De volta para o futuro: o ensino híbrido sempre existiu, o nosso problema é outro

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Na metade do ano dois da pandemia, agita-se o movimento de volta para o futuro no ensino superior. Às vésperas do fim da maioria das medidas de restrição devidas à COVID-19 no Reino Unido, apesar da volta de um preocupante aumento no número diário de infecções por lá, uma matéria publicada no The Guardian, traz a manchete de que a “COVID-19 tem sido um grande catalisador” de mudanças para as universidades no mundo pós-pandêmico[I]. O mote é o anúncio recente de que a Universidade de Manchester manterá permanente as aulas no formato remoto e que outras instituições tendem a seguir esse caminho. O bom jornalismo do portal inglês aprofunda as opiniões dos concordantes e dos discordantes, muitas das quais, ambos os lados, são vistas por aqui.

Os líderes de muitas universidades na terra da rainha declaram que o mundo digital “aumenta a experiência dos estudantes”. Os investimentos futuros serão em propriedades digitais e não mais em instalações físicas e juram que o custo disso é alto, enquanto os céticos alfinetam dizendo que essa mudança é, ao contrário, justamente para diminuir os custos. Outros se entusiasmam, dizendo que a situação em que vivemos é o tal grande catalisador de boas e grandes mudanças proporcionadas pelas realidades virtual e aumentada oferecidas pela tecnologia. Sorriem também para as vastas possibilidades no mercado internacional de estudantes, já que, “em vez de ter que viajar por meio mundo até uma universidade no Reino Unido, eles [os estudantes] poderão estudar de seus países natais, uma opção mais barata e acessível para a maioria dos jovens.” Por outro lado, muitos consideram isso um engodo. De fato, parece uma burla desse novo e querido anseio das universidades, a internacionalização -, pois o diploma da universidade X pode ser obtido remotamente, mas isso não tem nada a ver com a experiência real da convivência presencial em outro lugar. E levar essa experiência de volta ao país de origem. As autoridades universitárias alardearão o aumento dos indicadores de internacionalização ao mesmo tempo que diminuem o valor e o número das bolsas de estudo, reservando a experiência real para uma elite ainda menor.

Os docentes e administradores discordantes advertem que é preciso pensar um pouco mais: devagar com o andor. A percepção é de que os estudantes estão ansiosos pela volta do “cara-a-cara” na sua formação. Movimentos estudantis pedem reembolso, pois se sentem logrados pagando o mesmo pelo ensino remoto, lembrando que no Reino Unido o ensino superior público também é pago. Na matéria do The Guardian, um dos entrevistados lembra que obviamente seminários e laboratórios são melhores em grupos presenciais pequenos, mas mesmo as grandes aulas presenciais são melhores, pois percebe-se se a aula está sendo boa ou não pela reação corporal dos estudantes, permitindo ajustes. De um modo geral, aulas expositivas em grandes turmas são vistas – lá e cá – como pouco efetivas, que dirá quando são remotas. E uma citação direta de um dos entrevistados:

“Enquanto você disser que as aulas são online, isso perpetua a noção de que toda a experiência do estudante é online. Quando estudantes dizem que querem aulas [presenciais], não que dizer que querem aulas, eles querem ir aos cafés com os colegas após as aulas e conversar sobre elas[II]. Eles querem se engajar. Portanto, o que você realmente deve fazer é se perguntar: como o seu campus deve ser usado para estimular o engajamento?”

O entrevistado acrescenta que baniu a expressão “ensino híbrido”, pois considera-a totalmente inútil para discutir a situação presente. Concordo com o colega além-mar, pois, como anunciado no título acima, ensino híbrido já existia há muito tempo. Vejamos: o “híbrido” se refere a essa mistura entre presencia e virtual. Nos idos dos anos 1980 o ensino híbrido era possibilitado aos estudantes, pelo menos no curso de física na Unicamp. Não era obrigatório assistir as aulas, pelo menos para boa parte dos professores. Você poderia, se quisesse, estudar na biblioteca – equipamento da época para o ensino remoto – e só apresentar-se nas avaliações. E tirar dúvidas com os professores fora da sala de aula, que não se ofendiam pelas faltas. Muitos colegas se formaram com esse “ensino híbrido”. Eu ia na maioria das aulas, mesmo porque não eram muitas, mas ficava imaginando os colegas de alguns outros cursos que ficavam de manhã e de tarde, se segunda a sexta, sentados olhando os professores de olhos abertos ou fechados. E a biblioteca era tão interativa quanto as plataformas digitais de hoje, embora não oferecessem tanta diversidade e variedade de fontes. Aqui dou a mão à palmatoria, hoje podemos dar acesso, via essa “biblioteca aumentada” a muito mais informações e materiais aos estudantes. No entanto, com o passar do tempo e o avanço do gerencialismo nas universidades o controle de frequência passou a ser cada vez mais valorizado, na minha opinião tendo mais a ver exatamente com controle do que ensino. E assim, enquanto debatemos que o número de aulas precisa diminuir em favor de outras práticas de ensino, colocamos novamente as aulas na centralidade da experiência universitária. Com a possibilidade das aulas remotas “catalizadoras” de um “brilhante” futuro corremos o risco de um retrocesso mediado pela tecnologia. O problema não é o “híbrido” que já existia, mas sim o de escamotear a questão do que de fato será considerado a experiência universitária no futuro. Argumentos econômicos já surgem onde não é necessário, como a junção de turmas nas aulas online. Para que dar a mesma aula duas ou três vezes se é possível juntar numa turma só? Porque nenhuma aula é igual, as construções de significado são diferentes em momentos e turmas diferentes e o docente pode melhorar a mesma aula a cada vez que é dada e, se necessário, retomar as mudanças para a primeira turma na semana seguinte.

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Ensino híbrido, portanto, não é coisa recente em seu conceito, e a aprendizagem remota, graças à tecnologia, povoa o imaginário ainda há mais tempo. Vejamos o trabalho do ilustrador Arthur Radebaugh (1906-1974), “engenheiro da imaginação” nos anos 1950 e da década seguinte, que influenciou a visão de progresso e de futuro de mais de uma geração nos EUA[III]. Suas tiras de quadrinhos eram publicadas aos domingos e destaco a que ilustra a coluna: “educação aperta botão”. O quadrinho se refere provavelmente a todos os níveis de ensino, mas a legenda exalta a possibilidade de que as “escolas de amanhã” terão mais alunos e menos professores. O ensino será por meio de aulas e avaliações remotas. Nota-se que essa visão é pré-internet: apenas a professora é remota, os alunos são presenciais socializando com máquinas. A internet de hoje, imprevisível na época, possibilita agora que todos estejam remotos.

Na discussão do que será nosso futuro é importante não se deixar seduzir apenas pelas possibilidades do enxoval tecnológico e sim lembrar o que significa a universidade e que presencial e virtual não são a mesma coisa. Caso contrário, preservaremos os anéis no lugar dos dedos. A coluna é cheia de opiniões, que não refletem necessariamente a opinião da universidade onde estou, mas precisamos é de evidências para discutir o futuro e as que temos são ainda poucas e enviesadas pela emergência que nos aflige.

Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Unicamp.


[I]https://www.theguardian.com/education/2021/jul/13/covid-has-been-a-big-catalyst-universities-plan-for-post-pandemic-life

[II] Importante no ensino superior e nas ciências: https://www.unicamp.br/unicamp/ju/artigos/peter-schulz/comunicacao-da-universidade-e-cantinas

[III] O link traz várias dessas ilustrações: https://designyoutrust.com/2018/12/closer-than-we-think-40-visions-of-the-future-world-according-to-arthur-radebaugh/

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Este texto foi inicialmente publicado pelo Jornal da Unicamp [Aqui! ].

