Belo Monte: renovação de licença sem mudanças na sua governança é assinar catástrofe, alertam especialistas

BM Bori

O desvio de água do rio Xingu pela usina de Belo Monte (PA) deixou a região de Volta Grande com menos de 30% de sua vazão natural anual

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Optar pela renovação da licença da hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, vencida em 2021, sem mudanças expressivas na governança e operação das barragens seria o semelhante a assinar pela continuidade de uma catástrofe ambiental e humana na região. O alerta, publicado em artigo de perspectiva na revista científica “Perspectives in Ecology and Conservation” na sexta (24), é de pesquisadores de dez instituições, entre elas, o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), a Universidade Federal do Pará (UFPA), a Universidade de São Paulo (USP), o Instituto Socioambiental (ISA) e o Ministério Público Federal (MPF) de Altamira, no Pará.

Além de sugerir mudanças na governança de Belo Monte, os especialistas defendem que hidrelétricas com 10 MW ou mais de capacidade instalada não devem mais ser construídas na região amazônica.

O trabalho contextualiza os impactos da usina hidrelétrica de Belo Monte, que fica próxima ao município de Altamira (PA), com dados da literatura científica e de ações do MPF. Desde a inauguração da última das 18 turbinas, em 2019, a hidrelétrica desvia água do rio Xingu através de um canal que deixou um trecho de 130 quilômetros de uma região do rio, conhecida como Volta Grande, com menos de 30% de sua vazão natural anual. Isso, segundo a análise, evita a inundação em determinada época do ano de 86% da área total originalmente coberta por igapós, um tipo de vegetação sazonalmente inundada.

Dentre as consequências desse desvio, relatadas pelos especialistas, está o declínio da reprodução dos peixes e quelônios da região, diminuindo rendimentos pesqueiros, perda de vegetação adaptada às cheias e aumento do risco de extinção de espécies endêmicas, além de mudanças nos padrões de sedimentação do rio que afetam a qualidade da água. Estima-se, também, que esse processo causou impactos sociais, com o deslocamento de cerca de 40 mil pessoas para assentamentos urbanos na periferia da cidade de Altamira, segundo dados do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB).

O biólogo Philip Fearnside, pesquisador titular do INPA e coautor do texto, comenta que outro problema urgente é a ameaça à segurança alimentar de três grupos indígenas e diversas populações ribeirinhas que habitam a Volta Grande. “Essas comunidades dependem dos peixes e quelônios para sua alimentação, além de serem grupos evoluídos culturalmente para viver com o ritmo do rio. A água é o recurso-rei desses povos e isso está sendo perdido”, enfatiza.

Segundo explicam os especialistas, o desvio de Volta Grande é mantido para priorizar a plena capacidade de geração da casa de força principal de Belo Monte e faz parte do plano de engenharia original, elaborado pela Norte Energia, empresa que administra o complexo. A legalidade do processo de licenciamento da hidrelétrica, no entanto, é contestada em 22 ações movidas pelo Ministério Público Federal. Em uma delas, de setembro de 2022, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que a construção de Belo Monte violou a lei brasileira ao não realizar consultas com os povos indígenas e tradicionais da Volta Grande para a instalação das barragens.

A preocupação é se o governo atual seguirá com a renovação da licença de Belo Monte, e se alguma mudança na operação da barragem será exigida. “As administrações dos últimos anos têm passado por cima, forçando a continuidade da hidrelétrica, e sem que muitas das condicionantes que a empresa prometeu fazer tenham sido cumpridas. E sem nenhuma penalidade”, diz Fearnside.

Para mitigar os impactos de Belo Monte, segundos os especialistas, seria preciso mudanças na operação que garantam que uma quantidade adequada de água volte a fluir pela Volta Grande, de forma que seu trajeto se aproxime do ciclo e duração natural das cheias do rio. Além disso, uma mudança na governança da hidrelétrica também seria necessária, de modo a envolver povos indígenas e ribeirinhos locais no monitoramento das operações e no processo de licenciamento da hidrelétrica. “É evidente que a barragem não será destruída, mas se quisermos preservar os ecossistemas e povos existentes na região, as comunidades locais e a sociedade civil devem ter maior participação”, finaliza Fearnside.


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Fonte: Agência Bori

Pesquisa encontra agrotóxicos em biscoito maisena, macarrão instantâneo, empanado e hambúrguer à base de plantas

Idec apresenta resultados do terceiro volume do estudo ‘Tem Veneno Nesse Pacote’, que analisou 24 ultraprocessados e identificou resíduos de agrotóxicos em metade das amostras

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Por Idec

De 24 alimentos ultraprocessados produzidos no Brasil, com destaque para aqueles com apelo ao público infantil, foram encontrados resíduos de agrotóxicos em metade das amostras.

O número alarmante está no terceiro volume da pesquisa “Tem Veneno Nesse Pacote”, realizada pelo Instituto de Defesa de Consumidores (Idec) e que identifica a presença de resíduos de agrotóxicos em produtos alimentícios ultraprocessados comuns na rotina dos brasileiros. 

O estudo está disponível gratuitamente na página idec.org.br/veneno-no-pacote, juntamente com os dois primeiros volumes, lançados em 2021 e 2022. 

Na terceira edição, foram analisados 24 ultraprocessados de oito categorias: macarrão instantâneo, biscoito maisena, presunto cozido, bolo pronto sabor chocolate, sobremesa petit suisse sabor morango, bebida láctea sabor chocolate, hambúrguer à base de plantas e empanado à base de plantas com sabor de frango. 

Em cada categoria, foram selecionados os três produtos mais vendidos do mercado. Os testes foram realizados por um laboratório certificado pela Coordenação Geral de Acreditação (CGCRE) do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), credenciado junto ao Ministério da Pecuária e Abastecimento (MAPA) e utilizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em testes de resíduos de agrotóxicos. 

