Addicted to poison! Governo Bolsonaro promove “libera geral” de agrotóxicos banidos em outras partes do mundo

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Dentre os novos registros, 10 são fabricados no exterior. Desde janeiro, o Ministério da Agricultura divulgou mais 210 pedidos de registros. Glifosato, um dos venenos mais utilizados no país, está com reavaliação toxicológica em aberto há 10 anos

Por Pedro Grigori, Agência Pública/Repórter Brasil

Em 42 dias desde que Jair Bolsonaro assumiu a presidência da República, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) publicou a autorização de 57 novos produtos elaborados com agrotóxicos. Em média, mais de um por dia. As últimas aprovações foram divulgadas na edição desta segunda-feira, dia 11 de fevereiro, do Diário Oficial da União. São 19 produtos, dos quais 12 foram classificados como extremamente tóxicos – maior grau toxicológico possível.

Todos os ingredientes dos novos produtos já eram comercializados no Brasil. A novidade é que eles passam a ser autorizados para uso em novas culturas, para fabricação por novas empresas ou para serem associados em combinações com outros químicos. Com isso, o Brasil chega a 2.123 produtos elaborados com agrotóxicos em circulação.

Entre os pesticidas com novos registros aprovados nesta semana está o Mancozebe, usado em culturas como arroz, banana, feijão, milho e tomate. Além do Piriproxifem, indicado para café, melancia, soja e melão. Mesmo classificados como extremamente tóxicos e com uso indicado para produtos que fazem parte da dieta de quase todo brasileiro, os pesticidas são de uso seguro, segundo o Ministério da Agricultura.

Porém, outros países não enxergam os produtos do mesmo modo que o Governo Federal. Entre os tóxicos estão o Imazetapir e o Hexazinona, que tiveram a comercialização reprovada na União Europeia por serem considerados muito tóxicos. O primeiro deles é um herbicida usado em culturas como a da soja, que teve o registro negado pelos europeus em 2004. O segundo é um herbicida utilizado em plantações de cana-de-açúcar, rejeitado na Europa em 2002.

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Desde que Jair Bolsonaro assumiu a presidência da República, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento concedeu o registro a 57 produtos agrotóxicos. Marcos Corrêa/PR
Desde que Jair Bolsonaro assumiu a presidência da República, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento concedeu o registro a 57 produtos agrotóxicos
Ambos são venenos aplicados por pulverização aérea, prática em que o fitossanitário é lançado por pequenos aviões, atingindo mais rápido grandes plantações, mas podendo também contaminar regiões próximas à lavoura.

Dos 19 tóxicos aprovados, nenhum é inédito. Porém, agora eles passam a ser produzidos por mais empresas, ou em novas culturas. Entre eles está o Glifosato, que teve três novos registros aprovados. Dois deles pela empresa Monsanto, que descobriu e desenvolveu o produto, colocando-o à venda pela primeira vez em 1974 nos Estados Unidos. O pesticida é um ácido, mas é aplicado nas lavouras na forma de sal, como isopropilamina, amônio ou potássio. Os novos registros concedidos à Monsanto são para comercialização do veneno em forma de sal de Di-amônio Eles chegaram às lojas com os nomes Roundup Original Mais e Decisive, e com a classificação “Altamente Tóxico”. O que difere os produtos será a quantidade necessária para aplicação.

Além deles, a Agroimport do Brasil também conseguiu autorização para vender nova combinação de Glifosato em forma de sal de isopropilamina. O produto é mais agressivo toxicologicamente, classificado como Extremamente Tóxico.

O glifosato pode ser utilizado em diversas culturas de plantações, como as de soja, milho e algodão — algumas das mais importantes para o agronegócio brasileiro, o que torna um dos tóxicos mais vendidos no país. O ingrediente ativo é usado por mais de 100 marcas apenas no Brasil, mas está ligado a diversas polêmicas.

Em agosto de 2018, a juíza federal substituta da 7ª Vara do Distrito Federal, Luciana Raquel Tolentino de Moura, determinou a suspensão do registro de produtos à base de glifosato no Brasil até que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) concluísse um processo de reavaliação do uso do veneno que está em aberto desde 2008. Ela deu o prazo de até 31 de dezembro daquele ano para conclusão da análise. Porém, um mês depois, o desembargador Kássio Marques, presidente em exercício do Tribunal Regional Federal da Primeira Região (TRF-1), derrubou a liminar. Segundo ele, não era possível suspender o registro dos produtos sem análise dos graves impactos que a medida traria à economia do país.

