COVID-19: Sleeping Giants Brasil questiona Globo e Folha SP por publicação de anúncio negacionista

O pessoal do “Sleeping Giants Brasil” usou hoje a página do movimento na rede social Twitter para questionar a incrível publicação de um anúncio por uma associação de médicos que propugna o uso do protocolo de drogas não reconhecidas como eficazes contra a COVID-19, o chamado “tratamento precoce” (ver imagens das postagens abaixo).

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Apesar de concordar inteiramente com as cobranças feitas pelo “Sleeping Giants Brasil” em relação à publicação desse anúncio, eu vejo essa ação comercial como uma rara explicitação da efetiva linha editorial desses dois grupos que controlam boa parte da informação que circula no Brasil.  Vivêssemos ainda sob os auspícios de um governo controlado pelo PT, eu não tenho dúvidas que o tratamento praticamente adocicado que a pandemia da COVID-19 vem recebendo por parte da mídia corporativa brasileira seria bem muito diferente do que está sendo.

A verdade é que apesar de publicamente discordarem dos supostos excessos discursivos do presidente Jair Bolsonaro, os donos dos veículos de mídia controlados pelas organizações Globo e pela Folha de São Paulo estão completamente alinhados com o seu projeto de desmantelamento do Estado brasileiro. 

Assim, é bastante coerente que publiquem um anúncio negacionista, em que pesem os mais de 248 mil mortos pela COVID-19 no Brasil. Afinal de contas, business is always business…..

Pesquisa da FGV revela que novo auxílio emergencial de R$ 200 não compensará a renda dos informais diante da atual pandemia no Brasil

auxilio emergencial

São Paulo, fevereiro 2021 – O governo federal estuda um novo auxílio emergencial com parcelas de R$ 200 ou R$ 250. Segundo estudo do Centro de Estudos de Microfinanças e Inclusão Financeira da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGVCemif), se o auxílio for no valor de R$ 200 e os números da pandemia continuarem ruins ou piorarem, as perdas dos trabalhadores “invisíveis informais” não serão compensadas pelo auxílio. Da mesma forma, em um recorte por estado, um valor de R$ 200 não compensará as perdas “invisíveis informais dos estados mais ricos, tais como São Paulo e Rio de Janeiro. Se o valor for de R$ 250, as perdas são repostas, com pequenos ganhos em relação à renda antes da pandemia.

O estudo foi elaborado a partir dos dados da PNAD-COVID, com o objetivo de simular os efeitos do auxílio emergencial reduzido (R$ 200 ou R$ 250) sobre a renda dos invisíveis e informais em diferentes cenários otimista e pessimista – conforme as prováveis perdas decorrentes da pandemia. O pessimista se baseia nos dados da PNAD COVID-19 divulgadas em julho (IBGE, 2020) e o otimista, em dezembro (IBGE, 2020). Dentro de cada um dos cenários foram feitas simulações considerando um novo auxílio emergencial de R$ 200 ou R$ 250, sempre comparando a renda durante a pandemia com a renda usual pré-pandemia.

Utilizando os cenários anteriormente definidos, as três figuras seguintes mostram diversos recortes para um AE de R﹩ 200 – cenário pessimista (PNAD-COVID- julho 2020 – IBGE)
 
 
Fonte: FGVcemif a partir de dados do IBGE
 
Fonte: FGVcemif a partir de dados do IBGE
 
 
No caso dos invisíveis (Figura 1), ao levar em consideração o auxílio emergencial, o ganho para homens é de 5% e, para as mulheres, de 11%, sempre comparado à renda usual pré-pandemia. Ao analisar especificamente os invisíveis informais, mesmo com o pagamento de um novo benefício, há uma perda de 2% para homens e um ganho de apenas 2% para mulheres. Ainda no caso de homens e mulheres invisíveis informais (Figura 2), sem o auxílio as perdas de renda são de 30% e 37%, respectivamente, o que denota uma posição de maior vulnerabilidade aos efeitos da crise.

A Figura 3 apresenta os dados sobre a perda/ganho de renda para invisíveis informais por Unidade Federativa (UF). Mesmo com o pagamento de um AE de R﹩ 200, 7 estados (todos localizados no centro-sul do país) e o Distrito Federal (DF) ainda registrariam perdas de renda. Por outro lado, 17 estados apresentam ganhos, quase todos no Norte e Nordeste do país. Portanto, há evidências de que um AE de R﹩ 200, em um cenário de maiores perdas por conta do recrudescimento da pandemia, é insuficiente para compensar as perdas de renda de grupos mais vulneráveis.
 
Fonte: FGVcemif a partir de dados do IBGE
 
“O auxílio emergencial é fundamental nesse momento em que a evolução da pandemia é desfavorável, com a configuração de uma segunda onda, e ainda diante da lentidão na implementação de plano nacional de imunização, sobretudo pela escassez de vacinas. Neste cenário, as políticas públicas são fundamentais para mitigar os efeitos da crise para a população mais vulnerável”, explica Lauro Gonzalez, coordenador do FGVcemif e autor do estudo.

Auxílio Emergencial de R$ 250

As três próximas figuras seguem a mesma lógica de análise das figuras anteriores, ajustando o valor do auxílio emergencial para R$ 250.
 
 
Fonte: FGVcemif a partir de dados do IBGE
 
A Figura 4 mostra um ganho de 10% para homens e 17% para mulheres com o AE. Ao analisar especificamente os invisíveis informais (Figura 5), o ganho é de 4% para os homens e de 10% para as mulheres. Já a Figura 6 mostra que, mesmo com um AE de R﹩ 250, 6 estados e o DF registrariam perdas de renda.
 
Cenário otimista (PNAD-COVID em dezembro)

Seguindo a mesma lógica, as 3 figuras abaixo mostram a perda/ganho de renda dos invisíveis e dos invisíveis informais por gênero, considerando o pagamento de um valor fixo mensal de R﹩ 200, com a diferença de que o cenário reflete o momento mais favorável da pandemia.

A Figura 7 mostra que, no caso dos invisíveis, o ganho para homens é de 13% e, para as mulheres, de 18%. Lembrando que as perdas e ganhos são calculadas sempre em relação à renda usual pré-pandemia. Ao analisar especificamente os invisíveis informais, na Figura 8, o ganho dos homens diminui para 12%, ao passo que o ganho das mulheres permanece inalterado.

 A Figura 9, abaixo, mostra a perda/ganho de renda para invisíveis informais por UF, considerando um benefício de R﹩ 200. Como esperado, os maiores ganhos ocorreriam nas regiões Norte e Nordeste, reflexo da desigualdade regional no país.
 