Corredor migratório de baleias-jubartes no litoral carioca é alvo de cientistas

Três expedições em alto mar devem ser realizadas este ano para registrar a “fila indiana” de jubartes rumo ao Nordeste brasileiro

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Crédito: Liliane Lodi

A temporada de migração das baleias jubarte teve início com muitos registros de indivíduos no litoral carioca em meados de junho, incluindo as praias da zona sul. Mas, essa é apenas a ponta do iceberg: o verdadeiro corredor migratório, usado anualmente durante o inverno para alcançar os criadouros na região Nordeste do Brasil, ocorre em alto mar. É onde as jubartes adultas nadam em alta velocidade rumo ao nordeste do país, onde irão se reproduzir. Embora conhecido, esse corredor nunca foi estudado profundamente – e é exatamente esse o objetivo das pesquisas do Projeto Ilhas do Rio, conduzido pelo Instituto Mar Adentro – com a curadoria técnica do WWF-Brasil e patrocínio da Associação IEP e JGP.

As baleias-jubartes mais jovens se aproximam mais da costa do Rio de Janeiro e, por isso, são as mais avistadas pelos banhistas, remadores e barcos de passeio. Mas, a grande maioria dos animais, especialmente as adultas, passam mais afastados do litoral, em alta velocidade e em “fila indiana” – um fenômeno que já foi observado, mas nunca explorado pela ciência”, explica a Drª Liliane Lodi, bióloga do Projeto Ilhas do Rio e especialista em cetáceos. “Agora teremos a chance de registrar algo inédito”, destaca. Para favorecer a investigação científica, os cruzeiros incluirão cinegrafista com drone para captura das imagens aéreas da migração das baleias, a partir do final de julho.

Há tempos que os pesquisadores monitoram os padrões de ocorrência, distribuição, comportamento e movimentos dos cetáceos. O estudo, em andamento, já registrou a ocorrência de seis espécies de cetáceos: baleia-jubarte (Megaptera novaeangliae); baleia-de-bryde (Balaenoptera brydei); baleia-franca-austral (Eubalaena australis); orca (Orcinus orca); golfinho-de-dentes-rugosos (Steno bredanensis); e o golfinho -nariz-de-garrafa-comum (Tursiops truncatus).

Todas essas espécies estão no litoral carioca, mais especificamente na unidade de conservação federal, Monumento Natural das Ilhas Cagarras (MONA Cagarras) e na área compreendida entre a barra da Baía de Guanabara, praias da zona sul, ilhas e adjacentes. Esta região é reconhecida pela aliança internacional Mission Blue como um Hope Spot – extensão com grande abundância e diversidade de espécies, habitats ou ecossistemas, com populações raras, ameaçadas ou endêmicas que carecem de proteção – pois é crítica para a saúde dos oceanos.

“Esse estudo do corredor migratório é muito importante, pois gera dados de ocupação de seis espécies de baleias e golfinhos que ocorrem dentro da Unidade de Conservação e entorno. Além disso, são levantados dados sobre interação entre os golfinhos e baleias com o lixo flutuante, o que representa um risco para a fauna marinha. Os resultados sobre ocorrência e fidelidade dos cetáceos nesta Unidade de Conservação e áreas adjacentes serão apresentados ao órgão gestor”, detalha a Drª Lodi.

Vinicius Nora, analista de conservação do WWF-Brasil, explica que essas informações devem auxiliar em políticas públicas, de forma a diminuir a captura acidental, as colisões com embarcações e o vazamento de lixo plástico e outras formas de poluição, colaborando com a preservação das espécies. “O habitat marinho vem sofrendo de maneira crônica inúmeros impactos. Os dados da pesquisa corroboram a necessidade de olharmos atentamente e propor ações efetivas para a preservação da vida desses cetáceos, tão importantes do ponto de vista ecológico e para o engajamento da sociedade pela manutenção das unidades de conservação”, afirma.

Desenvolvido desde 2004 pela Dra. Lodi, este acompanhamento é hoje a linha de pesquisa com a maior série temporal na região, contendo dados e imagens de seis espécies de cetáceos que ocorrem na região fluminense. O monitoramento é realizado por meio de saídas em barco para as ilhas do MONA Cagarras e entorno para atualização do catálogo fotográfico dos animais individualmente identificados através de marcas naturais; análise do histórico de avistagem e reavistagem para determinar a fidelidade de área, residência e movimentos. Esse trabalho permite a ampliação da análise espaço-temporal da ocorrência, através da plotagem de informações em mapas, possibilitando uma interpretação da sua distribuição, a indicação de áreas importantes para a conservação e a conexão de dados com outras pesquisas e projetos.

As fotografias são examinadas para comparação com as pré-existentes no catálogo de indivíduos identificados através de programas de computador especializados. Os dados das avistagens são georreferenciados para a elaboração de mapas as áreas preferencialmente utilizadas pelos cetáceos. Além disso, os pesquisadores fazem análise das ameaças – interações com redes de pesca, a captura acidental de cetáceos devido à intensa atividade de pesca industrial e artesanal na área costeira, o tráfego intenso dos navios que causam poluição acústica, e ainda o lixo flutuante.

O estudo desenvolvido pela equipe da Drª Liliane foi tema de artigo publicado recentemente na revista Marine Ecology Progress Series. O texto destacou a influência de variáveis ambientais e antropogênicas no uso do habitat por baleias-jubarte (Megaptera novaeangliae) e baleias-bryde (Balaenoptera brydei) na costa da cidade brasileira do Rio de Janeiro. Os autores usaram técnicas de SIG (Sistema de Informação Geográfica) para modelar o uso do habitat dessas espécies de cetáceos na orla urbana da cidade do Rio de Janeiro, incluindo os ecossistemas insulares (Lodi e colaboradores, em 2020). Ali, os autores destacaram que as baleias jubarte usam o entorno das Ilhas do MoNa Cagarras como um corredor azul quando desembarcam das águas frias da Antártica para migrar para as mais quentes no Nordeste do Brasil.

Confira mais imagens no vídeo abaixo. Crédito Caio Salles
https://drive.google.com/file/d/1TlxtW3EpOy4szXw1VqoBYY6xL1cJY22k/view

Sobre o Projeto Ilhas do Rio
O Projeto Ilhas do Rio teve início em 2011 e tem como missão subsidiar órgãos tomadores de decisão com dados de pesquisas e monitoramentos de longo prazo, visando a proteção das ilhas da região fluminense, assim como conscientizar a sociedade sobre a importância da preservação ambiental e do uso sustentável de recursos, em especial do MONA Cagarras. É conduzido pelo Instituto Mar Adentro, com curadoria técnica do WWF-Brasil e patrocínio da Associação IEP e JGP.

Sobre o Instituto Mar Adentro
O Instituto Mar Adentro é uma organização ambiental, fundada em 2005. Tem a missão de promover, participar e fomentar ações para geração e promoção do conhecimento sobre os ecossistemas aquáticos, visando garantir a integridade dos processos naturais, o equilíbrio ambiental e o benefício dos cidadãos de hoje e das futuras gerações. Realiza diversas iniciativas voltadas para a sustentabilidade, incluindo o Projeto Ilhas do Rio desde 2011.