A reavaliação está parada, quase 11 anos depois de ter sido iniciada, segundo consta no site da Anvisa. Segundo o site, a expectativa do órgão é concluir a análise toxicológica ainda em 2019. A partir daí, a nota técnica resultante será colocada em consulta pública, quando a sociedade poderá se manifestar e contribuir com a reavaliação do agrotóxico.

Autorização para australianos, suíços, indianos e chineses

Empresas de diversas partes do mundo conseguiram registros para vender agrotóxicos no Brasil. Entre os defensivos mais tóxicos aprovados agora está o fungicida sistêmico Azoxistrobina, com dois registros de comercialização: um concedido à empresa de origem australiana Nufarm Indústria Química e Farmacêutica e à empresa suíça Syngenta Proteção de Cultivos, para culturas de algodão, arroz irrigado, café, cana-de-açúcar, feijão, milho, soja e trigo. A empresa indiana Arysta Lifescience do Brasi teve seu herbicida Cletodim Haloxifope-P-metilico aprovado para culturas de eucalipto e pinus. Já a Adama Brasil conseguiu autorização para produzir o inseticida carbamato Metomil para uso no algodão, batata, café, feijão, milho, soja e trigo. Também foi aprovado o sal de dimetilamina do 2,4-D da BRA Defensivos Agrícolas, usado em lavouras de arroz,café, cana-de-açúcar, milho, pastagem, soja e trigo. E a Rotam do Brasil e Syngenta, que dois registros de Abamectina o segundo indicado para algodão, cana-de-açúcar, milho e soja.

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Entre os pesticidas aprovados estão o Imazetapir e o Hexazinona, que tiveram a comercialização reprovada na União Europeia por serem considerados muito tóxicos

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Com uma população acima dos 200 milhões e uma economia baseada no agronegócio, o Brasil tornou-se o maior consumidor de agrotóxico do mundo — cerca de 7,3 litros de defensivo por pessoa a cada ano. Com isso, os olhos de multinacionais produtoras de todo planeta se voltam para o país. Dos 19 novos registros publicados nesta semana, em 16 a China aparece como um dos endereços de fabricação, e em cinco os Estados Unidos e a Índia. Em 10 dos deferimentos, a titular do registro não possui uma única fábrica instalada no Brasil.

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O grande número de companhias no mercado de agrotóxico explica também porque vários grupos pedem registro de um mesmo veneno ou ingrediente ativo. A partir do momento que as empresas produtoras iniciais perdem a patente, as demais podem começar a solicitar registro para usar esses ingredientes ativos e produzir novos produtos agrícolas. Há também casos como o da Monsanto, principal vendedora de glifosato, que solicita registros para novas versões do mesmo veneno ou para utilização dos defensivos em culturas diferentes.

Mais pedidos de registros

O número de tóxicos aprovados no Brasil cresce anualmente. Em 2005, apenas 91 registros foram deferidos, enquanto no ano passado, foram 450, recorde histórico. E o número deve continuar aumentando. Na edição do Diário Oficial desta segunda-feira foram publicados também o pedido de registro de mais 79 produtos. No mês passado, outras 131 solicitações foram divulgadas.

Questionado pela Agência Pública e Repórter Brasil se os 57 registros de agrotóxicos em pouco mais de 40 dias era considerado normal, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento não respondeu até a publicação desta reportagem.

 

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Monsanto. O glifosato pode ser utilizado em diversas culturas de plantações, como as de soja, milho e algodão
Antes de chegar ao mercado, a substância precisa passar por avaliação do Ministério da Agricultura, Ibama e da Anvisa. Os órgãos fazem diversos testes para medir, por exemplo, o grau toxicológico e o potencial de periculosidade ambiental. Todo o processo pode levar mais de cinco anos — prazo criticado por parlamentares ligados ao agronegócio. Nos últimos anos, os órgãos avaliadores afirmam estar modernizando o sistema para que os processos demorem menos.

O Ibama, por exemplo, diz que o “aperfeiçoamento de procedimentos e incorporação de novos recursos de tecnologia de informação” é responsável pelo processo correr mais rápido. Enquanto o Ministério da Agricultura informa que a maior rapidez se deve a uma nova política que prioriza os produtos de baixa toxicidade, que contêm organismos biológicos, microbiológicos, bioquímicos, semioquímicos ou extratos vegetais.

A Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida posicionou-se contrária à liberação dos defensivos, afirmando se tratar de uma retribuição de imediato a todo o apoio do agronegócio dados durante as eleições. “Repudiamos de forma veemente a flexibilização do marco legal dos agrotóxicos no Brasil e a enxurrada de novos produtos registrados neste ano. Os agrotóxicos no Brasil já representam hoje um grave problema de saúde pública, e a inserção no mercado de mais produtos agravará ainda mais os perigos aos quais a população está submetida”.

Esta reportagem faz parte do projeto Por Trás do Alimento, uma parceria da Agência Pública e Repórter Brasil para investigar o uso de Agrotóxicos no Brasil. A cobertura completa está no site do projeto.  Esta reportagem foi originalmente publicada [Aqui!]

Governo Bolsonaro desvia R$ 600 bilhões da Previdência para pagar dívida

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Por Portal Viu!

Por meio de decreto publicado no Diário Oficial da União (edição do último dia 8), o presidente Jair Bolsonaro autorizou a transferência de mais de R$ 600 bilhões da seguridade social para cobrir encargos financeiros do governo. A denúncia é do site Jornalistas Livres.

O decreto também autoriza a transferência de recursos da Previdência Social aos Estados, Distrito Federal e Municípios.

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Os recursos da seguridade social são oriundos do orçamento da previdência social, que é mantida com contribuição de trabalhadores, fatia de impostos e parte do dinheiro das loterias.  

O decreto, que também tem assinatura do ministro da Economia Paulo Guedes, gera desconforto no momento em que o governo tenta promover uma reforma previdenciária sob a argumentação de que a previdência social é detentora de um rombo financeiro que a condena a falência no futuro.

Auditorias independentes, no entanto, afirmam que a previdência social brasileira é superavitária, com orçamento bilionário, mas enfrenta dificuldades em custear a seguridade social, porque tem o dinheiro desviado para cobrir dívidas do governo. 

FONTE: https://www.portalviu.com.br/politica/governo-desvia-r-600-bi-da-previdencia-para-pagar-divida/

Ricardo Salles, um condenado por improbidade administrativa, conspurca a memória de Chico Mendes

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O líder seringueiro Chico Mendes, assassinado em 1988 por sua defesa das florestas da Amazônia, em sua casa em Xapuri no Acre.

O advogado Ricardo Salles está ministro do Meio Ambiente do governo Bolsonaro porque simplesmente a justiça brasileira não aplicou a ele os mesmos critérios usados contra, por exemplo, o ex-presidente Lula que foi impedido de assumir um cargo na governo de Dilma Rousseff.

Afora o flagrante desencontro no tratamento dado a Ricardo Salles que permanece no cargo de ministro do Meio Ambiente em que pese a sua condenação por improbidade administrativa por ter beneficiado mineradoras ao alterar mapas de uma área de proteção ambiental enquanto era secretário estadual no governo de Geraldo Alckmin (PSDB), a permanência dele no cargo é uma declaração explícita de despreocupação do governo Bolsonaro com a formulação de políticas públicas que equilibrem as demandas de crescimento econômico com a necessidade de estabelecer as devidas medidas de proteção ambiental.

Mas Ricardo Salles não parece ser daquele tipo que se detém diante da própria inaptidão para o cargo que ocupa.  Só isso explica a declaração estapafúrdia que ele fez ontem no programa “Roda Viva” quando foi perguntado sobre o que achava sobre o líder seringueiro Chico Mendes que morreu assassinado em 1988, justamente pela sua defesa das florestas amazônicas (ver vídeo abaixo).

Como pode se ouvir no vídeo, ao ser perguntado sobre o que achava sobre Chico Mendes, Ricardo Salles além de mostrar ignorância sobre algo que deveria estar na ponta da língua que foi o papel histórico cumprido pelo líder seringueiro assassinado por latifundiários, o ainda ministro do Meio Ambiente não hesitou em lançar uma acusação que ninguém já ousou proferir publicamente: Chico Mendes era um manipulador e um aproveitador. E quem foi a fonte das informações que levaram a ter esse entendimento de Chico Mendes?Obviamente, os latifundiários que não ficaram nada triste com o seu assassinato.

