Live do lançamento do livro “Geografia da Assimetria: o ciclo vicioso dos agrotóxicos e colonialismo entre o Mercosul e a União Europeia” de Larissa Bombardi

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Como anunciado aqui no blog, hoje ocorreu o lançamento no Parlamento Europeu do livro “Geografia da Assimetria: o ciclo vicioso dos agrotóxicos e colonialismo entre o Mercosul e a União Europeia” de autoria da professora Larissa Bombardi, do Departamento de Geografia da USP, e que atualmente se encontra exilada na Bélgica em função de ameaças sofridas por causa da publicação de sua obra anterior, o “Atlas Geográfico do Uso de Agrotóxicos no Brasil e Conexões com a União Europeia“.

geografia assimetria bombardi

Ainda que o evento de lançamento tenha durado em torno de 2 horas, disponibilizo abaixo dois vídeos que mostram a apresentação feita pela professora Larissa Bombardi do seu novo livro.

Quem desejar baixar a obra “Geografia da Assimetria: o ciclo vicioso dos agrotóxicos e colonialismo entre o Mercosul e a União Europeia” em sua versão em inglês, basta clicar  [Aqui!]

Bolsonaro transformou a Amazônia em ‘parque de diversões para criminosos’, diz ambientalista

O desmatamento da Amazônia segue batendo recordes e coloca o Brasil sob pressão internacional e risco de perdas econômicas substantivas. Para discutir o assunto, a Sputnik Brasil conversou com o secretário-executivo do Observatório do Clima, que alertou que criminosos agem à vontade na Amazônia atualmente

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Por Solon Neto para a Sputnik News

O desmatamento da Amazônia segue batendo recordes e coloca o Brasil sob pressão internacional e risco de perdas econômicas substantivas. Para discutir o assunto, a Sputnik Brasil conversou com o secretário-executivo do Observatório do Clima, que alertou que criminosos agem à vontade na Amazônia atualmente.

Na sexta-feira (7), dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) mostraram que o Brasil bateu o recorde de alerta de desmatamento na Amazônia em abril deste ano, com o pior resultado para o mês desde 2016. No total, a área sob alerta de desmatamento na região foi estimada em 581 km² pelo Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter) do INPE. Somente em abril, ao menos 58 mil hectares de floresta foram desmatados, um aumento de 43% em relação ao mesmo mês de 2020.

O quadro foi divulgado poucas semanas após o presidente brasileiro Jair Bolsonaro assumir compromissos de redução do desmatamento diante do mundo na Cúpula do Clima. Durante a conferência, Bolsonaro afirmou que o Brasil acabará o desmatamento ilegal até 2030.

Desde o início do atual governo, os números do desmatamento no Brasil têm gerado crescentes pressões internacionais. Recententemente, o governo dos Estados Unidos tem exercido esse papel, sendo que Washington exigiu de Bolsonaro a apresentação de uma postura mais ativa no combate ao crime ambiental durante a Cúpula do Clima. A postura ambiental do atual governo brasileiro também já recebeu reprimendas de diversos países europeus.

Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima, explica que o aumento do desmatamento no Brasil gera uma série de problemas sérios não só para o meio ambiente, como também para economia brasileira.

“São muitos os impactos do desmatamento para o setor do agronegócio brasileiro. Existem impactos de curto e impactos de médio prazo. Entre os impactos de curto prazo a gente pode citar nitidamente o impacto da imagem negativa que o desmatamento provoca para o Brasil e, consequentemente, para os produtos brasileiros, principalmente aqueles que são produzidos na Amazônia. Ninguém, no mundo inteiro, quer consumir produtos derivados do desmatamento”, afirma Astrini em entrevista à Sputnik Brasil.

Um exemplo da consequência pontada por Astrini ocorreu no início de maio, quando um grupo de cerca de 40 empresas britânicas do setor alimentício divulgou uma carta aberta ameaçando boicotar a compra de produtos brasileiros caso o projeto de lei 510/2020 seja aprovado, alegando que a legislação incentiva o avanço sobre a Amazônia. O projeto, que conta com apoio do governo Bolsonaro, abre caminho para que áreas desmatadas possam passar para a posse de desmatadores.O ambientalista Marcio Astrini ressalta que esse tipo de pressão internacional pela preservação do meio ambiente no Brasil não é novidade e lembra da introdução da moratória da soja no início dos anos 2000 como exemplo de políticas anteriores que refletiram movimentações externas. A moratória da soja proíbe a compra de soja proveniente de áreas desmatadas.

“Cada vez, portanto, que o desmatamento aumenta no Brasil, aumenta essa desconfiança, a insegurança de compradores internacionais, e isso acaba prejudicando os negócios brasileiros ou colocando para alguns produtos, principalmente do Brasil, uma pressão ainda maior para que eles sejam comercializados mundo afora”, explica, lembrando que o país já sofreu boicotes internacionais ligados ao desmatamento e também ameaças de retirada de investimentos.

Astrini aponta que, além do impacto comercial, a degradação ambiental também pode trazer prejuízos econômicos diretos para atividades agropecuárias brasileiras, que aparentemente se beneficiam do desmatamento. Um estudo divulgado na revista Nature nesta segunda-feira (10), aponta que o desmatamento no Brasil pode custar US$ 5,7 bilhões (cerca de R$ 30 bilhões) anualmente ao país devido ao impacto na produção agrícola.

