O populismo é contraditório

O cientista político Kolja Möller foi entrevistado sobre o uso e a desvantagem da vontade popular para a política de esquerda – e sobre o populismo como estratégia de comunicação e categoria analítica

populismoQuem brinca com fogo: o populismo como mobilização de massa. Foto: imago images /Eva Bee

Entrevista por Patrick Lempges para o “Neues Deutschland”

Você escreveu um livro sobre a história do populismo com o título de “Levante popular e vergonha”. Como você começou a lutar contra o populismo?

Por duas razões: a primeira é que há alguns anos vimos que as formas populistas de política desempenham um papel importante e que mais e mais movimentos surgem com muito sucesso com a pretensão de representar a vontade do povo contra as elites “lá em cima.” Portanto, faz sentido lidar cientificamente com o populismo e sua história. A segunda razão é que os movimentos e partidos políticos têm que lidar com a questão de quem são as pessoas e a que base social elas se referem. Portanto, é uma questão de prática política, como se age em um sistema político em que os interesses gerais do povo estão sempre em jogo.

Todo mundo está falando sobre populismo, mas o que exatamente é populismo?

Proponho entender o populismo como uma forma de política que pretende mobilizar o povo contra as elites. A maioria das sociedades tem uma constituição e sua legitimidade deriva da soberania popular. Existem procedimentos políticos baseados nisso, como legislação e mudança de governo e oposição. O populismo funciona aqui como uma opção de comunicação que traz de volta a dimensão da soberania popular e dá a tudo isso um toque anti-estabelecimento: nós, o povo, contra “aqueles lá em cima”.

Os movimentos populistas colocam a questão do poder apresentando-se como um contra-poder, mas agindo dentro dos procedimentos normais do sistema político. Isso os distingue dos movimentos sociais que não atuam na área imediata da legislação e da distribuição de cargos, e também os distingue da política de oposição normal, que diz: “Ok, nós só queremos leis ou conteúdos políticos diferentes.”

Então o populismo é mais uma forma de agir e se comunicar e não uma ideologia em si?

O populismo não é uma teoria coerente de ideias, mas uma opção comunicativa que pode então ser enriquecida por diferentes ideologias. Existem formas conservadoras, social democratas e liberais. Também faz parte do caráter do populismo que muitas vezes combina peças fixas de diferentes ideologias, a fim de criar um forte vínculo com as massas. O populismo está se contradizendo.

Quais são as diferenças entre esses diferentes populismos?

O populismo social democrata atrai um povo inclusivo do povo e das classes governadas. A variedade neoliberal do populismo geralmente apela ao comportamento competitivo e à iniciativa dos cidadãos privados. Ao fazer isso, as pessoas são divididas em uma massa de indivíduos que competem entre si. Uma espécie de gente do mercado, pode-se dizer. E, claro, também existe a variante certa. Esta se caracteriza pela assunção de uma identidade nacional sempre presente e sólida, culturalmente homogênea. Esse populismo não é inclusivo, mas exclusivo, e dirige-se não apenas contra “aqueles que estão lá em cima”, mas também contra outros grupos sociais subjugados.

Há também uma espécie de “teoria da conspiração em pinça” nesse ambiente, segundo a qual a identidade popular é minada por uma aliança entre o topo e o fundo. O anti-semitismo é um exemplo disso, embora particularmente pronunciado e coerente. Outro exemplo foi visto durante a “crise dos refugiados”. Então se espalhou a suposição de que havia algum tipo de aliança entre Merkel e os refugiados, que então queriam provocar uma “repopulação” no sentido de uma troca populacional. O populismo de direita foi capaz de se apresentar como resistente ao topo – personificado no caso por Merkel – enquanto a exclusão factual muitas vezes atingiu as pessoas na base – nos abrigos para refugiados.

Em seu livro, você descreve essa suposição básica de direitos como um erro de identidade. Qual é o erro do populismo de esquerda?

O populismo de esquerda não significa que os esquerdistas ruminem sobre os padrões de interpretação populistas de direita. Em vez disso, o populismo de esquerda é caracterizado por seu próprio caráter e, portanto, também por seus próprios problemas. A esquerda sempre oscilou para frente e para trás: por um lado, como qualquer movimento político, muitas vezes agiu populista e, por outro lado, sempre criticou o populismo. Porque, segundo a crítica, o populismo não reflete adequadamente as contradições que existem na sociedade. No entanto, é preciso entender que o populismo desempenha um papel na política e às vezes é inevitável. Torna-se um problema quando congela para uma divulgação mundial abrangente.

Pensar que só a vontade junto com a mobilização das massas é sempre a chave geral para mudar o mundo é um erro voluntarista. É claro que as lutas políticas e a mobilização desempenham um papel importante, mas há toda uma série de outros fatores que moldam o desenvolvimento social: inovações econômicas, mudanças na economia, controle tecnocrático, administração, pesquisa científica e assim por diante. Se você quer fazer uma política inteligente, precisa tentar entender como funciona e lidar com isso. Em muitas situações, mobilizar a vontade do povo simplesmente não ajuda.

Você também escreve sobre “evolução social” a esse respeito. Isso me fez pensar na discussão entre Karl Kautsky e Lenin. De um lado, os reformistas com a ideia de mudança lenta e constante por meio da participação e, de outro, a grande reviravolta voluntarista.

Foi uma discussão muito interessante na social democracia europeia da época. Mas estou mais inclinado a enfatizar as semelhanças entre Kautsky, Lenin, Luxemburgo e até Bernstein. No final, eles chegaram a respostas diferentes, mas tiveram um ponto de partida comum: você observa como a sociedade se desenvolve, onde há contradições, onde elas surgem e a partir daí você considera como as mudanças podem ser alcançadas. A evolução social contém a possibilidade de mudança gradual, mas também de mudanças e rupturas revolucionárias.

