Desmatamento na Amazônia continua avançando e preocupa

Em apenas duas semanas do mês, área desmatada supera os 209 km², segundo o Inpe. Cenário requer ações imediatas para impedir o avanço da destruição.

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O IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) considera preocupante os dados registrados pelo Deter, sistema do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) de monitoramento de desmatamento na Amazônia. Nas duas primeiras semanas de fevereiro de 2023, entre os dias 1º e 17, foram registradas perdas de 208,7 km² de floresta. No ano, já são mais de 375,3 km² de área desmatada na Amazônia.

“O Brasil já reduziu as taxas de desmatamento no passado e o atual governo tem plenas condições de voltar a baixá-las drasticamente nos próximos anos”, avalia o diretor executivo substituto do IPAM, Paulo Moutinho.

Os números de fevereiro representam o terceiro ano de crescimento consecutivo dos índices de desmatamento e quebram o recorde registrado no ano passado, quando foram derrubados 198,6 km² de floresta.

“A destruição da Amazônia é a destruição do maior tesouro do povo brasileiro. Esse desmatamento ameaça não só a biodiversidade da região, como todo o nosso regime de chuva e a segurança alimentar de milhões de pessoas. Nós já sabemos como parar esse desmatamento e é fundamental que comecemos a controlar esse avanço da destruição”, afirma Moutinho.

A floresta amazônica é fundamental para a regulação do clima brasileiro, levando umidade para outras partes do país e assim regulando chuvas, volume de reservatórios. A destruição da floresta, portanto, tem consequências seríssimas para a produção de alimentos e o agronegócio, quase que totalmente dependente de chuvas para sua irrigação, assim como para a saúde da população, que sofrerá com o clima mais extremo e imprevisível.

O desmatamento ilegal das florestas representa uma forte ameaça ao equilíbrio climático da região e é facilitado pela não demarcação de florestas públicas, áreas preciosas que se unem às terras indígenas e às unidades de conservação para fazer fluir a umidade para o resto do Brasil, e fraudes no sistema de Cadastro Ambiental Rural, o CAR. Dos 56,5 milhões de hectares de florestas públicas não destinadas na Amazônia, 18,6 milhões de hectares possuem CARs ilegais sobrepostos às áreas preservadas.

Além disso, o fogo na Amazônia, diretamente ligado ao desmatamento do bioma, tem avançado. Segundo dados do Monitor do Fogo, uma iniciativa do MapBiomas em parceria com o IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) 49% da área queimada no ano passado foi na floresta amazônica, totalizando 7,9 milhões de hectares queimados em 2022.

O voto anti-russo na ONU ainda provocará dor de cabeça ao governo Lula. É a geopolítica, estúpido!

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A guerra que ocorre na Ucrânia entre a Organização do Tratado do Atlântico Norte liderada pelo governo dos EUA e a Rússia está causando fortes abalos nas tectônicas que controlam a geopolítica mundial. Ás vésperas desta guerra completar um ano, a Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou mais uma daquelas resoluções do tipo “para inglês ver” em que há uma condenação unilateral da Rússia, trazendo apenas um adendo envergonhado que foi apresentado pela representação do Brasil no sentido de que sejam realizados esforços pela paz. Na prática, o Brasil se alinhou de forma obediente às pressões feitas pelo governo Biden, pouco tempo após a visita do presidente Lula a Washington DC.

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O voto brasileiro vai de encontro à declarações anteriores do presidente brasileiro de que o Brasil permaneceria neutro em nome de do estabelecimento de uma posição estratégica em prol da cessação das hostilidades.  Como toda essa situação tem mais a ver com o enfraquecimento da ordem mundial imposta pelos vencedores da Segunda Guerra Mundial do que com os interesses dos povos da Rússia e da Ucrânia, a mudança de posição do Brasil reflete um alinhamento do governo Lula a uma ordem que está se esfarelando.  Nesse sentido, do ponto de vista geopolítico, o voto brasileiro é, no mínimo, equivocado.

Mas como a geopolítica opera a partir de elementos práticos, incluindo a economia, a decisão brasileira de se alinhar à posição estadunidense faz menos sentido ainda. É que a China, principal parceiro comercial brasileiro, se manteve na posição de neutralidade, o mesmo acontecendo com Índia e África do Sul que junto com o Brasil formam o bloco conhecido como BRICS. Esse apartamento brasileiro em relação à China e os outros membros do bloco emergente certamente terá custos imediatos e duradouros para o Brasil, na medida em que não estamos vivendo um momento em que certos desvios serão perdoados facilmente.Nesse sentido, o voto brasileiro é um verdadeiro tiro no pé.

