Número de bilionários cresceu em 2024, enquanto a miséria continua afligindo bilhões de pessoas, mostra relatório da OXFAM

A organização internacional Oxfam divulgou no domingo (20) um novo relatório alarmante sobre a crescente desigualdade econômica no mundo. Em um cenário onde a riqueza de bilionários atingiu um aumento impressionante de US$ 2 trilhões em 2024, a Oxfam prevê que, em uma década, pelo menos cinco pessoas podem se tornar trilionárias.

O relatório “Às custas de quem? – A origem da riqueza e a construção da injustiça no colonialismo” aponta que este aumento acelerado da riqueza de uma pequena elite está ocorrendo a uma taxa três vezes mais rápida do que no ano anterior, com quase quatro novos bilionários surgindo a cada semana.

Em 2024, o número de bilionários no mundo subiu para 2.769, um aumento de 204 pessoas em relação a 2023. Juntas, suas fortunas somam US$ 15 trilhões, um crescimento de US$ 2 trilhões em apenas 12 meses, representando o segundo maior aumento anual desde o início dos registros. A Oxfam aponta que, se a tendência continuar, o mundo poderá ver não apenas o primeiro trilionário, como previsto anteriormente, mas uma multiplicação desse número, com até cinco trilionários surgindo dentro da próxima década.

Enquanto isso, o número de pessoas vivendo na pobreza permanece alto, com dados do Banco Mundial indicando pouca mudança desde 1990. Este contraste, de acordo com a Oxfam, revela a disparidade crescente entre os mais ricos e os mais pobres, especialmente no contexto do Norte e Sul do mundo. Em 2023, o 1% mais rico dos países do Norte retirou US$ 30 milhões por hora dos países do Sul Global.

A Oxfam também denuncia que 60% da riqueza dos bilionários são provenientes de heranças, monopólios, favoritismo e/ou corrupção entre os mais ricos e governos. A concentração de riqueza nas mãos de poucos, sustentada por uma rede de privilégios históricos e heranças geracionais, é um dos principais fatores por trás da extrema desigualdade que marca a economia mundial, afirmou a organização.

Além disso, o relatório revela que os países do Norte Global continuam a controlar maior parte da riqueza mundial. Com 69% da riqueza global, 77% da riqueza dos bilionários e 68% dos bilionários residindo em países do Norte, essa concentração de poder econômico também se reflete nas desigualdades políticas e sociais.

Diante desse cenário, a Oxfam faz um apelo urgente aos governos para que tomem medidas para reduzir a desigualdade econômica e desmantelar a nova aristocracia dos super-ricos. A organização exige que os bilionários e as grandes fortunas sejam mais tributados, de modo a ajudar a financiar investimentos em áreas essenciais como saúde, educação e infraestrutura, especialmente em países mais pobres.

Acesse aqui o relatório completo.


Fonte: ANDES-SN

Queimadas no Brasil consumiram área de florestas maior do que a Itália em 2024, mostra relatório

Novo relatório diz que mais de 30 milhões de hectares foram queimados, 79% a mais do que em 2023, depois que o país sofreu a pior seca já registrada

Um carro dirigindo ao lado de um incêndio florestal

Um carro circulando por uma rodovia em uma área tomada por um incêndio florestal perto da cidade de Porto Velho, no estado de Rondônia, no Brasil, em 12 de setembro de 2024. Fotografia: Isaac Fontana/EPA

Por Tiago Rogero para o “The Guardian”

Depois de enfrentar sua pior seca já registrada em 2024, o Brasil fechou o ano com outro marco alarmante: entre janeiro e dezembro, 30,86 milhões de hectares de florestas foram queimados – uma área maior que a Itália.

O número divulgado no novo relatório é 79% maior do que em 2023 e o maior registrado pelo Fire Monitor desde seu lançamento em 2019 pelo MapBiomas, iniciativa de ONGs, universidades e empresas de tecnologia que monitora os biomas brasileiros.

Os dados podem causar constrangimento enquanto o Brasil se prepara para sediar a COP30 em Belém, capital do estado amazônico do Pará, em novembro.

Não só o estado foi o mais atingido pelos incêndios, respondendo por 24% da área total queimada, mas a Amazônia também foi o mais afetado dos seis biomas do Brasil, com 58%. A área queimada na Amazônia em 2024 excede o total queimado em todo o país em 2023.

“Foi um aumento absurdo”, disse Ane Alencar, coordenadora do MapBiomas, acrescentando que, pela primeira vez, as áreas de floresta foram as mais afetadas, superando campos e pastagens. “Uma vez que uma floresta é atingida pelo fogo, ela leva anos e anos para se recuperar… Se houver outra seca e essa floresta não for protegida, ela vai queimar de novo”, disse ela.

Os pesquisadores acreditam que a seca severa entre 2023 e 2024 — a pior desde que o governo começou a manter registros em 1950 — agravada pelo El Niño foi um fator decisivo no aumento dos incêndios florestais.

“Mas isso é apenas uma parte da equação. A outra envolve a atividade humana”, disse Alencar, apontando principalmente para o setor agrícola, que frequentemente usa fogo para limpar pastagens, assim como o desmatamento, que foi drasticamente reduzido no terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas ainda não foi erradicado.