Já falamos da identidade e do erro voluntarista. Mas você também escreve sobre erro autoritário. O que é isso?

Há uma tendência recorrente para que ocorram distúrbios e movimentos autoritários possam dominá-los. Chamo isso de virar a insurreição, porque não se trata mais de dissolver concentrações de poder, mas de intensificá-las. Você também pode ver isso no mundo de hoje com populismo de direita. Por um lado, eles se apresentam como um pensamento lateral de oposição popular ao establishment e, por outro lado, querem mais autoridade do Estado, desprezam grupos com baixo status social e aceitam doações de empresários ricos. Um aumento disso seria o bonapartismo, em que uma ditadura baseada na vontade do povo se apresenta como o poder da ordem.

Como você deve reagir aos movimentos populistas?

Acho que antes de tudo é importante reconhecer que o populismo faz parte da política. Você tem que lutar contra as questões que o populismo levanta – ou seja, a distinção entre acima e abaixo, a crítica ao poder e os momentos de descontentamento e protesto na sociedade – e tentar ocupá-los ofensivamente. Não estou convencido de que o anti-populismo categórico seja sustentável.

Falamos sobre os perigos e erros do populismo, mas como o populismo pode beneficiar a esquerda?

O populismo examina de perto a relação entre poder e contrapoder e, é claro, também quem governa. Hoje surge a questão de como a crítica ao poder pode estar ligada a uma redefinição da convivência social voltada para o futuro. Existem exemplos históricos disso: Nos anos 1930, Franklin D. Roosevelt seguiu uma política muito popular nos Estados Unidos com seu “New Deal”. Iniciou mudanças, mas também visava redistribuir o poder na sociedade e era dirigido contra setores do establishment, particularmente os setores financeiro e bancário. Agora é um Novo Acordo Verde que irá conter a mudança climática, e precisamos de um governo que possa fazer essa mudança acontecer. O que pode ser aprendido com a história do populismo é que não se pode escolher as condições de enquadramento. Você tem que se envolver com eles.

Um livro aparecerá no outono no qual você compilou textos canônicos sobre populismo. Você pode dizer algo sobre a escolha?

Especialmente na Alemanha, o populismo é um campo de batalha política. O leitor agora quer destacar que também é um conceito científico de reflexão. O volume começa com textos das décadas de 1920 e 1930, pois as principais características da democracia parlamentar datam desse período. O foco, entretanto, são as contribuições da pesquisa sobre populismo nas ciências políticas e sociais desde os anos 1960 e 1970. Há também textos das décadas de 1980 e 1990, quando a análise do populismo de direita determinou as pesquisas, e textos da atualidade que tratam da questão da crise da democracia liberal.

fecho

Esta entrevista foi escrita inicialmente em alemão e publicada pelo jornal “Neues Deutschland” [Aqui!].

Observatório dos Agrotóxicos: com mais 51 liberações, governo Bolsonaro já despejou 1.316 agrotóxicos no mercado brasileiro

agrotoxicos na mesaUm agricultor pulverizando pesticidas usando um pulverizador de mochila.  Lucas Lacaz Ruiz / Fotoarena / Folhapress

Como venho notando, a persistente crise sanitária que se mistura a uma crescente deterioração do ambiente político brasileiro não está impedindo que o governo Bolsonaro continue com sua tsunami de liberações de agrotóxicos, muito deles banidos em outras partes do mundo.  Com o Ato No. 32 de 16 de julho, o governo Bolsonaro liberou mais 51 agrotóxicos (sendo 35 deles agroquímicos e 16 agrotóxicos de base biológica).

Entre os agrotóxicos liberados, e que são proibidos na União Europeia, estão velhos conhecidos como a Atrazina (disruptor endócrino),  o Metomil (considerado agudamente tóxico pela agência regulatória europeia) e o Tiram (também um disruptor endócrino).  No caso da Atrazina, a nova classificação toxicológica adotada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) coloca essa substância altamente perigosa para a saúde humana como sendo de Categoria 5 (Improvável de causar dano agudo).

Anvisa faz revisão toxicológica de mais de 1.900 agroquímicos

Com a “nova” classificação toxicológica da Anvisa, a maioria dos agrotóxicos altamente perigosos vendidos no Brasil passaram a ser de Categoria 5

Outro aspecto que se repete no Ato No. 32 de 16 de julho é que ele traz a aprovação de mais produtos contendo princípios ativos que já estão amplamente presentes no mercado brasileiro. Parte desses produtos já atingiu a condição de pós-patente, o que implica na sua fabricação fora dos países onde foram originalmente desenvolvidos, principalmente na China cujas empresas se especializaram na produção deste tipo de agrotóxico. Com isso, a China é a origem de 20 dos 35 agrotóxicos de base química, o que reforça a dependência do Brasil em relação ao seu principal parceiro comercial no fornecimento de venenos agrícolas.

Disruptor endócrino

A ingestão de alimentos contaminados por resíduos de agrotóxicos tem causado várias doenças nos brasileiros, a começar pela interrupção do sistema endócrino

Todos esses aspectos da tsunami de agrotóxicos aprovados pelo governo Bolsonaro desmentem as falas iniciais da ministra da Agricultura Tereza Cristina (DEM/MS) no sentido de que essas aprovações permitiriam o uso de agrotóxicos menos nocivos à saúde e ao meio ambiente.  O jeito encontrado para mascarar para os inevitáveis danos acarretados pelo uso de substâncias altamente perigosos foi, como em outros casos no governo Bolsonaro, foi mudar o sistema de classificação toxicológica. Tampouco a promessa de barateamento está sendo cumprida, pois a aquisição de agrotóxicos continua sendo uma das principais fontes de custos dos agricultores brasileiros, principalmente dos que participam do comércio global de commodities. 

