Água do mar invadirá aquíferos costeiros e reduzirá água potável, diz estudo

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Por Jorge Marin para a TechMundo via nexperts

Em mais uma tragédia anunciada em consequência das mudanças climáticas, um estudo liderado pelo Laboratório de Propulsão a Jato da NASA revelou que a água do mar está prestes a invadir grande parte dos aquíferos costeiros até 2100, o que poderá comprometer até 77% dessas áreas em bacias hidrográficas ao redor do mundo.

Conhecido como intrusão de água salgada, o fenômeno acontece quando a água do mar invade o abastecimento subterrâneo de água. Segundo o estudo, publicado na Geophysical Research Letters, isso poderá ocorrer devido ao aumento do nível do mar, que elevará a pressão da água salgada em direção ao interior do continente e/ou pela redução da recarga de água doce causada por padrões climáticos mais quentes.

O rompimento do equilíbrio das forças opostas, que existem naturalmente nas zonas de transição entre a água doce e a salgada, pode não apenas tornar a água imprópria para o consumo e para a agricultura, mas também comprometer seriamente ecossistemas e infraestruturas costeiras.

Possíveis impactos causados pela intrusão de água salgada

Diagramada esquemático transversal de um aquífero costeiro sofrendo intrusão de água salgada. (Fonte: Kyra Adams et al., Geophysical Research Letters, 2024/Divulgação)
Diagramada esquemático transversal de um aquífero costeiro sofrendo intrusão de água salgada. (Fonte: Kyra Adams et al., Geophysical Research Letters, 2024/Divulgação)

Segundo o estudo, o aumento do nível do mar, sozinho, deverá causar intrusão em 82% das bacias costeiras, empurrando a zona de transição em até 200 metros, afetando regiões baixas, como o Sudeste Asiático e o Golfo do México. Já a redução da recarga de água subterrânea, isoladamente, afetará 45% das bacias, deslocando a zona de transição em até 1,2 mil metros em áreas áridas como a Península Arábica e a Baixa Califórnia, no México.

Felizmente, em 42% das bacias avaliadas, o aumento da recarga de águas subterrâneas poderá ser suficiente para reverter os efeitos do avanço da água do mar em algumas regiões. Isso significa que as estratégias de manejo para evitar a contaminação deverão ser específicas para cada área atingida.

O estudo sugere que, em locais onde a intrusão é causada pela baixa recarga, a adoção de estratégias para preservar os recursos hídricos subterrâneos podem ser eficaz. No entanto, em regiões onde o aumento do nível do mar é predominante, as soluções devem envolver o desvio das águas subterrâneas.

Um modelo global de proteção das águas subterrâneas costeiras

Mapa mundial da intrusão de água salgada. (Fonte: NASA/JPL-Caltech/Divulgação)
Mapa mundial da intrusão de água salgada. (Fonte: NASA/JPL-Caltech/Divulgação)

Para mapear a intrusão de água salgada no mundo, os pesquisadores utilizaram dados do banco HydroSHEDS, baseado em imagens de satélite. Para o coautor do estudo, Ben Hamlington, o impacto da intrusão de água salgada pode ser comparado às inundações costeiras.

Em um comunicado, ele diz que os maiores impactos recairão em países menos preparados. Por isso, a criação de um modelo global uniforme é fundamental os efeitos do avanço da água do mar em algumas regiões a desenvolver estratégias eficazes contra os impactos climáticos.

Segundo o estudo, somente uma ação global coordenada será capaz de enfrentar os desafios impostos pelas mudanças climáticas e proteger as populações costeiras.


Fonte: TechMundo

Fiocruz e Abrasco alertam contra pulverização de agrotóxicos com drones

Há robustas evidências dos impactos nocivos à população

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Por Agência Brasil

A Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) e a Fiocruz divulgaram na quarta-feira (11) um posicionamento oficial contra a pulverização de defensivos agrícolas com drones.

A nota foi publicada em defesa da Lei nº 16.820/19, sancionada pelo governo do Ceará em 2019, proibindo a prática de forma pioneira no país. A liberação do uso dos veículos aéreos não tripulados para esse fim, entretanto, voltou a ser discutida na Assembleia Legislativa do estado.