 
Por fim, as três próximas figuras apresentam os dados do cenário otimista, considerando um auxílio emergencial de R﹩ 250.
 
 
 
 
 
No caso dos invisíveis (Figura 10), tanto para homens quanto para mulheres, o ganho de renda é 5% maior se o AE for de R﹩ 250, ao invés de R﹩ 200. A Figura 12 traz a análise de perda/ganho de renda para invisíveis informais por UF. Todos os estados e o DF apresentariam ganhos, especialmente aqueles das regiões Norte e Nordeste do país.
 
 
 
Sobre a FGV

Criada em 1944, a Fundação Getulio Vargas nasceu com o objetivo de promover o desenvolvimento socioeconômico do Brasil por meio da formação de administradores qualificados, nas áreas pública e privada.

Ao longo do tempo, a FGV ampliou a sua atuação para outras áreas do conhecimento, como Ciências Sociais, Direito, Economia, História, Matemática Aplicada e, mais recentemente, Relações Internacionais, sendo sempre reconhecida pela qualidade e excelência ao produzir e difundir conhecimento.

Atualmente, a FGV possui parceria com mais de 200 instituições estrangeiras de ensino superior e ocupa o 3º lugar entre os melhores Think Tanks do mundo, segundo o Global Go To Think Tank Index Report.

Operação “Xeque mate”: Bolsonaro deveria aproveitar ataque especulativo e comprar o máximo de ações da Petrobras

Após intervenção de Bolsonaro, Petrobras tem 2ª maior perda de valor de  mercado em um dia | Revista Fórum

Tendo observado todas as reações de pressão que estão sendo realizadas pelos barões da especulação financeira contra a Petrobras à luz da decisão de antecipar o fim do mandato do privatista Roberto Castello Branco, o presidente Jair Bolsonaro (que está sendo acusado de ser tão comunista quanto o PT), poderia tomar uma simples decisão de mercado: comprar o máximo que puder das ações da Petrobras que estão sendo desvalorizadas nesse ataque especulativo reverso, e isso gastando menos do que teria que gastar há um semana atrás.

Depois disso, Jair Bolsonaro poderia determinar que nenhuma refinaria seja privatizada, para depois colocá-las em sua capacidade máxima de refino, o que não só aumentaria o grau de controle sobre a produção nacional de gasolina e diesel, como causaria uma baixa rápida nos preços escorchantes que a política adotada no governo Temer por Pedro Parente criou.

Essas são medidas que poderiam ter sido adotadas durante os governos do PT quando ataques especulativos semelhantes ocorreram, mas não foram. O resultado é o que temos agora com os preços dolarizados dos combustíveis e uma perda acentuada do controle nacional sobre o petróleo e seus derivados.

Um risco para o Brasil se Jair Bolsonaro fizer o que estou sugerindo é que ele aumentará bastante suas chances de reeleição.  Já  risco para Bolsonaro é que ele seja derrubada via um golpe parlamentar como aquele em que ele citou a memória do Coronel Brilhante Ustra. 

Inevitável dizer que tudo isso seria no xadrez aquele momento em que um xeque mate se avizinha. O problema é que qualquer um dos lados pode ser o que dará ou levará o xeque mate. 

Relatório de ONG Finlandesa acusa Vale de danos ambientais na Amazônia

Pesquisador considera que a Vale é “verdadeiramente irresponsável” . Markus Kröger acredita que o governo da Finlândia deve examinar de perto a cadeia de produção da Outokumpu devido ao risco de reputação

xikrim

Bep Krokroti Xikrin é um dos representantes dos xikrin entrevistados no relatório da Finnwatch. Repórter Brasil / Finnwatch

Por Mika Mäkeläinen para a Yle

De acordo com o relatório da Finnwatch, a Outokumpu importa matéria-prima da mina da Vale, o que tem causado danos ao meio ambiente e problemas para os povos indígenas que vivem perto da mina.

Segundo a entidade, a mina Onça Puma, no Pará, envenenou o rio Cateté, que corta a área indígena Xikrin, e foram medidas concentrações anormais de metais pesados ​​nos moradores.

No mapa está a mina Onça Puma no Brasil e na região amazônica.Harri Vähäkangas / Yle

A Outokumpu compra uma mistura de ferro e níquel chamada ferroníquel da mina da Vale. É usado para fazer aço inoxidável. A Vale é a maior produtora mundial de minério de ferro e níquel, e uma empresa muitas vezes maior do que a Outokumpu.

A Outokumpu não contesta as compras, mas considera o controle de seus subcontratados abrangente. A Vale, por sua vez, negou que a mina seja a causa da poluição do rio.

Com seu recém-lançado relatório de pessoas envenenadas, a Finnwatch quer mostrar que tipo de efeitos a cadeia de suprimentos da empresa finlandesa teve na região amazônica.

relatório finwatch

As compras da Outokumpu junto à Vale foram levantadas no relatório, por exemplo, no uso dos recursos naturais da Amazônia, que afetam o meio ambiente e o modo de vida dos povos indígenas.

Devido à indústria de mineração e à produção de outras matérias-primas, o desmatamento na área de floresta tropical aumentou. Nos últimos dois anos, sob o presidente Jair Bolsonaro , cerca de 10.000 km2 de floresta tropical foram desmatados no Brasil a cada ano .

A responsabilidade corporativa dos assinantes estrangeiros depende da seriedade com que seus parceiros brasileiros levam o desmatamento e outros problemas ambientais.

Vale é uma importante subcontratada da Outokumpu

Segundo a Finnwatch, que estuda os efeitos das operações internacionais das empresas, a Outokumpu compra uma quantidade significativa de ferroníquel da Vale.

Em 2016–2019, a Outokumpu e suas subsidiárias estrangeiras adquiriram um total de mais de 33.000 toneladas de ferroníquel da mina Onça Puma. Menos de um décimo disso foi para a usina de aço Tornio e o restante para as subsidiárias da Outokumpu nos Estados Unidos e na Suécia. 

Vista aérea de um efluente de mina de ouro perto de Castelo dos Sonhos, no BrasilA mineração é uma das causas do desmatamento na Amazônia.  Mika Mäkeläinen / General

Outokumpu não quer falar nada sobre sua relação com a gigante mineradora brasileira Vale.

Por exemplo, a Vale não foi mencionada no Relatório Anual da Outokumpu, e a Outokumpu não quis comentar sobre quaisquer assuntos relacionados à Vale para a Yle. De acordo com Outokumpu, o valor do comércio com subcontratados é um segredo comercial.

