Em plena expansão da variante Delta, crianças campistas serão enviadas para “covidários” presenciais

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Em plena disseminação da perigosíssima variante “Delta” no Brasil, eis que como pai estou sendo praticamente forçado a recolocar o meu filho em aulas presenciais que estão sendo impostas pela rede particular de ensino de Campos dos Goytacazes, sob os auspícios da gestão do prefeito Wladimir Garotinho (PSD).

Essa predisposição de jogar roleta russa com a saúde de de milhares de crianças vem acompanhada de um “termo de responsabilidade” que coloca sob os pais toda a carga em caso de algum filho adoecer com COVID-19.  Esse termo de responsabilidade recaindo sobre as costas dos pais é um atestado de incapacidade das escolas cujos proprietários sabem que não têm como garantir a perfeita higienização dos ambientes escolares ou, tampouco, impedir que crianças sejam crianças e passem a ter a interação física que as faz crianças.

O interessante é que a maioria das  escolas certamente está reinserindo os seus estudantes/clientes dentro das escolas sem que os profissionais de educação estejam pelo menos com a primeira dose da vacina.  Essa seria uma obrigação mínima para a retomada da presença das crianças nas escolas, mas nem isso a Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes  cuidou de colocar como obrigação dos proprietários como condição para a retomada das aulas presenciais. E friso novamente: em plena disseminação da variante Delta!

A consequência disso que narrei é que as crianças campistas não estão sendo retornadas para escolas, mas para covidários.  Quero apenas ver como ficarão os proprietários e os gestores públicos que estão permitindo que isso venha a ocorrer quando os primeiros surtos ocorrerem.  Adianto que de minha parte não haverá sossego para os que estão operando essa transformação.

E eu pergunto para que está se fazendo isso? Pela preocupação com a aprendizagem das crianças ou para a retomada das receitas geradas quando as crianças estão presencialmente nas escolas (agora transformadas em covidários)?

Tchau, carvão: BNDES finalmente deixa o sujo mineral para trás

Grande dia para o meio ambiente! Novo diretor de crédito produtivo e socioambiental, Bruno Aranha, inicia processo de estruturação para que o banco descarbonize suas carteiras

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FOTO: Landau | Em manifestação 350.org Brasil e pescadores artesanais da AHOMAR denunciaram os altos investimentos do BNDES em combustíveis fósseis

O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), um dos maiores financiadores de projetos na área de infraestrutura no país, definiu que não dará mais crédito para termelétricas a carvão, e o setor foi incluído formalmente na lista de exclusão do banco.

Em entrevista à revista Reset, o recém iniciado diretor de crédito produtivo e socioambiental, Bruno Aranha afirmou: 

“Não financiaremos mais térmicas a carvão, independentemente da tecnologia empregada ou de qualquer outra coisa” 

Como consequência da exclusão das térmicas, projetos de mineração de carvão voltados a abastecê-las também deixam de ser elegíveis para crédito do banco a partir de agora.

Colocar o carvão na lista foi um primeiro passo. 

“Estamos revisando nossa lista de exclusão, das atividades que não apoiamos financeiramente. O carvão foi a principal novidade até agora, mas estamos estudando outras possibilidades”, diz Aranha, que, além da nova diretoria, coordena um projeto para adequar a governança do banco à agenda ESG. “A ideia é que o BNDES esteja preparado e evoluindo sempre para ser um player relevante no desenvolvimento sustentável.”

Para Ilan Zugman, diretor da 350.org América Latina, essa decisão foi uma grande vitória para  a política climática no Brasil. 

“Isso é uma vitória incrível para o Brasil. No ano passado, denunciamos em frente à sede do BNDES o investimento absurdo de mais de 92 bilhões de reais em combustíveis fósseis. Ou seja, dinheiro que foi investido para acelerar as mudanças climáticas e prejudicar comunidades locais.”, celebrou Zugman.

É urgente que o BNDES e outros bancos implementem metas mais agressivas para descarbonizar suas carteiras, parando de “queimar” o dinheiro do cidadão em setores que só pioram a emergência climática e concentram lucros nas mãos de poucas grandes empresas. Ou fechamos a torneira para os poluidores ou vamos sofrer ainda mais com as consequências do aquecimento global.“, finalizou o ativista.

Por ora, o segmento de óleo e gás segue apto a receber recursos, mas Aranha diz que a política não se esgota em excluir os setores mais controversos. E direciona em seu discurso uma intenção em forçar o mercado de energia a repensar sua pegada e aumentar o portfólio de energias renováveis.   

Vale destacar que o Idec, Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor, junto de Conectas Direitos Humanos, Instituto Sou da Paz e Proteção Animal Mundial, já desenvolvem há muitos anos um importante trabalho de avaliar e pressionar os bancos por melhores políticas socioambientais – Guia dos Bancos Responsáveis, com o objetivo de oferecer aos consumidores um panorama sobre o que as instituições financeiras fazem com seu dinheiro, que tipo de empresas financiam e se consideram aspectos como, por exemplo, desmatamento, respeito aos direitos humanos e relações trabalhistas. 

Os resultados dos bancos brasileiros são baixos, mas na pesquisa, o BNDES é considerado o “menos pior”, ficando na frente de Santander, Banco do Brasil, Bradesco, BTG Pactual, BV, Caixa, Itaú, Safra, entre outros. Com certeza esse posicionamento claro sobre investimento em carvão fará o banco se destacar, e esperamos que esteja puxando uma tendência no mercado.   

Nós da 350.org comemoramos, mas continuaremos alertas e cobrando por mais! Precisamos desinvestir em combustíveis fósseis, JÁ! 

Relembre a manifestação em frente ao BNDES:

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Este texto foi originalmente produzido e publicado pela 350.org [Aqui!].

Estudo comprova ocorrência de botos amazônicos em novas áreas no Amapá

Conhecimento das comunidades locais ajudou na descoberta que intriga os pesquisadores. Especialistas sugerem que os botos podem ter chegado na região pelo mar

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Boto-cor-de-rosa – Rio Negro,  Credito naturepl.com _ Mark Carwardine _ WWF

Um estudo desenvolvido pelo WWF-Brasil, Instituto Mamirauá e IEPA (Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá) comprovou a existência de botos-cor-de-rosa (Inia geoffrensis), tucuxis e botos-cinza (Sotalia fluviatilis, S. guianensis) em uma extensão de 4.224 km de rios no estado do Amapá, em uma região onde não se tinha confirmação da existência desses animais. A descoberta que mais intrigou os pesquisadores foi a presença de botos no rio Cassiporé, um rio isolado no extremo norte do estado, e sem conexão continental com outros rios.

O estudo foi desenvolvido com dados coletados ao longo de 12 anos e utilizou uma abordagem multidisciplinar com visitas de campo, pesquisas bibliográficas e depoimentos com comunitários e ribeirinhos. “O conhecimento dos povos tradicionais é um dos pontos que utilizamos neste projeto e os relatos apontados por eles quase sempre se confirmam no campo. Tudo é novo, pois não havia nada publicado sobre estes animais naquela região; estamos escrevendo a história dos mamíferos aquáticos do Amapá agora”, afirma Miriam Marmontel, líder do Grupo de Pesquisa em Mamíferos Aquáticos Amazônicos do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá.