Ah, sim, antes que alguém venha aqui me imputar qualquer tipo de alinhamento com a figura de Vladimir Putin, digo logo que não gastem o dedo à toa.  Não nutro qualquer simpatia por Putin e seu modelo de governo. Por outro lado, não sou ingênuo a ponto de cair na retórica da mídia corporativa ocidental que tenta reduzir todos os problemas que cercam a guerra da Ucrânia  a desvios de personalidade de Putin.  O fato é que a versão difundida de forma quase unânime pelos grandes veículos de mídia ocidental, incluindo a brasileira, despreza todos os fatos concretos que antecederam à eclosão deste conflito, a começar pelo encercamento da Rússia por bases militares da OTAN.

Finalmente, há que se reforçar o elemento de hipocrisia que cerca a posição dominante na ONU que condena a Rússia, enquanto se omite o acontecimento de outros conflitos em curso, onde forças estatais massacram populações civis com o dinheiro e armas fornecidos pelo mesmo grupo de países cujos governos gastam hoje centenas de bilhões de dólares para armar as forças armadas da Ucrânia.

Comunidade caiçara do Guarujá fará denúncia internacional contra a Cargill

Moradores e pescadores do Sítio Conceiçãozinha reclamam de não terem sido ouvidos sobre obras de ampliação do terminal da gigante mundial dos alimentos, que deverá fechar antiga saída para o mar

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Por Cida de Oliveira, da RBA

São Paulo – A comunidade tradicional do Sítio Conceiçãozinha, em Guarujá, vai formalizar denúncia contra a Cargill na União Internacional de Associações de Trabalhadores da Alimentação, Agricultura e Afins (Uita). O ato faz parte dos manifestos contra as obras de ampliação do terminal da gigante mundial da indústria de alimentos no Porto de Santos. Um dos principais problemas do projeto, já em andamento, é que o acesso ao mar para pescadores tradicionais que vivem no local deverá ser fechado.

Em outra frente, a União dos Pescadores de Conceiçãozinha (Unipesc), a Central de Movimentos Populares (CMP) e a Associação de Combate aos Poluentes (ACPO) protocolaram representação no Grupo de Atuação Especial de Defesa do Meio Ambiente (Gaema), do Ministério Público de São Paulo na Baixada Santista. Isso foi na última sexta-feira (17), véspera do carnaval.

No mesmo dia, a CMP divulgou um manifesto contra a “obra antissocial da Cargill, que literalmente está sufocando os pescadores do Sítio Conceiçãozinha” (íntegra no final da reportagem).

Na representação ao Ministério Público, os autores pedem providências contra a expansão considerada irregular dos atracadouros marítimos da empresa Cargill, vizinha do Sítio Conceiçãozinha. Isso porque as obras têm impactos na mobilidade pesqueira e potencial de poluição das águas e do ar.

Imagem mostra a comunidade vizinha à Cargill e a ampliação do atracadouro (em vermelho). Foto: Reprodução/Representação ao MPSP

Para a comunidade, obra da Cargill é irregular

“O estacionamento de gigantescos navios afetará a circulação de ar, a entrada, saída e circulação de embarcações de pescadores tradicionais, aumentará o potencial de risco de poluição das águas e atmosférica devido ao embarque e desembarque de mercadorias a granel que ocorrerá por esses terminais, criando uma barreira de aço entre o pescador e a sua fonte de renda, o mar”, destacam em trecho da representação.

Comunidade antiga de origem caiçara, o Conceiçãozinha tem uma população fixa, consolidada, de cerca de 6 mil pessoas. Ali diversas ruas são asfaltadas, há iluminação, escola pública, posto de saúde e um comércio significativo. “O sentimento é de que estamos sendo emparedados pela multinacional, que chegou aqui muito tempo depois de nós”, disse à RBA o líder comunitário Newton Rafael Gonçalves, de 75 anos.

Segundo ele, o bate-estaca que já rachou muitas casas na comunidade trabalha sem parar. E a obra avança sem que os moradores tenham sido ouvidos. “Não houve nenhuma audiência pública para discutir o assunto com os moradores”, disse.

No entendimento do advogado da CMP, Benedito Barbosa, o Dito, a Cargill desrespeita a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), ratificada pelo Brasil. A resolução prevê que as comunidades tradicionais, entre elas caiçaras, sejam devidamente informadas e consultadas em casos de intervenções locais como essa. Isso porque têm papel relevante na proteção do meio ambiente e, sem ela, a cultura e as práticas tradicionais não prosseguiriam.

O Sítio Conceiçãozinha está localizado entre o canal de Santos e a Via Santos Dumont, no distrito de Vicente de Carvalho, no Guarujá. Durante o governo Lula, a comunidade recebeu investimentos para melhoria da infraestrutura e houve regularização fundiária. O governo federal repassou a área para a Prefeitura de Guarujá, que em 2009 concedeu títulos de posse a 1.832 famílias.


“O presidente Lula viveu aqui em sua infância, quando veio de Garanhuns. E mais tarde, quando presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, já voltou sua atenção para o local, que nunca esqueceu. Mas agora enfrentamos essa situação difícil, contra a qual vamos lutar”, disse Newton.


