Área queimada aumentou 410% em fevereiro, aponta Monitor do Fogo

Dados mostram que 950 mil hectares foram queimados no segundo mês do ano; 79% atingiu áreas de vegetação nativa.
queimadas

Em fevereiro de 2024, 950 mil hectares foram afetados pelo fogo – um aumento de 410% em relação ao mesmo período do ano passado. Desse total, 79% atingiu áreas de vegetação nativa, em especial nos biomas Amazônia e Cerrado, somando uma área de 750 mil hectares. Os dados foram gerados pelo Monitor do Fogo, iniciativa da rede MapBiomas Fogo coordenada pelo IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia). A área queimada em 2024 em todo o Brasil já chega a 1,98 milhão de hectares, 319% a mais do que nos dois primeiros meses de 2023.

O aumento do fogo se deve, em parte, ao avanço das chamas em Roraima. Em 2024, o Estado já registrou 1 milhão de hectares queimados e responde por 54% de toda a área queimada no Brasil. Pará e Amazonas completam a lista com 475 mil e 136 mil hectares queimados, respectivamente. Juntos, os três Estados amazônicos correspondem a 85% de toda a área queimada neste ano.

“O aumento das queimadas no Estado de Roraima está diretamente relacionado ao período de seca que ocorre entre os meses de dezembro e abril, que foi agravado pelo fenômeno do El Niño. A maior parte da vegetação afetada pelas queimadas em Roraima ocorre no lavrado, região caracterizada pela presença de vegetação campestre. Esse ecossistema é especialmente vulnerável ao fogo durante o período final da janela de queima, quando as condições climáticas e a própria natureza da vegetação favorecem a propagação do fogo”, explica Felipe Martenexen, pesquisador do IPAM.

Biomas

A Amazônia brasileira concentrou 93% da área queimada no país nos dois primeiros meses de 2024, fato impulsionado pelos incêndios nos onze municípios roraimenses com maior área queimada no período. Ao todo, 1,8 milhões de hectares foram queimados – um aumento de 433% em relação ao primeiro bimestre de 2023. Em fevereiro, a área queimada chegou a 898 mil hectares, a maior área queimada no mês desde que o Monitor do Fogo começou a monitorar os incêndios no bioma em 2019.

A maior parte do que queimou na Amazônia foi de vegetação nativa, com destaque para as formações campestres, que corresponderam a 47% de toda a área queimada em 2024. As pastagens foram a classe de uso da terra que mais foi impactada pelo fogo, com 17% da área total queimada na Amazônia em fevereiro de 2024, correspondendo a 158 mil hectares.

O avanço do fogo também foi acentuado no Cerrado, com um aumento de 152% no início do ano, atingindo uma área de 61 mil hectares. Em fevereiro, foram mais de 29,6 mil hectares – um aumento de 147% em relação ao mesmo mês em 2023. Embora queimas prescritas e controladas sejam realizadas no Cerrado no início do ano, durante o final da estação chuvosa, a maior parte das áreas queimadas se encontra em áreas de uso antrópico, como pastagens e agricultura.

As prisões dos supostos mandantes das mortes de Marielle Franco e Anderson Gomes vão mexer muitas pedras no xadrez da política fluminense

montagem-marielle-anderson

A vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes foram assassinados no dia 9 de março de 2018 alegadamente sob ordens de Chiquinho e Domingos Brazão e do delegado Rivaldo Barbosa
Ainda que não sejam totalmente inesperadas desde a homologação da deleção do ex-policial Ronnie Lessa, as prisões do deputado federal Chiquinho Brazão e do seu irmão, ex-deputado estadual e atual conselheiro do Tribunal de contas Domingos Brazão e do ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, delegado Rivaldo Barbosa deverão mexer com a política fluminense de forma profunda.
É que apesar de não ser surpresa, essas prisões mostram uma conexão ainda mais visível entre grupos criminosos (no caso as milícias que operam em Rio das Pedras de onde saem os votos da família Brazão), diferentes instâncias do Estado, e ainda da própria polícia.
Que o Rio de Janeiro vem sendo partilhado por grupos criminosos e que estes mesmos grupos estejam ocupando postos dentro das diferentes esferas do Estado tampouco é surpresa. O que é diferente nesse caso é que dada uma conjunção específica de fatos foi possível chegar não apenas aos matadores (o que é o mais comum), mas também aos mandantes.
Como as notícias que estão surgindo é possível que mais gente graúda seja envolvida nas mortes de Marielle Franco e Anderson Gomes, até porque as engrenagens que movem as pedras da política fluminense não param na família Brazão e seus correligionários Aliás, há que se lembrar que quem nomeou Rivaldo Barbosa para o posto de chefe de Polícia Civil no dia 08 de março de 2018 (um dia antes dos assassinatos) foi o General Braga Neto, que então estava na condição de interventor federal no Rio de Janeiro.