De acordo com o relatório da Finnwatch, um total de mais de EUR 178 milhões em ferroníquel foi importado para a Finlândia em 2019 e menos de EUR 100 milhões no ano passado. De acordo com Juha Erkkilä , diretor de sustentabilidade da Outokumpu , a maior parte são importações da Outokumpu, mas Erkkilä não divulga as fontes de ferroníquel.

Erkkilä enfatiza que a quantidade de ferroníquel diminuiu à medida que a Outokumpu aumentou o uso de material reciclado.

A Outokumpu preparou uma resposta ao relatório da Finnwatch, segundo o qual seu aço inoxidável é feito com mais de 90% de material reciclado. No entanto, a declaração não contesta os números ou outras informações relevantes do relatório da Finnwatch.

A Finnwatch realizou um trabalho de campo relacionado ao estudo em conjunto com a Repórter Brasil na área do povo indígena xikrin no estado do Pará em dezembro de 2020.

Pesquisador: Vale é considerada a pior empresa

Segundo um pesquisador finlandês, a negociação da Outokumpu com a Vale é um erro que pode gerar uma reputação e até consequências jurídicas.

– A Vale é uma empresa da qual não valeria a pena comprar minerais, afirma Markus Kröger, Professor Assistente de Estudos de Desenvolvimento da Universidade de Helsinque .

Kröger já pesquisou as operações da Vale no Brasil e publicou um livro para download gratuito sobre mineração. Ele revisou o relatório de Finnwatch a pedido de Yle.

A Vale Mining Company está sediada no Rio de Janeiro.A Vale tem sido criticada de forma excepcionalmente forte por seus danos ambientais. Antonio Lacerda / EPA

Kröger justifica ignorar a Vale com as ações e reputação da empresa, que é uma das piores do mundo. Por exemplo, em 2012, a Vale foi eleita a empresa mais destrutiva do mundo em termos de meio ambiente e direitos humanos(você muda para outro serviço).

– É uma empresa que se concentra na maximização total dos lucros, contornando todas as leis possíveis, e é por isso que foi listada como a pior empresa, Kröger disse a Yle.

De acordo com Kröger, o estado brasileiro tem apoiado generosamente a Valea, e a empresa tem obtido grandes lucros nos últimos anos, mas disse que negligenciou a proteção ambiental e os direitos humanos.

A Valea também é parcialmente responsável por dois acidentes nos últimos anos, nos quais barragens em embalagens de lixo extrativista foram rompidas e mataram cerca de 300 pessoas no Brasil.

Vista aérea de um deslizamento de terra em Brumadinho, Brasil

A Vale foi condenada por romper a barragem por bilhões de indenização. Antonio Lacerda / EPA

No início de fevereiro, a Vale foi condenada a cerca de seis bilhões de euros por danos devido a um grande acidente na barragem. O valor ainda pode aumentar. Além disso, parte da liderança da Vale recebe denúncias de homicídios.

–  Estamos falando de uma empresa realmente irresponsável, resume Kröger.

De acordo com Kröger, a mina de níquel Onça Puma, que foi culpa da Finnwatch, é muito problemática em muitos aspectos. Os povos indígenas tiveram que ceder parcialmente à mineração e às pastagens vizinhas.

A mina fica na parte alta do rio, utilizada pelos indígenas, de forma que os resíduos da mineração que vão para o rio poluem as águas a jusante.

Processos judiciais estão pendentes contra a Vale no Brasil, mas a empresa tem um acordo provisório com o povo xikrin. Segundo ele, a empresa apóia financeiramente os povos indígenas e investiga mais detalhadamente os problemas ambientais.

A Vale não respondeu às perguntas de Yle sobre o relatório de Finnwatch.

Outokumpu: os fornecedores devem seguir nossas diretrizes

De acordo com Juha Erkkilä, vice-presidente de Sustentabilidade da Outokumpu, os requisitos da Outokumpu para a responsabilidade dos subcontratados são “muito abrangentes”.

– Todos os jornalistas são obrigados a cumprir nosso código de conduta, no qual, entre outras coisas, os direitos humanos são destacados, diz Erkkilä.

No entanto, ele não quer avaliar a responsabilidade da Vale ou de outros fornecedores individuais.

Segundo Erkkilä, os próprios fornecedores não encontraram riscos em termos de responsabilidade corporativa em suas operações.

A visão de Finnwatch é diferente. De acordo com seu relatório, o controle de responsabilidade corporativa da Outokumpu é fragmentado e seus critérios vagos.

Vista aérea de uma aldeia indígenaA aldeia de Xikrim junto ao rio Cateté. Repórter Brasil / Finnwatch

Segundo o pesquisador, o controle do Outokumpu é retrógrado

Finnwatch acusa Outokumpu de ocultar compras no Brasil. O pesquisador também acha que as operações da Outokumpu parecem secretas e frouxas em termos de controle.

“Parece que nada está sendo controlado em Outokumpu”, diz Kröger.

Kröger está surpreso que Outokumpu não quis fornecer à Finnwatch as informações comerciais solicitadas, mas a ONG teve que buscar as informações em outro lugar.

– A Outokumpu parece não se importar de onde vem (ferroníquel). Se ainda houver uma tentativa de esconder dessa forma, é bastante alarmante, diz Kröger.

Se a empresa não quer ser mais transparente, Kröger acredita que o dono deve exigir. Outokumpu é uma empresa listada em que o estado finlandês tem o maior proprietário individual de pouco mais de um quinto.

Kröger argumenta que a estatal Solidium teria que examinar cuidadosamente as cadeias produtivas da Outokumpu e de outras empresas de sua propriedade para que não se enredassem em transações com empresas como a Vale.

Kröger aponta que não se trata apenas de risco de reputação e comportamento antiético. Segundo ele, grandes empresas internacionais estão cada vez mais sendo processadas, sendo acusadas de envolvimento em abusos aos direitos humanos e desastres naturais.

De acordo com Kröger, o estado deve investigar adequadamente as atividades das empresas que possui, e não deixar a tarefa para ONGs de poucos recursos – como é o caso agora da Finnwatch.

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Este texto foi originalmente escrito em finlandês e publicada pela Yle [Aqui!].