Segundo o estudo, o Amapá pode ser considerado uma nova fronteira econômica da Amazônia, principalmente devido à expansão agrícola, ao potencial energético com a instalação de usinas hidrelétricas e outras atividades, como a pecuária de búfalo. Segundo o especialista em conservação do WWF Brasil, Marcelo Oliveira, as estimativas populacionais, estudos ecológicos e genéticos de diversas regiões da Amazônia são ferramentas essenciais para orientar as estratégias de conservação, manejo e desenvolvimento sustentável especialmente neste momento de expansão da região. “A descoberta da existência da espécie em uma área muito maior do que se esperava reforça que ainda há muito a se descobrir sobre a Amazônia. O conhecimento da distribuição geográfica das espécies é fundamental para responder a muitas questões ecológicas e sustenta o manejo de conservação eficaz”, afirma Oliveira.

A grande surpresa do estudo foi a comprovação da existência de botos, golfinhos de água doce, no rio Cassiporé e ainda é um mistério como esses animais chegaram até lá. O rio fica no extremo norte do estado do Amapá e só tem conexão com outros grandes rios pelo mar. “Acreditamos que em épocas de grande vazão do rio Amazonas tenha sido possível uma migração destes animais por uma região próxima à costa onde, durante esses períodos, forte fluxo de água doce forma a pluma do rio Amazonas”, diz Oliveira.

De acordo com Claudia Funi, especialista de geoprocessamento do IEPA, os moradores da região já conheciam a existência dos botos. “Mas, essa é uma informação nova para a ciência. E quando realizamos o trabalho vimos que eles estão mais associados à planície costeira em quase todas as bacias da região. O que não sabemos ainda é se eles migram de uma bacia para outra pela costa ou no inverno pelos campos alagados”, afirma Funi.

A região abriga a maior extensão de manguezais do mundo e também é área de ocorrência do fenômeno conhecido como pororoca, que é quando as diferenças de maré e a influência da lua cheia ou nova formam verdadeiras paredes de ondas nos rios. “Ainda precisamos entender como é a relação desses animais com o mangue e se eles seguem migrando para outros rios pelo mar”, afirma Marmontel.

Exemplo da Ásia

Os botos são um grupo particularmente vulnerável de cetáceos de água doce, distribuídos em apenas 14 países na Ásia e na América do Sul. Todas as espécies estão ameaçadas pela modificação de seus habitats. Na Ásia, ao longo dos últimos anos, foram realizados diversos esforços e investimentos para a avaliação de ameaças e impactos às espécies de botos. Porém, os resultados como estimativas populacionais e distribuição geográfica chegaram tarde demais para algumas espécies. Os impactos causados nos habitats foram tão severos que uma espécie foi extinta, o baiji no rio Yangtze, e outras apresentam populações com aproximadamente 1000 indivíduos. 

No entanto, a região amazônica mantém a maior população de botos do mundo, a maior parte no Brasil. A Amazônia brasileira abrange nove estados, e muitos desses territórios carecem de informações confiáveis ​​sobre a ecologia dos botos. “Apesar da grande pressão e ameaças que existem na região, ainda há tempo para entendermos os impactos e o que podemos fazer não só para garantir um desenvolvimento sustentável para a região como também para que possamos proteger estas espécies e os rios da Amazônia”, explica Oliveira.

Ameaças

Na região central do estado, na bacia do rio Araguari, a construção de três hidrelétricas, entre outros fatores, isolou populações e mudou a vazão do rio, extinguindo a pororoca. “Aquela grande onda que atraia campeonatos internacionais de surf e turistas do mundo todo não existe mais”, afirma Marcelo Oliveira.

Entre as barragens, o estudo aponta que os grupos de botos-cor-de-rosa limitados pela barreira física tendem a deixar de existir. “Tudo que fazemos gera impacto para a natureza em geral. E nos botos temos influenciado diretamente, especialmente ao construir essas grandes estruturas, barragens, pois impedem o acesso deles e mudam a dinâmica dos rios na região e não sabemos como isso afeta a capacidade de sobrevivência de longo prazo dos botos”, explica Marmontel.

Outra ameaça às espécies da região é o cultivo de búfalos na região, que alteram a paisagem hidrológica da região com o pisoteamento de diversas áreas. “Os búfalos divergiram os canais do Araguari, que reduziram a força da água no rio. Essas mudanças hidrológicas também afetam diretamente a vida dos botos”, diz Oliveira.

Além das mudanças hidrológicas, a presença do garimpo também contribui para o acúmulo de metais pesados, como o mercúrio, nos botos. “O mercúrio é um metal que vai se acumulando na cadeia alimentar e se concentra nos botos por serem animais topo de cadeia. Não há clareza de como isso pode prejudicar a vida deles e precisaremos entender isso o quanto antes. Nos homens, este metal afeta a capacidade neurológica e é a causa de várias outras doenças”, explica Marmontel.

Apagão de dados no CNPq representa o auge da desconstrução da ciência brasileira pelo governo Bolsonaro

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Se as informações fornecidas pelo jornalista Marcelo Hailer, do “Fórum”, o que aconteceu no CNPq é mais grave do que o prosaico informe postado pela diretoria da principal agência de fomento nacional. Segundo Hailer, o que aconteceu foi que o servidor onde estavam depositadas as plataformas do CNPq “queimou” sem que houvesse um sistema de back up.

Em outras palavras, tudo o que estava armazenado nas plataformas do CNPq, a começar pela Base Lattes, pode ter sido perdido. Se isso de fato aconteceu, estamos diante da perda de décadas de informações científicas que ali estavam depositadas nos currículos dos pesquisadores brasileiros.

Como vivemos um período em que informação é mais uma commodity, essa perda, se confirmada, trará custos monstruosos para o Brasil, em um momento em que inexistem verbas sequer para necessidades básicas dos pesquisadores brasileiros.

Em outras palavras, podemos estar diante de um mega apagão de dados científicos com prejuízos incalculáveis. Agora veremos o que fará o dublê de ministro e vendedor de travesseiros, o tenente-coronel aviador Marcos Pontes. Provavelmente o que faz desde que sentou na cadeira de ministro, ou seja, nada.

Depois de ficar sem verbas para pesquisa, CNPq fica com sistemas indisponíveis

No governo Bolsonaro, nada está tão ruim que não possa piorar

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A situação de completa asfixia financeira que tem sido imposto às agências federais de fomento à pesquisa científica e tecnológica pelo governo Bolsonaro deixou o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) completamente incapaz de atender as necessidades mínimas de fomento de centenas de grupos de pesquisa e empurrou uma quantidade de jovens pesquisadores para o exílio, no que se configura em uma lamentável fuga de cérebros.

Mas como a primeira “Lei de Murphy” bem diagnostica, nada que está tão ruim que não possa piorar. Eis que agora todos as plataformas do CNPq se encontram indisponíveis (a começar pela celebrada Plataforma Lattrs), deixando os pesquisadores brasileiros em um voo na escuridão.

A diretoria do CNPq respondeu a essa situação inédita circulando um informe onde diz que está tomando as providências para “o restabelecimento dos sistemas após evento (indeterminado, grifo meu) que causou a indisponibilidade das plataformas (ver imagem abaixo).

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Se depender da habilidade e disponibilidade para o trabalho do ministro e dublê de astronauta, o tenente-coronel aviador da reserva da Aeronáutica Marcos Pontes, uma coisa é certa: as plataformas do CNPq continuarão indisponíveis até o final do trágico governo que ele compõe. 

O problema é que esse governo ainda durará longos dezenove meses e os estragos que ainda poderá causar ao futuro do sistema científico nacional são incontáveis, e resistir a esse desmanche programado será uma tarefa central não apenas da comunidade científica, mas de todos os que desejam defender a capacidade do Brasil de gerar conhecimento de ponta. Às ruas, pesquisadores!