Por outro lado, já tem gente perguntando como é que um chefe de polícia recém nomeado cometeria uma fraude tão grande em um caso de repercussão internacional sem a anuência do secretário de segurança, que na época era Richard Fernandez Nunes, e do interventor militar que acabara de nomear secretário e chefe da polícia civil. Essa é uma excelente e pertinente pergunta que ainda não vi aparecer em qualquer comentarista da mídia corporativa.
Com isso, eu não me surpreenderia se mais cabeças rolaram ou que alianças para as próximas eleições sejam repentinamente desfeitas. É que ninguém vai ficar exposto como estando aliado ou envolvido com quem esteve diretamente envolvido nas mortes de Marielle Franco e Anderson Gomes.

Carbendazim, agrotóxico proibido no Brasil por ser cancerígeno é encontrado em rio da bacia do Pantanal

Durante as análises, foram identificados outros componentes químicos e bactérias preocupantes nos pontos de coleta, incluindo coliformes fecais e metolacloro, este último reconhecido por sua extrema toxicidade

pantanal

Foto: Foto: Luiz Mendes/Arquivo Pessoal

Por Mídia Ninja

Um recente estudo conduzido pela Organização Não Governamental (ONG) SOS Pantanal trouxe à tona descobertas alarmantes sobre a qualidade da água no rio Santo Antônio, um afluente crucial para a bacia do Pantanal, localizado em Mato Grosso do Sul. Segundo a pesquisa, foi identificada a presença do fungicida carbendazim, uma substância proibida no Brasil pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) desde 2022, devido ao seu potencial cancerígeno e de risco à reprodução humana.

Divulgado com exclusividade pelo G1, o estudo foi realizado ao longo de cinco meses, de outubro de 2023 a março de 2024, em três pontos específicos do rio Santo Antônio, situados em Guia Lopes da Laguna. Os resultados, publicados no Dia Internacional da Água, visam alertar para a má conservação do solo e para o uso de agrotóxicos proibidos, destacando a importância da preservação dos recursos hídricos.

Durante as análises, foram identificados outros componentes químicos e bactérias preocupantes nos pontos de coleta, incluindo coliformes fecais e metolacloro, este último reconhecido por sua extrema toxicidade. Além disso, foram encontrados níveis elevados de nitrato e fosfato, provenientes de agrotóxicos utilizados em plantações próximas ao rio.

Gustavo Figueirôa, pesquisador da SOS Pantanal, em entrevista ao jornalista José Câmara, ressaltou a gravidade da situação, enfatizando a baixa qualidade da água, a presença de substâncias nocivas e a falta de matas ciliares, essenciais para filtrar contaminantes antes de atingirem os rios. Ele também apontou o mau uso do solo e a ausência de Áreas de Proteção Permanente (APP) como fatores contribuintes para a contaminação.

A preocupação não se restringe apenas à saúde humana, mas também à biodiversidade, com destaque para as comunidades ribeirinhas e indígenas, que enfrentam maior exposição aos agrotóxicos devido ao contato direto com a água contaminada. Larissa Bombardi, pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP), ressaltou a necessidade de regulamentações mais rigorosas e do avanço da agricultura agroecológica como soluções para mitigar os impactos dos agrotóxicos.

Diante das descobertas, a SOS Pantanal propôs recomendações urgentes, incluindo a implementação de um programa de restauração das Áreas de Preservação Permanente e o estabelecimento de fóruns para debater práticas conservacionistas. O governo de Mato Grosso do Sul se comprometeu a realizar verificações nos pontos analisados pela ONG e a tomar medidas para melhorar a qualidade dos recursos hídricos.


compass black
Este texto foi inicialmente publicado pelo “Mídia Ninja” [Aqui!].

