Eleições 2018: Rafael Diniz é o melhor cabo eleitoral de Campos, mas para seus opositores!

Tendo lido e assistido a um série de materiais postados nas redes sociais sobre a atual campanha eleitoral em Campos dos Goytacazes e a impressão que tenho é que o jovem prefeito Rafael Diniz (PPS) se tornou o melhor cabo eleitoral reverso da história das campanhas eleitorais recentes do nosso município.

O problema é que os beneficiários da “popularidade” angariada por Rafael Diniz em quase dois anos de governo da “mudança” são Caio Vianna (PDT) e Wladimir Garotinho (PRP) que parecem estar marchando para uma votação significativa para a Câmara Federal. Enquanto isso, o vereador Marcão Gomes (PR), o popularmente conhecido como “Marcão Gomes”, o mais fiel dos vereadores ao governo Rafael Diniz na Câmara de Vereadores, tem aparecido em vídeos nada abonadores, como um que vi sobre uma visita que ele fez a Morro do Coco.

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Mas como a atual eleição é revestida de elementos imprevisíveis, pode até ser que o cenário acima tenha uma reversão na hora do eleitor apertar o botão da urna. Agora, algo muito diferente vai ter que acontecer para que Caio Vianna e Wladimir Garotinho não saiam com votações que os habilitem a pleitear a vaga a que concorrem, e que o vereador Marcão Gomes tenha que se contentar com a vereança, pelo menos até as eleições de 2020. A ver!

Furacão Florence gera sopa tóxica que pode causar catástrofe ambiental na Carolina do Norte

Estou aproveitando a minha atual estada em Lisboa para retomar a leitura de algumas obras que as minhas obrigações profissionais cotidianas acabam impedindo. Um desses livros é o “Animal Factory” de David Kirby onde são descritas as consequências ambientais das chamadas “corporate farms” que dominam a agricultura estadunidense [1].

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Curiosamente um dos casos que Kirby descreve em detalhe são as fazendas de suínos na Carolina do Norte que concentram a maior densidade de animais em todos os EUA, já tendo causado inúmeros incidentes ambientais, incluindo a poluição de corpos aquáticos e o extermínio de populações de peixes que habitam os rios e baías que existem naquele estado. 

Ao assistir as notícias que davam conta da chegada do Furacão Florence na costa da Carolina do Norte, pensei logo que havia uma enorme chance de que as descrições de David Kirby para um cenário relativo à década de 1990 iriam ganhar atualidade. Isso se daria a partir da possibilidade de que as centenas lagoas que estocam rejeitos das fazendas de suínos seriam inundadas pela chegada massiva de água que se seguiria à passagem do Florence.

Pois bem, hoje a Vice News publicou um artigo intitulado “HURRICANE FLORENCE IS TURNING NORTH CAROLINA INTO A TOXIC STEW OF PIG POOP, SEWAGE, AND COAL ASH” (ou em bom português “O Furacão Florence está transformando a Carolina do Norte em uma sopa tóxica que mistura fezes de porcos, esgoto e cinzas de carvão“) assinado pela jornalista Sarah Sax que confirma as minhas piores expectativas [2]. Entre outras coisas, o artigo informa que o cerca de 1 metro de chuva que o Florence despejou na Carolina do Norte fez com que esse caldo tóxico chegassem em rios, lagos e áreas residenciais, com consequências dramáticas para o ambiente e os habitantes das áreas afetadas.rn

Vista aérea de fazendas corporativas com suas lagoas de rejeitos tóxicos antes e depois da chegada das águas trazidas pelas chuvas do Furacão Florence.

Como o processo de elevação do nível das águas ainda nem chegou no seu limite mais alto, a consequência da chegada desse caldo químico poderá significar que mais contaminantes (por exemplo: salmonella, giardia, e E-coli) que estavam estocados nas lagoas ainda serão liberados no ambiente, tendo o potencial de causar um catástrofe ambiental.