“Existe um impacto de médio prazo que é um impacto mais sustentado, provocado pelo desmatamento da Amazônia, que é a alteração dos padrões climáticos do Brasil e dos serviços essenciais que a floresta amazônica presta para toda agricultura nacional. Existem muitas regiões do Brasil em que grande, ou quase que a totalidade das chuvas que irrigam as produções brasileiras, advém diretamente da Amazônia”, aponta.

Área desmatada na Amazônia.Área desmatada na Amazônia. © REUTERS / Ueslei Marcelino

A mudança no padrão climático, explica o ambientalista, pode provocar secas mais prolongadas, alterando o regime das chuvas que irrigam plantações e abastecem reservatórios em todo o país. Dessa forma, o impacto sobre a produção é agrícola pode se estender a longo prazo.

Na contramão do mundo

A manutenção do desmatamento no Brasil, destaca Astrini, coloca o país em rota de colisão com a política climática de grandes potências, tais como a China, os Estados Unidos e também países da Europa, cujas agendas, hoje, incluem a proteção do meio ambiente.

“Obviamente que a Amazônia faz parte de uma preocupação global nesse tema de mudanças climáticas, afinal de contas a Amazônia retém um estoque de carbono, ela retém nas suas árvores, no seu solo, o equivalente a oito anos de todas as emissões globais de gases de efeito estufa. Então, aquilo é um verdadeiro estoque, uma bomba de carbono estocada na Amazônia. Se o desmatamento continuar avançando esse carbono todo que existe estocado na Amazônia vai sendo liberado para a atmosfera”, aponta.

O secretário-executivo do Observatório do Clima alerta que o desmatamento agressivo, como o detectado pelo INPE em abril na Amazônia, pode mover a floresta na direção de um colapso, colocando em risco os esforços globais contra o aquecimento global.

Presidente Jair Bolsonaro e membros do governo federal ouvindo a fala do líder norte-americano Joe Biden durante a Cúpula do Clima, 22 de abril de 2021Presidente Jair Bolsonaro e membros do governo federal ouvindo a fala do líder norte-americano Joe Biden durante a Cúpula do Clima, 22 de abril de 2021. © AFP 2021 / Marcos Correa/Presidência do Brasil

Astrini lembra que o Brasil “coleciona problemas” em diversas questões como decorrência da má gestão ambiental. Um deles está atrelado à submissão do pedido de entrada na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que entre outros pontos, requer uma política ambiental adequada. Outro prejuízo da atual política ambiental, lembra Astrini, é em relação ao acordo entre Mercosul e União Europeia (UE) que envolve bilhões de euros.

“Talvez o caso mais claro de impacto econômico, impacto na relação diplomática e comercial do Brasil, esteja no tratado Mercosul-União Europeia, um tratado que teve a sua assinatura política realizada há cerca de um ano e meio atrás e que de lá para cá ficou esperando um gesto, um gesto positivo, a entrega de resultados por parte do governo brasileiro de diminuição do desmatamento da Amazônia e de uma melhoria da governança ambiental no Brasil. Nunca foi apresentado pelo atual governo brasileiro nenhum resultado e nenhuma ação concreta, ou medida satisfatória, nesse sentido de melhorar a forma como o Brasil trata o meio ambiente”, aponta.

Governo Bolsonaro protege quem desmata

Há diversas especulações sobre as razões que levam o governo do presidente brasileiro Jair Bolsonaro a manter a política ambiental mesmo em meio aos prejuízos iminentes desta prática e às pressões internacionais. Para Astrini, o governo simplesmente não tem interesse em barrar o desmatamento.

“Eu diria que o principal é que o governo não quer. O governo Bolsonaro realmente não adota uma postura de governo que esteja interessado em combater o crime ambiental – que é o principal causador hoje que nós temos do desmatamento da Amazônia – e tomar medidas efetivas para proteger a floresta e para tratar o crime ambiental de forma severa e com o rigor da lei”, avalia.

O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, e o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, participam da Cúpula do Clima virtual por meio de um link de vídeo em Brasília, Brasil, em 22 de abril de 2021.

O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, e o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, participam da Cúpula do Clima virtual por meio de um link de vídeo em Brasília, Brasil, em 22 de abril de 2021. © Reuters/ Marcos Correa/Presidência do Brasil

Para o ambientalista, o governo atual, ao invés de impedir o desmatamento, está incentivando essa prática.

“O governo [Bolsonaro], muito pelo contrário, em muitas, ou na grande maioria das medidas que tomou até hoje, toma medidas para facilitar o crime ambiental na Amazônia. É um governo que congelou as multas ambientais, é um governo que diminuiu a capacidade do Estado brasileiro de combater o crime [ambiental], cancelando operações de campo, diminuindo muito o orçamento das agências de fiscalização do desmatamento da Amazônia, tomou medidas em favor de madeireiros ilegais, em favor de grileiros de terras, em favor de invasores de terras públicas”, afirma, acrescentando nesse rol entra ainda a simpatia do governo com o garimpo ilegal na região amazônica.

Astrini também recorda que há relatos de que a atual política ambiental do governo Bolsonaro persegue servidores interessados em combater o desmatamento.

