Urgente! Observatório dos Agrotóxicos divulga base com os 232 agrotóxicos liberados pelo governo Lula

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Desde o início do governo Lula, o Observatório dos Agrotóxicos do Blog do Pedlowski vem monitorando os atos publicados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), tendo contabilizado a publicação de oito atos (5,6,15,16,22,26,30 e 32) que resultaram na liberação de mais 232 agrotóxicos no já gigantesco mercado brasileiro.

Após realizar o trabalho de compilar todos os agrotóxicos liberados, o Observatório dos Agrotóxicos agora divulga uma base com mais informações sobre cada um desses produtos, adicionando, por exemplo, as cidades e estados onde localizados os detentores dos registros. Isso pareceu importante, na medida em que não há muita informação sobre como esta distribuída essa rede de empresas que detém os registros.

Por outro lado, uma observação inicial leva à observação de que o processo de liberação de agrotóxicos no governo Lula está seguindo os mesmos procedimentos que foram criados pelo governo Bolsonaro, o que implica na aceitação de critérios rebaixados para a definição de toxicidade humana. Isto não apenas gera a falsa sensação de que os agrotóxicos aprovados não são perigosos, pois nenhum dos 232 agrotóxicos foi incluído na categoria de maior risco para a saúde humana, em que pese a presença de agrotóxicos conhecidos por serem causadores de câncer como é o caso do inseticida organofosforado Acefato.  Mas o acefato não é um caso isolado, pois vários outros agrotóxicos presentes na lista de aprovados do governo Lula já possuem farta documentação científica acerca de suas implicações sobre a saúde humana.

Agência Pública on Twitter: "Há alta incidência de casos de câncer e  malformação nas regiões de maior produção agrícola do Mato Grosso, campeão  no consumo de agrotóxicos do país. Saiba mais: https://t.co/l3LSyKKHb3

Por outro lado, a lista traz vários exterminadores de polinizadores como  é o caso dos inseticidas Imidacloprido e Fipronil, mas eles não são os únicos, o que gera uma enorme preocupação com o uso do aumento dessas substâncias no território nacional, especialmente em regiões que concentram a criação de abelhas.

Warning about the downside to insecticides

É importante notar que pelo menos 33% dos agrotóxicos liberados no governo Lula já se encontram proibidos na União Europeia, o que não impede que empresas europeias como a Basf e a Bayer, mas também a sino-suiça Syngenta, continuem enviando para cá produtos altamente perigosos, tanto para o meio ambiente como para a saúde dos brasileiros.

Por outro lado, a China continua sendo a principal fornecedora de agrotóxicos para o Brasil, com 65% dos produtos liberados em 2023 sendo produzidos diretamente na China, o que indica uma influência ainda maior do principal comprador da soja brasileira, visto que a Syngenta e a Adama que são agora controladas por empresas chinesas, também estão enviando seus produtos para o Brasil a partir de outros países, principalmente da Europa (ver figura abaixo).

mapa de paises

Há ainda que se notar que a grande maioria dos produtos aprovados estão destinados para uso nas grandes monoculturas, principalmente da soja. Com isso, fica clara um modelo de trocas imperfeitas, na medida em que o maior fornecedor de agrotóxicos é também o principal comprador deste grão, sendo que os produtos industrializados possuem maior valor agregado.

Há que se lembrar ainda que o que está ruim, ainda pode piorar mais se a bancada ruralista no Senado Federal conseguir aprovar o “Pacote do Veneno” na forma que foi enviado pela Câmara de Deputados.

Para os interessados em ter acesso ao banco de dados contendo as informações sobre os 232 agrotóxicos liberados desde janeiro pelo governo Lula, basta clicar [Aqui!].

Brasil enfrenta dupla carga de adoecimento, mas quadro é reversível com políticas públicas, ciência e mobilização

Altos índices de excesso de peso concomitante com o aumento da fome mostram o tamanho da crise alimentar no país, alerta docente do Departamento de Políticas Públicas e Saúde Coletiva da Unifesp

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O recorte nacional registrado no relatório global Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo, divulgado na última quarta, 12, pela Organização das Nações Unidas (ONU), mostra o crescimento do número de pessoas em situação de insegurança alimentar no Brasil nos últimos anos, e é mais um sinal claro da crise que o país enfrenta no tema alimentação.

De acordo com os dados, nos últimos três anos (2020-2022), 1,5 milhão de brasileiros entraram para as estatísticas da fome. Hoje, são 21 milhões de pessoas que não têm o que comer todos os dias, 70,3 milhões em insegurança alimentar e 10 milhões de pessoas desnutridas no país. Tanto no Brasil quanto no mundo, a ONU cita como motivos para a alta fatores como a pandemia de COVID-19 e a guerra na Ucrânia.

“Os dados só reforçam o cenário de preocupação. É verdade que os fatores citados pela ONU influenciaram, mas, no Brasil, temos outros agravantes, decorrentes do abismo social, já que o país figura entre os países mais desiguais do mundo, apesar de termos uma economia forte. Há uma parcela muito grande da população sem acesso aos bens e serviços que o país promove. Então, a perpetuação da pobreza, a alta da inflação, especialmente a dos alimentos, o desemprego e a queda da renda afetam dramaticamente as pessoas, especialmente as mais vulnerabilizadas”, destaca Semíramis Domene, nutricionista e professora do Departamento de Políticas Públicas e Saúde Coletiva da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

A docente da Unifesp lembra ainda que o Brasil vive uma dupla carga de adoecimento, uma vez que, ao lado da desnutrição causada pela falta de alimentos, temos também efeitos da má alimentação manifestados pelo excesso de peso e obesidade, “em grande medida associados ao consumo de produtos ultraprocessados, que não promovem saúde”. Segundo dados recentes do IBGE, seis em cada dez brasileiros estão com sobrepeso no Brasil.

Políticas públicas e maior conscientização

Apesar do cenário preocupante de crise, Semíramis aponta caminhos para frear a insegurança alimentar, erradicar o país do mapa da fome e incentivar uma alimentação mais saudável.

“O enfrentamento da fome é histórico no Brasil, mas no início dos anos 2000 até 2013 conseguimos reverter este quadro com uma série de medidas. Sabemos que o conjunto de ações que incluem a proteção social, como o fortalecimento do emprego e da renda, a ampliação de políticas de saúde e de habitação, acesso à água tratada e coleta de esgoto, associada ao financiamento de produção de alimentos, em especial a agricultura familiar, são iniciativas públicas fundamentais para nos tirar novamente do mapa da fome”, diz Semíramis.

A docente da Unifesp cita ainda a criação de políticas de tributação mais justas para itens básicos, com revisão das cestas básicas, como pontos adicionais para reverter essa situação. “Nesse contexto, o governo pode inclusive estudar e aprovar cestas regionais, que possam privilegiar alimentos da nossa rica biodiversidade. Tudo isso, além de iniciativas de caráter emergencial que têm prestado um grande serviço, como os bancos de alimentos, restaurantes populares, cozinhas comunitárias, entre tantas contribuições”.

“Quando conseguirmos, mais uma vez, unir a esfera pública, com seu papel na regulação de políticas, com a sociedade e a conscientização de cada cidadão(ã) no consumo saudável, teremos mais agricultor produzindo comida de verdade e mais gente com comida na mesa, combatendo ambas as frentes; neste sentido, a universidade tem uma grande contribuição a oferecer, gerando dados, fortalecendo o monitoramento e sistematizando conhecimento acadêmico e popular sobre boa alimentação”, conclui Semíramis.