Quando um clima raivoso se encontra com a indisposição para adaptar ao “novo normal”

wp-17112021206107970644076668228827

Total de chuva acumulada segundo o CEMADEN. Campos dos Goytacazes com 241.8 mm

Por um misto de interesse profissional com inquietação pessoal, estou lendo atualmente o livro da física e filósofa alemã Friederike Otto, o “Angry Weather” (ou em uma adaptação livre “Clima Raivosa”) onde são explicados os mecanismos que estão gerando uma combinação indesejável entre super tempestades e secas extremas (ver imagem abaixo).

angry weather

A explicação de Otto e seu grupo de cientistas é de que as mudanças climáticas estão alimentando alterações drásticas no comportamento diário da atmosfera no tocante à distribuição de calor e umidade, o que faz com que super tempestades sejam cada vez mais comuns, passando de milhares de anos para décadas ou anos para se repetirem, o mesmo acontecendo com as secas.

Essa nova dinâmica (ou “novo normal”) ditada pelo aquecimento da atmosfera requer que sejam desenvolvidas medidas de adaptação climática, especialmente em cidades visto que ali está concentrada a maior parte da Humanidade.  No entanto, salvas raras exceções, na maioria dos países, o que se vê é uma procrastinação imensa no tocante à adoção de medidas que possam minimizar a passagem dessas super tempestas, o que faz com que a devastação que elas causam seja magnificada.

Esse é exatamente o caso do Brasil, onde as medidas de adaptação climática são praticamente inexistentes, visto que aqui ainda perdure uma visão basicamente sacra do funcionamento dos mecanismos que controlam a atmosfera e os eventos meteorológicos. É o famoso foi Deus ou foi São Pedro quem quiseram. Com esse tipo de atitude temos implicações orçamentárias porque inexistem obras de infraestrutura para gerar ambientes urbanos mais preparados para assimilar os grandes volumes que chegam nas super tempestades.

Como tenho estudado com mais ênfase a cidade de Campos dos Goytacazes, me parece evidente que aqui essa discussão é ainda distante, pois ficamos presos em uma mentalidade clubística quando se trata de estabelecer políticas públicas. E quando as super tempestades chegam, o que temos é um arremedo de resposta que sempre fica dependente do tempo de duração e da capacidade do rio Paraíba do Sul receber rapidamente o que sai das ruas e avenidas da cidade. O problema é que aqui temos bairros que ficaram com água acumulada por semanas, dando espaço para a proliferação de vetores de doenças e a agudização de situações sociais já precárias. E mesmo em ruas localizadas em áreas mais centrais, temos casos de água acumulada que não seguem o padrão de outras áreas. Um bom exemplo é a Rua Edmundo Chagas que fica próxima do Teatro Trianon (Ver vídeo abaixo).

Assim, é urgente que se passa a discutir a questão da adaptação climática urbana como algo urgente e necessário. O problema é que não me parece que isso acontecerá se forem mantidos os mesmos estilos de fazer políticas e definir orçamentos que perduram atualmente na maioria dos municípios brasileiros, incluindo Campos dos Goytacazes.

Estudo da ANA aponta que cada R$ 1 investido em sistemas de alerta para eventos climáticos extremos pode evitar perdas de R$ 661

A partir de estudos de casos, publicação da ANA traz levantamento inédito sobre relação entre o valor investido na Rede Hidrometeorológica Nacional e o retorno que ela dá para diferentes atividades que dependem de água, como saneamento básico, irrigação, geração hidrelétrica e transportes
ana report

Nesta sexta-feira, 22 de março, quando é celebrado o Dia Mundial da Água, a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) lança o estudo Avaliação de Custos e Benefícios da Rede Hidrometeorológica Nacional (RHN) – Estudos de Casos. A publicação traz um levantamento inédito sobre a relação entre o valor investido na Rede e o retorno que ela proporciona para a sociedade. O estudo foi financiado pela ANA e desenvolvido pelo Instituto de Pesquisas Hidráulicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (IPH/UFRGS). 

Um exemplo das conclusões do estudo é que o emprego dos dados na configuração e implementação de sistemas de alerta para eventos climáticos extremos, como secas e inundações, pode evitar perdas de até R$ 661 para cada R$ 1 investido, relação quantificada a partir das perdas e custos evitados em decorrência de alertas para inundações em áreas urbanas.