Cargill nega bloqueio do acesso de moradores ao canal

O Terminal Exportador do Guarujá da Cargill afirma, por meio de sua assessoria, que a realização das obras, iniciadas em janeiro de 2023, atendem solicitação da Capitania dos Portos e da Santos Port Authority (SPA). Assim, alega que seu objetivo é “ampliar a segurança das operações, conferindo mais estabilidade às embarcações nas manobras de atracação dos navios”. E ressalta que as obras não eliminarão o acesso dos comunitários ao canal.

“O projeto conta com a anuência dos órgãos competentes para sua realização e, embora iniciativas desta natureza não demandem a realização de audiências públicas, em respeito aos comunitários, o Terminal procurou proativamente as lideranças locais, com quem segue dialogando e que inclusive já visitaram o Terminal para conhecer o projeto e sanar eventuais dúvidas”, diz a empresa.

A Autoridade Portuária de Santos, antiga Companhia Docas, Codesp, é um empresa pública federal. Até o governo anterior, estava subordinada ao Ministério da Infraestrutura, então chefiado pelo atual governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Mas no atual governo, está vinculado ao Ministério dos Portos e Aeroportos, chefiado por Márcio França.

Enquanto Freitas defende a privatização do Porto de Santos, França contesta. “Quando a gente fala em privatizar o Porto de Santos, o que o governador Tarcísio pretendia (quando era ministro), que era a orientação dada pelo Paulo Guedes e Bolsonaro, era a venda da autoridade portuária. Mas esse modelo só existe em um único país, a Austrália, e mostrou muitas dificuldades”, disse França em recente entrevista à CNN.

Leia o manifesto dos moradores

Cargill, empresa gigante e mundial de alimentos, amplia porto privado e fecha saída para o mar de pescadores da Vila Sítio Conceiçãozinha no Guarujá. Bate-estacas que está ampliando o porto também tem provocado rachaduras em casas de moradores na Vila. Os moradores e pescadores locais tentam impedir a obra que segue a todo vapor, para o desespero de todos no Sítio Conceiçãozinha que estão indignados com ação da empresa.

Diversas lideranças, a convite do companheiro Newton Rafael, que é dirigente da CMP, pescador e morador, visitaram o território em solidariedade aos moradores e pescadores, para, também, ampliar a denúncia sobre esta obra antissocial da Cargill, que literalmente está sufocando os pescadores  do Sítio Conceiçãozinha.

Os moradores reclamam que o bate-estacas, quando está funcionando, provoca tremor nas casas, o que tem provocado diversas rachaduras nos imóveis.Os pescadores reclamam, também, que não houve qualquer audiência ou consulta pública sobre a obra. Por isso, exigem a paralisação imediata da ampliação do porto. No Sítio Conceiçãozinha vivem 6 mil pessoas e cerca de 100 pescadores dependem da pesca.


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Este texto foi originalmente publicado pela Rede Brasil Atual [Aqui!].

França proíbe popular herbicida S-metolacloro por causar poluição das águas

aspersorUm aspersor rega plantações de milho nos arredores da cidade de Toulouse, no sul da França. AFP – JEAN-PIERRE MULLER

Por Amanda Morrow para a RFI

A autoridade de segurança alimentar da França, Anses, decidiu proibir o S-metolacloro, um herbicida comum usado por produtores de cereais, devido à poluição significativa das águas subterrâneas. O produto se junta a uma lista cada vez maior de produtos químicos que não são mais permitidos na agricultura francesa.

Uma vez espalhada no solo, a substância ativa se decompõe em metabólitos que migram para o solo, águas superficiais e subterrâneas. Embora não represente um risco imediato à saúde, Anses disse que a molécula é uma importante fonte de poluição da água. 

“Em testes de água potável, os metabólitos do S-metolacloro foram frequentemente detectados em concentrações que excedem os padrões de qualidade”, disse Anses .

Restrições

A proibição segue medidas anteriores das autoridades de saúde para restringir as doses permitidas para o uso deS-metolacloro em campos de milho, girassol, soja e sorgo.

Charlotte Grastilleur, vice-diretora da divisão de produtos regulamentados da Anses, disse que os resultados dos testes da agência são indiscutíveis.

“Apesar das recentes restrições às condições de uso, o limite de 0,1 micrograma por litro estabelecido pela legislação europeia em águas subterrâneas é excedido para três metabólitos do S-metolacloro”, disse Grastilleur.

As empresas que fabricam S-metolacloro foram informadas sobre o procedimento de retirada, e os produtores de cereais receberam de 6 a 12 meses para vender seus grãos antes de mudar para um herbicida alternativo.

A proibição do S-metolacloro ocorre semanas depois que os produtores franceses de beterraba foram proibidos de usar pesticidas neonicotinóides “matadores de abelhas”.