Nos passos da Monsanto

A Bayer instou o México e a Tailândia a retirarem a proibição do glifosato, de acordo com documentos que vazaram recentemente

Nessa demonstração em 2015 no México contra a estratégia do glifosato da Monsanto, o grupo dos EUA ainda não fazia parte da Bayer AG.Nessa demonstração em 2015 no México contra o uso do glifosato da Monsanto, o grupo dos EUA ainda não fazia parte da Bayer AG. Foto: REUTERS / Ginnette Riquelme

Por Andreas Knobloch para o Neues Deutschland

Em 2019, o governo tailandês decidiu banir três agrotóxicos, incluindo a toxina vegetal glifosato. Mas pouco antes de a proibição entrar em vigor, o governo de Bangkok recuou. “Eu estava particularmente interessado no papel dos EUA nisso”, disse Nathan Donley, cientista da organização ambiental sem fins lucrativos Center for Biological Diversity (CBD). Documentos deixaram claro que as empresas químicas e o lobby agrícola estavam intensamente envolvidos na influência dos EUA na Tailândia para impedir a proibição do glifosato. “Então, vi no noticiário que o México estava tomando medidas semelhantes às da Tailândia para proibir o glifosato e outros agrotóxicos. Isso nos levou a solicitar os documentos. “

De acordo com a Lei de Liberdade de Informação, a CBD solicitou a liberação de registros internos; o jornal britânico “The Guardian” publicou na semana passada. O tráfego de e-mails publicados mostra que o grupo alemão Bayer trabalhou em estreita colaboração com funcionários do governo dos EUA para pressionar o governo do México a suspender sua proposta de proibição do glifosato. O governo do presidente Andrés Manuel López Obrador deu aos seus agricultores até 2024 para interromper o uso de glifosato e outros agrotóxicos, bem como o cultivo e uso de milho GM. Os argumentos citados para a proibição são segurança alimentar e soberania, além de aspectos de saúde. O glifosato é um componente de vários herbicidas e tem sido associado ao câncer e outros problemas de saúde. Também na Alemanha, os herbicidas que contêm glifosato devem ser proibidos a partir de 2024.

Bayer AG is the owner of Monsanto.

E-mails internos do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) e outras agências do governo dos EUA detalham como a Bayer instou o governo dos EUA a pressionar o México depois que o país inicialmente se recusou a importar glifosato da China no final de 2019. “Você pode ver o mesmo procedimento quando as empresas químicas afirmam que o governo dos EUA exerce influência sobre o que geralmente são países menores quando tentam elevar os padrões ambientais e de saúde”, diz Donley, referindo-se ao exemplo da Tailândia.

Por exemplo, Stephanie Murphy, representante da Bayer para assuntos governamentais, perguntou ao Diretor de Política de Comércio Internacional do USTR, Leslie Yang, em um e-mail sobre a rejeição da entrega de glifosato, se ela poderia “discutir o assunto mais com o USTR” e se “um possibilidade de um compromisso através da USMCA « O USMCA, acordo comercial recém-negociado entre os Estados Unidos, México e Canadá, foi assinado no final de 2018 e entrou em vigor em 1º de julho do ano passado. O lobista da indústria, CropLife America, que é financiado pela Bayer entre outros, também esteve envolvido. O glifosato desempenhou um papel importante nas negociações entre as autoridades americanas e mexicanas no início de 2020.

Em e-mails posteriores, Murphy escreveu a Yang sobre a necessidade de “engajamento político de alto nível”. Isso realmente aconteceu. Em maio, o representante de Comércio dos Estados Unidos, Robert Lighthizer, alertou a então secretária de Comércio do México, Graciela Márquez Colín, que as questões do milho transgênico e do glifosato ameaçavam minar a “força de nossos laços bilaterais”.

Bayer nega que suas ações sejam ilegais. “Como muitas empresas e organizações que operam em setores fortemente regulamentados, também fornecemos informações e contribuímos para a tomada de decisões políticas e processos regulatórios cientificamente sólidos”, escreveu a empresa quando questionada. “Nosso relacionamento com todos que trabalham no setor público é rotineiro, profissional e obedece a todas as leis e regulamentos.”

Donley, um defensor da proibição de agrotóxicos, também não acredita que nenhuma lei tenha sido violada. “Mas esse também não é o padrão que deveríamos estabelecer”, diz ele. A Bayer certamente tem o direito de pedir apoio ao governo dos EUA, mas o governo dos EUA está comprometido com interesses mais amplos do que a agenda de uma empresa química. “Se você olhar as trocas de e-mail, verá que o governo dos EUA está fazendo mais ou menos tudo o que a Bayer pede. É extremamente preocupante.”

No momento, parece que o México está disposto a reduzir o uso de produtos químicos na agricultura. “Os EUA parecem muito contra isso, então não tenho certeza de como isso vai acabar”, disse Donley. “Mas o que não deveria acontecer é que a diplomacia dos Estados Unidos está sob a influência das corporações – e é isso que está acontecendo neste caso.”

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Este texto foi escrito originalmente em alemão e publicado pelo “Neues Deutschland” [Aqui!].

Feijão deverá ter muito mais agrotóxicos do que já tem atualmente

Dos 1.033 novos produtos liberados pelo governo Bolsonaro desde 2019, pelo menos 114 são usados nas plantações de feijão

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Por Cida de Oliveira, da RBA

O feijão está na feijoada, na dobradinha, no baião de dois, no tutu, no virado à paulista e, assim, ao lado do arroz, forma a base do cardápio típico, e quase que diário, do povo brasileiro. Mas se o feijão é agro e é pop, é também carregado de agrotóxicos. A situação é tão séria que os empacotadores passaram a fazer testes rápidos no feijão ainda na carreta, para detectar os níveis de resíduos de agrotóxicos. As cargas com resíduos acima do permitido já são devolvidas no ato para os produtores. Segundo o Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe), a devolução de carretas e carretas está deixando esses agricultores “irados com a situação atual”.

O procedimento que tem desagradado agricultores exagerados no uso de agrotóxicos foi a saída encontrada pelos empacotadores para evitar multas pesadas, aplicadas pelo Ministério da Agricultura. Muitas delas chegam a R$ 490 mil por carreta.

Rastreabilidade do feijão

“Infelizmente ainda há um grande número de produtores que não se importam em produzir um feijão que eles próprios não consumiriam”, disse à RBA o presidente do Ibrafe, Marcelo Lüders. Essas multas, segundo ele, são uma forma de o ministério pressionar o setor a acelerar o processo de rastreabilidade da cadeia do feijão. Na prática, isso significa a adoção de tecnologias que concentrem todas as informações do produto desde a escolha da semente e preparação do solo até a chegada na prateleira dos supermercados.

Ou seja, um banco de dados que informe onde aquele feijão foi cultivado, que agrotóxicos foram usados e em quais quantidades, entre outras coisas. Boa prática para o consumidor, que pode finalmente saber o que está comendo, a rastreabilidade valoriza e fortalece a cadeia produtiva, aumenta a produtividade e abre portas para o mercado externo. Afinal, o Brasil é um dos maiores produtores mundiais de feijão. Mas exporta apenas 8% de sua produção devido ao alto consumo interno.