Sobre o WWF-Brasil
O WWF-Brasil é uma organização não-governamental brasileira e sem fins lucrativos que trabalha para mudar a atual trajetória de degradação ambiental e promover um futuro em que sociedade e natureza vivam em harmonia. Criada em 1996, atua em todo Brasil e integra a Rede WWF. Apoie nosso trabalho em wwf.org.br/doe

  

Políticas de manejo de fogo podem evitar incêndios florestais, orientam pesquisadores

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Por

Entre 2019 e 2020 os incêndios no Brasil chamaram a atenção do mundo, especialmente na Amazônia e no Pantanal, que perdeu quase 30% da sua área com a maior queimada registrada nas últimas duas décadas. Para atuar de forma eficaz contra esses incêndios, é preciso uma base de informações calcada em pesquisas científicas, agências governamentais com equipes bem treinadas e integração de políticas de manejo de fogo e terras. Essas são as orientações de pesquisadores da USP e de outras instituições em análise publicada na revista “Perspectives in Ecology and Conservation” na terça (20).

Os pesquisadores citam esses e outros itens como fundamentais para o desenvolvimento de abordagens eficazes de manejo do fogo nos biomas e ecossistemas do Brasil. Os investimentos em estrutura incluem o desenvolvimento de sistemas de monitoramento e programas de capacitação local para manejo do fogo, além de ações de divulgação e educação sobre conservação de recursos naturais para fomentar um entendimento mais profundo sobre o papel do fogo nos diferentes ambientes. O estudo teve apoio financeiro do Programa Biota/Fapesp e do CNPq por meio do Centro de Síntese em Biodiversidade (SinBiose) e do Edital PrevFogo/Ibama.

Segundo Vânia Pivello, uma das co-autoras do estudo, o fogo é um tema bastante polêmico. “Algumas pessoas são bastante contrárias ao uso do fogo, o que é compreensível pois ele pode ser muito destrutivo e danoso. Porém é muito importante que possamos discutir onde o fogo ocorre e como ele ocorre, pois os efeitos são completamente diferentes em cada ambiente”.

O Brasil possui biomas e ecossistemas com diferentes respostas ao fogo. Enquanto as florestas tropicais, como a Amazônia e a Mata Atlântica, são extremamente vulneráveis às queimadas, os campos naturais do Sul e o Cerrado são adaptados ao fogo, sendo que muitos de seus processos ecológicos dependem dele. Mesmo esses ecossistemas podem sofrer com as queimadas dependendo da sua frequência, tipo e intensidade.

Além de afetar a biodiversidade, regimes intensos de fogo podem prejudicar a qualidade do ar e o fornecimento de água de regiões. Os pesquisadores alertam que o risco de eventos graves de incêndio provavelmente aumentará no futuro, à medida que os efeitos das mudanças climáticas se tornam mais fortes e causam eventos climáticos mais extremos. Por isso, é importante aumentar a resiliência geral de nossos sistemas socioecológicos ao fogo.

Desde 2014 o Brasil conta com uma Estratégia de Manejo Integrado do Fogo que procura controlar a quantidade de material de fácil combustão e diminuir o risco de incêndios florestais. Ela integra as práticas tradicionais de gestão de incêndios das populações locais ao manejo do fogo, mas ainda não foi amplamente implementada em todo o país. Os pesquisadores apontam a necessidade de desenvolvimento de uma estratégia geral para lidar com o fogo em terras privadas, com uso controlado, quando for benéfico, e sem uso quando os efeitos negativos predominarem.

Pivello cita o Parque Nacional das Sempre Vivas, na região de Diamantina, Minas Gerais, como exemplo de aplicação de uma Estratégia de Manejo Integrado do Fogo. “As populações locais usam o fogo para manejo das sempre vivas, pequenas flores típicas da região, pois se acredita que o fogo possa estimulá-las a produzir mais flores”, explica Pivello. Num esforço conjunto, pesquisadores e gestores do Parque conseguiram chegar a um manejo de fogo adequado para conservar a biodiversidade e, ao mesmo tempo, permitir que a população local possa extrair seu sustento das flores.

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Este texto foi originalmente publicado pela Agência Bori  [Aqui!]

Gênero e questão agrária são temas de primeiro debate da Série Brasil Rural

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Na semana em que se celebra o Dia do Trabalhador Rural e da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, a Associação Brasileira de Reforma Agrária (ABRA), em parceria com a Friedrich-Ebert-Stiftung Brasil (FES Brasil), convidam todos a participarem do debate “Gênero e questão agrária: desafio das mulheres no Brasil rural”. A live será dia 22 de julho (quinta-feira) às 19h, com transmissão pelo canal do Youtube da FES Brasil.
 
📑 O debate faz parte da Série Brasil Rural, uma iniciativa entre a ABRA e a FES que reúne uma série de artigos que serão lançados a partir desse mês que analisam alguns dos principais desafios e contradições da questão agrária no Brasil. O texto inaugural, que subsidia o debate, chama-se “As Mulheres no Censo Agropecuário 2017”, de autoria de Karla Hora, Miriam Nobre e Andrea Butto.
 
💻 A live contará com a participação das três autoras e mediação de Yamila Goldfarb, da ABRA. Contamos com sua presença! Até lá!
 
🔗 Veja o texto completo: http://www.fes.de/cgi-bin/gbv.cgi?id=17954&ty=pdf

Segurança contra contaminação em utensílios de plástico

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*Por Daniel Minozzi

Sim, estamos vivenciando momentos que ficarão para a história. A pandemia da COVID-19 nos colocou em uma situação que até pouco tempo era fruto de imaginação influenciada por produções cinematográficas ou livros, seja na ficção, como os filmes Contágio (2011) e Epidemia (1995), seja ao relatar a devastação de outras pandemias como a da peste bubônica (bactéria Yersinia pestis) e varíola (vírus Orthopoxvírus variolae), entre outras. O fato é que, entretenimento ou vida real, convivemos com microrganismos.

Antes de abordar os riscos de saúde causados por eles, é importante ressaltar que a existência de micróbios não é totalmente maléfica, pelo contrário, a maioria são inofensivos e, até mesmo, essenciais para a sobrevivência de diversos seres vivos, desde as plantas aos animais, como nós. O que precisamos ter atenção é como esses seres do mundo microscópico interagem conosco e com nosso meio. Alguns, infelizmente, são nocivos ao nosso organismo e precisamos agir para evitar ou amenizar ao máximo possível os pontos de contaminação.

Atualmente, contamos com diversos sanitizantes, sendo o álcool o mais conhecido. Porém, assim como outros meios de higienização, utilizando produtos de limpeza em geral, a ação de desinfetar precisa ocorrer sempre, já que é totalmente pontual e passageira. Sem contar que, em determinados produtos, mesmo após uma boa limpeza ainda é possível identificar, de forma visual ou pelo odor, a presença de algum microrganismo.

Um exemplo clássico é o caso de utensílios de plástico que, sofrendo ou não com o desgaste de uso, fatalmente se tornam ferramentas de contaminação cruzada. Dentre os casos mais perceptíveis ou fáceis de lembrar, temos as tábuas de carne, potes ou containers de alimentos, cabo de instrumentos de corte (cutelaria), lixeiras, escova de dentes, chuveiro, etc. Todos acabam promovendo a proliferação de bactérias, como Escherichia coli e Salmonella, além de fungos como o Aspergillus, por exemplo.