Nesse sentido, os aspectos mais graves da crise que está se desenvolvendo na costa leste dos EUA podem ainda estar em desenvolvimento, com consequências potencialmente graves que vão além da inundação. De quebra, o que esta situação demonstra é que como não se deu ouvidos aos avisos colocados por David Kirby no seu “Animal Factory” sobre a forma de produzir alimentos, especialmente de natureza animal, é bem possível que seja colocado um espesso véu de silêncio sobre o que está, literalmente, fermentando nas águas contaminadas da Carolina do Norte.


[1] https://www.amazon.com/Animal-Factory-Looming-Industrial-Environment/dp/0312380585

[2] https://news.vice.com/en_us/article/7xjb4d/hurricane-florence-is-turning-north-carolina-into-a-toxic-stew-of-pig-poop-sewage-and-coal-ash

Atlas do Agronegócio: uma leitura necessária para se entender o controle das corporações sobre a nossa comida

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A Fundação Heinrich Böll Brasil e a Fundação Rosa Luxemburgo  acabam de lançar uma obra que é fundamental para quem quiser entender o que anda realmente acontecendo nas áreas rurais brasileiras.

O Atlas do Agronegócio reúne fatos e números sobre as corporações que controlam a produção agrícola no Brasil. A publicação é a versão brasileira do Atlas publicado na Alemanha em 2017. O Atlas do Agronegócio possui artigos originais de autores brasileiros, que falam sobre a concentração do setor, entre outros temas como agrotóxicos, qualidade do alimento, conflitos no campo, lobby do agronegócio, biofortificação, condições do trabalho, resistência e agroecologia.

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Quem desejar acessar o arquivo contendo o Atlas do Agronegócio, basta clicar [Aqui!]

Com Bolsonaro no hospital, vice diz que “casa só com ‘mãe e avó” são “fábricas de desajustados” que fornecem mão de obra para o narcotráfico

Muitos analistas esperavam que o atentado cometido contra Jair Bolsonaro em Juiz de Fora e consequente ida do capitão para a UTI do Albert Einstein, o dublê de general da reserva e candidato a vice-presidente, Hamilton Mourão, iria se aproveitar para elevar o nível da qualidade da campanha. É que sendo mais intelectualmente preparado, se esperava de Mourão que elevasse a capacidade de análise da realidade e, ao mesmo tempo, diminuísse o volume da retórica.
Pois bem, quem apostou numa postura mais elevada de Hamilton Mourão, errou redondamente. É que na tarde desta segunda-feira, Mourão conseguiu ao mesmo tempo alienar países em desenvolvimento que são parceiros comerciais do Brasil ao chamá-los de “mulambada” e, ainda pior, colocar sobre os lares comandados por mães e avós o epíteto de serem “fábrica de desajustados” que fornecem mão de obra para o narcotráfico [1] .
Mourão
Inobstante o alvo que o vice de Jair Bolsonaro tivesse em mente quando emitiu essa opinião escabrosa, o fato é que objetivamente ignorou a luta cotidiana que se desenvolve em lares encabeçados por mulheres e impõe a milhões de brasileiras uma responsabilidade que não lhes é devida.


Agora, vejamos como se comportarão eleitores brasileiros que cresceram nos lares que o general da reserva designou como sendo “fábricas de desajustados” que “fornecem mão de obra para o narcotráfico”. Ficarão com a dupla ou com suas mães e avós. A ver!


[1] https://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/09/casa-so-com-mae-e-avo-e-fabrica-de-desajustados-para-trafico-diz-mourao.shtml

SEMINÁRIO UFRJ: Política do Petróleo, Educação, Ciência Tecnologia e Saúde

petroleo

O que significa a descoberta e exploração das reservas de petróleo do Pré-sal para o desenvolvimento do País e de nosso povo? Os recursos advindos dessa riqueza descoberta por brasileiros, com tecnologia brasileira precisam ser entregues para empresas estrangeiras?