Em outras palavras, na economia global dos agrotóxicos, o Brasil está na ponta daqueles que só perdem, apesar do avanço do vício crônico da agricultura de exportação em substâncias que outros países já baniram por causa das consequências desastrosas que acarretam.

Para quem desejar baixar o arquivo contendo a lista de agróxicos liberados pelo Ato No. 32, basta clicar [Aqui!]. Já para baixar a base contendo os 1.316 liberados entre janeiro de 2019 e julho de 2019, basta clicar [Aqui!].

Uma eulogia para Jorge Xavier da Silva

 

jorge xavier

Professor  Jorge Xavier da Silva (1o. à esquerda) sendo homenageado, durante a Semana Comemorativa dos 50 Anos da Faculdade de Engenharia 

Hoje me chegou a notícia do falecimento do Professor Emérito do Departamento de Geografia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Jorge Xavier da Silva, que foi um dos introdutores, senão o principal, do Geoprocessamento no Brasil. Eu conheci o Professor Xavier ainda nos meus anos de graduação quando frequentei a sua notória disciplina, onde ele ministrava conteúdos que só se tornariam mais populares anos mais tarde.

O professor Xavier era uma pessoa controversa dentro do Departamento de Geografia da UFRJ, pois ele possuía uma personalidade muito forte e, por vezes, abrasiva e truculenta. Entretanto, no meu caso, a relação foi sempre amistosa e não guardo dele nenhuma memória negativa. Não sei bem o porquê, mas sempre mereci do professor Xavier as melhores expressões de gentileza e compreensão.  Aliás, em um ato para lá de generoso,  foi graças a ele que foi viabilizada em 1991 a minha ida para trabalhar na equipe que a Dra. Virginia Dale comandava na Divisão de Ciências Ambientais do Oak Ridge National Laboratory. É que ao saber que havia uma hesitação na concessão da minha bolsa de pós mestrado pela Oak Ridge Associated Universities (ORAU), foi ele quem ligou para a Dra. Dale para garantir que eu possuía os requisitos necessários para compor a sua equipe. 

É interessante que eu sequer lhe pedi para que ligasse para a Dra. Dale, mas mesmo assim o professor Xavier se prontificou a fazer a ligação, e o fez de forma tão convincente e convicta que a decisão ia ser negativo após sendo positiva.  Após a concessão da bolsa, eu apenas ouvi dele que não me deixasse embriagar pelo sucesso, e que voltasse para o Brasil depois de cumprir o meu ciclo acadêmico nas Terras do Tio Sam. Segundo ele o Brasil precisaria de mim, mais do que os EUA.

Como a minha jornada nos EUA durou mais do que eu esperava, sempre que passava pelo Rio de Janeiro entre 1991 e 1996, período em que fiquei fora do Brasil, sempre ia até a UFRJ para encontrar amigos, mas principalmente, ter um dedo de prosa com o Professor Xavier.  Nessas nossas conversas, sempre ouvia dele a mais completa convicção de que o Brasil podia dar certo, e que os geógrafos tinham um papel mais do que relevante para que isso pudesse ocorrer. Após voltar para o Brasil em 1997 e passar alguns meses como visitante no Departamento de Geografia, e frequentemente conversava com o Professor Xavier.  Nesses encontros, sempre ouvia dele conversas animadas sobre o papel da universidade pública no desenvolvimento da ciência nacional. 

A convite do professor Xavier, ainda colaborei por algum tempo em um programa de pós-graduação latu sensu que ele criou para continuar difundindo suas metodologias para profissionais de áreas variadas,  e que estavam consolidadas no seu Sistema de Análise Geo-Ambiental (SAGA).  Lamentavelmente, ao longo do tempo fui perdendo contato com o Professor Xavier, pois os afazeres como professor na Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) acabaram por me empurrar para longe do contato mais próximo com o Departamento de Geografia da UFRJ. Entretanto, sempre permaneci grato pelo empurrão, pelas dicas e pelas conversas animadas.

Como aluno e alguém que teve sempre o melhor do Professor Xavier, posso apenas dizer que estamos todos mais pobres com a sua morte.  É que em que pesem seus métodos e eventuais defeitos, ele sempre foi um apaixonado pelo Brasil, pela ciência brasileira em geral, e pela Geografia em particular. Aliás, em nosso último encontro que ocorreu em 2009 no XIII Simpósio Brasileiro de Geografia Física Aplicada realizado na Universidade Federal de Viçosa, ele me pediu para ficar mais envolvido na defesa dos geógrafos dentro do CREA/RJ, pois ele temia que fossemos retirados daquele conselho profissional. Esse era o Professor Xavier em sua plena essência: do aparente individualismo à constante preocupação com o coletivo.

Soube que o Professor Xavier esteve enfermo nos últimos anos da sua vida, o que certamente foi um atrapalho, mas não o impediu de continuar pensando em trabalho, pois era essa a sua natureza.  Mas agora que ele faleceu, espero que  ele seja sempre lembrado pelo seu amor pelo Brasil e pela Geografia. Descanse em paz Professor Jorge Xavier da Silva.