Feijão para o futuro

“O feijão será uma das principais fontes de proteína no futuro. Isso porque é crescente o número de pessoas que deixam de comer carne, aumentando a demanda por nutrição vegetal. Além das mudanças no perfil de consumo, há também a necessidade de produção mais sustentável, com menor uso de água e baixa emissão de carbono”, disse Lüders. Sem contar o preço mais acessível, apesar das altas e baixas de preços ao consumidor. Um prato de feijão custa cerca de US$ 0,20 atualmente.

É nessa produção de qualidade superior mirando o mercado externo, mais exigente e intolerante com os agrotóxicos, que repousam as esperanças de que esse alimento básico seja mais saudável para todos.

Os empacotadores não informaram quais são os princípios ativos mais encontrados nas carretas devolvidas. Mas há algumas pistas espalhadas que ajudam a dar uma ideia de que venenos estão no prato junto com o feijão nosso de cada dia.

Resíduos de agrotóxicos

O último monitoramento da presença de agrotóxicos no feijão no âmbito do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos (Para) corresponde ao período de 2013 a 2015. Na época o programa coordenado pela Anvisa em conjunto com órgãos estaduais e municipais de vigilância sanitária analisou 709 amostras da leguminosa.

O agrotóxico mais encontrado foi o fungicida Carbendazim, em 457 amostras. Em oito havia concentrações acima do limite máximo permitido das substâncias fempropatrina, flutriafol, imidacloprido, permetrina, pimimifós-metílico, procimidona e tiametoxam.

Em 48 foram detectados resíduos de agrotóxicos não autorizados para uso no cultivo do feijão, entre eles o pirimifós-metílico, detectado irregularmente em 2,4% das amostras monitoradas em 2015. Dois anos antes, a Anvisa excluiu o feijão das culturas alvo do produto.

Proibido na União Europeia, o carbendazim está sendo reavaliado pela Anvisa desde janeiro de 2020. Segundo a Anvisa, há fortes indícios de que cause câncer e que faça alterações no DNA das células. Esse dano pode levar ao aparecimento de diversos tipos de câncer, entre outras doenças, além de prejudicar o sistema reprodutivo e o desenvolvimento.

Efeitos nocivos

Entretanto, pesquisas recentes relacionam o produto a consequências ainda mais complexas e nefastas. “O carbendazim tem a capacidade de atravessar a placenta, atingindo o embrião ou feto e causando diversas alterações e malformações. Está associado também à infertilidade, a disfunções nas células do fígado, do sangue e à desregulação no sistema endocrinológico. Ou seja, prejudica as glândulas que secretam os hormônios que controlam funções vitais. Sem contar efeitos nocivos ao meio ambiente”, disse o professor e pesquisador Marcos Pedlowski, da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf).

Pedlowski criou uma espécie de observatório das liberações de agrotóxicos pelo governo Jair Bolsonaro. Conforme a fonte de dados, dos 1.033 liberados desde sua chegada à presidência, em janeiro de 2019, 114 são indicados para as lavouras de feijão.

Desse total, 43 são proibidos na União Europeia. É o caso do fungicida Mancozebe. A ficha de informações de segurança do produto de nome comercial Dithane, da Dow Agrosciences, um dos fabricantes, informa que a exposição crônica trouxe danos ao fígado e à tiróide de ratos de laboratório. E ainda causou câncer em caso de exposição a doses elevadas. Cobaias fêmeas expostas tiveram crias com defeitos congênitos, já que o produto é tóxico para o feto.

O ingrediente ativo será banido a partir de junho na União Europeia. Isso porque uma reavaliação da Agência Europeia para a Segurança Alimentar (EFSA) apontou o produto como causador de alterações endocrinológicas. Nos Estados Unidos, a Agência de Proteção Ambiental (EPA) o avalia como provável cancerígeno.

Tumor maligno

Fungicida mais vendido no Brasil segundo a associação de fabricantes de agrotóxicos genéricos, a Aenda, o Mancozebe é classificado pela Anvisa como medianamente tóxico. No entanto, o Insituto Nacional de Câncer (Inca), vinculado ao Ministério da Saúde, o fungicida está associado ao desenvolvimento de linfoma não-Hodgkin. Esse tumor maligno, que ataca o sistema imunológico, tem levado pessoas doentes dos Estados Unidos a processar a Bayer, fabricante do glifosato, outro princípio ativo relacionado à grave doença.

Outro agrotóxico perigoso à saúde na lista é o inseticida Clorpirifós, classificado como altamente tóxico. Segundo o Inca, está relacionado a leucemias, linfomas não-Hodgkin e de pâncreas. Pesquisas como as da pesquisadora Barbara Demeneix, do Centro Nacional de Pesquisa Científica da França, aponta que o princípio ativo causa danos como distúrbios hormonais, deficiência mental irreversível nos fetos e diminuição de até 2,5 pontos de QI (quociente de inteligência) das crianças.

Mas não se pode esquecer os produtos letais às colmeias de abelhas em todo o mundo, como os inseticidas fipronil e o tiametoxam, banidos da União Europeia em 2017.

Ameaça à saúde

Outra evidência gritante do envenenamento do feijão brasileiro é o limite máximo de resíduos para o inseticida malationa no Brasil, que é de 8 miligramas por quilo (mg/kg), o que significa uma tolerância 400 vezes maior do que a da União Europeia, que é de 0,02 mg/kg. A discrepância é mostrada no Atlas Geográfico do Uso de Agrotóxicos no Brasil e Conexões com a União Europeia, de autoria da professora e pesquisadora do Departamento de Geografia da USP Larissa Mies Bombardi.

Se nenhuma medida efetiva for tomada em relação a um problema tão grave, os empacotadores deverão devolver ainda muitas e muitas carretas aos produtores. E o feijão se tornará uma ameaça à saúde.

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Este texto foi publicamente inicialmente pela Rede Brasil Atual [Aqui!].

Pietismo secular

 A esquerda joga a compulsão de se auto-otimizar contra si mesma

end of groundsVocê está pronto para atuar? As contorções políticas da esquerda de hoje – neste caso, o movimento “Fim dos caminhos” – às vezes levam mais para o sistema do que para fora dele.  Foto: dpa / Andreas Arnold

Por  Michael Ramminger e Julia Lis para o Neues Deutschland

Brancura crítica, reflexão sobre o comportamento de fala, conceitos de consciência que regulam meticulosamente o comportamento em festas e ações, acusações constantes de anti-semitismo: qualquer pessoa que observe discursos de esquerda e o habitus de muitos no ativismo de esquerda perceberá rapidamente que o comportamento e fala “corretos” , Portanto, a moral desempenha um papel muito central. Esse fato se baseia em uma subjetivação que reproduz os mecanismos do capitalismo neoliberal pelo avesso, ao invés de questioná-los radicalmente.