O estudo também apresenta o levantamento realizado em dois municípios do Rio Grande do Sul – São Sebastião do Caí e Montenegro – sujeitos a cheias frequentes no rio Caí. Neles os dados e informações da RHN permitem o mapeamento de áreas inundáveis com seus respectivos períodos de retorno – periodicidade estimada entre ocorrências de tais eventos. Se empregadas no planejamento urbano, de modo a restringir ocupações em áreas inundáveis, essas informações poderiam trazer um retorno (em danos e perdas evitadas) de até R$ 14 para cada R$ 1 investido.

A partir de um estudo de caso da bacia hidrográfica do rio Taquari-Antas, a cada R$ 1 aplicado no custeio da rede de monitoramento local para produzir os dados de melhor qualidade, são esperados benefícios de até R$ 106, o que está associado à redução de custos decorrentes de eventual superestimativa da garantia física (quantidade de energia que a hidrelétrica é capaz de garantir) de pequenas centrais hidrelétricas (PCHs). Outro resultado do levantamento aponta que cada R$ 1 investido na RHN para disponibilizar dados ao processo decisório para operação hidrelétrica na bacia do rio Paraná pode trazer um retorno de R$ 134.

O estudo abordou aspectos gerais do uso dos dados hidrológicos gerados para os setores usuários do saneamento básico, produção agrícola e industrial, geração de energia, transportes, infraestrutura e defesa civil. A partir do levantamento sobre os custos de implementação e operação da rede de monitoramento sob responsabilidade da ANA, foi selecionado um grupo de setores da economia para quantificar os benefícios decorrentes do uso de dados hidrológicos, os quais foram comparados com os custos de produção dos dados da RHN. Assim, foi possível realizar uma análise de custos e benefícios proporcionados pela Rede.

O estudo reforça a importância do monitoramento hidrológico e a necessidade de se aprimorar a atuação da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico na coordenação da Rede Hidrometeorológica Nacional. Essa ferramenta de monitoramento é necessária para o conhecimento da quantidade e qualidade dos recursos hídricos no País, assim como para subsidiar e qualificar decisões tomadas por órgãos e entidades públicas e privadas a partir dos dados de monitoramento hidrológico.

O lançamento do estudo acontecerá às 14h30, durante o evento em celebração ao Dia Mundial da Água, realizado pela ANA, no Auditório Flávio Terra Barth, na sede da Agência, em Brasília (DF), com transmissão pelo canal da ANA no YouTube. A programação da celebração ao Dia Mundial da Água começa a partir das 9h, com homenagens e lançamentos.

A Rede Hidrometeorológica Nacional

A ANA coordena as atividades desenvolvidas no contexto da Rede Hidrometeorológica Nacional (RHN) conforme estabelecido pela Lei nº 9.984/2000. A Agência possui uma rede de monitoramento de níveis e vazões de rios e de chuvas em todo o Brasil. São mais de 4,7 mil estações de monitoramento, sendo aproximadamente 1.900 estações fluviométricas (medem níveis e/ou vazões de rios) e 2.800 estações pluviométricas (medem chuvas).

A RHN visa a prover informações de boa qualidade, para atender aos diversos estudos e projetos na área de recursos hídricos, sendo fundamentais em análises relacionadas a aproveitamentos hidrelétricos, à gestão dos recursos hídricos, ao planejamento e manejo integrados de bacias hidrográficas, saneamento básico, abastecimento público e industrial, navegação, irrigação, pecuária, previsão hidrológica, dentre outros estudos de grande importância científica e socioeconômica, bem como de impacto ambiental. Os dados registrados fornecem subsídios à efetiva implementação da Política Nacional de Recursos Hídricos, instituída pela Lei nº 9.433/1997.

Jornada da Água 2024

O lançamento do estudo acontece no contexto da Jornada da Água 2024, que prevê uma série de atividades, campanhas e eventos durante todo o ano. O tema apresentado pela ANA para o Dia Mundial da Água deste ano e para nortear as ações da Agência durante 2024 dentro da Jornada – A Água nos Une, o Clima nos Move – foi concebido para sensibilizar a sociedade, os membros da Administração Pública, os atores dos setores de recursos hídricos e saneamento básico, entre outros entes estratégicos para o cuidado com as águas do Brasil. Acesse o hotsite temático da Jornada em: https://jornadadaagua.ana.gov.br/

 81% do desmatamento no Cerrado em 2023 foi concentrado em cinco bacias hidrográficas

Bioma perdeu 1 milhão de hectares em 2023, elevando o risco hídrico em 373 municípios em todo o Cerrado.
cerrado desmatado

Em 2023, 81% do desmatamento no Cerrado se concentrou nas regiões abastecidas pelas bacias hidrográficas do Alto Tocantins, São Francisco Médio, Alto Parnaíba, Itapecuru e Araguaia, potencialmente elevando o risco hídrico de 373 municípios na região. Dados foram publicados nesta sexta-feira pelo SAD Cerrado (Sistema de Alerta de Desmatamento do Cerrado), desenvolvido pelo IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia).