8a Jornada Universitária em Defesa da Reforma Agrária da UFRRJ debate Desmonte das políticas agrárias e ambientais

8ª Jornada Universitária em Defesa da Reforma Agrária
📆⏰Em 27 de julho de 2021, às 19h


A atividade será transmitida ao vivo no youtube do Terra Crioula através do link: https://youtu.be/-FRWogNGtig

O fortalecimento dos ruralistas junto ao Congresso e ao Executivo nos últimos anos tem levado ao desmonte das políticas agrárias e ambientais e à intensificação dos casos de grilagem de terras, desmatamento e de violência no campo. Esta mesa busca discutir esse contexto, dando destaque à crescente influência da bancada ruralista, as investidas nas terras indígenas e quilombolas e na regularização da grilagem.

Cartórios de Campos dos Goytacazes registram 1º semestre com mais óbitos e menos nascimentos da história

Nunca se morreu tanto em um primeiro semestre como em 2021. Cidade também registrou crescimento vegetativo negativo pela primeira vez na história
jf-martin-MXXB9T6BMYQ-unsplash

A pandemia da COVID-19 vem causando um profundo impacto nas estatísticas vitais da população brasileira. Além das quase de 2 mil vítimas fatais atingidas pela doença, o novo coronavírus vem alterando a demografia de uma forma nunca vista desde o início da série histórica dos dados estatísticos dos Cartórios de Registro Civil de Campos dos Goytacazes, em 2003: nunca se morreu tanto e se nasceu tão pouco em um primeiro semestre como neste ano de 2021, resultando, pela primeira vez na história da cidade, em um crescimento vegetativo negativo em um semestre completo.

Os dados constam no Portal da Transparência do Registro Civil (https://transparencia.registrocivil.org.br/inicio), base de dados abastecida em tempo real pelos atos de nascimentos, casamentos e óbitos praticados pelos Cartórios de Registro Civil do País, administrada pela Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil), cruzados com os dados históricos do estudo Estatísticas do Registro Civil, promovido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base nos dados dos próprios cartórios brasileiros.

Em números absolutos os Cartórios campistas registraram 3.055 óbitos até o final do mês de junho. O número, que já é o maior da história em um primeiro semestre, é 54% maior que a média histórica de óbitos de Campos, e 32,5% maior que os ocorridos no ano passado, com a pandemia já instalada há quatro meses no estado. Já com relação a 2019, ano anterior à chegada da pandemia, o aumento no número de mortes foi de 34,6%.

Com relação aos nascimentos, a cidade registrou o menor número de nascidos vivos em um primeiro semestre desde o início da série histórica em 2003. Até o final do mês de junho foram registrados 4.055 nascimentos, número 7% menor que a média de nascidos na cidade desde 2003, e 2% menor que no ano passado. Com relação à 2019, ano anterior à chegada da pandemia, o número de nascimentos caiu 11% na maior cidade do Norte Fluminense.

O resultado da equação mostra que a diferença entre nascimentos e óbitos que sempre esteve na média de 2.380 nascimentos a mais, ficou positiva em 1.000 óbitos, ou seja, mesmo com a pandemia, Campos registrou mais nascimentos do que óbitos no semestre e um aumento de 58% na variação em relação à média histórica. Em relação a 2020, o aumento foi de 45,5%, e em relação a 2019 foi de 56,4%.

“O Portal da Transparência vem sendo usado por toda a sociedade para ter um retrato fiel do que tem acontecido no País neste momento de pandemia”, explica Humberto Monteiro da Costa, presidente da Arpen-RJ. “Os números mostram claramente os impactos da doença em nossa sociedade e possibilitam que os gestores públicos possam planejar as diversas políticas sociais com base nos dados compilados pelos Cartórios”, completa.

Natalidade e Casamentos

Embora não seja a regra, a série histórica do Registro Civil demonstra que o aumento no número de casamentos está diretamente ligado ao aumento da taxa de natalidade em Campos, o que deve fazer com que os nascimentos ainda demorem um pouco a serem retomados, já que no primeiro semestre de 2021 a cidade registrou o sexto menor número de casamentos desde o início da série histórica.

Apenas 10,3% menor que a média histórica de casamentos no primeiro semestre da cidade de Campos dos Goytacazes, o número de matrimônios em 2021 mostra considerável recuperação em relação às celebrações do ano passado, fortemente impactadas pela chegada da pandemia que adiou cerimônias civis em virtude dos protocolos de higiene necessários à contenção da doença. Até junho deste ano os Cartórios celebraram 1.080 casamentos civis, número 30% maior que os 833 matrimônios realizados no ano passado, mas ainda 14% menor que os 1.255 casamentos celebrados em 2019.

Sobre a Arpen/RJ

A ARPEN-RJ, entidade de utilidade pública, nos termos da lei 5462/2009, se destina, entre os objetivos estatutários, a promover o aperfeiçoamento do registro civil de pessoas naturais e de interdições e tutelas no estado do Rio de Janeiro, bem como apoiar as iniciativas nacionais nessa área.

Mato Grosso é campeão de desmatamento no Centro-Oeste; derrubada pelo fogo cresceu na Amazônia e no Pantanal

desmatamento-amazonia-1583883706-1000x666Área desmatada ilegalmente na Floresta Amazônica. Foto: marcio isensee / Shutterstock.com

Quando: sexta-feira, 23 de julho, às 10h (horário de Brasília)

O Relatório Anual do Desmatamento no Brasil 2020 para a região Centro-Oeste será apresentado nesta sexta-feira, 23, às 10h (horário de Brasília). O evento on-line será ao vivo terá participação de órgãos de monitoramento e fiscalização.

Produzido a partir dos dados do MapBiomas Alerta, o estudo expõe algumas contradições: uma redução no desmatamento no Cerrado fez com que o Centro-Oeste registrasse queda de 10% no número de alertas entre 2019 e 2020. Mas o fogo no Pantanal e na Amazônia cresceu.