O capitalismo neoliberal assenta em três pilares centrais: Em primeiro lugar, o mercado livre, que – segundo o seu principal apologista FA Hayek – “pode fazer amigos dos inimigos” e deve garantir a maior prosperidade possível e a máxima liberdade. Em segundo lugar, existe o entendimento do Estado de garantir a propriedade e prevenir a interferência no mercado. O terceiro ponto, entretanto, é uma forma específica de subjetivação e individualização que estamos apenas compreendendo lentamente. Desenvolveu-se na transição do fordismo para o pós-fordismo ou »toyotismo«: a força de trabalho autossuficiente, exigida em toda a sua subjetividade e criatividade – seja na linha de montagem da Toyota, na agência de web design ou no hospital – sempre pronta dar tudo e estar presente à crítica dos outros da equipa ou do grupo: eu, uma empresa minha,

Outrora, por exemplo com Rosa Luxemburgo, a individualidade era a liberdade do indivíduo, uma demanda emancipatória. Hoje, porém, é um imperativo das condições prevalecentes que exige tudo de você. É a última instância de uma vida bem-sucedida: se você falhar, a culpa é sua. Somos institutos experimentais para nossas próprias personalidades, extraímos nossa liberdade e autoridade de nós mesmos. Esse auto-fortalecimento no capitalismo neoliberal é, como Ulrich Beck delirou em 1997 antes da transição para o capitalismo vermelho-verde, a reinvenção republicana da Europa dos indivíduos , portanto, o »novo filósofo” no sentido de Friedrich Nietzsche.

Graças a Deus, não demorou muito para que esse trágico otimismo se esgotasse na individualização capitalista. Além dos movimentos de direita, que se opuseram a essa demanda excessiva por meio de uma nova homogeneização étnica e racismo, o movimento de esquerda também se posicionou na República Federal: crítica patriarcal, anti-racismo e movimentos de refugiados, bem como o “Fim dos Caminhos”, são de tentar neutralizar essas condições. A esquerda do movimento luta desesperadamente contra as consequências catastróficas deste capitalismo. Ao fazer isso, no entanto, ela negligencia como, em sua luta, em suas formas organizacionais e máximas, internalizou de forma não dialética o pressuposto básico do sujeito capitalista neoliberal, a compulsão para a auto-otimização criativa e individualização.

O sujeito toyotista da auto-otimização experimenta sua reencarnação como figura de uma espécie de ativista político comprometido com a própria perfeição moral na luta contra a destruição, exploração e injustiça ambiental: na obrigação de auto-otimização no sentido de um trabalho permanente sobre sua própria integridade moral. A política de esquerda está cada vez mais reduzida a intervenções discursivas e mudanças de hábito. Teorias que querem penetrar nas estruturas sociais como parte da socialização capitalista – como a teoria crítica – dificilmente desempenham um papel nas universidades hoje em dia. Eles foram substituídos por uma recepção abreviada do construtivismo pós-estruturalista, que normalmente é conhecido pelo nome de “desconstrutivismo”.

Isso pode ser visto principalmente nas formas populares de discurso de gênero – muitas vezes vagamente baseadas em Judith Butler -, no exagero sobre a brancura crítica e a recepção comum dos estudos pós-coloniais. A radicalidade com relação à crítica à dominação deve, portanto, ser mostrada em um comportamento de discussão politicamente correto, na crítica do “salvadorismo branco”, nos próprios privilégios e assim por diante. É uma vingança que a subjetivação pessoal em condições capitalistas não seja naturalmente analisada também como um processo histórico de socialização. Isso culmina no fato de que, por exemplo, grupos locais do “Fim dos caminhos” paralisam-se em sua prática ao descobrir, tristemente, que têm muito poucos »PoC« (pessoas de cor) em suas próprias fileiras.

Política como expiação

Portanto, trata-se cada vez menos de superar as condições e compreender essa luta como a do imperfeito. Por outro lado, a política de esquerda degenera em uma crítica às próprias inadequações, alheias e sociais, cujo horizonte último é expiar por meio da auto-otimização moral da esquerda. Essa figura é conhecida desde a história da religião, especialmente a história das igrejas protestantes. A referência aqui é o pietismo do século XVII. A internalização religiosa – »pesquisa da alma« – e a perfeição moral, também realizada externamente, estavam no centro desse sistema de crenças. Devem ser garantidos pela forte orientação interna da comunidade espiritual, a “ecclesiola”. Encontramos isso novamente em uma forma secularizada à esquerda, quando páginas de folhas de reflexão são criadas sobre as próprias estruturas racistas internalizadas, quando em tempos de pandemia corona são denunciados impiedosamente aqueles que não assumem responsabilidade suficiente por sua própria saúde e pela saúde de seus vizinhos ou quando grupos críticos de masculinidade referem-se a confissões de culpa por seu falso comportamento masculino dominante em torno de si como melhor, porque os homens feministas apresentam. Você pode chamar isso de pietismo secularizado. para se apresentarem como melhores, porque homens feministas. Você pode chamar isso de pietismo secularizado. para se apresentarem como melhores, porque homens feministas. Você pode chamar isso de pietismo secularizado.

 Fadiga exercida

Essas formas de política e de vida são cada vez menos capazes de criticar toda a sociedade. As ações continuam focadas nas demandas certas que se faz da sociedade e também da “política”, ou seja, das instituições do Estado. Nesse ínterim, há uma grande pressão interna, uma denúncia implacável de todos os comportamentos e formas de expressão contraditórios até a exclusão e denúncia. Um clima de autocontrole temeroso se desenvolve, o que inibe a criatividade, a alegria da experimentação e o desejo de discutir. O manejo individual e coletivo dos conflitos que surgem da tensão entre a reivindicação de auto-realização individual ilimitada e a compulsão de atender às próprias exigências morais coletivas ocupa muito espaço.

O resultado é um tipo de homem de esquerda que sempre parece cansado e tenso, precisamente porque sempre tenta se comunicar de forma amigável e reservada e fazer cumprir as regras auto-impostas internamente, construindo pressão moral. Muito do que Nietzsche uma vez formulou como uma crítica à moralidade do meio protestante-burguês se aplica a este tipo: “Eles teriam que cantar para mim melhores canções para que eu pudesse aprender a acreditar em seu Redentor: seus discípulos deveriam parecer mais redimidos para mim !?”

