Cerrado tem alta de 20% no desmatamento e maior área derrubada de uma única vez no país

Divulgado nesta segunda (18), Relatório Anual do Desmatamento agrega dados de 2021 e confirma avanço da atividade no segundo maior bioma brasileiro

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O Cerrado sofre com as queimadas neste período de estiagem, a baixa umidade no DF no fim de semana levou a Defesa Civil a declarar estado de emergência na capital(Jose Cruz/Agência Brasil)

O Relatório Anual do Desmatamento agrega dados sobre o total desmatado no Brasil em 2021 e confirma o avanço da atividade no Cerrado em publicação divulgada nesta segunda, 18, pela iniciativa MapBiomas. O segundo maior bioma brasileiro teve alta de 20,2% no desmatamento, foram 500.537 hectares desmatados contra 416.556 em 2020. No Cerrado também está a maior área de vegetação derrubada de uma única vez no último ano: 4.977 ha, desmatados em uma propriedade rural no município de Jaborandi (BA), uma área mais de oito vezes maior que a reserva do Parque das Dunas, na capital baiana Salvador.

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Mapa do bioma Cerrado com os alertas de área desmatada registrados em 2021 (Fonte: IPAM/MapBiomas)

A concentração de área desmatada segue nos Estados do Matopiba. Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia tiveram 73% de toda a área desmatada no Cerrado brasileiro – percentual que foi de 69% no relatório anterior. Em relação a 2020, Tocantins foi o único Estado do Matopiba que desmatou menos, com uma redução de 1,5%. Nos demais Estados, desmatamentos de grandes áreas ocorreram em Minas Gerais (que teve aumento de 89% em relação a 2020, com 31.115,43 ha desmatados em 2021), Mato Grosso do Sul (83% de aumento, com 28.356 ha desmatados), Bahia (43%, com 95.907 ha), Goiás (35%, com 31.323 ha) e Piauí (18%, com 57.613 ha).

“O Cerrado é o segundo bioma mais afetado pelo desmatamento, e também aquele com maiores áreas contínuas desmatadas, ocorrendo principalmente na região do Matopiba, onde a expansão de grãos transforma o território e compete pela água com as comunidades tradicionais. O avanço desordenado do desmatamento no local ameaça a porção mais preservada desse bioma”, completa a diretora de Ciência no IPAM e coordenadora do MapBiomas Cerrado e do MapBiomas Fogo, Ane Alencar.

Dos dez municípios com maiores desmatamentos de Cerrado, cinco estão na Bahia, quatro no Maranhão e um no Piauí. O primeiro é São Desidério (BA), que registrou 17.839 ha em área desmatada e ocupa a 12a posição na classificação de cidades que mais desmataram todos os biomas no Brasil. Formosa do Rio Preto (BA), com 15.114 ha derrubados, e Jaborandi (BA), com 13.534 ha, municípios com segunda e terceira maior área de Cerrado desmatada, respectivamente, ocupam a 15a e 19a posição na lista nacional.

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Municípios em que ocorreram os maiores desmatamentos do Cerrado em 2021 (Fonte: IPAM/MapBiomas)

A agropecuária é o principal vetor de pressão para o desmatamento do bioma, que ocorre, principalmente, no segundo trimestre de cada ano. No relatório, pesquisadores calculam que 98% da área desmatada no Cerrado em 2021 foi destinada a esse uso. Ainda 35.772 ha foram derrubados dentro de unidades de conservação, sendo a maioria (99%) em Áreas de Proteção Ambiental, com desmatamento também em Unidades de Proteção Integral – essas tiveram 443 ha desmatados. Em terras indígenas no bioma o desmatamento subiu 79%, totalizando 3429 ha.

“O Cerrado está tão ameaçado quanto a Amazônia e não pode ser mais desmatado. Temos só cerca de 50% do bioma ainda vivo e esses remanescentes devem ser preservados”, diz a pesquisadora no IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) e coordenadora científica no MapBiomas Brasil, Julia Shimbo.