Oxfam Brasil lança relatório “Mancha de Café”

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Nos últimos anos, a produção de café no Brasil já foi alvo de inúmeros relatórios e denúncias sobre as condições dos trabalhadores assalariados rurais. Informalidade, pobreza e trabalho escravo são alguns dos problemas recorrentes. A Oxfam Brasil volta a analisar, após 16 anos, a situação do café brasileiro, com foco especial em Minas Gerais, o principal produtor do país, com o relatório Mancha de Café.

Encontramos uma rotina de violações de direitos básicos dos trabalhadores e trabalhadoras rurais assalariados que atuam nas plantações de café de Minas Gerais, como trabalho análogo à escravidão, baixos salários, desrespeito aos direitos das mulheres e falsas promessas que levam esses trabalhadores a condições de extrema vulnerabilidade.

O relatório Mancha de Café mostra também a responsabilidade direta de grandes supermercados, cooperativas e outras empresas na situação em que se encontram trabalhadores e trabalhadoras assalariados na cadeia do café. Com o aumento do poder econômico e a influência nas cadeias de alimentos de grandes supermercados e outras grandes empresas, esses atores precisam fazer uma análise mais profunda da cadeia do café no Brasil e a estabelecerem políticas corporativas e mecanismos que busquem garantir os direitos de trabalhadores rurais ali envolvidos.

Este projeto teve apoio da Agência Sueca de Cooperação para o Desenvolvimento Internacional (SIDA).

Você pode ajudar a mudar essa situação.

Peça aos grandes supermercados brasileiros – Pão de Açúcar, Carrefour e Grupo Big – que façam a sua parte!

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Ao longo de 2020, 140 trabalhadores rurais foram resgatados de condições análogas à escravidão no cultivo de café no Brasil – 100% deles estavam em lavouras de Minas Gerais. Os dados são da Subsecretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), órgão do Ministério da Economia.

A riqueza gerada pelo café – recordes de safra e exportação – não chega a quem planta e colhe o grão no campo. Trabalhadores e trabalhadoras em Minas Gerais são mal pagos e estão em situação de extrema vulnerabilidade econômica e social.

Quando chega o período da safra do café em Minas Gerais, a informalidade entre trabalhadoras e trabalhadores rurais cresce quase 10%. Ou seja, quando o setor cafeeiro gera mais empregos, cai a qualidade desse emprego, diminui a renda e aumenta a desigualdade.

A lacuna entre o salário médio praticado nas lavouras de café em Minas Gerais e um salário que permita uma vida minimamente digna foi de 41%.

Mulheres que trabalham nas lavouras de café em Minas Gerais ganham menos do que os homens atuando nas mesmas funções. E nos cargos que pagam mais – de supervisão e tratoristas – não há mulheres.

Baixe o relatório:

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Este texto foi publicado originalmente pela Oxfam Brasil [Aqui!].

Preço do glifosato aumenta 300% e deixa consumidores brasileiros com altos níveis de ansiedade

Nos últimos dez anos, o preço do glifosato atingiu um novo máximo devido a um desequilíbrio na estrutura de oferta e demanda e ao aumento do preço das matérias-primas upstream. 

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No curto período, não se viu aumento na capacidade de produção do Glifosato. Portanto, um novo aumento de preço está previsto. Diante da situação, a AgroPages teve a oportunidade de convidar uma equipe de especialistas do Brasil e de outras regiões para realizar uma pesquisa de mercado detalhada no mercado de terminais de glifosato de grandes países como Brasil, Paraguai e Uruguai, para obter uma compreensão básica do fornecimento atual , estoque e status de preços do glifosato em diferentes mercados. 

O resultado da pesquisa mostra que o mercado de glifosato na América do Sul está muito apertado,  com estoques  insuficientes mesmo com o preço deste agrotóxico disparado. No Brasil, a safra de soja está prestes a começar em setembro. Nessas circunstâncias, há ansiedade no mercado e não sobra muito tempo para os agricultores.

Os preços de mercado das formulações convencionais aumentaram quase 300% no ano passado

A equipe de pesquisa da Agropages entrevistou cinco grandes distribuidores brasileiros nos principais estados agrícolas – Mato Grosso, Paraná, Goiás e Rio Grande do Sul, e recebeu respostas a 32 questionários. Foram entrevistados dois grandes distribuidores no Paraguai, além do presidente da associação de plantadores agrícolas da cidade de Santa Rita Cidade do Paraguai. No Uruguai, a equipe de pesquisa conheceu um negociante de material agrícola que realiza anualmente um grande número de negócios com cooperativas e empresas agrícolas.

A pesquisa revela um aumento significativo no preço das formulações de glifosato convencionais. Até agora, o preço do glifosato no mercado brasileiro subiu de 200% a 300% em relação ao mesmo período do ano passado. Tomando 480g /LAS, como exemplo, seu preço recente no Brasil atingiu US$ 6,20-7,30/L. De acordo com a Consultoria Congshan, em julho de 2020 o preço unitário do glifosato 480g/LAS no Brasil estava entre US $ 2,56-3,44 / L, que quase triplicou ano a ano, sendo calculado à taxa de câmbio de 0,19 entre o real brasileiro e os EUA dólar. O maior preço do glifosato 79,4% WSG atingiu US $ 12,70-13,80 / kg no Brasil.

Preços convencionais de formulação de glifosato ($) no Brasil, Paraguai e Uruguai em 2021

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O preço de mercado terminal do glifosato no Brasil em 2020 (real brasileiro)

QQ 截图 20210716155803.pngFonte de dados: Hills Consulting

Em comparação com o preço atual do glifosato no mercado chinês (à taxa de câmbio de 0,15 entre o Yuan e o dólar), o preço do glifosato a granel 480g / L AS é $ 3,1 /L; o preço do glifosato – 757 WSG é $ 5,77 / kg, e o preço do glifosato-500 WP é $ 4,35 / kg.

Os estoques do mercado estão prestes a se esgotar

Atualmente, o glifosato está em falta no mercado de terminais do Brasil. Inúmeras empresas de material agrícola já venderam grandes quantidades de glifosato e insumos agrícolas cotados em reais em 2020, esgotando o estoque. Além disso, considerando a escassez de oferta de glifosato na China neste momento, houve cancelamentos de pedidos de compra no Brasil, o que obrigou os produtores a aceitar preços mais altos.

Além disso, a pandemia causou congestionamento no transporte marítimo, levando a atrasos nos principais portos marítimos do mundo, o que resultou no aumento do frete marítimo a um nível histórico, tendo adicionado um custo ainda maior para o glifosato. Atualmente, o custo do frete de embarque para Paranaguá de Xangai é de cerca de US $ 10.000, o que pode variar um pouco em diferentes portos. No entanto, essa parte do custo costumava ser geralmente inferior a US $ 1.000 no passado, mas agora é 10 vezes maior. Para fazer um cálculo baseado no glifosato 480g / L AS, o custo do frete por tonelada é de aproximadamente $ 400, o que seria cerca de $ 40 dólares no passado.

O Brasil está prestes a iniciar uma nova rodada de plantio de soja em setembro. No momento, os usuários finais geralmente expressam preocupações sobre o futuro do glifosato. Para onde irá o mercado de glifosato?

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Este texto foi escrito inicialmente em inglês e publicado pelo site especializado AgroNews [Aqui!].

Para proteger florestas na Amazônia é preciso foco em áreas prioritárias e incentivo à regeneração florestal, mostra estudo

Trabalho traz recomendações concretas para o Brasil conter a perda de floresta nativa. Pesquisa é parte do projeto Amazônia 2030

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Nos últimos dez anos, o desmatamento na Amazônia brasileira cresceu – em especial a partir de 2019, quando a perda de floresta acelerou. Reverter esse quadro vai exigir que o Brasil fortaleça políticas públicas já existentes, como a expansão de áreas protegidas e a punição ao desmatamento ilegal. Mas é preciso ir além, de modo a incorporar à agenda pública incentivos à regeneração de florestas e o combate à degradação florestal.

