

Alguns autores podem optar por não publicar formalmente em periódicos, decidindo que a pré-impressão é suficiente, diz Alperin. “Não vejo isso como um problema em si”, diz ele. “Às vezes, o objetivo da publicação de um periódico tem sido uma força negativa na ciência, encorajando as pessoas a se concentrarem na publicação em um determinado periódico, quando o objetivo deveria ser realmente fazer pesquisa de alta qualidade e garantir que ela seja comunicada e alcance o público certo.”

Os editores contactados pela equipa de notícias da Nature disseram que ainda estão a avaliar a política de Gates. ( A equipe de notícias da Nature é editorialmente independente de sua editora, Springer Nature.) “Estamos analisando as implicações da nova política de acesso aberto da Fundação Bill e Melinda Gates e o que isso significa para a forma como apoiamos seus pesquisadores”, disse um porta-voz. para a editora Elsevier em comunicado.

Roheena Anand, diretora executiva de desenvolvimento editorial global e vendas da editora PLOS, com sede em São Francisco, Califórnia, disse em um comunicado que a PLOS já reconheceu que o modelo APC de publicação AA cria desigualdades. “Estamos comprometidos em encontrar alternativas sustentáveis ​​e equitativas. É por isso que lançamos vários modelos não-APC e também estamos a trabalhar com um grupo de trabalho multilateral”, diz ela, “para identificar caminhos mais equitativos para a partilha de conhecimento, para além das cobranças baseadas em artigos”. Ela acrescentou que existe o risco de que, sem alternativas estabelecidas, os investigadores financiados pela Fundação Gates voltem a publicar o seu trabalho através de acesso pago. “Os modelos de negócios mais recentes da PLOS oferecem uma alternativa possível.”

Em um artigo anunciando as mudanças , Estee Torok, oficial sênior de programa da Fundação Gates, escreveu que a organização pagou cerca de US$ 6 milhões em APCs por ano desde 2015. “Estamos convencidos de que esse dinheiro poderia ser melhor gasto em outro lugar para acelerar o progresso das pessoas”, escreveu ela. Farley diz que a fundação planeia investir em modelos de acesso aberto mais equitativos, como o ‘diamond OA’, um sistema em que os editores não cobram taxas aos autores ou leitores, bem como servidores de pré-impressão e outras plataformas e tecnologias para divulgação de investigação.


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Este texto escrito originalmente em inglês foi publicado pela Nature [Aqui!].

Porto do Açu e a ilusão do desenvolvimento: farsas e tragédias de um tigre de papel

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Lendo duas postagens do sempre certeiro professor e pesquisador Roberto Moraes sobre a falta de, digamos, publicidade em torno dos valores astronômicos que estariam sendo gerados pelo Porto do Açu, vi que ele levantou a hipótese de que a parca divulgação em torno dos R$ 21 bilhões de cargas movimentadas em 2023 se deve ao fato de que os operadores estrangeiros do empreendimento iniciado pelo ex-bilionário Eike Batista não querem chamar atenção sobre a disparidade entre a riqueza gerada e os desastrosos impactos que ocorrem no V Distrito de São João da Barra, sejam sociais, econômicos ou ambientais.

Eu diria que Roberto Moraes aponta para a questão correta, mas eu acrescentaria que a experiência do Porto do Açu e a reafirmação de que esse tipo de empreendimento “enclave” funciona como uma bomba sugadora de recursos e gera efeitos devastadores que nunca são compensados acaba servindo para que haja uma quebra da ilusão de que essas megaestruturas possam alavancar o desenvolvimento econômico de regiões historicamente deprimidas, como é o caso do Norte Fluminense e tantas áreas em que elas estão sendo impostas na América Latina.

A verdade é que graças a todo o conhecimento gerado em torno da desastrosa experiência do Porto do Açu, as tentativas de implantar estruturas semelhantes estão sendo recebidas com a devida resistência pelas comunidades que habitam os locais que estão sendo escolhidos para a construção de homônimas da megaestrutura instalada em São João da Barra.

Esse conhecimento decorre da circulação não apenas de todas as violências cometidas contra agricultores familiares e pescadores artesanais que viviam do que podiam plantar e coletar as suas fontes de sustento nas terras e águas do V Distrito, mas também da incontável quantidade de pesquisas acadêmicas que documentaram e continuam documentando as implicações de se ter esse tipo de empreendimento que se fecha para o entorno para maximizar os lucros dos seus gestores e financiadores.  Essa combinação de resistência de raiz em conjunção com a pesquisa está gerando fortes resistências em outros locais, como bem os casos do Porto Central (ES) e do Porto de Jaconé (RJ).  

Nesse sentido, o Porto do Açu tem um sentido pedagógico, pois ficou evidente que as promessas de desenvolvimento e geração de empregos não passaram de uma ilusão destinada a embaçar consciências e impedir a resistência.

Finalmente, li hoje uma nota apontando que o Porto do Açu contratou um grande escritório de advocacia para reestruturar dívidas no valor de 5,8 bilhões de reais (US$ 1,1 bilhão), lançando duas emissões separadas de debêntures. Essa é outra faceta que é pouco noticiada, provavelmente por mostrar que o gigante pode ser um tigre de papel.

A perda global de florestas tropicais continua a uma taxa de 10 campos de futebol por minuto

Apesar dos grandes progressos no Brasil e na Colômbia, o desmatamento liderado pela agricultura ainda desmatou uma área quase igual à da Suíça

desmatamentoFloresta queimada na área de conservação Ñembi Guasu em Charagua, Bolívia. A expansão do cultivo da soja levou a um aumento na perda florestal pelo terceiro ano na Bolívia. Fotografia: David Mercado/Reuters

Por Patrick Greenfield para o “The Guardian”

A destruição das florestas tropicais mais preservadas do mundo continuou a um ritmo implacável em 2023, apesar das quedas dramáticas na perda de florestas na Amazónia brasileira e colombiana, mostram novos números.

Uma área quase do tamanho da Suíça foi desmatada de florestas tropicais anteriormente intactas no ano passado, totalizando 37 mil quilómetros quadrados (14.200 milhas quadradas), de acordo com números compilados pelo World Resources Institute (WRI) e pela Universidade de Maryland. Esta é uma taxa de 10 campos de futebol por minuto, muitas vezes impulsionada pelo aumento de terras cultivadas em todo o mundo.

Embora o Brasil e a Colômbia tenham registado grandes quedas na perda florestal de 36% e 49%, respectivamente, sob as políticas ambientais dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Gustavo Petro, essas quedas foram compensadas por grandes aumentos na Bolívia, Laos, Nicarágua e outros países.

O Canadá também sofreu uma perda recorde de floresta devido ao fogo, perdendo mais de 8 milhões de hectares (20 milhões de acres).

Mikaela Weisse, diretora do Global Forest Watch do WRI, disse: “O mundo deu dois passos para frente e dois para trás no que diz respeito à perda florestal do ano passado.

“Os declínios acentuados na Amazônia brasileira e na Colômbia mostram que o progresso é possível, mas o aumento da perda florestal em outras áreas contrabalançou em grande parte esse progresso”, disse ela. “Temos de aprender com os países que estão a abrandar com sucesso a desflorestação.”

As alterações na utilização dos solos – das quais a desflorestação é uma componente central – são a segunda maior fonte de emissões de gases com efeito de estufa e um dos principais impulsionadores da perda de biodiversidade. Preservar as florestas tropicais é essencial para limitar o aquecimento global a 1,5°C (2,7°F) acima dos níveis pré-industriais, segundo os investigadores.

Uma rodovia atravessa trilhos de trem perto de Phonhong, no Laos

Uma ferrovia que liga Kunming, na China, a Vientiane, no Laos, passa por baixo de uma rodovia perto de Phonhong, no Laos, onde a demanda chinesa alimentou a expansão agrícola. Fotografia: Reuters

Especialistas alertaram que a desflorestação contínua significa que os governos estão perigosamente desviados no que diz respeito ao cumprimento dos seus compromissos climáticos e de biodiversidade. Na conferência climática Cop28, no Dubai, os governos concordaram sobre a necessidade de travar e reverter a perda e a degradação das florestas até 2030, após o compromisso dos líderes mundiais na Cop26, em Glasgow, de pôr fim à sua destruição nesta década.

Mas os novos números mostram que o mundo está muito longe de atingir esta meta, com poucas alterações na perda global de florestas durante vários anos.

Embora o Brasil tenha diminuído significativamente a sua taxa de perda florestal, o país continuou a ser um dos três países com maior perda de floresta tropical primária, ao lado da República Democrática do Congo e da Bolívia. Juntos, foram responsáveis ​​por mais de metade da destruição global total.

A Bolívia registou um grande aumento na perda de florestas pelo terceiro ano consecutivo – apesar de ter menos de metade da floresta de outros grandes países com florestas tropicais, como a RDC e a Indonésia – impulsionado em grande parte pela expansão do cultivo da soja.

O Laos e a Nicarágua perderam grandes pedaços da sua floresta tropical intocada em 2023, desmatando 1,9% e 4,2%, respetivamente, num único ano, o que os investigadores afirmam ser porque florestas altamente fragmentadas em países que já tinham sido desmatadas extensivamente podem muitas vezes ser apagadas mais rapidamente.