Cláudio Castro e seus mil 9.000 “cargos secretos” são uma afronta aos servidores estaduais sob arrocho fiscal

O governador do Rio, Cláudio Castro (PL), (à esquerda, ao lado da placa) bate palmas com o prefeito de Engenheiro Paulo de Frontin, José Emmanoel Artemenko, (à direita, ao lado da placa) durante inauguração de uma Casa do Trabalhador na cidade - Reprodução/Facebook

O governador do Rio, Cláudio Castro (PL), (à esquerda, ao lado da placa) bate palmas com o prefeito de Engenheiro Paulo de Frontin, José Emmanoel Artemenko, (à direita, ao lado da placa) durante inauguração de uma Casa do Trabalhador na cidade. Imagem: Reprodução/Facebook

Apesar das tentativas de passar pano nas apurações feitas pelo jornalista Ruben Berta e publicadas pelo site UOL, a situação está ficando complicada para o governo acidental do Rio de Janeiro, Cláudia Castro. É que a mais nova reportagem de Berta publicada no dia de hoje nos traz a informação da existência de uma planilha com nada menos do que 9.000 cargos “secretos” identificados com a rubrica “governador” envolvendo cifras milionárias (ver figura abaixo).

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A questão que mais deveria incomodar os servidores estaduais concursados e continuamente sob o tacão fiscalista imposto pela adesão ao famigerado “Regime de Recuperação Fiscal” (RRF) é que enquanto é praticamente impossível na atual conjuntura garantir a obtenção de direitos básicos junto ao governo do estado, temos agora essa situação escandalosa dos cargos “secretos’ dentro do governo estadual do Rio de Janeiro.

Ainda que estejamos em ano eleitoral e em pleno recesso parlamentar na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), me parece que os sindicatos e associações representativas dos servidores públicos têm a obrigação de exigir a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar essa situação escabrosa que envolve, entre outras coisas, o uso de recursos oriundos da privatização da CEDAE.

Na França de Macron, os lobistas estão dentro do palácio presidencial

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Emmanuel Macron com o diretor de operações francesas da Amazon, Ronan Bolé (à direita) durante visita à fábrica da Amazon em Boves, perto de Amiens, em 3 de outubro de 2017. © Photo Yoan Valat / Pool / AFP

Por Raphael Schmeller para o JungeWelt

Os escândalos estão se acumulando: poucos dias após as revelações dos Arquivos Uber” , a próxima alegação de lobby contra o presidente francês Emmanuel Macron já está na sala. Desta vez, trata-se de relacionamentos questionáveis ​​entre o ex-ministro da Economia e várias grandes empresas de tecnologia.

Em um artigo publicado na noite de quarta-feira, a Mediapart informou ter acesso a históricos de conversas entre “assessores do presidente e lobistas e executivos do GAFAM (Google, Apple, Facebook, Amazon, Microsoft)” a partir do segundo semestre de 2017. A Mediapart já havia solicitado ao Palácio do Eliseu em 2019 a apresentação dos documentos pertinentes. Com referência ao segredo comercial, o pedido foi indeferido. O jornal online reclamou ao tribunal administrativo, e obteve sucesso para conseguir visualizar os documentos “há poucos dias”.

Entre outras coisas, revela que um lobista da Amazon teria trabalhado para a campanha presidencial de Macron em 2017. Os documentos mostram como o representante do grupo norte-americano, Jean Gonié, interveio ativamente no que estava acontecendo em termos de programação. Ao fazer isso, ele “avançou o assunto da transformação da França em um campeão de comércio e logística online”, disse a Mediapart nos documentos. E ainda: Gonié “durante a campanha presidencial nos grupos de trabalho do En Marche (partido de Macron na época, jW) em que participou”, diz uma nota que o gerente de campanha Fabrice Aubert teria endereçado a Macron. Depois que Macron foi eleito chefe de Estado alguns meses depois, ele nomeou Aubert seu “assessor sobre instituições, ação pública e mudança digital”.

