Observatório dos Agrotóxicos divulga lista completa dos 147 agrotóxicos liberados até 01 de Abril de 2020

observatório

Como havia adiantado,  organizei o “Observatório dos Agrotóxicos” para continuar informando a todos os interessados sobre a marcha das aprovações de novos agrotóxicos pelo governo Bolsonaro. Lembro que em 2019, o Ministério da Agricultura (MAPA) atingiu a impressionante marca de 503 agrotóxicos liberados para o mercado brasileiro.

Mas aparentemente a ministra Tereza Cristina está disposta a estabelecer um novo recorde de liberações em 2020, pois com cinco atos publicados até o dia 01 de abril, o MAPA já totaliza 147 “novos” agrotóxicos nos primeiros 92 dias do corrente ano. Isso demonstra que nem a pandemia da COVID-19 está servindo para diminuir a avidez em despejar no mercado brasileiro uma série de produtos “genéricos” de agrotóxicos já disponíveis no mercado. 

Noto ainda que a nova metodologia de avaliação dos riscos sobre a saúde humana e o meio ambiente que está sendo utilizada pelos órgãos responsáveis pelo processo de liberação de agrotóxicos no Brasil (i.e., Anvisa, IBAMA e MAPA) criou uma situação peculiar, pois a maioria dos agrotóxicos aparece como mais potencialmente tóxicos para o meio ambiente do que para a saúde humana, o que modifica os padrões que existiam antes das modificações impostas na forma de classificação dos agrotóxicos pelo governo federal.

Também é importante salientar que se consolida a hegemonia de empresas chinesas no oferecimento das versões genéricos de agrotóxicos que já existem no mercado brasileiro. O detalhe é que esses agrotóxicos “genéricos” abarcam uma quantidade significativa de produtos banidos nos países que os desenvolveram originalmente. Tal fato indica uma articulação entre corporações localizadas nos países centrais e empresas chinesas  para mover a produção dessas substâncias indesejadas nos países centrais para a China que, depois, as comercializa com países produtores de commodities agrícolas como o Brasil e a Argentina.

Quem desejar acessar a base de dados, contendo os 147 agrotóxicos já aprovados em 2020, basta clicar [Aqui! ].

Observatório dos agrotóxicos: governo Bolsonaro libera mais 46 produtos

agrotóxicos chuva

Apesar das evidências existentes de que existe uma ligação direta entre o modelo de agricultura industrial e a ocorrência de pandemias como a causada pela COVID-19, o governo Bolsonaro mantém-se firme na liberação de agrotóxicos para serem usados, em grande maioria, nas grandes extensões de monoculturas de soja, milho e cana-de-açúcar.

Tanto isto é verdade que, por meio do Ato No. 26 de 01 de abril de 2020, foram liberados mais 46 agrotóxicos para uso no Brasil. Mais tarde divulgarei a lista completa desses 46 produtos e a base atualizada dos agrotóxicos já aprovados em 2020 que já alcança um “grande total” de 147 aprovados apenas entre 1 de janeiro e 01 de abril.

Dois detalhes interessantes sobre essa nova lista de aprovações. A primeira é a presença de 17 agrotóxicos de natureza biológica. A segunda é aprovação de várias versões do herbicida 2,4-D  que é fabricado pela multinacional estadunidense Dow Chemical Co.

Por isso é que eu digo que o caos aparente no interior do governo Bolsonaro pode não passar disso mesmo, aparência. É que enquanto os brasileiros estão lutando por suas vidas em meio à pandemia da COVID-19, o Ministério da Agricultura comandado por Tereza Cristina segue firme no seu intento de nos transformar numa imensa banheira tóxica para onde as corporações multinacionais destinam proibidos em seus países-sede.

 

Alô Postura Municipal: é preciso disciplinar funcionamento de supermercados e atacadões para diminuir risco da pandemia da COVID-19

supermercados

Apesar de ter reduzido bastante a minha ida a supermercados em geral, as poucas vezes em que fui na última semana notei um cenário desolador em termos de prevenção para a difusão da COVID-19 nos estabelecimentos visitados.