Foram registrados 5.617 alertas na região e 239.255 hectares de vegetação nativa suprimida no período. Dos 467 municípios da região, 308 tiveram desmatamento, segundo o relatório. Entre os dez municípios do Centro-Oeste que registraram maior subtração de vegetação nativa, nove estão no Mato Grosso e um em Mato Grosso do Sul.

Mato Grosso do Sul foi o segundo Estado do Centro-Oeste que mais desmatou e o único que registrou aumento na área desmatada, com 34% a mais no comparativo – o que representou 178.183 hectares em 2020.

O Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) atua na coordenação científica do projeto e na coordenação do bioma Cerrado.

Sobre o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM)

O Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) é uma organização científica, não governamental, apartidária e sem fins lucrativos que desde 1995 trabalha pelo desenvolvimento sustentável da Amazônia. Nosso propósito é consolidar, até 2035, o modelo de desenvolvimento tropical da Amazônia, por meio da produção de conhecimento, implementação de iniciativas locais e influência em políticas públicas, de forma a impactar o desenvolvimento econômico, a igualdade social e a preservação do meio ambiente.

Sobre o MapBiomas Alerta

O MapBiomas Alerta é um sistema de validação e refinamento de alertas de desmatamento, degradação e regeneração de vegetação nativa com imagens de alta resolução. Sua construção tem como base a experiência exitosa do MapBiomas de trabalho multi institucional, em rede, com processamento distribuído de imagens e dados em larga escala, disponibilizados de forma gratuita, transparente e acessível para a sociedade em geral. O MapBiomas Alerta não é mais um sistema de alertas de desmatamento, mas um esforço para potencializar a usabilidade e eficácia dos alertas já gerados.

Sobre o MapBiomas

O MapBiomas é uma iniciativa Observatório do Clima e é produzido por uma rede colaborativa de co-criadores formada por ONGs, universidades e empresas de tecnologia organizados por biomas e temas transversais.

De volta para o futuro: o ensino híbrido sempre existiu, o nosso problema é outro

14-EnsinoHibrido-1

Na metade do ano dois da pandemia, agita-se o movimento de volta para o futuro no ensino superior. Às vésperas do fim da maioria das medidas de restrição devidas à COVID-19 no Reino Unido, apesar da volta de um preocupante aumento no número diário de infecções por lá, uma matéria publicada no The Guardian, traz a manchete de que a “COVID-19 tem sido um grande catalisador” de mudanças para as universidades no mundo pós-pandêmico[I]. O mote é o anúncio recente de que a Universidade de Manchester manterá permanente as aulas no formato remoto e que outras instituições tendem a seguir esse caminho. O bom jornalismo do portal inglês aprofunda as opiniões dos concordantes e dos discordantes, muitas das quais, ambos os lados, são vistas por aqui.

Os líderes de muitas universidades na terra da rainha declaram que o mundo digital “aumenta a experiência dos estudantes”. Os investimentos futuros serão em propriedades digitais e não mais em instalações físicas e juram que o custo disso é alto, enquanto os céticos alfinetam dizendo que essa mudança é, ao contrário, justamente para diminuir os custos. Outros se entusiasmam, dizendo que a situação em que vivemos é o tal grande catalisador de boas e grandes mudanças proporcionadas pelas realidades virtual e aumentada oferecidas pela tecnologia. Sorriem também para as vastas possibilidades no mercado internacional de estudantes, já que, “em vez de ter que viajar por meio mundo até uma universidade no Reino Unido, eles [os estudantes] poderão estudar de seus países natais, uma opção mais barata e acessível para a maioria dos jovens.” Por outro lado, muitos consideram isso um engodo. De fato, parece uma burla desse novo e querido anseio das universidades, a internacionalização -, pois o diploma da universidade X pode ser obtido remotamente, mas isso não tem nada a ver com a experiência real da convivência presencial em outro lugar. E levar essa experiência de volta ao país de origem. As autoridades universitárias alardearão o aumento dos indicadores de internacionalização ao mesmo tempo que diminuem o valor e o número das bolsas de estudo, reservando a experiência real para uma elite ainda menor.

Os docentes e administradores discordantes advertem que é preciso pensar um pouco mais: devagar com o andor. A percepção é de que os estudantes estão ansiosos pela volta do “cara-a-cara” na sua formação. Movimentos estudantis pedem reembolso, pois se sentem logrados pagando o mesmo pelo ensino remoto, lembrando que no Reino Unido o ensino superior público também é pago. Na matéria do The Guardian, um dos entrevistados lembra que obviamente seminários e laboratórios são melhores em grupos presenciais pequenos, mas mesmo as grandes aulas presenciais são melhores, pois percebe-se se a aula está sendo boa ou não pela reação corporal dos estudantes, permitindo ajustes. De um modo geral, aulas expositivas em grandes turmas são vistas – lá e cá – como pouco efetivas, que dirá quando são remotas. E uma citação direta de um dos entrevistados:

“Enquanto você disser que as aulas são online, isso perpetua a noção de que toda a experiência do estudante é online. Quando estudantes dizem que querem aulas [presenciais], não que dizer que querem aulas, eles querem ir aos cafés com os colegas após as aulas e conversar sobre elas[II]. Eles querem se engajar. Portanto, o que você realmente deve fazer é se perguntar: como o seu campus deve ser usado para estimular o engajamento?”