A relação privilegiada com o grupo norte-americano e Emmanuel Macron continuou mesmo depois de ele se mudar para o Palácio do Eliseu em maio de 2017. “Estou ansioso para vê-lo novamente amanhã”, escreveu o lobista da Amazon em um e-mail a um conselheiro de Macron, Aubert, em setembro de 2017. A reunião deles estava marcada para preparar a inauguração do centro logístico de Boves, perto de Amiens, no dia 3 de outubro de 2017, na presença do Presidente da República e de vários chefes da Amazônia. O resultado: Emmanuel Macron então se emocionou na inauguração que a Amazon estava mostrando que “há um futuro na região, incluindo um futuro industrial”. Mas isso foi apenas o começo: 16 locais da Amazon foram abertos na França desde 2017. Em 2020, Macron recebeu o fundador da Amazon, Jeffrey Bezos, com pompa no palácio presidencial. Em fevereiro de 2021, a Amazon assinou um acordo com a agência de empregos francesa Pôle Emploi. Na época, seu chefe, Jean Bassères, disse que sua autoridade queria “apoiar a empresa na contratação de funcionários em todo o país”. Além disso, o Pôle Emploi se comprometeu totalmente “a acompanhar a recente abertura da plataforma logística da Amazon no Plateau de Frescaty”.

A proximidade entre o governo e a Amazon é “problemática”, observa Mediapart . Especialmente porque o grupo estava em uma disputa com as autoridades fiscais sobre evasão fiscal quando Macron assumiu o cargo e o governo de Macron estava trabalhando em um “imposto GAFA”, que não deveria ocorrer durante todo o mandato.

France and Germany plan big crackdown to plug tax loopholes exploited by  Apple, Google, Facebook and Amazon | The Financial Express

A história do Mediapart sobre Jean Gonié é o segundo caso em apenas alguns dias em que uma pesquisa jornalística descobriu como lobistas de grandes corporações ajudaram Macron a ganhar poder. Na segunda-feira passada, o jornal britânico The Guardian informou que Mark MacGann, então um dos lobistas do Uber, havia ajudado pessoalmente o secretário de Negócios Macron a arrecadar dinheiro para seu partido La République en Marche, fundado em 2016.


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Este texto escrito originalmente em alemão foi publicado pelo jornal “JungeWelt” [Aqui!].

A sombra da fraude apenas serve para tentar esconder o medo da derrota por Jair Bolsonaro

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O site UOL publicou neste domingo uma matéria assinada pela jornalista Carla Araújo que retrata mais uma intromissão indevida do ministro da Defesa, general Paulo Sérgio Nogueira, no sistema eletrônico que controla as eleições no Brasil. A intromissão é indevida porque não há nenhuma base constitucional para que as forças armadas possam interferir, ao menos de forma republicana, no processo eleitoral. Como testemunha ocular do antigo processo eleitoral via cédulas de papel, sei bem que o general Paulo Sérgio Nogueira tem a perfeita noção de que em nome do presidente Jair Bolsonaro, ele está usando o poder armado dos militares para impor uma pressão indevida sobre o sistema eleitoral brasileiro.

A questão de fundo é que a imensa maioria dos brasileiros já sabe que o que leva o presidente Jair Bolsonaro não possui nenhuma preocupação eleitoral com transparência eleitoral, na medida em que ele é o presidente que criou o incrível sistema de cem anos de bloqueio sobre questões que envolvam o funcionamento do seu (des) governo.

REPORTAGEM DE 1993 MOSTRA QUE BOLSONARO CRITICA MESMO É A URNA, ELETRÔNICA  OU NÃO | Cortes 247 - YouTube

Então o que move Jair Bolsonaro e seus parceiros militares? Claramente o medo de perder as eleições, as quais as pesquisas mostram como praticamente um caso perdido.  A raiz desse medo, ao menos por parte do presidente Jair Bolsonaro, é justamente que o eventual vencedor, provavelmente o ex-presidente Lula, comece o próximo ciclo de governo justamente acabando com o segredo de 100 anos.

Em outras palavras, questionar o sistema eletrônico não tem nada a ver com democracia, mas com o medo dela. 

O fundo do mar profundo está mais carregado de plástico do que se supunha

Milhões de toneladas de resíduos plásticos acabam nos oceanos todos os anos, a maioria dos quais se acumula na forma de minúsculas partículas nos sedimentos. Mesmo o fundo do mar profundo não está sendo poupado

Grund der Tiefsee stärker mit Plastik belastet als angenommen

Camarão de alto mar na Fossa Kuril-Kamchatka. Foto: Nils Brenke / dpa

Onde quer que os cientistas tenham procurado por partículas finas de plástico, eles encontraram. Por exemplo, no fígado de humanos – anteriormente também em outros órgãos. Ou em todos os cantos dos continentes e oceanos: no Monte Everest, no Himalaia, bem como na Fossa das Marianas, onde mergulhadores encontraram um saco plástico a quase 11.000 metros de profundidade.