Entre outros problemas notei

  • a falta de distanciamento correto entre clientes e trabalhadores;
  • inexistência de medidas de proteção para o pessoal que trabalha na área dos caixas;
  • ausência de marcações de chão para que se respeite a distância mínima entre as filas nas filas;
  • falta de material de higienização da área em que as mercadorias são depositadas para serem pagas. e
  • inexistência de pias na porta de entrada com o oferecimento de detergentes líquidos para os clientes realizarem o asseio pré-entrada no estabelecimento.

Aqui a situação é simples: ou a postura municipal age para corrigir esses problemas em todos os estabelecimentos de médio e grande porte ou veremos esses locais sendo transformados em pontos de disseminação da pandemia da COVID-19 em Campos dos Goytacazes.

Antes que alguém diga que essas medidas são inviáveis de serem aplicadas ao mesmo tempo, sugiro uma visita ao “Big” (sucessor do Wall Mart) onde todas as medidas assinaladas estavam sendo adotadas no dia em que visitei o estabelecimento.

E antes que me esqueça, o Mercado Municipal (sob responsabilidade primária da PMCG) não é exceção. Aliás, muito pelo contrário.

Com a palavra, o governo do jovem prefeito Rafael Diniz. Afinal, quem foi tão hábil para coibir em passado recente as atividades de camelôs e pequenos comerciantes não terá dificuldade de agir em grandes estabelecimentos, não é?

Google Maps mapeia índices de confinamento frente à pandemia do coronavírus

Google logo is seen on an android mobile phone

A Google, usando o Google Maps fez um levantamento sobre a retração do uso da movimentação a diversos pontos, e os resultados são bastante diferenciados. 

Abaixo mostro os resultados para o Brasil, mas quem desejar poderá verificar a situação em cada estado brasileiro.

BRASIL: -71% em idas a lojas, -35% supermercados e farmácias, -70% locais públicos (como parques), -62% transporte público, -34% locais de trabalho, +17% casa.

RIO DE JANEIRO: 72% em idas a lojas, -32% supermercados e farmácias, -74% locais públicos (como parques), -61% transporte público, -37% locais de trabalho, +17% casa.

rj google mapsSituação do confinamento no estado do Rio de Janeiro segundo o Google Maps.

Comparando o nosso “lockdown” com o que está sendo praticado neste momento em países como Itália, Espanha e França, os nossos números ainda não são suficientes para impedir a disseminação explosiva da COVID-19. E

A verdade é que precisaremos que medidas mais firmes sejam tomadas aqui, pois se o coronavírus fizer o mesmo estrago que já fez na Europa, o Brasil irá inevitavelmente ultrapassar os EUA como líder no número de mortes causadas pela COVID-19. Essa é a realidade que está posta para nós. 

Quem desejar acessar os relatórios preparados pela Google para o Brasil e o resto do mundo, basta clicar  Aqui!

A COVID-19 em tempos da pirataria estatal: roubo, desvio e apreensão de equipamentos médicos

equipamentoCaixas de máscaras protetoras são descarregadas de um avião da Air China com suprimentos médicos doados pelo governo chinês, em Atenas, Grécia, em 21 de março de 2020. REUTERS / Alkis Konstantinidis REUTERS – ALKIS KONSTANTINIDIS

A resposta tardia de muitos governos (incluindo países poderosos como EUA e França, mas incluindo também o Brasil) à pandemia causada pela COVID-19 está resultando em uma retomada de práticas selvagens de pirataria estatal que remontam ao Século XVII. Há uma crescente evidência que, sob a liderança dos EUA, diversos países estão empregando táticas agressivas, via leis do capitalismo selvagem ou pelo simples uso de regras alfandegárias) para desviar todo tipo de material médico que seria usado para combater os aspectos mais drásticos da pandemia da COVID-19.