No Laos, a expansão agrícola está a ser alimentada pela procura de mercadorias por parte da China, enquanto na Nicarágua a culpa é da pecuária e da agricultura em expansão.

Gado pasta em Chikova, Zimbábue
‘Não sabemos para onde vai o dinheiro’: os ‘cowboys do carbono’ que ganham milhões com esquemas de crédito

Apesar da falta de progresso geral nos números para 2023, os investigadores disseram que o mundo poderia aprender com os exemplos do Brasil e da Colômbia para cumprir as metas de desflorestação.

O professor Matthew Hansen, especialista em sensoriamento remoto do departamento de geografia da Universidade de Maryland, disse: “Eu realmente acredito que a única maneira de manter as florestas em pé é um fundo de compensação para a conservação das florestas tropicais em pé.

“A Alemanha lançou o Acordo Justo ‘, que pretende pagar desta forma aos países com florestas tropicais. A Noruega envolveu-se com o Gabão de forma semelhante, utilizando o sequestro de carbono como medida. Junte essa abordagem a uma governação robusta e ao envolvimento da sociedade civil e poderá funcionar”, disse ele.


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Este texto escrito originalmente em inglês foi publicado pelo jornal “The Guardian” [Aqui!].

Três ganhadores do Prêmio Nobel encontram estudantes no Rio e em SP

ABC e Nobel Prize Outreach promovem evento em abril na UERJ, USP e Fiesp

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Estudantes de diferentes partes do Brasil e de países da América Latina terão a oportunidade de conversar com três premiados com a mais alta láurea científica no mundo: o Prêmio Nobel. A agenda faz parte do Diálogo Prêmio Nobel Rio e São Paulo 2024, promovido pela Academia Brasileira de Ciências (ABC) em parceria com a Fundação Nobel nos dias 15 de abril, no Rio de Janeiro, e 17, em São Paulo.

Participam do encontro David MacMillan (Nobel de Química em 2021), May-Britt Moser (Medicina, 2014) e Serge Haroche (Física, 2012).

“Ao reunir laureados com o Nobel, estudantes e especialistas regionais, pretendemos inspirar a próxima geração de cientistas a adotar um papel ativo no apoio à construção da sociedade que queremos”, afirmou Adam Smith, diretor-científico da Nobel Prize Outreach.

Com o tema “Creating our future together with science” (Criando o nosso futuro juntos com a ciência), o grupo vai abordar como a ciência pode ser usada pela sociedade para trazer mudanças em direção a um mundo melhor. “O tema do Diálogo Prêmio Nobel Rio e São Paulo 2024 traz a ciência com a perspectiva de construção do futuro, unindo os três laureados, estudantes, convidados e Unesco. Muitas vezes as pessoas esquecem a razão da ciência. Tornar a humanidade mais sábia? Sim, perfeito. Mas a ciência precisa servir à sociedade. É o momento de mostrar que esse futuro precisa ser construído pela ciência junto com a sociedade”, afirma a presidente da ABC, Helena Nader.

O primeiro evento será no Rio de Janeiro, na Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), em 15 de abril. Os laureados vão se juntar a estudantes, cientistas e convidados. Entre os participantes, estão Anna Cristina D’Addio, analista sênior da equipe do Relatório de Monitoramento Global de Educação da Unesco, Erika Lanner, diretora do Nobel Prize Museum em Estocolmo e outros. A programação completa pode ser vista aqui. 

O grupo vai debater o valor da ciência, como tornar a prática de pesquisa mais inclusiva e como adotar estratégias mais efetivas de divulgação científica. Também serão discutidos a responsabilidade dos cientistas, o papel das universidades e as estratégias de transição para um mundo mais sustentável.

Dia 17 será a vez de São Paulo receber os laureados. A programação na capital paulista será dividida em dois encontros, o primeiro no Centro de Difusão Internacional da USP, de 10h às 12h. Como no Rio, o foco é permitir o diálogo com estudantes, professores e membros da comunidade acadêmica. À tarde, os laureados terão um encontro com empresários, autoridades e formuladores de políticas públicas na Fiesp.

Este é o terceiro evento no Brasil da ABC em parceria com a Fundação Nobel, o primeiro presencial – os dois anteriores foram virtuais, em 2021, devido à pandemia de Covid. O Diálogo Prêmio Nobel Rio e São Paulo 2024 tem o apoio da 3M, ABB, Capgemini, EQT, H2 Green Steel e Scania, parceiros internacionais do Nobel, e da Finep, Fapesp e Klabin, parceiras no Brasil. UERJ, USP e FIESP são apoiadores locais da atividade.

Saiba mais informações sobre os laureados que participam do Diálogo Prêmio Nobel Rio e São Paulo 2024:

David MacMillan é um químico britânico e professor da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, desde 2006. Em 2021, foi laureado com o Nobel de Química junto com Benjamin List pela criação de novos métodos de construção de moléculas orgânicas, processo conhecido como organocatálise assimétrica. Catalisadores são substâncias que aceleram reações químicas sem se tornarem parte do produto final – importantes para os químicos construírem moléculas. Em 2000, os pesquisadores desenvolveram um novo tipo de catálise que se baseia em pequenas moléculas orgânicas e tem tornado a química mais amigável ao meio ambiente. É usada, por exemplo, em pesquisa farmacêutica.

May-Britt Moser é psicóloga e neurocientista norueguesa, chefe do departamento do Centro de Computação Neural na Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia. Recebeu o Nobel de Medicina em 2014, com Edvard Moser e o britânico-americano John O’Keefe. Juntos, descobriram células importantes para a codificação do espaço e também para a memória episódica. Seu trabalho abriu portas para a ciência conquistar novos conhecimentos sobre os processos cognitivos e déficits espaciais associados a condições neurológicas, como a doença de Alzheimer.

Serge Haroche é um físico francês, professor do Collège de France desde 2001. Em 2012, foi laureado com o Nobel da Física, ao lado de David Wineland, “por métodos experimentais inovadores que permitem a medição e a manipulação de sistemas quânticos individuais”. Os dois foram pioneiros no campo da óptica quântica. Suas pesquisas lançaram as bases técnicas para computação quântica, área que usa a mecânica quântica para resolver problemas complexos mais rapidamente do que em computadores tradicionais.

SERVIÇO

Diálogo Prêmio Nobel Rio e São Paulo 2024

Rio de Janeiro

Data: 15 de abril

Horário: 10h às 16h

Local: UERJ – Teatro Odylo Costa Filho

Endereço: R. São Francisco Xavier, 524 – Maracanã, Rio de Janeiro – RJ

Interessados em acompanhar os debates podem fazer suas inscrições aqui.

São Paulo

Data: 17 de abril

Horário: de 10h às 12h

Local: Auditório do Centro de Difusão Internacional da USP

Endereço: Av. Prof. Lúcio Martins Rodrigues, 310, Butantã, São Paulo – SP

Interessados em acompanhar os debates podem fazer suas inscrições aqui.

Mais informações: Link

Queda de árvores em áreas urbanas, um problema ambiental prioritário

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No dia 17 de dezembro de 2023, uma tempestade em Buenos Aires (Argentina) causou 13 mortes e milhares de danos, incluindo a queda de 715 árvores e galhos de grande porte. Crédito da imagem: David Bustozoni/Flickr , licenciado sob Creative Commons CC BY-NC-ND 2.0 Deed 

Isso é sugerido por um estudo publicado na revista Urban Forestry and Urban Greening , que oferece algumas recomendações baseadas na análise da cobertura arbórea em São Paulo (Brasil), onde são registradas até duas mil quedas por ano.

Com base nas quedas registradas naquela cidade entre 2016 e 2018, os pesquisadores identificaram as causas e definiram linhas de ação para reduzir os danos.

Durante as tempestades, a água enfraquece os solos e as rajadas de vento produzem falhas mecânicas que podem derrubar árvores, disse Giuliano Locosselli, especialista do Instituto de Pesquisa Ambiental do estado de São Paulo e um dos autores do estudo, ao SciDev.Net .

Em particular, as árvores que crescem nas ruas dentro dos corredores de edifícios altos são mais propensas a cair, devido à canalização dos ventos. Os espécimes mais velhos são especialmente vulneráveis, pois sofrem microfraturas ao longo da vida e ficam expostos a fungos e microorganismos que os degradam.

“Devemos entender as árvores como parte da infraestrutura urbana que traz muitos benefícios às pessoas e à biodiversidade.” Mas também “requerem manutenção para continuarem a proporcionar benefícios sem se tornarem um risco”.

Giuliano Locosselli, Instituto de Pesquisas Ambientais do Estado de São Paulo, Brasil

Com base nessas observações, os pesquisadores utilizaram algoritmos de inteligência artificial para elucidar a importância de cada um dos fatores que influenciam a queda.

Assim, concluíram que os problemas nos galhos representam 46% das causas das quedas – porque se dobram mais facilmente pelo vento -, 33 %respondem a falhas nas raízes – resultado do seu confinamento para evitar que invadam casas ou ruas —e 21% a problemas no tronco, devido à degradação da madeira e a más práticas de poda.

Lições da tempestade

No dia 17 de dezembro de 2023, uma tempestade em Buenos Aires (Argentina) causou 13 mortes e milhares de danos, incluindo a queda de 715 árvores e galhos de grande porte.