Agora, uma equipe de pesquisadores da Senckenberg Nature Research Society, da Universidade Goethe de Frankfurt e do Alfred Wegener Institute (AWI) em Bremerhaven também analisou outras áreas do mar profundo. O resultado: o fundo do mar está ainda mais contaminado com microplásticos do que se supunha anteriormente.

A equipe coletou amostras de sedimentos na Fossa Kuril-Kamchatka do Pacífico Ocidental em 2016. Nestes, entre 215 e 1596 das minúsculas partículas de plástico foram detectadas por quilograma de sedimento, mais do que antes, disse a Sociedade Senckenberg. A grande diversidade biológica no fundo do mar mais profundo está gravemente ameaçada pela poluição.

Grande parte dos resíduos plásticos nos mares vem das áreas continentais, através dos rios ou de nossas águas residuais, por exemplo. Pedaços maiores de plástico são moídos em partículas cada vez menores ao longo de décadas. Parte do lixo se acumula em enormes pilhas de lixo na superfície dos oceanos, mas a maioria afunda em trincheiras marítimas milhares de metros abaixo da superfície.

 “Retiramos um total de 13 amostras em sete estações diferentes na vala, em profundidades entre 5.740 e 9.450 metros. Nenhum deles estava livre de microplásticos”, disse a bióloga marinha do Instituto de Pesquisa Senckenberg e Museu de História Natural de Frankfurt am Main, Serena Abel. Ninguém teria esperado uma quantidade tão grande de partículas de microplástico antes.

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Um saco plástico flutua no Mar Vermelho Foto: Alexis Rosenfeld/Getty Images

“A cada ano, cerca de 2,4 a 4 milhões de toneladas de plástico chegam aos rios através dos rios como resultado do consumo global extremo de plástico e do descarte de resíduos mal organizado”, diz a pesquisadora Angelika Brandt. O mar profundo se tornará o depósito do lixo. Um total de 14 tipos diferentes de plástico foram descobertos. Os pesquisadores apresentaram seus resultados na revista Science of the Total Environment.

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“Até agora, o fundo do mar mais profundo era considerado um ambiente relativamente inalterado e estável no qual os microplásticos são depositados e permanecem em um só lugar”, disse Abel. Os pesquisadores ficaram surpresos que as amostras tiradas a poucos metros de distância tinham uma estrutura muito diferente. “Isso mostra que ambiente dinâmico são as profundezas do mar profundo.” Redemoinhos, correntes e organismos manteriam o sedimento em movimento.

Os cientistas já haviam demonstrado poluição plástica em regiões oceânicas mais profundas. De acordo com um estudo australiano, até 16 milhões de toneladas de microplásticos são armazenados no fundo do mar. Para o estudo de 2020 , os pesquisadores usaram um braço robótico para coletar amostras do fundo do mar da Grande Baía Australiana a uma profundidade de até 3.000 metros.

Os microplásticos são partículas de plástico com cinco milímetros ou menos. A União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) estima que cerca de 1,5 milhão de toneladas de microplásticos entram no mar todos os anos. Os efeitos ainda não foram amplamente pesquisados. Mas o plástico também entra na cadeia alimentar através de animais marinhos e, portanto, para os seres humanos. Dois terços destes são fibras de roupas. De acordo com novas estimativas, a enxurrada de lixo provavelmente aumentará no futuro. De acordo com dados anteriores da AWI, a produção global de plástico deve dobrar até 2045.


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Este texto foi originalmente publicado em alemão pela revista Der Spiegel [Aqui!].

O escândalo na Fundação Ceperj envolve deputados, funcionários fantasmas, rachadinha, e uso de dinheiro obtido com a privatização da CEDAE

Cláudio Castro lança Casa do Consumidor

Em uma minuciosa reportagem preparada por uma equipe de jornalistas da Rede Globo são dados detalhes bem específicos sobre um amplo esquema de corrupção que estaria ocorrendo na Fundação Centro Estadual de Estatísticas,Pesquisas e Formação de Servidores Públicos do Rio de Janeiro (Fundação Ceperj), envolvendo a participação de deputados na captação da maioria dos salários pagos a servidores extra-folha (o famigerado esquema da rachadinha) e, pasmem, com recursos obtidos com a venda da CEDAE (ver vídeo abaixo).

