Foto da Assembleia da fábrica Putilov em apoio à Revolução, Petrogrado, julho de 1920
Durante o ato realizado no dia de ontem para relembrar a tentativa de golpe de estado ocorrido no dia 08 de janeiro de 2023, o presidente Lula reservou uma parte do seu discurso para apontar para uma suposta ausência de trabalhadores no processo revolucionário que materializou a Revolução de 1917. Nesse sentido, o presidente Lula disse que “Se você pega a fotografia da Revolução Russa de 1917, não tem um operário na foto (…) porque historicamente sempre se pensou que trabalhador não prestava para nada a não ser para trabalhar”.
Como o presidente Lula não é uma pessoa desinformada sobre processos revolucionários, a menção à ausência de trabalhadores no processo revolucionário russo aparentemente se presta a dois tipos de exercícios retóricos. O primeiro é de colocar em xeque o papel dos intelectuais na formulação de ideias e programas que possam alavancar a luta dos trabalhadores, inclusive para impulsionar a realização de processsos revolucionários. O segundo parece estar ligado que o modelo burguês de democracia é uma espécie de ápice do que se pode fazer em termos de organizar a relação social dos seres humanos. Algo como sentido do que foi expresso pelo filósofo alemão Georg Hegel que via no Estado uma espécie de superiodade moral sobre formas anteriores de organização política da sociedade.
Eu nem vou perder tempo com o primeiro exercício sobre os intelectuais, pois Lula já expressou posições de desdém contra os intelectuais, apesar de ter tido sempre o apoio destes para sua própria formação e para a criação do Partido dos Trabalhadores (PT). A questão que me parece mais importante é a defesa da democracia burugesa como ápice, pois ao fazer isso, Lula indica aos membros do PT que não há espaço para transgressões do tipo da Revolução Russa e que o negócio é manter tudo como está no quartel de Abrantes.
O problema é que para fazer isso, teremos ainda mais ataques contra os direitos dos trabalhadores, na medida em que o modelo de democracia burguesa, especialmente o praticado no Brasil, se encaminha para ampliar ao limite o processo de concentração da riqueza nas mãos de uma ínfima minoria de pessoas, os chamados ultrarricos. E para isso se manter nos moldes democráticos burgueses vigentes, um grau ainda maior de violência será aplicado contra a classe trabalhadora.
Mas eu estou devendo uma indicação de leitura para o presidente Lula que é um homem dos livros. Eu estou pensando em comprar uma cópia do livro “Os 10 dias que abalaram o mundo” do jornalista estadunidense John Reed para enviá-la para Lula. Afinal, para quem leu o livro, como o fiz há mais de 40 anos, a mera ideia de que os trabalhadores russos foram meros espectadores da primeira revolução operária do mundo é pulverizada.
Eu não tenho ilusão de que a leitura do livro de Reed irá mudar a posição ideológica de Lula. Mas como ele é uma pessoa inteligente, a minha expectativa é de que se ele ler, não volte a desafiar a inteligência alheia daqueles que sabem minimamente como ocorreu a Revolução Russa.
E antes que me esqueça, John Reed foi um dos fundadores do Partido Trabalhista Comunista da América e participou, pouco antes de sua morte, do congresso do III Internacional Comunista, que advogava pelo comunismo internacional, na capital russa.
No dia 11 de dezembro de 2024, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) divulgou os resultados do Para (Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos) referente a 2023. Foram avaliadas 3.294 amostras de alimentos, coletadas em 76 cidades brasileiras.
O objetivo do programa é verificar a presença de resíduos de agrotóxicos nos alimentos e identificar possíveis riscos à saúde humana. As amostras são retiradas diretamente das prateleiras de supermercados e submetidas a análises em laboratórios, que utilizam métodos científicos reconhecidos a nível global.
Ao todo, 14 tipos de alimentos foram examinados, representando 31% do consumo de produtos de origem vegetal no Brasil.
Abacaxi
Alface
Alho
Arroz
Batata-doce
Beterraba
Cenoura
Chuchu
Goiaba
Laranja
Manga
Pimentão
Tomate
Uva
As análises buscaram resíduos de 338 agrotóxicos diferentes, incluindo substâncias nunca autorizadas e aquelas já proibidas no país.
Risco agudo (em 24h após o consumo)
Foram encontradas 22 amostras, representando 0,67% do total, com possível risco à saúde do consumidor. O abacaxi e a laranja se destacaram como as frutas com o maior número de amostras apresentando risco agudo: o abacaxi tinha sete amostras e a laranja, seis.
Risco crônico (ao longo de toda a vida)
Nas avaliações, não foi identificado risco crônico. Para esse tipo de risco, a Anvisa considera tanto os dados atuais quanto os dos últimos dez anos do programa. A análise leva em conta o consumo diário dos alimentos ao longo da vida, incluindo os que contêm agrotóxicos autorizados, mas não monitorados, como a cana-de-açúcar, consumida principalmente como açúcar processado.
Recomendações para minimizar riscos
Não é preciso parar de consumir o que vem do campo. A ingestão das vitaminas e minerais pode ser compensada variando a alimentação por sazonalidade e optando por produtos orgânicos, o que reduz o risco de ingestão de agrotóxicos. Estas substâncias também podem ter seu teor reduzido com a higienização correta dos vegetais, principalmente dos que serão consumidos crus e com a casca.
Lave os alimentos com água corrente para retirar as sujidades e excesso de compostos químicos. Depois faça uma imersão com 1 litro de água e 1 colher (sopa) de água sanitária, deixe por 15 minutos e em seguida enxague bem. Apesar de só ter efeito na parte externa dos vegetais, essa higienização reduz a níveis seguros os microrganismos e formas parasitárias neles encontrados.
O cozimento também ajuda a reduzir os níveis de agrotóxicos, mas não os elimina. O ideal é cozinhar no vapor e com a casca, método que mantém mais minerais do que a cocção por ebulição dos vegetais descascados.
Atualmente já conhecemos quais são os vegetais que sofrem maior ataque de pragas durante o cultivo e por isso recebem maior quantidade de agrotóxico. Já apareceram no topo do ranking em pesquisas anteriores do Para: morango, pepino, mamão, pimentão, goiaba, cenoura, tomate, alface e uva.
Em novembro, Álvaro Noboa, o pai do presidente do Equador, Daniel Noboa, teveum ataque cardíaco. Ele foi levado às pressas para uma clínica em Guayaquil, sua cidade natal, e depois que ele foi estabilizado, levado de avião para um hospital em Nova York. Álvaro Noboa concorreu sem sucesso para presidente cinco vezes (1998, 2002, 2006, 2009 e 2013), mas foi seu filho que prevaleceu em 2023 aos 35 anos. O que define a família Noboa não é o cargo político, mas a riqueza daNoboa Corporation. O Grupo Noboa foi formado a partir da Bananera Noboa SA, criada em 1947 por Luis Noboa Naranjo, o avô do atual presidente. Bananera Noboa expandiu-se, graças a Álvaro, para a Exportadora Bananera Noboa, que é o coração do império bilionário do Grupo no Equador (população de 18 milhões, um terço dos quais vive abaixo de uma linha de pobreza abismalmente baixa). O nome da empresa expandida tem duas palavras que descrevem o domínio da família Noboa sobre a economia equatoriana e sobre sua vida política: a exportação ( exportadora ) de bananas ( bananera ).