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Este texto escrito originalmente em inglês foi publicada pela RFI [Aqui!].

São as mudanças climáticas, estúpido!

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A reedição da combinação de chuvas muito intensas e a ocupação por populações de pobres das áreas desprezadas pela especulação imobiliária está causando mais tragédias neste início de 2023.  Desta vez são os moradores do litoral norte do estado de São Paulo que estão sofrendo os impactos mais devastadores de mais uma demonstração de que o enfrentamento dos desafios postos pelas mudanças climáticas deveria ser prioridade se os governantes tivessem um mínimo de responsabilidade com seus eleitores.

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Como vimos no sul fluminense e na região serrana no mesmo mesmo período de 2022, as chuvas de intensidade acima dos padrões de normalidade castigam a todos, mas os piores impactos ficam sempre sobre os mais pobres. Aliás, em um detalhe curiosamente mórbido, o município de Paraty que foi devastado em 2022 agora está sendo poupado, apesar de ficar distante apenas 70 km de Ubatuba, um dos municípios mais atingidos pelas chuvas de 2023.  Esse detalhe revela mais um vez a confirmação do que os cientistas já previram sobre os padrões espaciais dessas chuvas intensas, qual seja, o lugar inundado de hoje pode ser o poupado de amanhã e vice-versa.

Assim, não adianta que os governantes, como o fez explicitamente o prefeito de São Sebastião, culpem a natureza pelos que estamos vendo neste momento no litoral paulista. É que apesar das chuvas serem um elemento fora do controle da sociedade humana, os componentes sociais e de governança não o são. A verdade é que toda essas catástrofes estão mais do que anunciadas, mas apesar disso, não há nada no Brasil que se assemelhe ao processo de ajuste que o novo padrão climático requer. Passadas as chuvas e enterrados os mortos, o que vemos é a volta das mesmas ações que priorizam padrões tradicionais de fazer política e de governar. Tudo como se o caos de hoje não se repetirá amanhã.

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Por outro lado, há que se mencionar que o governo Lula possui agora um ministério que deverá tratar do ajuste às mudanças climáticas. Até se criou uma Secretaria Nacional do Clima e se indicou um embaixador para a mudança do clima dentro do Ministério das Relações Exteriores.  Essas medidas são importantes, mas de nada adiantarão se tudo continuar no quartel de Abrantes, a começar pela inexistência de orçamentos realistas para o tamanho da tarefa que se apresenta para os desafios colocados pelas mudanças climáticas.

Estudo aponta que pecuária, não coca, impulsiona o desmatamento da Amazônia na Colômbia

As autoridades colombianas culparam o cultivo de coca – o ingrediente básico da cocaína – pelo corte raso, mas novo estudo  mostra o contrário

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Uma estrada ilegal feita durante o desmatamento em Caquetá, na Colômbia, em 2021. Foto: Luisa González/Reuters

Por Lucas Taylor em Bogotá para o “The Guardian”

A pecuária, e não a cocaína, foi a causa da destruição da Amazônia colombiana nas últimas quatro décadas, segundo um novo estudo .

Sucessivos governos recentes usaram preocupações ambientais para justificar o aumento de sua guerra contra o arbusto verde, mas a pesquisa mostra que em 2018 a quantidade de floresta desmatada para cultivar coca, o ingrediente básico da cocaína, foi apenas 1/60 daquela usada para o gado .

As descobertas do estudo justificam especialistas em conservação que há muito argumentam que a estratégia da Colômbia para conservar a Amazônia – muitas vezes centrada no combate à produção de coca – foi equivocada.

“Queremos finalmente erradicar essa narrativa de que a coca é o motor do desmatamento ”, disse Pablo Murillo-Sandoval, da Universidade de Tolima, que liderou o estudo.

O desmatamento aumentou depois que os guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) assinaram um acordo de paz histórico com o governo em 2016 e depuseram suas armas.

À medida que os rebeldes saíam da selva, os grileiros se aproveitaram , derrubando árvores com motosserras e queimando vastas áreas. O desmatamento atingiu um recorde de 219.973 hectares (543.565 acres) em 2017, um aumento de 23% em relação ao ano anterior.

O então presidente Iván Duque usou a destruição ambiental causada pelo cultivo de coca para justificar o aumento da ação militar contra os plantadores de coca. Proibido de pulverizar plantações de coca com glifosato depois que o produto químico foi banido em 2015 por questões de saúde, o governo Duque enviou helicópteros e tropas armadas para a floresta amazônica, às vezes em confrontos mortais com plantadores de coca.

No entanto, embora as fazendas de gado tenham desmatado mais de 3 milhões de hectares (7,4 milhões de acres) da floresta amazônica em 2018, o impacto da coca foi insignificante.