Ainda que sempre se possa dar o direito de resposta (aliás, eu fico curioso para ver se haverá algum deputado que tentará responder ao que está mostrado na reportagem), os depoimentos dos ex-funcionários não deixa muito espaço para dúvida no sentido de que recursos obtidos com a desnecessária privatização da CEDAE estão sendo utilizados para alimentar um esquema nada republicano de apropriação de verbas públicas por deputados estaduais e dirigentes da própria Fundação Ceperj.

Um dos detalhes que mais me causou espécie é que dos quase R$ 500 milhões empenhados apenas no primeiro semestre de 2022, cerca de R$ 225 milhões vieram dos recursos obtidos com a privatização da CEDAE, o que explica bem a pressa que o governador acidental do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, teve para entregar um patrimônio público tão estratégico à iniciativa privada por valores bem aquém de deveriam ter sido. 

De quebra, é curioso verificar que os valores gastos na Fundação Ceperj até junho são 50 vezes maiores do que o foi investido em bolsas e projetos de pesquisa na Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), e 30 vezes mais do aplicado com a mesma finalidade na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

E antes que eu me esqueça, o único deputado que teve seu nome citado na reportagem como beneficiário do esquema de rachadinhas na Fundação Ceperj é o campista Rodrigo Bacellar que hoje foi citado em outra reportagem do UOL sobre favores recebidos de membros da máfia da exploração ilegal de ouro na Amazônia.  Já entre os denunciantes do esquema estão os deputados Flávio Serafini  (PSOL) e Marta Rocha (PDT). 

Pedrada dupla: matéria no UOL liga Rodrigo Bacellar à “máfia de barões do ouro” e acerta em cheio em Cláudio Castro

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De pedra a vidraça: reportagem do UOL ao mirar em Rodrigo Bacellar, termina acertando em cheio em Cláudio Castro

Uma reportagem escrita pelo competente jornalista Ruben Berta que foi publicada hoje pelo portal jornalístico UOL deverá trazer fortes reverberações não apenas na política de Campos dos Goytacazes, mas também deverá atingir em cheio a campanha eleitoral do governador acidental do Rio de Janeiro, Cláudio Castro. É que a reportagem traz amplos detalhes sobre o que Ruben Berta demonstra ser potencialmente um imenso batom na cueca do deputado Rodrigo Bacellar, que se tornou bastante poderoso a partir do impeachment do ex-governador Wilson Witzel, ocupando atualmente a estratégica secretaria de governo de Cláudio Castro (ver imagem abaixo).

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O problema para Rodrigo Bacellar, e de quebra para Castro, é que a reportagem de Ruben Berta esmiuça em detalhes uma relação íntima do deputado campista com uma rede de empresas ligadas à extração ilegal de ouro na Amazônia, a partir da prosaica (na falta de melhor definição) da cessão de um helicóptero para uso em andanças e pajelanças políticas no interior do estado do Rio de Janeiro.

O interessante é que a matéria de Ruben Berta não fica apenas na relação entre Rodrigo Bacellar e a empresa Zocar Rio Caminhões, mas se estende para apontar que, após acumular grande poder no governo Castro, o deputado campista seria um dos principais beneficiários de um esquema que utiliza cargos secretos que estão sendo realizados pela Fundação Ceperj.

Somando essas duas vias, o que temos é que de pedra, Rodrigo Bacellar pode estar passando rapidamente a vidraça, na medida em que se envolveu com um grupo cujos emaranhados com a justiça já resultaram na apreensão de bens e prisões de envolvidos no bilionário esquema de extração ilegal de ouro na Amazônia.

Quem deve estar rindo, do alto de sua longa vivência política, dos problemas que alcançaram Rodrigo Bacellar é o ex-governador Anthony Garotinho. É que essa situação certamente causará constrangimento e embaraço a Rodrigo Bacellar que do alto do seu poder tinha se tornado uma verdadeira pedra no sapato não apenas dele, mas de toda a família Garotinho. 

Mas aos navegantes  fica a lição: se for querer ser pedra na política, melhor evitar certos mimos que repentinamente podem se transformar em imensas vidraças.