Comércio de banana
Outros países, além do Equador, produzem uma parcela muito grande do produto de banana do mundo. A Índia produz mais de um quarto das bananas, enquanto a China produz um décimo. Mas esses não são países exportadores de banana porque têm enormes mercados domésticos para bananas. Mais de 90% das bananas exportadas do mundo vêm da América Central e do Sul, bem como das Filipinas. O Equador, que produzapenas um pouco mais de 5% da produção mundial de banana, exporta 95% de sua produção, perfazendo 36% das bananas exportadas do mundo (a Costa Rica vem em seguida, com 15%). O Grupo Noboa é a maior empresa de banana do Equador e, portanto, uma das empresas mais importantes na exportação de bananas globalmente. Os maiores importadores de bananas são a União Europeia (5,1 milhões de toneladas), os Estados Unidos (4,1 milhões de toneladas) e a China (1,8 milhões de toneladas). A Europa e os Estados Unidos estabeleceram fornecedores na América Central e do Sul (Colômbia, Costa Rica, Equador e República Dominicana), e nenhum deles sofre grandes escassez de suprimentos.
A China enfrentou problemas com seus principais fornecedores, Camboja e Filipinas (dos quais adquiriu 50% de suas bananas importadas). Por exemplo, o Camboja foi devastadopelo El Niño, resultando em menos precipitação, maior esgotamento da umidade do solo e aumento de pragas resistentes a pesticidas. Esse fenômeno de mudança climática prejudicou a produção de banana tanto no Camboja quanto nas Filipinas. Esta é a razão pela qual os importadores chineses investiram na expansão das plantações de banana na Índia e no Vietnã, dois fornecedores emergentes para o mercado chinês. Mas não há substituto para as bananas equatorianas.
Mercado Chinês
Entre 2022 e 2023, as exportaçõesde bananas do Equador para a China aumentaram em 33%. No entanto, o problema com as bananas equatorianas é que a viagem da América do Sul para a China aumentou o valor médio da unidade de importação para US$ 690 por tonelada. Isso significa que, para o mercado chinês, as bananas do Equador são 41 vezes maiscaras do que as bananas do Vietnã. Nos últimos cinco anos, os comerciantes de bananas da China e do Equador, e seus governos, tentaram reduzir o custo das bananas para exportação para a China.
Primeiro, os dois países assinaram um acordode livre comércio em maio de 2023 que garantiu que 90 por cento dos bens comercializados entre os países seriam livres de tarifas e que quaisquer tarifas sobre bananas seriam eliminadas na próxima década. A China já é o maior parceiro comercial do Equador. Espera-se que as empresas chinesas invistam no processamento e na capacidade de produção industrial dentro do Equador para fazer produtos a partir das bananas antes que a fruta navegue.
Em segundo lugar, os chineses estão ansiosos para reduzir o tempo de embarque entre a América do Sul e a China, o que significa garantir atualizações nos portos em ambas as extremidades. O governo chinês atualizou oPorto de Dalianna Província de Liaoning e oPorto de Tianjinem Tianjin. Ambos os portos são capazes de transportar navios de contêineres de doca a doca em mais de 25 dias, o que é uma semana mais rápido do que outras rotas. O novo porto peruano em Chancay, construído com investimento chinês, permitirá que mercadorias da Bolívia, Brasil e Peru viajem muito rápido de e para a China, enquanto os portos equatorianos atualizados de Puerto Guayaquil e Puerto Bolívar já garantem o trânsito rápido de mercadorias do Equador. Enquanto isso, o governo colombiano e o governo chinês estão considerando a expansão do porto de Buenaventura e a construção de um “canal seco” para ligar os portos do Pacífico (Buenaventura) e do Atlântico (Cartagena) por uma ligação ferroviária; isso seria um desafio direto ao Canal do Panamá, que é talvez o motivo pelo qual Donald Trump fez seudiscursosobre colocar esse canal sob controle direto dos EUA.
Terceiro, os comerciantes de bananas em ambos os lados do Pacífico têm trabalhado para atualizar seus portos para que sejam instalações de armazenamento para produtos da cadeia fria (como frutas e vegetais) e manufatura leve para que valor possa ser adicionado a eles por meio do processamento. Com armazéns para contêineres refrigerados, há menos desperdício e maior pressa em deixar as mercadorias prontas para a longa jornada.
Com os supermercados europeus impondoum corte nos preços das bananas, os exportadores da América Central e do Sul estão ansiosospara enviar suas bananas para a China. Mas isso não é só sobre bananas.
Guerra da Banana Fria
O governo dos Estados Unidos considerou uma afronta pessoal que empresas chinesas e o estado chinês estivessem envolvidos em atividades econômicas na América Latina. Em 2020, os Estados Unidos bloquearamuma empresa chinesa de desenvolver o porto de La Unión no Oceano Pacífico em El Salvador. Mas este ano, foi impossível impedir o Peru de participarda atualização de US$ 3,6 bilhões no porto de Chancay, também no Pacífico. Em comparação, em maio de 2023, os Estados UnidosprometeramUS$ 150 milhões como crédito para atualizar as Operações do Terminal Yilport, administradas pela Turquia, no porto de Puerto Bolívar, no Equador. A chegada de caros projetos chineses da Iniciativa do Cinturão e Rota (BRI) na América do Sul agora é um fato.
O governo dos EUA só agora começou a investir em seus próprios portos (na quantia de US$ 580 milhõesprometidos em novembro de 2024, uma ninharia comparado ao que é necessário). Em novembro de 2023, os Estados Unidos lançaram a Parceria das Américas para a Prosperidade Econômica, cuja intenção é contestar a BRI da China na América Latina. No entanto, a Parceria tem apenas US$ 5 milhões como acelerador, o que é uma quantia vergonhosamente pequena de dinheiro. Colômbia, Equador e Peru — todos os três envolvidos nos projetos da BRI — são membros da Parceria, mas os ganhos que obtêm com isso são mínimos.
A história parece terminar onde sempre termina. Incapazes de competir em termos comerciais, os Estados Unidos trazem sua cavalaria para a batalha. O presidente Noboa deu aos EUA permissão para usar as Ilhas Galápagos, ambientalmente frágeis, como uma base militar para conduzir vigilância na área.
