A Crise do Cerrado: a linha de frente do desmatamento no Brasil

Todo mundo sabe que a Amazônia está em crise. Mas, logo ao lado dela, outra catástrofe ecológica está em andamento

Desmatamento-no-Cerrado

Por Global Witness

Ao sul da maior floresta tropical do mundo fica a savana do Cerrado, apelidada de “floresta de cabeça para baixo” devido às raízes profundas e extensas que permitem que suas árvores sobrevivam a estiagens prolongadas e retenham grandes quantidades de carbono.

Assim como sua vizinha Amazônia, o Cerrado está sendo destruído para satisfazer o apetite global por carne bovina, e essa destruição está sendo viabilizada por algumas das principais instituições financeiras do mundo.

O desmatamento na Amazônia está diminuindo, mas no Cerrado alcançou níveis recordes no ano passado – um aumento de 43% em relação a 2022.

Uma nova pesquisa da Global Witness revela quem está por trás de grande parte dessa destruição.

Por meio de dados públicos, investigamos a pecuária no principal estado produtor de carne bovina do Brasil, Mato Grosso, que tem áreas tanto no bioma da Amazônia como do Cerrado. Seguindo as tendências mais amplas de desmatamento na região, descobrimos que as derrubadas de vegetação no Cerrado ultrapassaram em muito as da Amazônia.

62bb3c2a-0fab-43e6-9e35-f6691b671b83.jpgFogo consome vegetação do cerrado na Chapada dos Guimarães, Mato Grosso, Brasil. LUCAS NINNO / GETTY

Os três maiores frigoríficos do Brasil – JBS, Marfrig e Minerva – têm um papel fundamental nessa devastação ambiental. A Global Witness descobriu que essas empresas globais estão implicadas em um volume considerável de desmatamento ilegal ao longo de suas cadeias produtivas.

Uma área de floresta total maior que Chicago foi desmatada em fazendas que abastecem empresas de carne bovina em Mato Grosso – 99% desse desmatamento foi ilegal, por falta das licenças exigidas de acordo com a legislação brasileira.

O desmatamento ligado a esse trio de empresas foi quase cinco vezes maior na área de Cerrado de Mato Grosso que em seu território amazônico, onde as empresas têm acordos legais que as obrigam a monitorar seus fornecedores.

Uma em cada três cabeças de gado que as empresas compraram do Cerrado de Mato Grosso veio de fazendas com terras desmatadas ilegalmente. A JBS estava ligada ao maior número de fazendas com desmatamento nos dois biomas.

As três empresas contestam as conclusões da Global Witness e afirmam que estão em conformidade com a legislação ambiental brasileira e seus próprios acordos individuais com as autoridades.

A Global Witness descobriu que a demanda por carne bovina, tanto no Reino Unido como na União Europeia, desempenha um papel importante no desmatamento da região. Ao analisar dados comerciais, descobrimos que nos últimos cinco anos o Reino Unido importou uma média de 1.756 toneladas por ano de produtos de carne bovina do estado de Mato Grosso. Da mesma forma, em 2018 e 2019, pelo menos 14 frigoríficos de propriedade de JBS, Marfrig e Minerva em Mato Grosso obtiveram autorização para exportar para países da UE.

Esse comércio global de carne bovina ligada ao desmatamento é parcialmente sustentado pelo sistema financeiro ocidental. A Global Witness analisou dados de mercado disponíveis comercialmente e descobriu que grandes instituições financeiras americanas, britânicas e europeias estão contribuindo para abusos ambientais generalizados através de seu apoio financeiro.

Gigantes do mercado como Barclays, BNP Paribas, HSBC, ING Group, Merrill (anteriormente Merrill Lynch) e Santander subscreveram bilhões de dólares em títulos que ajudam as grandes empresas de carne bovina a contrair empréstimos e crescer.

Pesos pesados financeiros como The Vanguard Group, BlackRock, Capital Research Global Investors, Fidelity Management & Research Company, T. Rowe Price Associates, AllianceBernstein e Compass Group oferecem apoio adicional através da compra de ações.

Ao contrário da vizinha Amazônia, o Cerrado é relativamente pouco protegido por leis e acordos voluntários, incluindo internacionais. Por exemplo, o Cerrado está fora do escopo do Regulamento de Desmatamento da UE (EUDR), uma nova legislação do bloco europeu que proíbe o comércio de commodities produzidas em terras desmatadas.

A pesquisa da Global Witness ressalta a necessidade urgente de abordar o desmatamento no Cerrado e responsabilizar um setor que está impulsionando a destruição de florestas e outros ecossistemas essenciais para a manutenção do clima do planeta. Dois terços das terras desmatadas na Amazônia e no Cerrado são usados para criação de gado, de acordo com um estudo de 2020.

As conclusões também apresentam novas provas de que os centros financeiros globais devem adotar procedimentos obrigatórios de devida diligência contra o financiamento do desmatamento e reforçar as regulamentações financeiras para impedir que suas empresas continuem participando da destruição das florestas tropicais.

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‘Floresta de cabeça para baixo’

A savana florestada do Cerrado cobre cerca de um quinto (22%) do território brasileiro e abriga uma das maiores biodiversidades do mundo, incluindo mais de 6.000 espécies de árvores. É apelidada de “floresta de cabeça para baixo” por causa das raízes profundas e extensas que suas plantas usam para sobreviver a secas sazonais e incêndios. Essas riquezas subterrâneas significam que a savana armazena cerca de cinco vezes mais carbono nas raízes e no solo do que acima do solo.

Em 2017, dizia-se que o Cerrado continha 13,7 bilhões de toneladas de dióxido de carbono, ou seja, mais do que a China liberou em 2020.11 No entanto, é provável que o desmatamento desenfreado dos últimos anos tenha afetado significativamente esse armazenamento.