A Abrasco e a Fiocruz afirmam que “existem robustas evidências científicas comprovando os impactos nocivos da exposição das populações humanas e da biodiversidade decorrentes da pulverização aérea de defensivos”.Essas evidências foram sistematizadas no Dossiê Abrasco – um alerta sobre os impactos dos agrotóxicos na saúde (2015), no Dossiê contra o Pacote do Veneno e em defesa da vida (2021) e no Dossiê Danos dos Agrotóxicos na Saúde Reprodutiva: conhecer e agir em defesa da vida (2024).

“Devido à prática da pulverização aérea em algumas regiões do país, acidentes envolvendo comunidades tradicionais e crianças têm sido verificados com frequência”, diz a nota.

“No estado do Ceará, especificamente, tal prática foi realizada por grandes empreendimentos agrícolas atingindo diversas comunidades de camponeses, como constatado na região da Chapada do Apodi, provocando intoxicações agudas e crônicas, produzindo câncer, malformações congênitas, desregulações endócrinas, dentre outros agravos à saúde que podem ser constatados em estudos científicos publicados”, acrescenta a nota.

Comunidades atingidas

As entidades citam dados de relatório divulgado pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) que apontam que a contaminação por defensivos nas comunidades rurais aumentou quase dez vezes no primeiro semestre de 2024 em relação ao mesmo período do ano passado.]

Somente no Maranhão, exemplificam, mais de 100 comunidades foram atingidas pela pulverização aérea de agrotóxicos neste ano.

O relatório Territórios Vitimados Diretamente por Agrotóxicos no Maranhão, também citado pela nota, denuncia que 88% dos casos de pulverização aérea que geram contaminação dessas comunidades, do meio ambiente e que resultaram em perda da produção foram causados por drones.

O estudo é de autoria da Rede de Agroecologia do Maranhão (Rama), da Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras do Estado do Maranhão (Fetaema) e da Universidade Federal do Maranhão (UFMA).

“O melhor caminho para uma agricultura mais saudável e sustentável passa pela aprovação de políticas como o Programa Nacional de Redução de Agrotóxicos (Pronara), voltadas para a diminuição do uso de agrotóxicos e pela promoção da agroecologia, nos âmbitos municipais, estaduais e federal. Frente à atual crise climática, é uma das políticas públicas mais urgentes para serem implantadas na defesa da vida”, dizem a Fiocruz e a Abrasco.


Malfeitos corporativos colocam JBS e Vale entre as empresas mais rejeitadas por investidores globais, mostra plataforma

Plataforma ‘Financial Exclusions Tracker’ mapeou quais empresas estão bloqueadas por grandes investidores globais para futuros aportes financeiros; Vale é a líder global de vetos por preocupações relacionadas a direitos humanos, enquanto a JBS lidera categoria que inclui fraudes e corrupção

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Por Daniela Penha/ Edição Bruna Borges para a Repórter Brasil

JBS e Vale estão entre as empresas mais rejeitadas por investidores em ranking mundial da plataforma “Financial Exclusions Tracker”, atualizado nesta quinta-feira (12). O ranking é baseado em informações divulgadas por 93 instituições financeiras globais, incluindo grandes bancos e fundos de pensão. Ele lista quais são as empresas nas quais elas se recusam a investir devido a alegadas práticas nocivas de negócio.

A mineradora brasileira é a que mais recebeu exclusões motivadas por preocupações de direitos humanos. Ao todo, 22 instituições financeiras informam, segundo a plataforma, não realizar negócios com a Vale por conta do tema. Além de enfrentar denúncias sobre o impacto de suas operações em comunidades tradicionais na Amazônia, a empresa teve a sua imagem internacional fortemente abalada pelo rompimento das barragens de Brumadinho e Mariana, em Minas Gerais, que provocaram centenas de mortes.

Questionada pela reportagem, a Vale informou que não comentaria o ranking. A companhia afirmou que “mantém seu compromisso com os princípios do Pacto Global da ONU e reconhece sua importância como orientação fundamental e mecanismo de conformidade para a companhia” e que “desde 2019, a empresa está focada em transformar a organização e melhorar suas práticas em questões ambientais, sociais e de governança”. A resposta da empresa na íntegra pode ser lida aqui.

Já a JBS, uma das empresas mais afetadas pela operação Lava Jato, é a líder global no ranking de exclusões relacionadas a “práticas de negócios” – categoria que inclui vetos de investidores por preocupações relacionadas a corrupção, fraudes e evasão fiscal. A plataforma lista 15 instituições financeiras que rejeitam oferecer apoio financeiro ao frigorífico pelos motivos elencados nesta categoria.