A boa notícia é que empresas que mesclam ciência e tecnologia estão há um bom tempo no mercado desenvolvendo soluções que promovem a vários materiais um efeito de auto esterilização. A Nanox, por exemplo, conta com diversos casos no segmento de utilidades domésticas, promovendo esse efeito – conhecido também como antimicrobiano, em filme plástico esticável, como o Alpfilm Protect, diversas linhas de utilidades da Plasútil, cabo do instrumentos da linha de cutelaria da Tramontina, película protetora Promasafe da Promaflex, entre outras. E mais, muitos desses com eficiência comprovada contra o vírus da pandemia.

Cada vez mais esse apelo está fazendo sentido, algo entre as poucas coisas que esse cenário de crise sanitária acelerou. As pessoas estão mais interessadas e familiarizadas com esse tema, de modo a procurar nas prateleiras dos supermercados e das lojas em geral produtos que promovam maior segurança, tranquilidade e praticidade. O conceito de material inteligente se instalou e, como uma espécie de talismã, significará um ambiente, um lar mais protegido, mas não com superstição e sim com ciência.

*Daniel Minozzi é químico, mestre em ciências de materiais pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e fundador e Diretor da Nanox, empresa especializada em nanotecnologia.

Frontiers do charlatanismo homicida

Adivinhe o que a Frontiers publicou agora

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Por Leonid Schneider para “For Better Science”

Frontiers é realmente a melhor editora acadêmica do mundo. Honestamente, eu quero dizer isso. Meus olhos estão abertos agora, eu entendi que a ciência nunca foi sobre ciência real, mas sobre a publicação de artigos para avançar sua carreira pessoal, negócios e agenda, a todo custo. E a Frontiers é realmente o melhor provedor de serviços que existe, cientistas, empresários e malucos entenderam há muito tempo que seus custos de publicação de € 3 mil serão bem investidos na Frontiers. Com a publicação científica, não é o tipo de ciência que está dentro (se houver), é como ela é embalada e comercializada, e a Frontiers é realmente a melhor lá. Se a Frontiers fosse uma marca de moda, estaríamos todos andando por aí completamente nus com penas enfiadas no traseiro.

Bem, não é apenas diversão e jogos. Claro, a Frontiers publica um monte de coisas bobas , suas teorias bizarras de autismo são clássicas, suas atividades paranormais na clarividência e na vida após a morte são ouro da comédia e que melhor maneira de entrar na pandemia se não o antivaxxaria hilariante, mas rigorosamente revisado por pares, pela Frontiers?

Portanto, é claro que não é surpreendente que a Frontiers aparentemente busque juntar-se à carnificina do COVID-19 com remédios charlatães. Pena que o guru da cloroquina Didier Raoult já tenha (cortesia da Elsevier) seu próprio conjunto de periódicos, com revisão por pares muito mais rápida e fatores de impacto mais elevados, e não precise perder tempo e dinheiro com o Frontiers. Tendo falhado com Pierre Kory e sua ivermectina, a editora Swiss Open Access agora serve a você alguns dos charlatães mais perigosos que existem: os da equipe da proxalutamida .

 

A história do medicamento contra queda de cabelo proxalutamida, feito por uma empresa farmacêutica chinesa, comercializado e patenteado por uma startup de caixa de correio californiana, reaproveitado por médicos brasileiros com aço de batalha com cloroquina como uma cura milagrosa COVID-19, e elogiado pelo presidente fascista Jair Bolsonaro, é contado neste artigo .

Portanto, o que se segue é uma espécie de atualização extensa, parte dela já relatada em Schneider Shorts anteriores.

Fronteiras no charlatanismo homicida

Agora, o que acontece com os ensaios clínicos fraudulentos e antiéticos onde os investigadores são amigos de um ditador fascista e têm envenenado seus pacientes com várias terapias COVID-19 charlatãs?

Bem, eles publicam sua descoberta na Frontiers, é claro, um investimento de míseros 3 mil euros, e então esses médicos brasileiros desonestos e seus parceiros farmacêuticos chineses lucram muito.

 

John McCoy, Andy Goren, Flávio Adsuara Cadegiani, Sergio Vaño-Galván, Maja Kovacevic, Mirna Situm, Jerry Shapiro, Rodney Sinclair, Antonella Tosti, Andrija Stanimirovic, Daniel Fonseca, Edinete Dorner, Dirce Costa Onety, Ricardo Ariel Zimerman, Carlos Gustavo Wambier A proxalutamida reduz a taxa de hospitalização para pacientes ambulatoriais masculinos com COVID-19: um ensaio randomizado duplo-cego controlado por placebo Fronteiras na medicina (2021) doi: 10.3389 / fmed.2021.668698

O estudo declarou:

“Um total de 268 homens foram randomizados em uma proporção de 1: 1. 134 pacientes que receberam proxalutamida e 134 que receberam placebo foram incluídos na análise de intenção de tratar. […] Aqui, demonstramos que a taxa de hospitalização em homens tratados com proxalutamida foi reduzida em 91% em comparação com o tratamento usual. ”

Esse mesmo lixo tóxico já foi desmascarado como fraudulento em sua versão pré-impressa no PubPeer e por Smut Clyde em meu site . O fato é que, antes da proxalutamida, os médicos usavam outro anti-andrógeno, a dutasterida, isso não é mencionado na seção de métodos do artigo da Frontiers. E seu braço de controle eram os antiparasitários ivermectina e nitazoxanida, mais o antibiótico azitromicina, além de muitos outros medicamentos, provavelmente misturados em um balde, o que explicaria a mortalidade inicialmente anunciada de quase 50% no braço de controle.

Aqui está Smut Clyde tentando desemaranhar as coisas (eu inseri os hiperlinks):

“ Eu provavelmente gastei muito tempo hoje tentando entender o que aconteceu com o ensaio clínico Dutasterida. Ele evoluiu de várias maneiras. Notavelmente, entre 23 de junho e 25 de julho de 2020 , adquiriu um terceiro grupo de 120 pacientes, que receberiam Proxalutamida (além de ivermectina e azitromicina). Presumivelmente, isso foi por insistência da Kintor Corporation, fabricantes de Proxalutamida, que procuravam uma aplicação para seu medicamento (além de “queda de cabelo” e “câncer de próstata resistente a bloqueadores de andrógeno”), e interveio para financiar o estudo – conforme observado em seu comunicado de imprensa. O trabalho da Biologia Avançada agora era encontrar essa aplicação.

Entre 28 de julho e 10 de dezembro , o inútil tratamento com ivermectina foi suspenso e substituído por nitazoxanida. Eu não tenho ideia do porquê.

Entre 10 e 29 de dezembro , conforme se aproximava o final do ensaio, os pesquisadores descobriram que os pacientes não haviam sido tratados sistematicamente com ivermectina, nitazoxanida OU azitromicina, e o aspecto de ‘tratamento de base’ foi substituído por “Padrão de tratamento conforme determinado pelo IP ”. Os pacientes podem estar recebendo QUALQUER COISA e ainda serem elegíveis.

Enquanto isso, todos os resultados foram descartados, exceto “Porcentagem de indivíduos hospitalizados devido a COVID-19”. Todas as outras medidas? Não é mais relevante. Mentes suspeitas podem chegar à conclusão de que essas outras medidas não mostraram nenhuma diferença.

‘Apresentando “sinal de Gabrin”, isto é, alopecia androgenética’ foi descartado como um critério de inclusão. “Ousadia do padrão masculino” foi todo o fundamento lógico para o estudo , mas simplesmente desapareceu.

Ah, sim, e o grupo Dutasteride simplesmente desapareceu. Agora, apenas dois grupos no estudo, comparando a Proxalutamida com o placebo. O que aconteceu a todos os pacientes tratados anteriormente com dutasterida?