Conhecido como a caixa d’água do Brasil por abrigar oito das doze principais regiões hidrográficas brasileiras, o Cerrado tem reduzido sua capacidade de absorção e retenção de água por conta da perda de vegetação nativa. As altas taxas de desmatamento nessas áreas podem causar diversos impactos negativos nos recursos hídricos, como o rebaixamento dos lençóis freáticos e o aumento do risco de escassez de água.

“O desmatamento afeta diretamente os recursos hídricos, e estudos recentes mostram uma diminuição da vazão dos rios no Cerrado nos últimos anos devido às altas taxas de desmatamento no bioma. Essa redução pode impactar o abastecimento hídrico de cidades, a produção de energia elétrica e a agropecuária. o”, alerta Fernanda Ribeiro, coordenadora do SAD Cerrado e pesquisadora do IPAM.

Essas bacias estão localizadas no norte do Cerrado e na região do Matopiba, onde se concentram as grandes áreas de desmatamento e as nascentes dos principais rios brasileiro, como por exemplo o Rio Araguaia e o Rio Tocantins. A região também concentra a maior parte dos remanescentes de vegetação nativa do bioma.

Bacias mais afetadas

Na bacia do Tocantins Alto, segunda maior do bacia do Cerrado e a mais desmatada em 2023 no bioma, foram perdidos 274 mil hectares de vegetação nativa – 26% de tudo que foi perdido em 2023. A bacia abriga as nascentes do Rio Tocantins, segundo maior território brasileiro e serve como uma rota comercial fundamental para o escoamento e irrigação da produção agrícola na região central do País.

Já a bacia do Médio São Francisco, sexta maior do país e a segunda mais desmatada em 2023 no Cerrado, perdeu 200 mil hectares de vegetação nativa – 14,4% de todo o desmatamento do ano passado no bioma. Essa bacia abriga as principais afluentes do Rio São Francisco que se estende por 2.863 km, abastece mais de 15 milhões de habitantes e possui quatro usinas de geração de energia que, juntas, possuem produção estimada em 9.9 milhões de quilowatts, mas que se encontra ameaçada pelas secas cada vez mais frequentes.

A bacia do Alto Parnaíba teve 189 mil hectares de sua vegetação desmatada – cerca de 13% do desmatamento do bioma em 2023. A bacia abriga as nascentes do Rio Parnaíba, localizado na região central do Matopiba. Essa região é dominada por grandes propriedades, com um crescente uso de água para a irrigação de sua produção. Em 2023, um Parque Nacional foi criado para proteger suas nascentes, mas esse esforço de conservação parece ser ainda insuficiente para a conservação dos recursos hídricos da região.
 

“A proteção das bacias hidrográficas do Cerrado depende de um melhor entendimento e caracterização da destinação da água do bioma, aliado à uma estratégia integrada entre os setores público e privado. Além disso, é necessário implementar e reforçar políticas públicas que promovam a conservação dos remanescentes de vegetação nativa e a restauração de áreas degradadas em locais estratégicos nas bacias hidrográficas”, destaca Fernanda.

Cenário em 2024

Em fevereiro de 2024, o SAD Cerrado detectou 38 mil hectares de desmatamento no Cerrado, uma redução de 52% em relação a fevereiro de 2023, quando o desmatamento somou 79 mil hectares. Os Estados mais afetados foram o Tocantins, com 10 mil hectares desmatados, Bahia, com 8 mil hectares desmatados e Piauí, que perdeu 5 mil hectares de vegetação nativa. O município de Cocos localizado no oeste da Bahia foi o responsável pela maior área desmatada, totalizando 3 mil hectares desmatados.

Em relação às bacias hidrográficas, o cenário se repete no primeiro bimestre de 2024. Nos dois primeiros meses do ano o Cerrado já acumulou 89 mil hectares desmatados. Desse total, 83% estão concentrados em cinco das vinte e quatro bacias hidrográficas do Cerrado (São Francisco Médio com 24 mil hectares; Tocantins Alto com 22 mil hectares; Parnaíba Alto com 15 mil hectares; Parnaíba Baixo com 6 mil hectares e Araguaia com 5 mil hectares desmatados).