Procurada, a JBS afirmou que o mapeamento “possui falhas na apresentação dos dados” e que não iria se manifestar sobre ele. Também declarou que “possui uma sólida relação com as instituições do mercado financeiro há muitos anos, sendo hoje a empresa do setor de alimentos e bebidas listada na B3 que possui a maior cobertura de analistas de mercado e 100% da recomendação de compra”. A manifestação completa pode ser lida aqui.

“Esse mapeamento sinaliza que algumas empresas têm um impacto ambiental e social tão grave que estão sendo excluídas do mercado financeiro porque representam um grande risco [para os investidores]”, analisa Merel van der Mark, da Rainforest Action Network – uma das organizações mantenedoras da plataforma. 

Outras empresas brasileiras

Na lista das companhias brasileiras com grande número de rejeições aparecem ainda a estatal Petrobras e a Eneva, empresa que tem o BTG Pactual como principal acionista e que produz energia a partir de combustíveis fósseis. Ambas são vetadas por investidores por preocupações relacionadas a direitos humanos e ao aquecimento global.

Petrobras e Eneva não se posicionaram até o fechamento desta reportagem. O espaço segue aberto para manifestações futuras.

“Diligência adicional é necessária para empresas que aparecem neste banco de dados. Esperamos que elas melhorem suas práticas”, afirma Kees Kodde, líder de projeto da Fair Finance International, outra das organizações responsáveis pela plataforma.

De acordo com o mapeamento, o impacto climático é o principal motivo para investidores vetarem negócios com empresas, representando quase metade (48%) das exclusões. O envolvimento de companhias com o setor de armamentos aparece na sequência (15%), seguido pelo envolvimento com a indústria do tabaco (13%), preocupações relacionadas a políticas nacionais dos países onde a empresa atua (6%) e vetos de investimento a outros produtos considerados nocivos (5%), como álcool e jogos de azar.

Os cinco países com mais empresas rejeitadas são Estados Unidos (1.160), China (852), Índia (341), Canadá (290) e Rússia (283). 

O ranking é uma iniciativa das organizações BankTrack, Both ENDS, Fair Finance International, Forests & Finance, Health Funds for a Smokefree Netherlands, Milieudefensie (Friends of the Earth Netherlands), PAX, Profundo Research Foundation, Rainforest Action Network e Environmental Paper Network.


Fonte: Repórter Brasil

Em prol da adaptação climática, estudantes e professores de Políticas Sociais da UENF realizam plantio de árvores no Assentamento Zumbi dos Palmares

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Dando consequência a uma proposta surgida durante a XI Jornada do Programa de Pós-Graduação em Políticas Sociais da Uenf (PPGPS/Uenf) que ocorreu nos dias 08 e 09 de outubro, um grupo de estudantes e professores esteve na manhã deste sábado (14/12) no Assentamento Zumbi dos Palmares para realizar um plantio de mudas de árvores do bioma da Mata Atlântica.  Essa ação ocorreu em parceria com a direção do IFF Bom Jesus de Itabapoana, que cedeu as mudas plantadas, e com a Comissão Pastoral da Terra  (CPT) que organizou o plantio na área de entorno da agrovila do Núcleo IV do Zumbi dos Palmares.

Segundo a coordenadora do PPGPS/UENF, professora Joseane de Souza, atividades desta natureza são importantes porque articulam ensino, pesquisa e extensão na pós graduação, e contribuem para o fortalecimento das relações entre os membros da comunidade acadêmica,  e deles com segmentos da sociedade que participam do esforço em prol de uma adaptação climática justa.

É importante frisar que durante a XI Jornada do PPGPS/Uenf, duas mesas debateram a questão das mudanças climáticas e a necessidade do desenvolvimento de ações que permitam criar uma ponte entre os estudos científicos e busca de um modelo de desenvolvimento econômico que possa apontar saídas socialmente justas para os desafios criados pelas mudanças climáticas.

Nesse sentido, o plantio realizado nesta manhã serviu para não só para dar materialidade aos debates realizados na XI Jornada do PPGPS/Uenf, mas também para criar redes de colaboração envolvendo instituições públicas de ensino e organizações sociais com uma longa trajetória de intervenção social, como é o caso da CPT.