Gado percorre a Amazônia desmatada em Guaviare, Colômbia, em 2022.
Gado percorre a Amazônia desmatada em Guaviare, Colômbia, em 2022. Foto: Mauricio Dueñas Castañeda/EPA

Apenas 45.000 hectares (111.200 acres) foram desmatados para coca em 2018, o último ano disponível no estudo.

Usando um algoritmo de aprendizado profundo para diferenciar entre a terra usada para coca e gado, Murillo e seus colegas conseguiram pela primeira vez distinguir entre as atividades em grande escala de 1985 a 2019.

“Sempre contestamos o argumento do governo de que a coca estava impulsionando o desmatamento, mas carecemos de evidências”, disse Angelica Rojas, oficial de ligação do estado de Guaviare na Fundação para a Conservação e Desenvolvimento Sustentável, um thinktank ambiental colombiano. “Agora temos dados reais com os quais podemos nos opor a esse erro.”

Os números mostram que os governos anteriores usaram o meio ambiente como uma falsa justificativa para travar uma guerra contra os plantadores de coca, disse Rojas, que não participou do estudo.

“Eles não queriam impedir o desmatamento, só queriam justificar o gasto de mais dinheiro e recursos em seu verdadeiro objetivo político: eliminar a coca”, disse ela.

O estudo também acrescenta evidências de que, apesar do sacrifício de vidas e do gasto de bilhões de dólares, a “guerra às drogas” da Colômbia não conseguiu deter a produção de coca – e, em alguns casos, pode até piorá-la.

Quando os agricultores erradicam suas plantações, eles simplesmente estabelecem novos lotes, muitas vezes apenas alguns quilômetros mais fundo no dossel da floresta, disse Murillo. “A guerra contra as drogas começou há 40 anos, mas todos sabem onde está a coca: no mesmo lugar onde sempre estiveram.”

Como o governo se envolveu em um jogo de bate-papo com os plantadores de coca, o verdadeiro motor do desmatamento, a pecuária, foi autorizado a engolir vastas extensões de terra, argumentam os autores.

Falhas na regulamentação fundiária colombiana incentivaram a conversão de florestas tropicais biodiversas em pastagens estéreis.

Para ter suas escrituras reconhecidas, os proprietários devem demonstrar que 75% de seus lotes são produtivos, e é muito mais fácil para os agricultores usar vacas do que plantações, disse Carlos Devia, engenheiro florestal da Universidade Javeriana de Bogotá, que não participou do estudo.

“A pecuária é a maneira mais fácil de mostrar que você está usando a terra, pois ela não é regulamentada. Você poderia ter 100 hectares de terra e colocar apenas 10 vacas lá, enquanto para batatas ou milho apenas um hectare exigiria um ano de muito trabalho”, disse Devia.

Agricultores sem terra costumam desmatar alguns hectares de floresta tropical e vendê-los ilegalmente a membros de organizações criminosas que, então, juntam vários pequenos lotes, transformando-os em vastas faixas de pastagens áridas e sem vida.

O presidente colombiano Gustavo Petro, que assumiu o cargo em agosto do ano passado, está propondo uma reviravolta na fracassada estratégia antinarcóticos da Colômbia .

Petro, ex-membro do extinto grupo rebelde M-19, desviou o foco da erradicação forçada da coca e está comprando milhões de hectares de terra para dar aos agricultores.

“Reduzir o uso de drogas não requer guerras, precisa de todos nós para construir uma sociedade melhor”, disse Petro à assembléia geral da ONU em setembro do ano passado.


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Este texto escrito originalmente em inglês foi publicado pelo jornal “The Guardian” [Aqui!].

Guerra na Ucrânia: Quem responde a Jurgen Habermas?

Negociação proibida: apenas o melhor insulto conta

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Em 2018, ele ainda era popular como homem moderado: Jürgen Habermas agradeceu ao então ministro federal das Relações Exteriores, Heiko Maas (SPD), pelo prêmio de mídia franco-alemão. Foto: Arne Immanuel Bänsch/dpa
Por Christopher Meueler para o “Neues Deutschland”

Antes da guerra na Ucrânia, o filósofo Jürgen Habermas, nascido em 1929, era a autoridade moral do liberalismo de esquerda na Alemanha Ocidental. Ele era considerado um homem velho e sábio que se preocupava profunda e seriamente com a paz e a liberdade, como um dos poucos cientistas que conseguem interferir nos debates políticos sem se envergonhar. Na maioria das vezes ele tentou provar que os conflitos sociais podem ser neutralizados se forem legalizados para o bem comum. Ouça, relaxe, pense – esse era aproximadamente o seu ideal, para que o melhor argumento pudesse prevalecer. Como se a vida política fosse um grande talk show, mas onde as coisas são racionais e justas. Sua principal obra, a »Teoria da Ação Comunicativa«, que publicou há mais de 40 anos, também trata disso.