A crítica de Nietzsche a uma “moralidade escrava” que busca compensar sua própria fraqueza e inferioridade com reivindicações morais de superioridade e, assim, eleva-a a uma virtude, deve ser escrita atrás das orelhas da esquerda de hoje. Só então ela seria capaz de se libertar do cativeiro de tal pietismo secularizado. Você faria um pouco mais de bem a Nietzsche. Se apenas para levantar a questão de como podemos coletivamente e alegremente nos libertar para uma vida, um desejo que nos permite finalmente lutar e superar os relacionamentos errados e alienados, não nós mesmos. Isso seria, então, talvez realmente uma reversão bem-sucedida e esquerda dessa figura do “novo filósofo” que Ulrich Beck convocou em defesa do estrangeiro neoliberal e da auto-exploração com Nietzsche.

*Dr.  em Teologia Michael Ramminger , nascido em 1960, é um dos co-fundadores do Instituto de Teologia e Política de Münster. Dra em Teologia Julia Lis , nascida em 1980. Ambos se interessam por questões de teologia libertadora e estão envolvidos em movimentos políticos.

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Este artigo foi originalmente escrito em alemão e publicado pelo Neues Deutschland [Aqui!].

Estudo mostra consequências do uso de agrotóxicos por agricultores envolvidos no cultivo de tomate em São José de Ubá (RJ)

agrotóxicos tomates

A edição de Dezembro de 2020 do periódico científico “Revista de Saúde Pública”  contém o artigo intitulado “Exposição ocupacional a agrotóxicos e sintomas de saúde entre agricultores familiares no Brasil” que apresenta os resultados de uma pesquisa realizada em São José do Ubá (SJU), município localizado na região Norte Fluminense, maior produtor de tomate do Rio de Janeiro e um dos maiores em todo o Brasil, obteve resultados preocupantes no tocante aos impactos causados pela exposição intensiva e contínua a agrotóxicos.

SJU

O estudo que contou com a participação de 78 agricultores familiares identificou os principais sintomas presentes em agricultores e seus ajudantes  decorrentes da aplicação de agrotóxicos, principalmente na cultura do tomate. Os dados de sintomas e exposição foram coletados por meio de entrevistas e os resultados de saúde mental por um questionário auto aplicado.  Amostras de sangue de foram analisadas para avaliar os níveis de colinesterase. Os indicadores de exposição e sintomas foram comparados entre agricultores que trabalham com agrotóxicos e seus ajudantes para verificar se havia alguma diferença na condição de saúde dos dois grupos de agricultores.

Os resultados do estudo mostram que os pequenos agricultores familiares em SJU estavam ocupacionalmente e ambientalmente expostos a agrotóxicos desde jovens, pois viviam perto de plantações, e trabalhavam sem treinamento de segurança, suporte técnico ou com os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs).

Em relação aos produtos utilizados, foram citados 49 agrotóxicos pertencentes 31 grupos químicos, principalmente os organofosforados, tais como Acefato e Clorpirifós,  carbamatos como o fungicida Mancozebe e o inseticida Metomil, inseticidas piretróides como Lambda-Cialotrina e Deltametrina. Mas também foram identificados agrotóxicos pertencentes aos grupos Nitrilos, Diamidas, Neonicotinóides, Avermectinas, e o Benzimidazol. A maioria desses produtos químicos é classificada como extremamente e altamente tóxica para o seres humanos. Além disso, cerca de 30% dos aplicadores não sabiam quais agrotóxicos estavam aplicando porque outra pessoa faz a mistura e eles só aplicam. O Glifosato e o Paraquate foram citados por 35% e 17%, respectivamente, mas são proibidos para o cultivo de tomate no Brasil. Os extremamente tóxicos, tais como Clorpirifós e 2,4-D são proibidos para a cultura do tomate no Brasil, e o altamente tóxico Endosulfan já foi proibido, mas também foi mencionado como estando em uso nas plantações em SJU.

Inicialmente, os autores da pesquisa estimavam que os agricultores estariam mais expostos a agrotóxicos e apresentariam mais sintomas do que os seus ajudantes que auxiliam nas atividades de cultivo. No entanto, a maioria dos sintomas teve maior prevalência entre ajudantes atuais e ex-ajudantes, mesmo após o ajuste para possíveis fatores de confusão, incluindo gênero. Uma explicação para este fato pode ser que os ajudantes também estão muito expostos aos agrotóxicos devido à sua maior exposição residencial, menor treinamento e  maior envolvimento em tarefas de reentrada no mesmo dia ou dia após a pulverização, quando menos EPIs. 

Com base nos resultados obtidos, os pesquisadores envolvidos concluíram que a alta exposição a agrotóxicos deve ser uma grande 
preocupação com a saúde pública, pois reduz a qualidade de vida dos agricultores, afeta a força de trabalho rural e aumenta a carga de comorbidades e mortalidade, e também os custos com serviços de saúde.  

Mudança na presidência da Petrobras agita vespeiro

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Não sei quantos acompanharam pela televisão o momento em que surgiu a demissão do privatista Roberto Castello Branco da presidência da Petrobras, mas confesso que a reação desesperada dos analistas globais ou diretamente do chamado “mercado” chegou a me causar curiosidade. É que em nome de uma suposta segurança corporativa, estes analistas caíram como vespas furiosas sobre a decisão do presidente Jair Bolsonaro de demitir Castello Branco e nomear o general da reserva Joaquim Silva e Luna para o cargo. Mais do que rejeitar o general Silva e Luna, coisa que não ousaram fazer, os analistas apontaram para o risco de se mudar uma política de preços que hoje asfixia os brasileiros, mas que enche os bolsos dos acionistas estrangeiros.

A revoada de notícias contendo previsões catastróficas continua neste sábado e já tem gente que diz que a Petrobras perderá zilhões de reais por causa dessa troca, sem que um mísero artigo toque em um ponto central: a política privatista inaugurada por Pedro Parente e continuada por Castello Branco causaram uma explosão nos preços não apenas da gasolina e do diesel, e também do gás de cozinha. Com isso, para ter a chance de vencer o pleito presidencial de 2022, Jair Bolsonaro não teve outra alternativa a não ser sacar Castello Branco e quase certamente a política de preços que ele aplica.  É essa mudança, e não simplesmente a questão da presidência, que alvoroça a mídia corporativa brasileira que se mostra, mais uma vez, uma vassala dos interesses estrangeiros que hoje se refastelam com a política de petróleo que é aplicada pelo governo Bolsonaro. 