O que significa Cessão Onerosa? Contrato de Partilha? Os recursos do Pré-sal serão mesmo alocados para as áreas de Educação, Saúde, Ciência e Tecnologia? Qual o real montante desses recursos? Como dar continuidade ao papel da Petrobras como instrumento estratégico do desenvolvimento brasileiro?

Qual a Política de Petróleo que realmente interessa ao Brasil?
A Universidade não pode se omitir e precisamos discutir com urgência a Política Nacional do Petróleo e a destinação dos seus recursos.

Mais do que convidar, estamos convocando e mobilizando todo o corpo social da UFRJ para discutir, conhecer e, se for necessário, resistir aos rumos atuais que estão impondo à nossa Política do Petróleo e à Petrobras.

Vamos todos, Professores, funcionários técnico-administrativos em Educação, estudantes de graduação e pós-graduação, organizações da sociedade civil, sindicatos, associações de classe e o público em geral debater, questionar e encontrar respostas!!!

PROGRAMAÇÃO

8:00 as 8:30 – Recepção com Café da manhã
8:30 às 10:05 – Mesa de Abertura – Estado e Política do Petróleo. O Papel da Universidade.
Presidente da Mesa – Professor Roberto Leher (Reitor da UFRJ)
Arthur Raguso – Diretor de Formação da Federação Única dos Petroleiros
Prof. Luiz Pinguelli Rosa (COPPE/UFRJ).
Guilherme Estrela – Geólogo, Ex diretor de Exploração e Produção da Petrobrás.

10:05 às 10:35 – Debate com os participantes

10:35 às 10:45 – Intervalo para troca da mesa

10:45- as 12:05 – Mesa Redonda: Política do Petróleo e Orçamento Federal. Recursos para Educação, Ciência, Tecnologia e Saúde. Royalties, Fundo Social e Pré-sal, Fundos Setoriais, Dívida Pública.
Presidente da Mesa – Prof. Carlos Levi da Conceição (Ex-Reitor da UFRJ)
Prof. Eduardo Costa Pinto(I.E./UFRJ)
Prof. Roberto Leher (Reitor / UFRJ)
Profa. Esther Dweck (I.E./UFRJ)

12:05 às 12:35 – Debate com a plateia

12:35 – Encerramento

Realização:
Reitoria da UFRJ
Fórum de Ciência e Cultura – FCC

Apoio: DCE Mário Prata, ADUFRJ, SINTUFRJ
Detalhes do evento:

Dia(s): 18/09/2018
Horário: 8:30 – 13:00

Local: Auditório CGTEC-CT2
R. Moniz de Aragão, 360 – Cidade Universitária/Ilha do Fundão
Rio de Janeiro – CEP 23058-440

Evento Gratuito
Sem inscrição

http://ufrj.br
contato: jessicalemos.ufrj@gmail.com
Telefone de contato: 021-3938-2722

Coordenadoria de Comunicação da UFRJ

Cientistas e a necessidade de transmitir conhecimento científico

A criação deste blog decorreu da minha insatisfação pessoal com os limites das formas tradicionais de comunicação da ciência, especialmente no tocante à necessidade de informar a sociedade sobre o que pode ser considerado “conhecimento científico”. Como parte do que faço sofre implicações diretas das ações das políticas do Estado e, por isso, forçosamente me vejo obrigado a transmitir fatos e opiniões que aparecem como politizadas, e não necessariamente decorrentes daquilo que eu e meu grupo de pesquisa desenvolvemos enquanto prática de investigação científica.

Interessante notar que a oposição e os primeiros ataques ao que é veiculado neste blog surgiram dentro da instituição onde trabalho, já que muitos colegas viram a construção deste blog como uma ação menor e sem valor científico. Alguns chegaram a me rotular de “blogueiro”, como se isto fosse algo menor e sem qualquer valor acadêmico.