E agora Habermas tem que saber que uma ação comunicativa está sendo tomada contra ele . Na quarta-feira passada, publicou um longo artigo no “Süddeutsche Zeitung” no qual defendia as negociações entre a Ucrânia e a Rússia. Isso não foi bem recebido na chamada imprensa de qualidade. Ele provavelmente não tinha ideia, e certamente nada sobre o Oriente, dizia-se, como se Habermas fosse muito velho, mas não mais sábio. Basicamente um homem inimigo. Acima de tudo, o notoriamente mal-humorado ex-embaixador ucraniano e vice-ministro das Relações Exteriores, Andriy Melnyk, twittou: “O fato de Jürgen Habermas estar tão descaradamente a serviço de Putin me deixa sem palavras. Uma vergonha para a filosofia alemã. Immanuel Kant e Georg Friedrich Hegel se revirariam em seus túmulos de vergonha.«

O que Habermas não havia considerado: em certas questões, como propriedade ou rearmamento, não é o melhor argumento que conta, mas o melhor insulto. Embora Habermas concordasse em seu ensaio que a Ucrânia não deveria perder a guerra, ele recusou as palavras suplicantes proferidas pelo chanceler lituano: “Temos que superar o medo de querer derrotar a Rússia”. Habermas está certo de que uma longa guerra ceifará ainda mais vidas e levará à mais destruição e, no final, nos deixará com uma escolha desesperadora: intervir ativamente na guerra ou, para não desencadear a Primeira Guerra Mundial entre as potências com armas nucleares, abandonar a Ucrânia ao seu destino deixou«. Ele rejeita ambos e propõe a restauração do status quo antes de 23 de fevereiro de 2022, que a mídia de qualidade interpreta como uma ideia ingênua e cínica.

Em 1968, uma antologia,  “A esquerda responde a Jürgen Habermas” foi publicada. Não se pode mais questionar isso hoje, porque aquela esquerda com suas reivindicações revolucionárias em vez de reformistas não existe mais. A maioria deles se ofereceu para a frente, idealmente, é claro, na frente do computador na sala de estar. Mas Habermas está certo de que a guerra será cada vez mais vivida “como uma violência esmagadora” e “essa guerra que não deveria ser é ainda mais óbvia”.


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Este texto escrito originalmente em alemão foi publicado pelo jornal “Neues Deutschland” [Aqui!].

Inteligência indígena a serviço do Brasil

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Monica Prestes*

Roraima tem 35 terras indígenas (TIs) e é, proporcionalmente, o estado com a maior população indígena do país. Lá ficam duas das maiores e mais populosas TIs brasileiras: a Raposa Serra do Sol e a Yanomami. A segunda enfrenta uma crise humanitária com cenários dignos de uma guerra; e será preciso de uma verdadeira operação de guerra para enfrentar o seu maior flagelo, o garimpo ilegal. E ele não tomou somente a TI Yanomami.

Será preciso abrir novas frentes de batalha. Pelo menos outras sete terras indígenas de Roraima estão ameaçadas pela expansão da atividade no estado, com a fuga em massa de garimpeiros da TI Yanomami, alvo de uma força-tarefa do governo federal. A denúncia foi feita pelo Conselho Indígena de Roraima (CIR), organização indígena de base que há 52 anos atua em todas as TIs de Roraima.

Algumas dessas TIs para onde os garimpeiros estão migrando já têm focos de invasão e rotas consolidadas. Naquelas que ficam no caminho dos garimpeiros, o clima é de alerta vermelho. É o caso da Raposa Serra do Sol – para onde migraram parte dos 40 mil garimpeiros expulsos da TI Yanomami na última grande invasão, na década de 1990– e da TI Boqueirão. Nesta, o CIR identificou estruturas como acampamentos, e pontos de armazenamento de equipamentos e materiais usados na lavra, além de portos clandestinos e um vaivém intenso de garimpeiros, principalmente à noite.

A denúncia repercutiu na imprensa, mas com o objetivo de atingir, também, outras esferas: o CIR enviou ofícios com os relatórios e o mapeamento das ameaças para órgãos federais responsáveis pela força-tarefa contra o garimpo, para embasar ações para além do território Yanomami. O conselho também fez um alerta para a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) sobre os riscos da invasão garimpeira na Raposa Serra do Sol, em reunião que aconteceu esta semana. É a inteligência indígena sobre seu território a serviço do Brasil.

É fato que a crise Yanomami não começou ontem, nem em 1º de janeiro de 2019. Mas o que também não faltam são fatos – e documentos – que comprovam que ela se agravou, e muito, nos últimos quatro anos, em meio a uma pandemia negligenciada e à omissão do próprio governo, que negou pedidos de ajuda feitos pelos próprios indígenas. Boa parte desses documentos, vale lembrar, foram produzidos por organizações indígenas como o CIR e seus parceiros institucionais. Nesse período, elas representaram não só a mais consistente oposição ao governo Bolsonaro, mas também a principal articulação da resistência indígena pela proteção de seus territórios.