As recomendações constam no estudo Políticas Públicas para Proteção Florestal – o que funciona e como melhorar, da economista Clarissa Gandour. No trabalho, parte do projeto Amazônia 2030, a pesquisadora passa em revista as políticas públicas de combate ao desmatamento adotadas pelo Brasil a partir de 2004. A partir daquele ano, e até 2014, mudanças tecnológicas, ações de fiscalização e a atuação integrada de diversos ministérios contribuíram para que a taxa de desmatamento na Amazônia regredisse. Depois disso, a situação se deteriorou.

A análise demonstra que o Brasil conseguiu, ao longo daqueles anos, implementar instrumentos eficientes para conter a perda de floresta nativa. Eles foram enfraquecidos e, hoje, não bastam mais. “Para além de aprimorar seus esforços de combate ao desmatamento, o Brasil deve incorporar novas dimensões de proteção da vegetação nativa à sua agenda de políticas públicas para a conservação tropical”, diz o estudo.

O trabalho mostra que é preciso atuar em três frentes:

Combate à degradação florestal

Hoje, o desmatamento não é o único dano ambiental que assola a Amazônia brasileira. A perda gradativa de floresta – conhecida como degradação florestal – desponta como um problema cada vez mais grave, mas ainda negligenciado no âmbito das políticas públicas. Há indícios de que a degradação florestal representa um estágio inicial do processo de desmatamento. Geralmente, ela está associada à extração madeireira e a queimadas.

Segundo o estudo, é preciso atuar para deter a perda de florestas em estágio inicial, de modo a otimizar os esforços de políticas públicas de conservação.

Hoje, a degradação florestal afeta uma área da Amazônia maior que o desmatamento. Em média, são 11 mil km2 de floresta degradada por ano, o dobro da área desmatada anualmente. A maior parte dela – 75% – se concentra nos estados do Mato Grosso e do Pará.

Regeneração florestal

O restauro e a proteção de florestas tropicais captura carbono da atmosfera e são ações importantes para mitigar os efeitos do aquecimento global.

Com vasta quantidade de áreas degradadas e desmatadas em regiões tropicais, o Brasil está em posição única para contribuir para esse esforço. Contudo, suas políticas de conservação florestal tendem a focar no combate ao desmatamento primário e não enfatizam a promoção e a proteção de áreas regeneradas – aquelas que já foram desmatadas mas que, aos poucos, voltam a crescer. Atualmente, o país nem sequer monitora essas áreas de forma sistemática.

Segundo estudo, é imprescindível que o Brasil aja agora para incorporar o restauro de ecossistemas em sua agenda de políticas públicas de conservação. Ao assumir um firme compromisso com a promoção da regeneração tropical e sua conservação, o país simultaneamente avançaria no cumprimento de suas metas ambientais, promoveria melhorias no bem-estar humano em escalas local e global e ainda caminharia em direção à retomada da sua posição como pioneiro de ação climática global.

Há, na Amazônia brasileira, vastas áreas de vegetação secundária – aquela que cresce em regiões já desmatadas. Os formuladores de políticas públicas precisam compreender que essa vegetação deve ser protegida.

Foco em áreas prioritárias

O desmatamento na Amazônia não é homogêneo. Entre 2016 e 2019, ele esteve concentrado em 24 municípios. Parte significativa – um terço do total – ocorreu em terras públicas não designadas. Num cenário de recursos limitados, o Brasil deve focar seus esforços de combate ao desmatamento nessas áreas prioritárias, onde o problema é mais grave.

Além disso, afirma o estudo, é preciso fortalecer o ambiente institucional de modo a punir quem desmata. O Brasil dispõe de tecnologia capaz de monitorar a perda de floresta. Sem respaldo institucional, ela é insuficiente.

Sobre o Amazônia 2030

O projeto Amazônia 2030 é uma iniciativa conduzida por pesquisadores brasileiros para desenvolver um plano de ações para a Amazônia. Seu objetivo é apontar caminhos para que a região dê um salto de desenvolvimento econômico e humano, mantendo a floresta em pé, nos próximos dez anos.

O projeto é uma iniciativa do Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) e do Centro de Empreendedorismo da Amazônia, ambos situados em Belém, com a Climate Policy Initiative (CPI) e o Departamento de Economia da PUC-Rio, localizados no Rio de Janeiro.

Começando em 2020, e seguindo até meados de 2022, os cientistas do projeto vão publicar relatórios e estudos baseados na melhor evidência sobre a Amazônia brasileira.

Conhecimento produzido na academia e aliado às experiências dos povos da floresta, empresários, empreendedores e agentes públicos. Esses documentos reunirão recomendações práticas, que poderão ser aplicadas por agentes privados e públicos.

Preços amargos para bananas doces

Agricultores do Equador resistem à práticas de dumping e condições precárias de trabalho precárias

bananasOs trabalhadores das plantações de banana do Equador trabalham em condições difíceis. Agora, uma decisão judicial concedeu-lhes o direito de representação sindical. Foto: Getty Images / Bloomberg

Por Knut Henkel para o Neues Deutschland

Edwin Benito Ordoñez colocou no ombro um cacho de bananas e arrastou cuidadosamente as frutas ainda verdes para a estação de embalagem em sua fazenda de aproximadamente sete hectares. Almofadas de plástico nos ombros e entre as mãos da banana, os talos individuais da fruta na touceira, protegem as frutas que vão parar na bacia um pouco depois. Em seguida, eles são classificados, pesados ​​e embalados. Cada caixa de papelão com o logotipo colorido do cliente pesa 18,14 quilos. As bananas são a fonte de renda mais importante para os agricultores orgânicos. Além das bananeiras, cujas grandes folhas brilham úmidas à luz do sol da manhã, ele cultiva cacau e também há algumas árvores frutíferas em sua pequena e bem cuidada fazenda. A fruta é principalmente para uso próprio e dos vizinhos, que como Ordoñez vivem da banana.

O rapaz de 44 anos mora em um vilarejo na região de Machala, no sul do Equador. Os contêineres refrigerados com as frutas vão principalmente para a Europa pelo porto da cidade. As frutas tropicais tortas são colhidas em Ordoñez uma vez por semana. Então, toda a família fica de plantão e, às vezes, Ordoñez consegue ajuda para embalar as cerca de 200 caixas que são preenchidas com a fruta natural toda semana. Mas recentemente, nem tanto, porque, como muitos pequenos produtores de banana no Equador, Ordoñez não está indo bem. »A pressão sobre os preços aumentou muito nos últimos anos. Se você não tem clientes regulares, você tem um problema «, diz o homem robusto que estudou direito e dirigiu a organização de pequenos produtores UROCAL por vários anos.

Até três ou quatro anos atrás, os agricultores, todos organizados em cooperativas, tinham clientes regulares na Alemanha. Mas depois da cisão de várias cooperativas que é história e com ela a compra garantida, geme Ordoñez. “Desde então, vendemos nossas bananas orgânicas, que são certificadas pelo Comércio Justo, para outro importador e ganham bem menos.” Muito menos, são seis dólares americanos por caixa de 18,14 quilos. Às vezes, os agricultores têm até que vender seu produto mais importante por menos, embora haja na verdade um preço mínimo estadual por caixa de 6,25 dólares americanos. Mas, na realidade, é regularmente prejudicado. Os controles de guias tornam isso possível e colocam os importadores em uma posição confortável para colocar os produtores sob pressão, Assine contratos pro forma com o preço mínimo, mas de fato devolva o dinheiro que está por baixo da mesa Práticas ruins que Ordoñez conhece por experiência pessoal. As bananas são produtos perecíveis, portanto, negociar por muito tempo não é uma opção. Os compradores sentam-se na alavanca mais longa.