Pois bem, hoje é celebrado em Portugal o “Dia Internacional do Microorganismo” e, em consequência disso, um evento internacional está sendo realizado no Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa. Uma das palestras a que assisti versou exatamente sobre a importância dos cientistas fazerem um esforço explícito para comunicar o resultado de suas pesquisas à população, de forma ampliar a cultura científica, servindo assim para diminuir as possibilidades de que a desinformação (ou as “fake news”) sejam usadas para moldar a opinião pública.

Uma das experiências nesta palestra foi o uso da rede social “Twitter” como uma sala de aula virtual para disseminar conhecimentos sobre microbiologia, adotando-se os limites de palavras de cada tweet para se estruturas aulas de 30 a 40 minutos, nas quais são distribuídos links para vídeos, imagens e conteúdos.

Entender esse papel da disseminação da cultura científica será fundamental para o futuro da própria ciência, na medida em que estamos enfiados num contexto histórico onde a negação do papel do conhecimento e da cultura científica estão sendo utilizados para abrir caminho para políticas que implicam, no caso de países como o Brasil, numa profunda regressão nos já precários índices de desenvolvimento humano.  

O problema, no caso do Brasil, parece ser a extrema dificuldade que ainda estamos enfrentando dentro da própria comunidade científica para que se saia do conforto aparente do interior dos muros universitários (metafóricos ou reais) para se disseminar conhecimento numa sociedade onde esta é mais uma “commodity” que é negada à maioria da nossa população.

 

 

Boulos lança sementes e sairá maior do que entrou na campanha presidencial

Manifestação contra o presidente interino Michel Temer

Já abordei por mais de uma vez os problemas cercando a candidatura do líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, à presidência pelo PSOL. Esta candidatura nasceu sobre o desígnio de uma decisão de cima para baixo dos setores que hegemonizam a direção do PSOL que preferiu apostar num “outsider” a bancar uma figura que estivesse há mais tempo envolvido na construção do partido. 

Depois que a candidatura foi imposta e oficialmente lançada, o problema parece ter se movido para o campo dos pragmatismos que têm marcado a existência do PSOL, mormente a opção por aumentar as bancadas estaduais e a federal.  Em função disso, Guilherme Boulos tem sido deixado, com todas as suas próprias contradições, como se estivesse num barco à deriva, já que os recursos curtos são direcionados ao objetivo de aumentar bancadas. Por isso, Boulos continua marcando traço nas seguidas pesquisas eleitorais, perdendo ou empatando com os candidatos do PSTU (Vera Lúcia) e do Patriota (Cabo Daciolo).

Felizmente, Guilherme Boulos tem sabido navegar nas águas turvas em que foi jogado, e vem efetivamente abrindo canais de diálogo com setores com os quais o PSOL demoraria ainda algumas décadas (isto se o partido resistir à passagem do tempo) e lançando as bases para a construção de bases políticas que permitam o fortalecimento de uma perspectiva classista que se insira de forma decisiva na luta de classes no Brasil.

Assim, Guilherme Boulos, em que pesem suas vacilações em face do PT e do lulismo, vai se alçando a ocupar um papel de frente nos anos duros que teremos pela frente. É isto talvez a única notícia realmente positiva de toda a conjuntura política em que estamos imersos. É que finalmente está surgindo uma nova liderança política que aponta para a necessidade de se fortalecer o processo de organização dos pobres para que estes possam de forma autônoma lutar pelos seus direitos.  E mesmo que isto não se transforme imediatamente em votos, o fato é que Boulos está agindo para que possamos avançar para além da hegemonia que o PT efetivamente possui dentro da esquerda brasileira.

Como já disse antes, Guilherme Boulos sairia maior da campanha eleitoral do que entrou, e me parece que isto está efetivamente acontecendo por méritos essencialmente dele. Resta a expectativa de que as sementes que Boulos está lançando possam germinar e desabrochar, em que pese o terreno árido em que nos encontramos neste momento.

Por fim, para aqueles que acham que essas sementes devem germinar, o maior desafio é não cair na pressão do voto útil. Essa pressão visa e tão somente esterilizar as sementes que Guilherme Boulos está lançando.