Sobre o SAD Cerrado

O Sistema de Alerta de Desmatamento do Cerrado é um projeto de monitoramento mensal e automático que utiliza imagens de satélites ópticos do sensor Sentinel-2, da Agência Espacial Europeia. O SAD Cerrado é uma ferramenta analítica que fornece alertas de supressão de vegetação nativa para todo o bioma, trazendo informações sobre desmatamento no bioma desde agosto de 2020.

A confirmação de um alerta de desmatamento é realizada a partir da identificação de ao menos dois registros da mesma área em datas diferentes, com intervalo mínimo de dois meses entre as imagens de satélite. O método é detalhado no site do SAD Cerrado.

Os relatórios de alertas para o mês de fevereiro e períodos anteriores estão disponíveis neste link. No painel interativo, é possível selecionar estados, municípios, categorias fundiárias e o intervalo temporal para análise.

O objetivo do sistema é fornecer alertas de desmatamentos maiores de um hectare, atualizados mês a mês. Pesquisadores entendem que o SAD Cerrado constitui uma ferramenta complementar a outros sistemas de alerta de desmatamento no bioma, como o DETER Cerrado, do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), otimizando o processo de detecção em contextos visualmente complexos.

Acesse os dados georreferenciados clicando aqui.

Enel alerta para possibilidade de fortes chuvas no RJ e aciona plano de emergência

Plano emergencial inclui reforço no contingente operacional e aumento da capacidade dos canais de atendimento, incluindo o call center 

COS 4

Rio de Janeiro, 21 de março de 2024 – Com o alerta da meteorologia para a possibilidade de tempestades a partir de hoje (21) na área de concessão da Enel Distribuição Rio, a distribuidora acionou o seu plano de emergência para eventos climáticos e estará em plena mobilização, com reforço das equipes operacionais e dos canais de atendimento para eventuais ocorrências que envolvam o fornecimento de energia nos 66 municípios da área de concessão da empresa.

O alerta meteorológico prevê um cenário climático adverso a partir da tarde desta quinta-feira na Costa Verde, na Região Serrana e no Grande Rio, com possibilidade de chuva forte, ventos e descargas atmosféricas. Entre a sexta-feira (22) e o sábado (23), o alerta vale para todas as regiões, principalmente Sul, Serrana e Lagos, e nas cidades de Niterói, São Gonçalo, Magé e Macaé.

O plano mobilizado pela Enel Rio prevê o reforço do número de equipes em campo e de todos os canais de atendimento, incluindo o call center, que poderá ter sua capacidade de atendimento duplicada em casos de um evento climático severo. A partir dos alertas de clima severo emitidos pelas autoridades, a empresa iniciou ações de comunicação direta com os clientes para informar a população sobre os riscos trazidos pelas chuvas. A distribuidora tem mantido diálogo também com as principais autoridades estaduais e dos municípios atendidos pela empresa.

Em situações de contingência, devido ao alto volume de chamadas no call center, a empresa orienta que os clientes utilizem preferencialmente os canais digitais para maior agilidade do atendimento, como o site (www.enel.com.br), o aplicativo Enel (disponível para iOS e Android) ou ainda mandar o WhatsApp Elena: (21) 99601-9608.

A empresa aproveita para reforçar dicas importantes de segurança com a rede elétrica em casos de tempestades:

– Se encontrar um cabo partido, não se aproxime; 

– Não encoste em objetos metálicos: como semáforos, postes de iluminação pública, pontos de ônibus, portões e grades;

– Retire os equipamentos da tomada e deixe-os fora do alcance da água; 

– Busque abrigo seguro: em caso de ventos intensos, procure locais seguros, longe de estruturas suscetíveis a danos, como postes, árvores ou fiações elétricas;

– Evite áreas arborizadas: durante tempestades, há risco de queda de árvores e descargas atmosféricas (raios).