Existem várias razões pelas quais os preços de dumping estão galopantes. Por um lado, a concorrência da Colômbia, Costa Rica e Cia está pressionando o mercado, por outro lado, as redes de supermercados e lojas de descontos há muito fazem pedidos diretamente dos produtores e usam seu poder de mercado para deprimir os preços. O exemplo mais recente é Aldi. A loja de descontos anunciou em novembro de 2020 que reduziria o preço de compra por caixa em cerca de um euro. Isso tem causado muitas críticas nos países produtores de banana da região. Isso levaria a demissões, à perda de direitos adquiridos e benefícios sociais, alertou a coordenação latino-americana dos sindicatos bananeiros e agroindustriais COLSIBA da época. No Equador, a previsão parece ser verdadeira em 2020, apesar do aumento dos números das exportações.

Os pequenos agricultores revidam. Em 12 de julho deste ano, bloquearam estradas para obrigar o governo neoliberal do presidente Guillermo Lasso, jurado em 24 de maio, a observar preços mínimos. Sucesso razoável, pois houve pelo menos negociações, segundo o especialista Anahí Macaroff. Junto com sua colega Stalin Herrera do Instituto de Estudos do Equador (IEE), ela escreveu um estudo sobre as condições de trabalho no setor de banana do Equador em 2019. »Os direitos de organização sindical são tão negligenciados quanto a obrigação previdenciária. Aqueles que trabalham no setor de banana no Equador muitas vezes não são cobertos pelo seguro social. Em caso de doenças ocupacionais causadas por agrotóxicos, por exemplo, as pessoas não estão cobertas ”, explica o cientista argentino. Tudo isso é incompatível com as leis do Equador, mas o lobby dos Bananeros, como são chamados os grandes fazendeiros, é politicamente influente. Os trabalhadores que se organizam, montam um conselho de trabalhadores na plantação, são repetidamente demitidos pouco depois – sem a intervenção do Ministério do Trabalho. É por isso que Stalin Herrera fala de um “vácuo sindical” no setor de banana do país.

Os pequenos produtores receberam apoio do judiciário. O julgamento de um tribunal de Quito em 26 de maio deste ano pode se tornar um marco. A sentença com o número 17981202002407 instrui o Ministério do Trabalho não apenas a reconhecer e registrar oficialmente o sindicato ASTAC, mas a se desculpar pelo antigo desconhecimento sistemático do sindicato e a publicar a sentença no site do ministério. Os três juízes referem-se diretamente à Organização Internacional do Trabalho (OIT), que repetidamente criticou a forma como as autoridades lidaram com a ASTAC, fundada em 2007. Com base nisso, o coordenador do ASTAC Jorge Acosta e a advogada Silvia Bonilla entraram com uma ação judicial.

O veredicto pode impulsionar o movimento sindical no Equador, afirma Anahí Macaroff. “O fato de os sindicatos agora terem de ser registrados e reconhecidos abre as portas para novas organizações sindicais.” Até agora, tem sido de fato que no Equador os sindicatos eram limitados a empresas individuais e tinham que mostrar um mínimo de 30 trabalhadores até nome. Isso já foi um desperdício e, segundo Jorge Acosta, já houve consultas na ASTAC para assessoria na constituição de novas organizações. Cerca de 200.000 pessoas trabalham no setor de banana do Equador – muitas vezes em condições precárias.

Até o momento, o Ministério do Trabalho tem demorado para implementar a decisão. O prazo de trinta dias estabelecido pelo tribunal expirou há muito tempo. Isso pode ser devido ao fato de o novo governo de Guillermo Lasso ter que se acostumar com isso, mas também pode indicar a influência do lobby dos Bananeros, que mantém boas relações com o novo governo conservador.

O julgamento e sua implementação também são relevantes para os importadores alemães. Porque confirma que os direitos sindicais sobre as plantações, que também abasteciam os quatro grandes do comércio de alimentos alemão, Rewe, Edeka, Aldi e Lidl, foram violados. Isso pode ter consequências no contexto da lei de devida diligência da cadeia de abastecimento que acaba de ser aprovada pelo Bundestag. Os dois pontos de salários razoáveis ​​e violações da liberdade de associação são apontados como possíveis riscos dos quais as empresas devem estar cientes. Eles foram feridos até o momento, segundo especialistas equatorianos.

“As empresas que não cumprirem com o seu dever de cuidado devem esperar pesadas multas”, afirmou o ministro federal Hubertus Heil a pedido da “nd”. O Ministro do Trabalho e Assuntos Sociais está familiarizado com o caso ASTAC e deseja abordar a situação dos direitos humanos no Equador em nível bilateral, europeu e internacional no nível governamental. Ele também apoia a iniciativa em curso da Comissão Europeia no âmbito do artigo de sustentabilidade do acordo de comércio livre da UE com o Equador para melhorar as condições de trabalho no setor da banana e legalizar os sindicatos.

Esta é uma boa notícia para Jorge Acosta e ASTAC. Talvez também para pequenos produtores como Edwin Benito Ordoñez. A pressão sobre os importadores por preços de compra baixos pode ser aliviada. Isso seria uma boa notícia para Ordoñez, porque a organização de pequenos proprietários UROCAL está à beira da falência.

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Este texto foi inicialmente escrito em alemão e publicado pelo jornal “Neues Deutschland” [Aqui!].

O apocalipse dos insetos: ‘Nosso mundo vai parar sem eles’

lagartaIlustração: Observer design / Alamy

Os insetos diminuíram 75% nos últimos 50 anos – e as consequências podem ser catastróficas em breve. O biólogo Dave Goulson revela os serviços vitais que realizam

Entrevista por Killian Fox para o “The Guardian”

Eu fui fascinado por insetos durante toda a minha vida. Uma das minhas primeiras lembranças é de encontrar, aos cinco ou seis anos, algumas lagartas listradas de amarelo e preto se alimentando de ervas daninhas no parquinho da escola. Coloquei-os na minha lancheira vazia e levei-os para casa. Eventualmente, eles se transformaram em belas mariposas magenta e preta. Isso parecia mágica para mim – e ainda parece.  

Em busca de insetos, viajei pelo mundo, desde os desertos da Patagônia até os picos gelados da Fjordland na Nova Zelândia e as montanhas arborizadas do Butão. Já observei nuvens de borboletas Swallowtails and birdwings sorvendo minerais nas margens de um rio em Bornéu e milhares de vaga-lumes piscando em sincronia à noite nos pântanos da Tailândia. Em casa, em meu jardim em Sussex, passei incontáveis horas observando gafanhotos cortejarem um companheiro e se despedirem de rivais, tesourinhas cuidam de seus filhotes, formigas ordenham melada de pulgões e abelhas cortadeiras cortam folhas para forrar seus ninhos.