Em posterior passeio pela cidade, o agrônomo Carlos Anaya – presidente da Associação Civil de Arboricultura de seu país – ficou surpreso com a quantidade desproporcional de árvores verdes perdidas , algo que atribuiu ao uso “frequente, excessivo e indiscriminado”  de podas que as enfraquece ainda mais.

“A poda deve ser mínima”, insiste ele ao SciDev.Net . “Não se deve sair e podar de acordo com um calendário ou grade, mas sim nas árvores jovens que precisam e com um objetivo claro.” É importante fazer isso nos horários indicados (variam para cada espécie) e com pequenos cortes, evitando avançar quando a árvore estiver estressada por pragas, secas ou enchentes, acrescenta.

“Devemos entender as árvores como parte da infraestrutura urbana que traz muitos benefícios às pessoas e à biodiversidade ”, observa Locosselli. Mas também “requerem manutenção para continuarem a proporcionar benefícios sem se tornarem um risco”.

As iniciativas de planejamento e gestão exigem considerar as variações que podem ocorrer em cada cidade em relação ao clima, topografia e tipo de espécie, destaca Anaya.

O estudo da Urban Forestry também propõe que os governos locais verifiquem rotineiramente a resiliência das árvores, que os órgãos públicos e as empresas privadas revejam as suas práticas de poda e que os cidadãos deixem espaço para o crescimento das raízes na frente das suas casas.

Algumas dessas recomendações estão incluídas no novo Plano Diretor de São Paulo , que inclui treinamento para servidores públicos e prestadores de serviços, conforme detalhado no estudo.

Na mesma linha, o ecologista urbano Cynnamon Dobbs, especialista da Universidade de Connecticut que estudou ecossistemas urbanos na América Latina, lembra que Bogotá (Colômbia), Santiago do Chile e Mendoza (Argentina) mostraram “muito progresso em suas inventários de árvores, que são a base de informações para gerar bons planos de manejo.”

Lembre-se também que Cities4Forests—a aliança global dedicada à conservação das florestas nas cidades—destaca as experiências bem-sucedidas do programa dedicado à Mata Atlântica no Rio de Janeiro (2015), a criação de um cinturão verde ao redor da cidade peruana de Iquitos (2011- 2021) e a iniciativa de construir uma relação harmoniosa entre os cidadãos e o meio ambiente na comuna chilena de Coronel (2009-2050).

No entanto, a nível global e regional, faltam detalhes sobre as ações que levam a uma implementação bem-sucedida com os seus orçamentos correspondentes, afirma Dobbs.

Para tal, recomenda que os programas de plantação sejam geridos à escala do bairro (para melhorar a monitorização) e monitorizem a saúde das árvores no terreno ou remotamente, incluindo a identificação de conflitos com infraestruturas prediais, como cabos aéreos ou o pavimento elevado.

A gestão virtuosa deve também abordar a potencial vulnerabilidade à pragas e doenças de diferentes espécies, para identificar eventuais substitutos. Isto não só melhorará a saúde das árvores, mas também aspectos relevantes como a qualidade do ar e a segurança das pessoas.


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Este artigo escrito originalmente em espanho foi publicado pela edição América Latina e Caribe do  SciDev.Net [Aqui!].

Riscos de novos OGMs: a agência francesa de segurança alimentar ANSES recomenda avaliação caso a caso

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Por Claire Robinson para o GM Watch 

Um parecer especializado sobre os riscos das novas plantas geneticamente modificadas da Agência Nacional Francesa para a Segurança Alimentar, Ambiental e de Saúde Ocupacional (ANSES) foi finalmente publicado depois de atrasos que levaram a repetidas acusações de censura (ver abaixo). As suas descobertas devastadoras ameaçam inviabilizar as tentativas de enfraquecer as regulamentações em torno das novas fábricas geneticamente modificadas.

No relatório recentemente publicado, a ANSES apela a que as novas plantas geneticamente modificadas sejam avaliadas quanto aos riscos para a saúde e para o ambiente, caso a caso. Afirma que é “importante” estabelecer um plano de monitorização após cada lançamento no mercado, tanto do impacto ambiental destes novos OGM como dos seus efeitos socioeconómicos.

Os autores do relatório da ANSES realizaram cerca de dez estudos de caso (arroz com altura reduzida, trigo com menor teor de glúten, batata tolerante a herbicidas, videira resistente à podridão cinzenta, tomate com elevado teor de aminoácidos, etc.) e consideraram os possíveis riscos que estes As plantas NGT (plantas produzidas por novas técnicas genómicas, como CRISPR/Cas) representam um perigo para a saúde e o ambiente.

O grupo de cientistas observou que “certos riscos potenciais aparecem repetidamente nestes estudos de caso” e que “estes incluem riscos ligados a alterações inesperadas na composição da planta, que podem dar origem a problemas nutricionais, de alergenicidade ou de toxicidade, ou de médio e riscos ambientais de longo prazo, como o risco de fluxo gênico de plantas editadas para populações selvagens ou cultivadas compatíveis.”

A GMWatch tem o prazer de ver o reconhecimento da ANSES dos riscos para a saúde das novas plantas geneticamente modificadas, que foram virtualmente ignorados, ou simplesmente negados, pelos elementos pró-desregulamentação do Parlamento Europeu e completamente postos de lado no Reino Unido.

Os especialistas chamam a atenção para o fato de que a grande diversidade de plantas que podem ser modificadas com NGTs pode aumentar o risco de transferência de genes modificados para outras espécies. Eles também observam o risco de perturbação das interações entre animais e plantas NGT, particularmente no caso de insetos polinizadores.

Considerando o CRISPR/Cas como a nova técnica GM mais utilizada, a ANSES salienta que a precisão com que estas “tesouras moleculares” operam não é perfeita: Numerosos estudos relatam “efeitos indesejados fora do alvo”, ou seja, modificações não intencionais no genoma da NGT. plantas. A ANSES recomenda prestar especial atenção a estes efeitos, caracterizando toda a área do genoma afetada e justificando a ausência de riscos associados a estas modificações colaterais.

Para a avaliação de risco de plantas geneticamente editadas, a ANSES recomenda:

– o desenvolvimento e adaptação de técnicas proteómicas e metabolómicas para estudos comparativos de composição em condições reais, após cultivo no campo (a GMWatch também recomendou repetidamente estas análises moleculares para novas plantas geneticamente modificadas, a fim de detectar alterações inesperadas na composição resultantes dos processos geneticamente modificados utilizados para desenvolver as plantas);
– a determinação dos principais alergénios conhecidos nas plantas em causa utilizando técnicas quantitativas de LC-MS/MS (cromatografia líquida com espectrometria de massa em tandem);
– dependendo da espécie, medição dos níveis de compostos tóxicos, genotóxicos ou antinutricionais conhecidos por serem expressos;
– melhor consideração, na avaliação dos riscos ambientais, dos efeitos cumulativos a longo prazo e das características agroambientais do cultivo de plantas GTN.

A ANSES também observa que estas recomendações também poderiam ser aplicadas à avaliação de plantas transgênicas geneticamente modificadas. Na opinião da GMWatch, esta é uma sugestão sábia que poderia melhorar significativamente a regulamentação actual.

Ao contrário das autoridades reguladoras de OGM do Reino Unido, os especialistas da ANSES leram e consideraram algumas revisões preventivas da literatura científica revista por pares, que alertam que as plantas NGT podem ter efeitos não intencionais na saúde e no ambiente. Eles resumem as conclusões destas revisões de uma forma imparcial e levam-nas a sério.

Outra excelente sugestão é que o estudo de alimentação animal de 90 dias seja obrigatório para plantas NGT, embora não esteja claro no texto da ANSES se isso se aplica apenas a espécies de plantas conhecidas naturalmente por conterem substâncias tóxicas ou antinutricionais, ou a todas as plantas NGT. Dadas as surpresas desagradáveis ​​que podem surgir com plantas geneticamente modificadas em estudos de alimentação animal e os conhecidos efeitos mutacionais não intencionais de novas técnicas geneticamente modificadas, a GMWatch recomenda que todas as plantas NGT sejam submetidas a estes estudos.

Em suma, a ANSES propõe uma avaliação caso a caso para as plantas NGT, dependendo das modificações feitas, de quaisquer efeitos não intencionais detectados, da natureza das plantas modificadas, e assim por diante. A agência afirma que “compartilha a observação dos especialistas” de que “alguns dos riscos identificados [para plantas NGT] são semelhantes aos já identificados para [os OGM de primeira geração], mas que a exposição a esses riscos pode aumentar à medida que o uso [ de NGTs] se desenvolve e o tamanho do mercado para estas plantas aumenta, especialmente porque está em andamento trabalho em plantas amplamente distribuídas [frutas, vegetais, etc.] que não são atualmente afetadas pela transgênese”.

Outro aspecto importante do relatório diz respeito ao impacto socioeconómico das NGT. Os especialistas sublinham a importância de “adaptar o atual quadro regulamentar dos direitos de propriedade intelectual” nas centrais de NGT. Dependendo da natureza destes direitos (patentes, etc.), a adoção de NGT poderá levar a “desequilíbrios entre os atores económicos em termos de partilha de valor”. Eles afirmam: “O impacto do desenvolvimento de plantas derivadas de NGT na concentração do setor de melhoramento de plantas e sementes é uma questão importante sobre a qual as autoridades públicas devem estar vigilantes”.