Há que se notar, por exemplo, que não ouvi nenhuma crítica dos analistas nervosos com o presidente Bolsonaro em relação à dolarização da gasolina que poderá elevar o preço do litro a algo em torno de R$10 até o final de 2021, ou à venda da Refinaria Landulpho Alves na Bahia pela metade do seu valor ao fundo soberano de Abu Dabi, o  Mubaala. 

Certamente há uma série de riscos para o presidente Jair Bolsonaro nesse movimento que afronta tantos interesses inconfessáveis dentro da república. Dilma Rousseff caiu por coisa semelhante, pois era vista como um empecilho para a aplicação das políticas que o governo Bolsonaro vem aplicando.  Entretanto, ao fazer esse movimento sobre a pressão da conjuntura complexa que combina elementos políticos, econômicos e sanitários, Bolsonaro abriu uma brecha para que suas próprias ações possam ser questionadas pela classe trabalhadora.  Pode parecer contraditório vindo de alguém que busca consolidar sua posição de poder, mas ao mexer na Petrobras, Bolsonaro pode ter feito uma aposta maior que as cartas que têm na mão permitiriam. Resta saber como ficarão os generais que objetivamente sustentam o seu governo.

Volta às aulas: “já estamos num colapso. Fomos jogados no olho do furacão”

sala de aula

Criança levanta a mão ao lado de outros alunos em sala de aula da escola Thomaz Rodrigues Alckmin, no primeiro dia de retorno das escolas do estado de São Paulo para atividades extracurriculares em meio ao surto de coronavírus (COVID-19) em São Paulo, Brasil Outubro 7, 2020. REUTERS / Amanda Perobelli

Por Gabriel Brito para o Correio da Cidadania

Fevereiro de 2021 entra para a história como o mês em que, apesar do pico de casos de coronavírus no Brasil, o Estado brasileiro e seus gestores decidiram iniciar o ano letivo em condições pretensamente normais. De acordo com o Sindicato dos Professores do Estado de São Paulo, já são 721 casos de contaminação na comunidade escolar e algumas mortes. Na entrevista ao Correio, o professor Severino Honorato comenta que a maior parte dos estabelecimentos não é apta a funcionar de forma segura e o governo só deu ouvidos às pressões do poder econômico na organização do retorno às aulas.

“As condições são péssimas. Faltam funcionárias para limpeza. As pessoas que existem são terceirizadas e ganham salários de fome. São mulheres que estão na linha de frente da higienização e limpeza do ambiente escolar. Estão expostas ao vírus. Têm casos em que só há uma funcionária para limpar toda a escola. Isso é semiescravidão. Antes de ser do sindicato, sou professor. Eu sou testemunha disso”.

Severino também ataca a má fé do governo Bolsonaro no tratamento da pandemia e na viabilização da vacina, e explica as razões pelas quais a greve dos trabalhadores da educação não se concretizou.

“As perspectivas são de tempos difíceis, duros, de ampliação do contágio e das mortes. Bolsonaro tem um modus operandi maléfico: boicota as medidas necessárias e depois de um tempo as aplica e diz que foi ideia do governo”, resumiu.

A entrevista completa pode ser lida a seguir. 

Correio da Cidadania: Como avalia a volta as aulas na rede pública no contexto da pandemia? Havia como fazer diferente em uma sociedade como a nossa?

Severino Honorato: As condições são péssimas. Faltam funcionárias para limpeza. As pessoas que existem são terceirizadas e ganham salários de fome. São mulheres que estão na linha de frente da higienização e limpeza do ambiente escolar. Estão expostas ao vírus. Têm casos em que só há uma funcionária pra limpar toda a escola. Isso é semiescravidão. Antes de ser do sindicato, sou professor. Eu sou testemunha disso.

Correio da Cidadania: O que pensa da forma como governo e prefeitura conduzem o retorno às aulas, considerando também sua política de contenção do coronavírus de um modo geral?

Severino Honorato: A demagogia e a irresponsabilidade dos governos venceram. Demagogia porque alegam que as crianças estavam entrando em depressão, sofrendo violência doméstica. Mas isso sempre ocorreu e não existem políticas públicas sérias para conter esses problemas. A postura do governo federal foi desastrosa, condenável e criminosa. O negacionismo de Bolsonaro e sua turma de lunáticos custou a vida de muita gente. Na verdade, foi algo deliberado e orquestrado.

Correio da Cidadania: Quais as condições gerais das escolas? O que você pode descrever de acordo com a própria experiência?

Severino Honorato: O retorno foi desastroso do ponto de vista da segurança em relação ao contágio. Foi evidente que ocorreu uma pressão do setor privado e os governos cederam. Era possível fazer diferente, ouvir os segmentos interessados. Dialogar. Isso não ocorreu.

Correio da Cidadania: Já há muitos casos de contaminação? Como tem sido o dia a dia? Há chance de colapso das aulas?

Severino Honorato: O sindicato recebeu centenas de notificações de casos de covid-19, a grande maioria de professores. Têm escola com quase dez contaminados. Temos casos de gestores que morreram. Até porque as escolas não fecharam em nenhum momento. Temos casos de escolas com 50% de trabalho remoto, pois os profissionais são do grupo de risco. Já estamos num colapso. Fomos jogados no olho do furacão.

Correio da Cidadania: Houve uma tentativa de greve no meio do processo de retorno? Por que não ocorreu?

Severino Honorato: Greves são movimentos que podem ser um tsunami ou uma brisa. A greve aprovada pelo sindicato não pegou na base. São muitos os motivos. Destaco três: a) a pressão do governo, que criou uma estrutura hierárquica em que gestores e coordenadores “vestiram a camisa do governo”; b) a crise social provocada pela pandemia; c) o distanciamento do sindicato do chão da escola e também da comunidade escolar. O apelo do sindicato não sensibilizou a categoria. Os poucos que estão em greve estão sangrando.

Correio da Cidadania: Que perspectivas vocês enxergam neste contexto, levando em conta o ritmo da vacinação do país?

Severino Honorato: Tempos difíceis, duros, de ampliação do contágio e das mortes. Bolsonaro tem um modus operandi maléfico: boicota as medidas necessárias e depois de um tempo as aplica e diz que foi ideia do governo. Exemplo: Paulo Guedes propôs 200 reais de auxílio emergencial. O Congresso apontou 500, o Governo fechou com 600 e ganhou pontos com um setor da população que não tem tempo pra elucubrações, precisa comer. Só agora Pazzuello fala em agilizar a compra de vacinas, depois das inúmeras demonstrações de despreparo e mesmo desprezo sobre a urgência da situação. São genocidas.

Gabriel Brito é jornalista e editor do Correio da Cidadania.

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Esta entrevista foi inicialmente publicado pelo Correio da Cidadania [Aqui!].