“Também houve casos em que os incêndios simplesmente começaram no meio de uma floresta, o que sugere possível atividade criminosa”, disse o pesquisador.

Um bombeiro molhando árvores com água para apagar um incêndio

Bombeiros combatem um incêndio florestal em uma área da floresta nacional de Brasília em 4 de setembro de 2024 em Brasília, Brasil. Fotografia: Anadolu/Getty Images

No pico dos incêndios em setembro , havia suspeitas de que os incêndios poderiam ter sido parte de uma reação criminosa contra os esforços federais para reprimir o desmatamento e a mineração ilegal . A Polícia Federal abriu 119 investigações sobre suspeitas de incêndio criminoso somente em 2024 , um aumento em relação à média de 70 dos anos anteriores.

Alencar teme que 2025 possa ver um cenário semelhante. “Precisaríamos de uma estação chuvosa muito forte para realmente repor o solo, e isso ainda não aconteceu”, disse ela.

Apesar das estatísticas sombrias, ela diz que a culpa não pode recair sobre o governo Lula. “Se tivéssemos visto no ano passado o nível de desmatamento que tivemos em 2022 [quando o negacionista das mudanças climáticas Jair Bolsonaro estava no comando ], combinado com as condições climáticas de 2024, então teria sido o pior cenário possível”, disse ela.

“Uma conclusão clara é que a conservação florestal vai muito além do combate ao desmatamento. Também precisamos focar no combate às mudanças climáticas”, disse Alencar.


Fonte: The Guardian

Inauguração presidencial com saudação a Hitler: o primeiro dia do novo fascismo

É o primeiro dia da nova era fascista? A posse de Trump torna difícil para Friedrich Burschel não ver alguns paralelos

O CEO da Tesla e da SpaceX, Elon Musk, com uma saudação clara.

O CEO da Tesla e da SpaceX, Elon Musk, com uma saudação clara. Foto: AFP/ANGELA WEISS
Por Friedrich Burschel para o “Neues Deutschland” 

Hoje é particularmente difícil para mim não ver uma ligação entre as cartas de campo dos meus avós (1939-1943) e o que está acontecendo atualmente nos EUA como um salto para o fascismo alimentado pela grande tecnologia . O arrebatamento de milhões para o palhaço do terror chamado Donald Trump e sua comitiva bilionária é semelhante ao que minha avó Maria escreveu em 16 de março de 1942 – como um serviço religioso – sobre a transmissão da comemoração do herói com Hitler no rádio: “Isso me comoveu indescritivelmente . E como tantas vezes antes, fiquei diante de sua foto com um coração agradecido, suplicante e em oração. Então eu provavelmente cruzei minhas mãos com fervor e fé – então provavelmente coloquei minha cabeça nelas – então provavelmente sempre chorei um pouco.”

Só a tolice dos envolvidos em Washington, levada ao constrangimento e culminando na aparente saudação a la Hitler de Elon Musk , distingue a comédia difamatória fatal nos EUA da seriedade assassina do nacional-socialismo alemão no meio de uma guerra de destruição que tudo consome,

Adorno resumiu isso em 1967: “Não se deve tirar daí a conclusão primitiva de que o nacionalismo já não desempenha um papel decisivo porque está ultrapassado, mas, pelo contrário, acontece frequentemente que as crenças e “As ideologias assumem sua natureza demoníaca e verdadeiramente destrutiva precisamente quando não são mais realmente substanciais devido à situação objetiva. Também recupero o fôlego quando noto a rigidez imóvel em que tudo se encontra.” que estava apenas balbuciando sobre “democracia” e “democracia defensiva”. Nos EUA há poucos dias houve uma manifestação anti-Trump em Washington com “vários milhares” de opositores ao novo presidente. Um brinde aos poucos que estão de pé – mas onde estão os movimentos de massa? Onde está o protesto na Europa? Onde estamos? Onde estou?

Sebastian Haffner escreve apropriadamente em “História de um Alemão”: “A pessoa aborda a si mesma e ao mundo com uma ‘indiferença flácida’, uma disposição masoquista de simplesmente se entregar ao diabo. A burguesia está repleta deste perverso ‘desejo de auto-sacrifício’.” E tendo sempre dito isso e alertado contra isso, é mais provável que você ganhe uma reação negativa, como escreve Tadzio Müller: “Estar certo não pode comprar nada em um sociedade repressiva irracional, na pior das hipóteses “Você levará um tapa na boca por isso”.

O que precisamos fazer para acender as luzes a tempo ao cair da noite? Parece que é tarde demais para tantas coisas. Mas não teremos então de fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para nos prepararmos para os próximos ataques? Esperar que a sociedade civil os julgue nunca foi tão fatal como agora: as pessoas dos antigos partidos sentem a abertura da sua própria agenda reacionária – personificada em ninguém mais do que no futuro Chanceler Friedrich Merz – e não reparam que é o cheiro de sangue saindo da boca do monstro que está prestes a devorá-la. A política e o ativismo emancipatórios de esquerda radical significam agora organizar a auto-proteção, atacando politicamente até doer. O que diabos estamos esperando?