Novo relatório One-Earth Fashion traz propostas para uma modificação profunda no sistema produtivo da moda

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O sistema da moda claramente precisa de uma revisão radical. Têxteis, roupas, couro e calçados estão entre as indústrias mais poluentes e injustas, construídas sobre a exploração generalizada de mão de obra barata e dos recursos do planeta. O Public Eye vem relatando isso há anos. Com este importante relatório, pretendemos dar uma olhada no que o futuro pode ser e avançar o debate internacional sobre a transformação socioecológica, propondo 33 metas concretas para um sistema de moda justo.

O relatório visa abrir uma discussão global que também será conduzida online em uma série especial de discussões “Moda da Terra Única: como chegaremos lá?”, de janeiro a abril de 2025.

A moda precisa mudar seu sistema operacional. 

Menos uso de recursos e energia, produção e consumo mais lentos, trabalho decente com propósito e distribuição mais justa do valor econômico devem se tornar as novas tendências da moda para um clima habitável e um futuro justo na Terra. Não se trata apenas de alguns ajustes aqui e ali – trata-se de fazer uma transição para um novo sistema operacional justo para uma moda que respeite os limites planetários.

Embora pareça haver um amplo consenso sobre as direções gerais nas quais a indústria deveria idealmente se mover (menos emissora de GEE, mais circular, mais regenerativa, mais justa, menos poluente), não há acordo sobre a escala das mudanças necessárias para alcançar um sistema de moda justo dentro dos limites planetários.

Estamos nos dirigindo a todos aqueles que acreditam que um sistema de moda melhor, mais justo e ecologicamente correto é possível: ativistas e militantes sociais, trabalhadores organizados e sindicatos, consumidores exigentes e formuladores de políticas íntegros, empreendedores e líderes empresariais responsáveis, designers e pesquisadores com senso de propósito e muitos outros que já estão tecendo os fios dessa transformação ou que querem contribuir para essa reformulação.

Este relatório “One Earth fashion” fornece alimento para reflexão e ação. Ao longo do relatório, os leitores encontrarão notas com ideias concretas para regulamentação eficaz e os primeiros passos que as empresas podem e devem tomar. Ele apresenta uma visão positiva para uma transição para um sistema de moda que respeite os limites planetários.


Estrutura do relatório

Ela define 33 metas concretas de transformação para 2030 em 12 áreas-chave. Para cada área, primeiro delineamos um objetivo geral de transformação: uma visão de como um sistema de moda justa – dentro dos limites planetários – deve ser em cada área prioritária. As metas propostas são marcos específicos e com prazo determinado, destinados a viabilizar a visão. Elas definem referências para a escala de mudança que prevemos para 2030. 

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Relatório de moda One Earth

O relatório «One Earth fashion : Transformation targets for a just fashion system within planetary boundaries» (2024) está disponível em inglês. O resumo executivo também está disponível em francês e alemão. 


Fonte: Public Eye

A nocividade dos agrotóxicos na saúde reprodutiva: Abrasco lança novo relatório

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Por Lia Giraldo da Silva Augusto1 e Nadia Spada Fiori2 

Os agrotóxicos são substâncias químicas usadas para o controle de insetos, fungos e plantas consideradas indesejadas na agricultura ou dentro de nossas próprias casas. Entretanto, além de causarem a morte destes organismos vivos, também causam sérios problemas à saúde das pessoas.

Atualmente, o Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo! Situação que tem causado o adoecimento de muitos trabalhadores da agricultura e de comunidades que moram próximas às áreas de uso dos venenos. A aplicação de agrotóxicos nas plantações envenena os alimentos, as águas, o solo e o ar, principalmente quando são aplicados por aviões sobre extensas áreas de plantações, causando a deriva do veneno para as moradias e escolas das comunidades vizinhas.

Lia Giraldo tem lutado contra esses venenos por longos anos de sua vida, muitos deles, junto à Associação Brasileira de Saúde Coletiva (ABRASCO). Diante do reconhecimento da ABRASCO como instituição que luta pela Saúde Coletiva e pela vida, o Centro de Direitos Reprodutivos (CDR) solicita a esta instituição um relatório que aponte os danos reprodutivos relacionados aos agrotóxicos. Nesta época, Lia coordenou o Grupo Temático de Saúde e Ambiente da ABRASCO e aceitou o desafio.