A importância do Cerrado para o clima da Terra não pode ser subestimada. O grupo WWF afirmou que se esse bioma fundamental continuar a ser destruído, não será possível alcançar a meta climática da ONU de limitar o aquecimento global a 1,5◦C.

Essa imensa região de campos naturais e árvores esparsas também tem grande importância social. Muitos povos indígenas e comunidades tradicionais vivem aqui ou utilizam seus recursos naturais, incluindo quilombolas e ribeirinhos.

Enquanto a taxa anual de desmatamento da Amazônia brasileira caiu pela metade em 2023, a do Cerrado aumentou 43%. Dados de julho de 2021 a agosto de 2022 já haviam mostrado que o desmatamento aumentara 25% em relação aos 12 meses anteriores, totalizando 10.700 km2. Desse total, as perdas no estado de Mato Grosso representaram 7%, ou 740 km2.

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A Savana do Cerrado no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, Goáis / Go, Brasil. GLOBAL WITNESS

A capital do gado bovino

Localizado no centro-oeste do Brasil, o estado de Mato Grosso se espalha por três importantes biomas: Floresta Amazônica, ao norte, Cerrado em grande parte do estado, e Pantanal, mais ao sul.

Esse mosaico ecológico faz do estado o local ideal para comparar o desmatamento ligado à pecuária bovina na Amazônia e no Cerrado. As consequências da devastação ambiental aqui têm implicações globais para as mudanças climáticas e a conservação da biodiversidade.

Mato Grosso tem o maior rebanho bovino entre os estados brasileiros, com cerca de 32,8 milhões de cabeças de gado, ou nove por habitante. Esse imenso plantel significa que Mato Grosso desempenha um papel crucial no comércio global de carne bovina. O estado é um dos maiores exportadores de carne bovina do Brasil. Em 2022, as exportações faturaram impressionantes 2,75 bilhões de dólares, a maior parte destinada à China (1,9 bilhões de dólares). Os EUA e o Reino Unido também são mercados externos lucrativos. Mato Grosso exportou mais de 66 milhões de dólares de carne bovina para os EUA, e mais de 15 milhões de dólares para o Reino Unido.

Com um setor pecuário que impulsiona o desmatamento no Brasil e compradores estrangeiros envolvidos nessa atividade predatória, não é por acaso que Mato Grosso também apresenta o segundo maior nível de perda de cobertura florestal do Brasil, de acordo com os dados mais recentes do Global Forest Watch.

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O que fizemos

A Global Witness desenvolveu uma metodologia para analisar dados sobre desmatamento, movimentação de gado e limites de terras para calcular o desmatamento ligado ao gado nas cadeias produtivas brasileiras.

Nesta nova investigação, aplicamos a mesma metodologia às cadeias de fornecimento de três das maiores empresas de proteína animal do país, JBS, Marfrig e Minerva. No trabalho anterior, a Global Witness mostrou que essas empresas têm responsabilidade considerável pela destruição das florestas brasileiras.

Nosso relatório de 2020 Carne bovina, bancos e a Amazônia brasileira usou dados públicos semelhantes para expor como os frigoríficos eram incapazes de remover de suas cadeias produtivas vastas áreas de terras desmatadas no Pará. Mais tarde, promotores locais confirmariam nossos achados.

Em Mato Grosso, a Global Witness rastreou movimentações de gado até os abatedouros dos três frigoríficos usando guias de trânsito animal (GTAs). Esses documentos contêm informações essenciais que permitem o escrutínio público das cadeias produtivas das empresas de carne bovina – incluindo a origem do gado e o nome de compradores e vendedores.

Utilizando informações públicas do Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (INDEA), descobrimos quais fazendas de gado forneciam animais para os frigoríficos de JBS, Marfrig e Minerva. Movimentações significativas de gado ocorreram entre janeiro de 2018 e julho de 2019, período para o qual os registros das GTAs estavam disponíveis. Em seguida, usamos um banco de dados estadual de fazendas e informações de desmatamento da agência de pesquisa espacial do Brasil, ambos disponíveis publicamente, para analisar se havia evidências de derrubada de árvores nas fazendas.

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Foco de calor direto em floresta, próximo a área recém desmatada, com alerta Deter, em Alta Floresta (MT), Em Julho De 2020. CHRISTIAN BRAGA / GREENPEACE

Em seguida, a Global Witness usou registros oficiais sobre autorizações de desmatamento para verificar se o desmatamento registrado nessas fazendas era legal ou não. Essa autorização (chamada de Autorização de Desmate no Mato Grosso e Autorização de Supressão de Vegetação no Pará) é legalmente exigida para o desmatamento em qualquer bioma, seja em terras públicas ou privadas.

O órgão autorizado a emitir tais autorizações em Mato Grosso é a secretaria estadual do meio ambiente, SEMA. Usando o banco de dados online da SEMA, incluindo informações sobre se essas fazendas tinham um plano de recuperação ambiental, a Global Witness aplicou pela primeira vez nossa metodologia usada no Pará a um novo grande conjunto de dados – o estado de Mato Grosso, maior produtor de carne bovina do Brasil.

Nossas descobertas revelam a extensão do desmatamento para abrir pastagens no Cerrado mato-grossense. O bioma não foi abordado nas primeiras auditorias do Ministério Público, publicadas recentemente, sobre a atuação das gigantes da carne bovina no estado, que tratavam apenas das operações dos frigoríficos na Amazônia.

Os resultados mostram que a adoção de um sistema de auditoria em nível estadual é urgente em todos os estados brasileiros, sobretudo naqueles localizados no Cerrado e na Amazônia.

O que descobrimos

Os gráficos a seguir comparam o desmatamento nas cadeias produtivas das três grandes empresas de carne bovina nas regiões da Amazônia e do Cerrado de Mato Grosso:

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Uma análise da Global Witness sobre o desmatamento em fazendas que fornecem gado aos três grandes frigoríficos mostra que quase nenhum caso de desmatamento havia sido autorizado. Ou seja, a remoção da vegetação nativa foi realizada sem a licença exigida por lei.