Tem Veneno nesse Pacote | Idec - Instituto Brasileiro de Defesa do  Consumidor

O teste escolhido é um dos mais abrangentes, com capacidade de detectar resíduos de até 563 agrotóxicos diferentes. 

A coordenadora do Programa de Alimentação Saudável e Sustentável do Idec, Laís Amaral, explica que as categorias com produtos à base de plantas foram incluídas no estudo mais recente em razão do avanço da indústria, que se apropria de uma fatia do mercado considerada “novidade”, apresentada como alternativa ao consumo de carne, enquanto vende uma variação dos mesmos ultraprocessados de sempre, e ainda utilizando matérias-primas produzidas com o uso de agrotóxicos.

“Precisamos alertar para o perigo duplo do consumo de ultraprocessados. Eles são produtos com excesso de nutrientes críticos, relacionados ao desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis, como diabetes, doenças do coração e hipertensão, além da presença de aditivos alimentares. E também temos consistentemente encontrado traços de contaminação com agrotóxicos nesses produtos, ou seja, são venenos tão potentes que continuam ali mesmo depois dos processos de produção nas indústrias”, explica Amaral. 

Resultados

Ao final do estudo, 12 dos 24 produtos analisados apresentaram resíduos de agrotóxicos. Os ultraprocessados com mais traços de agrotóxicos, com quatro tipos diferentes em cada amostra, foram: 

  • biscoito maisena Marilan
  • biscoito maisena Triunfo

Foram encontrados resíduos de três agrotóxicos diferentes nos produtos: 

  • Hambúrguer à base de plantas Sadia
  • Empanado à base de plantas sabor frango Seara
  • Macarrão instantâneo Nissin
  • Macarrão instantâneo Renata
  • Bolo pronto sabor chocolate Ana Maria

Foram encontrados resquícios de dois agrotóxicos no produto: 

  • Empanado à base de plantas sabor frango Sadia

E foi identificada a presença de um tipo de agrotóxico nos seguintes produtos: 

  • Hambúrguer à base de plantas Fazenda Futuro
  • Empanado à base de plantas sabor frango Fazenda Futuro
  • Presunto cozido Aurora
  • Bolo pronto sabor chocolate Panco
  • Bebida láctea sabor chocolate Pirakids

O glifosato foi o agrotóxico que mais apareceu nos testes, em sete das 24 amostras. Laís Amaral explica que o glifosato é o herbicida mais vendido no mundo, tido como “provavelmente carcinogênico ou capaz de causar câncer”, de acordo com a Agência Internacional para Pesquisa sobre Câncer (IARC) da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Apenas a categoria de sobremesa petit-suisse sabor morango não apresentou resíduos de agrotóxicos em nenhuma das amostras analisadas.

E a farinha de trigo, encontrada tanto na crosta dos empanados, quanto no biscoito maisena e no macarrão instantâneo continua sendo um ingrediente com alta prevalência de contaminação por agrotóxicos, como já havia apontado a análise do volume 2 do “Tem Veneno Nesse Pacote”. 

“Os testes que não indicaram resíduos de agrotóxicos não significam, comprovadamente, que esses ultraprocessados não utilizam matérias-primas com uso de venenos agrícolas. Mostram apenas que as amostras analisadas não contêm resíduos de agrotóxicos”, explica Amaral. 

Leonardo Pillon, advogado do Programa de Alimentação Saudável e Sustentável do Idec, lembra que o instituto vem criticando a flexibilização do uso dessas substâncias há muitos anos. Junto a outras organizações, o Idec integra a Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida. 

“Cabe a crítica também aos deputados federais e senadores que, mesmo no meio de uma catástrofe climática diretamente relacionada com o ritmo de desmatamento e a manutenção de retrocessos na legislação ambiental, derrubaram vetos no Pacote do Veneno para concentrar poderes nas mãos do MAPA. Isso deve fazer com que as decisões futuras passem a ser facilmente controladas pelo lobby ruralista e corporações de agrotóxicos, acelerando ainda mais o descontrole desses produtos”, afirma. 

O advogado do Idec reforça que quem pagará o preço é a própria população, em especial pessoas negras, periféricas, mulheres, crianças e povos originários e tradicionais, seja por serem mais atingidos em eventos climáticos extremos, ou por serem cada vez mais expostos a uma carga maior de agrotóxicos. 

Com a finalização do volume 3 do estudo “Tem Veneno Nesse Pacote”, o Idec enviou notificações para todas as empresas responsáveis pelos produtos analisados em que foram encontrados agrotóxicos. Os dados também foram enviados à Anvisa.

Os interessados em baixar apenas o Volume 3, podem clicar [Aqui!].


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Fonte: Idec

Conservação de vegetação nativa é fundamental para combate às mudanças climáticas, advertem cientistas

amazonia-5406522Mudanças climáticas podem levar à perda de biodiversidade: imagem mostra vista panorâmica de floresta nativa

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A mitigação do impacto das mudanças climáticas na perda de biodiversidade passa por adotar medidas que preservem a vegetação e o solo nativos, já que eles são responsáveis por estocar carbono. Seria preciso evitar a fragmentação desses ambientes e realizar a correta recuperação de áreas degradadas. É o que dizem pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e do Centro de Conhecimento em Biodiversidade, em parceria com colegas de instituições estrangeiras, em reflexão publicada na revista científica “BioScience” nesta quinta (23).

Dentre as principais recomendações dos especialistas, estão a coibição do plantio de florestas baseadas em espécies exóticas, como pinus ou eucalipto, e a promoção de um uso mais consciente da terra para atividades agrícolas, o que evitaria a expansão de áreas de cultivo.