Procurando aliar o conhecimento científico com as experiências de vida e relatórios de casos verídicos, Lia reuniu um grande grupo composto por pesquisadores, gestores, militantes de movimentos sociais como o de mulheres camponesas e estudantes das áreas da saúde, que trabalharam juntos na construção de um amplo . 

Buscamos na literatura científica brasileira todos os estudos que abordam danos reprodutivos e agrotóxicos e encontramos diversas doenças, neoplasias, alterações genéticas e hormonais relacionadas com a exposição aos agrotóxicos. Também foram encontrados grupos populacionais expostos e invisibilizados, desigualdades de gênero e nas pesquisas no país.

Observamos que mulheres moradoras de áreas rurais e expostas a agrotóxicos sofreram maiores taxas de aborto espontâneo e mais alterações genéticas do que as moradoras de áreas urbanas; entretanto, essas mulheres foram menos estudadas quando comparadas às moradoras da porção urbana das cidades. Outros grupos vulneráveis, como as mulheres camponesas, indígenas, ribeirinhas e quilombolas não foram exploradas pelos estudos, o que perpetua a invisibilidade destas populações. Da mesma forma, a exposição aos agrotóxicos aumentou o risco de câncer de mama e de tumores com maior agressividade.

Em um ambiente onde todos os seres vivos estão contaminados por estes venenos, a mulher, por gestar a Vida, desempenha um papel essencial na transmissão através das gerações dos danos causados ​​pelos agrotóxicos. Agrotóxicos foram encontrados no sangue materno, no sangue do cordão umbilical e no leite materno, principalmente organoclorados, aumentando a ocorrência de abortos espontâneos, prematuridade, malformações congênitas e leucemias em crianças menores de dois anos.

Diante de tantos efeitos negativos na saúde humana, o grupo específico é um evento para discutir os resultados encontrados e buscar formas de lutar contra estes venenos. Uma nota técnica foi elaborada e aprovada neste evento, sendo enviada posteriormente às autoridades brasileiras para instrumentalizar os debates regulamentadores dos agrotóxicos. Ainda assim, foi elaborado um almanaque sobre o corpo humano, os direitos reprodutivos e os efeitos dos agrotóxicos em nosso corpo, em linguagem acessível ao público leigo e ilustrado com lindas figuras.

O relatório está em processo de transformação em um dossiê para aumentar seu poder transformador na sociedade civil, acadêmica e jurídica.

A luta contra os agrotóxicos é permanente e não pode ser silenciada. Precisamos de aliados dentro de um país com grande influência do agronegócio e com uma legislação permissiva, que não proteja os seres vivos e o meio ambiente. Precisamos trabalhar juntos: saúde, meio ambiente, legislativo e principalmente, movimentos sociais! 

Link para o relatório:

https://abrasco.org.br/wp-content/uploads/2024/05/Saude-Reprodutiva-ea-Nocividade-dos-Agrotoxicos-Abrasco-2024-1.pdf

Link para o Almanaque:

https://abrasco.org.br/wp-content/uploads/2024/05/almanaque-abrasco_2024_VF.pdf

Link da página da Abrasco que anuncia os dois documentos:

https://abrasco.org.br/confira-relatorio-final-do-projeto-saude-reprodutiva-e-uso-de-agrotoxicos/

1Associação Brasileira de Saúde Coletiva (ABRASCO)  e 2Departamento de Medicina Social, Universidade Federal de Pelotas (UFPel)


Fonte: Ipen.org

Setor sucro-alcooleiro campista: sempre com as mãos firmes no leme do atraso

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Por Douglas Barreto da Mata

Depois de um texto meu publicado no site Tribuna NF achei por bem dar algumas informações sobre o setor sucroalcooleiro, compreendido como cadeia econômica primária, o plantio, e o setor secundário de transformação, as usinas. Há setores derivados, mas também no ramo de insumos e bens de capital (máquinas e implementos) ocorreu uma retração severa e perda de valor agregado.

A decadência dessa atividade agroindustrial pode ser explicada por vários motivos, como a redução da produtividade dos solos esgotados por séculos de uso, e queimadas, gestão perdulária e ineficiente, com baixíssimo nível de reinvestimento tecnológico, ao contrário de SP e algumas plantas em GO, e etc., oscilações de preços, e por fim, a interrupção dos subsídios estatais, a enorme teta chamada pró Álcool, no meado para o fim dos anos de 1980.