Fonte: Neues Deutschland

Relatório do governo dos EUA descobre que cerca de 30 milhões de seus habirantes enfrentam escassez hídrica

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Por Carey Gillam para o “The New Lede”

Quase 30 milhões de pessoas vivem em áreas dos EUA com abastecimento limitado de água, à medida que o país enfrenta preocupações crescentes sobre a disponibilidade e a qualidade da água, de acordo com uma nova avaliação feita por cientistas do governo.

O US Geological Survey (USGS), que faz parte do Departamento do Interior, emitiu o que disse ser um relatório inédito na semana passada, com o diretor do USGS, David Applegate, alertando sobre “desafios crescentes a esse recurso vital”. O relatório de 16 de janeiro, com base em dados de 2010 a 2020, examina não apenas os suprimentos de água, mas também os padrões de demanda e a qualidade da água. O relatório mostrou que a maior parte do país teve suprimentos que excederam a demanda durante o período examinado, mas tendências preocupantes foram observadas.

“A disponibilidade de água é um problema em todo os EUA e além”, disse Lori Sprague, gerente do programa nacional do USGS para a avaliação da disponibilidade de água, em um webinar apresentando o relatório. “Isso levanta a questão – temos água suficiente para sustentar a economia, os ecossistemas e o abastecimento de água potável da nossa nação?”

Entre as principais descobertas da nova análise estava que pessoas consideradas “socialmente vulneráveis” têm um risco maior de sofrer com suprimentos limitados de água. No geral, cerca de 27 milhões de pessoas viviam em áreas onde o USGS encontrou um “alto grau de estresse hídrico local”. E uma proporção maior de pessoas vivendo nessas áreas foi considerada socialmente vulnerável em comparação com aquelas vivendo em áreas com mais disponibilidade local de água, disse o USGS.

O relatório também acrescentou evidências de poluição generalizada em cursos d’água nas regiões do Centro-Oeste e das Planícies Altas dos EUA, onde níveis preocupantes de concentrações de nitrogênio e fósforo — associados em grande parte a grandes operações de criação de animais — podem representar uma ameaça à saúde humana.

O USGS disse que “áreas substanciais” de aquíferos que fornecem cerca de um terço do abastecimento público de água têm concentrações elevadas de contaminantes como arsênio, manganês, radionuclídeos e nitrato, e que comunidades de baixa renda e dominadas por minorias e pessoas com poços domésticos como fonte de água potável sofrem maior exposição a esse tipo de contaminação da água potável.

Várias regiões estavam consumindo suprimentos com porcentagens de concentrações de contaminantes que excediam os padrões de segurança para a saúde humana, informou o USGS.

E o relatório do USGS reforçou as preocupações sobre as mudanças climáticas, dizendo que o “aumento constante da temperatura global como resultado da atividade humana está causando mudanças no ciclo da água da Terra”.

“A quantidade de água armazenada dentro e se movendo entre os componentes de vapor, líquido e congelado do ciclo da água está mudando, com consequências substanciais para a disponibilidade de água”, disse o USGS.

O recém-empossado presidente Donald Trump expressou ceticismo sobre as mudanças climáticas e já começou a reverter medidas destinadas a reduzir os impactos nocivos do aquecimento do planeta.

As mudanças climáticas que impactam a disponibilidade de água incluem estações de inverno mais quentes e mais curtas, calor extremo, seca, tempestades de vento, redução da cobertura de neve. O USGS observou que as mudanças climáticas impactam a qualidade da água também, com ameaças à qualidade representadas pelo aumento da temperatura da água, inundações e intrusão de água salgada em áreas costeiras. Em alguns lugares, o equilíbrio entre oferta e demanda é adequado, mas o fluxo do rio é alterado de maneiras que são prejudiciais à comunidade ecológica local, disse o USGS.

A agência citou três espécies de peixes que são “de preocupação de conservação” e disse que uma grande porcentagem de seu habitat foi afetada por desequilíbrios de fornecimento e uso de água. Uma espécie, o Arkansas River Shiner, teve mais de 50% de sua área de habitat em grave desequilíbrio de fornecimento e uso, por exemplo.

A maior “variabilidade interanual” na precipitação durante o período de 2010–2020 foi observada nas regiões hidrológicas Califórnia–Nevada, Texas, Southern High Plains e Southwest Desert. E os níveis de água subterrânea foram considerados baixos em comparação com as médias históricas em aquíferos importantes dos quais milhões de pessoas dependem, da Califórnia à costa norte do Atlântico.

Os aquíferos das Planícies Altas continuaram a mostrar declínios, que o USGS observou serem parte de uma “longa história de esgotamento das águas subterrâneas na região”. Além disso, um mapa de estresse crescente nos suprimentos de água da superfície mostra condições particularmente terríveis nas Planícies Altas Centrais e do Sul, e no Texas.

Os agricultores que irrigam as plantações continuaram sendo os principais usuários do abastecimento de água dos EUA, respondendo por mais de 416,4 milhões de litros usados ​​por dia, em média, em 2020, disse o USGS.