Mas estou assombrado pelo conhecimento de que essas criaturas estão em declínio. Já se passaram 50 anos desde que coletei essas lagartas no parquinho da escola e, a cada ano que passa, aparecem um pouco menos borboletas, menos abelhas – menos de quase todas as miríades de pequenos animais que fazem o mundo girar. Essas criaturas fascinantes e belas estão desaparecendo, formiga por formiga, abelha por abelha, dia a dia. As estimativas variam e são imprecisas, mas parece provável que a abundância de insetos tenha diminuído 75% ou mais desde que eu tinha cinco anos. A evidência científica para isso fica mais forte a cada ano, conforme estudos são publicados descrevendo o colapso das populações da borboleta monarca  na América do Norte, o desaparecimento de insetos florestais e prados na Alemanha, ou a contração aparentemente inexorável dos intervalos de abelhas e moscas no Reino Unido

Em 1963, dois anos antes de eu nascer, Rachel Carson nos avisou em seu livro Silent Spring que estávamos causando danos terríveis ao nosso planeta. Ela choraria ao ver o quanto piorou. Habitats de vida selvagem ricos em insetos, como prados de feno, pântanos, charnecas e florestas tropicais, foram demolidos, queimados ou arados até a destruição em grande escala. Os problemas com pesticidas e fertilizantes, ela destacou, tornaram-se muito mais agudos, com cerca de 3 milhões de toneladas de pesticidas indo para o meio ambiente global a cada ano. Alguns desses novos pesticidas são milhares de vezes mais tóxicos para os insetos do que qualquer um que existia na época de Carson. Os solos foram degradados, os rios obstruídos com lodo e poluídos com produtos químicos. A mudança climática, um fenômeno não reconhecido em sua época, agora ameaça devastar ainda mais o nosso planeta. Todas essas mudanças aconteceram em nossa vida, sob nossa supervisão, e continuam a se acelerar.

Poucas pessoas parecem perceber o quão devastador isso é, não apenas para o bem-estar humano – precisamos de insetos para polinizar nossas plantações, reciclar esterco, folhas e cadáveres, manter o solo saudável, controlar pragas e muito mais – mas para animais maiores, como pássaros, peixes e sapos, que dependem dos insetos para se alimentar. As flores silvestres dependem deles para a polinização. À medida que os insetos se tornam mais escassos, nosso mundo vai lentamente parando, pois não pode funcionar sem eles.

Cada vez mais, a maioria de nós vive em cidades e cresce vendo poucos insetos além de moscas, mosquitos e baratas, então a maioria de nós não gosta muito de insetos. Muitas pessoas têm medo deles. Eles são freqüentemente chamados de “rastejadores” ou “bugs”; criaturas desagradáveis, sujas, que vivem na sujeira e espalham doenças. Poucos, portanto, avaliam como os insetos são de vital importância para nossa própria sobrevivência, e menos ainda como os insetos são bonitos, inteligentes, fascinantes, misteriosos e maravilhosos.

abelhaUma abelha cortadeira em Hertfordshire. Fotografia: Nature Picture Library / Alamy

Os insetos existem há muito tempo. Seus ancestrais evoluíram na lama primordial do fundo do oceano, meio bilhão de anos atrás. Eles constituem a maior parte das espécies conhecidas em nosso planeta – as formigas sozinhas superam os humanos em um milhão para um – então, se perdêssemos muitos de nossos insetos, a biodiversidade geral seria, naturalmente, significativamente reduzida. Além disso, devido à sua diversidade e abundância, é inevitável que os insetos estejam intimamente envolvidos em todas as cadeias alimentares e teias alimentares terrestres e de água doce. Lagartas, pulgões , larvas de caddis flye os gafanhotos são herbívoros, por exemplo, transformando material vegetal em saborosa proteína de inseto que é muito mais facilmente digerida por animais maiores. Outros, como vespas, besouros terrestres e louva-a-deus, ocupam o próximo nível na cadeia alimentar, como predadores dos herbívoros. Todos eles são presas de uma infinidade de pássaros, morcegos, aranhas, répteis, anfíbios, pequenos mamíferos e peixes, que teriam pouco ou nada para comer se não fossem os insetos. Por sua vez, os principais predadores, como gaviões , garças e águias pesqueiras, que se alimentam de estorninhos insetívoros, sapos, musaranhos ou salmão, passariam fome sem insetos.

A perda de insetos na cadeia alimentar não seria apenas catastrófica para a vida selvagem. Também teria consequências diretas para o abastecimento alimentar humano. A maioria dos europeus e norte-americanos sente repulsa pela perspectiva de comer insetos, o que é estranho, já que consumimos camarões (que são bastante semelhantes, segmentados e com esqueleto externo). Nossos ancestrais certamente teriam comido insetos e, globalmente, comer insetos é a norma. Cerca de 80% da população mundial os consome regularmente, prática muito comum na América do Sul, África e Ásia, e entre os povos indígenas da Oceania.

Um forte argumento pode ser feito de que os humanos deveriam cultivar mais insetos em vez de porcos, vacas ou galinhas. A criação de insetos é mais eficiente em termos de energia e requer menos espaço e água. Eles são uma fonte mais saudável de proteína, sendo ricos em aminoácidos essenciais e mais baixos em gorduras saturadas do que a carne bovina, e temos muito menos probabilidade de pegar uma doença ao comer insetos (pense na gripe aviária ou COVID-19 ). Portanto, se desejamos alimentar os 10-12 bilhões de pessoas que estão projetadas para viver em nosso planeta até 2050, devemos levar a sério o cultivo de insetos como uma fonte mais saudável de proteína e uma opção mais sustentável para o gado convencional.

Embora as sociedades ocidentais não comam insetos, nós os consumimos regularmente em uma etapa removida da cadeia alimentar. Peixes de água doce, como truta e salmão, alimentam-se fortemente de insetos, assim como aves de caça como perdiz, faisão e peru.

Além de seu papel como alimento, os insetos realizam uma infinidade de outros serviços vitais nos ecossistemas. Por exemplo, 87% de todas as espécies de plantas requerem polinização animal, a maioria entregue por insetos. As pétalas coloridas, o perfume e o néctar das flores evoluíram para atrair os polinizadores. Sem polinização, as flores silvestres não gerariam sementes e a maioria eventualmente desapareceria. Não haveria flores ou papoulas, dedaleiras ou miosótis. Mas a ausência de polinizadores teria um impacto ecológico muito mais devastador do que apenas a perda de flores silvestres. Aproximadamente três quartos dos tipos de culturas que cultivamos também requerem polinização por insetos, e se a maior parte das espécies de plantas não pudessem mais plantar sementes e morrer, então todas as comunidades na terra seriam profundamente alteradas e empobrecidas, uma vez que as plantas são a base de cada cadeia alimentar.

A importância dos insetos é freqüentemente justificada em termos dos serviços ecossistêmicos que eles fornecem, aos quais pode ser atribuído um valor monetário. A polinização sozinha é estimada em US$ 235 bilhões e US $ 577 bilhões por ano em todo o mundo (esses cálculos não são muito precisos, daí a grande diferença entre os dois números). Deixando de lado os aspectos financeiros, não poderíamos alimentar a crescente população humana global sem polinizadores. Poderíamos produzir calorias suficientes para nos manter vivos, já que safras polinizadas pelo vento, como trigo, cevada, arroz e milho constituem a maior parte de nossa comida, mas viver exclusivamente de uma dieta de pão, arroz e mingau nos faria sucumbir rapidamente deficiências de vitaminas e minerais essenciais. Imagine uma dieta sem morangos, pimenta malagueta, maçãs, pepinos, cerejas, groselhas pretas, abóboras, tomates, café, framboesas, abobrinhas, vagens e mirtilos, só para citar alguns. O mundo já produz menos frutas e vegetais do que seria necessário se todos no planeta tivessem uma dieta saudável.Sem polinizadores, seria impossível produzir em qualquer lugar perto das frutas e vegetais “cinco por dia” de que todos precisamos.


