Estação meteorológica mais alta dos Andes tropicais foi instalada no Peru, perto do pico nevado de Ausangate

Os dados da estação meteorológica ajudarão as comunidades locais e científicas a monitorarem o impacto das mudanças climáticas nos reservatórios de água da região

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São Paulo, 08 de agosto de 2022 – A National Gographic Society acaba de anunciar a instalação de uma estação meteorológica logo abaixo do pico nevado de Ausangate, a 6.349 metros de altitude, sendo a mais alta dos Andes tropicais. É um feito para a expedição Perpetual Planet pela Amazonia da National Geographic e da Rolex 2022, um trabalho que durará dois anos e percorrerá a bacia amazônica desde os Andes até o Oceano Atlântico. 

Os altos Andes tropicais, no sul do Peru, têm importantes reservatórios de água que abastecem a natureza e as comunidades locais desde as regiões glaciais até a bacia amazônica. Em 25 de julho, os exploradores da National Geographic Baker Perry e Tom Matthews – com apoio de uma equipe Quechua do Peru e de especialistas bolivianas em escalada, conhecidas como “las Cholitas Escaladoras” – escalaram o pico nevado de Ausangate, o mais alto do sul do Peru, para instalar uma estação meteorológica perto de seu cume e investigar os processos meteorológicos que influenciam no clima e no comportamento das geleiras.

“O pico nevado de Ausangate é uma das montanhas mais importantes dos altos Andes e a principal fonte de água doce para os ecossistemas andinos e para os rios abaixo”, diz Perry. “É fundamental que usemos as observações meteorológicas dos picos mais altos do mundo para compreender melhor os impactos das mudanças climáticas para as comunidades locais e globais. As alterações que acontecem em Ausangate são especialmente importantes para compreender as flutuações e adaptações de toda a bacia Amazônica”.

A nova estação meteorológica compila dados como temperatura, precipitação, umidade, radiação e profundidade da neve quase em tempo real. Tudo isso ajudará os governos locais e a comunidade científica internacional a observar os impactos das mudanças climáticas sobre as fontes de água que afetam as comunidades locais.

A equipe de expedição também fez uma análise in loco da atmosfera e analisou as propriedades da neve para obter dados sobre a água destas acumulações de neve. Como parte da avaliação, a equipe colheu amostras para detectar se há microplásticos nessa remota região, ainda considerada relativamente intocada. Se forem detectados, isso indicaria que existe transporte atmosférico de longa distância, ou seja, que os microplásticos podem ser transportados pelos ventos.

“O pico nevado de Ausangate é a maior fonte de vida da região de Cusco”, disse Santos Huaman, prefeito de Chilca, o município mais próximo do Vale de Ausangate. “Essa nova estação meteorológica nos ajudará a entender quanto de neve derrete, por que derrete e como podemos recuperá-la. Isso é muito importante para nossa comunidade”, completou.

Ruthmery Pillco, exploradora da National Geographic, se juntou a Perry e Matthews durante parte da expedição para examinar a cabeceira da bacia localizada em Ausangate e para investigar como ela afeta a floresta nublada, onde faz sua própria pesquisa sobre ursos andinos. Também se juntou à equipe o explorador e fotógrafo da National Geographic Tom Peschak, que documentou tudo como parte da reportagem visual da expedição Perpetual Planet pela Amazonia.

“A colaboração entre exploradores para estudar todas as facetas da bacia Amazônica é fundamental para aprofundar nossa compreensão do entorno dinâmico dos rios locais”, disse Nicole Alexiev, vice-presidente dos Programas de Ciências e Inovação da National Geographic Society. “Esforços como os de Baker, Tom e Ruth para estudar o importante ecossistema de Ausangate, somados ao modo único de Tom Peschak de contar histórias com as imagens, estão na vanguarda de nossa parceria com a Rolex. Nosso objetivo final é ilustrar de maneira singular o papel tão importante que esta região desempenha na estabilização da saúde do Planeta, ao mesmo tem em que se pensa em como garantir sua proteção”.

A estação meteorológica do pico nevado Ausangate complementa a estação meteorológica mais alta instalada no Hemisfério Sul na parte Oeste, no pico do vulcão Tupungato, no Chile. As duas estações fornecem dados fundamentais para estudar as interações entre o clima e a neve na zona de acumulação e caracterizar o clima extremo nas elevações mais altas dos Andes.

Este trabalho se baseia em expedições anteriores do Perpetual Planet para instalar estações meteorológicas nos entornos de montanhas de altitude, incluindo as expedições ao Monte Logan, em 2022, e ao Monte Everest, em 2019 e 2022, ambas guiadas por Perry e Matthews.

A Rolex apoia essas expedições como parte de sua iniciativa Perpetual Planet. Para saber mais sobre as expedições, visite: https://www.nationalgeographic.com/environment/topic/perpetual-planet

Por pressão do agronegócio, Anvisa bane Carbenzadim no estilo “pero no mucho”

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 Foto por Nathalia Ceccon. Idaf/ES

Mesmo em face de robustas informações científicas de que o fungicida Carbendazim causa graves consequências para a saúde humana (incluindo câncer e má formação fetal),  a diretoria da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decidiu banir este agrotóxico utilizando um calendário mais do que generoso para os seus fabricantes e usuários. Esta decisão da Anvisa representa óbvia desconsideração com os danos causados sobre trabalhadores rurais e de quem vai ingerir os produtos contaminados com resíduos de um produto banido pela União Europeia desde 2014 após o reconhecimento de que o produto era altamente tóxico e perigoso.

Ao modo de que já aconteceu com o herbicida Paraquat, as concessões feitas ao agronegócio para que o Carbendazim continue sendo efetivamente utilizado por pelo menos mais dois anos (ou até que os estoques existentes se esgotem) são uma afronta ao direito dos brasileiros de não terem que consumir produtos contaminados com substâncias altamente perigosas, como nos casos desses dois agrotóxicos.