Com uso da literatura científica recente, os pesquisadores elencam seis pontos-chave para mitigar as mudanças climáticas: a conservação de estoques e sumidouros de carbono, a restauração adequada de áreas degradadas, a conservação integrada de fauna e flora locais, o investimento em mais produtividade agrícola em vez da devastação de novas áreas naturais para cultivo, a incorporação de medidas práticas para sustentabilidade por empresas e instituições financeiras e a colaboração entre especialistas para alinhar políticas e ações necessárias aos desafios ambientais. Esse último ponto poderia ser feito por meio da união das Conferências  das Nações Unidas (COPs) sobre Biodiversidade e Clima, que atualmente têm calendários distintos de realização.

A substituição de ecossistemas originais por florestas plantadas, por exemplo, pode aumentar as emissões de gases causadores do efeito estufa. Isso acontece porque o processo de tirar a vegetação original deixa o solo exposto, o que faz com que ele libere mais carbono. Por consequência, isso pode ampliar o impacto dos eventos climáticos extremos, como secas e enchentes. Os autores alertam: “ao introduzirmos um número limitado de espécies não nativas em uma determinada região, podemos, inadvertidamente, destruir a funcionalidade ecológica do ambiente, o que pode refletir na capacidade de fornecer nascentes de água, manter polinizadores para agricultura, controlar a umidade e o clima e influenciar o regime de chuvas”.

Em áreas como a Amazônia, os cientistas enfatizam a prioridade absoluta de parar o desmatamentoe a degradação da floresta remanescente – e avaliam que a restauração só se tornará prioridade depois destes objetivos serem alcançados. “Para o Brasil, a mensagem seria a necessidade de elevar muito a prioridade de áreas desmatadas. Apesar de discurso do governo, elas ainda não são tão prioritárias quanto áreas com grandes impactos ambientais de mineração ou energia, agricultura e infraestrutura de transportes”, avalia o pesquisador do Inpa Philip Fearnside, um dos autores do artigo.

Os pesquisadores também recomendam aos formuladores de políticas públicas que não aprovem projetos de lei que descaracterizem as áreas de proteção e promovam a expansão de áreas agrícolas. “O Brasil precisa largar de planos de extrair petróleo até a foz do rio Amazonas, de abrir vastas áreas de floresta com rodovias como a BR-319 e AM 366, de legalizar reivindicações de posses em terras públicas, de subsidiar pastagem e soja e de construir mais barragens amazônicas”, conclui Fearnside.


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Fonte: Agência Bori

Queda acentuada nas matrículas de pós-graduação no Brasil sugere declínio no interesse por carreiras científicas

O número total de ingressantes em programas de mestrado e doutorado caiu 12% entre 2019 e 2022, atingindo o nível mais baixo em quase uma década.

 
Duas pessoas vestindo jalecos trabalhando em um laboratório da Universidade Federal do Rio de Janeiro

Devido a questões sistêmicas e interrupções causadas pela pandemia da COVID-19, o interesse pelas carreiras acadêmicas no Brasil atingiu um novo nível. Crédito: Lucas Landau/Reuters

Por Rodrigo de Oliveira Andrade para a “Nature”

Um relatório preliminar divulgado no mês passado pela CAPES constatou que o interesse dos estudantes de graduação do país em seguir uma carreira acadêmica está em um ponto baixo. Após um crescimento constante entre 2015 e 2019, o número total de indivíduos inscritos em programas de mestrado e doutoramento começou a diminuir. Entre 2019 e 2022, mais de 14.000 vagas de pós-graduação foram perdidas, e 2022 teve o menor número de matrículas em pós-graduação em quase uma década.

Os programas de engenharia sofreram um impacto significativo. De 2015 a 2022, registaram-se um declínio geral no número de novos estudantes, que caiu de um pico em 2017 de 14.196 para 9.090 – uma diminuição de 36%. Os programas de pós-graduação em ciências agrárias também foram afetados, com queda de 23% desde 2015; nas ciências biológicas, esse número foi de 14%, e nas ciências da terra, foi de 12%.

“Isso é bastante preocupante”, diz Vinícius Soares, presidente da Associação Nacional de Pós-Graduação do Brasil, com sede em São Paulo. “Cerca de 90% da produção científica no Brasil envolve de alguma forma a participação de pós-graduandos e depende de suas contribuições”, acrescenta. Denise Guimarães Freire, química do Instituto de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil, diz que seu grupo passou por um declínio: “Há alguns anos, eu tinha dez alunos de pós-graduação em meu laboratório, mas agora só tenho três.”

Esses dados são do Plano Nacional de Pós-Graduação, documento publicado pela primeira vez na década de 1970 pela CAPES – órgão do Ministério da Educação de Brasília que avalia programas de pós-graduação e concede bolsas de mestrado e doutorado. O plano, que é publicado cerca de uma vez por década, contém métricas que informam a manutenção e o suporte do sistema de pós-graduação no Brasil.

Um fator óbvio que contribui para o declínio é a pandemia da COVID-19. Segundo o relatório, a suspensão das atividades presenciais gerou atraso nas inscrições, de modo que, em 2020, 25% dos programas de mestrado em 20 áreas de pesquisa tiveram mais vagas do que candidatos. Nos programas de doutoramento, 12 áreas registaram uma diminuição significativa da procura.

Falta de dinheiro

No entanto, alguns pesquisadores sugerem que esta crise poderá ter raízes estruturais que se estendem para além das perturbações pandémicas, tais como a falta de financiamento para subvenções e investigação. Soares diz que até 60% dos estudantes de pós-graduação no Brasil que fazem mestrado ou doutorado não têm bolsa ou financiamento por meio de projeto de pesquisa. No mês passado, num novo capítulo da crise de financiamento da ciência e da educação no Brasil, milhares de professores de universidades federais entraram em greve , exigindo salários mais elevados e financiamento para infra-estruturas em ruínas.