“Nós temos uma série de depoimentos de pessoas que trabalham na fiscalização ambiental no Brasil dizendo que elas são perseguidas e intimidadas pelo atual governo. Há alguns dias atrás, inclusive, os servidores públicos que praticam fiscalização no Brasil acusaram o governo de tentar implementar medidas que praticamente inviabilizam a fiscalização ambiental no país”, aponta.

Criminosos atuam à vontade na Amazônia

O representante do Observatório do Clima lembra que o governo federal tem capacidade financeira e técnica à disposição para executar amplas ações de combate ao desmatamento, mas escolhe “proteger quem desmata”.

“Então, existem uma série de medidas, uma série de ações do próprio governo que vão no sentido de proteger quem desmata e não de proteger a floresta. Exatamente por isso, o crime se sente extremamente à vontade e vê, em ações e em palavras, que o governo não vai tomar nenhuma iniciativa, assim como não tomou até agora, no sentido de coibir esse crime ambiental. Hoje, na verdade, a Amazônia se transformou em um verdadeiro parque de diversões para criminosos do meio ambiente, eles atuam de forma muito à vontade”, aponta.

Carregamento de madeira extraída da Amazônia transportado em quatro embarcações sendo apreendido pela Operação Verde Brasil 2, das Forças Armadas brasileiras, no estado do Pará

Carregamento de madeira extraída da Amazônia transportado em quatro embarcações sendo apreendido pela Operação Verde Brasil 2, das Forças Armadas brasileiras, no estado do Pará. © Foto/Divulgação/Ministério da Defesa

Astrini afirma que o Brasil tem pelo menos três bilhões de reais parados no Fundo Amazônia que não são empregados pelo governo de forma deliberada. Dessa forma, na opinião do ambientalista, o que impede o aumento do combate ao desmatamento no Brasil é o governo.

“O que falta no Brasil não é nem conhecimento de como se diminuir o desmatamento, mesmo porque o Brasil já fez isso alguns anos atrás. Entre os anos de 2004 e 2012, o desmatamento na Amazônia caiu na casa de 80%. Portanto, nós sabemos que não é um problema de dinheiro – o dinheiro está depositado no Fundo Amazônia. É realmente um problema de governo, o que nos falta é vontade e o que falta é compromisso da atual gestão pública no Brasil do governo federal em atacar o problema e reduzir o desmatamento da Amazônia”, conclui.

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Este texto foi originalmente publicado pela agência Sputnik News [ Aqui! ].

Estudo publicado na Nature Communications mostra que avanço do desmatamento diminui chuvas no sul da Amazônia

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Há algum tempo é ponto de acordo na comunidade científica que as chuvas na Amazônia tendem a diminuir se a perda florestal exceder algum limite, mas até aqui inexistia um valor específico deste limite. Agora, um grupo de pesquisadores distribuídos entre 2 universidades brasileiras (a Universidade Federal de Minas Gerais e a Universidade Federal de Vilosa) e uma alemã (a Universidade de Bonn) acaba de publicar um artigo na revista “Nature Communications” onde são apresentados resultados sobre a relação as taxas de desmatamento e os níveis de precipitação em diferentes escalas geográficas em todo o sul da Amazônia brasileira. Eles também avaliaram os impactos da política de desmatamento cenários da agricultura da região foco do estudo (ver figura abaixo).

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Os resultados do artigo mostram que a perda da cobertura em   até 55-60% dentro de células de 28 km
aumenta as chuvas, mas taxas de desmatamento acima de desses valores reduzem as chuvas drasticamente Além disso, os resultados deste trabalho mostram que este limite é menor em escalas maiores (45-50% em 56 km e 25-30% em células de grade de 112 km), enquanto a chuva diminui linearmente dentro de células de grade de 224 km (ver figura abaixo).

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Anomalias médias anuais de precipitação por porcentagem de perda de floresta dentro de células de grade de 28, 56, 112 e 224 km. Dois segmentos lineares por partes de MARS algoritmo: a D <57,5% (linha azul) e D> = 57,5% (linha vermelha) para células de grade de 28 km. b D <47,5% (linha azul) e D> = 47,5% (linha vermelha) para células de grade de 56 km. c D <27,5% (linha azul) e D> = 27,5% (linha vermelha) para células de grade de 112 km. d Modelo linear de melhor ajuste (linha vermelha tracejada) para células de grade de 224 km. A barra de erro representa o erro padrão da anomalia média da precipitação para cada intervalo de perda de floresta. P’i, j, t são as anomalias residuais da precipitação anual (em mm / ano), onde o os subscritos i e j representam as dimensões do espaço e o subscrito t representa a dimensão do tempo. D representa a fração de perda florestal progressiva (em percentagem).

Uma das conclusões importantes deste trabalho é que o generalização do processo de desmatamento  resulta em um jogo de soma negativa hidrológica e econômica, porque chuvas e produtividade agrícola menores
em escalas maiores superam os ganhos locais (ver figura abaixo).

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Porcentagem de perda de floresta, células de grade de 28 × 28 km atingindo o limite crítico, uso / cobertura da terra e redução de chuvas. Porcentagem de perda florestal: a até 2019. b Simulado para 2050 para SEG e c WEG. Ao todo, células de grade de 28 × 28 km atingindo o limite de perda crítica de floresta: d até 2019. e Simulado até 2050 para SEG. f Cenário WEG. Uso / cobertura do solo: g até 2019, h simulado até 2050 para SEG i e WEG. Redução da precipitação: j até 2019. Simulado até 2050 para k SEG e  I WEG

Além disso, o trabalho que em um cenário de governança fraca, a região sul da Amazônia pode perder 56% de suas florestas até 2050. Curiosamente, segundo estimativas apresentadas neste trabalho, a redução do processo de desmatamento evitaria perdas econômicas na agricultura do sul da Amazônia em uma ordem de até 1 bilhão de dólares anualmente.