Os especialistas observam, no entanto, que cada sector seria afectado de forma diferente pela introdução de novos OGM na Europa, particularmente devido às “dificuldades potenciais” de coexistência entre os sectores geneticamente modificados, convencional e biológico.

Pressão política

Embora o relatório da ANSES só tenha sido publicado em 5 de março, de acordo com um artigo publicado no início do dia no Le Monde por Stéphane Foucart, foi finalizado já em 11 de dezembro de 2023. O parecer formal da ANSES, baseado neste relatório, foi assinado em 22 de janeiro pelo seu diretor-geral Benoît Vallet e imediatamente encaminhado ao governo francês. A ANSES tinha previsto publicar o relatório e o parecer no início de fevereiro, mas fontes próximas do assunto afirmaram que a publicação foi bloqueada devido a “pressões políticas”.

Foucart escreve no Le Monde que a data era importante porque a opinião dos peritos da agência pretendia informar as decisões de voto dos eurodeputados, que votaram em 7 de Fevereiro para enfraquecer os regulamentos da UE em torno dos novos OGM, sujeitos a certas condições. Segundo Foucart, “Apesar desta votação, o plano da Comissão Europeia para flexibilizar os regulamentos está agora paralisado devido à falta de acordo entre os Estados-Membros, e foi adiado para a próxima legislatura [nota: GMWatch entende que o belga A Presidência do Conselho da União Europeia ainda está a tentar fazer avançar a proposta nesta legislatura]. Até terça-feira, 5 de Março, a ANSES ainda não tinha tornado nada público, não dando qualquer explicação para a sua procrastinação, não fazendo comentários e garantindo-nos que tudo será publicado em breve.” O relatório só foi finalmente publicado depois do artigo de Foucart ter deixado clara a natureza do seu conteúdo – com base numa cópia vazada do relatório.

Foucart salienta que a opinião da ANSES está em oposição direta à posição sobre a desregulamentação defendida pela França em Bruxelas e à posição majoritária expressa pelos eurodeputados do Renew (partido do governo francês) no Parlamento Europeu. Essa posição consistia em isentar muitas fábricas de NGT dos requisitos de avaliação de riscos para a saúde e ambientais, de rastreabilidade e de rotulagem.


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Este texto escrito originalmente em inglês foi publicado pela GM Watch [Aqui!].

Arash Karimipour e o estabelecimento de limites na produção de trash science e sua disseminação por cartéis de citações. Parte I

“O negócio de venda de autorias e citações precisa de um fornecimento constante de veículos em formato de papel. É mais eficiente produzi-los em linhas de montagem que se concentram em um tópico restrito.” -Maarten van Kampen

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Por Maarten van Kampen e Alexander Magazinov para o “For Better Science”

Maarten van Kampen notou que uma certa revista da Elsevier, Engineering Analysis with Boundary Elements ( EABE) , está infestada de fraudes em fábricas de artigos científicos. Maarten até leu esses artigos (já que ninguém mais o fez) e provou que eram objetivamente um lixo total e, cientificamente, muito além de estúpidos. Ele tentou argumentar com o Editor-Chefe, um professor norte-americano chamado Alexander Cheng , mas não conseguiu. Assim, com a ajuda de Alexander Magazinov , Maarten escreveu um longo artigo sobre este periódico e um proeminente trapaceiro iraniano da fábrica de artigos que ele hospeda: Arash Karimipour .

Devido a muitos personagens e histórias paralelas, o artigo de Maarten ficou muito longo até mesmo para o For Better Science. Será, portanto, publicado em três partes.

Como salienta Maarten, Alexander Magazinov foi coautor deste artigo e Maarten está em dívida com Tu Van Duong, da Purdue University, pelos seus conhecimentos sobre os costumes universitários vietnamitas.

Começamos previsivelmente com a Parte I.

Alexander Magazinov recentemente teve sucesso ao remover Masoud Afrand , um grande fabricante de artigos científicos, dos conselhos editoriais dos Scientific Reports da Springer-Nature e da Engineering Analysis with Boundary ElementsEABE) da Elsevier , leia aqui e aqui . O editor-chefe desta última revista, Alexander HD Cheng , não ficou satisfeito com esse resultado e publicou sua própria análise no Retraction Watch . Conclui com:

“Concluindo, no que diz respeito ao trabalho editorial de Afrand para a EABE, a edição especial não foi uma forma eficaz de aumentar as suas citações, especialmente tendo em conta o seu elevado histórico de citações. Sua conduta editorial foi honrosa e não encontro nenhuma falha nisso. A revista lamenta que devido à má publicidade , justificada ou injustificada, tenhamos pedido a renúncia de Afrand. Ele concordou graciosamente.

Ato 1: Avanços recentes na modelagem de nanotubos

Em 2020, a edição especial “Avanços recentes na modelagem de nanotubos dentro de nanoestruturas/sistemas” apareceu na Wiley’s Mathematical Methods in the Applied Sciences . Foi editado por Hamid M. Sedighi , Abdessattar Abdelkefi , Ali J. Chamkha , Timon Rabczuk , Raffaele Barretta e Hassen M. Ouakad . Os 94 artigos (planilhas ) que deveriam ser publicados ali serviram principalmente como veículos de citação para um círculo restrito de atores. Os principais destinatários são mostrados abaixo, com Afrand na quarta posição:

Autor Contagem de citações
Chamkha, Ali J. ( artigo da FBS ) 348
Ele, Ji Huan 189
Sedighi, Hamid M. 152
Afrand, Masoud 132
Ghalambaz, Mohammad 119
Karimipour, Arash 95
Sheremet, Mikhail A. 87
Pai, Ioan 80
Safaei, Mohammad Reza 80
Sheikholeslami, M. 78
Ganji, DD 73
Mehryan, Sam 73
Kalbasi, Rasool 63
Menni, Younes 62
Ouakad, Hassen M. 60

Encontraremos muitos desses homens novamente. Um deles, o editor especial e vice-presidente da universidade alemã Timon Rabczuk , será o personagem central da Parte II.

Depois de demitir o gerente do jornal Wiley, que tentou pressionar por uma investigação, um representante da Wiley prometeu reavaliar os artigos problemáticos. O que, claro, não aconteceu, e uma ridícula pilha de lixo ainda está pendurada à “vista inicial”, algumas peças já há quase quatro anos. Este, por exemplo, está online desde 6 de abril de 2020:

Chun-Hui He, Ji-Huan He, Hamid M. Sedighi,  Fangzhu  (方诸): Uma antiga nanotecnologia chinesa para coleta de água do ar: história, visão matemática, promessas e desafios , Métodos Matemáticos nas Ciências Aplicadas  (2020) doi:  10.1002/mma.6384

Para ser justo, aconteceu uma retratação , mas foi só. E então, dois anos depois do que foi dito acima, chegamos.

Ato 2: Avanços recentes no gerenciamento térmico de baterias

Em 2022, a edição especial Avanços recentes no gerenciamento térmico de baterias foi publicada no Journal of Energy Storage da Elsevier . Os editores especiais Masoud Afrand e seu novo amigo, Nader Karimi , da Queen Mary University of London (um lugar familiar, não é?) transformaram isso em uma orgia de citações em grande escala.

Então, novamente, uma tabela dos principais destinatários de citações, com Afrand e Karimi orgulhosamente no topo da lista:

Autor Contagem de citações
Karimi, Nader 504
Afrand, Masoud 383
Aghakhani, Saeed 252
Tang, Yong Bing 199
Pordanjani, Ahmad Hajatzadeh 189
Ali, Hafiz Muhammad 161
Kalbasi, Rasool 158
Karimipour, Arash 139
Alizadeh, Rasool 136
Torabi, Mohsen 136

Os outros editores convidados neste caso foram o famoso químico canadense Mohammad Arjmand e o chinês Cong Qi.

As preocupações sobre esta edição especial foram relatadas em julho de 2022, mas o editor-chefe do Journal of Energy Storage, Dirk-Uwe Sauer, adiou firmemente a investigação da edição especial. Então, por algum motivo, ele foi removido no final do mesmo ano e a Elsevier realmente iniciou uma investigação. Por fim, todo o número especial foi coberto por uma Expressão de Preocupação pela “ integridade e rigor do processo de revisão pelos pares ”.

Ato 3: Abordagens Computacionais na Simulação Multifásica de Nanofluidos

Março de 2023. Afrand ‘ganhou’ uma posição como editor “regular” da EABE da Elsevier , ao mesmo tempo que publica a edição especial “Abordagens computacionais em simulação multifásica de nanofluidos em sistemas multifísicos” na mesma revista. Isto novamente com Arjmand e Qi, mas sem Karimi. Já estamos há vários meses na investigação do Journal of Energy Storage , por isso podemos perguntar-nos se isto foi um acidente ou uma decisão deliberada.

De qualquer forma, a edição especial da EABE de Afrand também foi especial em termos de citações, sendo o principal beneficiário desta vez um certo Changhe Li . Esta tabela foi preparada quando havia 44 artigos na edição especial, enquanto agora são quase 60.