O USGS vem estimando o uso da água há décadas, mas espera que suas novas abordagens de modelagem forneçam uma compreensão mais abrangente do uso da água nos EUA, disseram autoridades.


Fonte: The New Lede

Uso do glifosato impacta negativamente o desenvolvimento de bebês, aponta estudo

Aumento de agricultores que pulverizam glifosato está correlacionado com queda no peso de bebês no momento do nascimento, mostra estudo

A soja Round-up Ready tolera o herbicida glifosato e levou a um aumento maciço em seu uso. Jim West/Alamy

Por Erik Stokstad para a Science

Bebês em condados rurais dos Estados Unidos que usam glifosato, um herbicida comum nascem um pouco mais cedo e abaixo do peso , segundo um grande estudo. Essas mudanças, embora pequenas em média, podem resultar em deficiências de aprendizagem e um risco aumentado de infecção, relataram pesquisadores na semana passada no Proceedings of the National Academy of Sciences , resultando em mais de US$ 1 bilhão em custos de assistência médica em todo o país a cada ano.

É um estudo “muito convincente e rigoroso”, diz Eyal Frank, um economista ambiental da Universidade de Chicago que não estava envolvido. Para as crianças mais vulneráveis, em grupos historicamente desfavorecidos, o efeito foi significativamente maior. “Essa é a descoberta mais alarmante”, ele diz. Ainda assim, Frank e outros observam que a pesquisa não pode provar que o produto químico conhecido como glifosato é o culpado. Por um lado, o estudo não mediu diretamente a exposição individual ao ingrediente ativo do herbicida.

Mais de 127.000 toneladas de glifosato são pulverizadas em campos dos EUA a cada ano, e a Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA) e outras agências reguladoras dizem que é seguro usar com as devidas precauções. Mas algumas pesquisas sugerem que o glifosato pode interromper os hormônios reprodutivos em animais de laboratório. Em pessoas, um pequeno estudo em 2018 relacionou a exposição ao glifosato a uma gravidez ligeiramente mais curta.

Edward Rubin, economista ambiental da Universidade do Oregon, e o estudante de pós-graduação Emmett Reynier decidiram dar uma olhada ampla no efeito do glifosato. Com a introdução da soja geneticamente modificada para tolerar o glifosato em 1996, os agricultores puderam pulverizar o herbicida sem prejudicar suas plantações. Isso permitiu o controle barato e fácil de todos os tipos de ervas daninhas sem arar, o que corrói o solo. Nos anos seguintes, as plantas de milho e algodão tolerantes ao glifosato também passaram a dominar as terras agrícolas dos EUA.

Para procurar efeitos em bebês, Rubin e Reynier analisaram dados sobre tempo de gestação e peso ao nascer de mais de 10 milhões de bebês nascidos entre 1990 e 2013 em condados rurais. Eles compararam os dados de nascimento com quantidades estimadas de glifosato e outros agroquímicos pulverizados por quilômetro quadrado nos condados, publicados pelo US Geological Survey.

O baixo peso ao nascer é um importante preditor de problemas de saúde, como atraso no desenvolvimento cognitivo, e aumenta o risco de infecção e doenças não transmissíveis, como diabetes e doenças cardiovasculares.

Entre 1990 e 1996, não houve diferença no peso ao nascer ou na duração da gravidez entre os condados, descobriu a equipe. Depois que as culturas biotecnológicas chegaram ao mercado, no entanto, o peso ao nascer começou a cair em condados onde mais culturas biotecnológicas são cultivadas e pulverizadas com glifosato. Em 2005, os bebês nascidos em condados dominados por milho, soja e algodão biotecnológicos pesavam em média cerca de 30 gramas a menos do que aqueles nascidos em condados rurais que cultivam principalmente outros tipos de culturas nas quais o glifosato não é usado. Os bebês também nasceram 1,5 dias antes em lugares onde o glifosato era comum.

A quantidade de dados permitiu que os cientistas descartassem a possibilidade de que mudanças em outros herbicidas e agroquímicos estivessem em ação. Eles também consideraram outras possíveis influências no peso do bebê ao nascer, como o impacto do desemprego.

A mudança média no peso ao nascer — um pouco menos de 1% de declínio — é relativamente pequena. Mas Rubin observa que ela cancela o aumento do peso ao nascer visto em bebês quando suas mães recebem benefícios alimentares do governo que visam melhorar a saúde infantil, um programa que custa bilhões de dólares a cada ano.

Rubin e Reynier também estimaram os custos de saúde ao longo da vida do nascimento prematuro, incluindo cuidados pós-natais, educação especial e menores ganhos na idade adulta. Os custos gerais de saúde da redução média de 0,6% no tempo de gestação associada à exposição ao glifosato chegam a cerca de US$ 1,1 bilhão anualmente. Essa estimativa é “realmente nova e útil”, diz Carly Hyland, cientista de saúde ambiental da Universidade da Califórnia, Berkeley.  