Alguns argumentos tentam sustentar a relevância desse setor, e dizem que houve uma renovação, que hoje coloca essa cadeia produtiva como uma das maiores empregadores na cidade. Meia verdade. Colocados à luz dos dados, no ano de 2024, por exemplo, o CAGED informa que foram 4.000 desligamentos, quase 100% da atividade agroindustrial canavieira, impactando a empregabilidade local.

Fim do Ministério do Trabalho reforça herança escravocrata do Brasil |  Partido dos Trabalhadores

Setor sucro-alcooleiro é marcado pela sazonalidade do emprego e pelos baixos salários pagos aos trabalhadores

Emprego e desemprego, é a sazonalidade, natureza desse setor. Por outro lado, qual é o custo desses empregos? Alto.  O Estado do Rio de Janeiro renuncia 16% de ICMS com a atividade, já que só recolhem 2% do tributo.  Isto é, o Rio gasta milhões que não tem para uma atividade que produz pouco, gera empregos de baixo salário e ainda por cima, semestrais.

Eu me arrisco a dizer, sem pesquisa prévia, que a maioria de trabalhadores no setor têm suas rendas complementadas por programas sociais, sim, justamente as medidas de proteção que os latifundiários odeiam, e dizem ser um convite à vadiagem.  Quer dizer, sem o dinheiro do governo, boa parte dos empregados passaria fome na entressafra, ou teria que migrar, como sempre foi costume.

Do lado ambiental, na última safra foi recorrente o uso de queimadas, prática que se tentou abolir por força de lei, mas parece que a lavoura é terra sem lei. O contribuinte paga para ter duas ruas, casas e pulmões entupidos de fuligem e dos produtos químicos que são levantados juntos (o mercúrio, por exemplo).

Fumaça das queimadas dos campos de cana elevam teor de mercúrio atmosférico em Campos dos Goytacazes, segundo estudo da PUC/RJ

É esse setor que anuncia ter mudado, que reivindica ter entrado na modernidade.  Não adianta pintar o tigre de branco, e tratar o bicho como gato doméstico, porque ele ainda vai ser tigre.

Projeto da Uenf usa desenhos feitos por crianças para refletir sobre dinâmicas territoriais em Campos dos Goytacazes

atividade gráfica

A proposta de utilizar o desenho como ferramenta central para a pesquisa etnográfica surgiu a partir dos resultados da exposição “Meu Bairro é Bonito”, que evidenciaram o potencial observador e narrativo das crianças do território em que se localiza o residencial João Batista. O projeto irá propor através de reflexões sobre as dinâmicas territoriais a confecção de desenhos pelas crianças, permitindo o surgimento de novas formas narrativas capazes de evocar graficamente ideias, encontros, diálogos, observações e percepções sobre a vida social das crianças e do contexto em que vivem.

projeto desenho

A experiência terá início no pátio do residencial, com exercícios que visam a troca entre pesquisadores e o universo pesquisado, buscando compreender a dinâmica urbana a partir dos múltiplos pontos de vista que emergem do olhar infantil.

Durante a atividade, as crianças serão incentivadas a desenhar não apenas com base no que veem no território, mas de forma a expressar suas experiências, emoções e reflexões sobre o bairro e a cidade. Este processo permite que o desenho se torne uma ponte para o diálogo e a troca, permitindo que as crianças partilhem suas percepções de forma criativa e significativa.

A análise do material produzido buscará enfrentar questões centrais para a prática da pesquisa antropológica, tais como, os desafios do trabalho de campo e as múltiplas interpretações que podem surgir das narrativas visuais. Este processo permitirá ampliar a compreensão sobre como as crianças vivenciam e narram seu mundo, oferecendo contribuições únicas para o entendimento das relações sociais e do espaço urbano que habitam.

A Enel iluminou o terceiro turno

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Por Douglas Barreto da Mata

Governos devem pagar suas dívidas, isso é óbvio.  Porém, há uma manipulação rasteira e simplista nos noticiários, com raras exceções, de equiparar finanças públicas com as “contas das donas de casa”.  É comum ouvir e assistir muitos “jornalistas” dizendo: se não arrecadou não pode gastar, ou só pode gastar se não tiver dúvidas ou déficits. Mentira. 