É sempre importante notar que os plantadores de laranja tiveram que suspender o uso do Carbendazim a partir de 2012 em função da proibição dos importadores dos EUA onde este agrotóxico foi não apenas banido, mas como proibido de estar na composição de alimentos importados.  O que esse caso mostra é que quando colocados sob pressão objetiva para mudar, o latifúndio agro-exportador atende de forma pronta e obediente, o que apenas reforça a importância de que haja um movimento vigoroso para obrigar os líderes do agronegócio a serem compromissados com a saúde dos brasileiros.

Mas o que está ruim sempre pode piorar

O problema é que mesmo em face das evidências que a forte dependência de venenos agrícolas para tocar um modelo agrícola viciado, os grandes fabricantes de agrotóxicos e as entidades representativas do latifúndio agro-exportador seguem pressionando o Senado Federal para que conclua a aprovação do chamado “Pacote do Veneno” que não só irá flexibilizar a liberação, produção e comercialização de agrotóxicos altamente venenosos, mas como irá dificultar ainda mais o banimento de produtos sendo rejeitados em outras partes do mundo. 

A verdade é que se o “Pacote do Veneno” for aprovado, haverá uma consolidação do Brasil enquanto uma latrina tóxica onde os grandes fabricantes de venenos agrícolas (por exemplo a Bayer, a Basf e a Syngenta) irão despejar todos aqueles agrotóxicos que forem proibidos em outras partes do mundo. E tudo isso em um momento em que o sistema público de saúde estão sendo claramente enfraquecido.

É por essas e outras que eu digo que o “Agro não é pop”, o “Agro é tóxico”!

Estudo ‘verdadeiramente assustador’ sobre impactos das mudanças climáticas sobre o agravamento de doenças infecciosas

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Evacuação de um paciente com suporte de oxigênio. As doenças infecciosas estão piorando como resultado das mudanças climáticas, de acordo com um estudo classificado como “verdadeiramente assustador” e “aterrorizante”. Direitos autorais: Arie Basuki , (CC BY-SA 4.0)

Por Claudia Mazzeo para a SciDev

A maioria das doenças infecciosas está piorando como resultado das mudanças climáticas, de acordo com um estudo classificado como “verdadeiramente assustador” e “aterrorizante” por pesquisadores.

O estudo, publicado hoje (segunda-feira) na Nature Climate Change, mostra que 58% das doenças infecciosas foram exacerbadas pelas mudanças climáticas, incluindo dengue, hepatite, pneumonia, malária e zika.

As descobertas ocorrem quando muitas regiões do mundo lutam contra secas e ondas de calor recordes e seguem a devastadora pandemia de COVID-19 de 2020-2021.

“Sabíamos de antemão que havia uma ligação entre as mudanças climáticas e as doenças causadas por patógenos, mas nossa motivação era quantificar esse efeito, saber o quão grande era.”

Prof. Camilo Mora, Departamento de Geografia e Meio Ambiente, Universidade do Havaí

“Dadas as consequências extensas e generalizadas da pandemia de COVID-19, foi realmente assustador descobrir a enorme vulnerabilidade sanitária resultante das emissões de gases de efeito estufa”, Camilo Mora, principal autor do estudo e professor do Departamento de Geografia e Meio Ambiente da Universidade do Havaí, disse à SciDev.Net .

Pesquisadores da Universidade do Havaí em Manoa pesquisaram sistematicamente por meio de pesquisas publicadas casos comprovados de infecções afetadas pelas mudanças climáticas, como aquecimento, inundações, secas, tempestades, mudanças na cobertura natural da terra e mudanças climáticas oceânicas.

Eles descobriram o impacto das doenças reunindo três fatores anteriormente não relacionados: que tipo de agente deixou as pessoas doentes – por exemplo, era uma bactéria ou um vírus, como as pessoas pegaram a doença e qualquer evento de mudança climática que poderia ter impactado, como como chuvas, secas ou aquecimento.

A equipe revisou mais de 70.000 artigos e, de 375 doenças infecciosas, encontrou 218 que foram exacerbados pelas mudanças climáticas.

“Sabíamos de antemão que havia uma ligação entre as mudanças climáticas e as doenças causadas por patógenos, mas nossa motivação era quantificar esse efeito, saber o quão grande era”, disse Mora.

“Foi quase um choque ver como o banco de dados que montamos com essas conexões cresceu; é assustador saber que 58% das doenças têm a capacidade de serem afetadas pelas mudanças climáticas.”

Eles descobriram que o aumento das temperaturas aumentou a área sobre a qual os organismos causadores de doenças – geralmente transmitidos por insetos – estão ativos, impactando em doenças como dengue, chikungunya, doença de Lyme, vírus do Nilo Ocidental, zika, tripanossomíase, equinococose e malária.

Caixa de Pandora

A análise genética de um surto de antraz no Ártico sugere que a cepa bacteriana pode ter emergido de uma carcaça de animal desenterrada quando o solo congelado derreteu, e os pesquisadores temem que o derretimento do permafrost possa abrir uma “caixa de Pandora” de doenças antigas.

Eles também descobriram que os vírus podem ser aprimorados após a exposição a ondas de calor, pois diminuíram a eficácia do mecanismo de defesa do corpo – febre.

Silvina Goenaga, professora de ecologia de zoonoses da Universidade Nacional do Noroeste da Província de Buenos Aires, que não participou do estudo, disse: “Os autores destacam que aumentos nas temperaturas globais geram uma expansão geográfica de artrópodes como mosquitos e carrapatos, que atuam como vetores [portadores de doenças] para agentes virais, bactérias e parasitas.