Coletiva de imprensa sobre investigações e denúncia do MPF sobre fraude e corrupção na aquisição de veículos blindados pelo governo brasileiro

O Ministério Público Federal (MPF) no Rio de Janeiro convoca os jornalistas para coletiva de imprensa, nesta quinta-feira (21/03), a partir das 15h, com o procurador da República Eduardo Benones

blindados

O Ministério Público Federal (MPF) apresentará formalmente as descobertas e ações subsequentes de uma investigação conduzida pelo MPF que envolve a empresa Combat Armor Defense do Brasil Ltda, entre outras entidades e indivíduos. Esta convocação tem como objetivo não apenas informar o público sobre os fatos investigados, mas também sublinhar a dedicação das autoridades brasileiras em manter a integridade dos processos públicos e combater a corrupção em todas as suas formas.

A investigação, desencadeada por um conjunto substancial de evidências, foi direcionada para desvendar uma complexa rede de atividades ilícitas, incluindo fraudes em licitações, possíveis práticas de: corrupção ativa e passiva; lavagem de dinheiro; e formação de associação criminosa. O foco primário recaiu sobre as operações da Combat Armor, uma empresa que, embora tenha sua matriz nos EUA, realizou transações significativas e manteve contratos extensos com várias entidades governamentais brasileiras, notadamente a Polícia Rodoviária Federal (PRF).

As descobertas desta investigação são de importância crítica, não apenas devido ao volume financeiro envolvido, apurado até o momento em R$94.096.361,52, mas também pelo curto intervalo de tempo e coincidência ao quadriênio 2019-2022, bem como pela maneira como essas práticas ilícitas comprometeram a transparência e a justiça no uso dos recursos públicos.

A implicação de agentes públicos e privados nestas atividades ilícitas destaca uma preocupante vulnerabilidade em nossos sistemas de governança e licitação, exigindo uma resposta imediata e determinada por parte das autoridades competentes.

As revelações da investigação ilustram um esquema elaborado que não só afetou adversamente a alocação de recursos públicos, mas também minou a confiança da população na integridade de instituições governamentais essenciais. A presença de figuras como Daniel Beck, apoiador de Donald Trump e proprietário da Combat Armor, que esteve em Washington durante a invasão ao Capitólio, adiciona uma dimensão internacional ao caso, enfatizando a necessidade de cooperação jurídica transnacional para combater efetivamente a corrupção e outros crimes financeiros.

A coletiva visa, portanto, lançar luz sobre a profundidade e amplitude das infrações descobertas, enfatizando a importância de manter a vigilância constante e fortalecer os mecanismos de fiscalização e controle para proteger o bem público e restaurar a confiança nas instituições públicas. Com o detalhamento dos fatos e das medidas adotadas em resposta às descobertas, reiteramos nosso compromisso inabalável com a transparência, a justiça e a integridade, essenciais para o fortalecimento da democracia e da ordem social no Brasil.

A coletiva será realizada às 15h de 21 de março na sede da Procuradoria da República no Rio de Janeiro – Avenida Nilo Peçanha, nº 31, auditório do 6º andar, Centro, Rio de Janeiro/RJ.

Como perdi e reencontrei minha criatividade científica

science pic

Por Jeffrey McDonnell para a Science

Como estudante de doutorado, passei muitos dias e noites em pé numa encosta íngreme de uma floresta, sob chuva, medindo como as gotas de água se movem para o solo. Eu adorava atividades ao ar livre e era mais uma brincadeira do que um trabalho. Muitas noites eu sonhava com minha pesquisa. Fiquei infinitamente curioso sobre o que vi no campo e emocionado quando consegui relacionar isso com o que li. Minhas ideias pareciam fluir como o fluxo que eu estava tentando compreender. Mas quando me tornei professor, fui inundado de responsabilidades e meu fluxo criativo diminuiu. Levei décadas para descobrir como revivê-lo.

Quando comecei meu primeiro cargo docente, não tinha mais a liberdade de me concentrar apenas na pesquisa ou pensar profundamente sobre qualquer assunto. Eu estava consumido por demandas urgentes – ficar uma aula à frente em meu ensino, completar revisões de artigos para revistas científicos, a batida constante da redação de propostas. À medida que meu laboratório cresceu, tornei-me mais um gerente de pesquisa do que um pesquisador. Deixei que as oportunidades de financiamento orientem as decisões sobre quais pesquisas realizar. Eu era como um diletante científico – passando de um projeto para outro.

Uma década depois, mudei-me para uma nova universidade onde não precisei correr atrás de tanto financiamento. Pude retornar ao tema que estudei para meu doutorado. Aceitei estudantes de graduação e pós-doutorado que estavam interessados ​​em “minhas” perguntas. Durante as reuniões com eles, aprendi como ser uma caixa de ressonância enquanto consideravam novas ideias e novas formas de olhar para a nossa ciência. Descobri que se eu pudesse viver o momento com eles — e não me distrair com minhas responsabilidades no meio da carreira — então poderia desempenhar um papel em seu processo de pensamento criativo.