Um aspecto que deverá ser analisado com atenção é a confirmação científica de que ao aumentar as taxas de desmatamento além dos limites toleráveis pelos sistemas naturais, os desmatadores estão matando a galinha de ovos de ouro que, no caso, são as florestas que fornecem as chuvas que acabam irrigando as áreas agrícolas que tenderão a ficar cada vez mais insustentáveis caso não haja uma reversão dos cenários apresentados por mais este trabalho científico de alta relevância.

Exilada por causa das suas pesquisas sobre agrotóxicos no Brasil, Larissa Bombardi lança novo livro no Parlamento Europeu

Agrotóxicos e  relações comerciais assimétricas entre a UE e o Mercosul. Pesquisadora exilada discute a circulação de agrotóxicos. Próximos padrões coloniais. Parlamentares de esquerda da UE e ONGs participarão de evento no Parlamento Europeu

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Por Ulrike Bickel para o Amerika21

Bruxelas . Amanhã a professora de geografia brasileira Larissa Bombardi apresentará seu novo estudo sobre política de agrotóxicos nas relações comerciais entre a União Européia (UE) e a aliança econômica Sul-americana Mercado do Sul (Mercosul). No evento organizado pelo grupo de esquerda no Parlamento Europeu, parlamentares e organizações não-governamentais das duas regiões farão comentários sobre a situação. Eles também discutirão abordagens para combater o uso indevido de pesticidas.

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Empresas químicas se beneficiam da redução tarifária planejada de 14 a zero por cento nas exportações de pesticidas para o Mercosul.  FONTE:BILATERAIS

Participantes: Lilian Galán, membro da Frente Amplio do Uruguai, Nilto Tatto,  deputado federal do Partido dos Trabalhadores Brasileiros (PT) e presidente da frente parlamentar ambiental, da Alemanha Peter Clausing da Rede de Ação de Pesticidas (PAN) e da França Arnaud Apoteker da Justice Pesticides e Sara Lickel do Veblen Institute.

No estudo, que estará online em breve, Bombardi explica como o planejado acordo de livre comércio UE-Mercosul aumentará o comércio desigual entre as duas regiões e prejudicará ainda mais o clima e os ecossistemas. Organizações como o Greenpeace já demonstraram que as empresas químicas europeias se beneficiam enormemente das reduções tarifárias planejadas de 14 a zero por cento nas exportações de agrotóxicos para o Mercosul. Algumas delas são substâncias químicas proibidas na UE, como os inseticidas altamente perigosos para as abelhas Fipronil da BASF, Tiametoxam da Syngenta, Clotianidina e Imidaclopride da Bayer.

Continuaram as críticas de que os cortes tarifários sobre produtos agrícolas sul-americanos, como carne bovina e de frango, açúcar e bioetanol, acelerariam o desmatamento e consolidariam o modelo agrícola industrial que depende de monoculturas e safras geneticamente modificadas de alto desempenho. Por sua vez, as empresas químicas se beneficiam disso.

As aplicações corriqueiros de agrotóxicos em enormes plantações por avião também destruíram biomas ricos em espécies florestas e savanas, povos indígenas e agricultores foram deslocados, e os serviços de saúde da população local ficaram sobrecarregados. Com a exportação de produtos agrícolas sul-americanos, as substâncias perigosas voltaram aos pratos dos consumidores europeus: dentro e em restaurantes locais . Além disso, o acordo UE-Mercosul dá continuidade ao papel da América Latina como exportador de commodities agrícolas, como mostram os mapas do estudo da Bombardi.

Em termos puramente monetários, um certo equilíbrio foi estabelecido no comércio. Em 2018, a UE exportou bens no valor de cerca de 41 bilhões de euros para o Mercosul, enquanto os países do bloco sul americano exportaram bens no valor de cerca de 43 bilhões de euros para a UE. A Alemanha domina as importações do Mercosul com uma participação de 20 % das exportações totais, seguida pelos Países Baixos com 17% e França com 14%. O principal exportador do Mercosul para a UE é o Brasil, com mais de 70% do volume total de exportação. A Argentina tem 20%, Paraguai e Uruguai, 5%.

No entanto, segundo Bombardi, a aparente igualdade de valores financeiros das exportações esconde a subordinação dos ecossistemas, dos direitos humanos e das necessidades humanas no Mercosul. Enquanto as principais exportações da UE são produtos processados, como máquinas, veículos, reatores nucleares, produtos farmacêuticos e equipamentos eletrônicos, os principais produtos de exportação do Mercosul permaneceram principalmente matérias-primas, como farelo de soja, ração animal, minérios, grãos, celulose, óleos vegetais, frutas e café.

Oito dos doze produtos mais exportados do Mercosul para a UE vieram do setor agrícola, três da mineração e apenas um era um produto industrial. Por outro lado, dos doze produtos mais exportados da UE para o Mercosul, onze estavam relacionados com tecnologias de alto valor agregado: por exemplo, veículos, máquinas, aparelhos eletrônicos, produtos farmacêuticos e químicos, peças de aeronaves, aço. Apenas a décima segunda categoria de produtos continha matérias-primas.