Não contente em conspurcar a memória de uma liderança assassinada de forma covarde já que não citou evidências factuais nem documentos, Ricardo Salles ainda resolveu dar mais um tiro em Chico Mendes ao dizer que ele é atualmente irrelevante. Dada a docilidade da banca de entrevistadores,  Ricardo Salles acabou ficando sem a devida resposta sobre quem é irrelevante na atual conjuntura histórica onde a necessidade de unir atividade econômica e preservação ambiental não apenas está e pela ciência, mas reconhecida como essencial por boa parte da humanidade.

É que, convenhamos, irrelevante será Ricardo Salles em um período de tempo que não deverá ser muito longo.  Pois como bem disse, a atleta olímpica Joanna Maranhão em sua página oficial na rede social Twitter, “se Chico Mendes é irrelevanta pra pauta ambiental, qual é a relevância de Ricardo Salles” ?

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Entretanto, há algo de positivo neste ataque de Ricardo Salles a Chico Mendes. É que diante de tamanho despautério, não há como ninguém minimamente sério querer ficar associado ao ainda ministro do Meio Ambiente. E luta que segue, até por respeito à memória de Chico Mendes e de tantos outros que tombaram por sua defesa das florestas nacionais. 

Chico Mendes, presente!

 

Produtores de leite bloquearam centro de treinos do Cagliari

Protestos em toda a Sardenha contra a redução do preço do leite chegaram até ao futebol. Jogadores derramaram leite em sinal de solidariedade e só depois puderam viajar para Milão

Por Rui Frias para o Diário de Notícias de Portugal

Em luta contra a baixa do preço do leite que ameaça a sustentabilidade dos produtores, os protestos dos criadores de gado estenderam-se um pouco por toda a Sardenha e uma centena deles resolveu mesmo bloquear o centro de treinos do Cagliari, equipa da Série A italiana.

Os produtores chegaram carregados de recipientes com leite e bloquearam a saída, pedindo para falar com jogadores e dirigentes do clube. Sob supervisão das forças de segurança e num ambiente pacífico, os agricultores pediram que o Cagliari se juntasse a este protesto e que não viajasse para Milão, onde domingo defronta o AC Milan.

“Então – disse um dos criadores -, nos jornais escrever-se-á que o jogo foi adiado não por neve ou chuva, mas por protesto contra os industriais do leite”. “Só queremos defender os nossos direitos. Nós produzimos leite a um euro mais IVA e não voltamos atrás. Se não conseguem vendê-lo a um preço decente nos supermercados não é culpa nossa”, justificaram os manifestantes.

Tudo se resolveu com alguns jogadores, como Barrella, Deiola ou João Pedro, a juntarem-se de forma simbólica ao protesto, derrubando alguns litros de leite no chão. “Preferimos deitar o leite fora do que baixar o preço”, garantem os produtores. A equipa do Cagliari seguiu entretanto viagem para Milão.

FONTE: https://www.dn.pt/desportos/interior/produtores-de-leite-bloquearam-centro-de-treinos-do-cagliari-10560885.html

Sob comando da Musa do Veneno, Ministério da Agricultura libera mais 19 agrotóxicos

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Diário oficial desta segunda (11) publica o registro de mais 19 agrotóxicos pelo MAPA. Só este ano, novos produtos já chegam a 57

Nota da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida

Passados 42 dias do ano de 2019, o Ministério da Agricultura já publicou o registro de 57 novos agrotóxicos ou produtos técnicos. Com os 19 novos produtos publicados hoje, temos uma média de 1,3 agrotóxicos novos por dia, incluindo sábados, domingos e feriados. No total, temos hoje 2123 produtos formulados de agrotóxicos registrados no Brasil. A Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida vem a público fazer as seguintes afirmações:

  1. Durante a campanha eleitoral de 2018, alertamos por diversas vezes o risco, no campo dos agrotóxicos, da eleição de Jair Bolsonaro. Sua aliança com setores ruralistas mais atrasados resultou na indicação da Musa do Veneno, Tereza Cristina, para comandar o Ministério da Agricultura, bem como a indicação do que poderia ser considerado o “Muso do Veneno”, Valdir Colatto, para o comando do Serviço Florestal Brasileiro, também dentro do MAPA;
  2. Ao contrário de outras áreas do governo, o setor de liberação de agrotóxicos já está mostrando resultados concretos desde já. A liberação dos 57 agrotóxicos é um fato concreto, que retribui de imediato todo o apoio do agronegócio dados durante as eleições;
  3. Os 19 agrotóxicos liberados hoje revelam falhas gritantes nos argumentos dos ruralistas – chefiados por Tereza Cristina – durante os debates que levaram à aprovação do Pacote do Veneno na sua comissão especial;
  4. O primeiro argumento era de que a atual legislação atrasa o registro de novas substâncias por conta da burocracia. Está provado que, com a devida “vontade política”, é possível realizar as aprovações em tempo relâmpago;
  5. Além disso, argumentava-se também que esta demora prejudicava a aprovação de agrotóxicos menos tóxicos, para substituir as substâncias antigas. Dos 19 agrotóxicos aprovados hoje, 12 foram classificados como Classe I – Extremamente Tóxicos, e mais 3 são considerados Classe II – Altamente Tóxicos. Em relação ao meio ambiente, 6 são considerados Altamente Perigosos ou Muito Perigosos ao Meio Ambiente;
  6. É importante lembrar ainda que esta classificação de toxicidade não leva em conta problemas crônicos de saúde como câncer, problemas neurológicos ou alterações genéticas. Também não são levados em conta problemas decorrentes da interação entre agrotóxicos. Quatro dos registros publicados hoje se referem a misturas de duas substâncias;
  7. Quatro registros publicados hoje se referem a substâncias que ainda se encontram em processo de reavaliação pela Anvisa. São produtos à base de Abamectina e Glifosato;
  8. A Abamectina encontra-se em reavaliação pela Anvisa desde 2008. O produto tem suspeita de toxicidade reprodutiva e disrupção endócrina;
  9. O Glifosato também encontra-se em reavaliação desde 2008. Em 2015, a Organização Mundial da Saúde, por meio da sua agência para o câncer – IARC, classificou o Glifosato como provavelmente cancerígeno. Em 15 de janeiro deste ano, a França proibiu a substância.

Deste modo, repudiamos de forma veemente a flexibilização do marco legal dos agrotóxicos no Brasil e a enxurada de novos produtos registrados neste ano. Os agrotóxicos no Brasil já representam hoje um grave problema de saúde pública, e a inserção no mercado de mais produtos agravará ainda mais os perigos aos quais a população está submetida.

Afirmamos ainda que os únicos beneficiados pelas liberações são as empresas detentoras dos registros, como a Monsanto, Cropchem, Syngenta, Sumitomo, Nufarm, Arysta Lifescience e Adama, e os políticos eleitos em nome dos interesses do agronegócio. A saúde da população brasileira fica, como sempre, em segundo plano.


FONTE: http://contraosagrotoxicos.org/sob-comando-da-musa-do-veneno-ministerio-da-agricultura-libera-mais-19-agrotoxicos-hoje-2/

Desflorestamento da Amazônia, já em ascensão, pode subir sob Bolsonaro

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Por Robert T. Walker*

Nos últimos 25 anos em que tenho conduzido pesquisas ambientais na Amazônia, testemunhei a destruição contínua da maior floresta tropical do mundo. Vinte por cento disso já foi desmatado até agora – uma área maior que o Texas.

Por isso, fiquei esperançoso quando as políticas ambientais começaram a entrar em vigor na virada do milênio, e a taxa de desmatamento caiu de quase 17.600 km2 por ano para menos de 3.200 ao longo da década posterior a 2004.

Mas um novo clima político no Brasil, que se instalou antes mesmo de o presidente Jair Bolsonaro tomar posse em janeiro de 2019, levou a um aumento recente no ritmo de derrubada da floresta tropical. E Bolsonaro, um ex-oficial do exército, fez do desenvolvimento da Amazônia uma importante promessa de campanha.

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O rio Tapajós, a jusante de onde uma represa poderia ser construída. Robert T. Walker, CC BY-SA 

Represando o Tapajós

O que está em jogo é o que acontece com a região ao redor do rio Tapajós, um dos maiores afluentes da Amazônia e que abriga cerca de 14.000 pessoas da tribo Munduruku. Os Munduruku até agora desaceleraram com sucesso e aparentemente pararam muitos esforços para transformar os Tapajós no “Mississippi do Brasil”.