A família Noboa sabe uma coisa ou duas sobre usar a força em vez de conduzir uma negociação honesta. Quando os trabalhadores de suas plantações organizaram um sindicato para lutar pelo fim do trabalho infantil (documentadopela Human Rights Watch) e para garantir que a Constituição equatoriana fosse honrada, a corporação Noboa se recusou a se envolver com eles. Doze mil trabalhadores da plantação de Los Álamos entraram em greve em 6 de maio de 2002. Dez dias depois,homens armadosentraram nas casas dos trabalhadores, detiveram os organizadores e os torturaram (um foi morto). Eles ameaçaram os trabalhadores de que, se não parassem a greve, colocariam cerca de 60 deles em um contêiner e o despejariam em um rio próximo. Eles atiraram nos trabalhadores, ferindo muitos deles. Mauro Romero, cuja perna teve que ser amputada, não recebeu nada de seus empregadores; foi o sindicato que pagou suas contas. Isso foi sob a supervisão do pai do presidente Noboa e seu ministro da agricultura (Eduardo Izaguirre). Mas, independentemente de onde a história parece terminar, esses homens entendem a realidade atual: eles negociarão com a China, mas cederão parte de seu território aos Estados Unidos para uma base militar.
O livro mais recente de Vijay Prashad (com Noam Chomsky) é The Withdrawal: Iraq, Libya, Afghanistan and the Fragility of US Power (New Press, agosto de 2022).
A Nature analisa se o pico de temperatura é uma anomalia ou uma tendência duradoura — e preocupante
A temperatura da Terra vem subindo há décadas. Crédito: Mark J. Terrill/AP/Alamy
Por Jeff Tollefson para a Nature
A temperatura da Terra aumentou nos últimos dois anos, e os cientistas do clima anunciarão em breve que ela atingiu um marco em 2024:subindo para mais de 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais. Mas esse pico repentino é apenas um ponto nos dados climáticos ou um indicador precoce de que o planeta está esquentando em um ritmo mais rápido do que os pesquisadores pensavam?
Essa questão tem estado no centro de vários estudos, bem como de uma sessão na reunião do mês passado da American Geophysical Union (AGU) em Washington DC. Alguns cientistas argumentam que o pico pode ser explicado principalmente por dois fatores. Um é o evento El Niño que começou em meados de 2023 — um padrão climático natural no qual a água quente se acumula no Oceano Pacífico tropical oriental, muitas vezes levando a temperaturas mais altas e clima mais turbulento. O outro é uma redução nos últimos anos na poluição do ar, que pode resfriar o planeta refletindo a luz solar de volta para o espaço e semeando nuvens baixas. No entanto, nenhuma das explicações é totalmente responsável pelo aumento da temperatura, dizem outros pesquisadores.
As nuvens claramente desempenharam um papel, de acordo com um estudo publicado na Science em dezembro, pouco antes da reunião da AGU 1. Uma equipe de pesquisa identificou uma redução na cobertura de nuvens baixas em partes do Hemisfério Norte e nos trópicos que, combinada com o El Niño, foi grande o suficiente para explicar o pico de temperatura em 2023. Mas a causa dessa diminuição — e se ela pode ser atribuída a variações climáticas normais — continua sendo um mistério, dizem os autores. A diminuição da poluição do ar por si só não parece explicar isso. Eles sugerem que o aquecimento global em si pode estar causando alguma redução na cobertura de nuvens, criando um ciclo de feedback que pode acelerar a taxa de mudança climática nas próximas décadas.
“Eu teria muito cuidado ao dizer que isso é uma evidência clara [de aceleração], mas pode haver algo acontecendo”, diz o coautor Helge Goessling, um físico climático do Instituto Alfred Wegener em Bremerhaven, Alemanha.
Picos de temperatura global já aconteceram antes. Por que os cientistas estão tão preocupados com isso?
Um dos motivos é que as temperaturas globaisestavam fora do comum em 2023, com uma média de 1,45 °C de aquecimento acima da linha de base pré-industrial (veja ‘Surto de temperatura’), quebrando recordes anteriores. Esse nível de aquecimento está fora do intervalo do que os cientistas esperavam com base em tendências e modelos anteriores.
Fonte: Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus/Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo
Outro motivo é que o ano passado também foi muito mais quente do que o esperado. Cientistasprojetaram que o início de 2024 seria quente devido ao El Niño. Mas eles também previram que as temperaturas cairiam depois que o padrão climático diminuísse e as condições no Pacífico equatorial retornassem ao normal em junho passado.
“Isso não aconteceu”, diz Zeke Hausfather, um cientista climático da Berkeley Earth, uma organização sem fins lucrativos na Califórnia que monitora as temperaturas globais. Em vez disso, as temperaturas globais permaneceram elevadas, quebrando mais recordes e provavelmente tornando o ano passado o mais quente já registrado por uma margem considerável. “Todos nós que fizemos projeções no início do ano subestimamos o quão quente 2024 seria.”
Há evidências de aceleração?
Alguns dizem que o pico massivo de temperatura pode acabar sendo um pontinho nos dados climáticos, devido em grande parte às novas regulamentações que abrangem a poluição do ar por navios oceânicos. Em 2020, a Organização Marítima Internacional das Nações Unidas implementou uma regra que exige uma redução de 80% nas emissões de enxofre de navios que navegam em águas internacionais. Uma análise de imagens de satélite, publicada em agosto, sugere que houve uma clara redução nos rastros de navios 2 , que são formados quando partículas de poluição contendo enxofre semeiam névoas baixas. As mudanças parecem se correlacionar com a redução mais ampla na cobertura de nuvens identificada pela equipe de Goessling.
“É quase uma prova cabal”, diz Andrew Gettelman, um cientista climático do Pacific Northwest National Laboratory em Richland, Washington. Se for verdade, diz Gettelman, isso indicaria que o recente pico de temperatura pode ser um fenômeno único, impulsionado por mudanças de curto prazo na poluição e um poderoso El Niño.
Gratuito, livro foi elaborado por pesquisadores que têm se debruçado sobre os impactos da inteligência artificial generativa (IAG) na pesquisa acadêmica e no ensino
Por Camille Bropp para a UFPR
Lançado em dezembro pela Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom) e já disponível para download, o livro “Diretrizes para o uso ético e responsável da Inteligência Artificial Generativa“ busca discutir e promover o uso producente da inteligência artificial (IA) generativa no mundo acadêmico.
A obra tem entre seus autores o professor e pesquisador do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Rafael Cardoso Sampaio. Os outros autores são Marcelo Sabbatini, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), e Ricardo Limongi, da Universidade Federal de Goiás (UFG).
Segundo eles, a premissa do livro é “desmistificar o entusiasmo exagerado (hype) em torno da tecnologia, assim como os temores infundados”. Assim, tem como objetivo ser um guia prático e de fácil consulta em meio à ausência de materiais similares no Brasil.
O e-book aborda dos princípios de funcionamento e aplicações práticas da tecnologia às possibilidades de uso em diferentes fases da pesquisa acadêmica. Também aprofunda a discussão sobre as atuais limitações da IA, entre eles os vieses e os riscos à privacidade e integridade acadêmica, assim como a necessidade de preservação da agência humana e do uso eticamente orientado.