O entrevistado acrescenta que baniu a expressão “ensino híbrido”, pois considera-a totalmente inútil para discutir a situação presente. Concordo com o colega além-mar, pois, como anunciado no título acima, ensino híbrido já existia há muito tempo. Vejamos: o “híbrido” se refere a essa mistura entre presencia e virtual. Nos idos dos anos 1980 o ensino híbrido era possibilitado aos estudantes, pelo menos no curso de física na Unicamp. Não era obrigatório assistir as aulas, pelo menos para boa parte dos professores. Você poderia, se quisesse, estudar na biblioteca – equipamento da época para o ensino remoto – e só apresentar-se nas avaliações. E tirar dúvidas com os professores fora da sala de aula, que não se ofendiam pelas faltas. Muitos colegas se formaram com esse “ensino híbrido”. Eu ia na maioria das aulas, mesmo porque não eram muitas, mas ficava imaginando os colegas de alguns outros cursos que ficavam de manhã e de tarde, se segunda a sexta, sentados olhando os professores de olhos abertos ou fechados. E a biblioteca era tão interativa quanto as plataformas digitais de hoje, embora não oferecessem tanta diversidade e variedade de fontes. Aqui dou a mão à palmatoria, hoje podemos dar acesso, via essa “biblioteca aumentada” a muito mais informações e materiais aos estudantes. No entanto, com o passar do tempo e o avanço do gerencialismo nas universidades o controle de frequência passou a ser cada vez mais valorizado, na minha opinião tendo mais a ver exatamente com controle do que ensino. E assim, enquanto debatemos que o número de aulas precisa diminuir em favor de outras práticas de ensino, colocamos novamente as aulas na centralidade da experiência universitária. Com a possibilidade das aulas remotas “catalizadoras” de um “brilhante” futuro corremos o risco de um retrocesso mediado pela tecnologia. O problema não é o “híbrido” que já existia, mas sim o de escamotear a questão do que de fato será considerado a experiência universitária no futuro. Argumentos econômicos já surgem onde não é necessário, como a junção de turmas nas aulas online. Para que dar a mesma aula duas ou três vezes se é possível juntar numa turma só? Porque nenhuma aula é igual, as construções de significado são diferentes em momentos e turmas diferentes e o docente pode melhorar a mesma aula a cada vez que é dada e, se necessário, retomar as mudanças para a primeira turma na semana seguinte.

#

Ensino híbrido, portanto, não é coisa recente em seu conceito, e a aprendizagem remota, graças à tecnologia, povoa o imaginário ainda há mais tempo. Vejamos o trabalho do ilustrador Arthur Radebaugh (1906-1974), “engenheiro da imaginação” nos anos 1950 e da década seguinte, que influenciou a visão de progresso e de futuro de mais de uma geração nos EUA[III]. Suas tiras de quadrinhos eram publicadas aos domingos e destaco a que ilustra a coluna: “educação aperta botão”. O quadrinho se refere provavelmente a todos os níveis de ensino, mas a legenda exalta a possibilidade de que as “escolas de amanhã” terão mais alunos e menos professores. O ensino será por meio de aulas e avaliações remotas. Nota-se que essa visão é pré-internet: apenas a professora é remota, os alunos são presenciais socializando com máquinas. A internet de hoje, imprevisível na época, possibilita agora que todos estejam remotos.

Na discussão do que será nosso futuro é importante não se deixar seduzir apenas pelas possibilidades do enxoval tecnológico e sim lembrar o que significa a universidade e que presencial e virtual não são a mesma coisa. Caso contrário, preservaremos os anéis no lugar dos dedos. A coluna é cheia de opiniões, que não refletem necessariamente a opinião da universidade onde estou, mas precisamos é de evidências para discutir o futuro e as que temos são ainda poucas e enviesadas pela emergência que nos aflige.

Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Unicamp.


[I]https://www.theguardian.com/education/2021/jul/13/covid-has-been-a-big-catalyst-universities-plan-for-post-pandemic-life

[II] Importante no ensino superior e nas ciências: https://www.unicamp.br/unicamp/ju/artigos/peter-schulz/comunicacao-da-universidade-e-cantinas

[III] O link traz várias dessas ilustrações: https://designyoutrust.com/2018/12/closer-than-we-think-40-visions-of-the-future-world-according-to-arthur-radebaugh/

fecho

Este texto foi inicialmente publicado pelo Jornal da Unicamp [Aqui! ].

Corredor migratório de baleias-jubartes no litoral carioca é alvo de cientistas

Três expedições em alto mar devem ser realizadas este ano para registrar a “fila indiana” de jubartes rumo ao Nordeste brasileiro

unnamed (1)

Crédito: Liliane Lodi

A temporada de migração das baleias jubarte teve início com muitos registros de indivíduos no litoral carioca em meados de junho, incluindo as praias da zona sul. Mas, essa é apenas a ponta do iceberg: o verdadeiro corredor migratório, usado anualmente durante o inverno para alcançar os criadouros na região Nordeste do Brasil, ocorre em alto mar. É onde as jubartes adultas nadam em alta velocidade rumo ao nordeste do país, onde irão se reproduzir. Embora conhecido, esse corredor nunca foi estudado profundamente – e é exatamente esse o objetivo das pesquisas do Projeto Ilhas do Rio, conduzido pelo Instituto Mar Adentro – com a curadoria técnica do WWF-Brasil e patrocínio da Associação IEP e JGP.

As baleias-jubartes mais jovens se aproximam mais da costa do Rio de Janeiro e, por isso, são as mais avistadas pelos banhistas, remadores e barcos de passeio. Mas, a grande maioria dos animais, especialmente as adultas, passam mais afastados do litoral, em alta velocidade e em “fila indiana” – um fenômeno que já foi observado, mas nunca explorado pela ciência”, explica a Drª Liliane Lodi, bióloga do Projeto Ilhas do Rio e especialista em cetáceos. “Agora teremos a chance de registrar algo inédito”, destaca. Para favorecer a investigação científica, os cruzeiros incluirão cinegrafista com drone para captura das imagens aéreas da migração das baleias, a partir do final de julho.

