A gestão Diniz, seus menudos neoliberais, e o discurso tecnocrático usado para ocultar a guerra aos pobres

rafael

As ações da nova (velha) gestão do prefeito Rafael Diniz estão sendo marcadas por uma moeda de duas faces: por um lado o corte nos investimentos em políticas sociais voltadas para os mais pobres e, por outro, a aplicação de um linguagem tecnocrática para justificar essas ações.  Como essas ações estão sendo justificadas publicamente por pessoas jovens, a intenção clara é colocar isto num patamar de novidade onde o técnico seria preponderante sobre o político, de modo a conceder um padrão moral mais elevado em relação às práticas anteriores comandadas pela prefeita Rosinha Garotinho.

Se não fosse pelo “mero” detalhe de que até agora as principais ações deste discurso tecnocrático foram voltadas para deixar mais desprotegidos, os que têm menos, eu poderia até deixar me enganar. Entretanto, basta olhar para a teia de relações montadas para garantir uma maioria avassaladora na Câmara de Vereadores para se notar que a velha política está viva e forte nas mãos de Rafael Diniz e seus “menudos” neoliberais.

Aliás, abro aqui um parentese para notar a presença do prefeito Rafael Diniz na cerimônia de encerramento no evento científico que ocorreu no campus da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) e que também contou com a participação do Instituto Federal Fluminense (IFF) e da Universidade Federal Fluminense (UFF).  Ao vê-lo sendo convidado a falar,  pensei com meus botões que o prefeito de Campos iria marcar um gol de placa, pois quebrava a longa tradição dos prefeitos de Campos de ignorar o valor da Uenf para a cidade.

Lamentavelmente, a sua fala foi uma imensa repetição de ladainhas sobre a herança maldita e uma fabulosa crise financeira que seria a pior da história de Campos dos Goytacazes (nem parecia que ali falava o prefeito de uma das cidades com os maiores orçamentos do Brasil!). Se não soubesse de múltiplas nomeações de parentes para cargos comissionados regiamente remunerados, e de incontáveis cartas convites para contratos milionários que dispensam as “incômodas” licitações determinadas pela Lei 8.666/93, eu poderia ter caído na conversa do prefeito; mas como conheço, fiquei com a sensação de que ele havia perdido um gol em baixo da linha. De quebra, alunos da UFF que estavam do meu lado, e que agora não podem mais usar o restaurante popular, estavam propensos a puxar uma vaia por terem sido deixada na “chuva” juntos com os pobres sem local para se alimentar, o que só não aconteceu em respeito ao evento.

Aliás, faltou ao prefeito Rafael Diniz explicar por que até hoje não enviou o suporte da Guarda Civil Municipal (GCM) para policiar o entorno do campus Leonel Brizola que continua totalmente abandonado. Em que pese a reitoria da Uenf ter cumprido a sua parte no acordo que envolveu a cessão de um espaço físico para abrir o grupo ambiental da GCM!

Voltando à suposta dicotomia entre tecnocracia e ação política, é preciso lembrar que este mote já foi utilizado por Fernando Collor e está sendo usado por João Dória em São Paulo.  Essa contraposição é claramente um subterfúgio para ocultar a ampliação da privatização dos bens públicos, o que rotineiramente tem servido para ampliar a precarização de serviços e direitos dos servidores públicos, bem como a ampliação da miséria dos mais pobres.

Lamentavelmente há gente que se pretende de esquerda caindo na ladainha do “velho contra o novo”, e abrindo mão de oferecer uma saída construtiva que supera os grupos que dominam a política local.  Ao se servir de postos na administração municipal ou por legitimar fóruns que servirão apenas para fortalecer o ataque aos pobres, estes setores se auto condenam à inexpressividade em que se encontram e, pior, facilitam o retrocesso no pouco que existia de distribuição de renda em nosso município. A estes setores eu diria para não correr o risco de “jogar a criança fora com água suja do banho”; a criança sendo neste caso as políticas sociais que estão sendo extintas. 

Finalmente, vamos ver como fica a situação desta gestão após o aumento de 100% no valor das passagens de ônibus. É que esta ação estará atingindo em cheio uma parte significativa do eleitorado que garantiu a vitória do prefeito Rafael Diniz, que certamente não deixará de lembrar o refrão “você pagou com traição com que sempre te deu a mão”. A ver!

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