Essas circunstâncias podem levar muitos estudantes de pós-graduação a abandonarem os cursos e ingressarem no mercado de trabalho, afirma a presidente da CAPES, Denise Pires de Carvalho. Segundo dados da agência, num período de quatro anos iniciado em 2013, os programas de mestrado em engenharia tiveram uma taxa de evasão de 23%. Nos programas de doutoramento em engenharia, 21% dos alunos matriculados em 2013 abandonaram os estudos no prazo de cinco anos. “O mercado de trabalho nessas áreas é mais competitivo e oferece salários melhores do que qualquer bolsa acadêmica”, afirma Rodrigo Calado, pró-reitor de pós-graduação da Universidade de São Paulo.

Ao mesmo tempo, a inflação corroeu o valor das bolsas concedidas pela CAPES, o que também torna a pós-graduação uma perspectiva menos atraente. “Os valores das bolsas de mestrado e doutorado foram reajustados pela última vez em 2013, enquanto a inflação acumulada desde então chegou a 117%”, diz Carvalho.

No ano passado, diz ela, a agência criou 5.300 novas bolsas e aumentou o valor das bolsas de mestrado de 1.500 reais (US$ 290) para 2.100 reais por mês. As bolsas de doutorado foram aumentadas de 2.200 reais para 3.100 reais por mês. “Mas isso ainda não é suficiente para que os estudantes se dediquem em tempo integral à formação intelectual, principalmente em estados com alto custo de vida, como São Paulo e Rio de Janeiro”, diz Charles Morphy, pró-reitor associado de pós-graduação da Universidade Federal do ABC em Santo André, Brasil. Carvalho concorda, afirmando que “espera aumentar ainda mais estes valores até 2026”.

Longas distâncias

Além disso, muitos pesquisadores no Brasil descobriram que o longo tempo gasto em treinamento para uma carreira científica acadêmica não vale a pena. Geralmente, os cientistas levam pelo menos dez anos após obterem seu doutorado para conseguir um cargo permanente em uma universidade ou instituto de pesquisa. A trajetória profissional da bióloga Thaís Barreto Guedes ilustra essas dificuldades. Ela obteve seu doutorado em 2012 e realizou três bolsas consecutivas de pós-doutorado no Brasil e na Suécia.

Em 2022, aos 40 anos, ganhou uma bolsa de cinco anos para desenvolver um projeto sobre evolução de répteis e anfíbios tropicais na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Brasil. “Se eu não conseguir me firmar em uma universidade, estarei desempregado até 2027, pois não tenho contrato de trabalho com a Unicamp”, diz Guedes.

Para o biólogo Hernani de Oliveira, de 39 anos, a longa preparação e o investimento na carreira acadêmica ainda não valeram a pena.

Depois que Oliveira obteve seu doutorado na Queen Mary University of London em 2018, ele completou duas bolsas de pós-doutorado na República Tcheca e nos Estados Unidos. Em 2020, voltou ao Brasil para se firmar como pesquisador universitário, mas as oportunidades eram escassas. Ele passou a pandemia como pós-doutorado “enquanto [se candidatava a] cargos em universidades, institutos de pesquisa e agências governamentais — tudo sem sucesso”, diz ele.

Em vez disso, candidatou-se a um cargo de técnico de laboratório na Universidade de Brasília. “Sinto que meu potencial está sendo subutilizado”, diz ele. “Eu poderia estar fazendo pesquisas de alto impacto, mas em vez disso estou limpando vidros.” Olhando para trás, acrescenta ele, não escolheria seguir novamente a carreira acadêmica.

Estas duras realidades estão provavelmente a dissuadir os licenciados universitários de se inscreverem em programas de pós-graduação, dizem os entrevistados pela Nature. “Há uma percepção crescente no país de que não vale mais a pena ser professor ou pesquisador, pois as oportunidades se tornaram escassas e o salário se deteriorou devido à inflação”, diz Simon Schwartzman, sociólogo do Instituto de Estudos de Política Econômica em Rio de Janeiro. O governo estabeleceu um plano para formar 25 mil doutorados todos os anos entre 2014 e 2024, diz Schwartzman, “mas esqueceu-se de investir na infraestrutura necessária para absorvê-los”. Guedes acrescenta: “É como construir uma mansão e abandoná-la”.

DOI: https://doi.org/10.1038/d41586-024-01504-8


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Fonte: Nature

Metade dos manguezais do mundo em risco devido ao comportamento humano – mostra estudo

A perda dos ecossistemas, que são vastas reservas de carbono, seria “desastrosa para a natureza e para as pessoas em todo o mundo”, diz a UICN

Duas pessoas com macacões e máscaras de proteção azuis usam absorventes para limpar o óleo de um pequeno mangue na praia

Filipinos limpam óleo de manguezais em Mindoro após vazamento. A poluição, as condições meteorológicas extremas, a subida do nível do mar, a agricultura, o desenvolvimento e as barragens ameaçam os mangais. Fotografia: FR Malasig/EPA 

Por Patrick Greenfield para o “The Guardian”

Metade de todas as florestas de manguezais do mundo estão em risco de colapso, de acordo com a primeira avaliação especializada destes ecossistemas cruciais e reservas de carbono.

O comportamento humano é a principal causa do seu declínio, de acordo com a análise da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), com os mangais no sul da Índia, no Sri Lanka e nas Maldivas em maior risco.

Os sistemas no Mar da China Meridional, no Pacífico central e no Triângulo de Coral oriental em torno da Malásia, Papua Nova Guiné e Filipinas foram classificados como ameaçados.

The global mangrove areas are depicted above

Angela Andrade, presidente da comissão da UICN sobre gestão de ecossistemas, afirmou: “Os ecossistemas de manguezais são excepcionais na sua capacidade de fornecer serviços essenciais às pessoas, incluindo a redução do risco de catástrofes costeiras, o armazenamento e sequestro de carbono e o apoio à pesca. A sua perda será desastrosa para a natureza e para as pessoas em todo o mundo.”

Encontrados em todo o planeta, os manguezais incluem dezenas de espécies diferentes de árvores e arbustos ao longo das costas tropicais, que abrigam uma vasta gama de biodiversidade. Eles funcionam como viveiros de peixes e sustentam mamíferos tão variados quanto tigres, cães selvagens africanos e preguiças. 