A publicação tem apoio da Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP) e da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (Anpocs), que reconhecem a importância do debate sobre os impactos da IA nas pesquisas acadêmicas e a necessidade de maturação da discussão.
A área queimada no Brasil de janeiro a novembro de 2024 quase dobrou em relação ao mesmo período do ano passado, totalizando um território equivalente a todo o estado do Rio Grande do Sul. Os dados são da mais recente edição do Monitor do Fogo, do MapBiomas. Ao todo, 29,7 milhões de hectares foram queimados no período – um aumento de 90% em relação ao mesmo período de 2023 e a maior extensão dos últimos seis anos. A diferença em relação ao ano passado é de 14 milhões de hectares a mais, uma área equivalente ao estado do Amapá.
“Esse aumento desproporcional da área queimada no Brasil em 2024, principalmente a área de floresta, acende um alerta de que além de reduzir o desmatamento, precisamos reduzir e controlar o uso do fogo, principalmente em anos onde as condições climáticas são extremas e podem fazer o que seria uma pequena queimada virar um grande incêndio”, explica Ane Alencar, diretora de ciência do IPAM e coordenadora do Monitor do Fogo do MapBiomas.
Mais da metade (57%) da área queimada entre janeiro e novembro no Brasil fica na Amazônia, onde 16,9 milhões de hectares foram afetados pelo fogo. Nesse bioma, foram queimados 7,6 milhões de hectares de florestas, incluindo florestas alagáveis – extensão que ficou à frente das pastagens queimadas no período na Amazônia, que totalizaram 5,59 milhões de hectares. O segundo bioma mais afetado pelo fogo foi o Cerrado, com 9,6 milhões de hectares – 85% dos quais (ou 8,2 milhões de hectares) em áreas de vegetação nativa. Esse número representa um aumento de 47% em relação à média dos últimos 5 anos. Houve aumento também no Pantanal, onde a área queimada de janeiro a novembro foi de 1,9 milhão de hectares e representou um crescimento de 68% em relação à média dos últimos 5 anos.
Confira o Boletim do Fogo de novembro clicando aqui
A área queimada nos demais biomas entre janeiro e novembro deste ano foi: 1 milhão hectares na Mata Atlântica, sendo que 71% da área afetada estava em áreas agropecuárias; 3,3 mil hectares no Pampa; e 297 mil hectares na Caatinga – uma diminuição de 49% em relação ao mesmo período de 2023, com 82% das queimadas concentradas em formações savânicas. Eduardo Velez, da equipe do Pampa do MapBiomas, explica que a área queimada no Pampa é a menor dos últimos três anos para esse período. “Trata-se de uma consequência da maior umidade observada na região, com chuvas acima da média para o período”, detalha.
O estado que mais queimou nos 11 primeiros meses deste ano foi o Pará, com 6,97 milhões de hectares. Esse total equivale a 23% de toda a área queimada no Brasil e a 41% do que foi queimado na Amazônia entre janeiro e novembro. Mato Grosso e Tocantins ficaram em segundo e terceiro lugares, com 6,8 milhões e 2,7 milhões de hectares, respectivamente. Juntos, esses três estados totalizaram 56% da área queimada no período no país. Os municípios de São Félix do Xingu (PA) e Corumbá (MS) registraram as maiores áreas queimadas entre janeiro e novembro de 2024, com 1,47 milhão de hectares e 837 mil hectares queimados, respectivamente.
Em todo o país, o fogo atingiu prioritariamente áreas de vegetação nativa, que representam 73% do total. Um quarto (25%) da área queimada no Brasil foi em florestas. Entre as áreas de uso agropecuário, as pastagens se destacaram, com 6,4 milhões de hectares queimados entre janeiro e novembro de 2024, ou 21% do total nacional.
“Os números de 2024 são alarmantes, especialmente considerando que 2023 já havia registrado uma tendência de alta, comprometendo não apenas os biomas mais afetados, como Amazônia e Cerrado, mas também o equilíbrio climático”, alerta Vera Arruda, pesquisadora no IPAM e coordenadora técnica do Monitor do Fogo do MapBiomas. “O recorde de área queimada também em florestas afeta sua capacidade de regeneração e a resiliência ecossistêmica”, ressalta.
Área queimada em novembro concentra-se na Amazônia e no Pará
Os números de novembro refletem o arrefecimento da estação do fogo no Brasil, porém em patamares mais altos que em 2023. Embora represente uma queda em relação aos 5,2 milhões de hectares queimados em outubro, a área afetada pelo fogo em novembro foi 70% maior em relação à média para esse mês nos últimos seis anos. Os 2,2 milhões de hectares queimados em novembro – área equivalente ao estado de Sergipe – correspondem a 7,4% de toda a área queimada no Brasil de janeiro a novembro de 2024.
Quase dois terços (64%) da área queimada em novembro de 2024 foi de vegetação nativa – a maioria em florestas (40% da área queimada no mês). Novamente as pastagens se destacam entre as áreas de uso agropecuário, com 32,7% da área queimada em novembro de 2024.
A Amazônia representa 81% do total queimado no mês. Os 1,8 milhão de hectares representam o dobro em relação à média para o mês nos últimos seis anos. O tipo de vegetação nativa que mais queimou foram as florestas, com 37% da área queimada em novembro de 2024 (662 mil hectares). A classe de uso da terra mais afetada foi pastagem, com 38% da área total queimada na Amazônia em novembro de 2024 (680 mil hectares).
“Esse crescimento da área queimada na Amazônia reflete não apenas a intensificação das atividades humanas, mas também a continuidade de condições climáticas adversas, com a seca que já marcava 2023 e se prolongando por 2024. Este aumento considerável evidencia a crescente vulnerabilidade das florestas diante da seca prolongada e da pressão do desmatamento”, explica Felipe Martenexen, pesquisador do IPAM e da equipe do Monitor do Fogo do MapBiomas. “Em 2024, observou-se uma mudança preocupante no padrão das áreas atingidas pelo fogo, enquanto nos últimos seis anos as queimadas afetaram predominantemente áreas de pastagem, neste ano as florestas passaram a ser as mais impactadas”, destaca.
Dentro da Amazônia, quase metade (48%) da área queimada em novembro fica no Pará, onde 870 mil hectares foram afetados pelo fogo. Maranhão (477 mil hectares) e Mato Grosso (180 mil hectares) são o segundo e o terceiro estados com maior área queimada em novembro.
Os três municípios que mais queimaram no Brasil em novembro ficam no Pará: Oriximiná (81 mil hectares), Moju (54 mil hectares) e Nova Esperança do Piriá (50 mil hectares). Em Santarém, foram queimados 10,7 mil hectares em novembro – mais de 277% em relação a outubro deste ano, quando foram queimados 2,8 mil hectares no município. Apesar desse grande crescimento de um mês para o outro, a área queimada em novembro de 2024 está abaixo do mesmo período no ano passado, quando 54,7 mil hectares foram atingidos pelo fogo em Santarém.