Segundo Bombardi, isso reproduz o modelo comercial colonial de uma divisão internacional assimétrica do trabalho que as potências coloniais europeias estabeleceram há 500 anos.

Uma aliança de mais de 450 organizações sociais e ambientais da América Latina e da Europa está agora protestando contra o acordo comercial UE-Mercosul . De acordo com um parecer jurídico recente do Greenpeace e Misereor, as melhorias com uma cláusula adicional sobre proteção ambiental e florestal, propostas pelo Comissário de Comércio da UE Dombrovskis, são completamente inadequadas para garantir a sustentabilidade e os direitos humanos.

Quem desejar se inscrever para participar deste evento, basta clicar [Aqui!]

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Este texto foi originalmente escrito em alemão e publicado pelo Amerika21 [Aqui!].

Jair Bolsonaro vai acabar com a extração ilegal de madeira na Amazônia?

Possivelmente, mas a promessa de Brasília tem uma pegadinha: a extração ilegal acabará apenas porque será tornada legal

queimadaCorte e queima ilegal: a fumaça sobe acima da floresta amazônica ao norte da cidade de Sinop em agosto de 2020. © Carl de Souza / AFP / Getty Images

Por Thomas Fischermann para a Zeit

Internacionalmente, praticamente ninguém leva mais a sério o presidente brasileiro Jair Bolsonaro. Ele se expôs como um líder pouco capacitado que não consegue controlar a crise causada pelo coronavírus, e tem que responder por um aumento dramático na destruição ambiental doméstica. Mas muitos o ouviram de qualquer maneira quando ele apareceu por alguns minutos na Cúpula do Clima online de Joe Biden para 40 chefes de estado e governos no final de abril.  Jair Bolsonaro, que já nomeou os negacionistas das mudanças climáticas como ministros e quis culpar grupos ambientalistas pelos grandes incêndios na região amazônica, fez uma oferta ao mundo: o Brasil quer parar o desmatamento ilegal na floresta amazônica até 2030. Mas alertou: o Brasil precisa de bilhões de dólares do resto do mundo para a proteção das suas florestas.

O fim da derrubada ilegal de florestas até 2030 é na verdade um compromisso antigo do Brasil, que remonta à primeira década deste século. Da boca de Jair Bolsonaro, no entanto, essa promessa antiga parece sensacional. Até agora, a equipe do governo chamou a atenção, dando aos madeireiros ilegais, garimpeiros, aos envolvidos na derrubada e queima ilegal de florestas, e aos criadores de gado uma liberdade particularmente grande para penetrar na floresta tropical.

A clareira atingiu novos valores recordes sob Jair Bolsonaro. Nas temporadas de seca de 2019 e 2020, fotos de grandes incêndios na floresta amazônica circularam pelo mundo. Conhecidos pesquisadores do clima alertam que toda a região passará por um colapso ecológico em alguns anos e se transformará em uma savana. Enquanto isso, o governo Bolsonaro anunciou mais cortes nas agências de proteção ambiental e  de proteção contra incêndios para as florestas apenas algumas semanas atrás.

A comunidade das nações pode pagar se quiser de forma diferente: essa nova proposta de Brasília – que não é tão clara, mas implicitamente surge como uma junção – é na verdade uma ideia antiga. Em 2007, o então chefe de estado do Equador, Rafael Correa , fez uma ação semelhante. Na época, ele queria arrecadar quase quatro bilhões de dólares e, em troca, renunciar à perfuração de petróleo em uma reserva natural particularmente valiosa na floresta amazônica, o Parque Nacional Yasuní . Naquela época, no entanto, apenas alguns países ofereceram uma contribuição, a maioria deles repreendeu Correa como um esquema de proteção em um aspecto ecológico, e no final Correa fez um exercício.

No Brasil, entre todos os lugares, algo semelhante funcionou temporariamente desde 2008. O país recebeu apoio para projetos de florestas tropicais do chamado Fundo Amazônia de bilhões de dólares, financiado principalmente pela Noruega, mas para o qual a Alemanha também fez contribuições substanciais. As atividades do fundo foram praticamente congeladas em 2019 devido à disputa em curso com o governo anti-ambiental em Brasília.

A criação do Fundo Amazônia veio em um momento em que o presidente Luiz Inácio “Lula” da Silva teve um sucesso surpreendente na redução do desmatamento na Amazônia . Devido à pressão política do influente lobby dos proprietários de terras, essa fase durou pouco.

Então, Bolsonaro poderia repetir esse sucesso se a pressão do exterior continuar a aumentar e ele fizer algumas ofertas financeiras? A resposta é: sim, mas com uma pegadinha gigante.

Na era Lula, o desmatamento foi interrompido principalmente por uma expansão massiva do trabalho de caça aos envolvidos em atividades ilegais. Havia novos satélites no céu, mais ataques a invasores da selva, mais poderes para as autoridades ambientais reprimirem no chão. Eles foram autorizados a atear fogo em escavadeiras, colocar bombas em pistas clandestinas para aviões garimpeiros, e assim por diante. Na era Lula ficou rapidamente demonstrado: Com vontade política, o controle do desmatamento na Amazônia é possível.