“É imperativo intensificar os programas de controle de vetores e a vigilância nos sistemas públicos de saúde.”

Esta peça foi produzida pela mesa da América Latina e Caribe da SciDev.Net.


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Este texto originalmente escrito em inglês foi publicado pela SciDev [Aqui!].

National Geographic Documentary Films e O2 Play lançam vencedor de dois prêmios em Sundance, “O Território”, nos cinemas brasileiros no dia 8 de setembro

Do diretor Alex Pritz, dos produtores indicados ao Oscar® Darren Aronofsky e Sigrid Dyekjær e da produtora executiva Txai Suruí, documentário conta a história dos indígenas Uru-eu-wau-wau e seu ativismo ambiental

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São Paulo, agosto de 2022 – Hoje, a National Geographic Documentary Films e a O2 Play anunciam que “O Território”, premiado documentário de estreia do diretor Alex Pritz, estará disponível nos cinemas brasileiros a partir de 8 de setembro e faz parte da mostra Mês Amazônia no CineSesc.

Produzido pelo cineasta indicado ao Oscar® Darren Aronofsky, pelo indicado ao Oscar® e vencedor do Emmy Sigrid Dyekjær (“A Caverna”), Will N. Miller, Gabriel Uchida, Lizzie Gillett e Pritz, com produção executiva da ativista Txai Suruí, com trilha sonora original de Katya Mihailova e edição de Carlos Rojas Felice, o filme é uma coprodução com a comunidade indígena Uru-eu-wau-wau.

Vencedor de mais de dez prêmios internacionais e com 95% de aprovação no Rotten Tomatoes, “O Território”, fornece um olhar imersivo sobre a luta incansável dos povos indígenas Uru-Eu-Wau-Wau da Amazônia contra o desmatamento invasor trazido por agricultores e colonos ilegais. Com uma cinematografia inspiradora mostrando a paisagem e um design de som ricamente texturizado, o filme leva o público para dentro da comunidade Uru-Eu-Wau-Wau e oferece acesso sem precedentes aos agricultores e colonos que queimam e desmatam ilegalmente a terra indígena protegida.

Parcialmente filmado pelo povo Uru-Eu-Wau-Wau, o filme se baseia em imagens reais capturadas ao longo de três anos, enquanto a comunidade arrisca suas vidas para montar sua própria equipe de mídia na esperança de expor a verdade.

“Este filme apresenta uma realidade que precisa ser exposta. Estamos felizes com a relevância e o alcance que essa produção está adquirindo”, comenta Alex Pritz. “Em todos os lugares onde levamos ‘O Território’, todos foram impactados e se sensibilizaram pela situação que os Uru-eu-wau-wau vivenciam. Tenho certeza que, em sua estreia no Brasil, o efeito do filme será maior e mais poderoso ainda”, declara o diretor.

“Todo barulho que estamos conseguindo fazer com o filme mostra que estamos superando uma herança de apagamento e marginalização. Nós já estávamos registrando nossa vida e nosso cotidiano para nos preservar, e agora estamos fazendo estas imagens e essa história chegarem a lugares que nem imaginávamos poder alcançar”, declara Bitaté Uru-eu-wau-wau, o jovem líder do Uru-eu-wau-wau em “O Território”.

O filme, que teve seu lançamento mundial na competição World Cinema em Sundance 2022, ganhou o Prêmio do Público e o Prêmio Especial do Júri, tornando-o o único filme do evento a ganhar prêmios do público e do júri. Muitos outros se seguiram, incluindo o True/False True Life Fund Recipient 2022, o CPH:DOX Special Menção do Júri, o Netherlands’ Movies That Matter Activist Documentary Award, o Seattle International Film Festival Golden Space Needle Award de Melhor Documentário, o Philadelphia Environmental Prêmio do Público do Festival de Cinema, o Prêmio Documentário John Schlesinger do Festival Internacional de Cinema de Provincetown, o Prêmio de Melhor Categoria Planeta Sustentável do Festival Internacional de Cinema de Vida Selvagem e o Prêmio Melhor do Festival, o Prêmio DocsBarcelona Anistia Internacional da Catalunha e o Prêmio MountainFilm Minds Moving Mountains.

“O Território” foi feito pela Documist, pela Associação Jupaú do Povo Uru-Eu-Wau-Wau, Real Lava, e pela três vezes vencedora do Oscar® Passion Pictures e Protozoa Pictures, em parceria com TIME Studios e XTR com apoio da Luminate e Doc Society .

A National Geographic Documentary Films lançou anteriormente o vencedor do Oscar®, do BAFTA e de sete prêmios Emmy “Free Solo” e o filme indicado ao Oscar® “The Cave”. Em 2021, lançaram “Becoming Cousteau”, “Fauci”, “The First Wave”, “The Rescue” e “Torn”. Outros filmes aclamados pela crítica incluem “Rebuilding Paradise” de Ron Howard; vencedores do Sundance Audience Award “Science Fair” e “Sea of​​Shadows”; os vencedores do Emmy “LA 92” e “Jane”, ambos incluídos nos 15 principais documentários considerados para um Oscar® em 2017; e vencedor do Prêmio Dupont “Inferno na Terra: A Queda da Síria e a Ascensão do Isis”.

Sinopse

“O Território” fornece um olhar imersivo sobre a luta incansável do povo indígena Uru-eu-wau-wau contra o desmatamento trazido por posseiros, grileiros, garimpeiros e outros invasores de terras na Amazônia brasileira. Com uma cinematografia inspiradora e um design de som ricamente texturizado, o filme leva os espectadores para dentro da comunidade Uru-eu-wau-wau e oferece acesso sem precedentes às queimadas e desmatamentos ilegais causados pelos invasores em terras protegidas da Amazônia. Parcialmente filmado e co-produzido pelo povo Uru-eu-wau-wau, “O Território” se baseia em imagens verídicas capturadas ao longo de três anos, enquanto a comunidade arrisca sua vida para montar sua própria equipe de mídia na esperança de buscar justiça.