 
Um tigre de Bengala à beira de uma floresta de mangue
Um tigre de Bengala nos Sunderbans indianos, a maior extensão de manguezal do mundo. Os manguezais abrigam uma enorme variedade de espécies. Fotografia: Arindam Bhattacharya/Alamy

Os ecossistemas armazenam uma quantidade desproporcional de carbono para o seu tamanho, absorvendo quase três vezes o carbono armazenado pelas florestas tropicais do mesmo tamanho.

Cerca de 15% das costas do mundo são cobertas por manguezais, mas o estudo concluiu que estes estão cada vez mais ameaçados pela subida do nível do mar, pela agricultura, pelo desenvolvimento ao longo das costas, pela poluição, como os derrames de petróleo , e pelas consequências da construção de barragens.

As fazendas de camarão, o desenvolvimento costeiro e as barragens nos rios, que alteram o fluxo de sedimentos, foram todas estabelecidas como causas anteriores de perda pelos pesquisadores. Mas as ameaças crescentes decorrentes da subida do nível do mar e da crise climática ameaçam a sua sobrevivência devido ao aumento da frequência e da gravidade das tempestades intensas .

Os investigadores utilizaram as ferramentas da UICN para avaliar o risco para os ecossistemas – semelhantes à sua lista vermelha , utilizada para calcular o risco de extinção de espécies – para realizar a investigação, que envolveu mais de 250 especialistas em todo o mundo.

“A lista vermelha de ecossistemas fornece caminhos claros sobre como podemos reverter a perda de manguezais e proteger estes delicados ecossistemas para o futuro, ajudando, por sua vez, a salvaguardar a biodiversidade, a enfrentar os efeitos das alterações climáticas e a apoiar a concretização do Quadro Global de Biodiversidade”, disse Andrade. disse.

Os manguezais no Havai e no sudeste da Polinésia não foram incluídos na avaliação porque não fazem naturalmente parte dos ecossistemas.


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Fonte: The Guardian

Ativistas ocupam escritório da Stora Enso em protesto contra as violações de direitos humanos e a degradação ambiental

No dia 29 de abril, ativistas do Extinction Rebellion, Forest Rebellion e Take Concrete Action entraram na sede sueca da Stora Enso em Estocolmo para protestar pacificamente contra o envolvimento da empresa na violenta grilagem de terras e destruição da natureza no Uruguai e no Brasil. Os ativistas são apoiados por uma manifestação do lado de fora do prédio de escritórios. Os manifestantes exigem que a Stora Enso pague pelos danos causados aos ecossistemas e comunidades locais e devolva as terras roubadas de povos indígenas e pequenos proprietários

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Por Extinction Rebellion

– A Stora Enso é uma das maiores proprietárias florestais privadas do mundo. Isso significa que a Stora Enso uma responsabilidade ainda maior de limpar sua cadeia de suprimentos e consertar seu modelo de negócios. As violações dos direitos humanos e a destruição maciça da natureza não têm lugar numa chamada “empresa sustentável”. Estamos aqui hoje para mostrar que a empresa sueco-finlandesa não pode esconder os seus crimes do outro lado do mundo. Nós os vemos”, diz Annika Leers, porta-voz da Forest Rebellion.

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A Veracel, subsidiária brasileira da Stora Enso, que onde a Stora Enso possui 50% do controle acionário, foi flagrada destruindo ecossistemas valiosos na Mata Atlântica, falsificando direitos fundiários, destruindo assentamentos em terras públicas e revendendo terras roubadas. Em várias ocasiões, a Veracel foi denunciada por tentar silenciar seus críticos – pessoas que se manifestaram foram ameaçadas de violência e presas sem acusação. Além disso, a retirada de terras agrícolas pela Veracel, em favor de grandes plantações de eucalipto, ameaça a segurança alimentar de milhões de pessoas. Além disso, os plantios de árvores da Veracel têm se mostrado prejudiciais à biodiversidade e à água doce. A situação é tão grave que o Ministério Público Federal solicitou recentemente a suspensão das operações da Veracel no sul da Bahia devido à deterioração socioambiental. No Uruguai, a subsidiária da Stora Enso, Montes del Plata, está agravando a escassez de água. A irrigação da monocultura de árvores esgotou as reservas de água doce, o que foi um dos principais contribuintes para que o país passasse por uma crise hídrica sem precedentes em 2023.

Os ativistas exigem que Stora Enso:

  • Pague reparações aos povos indígenas e locais no Brasil e no Uruguai por seus crimes, violência e destruição natural
  • Devolução de terras de povos indígenas e fazendeiros locais tomadas por meio da grilagem de terras;
  • As terras convertidas em plantações monoculturais de eucalipto deverão ser restauradas por meio de programas de restauração da natureza financiados pela Stora Enso, mas controlados por povos indígenas e comunidades locais.

A produção de celulose e o desmatamento também são uma ameaça às comunidades locais e à biodiversidade na Suécia. Os manifestantes querem que os princípios do FPIC (Consentimento Livre e Esclarecido) sejam seguidos em todos os processos relativos aos titulares de direitos indígenas em Sámi e que ocorra uma transição da floresta de corte raso de hoje para a floresta próxima da natureza. A transição deve ser acompanhada de uma compensação justa e de um apoio aos trabalhadores florestais, bem como de oportunidades de reconversão profissional na conservação da natureza e na silvicultura próxima da natureza.

– À medida que os sistemas globais de suporte à vida em nosso planeta começam a entrar em colapso, a Stora Enso continua a destruir valiosos ecossistemas florestais nos países nórdicos e na América Latina. Por meio da Veracel, a Stora Enso é responsável por silenciar os críticos, colocando-os na prisão com métodos mafiosos e corrupção local no Brasil. Tudo para encher os bolsos da gestão da Stora Enso aqui em Estocolmo”, diz Jakob, ativista da Forest Rebellion.