Tudo parece que Bolsonaro quer impedir a extração ilegal de madeira na Amazônia de uma forma mais problemática: simplesmente declarando-a legal.

Isso também é uma tradição no Brasil. A cada poucos anos são aprovados as chamados leis da grilagem, leis de grilagem ilegal que legalizam retrospectivamente o desmatamento já realizado. Posteriormente, são definidas novas proibições e diretrizes, que todos esperam que sejam retiradas na próxima lei da grilagem .

Diversas novas leis estão sendo preparadas em Brasília, que permitirão formas ilegais de grilagem de terras e as tornarão menos burocráticas e fáceis.

Então, Jair Bolsonaro pode cumprir sua promessa de zerar a extração ilegal de madeira? Certamente. Mas isso é inútil para a proteção do clima.

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Este artigo foi escrito originalmente em alemão e publicado pela revista semanal Zeit [Aqui!  ].

Jair Bolsonaro quer militarizar a proteção ambiental na Amazônia

O presidente brasileiro quer tirar poder do Ibama e quer usar polícia militar no combate contra o desmatamento. Delegado da Polícia Federal denunciou o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, por proteger madeireiros

pmEm vez do Ibama, a polícia militar é que deverá receber recursos para combater o desmatamento na Amazônia. FONTE:MARCO SANTOS / AG.PARÁ.  

O presidente brasileiro Jair Bolsonaro quer mandar a polícia para a Amazônia. A Polícia Militar (PM) deve apoiar o Ibama, órgão de proteção ambiental, na luta contra a extração ilegal de madeira. O governo brasileiro pretende fornecer novos recursos para esse fim. O dinheiro não visa beneficiar as autoridades responsáveis ​​pela proteção do meio ambiente, mas financiar o uso da  PM na floresta. O governo ignora o fato de que as operações militares anteriores na luta contra a limpeza ilegal levaram a um novo aumento na derrubada da floresta.

Na Cúpula do Clima convocada pelo presidente dos EUA, Joe Biden, no final de abril , Bolsonaro anunciou que cortaria as emissões de CO2 do país pela metade até 2030. Até esta data, o fim do desmatamento ilegal também deveria ser alcançado. Para fazer isso, ele queria dobrar os fundos para vigilância, o chefe de Estado prometeu em seu discurso online.

Em tese, a implantação da polícia na floresta como parte da guarda nacional visa proteger os controladores dos órgãos ambientais Ibama e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade ( ICMBio) no combate à extração ilegal de madeira.

Depois que o governo Bolsonaros cortou o orçamento as duas agências de proteção ambiental desde que assumiu o cargo em 2019 e tirou delas a maioria de seus mecanismos de controle, agora está contando com reforços militares e policiais para que elas realizem suas tarefas de proteção ambiental.

Enquanto o Bolsonaro quer disponibilizar quase 90 milhões de reais (35,4 % de seu orçamento este ano. Ele cortou o Ibama em 4% do orçamento do ano em curso. Dos 1,65 bilhão de reais (cerca de 247 milhões de euros), 30% devem ser aprovados pelo Congresso. “Isso é absolutamente insuficiente”, criticou a ex-presidente do Ibama e especialista em clima Suely Araujo. A agência precisa de três vezes mais recursos, explicou Araujo.

O Ministério do Meio Ambiente teve que aceitar cortes de cerca de um terço em 2020. Ao mesmo tempo, o governo brasileiro enviou militares em maio de 2020 para acompanhar o Ibama. A operação militar  Brasil Verde 2 recebeu um orçamento duas vezes maior do que o disponibilizado ao órgão ambiental como um todo. A implantação de três mil soldados em 2,5 meses custou 120 milhões de reais.  

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Em 2020, os militares devem ajudar a descobrir a extração ilegal de madeira. Durante esse tempo, a compensação aumentou 9,5 por cento. FONTE:ASCOM / SEMAS

O uso do exército se mostrou não apenas caro, mas também contraproducente. Enquanto a extração ilegal de madeira aumentou 9,5% em comparação com o ano anterior e atingiu o recorde de 830 quilômetros quadrados em maio de 2020, o número de crimes detectados caiu 20%. Os controladores da agência de proteção ambiental descreveram a implantação dos soldados como ineficiente e obstrutiva. A estrutura do exército é muito grande. “Os madeireiros são sempre avisados”, disse um funcionário do Ibama.

Apesar das descobertas negativas, o governo brasileiro está se limitando a operações policiais onerosas. Ao fazer isso, ela está acomodando as forças de segurança como um dos poucos grupos de apoio restantes para o Bolsonaro. Como os militares fizeram no ano passado, o corpo de polícia está registrando com muita precisão como Bolsonaro os está atualizando simbólica e financeiramente.

Por outro lado, “o projeto legislativo do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, tem papel importante na substituição do Ibama”, alerta Marcio Astrini, diretor da ONG de Monitoramento do Clima Observatório do Clima. “Desde que assumiu o cargo, Salles quis controlar todas as operações de proteção ambiental; sempre sabendo o que e onde está sendo fiscalizado, mas nunca conseguiu”, disse Astrini. Se a polícia tivesse os mesmos poderes do Ibama ou do ICMBio, ele poderia contorná-los.