Maior evento da matemática brasileira começa na segunda-feira (24) no Rio

34º Colóquio abordará temas como mulheres na ciência e pandemia de Covid-19

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O IMPA (Instituto de Matemática Pura e Aplicada) realiza entre 24 e 28 de julho o 34º Colóquio Brasileiro de Matemática (CBM), a mais abrangente reunião científica da comunidade matemática brasileira. Pesquisadores brasileiros e estrangeiros, de grande renome internacional, vão apresentar avanços em diversas áreas da matemática. Temas atuais como a presença de mulheres na ciência, a pandemia de Covid-19 e as perspectivas para os jovens matemáticos também vão ser abordados.    

Realizado desde 1957, a última edição do evento ocorreu no formato on-line devido a pandemia. O encontro reúne, a cada dois anos, pesquisadores, professores e alunos de graduação e pós-graduação de todo o país. “Depois de 4 anos desde o último Colóquio presencial, tendo passado por uma pandemia, isolamento e muitos desafios, será uma grande alegria viver o reencontro da nossa comunidade matemática. Não vejo a hora de ver o IMPA cheio de jovens estudantes de todo o Brasil, fervilhando com trocas de ideias e discussões matemáticas”, afirmou Carolina Araujo, pesquisadora do IMPA e coordenadora do evento. 

A edição deste ano contará com a participação de seis plenaristas internacionais, entre eles, o matemático Federico Ardila, pesquisador da Universidade de São Francisco (EUA), que já trabalhou ao lado do medalhista Field June Huh, em teoria dos matroides – tema da palestra no Colóquio.  

Ardila também é conhecido como DJ e é famoso por utilizar música para otimizar o aprendizado da matemática. A iniciativa chegou a render ao colombiano diversos prêmios como o da  Associação Americana de Matemática (MAA, por sua sigla em inglês) “por inspirar alunos dentro e fora das salas de aula da San Francisco State University”, em 2020. Em sua página na internet, o matemático se apresenta ainda como autor de quatro axiomas sobre educação e a disciplina. 

Além de Ardila, participa do CBM o físico Bernard Derridapesquisador do Collège de France – instituição de pesquisa mais prestigiada na França, onde ele ocupa a cadeira de física estatística. Os estudos de Derrida estão concentrados em sistemas dinâmicos, teoria de meios desordenados, física de não-equilíbrio e modelagem em biologia. O trabalho já rendeu a ele a Medalha Boltzmann – o mais importante prêmio da União Internacional de Física Pura e Aplicada concedido à físicos que obtiveram resultados positivos em mecânica estatística

Também estão confirmados no evento:Camillo De Lellis, pesquisador do Institute for Advanced Study (EUA), que trabalha com análise geométrica e equações diferenciais parciais; Laura DeMarco, pesquisadora da Universidade de Harvard (EUA), que desenvolve pesquisas na área de sistemas dinâmicos, geometria aritmética e análise complexa; Claudia Polini, pesquisadora da University of Notre Dame (EUA), especializada em álgebra comutativa, teoria ergódica e sistemas dinâmicos; e Omri Sarig, pesquisador do Weizmann Institute of Science (Israel), que ocupa a cadeira Theodore R. and Edlyn Racoosin na Faculdade de Matemática e Ciência da Computação do instituto. 

Palestra sobre as contribuições da matemática para a pandemia de Covid-19

O Colóquio conta ainda com três palestras de divulgação. Uma delas é de Paulo Silva, da Unicamp. O pesquisador vai abordar na palestra “Uma resposta ótima à pandemia de Covid-19” as contribuições da comunidade matemática durante a pandemia, com foco nos modelos utilizados nas primeiras projeções que embasaram a necessidade de lockdowns. 

A palestra especial ficará por conta do doutor pelo IMPA Marcelo Campos e do pesquisador da PUC-Rio Simon Griffiths. A dupla vai abordar Uma melhoria exponencial para os números de Ramsey – avanço  mais significativo na área desde 1935. O grupo que se debruçou sobre o problema contou ainda com Robert Morris, pesquisador do IMPA, e  Julian Sahasrabudhe, da Universidade de Cambridge. 

Também vão ocorrer 23 sessões temáticas, quatro cursos introdutórios, seis cursos avançados e duas mesas redondas com os temas:

O lado sujo da política climática da Europa

Para a sua transição energética, os países da UE precisam de matérias-primas em abundância. A América Latina deve entregá-las – e lidar com as consequências do desmantelamento

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No “triângulo de lítio” da América Latina entre Chile, Argentina e Bolívia: mineração de lítio no deserto chileno de Atacama. Foto: Martin Bernetti/AFP
Por Gerhard Dilger, Buenos Aires, para o Neues Deutschland

A província andina argentina de Jujuy, na fronteira com a Bolívia, está em estado de emergência há quatro semanas. As comunidades indígenas organizaram doze bloqueios de estradas e os viajantes podem passar a cada três horas. Os protestos são dirigidos, entre outras coisas, contra uma constituição provincial que foi aprovada em tramitação acelerada, o que facilita o despejo de indígenas em favor de projetos de lítio. O lítio é uma matéria-prima para carros elétricos que está em demanda em todo o mundo, e os países da União Europeia (UE) também estão procurando novas fontes de abastecimento .A polícia é brutal, buscas e prisões domiciliares foram realizadas novamente na quarta-feira, ativistas estão sendo criminalizados e intimidados. “Os saques devem ser legalizados”, diz o último manifesto dos manifestantes contra a constituição. “Somos os legítimos proprietários desta terra.”

O contraste com as declarações encorpadas feitas antes da reunião de cúpula dos chefes de estado e de governo da UE e dos Estados da América Latina e do Caribe na segunda e na terça-feira dificilmente poderia ser maior. “A reunião de cúpula oferece uma excelente oportunidade para construir confiança e dar um novo impulso às relações”, disse o chefe de política externa da UE, Josep Borrell, no início de junho, quando apresentou a nova agenda da Comissão Europeia para a América Latina. A Câmara Alemã de Indústria e Comércio promete »novos impulsos de crescimento«.

Juntamente com o hidrogênio verde, que será enviado para a Europa em apenas alguns anos da Argentina e do Chile, mas também da Colômbia e do Brasil, o lítio é celebrado como um símbolo da transição energética. Perde-se de vista o que significa a extração de matérias-primas para as regiões. É claro que os principais políticos da UE e seus estados membros estão atualmente tentando garantir o acesso a matérias-primas para a economia europeia. Os críticos suspeitam que se trata de um extrativismo verde neocolonial que está roubando da América Latina seus recursos naturais como vem fazendo há 500 anos: antigamente ouro, prata e estanho – hoje “ouro branco”, água, vento e sol. O que está acontecendo especificamente no momento e como os governos latino-americanos estão se posicionando?

Na Argentina, duas das três fábricas de lítio estão em Jujuy, mas também há uma corrida do ouro nas províncias vizinhas. Dezenas de outros projetos estão nas gavetas dos ministérios. Príncipes provinciais, isso é um segredo aberto, ganham muito. O metal leve é ​​considerado uma bala de prata para a transição energética. A indústria automotiva vai substituir o motor de combustão interna por um elétrico.Para produzir uma bateria de íon-lítio para um carro elétrico, são necessários de dez a 20 quilos de carbonato de lítio, entre outras coisas.