Foi durante o governo Bolsonaro que a Hutukara Associação Yanomami, por exemplo, decidiu iniciar um monitoramento próprio sobre o avanço do garimpo ilegal no território, revelado pelo relatório Yanomami Sob Ataque, um dos documentos que deve embasar o julgamento do governo Bolsonaro na acusação de genocídio que ele pode enfrentar. Por sua vez, o CIR, organização por trás da consolidação dos direitos territoriais dos povos indígenas de Roraima, e que representa dez povos diferentes – e ainda decidiu abraçar os Warao, indígenas refugiados da Venezuela – conseguiu fortalecer sua articulação nos territórios e celebrar meio século de atuação com uma Assembleia Geral que reuniu mais de 2 mil pessoas na Raposa Serra do Sol, em janeiro.

Esse novo momento do governo brasileiro, agora mais indígena do que nunca, e das próprias organizações indígenas, fala mais sobre construir soluções do que sobre ter respostas para todas as perguntas. Afinal, assim como a violação de direitos dos povos indígenas não começou em 2019, é sabido que a crise não se resolverá em três semanas ou seis meses. E não deve ter quem duvide que jamais os povos indígenas tiveram uma representatividade tão grande no governo, sobretudo nos espaços de decisão sobre suas próprias vidas. Até agora, nesses primeiros 40 e poucos dias, ter uma ministra, uma presidente da Funai e um presidente da Sesai indígenas tem feito a diferença.

Os povos indígenas, não custa lembrar, estão fazendo a parte deles há 523 anos: cuidando do que é nosso. Agora, ocupando espaços no governo, eles terão a oportunidade de construir novas perspectivas de futuro, caminhando ao lado das organizações de base e fortalecendo o próprio movimento indígena. Mas eles não farão a mudança necessária sozinhos, essa é uma construção da qual todos – governos, movimento indígena e sociedade civil – devemos fazer parte.

*Editora na Uma Gota no Oceano 


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Este texto foi inicialmente publicado pelo site “Uma gota no oceano” [Aqui!].

Projeto internacional liderado pela UFSCar analisa impacto das mudanças climáticas sobre a biodiversidade aquática

Iniciativa, apoiada por Fapesp e National Science Foundation, prevê colaboração com universidades dos EUA e Nova Zelândia

unnamed (14)(Foto: Victor Saito)

Comparando comunidades de insetos em riachos no Brasil e nos Estados Unidos, pesquisa liderada pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) tem como objetivo compreender impactos das mudanças climáticas sobre a organização da biodiversidade aquática, algo ainda pouco conhecido. A iniciativa prevê colaboração com três instituições dos EUA (Universidade da Califórnia, Universidade Estadual da Virgínia e Universidade de Maryland) e uma neozelandesa (Universidade de Canterbury). 

O projeto foi aprovado recentemente para receber apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e da National Science Foundation (NSF), em chamada colaborativa com a temática “Biodiversity on a Changing Planet (BoCP) 2022” (Biodiversidade em um Planeta em Transformação). A liderança é de Victor Satoru Saito, docente no Departamento de Ciências Ambientais (DCAm) da UFSCar.

Com duração de três anos, o projeto prevê estudos – com bolsas de graduação, treinamento técnico e pós-doutorado para as universidades envolvidas – em comunidades biológicas de riachos, principalmente insetos que possuem fase de larva na água e, de adultos, terrestres com asas, como as libélulas. 

O intuito é entender se a organização dessas comunidades, ao longo do tempo, é diferente em locais tropicais e temperados. 

“As espécies são sempre as mesmas ou mudam de mês a mês? Qual a magnitude dessas variações? Há a troca de todas as espécies do verão para o inverno, ou mantêm-se as mesmas?”, exemplifica o pesquisador. 

Para responder a esses questionamentos, os cientistas produzirão amostragens mensais dessas comunidades em riachos nos dois países, de uma forma coordenada e uniforme. Com isso, pretendem estudar todo o ciclo de vida desses insetos – ou seja, da vida aquática à saída da água, como adultos alados, até a reprodução e a inserção de ovos novamente nos riachos. Também estarão no foco as suas demografias (dinâmica da população, com informações como quantidade de indivíduos, natalidade e mortalidade). 

O desconhecimento ainda existente sobre como a biodiversidade de insetos responde diretamente às mudanças climáticas é devido, sobretudo, à falta de estudos coordenados em diferentes latitudes, que permitam uma comparação direta do efeito da temperatura nos organismos. 

“Com os dados coletados, vamos buscar construir modelos que permitam prever como cada comunidade pode responder a futuras mudanças climáticas”, detalha o docente da UFSCar. 

Os locais de análise ainda estão em definição, mas Saito adianta que, aqui no Brasil, serão potencialmente os riachos dentro do Parque Estadual de Intervales, localizado no Sul do estado de São Paulo. “Esta Unidade de Conservação abriga uma Mata Atlântica muito bem preservada e uma bacia hidrográfica bem inserida e conhecida”, justifica. 