Foi apenas na segunda-feira que Salles mais uma vez  defendeu os madeireiros. “Quando você demoniza o trabalho desses empresários, só provoca mais desmatamento”, afirmou o ministro do Meio Ambiente do Brasil. Recentemente, Alexandre Saraiva, chefe de investigações da Polícia Federal contra o comércio ilegal de madeira, denunciou Salles por obstruir investigações ambientais, abuso de poder e envolvimento em organização criminosa. Salles “apóia diretamente os interesses privados dos madeireiros e abusa da administração pública por isso”, explica Saraiva.

Saraiva liderou uma investigação que resultou na maior exposição à extração ilegal de madeira da história do Brasil, e que por causa dela acabou sendo demitido. “Não haverá mais desmatamento até 2030 porque não há floresta”, o delegado da Polícia Federal comentou ironicamente o anúncio do  Bolsonaro na Cúpula do Clima do presidente dos Estados Unidos. 

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Este texto foi escrito originalmente em alemão e publicado pelo Amerika21 [Aqui!].

No dia 15 de maio, Paris realizará marcha contra a Monsanto-Bayer e agroquímicos

MARCHA MUNDIAL

Em 15 de maio de 2021, pelo 9º ano consecutivo, dezenas de milhares de pessoas se mobilizarão novamente para denunciar o sistema agroquímico industrial e suas consequências desastrosas para a saúde humana e o meio ambiente em todo o mundo.

Para marchar em Paris, encontre-se na Place Stalingrad a partir das 13h para caminhar em direção à Place de la République, onde os estandes da associação serão montados.

Em 15 de maio, venha e caminhe para defender:
– a biodiversidade
– a saúde de todos
– os direitos das vítimas do sistema agroindustrial (agente laranja, clordecona, glifosato e outros agrotóxicos)
– agroecologia e criação camponesa
– comida saudável acessível a todos
– agricultura sem pesticidas sintéticos ou Organismos Geneticamente Modificados (OGMs)
– redistribuição justa do dinheiro do CAP
– justiça ambiental
– o fim dos tratados de livre comércio
– a luta contra as desigualdades


Numa altura em que se acumulam escândalos e processos judiciais (clordecona, agente laranja, glifosato, novos OGMs), devemos mobilizar-nos maciçamente (respeitando os gestos de barreira, é claro) para denunciar este agrosistema destruidor industrial e promover alternativas para torná-lo um modelo virtuoso para a saúde humana e a biodiversidade.

O evento nacional que lista todos os mercados da França: https://www.facebook.com/events/842880852933885/

O veneno chega pela torneira: Ministério da Saúde aumenta de 27 para 40 agrotóxicos a serem monitorados na água consumida pelos brasileiros

torneira

Em meio ao avanço da pandemia da COVID-19, o Ministério da Saúde fez publicar sem muito alarde a Portaria GM/MS No. 888 de 04 de maio de 2021 cujo objetivo primário foi alterar o Anexo XX da Portaria de Consolidação GM/MS nº 5, de 28 de setembro de 2017 que dispõe sobre os procedimentos de controle e de vigilância da qualidade da água para consumo humano e seu padrão de potabilidade no Brasil.

Na prática a Portaria GM/MS No. 888 atualiza uma série de parâmetros que devem ser monitorados para que, em tese, se garanta que a água consumida pelos brasileiros em suas casas não causa danos à saúde deles.  Pois bem, mas um dos itens “atualizados” deveria ou deverá receber grande atenção dos responsáveis por garantir que a água que é consumida pelos brasileiros não vai causar doenças graves em vez de apenas matar a sede deles.

Falo aqui da Tabela de Padrão de Potabilidade para substâncias químicas que representam risco à saúde, especificamente aquelas que são usadas na agricultura, os chamados agrotóxicos.  É que na Portaria de Consolidação, o número de monitoramento eram 27, o que já foi motivo de uma postagem neste blog sobre a presença de todas as substâncias listadas pelo Ministério da Saúde na água consumida pelos habitantes de Campos dos Goytacazes, sendo que 9 delas estavam acima dos limites considerados como seguros.  Eis que agora o número de substâncias a serem monitoradas passou para 40 agrotóxicos, muitos dos quais amplamente usados na produção de commodities agrícolas voltadas para exportação como soja, milho e algodão (ver Aqui! as substâncias alvo para monitoramento em 2017 e em 2021).

Campos agrotóxicos

Na prática o que a elevação de 27 para 40 agrotóxicos a serem monitorados na água de consumo por causa do risco que causam à saúde humana é um reconhecimento tácito é de que uso intensivo e praticamente sem qualquer controle de substâncias altamente perigosas está chegando nos torneiras dos brasileiros. E, pior, sem que as empresas públicas ou privadas que fornecem essa água estejam fazendo qualquer movimento para estabelecer métodos de remoção desses poluentes no seu processo de tratamento, o qual permanece basicamente removendo material biológico e material particulado.

O pior é que dentre os agrotóxicos que passam a ser monitorados estão alguns que são apontados por estudos científicos como causadores de doenças graves tais como o Acefato, o Paraquate, a Ametrina e a Simazina, que têm sido consistentemente ligados à ocorrência de diversos tipos de câncer, além de doenças do sistema nervoso, sendo ainda disruptores endocrinos.