Os políticos europeus têm peregrinado em massa à América Latina nos últimos meses – uma ofensiva de charme sem precedentes, na qual não poderia faltar a invocação de “valores comuns”. Sem exceção, os convidados também enfatizaram que os acordos de livre comércio da UE, que ainda não foram totalmente negociados, gostariam de ser assinados e selados até o final do ano. Especificamente, trata-se do acordo com os países do Mercosul Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, que vem sendo objeto de luta desde 1999, e da modernização dos acordos com Chile e México.

Quando o chanceler Olaf Scholz viajou para a Argentina e o Chile com uma grande delegação empresarial em janeiro, ele não escondeu o interesse das empresas alemãs no lítio, mas prometeu ajudar na criação de cadeias de valor locais. Porque, embora cerca de 60% dos recursos mundiais estejam armazenados nos lagos salgados andinos do triângulo de lítio Chile-Bolívia-Argentina, o processamento em baterias até agora ocorreu principalmente na China, Coréia do Sul ou Japão.

Os custos ambientais da reviravolta “ecológica”

A BMW, o único grande player alemão no negócio de lítio na América do Sul, se gaba de obter metal leve extraído de forma “particularmente sustentável” da Argentina. Em 2021, a empresa automóvel de Munique assinou um contrato com a multinacional norte-americana Livent para a compra de lítio no valor de cerca de 285 milhões de euros. Até agora, nem a Livent nem a BMW conseguiram refutar os indícios de um enorme consumo de água doce e um maior rebaixamento do nível do lençol freático no extremo oeste da província de Catamarca. Tudo indica que Livent está destruindo lenta mas seguramente o frágil ecossistema de Puna e, portanto, os meios de subsistência dos agricultores locais de lhamas – para que a reviravolta “ecológica” do transporte na Europa possa progredir.

As empresas alemãs também estão começando no Chile: K-Utec Salt Technologies da Turíngia e Aci Systems de Baden-Württemberg prometem “lítio verde”. , subsídios da UE incluídos.

Em geral, o Chile é um dos parceiros preferenciais da Europa, como demonstrou durante a visita de Ursula von der Leyen em junho. »Sem lítio não haveria turbina eólica, sem matérias-primas críticas não haveria bateria. É por isso que concordamos em trabalhar em uma parceria estratégica para matérias-primas sustentáveis ​​e para toda a cadeia de valor”, disse o presidente da Comissão Europeia em Santiago. Também anunciou um fundo para hidrogênio verde de 225 milhões de euros, dos quais 100 milhões virão como um empréstimo do Kreditanstalt für Wiederaufbau (KfW).

Segundo o site do Banco Europeu de Investimento, esta plataforma de financiamento deve “promover a descarbonização da economia chilena, criar empregos verdes, abrir oportunidades de negócios para empresas chilenas e europeias, ao mesmo tempo em que atende à demanda europeia por hidrogênio limpo” . Von der Leyen garantiu que a UE quer produzir dez milhões de toneladas de hidrogênio verde anualmente até 2030 e importar a mesma quantidade. Esse hidrogênio é chamado de verde porque é produzido usando energia solar e eólica.

A plataforma de hidrogênio H2LAC da Sociedade Alemã de Cooperação Internacional (GIZ) está ativa em 13 países da América Latina, incluindo Uruguai e Argentina. Na província argentina de Rio Negro, a Sociedade Fraunhofer, também muito presente, apresentou um estudo otimista sobre o potencial do hidrogênio. Os ambientalistas estão se mobilizando contra os parques eólicos necessários para isso. Isso também seria necessário para que a Europa possa importar o combustível “limpo”.

No Chile e no Uruguai, a empresa HIF Global produz e-combustíveis a partir do hidrogênio com o acionista Porsche. Para a inauguração da fábrica Haru Oni ​​​​no sul da Patagônia, para a qual o ex-ministro de Assuntos Econômicos Peter Altmeier iniciou o subsídio multimilionário, a Porsche voou no verde Baden-Württemberg Ministro dos Transportes, Winfried Hermann – para um piloto projeto que é uma farsa do ponto de vista da política climática. Porque em vez de extrair da atmosfera o dióxido de carbono necessário para o processo, como anunciado, os operadores aparentemente usam CO 2 fóssil, “reciclado” . Além disso, mais tarde haveria rotas de transporte longas e prejudiciais ao meio ambiente para a Europa.

Alejandro Stipanicic, presidente da empresa estatal Ancap, que está envolvida no segundo projeto do HIF, admitiu a uma estação de rádio uruguaia que o combustível sintético supostamente neutro para o clima era “muito caro”. Não é para o mercado local.”

No Brasil e na Colômbia, o ministro da Economia, Robert Habeck, e a ministra das Relações Exteriores, Annalena Baerbock, elogiaram o grande potencial de energias renováveis, como a solar e a eólica, que serão usadas para produzir hidrogênio para a Europa – eles aparentemente não estavam interessados ​​nos problemas de aceitação local para parques eólicos. Após o discurso de Baerbock, o jornal liberal “Folha de São Paulo” apontou incisivamente “o apetite por energia e lítio”.

E os »valores comuns«? Na América Latina, é bem lembrado o quão pouco a UE estava disposta a fornecer vacinas acessíveis ou mesmo abrir exceções à proteção de patentes durante a pandemia de Covid-19 – em muitos países, Rússia e China intervieram. Portanto, é compreensível que as pessoas sejam céticas sobre declarações de amizade e alérgicas a demandas decretadas unilateralmente – o presidente brasileiro está fazendo isso com mais clareza.

Enquanto a maioria dos líderes latinos só expressa sua inquietação a portas fechadas, Luiz Inácio Lula da Silva não faz de seu coração um antro de assassinato. Ele está ciente de que o acordo UE-Mercosul visa principalmente abrir novos mercados para empresas europeias e facilitar o acesso a velhas e novas matérias-primas, como cobre e lítio. Em troca, Lula promete negócios brilhantes para o agronegócio brasileiro, problemas ambientais ou não. Acima de tudo, porém, ele teme que as indústrias nacionais falissem se as empresas europeias tivessem livre acesso ao mercado ou não tivessem nenhuma chance de se desenvolver.

O presidente Lula fala publicamente em linguagem simples com seu colega francês Emmanuel Macron, com von der Leyen ou Scholz. A base para uma parceria em pé de igualdade não deve ser a desconfiança ou a ameaça unilateral de sanções, explica. Lula e outras autoridades latino-americanas estão atrapalhando as exigências ambientais moldadas pelo Acordo Verde Europeu, especialmente para a agricultura, que a UE quer incluir em um protocolo adicional ao acordo UE-Mercosul. As sanções provavelmente seriam possíveis, pelo menos em teoria – apenas algumas pessoas sabem exatamente porque, como sempre, esses textos permanecem secretos até serem assinados.

As negociações do protocolo estão sendo extremamente duras, porque se suspeita de protecionismo no Mercosul. O obstáculo mais importante para o acordo de livre comércio do lado europeu são, de fato, as associações de agricultores na França, Áustria, Bélgica e Irlanda, que temem mais do que nunca a concorrência de importações agrícolas baratas produzidas em condições negligentes.

Em abril, o Parlamento Europeu também aprovou uma lei de combate ao desmatamento em todo o mundo, que entrou em vigor no início de julho. Segundo ela, a partir de 2024 as empresas da UE não poderão mais importar madeira, carvão vegetal, impressos, café, cacau, borracha, óleo de palma, gado ou soja produzidos em terras que serão desmatadas a partir de 2021. Colonialismo Verde?