Há tempos que os pesquisadores monitoram os padrões de ocorrência, distribuição, comportamento e movimentos dos cetáceos. O estudo, em andamento, já registrou a ocorrência de seis espécies de cetáceos: baleia-jubarte (Megaptera novaeangliae); baleia-de-bryde (Balaenoptera brydei); baleia-franca-austral (Eubalaena australis); orca (Orcinus orca); golfinho-de-dentes-rugosos (Steno bredanensis); e o golfinho -nariz-de-garrafa-comum (Tursiops truncatus).

Todas essas espécies estão no litoral carioca, mais especificamente na unidade de conservação federal, Monumento Natural das Ilhas Cagarras (MONA Cagarras) e na área compreendida entre a barra da Baía de Guanabara, praias da zona sul, ilhas e adjacentes. Esta região é reconhecida pela aliança internacional Mission Blue como um Hope Spot – extensão com grande abundância e diversidade de espécies, habitats ou ecossistemas, com populações raras, ameaçadas ou endêmicas que carecem de proteção – pois é crítica para a saúde dos oceanos.

“Esse estudo do corredor migratório é muito importante, pois gera dados de ocupação de seis espécies de baleias e golfinhos que ocorrem dentro da Unidade de Conservação e entorno. Além disso, são levantados dados sobre interação entre os golfinhos e baleias com o lixo flutuante, o que representa um risco para a fauna marinha. Os resultados sobre ocorrência e fidelidade dos cetáceos nesta Unidade de Conservação e áreas adjacentes serão apresentados ao órgão gestor”, detalha a Drª Lodi.

Vinicius Nora, analista de conservação do WWF-Brasil, explica que essas informações devem auxiliar em políticas públicas, de forma a diminuir a captura acidental, as colisões com embarcações e o vazamento de lixo plástico e outras formas de poluição, colaborando com a preservação das espécies. “O habitat marinho vem sofrendo de maneira crônica inúmeros impactos. Os dados da pesquisa corroboram a necessidade de olharmos atentamente e propor ações efetivas para a preservação da vida desses cetáceos, tão importantes do ponto de vista ecológico e para o engajamento da sociedade pela manutenção das unidades de conservação”, afirma.

Desenvolvido desde 2004 pela Dra. Lodi, este acompanhamento é hoje a linha de pesquisa com a maior série temporal na região, contendo dados e imagens de seis espécies de cetáceos que ocorrem na região fluminense. O monitoramento é realizado por meio de saídas em barco para as ilhas do MONA Cagarras e entorno para atualização do catálogo fotográfico dos animais individualmente identificados através de marcas naturais; análise do histórico de avistagem e reavistagem para determinar a fidelidade de área, residência e movimentos. Esse trabalho permite a ampliação da análise espaço-temporal da ocorrência, através da plotagem de informações em mapas, possibilitando uma interpretação da sua distribuição, a indicação de áreas importantes para a conservação e a conexão de dados com outras pesquisas e projetos.

As fotografias são examinadas para comparação com as pré-existentes no catálogo de indivíduos identificados através de programas de computador especializados. Os dados das avistagens são georreferenciados para a elaboração de mapas as áreas preferencialmente utilizadas pelos cetáceos. Além disso, os pesquisadores fazem análise das ameaças – interações com redes de pesca, a captura acidental de cetáceos devido à intensa atividade de pesca industrial e artesanal na área costeira, o tráfego intenso dos navios que causam poluição acústica, e ainda o lixo flutuante.

O estudo desenvolvido pela equipe da Drª Liliane foi tema de artigo publicado recentemente na revista Marine Ecology Progress Series. O texto destacou a influência de variáveis ambientais e antropogênicas no uso do habitat por baleias-jubarte (Megaptera novaeangliae) e baleias-bryde (Balaenoptera brydei) na costa da cidade brasileira do Rio de Janeiro. Os autores usaram técnicas de SIG (Sistema de Informação Geográfica) para modelar o uso do habitat dessas espécies de cetáceos na orla urbana da cidade do Rio de Janeiro, incluindo os ecossistemas insulares (Lodi e colaboradores, em 2020). Ali, os autores destacaram que as baleias jubarte usam o entorno das Ilhas do MoNa Cagarras como um corredor azul quando desembarcam das águas frias da Antártica para migrar para as mais quentes no Nordeste do Brasil.

Confira mais imagens no vídeo abaixo. Crédito Caio Salles
https://drive.google.com/file/d/1TlxtW3EpOy4szXw1VqoBYY6xL1cJY22k/view

Sobre o Projeto Ilhas do Rio
O Projeto Ilhas do Rio teve início em 2011 e tem como missão subsidiar órgãos tomadores de decisão com dados de pesquisas e monitoramentos de longo prazo, visando a proteção das ilhas da região fluminense, assim como conscientizar a sociedade sobre a importância da preservação ambiental e do uso sustentável de recursos, em especial do MONA Cagarras. É conduzido pelo Instituto Mar Adentro, com curadoria técnica do WWF-Brasil e patrocínio da Associação IEP e JGP.

Sobre o Instituto Mar Adentro
O Instituto Mar Adentro é uma organização ambiental, fundada em 2005. Tem a missão de promover, participar e fomentar ações para geração e promoção do conhecimento sobre os ecossistemas aquáticos, visando garantir a integridade dos processos naturais, o equilíbrio ambiental e o benefício dos cidadãos de hoje e das futuras gerações. Realiza diversas iniciativas voltadas para a sustentabilidade, incluindo o Projeto Ilhas do Rio desde 2011.