JBS, Marfrig e Minerva, todos grandes exportadores para a UE, poderão não conseguir exportar sem essas licenças por muito mais tempo. O Regulamento da UE sobre produtos livres de desmatamento (EUDR) proibirá em breve a importação de produtos como carne bovina e couro produzidos em terras desmatadas ilegalmente no Cerrado porque não cumprem a legislação brasileira (ver quadro ‘O EUDR e o Cerrado’).

Legislação semelhante no Reino Unido, a Environment Act 2021 apresenta disposições para restringir commodities com risco florestal produzidas em violação das leis do país produtor. O Plano de Melhoria Ambiental de 2023 do governo britânico afirma que essas disposições serão implementadas por meio de legislação secundária “na primeira oportunidade”.

O EUDR e o Cerrado

O Regulamento da UE sobre produtos livres de desmatamento (EUDR) visa minimizar a contribuição da UE para o desmatamento e a degradação florestal em todo o mundo. O regulamento, que “entrará em aplicação” em 30 de dezembro de 2024 (ou 30 de junho de 2025 para as pequenas empresas), exige que os operadores e negociantes que pretendam comercializar produtos agrícolas no mercado da UE provem que esses produtos são ‘livres de desmatamento’ (produzidos em terras que não foram sujeitas a desmatamento após 31 de dezembro de 2020) e legais (em conformidade com todas as leis aplicáveis relevantes em vigor no país produtor).

Atualmente, o EUDR abrange produtos relacionados ao desmatamento de ecossistemas florestais utilizando a definição de floresta da Organização para a Alimentação e a Agricultura (FAO). Isso significa que grandes áreas do Cerrado estão atualmente excluídas da definição do EUDR de ‘floresta’ e de ‘livre de desmatamento’.

No entanto, o EUDR também exige que as empresas cumpram a legislação do país de produção, incluindo leis ambientais locais e regras relacionadas com florestas, independentemente da data de corte de 31 de dezembro de 2020. Assim, o desmatamento ilegal para permitir a pecuária no Cerrado coloca produtos como a carne bovina e o couro em risco de serem impedidos de entrar no mercado da UE assim que o EUDR entrar em aplicação. Nossa investigação descobriu que uma em cada três cabeças de gado da região do Cerrado em Mato Grosso estava ligada ao desmatamento ilegal.

A primeira das próximas revisões do EUDR avaliará se é necessário expandir seu escopo além da floresta para ‘outras áreas arborizadas’, e a Global Witness pressionará pela inclusão total do bioma do Cerrado na lei. Se tivermos sucesso, as empresas poderão ser impedidas de colocar no mercado da UE produtos que estejam ligados ao desmatamento do Cerrado, independentemente de o desmatamento ser legal ou não perante a legislação brasileira.

GWS 3

Há uma demanda significativa pela carne bovina brasileira tanto no mercado interno quanto externo. Em 2020, o Brasil exportou quase duas vezes mais carne bovina do Cerrado que da Amazônia. Agora, uma pesquisa da Global Witness mostra que a pegada de desmatamento da carne bovina do Cerrado supera a da Amazônia. Na verdade, cada cabeça de gado comprada pelos gigantes da carne de Mato Grosso pode estar associada a uma média de 1.132 m2 (0,11 hectare) de desmatamento no Cerrado, em comparação com uma média de 85 m2 (0,01 hectare) na Amazônia.

Uma análise feita pela Global Witness de dados aduaneiros brasileiros revelou exportações significativas de carne bovina refrigerada e congelada do estado de Mato Grosso para o Reino Unido. Em 2018 e 2019, anos para as quais as GTAs foram analisadas neste relatório, as exportações desses produtos para o Reino Unido foram de  1.269 toneladas e 1.690 toneladas, respectivamente. Nos anos seguintes, à medida que o desmatamento no Cerrado aumentava, as exportações para o Reino Unido permaneceram relativamente estáveis, alcançando 1.771 toneladas em 2023.

Uma análise mais aprofundada usando dados comerciais revelou o total de carne bovina exportada de Mato Grosso para o Reino Unido pelas três empresas analisadas neste relatório. De 2018 a 2023, o Reino Unido importou 2.223 toneladas da JBS, 1.743 toneladas da Marfrig e 683 toneladas da Minerva. Esses dados sugerem que essas três empresas juntas foram responsáveis por quase metade de toda a carne bovina enviada do estado de Mato Grosso para o Reino Unido durante estes seis anos.

A análise dos dados de certificação obtidos por meio das leis de acesso à informação do Brasil também revelou que durante 2018 e 2019, anos para os quais as GTAs foram analisadas neste relatório, os países da UE importaram carne bovina de 14 frigoríficos no estado de Mato Grosso – sete de propriedade da JBS, quatro da Minerva e três da Marfrig. Quando o EUDR estiver totalmente em vigor, essas importações para a UE deverão ser consideradas ilegais devido à falta de licenças que comprovem a legalidade dos desmatamentos florestais associados.

GWS 4

Em resposta às nossas conclusões, a JBS refutou a nossa análise e disse que a Global Witness utilizou critérios diferentes dos utilizados pelos procuradores federais do Brasil que monitoram a sua atividade, “resultando em conclusões enganosas”. A empresa disse que apenas 482 das 611 fazendas analisadas pela Global Witness estavam em seu banco de dados de fornecedores e que todas as compras de gado dessas fazendas estavam em conformidade com a lei entre 2008 e 2019. Destas fazendas, no entanto, 88 foram impedidas de vender à empresa devido a não-conformidades, mesmo antes de a Global Witness contatar a empresa sobre as conclusões deste relatório. As 394 fazendas restantes ainda estão em conformidade legal, afirmou.