O resultado é tornar absurdos vários preprints [ Cadegiani et al medRxiv 2020 , Cadegiani et al ResearchSquare 2020 ] comparando dutasterida e placebo, que se referem ao NCT04446429 para detalhes e aprovação ética. Estes citam 130 indivíduos (64 no grupo D e 66 placebos), ou um subconjunto de 87 que foram estudados em mais detalhes (43 Ds, 44 placebos).

Mas espere, tem mais! Existe um segundo ensaio clínico de Biologia Aplicada para dutasterida: NCT04729491 . Nenhuma aprovação de ética é mencionada. O estudo terminou em 15 de setembro e foi retrospectivamente registrado em 28 de janeiro. Aparentemente, isso é possível. 

Nenhum resultado é apresentado na entrada CT, mas este é o ensaio citado em outros artigos e preprints da dutasterida. Aparentemente, também é possível, ao final de um ensaio clínico, extrair casos inconvenientes e reatribuí-los a um segundo ensaio recém-gerado. Eu não faço as regras . O jornal Frontiers divulga algumas informações sobre o atendimento padrão:

“O atendimento usual consistia em várias combinações de medicamentos e era individualizado de acordo com as necessidades de cada paciente. Azitromicina 500 mg por dia por 5 dias e nitazoxanida 500 mg duas vezes por dia por 6 dias foram oferecidos a todos os novos pacientes do estudo. Os seguintes medicamentos foram prescritos conforme a necessidade: dipirona, paracetamol, ondansetrona, dexametasona, rivaroxabana e enoxaparina. Nos casos de internação, medicamentos adicionais foram prescritos de acordo com o julgamento clínico da equipe do hospital. A adesão ao tratamento com os medicamentos do estudo não foi monitorada durante o estudo. Os medicamentos usuais prescritos por médicos fora do estudo não foram documentados. ”

Bem, aqui está ele, o medicamento de tratamento usual prescrito pelo Dr. Cadegiani para seus infelizes pacientes com COVID-19, como uma combinação: medicamento contra malária hidroxicloroquina , antiparasitários ivermectina e nitazoxanida, antibiótico azitromicina, antidepressivo fluvoxamina , antiinflamatórios colchicina e dexametasona, antiandrógenos bicalutamida, espironolactona e dutasterida, remédio para azia dexlansoprazol, anticoagulante apixaban, vitamina D e vitamina C, além de quem sabe quais outros medicamentos.

O “tratamento padrão” do Dr. Cadegiani é tão perigoso que os pacientes tiveram muita sorte de entrar no braço da proxalutamida.

A morte em massa no braço de controle diminuiu um pouco na edição Frontiers do golpe, mas o significado permanece o mesmo: mais de 90% das vidas salvas! Agora, é quase improvável que a Frontiers não tivesse ideia das constantes acusações de fraude contra a equipe da proxalutamida. Mesmo que eles tenham perdido minha reportagem ou a discussão Pubpeer: um artigo brasileiro de 9 de abril de 2021, original em português , intitulado:

“ O estudo da ‘nova cloroquina’ do Bolsonaro tem evidências de fraude e falhas graves “

Fiquei muito orgulhoso de ver um leitor do meu site citado:

“Por isso, pesquisadores como José Galluci Neto, médico assistente que trabalha no Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP, afirmam que o período de estudo não é viável. “ É impossível ”, resume Gallucci. “ Não é um prazo de forma alguma. “”

O Dr. Goldman dividirá o próximo Prêmio Nobel com Cadegiani por descobrir uma cura para COVID-19?

Posteriormente, jornalistas brasileiros da Globo escreveram em junho de 2021:

“ … , as informações reveladas despertaram em especialistas suspeitas de fraudes e falhas graves – como a morte de um grande número de voluntários, o que deveria ter levado à imediata suspensão da pesquisa. Em sua investigação, a Conep [Comissão Nacional de Ética em Pesquisa] constatou que o caso é ainda pior.  Todas as premissas do protocolo submetido ao conselho pelos pesquisadores da proxalutamida não foram atendidas. Na prática, eles fizeram tudo diferente do que prometeram ao comitê de ética.

Para começar, os pesquisadores, liderados pelo médico Flávio Cadegiani, registraram o estudo como se fosse ser feito em hospitais de Brasília, mas o fizeram em Manaus e em outras cidades do Amazonas ”. Eles levaram o estudo por sua conta e risco para a Amazônia e distribuíram o medicamento em uma série de hospitais do interior do estado sem qualquer aprovação ”, explicou um assessor do Conep.

Além disso, o protocolo planejava testar a proxalutamida em menos de 300 pacientes com Covid moderada, mas os autores mudaram o rumo da pesquisa sem informar a Conep e aplicaram o medicamento em 615 pacientes gravemente enfermos.

Como se não bastasse, somente quando submeteram os dados finais à comissão, em maio, os autores relataram a ocorrência de “mais de 200 mortes”. Dessa forma, não cumpriram uma norma da Conep, de maio de 2020, que estabelece que as mortes de voluntários devem ser comunicadas à comissão em até 24 horas. 

A taxa de mortalidade também é muito maior do que as 141 mortes que os próprios pesquisadores relataram na entrevista coletiva. Na época, eles disseram que a maioria das mortes teria ocorrido entre voluntários que receberam o placebo – o que provaria 92% de eficácia. 

Basicamente, a terapia de tratamento padrão de Cadegiani era ainda mais letal do que se pensava originalmente.

O estudo da proxalutamida é tóxico em muitos aspectos. Mas a Frontiers ficou mais do que feliz em publicá-lo. Nesse sentido, a BBC News Brasil oferece alguns antecedentes:

“Os autores publicaram suas descobertas na segunda-feira (19/7) em um estudo (já revisado por pares) na revista Frontiers in Medicine , após terem sido rejeitadas por publicações científicas de prestígio como The New England Journal of Medicine e The Lancet.”

For Better Science é referenciado naquele artigo da BBC . No final, ficamos sabendo que Bolsonaro e seu governo ainda estão promovendo a proxalutamida como medicamento COVID-19, independentemente das acusações de fraude e abuso ao paciente.

Maníacos homicidas

É hora de apresentar brevemente a equipe por trás do documento Frontiers.

  • Andy Goren é o fundador e aparentemente o único proprietário da startup californiana Applied Biology , cujo endereço postal é apenas uma caixa de correio e que antes da pandemia se concentrava em golpes com curas para queda de cabelo. Ele finge ser apenas um empregado. A empresa tem um certo Torello Lotti a bordo, um charlatão italiano tão perigosamente insano que foi até preso e levado a julgamento. John McCoy é Vice-Presidente de Biologia Aplicada, outra funcionária da Biologia Aplicada é Maja Kovacevic , ela declara não haver conflito de interesses (COI).
  • Flavio Cadegiani : gênio autoproclamado e diretor científico da Biologia Aplicada, veja acima seu regime de tratamento padrão homicida COVID-19. Também co-inventor do aplicativo homicida brasileiro COVID-19 TrateCov, mais sobre isso a seguir.
  • Ricardo Zimerman , clínico militar brasileiro e maníaco homicida que dirigiu na região de Porto Alegre as prescrições em massa de hidroxicloroquina, ivermectina, vitamina D e zinco (terapia padrão sob sua pressão) enquanto se opunha a todas as restrições do COVID-19. A carnificina resultante do COVID-19 no Brasil, especialmente em Manaus e no estado do Amazonas, também é sua responsabilidade direta. Zimmermann tem uma quantidade impressionante de sangue nas mãos.
  • Carlos Wambier é um dermatologista brasileiro da Brown University nos EUA e também membro do conselho de Biologia Aplicada, mas não declara COI.
  • Jerry Shapiro e Rodney Sinclair são dois outros membros do conselho de Biologia Aplicada, ambos dermatologistas para calvície com suas próprias clínicas particulares, um na América do Norte e outro na Austrália.