É assim que os latinos veem, porque também é uma medida unilateral. O que é politicamente fatal, porém, é que Lula & Cia. não podem se dar ao luxo de mexer com o agronegócio produtor de divisas. Um acordo de livre comércio ratificado, portanto, também aceleraria a destruição das florestas, porque se e quando as empresas serão realmente solicitadas a pagar no futuro é uma incógnita.

Representantes de dezenas de organizações ambientais e de direitos humanos da Europa e da América Latina também falarão na cúpula na segunda e terça-feira em Bruxelas. Nas ruas e em eventos paralelos, eles exigirão uma ordem ecossocial econômica e comercial e ficarão felizes porque pelo menos nada sairá do acordo neocolonial UE-Mercosul tão cedo.

E até que ponto a UE está aberta às preocupações dos seus “parceiros naturais”? O chefe de estado colombiano Gustavo Petro – um pioneiro no continente com sua planejada “transição energética justa” e também muito cortejado pelo governo federal – provavelmente fará novamente campanha por uma nova política de drogas e alívio da dívida para proteção das florestas. Com essas questões, os europeus podem mostrar que se preocupam com mais do que matérias-primas.

Gerhard Dilger mora na América do Sul desde 1992, de 2000 a 2012 foi correspondente no Brasil, depois gerente do escritório da Fundação Rosa Luxemburgo em São Paulo e Buenos Aires. Hoje é jornalista freelancer e consultor em Buenos Aires.


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Este texto escrito originalmente em alemão foi publicado pelo jornal “Neues Deutschland” [Aqui!].

Com ou sem moeda própria, BRICS avança firme para a desdolarização

brics desdO poder econômico dos BRICS está aumentando rapidamente – no entanto, os membros não se unem em todas as questões

Por Wiebke Diehl para o JungeWelt

Seria um marco na história da aliança BRICS de países emergentes fundada em 2001. Segundo informações divulgadas pela Embaixada da Rússia no Quênia, os ex-BRICS Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul querem o seu, com ouro e outras commodities, como prata, ou introduzir moedas com cobertura de terras raras.  41 países já manifestaram interesse nessa moeda, o que será anunciado oficialmente durante a cúpula do BRICS marcada para 15 de agosto na África do Sul. Do ponto de vista dos países do BRICS, a criação de uma moeda própria facilitaria o comércio internacional, mas sobretudo tornaria o Sul Global mais independente da moeda líder, o dólar americano, que ficaria enormemente enfraquecido com isso, e ainda mais promoveria o desenvolvimento de uma ordem mundial multipolar.

No entanto, o ministro das Relações Exteriores da Índia, Subrahmanyam Jaishankar, afirmou desde então que seu país não tem planos para sua própria moeda do BRICS. O fortalecimento da rupia é uma prioridade para a Índia. O fato de a declaração ter sido feita logo após uma viagem aos Estados Unidos do primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, durante a qual foi acertada uma intensificação da cooperação militar e econômica, alimenta especulações de que poderia ter sido feita sob pressão de Washington. As preocupações de que o principal concorrente da Índia, a China, possa ser fortalecida por uma moeda comum e uma expansão da aliança BRICS provavelmente desempenharão um papel decisivo no posicionamento de Nova Délhi. As expectativas também foram atenuadas pela vice-diretora do Novo Banco de Desenvolvimento do BRICS, Leslie Maasdorp, que apontou no início deste mês que o yuan ainda está longe de ser considerado uma moeda de reserva. Portanto, as discussões sobre uma moeda alternativa são sobre um “objetivo de médio a longo prazo”.

É sabido que os países do BRICS têm atitudes diferentes em relação à criação de uma moeda central comum. O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e representantes da Rússia são os maiores defensores da ideia. A África do Sul é muito mais reservada. No entanto, a necessidade de se tornar mais independente do dólar americano e também do sistema SWIFT controlado pelos EUA é indiscutível no Sul Global. Eles sofrem há muito tempo com o declínio de suas reservas em dólares. Mas a política de sanções dos Estados Unidos em particular, que por décadas tem sido um instrumento imperialista de governo dirigido especialmente aos países do Sul Global, permitiu que essa convicção crescesse. Como resultado, o comércio de outras moedas aumentou significativamente, principalmente o yuan chinês.

A expansão do comércio em moedas locais é um primeiro passo para a desdolarização. De acordo com o Ministério das Finanças da Rússia, 70% das transações comerciais entre a Rússia e a China são realizadas em rublos ou yuans. Para todas as transações comerciais russas, chega a 80%. As refinarias indianas pagam em yuan suas importações de petróleo da Rússia, que aumentaram significativamente nos últimos dois anos. A moeda local é aceita para transações entre Bolívia e Rússia, bem como entre Brasil e China. Ironicamente, estão em andamento negociações entre a Arábia Saudita, um aliado próximo dos EUA há décadas e o segundo maior produtor de petróleo do mundo, por um lado, e Pequim, por outro, para também realizar transações de petróleo entre si em yuan. 

Tais acordos comerciais bilaterais têm o potencial de “pôr em risco” significativamente o domínio do dólar americano e de ampliar as atuais mudanças tectônicas no equilíbrio de poder em direção ao Sul Global, cuja magnitude dificilmente alguém teria pensado ser possível apenas um ano atrás. E isso independentemente de se e quando a aliança BRICS realmente introduz sua própria moeda. O avanço de uma ordem mundial multipolar pelo Sul Global pode ser corretamente descrito como o verdadeiro ponto de virada. se e quando a aliança BRICS realmente introduzirá sua própria moeda. O avanço de uma ordem mundial multipolar pelo Sul Global pode ser corretamente descrito como o verdadeiro ponto de virada. se e quando a aliança BRICS realmente introduzirá sua própria moeda. O avanço de uma ordem mundial multipolar pelo Sul Global pode ser corretamente descrito como o verdadeiro ponto de virada.

A esperada expansão dos BRICS em agosto, em particular, terá um impacto na ordem mundial e na progressiva desdolarização do comércio mundial que não deve ser subestimado. Isso é particularmente verdadeiro tendo em vista que Irã, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Argélia, Egito, Turquia, Indonésia e México estão entre as quase 20 e, segundo outras fontes, até 40, importantes potências econômicas e países emergentes.

De acordo com dados atuais do Fundo Monetário Internacional (FMI), os atuais cinco países do BRICS já contribuem com 32,1% para o crescimento global, em comparação com 29,9% do G7. A China já é o parceiro comercial mais importante para cerca de 125 países. Se todas essas negociações fossem realizadas em yuan, a posição do dólar poderia muito bem ser prejudicada.


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Este texto escrito originalmente em alemão foi publicado pelo jornal “JungeWelt” [Aqui!].

Agências de fomento dizem não ao uso de IA na revisão por pares

Preocupações incluem confidencialidade, precisão e “originalidade de pensamento”

peer review IA

Por Jocelyn Kaiser para a Science

O neurocientista Greg Siegle estava em uma conferência no início de abril quando ouviu algo que achou “muito assustador”. Outro cientista estava entusiasmado com o fato de que o ChatGPT, a ferramenta de inteligência artificial (IA) lançada em novembro de 2022, rapidamente se tornou indispensável para redigir críticas às densas propostas de pesquisa que ele teve que percorrer como revisor de pares para os Institutos Nacionais de Saúde (NIH). Outros ouvintes assentiram, dizendo que viam o ChatGPT como uma grande economia de tempo: redigir uma revisão pode envolver apenas colar partes de uma proposta, como resumo, objetivos e estratégia de pesquisa, na IA e solicitar que ela avalie as informações.