A Marfrig refutou as descobertas da Global Witness com base em uma série de fundamentos técnicos, incluindo questionamento do banco de dados de desmatamento que a Global Witness usou, e disse que informações insuficientes foram fornecidas pela Global Witness para a empresa fazer o cruzamento dos dados de todas as nossas descobertas. Afirmou que seus próprios sistemas de monitoramento interno estão alinhados com a legislação federal brasileira e que suas operações de compra de gado são auditadas por terceiros. Em 2023, pelo décimo primeiro ano consecutivo, afirmou que isso resultou no alcance de 100% de conformidade da empresa com a legislação brasileira. Em comunicado, a empresa disse: “Ressaltamos que a Marfrig está fortemente comprometida em conciliar sua atuação com a sustentabilidade, especialmente a conservação dos biomas brasileiros, desenvolvendo e aplicando constantemente tecnologias para mitigar riscos, trabalhando permanentemente com seus fornecedores e garantindo transparência para todos os stakeholders.”

Na comunicação da JBS e da Marfrig com a Global Witness, as empresas sugeriram que usamos critérios diferentes dos do Ministério Público para monitorar a atividade de desmatamento das empresas. A Global Witness concorda que usamos um processo um pouco mais rigoroso que o do Ministério Público em nossa metodologia para identificar pequenos casos de desmatamento, mas acreditamos que a diferença que isso fez em nossas descobertas gerais é mínima. Essa é a única pequena diferença entre a nossa abordagem e a do Ministério Público, que apenas torna o nosso trabalho ainda mais robusto.

Em um comunicado, a Minerva não abordou diretamente as descobertas da Global Witness, mas enviou detalhes de seus compromissos ambientais e de rastreabilidade. A empresa afirmou que o monitoramento de fornecedores diretos “garante” que sua cadeia produtiva “está livre de desmatamento ilegal, práticas trabalhistas análogas à escravidão ou trabalho infantil, sobreposições a áreas protegidas ou embargos ambientais”. Nenhuma evidência foi apresentada para contestar nossa pesquisa. A Minerva também disse que bloqueia fornecedores que violam suas políticas e compromissos.

A Global Witness identificou evidências de falha na devida diligência dessas cadeias produtivas. A Global Witness não sugere que a JBS, a Marfrig ou a Minerva tenham autorizado ou encomendado o desmatamento de qualquer terra de qualquer uma das fazendas que lhes vendem animais. No entanto, essas empresas têm influência suficiente para mudar as práticas adotadas nas fazendas fornecedoras e combater o desmatamento ilegal.

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Gado em área embargada pelo IBAMA no município de Aripuanã, MT, Brasil. Bruno Kelly / GREENPEACE

Falta de comprometimento

Interromper o desmatamento é um desafio para as autoridades brasileiras. No Cerrado, há pouca proteção53em comparação com os acordos de desmatamento zero na Amazônia, com os quais muitos frigoríficos se comprometeram.

Essa discrepância tem implicações para o clima do planeta. Um estudo de 2018 mostrou que dois grandes acordos que reduziram drasticamente o desmatamento na Amazônia brasileira tiveram o “efeito colateral” de aumentar o desmatamento e a perda de vegetação nativa no vizinho Cerrado.

JBS, Marfrig e Minerva são signatárias desses acordos, chamados Termos de Ajustamento de Conduta (TAC), que são juridicamente vinculantes e proíbem a venda de carne bovina proveniente de propriedades com desmatamento ilegal. O primeiro acordo desse tipo foi criado por promotores estaduais no Pará em 2009 e depois estendido a outros estados amazônicos.

Os gigantes da carne bovina também assinaram o G4 Cattle Agreement com o Greenpeace. Políticas voluntárias, criadas após pressão do grupo ambientalista, impedem os frigoríficos de comprar gado de fazendas na Amazônia com qualquer tipo de desmatamento, ainda que legal. As empresas ainda se comprometeram a criar sistemas para monitorar o risco de desmatamento em seus fornecedores.

Além disso, Marfrig e JBS assinaram acordos legais com promotores estaduais de Mato Grosso em 2010 e 2013, respectivamente. Nossa análise sugere que esses acordos estão agregando alguma proteção à Amazônia, mas não ao Cerrado. Em contrapartida, as três empresas de carne bovina assumiram apenas compromissos voluntários em relação à maior savana do mundo. Enquanto a Minerva declarou em 2021 que vem monitorando seus fornecedores diretos em todo o bioma a JBS promete zero desmatamento ilegal em suas cadeias de fornecimento no Cerrado até 2025, e a Marfrig, rastreabilidade total de todos os biomas brasileiros até 2025. Relatórios anteriores da Global Witness lançaram dúvidas sobre essas promessas não vinculantes, mostrando que os frigoríficos deixaram de cumprir a sua palavra por diversas vezes.

As investigações da Global Witness e outros mostraram repetidamente que o monitoramento não é suficiente. O desmatamento tem que acabar. O Ministério Público de Mato Grosso e seus homólogos em outros estados devem seguir o exemplo do Pará e exigir compromissos legais, respaldados por multas por descumprimento, dos gigantes da pecuária, de modo a barrar o desmatamento, tanto da Amazônia quanto do Cerrado.

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Foco de calor direto em floresta, próximo a área recém desmatada, com Alerta Deter, em Alta Floresta (MT),  em julho de 2020. CHRISTIAN BRAGA / GREENPEACE

Os vilões do mercado financeiro

Grandes bancos e empresas de investimento como Barclays, BNP Paribas, HSBC, ING Group, Merrill Lynch e Santander estão contribuindo para o desmatamento de biomas vitais para a manutenção do clima global, subscrevendo bilhões de dólares em títulos nos últimos anos para as três grandes empresas de carne bovina que provocaram parte dessa destruição e fornecendo capital de giro para seus negócios.