Saito conta que os insetos aquáticos costumam ser utilizados como indicadores ambientais. Assim, o estudo também é uma forma de tentar prever como os ecossistemas vão responder a mudanças, para pensar em precauções diante de alterações ecossistêmicas indesejadas, como a perda de espécies de interesse pesqueiro ou a diminuição da qualidade da água. 

O pesquisador explica que, hoje, é muito utilizada a Teoria Metabólica – que indica que o metabolismo dos organismos determina fortemente o que se encontra na Natureza – para elucidar a biodiversidade, mas sabe-se da importância de sua união com outras explicações possíveisconforme já abordado em pesquisas anteriores do próprio Saito.  

“As populações das espécies também sofrem variações em suas abundâncias de forma estocástica (ou seja, imprevisível, de causa desconhecida) -, e é justamente esse ponto que buscamos entender melhor, investigando as relações dessas variações com a temperatura. A ideia é avançar nesses estudos e entender mais sobre o ciclo de vida das espécies, para começarmos a tapar essas lacunas no conhecimento da nossa fauna”, complementa o pesquisador. 

Mais informações sobre o projeto aprovado – intitulado “Entendendo o papel da estocasticidade na montagem de metacomunidades sob efeitos de mudanças globais” – estão disponíveis no site da Fapesp.

Esta matéria aborda contribuição da comunidade da UFSCar à concretização dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável – Agenda 2030 (ODS14-Vida na Água)

Um terço das empresas associadas ao desmatamento não tem planos para acabar com ele

A pesquisa da Global Canopy também descobriu que muitas empresas não estão monitorando os compromissos estabelecidos

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Desmatamento na Amazônia brasileira, janeiro de 2023. O desmatamento por humanos é responsável por quase um quarto das emissões de gases de efeito estufa. Fotografia: Ueslei Marcelino/Reuters

Por Helena Horton, Repórter de Meio Ambiente, para o “The Guardian”

Um terço das empresas mais ligadas à destruição das florestas tropicais não definiu uma política única sobre o desmatamento, revela um relatório da ONG Global Canopy.

A pesquisa da Global Canopy descobriu que 31% das empresas com maior influência no risco de desmatamento tropical por meio de suas cadeias de fornecimento não têm um único compromisso de desmatamento para nenhuma das commodities às quais estão expostas.

Muitos dos que estabeleceram políticas não as estão monitorando corretamente, o que significa que o desmatamento para produzir suas commodities ainda pode estar ocorrendo. Das 100 empresas com compromisso de desmatamento para cada commodity a que estão expostas, apenas 50% estão monitorando seus fornecedores ou regiões fornecedoras de acordo com seus compromissos de desmatamento para cada commodity.

O relatório Forest 500 da Global Canopy afirma: “Passamos três anos do prazo de 2020 que muitas organizações estabeleceram para deter o desmatamento e apenas dois anos do prazo da ONU de 2025 para empresas e instituições financeiras eliminarem o desmatamento, conversão e os abusos de direitos humanos associados. Esta data-alvo é essencial para cumprir nossas metas globais de zero líquido e evitar mudanças climáticas catastróficas”.

Na Cop26 em 2021, os líderes mundiais concordaram em remover o desmatamento das cadeias de abastecimento. O desmatamento por humanos é responsável por quase um quarto das emissões de gases de efeito estufa, em grande parte decorrentes da destruição das florestas do mundo para produtos agrícolas como óleo de palma, soja e carne bovina.

As instituições financeiras têm um histórico ruim de desmatamento, de acordo com o relatório. As identificadas fornecem US$ 6,1 trilhões em financiamento para empresas em cadeias de suprimentos com risco florestal, mas, de acordo com o relatório, “apenas uma pequena proporção das instituições financeiras mais expostas ao desmatamento está tratando o desmatamento como um risco sistêmico”.

Noventa e duas (61%) das instituições financeiras mais expostas ao desmatamento não possuem uma política de desmatamento que cubra seus empréstimos e investimentos, e apenas 48 (32%) instituições financeiras reconheceram publicamente o desmatamento como um risco comercial.

O relatório pede que empresas e instituições financeiras reconheçam o desmatamento como um risco para seus negócios e estabeleçam políticas para acabar com a prática em suas cadeias produtivas. Também está pedindo aos governos que regulem melhor e incluam as instituições financeiras nessa regulamentação. Muitos países se comprometeram a acabar com o desmatamento sob a declaração de Glasgow sobre florestas e uso da terra, o acordo de Paris e a estrutura global de biodiversidade. No entanto, a maioria ainda não implementou políticas para colocar isso em prática.


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Este texto escrito originalmente em inglês foi publicado pelo jornal “The Guardian” [Aqui!].