O cientista clínico brasileiro Jose Gallucci-Neto comentou em meu site o que mais o Cadegiani tem feito:

“ Cadeggiani também está provavelmente por trás (1) do aplicativo assassino AndroCov (posteriormente renomeado como TrateCov) (usando RedCap) lançado oficialmente pelo Ministério da Saúde brasileiro para“ prescrever ”o infame“ kit COVID ”(HCQ, AZT, Ivermectina, Zn, etc., etc.) para a população. De acordo com o Conselho Federal de Medicina (2), o aplicativo violava muitas questões éticas. O aplicativo também pode implicar em crime de responsabilidade (2) ao presidente ‘BolsoNero’, conforme análise a seguir. O aplicativo TrateCoV indicou cloroquina e outros tratamentos ineficazes para quase todos os pacientes (incluindo crianças pequenas e bebês !!). A palavra cloroquina aparece 86 vezes no código do aplicativo e ivermectina 113 vezes.

Galucci-Neto também forneceu a tradução do artigo relevante de janeiro de 2021 , trecho:

“ Após análise realizada por assessores técnicos e jurídicos sobre o aplicativo TrateCov, lançado recentemente para auxiliar as equipes na coleta de sintomas e sinais de pacientes possivelmente infectados com covid-19, o Conselho Federal de Medicina (CFM) alertou o Ministério da Saúde sobre as seguintes inconsistências na ferramenta:

• Não preserva adequadamente a confidencialidade das informações;
• Permite o preenchimento por profissionais não médicos;
• Garante validação científica para medicamentos que não possuem este reconhecimento internacional;
• Induz a automedicação e interfere na autonomia dos médicos;
• Não deixa claro, em nenhum momento, a finalidade da utilização dos dados preenchidos pelos médicos assistentes. ”

“ O Ministério da Saúde retirou do ar a plataforma do aplicativo TrateCov nesta quinta-feira (21/01). A ferramenta destina-se à orientação dos profissionais de saúde e ficou disponível por uma semana. A ferramenta recomendava o tratamento precoce de pessoas com sintomas de Covid-19 com medicamentos sem evidências científicas – como cloroquina e ivermectina.

Depois de remover o aplicativo, o Ministério da Saúde afirmou, em nota, que o pedido tinha sido “hackeado e ativado de forma inadequada” e que a plataforma foi lançado como um projeto piloto e não funcionava oficialmente como um simulador “.

Mas é claro que o charlatanismo nacional de Cadegiani e Zimerman não seria possível sem o apoio do alto escalão, do líder fascista do Brasil, Jair Bolsonaro . Matéria da Reuters  sobre a eminência brasileira escuro que fez a conexão: Helio Angotti , descrito como “ um conhecido-pouco Ministério da Saúde oficial ” nomeado pelo próprio Bolsonaro. Angotti e o presidente são seguidores do “ esotérico filósofo brasileiro Olavo de Carvalho, que promove falsas teorias da conspiração, incluindo a alegação de que a Pepsi usava células de fetos abortados como adoçante ”.

Segundo a Reuters , Angotti está sob investigação federal no estado do Amazonas por improbidade administrativa “ por obrigar os profissionais de saúde de lá a prescrever hidroxicloroquina “. Seu objetivo parece ser causar o caos e a carnificina máximos, espalhando a negação da covidota contra vacinas, bloqueios, máscaras faciais e em apoio a curas de charlatães, e Cadegiani e Zimerman são exatamente os bandidos certos para esse trabalho sangrento. Este último foi um dos três consultores que Angotti contratou para provar que a visão da cloroquina de Bolsonaro estava correta.

Zimerman foi enviado por Angotti para gerenciar o assassinato em massa em Manaus , forçando hospitais a usar hidroxicloroquina durante a escassez de oxigênio, enquanto Cadegiani foi encarregado de envenenar brasileiros, mesmo crianças, por meio do aplicativo TrateCov, que vende cloroquina, conforme relatado pela Reuters :

“O Ministério da Saúde enviou pelo menos 120.000 comprimidos de hidroxicloroquina para o estado do Amazonas e levou 12 profissionais médicos para a cidade de Manaus para pressionar os profissionais de saúde a usarem antimaláricos. Zimerman, De Souza e Costa faziam parte do grupo, segundo nota de 23 de fevereiro enviada por um dos colegas de Angotti ao Ministério Público do Amazonas, em resposta às suas indagações sobre a forma como o ministério está lidando com a crise de Manaus. A SCTIE de Angotti financiou suas viagens, diz o comunicado.

O ministério também implantou um aplicativo de telefone de curta duração que pretendia ajudar os profissionais médicos a diagnosticar COVID-19 com um questionário de sintomas – depois os instruiu a prescrever antimaláricos como a hidroxicloroquina. O aplicativo foi baseado em uma ferramenta de diagnóstico que os consultores da Angotti ajudaram a desenvolver ”.

Mas o que eu sei, Frontiers são os verdadeiros especialistas em integridade de pesquisa. Se eles dizem que todas essas acusações contra Cadegiani, Zimerman e outros são mentiras.

Sistema podre

Frontiers é apenas um sintoma de um sistema de publicação acadêmica totalmente podre, que está além do reparo. Foram Elsevier e a supostamente erudita Sociedade Internacional de Quimioterapia Antimicrobiana (ISAC) que permitiram o charlatanismo ilegal de cloroquina de Raoult.

Outra sociedade erudita decidiu promover a proxalutamida.

Este é o recente documento de posição COVID-19 da Sociedade Europeia de Endocrinologia (ESE) para delinear ” a prevenção e o tratamento da doença “:

Puig-Domingo M, Marazuela M, Yildiz BO, Giustina A COVID-19 e doenças endócrinas e metabólicas. Uma declaração atualizada da Sociedade Europeia de Endocrinologia. Endócrino (2021) DOI: 10.1007 / s12020-021-02734-w 

Esta é a citação relevante dele:

Corr. autora, Professora Andrea Guistina, emite orientações de tratamento COVID-19

“ Dados da literatura dermatológica sugerem que homens calvos são mais propensos a COVID-19 [ 128 ], bem como que a alopecia androgenética é frequente também em mulheres com COVID-19 [ 129 ]. No entanto, uma das observações mais impactantes neste campo veio de pacientes com câncer de próstata. Na verdade, aqueles pacientes sob terapia de privação de andrógeno [ 130 ] demonstraram em alguns estudos ser menos vulneráveis ​​à infecção por SARS-CoV-2, em comparação com pacientes que não foram privados de andrógeno [ 131] O mais intrigante é que os recentes estudos duplo-cegos controlados por placebo mostraram que os moduladores seletivos do receptor de andrógeno aceleram a depuração viral e reduzem o tempo de remissão clínica em pacientes do sexo masculino sem câncer de próstata hospitalizados com COVID-19 leve a moderado, bem como um novo inibidor do receptor de andrógeno mostrou efeitos positivos semelhantes em homens e mulheres com COVID-19 [ 132 , 133 ]. 