A injustiça ambiental também está em jogo, diz Rubin. Filhos de pais negros ou solteiros tinham mais de 60 vezes mais probabilidade de ter baixo ou muito baixo peso ao nascer, com quase o dobro de redução de peso. “Isso sugere alguns efeitos realmente grandes”, diz Rubin.

Alguns estudos encontraram danos mais severos em outros países. Dois artigos publicados em 2023 encontraram taxas mais altas de mortalidade infantil e câncer infantil em áreas agrícolas no Brasil, onde as taxas de aplicação de glifosato são duas vezes maiores que nos EUA.

Cynthia Curl, cientista de saúde ambiental e epidemiologista da Boise State University, diz que “uma limitação importante” do estudo dos EUA foi sua dependência do uso de glifosato em todo o condado, em vez de dados de exposição individual. “Gosto de ver medições na mãe durante a gravidez”, acrescenta Lynn Goldman, pediatra e epidemiologista da George Washington University.

No entanto, os novos resultados devem preocupar os reguladores, diz Goldman. “A EPA definitivamente precisa analisar isso.” A segurança dos pesticidas aprovados deve ser reavaliada a cada 15 anos; a EPA atrasou sua revisão do glifosato e agora espera concluí-la no ano que vem. No entanto, a administração do presidente Donald Trump pode adiar ainda mais a revisão.

 

Fonte: Science
 

Parte do vasto sumidouro de carbono do Ártico virou fonte de emissões, revela estudo

Relatório mostra que estoques críticos de CO2 mantidos no permafrost estão sendo liberados à medida que a paisagem muda com o aquecimento global

Um rio e afluentes em pântanos inundados vistos do ar

Perto de Newtok, no Alasca, o derretimento do permafrost está fazendo com que o Rio Ninglick se alargue e eroda suas margens. Fotografia: Andrew Burton/Getty Images

Por Patrick Greenfield para o “The Guardian”

Um terço da tundra, florestas e pântanos do Ártico se tornaram uma fonte de emissões de carbono, segundo um novo estudo , à medida que o aquecimento global acaba com milhares de anos de armazenamento de carbono em partes do norte congelado.

Por milênios, os ecossistemas terrestres do Ártico têm atuado como um congelamento profundo para o carbono do planeta, mantendo vastas quantidades de emissões potenciais no permafrost. Mas os ecossistemas na região estão se tornando cada vez mais um contribuinte para o aquecimento global , pois liberam mais CO 2 na atmosfera com o aumento das temperaturas, concluiu um novo estudo publicado na Nature Climate Change .

Mais de 30% da região era uma fonte líquida de CO2 , de acordo com a análise, aumentando para 40% quando as emissões de incêndios florestais foram incluídas. Ao usar dados de monitoramento de 200 locais de estudo entre 1990 e 2020, a pesquisa demonstra como as florestas boreais, pântanos e tundra do Ártico estão sendo transformadas pelo rápido aquecimento.

“É a primeira vez que vemos essa mudança em uma escala tão grande, cumulativamente em toda a tundra. Isso é algo muito grande”, disse Sue Natali, coautora e pesquisadora líder do estudo no Woodwell Climate Research Center.

A mudança está ocorrendo apesar do Ártico estar se tornando mais verde. “Um lugar onde trabalho no interior do Alasca, quando o permafrost derrete, as plantas crescem mais, então às vezes você pode ter um aumento no armazenamento de carbono”, disse Natali. “Mas o permafrost continua a derreter e os micróbios assumem o controle. Você tem esse reservatório realmente grande de carbono no solo e vê coisas como o colapso do solo . Você pode ver visualmente as mudanças na paisagem”, disse ela.

O estudo surge em meio à crescente preocupação dos cientistas sobre os processos naturais que regulam o clima da Terra, que estão sendo afetados pelo aumento das temperaturas. Juntos, os oceanos, florestas, solos e outros sumidouros naturais de carbono do planeta absorvem cerca de metade de todas as emissões humanas , mas há sinais de que esses sumidouros estão sob pressão.

O ecossistema do Ártico, que abrange a Sibéria, o Alasca, os países nórdicos e o Canadá, vem acumulando carbono há milhares de anos, ajudando a resfriar a atmosfera da Terra. Em um mundo em aquecimento, os pesquisadores dizem que o ciclo do carbono na região está começando a mudar e precisa de melhor monitoramento.

Anna Virkkala, a principal autora do estudo, disse: “Há uma carga de carbono nos solos do Ártico. É quase metade do reservatório de carbono do solo da Terra. Isso é muito mais do que há na atmosfera. Há um enorme reservatório potencial que deveria, idealmente, permanecer no solo.

“À medida que as temperaturas aumentam, os solos também aumentam. No permafrost, a maioria dos solos ficou completamente congelada durante o ano inteiro. Mas agora que as temperaturas estão mais altas, há mais matéria orgânica disponível para decomposição, e o carbono é liberado na atmosfera. Esse é o feedback permafrost-carbono, que é o principal impulsionador aqui.”


Fonte: The Guardian

A histeria associada à posse de Donald Trump tem o propósito de esconder a decadência dos EUA como força imperial

Acompanhei hoje a cobertura da mídia brasileira e internacional da posse do presidente Donald Trump, e não tive como deixar de notar os tons de histeria com as possíveis consequências deste retorno ao posto máximo do executivo estadunidense.