Com contas reprovadas pela Câmara Municipal, Águas do Paraíba ganha “presente” retroativo que pesará no bolso dos campistas

Desembargador concede liminar a Águas do Paraíba e autoriza reajuste de 18% na conta de água e esgoto retroativo a janeiro de 2022

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Por Ralfe Reis  

O desembargador Adriano Celso Guimarães, da Oitava Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, concedeu nesta quinta-feira (14) antecipação de tutela a Águas do Paraíba, em agravo de instrumento interposto pela concessionária, para aumentar o valor da conta de água e esgoto em 18,10%.

A liminar precaríssima ainda determina o reajuste retroativo a primeiro de janeiro de 2022.

“Considerando os precedentes jurisdicionais colacionados, a previsão contratual autorizando a recomposição anual das tarifas de acordo com a variação dos custos dos insumos e a própria concordância do Prefeito municipal acerca da existência da cláusula de reajuste, sem trazer, em sua decisão, qualquer embargo ao montante da variação postulada, defiro. em antecipação de tutela, a pretensão recursal para que se proceda à aplicação do reajuste tarifário, retroativo a primeiro de janeiro de 2022, no percentual de 18,10% (dezoito vírgula dez por cento).”, decidiu o desembargador.

No último dia 28 de junho, o juiz Leonardo Cajueiro, da 3ª Vara Cível de Campos dos Goytacazes, indeferiu o pedido da poderosa Águas do Paraíba (aqui).

Em dezembro de 2021, o prefeito Wladimir Garotinho vetou o reajuste contratual de 18,10% e o alinhamento tarifário de 1,946% requerido pela concessionária.

À época, a Câmara Municipal também reprovou as contas da concessionária, e recomendou que não fosse concedido o reajuste.

Com lucros milionários, a Águas do Paraíba atua em Campos dos Goytacazes com contrato precário, atualmente através de aditivos, praticamente vitalícios.

A concessionária sempre utiliza de mecanismos judiciais para colocar seu contrato precário acima das leis e dos atos discricionários do poder executivo e legislativo.

A decisão de hoje vai levar vários campistas à falência.

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Este texto foi inicialmente publicado pelo “Blog do Ralf Reis” [Aqui!].

Fêmeas de sabiás com ninhos em prédios são mais destemidas do que as que permanecem nas árvores

Indivíduos têm personalidades diferentes que podem interferir na adaptação ao ambiente urbano

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(Foto: Augusto Batisteli)

Fêmeas “destemidas” de uma espécie de sabiá – sabiá-barranco (Turdus leucomelas) – estão melhor preparadas para adaptação ao ambiente urbano que suas colegas medrosas, mostrou estudo desenvolvido no campus da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), em São Carlos (SP). A pesquisa, conduzida por Augusto Florisvaldo Batisteli, hoje doutor pelo Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Recursos Naturais (PPGERN) da UFSCar, investigou a personalidade das fêmeas por meio da diferença de comportamentos entre elas na escolha de locais para a construção de ninhos.

O experimento realizado, com orientação de Hugo Sarmento, docente no Departamento de Hidrobiologia (DHb), mostrou que as fêmeas com ninhos em árvores têm mais medo de situações desconhecidas do que aquelas com ninhos em construções humanas, como prédios, que se mostram mais destemidas.

Em etapa anterior da pesquisa, Batisteli havia identificado vantagens para o animal em fazer ninho em prédios, relacionadas, por exemplo, ao tempo de incubação, conforme divulgado no Portal da UFSCar. O pesquisador quis então entender se os indivíduos da espécie apresentavam diferenças de personalidade e se elas poderiam ter relação com a escolha do local para o ninho. Estudos de outros pesquisadores já indicavam, neste sentido, a predominância de certas personalidades animais em ambientes modificados pela ação humana, mas sem testar se isso interferia na sua habilidade de exploração dos recursos oferecidos por esses locais.

Para a análise da personalidade, o pesquisador fez testes de neofobia – que avaliam a aversão a situações desconhecidas. 

Quando o animal saía do ninho, Batisteli inseria um objeto desconhecido (cubo mágico ou uma pequena bolinha) próximo ao local. Depois, media o tempo que a fêmea demorava para voltar a incubar os ovos durante os testes.