A criatividade voltou à minha vida profissional, mas eu ainda não tinha encontrado uma maneira de estimular meu pensamento profundo. Eu era, na melhor das hipóteses, um gerente de criatividade. Mais uma década se passou antes que eu aprendesse como fazer meu próprio fluxo criativo fluir novamente.

Aspa

Estar hiperocupado na primeira metade de minha carreira docente era a antítese do pensamento criativo.  JEFFREY MCDONNELL,  Universidade de Saskatchewan

Depois de aceitar um cargo que me permitiu mudar dos Estados Unidos de volta para meu país natal – o Canadá – tive alguns meses entre empregos, o que significava que poderia acompanhar minha esposa à Carolina do Sul em uma missão de trabalho dela. Eu estava livre como um pássaro. E foi aí que começou meu primeiro pós-doutorado real. O momento eureka aconteceu – entre todos os lugares, enquanto eu estava em uma academia andando em uma esteira, observando a chuva cair no gramado lá fora. Ao ver poças se formarem e se fundirem, pude visualizar processos semelhantes que vinha tentando entender no subsolo há décadas. Foi um pequeno raio mental na minha pequena fatia do mundo científico. Mas foi estimulante porque era um tipo de pensamento que eu temia ter secado para sempre. Ficou claro que eu precisava desacelerar e sentir a chuva com mais frequência!

Em meu novo emprego, tentei prestar atenção a essa epifania. Fiz questão de pensar e escrever um pouco em casa todas as manhãs, num quarto com vista para o grande rio que atravessa a cidade. Depois disso, pedalava para trabalhar às margens daquele rio, atividade que me ajudou a processar essas ideias e a lembrar meu objetivo diário de ser curioso. A diversão impulsionou o que eu trabalhei. E logo, tive novas ideias para apresentar para meus estudantes de doutorado e pós-doutorandos.

Ao iniciar uma descida gradual até à aposentadoria, comecei a refletir sobre os altos e baixos da minha criatividade científica e sobre como ajudar os cientistas em início de carreira a evitar algumas das armadilhas em que caí. Certamente não sou um guru da criatividade ou um modelo. E sei que os ambientes que estimulam a criatividade para uma pessoa podem não funcionar para outra. Mas uma lição importante que aprendi foi que estar hiperocupado na primeira metade de minha carreira docente era a antítese do pensamento criativo.

Agora incentivo meus alunos de pós-graduação e pós-doutorados a se desconectarem e reservarem um tempo para pensar, brincar e se divertirem com suas pesquisas. E fazer dessas coisas um hábito permanente em suas vidas – mesmo que medido apenas em pequenos fragmentos de cada dia. Também lhes digo para prestarem atenção às condições e aos locais que estimulam a sua curiosidade e capacidade de pensar profundamente. A criatividade é a força vital do nosso trabalho científico. Ao discuti-lo abertamente, espero que possamos ajudar a próxima geração de cientistas a evitar perdê-lo ao longo do caminho, como eu fiz.

Jeffrey McDonnell é professor da Universidade de Saskatchewan e professor visitante na Universidade de Ludong e na Universidade de Birmingham.


color compass

Este texto escrito originalmente em inglês foi publicado pela revista Science [Aqui!].

SBPC manifesta apoio e solidariedade à ministra Nísia Trindade

“A SBPC conclama todos os defensores da saúde e da vida humana a juntarem seus esforços e somarem suas vozes na defesa de uma recomposição das condições básicas de cuidado com os seres humanos de todas as idades em nosso país”

nisia

Nota da SBPC

A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) vem a público manifestar energicamente seu apoio e solidariedade à Ministra Nísia Trindade, perante o trabalho admirável que ela está realizando na recomposição do Ministério da Saúde, que foi devastado pela política negacionista do governo anterior.

Por conseguinte, a SBPC conclama todos os defensores da saúde e da vida humana a juntarem seus esforços e somarem suas vozes na defesa de uma recomposição das condições básicas de cuidado com os seres humanos de todas as idades em nosso país.

São Paulo, 20 de março de 2024.

Diretoria e Conselho da SBPC


Fonte: SBPC