O NIH e outras agências de financiamento, no entanto, estão colocando um fim nessa abordagem. Em 23 de junho, o NIH proibiu o uso de ferramentas de IA generativas online como o ChatGPT “para analisar e formular críticas de revisão por pares” – provavelmente estimulado em parte por uma carta de Siegle, que está na Universidade de Pittsburgh, e colegas. Após a conferência, eles alertaram a agência de que permitir que o ChatGPT escreva análises de bolsas é “um precedente perigoso”. Em um movimento semelhante, o Conselho de Pesquisa Australiano (ARC) em 7 de julho proibiu a IA generativa para revisão por pares após saber de revisões aparentemente escritas pelo ChatGPT.

Outras agências também estão desenvolvendo uma resposta. A National Science Foundation dos EUA formou um grupo de trabalho interno para verificar se pode haver usos apropriados de IA como parte do processo de revisão de mérito e, em caso afirmativo, quais “guardas de proteção” podem ser necessárias, diz um porta-voz. E o Conselho Europeu de Pesquisa espera discutir a IA tanto para redação quanto para avaliação de propostas.

O ChatGPT e outros grandes modelos de linguagem são treinados em vastos bancos de dados de informações para gerar texto que parece ter sido escrito por humanos. Os bots já levaram editores científicos preocupados com ética e precisão factual a restringir seu uso para escrever artigos. Algumas editoras e periódicos, incluindo a Science , também estão proibindo seu uso por revisores.

Para as agências financiadoras, a confidencialidade está no topo da lista de preocupações. Quando partes de uma proposta são inseridas em uma ferramenta de IA online, as informações se tornam parte de seus dados de treinamento. O NIH se preocupa com “para onde os dados estão sendo enviados, salvos, visualizados ou usados ​​no futuro”, afirma seu aviso.

Os críticos também temem que as revisões escritas por IA sejam propensas a erros (os bots são conhecidos por fabricar), tendenciosas contra visões não convencionais porque se baseiam em informações existentes e carecem da criatividade que impulsiona a inovação científica. “A originalidade do pensamento que o NIH valoriza é perdida e homogeneizada com esse processo e pode até constituir plágio”, escreveram os funcionários do NIH em um blog. Para periódicos, a responsabilidade do revisor também é uma preocupação. “Não há garantia de que o [revisor] entenda ou concorde com o conteúdo” que está fornecendo, diz Kim Eggleton, que dirige a revisão por pares na IOP Publishing.

Na Austrália, a ARC proibiu os revisores de bolsas de usar ferramentas de IA generativas 1 semana depois que uma conta anônima do Twitter, ARC_Tracker, administrada por um pesquisador local, relatou que alguns cientistas receberam avaliações que pareciam ter sido escritas pelo ChatGPT. Alguns obtiveram avaliações semelhantes quando colaram partes de suas propostas no ChatGPT, diz ARC_Tracker. Uma revisão incluiu até uma oferta, as palavras “regenerar resposta” que aparecem como um prompt no final de uma resposta do ChatGPT. ( O Science Insider confirmou a identidade do ARC_Tracker, mas concordou com o anonimato para que este pesquisador e outros possam usar a conta para criticar livremente o ARC e as políticas governamentais sem medo de repercussões.)

Os cientistas podem pensar que o ChatGPT produz feedback significativo, mas essencialmente regurgita a proposta, diz o proprietário do ARC_Tracker. É certo que alguns revisores humanos também fazem isso. Mas, “Há uma diferença muito grande entre uma revisão adequada – que deve fornecer insight, crítica, opinião informada e avaliação de especialistas – e um mero resumo do que já está em uma proposta”, escreveu o pesquisador em um e-mail ao Science Insider .

Alguns pesquisadores, no entanto, dizem que a IA oferece uma chance de melhorar o processo de revisão por pares. A proibição do NIH é um “recuo tecnofóbico da oportunidade de mudança positiva”, diz o geneticista psiquiátrico Jake Michaelson, da Universidade de Iowa. Os revisores podem usar as ferramentas para verificar suas críticas para ver se eles esqueceram alguma coisa na proposta, ajudá-los a avaliar o trabalho de fora de seu próprio campo e suavizar a linguagem que eles não perceberam soar “mesquinho ou mesmo maldoso”, diz Michaelson. “Eventualmente, vejo a IA se tornando a primeira linha do processo de revisão por pares, com especialistas humanos complementando as revisões de IA de primeira linha. … Prefiro ter minhas próprias propostas revisadas pelo ChatGPT-4 do que por um revisor humano preguiçoso”, acrescenta.

A paisagem provavelmente mudará com o tempo. Vários cientistas observaram no blog do NIH que alguns modelos generativos de IA funcionam offline e não violam a confidencialidade – eliminando pelo menos essa preocupação. O NIH respondeu que espera “fornecer orientação adicional” para uma “área em rápida evolução”. 

Mohammad Hosseini, pesquisador de pós-doutorado em ética da Northwestern University que escreveu sobre IA na revisão de manuscritos, concorda que a proibição do NIH é razoável, por enquanto: “Dada a sensibilidade dos problemas e projetos com os quais o NIH lida e a novidade das ferramentas de IA, adotar uma abordagem cautelosa e medida é absolutamente necessária.”


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Este texto escrito originalmente em inglês foi publicado pela revista Science [Aqui!].

No Reino Unido, vítimas do tsulama de Mariana acusam a gigante da mineração BHP de ‘racismo ambiental’

Brasileiros escrevem a Sunak para instar o governo do Reino Unido a reprimir práticas corporativas antiéticas

observando tsulama

Cerca de 720 mil brasileiros estão processando a BHP, empresa anglo-australiana que até recentemente tinha sede em Londres, por seu papel no desastre da barragem de Mariana em 2015. A empresa nega responsabilidade. Ela está enfrentando reivindicações de indenização no valor de £ 36 bilhões na maior reivindicação de grupo do mundo na história jurídica inglesa .

Em novembro de 2015, a barragem de rejeitos de Fundão, co-propriedade da BHP com a produtora brasileira de minério de ferro Vale, estourou. O incidente em Mariana liberou 60 milhões de metros cúbicos de lixo tóxico , que destruiu a terra abaixo e poluiu tudo em seu caminho por mais de 600 km até chegar no oceano Atlântico.

Os resíduos mataram 19 pessoas, soterraram aldeias, deixaram milhares de desabrigados e afetaram o sustento de centenas de milhares. O impacto continua causando estragos no ecossistema e no meio ambiente, bem como na saúde das pessoas.

“Acreditamos que a BHP é culpada de racismo ambiental”, dizia a carta, entregue em 10 Downing Street na quinta-feira por alguns dos afetados. “São nossas comunidades indígenas as mais afetadas pelo desastre; nossas comunidades que corriam maior risco com as atividades de mineração; e nossas comunidades que continuam sem justiça pela BHP.”

Um porta-voz da BHP disse que a empresa “rejeita veementemente qualquer acusação de racismo ambiental”. No Brasil, a BHP, juntamente com a Vale e a Samarco, joint venture responsável pela gestão da barragem de Fundão, criou a Fundação Renova para ressarcir pessoas físicas e algumas empresas por perdas e danos, além de mitigar os impactos ambientais do desastre. Ele financiou mais de US$ 6 bilhões (£ 4,58 bilhões) em realojamento, reabilitação e indenização para todas as comunidades afetadas pelo desastre, acrescentou.