Sobre o WWF-Brasil
O WWF-Brasil é uma organização não-governamental brasileira e sem fins lucrativos que trabalha para mudar a atual trajetória de degradação ambiental e promover um futuro em que sociedade e natureza vivam em harmonia. Criada em 1996, atua em todo Brasil e integra a Rede WWF. Apoie nosso trabalho em wwf.org.br/doe

  

Políticas de manejo de fogo podem evitar incêndios florestais, orientam pesquisadores

queimada

bori
Por

Entre 2019 e 2020 os incêndios no Brasil chamaram a atenção do mundo, especialmente na Amazônia e no Pantanal, que perdeu quase 30% da sua área com a maior queimada registrada nas últimas duas décadas. Para atuar de forma eficaz contra esses incêndios, é preciso uma base de informações calcada em pesquisas científicas, agências governamentais com equipes bem treinadas e integração de políticas de manejo de fogo e terras. Essas são as orientações de pesquisadores da USP e de outras instituições em análise publicada na revista “Perspectives in Ecology and Conservation” na terça (20).

Os pesquisadores citam esses e outros itens como fundamentais para o desenvolvimento de abordagens eficazes de manejo do fogo nos biomas e ecossistemas do Brasil. Os investimentos em estrutura incluem o desenvolvimento de sistemas de monitoramento e programas de capacitação local para manejo do fogo, além de ações de divulgação e educação sobre conservação de recursos naturais para fomentar um entendimento mais profundo sobre o papel do fogo nos diferentes ambientes. O estudo teve apoio financeiro do Programa Biota/Fapesp e do CNPq por meio do Centro de Síntese em Biodiversidade (SinBiose) e do Edital PrevFogo/Ibama.

Segundo Vânia Pivello, uma das co-autoras do estudo, o fogo é um tema bastante polêmico. “Algumas pessoas são bastante contrárias ao uso do fogo, o que é compreensível pois ele pode ser muito destrutivo e danoso. Porém é muito importante que possamos discutir onde o fogo ocorre e como ele ocorre, pois os efeitos são completamente diferentes em cada ambiente”.

O Brasil possui biomas e ecossistemas com diferentes respostas ao fogo. Enquanto as florestas tropicais, como a Amazônia e a Mata Atlântica, são extremamente vulneráveis às queimadas, os campos naturais do Sul e o Cerrado são adaptados ao fogo, sendo que muitos de seus processos ecológicos dependem dele. Mesmo esses ecossistemas podem sofrer com as queimadas dependendo da sua frequência, tipo e intensidade.

Além de afetar a biodiversidade, regimes intensos de fogo podem prejudicar a qualidade do ar e o fornecimento de água de regiões. Os pesquisadores alertam que o risco de eventos graves de incêndio provavelmente aumentará no futuro, à medida que os efeitos das mudanças climáticas se tornam mais fortes e causam eventos climáticos mais extremos. Por isso, é importante aumentar a resiliência geral de nossos sistemas socioecológicos ao fogo.

Desde 2014 o Brasil conta com uma Estratégia de Manejo Integrado do Fogo que procura controlar a quantidade de material de fácil combustão e diminuir o risco de incêndios florestais. Ela integra as práticas tradicionais de gestão de incêndios das populações locais ao manejo do fogo, mas ainda não foi amplamente implementada em todo o país. Os pesquisadores apontam a necessidade de desenvolvimento de uma estratégia geral para lidar com o fogo em terras privadas, com uso controlado, quando for benéfico, e sem uso quando os efeitos negativos predominarem.

Pivello cita o Parque Nacional das Sempre Vivas, na região de Diamantina, Minas Gerais, como exemplo de aplicação de uma Estratégia de Manejo Integrado do Fogo. “As populações locais usam o fogo para manejo das sempre vivas, pequenas flores típicas da região, pois se acredita que o fogo possa estimulá-las a produzir mais flores”, explica Pivello. Num esforço conjunto, pesquisadores e gestores do Parque conseguiram chegar a um manejo de fogo adequado para conservar a biodiversidade e, ao mesmo tempo, permitir que a população local possa extrair seu sustento das flores.

fecho

Este texto foi originalmente publicado pela Agência Bori  [Aqui!]

Gênero e questão agrária são temas de primeiro debate da Série Brasil Rural

mulher reforma agrária

Na semana em que se celebra o Dia do Trabalhador Rural e da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, a Associação Brasileira de Reforma Agrária (ABRA), em parceria com a Friedrich-Ebert-Stiftung Brasil (FES Brasil), convidam todos a participarem do debate “Gênero e questão agrária: desafio das mulheres no Brasil rural”. A live será dia 22 de julho (quinta-feira) às 19h, com transmissão pelo canal do Youtube da FES Brasil.
 
📑 O debate faz parte da Série Brasil Rural, uma iniciativa entre a ABRA e a FES que reúne uma série de artigos que serão lançados a partir desse mês que analisam alguns dos principais desafios e contradições da questão agrária no Brasil. O texto inaugural, que subsidia o debate, chama-se “As Mulheres no Censo Agropecuário 2017”, de autoria de Karla Hora, Miriam Nobre e Andrea Butto.
 
💻 A live contará com a participação das três autoras e mediação de Yamila Goldfarb, da ABRA. Contamos com sua presença! Até lá!
 
🔗 Veja o texto completo: http://www.fes.de/cgi-bin/gbv.cgi?id=17954&ty=pdf