A ação faz parte de uma campanha de longo prazo e colaboração entre ativistas na Suécia, Finlândia e América Latina visando a Stora Enso.


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Fonte: Extinction Rebellion

IPT e o atendimento de emergência no Sul

O pesquisador Marcelo Fischer Gramani, do IPT, faz um relato do recente atendimento ao estado do Rio Grande do Sul, no momento em que a região é assolada por chuvas de grande intensidade

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Gramani, do IPT (E), conversa com moradores e autoridades em Teutônia/RS 

O Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT cumpre mais uma vez um dos seus papéis relevantes, sempre buscando superar os desafios da sociedade com apoio à população por meio da ciência, tecnologia e inovação. A ação foi realizada em apoio à primeira equipe da Defesa Civil do Estado de São Paulo mobilizada neste atendimento. 

“A convocação chegou na madrugada, aos cinco minutos do dia 1º de maio! O Governo do Estado de São Paulo decidiu enviar uma equipe técnica para ajudar o Rio Grande do Sul, assolado pelo maior desastre ocorrido na região. Era urgente a necessidade de profissionais para apoiar as equipes de resposta ao resgate, busca e salvamento. Às 07h30 daquele dia, um grupo de agentes da Defesa Civil de São Paulo e do IPT seguiu para o município de Lajeado.

Durante a viagem recebemos dados meteorológicos, orientações a respeito da segurança dos locais e procedimentos para atender a mais uma emergência, um serviço que o IPT presta à Defesa Civil Estadual há mais de 30 anos.

A situação nos municípios gaúchos atingidos ainda era desconhecida. Chegar no município de Lajeado já não era possível. A ponte que fazia a ligação entre os municípios de Estrela e Lajeado estava obstruída, praticamente coberta pelas águas do rio Taquari… eram 23h15 do dia 1º.

Ficamos isolados em Estrela, cidade castigada pelo impacto das águas da inundação e, naquele momento, sem luz, água e comunicação. Este foi o início de um roteiro de atendimento de emergência de grandes proporções. Aos poucos, com moradores e gestores tendo conhecimento da presença de um geólogo na região, foram chegando os pedidos de vistorias nos morros e nas áreas de baixada.

Trincas, rachaduras, cicatrizes de escorregamentos e água brotando aqui e ali. Intensos escoamentos nas encostas eram as principais evidências, que elevavam o grau de risco. Teutônia, Westfália, Colinas, Roca Sales, Arroio do Meio e Estrela foram os primeiros municípios vistoriados após chuvas da ordem de 730 milímetros, acumulados em apenas quatro dias! Entramos na fase de mitigação dos riscos, preparando as equipes das prefeituras e a população que se encontrava em áreas de risco.

Em paralelo aconteciam as ações de ajuda humanitária! É a fase da assistência e acolhimento, pois começam a chegar nos centros de distribuição milhares de materiais de doação. Nesse momento o geólogo, ou outro profissional, passa a integrar as equipes para vistoriar abrigos, carregar e descarregar caminhões etc.

Tenho no currículo cerca de 120 atendimentos emergenciais em dezenas de municípios fora do estado de São Paulo. Conhecendo a situação, muitas vezes precária, das ocupações no Brasil, precisamos estar prontos para novas situações de emergência que, certamente, virão.”

Crise climática causou níveis recordes de perda de gelo marinho na Antártica

Derretendo rápido….

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Pelo “The Canary”

Os cientistas demonstraram mais uma vez que a crise climática está dizimando o único e gelado continente desabitado do mundo. Em 2023, os pesquisadores registraram a menor extensão de gelo marinho de todos os tempos na Antártica. Agora, um novo estudo lançou luz sobre o papel que o colapso climático desenfreado está  tendo nesta situação. De forma alarmante, está causando estragos na biodiversidade única da região polar sul.

Declínio do gelo marinho da Antártica

Em 20 de maio, os cientistas publicaram um novo estudo contundente sobre a extensão do gelo marinho na Antártida. Especificamente, revelou o papel fundamental que a crise climática teve nos níveis recorde de gelo marinho da Antártica do ano passado.

Cientistas da Pesquisa Antártica Britânica (BAS) descobriram que o aquecimento global impulsionado pelo capitalismo dos combustíveis fósseis resultou num nível mais baixo de gelo na superfície do oceano, uma vez em 2.000 anos.

Em comparação com um inverno médio das últimas décadas, a extensão máxima do mar Antártico coberto por gelo diminuiu em dois milhões km2. De forma alarmante, isto equivale a uma área quatro vezes maior que a França.

Os cientistas do BAS analisaram 18 modelos climáticos distintos. Através destes, descobriram que a crise climática quadruplicou a probabilidade de eventos de derretimento tão grandes e rápidos. Estas foram as conclusões de um novo estudo publicado na revista Geophysical Research Letters .

Crise climática, uma variável chave

Compreender a causa do derretimento do gelo marinho é complexo, pois existem muitas variáveis. Notavelmente, os cientistas disseram que a água do oceano, as temperaturas do ar e os padrões do vento podem afetá-lo.

No entanto, determinar o papel da degradação climática é fundamental. Isto é particularmente verdade, uma vez que a formação de gelo tem impactos globais, desde as correntes oceânicas até à subida do nível do mar.

Tal como o The Canary relatou anteriormente , embora alguns cientistas acreditem que os padrões de vento podem ser a principal causa da perda de gelo marinho na Antártida, os cientistas têm sugerido que a crise climática é provavelmente também um factor considerável. Agora, este novo estudo determina que este é o caso.

O próprio gelo marinho, que se forma a partir do congelamento da água salgada já existente no oceano, não tem impacto perceptível no nível do mar. Especificamente, isso ocorre porque a neve e o gelo são altamente refletivos. Então, quando isso dá lugar ao oceano azul escuro, a mesma quantidade de energia do Sol que foi devolvida ao espaço é absorvida pela água. É claro que isto acelera o ritmo do aquecimento global.