Mais informações sobre o filme

Desde que os Uru-eu-wau-wau foram contatados pela primeira vez pelo governo brasileiro em 1981, seu território se tornou uma ilha verde de floresta tropical cercada por fazendas e áreas invadidas — resultado de quatro décadas de desmatamento descontrolado. A comunidade enfrenta incursões ambientalmente destrutivas e muitas vezes violentas por não-nativos que buscam explorar a terra. Os ataques para extração ilegal de madeira e desmatamento tornaram-se mais frequentes e mais descarados ao longo dos últimos anos.

Nas aldeias Uru-eu-wau-wau há menos de 200 pessoas, incluindo idosos e crianças, para defender quase 1.867,117 hectares de floresta tropical. Nos limites do território demarcado, uma rede de agricultores se organiza para alcançar suas reivindicações através de meios legais, enquanto grileiros começam a desmatar trechos de floresta tropical por conta própria. Com a sobrevivência da comunidade em jogo, Bitaté Uru-eu-wau-wau e Neidinha Bandeira — um jovem líder indígena e sua mentora — devem encontrar novas maneiras de proteger a floresta tropical de invasores. Mas, em vez de depender de outros para contar sua história, os Uru-eu-wau-wau assumem o controle da narrativa e criam sua própria equipe de mídia para trazer a verdade ao mundo.

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Neidinha Bandeira, ativista ambiental, toma banho em um rio na floresta amazônica. (Crédito: Alex Pritz/Amazon Land Documentary)

Confira os prêmios de “O Território”:

  • Festival Sundance de Cinema (EUA)
    • Prêmio do Público de Documentário na categoria internacional
    • Prêmio Especial do Júri de Obra Documental
  • CPH:DOX (Dinamarca)
    • Menção especial na categoria F:ACT
  • Filmes que Importam (Holanda)
    • Prêmio de Documentário Ativista
  • Festival de Cinema Ambiental da Filadélfia (EUA)
    • Prêmio do Público
  • Festival Internacional de Filmes sobre Vida Selvagem (EUA)
    • Prêmio de Melhor Filme;
    • Prêmio na categoria Melhor Planeta Sustentável.
  • Festival de Filmes True/False (EUA)
    • Prêmio na categoria Fundo da Vida Real
  • Festival Internacional de Filmes de Seattle
    • Prêmio Golden Space Needle de Melhor Documentário
  • Prêmio DocsBarcelona
    • Anistia Internacional da Catalunha
  • Prêmio MountainFilm
    • Prêmio Moving Mountains
  • Festival de Filmes de Provincetown (EUA)
    • Prêmio de Documentário John Schlesinger
  • Sheffield DocFest (UK)
    • Prêmio Tim Hetherington; Menção do Júri
  • Festival Internacional de Cine Medioambiental de Canarias (FICMEC)
    • Melhor Documentário

Cláudio Castro pode até se eleger, mas o escândalo do “rachadão” da Fundação Ceperj continuará nos seus calcanhares

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O fato do estado do Rio de Janeiro ser o lócus de situações que são para lá de estranhas não chega a surpreender ninguém, na medida em que, em anos recentes, diversos ex-governadores visitaram as celas prisionais em função de supostos crimes contra o tesouro estadual. Assim, é que também não seria estranho se o governador acidental Cláudio Castro venha a ser eleito governador, na medida em que múltiplas forças claramente se articulam para isso.

No entanto, uma coisa é certa: Cláudio Castro continuará sendo assombrado pelo rumoroso escândalo envolvendo o uso de quase R$ 300 milhões, boa parte oriundos da privatização da CEDAE, para a contratação de fantasmas pela Fundação Ceperj. É que, graças aos jornalistas Ruben Berta e Igor Mello, as estranhas desse escândalo estão, digamos, expostas para quem quiser ver.  

O maior problema para Castro e seus apoiadores é que as evidências expostas pela dupla de jornalistas do site UOL são tantas que órgãos de controle e fiscalização, como o Tribunal de Contas do Estado e o Ministério Público Eleitoral não terão outra alternativa a não ser continuar avançando na trilha de investigações oferecidas por Berta e Mello. Em outras palavras, as celebrações por uma eventual eleição de Cláudio Castro certamente serão azeitadas pelo medo de que entre muita água no chopp, o que deixaria a bebida para lá de aguada.

O “rachadão” da Fundação Ceperj ainda resultará em longas tarrafadas

Um dificultador para que o escândalo da Fundação Ceperj termine em pizza vem da constatação, como bem mostrou o articulista Leonardo Sakamoto do mesmo site UOL, que Cláudio Castro inovou ao possibilitar ao criar “o  aluno-mentira recebendo instruções do professor-fantasma“, usando um esquema que elevou o esquema de “rachadinhas” encontrado na Alerj ao nível d e um milionário “rachadão“.

Com tudo isso, o que teremos é a inevitável instalação de processos judiciais e contábeis que deverão assombrar os beneficiários mais públicos do esquema instalado na Fundação Ceperj, no caso os dirigentes do órgão e os parlamentares que se beneficiaram do processo, ao indicar amigos e parentes para serem “professores-fantasmas” custeados com salários que a imensa maioria dos servidores públicos estaduais concursados jamais receberam em suas vidas profissionais.

Como normalmente há quem dentro desses esquemas não tenha nervos fortes, as investigações vão inevitavelmente resultar em confissões e em delações premiadas. Assim, o que era festa na boca do caixa até antes das reportagens do UOL começaram, pode repentinamente setransformar em noites nervosas.