Por exemplo, em 2019, a JBS emitiu títulos no valor de 1,25 bilhão de dólares, que foram subscritos por grandes instituições financeiras, incluindo o Barclays Capital. Seguiu-se outro bilhão de dólares em títulos emitidos dois anos mais tarde, que o Barclays Capital também subscreveu, juntamente com o Santander Investment Securities e outros.

Ações e bonds

Comprar uma ação significa que um investidor possui parte de uma empresa e recebe uma parte de seus lucros, bem como direitos de voto e influência na tomada de decisões corporativas. Subscrever um título é diferente de deter ações de uma empresa. Quando um investidor compra um título, ele está essencialmente emprestando dinheiro ao emissor em troca de pagamentos periódicos de juros e do retorno do valor de face do título no vencimento.

Os subscritores atuam como intermediários entre o emissor do título e o investidor que compra esse título. O subscritor ajuda a definir o valor nominal, a duração e a taxa de juros do título. Eles têm um papel crucial em ajudar os investidores a definir se uma empresa é digna de crédito. O subscritor assume a responsabilidade de revender os títulos no mercado aberto, obtendo lucro no processo.

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Ao subscrever obrigações da JBS, da Marfrig e da Minerva, grandes financistas americanos, europeus e britânicos, em conjunto, facilitaram um maior acesso a financiamento para os gigantes frigoríficos e, ao fazê-lo, ajudaram a promovê-los de forma positiva junto a possíveis investidores, apesar da sua exposição ao desmatamento.

Muitos dos bancos e instituições financeiras globais listados acima são membros da Net Zero Banking Alliance, na qual se comprometem a alcançar zero emissão líquida de gases de efeito estufa até 2050.

A Global Witness acredita que JBS, Marfrig e Minerva não deveriam receber financiamento adicional enquanto estiverem causando desmatamento no Cerrado, na Amazônia ou em qualquer outro lugar. É preciso comunicar adequadamente os possíveis investidores sobre a gravidade dos abusos ambientais que assolam as cadeias produtivas desses frigoríficos.

Em vez disso, ao ajudar os gigantes brasileiros da carne bovina a conseguir financiamento, os subscritores de títulos fornecem a essas empresas os meios para que continuem a fomentar o desmatamento em Mato Grosso e outros estados. Consideramos que os financiadores da UE, dos EUA e do Reino Unido – quaisquer que sejam os seus compromissos em relação ao ambiente – contribuem coletivamente para a lavagem da reputação dessas empresas e a promoção de produtos ligados ao desmatamento.

O ING disse à Global Witness que endureceu as suas políticas desde a emissão do título de “transição sustentável” da Marfrig em 2019, para combater o desmatamento e promover a rastreabilidade. Afirmou que atualmente não emite títulos para as entidades brasileiras dos três frigoríficos, nem fornece emissão de títulos ou quaisquer serviços financeiros para suas holdings.

Barclays, BNP Paribas, Merrill Lynch e Santander não quiseram comentar.

Em resposta às nossas conclusões, o HSBC disse que não poderia discutir clientes devido a regras de confidencialidade, incluindo a confirmação se um cliente é realmente seu, mas que o banco “não presta conscientemente serviços financeiros a clientes de alto risco envolvidos diretamente com desmatamento de floresta tropical primária ou seus terceirizados.” 

Queimam a floresta, mas não queimam dinheiro

Com base em informações do provedor de dados financeiros Refinitiv, a Global Witness revela que, em outubro de 2023:

  • Empresas de investimento americanas, britânicas e da UE, nomeadamente The Vanguard Group, Capital Research Global Investors, Fidelity Management & Research Company e BlackRock, mas também Dimensional Fund Advisors e Union Investment Privatfonds, entre outras, detinham ações da JBS num valor superior a 885,5 milhões de dólares.
  • Empresas de investimento americanas, britânicas e da UE, nomeadamente as americanas The Vanguard Group, BlackRock e California State Teachers Retirement System (CalSTRS), detinham ações da Marfrig num valor superior a 53 milhões de dólares.
  • Empresas de investimento americanas, britânicas e da UE, nomeadamente AllianceBernstein, T. Rowe Price Associates, Compass Group, BlackRock e Lingohr & Partner Asset Management, detinham ações da Minerva num valor de quase 211,2 milhões de dólares.

Muitas das instituições financeiras mencionadas acima são membros de iniciativas setoriais que incluem compromissos para reduzir ou eliminar a exposição de suas carteiras ao desmatamento, como a Net Zero Banking Alliance, convocada pelas Nações Unidas, e a Net Zero Asset Managers Initiative (NZAM)69. Isso não parece tê-las impedido de comprar ações de empresas que lucram com o desmatamento. Na verdade, em vez de venderem sua participação em empresas de carne bovina, algumas como a Vanguard – o maior gestor de ativos do mundo depois da BlackRock – optaram por abandonar a iniciativa NZAM em dezembro 2022.

Esse histórico duvidoso mostra por que a regulamentação – e não apenas iniciativas voluntárias – em centros financeiros globais como a UE, o Reino Unido e os EUA é necessária para exigir a devida diligência obrigatória e evitar o financiamento do desmatamento ao longo de cadeias produtivas. Sem isso, os bancos e as empresas investidoras se mostram incapazes de impedir o desmatamento e estão contribuindo para a destruição das florestas tropicais.

Solicitado comentário, a BlackRock disse que detém uma participação minoritária nos três frigoríficos para seus clientes. O asset manager destacou que suas participações significativas em carteiras de investimentos limitam sua capacidade de excluir empresas específicas. Relatou que trabalha continuamente com as empresas brasileiras para avaliar seus riscos de desmatamento e se absteve ou votou contra suas propostas em 2023 devido a preocupações de governança.     

A Union Investment Privatfonds disse à Global Witness que tinha uma “visão crítica” da JBS e já havia vendido suas ações da empresa antes do contato da Global Witness. Acionista da Marfrig, a CalSTRS disse que monitora sua carteira e colabora com empresas para mitigar “riscos”.