As referências 128-133 são aos estudos de Cadegiani, Zimerman, Wambier et al. Informei a liderança da European Society of Endocrinology e o autor correspondente do artigo sobre a suspeita de fraude e abuso de pacientes: NENHUM deles respondeu.

E então, é claro, o golpe da proxalutamida não foi a primeira tentativa da Frontiers de sabotar os esforços de socorro à pandemia. Antes, era ivermectina.

Para ser justo, o seguinte artigo de um parágrafo em Frontiers, do charlatão norte-americano Pierre Kory , presidente da chamada Frontline COVID-19 Critical Care Alliance (FLCCC), teve vida curta. Ele viu a luz do dia em 13.01.2021 e foi extinto em 01.03.2021:

Pierre Kory, G U. Meduri, Jose Iglesias, Joseph Varon, Keith Berkowitz, Howard Kornfeld, Eivind Vinjevoll, Scott Mitchell, Fred Wagshul e Paul E. Marik Revisão das evidências emergentes que demonstram a eficácia da ivermectina na profilaxia e no tratamento de COVID -19 Front. Pharmacol. doi: 10.3389 / fphar.2021.643369

Houve grandes protestos nas redes sociais, então o artigo de Kory foi APAGADO pela Frontiers, não apenas retirado. Ele se foi completamente. O único vestígio de sua existência passada é um editorial bobo da Frontiers , postado apenas depois que os jornalistas começaram a perguntar . Toda a ideia de permanência ligada a um DOI não se aplica a editores trolls como Frontiers, então aqui está um registro arquivado da WayBack Machine . E aqui está uma captura de tela:

O lixo foi republicado no American Journal of Therapeutics, da Wolter-Kluwer, porque é assim que funciona a publicação científica. Em seguida, foi relatado por muitos meios de comunicação (por exemploCNBC ou Times of India ) celebrando que o beliche de ivermectina de Kory foi aprovado na revisão por pares, sem mencionar a confusão da Frontiers.

Chuveiro de dinheiro

O investimento de € 3 mil naquele jornal da Frontiers rendeu centenas de milhares de vezes aos médicos e empresários da proxalutamida. A empresa chinesa Kintor Pharmaceutical, que vende proxalutamida e paga Biologia Aplicada, recebeu uma Autorização de Uso de Emergência (EUA) COVID-19 para proxalutamida no Paraguai, conforme recente comunicado à imprensa :

“O primeiro hospital a usar proxalutamida nos EUA, o Hospital Barrio Obrero, parte da rede MSPBS do Paraguai, relatou resultados iniciais promissores. Dos primeiros 25 pacientes internados com COVID-19 tratados com Proxaluatmida, apenas 1 paciente (4%) morreu. Essa taxa de mortalidade foi inferior à taxa de mortalidade usual de pacientes internados com COVID-19 no Paraguai. Além disso, a proxalutamida demonstrou benefícios potenciais em 7 dos pacientes que inicialmente necessitaram de oxigênio de alto fluxo ”

O Paraguai é só o começo, obrigado Fronteiras. Aqui está outro comunicado à imprensa:

“A Kintor Pharmaceutical Limited (HKEX: 9939) anunciou hoje que celebrou um acordo de licenciamento com a Shanghai Fosun Pharmaceutical Development Ltd. (“ Fosun Pharma Development ”), sobre a comercialização de proxalutamida para o tratamento da indicação de COVID-19 na Índia e 28 países africanos (as “Regiões de Colaboração”). A Kintor e a Fosun Pharma Development colaborarão nos pedidos de autorização de uso de emergência, promoção e vendas de proxalutamida para o tratamento da indicação COVID-19. ”

 


 

fecho

Este texto foi originalmente escrito em inglês e publicado no blog “For Better Science” [Aqui!].

Crise hídrica: em processo de vazante, rio Madeira tende a níveis mínimos

rio madeira

Em Porto Velho (RO), o nível do rio Madeira está abaixo da média para a época do ano e tende à zona de atenção para mínimas. A previsão do Serviço Geológico do Brasil (SGB-CPRM), no primeiro Boletim de Alerta Hidrológico da Bacia do Rio Madeira para esse período de estiagem, é que o rio Madeira atinja a cota de 4 metros na segunda quinzena de agosto. Nesta segunda-feira (19), a estação de Porto Velho registra o nível de 5,48 metros, tendo baixado 11 centímetros nas últimas 24h. A partir da segunda quinzena de agosto, a cota pode atingir patamar em que a navegação passa a ter restrições. A Delegacia Fluvial de Porto Velho passa a adotar restrições quando o rio atinge nível inferior a quatro metros.

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Para a operação de secas, a zona de atenção é a faixa laranja no gráfico

O prognóstico indica que havendo atraso no início da estação chuvosa para além de outubro, a condição de seca poderá se aproximar de anos de estiagem mais severa, a depender também da evolução das chuvas até lá e se o regime da vazante for mais ou menos acelerado. Em 2020, o SGB-CPRM monitorou a pior seca da história em Porto Velho : o rio Madeira atingiu 1,58m.

Na última semana, a tendência geral foi de redução dos níveis dos rios nas estações da bacia monitoradas pelo SGB-CPRM, um comportamento normal para o período. Boa parte das bacias monitoradas apresentaram chuvas abaixo da climatologia. Para a próxima semana, estão previstas precipitações abaixo da climatologia no sudoeste da bacia e dentro do normal nas outras áreas da bacia. Para a semana posterior, o modelo meteorológico consultado prevê chuvas dentro da climatologia para a bacia do Madeira como um todo.

O Serviço Geológico do Brasil atualiza constantemente os dados das estações fluviométricas em cprm.gov.br/sace/madeira, onde também são publicados os boletins de monitoramento. Os dados hidrológicos utilizados nos boletins são provenientes da Rede Hidrometeorológica Nacional (RHN) de responsabilidade da Agência Nacional de Águas (ANA), operada pelo SGB-CPRM.

É Fogo – Dados e perspectivas para a cobertura das queimadas no Brasil

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Greenpeace e LASA (Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais da UFRJ) abrem inscrições para o webinar de preparação para cobertura da temporada de fogo na Amazônia

A temporada de seca no Brasil traz com ela o aumento das queimadas, a maioria delas criminosas, e uma série de impactos ambientais, sociais e econômicos que afetam não só as pessoas e o país, mas o mundo.

Mas qual a diferença entre os incêndios na Califórnia, no Cerrado ou na Amazônia? Tudo é culpa das mudanças climáticas? Como é feito o monitoramento do fogo e como interpretar os dados das imagens de satélite? Para os jornalistas, como lidar com a guerra de narrativas e a desinformação promovida até mesmo pelo poder público?

Estas são algumas perguntas que iremos responder no webinar “É Fogo – Dados e perspectivas para a cobertura das queimadas no Brasil”, realizado pelo Greenpeace em parceria com o LASA – Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais da UFRJ, nos dias 28 e 29 de julho, das 9h às 12h30.

As inscrições são gratuitas, inscreva-se AQUI e participe!

Importância das comunidades indígenas para a Amazônia estará em pauta durante evento gratuito

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As comunidades indígenas têm importância indiscutível para a região amazônica. Por isso, a conferência “Entendendo a Amazônia”, que acontece entre os dias 19 e 22 de julho de 2021, abordará o tema em palestra da indigenista Ivaneide Bandeira Cardozo – a Neidinha Suruí. A apresentação está marcada para 21 de julho, às 14 horas. As inscrições são gratuitas no site www.entendendoaamazonia.com.br.