Autor Contagem de citações
Li, Changhe 136
Zhang, Yanbin 102
Yang, Min 80
Disse, Zafar 72
Afrand, Masoud 69
Ali, Hafiz Muhammad 67
Jia, Dongzhou 56
Öztop, Hakan F. 54
Selimefendigil, Fatih 50
Sharifpur, Mohsen 47

Junto com Afrand, a EABE também conseguiu contratar Nader Karimi, que lançou uma edição especial separadamente de Afrand. Posteriormente, Karimi também teve que “renunciar”, um resultado que o Editor-Chefe Cheng pode considerar como resultado de “um ataque coordenado a [ele], à [sua] integridade, à revista e à comunidade científica”. campo de nanofluidos”, conforme relatado anteriormente no Friday Shorts .

Karimipour entra em cena

Como se não bastasse isso, outra maçã podre entrou no corpo editorial na mesma leva de novas contratações: Arash Karimipour . Tal como os seus colegas, ele publicou a sua própria edição muito especial da EABE e, numa repetição de passos, revelou-se impossível fazer com que o editor-chefe da EABE reconhecesse que algo muito mau estava a acontecer à sua revista. Arash ainda está listado como editor da EABE e sua edição especial permanece intacta.

Curriculum vitae de Arash Karimipour

Para obter o currículo mais lisonjeiro de Arash, visite sua página no LinkedIn :

“Sou um engenheiro mecânico com grande interesse em realizar pesquisas complexas em física de fluxos. Participei ativamente de projetos de pesquisa com foco em comportamento reológico, convecção mista, nanofluidos não newtonianos e geração de entropia. As descobertas dessas investigações foram publicadas em revistas internacionais de renome, e a Universidade de Stanford reconheceu minhas realizações nomeando-me um dos 2% melhores cientistas do mundo em 2020 e 2021 . Fui nomeado Pesquisador Altamente Citado pela Web of Science em 2019 , e o ISC me concedeu a mesma homenagem em 2018 .
Com minha experiência em engenharia mecânica e compromisso inabalável em avançar na compreensão da física de fluxos complexos, agrego um valor significativo a qualquer equipe de pesquisa. Estou entusiasmado em aplicar minhas habilidades e contribuir para projetos de ponta neste setor.”

Ao mesmo tempo, pode-se encontrar uma história diferente nos lugares mais sombrios da Internet:

“Sara Rostami pertence à “segunda” geração da nanofraude iraniana, a mesma geração de Masoud Afrand, Davood Toghraie e Arash Karimipour . Para o contexto, a “primeira” geração são os dois gurus Babol Noshirvani, Davood Domiri Ganji e Mohsen Sheikholeslami. A história principal sobre eles é clara e simples: eles apareceram do nada por volta de 2015 e começaram a produzir artigos científicos com o tema nanofluidos. “

Alexander Magazinov,  For Better Science

Ambos os currículos estão perfeitamente corretos, exceto talvez a parte relativa ao compromisso inabalável de promover a compreensão .

Arash Karimipour formou-se em engenharia mecânica na Universidade Islâmica Azad em Esfahan, Irã (2001-2005). Seguiu-se um mestrado (2005-2007) e um doutoramento (2007-2012) em diferentes ramos da mesma universidade. Desde 2010, Arash é professor associado da Universidade Islâmica Azad, filial de Najafabad. Durante seu doutorado, Karimipour passou um período na Universidade Sapienza de Roma, Itália, no grupo Annunziata d’Orazio . Isto levou a uma relação mutuamente benéfica que discutirei na Parte III.

Produção científica

Muito pode ser aprendido observando a produção científica de um pesquisador. A figura abaixo foca na quantidade, mostrando o número anual de artigos publicados por Karimipour:

Número anual de artigos publicados por Arash Karimipour, divididos por afiliação. Fonte: OpenAlex .

Pode-se observar que a sua produtividade aumenta acentuadamente por volta de 2015 ou, nas palavras de Magazinov, “ eles apareceram do nada por volta de 2015” . A divisão nas afiliações surpreende: uma passagem de um ano em uma universidade vietnamita em 2020 (linha laranja), uma importante experiência internacional que está completamente ausente em seu currículo. Em 2020, Arash publicou impressionantes 79 artigos, ou cerca de 1,5 artigos por semana. E quase metade desses papéis ele assinou com uma afiliação da Universidade vietnamita Ton Duc Thang.

Karimipour não está sozinho em ter um “período vietnamita”. A produção de seu amigo islâmico Azad e coautor frequente, Masoud Afrand, mostra exatamente o mesmo padrão. E o mesmo vale para Iskander Tlili (leia sobre ele aqui ) e Shahaboddin Shamshirband :

Produção de papel de vários pesquisadores, dividida em artigos totais e afiliados ao Vietnã.

Esta surpreendente coincidência está relacionada com uma versão mais barata da fraude de citações da Arábia Saudita, descoberta pelo El País no ano passado . Neste último esquema, os investigadores altamente citados da Clarivate receberam até 70 mil euros para mentir sobre a sua afiliação, aumentando assim a classificação das universidades sauditas. Esse balão de citação já esvaziou . As universidades vietnamitas também estão interessadas em aumentar a sua classificação e começaram a pagar qualquer fabricante de artigos que encontrassem para aumentar a “produção”. Este esquema foi exposto por volta de 2020, com um jornal nacional vietnamita a chamar Iskander Tlili e Shamshirband como “ os líderes da rede da máfia científica estrangeira que está a sugar o sangue das universidades vietnamitas ”. Juntamente com algumas ações de acompanhamento que acabaram com o esquema, causando uma queda acentuada nos “artigos vietnamitas” dos nossos cientistas fraudulentos. Os membros mais cruéis têm o focinho em ambos os cochos. Timon Rabczuk , editor especial no Ato 1 acima, é um deles. Conforme anunciado, ele será a estrela da Parte II.

Na história acima, Aliakbar Karimipour, da Universidade Vietnamita Duy Tan, também merece menção (painel inferior direito na figura acima). Este outro A. Karimipour não tem presença na Internet e realmente do nada publicou seus primeiros 18 artigos em 2020. Aliakbar publica com mais frequência com Arash Karimipour. Os dois foram coautores de 10 artigos em 2020, mas essa cooperação terminou abruptamente em 2021. Línguas malignas sugerem que Arash e Aliakbar são na verdade a mesma pessoa, ganhando duas vezes por seu Ton Duc Thang (Arash) e Duy Tan (Aliakbar) afiliações. A esse respeito, acho interessante ver que em 2022 o nosso Arash publicou um artigo final vietnamita , mas depois com afiliação Duy Tan . Uma confusão na gestão de personagens? 

Aliakbar Karimipour, aliás, não é o único “fantasma” na fraude de afiliação vietnamita. Este artigo de jornal cobre Narjes Nabipour , o alter ego da afiliação de Shamshirband. E mais adiante neste post conheceremos Zahra Abelmalek , uma afiliação-fantasma ligada a Iskander Tlili.

De volta à produção científica. Não só a quantidade, mas também a qualidade conta. E as retratações são uma indicação clara da falta delas. Karimipour até o momento tem duas retratações ( Li et al 2020 , He et al 2019 ), ambas de abril de 2022 na mesma revista Emerald:

Duas retratações [ 1 , 2 ] do International Journal of Numerical Methods for Heat & Fluid Flow . A nota de retratação está incorporada no resumo!

O primeiro aviso de retratação menciona fraude de autoria e revisão por pares misturada com plágio como motivo da retratação:

Chegou ao nosso conhecimento que existem preocupações em relação à autoria do artigo e que o processo de revisão por pares foi comprometido.

Partes do artigo também foram retiradas, sem atribuição, da seguinte fonte:

Jamshidian, M. e Mousavi, SA (2014), “Prevendo falhas nas estruturas de elevação hidráulica com monitoramento e lógica difusa”,  Journal of Modern Processes in Manufacturing and Production , Vol. 3 Não. 2.

Nota de retirada deDesenvolver uma abordagem numérica de lógica difusa tipo 2 para melhorar a confiabilidade de veículos guiados automatizados hidráulicos .

O segundo artigo retratado sofreu apenas fraude de autoria e revisão por pares. Os artigos têm coautores notáveis ​​que veremos com mais frequência: o super-homem vietnamita Iskander Tlili , Marjan Goodarzi e Zhixiong Li . E você saberia: nosso Zhixiong foi um dos principais contribuintes para nossa edição especial do Ato II, Avanços Recentes em Gerenciamento Térmico de Baterias . Até a semana passada, quando ocorreram retratações por fraude de autoria, revisão e citação [ 1 , 2 , 3 ].

Outro indicador de qualidade inversa é o número de artigos sinalizados no PubPeer. Tomando cuidado para não incluir o outro Arash Karimipour fraudulento, podemos encontrar atualmente 44 documentos sinalizados . O que obviamente é muito. Um problema que ocorre frequentemente são as citações em lote de trabalhos irrelevantes, uma marca registrada da fraude de citação.