A AllianceBernstein não quis comentar e encaminhou as questões à Minerva. Um porta-voz do Capital Group encaminhou as questões à JBS. Dimensional Fund Advisors, Fidelity e T. Rowe Price Associates reconheceram o pedido de comentários da Global Witness, mas ainda não haviam respondido formalmente até o momento da redação deste artigo. Os demais acionistas indicados acima não responderam. 

Do que precisamos

À luz de nossas descobertas:

  • São necessárias proteções globais para o Cerrado. Elas devem incluir a adoção integral do Regulamento de Desmatamento da UE (EUDR), com data limite de no máximo 31 de dezembro de 2020.
  • Os financiadores de JBS, Marfrig e Minerva devem usar a sua influência para exigir melhorias mensuráveis e transparentes e deixar de prestar serviços de empréstimo e subscrição até que cada empresa consiga comprovar que suas cadeias são livres de desmatamento em Mato Grosso e outros locais.
  • Grandes centros financeiros globais – incluindo os EUA, o Reino Unido, a UE e a China – devem legislar sobre a devida diligência obrigatória para evitar o financiamento do desmatamento e reforçar a regulamentação financeira para coibir o financiamento de empresas que causam o desmatamento de biomas tropicais.
  • JBS, Marfrig e Minerva devem implementar integralmente seus acordos legais cobrindo a Amazônia e acabar com o desmatamento em suas cadeias produtivas, publicando as auditorias de seus fornecedores em Mato Grosso, tanto na Amazônia quanto no Cerrado.  
  • O Ministério Público Federal deve estender os acordos legais de não desmatamento da Amazônia, como o protocolo harmonizado, ao Cerrado.
  • O governo de Mato Grosso e de outros estados deve permitir o acesso público às GTAs e implementar um sistema de rastreabilidade para permitir o escrutínio público das cadeias de abastecimento das empresas de carne bovina.

Para baixar o relatório da Global Witness, basta clicar [Aqui!].


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Este texto foi inicialmente publicado pela “Global Witness” [Aqui].

Pesquisa revela substância em veneno de aranha que elimina células de câncer

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São Paulo, fevereiro de 2024 – A Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein e o Instituto Butantan, órgão ligado à Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, identificaram uma molécula obtida por um processo inovador com potencial para tratar o câncer extraída do veneno da aranha caranguejeira Vitalius wacketi, que habita o litoral paulista. 

A substância, sintetizada em laboratório no Butantan e purificada (ou seja, foram eliminados eventuais contaminantes, potencializando seu efeito) pelo Einstein, foi capaz de eliminar células de leucemia em testes in vitro. Resultado de uma trajetória de mais de 20 anos de estudos, a ferramenta que resultou na obtenção da molécula foi patenteada – processo conduzido pelas áreas de inovação de ambas as organizações. Agora, a pesquisa está madura o suficiente para alçar novos estágios de desenvolvimento, com novos parceiros.

A síntese da substância em laboratório, uma união de duas moléculas já conhecidas, feita pelo grupo do pesquisador Pedro Ismael da Silva Junior, do Laboratório de Toxinologia Aplicada do Butantan, permite obtê-la sem precisar extrair o veneno do animal, tornando o processo muito mais rápido. “Nós sintetizamos a molécula e observamos que a versão sintética mantém a atividade antitumoral detectada na toxina natural do veneno”, afirma o cientista.

Um dos grandes diferenciais do composto é que ele conseguiu matar as células tumorais por apoptose (morte programada), e não por necrose. Isso significa que a célula se autodestrói de forma controlada, sem causar uma reação inflamatória, diferente do mecanismo de grande parte dos medicamentos quimioterápicos hoje disponíveis.

“A morte por necrose é uma morte não programada na qual a célula colapsa, levando a um estado inflamatório importante. Já na apoptose a célula tumoral sinaliza ao sistema imune que está morrendo, para que ele remova posteriormente os fragmentos celulares”, explica o pesquisador do Einstein Thomaz Rocha e Silva, responsável pelos testes de ação antitumoral.

Existem outras estratégias no mercado capazes de induzir apoptose em células de câncer, como os anticorpos monoclonais, por exemplo, mas são tecnologias que exigem grande investimento e demandam tempo para produzir. De acordo com Thomaz, a nova molécula é pequena e o processo de síntese é muito mais simples e mais barato, o que pode facilitar uma eventual ida ao mercado e acesso ao produto.

“Outra vantagem é que, devido ao baixo peso molecular, é muito menos provável que haja problema de imunogenicidade – quando uma substância estranha no organismo provoca uma reação do sistema imune”, completa Pedro.

O composto conseguiu eliminar, inclusive, células leucêmicas resistentes a quimioterápicosO próximo passo é fazer testes em células de câncer de pulmão e de ossos. Além disso, a tecnologia será estudada em células humanas saudáveis para confirmar se não há toxicidade, isto é, se ela é seletiva e danifica somente as células cancerosas.

Devido ao potencial da invenção, as instituições patentearam o processo de produção da molécula. O objetivo é licenciar a tecnologia para uma empresa com capacidade de produzir em maior escala e desenvolver testes em animais – e, futuramente, em humanos, caso se prove segura e eficaz.

“Já fizemos um mapeamento de potenciais interessados e estamos em contato com algumas empresas. Isso poderá acelerar o estudo para que ele se torne um produto e possa chegar mais rápido aos pacientes”, diz o gerente de Inovação do Butantan, Cristiano Gonçalves.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o câncer é a segunda maior causa de morte no mundo, sendo responsável por cerca de 9,6 milhões de óbitos anualmente. “Com uma população em envelhecimento, a tendência é que na próxima década o câncer se torne a principal causa de morte, superando as doenças cardiovasculares”, aponta Thomaz.

