Por pressão do agronegócio, Anvisa bane Carbenzadim no estilo “pero no mucho”

carbendazim

 Foto por Nathalia Ceccon. Idaf/ES

Mesmo em face de robustas informações científicas de que o fungicida Carbendazim causa graves consequências para a saúde humana (incluindo câncer e má formação fetal),  a diretoria da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decidiu banir este agrotóxico utilizando um calendário mais do que generoso para os seus fabricantes e usuários. Esta decisão da Anvisa representa óbvia desconsideração com os danos causados sobre trabalhadores rurais e de quem vai ingerir os produtos contaminados com resíduos de um produto banido pela União Europeia desde 2014 após o reconhecimento de que o produto era altamente tóxico e perigoso.

Ao modo de que já aconteceu com o herbicida Paraquat, as concessões feitas ao agronegócio para que o Carbendazim continue sendo efetivamente utilizado por pelo menos mais dois anos (ou até que os estoques existentes se esgotem) são uma afronta ao direito dos brasileiros de não terem que consumir produtos contaminados com substâncias altamente perigosas, como nos casos desses dois agrotóxicos.

É sempre importante notar que os plantadores de laranja tiveram que suspender o uso do Carbendazim a partir de 2012 em função da proibição dos importadores dos EUA onde este agrotóxico foi não apenas banido, mas como proibido de estar na composição de alimentos importados.  O que esse caso mostra é que quando colocados sob pressão objetiva para mudar, o latifúndio agro-exportador atende de forma pronta e obediente, o que apenas reforça a importância de que haja um movimento vigoroso para obrigar os líderes do agronegócio a serem compromissados com a saúde dos brasileiros.

Mas o que está ruim sempre pode piorar

O problema é que mesmo em face das evidências que a forte dependência de venenos agrícolas para tocar um modelo agrícola viciado, os grandes fabricantes de agrotóxicos e as entidades representativas do latifúndio agro-exportador seguem pressionando o Senado Federal para que conclua a aprovação do chamado “Pacote do Veneno” que não só irá flexibilizar a liberação, produção e comercialização de agrotóxicos altamente venenosos, mas como irá dificultar ainda mais o banimento de produtos sendo rejeitados em outras partes do mundo. 

A verdade é que se o “Pacote do Veneno” for aprovado, haverá uma consolidação do Brasil enquanto uma latrina tóxica onde os grandes fabricantes de venenos agrícolas (por exemplo a Bayer, a Basf e a Syngenta) irão despejar todos aqueles agrotóxicos que forem proibidos em outras partes do mundo. E tudo isso em um momento em que o sistema público de saúde estão sendo claramente enfraquecido.

É por essas e outras que eu digo que o “Agro não é pop”, o “Agro é tóxico”!

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