O rio Tapajós é o último afluente de águas claras da Amazônia sem represas. A bacia que a cerca é aproximadamente igual a 15% da Amazônia brasileira e do tamanho da França. Esta área remota tem uma grande biodiversidade e suas árvores armazenam grandes quantidades de carbono.

Como a floresta amazônica absorve grande parte do carbono emitido pela queima de combustíveis fósseis, os cientistas do clima consideram sua preservação fundamental para evitar um aumento no ritmo do aquecimento global.

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O Brasil está planejando construir uma série de grandes novas hidrelétricas e redes de hidrovias, ferrovias, portos e estradas que possam superar os obstáculos logísticos que impedem a exportação de commodities e outros bens

O governo suspendeu os planos para construir uma barragem de 8.000 megawatts no centro deste amplo projeto em 2016. Na época, citou a “inviabilidade do projeto dado o componente indígena” e declarou que deixaria de construir grandes barragens em 2018, antes de Bolsanaro tomar posse. 

No entanto, muitos observadores continuam muito preocupados sobre como a presidência de Bolsonaro afetará os Munduruku e a floresta tropical que eles protegem. Grupos como a International Rivers – uma organização sem fins lucrativos dedicada à “proteção dos rios e dos direitos das comunidades que dependem deles” – não estão prestes a declarar vitória. 

O estratagema sul americano 

Os planos de desenvolvimento da Amazônia no Brasil são parte de uma estratégia mais ampla que inclui todas as nações sul-americanas. Concebida pela primeira vez em 2000, a Iniciativa para a Integração da Infraestrutura Regional da América do Sul foi projetada para construir uma economia continental por meio de novas infraestruturas que fornecem eletricidade para a industrialização e facilitam o comércio e o transporte. 

Conhecida amplamente por suas abreviações espanhola e portuguesa como IIRSA, essa iniciativa está transformando a Amazônia, 60% da qual está localizada em território brasileiro, em uma fonte de energia hidrelétrica e um centro de transporte que conecta os oceanos Atlântico e Pacífico. Será mais fácil transportar soja brasileira para os mercados globais, e a produção de manufaturas se expandirá, estimulando o crescimento populacional na Amazônia. 

O projeto para desenvolver a Amazônia, que também inclui partes do Peru, Bolívia e outros seis países, prevê a construção de mais de 600 represas, 19.940 km de cursos d’água, cerca de 1,2 milhões de km de estradas, uma ferrovia transcontinental e um sistema de portos, grande parte no deserto tropical. 

Uma nova onda de desenvolvimento

Bolsonaro ainda não enfrentou os Munduruku ou tomou ações concretas para manter suas promessas sobre o desenvolvimento da Amazônia. Mas ele tomou medidas que apontam nessa direção com os funcionários que ele selecionou para os principais cargos. Ele também transferiu responsabilidades para a demarcação de terras indígenas do Ministério da Justiça para o Ministério da Agricultura, que uma lobista do agronegócio está chefiando

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Um complexo de barragens, estradas e canais comerciais poderia transformar a remota bacia do rio Tapajós em um centro comercial sul-americano no coração da floresta amazônica. Michael P. Waylen / Universidade da Flórida, CC BY-SA

Os planos do novo presidente brasileiro para a Amazônia vêm depois de décadas de desmatamento após a construção de estradas e hidrelétricas durante as décadas de 1960 e 1970. Esta onda inicial de construção abriu a região pouco povoada a um influxo de recém-chegados e contribuiu para a destruição de cerca de um quinto da floresta ao longo de quatro décadas. 

Depois veio uma onda de políticas ambientais mais fortes – como a aplicação mais rigorosa das leis de exploração madeireira, a expansão de áreas protegidas e a decisão voluntária dos produtores de soja de abster-se de derrubar a floresta – que reduziu a taxa de desmatamento da Amazônia brasileira após 2000. Pareceu-me e outros que uma nova era de conservação da Amazônia havia começado

Mas isso foi antes de entender todas as implicações da Iniciativa para a Integração da Infraestrutura Regional da América do Sul. 

Este plano é muito mais ambicioso do que os projetos anteriores de infraestruturas concluídos no final da década de 1970, e creio que poderia causar ainda mais destruição. 