mascaras guardian
As autoridades de Berlim dizem que 200.000 máscaras  foram desviadas para os EUA, pois estavam sendo transferidas entre aviões na Tailândia. Fotografia: David Becker / ZUMA Wire / REX / Shutterstock

O primeiro a gritar foi  o presidente da região sul da França, Renaud Muselier, que denunciou que máscaras adquiridas e pagas pela França  foram compradas “no asfalto”   do aeroporto por agentes dos EUA, que teriam pago mais do que 3 vezes mais do que os franceses já haviam pago para ficar com o material.

No dia de hoje, o mesmo relato foi oferecido pelo secretário da Casa Civil do estado da Bahia, Bruno Dauster, que informou que uma carga de 600 respiradores que foi comprada na China foi inicialmente retida no Aeroporto Internacional de Miami para depois ter a entrega a um consórcio de estados nordestinos simplesmente cancelada.  A desconfiança é que, mais uma vez, o governo Trump agiu para ficar com uma carga que já sido paga pelos brasileiros.

Em um artigo assinado por Alan Mcleod para o site “MPN News” aparece a informação que outros países também tomaram decisões altamente questionáveis acerca da apreensão de materiais médicos, citando a ação de autoridades tchecas que apreenderam suprimentos médicos chineses que estavam sendo enviados para Itália, enquanto a aeronave que levava o carregamento realizava o processo de reabastecimento de combustível. Entretanto, MCleod sinaliza claramente que esse processo de “pirataria estatal de equipamentos médicos” está sendo liberado globalmente pelo governo Trump.

Um exemplo mais subliminar foi o “pedido” do presidente Donald Trump para que a gigante 3M acelecerasse a fabricação de máscaras hospitalares para atender apenas os EUA, sacrificando o envio de máscaras e respiradores mecânicos  para o Canadá e para a América Latina, segundo informou a empresa em comunicado oficial.

Interessante notar o papel nefasto das empresas chinesas nessa situação. É que as práticas de revender o que já havia sido pago por outros compradores sinaliza a adesão à uma lógica da superexploração e do incentivo à concorrência desleal entre clientes. E isso tudo no meio de uma pandemia gravíssima e de alcance ainda incalculáveis.  

Apesar de ter ido na China e visto como funciona o que os chineses denominam desocialismo com características chinesas“, não me considero capaz de realizar uma crítica mais profunda sobre o que de fato existe por lá (i.e., socialismo a la chinesa ou capitalismo de estado puro e simples). Mas uma coisa me parece certa: no presente momento, muitas empresas chinesas estão colocando a maximização do lucro acima dos contratos já firmados.   Isto, no mínimo, não me parece uma forma muita solidária de ajudar o mundo a debelar uma pandemia.

Já no tocante aos EUA e outros governos que estão colocando em prática de pirataria estatal, não posso dizer que estou surpreso. É que em momento de “farinha pouca”, os que podem mais tendem a querer “o pirão” todo para eles.

Scientific Reports publica estudo que mostra alterações ambientais causadas no Rio Paraopeba pelo incidente da Vale em Brumadinho (MG)

A ruptura da barragem de rejeitos de mineração de Brumadinho no Brasil é considerada um dos maiores desastres de mineração do mundo, tendo em pelo menos 244 mortes e causado o desaparecimento de 26 pessoas, além das conseqüências ambientais (ver abaixo vídeo do momento da ruptura do reservatório da Vale na mina Córrego do Feijão).