Afora as evidentes consequências para os esforços de relações minimamente equilibradas, principalmente no tocante às mudanças climáticas, o retorno de Donald Trump não reflete nada mais do que o processo de decadência dos EUA enquanto potência hegemônica, seja econômica ou militar.  Essa decadência que começou com a primeira crise do petróleo de 1973 vem se acelerando de forma óbvia com seguidas crises, incluindo a da crise do subprime de 2008 que resultou em uma quebradeira inédita no sistema bancário global.

As promessas de Donald Trump para levantar os EUA soam mais ou menos como os esforços de Rómulo Augústulo, último imperador do Império Romano do Ocidente, para evitar a sua derrocada do primeiro sistema-mundo que acabou finalmente acontecendo 476 d.C.

Um primeiro obstáculo para as promessas de reindustrialização que Donald Trump EUA possuem hoje uma dívida púiblica monstruosa e isso será um obstáculo para o tipo de política industrial que seria necessária para que haja uma reversão na tendência de hegemonia chinesa em uma série de ramos industriais de ponta.

A própria promessa de que os EUA irão retomar uma política agressiva de exploração de combustíveis fósseis esbarra na realidade de que as reservas existentes já dão mais do que conta da demanda existente, a qual tende a diminuir em função do avanço da produção de carros elétricos, e justamente pela China. Quando Trump fala em explorar mais, ele não faz mais nada do que acenar para seus eleitores e financiadores.

Uma área de especial preocupação é a do combate aos efeitos das mudanças climáticas, pois Donald Trump deverá retirar novamente os EUA do Acordo de Paris, e também irá sabotar mais uma vez as conferências climáticas, como a que ocorrerá no Brasil em 2025. Mas também nessa área, a realidade deverá se impor aos anúncios de Trump, na medida em que áreas inteiras dos EUA continuarão sofrendo as piores consequências dos efeitos das mudas climáticas, a começar pela Flórida onde possui uma de suas maiores mansões. Há ainda que se lembrar que no primeiro mandato de Trump, muitas de suas regressões na área climática foram compensadas por contra-medidas nos estados. E isso deverá novamente ocorrer, pois está evidente que o território estadunidense possui várias regiões que estão sofrendo as piores consequências dos eventos climáticos extremos.

O fato é que muito da histeria que está acompanhando  a volta de Trump se deve ao fato de que os EUA possuem forças militares para causar grandes estragos em diversas partes do planeta.  E está também evidente que Trump não hesitará em apoiar agentes políticosque se prestam a defender de forma mais óbvia os interesses dos EUA nos diferentes continentes.  Mas também aqui, a coisa está longe de ser um passeio para Trump, na medida em que os EUA não são o único estado capaz de mobilizar forças militares ou aliados. A existência e fortalecimento dos BRICS é uma prova disso.

Os ecos da posse de Donald Trump no Brasil e as tarefas que estão postas

No caso do Brasil, o maior problema do governo Lula não é o possível apoio de Donald Trump a Jair Bolsonaro e sues aliados de extrema-direita. Basta ver o tratamento que foi dispensado a Michele e Eduardo Bolsonaro que foram barrados no baile para ver que Trump tem mais com que se preocupar do que com Jair Bolsonaro.

O problema real aqui é que a insistência do governo Lula de continuar aplicando um receituário neoliberal que o próprio Trump não é irá aplicar nos EUA. Assim, mais do que o fantasma de Donald Trump, o que o governo Lula precisaria enfrentar é o coração de suas próprias políticas fiscais que continuam jogando nas costas dos traballhadores o ônus de suas políticas de austeridade.

Como não há nenhum sinal de que o governo Lula irá abandonar suas políticas de austeridade, o papel das forças que entendem o risco que isso traz para a classe trabalhadora vão ter que agir para avançar propostas de ação, tanto na área dos direitos trabalhistas, mas também na área ambiental. As recentes catástrofes climáticas que afetaram o Brasil nesse início de 2025 são uma espécie de chamado à ação e me parece óbvio que não será aceitando o limiar da austeridade que isso será possível.

Alto uso de fertilizantes reduz pela metade o número de polinizadores, segundo estudo mais longo do mundo

Mesmo o uso médio de fertilizantes de nitrogênio reduziu o número de flores em cinco vezes e reduziu pela metade os insetos polinizadores

Uma abelha em uma flor de hawkbit. O estudo é o primeiro a mostrar que um aumento no uso de fertilizantes leva a uma queda no número de polinizadores, afetando as abelhas em particular. Fotografia: Kay Roxby/Alamy

Por Phoebe Weston para o “The Guardian”

O uso de altos níveis de fertilizantes comuns em pastagens reduz pela metade o número de polinizadores e drasticamente o número de flores, segundo uma pesquisa do experimento ecológico mais antigo do mundo.

Aumentar a quantidade de nitrogênio, potássio e fósforo aplicados em pastagens agrícolas reduziu o número de flores em cinco vezes e reduziu pela metade o número de insetos polinizadores, de acordo com o artigo da Universidade de Sussex e da Rothamsted Research.