“O estado do Pará, que liderou o ranking de queimadas no Brasil no mês de novembro, enfrenta graves consequências ambientais e de saúde pública”, adverte Felipe Martenexen.” Entre as regiões mais afetadas está Santarém, no oeste do estado, onde a qualidade do ar tem se deteriorado rapidamente. Os moradores convivem com uma atmosfera carregada de partículas tóxicas, que afetam a visibilidade e aumentam os riscos de doenças respiratórias”, explica.
No Cerrado, o fogo atingiu 237 mil hectares em novembro. Áreas de vegetação nativa representaram 74% desse total (175 mil hectares), principalmente formações savânicas (96 mil hectares) e formações florestais (63 mil hectares). No Pantanal, a área atingida pelo fogo em novembro foi de 98 mil hectares, 87% em áreas de formação campestre. Na Mata Atlântica, 12,5 mil hectares foram queimados em novembro, principalmente em áreas de várzea (35% ou 4,4 mil hectares).
Comunidades rurais afirmam que os drones são usados como ferramenta de perseguição e ataques contra pequenos produtores; especialistas alertam para aumento de casos e falta de fiscalização
Por Hélen Freitas/ Edição Diego Junqueira para a Repórter Brasil
“Tanto o drone quanto o avião, toda a volta que faz, passa por cima do lote e da plantação, para você perder a produção e seus animais morrerem”, conta uma agricultora de Açailândia, polo de produção de soja no Maranhão. “Fazem isso para nos forçar a deixar a terra.”
Comunidades rurais do Maranhão afirmam que drones estão sendo utilizados como instrumento de intimidação e de expulsão de agricultores familiares. As denúncias, porém, não são investigadas, segundo advogados que acompanham os casos.
Dados inéditos obtidos pela Repórter Brasil mostram que 228 comunidades em 35 municípios do estado denunciaram contaminação por agrotóxicos entre janeiro e outubro de 2024. Do total, 214 casos (94%) correspondem a ataques por drones.
Os dados foram coletados pela Fetaema (Federação dos Trabalhadores Rurais, Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado do Maranhão), pela Rama (Rede de Agroecologia do Maranhão) e pelo Laboratório de Extensão, Pesquisa e Ensino de Geografia da Universidade Federal do Maranhão.
As queixas vão desde intoxicações humanas até prejuízos ambientais, como o envenenamento de rios e a morte de animais.
“Se você não estiver prestando atenção, às vezes você nem percebe, a não ser pelo cheiro, que é mais forte porque o drone voa mais baixo [do que os aviões agrícolas]”, afirma a trabalhadora rural de Açailândia, que pede para não ser identificada por temer represálias.
A cerca de 600 km da capital São Luís, Açailândia tem se consolidado como grande produtor de soja. Em 2024, sediou a “Abertura Nacional do Plantio da Soja 2024/2025”, que ocorreu pela primeira vez no estado, reunindo produtores e autoridades, como o governador Carlos Brandão (PSB). “Queremos informar aos produtores rurais de outros estados que, no Maranhão, eles têm como plantar e colher com apoio do governo”,afirmou o mandatário no evento.
Para a trabalhadora, contudo, a expansão da soja não é sinônimo de progresso. A cada ano que passa, ela diz que mais lotes da reforma agrária são repassados para a monocultura. Quem fica é vigiado e ameaçado de morte e expulsão, principalmente com o uso dos drones, ela diz.
Governador Carlos Brandão (PSD) comemora a abertura da safra da soja em Açailândia, município que vem denunciando ataques pela pulverização de agrotóxicos (Foto: Brunno Carvalho/Divulgação)
Em São Mateus (MA), município conhecido como a “capital do arroz”, relatos apontam que aviões e drones despejam agrotóxicos nas proximidades de moradias e pequenas plantações. “Eles usam essa estratégia justamente para expulsar as pessoas”, conta outra agricultora, que também não será identificada. “Lá onde eu moro era um lugar de muito peixe, mas com essa pulverização hoje não existe mais“, continua.
Com o crescimento das denúncias, movimentos populares e legisladores locais têm se mobilizado para criar mecanismos de proteção. Nove municípios maranhenses já aprovaram leis que proíbem a pulverização aérea. Além disso, aRama e organizações ligadas à igreja católica iniciaram uma campanha em abril passado para a criação de um projeto de lei estadual de iniciativa popular contra a prática.
A reação foi rápida. Um mês depois, um projeto de lei para permitir a pulverização aérea no estado foi protocolado na assembleia legislativa do Maranhão. “Não foi coincidência, foi reação às denúncias”, afirma Diogo Cabral, advogado da Fetaema.
Porém, mesmo que o projeto estadual seja aprovado, continuarão valendo as leis municipais, que são mais restritivas, afirma Cabral. Ele explica que essas normas locais seguem o entendimento do STF de que estados e municípios têm competência legislativa para estabelecer diretrizes de proteção à saúde e ao meio ambiente, como é o caso da aplicação de agrotóxicos.
Falta de fiscalização e punição
As denúncias, porém, não foram comprovadas pelas autoridades. As duas agricultoras ouvidas pela reportagem contam que vídeos e fotos não têm sido suficientes para apontar os responsáveis. “A gente vai buscar ajuda em todos os lugares, mas parece que as portas se fecham, porque ninguém dá importância”, diz uma delas.
Marcos Orellana, relator especial da ONU para tóxicos e direitos humanos, já manifestou preocupação com o uso indiscriminado de agrotóxicos no Brasil. Em 2022, ele enviou uma carta ao governo brasileiro alertando sobre os impactos da pulverização aérea e criticou a ausência de respostas efetivas. Segundo ele, há um padrão de intimidação contra comunidades que denunciam essas práticas, o que amplia a vulnerabilidade dos grupos mais atingidos.
“Essas pulverizações não eram ocorrências isoladas, mas parte de um padrão de ataques repetidos e perseguições contra essas comunidades, que são submetidas a um medo constante e a sofrimento psicológico contínuo”, afirma Orellana.
Em maio do ano passado, a Repórter Brasil publicou uma denúncia de tentativa de intimidação a Diogo Cabral. O advogado da Fetaema havia recebido uma notificação extrajudicial do Sindag (Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola) para se retratar ou comprovar, em até 48h, que a pulverização aérea de agrotóxicos no Maranhão prejudica comunidades. A notificação ocorreu após entrevista de Cabral sobre a proibição da pulverização aérea no município de Caxias (MA).
À Repórter Brasil, o Sindag afirmou na época que buscou esclarecimentos tanto com o advogado popular quanto com a rede de televisão que veiculou a reportagem a fim de buscar a “transparência sobre as informações divulgadas e a verdade sobre os fatos”.
Para Cabral, a falta de uma fiscalização efetiva cria um cenário de impunidade. “O agronegócio quer um Estado máximo para investir e garantir a produção, e um Estado mínimo para fiscalizar e punir quem comete crime ambiental.”