Apenas as fêmeas de ninhos em árvores foram inibidas pela presença do objeto, demorando mais tempo para voltar ao ninho, na comparação com o momento no qual não havia nenhum objeto. “Elas demoravam 4 min e 42 segundos para voltar a incubar os ovos em uma situação neutra, e 8 minutos e 45 segundos para voltar quando havia um objeto estranho ao lado do ninho – uma diferença de 86%”, analisa o pesquisador. As fêmeas com ninhos em construções não foram inibidas pelos objetos estranhos próximos ao ninho – voltaram no tempo habitual, sendo indiferentes à intervenção.

Os achados mostram a espécie se adaptando ao ambiente urbano, mas é preciso olhar crítico para esta conclusão.

“Podemos ficar com a impressão de que, um dia, todas as espécies vão se adaptar facilmente às cidades, mas não é isso o que acontece. Algumas jamais conseguirão habitá-las, por necessitarem de locais estritamente florestais, sombreados, úmidos e brejosos”, exemplifica o biólogo. Para as que toleram as cidades, também há outro processo: desenvolver as adaptações. “Além disso, não sabemos onde essa adaptação vai parar e, principalmente, o que vai acontecer com o resto da espécie que não está adaptado. Outra questão envolve conflito com os humanos, caso a ave passe a explorar muito intensamente o ambiente, entrando nos prédios, por exemplo.” 

Para o pesquisador, a tese tem caráter inovador por dois principais fatores: estudar reprodução de aves que não usam apenas as florestas para o processo; e analisar a personalidade desses indivíduos. 

“Os biólogos passaram a olhar melhor as diferenças entre os indivíduos recentemente. O enfoque mais comum ainda é olhar para as populações, os grupos de indivíduos, como se fossem clones uns dos outros, mas não são”, situa. 

Segundo Batisteli, a Ciência evidencia padrões na Natureza, mas o mecanismo pelo qual os indivíduos levam ao surgimento desses padrões na espécie ainda é uma incógnita. “A população não decide; quem toma decisões é cada um dos indivíduos. Por isso, ainda estamos tentando entender como as decisões individuais levam a esses padrões populacionais”, conta.

Os estudos não param nestas descobertas. Agora, em seu pós-doutorado, realizado na Universidade Estadual Paulista (Unesp), com supervisão de Marco Aurélio Pizo Ferreira – docente no Departamento de Biodiversidade da Unesp – e financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estão de São Paulo (Fapesp), Batisteli investiga se os indivíduos já nascem com personalidade diferente ou se a adquirem mais tarde, após interação com o ambiente. 

Dados detalhados sobre a pesquisa de personalidade em sabiás-barrancos foram publicados em artigo, na revista científica Animal Behavior, que pode ser acessado neste link.

Estudo alerta para zoonoses emergentes associadas ao desmatamento no Brasil

zoonosis-Brasil-996x567A doença de Chagas, transmitida por insetos, é uma das zoonoses presentes no Brasil. Um estudo constatou que sete estados brasileiros apresentam alto risco de apresentar surtos de zoonoses. Crédito da imagem: Agência Brasília/Flickr , licenciada sob Creative Commons 2.0

  • Pesquisa no Brasil alerta para fatores de risco para surgimento de nova pandemia
  • Estudo avaliou o risco de zoonoses nos 27 estados do Brasil usando um novo método quantitativo
  • O estudo descobriu que sete estão em alto risco de sofrer surtos de zoonoses.

Esse é o alerta publicado no Science Advances por pesquisadores brasileiros e portugueses após avaliarem o risco de zoonoses —transmissão de doenças , de animais para pessoas— nos 27 estados do Brasil usando um novo método quantitativo.

“Mudanças no uso da terra causadas principalmente pela expansão de economias orientadas para commodities sobre áreas naturais, em particular os setores agrícola e pecuário, são os principais impulsionadores do desmatamento, perda de biodiversidade e urbanização não planejada nos trópicos. Esses também são os principais fatores do aparecimento de doenças zoonóticas”, disse Gisele Winck, principal autora do estudo , ao SciDev.Net .

Com base em um modelo matemático, o método reuniu dados registrados entre 2001 e 2019 sobre os principais fatores históricos, ambientais e socioeconômicos de nove zoonoses de notificação obrigatória: Chagas, febre amarela, febre maculosa, leishmaniose cutânea e visceral, hantavirose, leptospirose, malária e Fúria. Ele então os aplicou para rastrear áreas com maior risco de surtos de doenças.