Caso todos os seus componentes sejam construídos, a nova infraestrutura de transporte e energia provavelmente desencadearia uma nova onda de desmatamento que temo que possa ter impactos desastrosos sobre as comunidades indígenas que vivem na região. Os novos projetos precisam apenas repetir o que os projetos anteriores fizeram. Isso traria o desmatamento total para 40%. 

Cientistas do clima, como Carlos Nobre, temem que essa perda de floresta leve a Amazônia a um “ponto de inflexão” e prejudique o processo de reciclagem de chuvas, que reabastece o suprimento de água da Amazônia. O resultado seria um clima mais seco na Amazônia, que já começou a experimentar secas e a transformação da floresta em savana. Os povos indígenas sofreriam e a biodiversidade da Amazônia desapareceria. 

Um aumento maciço no ritmo do desmatamento na Amazônia poderia provocar mudanças climáticas nas Américas do Sul e do Norte. Os cientistas prevêem que a precipitação diminuiria em muitas áreas das Américas, incluindo a parte sudeste da América do Sul e o Vale do Rio Mississippi. O mundo inteiro sofreria com a redução da produção agrícola nessas duas regiões, que são importantes fornecedores globais de commodities agrícolas como o milho e a soja

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Atacando a Amazônia

Certamente, parte dessa construção já está em andamento no Brasil, principalmente para hidrelétricas. Até agora, 140 barragens foram construídas ou estão em construção, notavelmente a barragem de Belo Monte no rio Xingu e as barragens de Santo Antônio e Jirau nos rios Madeira. E os antecessores de Bolsonaro haviam reduzido algumas das áreas protegidas da Amazônia para facilitar o desenvolvimento.

Essas áreas protegidas cobrem 43% da Amazônia brasileira e são essenciais para manter a biodiversidade e seqüestrar carbono.

Quando Bolsonaro se dirigiu aos líderes mundiais no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, pela primeira vez, ele prometeu proteger o meio ambiente em seu país – que ele chamou de “um paraíso“.

Eu continuo cético, no entanto, dado que ele parece estar trabalhando em seu governo em preparação para projetos de construção que poderiam devastar a Amazônia, reduzindo sua biodiversidade e destruindo seus tesouros ecológicos e culturais.


*Robert T. Walker é Professor de Estudos Latino-Americanos da Universidade da Flórida.

Este artigo foi publicado originalmente em inglês pelo site “The Conversation” [Aqui!]

Brumadinho, desastre anunciado, Santa Barbara, uma possibilidade

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Por Frederico Lopes Freire*
A lição não foi aprendida, se em Mariana pode ser alegado algum desconhecimento ou desatenção pelo ineditismo, isto não se aplica a Brumadinho.
Versões sobre o ocorrido surgem diariamente, todas com foco em liquefação. Para haver liquefação obviamente é necessária a presença de líquido.
A observação simples de imagens disponíveis no Google Earth, em ordem cronológica a partir de 2011, até a última em 2018, são claras para qualquer observador mais atento, seja um especialista ou não.

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Imagem 03 – datada de 30 de julho de 2011
O escoamento das águas superficiais é claramente indicado pelas cotas de nível do interior da barragem, as setas indicando o fluxo em direção a dois pontos de drenagem (cotas 912 e 913).
Estas águas tem origem na precipitação pluvial no local e em encostas montanhosas na parte posterior da barragem, sendo visível na cota 948 um ponto de entrada de águas. Certamente não é o único, mas este é possivelmente alimentado por uma nascente ou córrego. Podemos observar também as cotas do perímetro da barragem e de alguns pontos do seu talude.
A mancha escura provocada pela presença e fluxo das águas superficiais é claramente visível.

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Imagem 04 – datada de 03 de setembro de 2012
Serviços de terraplanagem e outros não identificáveis estão sendo executados.
Canteiro de obras pode ser visto no talude da barragem. Os pontos de escoamento de águas da imagem anterior (03) foram desativados, e uma inversão da declividade a partir da barragem, indica o fluxo das águas superficiais na direção de uma área interna em torno da cota 912.
Cotas de perímetro inalteradas. No lado direito da imagem, cota 941, nova entrada de águas superficiais partindo da estrada adjacente, pode ser observada. O mesmo ocorre na extremidade oposta da barragem na cota 945.
Não são mais visíveis pontos de escoamento das águas superficiais. A mancha produzida pelo acúmulo de águas superficiais fica restrita a metade superior da área da barragem.