Os inevitáveis ataques a Ruben Berta acabaram servindo como atestado de idoneidade

Logo no início da série de reportagens mantive um breve contato com o jornalista Ruben Berta, cujo trabalho acompanho desdes os tempos em que ele era empregado da Folha de São Paulo,  quando disse a ele para que se preparasse para as inevitáveis represálias que receberia em função dos personagens envolvidos no escândalo da Fundação Ceperj. Disse ainda para que ele evitasse se expor publicamente, pois as represálias poderiam ir além das campanhas de difamação que sempre são usadas para desacreditar jornalistas que levantam escândalos cabeludos como esse da Fundação Ceperj.

Berta, que considero um excelente jornalista, me respondeu que estava tranquilo e que tomaria os devidos cuidados.

Agora, sem nenhuma surpresa, vejo que existem movimentações para lançar dúvidas sobre a idoneidade de Ruben Berta com base em um trabalho de assessoria realizado em 2018 para o então candidato ao governo do Rio de Janeiro, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes.

Esse argumento para minar o impecável trabalho jornalistico de Ruben Berta me lembram do livro “As aventuras de Karl Marx contra o Barão de Von Münchausen” de Michel Löwy, que traz uma anedota sobre como o Barão teria se retirado junto com seu cavalo de um pântano usando a força dos próprios cabelos ao amarra-los em uma árvore. 

Esses ataques sem qualquer fundamento a Ruben Berta me lembra a anedota do Barão por não possuir qualquer ligação com a realidade fática, e terminam, contraditoriamente, servindo como um estado de idoneidade, já que não há qualquer ilegalidade em se trabalhar e receber por isso. Na verdade, a ilegalidade mostrada por Ruben Berta e Igor Mello na Fundação Ceperj vai no sentido justamente  oposto, na medida em que R$ 300 milhões foram entregues a quem nunca trabalhou por motivos nem sempre republicanos.

 

Por que a China deve responder a todas as provocações de Taiwan

‘Salami slicing’, há muito estudado por teóricos dos jogos como uma tática política, explica por que Pequim não tem escolha a não ser combater cada pequeno e gradual movimento feito por Taipei e seus apoiadores ocidentais em direção à independência

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Por Alex Lo para o “South China Morning Post”

Disseram para não entrar na água, uma criança senta-se na margem, mas mergulha os pés. Seus pais estão assistindo. Ele então submerge mais de suas pernas, mas ainda sem resposta dos pais. Logo ele está de pé na água. Preocupados, os pais dizem para ele recuar. Ele se move para trás, mas diz para eles relaxarem. Eles deixaram rolar. Em pouco tempo, ele está de volta ao seu antigo jogo. O pai perde a paciência e o puxa para fora, com ele chutando e gritando: “Eu nem estava na água!”

OK, modifiquei um pouco a história, mas esse foi o exemplo que o ganhador do Prêmio Nobel de Economia e teórico dos jogos Thomas Schelling usou uma vez para explicar como o “fatiar de salame” funcionava na vida real e como isso poderia ser combatido.

É uma brincadeira de criança que muitas vezes é usada como tática política – fazer movimentos pequenos e graduais para evitar uma resposta esmagadora para atingir um objetivo ou mudar o status quo. Parece óbvio que Taiwan sob o presidente Tsai Ing-wen e o Partido Democrático Progressista no poder têm feito exatamente isso. Os chineses às vezes chamam a tática de cán shí ou “uma mordidela de bicho-da-seda”. Em Taiwan, é jiàn dú, que literalmente significa independência por uma abordagem “gradualista”. Os taiwaneses são bastante abertos sobre isso, isto é, se você conhece o idioma deles.

Após a viagem de Nancy Pelosi a Taiwan, Pequim reage de forma raivosa, como já havia alertado que faria. O Congresso dos EUA e a Casa Branca criticaram a China por exagerar; foi apenas uma visita curta, dizem eles.

China's military exercises aimed at blockading Taiwan: defense ministry -  Focus Taiwan

Como se fosse uma sugestão, a União Europeia e as nações do G-7 divulgaram declarações semelhantes condenando a “reação exagerada” de Pequim. No entanto, nos últimos anos, mais e mais altos funcionários dos EUA têm feito a peregrinação a Taipei; depois veio Pelosi, a mais importante de todos.

É claro que os mesmos críticos agora dizem que a visita de Pelosi inspirará mais líderes políticos e representantes parlamentares da União Européia e dos EUA a seguir. E depois da Lituânia, mais países europeus estão planejando permitir que a ilha autogovernada use o nome “Taiwan” para seus escritórios de representação, o que potencialmente os atualizará para consulados ou até embaixadas.

Como os teóricos dos jogos como Schelling diriam, apenas uma linha traçada na areia, seguida por uma resposta esmagadora ou “desproporcional” poderia deter ou retardar o bicho-da-seda.

Enquanto isso, Taipei está gritando para a mídia mundial: “Eu nem estava na água!”


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Este texto escrito originalmente em inglês foi publicado pelo jornal “South China Morning Post” [Aqui!].

Anistia internacional: Táticas de combate ucranianas colocam em risco a população civil

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Por Anistia Internacional
  • Bases militares são instaladas em áreas residenciais, incluindo escolas e hospitais
  • Ataques são lançados de áreas habitadas por civis
  • No entanto, essas violações não justificam os ataques indiscriminados das forças russas, que causaram inúmeras mortes e ferimentos de civis.

As forças ucranianas colocam em risco a população civil ao estabelecer bases e usar sistemas de armas em áreas residenciais povoadas, incluindo escolas e hospitais, durante as operações para repelir a invasão russa que começou em fevereiro, disse a Anistia Internacional em 4 de agosto.