As abelhas foram as mais afetadas – havia mais de nove vezes mais delas em terrenos sem produtos químicos em comparação com aqueles com os níveis mais altos de fertilizantes, de acordo com o artigo, publicado no periódico NPJ Biodiversity .

O pesquisador principal, o doutor Nicholas Balfour, da Universidade de Sussex, disse: “À medida que aumentamos os fertilizantes, o número de polinizadores diminui – essa é a ligação direta que, até onde sabemos, nunca foi demonstrada antes.

“Está tendo um efeito drástico em flores e insetos. O efeito cascata vai direto para a cadeia alimentar”, ele disse.

Isso ocorre principalmente porque os fertilizantes criam condições que permitem que gramíneas de crescimento rápido dominem, superando outras gramíneas e flores. É geralmente assumido que ter uma maior diversidade de flores leva a uma maior diversidade de polinizadores, que frequentemente têm requisitos especializados em termos das flores que gostam de visitar.

Um grande campo de feno com árvores ao longe
Pastagem no local de um dos experimentos de longo prazo em Rothamsted, Hertfordshire. Fotografia: Juliet Ferguson/Alamy

A pesquisa foi feita em Rothamsted, Hertfordshire, em faixas de pastagem chamadas Park Grass, que têm sido estudadas desde 1856 .

O uso médio de fertilizantes em pastagens no Reino Unido é de cerca de 100 kg para cada hectare. A maior quantidade no experimento foi de 144 kg por hectare, ao qual os maiores declínios de polinizadores (de 50% ou mais) foram vinculados.

Mesmo a terra espalhada com a quantidade média, no entanto, teve 42% menos polinizadores e cinco vezes menos flores do que a terra sem nenhuma. Os resultados foram mais pronunciados em parcelas tratadas com nitrogênio, o tipo de fertilizante mais amplamente usado . Os pesquisadores descobriram que as parcelas tratadas com uma mistura de fertilizantes excluindo nitrogênio mantiveram um número relativamente alto de polinizadores e flores.

Quase todas as pastagens no Reino Unido são “melhoradas” – o que significa que são fertilizadas até certo ponto. Apenas 1% a 2% das pastagens no Reino Unido são habitats ricos em espécies de alta qualidade, de acordo com o estudo. Nacionalmente, o Reino Unido perdeu 97% dos prados de flores silvestres desde a década de 1930, e estudos mostraram um declínio generalizado no número de insetos polinizadores .

Os pesquisadores também mediram a produtividade de cada parcela de pastagem pesando a quantidade de feno produzida no final da estação. Eles contaram polinizadores como abelhas, moscas-das-flores, borboletas, vespas e moscas em 18 faixas de terra sujeitas a diferentes tratamentos com fertilizantes.

Na última década, a demanda por fertilizantes agrícolas aumentou . O Professor Francis Ratnieks, um entomologista da Universidade de Sussex, disse: “Visitei o Park Grass há muitos anos e percebi a oportunidade única que ele oferecia para estudar o efeito da fertilização de pastagens em flores silvestres e abelhas.

Um trator espalhando fertilizante em um campo enorme sem sebes visto de cima

Os agricultores enfrentam um dilema: para obter mais espécies de plantas com flores e polinizadores, a terra precisa ser menos fértil, o que reduz os rendimentos. Fotografia: Nigel Francis/Alamy

“Considerando o foco atual no uso de fertilizantes e os declínios substanciais no número de polinizadores nos últimos anos, este estudo não poderia ter vindo em melhor hora, pois buscamos entender como os proprietários de terras podem ajudar melhor as abelhas e outros polinizadores por meio de áreas de pastagens abertas”, disse ele.

Este estudo ilustra o problema que os agricultores enfrentam: para obter mais espécies de plantas com flores e polinizadores, a terra precisa ser menos fértil, o que reduz a produtividade.

“Nossa descoberta mais importante e desafiadora é a existência de um trade-off entre a diversidade de flores e polinizadores e o rendimento das pastagens”, afirmam os pesquisadores no estudo. Eles destacam a necessidade de incentivos financeiros no Reino Unido e na UE para apoiar práticas agrícolas favoráveis ​​à biodiversidade.

IMG 5479 Pansie usou plantas reprodutoras e declínio de polinizadores
Flores ‘desistem’ de insetos escassos e evoluem para se autopolinizar, dizem cientistas
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Balfour disse: “Embora a redução de rendimentos não seja normalmente considerada algo bom, a redução da intensidade da produção de pastagens tem o potencial de concretizar muitos dos benefícios da paisagem multifuncional.” Isso inclui beneficiar polinizadores, melhorar a saúde do solo, melhorar a qualidade do ar e mais resiliência a eventos climáticos extremos.

O doutor Philip Donkersley, pesquisador sênior em ecologia e evolução na Universidade de Lancaster, que não estava envolvido no estudo, disse: “O que é interessante e novo aqui são os prazos. Normalmente, nossos estudos sobre isso duram de quatro a cinco anos. Isso está se aproximando de 150 anos de aplicação de fertilizantes químicos e orgânicos e, portanto, reflete muito mais o que vem acontecendo nas fazendas britânicas.”