Apenas para se ter uma ideia da gravidade do avanço do processo de contaminação da água consumida por brasileiros por agrotóxicos, fiz uma checagem de quantas das 40 substâncias incluídas na Portaria GM/MS No. 888 de 04 de maio de 2021 estão proibidas na União Europeia (ver Aqui!) e o total foi de 26 (ou seja 65%!). 

status eu agrotóxicos na água

O problema é que como já foi mostrado pela professora Larissa Miers Bombardi no seuAtlas Geografia do Uso de Agrotóxicos no Brasil e Conexões com a União Européia“, os limites máximos de resíduos tolerados no Brasil estão, em alguns casos, em diversas ordens de grandeza daquilo que é tolerado pela Comissão Europeia. Assim, os brasileiros estarão sob um risco cada vez mais grave de estarem consumindo água com níveis de resíduos de agrotóxicos produzidos por multinacionais europeias, mas que aqui não obedecem os critérios de segurança impostos aos agricultores europeus.

No caso de Campos dos Goytacazes onde a Câmara de Vereadores pode ter brevemente uma Comissão Parlamentar de Inquérito para averiguar a qualidade dos serviços prestados pela concessionária “Águas do Paraíba”, um ponto que poderia ser arguida pelos vereadores poderia ser acerca dos métodos de remoção de micropoluentes como os agrotóxicos listados pelo Ministério da Saúde na água servida aos campistas.

Finalmente, não há como deixar de associar a necessidade de aumentar o número de substâncias sendo monitoradas na água servida pelas redes oficiais de fornecimento à política de “passa boiada” que foi adotada pelo governo Bolsonaro em substâncias que estão proibidas para uso justamente nos países que as fabricam.  O resultado dessa política de porteira aberta agora está aí para todos verem, qual seja, a grande possibilidade de que estamos ingerindo um alto número de resíduos de agrotóxicos altamente tóxicos não apenas para seres humanos, mas para os sistemas aquáticos que fornecem a água que precisamos para viver.

“Bee killers”: Corte Europeia mantém banimento de agrotóxicos neonicotinóides amplamente usados na Brasil

abelhas-mortas2Abelhas mortas por contato com agrotóxicos

O Tribunal Superior da União Europeia manteve a proibição parcial da UE de três agrotóxicos neonicotinóides que têm sido ligados ao extermínio de abelhas, impedindo seu uso em certas plantações. Esta decisão abrange três   três produtos ativas – a Imidacloprida, desenvolvida pela Bayer CropScience, a Clotianidina, desenvolvida pela Takeda Chemical Industries e Bayer CropScience, e o Tiametoxam  que é produzido pela Syngenta.

Curiosamente, dois desses agrotóxicos- a Imidacloprida e o Tiametoxam não só continuam sendo bastante vendidos, como foram beneficiados pela tsunami de aprovações realizada pelo governo Bolsonaro. No caso da Imidacloprida, o número de novos produtos aprovados foram 13, enquanto no caso do Tiametoxam o número aprovações chegou a 12. Há ainda que se notar que no caso da Imidacloprida as aprovações foram todas dos chamados produtos técnicos que são a matéria bruta do qual são produzidos os chamados produtos formulados que são efetivamente vendidos nas lojas de varejo. Já a Imidacloprida teve 6 produtos técnicos liberados, enquanto que os 6 produtos formulados foram autorizados para diversas culturas, incluindo o Algodão.

Com essa decisão, a multinacional alemã Bayer que teve o seu pedido rejeitado pelo Tribunal Superior da União Europeia certamente olhará para o mercado brasileiro com ainda mais sofreguidão, pois terá aqui caminho livre para escoar a sua produção que está sendo banida na União Europeia. Este padrão de “dupla moral” da União Europeia precisa ser claramente repudiado, na medida em que permitem a continuidade da venda de produtos que se sabe serem nocivos à saúde de insetos polinizadores, como é o caso das abelhas.

No caso do governo Bolsonaro e da Anvisa, o que mais essa caso deixa evidente é um padrão dúbio de preocupação com a saúde dos brasileiros, pois enquanto se impede o uso de vacinas contra a COVID-19 sob o desígnio de proteger a saúde dos brasileiros, quando se trata de agrotóxicos a coisa corre solta.

 

Direto do Restaurante Popular em Campos dos Goytacazes: cenas de uma reinauguração transformada em palanque

Como previsto a reinauguração na manhã desta 6a .feira do restaurante popular em Campos dos Goytacazes teve a presença do governador Cláudio Castro e de outras autoridades e ex-autoridades. As imagens abaixo mostram um governador contrito, provavelmente temeroso de alguma manifestação popular contra os efeitos devastadores da mega operação policial (que o jornal The Washington Post classificou como operação de guerra) na comunidade do Jacarezinho.

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Um dado curioso é que a reabertura do restaurante popular teria sido postergada por causa da pandemia da COVID-19. Entretanto, para sua reinauguração e o palanque em torno dela, a aglomeração correu mais do que solta, mesmo que se saiba que uma nova variante do Sars-Cov-2 esteja circulando neste momento na região Norte Fluminense. Em outras palavras, preocupação com aglomeração só para reabrir, mas para formação de palanque está tudo liberado.

Mas passado o momento do palanque, minha expectativa é de que a comida servida seja capaz de matar a fome do número diário prometido nos discursos de hoje. Afinal, como diz a camiseta que o governador Cláudio Castro e o prefeito Wladimir Garotinho usavam: “quem tem fome, tem pressa”.