O coautor mais frequente de Arash é Masoud Afrand. Arash e Masoud são afiliados à Universidade Islâmica Azad de Najafabad e trabalham na mesma área. Eles foram coautores de 54 artigos juntos, tornando Afrand (co-)autor de 20% dos artigos de Arash. E Masoud está superando Arash, sempre voando um pouco mais alto:

A edição especial

O foco principal desta postagem é a edição especial de Karimipour “ Tendências recentes e novos desenvolvimentos em Dinâmica Molecular e Métodos Lattice Boltzmann ” na revista Engineering Analysis with Boundary Elements (EABE) . A maioria de seus artigos foi publicada em 2023, assim como os da edição especial do Afrands EABE ‘Act 3’ . Juntas, essas duas edições especiais contribuíram com mais de 25% da produção da revista em 2023.

Quando Alexander Magazinov começou a levantar preocupações, a questão da editoria da Edição Especial parecia simples: tanto Arash Karimipour como Amir Mosavi foram listados como seus editores especiais . No entanto, em novembro de 2023, o nome de Mosavi foi removido silenciosamente:

Em algum momento de novembro, os editores de edições especiais listados mudaram [ 1 , 2 ]. A data da ‘última atualização’ não mudou, no entanto.

Com base nos padrões de citação, podemos, no entanto, ter a certeza de que Mosavi esteve envolvido de uma forma ou de outra.

A edição especial de Karimipour contém 73 artigos, excluindo um primeiro aviso de retratação. Nos últimos meses, nenhum novo artigo foi adicionado, então podemos esperar que continue assim. Os artigos publicados mostram autores frequentemente recorrentes, por exemplo, um certo S. Mohammad Sajadi publicando mais de 1/5 de todos os artigos da Edição Especial:

Autores mais frequentes da edição especial.

Cerca de 2/3 dos artigos de edição especial (48 no total) estão atualmente listados no PubPeer . São muitos para cobrir, então vamos dar uma olhada em alguns grupos:

Fraude de citação do “último bloco”

Pode-se escolher quase qualquer artigo da edição especial e encontrar citações fora de contexto. Isso é chato e os editores não estão interessados ​​nisso 1 . Os padrões de citação da edição especial como um todo são um tanto interessantes:

Os dez principais autores que receberam citações da edição especial.

A lista acima mostra uma abordagem “sem barreiras” para a fraude de citações, com nosso editor da edição especial Karimipour recebendo mais que o dobro da quantidade de citações do número dois. Os nomes já deveriam soar familiares: Davood Toghraie “apareceu do nada” , o super-homem Iskander Tlili e Marjan Goodarzi das retratações de Karimipour, o amigo islâmico Azad Afrand e até o supervilão nanofluido Ali J. Chamkha . E como Mohammad Safaei é marido de Marjan Goodarzi, temos uma família e tanto aqui.

A fraude de citação nesta edição especial apresenta uma reviravolta extremamente preguiçosa: pelo menos onze dos seus artigos citam todas as citações restantes numa única frase, fora de contexto. Pegue o trecho abaixo de Usando material de mudança de fase (PCM) para… :

Em algum lugar na seção de resultados os autores citam as Refs. [34-66] em uma única frase. Trata-se de citação em lote de 33 artigos ou 50% do total de 66 referências . É difícil perceber sua relevância, mas é quase impossível ignorar o padrão: basta verificar os autores destacados para a primeira e a última referência.

Também é fácil adivinhar como isso poderia acontecer. No negócio de citações para venda, deve haver listas de artigos que precisam ser citados. Quando chega um artigo novo, é terrivelmente complicado inserir essas citações e depois ter que renumerar todas as referências. Mas não há necessidade disso: tendo total controle editorial, é muito mais fácil adicionar a carga útil no final!

Muito rebuscado, você acha? Veja os três artigos de edição especial abaixo:

Três artigos [ 1 , 2 , 3 ] compartilhando uma sequência consecutiva de 12 citações do “último bloco” de Karimipour exatamente na mesma ordem. Os artigos citam respectivamente 51%, 50% e 38% de suas referências em uma única frase.

Cada um desses artigos possui um último bloco de citações que é citado em uma única frase. E em cada artigo pode-se encontrar exatamente o mesmo bloco de 12 citações de ‘Karimipour’, mesmo exatamente na mesma ordem. As citações restantes dos três artigos acima vão predominantemente para o marido e a esposa Goodarzi & Safaei.

Curiosidade: você sabia que Karimipour é o autor de um artigo acadêmico sobre ética de publicação ? Trata-se de citações obrigatórias durante o processo de submissão. Tenho certeza de que ele agora está totalmente de acordo com esse conceito:

Obrigatório e Autocitação; Tipos, motivos, seus benefícios e desvantagens

Anteriormente, mencionei que a EABE removeu o nome de Amir Mosavi como editor especial. O seu legado é, no entanto, claramente visível:

Uma sequência de “último bloco” de citações de Mosavi, consulte [ 1 , 2 ]. Uma repetição parcial em [ 3 ] não é mostrada.

Onze referências a ‘Mosavi’ são citadas exatamente na mesma ordem em dois artigos, ambos no “último bloco”, fora de contexto e em uma única frase. E outros dez desses onze podem ser encontrados no lote do “último bloco” deste artigo . Eles não estão listados na figura acima, pois ‘apenas’ seis deles vêm na mesma ordem… Olhando um pouco mais de perto as listas de citações acima, podemos identificar muitos outros grandes golpistas, por exemplo, o fraudador Shamshirband e até mesmo nosso vice-universitário alemão, Presidente Rabczuk ([49], ver Parte II). E quando você está sentindo faltdo super-homem Tlili: ele ‘ganhou’ seu “último bloco” de citações aqui .

Os exemplos acima são os pesos pesados ​​da fraude de citação. No entanto, também há muita beleza nos infratores menores. Veja o artigo da edição especial Análise da dinâmica molecular de um tambor de aromatização combinando simulação numérica e avaliação experimental . Seu autor final é Zhixong Li , que já conhecemos em uma das obras retratadas de Karimipour. O artigo tem apenas 27 referências, com apenas as últimas 5 delas citadas fora de contexto em uma única frase:

Citações do “último bloco” da análise de dinâmica molecular de um tambor de aromatização… Observe o et al. aparecendo apenas no último bloco.

A pessoa que anexou as citações complementares sentiu necessidade de discrição e usou o et al. truque para esconder muitos dos autores citados. Desta forma, não é diretamente aparente que as Refs. [23] (2020) e [24] (2021) vão exatamente para o mesmo conjunto de autores, incluindo “apareceu do nada” Davood Toghraie . Esses dois artigos usam a mesma fraude fictícia de dinâmica molecular que muitos dos artigos atuais da edição especial:

Figuras 1 das Refs. [ 23 ] (2020) e [ 24 ] (2021). É inesperado que as moléculas de água vermelha fiquem na mesma posição enquanto as paredes superior e inferior do canal “se movem”. Além disso, a nanopartícula preta se comporta como um objeto de fundo que não interage com as moléculas de água.

Quando você pensa que os instantâneos de dinâmica molecular acima são, na verdade, construções do Photoshop usando um padrão fixo de moléculas de água vermelha combinadas com algumas decorações, então acredito que você está certo. Observe que no PubPeer Zhixong Li nos garante que esses dois artigos citados são relevantes , mas talvez não sejam a melhor escolha.

Os problemas com o menor infrator não terminam aqui. O artigo parece ter sido publicado anteriormente como Design de cilindro aromatizante de “cinco seções” baseado em simulação numérica em uma revista somente chinesa. Muitos de seus autores são compartilhados, mas os autores Paolo Gardoni (3 entradas no PubPeer) e Grzegorz Królczyk (5 entradas no PubPeer) foram adicionados à versão da edição especial. A versão publicada anteriormente obviamente não é citada…

O mesmo tambor de aromatização também foi otimizado no artigo Medindo o tamanho de gotículas de líquido em fluxo de bico bifásico empregando análises numéricas e experimentais . Neste caso, um elemento diferente da máquina é otimizado, mas ainda é muito estranho que o artigo não seja citado: ele compartilha três autores e foi publicado quatro meses antes da submissão do artigo especial.

O artigo especial (à esquerda) otimiza exatamente o mesmo tambor de aromatização do artigo anterior do MDPI (à direita) e compartilha três autores. O artigo anterior não é citado.

Fresagem

O negócio de venda de autorias e citações necessita de um fornecimento constante de veículos em formato de papel. É mais eficiente produzi-los em linhas de montagem que se concentram em um tópico específico. A edição especial contém muitas ‘séries’ que parecem ter sido escritas por um único autor: um ‘ Moinho de perovskita ‘ de 12 artigos (9 no SI), um ‘ Moinho de combustão ‘ de 5 artigos (2 no SI), e um ‘ moinho de fenol/formaldeído ‘ de 6 artigos (6 no SI) 2 .

O ‘ moinho de perovskita ‘ é de longe o maior. Uma perovskita é um material que possui a fórmula molecular ABX 3 . Existe uma grande variedade de elementos A, B e X e isso permite variações infinitas: material de fresagem ideal!