Os insetos também estão intimamente envolvidos na degradação da matéria orgânica, como folhas caídas, madeira e fezes de animais. Este é um trabalho de vital importância, pois recicla os nutrientes, disponibilizando-os mais uma vez para o crescimento das plantas. A maioria dos decompositores nunca são notados. Por exemplo, o solo do seu jardim – e particularmente seu monte de composto, se você tiver um – quase certamente contém incontáveis milhões de colêmbolos ( Collembola) Esses parentes minúsculos e primitivos de insetos, geralmente com menos de 1 mm de comprimento, são nomeados por seu truque inteligente de disparar até 100 mm no ar para escapar de predadores. Este exército de minúsculos saltadores faz um trabalho importante, mordiscando minúsculos fragmentos de matéria orgânica e ajudando a quebrá-los em pedaços ainda menores que são posteriormente decompostos por bactérias, liberando os nutrientes para as plantas usarem.

Outros insetos, os agentes funerários do mundo natural, são igualmente eficientes na eliminação de cadáveres. Com uma velocidade incrível, moscas como as bluebottles e as greenbottles localizam os cadáveres minutos após a morte, colocando massas de ovos que eclodem em poucas horas e se transformam em vermes que correm para consumir a carcaça antes que outros insetos cheguem. Seus parentes, as moscas de carne, têm uma vantagem nesta raça, pois dão à luz diretamente a larvas, pulando totalmente a fase de ovo. Os besouros enterradores e carniceiros chegam em seguida e consomem o cadáver e os vermes em desenvolvimento. Besouros enterrados arrastam os cadáveres de pequenos animais para o subsolo, depositam seus ovos neles e depois ficam para cuidar de seus filhotes. Esta sequência de eventos é suficientemente previsível até mesmo para ser usada por entomologistas forenses para julgar a hora aproximada da morte de cadáveres humanos quando as circunstâncias da morte são suspeitas.

springtail

Um springtail adulto. Fotografia: Nigel Cattlin / Alamy

Além de tudo isso, os insetos que vivem no solo ajudam a arejar o solo. As formigas dispersam as sementes, levando-as de volta aos ninhos para comer, mas geralmente perdem algumas, que podem germinar. As mariposas da seda nos dão seda e as abelhas nos dão mel. No total, os serviços ecossistêmicos fornecidos por insetos são estimados em pelo menos US $ 57 bilhões por ano apenas nos Estados Unidos , embora este seja um cálculo bastante sem sentido, já que, como EO Wilson disse uma vez, sem os insetos “o ambiente entraria em colapso” e bilhões morreriam de fome.

O biólogo americano Paul Ehrlich comparou a perda de espécies de uma comunidade ecológica ao lançamento aleatório de rebites da asa de um avião. Remova um ou dois e provavelmente o avião ficará bem. Remova 10, 20 ou 50 e, em algum ponto que não podemos prever, haverá uma falha catastrófica e o avião cairá do céu. Os insetos são os rebites que mantêm os ecossistemas funcionando.

Apesar de avisos terríveis como este, os insetos são muito menos estudados do que os vertebrados, e não sabemos nada sobre a maioria das espécies de 1 milhão que foram nomeadas até agora: sua biologia, distribuição e abundância são inteiramente desconhecidas. Freqüentemente, tudo o que temos é um “espécime-tipo” em um alfinete em um museu, com uma data e local de captura. Estima-se que haja pelo menos outras 4 milhões de espécies que ainda não foram descobertas. Que ironia cruel é que, embora ainda estejamos décadas longe de catalogar a impressionante diversidade de insetos em nosso planeta, essas criaturas estão desaparecendo rapidamente.

Os números são nítidos. Em 2015, fui contatado pela Krefeld Society, um grupo de entomologistas que, desde o final da década de 1980, capturavam insetos voadores em reservas naturais espalhadas por toda a Alemanha. Eles acumularam insetos em quase 17.000 dias de armadilhas em 63 locais e 27 anos, um total de 53 kg de insetos. Eles me enviaram seus dados para pedir minha ajuda na preparação para publicação em uma revista científica. Nos 27 anos de 1989 a 2016, a biomassa total (ou seja, o peso) dos insetos capturados em suas armadilhas caiu 75%. No meio do verão, quando na Europa assistimos ao pico da atividade dos insetos, a queda foi ainda mais acentuada, de 82%. A princípio pensei que devia haver algum tipo de engano, porque parecia uma queda dramática demais para ser crível. Sabíamos que a vida selvagem em geral estava em declínio, mas o fato de três quartos dos insetos terem desaparecido tão rapidamente sugeria um ritmo e escala de declínio que antes não haviam sido imaginados.

Em outubro de 2019, um grupo diferente de cientistas alemães publicou suas descobertas de um estudo de populações de insetos em florestas e pastagens alemãs ao longo de 10 anos de 2008 a 2017. Os resultados do estudo foram profundamente preocupantes. As pastagens tiveram o pior desempenho, perdendo em média dois terços de sua biomassa de artrópodes (insetos, aranhas, piolhos e mais). Nas florestas, a biomassa caiu 40%.

E em outro lugar? Há algo peculiar acontecendo na Alemanha? Parece altamente improvável. Talvez as populações de insetos mais bem estudadas do mundo sejam as borboletas do Reino Unido. Eles são registrados por voluntários como parte do Esquema de Monitoramento de Borboletas , o maior e mais antigo esquema de seu tipo no mundo. As tendências que revela são preocupantes. As borboletas da “zona rural mais ampla” – espécies comuns encontradas em fazendas, jardins e assim por diante, como prados marrons e pavões – caíram em abundância em 46% entre 1976 e 2017. Enquanto isso, especialistas em habitat, espécies mais agitadas que tendem a ser muito mais raras , como fritilares e fios de cabelo, caíram 77%, apesar dos esforços de conservação direcionados a muitos deles.

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Uma borboleta pavão em um jardim de Oxfordshire. Fotografia: Geoffrey Swaine / Rex / Shutterstock

Em todo o mundo, embora a maior parte das espécies de insetos – moscas, besouros, gafanhotos, vespas, efêmeras, rãs e assim por diante – não sejam monitorados sistematicamente, geralmente temos bons dados sobre as tendências populacionais de pássaros que dependem de insetos para se alimentar principalmente em declínio. Por exemplo, as populações de pássaros insetívoros que caçam suas presas no ar (ou seja, os insetos voadores que diminuíram tanto em biomassa na Alemanha) caíram mais do que qualquer outro grupo de pássaros na América do Norte, cerca de 40% entre 1966 e 2013 O número de andorinhas, gaviões noturnos comuns (nightjars), andorinhas de chaminé e andorinhas de celeiro diminuíram em número em mais de 70% nos últimos 20 anos.

Na Inglaterra, as populações do papa-moscas caíram 93% entre 1967 e 2016. Outros insetívoros outrora comuns sofreram de forma semelhante, incluindo a perdiz cinza (-92%), o rouxinol (-93%) e o cuco (-77%). O picanço-de-dorso-vermelho, um predador especialista em grandes insetos, foi extinto no Reino Unido na década de 1990. No geral, o British Trust for Ornithology estima que o Reino Unido teve 44 milhões de aves selvagens a menos em 2012 em comparação com 1970.

Todas as evidências acima referem-se a populações de insetos e seus predadores em países desenvolvidos e altamente industrializados. As informações sobre as populações de insetos nos trópicos, onde vive a maioria dos insetos, são esparsas. Só podemos imaginar quais são os impactos do desmatamento da Amazônia, do Congo ou das florestas tropicais do sudeste asiático na vida dos insetos nessas regiões. Nunca saberemos quantas espécies foram extintas antes de podermos descobri-las.