Angela Silva, presidenta da Fetaema, afirma que as análises de amostras para verificar a contaminação de agrotóxicos não acontecem de forma rápida no estado, o que interfere nas denúncias que a organização têm feito.
“O sentimento das comunidades, assim como o nosso, é de tristeza, de impunidade, de não valorização. A gente denuncia, mas, às vezes, o caso não é levado a sério como deveria”, diz ela, ressaltando que as autoridades desconfiam se as denúncias são verdadeiras.
À Repórter Brasil, o pesquisador da Fiocruz no Ceará Fernando Carneiro afirmou que o aumento de casos no Maranhão mostra que “há pessoas não qualificadas operando os drones e causando contaminações”.
Estudos realizados em outros países mostram que há uma dificuldade em se obter precisão na aplicação. Pesquisa da Chinese Society of Agricultural Engineering revelou que até 55% do volume aplicado pelo drone se espalhou pelo entorno.
Procurado, o governo do Maranhão informou que “atua de forma ativa na mediação de conflitos agrários e na proteção das comunidades rurais” e que encaminha as denúncias sobre uso incorreto de agrotóxicos para órgãos de fiscalização, como a Aged (Agência Estadual de Defesa Agropecuária do Maranhão), Sema (Secretaria de Estado do Meio Ambiente) e a Superintendência do Ministério da Agricultura no Maranhão.
A Sema declarou que lidera a “fiscalização compartilhada do uso de agrotóxicos, em todas as etapas, desde a aquisição até o descarte adequado das embalagens” e que “tem adotado medidas mais rigorosas e preventivas para assegurar a preservação dos recursos naturais e a qualidade de vida das comunidades”. Jà a Aged declarou que monitora o comércio, uso, armazenamento e transporte das substâncias, assim como realiza atividades de educação quanto ao uso seguro dos agrotóxicos.
Para o Sindag , os conflitos agrários devem ser investigados e resolvidos pelas autoridades “na melhor forma da lei e do bem-estar das pessoas”. O grupo afirma que, por ser uma “ferramenta” visível em campo, a aviação agrícola sofre com os estereótipos.
“A exemplo do que ocorre no Maranhão, onde ela está no centro de uma campanha da Igreja para que seja proibida nos Municípios”, afirma a organização, em referência à campanha da Conferência Nacional dos Bispos do Brasilem torno de um projeto de lei estadual contra a pulverização.
O Sindag diz ainda ser necessária uma fiscalização ampla e constante para que “inocentes não paguem por culpados”.Leia as manifestações na íntegra.
“Eu estou ficando sem condições de contar essa história, porque dói muito, mas ficar calada é pior”, conta, emocionada, a agricultora de Açailândia.
A agricultora de São Mateus afirma ter medo de dar depoimentos sobre a atuação do agronegócio na sua região. Assim como ela, outros vivem com medo de falar e sofrerem mais represálias. “Enquanto eu puder e tiver condição de lutar junto com os demais, eu vou lutar para que chegue o fim da pulverização aérea”, finaliza.
Quero pedir licença para discordar do texto do Professor Marcos Pedlowski, publicadoaqui.Goste-se ou não das políticas públicas implementadas pelo atual prefeito Wladimir Garotinho, reeleito com nada menos que mais de 192 mil votos, uma coisa é certa: ele nunca disse que faria o contrário.
Desde a mais tenra hora do seu primeiro mandato, ele tem se comprometido com as teses da responsabilidade fiscal, com o saneamento das contas municipais, mesmo que isso implicasse em sacrifícios para a parte mais pobre dos munícipes, e também, em detrimento dos direitos dos servidores. Eu ouso dizer que o problema não é do Prefeito.
A questão principal é a agenda política que se estabeleceu, em 2003, quando a “esquerda” assumiu o poder. Soterrado pela própria capitulação frente ao mercado, com a Carta aos Brasileiros, onde o PT disse que seria um partido bem comportado e cumpriria todas as ordens da banca, já estabelecidas na famigerada Lei de Responsabilidade Fiscal, o PT e a esquerda foram incapazes (e se isentam, desde sempre) de qualquer debate que buscasse mostrar o óbvio:
A chamada responsabilidade fiscal nada mais é que um instrumento de sequestro dos direitos sociais dos mais pobres, já que a conta dos pagamentos dos juros mais altos e extorsivos do planeta não entram no cálculo das obrigações estatais de controle de gastos.
Ou seja, retiram dos pobres, suprimindo ao máximo os investimentos e gastos sociais para colocar no saco sem fundo da dívida pública, que, como vimos recentemente, só cresce a golpes de chantagem explícita do “mercado”, da mídia, e dos sócios no Congresso.
Mesmo assim, a cada passo na direção oposta, ou seja, quando o governo federal tenta inverter essa lógica, o mundo desaba, os dólares somem, e o Banco Central, obediente, aumenta os juros, e claro, a quantidade de dinheiro pago aos rentistas.
É um círculo vicioso e criminoso, mas que não enfrenta nenhuma voz dissidente no governo chamado de “esquerda”, até porque, se alguém se atrever, será enviado para algum “gulag” político.
Para sermos justos, não podemos cobrar de Wladimir Garotinho esse embate, afinal, ele é de direita!
Como cobrar a Wladimir que adote bandeiras da esquerda, quando a própria esquerda as abandona, e implementa aquelas caras à direita?
O pacote de medidas de Wladimir Garotinho, frente ao que Haddad e Lula fizeram com os mais pobres que ganham salário mínimo, BPC, PIS/PASEP, etc, parece até um passeio pela Disneylândia.
No campo político, além de subtraírem do debate qualquer chance de oposição a este fiscalismo assassino, ao rentismo abutre, o PT de Lula ainda incorporou a defesa dos estandartes do establishment, perdendo as bandeiras das críticas antissistema para a extrema-direita.
O PT e Lula hoje (e já faz tempo) flertam com a Globo, defendem os juros altos, o poder judiciário, e passam a mão na cabeça de militares golpistas.
Dilma fazendo omelete com Ana Maria Braga (lembram?), ou Dilma dizendo que a melhor forma de controle social da mídia era o controle remoto (lembram?), e Lula saindo do hospital para ser achincalhado no Fantástico são exemplos recentes.
Para se diferenciar da extrema-direita, ao invés de propor teses de esquerda, o PT e Lula querem se parecer cada vez mais com a direita, como se a extrema-direita não fosse uma variação desta!!!!!
Ora, todos sabem que os atos do presidente irradiam pela coluna cervical das instituições e da vida política do país. Logo, é possível dizer que Lula e Wladimir estão cada vez mais próximos. Wladimir segue o exemplo de Lula, e do PT, por mais que isso soe estranho.
Se dermos uma olhada para Maricá, o conjunto de atos administrativos baixados pelo novo-velho prefeito QuaQuá não ficou distante dos aplicados aqui. Como se não bastasse a covardia política explicitada pelo PT, o que temos assistido aqui em Campos dos Goytacazes é ainda pior.