A molécula obtida da aranha Vitalius wacketi é uma poliamina, um tipo de toxina abundante nos venenos. A equipe do pesquisador do Butantan Pedro Ismael, responsável pela síntese, é especializada em sintetizar moléculas extraídas da natureza para testar sua atividade contra microrganismos e identificar aquelas com potencial terapêutico. O cientista tem se dedicado, principalmente, ao estudo de substâncias provenientes da peçonha e do sangue de aranhas.

Nos últimos anos, em parceria com o grupo do Einstein liderado por Thomaz Rocha e Silva, os pesquisadores analisaram uma diversidade de toxinas extraídas de outras espécies do gênero Vitalius, e a de Vitalius wacketi mostrou uma atividade mais promissora. A purificação da molécula foi possível graças a uma nova técnica de cromatografia desenvolvida por Thomaz em 2010, específica para poliaminas. Ele estuda a atividade biológica do veneno de aranhas caranguejeiras há cerca de 20 anos. Em colaboração com a área de inovação do Einstein, foi possível avançar um degrau importante nesse desenvolvimento.

“Somos um ecossistema de inovação em saúde capaz de enxergar e analisar essas oportunidades, estudar o potencial de comercialização e transformá-las de fato em patentes, de forma que tenham um impacto real no sistema de saúde”, afirma Denise Rahal, gerente de parcerias e operações de inovação da organização.

Estudo mostra como grupos mafiosos estão agindo para grilar terras e aumentar o desmatamento na Amazônia

amazon deforestation

Um estudo publicado pela revista “Globalizations”, de autoria do pesquisador finlândes Markus Kröger, ligado à Universidade de Helsinki, lança luz sobre sobre a ação de grupos mafiosos está contribuindo para o avanço do desmatamento na Amazônia por meio da grilagem de terras e a expulsão dos habitantes tradicionais de áreas sendo griladas..

O artigo explica analisa como máfias  fundiárias – muitas vezes uma amálgama de elites rurais, latifunários recém chegados para acelerar o boom da soja na Amazônia, membros das forças policiais, que são detentores de poder governamentais e judiciais  e que agem para expulsar segmentos economicamente marginalizados de suas terras na Amazônia brasileira.  Com isso, essas máfias estão contribuindo também para aumentar a escala do desmatamento, em uma combinação que leva ao êxodo rural e o aumento da devastação.

O trabalho de Kröger também analisa os efeitos da instalação, em 2003, do famigerado terminal de soja que a multinacional Cargill instalou na cidade de Santarém, fato que leva à transformação radical de vastas áreas florestais, mas também de áreas urbanas.

Kröger ressalta que o cenário político instalado no após o golpe parlamentou de 2016 tornou muito mais perigoso e difícil resistir à apropriação ilegal de terras, dada a repressão pelo uso arbitrário e capturado do poder estatal por atores do tipo mafioso que agem tanto local como nacionalmente.

Quem desejar baixar este revelador artigo de Markus Kröger, basta clicar [Aqui!].

Tremei servidores fluminenses! Gustavo Barbosa, pai da “Operação Delaware”, deixou o governo de Romeu Zema

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Gustavo Barbosa recebendo “prêmio” nos EUA por seu papel na desastrosa “Operação Delaware”

Em uma notícia que deveria deixar os servidores públicos do Rio de Janeiro, a mídia mineira está anunciando que Gustavo Barbosa, o pai da “Operação Delaware”, resolveu pedir o boné do cargo de secretaria estadual de Fazenda de Minas Gerais, no governo Zema, alegando “problemas pessoais“.

Essa partida me lembra muito a que Gustavo Barbosa fez em relação ao mesmo posto, só que no estado do Rio de Janeiro que então estava sob a batuta do ex-governador Luiz Fernando Pezão.

Todo servidor fluminense que se lembra da grave crise orçamentária que afetou o estado do Rio de Janeiro não pode se esquecer que Gustavo Barbosa estava no comando da Secretaria Estadual de Fazenda quando ficamos cerca de 4 meses sem receber salários.

O mais impressionante é que depois de ter ajudado a afundar as financeiras do Rio de Janeiro, Barbosa foi surpreendentemente alçado ao mesmíssimo posto em Minas Gerais de onde sai agora como um dos últimos remanescentes do alto escalão do primeiro mandato de Romeu Zema.

Não custa lembrar que Gustavo Barbosa é réu numa ação civil pública sob acusação de ter causado um rombo de R$ 912 milhões aos cofres do Rioprevidência, fundo de previdência dos servidores do Rio de Janeiro, do qual foi diretor-presidente por seis anos.

Mas como esse tipo de figura nunca permanece sem emprego por muito tempo, eu não me surpreenderia se Gustavo Barbosa tomar o rumo do Rio de Janeiro para retomar o cargo de secretário de Fazenda do governo de Cláudio Castro.

Se isso se confirmar, os servidores públicos estaduais do Rio de Janeiro terão muitas razões para se preocupar, principalmente com o pagamento dos seus salários.

Entre holocaustos de verdade e o holocausto da verdade

mass graves

Por Douglas Barreto da Mata

O que há de comum entre judeus, negros, armênios, curdos, povos originários das Américas?

Bem, todos eles sofreram o que se convencionou chamar de genocídio, e alguns ainda vivem nele, como os povos originários brasileiros, e negros em todos os cantos do planeta, inclusive aqui, quando são mortos na proporção de 30 mil por ano, todos vítimas de armas de fogo.

A questão é que nem todos tiveram o direito ao reconhecimento de seu sofrimento, as reparações devidas e claro, ninguém, salvo os armênios (mais ou menos) e judeus ganharam um Estado próprio…

No Brasil, por exemplo, aos negros foram dados um tipo de gueto, chamados de favela, que faria o Gueto de Varsóvia parecer um local salubre.

Aos povos originários, a simples menção de demarcação de terras para que constituam, não um Estado soberano, mas um ambiente de sobrevivência socioambiental e cultural, provoca conflitos sangrentos, e oposições das bancadas da bala, da bíblia e do latifúndio.