Agora, um estudo produzido em colaboração por pesquisadores da Uenf, UFRJ e UFES, e que acaba de ser publicado pela Scientific Reports (que pertence ao mesmo grupo que publica a revista Nature),  avalia as concentrações de múltiplos elementos e os efeitos biológicos na água e nos sedimentos do rio Paraopeba após a ruptura da barragem de Brumadinho.  É importante notar que os rejeitos que escaparam da barragem da mineradora Vale eram formados por material particulado fino com grandes quantidades de Fe, Al, Mn, Ti, metais de terras raras e metais tóxicos.

mapa brumadinhoMapa dos locais de amostragem com a trajetória dos rejeitos de mineração ao longo do rio Paraopeba.  Fonte de dados: IBGE, 2019

A pesquisa determinou que os teores de Fe, Al, Mn, Zn, Cu, Pb, Cd e U foram superiores aos permitidos pela legislação brasileira na água do Rio Paraopeba.  Já nos sedimentos, os níveis de Cr, Ni, Cu e Cd foram superiores às diretrizes de qualidade de sedimentos estabelecidas (TEL-NOAA).

ER BrumadinhoFatores de enriquecimento (FEs) dos rejeitos e sedimentos dos locais de amostragem ao longo do rio Paraopeba. Os tons de marrom indicam o seguinte: 1 indica nenhum enriquecimento; ❤ é enriquecimento menor; 3-5 é um enriquecimento moderado; 5–10 é enriquecimento moderadamente grave; 10-25 é um enriquecimento severo; 25–50 é um enriquecimento muito grave; e> 50 é um enriquecimento extremamente grave

Os autores do estudo indicam que as diferenças nas concentrações de metais na água e nos sedimentos entre os lados a montante e a jusante da barragem ilustram o efeito dos rejeitos no rio Paraopeba.  Além disso, testes toxicológicos que foram realizados como parte da pesquisa demonstraram que a água e os sedimentos eram tóxicos para diferentes níveis tróficos, de algas a microcrustáceos e peixes. Além disso, os peixes expostos à água e sedimentos contendo minério também acumularam metais no tecido muscular.

Uma observação importante do estudo é que a avaliação dos resultados obtidos aponta para a necessidade de monitoramento de longo prazo na área afetada, de forma a avaliar os impactos de longo prazo que a Tsunami de Brumadinho provocou no Rio Paraopebas.

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Observatório dos agrotóxicos: a inédita lista dos 101 produtos liberados em 2020

agrotoxico-brasil

Em meio ao avanço devastador da pandemia da COVID-19 em todo o mundo, o Brasil incluso, o “Observatório dos Agrotóxicos “, que criei em janeiro de 2019 para informar sobre as liberações de agrotóxicos pelo governo Bolsonaro, está lançando a lista completa dos 101 agrotóxicos liberados nos 3 primeiros meses de 2020.

Ainda farei análises adicionais nos próximos dias, mas já observei que a forte predominância de empresas chinesas na oferta dos produtos que estão sendo liberados no Brasil continua firme e forte, com a China sediando 70,3 % das firmas que estão tendo agrotóxicos liberados (ver figura abaixo com os números absolutos por país exportador).

agrotóxicos liberados março 2020

Há ainda que se observar que a influência chinesa pode ser maior na medida em que empresas que foram adquiridas em outras partes do mundo pelas estatais chinesas, como é o caso da Syngenta.

Os dados mostram ainda que o Brasil sedia menos de 6% das empresas que tiveram produtos aprovados.  Um detalhe peculiar dessas aprovações é que todos os agrotóxicos aprovados são do tipo “controle biológico”, o que, em tese, mostraria um potencial para que a dependência externa em agrotóxicos altamente perigosos possa ser diminuída no futuro.

Entretanto, dentre os 101 agrotóxicos liberados, cerca de 30% deles está proibida pela União Europeia, o que reforça a tendência já ocorrida nas aprovações realizadas em 2019 do Brasil se tornar uma espécie de “zona de sacrifício” para onde as grandes corporações multinacionais estão despejando agrotóxicos que já foram banidos nos seus países sedes, inclusive a própria China que já baniu o perigoso Paraquate.

Quem desejar acessar a base completa dos 101 agrotóxicos aprovados pelo governo Bolsonaro até o dia 31 de março, basta clicar [Aqui!]