Interromper e reverter o declínio dos insetos, ou mesmo enfrentar qualquer uma das outras grandes ameaças ambientais que enfrentamos, requer ação em muitos níveis, desde o público em geral até fazendeiros, varejistas de alimentos e outras empresas, autoridades locais e legisladores no governo. Aqui na Grã-Bretanha, as recentes eleições e o debate do Brexit viram poucas discussões sérias sobre o meio ambiente, apesar da evidência convincente de que muitos dos maiores desafios que a humanidade enfrenta no século 21 estão relacionados à nossa sobreexploração insustentável dos recursos finitos do nosso planeta.

Para salvá-los, precisamos agir e agir agora. Podemos fazer isso de várias maneiras; alguns simples, outros mais difíceis de alcançar. Primeiro, precisamos engendrar uma sociedade que valorize o mundo natural, tanto pelo que ele faz por nós quanto pelo que ele faz por nós mesmos. O lugar óbvio para começar é com nossos filhos, incentivando a consciência ambiental desde a mais tenra idade. Precisamos tornar nossas áreas urbanas mais verdes. Imagine cidades verdes cheias de árvores, hortas, lagos e flores silvestres espremidas em todos os espaços disponíveis – em nossos jardins, parques municipais, loteamentos, cemitérios, à beira de estradas, cortes de ferrovias e rotatórias – e tudo livre de pesticidas.

Devemos transformar nosso sistema alimentar. Cultivar e transportar alimentos para que todos tenhamos o que comer é a atividade humana mais fundamental. A maneira como fazemos isso tem impactos profundos em nosso próprio bem-estar e no meio ambiente, por isso certamente vale a pena investir para acertar. Há uma necessidade urgente de revisar o sistema atual, que está falhando de várias maneiras. Poderíamos ter um setor agrícola vibrante, empregando muito mais pessoas e focado na produção sustentável de alimentos saudáveis, cuidando da saúde do solo e apoiando a biodiversidade.

As organizações governamentais responsáveis pela conservação da vida selvagem, como a Natural England , deveriam ser devidamente financiadas, mas viram enormes cortes no orçamento nos últimos anos. Os esquemas de monitoramento e pesquisas para entender as causas do declínio dos insetos também devem ser devidamente financiados pelo governo. E o Reino Unido deve desempenhar um papel de liderança nas iniciativas internacionais para lidar com as mudanças climáticas e a perda de biodiversidade, estabelecendo um exemplo de boas práticas a serem seguidas por outros.

mosca do pinheiroA mosca do pinheiro, o inseto mais raro do Reino Unido. Fotografia: Henrik_L / Getty Images / iStockphoto

Devemos melhorar a proteção legal para insetos e habitats raros. No Reino Unido, a maioria dos insetos não tem proteção legal no momento. Por exemplo, a última população do inseto mais raro do Reino Unido, a mosca-do-pinheiro, está ameaçada por operações florestais privadas, sem recurso legal. Insetos raros devem ter o mesmo peso que pássaros ou mamíferos raros. O fato de serem pequenos não os torna sem importância.

Nosso planeta tem lidado muito bem com a nevasca de mudanças que provocamos, mas seria tolo supor que continuará a fazê-lo. Uma proporção relativamente pequena de espécies foi extinta até agora, mas quase todas as espécies selvagens agora existem em números que são uma fração de sua abundância anterior, subsistindo em habitats degradados e fragmentados e sujeitos a uma infinidade de problemas causados pelo homem em constante mudança. Não entendemos nada perto o suficiente para sermos capazes de prever quanta resiliência resta em nossos ecossistemas esgotados, ou quão perto estamos de pontos de inflexão além dos quais o colapso se torna inevitável. Na analogia dos “rebites em um avião” de Paul Ehrlich, podemos estar perto do ponto em que a asa cai.

Este é um extrato editado de Silent Earth: Averting the Insect Apocalypse, de Dave Goulson, publicado pela Vintage (£ 20). Para apoiar o Guardian e o Observer, peça sua cópia em guardianbookshop.com . Taxas de entrega podem ser aplicadas

Dave Goulson Q&A: ‘As abelhas têm vidas sociais realmente complicadas’

dave goulsonDave Goulson em casa em Sussex: ‘Nunca saberemos quantas espécies foram extintas antes de podermos descobri-las.’ Fotografia: Jeff Gilbert / Alamy

O que te viciou em insetos?
É difícil dizer com certeza. Meus pais não tinham um grande interesse por história natural, mas eles me encorajaram alegremente e me compraram livros de identidade. Eu morava no campo, então podia encontrar insetos com bastante facilidade. É constrangedor admitir agora, mas colecionei borboletas e matei as coitadas, enfiando alfinetes nelas, o que é realmente horrível e com razão considerado inaceitável. Mais tarde, percebi que não gostava de matá-los e comecei a criá-los e a liberar nuvens de borboletas. Nunca questionei realmente se faria algo em biologia. Era tudo que eu realmente estava interessado.

Você é mais conhecido por seu trabalho com as abelhas …
Eu me envolvi ao longo dos anos com todos os tipos de insetos diferentes, mas depois passei a me concentrar nas abelhas – em parte porque elas são muito inteligentes. As abelhas fazem todo tipo de coisas incríveis que outros insetos tendem a não fazer: elas podem navegar por grandes distâncias, podem memorizar e aprender, elas têm vidas sociais realmente complicadas.

O que o motivou a escrever este livro?
Quanto mais eu estudava as abelhas, mais claro ficava que elas estavam diminuindo. Portanto, minha pesquisa começou a se concentrar em por que isso estava acontecendo e o que poderíamos fazer a respeito. Mas se você publica artigos em jornais acadêmicos áridos, então ninguém os lê – exceto um punhado de outros acadêmicos. Pareceu um pouco fútil. Portanto, acho que este livro é o culminar de meus esforços até agora para tentar atingir um segmento mais amplo da sociedade.

Eu imagino que seja fácil fazer as pessoas se interessarem por abelhas, mas é mais difícil para outros insetos menos fofos e obviamente úteis apelar?
É complicado. Há um número muito pequeno de insetos que as pessoas tendem a gostar – abelhas, borboletas, algumas mariposas, libélulas e gafanhotos – mas depois disso, você está realmente lutando. Ninguém nunca vai começar o Earwig Preservation Trust. Portanto, você precisa explicar às pessoas que esses insetos estão fazendo coisas vitais e que são realmente fascinantes. Se as pessoas gastassem um pouco mais de tempo de joelhos, apenas olhando para essas coisas, elas descobririam que elas não são tão nojentas, afinal. Além disso, nem sempre devemos olhar para os insetos da perspectiva do que eles fazem por nós. Eles têm tanto direito de estar aqui quanto nós.

Você enfatiza que grandes mudanças são necessárias em escala internacional, mas há coisas que os indivíduos podem fazer para ajudar os insetos de maneira mais local.
Absolutamente. Isso é muito diferente de muitas dessas grandes questões ambientais em que as pessoas se sentem completamente desamparadas. Com a mudança climática, se você andar em vez de dirigir, não perceberá que o planeta está melhorando. Mas plante algumas flores em seu jardim e você verá borboletas aparecendo. Pode ser pequeno, mas você fez algo positivo e funcionou. Se quisermos salvar o planeta, comece com o que está bem debaixo de nossos narizes.

Entrevista por Killian Fox

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Este texto foi escrito originalmente em inglês e publicado pelo jornal “The Guardian” [Aqui!].