Governos e grandes empresas operam com déficits desde que começaram a existir.  Há perfis de dívidas, algumas necessárias e outras impagáveis, como é o caso do Estado do Rio de Janeiro e de MG, RS e etc que obtiveram no Congresso, esta semana, mais uma renegociação. Não consta que Campos dos Goytacazes esteja insolvente.

Uma coisa é questionar os modelos e políticas orçamentárias do governo e do seu prefeito Wladimir, suas escolhas e prioridades.  Isso é livre. É do jogo democrático.  Gostando ou não, o fato é que 70% do eleitorado lhe deu mais 4 anos de mandato.  Sua aprovação beira 78%, nas últimas medições.

Tudo isso não interrompe a continuidade da luta política da oposição, de sindicatos e movimentos sociais. É o chamado terceiro turno!  O que assusta é o time que entrou em campo.  Primeiro, o transporte complementar, as Vans, que amargaram uma travessia no deserto com o governo Rafael Diniz, com um saco de sal às costas.  É um setor deficitário, dependente de dinheiro público para abastecer veículos, assim como os ônibus.  São “empreendedores” que não resistem sem verba oficial. Aliás, como boa parte dos “setores produtivos”(essa autodenominação é uma piada de mau gosto). 

É verdade, o modelo faliu, e essa subvenção foi uma forma de manter o precário funcionamento do setor de transportes, até a prometida remodelação.  Mas e daí? O “empreendedor” das vans quer operar tendo o governo de “sócio”, mas quando o “sócio” tem problemas, ele não assume seu papel? Como assim? E quando deu lucro, deram algum imposto a mais para a prefeitura?  Não consta. 

Outro setor é o de sempre.  O agronegócio, quer dizer, o latifúndio.  Até as gigogas do canal Campos Macaé sabem que a dragagem e limpeza dos canais atendem, prioritariamente, às grandes fazendas.  Quase sempre as máquinas servem aos latifundiários, e pelo que soubemos hoje, com diesel pago pela viúva.  O time é forte.  Tempos atrás, ambientalistas e o saudoso promotor Marcelo Lessa já tiveram até que dinamitar intervenções ilegais que alteravam o espelho d’água da Lagoa Feia, por exemplo, e aumentavam o tamanho de suas terras. Antes, mil amores com o prefeito, agora, acabou o dinheiro, acabou o amor.  Uai? Mas eles não são Agro, e o Agro não é liberal, de direita e contra a participação do Estado na economia? Depende, né? O Agro é pop, e o pop não poupa ninguém.

Por fim, a Enel. Uma das piores prestadoras de serviços de energia do Brasil, acionada em tribunais e admoestada  administrativamente na ANEEL, causou o caos em São Paulo, uma das campeãs de reclamações e desrespeito com o consumidor, enfim, uma concessão conhecida como “abutre”, que exaure os lucros e faz pouco ou nenhum investimento na melhoria do serviço. Quando aperta, entregam a concessão ou chamam sucessoras. A Enel já foi Ampla, já foi de italianos, franceses, chilenos, nem sei a ordem ao certo. Tantos donos e um ponto em comum: serviço ruim onde atua.  Pois bem, foi essa a “estrela” dos meios de comunicação para o “terceiro turno”.

Muita gente boa foi atrás, e partiu para defender uma concessionária deficitária.  Exemplo?  Olhem o acúmulo de fios emaranhados nos postes, colocando esses equipamentos sob risco de colapso, com perigo de danos pessoais e materiais.  A prefeitura deve?  Tem que pagar.  Agora, medidas de força contra órgãos públicos, punindo não o prefeito, mas os contribuintes que deixaram de usar os locais sem energia é algo próximo ao abuso. Não tenho certeza, mas há impedimento legal para tais interrupções de fornecimento a órgãos públicos. Imaginem se toda vez que uma concessionária deixasse de prestar serviço, reiteradas vezes, trazendo prejuízo ao particular e ao setor público, que precisam usar, para ilustrar o argumento, geradores para prevenir perdas, e o prefeito resolver usar medidas de força, confisco e autotutela?

Fazer política é normal, fazer oposição é requisito da ordem democrática. No entanto, alguns setores devem, ao menos, guardar uma distância cautelar dos conflitos partidários…essa mistura não faz bem aos negócios e ao bom andamento dos serviços que prestam.