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Imagem 05 – Datada de 23 de agosto de 2014.
Não há alteração nas cotas de perímetro ou existência de atividades visíveis. A mancha produzida pelo acúmulo de águas superficiais se expande em direção a barragem.

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Imagem 06 – datada de 16 de agosto de 2015.
Não há alteração nas cotas e nem existência de atividades visíveis. A tonalidade da mancha produzida pelo acúmulo de águas superficiais se acentua, e ocupa agora toda a área da barragem.

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Imagem 07 – datada de 10 de junho de 2017
Não há alteração nas cotas e nem atividades visíveis. A tonalidade da mancha produzida pelo acúmulo de águas superficiais se acentua cada vez mais, ocupando toda a área da barragem. Não há drenagem visível, o rejeito continua sendo impregnado por água.

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Imagem 08 – datada de 21 de julho de 2018- última imagem disponível
Não há alteração de cotas ou atividades visíveis. A mancha produzida pelo acúmulo de umidade torna difícil identificar o tipo de superfície aparente.
O espaço de tempo entre a imagem 04, datada de 03 de setembro de 2012, quando foram eliminados os pontos de escoamento de águas superficiais, e a imagem atual, é de 2.146 dias, ou aproximadamente 6 anos. Devemos acrescentar mais 188 dias decorridos até o rompimento da barragem.

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Imagem 10 – com base na última imagem disponível ( 21/07/2018).
Indica uma bacia de contribuição de águas pluviais de aproximadamente 90 hectares para a barragem 1, apenas no trecho até a estrada acima.
Em todo o período de tempo analisado, nenhuma atividade relacionada com drenagem de águas superficiais pôde ser observada.
Não há liquefação sem a presença de líquido.
Olhos experientes teriam constatado que algo precisava ser feito com relação a drenagem local, independentemente de instrumentos de monitoramento. Não seria tão dispendiosa uma drenagem de perímetro, direcionando as águas afluentes para outro local.
É preciso aprender com os erros, para não repeti-los. É preciso dar valor aos profissionais experientes, sejam de nível superior ou simples operários.
Exigem-se títulos e diplomas teóricos para os professores universitários, eles são avaliados pela variedade e quantidade destes. Despreza-se a experiência e a prática. Jovens aprendem a confiar somente na tecnologia cada vez mais sofisticada, perdem a capacidade de avaliar e tomar decisões que não sejam corroboradas pelos instrumentos. Todavia, piezometros não tomam decisões, indicam decisões a serem tomadas.
Que as lições sejam aprendidas, pois muitos outros incidentes deste tipo estão pendentes, alguns muitíssimo mais graves como no caso de minerações auríferas, onde contaminação por cianureto, uma das mais perigosas substancias conhecidas, está presente.

O perigo ronda Santa Bárbara: o gigantesco reservatório da AngloGold Ashanti guarda o equivalente 13 bilhões de litros de rejeitos contaminados com cianeto

Informações recebidas através de vídeo gravado em 18 de março de 2018, e enviado pela médica veterinária Sara Xavier, moradora da cidade de Santa Bárbara chamando a atenção para a barragem localizada na comunidade de Carrapato. A quantidade de rejeito de mineração de ouro acumulada no local é de cerca de 13.000.000 de m3, ou 13 bilhões de litros, contaminados com cianeto, ou cianureto de potássio. Com cerca de 40 m de altura e 500 m de extensão, a barragem usa o mesmo sistema construtivo de Mariana e Brumadinho, utilizando alteamentos sucessivos.


Usado para a separação do ouro de outros metais e resíduos, o cianeto é uma das substâncias mais perigosas conhecidas, podendo uma pitada matar um ser humano em segundos. Os danos para qualquer tipo de vida, vegetal ou animal, é imensurável num caso de vazamento da lama.
A mineração pertence a empresa AngloGold Ashanti, Sul Africana com capital americano segundo a Dra. Xavier, que ainda informa não haver qualquer tipo de informações ou treinamento fornecidos a população.
É fácil constatar nas imagens a grande quantidade de líquido recobrindo o depósito. No caso de um rompimento o caminho da lama atingirá a jusante o rio Piracicaba em Minas Gerais, ou seja, a bacia do Rio Doce.


Frederico Lopes Freire é Arquiteto, possuindo ampla experiência profissional no Brasil e nos EUA, e atualmente vive no município de Colatina, norte do estado do Espírito Santo.