A principal autora do estudo, Rachel Diamond, disse à AFP que:

É por isso que estávamos tão interessados ​​em estudar o que os modelos climáticos podem nos dizer sobre a probabilidade de ocorrerem perdas grandes e rápidas como esta.

No Ártico, o gelo marinho tem diminuído desde que os registos de satélite começaram na década de 1970. Por outro lado, a tendência de derretimento na Antártida é um fenómeno mais recente. De acordo com a BAS, o gelo marinho da Antártida aumentou “ligeira e continuamente” de 1978 a 2015.

No entanto, 2017 trouxe um declínio acentuado, seguido por vários anos de baixos níveis de gelo. Dadas estas tendências, os investigadores do BAS também fizeram projeções para ver se o gelo regressaria. Diamond disse à AFP que:

Não se recupera completamente aos níveis originais, mesmo depois de 20 anos.

Além disso, ela explicou que isso significa que:

o gelo marinho médio da Antártica ainda pode permanecer relativamente baixo nas próximas décadas

Perda de gelo impulsionando a crise da biodiversidade

A coautora Louise Sime expôs as repercussões disso em termos da crise de biodiversidade em curso. Ela disse que:

Os impactos… seriam profundos, inclusive no clima local e global e nos ecossistemas únicos do Oceano Antártico – incluindo baleias e pinguins

Por exemplo, tal como relatou o HG do The Canary em Agosto de 2023, outro estudo demonstrou as consequências devastadoras da perda de gelo marinho nas populações de pinguins-imperador. Conforme ela relatou, o estudo BAS publicado na revista Nature Communications Earth & Environment descobriu que:

em 2022, a extensa perda regional de gelo antártico causou falhas reprodutivas “catastróficas” em quatro grandes colônias de pinguins-imperadores. Esta é a primeira vez registrada que um estudo documenta um colapso tão generalizado na reprodução de colônias.

Criados nas camadas de gelo, eles morreram quando foram mergulhados no oceano antes de desenvolverem suas penas impermeáveis. Além disso, calculou que:

A perda de gelo marinho poderá levar 90% das colónias de pinguins-imperadores à extinção até ao final do século. Especificamente, este declínio devastador ocorrerá se os actuais níveis de aquecimento global continuarem.

Este novo estudo mostra mais uma vez como a intensificação da crise climática está a causar estragos. Crucialmente, está a exacerbar a subida do nível do mar, a destruir habitats vitais e a ameaçar a biodiversidade. À medida que as evidências aumentam, os riscos para as pessoas e para o planeta são cada vez maiores.

Imagem de destaque via Hannes Grobe/AWI/Wikimedia , cortada e redimensionada para 1200 por 900, licenciada sob CC BY 3.0

Reportagem adicional da Agence France-Presse


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Fonte: The Canary

ADUENF lança nota sobre incêndio no CCH e alerta para a “crônica de uma tragédia anunciada”

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O pequeno incêndio ocorrido na noite do dia 17 de maio no Centro de Ciências do Homem (CCH) serviu de alerta para um problema que a ADUENF vem denunciando à Reitoria da UENF há vários anos: as condições precárias das instalações da universidade. Falhas estruturais, combinadas à presença de agentes químicos e biológicos nos laboratórios, podem colocar em risco a saúde e a vida de estudantes, docentes e servidores administrativos.

A precariedade da estrutura física foi evidenciada em diversas ocasiões. No retorno presencial após a pandemia de COVID-19, por exemplo, a ADUENF denunciou a falta de condições adequadas para garantir a distância mínima entre as pessoas durante as atividades acadêmicas, assim como a existência de salas de aula sem janelas ou com ventilação inadequada. Diante do silêncio por parte da Reitoria, a Associação ingressou com um processo no Ministério Público do Trabalho (MPT) pedindo mediação sobre temas relacionados à saúde no ambiente de trabalho na universidade.

A ADUENF também moveu uma Ação Civil Pública em favor da realização periódica das perícias para correta verificação de agentes insalubres e/ou perigosos no ambiente de trabalho, fornecimento de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e elaboração de Perfis Profissiográficos Previdenciários (PPPs) e Laudos Técnicos das Condições do Ambiente de Trabalho (LTCATs). A ação foi julgada procedente pelo juiz da 4ª Vara Cível de Campos, Dr. Leonardo Cajueiro, em 21 de agosto de 2023. A Reitoria recorreu.

Conforme mapas de risco elaborados pelos chefes de laboratório e contidos no Processo SEI 260009/005365/2021, os espaços de pesquisa da UENF concentram uma série de agentes químicos e material biológico que, além de oferecem riscos à saúde, podem provocar uma catástrofe em caso de incêndio.

Diante dos fatos, o que ocorreu no CCH no dia 17 de maio não pode ser tratado como um incidente sem grandes consequências. Pelo contrário, pode configurar como a crônica de uma tragédia anunciada, caso não sejam adotadas providências.

Neste sentido, a ADUENF cobra que a Reitoria da UENF adote medidas urgentes para garantir a segurança das instalações da universidade e preservar a integridade da comunidade acadêmica.

É fundamental que a universidade continue produzindo e multiplicando saberes. Mas nunca é demais lembrar que, antes de tudo,  ela é feita de pessoas. Estamos falando em vidas. E vidas são prioridade.