Essas táticas de combate violam o direito internacional humanitário e colocam em sério risco a população civil, pois transformam objetos civis em alvos militares. Os ataques russos resultantes em áreas povoadas mataram civis e destruíram a infraestrutura civil.

“Documentamos vários casos em que as forças ucranianas colocaram civis em perigo e violaram as leis da guerra ao operar em áreas povoadas”, disse Agnès Callamard, secretária-geral da Anistia Internacional.

“Estar em uma posição defensiva não isenta o exército ucraniano da obrigação de respeitar o direito internacional humanitário. »

No entanto, nem todos os ataques russos documentados pela Anistia Internacional foram realizados em circunstâncias semelhantes. De fato, a Anistia Internacional em outros casos descobriu que a Rússia cometeu crimes de guerra, inclusive em certas áreas da cidade de Kharkiv, sem encontrar evidências de que as forças ucranianas haviam se deslocado para as áreas de civis ilegalmente visados ​​pelo exército russo.

Entre abril e julho, uma equipe de pesquisa da Anistia Internacional passou várias semanas investigando os ataques russos nas regiões de Kharkiv, Donbas e Mykolaiv. A organização inspecionou os locais de ataque, entrevistou vítimas, testemunhas e parentes das vítimas dos ataques, e usou sensoriamento remoto e armas analisadas.

Durante todas essas investigações, os pesquisadores encontraram evidências de que as forças ucranianas lançaram ataques de áreas residenciais povoadas e também estavam baseadas em edifícios civis em 19 cidades e vilarejos dessas regiões. O Laboratório de Evidências de Resposta a Crises da Anistia Internacional analisou imagens de satélite para verificar as informações coletadas no terreno.

A maioria das áreas residenciais onde os soldados se estabeleceram ficavam a quilômetros da linha de frente. No entanto, eles teriam a possibilidade de se estabelecer em outros locais que não colocassem em risco a população civil, como bases militares ou áreas densamente arborizadas nas proximidades, ou outras estruturas ainda localizadas longe de áreas residenciais. Nos casos documentados pela Anistia Internacional, até onde a organização sabe, quando os militares ucranianos se mudaram para estruturas civis em áreas residenciais, eles não pediram aos civis que evacuassem os prédios ao redor, nem ajudaram os civis a evacuá-los, deixando de tomar todas as precauções possíveis para proteger a população civil.

Ataques lançados de áreas civis povoadas

Vítimas e testemunhas de ataques russos nas regiões de Donbas, Kharkiv e Mykolaiv disseram a pesquisadores da Anistia Internacional que o exército ucraniano estava realizando operações perto de suas casas no momento dos ataques, expondo esses bairros a ataques de retaliação das forças russas. Pesquisadores da Anistia Internacional testemunharam esse comportamento em muitos lugares.

O Direito Internacional Humanitário prevê que todas as partes em um conflito devem evitar, na medida do possível, posicionar objetivos militares em ou perto de áreas densamente povoadas. Existem outras obrigações destinadas a proteger os civis das consequências dos ataques, como a obrigação de retirar os civis das proximidades dos objetivos militares e a obrigação de fornecer alertas efetivos sobre ataques que possam prejudicar a população civil.

A mãe de um homem de 50 anos morto em um ataque com foguete em 10 de junho em um vilarejo ao sul de Mykolaiv disse à Anistia Internacional: “Os soldados se mudaram para uma casa próxima à nossa e meu filho costumava ir ver os soldados para levar comida deles. Eu implorei várias vezes para ele ficar longe deste lugar, porque eu estava com medo de que algo acontecesse com ele. Naquela tarde, no momento da greve, meu filho estava no quintal de nossa casa e eu estava dentro de casa. Ele foi morto instantaneamente. Seu corpo foi esquartejado. Nossa casa foi parcialmente destruída. Pesquisadores da Anistia Internacional encontraram equipamentos militares e uniformes na casa ao lado.

Mykola, que mora em um prédio nos arredores de Lysytchansk (Donbas), que sofreu vários ataques russos que mataram pelo menos um idoso, disse à Anistia Internacional: “Não entendo por que nosso exército está atirando das cidades e não do campo. Outro morador, um homem de 50 anos, disse: “Definitivamente há atividade militar no bairro. Quando há tiros deste setor, então ouvimos tiros que desta vez visam este setor. Pesquisadores da Anistia Internacional viram soldados usando um prédio de apartamentos a cerca de 20 metros da entrada de um abrigo subterrâneo usado por moradores, onde o velho foi morto.

Em uma cidade no Donbas em 6 de maio, as forças russas usaram munições de fragmentação amplamente proibidas e indiscriminadas contra uma comunidade composta principalmente por casas de um e dois andares, das quais as forças ucranianas estavam procedendo ao fogo de artilharia. Os estilhaços danificaram as paredes da casa onde moram Anna, de 70 anos, seu filho e a mãe de 95 anos.

Anna explicou: “Os estilhaços voaram pelas portas. Eu estava na casa. A artilharia ucraniana estava perto do meu campo […] Havia soldados atrás do campo, atrás da casa […] Eu os vi entrando e saindo […] desde o início da guerra […] Minha mãe está […] paralisada então Eu não podia fugir. »

No início de julho, um camponês foi ferido quando as forças russas atacaram um galpão agrícola na área de Mykolaiv. Poucas horas após este ataque, pesquisadores da Anistia Internacional testemunharam a presença de militares e veículos ucranianos nas proximidades do galpão agrícola, e outras testemunhas confirmaram que os militares usaram o celeiro localizado do outro lado da estrada de uma fazenda onde moravam civis e trabalhou.

Enquanto pesquisadores da Anistia Internacional examinavam os danos em prédios de apartamentos e prédios públicos próximos, em Kharkiv e em vilarejos em Donbas e no leste de Mykolaiv, eles ouviram tiros vindos de posições militares ucranianas nas proximidades.