Neidinha lidera, desde 1992, a Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé – uma organização não-governamental (ONG) sediada em Rondônia que atua com mais de 50 etnias indígenas. Ela foi a primeira mulher a trabalhar na Fundação Nacional do Índio (Funai) com grupos isolados. Nesse trabalho, tem enfrentado madeireiros ilegais, mineradores e outros invasores de terras indígenas e de unidades de conservação.

“Será uma honra contar com a experiência de Neidinha Suruí em nosso evento, que é destinado a todos os públicos no Brasil e no exterior. Tudo isso sem conotação política. Queremos informar corretamente a sociedade em geral e buscar melhores caminhos para essa riqueza, integrando a preservação com a produção sustentável”, diz o doutor em engenharia agronômica Marco Ripoli, diretor da Agri-Rex, que organiza a conferência.

Com 28 palestras, a programação da conferência é completa e inclui temas como desenvolvimento sustentável; impacto do desmatamento nas mudanças climáticas globais e na produção global de alimentos; importância da atuação dos fundos internacionais na preservação do bioma amazônico; visão de futuro para a Amazônia, importância para a população global e o papel do agronegócio nesse contexto. Renomados convidados farão parte dos painéis.

A abertura da conferência será feita às 8:30h de 19 de julho, uma segunda-feira, com Xavier Boutaud, cofundador da Agri-Rex. Em seguida, ele passa a palavra ao ex-ministro da Agricultura Alysson Paolinelli, indicado para o Prêmio Nobel da Paz 2021. Às 9 horas, ele abordará a importância para o clima e produção de alimentos para o planeta. Confira a programação, os palestrantes e mais informações em www.entendendoaamazonia.com.br.

‘Desmatamento não é vantajoso para o Brasil’, afirma ex-ministro Alysson Paolinelli na conferência Entendendo a Amazônia

Indicado ao Prêmio Nobel da Paz, Paolinelli diz ter ‘esperança de que a ciência mostre e demonstre que a árvore vale mais em pé do que caída’

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Brasília – O ex-ministro da Agricultura Alysson Paulinelli discursa durante entrega da Medalha Mérito Apolônio Sales a ex-ministros da pasta por serviços prestados à agropecuária brasileira (José Cruz/Agência Brasil)

Crédito: Agência Brasil

“O desmatamento é um fator que nós temos de coibir. O desmatamento não é vantajoso para o Brasil; a agricultura não depende dele. Ao contrário”, afirmou Alysson Paolinelli durante palestra na conferência virtual “Entendendo a Amazônia”, que acontece até o dia 22 de julho. De acordo com o ex-ministro da Agricultura – indicado ao Prêmio Nobel da Paz –, “a continuar o desmatamento nas proporções atuais, poderá acontecer dificuldades nos chamados grandes rios aéreos”, que “abastecem” regiões produtoras com umidade quente. Essa umidade, que se encontra com as ondas frias que surgem do Sul, provocam chuvas que beneficiam as plantações do país, informa.

“Felizmente, o desmatamento não vem da agricultura: é um fenômeno de especulação de madeireiros que utilizam a madeira da Amazônia para exportar, o que não deve continuar acontecendo. Eles estão contra a lei. A lei ali tem de ser respeitada, porque não há nenhuma vantagem no Brasil com esse desmatamento. Estamos interessados muito mais na abundância biológica na Amazônia. É realmente o maior volume de biologia no mundo e poderá ajudar o Brasil no desenvolvimento pela ciência da bioeconomia, nova fase em que nós vamos entrar”, complementou o ex-ministro da Agricultura.

Mineiro, Paolinelli tem 84 anos e começou a atuar com a agricultura há seis décadas. Nesse período, além de ter assumido a pasta federal da agricultura em 1974, foi secretário estadual da mesma área de Minas Gerais (durante três períodos entre 1971 e 1998) e dirigiu a então Escola Superior de Agricultura de Lavras – que se transformou na atual Universidade Federal de Lavras. No Ministério da Agricultura, sua gestão foi responsável pela criação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Esse trabalho contribuiu para que esse personagem histórico fosse indicado à edição de 2021 do Prêmio Nobel da Paz.

“O Brasil criou, nesses últimos 40 anos, uma agricultura tropical altamente sustentável, com a vantagem de que, só com as tecnologias existentes hoje, poderemos, na área antropizada, ter condições de suportar toda a demanda mundial de alimentos em 2050”, analisou Paolinelli. “No Brasil, a árvore está valendo mais caída do que em pé. Nós temos esperança de que a ciência mostre e demonstre o contrário. Essa é uma tarefa que teremos daqui em diante”, finalizou o ex-ministro.

Entendendo a Amazônia

A conferência, que tem duração de 19 a 22 de julho, tem o objetivo de informar corretamente a sociedade em geral e buscar melhores caminhos para essa riqueza, integrando a preservação com a produção sustentável. Tudo isso sem conotação política. São 28 palestras destinadas a todos os públicos no Brasil e no exterior. O conteúdo ficará gravado e disponível até 31 de julho no site www.entendendoaamazonia.com.br.

“Nesse evento, reunimos pessoas que têm grande conhecimento da região e vão contar objetivamente seus pontos de vista a partir de uma vivência real da Amazônia”, diz Xavier Boutaud, cofundador da Agri-Rex, organizadora da conferência. É uma grande honra e uma satisfação trazer um programa em que lideranças do maior destaque vêm compartilhar generosamente seu conhecimento.”

A programação aborda desenvolvimento sustentável, impacto do desmatamento nas mudanças climáticas e na produção de alimentos, importância da atuação dos fundos internacionais na preservação do bioma e o papel do agronegócio nesse contexto. Sempre com renomados especialistas. “Juntos, nossos palestrantes e entrevistados somam mais de 900 anos de experiência, todos unidos num profundo respeito à Amazônia”, complementou Boutaud.

Primeiro dia de conferência

Além de Xavier Boutaud e Alysson Paolinelli, o primeiro dia da conferência contou com Denis Minev, diretor-presidente da Bemol e cofundador e conselheiro da Fundação Amazonas Sustentável, que abordou o potencial econômico do bioma. Em seguida, a diretora de ciência do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), Ane Alencar, traçou o histórico dos incêndios florestais na Amazônia e abordou estratégias preventivas para evitar o problema.

Sergio Vergueiro – membro do Conselho do Agronegócio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) – e Roberval Lima – doutor em engenharia florestal e pesquisador da Embrapa – debateram como áreas desflorestadas e degradadas na Amazônia são recuperadas pela plantação de castanheiras. À tarde, o jornalista e sócio-diretor da Biomarketing, José Luiz Tejon, salientou que “para entender a Amazônia precisamos enxergar o que está dando errado”.

Já no fim do primeiro dia de palestras, a jornalista Jacqui Fatka – editora de política da norte-americana Farm Progress Companies – apresentou perspectiva dos Estados Unidos a respeito da prevenção de incêndios florestais e de como enfrentar os desafios climáticos mundiais, enquanto Teresa Cristina Vendramini – presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB) – falou sobre os desafios do produtor rural na região Norte.

Por fim, a ex-secretária de Coordenação de Políticas para a Amazônia do Ministério do Meio Ambiente, Muriel Saragoussi, palestrou sobre como compreender a Amazônia sob a ótica da sustentabilidade e da sociobiodiversidade, encerrando o primeiro ciclo da conferência.

Dia 20 de julho: entre os principais temas abordados estão questões climáticas, bioeconomia, piscicultura, manejo florestal e a importância dos rios para a produção agropecuária.

Para conferir as palestras, acesse www.entendendoaamazonia.com.br.