É a impregnação dos gestos e costumes do bolsonarismo pela turma petista, fenômeno que ganhou corpo desde a eleição de 2024, quando uma estranha simbiose se deu entre o PT e a candidata de extrema-direita da cidade.
Por último, no afã de atacar o prefeito, o PT de Campos lançou uma nota acusando o Prefeito de demissão dos agentes de endemia, contratados de forma emergencial, quando qualquer imbecil sabe que esses servidores são custeados pelo governo federal, e este já não supre o que a lei manda há tempos.
O que está ruim, como vemos, sempre pode piorar: o PT de Campos usando métodos da extrema-direita.
A Pesticide Action Network (PAN) Europe e seus membros ClientEarth, Générations Futures, GLOBAL 2000, Pesticide Action Network Germany e Pesticide Action Network Netherlands contestaram a aprovação do glifosato pela União Europeia perante o Tribunal de Justiça Europeu.
As organizações apresentaram uma análise científica e jurídica robusta ao Tribunal de Justiça Europeu, destacando sérias deficiências na avaliação do glifosato na Europa, incluindo o fato de que a Comissão e as agências científicas da UE excluíram sistematicamente estudos científicos críticos relatando efeitos adversos causados pelo glifosato, usando argumentos cientificamente infundados, ou minimizaram esses efeitos aplicando, por exemplo, metodologias estatísticas menos sensíveis e inadequadas.
De acordo com as ONGs, ao fazer isso, a CE e a EFSA violaram suas próprias diretrizes e protocolos internacionais e sua conclusão de que o glifosato é seguro é cientificamente infundada e resulta de uma avaliação de risco que não cumpre com os principais requisitos legais. Portanto, as ONGs estão solicitando a intervenção do Tribunal.
O herbicida amplamente utilizado tem sido associado a sérios riscos à saúde e ao meio ambiente, incluindo câncer, distúrbios reprodutivos e doenças neurológicas. Sendo reaprovado por 10 anos, ele continuará a ser usado extensivamente em toda a Europa. Cidadãos europeus, incluindo crianças, continuam amplamente expostos a essa substância.
Em janeiro de 2024, as ONGs solicitaram à Comissão que revisasse sua decisão de reaprovar o glifosato até 2033, pois ele não cumpre com as disposições da lei da UE e, particularmente, com o Regulamento (CE) 1107/2009. A legislação dá prioridade à proteção da saúde humana e do meio ambiente sobre a colocação de produtos pesticidas no mercado, como foi destacado anteriormente pelo tribunal da UE.
Caixa do Glifosato
Certificação de livre de resíduos de glifosato para marcas de alimentos – Clique aqui
Teste sua comida e água em casa para glifosato – Clique aqui
Teste seu cabelo para glifosato e outros agrotóxicos – Clique aqui para descobrir sua exposição de longo prazo
Em resposta, a Comissão rejeitou formalmente o pedido de revisão em setembro de 2024. Agora, as ONGs estão oficialmente entrando com uma contestação no Tribunal.
“As agências científicas da União Europeia (UE) estão contornando as regras para concluir que o glifosato é seguro. Vários estudos científicos, incluindo da própria indústria, claramente o vinculam a efeitos adversos sérios, como câncer e doenças potencialmente neurológicas”, diz Angeliki Lysimachou, chefe de ciência e política da PAN Europe.
“Ao usar intencionalmente métodos estatísticos menos sensíveis, desconsiderando evidências científicas críticas e negligenciando pesquisas inovadoras sobre o câncer, a UE está falhando em seu dever de proteger a saúde pública. Não podemos ficar em silêncio sobre essa questão – é uma questão de salvaguardar a saúde das gerações atuais e futuras.”
As ONGs se concentraram no que identificaram como as falhas mais significativas na avaliação de risco do glifosato pela UE. Sua análise revela uma avaliação incompleta da formulação representativa usada em campos europeus, sem toxicidade de longo prazo, carcinogenicidade e efeitos cumulativos. Elas também explicam a rejeição de evidências revisadas por pares em favor de estudos financiados pela indústria que minimizam evidências sobre genotoxicidade, neurotoxicidade e impactos ambientais. Além disso, as ONGs mostram como a avaliação da UE está desconsiderando os impactos do glifosato na biodiversidade e no microbioma e as implicações relacionadas à saúde. Essas descobertas juntas demonstram a clara violação do princípio da precaução ao aprovar o glifosato apesar de incertezas significativas e lacunas de conhecimento.
Antoine Bailleux, advogado da coalizão de ONGs, comenta: “É legítimo que a Comissão desfrute de alguma margem de manobra ao gerenciar riscos relacionados à aprovação de substâncias ativas usadas em pesticidas. No entanto, há limites para tal poder discricionário. É jurisprudência bem estabelecida que a avaliação de risco deve, por exemplo, cumprir com os princípios de excelência, transparência e independência. Acreditamos que a avaliação do glifosato não correspondeu a esses padrões de qualidade. É por isso que estamos indo ao Tribunal.”
Na sua análise da avaliação de risco da UE para o glifosato, as organizações apresentam ao Tribunal as seguintes conclusões importantes:
Preocupações levantadas por especialistas em neurotoxicidade foram ignoradas . Cartas obtidas pela PAN Europe por meio de uma solicitação de acesso a documentos revelam que cientistas alertaram a Comissão Europeia, a Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar (EFSA) e a Agência Europeia de Produtos Químicos (ECHA) sobre as potenciais ligações do glifosato com a doença de Parkinson [ Carta 1] e neurotoxicidade do desenvolvimento – relevante para autismo e deficiências cognitivas em crianças [Carta 2 ]. As cartas criticam as autoridades da UE por não refutar esses riscos.
A Comissão e a Agência Europeia de Produtos Químicos em sua resposta, confiam fortemente na análise de câncer feita por Kenny Crump, um consultor privado com um histórico de defesa de indústrias ligadas ao chumbo, amianto e benzeno. Crump descarta todos os tumores induzidos por glifosato como “falsos positivos”, tentando minar a credibilidade da avaliação de outros cientistas, incluindo aqueles da Agência Internacional de Pesquisa sobre Câncer (IARC) da OMS.
‘Manipulação’ estatística: Costuma-se dizer que o diabo está nos detalhes. Isso não poderia ser mais verdadeiro no caso do glifosato. Avaliadores de risco da UE empregaram testes estatísticos em estudos de câncer com glifosato projetados para examinar potenciais efeitos terapêuticos, diminuindo o poder do teste. O professor de Biologia Ambiental Geert de Snoo (Universidade de Leiden, diretor de pesquisa na Academia Real Holandesa de Ciências e ex-membro da autoridade holandesa de pesticidas Ctgb) recentementechamou isso de “má ciência” e “estatísticas ruins” . Avaliadores de risco da UE também escolheram uma abordagem que não foi projetada para examinar aumentos de dose-resposta em tumoresem animais expostos ao glifosato, distorcendo ainda mais os resultados em favor do glifosato.