Data Diário Título Vento
2023.11 EABE Uma abordagem usando dinâmica molecular para conectar biomateriais com sistemas solares para aumentar a quantidade de energia renovável: App… x
2023.11 EABE Estudo dinâmico molecular de perovskita com melhor estabilidade térmica e mecânica para aplicação em células solares: Cálculo t… x
2023.10 EABE Novo estudo de materiais de perovskita e o uso de biomateriais para posterior aplicação de células solares no ambiente construído: Um m… x
2023.07 EABE Investigação teórica das propriedades mecânicas da perovskita sob diversas mudanças de fatores ambientais para aplicação em… x
2023.05 EABE Desempenho de sistema fotovoltaico de perovskita de alta eficiência pelo método de dinâmica molecular: Otimizando espessuras de transporte de elétrons… x
2023.04 EABE Investigação da resposta mecânica da perovskita CH3NH3GeIxBr3-x, sob tensão de tração, na aplicação solar para diversas … x
2023.03 EABE A importância e a eficácia da combinação de sistemas fotovoltaicos integrados e biomateriais para melhorar o uso de energia renovável… x
2023.03 Física Molecular Investigação teórica das propriedades mecânicas de CH<sub>3</sub>NH<sub>3</sub>XI<sub>3</sub> de camada única e multicamada (X…
2023.02 EABE Um estudo numérico do material perovskita CsSnIxBr3-x como camada de transporte de elétrons (ETL), na célula solar de perovskita de um ph…
2022.12 EABE Desenvolva uma abordagem de dinâmica molecular para simular a tensão-deformação de perovskita CsGeX3 (X = I, Cl e Br) de camada única/multicamada… x
2022.11 Física Molecular Simulações de perovskitas orgânico-inorgânicas sem chumbo sob cargas de tração/compressão e diferentes campos de força
2021.12 Física Molecular Perovskita sem chumbo dopada com carbono com estabilidade mecânica e térmica superior x

A fábrica de perovskita parece ter começado com o papel mais inferior: perovskita sem chumbo dopada com carbono com estabilidade mecânica e térmica superior de Bita Farhadi . Farhadi é aliás o quinto autor mais citado da Edição Especial. O artigo seminal sobre perovskita pretende calcular a resistência mecânica de uma série de perovskitas usando dinâmica molecular. Introduz a maioria dos ‘elementos’ e especialmente erros que podem ser encontrados na série completa.

Em cada artigo sobre perovskita, os autores esticam seus materiais e depois medem o quão forte ele “retrai”. O alongamento é chamado de deformação de tração e é expresso como a mudança relativa no comprimento, Δx / x . O ‘recuo’ é chamado de estresse . A figura abaixo mostra algumas curvas tensão-deformação desse papel seminal:

Esquerda: curvas tensão-deformação ao longo de X mostrando uma inclinação inicial de ~30 GPa. O material começa a ceder quando é alongado até aproximadamente 3x seu comprimento original. Canto superior direito: os autores realmente relatam um módulo de Young de ~30 GPa. Canto inferior direito: material esticado em um espaguete de? (moléculas gasosas e um pedaço verde sólido de átomos).

A deformação de tração de 1, 2, 3, … no eixo horizontal significa que os autores alongaram seu material em uma direção por um fator 2, 3, 4, … E isso é algo que nem mesmo um elástico sobreviveria: é apenas bobagem.

A inclinação inicial das curvas tensão-deformação, indicada pelas linhas pontilhadas, é chamada de módulo de Young Y. Os valores tabulados destacados em amarelo na Tabela 2 acima correspondem perfeitamente às inclinações nos gráficos tensão-deformação. E esses valores não são descabidos, ou nas palavras dos autores:

“O módulo de Young na direção X para CH3NH3SnI3: PCBM, CH3NH3SnI2Br: PCBM e CH3NH3SnIBr2:
as estruturas PCBM são 35,539, 31,992 e 16,222 GPa, respectivamente, o que é consistente com os resultados práticos [52].”

Farhadi et al 2021 , página 7

Isso exclui que os autores pretendessem expressar sua tensão como uma porcentagem. Além disso, a caixa MD em forma de espaguete na Figura 5 não deixa dúvidas sobre o alongamento extremo. Os autores ou revisores não deveriam ter se perguntado sobre as moléculas branco-azuladas flutuando livremente naquela caixa de simulação? Tipo: estou realmente olhando para um material sólido ou os autores estão puxando um gás? Esses resultados são apenas um absurdo não físico.

O ‘erro’ acima entrou no molde da fábrica e está reproduzido em todos os jornais, veja a colagem abaixo. Aprecie também a semelhança entre os números, especialmente ao perceber que os três números com uma grade (1, 3, 7) são publicados fora do EABE SI:

Colagem de curvas de tensão-deformação sem sentido publicadas no moinho de perovskita. No último artigo, o material começou a ceder após ser esticado até 8x o seu comprimento original.

O moinho de perovskita vem com uma parte engraçada sobre os efeitos do vento . Este item de estudo já foi introduzido no primeiro artigo de Bita Farhadi:

Farhadi et al 2021 , página 8

Os autores afirmam estar preocupados com o efeito do vento no material perovskita quando este é utilizado como painel solar. E para levar isso em conta, eles aplicam pressões de ‘baixo vácuo’, 100 e 200 MPa durante os testes de tensão-deformação. Vamos ignorar o fato de que isso indicará os efeitos do vento e focaremos apenas na magnitude dos números:

Esquerda: mesa de Explosões e câmaras de refugiados . À direita: a pressão no fundo da Fossa das Marianas CC por 2,5 ) é de ~ 1000 bar ou ~100 MPa.

A tabela à esquerda vem do artigo Explosões e câmaras de refugiados e nos diz que uma sobrepressão de 0,14 MPa corresponde a velocidades de vento de 500 mph e uma taxa de mortalidade de quase 100%. Portanto, 200 MPa é um pouco exagerado para os efeitos do vento. Ou talvez os painéis solares de perovskita sejam projetados para funcionar no fundo da Fossa das Marianas. A uma profundidade de 10 km atinge-se uma pressão de ~100 MPa . O número de 200 MPa oferece, portanto, uma boa margem de segurança de fator dois para operar painéis solares naquele local escuro como breu. E a simulação de “baixo vácuo” cobre obviamente os efeitos do vento experimentados pelos satélites.

Além disso, o acidente acima foi incluído no modelo e exatamente o mesmo esquema de ‘baixo vácuo, 100 MPa e 200 MPa’ é regurgitado em nove de seus artigos, veja a coluna ‘vento’ na tabela acima. E isso sem maiores explicações e com a maioria deles sem autores em comum.

Às vezes o escritor (singular) da série nem se preocupa em manter o texto original:

Resumos do novo estudo de… e O significado e eficácia de…

Os artigos acima, Novo estudo de… e O significado e eficácia de… têm resumos, introduções e até seções de resultados mais do que semelhantes. E além disso, compartilhe 25 de suas cerca de 50 citações. Você ainda se lembra daquele “não mais editor especial” Amir Mosavi ? No artigo A significância e eficácia de… ele recebe 12 citações fora de contexto, escondidas usando o et al. truque.. Graficamente, essa doação de mais de 20% das citações do artigo se parece com isto:

12 das 52 citações de O significado e eficácia de… vão para Amir Mosavi, sequencialmente.

Também a suposta autora da série, Bita Farhadi, é uma receptora comum de citações na série, com suas citações frequentemente vindo nos mesmos blocos.

O moinho de combustão é outra série que chegou ao SI. Pretende estudar a combustão de nanopartículas com algum revestimento adicionado a elas. Identifiquei 5 artigos, 2 dos quais publicados na EABE SI:

Data Diário Título Autores
2023.08 Esteira. Tod. Com. Parâmetros eficazes no desempenho de combustão de nanopartículas de hidreto de alumínio revestidas: Um estudo de dinâmica molecular Cao Fenghong, Mohammed Al-Bahrani, Drai Ahmed Smait, Noor Karim, Ibrahim Mourad Mohammed, Abdullah Khaleel Ibrahim, Hassan Raheem Hassan, Salema K. Hadrawi, Ali H. Lafta, Ahmed S. Abed, As’ad Alizadeh, Navid Nasajpour- Esfahani, Maboud Hekmatifar
2023.07 EABE O efeito das partículas de oxigênio penetradas no tempo de combustão de nanopartículas de hidreto de Al revestidas em um meio oxigenado… Navid Habibollahi, Aidy Ali, S. Mohammad Sajadi Davood Toghraie , Sobhan Emami, Mustafa Inc
2023.05 EABE Simulação por dinâmica molecular do comportamento de combustão de nanopartículas de hidreto de alumínio revestidas no meio oxigenado… Navid Habibollahi, Aidy Ali, S. Mohammad Sajadi Davood Toghraie , Sobhan Emami, Mohamad Shahgholi, Mustafa İnç
2022.08 J. de Mol. Líquido. Efeitos dos revestimentos atômicos na combustão de nanopartículas de hidreto de alumínio dispersas em oxigênio líquido: Corante molecular… Navid Habibollahi, Aidy Ali, Arash Karimipou Davood Toghraie , Sobhan Emami
2022.07 J. de Mol. Líquido. Simulação de dinâmica molecular do efeito da pressão inicial no desempenho de transição de fase de nanopartículas de AlH3 revestidas… Shanshan Jiang, Saade Abdalkareem Jasim, Svetlana Danshina, Mustafa Z. Mahmoud, Wanich Suksatan, Davood Toghraie , Maboud Hekmatifar, Roozbeh Sabetvand

Quatro dos cinco artigos “apareceram do nada” Toghraie como autor, e os revestimentos atômicos… o artigo ainda apresenta nosso editor Arash Karimipour. Os documentos individuais têm muitos problemas que se tornam aparentes mesmo em uma inspeção superficial. No exemplo abaixo, os autores colocaram uma partícula de ⌀40 nm em uma caixa de simulação 20x20x20 nm 3 ( tipo Tardis ):

fbs1
Os autores colocaram uma partícula de ⌀40 nm em uma caixa com lados de 20 nm. Do efeito das partículas de oxigênio penetradas…

Além do tópico e das simulações fictícias de DM, os artigos também compartilham dados. Um exemplo:

Figuras dos artigos 2 , 3 e 5 da série.