A questão foi discutida no parlamento britânico no mês passado. Tan Dhesi, parlamentar trabalhista de Slough, disse : “As empresas que administram grandes operações em todo o mundo não podem se esconder atrás de suas subsidiárias quando as coisas dão errado ou quando ocorre um desastre ecológico e ambiental. O Reino Unido tem um importante papel global.”

Jim Shannon, um deputado do DUP, disse aos presentes: “Não posso deixar de sentir que, se as comunidades britânicas ou australianas tivessem sido afetadas por tal desastre, não teriam sido tratadas da mesma forma. Na verdade, já teria sido resolvido há muito tempo.

A carta pede ao governo do Reino Unido que reconheça seu “papel vital para impedir que tais desastres voltem a acontecer” e para “reprimir as empresas britânicas que não cumprem suas credenciais sociais e ambientais em casa e no exterior”.

Tom Goodhead, sócio-gerente global e diretor-executivo da Pogust Goodhead, escritório de advocacia internacional com sede em Londres que representa as vítimas, disse: “Não se trata de dinheiro para a maioria dessas pessoas – elas querem justiça”.

Enquanto isso, a BHP e a Vale estão envolvidas em uma batalha legal sobre quem tem responsabilidade legal e financeira pelo desastre. Goodhead acrescentou: “Eles estão perdendo tempo, energia e recursos em vez de se sentar com as vítimas e resolver este caso. Eles se recusam a enfrentar as consequências de sua negligência. É um espetáculo vergonhoso.”


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Este texto escrito originalmente em inglês foi publicado pelo jornal “The Guardian” [Aqui!].

Novo plano safra de agricultura familiar do governo Lula: repetindo erros

O atual plano é a reprodução, sem qualquer modificação, do modelo de crédito iniciado por Fernando Henrique Cardoso em 1996

lula safra

Por Jean Marc Von der Weid*

O novo plano de safra, que inaugura a ação do novo governo Lula para a agricultura familiar, foi festejado pelos movimentos sociais em cerimônia com a presença do presidente em ato apoteótico. No entanto, trata-se da reprodução, sem qualquer modificação, do modelo de crédito iniciado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso em 1996, quando foi criado o Programa Nacional de Apoio à Agricultura Familiar, PRONAF e o próprio e recém recriado Ministério do Desenvolvimento Agrário, MDA.

Qual a orientação deste crédito? Ao longo de todos estes 27 anos, do governo liberal de FHC, passando pelos governos ditos populares de Lula e de Dilma Rousseff, pelo governo golpista de Michel Temer e o governo protofascista de Jair Bolsonaro, o crédito facilitado para a agricultura familiar foi orientado para promover o uso de insumos químicos (adubos e agrotóxicos), sementes melhoradas (híbridas e transgênicas) para melhor aproveitarem adubos sintéticos e uso de maquinário agrícola (tratores, colheitadeiras).

Esse modelo produtivo, idêntico ao adotado pelo agronegócio de grande porte, responde a um paradigma produtivo que busca a máxima artificialização e controle do meio ambiente para favorecer uma monocultura. É um modelo sabidamente insustentável em qualquer escala em que for aplicado, mas é mais arriscado para os agricultores familiares. Dependendo de combustíveis fósseis em todas as suas operações no campo e na produção dos insumos e máquinas, o modelo está à mercê dos preços e disponibilidade de petróleo e gás e de fósforo e potássio. E todos estes insumos estão em fase de esgotamento e, em consequência, com custos sempre mais elevados.

O crédito altamente subsidiado pelo governo permitiu que uma camada significativa, mas bastante minoritária, da agricultura familiar tivesse acesso a estes insumos e provocou uma enorme diferenciação entre os beneficiários. A parcela mais capitalizada ou mais bem-dotada em termos de condições naturais de produção (solos de melhor qualidade, clima mais favorável, sobretudo na região sul, relevo mais plano, áreas maiores) progrediu em termos de volume de produção e melhoria de renda. A maioria, entretanto, teve dificuldades em pagar os créditos e muitos quebraram, apesar das várias anistias e renegociações de dívidas concedidas pelos governos populares.

Se olharmos para as negociações anuais entre as organizações dos agricultores familiares (CONTAG, CONTRAF e MST, MPA e MMC) e os governos populares (Abril Vermelho, Marcha das Margaridas, outros) vamos notar que o foco das reivindicações foi se dirigindo cada vez mais para tentar enfrentar o problema do endividamento, sem nunca o resolver de forma estável. Isto lembrando que estes governos criaram seguros de safra para cobrir os riscos climáticos para a produção. Estes riscos foram se tornando cada vez mais importantes ao longo destes anos, com secas mais longas e intensas na região nordeste e com a ampliação, no tempo e no rigor, do chamado veranico na região sul. A instabilidade do regime de chuvas foi se agravando sem limites e não houve seguro ou subsídio que desse conta do estrago.

Muitos analistas apontam para o fato de que o agronegócio também foi afetado por todos estes fatores e, no entanto, parece ter convivido melhor com eles. É bom notar que o agronegócio recebeu apoios ainda mais importantes por parte dos governos e que os subsídios, facilitação de créditos e isenção de impostos também os favoreceram. Mas há um outro fator que deu vantagens ao agronegócio: a escolha do que produzir. O agronegócio centrou sua atividade sobretudo em commodities do mercado internacional ou produtos dirigidos para o mercado interno de alta renda.

Quando se olha para a evolução da produção da agricultura familiar no período indicado acima, verificamos que a produção de alimentos para o mercado interno, sobretudo os chamados alimentos de base como arroz, feijão, milho e mandioca, caiu de forma sistemática, enquanto a produção voltada para as commodities como soja e milho (para ração animal) de exportação só fez crescer.

Quase metade de todo o crédito distribuído pelo PRONAF foi dirigido a projetos de produção de commodities no final do governo de Dilma Rousseff, sobretudo na região sul, que voltou a concentrar a maior parte dos créditos do programa depois de alguns anos de diversificação regional. Os projetos dos agricultores da região sul foram ficando cada vez mais caros, inclusive levando à criação de novas categorias do PRONAF, com limites mais elevados de créditos. Qual a razão para esta opção? O risco financeiro dos créditos levou estes agricultores a escolherem produtos com preços mais altos e mais estáveis e, nas condições do mercado nacional e do internacional, as commodities são mais rentáveis.

A segunda política mais importante dos governos populares, no que toca a agricultura familiar, foi a de assistência técnica e extensão rural, ATER. Apoiando-se sobretudo nas entidades dos governos estaduais de assistência técnica e extensão rural, as EMATER, a política de assistência técnica convergiu para estimular o uso do pacote técnico típico do agronegócio, em sintonia com a orientação do crédito.

Qual o efeito destas políticas para a categoria dos agricultores familiares? Já foi dito que elas favoreceram a inclusão de parte deste setor na economia de commodities, mas qual o impacto sobre a renda e a sustentabilidade dos produtores?

Se olharmos para os resultados dos censos agropecuários de 2006 e de 2017, constatamos que o número de famílias camponesas diminuiu fortemente no período. São, aproximadamente, menos 470 mil famílias, 10,7% das que existiam em todo o país. Isto aconteceu apesar de terem sido assentadas perto de 480 mil famílias no programa de Reforma Agrária. Ou seja, quase um milhão de famílias deixaram o campo em 11 anos.

Estes números cobram uma explicação e nem na campanha eleitoral ou na fase de transição entre os governos de Jair Bolsonaro e de Lula alguém se debruçou sobre este dado importantíssimo para avaliar o efeito da ação governamental sob responsabilidade da esquerda.