Fonte: The Guardian

Com 99% do Pantanal suscetível a perder espécies de anfíbios, são necessárias mais áreas de proteção

Somente 13,7% das áreas de proteção tiveram bom desempenho na proteção de anfíbios – a maioria são terras indígenas

Mais de 80% das espécies de anfíbios do Pantanal e região terão seus habitats reduzidos até 2100, como consequência das mudanças climáticas. A perda das espécies semiaquáticas deve ocorrer em 99% da Bacia do Alto Paraguai — estimativas preocupantes, agravadas pela falta de impacto de áreas protegidas (APs) existentes (unidades de conservação e terras indígenas). As APs cobrem 6% da região e protegem menos de 5% da distribuição geográfica dos anfíbios. As conclusões foram publicadas por pesquisadores das universidades federais da Paraíba (UFPB), de Mato Grosso (UFMT), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em parceria com outras instituições, na revista científica “Journal of Applied Ecology” nesta quinta (16).

A equipe chegou às estimativas a partir de registros de ocorrência de espécies de anfíbios da Bacia do Alto Paraguai, considerando dados climáticos e topográficos, modelos de distribuição de espécies e dados de 73 unidades de conservação da região. O estudo buscou analisar a capacidade das atuais áreas protegidas de abrigar a biodiversidade, além de aplicar ferramentas de planejamento sistemático de conservação — um algoritmo de busca inteligente — para identificar áreas prioritárias para expansão e maior proteção possível da fauna semiaquática.

Somente 13,7% das APs existentes tiveram desempenho acima de áreas escolhidas aleatoriamente na proteção de anfíbios, a maioria sendo terras indígenas. Além disso, a análise apontou que apenas 12% das áreas de proteção estão em locais com grande diversidade, conforme explica o primeiro autor do estudo, Matheus Oliveira Neves: “As demais áreas foram estabelecidas há muito tempo, quando ainda não havia estudos suficientes, sendo escolhidas por sua beleza ou ancestralidade. Não levaram em consideração as espécies que estavam protegendo”, explica.

Portanto, é necessário aumentar as áreas de conservação no Pantanal — e as regiões prioritárias, segundo o estudo, seriam suas porções norte e oeste, especialmente em regiões de altitude nas transições com o Cerrado brasileiro, e ao sul, próximo ao Chaco paraguaio.

Ampliar as áreas protegidas é, inclusive, uma das metas que compõem o Quadro Global de Biodiversidade Pós-2020, proposto pela Convenção sobre Diversidade Biológica, da qual o Brasil participa. O autor sênior, Mario R. Moura, ressalta: “É a Meta 30×30, que propõe expandir as APs de 17% para 30% das superfícies de terra, mar e águas interiores até 2030. Se implementada, poderia garantir a proteção de quase 50% da área de ocorrência dos anfíbios no Pantanal, um avanço 10 vezes superior à proteção oferecida pela rede atual de áreas protegidas”.


Fonte: Agência Bori

Queimadas em Florestas Não Destinadas da Amazônia cresceram 64% no último ano

Área de floresta pública atingida pelo fogo em 2024 foi equivalente ao território de El Salvador. Análise foi feita pelo IPAM

Queimadas na Amazônia se intensificam entre agosto e outubro. Foto: Greenpeace

Por Cristiane Prizibisczki para o “OECO” 

Análise divulgada nesta sexta-feira (17) pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) mostra que os incêndios em Florestas Públicas não Destinadas na Amazônia cresceu 64% em 2024, quando comparado com o ano anterior.

Segundo a análise, 2,4 milhões de hectares foram queimados dentro dessas porções florestais ainda preservadas que, por não terem destino ainda definido pelo governo – não foram transformadas em unidade de conservação, Terra indígena, Quilombola ou destinada à privatização – são os principais alvos de crimes como ocupação irregular, desmatamento e fogo.

A área queimada é equivalente ao território de El Salvador ou todo o estado de Sergipe. Setembro de 2024 foi o mês que mais concentrou o fogo, queimando 756,3 mil hectares – foi a maior área queimada já registrada em florestas públicas não destinadas em um único mês desde 2019 pelo Monitor do Fogo, iniciativa coordenada pelo IPAM na rede MapBiomas.

Os pesquisadores do IPAM reforçam a preocupação sobre a situação dessas áreas, que viram o fogo aumentar, mesmo com a redução de 20% no desmatamento registrado em 2024, em relação ao ano anterior.

“A grilagem de florestas públicas não destinadas ainda é o motor da destruição da Amazônia brasileira. O desmatamento e o fogo fazem parte do mesmo processo de ocupação ilegal de terras públicas. As áreas queimadas em 2024 já haviam sido desmatadas antes, e assim ocorre sucessivamente. É por isso que a redução do desmate deve ser acompanhada de políticas como a destinação destas florestas, para ser uma solução sustentada”, diz Paulo Moutinho, pesquisador sênior do IPAM.


Fonte: oeco