A Figura 4 à direita vem do último artigo da série. Ele contém quatro curvas: três são retiradas do artigo de Karimipour publicado um ano antes, a quarta vem de um dos artigos sobre combustão da EABA. E não, não há sobreposição de autores.

A natureza milagrosa dos jornais também pode ser deduzida do elenco hilário de seu primeiro episódio :

O tema do artigo é física hardcore. Mas a terceira autora, Svetlana Danshina, é… uma dentista russa ! Ela ostenta cinco entradas no PubPeer e publica sobre tópicos que vão desde nanocurcumina e micro-RNA até desenvolvimento sustentável e catálise. Ela também ostenta uma página Dissernet com perguntas que (ainda) não estão listadas no PubPeer. Uma verdadeira mulher renascentista!

O quarto autor, Mustafa Z. Mahmoud (Arábia Saudita), parece ser um  médico , autor de  132 artigos  , dos quais 58 somente em 2022. E Wanich Suksatan  é um professor tailandês de  enfermagem  com  152 artigos sobre tudo , incluindo algumas retratações por fraude de autoria ( 1 ,  2 ).

Falando em dentistas: o último episódio desta fábrica apresenta Ahmed S. Abed do Departamento de Tecnologia Dentária Protética , faculdade da Universidade Hilla, Babilônia, Iraque . Obviamente tive que verificar se realmente encontramos outro dentista. Mas não posso afirmar com certeza.

Os quatro artigos anteriores ao seu artigo sobre Combustion foram todos publicados no Journal of Obstetrics, Gynecology and Cancer Research sobre tópicos que vão desde a rotação intra-uterina de bebês até o “desempenho sexual” de mulheres com câncer cervical [ 1 , 2 , 3 , 4 ] . Elisabeth Bik também localizou Abed em um artigo de autoria à venda sobre os efeitos farmacológicos de algumas famílias de plantas. Um ginecologista-dentista-físico-botânico?

Pontos baixos da dinâmica molecular

Há muitos documentos sinalizados para cobrir todos eles. Abaixo alguns pontos baixos para entender o sabor geral, começando com os autores misturando seus materiais.

No artigo Efeito da temperatura e pressão iniciais no comportamento térmico do combustível etanol/oxigênio … os autores pretendem aplicar ondas de choque para queimar misturas oxigênio-etanol. Na Figura 1 eles realmente mostram uma molécula de oxigênio (O 2 ). Mas nos instantâneos de simulação na Fig. 4, o oxigênio se tornou água (H 2 O), tornando a combustão reivindicada praticamente impossível:

Esquerda: Fig. 1 mostrando moléculas de oxigênio e etanol. Certo. A Figura 4 mostra instantâneos de simulação contendo água e etanol. Do efeito da temperatura e pressão iniciais no comportamento térmico do combustível etanol/oxigênio…

E não, a mistura não queimou porque não há CO 2 encontrado.

Em Usando material de mudança de fase (PCM) para melhorar a capacidade de energia solar de… os autores afirmam usar decano (C 10 H 22 ) como material de mudança de fase. E então mostre uma molécula de dodecano (C 12 H 26 ) na inserção. Potayto, potahto?

Decane tem apenas 10 átomos de carbono (azuis)… Do uso de material de mudança de fase (PCM). 

A edição especial contém dois artigos sobre a doença de Alzheimer, como se esse campo não tivesse visto fraudes suficientes. O artigo Uma abordagem dinâmica molecular para uma hipótese sobre o comportamento dinâmico da Rosuvastatina na doença de Alzheimer…pretende investigar a interação do medicamento anticolesterol Rosuvastatina com placas de Alzheimer. Além de fazer besteira, os autores começam com a molécula errada:

A molécula dos autores (esquerda) não é Rosuvastatina (direita). A seta verde aponta para uma estrutura em anel fechado/aberto. De Uma abordagem dinâmica molecular a uma hipótese sobre o comportamento dinâmico da Rosuvastatina na doença de Alzheimer…

O departamento gráfico estava de férias quando o artigo Investigando o comportamento térmico da mistura alumínio-oxigênio na presença de paredes de Cu… foi escrito. Os autores precisavam de uma renderização 3D de seu domínio de simulação, mas só tinham algumas imagens 2D disponíveis. Não tem problema: basta esticar uma dimensão (painel esquerdo):

DeInvestigando o comportamento térmico da mistura alumínio-oxigênio na presença de paredes de Cu… A renderização 3D na Fig. 1 tem átomos cilíndricos, os instantâneos de simulação na Fig.

Os dois instantâneos animados de dinâmica molecular à direita foram feitos no Photoshop como os artigos de Toghraie mostrados anteriormente: combinam um primeiro plano de bolas amarelas de ‘moléculas’ com um fundo mutável de bolas roxas de ‘partículas’. Mas com poucos primeiros planos e sem suporte gráfico, os autores usaram a ferramenta borracha para criar algumas ‘trincheiras’ extras (setas vermelhas).

O fedor das fábricas de papel nunca está longe. Abaixo estão figuras de três artigos mostrando o fluxo de calor versus alguma coisa. Exceto que o eixo vertical indica “Heat Fl a x”. O primeiro artigo tem autores únicos, os dois últimos artigos compartilham o autor Ali Abdollahi ( 12 entradas no PubPeer). Isso sugere que Ali também escreveu o primeiro artigo? Ou ele é inocente de qualquer escrita e apenas um comprador frequente de autorias?

Cálculos de linho aquecido em três artigos [ 1 , 2 , 3 ].

É difícil mostrar a estupidez sem sentido do gênero de dinâmica molecular publicado em Engineering Analysis with Boundary Elements . E não tenho apenas a fraude em mente, mas também as permutações sem sentido: alterar o fluido, o tipo de partícula, o tamanho da partícula, o material da parede,…, imprimir e enviar. Pegue o trecho abaixo de Efeito das dimensões da parede do microcanal. 

Sim, temos um problema sério aqui. Por um lado, Refs. [16-19] não são sobre EG (etilenoglicol). E por que (por que, por que) alguém estaria interessado nessa combinação EG-platina? O que os autores esperam alcançar? Como eles escolheram suas dimensões de microcanais? Por que se esqueceram de comparar os seus resultados com estes outros “poucos estudos”? Não espere respostas, apenas Photoshop:

As paredes ‘platinadas’ à esquerda foram feitas no Photoshop a partir das partes mais curtas à direita. Uma emenda é visível no centro (seta vermelha) e os ‘átomos’ estão deformados acima da linha verde-amarela porque alguns átomos tiveram que ser cortados.

O (s) autor (es) recebeu (m) um pequeno trecho de bolas com aparência de platina do departamento gráfico e fabricou a ‘vista frontal’ à direita. E então usei esse mesmo trecho (retângulo preto) para fabricar a ‘vista lateral’ mostrada à esquerda. A visão lateral deveria ser exatamente 2x mais longa, mas, infelizmente: a segunda imagem das ‘moléculas vermelhas’ do departamento gráfico era um pouco curta. Mas não se preocupe, os físicos também sabem fazer emendas:

Duas emendas são visíveis. Abaixo da seta vermelha os dois trechos se encontram, abaixo das linhas amarela/verde os átomos de platina estão comprimidos em um ponto imperfeito.

Suponhamos que os autores realmente fizeram o que prometeram: calcular a condutividade térmica de um canal de platina extremamente estreito preenchido com etilenoglicol para quatro alturas de canal e cinco temperaturas. Isso realmente vale a pena publicar? Os autores não resolveram nenhum problema prático concebível. E leva cerca de 30 minutos para mudar o material da parede de platina para qualquer um dos mais de 40 outros metais ou um número quase infinito de ligas. Por que algum editor iria querer ver isso publicado?

Notas de rodapé

  1. Colegas detetives descobrem que denunciar isso não leva a lugar nenhum: os autores são simplesmente oferecidos para corrigir, removendo o material ofensivo.
  1. A extensão real do moinho de fenol/formaldeído/… é maior. Muito provavelmente inclui também os artigos sobre dinâmica molecular que citam um editorial sobre diálise . E acredito em mais alguns artigos na SI.

Alexander Magazinov foi coautor do artigo e Maarten está em dívida com Tu Van Duong (Universidade de Purdue) por seus insights sobre os costumes universitários vietnam


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Este texto escrito originalmente em inglês foi publicado pelo blog “For Better Science” [Aqui!].