O IARC, em suas recomendações de prioridades para 2025–2029, revisou a literatura científica recente sobre glifosato e câncer e concluiu que as “ evidências existentes não parecem apoiar uma mudança na classificação ”. Como resultado, a classificação como ‘provavelmente cancerígeno para humanos’ permanece, enquanto a ECHA recusou essa classificação, construindo sua decisão sobre o que pode ser descrito como dados “manipulados”.
Linha de base
O glifosato tem sido uma fonte de controvérsia desde que a Agência Internacional de Pesquisa sobre Câncer (IARC) o classificou como “provavelmente cancerígeno para humanos” em 2015. De acordo com a lei da UE, pesticidas com essa classificação de risco devem ser proibidos de usar. No entanto, as avaliações de risco da UE de 2017 e 2023 concluíram que o glifosato não apresenta riscos significativos à saúde, permitindo que ele continue sendo um dos herbicidas mais amplamente usados na Europa e no mundo.
Essa discrepância levou vários especialistas e cientistas a investigar a toxicidade do glifosato e a avaliação realizada pelas agências da UE e pelo IARC. As deficiências da avaliação foram expostas em várias ocasiões.
Este desafio legal segue crescentes críticas públicas e científicas ao processo de avaliação de risco da UE. Em 2023, a Comissão renovou a aprovação do glifosato por 10 anos, apesar das preocupações generalizadas e da falha em atender aos altos padrões exigidos pela lei da UE sobre pesticidas. Após receber uma resposta insatisfatória à sua solicitação de revisão interna em setembro de 2024, a coalizão de seis ONGs decidiu escalar sua luta para o Tribunal de Justiça Europeu.
O aquecimento global está turbinando tempestades, inundações e secas, afetando ecossistemas inteiros e bilhões de pessoas
A seca obrigou os moradores a transportar água potável de Humaitá para a comunidade de Paraizinho ao longo do seco Rio Madeira, um tributário do Amazonas. Fotografia: Edmar Barros/AP
Por Damian Carrington para o “The Guardian”
A crise climática está “causando estragos” no ciclo hídrico do planeta, com inundações violentas e secas devastadoras afetando bilhões de pessoas, segundo um relatório.
A água é o recurso natural mais vital para as pessoas, mas o aquecimento global está mudando a maneira como a água se move pela Terra. A análise dos desastres hídricos em 2024, que foi oano mais quente já registrado , descobriu que eles mataram pelo menos 8.700 pessoas, tiraram 40 milhões de suas casas e causaram danos econômicos de mais de US$ 550 bilhões (£ 445 bilhões).
O aumento das temperaturas, causado pela queima contínua de combustíveis fósseis, interrompe o ciclo da água de várias maneiras. O ar mais quente pode reter mais vapor de água, levando a chuvas mais intensas. Mares mais quentes fornecem mais energia para furacões e tufões, sobrecarregando seu poder destrutivo. O aquecimento global também pode aumentar a seca, causando mais evaporação do solo, bem como alterando os padrões de precipitação.
Enchentes repentinas mortais atingiram o Nepal e o Brasil em 2024, enquanto inundações de rios causaram devastação na Europa Central ,ChinaeBangladesh . O supertufão Yagi, que atingiu o sudeste da Ásia em setembro, foi intensificado pela crise climática, assim como a tempestade Boris, que atingiu a Europa no mesmo mês.
As secas também causaram grandes danos, com a produção agrícola no sul da Áfricacaindo pela metade, fazendo com que mais de 30 milhões de pessoas enfrentassem escassez de alimentos. Os fazendeiros também foram forçados a abater o gado, pois suas pastagens secaram, e a queda na produção de represas hidrelétricas levou a apagões generalizados.
“Em 2024, a Terra experimentou seu ano mais quente já registrado e os sistemas hídricos em todo o mundo foram os mais afetados, causando estragos no ciclo da água”, disse o líder do relatório, Prof. Albert van Dijk.
Ele disse que 2024 foi um ano de extremos, mas que não foi uma ocorrência isolada. “É parte de uma tendência de piora de inundações mais intensas, secas prolongadas e extremos recordes.” O relatório alertou sobre perigos ainda maiores em 2025, à medida queas emissões de carbono continuaram a aumentar.
ORelatório Global Water Monitor de 2024 foi produzido por uma equipe internacional de pesquisadores de universidades na Austrália, Arábia Saudita, China, Alemanha e outros lugares. A equipe usou dados de milhares de estações terrestres e satélites orbitando a Terra para avaliar variáveis críticas da água, como precipitação, umidade do solo, fluxos de rios e inundações.
Eles descobriram que recordes de precipitação estão sendo quebrados com regularidade crescente. Por exemplo, recordes de precipitação mensal foram estabelecidos 27% mais frequentemente em 2024 do que no ano 2000 e recordes diários de precipitação foram estabelecidos 52% mais frequentemente. Recordes de baixa precipitação foram estabelecidos 38% mais frequentemente. “Então estamos vendo extremos piores em ambos os lados”, disse Van Dijk.
No sul da China, de maio a julho, os rios Yangtze e Pearl inundaram cidades e vilas, deslocando dezenas de milhares de pessoas e causando centenas de milhões de dólares em danos às plantações. As inundações do rio em Bangladesh em agosto, após fortes chuvas de monções, afetaram quase 6 milhões de pessoas e destruíram pelo menos um milhão de toneladas de arroz.
Enquanto isso, naEspanha, em outubro, mais de 500 mm de chuva caíram em oito horas, causando inundações repentinas mortais. A cidade de Porto Alegre, no Brasil, foi inundada com dois meses de chuvaem apenas três dias em maio, transformando estradas em rios.
“Eventos de chuvas intensas também causaram inundações repentinas generalizadas no Afeganistão e no Paquistão, matando mais de 1.000 pessoas”, disse Van Dijk. As inundações também desalojaram 1,5 milhão de pessoas.
Na Amazônia, a seca atingiu. “Incêndios florestais causados pelo clima quente e seco queimaram mais de 52.000 km² somente em setembro, liberando vastas quantidades de gases de efeito estufa”, disse Van Dijk. “De secas históricas a inundações catastróficas, esses eventos extremos impactam vidas, meios de subsistência e ecossistemas inteiros.”
Os pesquisadores disseram que as previsões climáticas sazonais para 2025 e as condições atuais sugeriram que as secas podem piorar no norte da América do Sul, sul da África e partes da Ásia. Regiões mais úmidas, como o Sahel e a Europa, podem enfrentar riscos elevados de inundações.
“Precisamos nos preparar e nos adaptar a eventos extremos inevitavelmente mais severos”, disse Van Dijk. “Isso pode significar defesas mais fortes contra inundações, desenvolvimento de produção de alimentos e suprimentos de água mais resistentes à seca e melhores sistemas de alerta precoce. A água é nosso recurso mais crítico, e seus extremos – tanto inundações quanto secas – estão entre as maiores ameaças que enfrentamos.”