Qual a origem geográfica desta pesada evasão de camponeses? O maior número veio do Nordeste, quase 350 mil famílias (16% do total de agricultura familiar na região). Da região Sul saíram quase 185 mil (22%). Da região Sudeste saíram 11 mil. Nas regiões Norte e Centro Oeste o número de agricultores familiares aumentou, 68 mil e 6 mil respectivamente.

Qual a causa destas evasões? Há um sabido e estudado processo de envelhecimento da população rural, com agricultores se aposentando e sem sucessores. Mas os números citados são muito altos para esta ser a explicação principal. A evasão no Nordeste é histórica e tem a ver com o impacto cada vez mais importante de secas cada vez mais longas e intensas. Mas também foi constatado um alto nível de inadimplência nos empréstimos do PRONAF na região, o que sugere que esta pode ter sido também uma causa importante. No entanto, o tipo de empréstimo que prevaleceu na região Nordeste, conhecido como PRONAF B, não se voltou para a promoção do uso de insumos químicos e sementes melhoradas, como nas regiões Sul e Sudeste.

Na região Sul, a que mais recebeu créditos do PRONAF, a orientação técnica foi voltada para as monoculturas de soja e milho e para o uso de adubos químicos, agrotóxicos, sementes transgênicas e maquinário agrícola. É neste público e nesta região que se deveria avaliar o programa de crédito, sobretudo pelos valores despendidos tanto no volume total como no volume por beneficiário. E o indicativo é que uma boa parte dos agricultores que deixaram o campo o fizeram por problemas financeiros.

Durante a campanha Lula adotou a política de prometer “mais do mesmo”, idealizando as realizações do seu governo, já que o de Dilma Rousseff foi mal avaliado. Deu certo eleitoralmente, mas a equipe de transição que tratou do tema da agricultura familiar adotou uma importante mudança em relação aos tempos passados: a meta do novo Ministério do Desenvolvimento Agrário passou a ser a promoção da agroecologia como estratégia para dar sustentabilidade à produção desta categoria.

Sem ter havido uma avaliação das políticas aplicadas no passado, esta decisão a favor da agroecologia implica em uma crítica implícita aos governos de Lula, já que neles, assim como nos de Dilma Rousseff, prevaleceu amplamente a promoção das práticas do agronegócio visando a sua adoção pela agricultura familiar. As medidas de apoio à produção agroecológica foram residuais.

O que a equipe de transição não fez foi discutir como traçar políticas de crédito, de assistência técnica e extensão rural, de seguro e de acesso a mercados para realizar o objetivo definido. A experiência mostra que as medidas, bem marginais, adotadas nos governos passados para favorecer a agroecologia tiveram muitos problemas. Os créditos PRONAF agroecologia, semiárido e floresta foram mal formulados e tiveram pouquíssimos acessos; as chamadas de assistência técnica e extensão rural para financiamento de projetos de promoção da agroecologia também tiveram enormes problemas de formulação e execução. As compras da CONAB (PAA, Programa de Aquisição de Alimentos) favorecendo produtos agroecológicos tiveram melhores resultados, mas os valores foram diminutos e beneficiaram poucos agricultores.

O novo Ministério do Desenvolvimento Agrário tem dificuldades em fazer esta revisão das políticas. Em primeiro lugar, porque virou uma praxe desde os governos populares escantear qualquer crítica às ações do governo. As quedas de braço entre membros do Conselho do Ministério do Desenvolvimento Agrário (CONDRAF) e técnicos e dirigentes deste ministério foram constantes e resultaram em pelo menos um enfrentamento público por ocasião da primeira conferência nacional de assistência técnica e extensão rural, no governo Dilma Rousseff, com Pepe Vargas como ministro.

Já o programa de crédito ficou blindado pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário, que conseguiu impedir a formação de um Comitê de acompanhamento/avaliação da política no CONDRAF ao longo de 13 anos. Apenas no apagar das luzes do governo Dilma conseguimos criar um grupo de trabalho para avaliar esta política, apoiado pelo ministro Patrus Ananias. Este GT chegou a reunir uns 10 pesquisadores de universidades do nordeste, sudeste e sul, técnicos de ONGs, agentes financeiros e responsáveis governamentais. Durou pouco. O golpe em Dilma Rousseff matou essa iniciativa no nascedouro.

Em segundo lugar, o novo Ministério do Desenvolvimento Agrário está composto por um grupo pequeno de técnicos, longe do número de pessoas que nele trabalhavam quando foi extinto por Michel Temer. O pior é que não consegui identificar, entre os que hoje se encarregam deste ministério, algum dos membros das equipes que nele trabalharam nos tempos de Lula I e II e de Dilma I e I/3. Não há hoje, na equipe atual, a memória viva das experiências, exitosas ou fracassadas, dos períodos anteriores.

De todas as políticas em prol da agricultura familiar, a de maior impacto e de maior durabilidade foi a de crédito. Ela foi concebida e dirigida por um técnico altamente competente, João Luiz Guadagnin, desde o governo FHC até a queda de Dilma. Foi o único programa a que Michel Temer e Jair Bolsonaro deram continuidade, promovendo técnicos que já trabalhavam no mesmo. E este programa, com todos os seus erros de concepção, está tendo continuidade neste governo, sem qualquer avaliação crítica. Me pergunto como é que o MST, importante participante do ato de lançamento do Plano de Safra no Planalto, recebeu esta “nova” proposta. Desde o governo Dilma Rousseff o MST tornou-se um defensor coerente e incisivo da agroecologia, assim como a CONTRAF e a CONTAG, embora estes dois últimos sejam menos convictos desta proposta, pelo menos como proposta universal.

A mesma crítica pode ser feita ao segundo dos programas mais importantes do antigo ou do novo Ministério do Desenvolvimento Agrário: o de assistência técnica e extensão rural. As novas chamadas para projetos de assistência técnica repetiram praticamente todos os vícios e erros das chamadas anteriores, em 2010/2016.

A necessidade de se fazer um planejamento rigoroso, baseado numa revisão das políticas passadas e dos seus efeitos é premente ou veremos a repetição dos resultados anteriores. A meu ver, não é apenas necessário discutir cada um desses programas, mas a própria abordagem do governo para a promoção do desenvolvimento da agricultura familiar.

Com efeito, não é de hoje que eu comparo os métodos e práticas dos projetos de promoção do desenvolvimento da agricultura familiar de entidades da ONU, como a FAO e o PNUD e as adotadas pelos governos populares. No Brasil as iniciativas de apoio à produção são distribuídas por várias políticas distintas (crédito, assistência técnica e extensão rural, compras governamentais, acesso a mercados, beneficiamento, seguro, pesquisa). Nos programas de desenvolvimento que acompanhei na África todas estas políticas estavam integradas em cada um dos projetos, com um só orçamento sendo gerido harmonicamente.

Na prática, a diferença se traduz (aqui) na necessidade de cada entidade que trabalha com um público definido de agricultores formular projetos para acessar os recursos que necessita: um projeto para a assistência técnica e extensão rural, centenas de projetos individuais para cada agricultor acessar crédito, centenas de outros para acessar o PAA, sendo que não existem recursos para projetos que envolvam pesquisas participativas ou para facilitar a integração com entidades como a EMBRAPA ou as equivalentes estaduais. Além dessa dispersão de recursos provocar enormes dificuldades operacionais para as equipes de apoio, existem incoerências na orientação de cada uma das políticas.

O modelo atual de políticas separadas funciona para a promoção de modelos convencionais de produção, mas são totalmente ineficazes para a promoção da produção agroecológica.