DIRETORIA ADUENF-SESDUENF
Gestão União na Luta: Em Defesa da Universidade Pública e das Liberdades Democráticas
Biênio 2023/2025

Em chamas: as florestas tropicais estão em condições críticas

As pesquisas mais recentes mostram um número crescente de incêndios

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Floresta tropical carbonizada na Venezuela (março de 2024) 

Por Norbert Suchanek para o “JungeWelt”

Para conter o aquecimento global é essencial parar a destruição das florestas tropicais e preservar as florestas tropicais existentes. Mas o mundo ainda está muito longe disso. Esta é a conclusão do relatório sobre a situação global das florestas apresentado em Abril pelo World Resources Institute (WRI) em Washington. A desflorestação global das florestas tropicais caiu ligeiramente no ano passado em comparação com 2022 – em cerca de 4.000 quilómetros quadrados. No entanto, estamos longe de atingir as metas de proteção florestal para 2030, segundo o relatório do WRI. Em 2023, um total de 37 mil km2 de floresta foram destruídos nos trópicos: dez campos de futebol por minuto. A desflorestação aumentou especialmente no Laos, na Nicarágua, na Indonésia, bem como na Bolívia e na República Democrática do Congo.

Tanto na Indonésia como na Bolívia, a perda de floresta primária aumentou 27% em 2023. Com a destruição de uma área de 4.905 km2, o país vizinho do Brasil registrou a terceira maior perda de floresta primária de todos os países tropicais. Segundo o WRI, a expansão dos campos de soja, em particular, é uma das principais razões para o desmatamento na Bolívia. No ano passado, 5.261 quilómetros quadrados de floresta tropical foram vítimas de motosserras e incêndios na República Democrática do Congo. A Bacia do Congo é considerada a última grande região tropical em que a floresta absorve mais carbono do que emite.

De acordo com dados do WRI, o desmatamento no Brasil caiu significativamente em 36% em 2023, mas continua sendo o país com a maior destruição de florestas tropicais no mundo em termos de área. O país sul-americano perdeu cerca de 11 mil km2 de floresta primária no ano passado, mais do dobro da República Democrática do Congo.

As inundações catastróficas no estado do Rio Grande do Sul, no sul do Brasil, que já foi amplamente desmatado, estão atualmente dominando as manchetes da mídia de massa, mas ao mesmo tempo as florestas tropicais do Brasil no norte, oeste e sudeste do país estão cada vez mais pegando fogo novamente.

De acordo com dados atuais do Instituto de Pesquisas Espaciais (INPE), responsável pelo monitoramento florestal por satélite, os incêndios florestais no norte do Brasil aumentaram 164% entre 1º de janeiro e 15 de maio deste ano, 94% no centro e oeste do país. no Brasil e em 42% no sudeste brasileiro, o percentual aumentou em comparação com o mesmo período do ano passado. O INPE relata, de longe, o maior número de focos de incêndio na região amazônica: lá, os satélites já registraram 9.817 focos de incêndio maiores este ano, em comparação com apenas 4.229 nos primeiros cinco meses do ano anterior. As coisas são ainda piores para as florestas da maior, mas ainda em declínio, zona húmida interior do planeta: o Pantanal, no oeste do Brasil. 777 incêndios este ano representam um aumento de 1.095 por cento em comparação com 2023.

Os estados amazônicos da Venezuela, Guiana, Suriname, Bolívia e Colômbia também registraram um aumento significativo de incêndios florestais nos primeiros cinco meses do ano, com a Guiana e o Suriname na liderança. No Suriname, os incêndios aumentaram dez vezes este ano e na Guiana, dados de satélite mostram 342% mais incêndios.

Na África tropical o cenário não é diferente. Os incêndios nas florestas tropicais húmidas de África duplicaram nas últimas duas décadas, de acordo com um novo estudo publicado no início de Maio na revista científica Geophysical Research Letters .

Os cientistas sabem há muito tempo que incêndios também podem ocorrer nas florestas tropicais da África Ocidental e Central. Mas até agora estes incêndios florestais tropicais quase não foram registados e investigados. As florestas tropicais africanas são consideradas um sumidouro de carbono globalmente importante, que remove mais dióxido de carbono da atmosfera por ano do que a Amazónia.

O artigo de investigação “O aumento da actividade do fogo nas florestas tropicais africanas está associado à desflorestação e às alterações climáticas”, elaborado por uma equipa de cientistas da Universidade de Oklahoma, é agora a primeira análise abrangente dos incêndios, em grande parte provocados pelo homem, nas florestas tropicais de África. A equipa liderada por Michael Wimberly avaliou imagens de satélite de 2003 a 2021 na África Ocidental e Central, incluindo a Bacia do Congo, e encontrou um claro aumento na frequência de incêndios durante o período de estudo.

“Havia várias zonas onde a tendência era de haver mais incêndios, nomeadamente na Bacia do Congo. Em contraste, quase não houve locais onde o número de incêndios diminuiu”, escrevem os autores. Os incêndios também ocorreram em regiões onde ocorria desmatamento e o clima estava se tornando mais quente e seco devido às mudanças climáticas globais. “Fiquei surpreso com o quão forte e claro era o sinal climático”, diz o líder da pesquisa, Wimberly. De acordo com o estudo, o aumento dos incêndios florestais provavelmente continuará à medida que o aquecimento global continuar. Além disso, o desmatamento aumenta a vulnerabilidade das áreas de floresta tropical ao fogo, especialmente nas zonas periféricas onde prevalece um microclima mais seco. Os cortes rasos fragmentaram as florestas remanescentes, aumentando a extensão das bordas expostas da floresta onde ocorre a maioria dos incêndios.

“Estes resultados contrastam com as conclusões das florestas e savanas africanas mais secas, onde os incêndios diminuíram constantemente nos últimos anos. Tendências crescentes de incêndios estão ocorrendo onde ocorre uma rápida perda de floresta, e essas tendências são acompanhadas pelo aumento das temperaturas e pela secagem atmosférica”, concluem os pesquisadores. É provável que os incêndios florestais continuem a aumentar à medida que as temperaturas aumentam e a desflorestação continua, com impactos negativos no armazenamento de carbono, bem como na biodiversidade e nos meios de subsistência humanos provenientes dos recursos florestais.


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Fonte: JungeWelt