Assim, constataram que sete estados apresentavam alto risco de ocorrência de surtos de zoonoses (Acre, Amapá, Amazonas, Rondônia, Roraima, Maranhão e Mato Grosso).

Entre eles, um denominador comum é a presença de altos níveis de cobertura vegetal, maior número e variedade de mamíferos silvestres e grande distância dos centros urbanos. Dos demais estados, oito apresentaram baixo risco de zoonoses e 12, risco moderado.

Em relação aos pontos geográficos mais vulneráveis ​​para uma nova pandemia, Winck afirma que “as regiões do bioma amazônico são as mais preocupantes, pois possuem maior número de cidades isoladas, com pouca ou nenhuma vegetação e altos índices de destruição de suas biodiversidade”.

Entre os mamíferos pesquisados ​​estavam o veado-do-pantanal, o corço vermelho e marrom (guazuncho), o veado de cauda branca, o javali, o tatu, o morcego marrom, o gambá, entre outros. Eles identificaram mamíferos selvagens cuja caça, segundo eles, deveria ser supervisionada para evitar uma nova pandemia

Winck, do Laboratório de Biologia e Parasitologia de Reservatórios de Mamíferos Silvestres do Instituto Oswaldo Cruz (Rio de Janeiro), destaca que a caça, além de promover o desequilíbrio dos ecossistemas naturais, propaga doenças porque seus produtos dispensam a fiscalização sanitária.

“Embora a atividade seja legalmente permitida apenas para populações tradicionais, estima-se que milhares de toneladas de animais silvestres sejam caçados ilegalmente e comercializados em mercados populares, mesmo nos grandes centros urbanos”, detalha Winck.

“No nosso artigo identificamos mamíferos associados a uma maior diversidade de parasitas e patogénicos que são frequentemente caçados porque são abundantes e se aproximam das zonas de residência rurais e urbanas”, acrescenta.

“A pergunta a nos fazer não é se uma nova pandemia vai acontecer, mas quando vai acontecer. Se olharmos para a taxa de desmatamento e degradação florestal na Amazônia, não ficaria surpreso se a próxima pandemia explodir nessa parte do Brasil.”

Marcos Pedlowski, Centro de Ciências do Homem da Universidade Estadual do Norte Fluminense, Rio de Janeiro

Os autores da pesquisa apontam que a atual crise no Brasil é caracterizada pelo descaso com as evidências científicas e ataques às organizações conservacionistas, a flexibilização das leis ambientais e a substituição de mecanismos de promoção da conservação da biodiversidade por meio de políticas ambientais destrutivas.

Eles também destacam que a tendência ascendente nas taxas de desmatamento da Amazônia, 182% acima da meta de 2020, representa uma ameaça global. No final daquele ano, quase um terço do Pantanal, a maior área úmida tropical do mundo, queimou devido a um aumento anual de 508% na ocorrência de incêndios, em comparação com a média de 2012-2019.

“A pergunta a nos fazer não é se uma nova pandemia vai acontecer, mas quando vai acontecer. Se olharmos para a taxa de desmatamento e degradação florestal na Amazônia, não me surpreenderia se a próxima pandemia estourasse nessa parte do Brasil. Acho que as observações do artigo da Science Advances devem ser levadas muito a sério”, diz Marcos Pedlowski, que não participou da pesquisa.

Pedlowski, do Centro de Ciências do Homem da Universidade Estadual do Norte Fluminense, no Rio de Janeiro, destaca que apesar da grande possibilidade de que o avanço do desmatamento em direção a regiões ainda virgens da Amazônia acabe liberando patógenos ainda mais letais que o SARS-COV-2, as autoridades governamentais não reagem.

“É como se estivéssemos flertando com um desastre iminente, voando às cegas. Mas é preciso enfatizar que, se algo pior acontecesse, não seria por falta de estudos científicos sérios que alertem que isso pode acontecer se as regulamentações atuais não forem modificadas”, acrescenta o especialista.

Link para artigo na Science Advances


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Este texto foi escrito inicialmente em espanhol e publicado pela SciDev [Aqui!].