Se não for realizado um intenso esforço de avaliação das políticas e dos mecanismos de financiamento da promoção da transição agroecológica vamos assistir a repetição dos problemas já vividos pela agricultura familiar ao longo das últimas três décadas. Mais do mesmo não é uma solução.

*Jean Marc von der Weid


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Este texto foi originalmente publicado pelo portal “A Terra é Redonda” [Aqui!].

Inseticidas campeões de venda no Brasil contém ingredientes banidos pela União Europeia

O portal de notícias Agrolink divulgou ontem uma nota dando conta que dois agrotóxicos produzidos pela empresa indiana UPL teriam sido “especialmente bem sucedidos”.  No caso os produtos seriam os inseticidas Perito 970 SG e Sperto cujas vendas representariam  11% e 8% do mercado, respectivamente.

O que o Agrolink “esqueceu” de mencionar é sobre quais seriam os ingredientes desses “campeões de venda” da UPL e qual seriam o status dos mesmos, por exemplo, na União Europeia.  Ao consultar a bula dos dois produtos verifiquei queo Perito 970 SG é o Acefato, um organofosforado, enquanto que o Sperto seria o resultado da combinação do Acetamiprido, um neonicotinóide, com a Bifentrina, um piretróide.

Ao verificar o status na União Europeia desses ingredientes, verifiquei que tanto o Acefato como a Bifentrina estão banidos por causa dos seus impactos negativos sobre o meio ambiente e a saúde humana. 

Outro detalhe é que esses “campeões de venda” estão sendo usados preferencialmente na monocultura da soja, o que, mais uma vez, demonstra de forma explícita os altos custos socioambientais que esta cultura traz para o Brasil, enquanto traz grandes lucros para a UPL.

Johnson & Johnson processa pesquisadores que ligaram o uso de seu talco ao câncer

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Por Dietrich Knauth para a Reuters 

12 de julho (Reuters) – A Johnson & Johnson processou quatro médicos que publicaram estudos citando ligações entre produtos de cuidados pessoais à base de talco e câncer, ampliando um ataque a estudos científicos que a empresa alega serem imprecisos.

A LTL Management, subsidiária da J&J, que absorveu a responsabilidade pelo talco da empresa em um controverso spin-off de 2021, entrou com uma ação na corte federal de Nova Jersey na semana passada pedindo para forçar três pesquisadores a “retratar e/ou emitir uma correção” de um estudo que dizia que produtos de talco de consumo contaminados com amianto causavam o desenvolvimento de mesotelioma.

Um dos pesquisadores, Richard Kradin, se recusou a comentar. Os outros dois, Theresa Emory e John Maddox, não responderam aos pedidos de comentários. Os advogados que representaram os três pesquisadores em processos semelhantes no passado se recusaram a comentar.

A J&J está enfrentando mais de 38.000 ações judiciais alegando que os produtos de talco da empresa, incluindo o produto para bebês, foram contaminados por amianto e causaram cânceres, incluindo câncer de ovário e mesotelioma. A J&J está tentando resolver esses processos, bem como quaisquer processos futuros sobre talco, por meio de um acordo de US$ 8,9 bilhões no tribunal de falências.

A J&J parou de vender produtos com base de talco em favor de produtos à base de amido de milho, citando um aumento de ações judiciais e “desinformação” sobre a segurança do produto talco.

A empresa em 2021 começou a explorar a falência como uma solução potencial para os processos, que tiveram um histórico misto no julgamento, incluindo várias vitórias de defesa, mas também um veredicto de US $ 2,1 bilhões concedido a 22 mulheres que culparam o câncer de ovário ao amianto nos produtos de talco da empresa. A J&J disse em processos de falência em abril que os custos de seus veredictos, acordos e honorários advocatícios relacionados ao talco chegaram a cerca de US$ 4,5 bilhões.

O processo da semana passada contra Emory e Maddox, patologistas afiliados à Peninsula Pathology Associates em Newport News, Virgínia, e Kradin, um pneumologista que trabalhou no Massachusetts General Hospital Cancer Center antes de sua aposentadoria, vem na sequência de outra queixa apresentada pela LTL contra outra médica, Jacqueline Moline, que trabalha na Northwell Health em Great Neck, Nova York, por motivos semelhantes.

Moline publicou um artigo em 2019 estudando 33 pacientes que disseram que sua única exposição ao amianto veio de produtos de talco, e Emory, Kradin e Maddox seguiram com um estudo de 2020 com 75 pacientes semelhantes.

Todos os quatro médicos forneceram depoimentos de especialistas em processos contra a J&J, e suas pesquisas foram citadas em processos em que não testemunharam, de acordo com as denúncias.

LTL disse que os pesquisadores esconderam o fato de que alguns ou todos os pacientes envolvidos em seus estudos foram expostos ao amianto de outras fontes.

A empresa também está pedindo ao tribunal que obrigue os pesquisadores a revelar a identidade dos pacientes.

Os processos alegam depreciação e fraude de produtos, entre outras reivindicações.

Adam Zimmerman, professor da Faculdade de Direito Gould da Universidade do Sul da Califórnia, disse que as empresas raramente abrem processos por pesquisas com as quais discordam. Será muito difícil para a LTL provar que os pesquisadores prejudicaram intencionalmente a reputação da J&J, o que é necessário para casos de depreciação de produtos em Nova Jersey, mas a empresa pode ver os processos como uma forma de desencorajar outros pesquisadores ou recuperar a narrativa sobre a segurança do talco, disse Zimmerman.

“Quando um litigante começa a processar especialistas adversários, isso é muito agressivo”, disse Zimmerman. “Ele envia uma mensagem de que as luvas estão fora.”

Moline argumentou em documentos judiciais que o litígio da LTL teria um efeito profundamente assustador em pesquisas médicas futuras se a empresa pudesse desmascarar os pacientes “na esperança de difamá-los publicamente”. Seus processos judiciais dizem que o processo da LTL foi feito para “atacar e silenciar” os cientistas, e que ela tem uma obrigação ética de proteger as identidades de seus sujeitos de pesquisa.

Os processos da LTL alegam que a pesquisa dos médicos lhes permitiu coletar milhões de dólares dos advogados dos queixosos para promover uma “narrativa falsa” sobre a J&J. A queixa contra Moline, por exemplo, dizia que ela havia feito uma “pequena fortuna” testemunhando como especialista paga em ações judiciais, recebendo mais de US$ 3 milhões por seu trabalho em ações judiciais relacionadas ao amianto. A LTL alegou que Kradin também ganhou mais de US$ 3 milhões testemunhando como especialista dos queixosos.

Os pesquisadores não puderam ser imediatamente contatados para comentar.

A LTL entrou com processos semelhantes contra os pesquisadores em dezembro de 2022, mas essas reclamações estavam relacionadas ao primeiro pedido de falência da LTL e foram indeferidas junto com o restante da falência em abril.

Os casos são LTL Management v. Moline e LTL Management v. Emory, Tribunal Distrital dos EUA para o Distrito de Nova Jersey, nºs 23-cv-02990 e 23-cv-03649.

Para LTL: Peter Harvey de Patterson Belknap Webb & Tyler; Allison Brown de Skadden, Arps, Slate, Meagher & Flom; e Kristen Fournier de King & Spalding

Para Moline: Kevin Marino e John Tortorella de Marino Tortorella & Boyle

Para Emory, Kradin e Maddox: Ainda não disponível 


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Este texto escrito originalmente em inglês foi publicado pela agência Reuters [Aqui!].