Em Bakhmout, vários moradores disseram à Anistia Internacional que o exército ucraniano usou um prédio a apenas 20 metros de um arranha-céu do outro lado da rua. Em 18 de maio, um míssil russo atingiu a fachada deste prédio, destruindo parcialmente cinco apartamentos e causando danos aos prédios vizinhos. Kateryna, uma moradora que sofreu o ataque, disse: “Eu não entendi o que estava acontecendo. [Ele tinha] janelas quebradas e muita poeira na minha casa […] Fiquei lá porque minha mãe não queria ir embora. Ela tem problemas de saúde. »

Três moradores disseram à Anistia Internacional que, antes do ataque, as forças ucranianas haviam usado um prédio do outro lado da rua do prédio afetado e que dois caminhões militares estavam estacionados em frente a outra casa que foi danificada quando o míssil atingiu. Pesquisadores da Anistia Internacional encontraram sinais de presença militar dentro e fora do prédio, incluindo sacos de areia e plástico preto cobrindo as janelas, bem como equipamentos de primeiros socorros novos feitos nos EUA.

“Nós não temos uma palavra a dizer sobre o que o exército faz, mas somos nós que pagamos o preço”, um morador cuja casa também foi danificada pela greve.

De bases militares a hospitais

Pesquisadores da Anistia Internacional testemunharam o uso de hospitais como bases militares de fato pelas forças ucranianas em cinco locais. Em duas cidades, dezenas de soldados descansaram, trabalharam e fizeram suas refeições em hospitais. Em outra cidade, soldados disparavam de posições próximas a um hospital.

Em 28 de abril, um ataque aéreo russo feriu dois funcionários de um laboratório médico nos arredores de Kharkiv, depois que as forças ucranianas estabeleceram uma base lá.

O uso de hospitais para fins militares é uma clara violação do direito internacional humanitário.

De bases militares a escolas

O exército ucraniano estabelece regularmente bases em escolas nas cidades e aldeias de Donbas e na região de Mykolaiv. As escolas foram temporariamente fechadas para os alunos desde o início do conflito, mas na maioria dos casos esses prédios ficavam próximos a áreas habitadas por civis.

Em 22 das 29 escolas que visitaram, pesquisadores da Anistia Internacional descobriram que soldados estavam usando esses prédios ou encontraram evidências de atividade militar passada ou presente – incluindo uniformes militares, munição abandonada, bolsas de rações militares e veículos militares.

As forças russas atacaram muitas das escolas usadas pelas forças ucranianas. Em pelo menos três cidades, após bombardeios russos a escolas, soldados ucranianos se mudaram para outras escolas próximas, colocando os bairros vizinhos em risco de ataques semelhantes.

Em uma cidade a leste de Odessa, a Anistia Internacional descobriu que os soldados ucranianos usavam amplamente os espaços civis para acomodação e outros fins, colocando veículos blindados sob árvores em áreas apenas residenciais, e usavam duas escolas localizadas em áreas residenciais densamente povoadas. Ataques russos perto dessas escolas mataram e feriram vários civis entre abril e o final de junho, incluindo uma criança e uma idosa que foram mortas em sua casa por um ataque com foguete em 28 de junho.

Em Bakhmout, as forças ucranianas estavam usando um prédio universitário como base militar quando um ataque russo o atingiu em 21 de maio; sete soldados teriam sido mortos. A universidade fica ao lado de um prédio de apartamentos alto que foi danificado no ataque, junto com outros prédios civis a cerca de 50 metros de distância. Pesquisadores da Anistia Internacional encontraram os restos de um veículo militar no pátio do prédio da universidade bombardeado.

O Direito Internacional Humanitário não proíbe especificamente as partes em conflito de se estabelecerem em escolas fora do horário escolar. No entanto, os militares têm a obrigação de evitar o uso de escolas localizadas perto de casas ou prédios de apartamentos cheios de civis, pois isso colocaria em risco suas vidas, exceto em casos de necessidade militar. Se necessário, os militares devem avisar os civis e, se necessário, ajudá-los a evacuar o local. Isso claramente não aconteceu nos casos examinados pela Anistia Internacional.

Os conflitos armados prejudicam seriamente o exercício do direito à educação das crianças, e o uso de instituições educacionais para fins militares pode levar à destruição que ainda priva as crianças desse direito após a guerra. A Ucrânia está entre os 114 países que endossaram a Declaração de Escolas Seguras , um acordo sobre a proteção da educação em conflitos armados que permite que as partes usem escolas abandonadas ou evacuadas somente se não houver outra solução viável.

Ataques indiscriminados por forças russas

Muitos dos ataques russos que a Anistia Internacional documentou nos últimos meses foram realizados com armas indiscriminadas, incluindo munições de fragmentação proibidas ou outras armas explosivas de área ampla. Outros ataques foram realizados usando armas guiadas com vários níveis de precisão; em alguns casos, essas armas eram precisas o suficiente para atingir alvos bem definidos.

A prática do exército ucraniano de colocar objetivos militares em áreas povoadas não justifica de forma alguma os ataques indiscriminados das forças russas. Todas as partes em conflito devem sempre distinguir entre objetivos militares e bens civis e tomar todas as precauções possíveis, inclusive no que diz respeito à escolha de armas, para minimizar os danos sofridos pela população civil. Ataques indiscriminados que matam ou ferem civis ou danificam bens civis são crimes de guerra.

“O governo ucraniano deve tomar imediatamente as medidas necessárias para afastar suas forças de áreas povoadas e evacuar civis em áreas onde o exército está realizando operações. Sob nenhuma circunstância os militares devem usar hospitais para fazer a guerra e só devem usar escolas ou prédios de apartamentos civis como último recurso, na ausência de qualquer outra solução viável”, disse Agnès Callamard.