Alimentos importados encontrados com resíduos de 48 agrotóxicos não aprovados para uso no Reino Unido

Análise da Pesticide Action Network sobre dados de testes do governo descobre produtos químicos associados ao câncer e prejudiciais às abelhas

Uma videira carregada de frutos

Algumas uvas importadas continham resíduos de até 13 agrotóxicos, e 87% das amostras continham um coquetel químico. Fotografia: Zoonar GmbH/Alamy

Por Helena Horton para o “The Guardian” 

Análises mostram que alimentos importados continham resíduos de 48 agrotóxicos que não foram aprovados para uso por agricultores britânicos, incluindo produtos químicos associados ao câncer e imidacloprido, que é prejudicial às abelhas.

A Pesticide Action Network (PAN) analisou dados de testes do governo do Reino Unido, comparando os resultados de testes de agrotóxicos em alimentos importados e produzidos internamente. Eles descobriram que havia resíduos de 46 agrotóxicos relacionados ao câncer em produtos importados, em comparação com 19 em alimentos de origem do Reino Unido. Os exportadores incluem a UE, Peru, Tailândia, Turquia e os EUA.

O PAN também descobriu que 29 agrotóxicos associados à desregulação endócrina, que podem interferir nos sistemas hormonais e levar a problemas de saúde, incluindo câncer e defeitos congênitos, estavam presentes em produtos importados, em comparação com 12 em alimentos cultivados no país.

Também foi detectado o pesticida imidacloprida, cujo uso foi proibido em plantações do Reino Unido em 2018. Vários estudos descobriram que o produto químico, que pertence ao grupo dos neonicotinoides, é extremamente prejudicial às abelhas. Traços do agrotóxico foram encontrados em produtos como batatas, ervilhas e uvas.

Nick Mole, da PAN UK, disse: “Embora os resultados para produtos do Reino Unido também sejam preocupantes, quando se trata de agrotóxicos que representam um risco à saúde do consumidor, as importações tendem a ser muito piores do que os alimentos cultivados aqui no Reino Unido. Os alimentos importados testados pelo governo continham quase três vezes o número de agrotóxicos altamente perigosos, incluindo carcinógenos, disruptores endócrinos e neurotoxinas.

“O governo do Reino Unido está permitindo que quantidades maiores de produtos químicos apareçam em uma lista cada vez maior de itens alimentares comuns. Eles precisam reverter urgentemente essa tendência atual.”

Junto com sua análise, o grupo de campanha lançou sua lista anual Dirty Dozen, que destaca os produtos que têm múltiplos resíduos de agrotóxicos presentes. Isso ocorre porque há evidências de que quando um produto tem mais de um pesticida, isso pode resultar em um efeito “coquetel” que agrava os problemas de saúde causados.

No topo da lista deste ano estão as frutas cítricas macias, que incluem satsumas, tangerinas e clementinas, das quais 96% tinham mais de um agrotóxico presente quando testadas. O maior número de agrotóxicos encontrados em um pedaço de fruta cítrica foi nove.

Laranjas ficaram em segundo lugar com 95% contendo um coquetel de produtos químicos, e nove agrotóxicos foram encontrados na fruta. Uvas foram encontradas com o maior número de agrotóxicos, 13, e 87% das amostras de uva continham um coquetel químico.

“Ao permitir agrotóxicos proibidos em nossas importações, o Reino Unido está exportando sua pegada ambiental e de saúde humana para o exterior. Trabalhadores rurais e a vida selvagem em países onde nossos alimentos são cultivados estão expostos a esses produtos químicos perigosos e sofrerão os danos associados. Isso também prejudica os agricultores britânicos em um momento em que pedimos que eles produzam de forma mais sustentável”, disse Mole.

“Mas qualquer queda nos padrões britânicos de agrotóxicos será um grande problema para o comércio com a União Europeia, o que também pode devastar a agricultura do Reino Unido. Se o governo for sério sobre proteger os consumidores britânicos e apoiar nossos fazendeiros, ele pode matar dois coelhos com uma cajadada só, não permitindo que importações de alimentos cultivados usando agrotóxicos proibidos para uso doméstico entrem na Grã-Bretanha.”

Um porta-voz do departamento de meio ambiente, alimentos e assuntos rurais disse: “Temos limites rígidos para resíduos de agrotóxicos em vigor, definidos após rigorosas avaliações de risco para garantir que os níveis sejam seguros para o público. Esses limites se aplicam tanto a alimentos produzidos domesticamente quanto importados de outros países.”


Fonte: The Guardian