A Anistia Internacional entrou em contato com o Ministério da Defesa ucraniano com os resultados de sua pesquisa em 29 de julho de 2022. No momento da publicação, a Anistia não recebeu resposta.


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Este texto escrito originalmente em francês foi publicado pela Anistia Internacional [Aqui!].

Gustavo Petro e Francia Marquez assumem o poder na Colômbia, em um feito inédito

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Este domingo (07/08) representa uma data histórica para o povo colombiano com a posse do presidente Gustavo Petro e da sua vice-presidente Francia Márquez.  É que pela primeira vez na história da república colombiana, um político com trajetória de esquerda que optei por formar chapa com uma mulhere negra engajada na luta pelos direitos humanos.

Obviamente os desafios que serão enfrentados por Petro e Márquez serão enormes, na medida em que as elites colombianas, tão caninas aos intereresses estadunidenses, não aceitarão ceder qualquer espaço que seja para a implantação de políticas públicas que coloquem em xeque seus privilégios históricos. 

Mas a despeito do que possa acontecer durante o mandato de Gustavo Petro, o caso colombiano demonstra que há sim espaço para propostas usadas em que os programas históricos não são jogados fora em nome de uma suposta viabilidade eleitoral, como está acontecendo neste momento no Brasil.

Nesse sentido, há que se destacar que dentro do programa eleitoral que elegeu Petro e  Márquez estão a a implementação da reforma agrária, a adoção de políticas para combater as mudanças climáticas, a taxação de grandes fortunas, a implantação de programas para fortalecer os direitos das mulheres, e ainda uma audaciosa modificação na estrutura das forças de segurança.

Se olharmos o que foi dito (já que programa mesmo ninguém mostrou) até agora pelos candidatos de oposição a Jair Bolsonaro, incluindo o ex-presidente Lula e o ex-ministro Ciro Gomes, não há nada que chegue próximo ao programa mínimo de Petro e Márquez.

Escândalo na Fundação Ceperj: UOL continua mostrando as entranhas de um esquema escabroso

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Na esteira de uma série de reportagens, este blog vem trazendo algumas das “principais cenas” de um esquema que retirou algo em torno de R$ 400 milhões, vindos da privatização da CEDAE, para alimentar uma multidão de servidores fantasmas, muitos deles ligados a deputados e vereadores que seriam “da base” do governo acidental do Rio de Janeiro, o Sr. Cláudio Castro.

Neste domingo, em mais uma reportagem assinada pela dupla Ruben Berta e Igor Mello, ficamos sabendo que um projetos financiados pela Fundação Ceperj, o “Esporte Presente”, possui pelo menos 63% dos seus núcleos sem o registro de um aluno sequer. Isso demonstra que todo o dinheiro gasto com cargos secretos em pelo menos 1.163 núcleos do “Esporte Presente” acabou indo para personagens que provavelmente nem sabem o lugar onde está localizado o núcleo onde deveria estar supostamente trabalhando.

O mais ultrajante é que dos estimados 27.000 cargos secretos financiados via projetos da Fundação Ceperj, em torno de 8.000 deles estão alocados para que o “Esporte Presente” pudesse existir, o que agora se sabe não é o caso.

Além disso, dos R$ 380 milhões que se sabe foram gastos pela Fundação Ceperj em projetos inexistentes, cerca de R$ 108 milhões foram parar no “Esporte Presente”, o que denota o papel chave cumprido pelo programa na distribuição de recursos para pessoas cujo único trabalho aparente era se dirigir à boca do caixa para sacar dinheiro em espécie.

O mais indignante é que a série de reportagens assinadas por Ruben Berta e Igor Mello já mostrou que toda essa situação envolvendo a Fundação Ceperj e seus cargos secretos é uma verdadeira farra com o dinheiro público em um estado onde órgãos fundamentais como as universidades e hospitais estaduais precisam de ingenuidade dos seus gestores para conseguirem cumprir suas obrigações com a população.

Por outro lado, se não fosse pelo UOL nós não ficaríamos nem sabendo dessa farra com recursos públicos. O mais curioso é que a cobertura da mídia corporativa fluminense, salvas raras exceções, continua sendo, no mínimo, tímida. Essa timidez deve ter boas razões, provavelmente milhares delas.

Em Campos, o escândalo da Fundação Ceperj toma ares Shakespereanos com um enredo bem denso

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As últimas horas parecem ter confirmado algumas das observações em minha postagem anterior sobre o silêncio que imperava na Câmara de Vereadores de Campos dos Goytacazes sobre o escândalo dos cargos secretos na Fundação Ceperj, com a coisa tomando ares de um enredo que poderia ter sido escrito pelo bardo William Shakespeare.

Não estou me fazendo claro? Deixem-me tentar explicar. É que a cada minuto surgem notícias na mídia sobre o envolvimento de vereadores (até agora todos da oposição ao prefeito), seus familiares, assessores e amigos no recebimento de valores consideráveis na forma de salários sacados na boca do caixa na agência 065 do Bradesco, aquela mesma que foi construída onde um dia se encontrava o antigo Teatro Trianon (por isso, talvez, os ares Shakespareanos que a coisa toda está tomando).

como agora chegou a notícia dando conta que o presidente da Fundação Ceperj, o Sr. Gabriel Lopes, foi exonerado (em outras palavras foi demitido) pelo governador acidental Cláudio Castro, o mais provável é que haja muita gente procurando farmácias locais em busca de calmantes, pois o enredo está adensando rapidamente em um sentido que beira as tragédias familiares que William Shakespeare adorava criar.

Eu fico só imaginando o tamanho da gargalhada que um certo ex-governador deve estar dando neste momento, já que repentinamente os portadores de estilingue passaram a insólita condição de vidraças.

E toma Shakespeare!