Por estranha coincidência, esse mesmo rebanho que bate com os cascos no chão ao ouvir a palavra “reserva indígena”, espaços que são instituídos com ampla pesquisa histórica, antropológica e critérios, apoia incondicionalmente a existência de um país dentro de áreas de outros países, e que só tem por legitimidade para justificar a ocupação uma passagem bíblica (e não histórica ou antropológica) de 2.000 mil anos atrás.

Sim, senhores, e há outras coisas estranhas nisso tudo, como o fato de não haver qualquer justificativa para que cristãos ocidentais usem símbolos judeus e do estado sionista em seus rituais e manifestações políticas, quer dizer, considerando que as três grandes religiões monoteístas (o Islã, o Judaísmo e o Cristianismo) descendem do mesmo tronco, não se explica o ódio que hoje unem judeus e cristãos contra os islâmicos, da mesma forma como não se explica o atual amor entre judeus de direita de cristão de direita.

A não ser que a gente estenda o raciocínio ao Grande Pai, os EUA.

Matriz de toda a cultura ocidental, e de toda a orientação geopolítica recente, é nos EUA que nasce este estranho casamento entre judeus e cristão de extrema-direita.

No entanto, para falarmos disso tudo, temos que falar de culpas ancestrais também…

A Palestina nunca foi uma terra judia, em nenhum momento das ocupações e guerras que ali se deram, onde se revezaram cristãos e muçulmanos, sendo os mais famosos de lado a lado, Ricardo I, O Coração de Leão e Saladino ou Sultão Saladin.

Nunca houve um estado (cidade) judeu naquele local.

Jerusalém é tão sionista ou judia como Goa é européia, porque fala português, ou há cristãos por lá… 

Mas a “solução judia” começou a ser pensada no início do Século XX, fim do XIX.

Um dos que começou a considerar tal hipótese foi o Sir Rothschild, banqueiro inglês, e a Coroa Britânica, sendo aquela região uma possessão inglesa.

Parêntese:

Os métodos usados pelo embrião do Mossad eram ataques a bomba, isso mesmo, terrorismo, para pressionar pela implantação de um estado sionista.

Tal situação levou os árabes à defesa, óbvio, e para tanto, a luta anticolonial, contra a Inglaterra, se dava ao mesmo que tentavam evitar o que aconteceu em 1948, com a criação de Israel.

Outro parêntese:

A perseguição aos judeus não era uma exclusividade alemã, ao contrário, o antissemitismo era disseminado nos EUA, França, Portugal, Espanha e etc.

A prova desse desinteresse na causa judaica é o fato de que os aliados deixaram a libertação dos campos de concentração para o final da guerra, como último dos últimos atos.

Alguns comandantes militares, na época, quando questionados, usavam a desculpa militar, já que a logística do avanço sobre a Alemanha seria prejudicada com a demanda em atender tantos judeus sobreviventes.

Ou seja, no final, a “solução final” de Hitler ajudaria nesse quesito.

Assim, quando a guerra acabou, judeus proeminentes (ricos, e que por isso conseguiram negociar suas fugas) e as novas elites mundiais construíram a mais poderosa narrativa da história recente:

Não, está enganado, se imagina que eu falaria Holocausto Judeu, esse é um fato verdadeiro e vergonhoso de toda a Humanidade, e não só a parte alemã da Humanidade.

Estou falando da culpa ocidental com os judeus e a eterna dívida que se tem com essa denominação religiosa.

Ora, só isso explicaria o fato de que mesmo tratamento humanitário nunca tenha sido dedicado aos negros.

Apesar de terem sido sequestrados, torturados, escravizados e mortos em números que se estimam em 10 milhões, e que ainda hoje são triturados na indústria do tráfico de gente, alimentado por leis de imigração discriminatórias, justamente nos países que pregam o “mundo livre”.

E os armênios?

Pois é, sofreram o diabo nas mãos dos turcos, e até pouquíssimo tempo atrás, vários países interessados nos favores geopolíticos dos turcos se negavam a reconhecer o Pogrom dos Armênios…

1 milhão de armênios mortos, forçados a atravessar o deserto, após serem expulsos do território turco que reivindicavam…

Então, é preciso ao menos dar os nomes às coisas que tais coisas têm…

O que o Estado Sionista fez e faz com palestinos, desde 1948 até hoje, é bem próximo do que os judeus sofreram nas mãos de Hitler…

Se armênios, negros, índios brasileiros tivessem povoado a Europa, e fossem brancos, ao mesmo tempo que tivessem migrado para os EUA e controlado grandes indústrias de propaganda, como Hollywood, certamente hoje, quem sabe, o Rio de Janeiro ou a Bahia seriam um Estado Nagô, a Europa Central seria Armênia, e a Amazônia uma Nação Tupy?

Estudo inédito revela a viabilidade econômica da restauração florestal em fazendas de café na Mata Atlântica

coffee ma resto

A restauração florestal é reconhecida como uma das medidas mais eficazes para combater as mudanças climáticas e promover a proteção à biodiversidade. No entanto, os custos elevados – associados tanto diretamente ao plantio de árvores quanto à perda de áreas agriculturáveis ou de pastagem – costumam ser uma barreira para a sua implementação em larga escala. Mas uma pesquisa inédita conduzida em áreas de cafeicultura da Mata Atlântica revela que a restauração pode, ao contrário, ser uma abordagem economicamente viável.

Publicado na revista científica norte-americana One Earth, o estudo é assinado por Francisco d’Albertas, doutor em Ecologia pela USP, Gerd Sparovek, coordenador do Geolab (Esalq-USP), Luís Fernando Guedes Pinto, engenheiro agrônomo e diretor-executivo da Fundação SOS Mata Atlântica, Camila Hohlenwerger, doutora em Ecologia pela USP, e Jean-Paul Metzger, professor do departamento de Ecologia da USP.

Os resultados demonstram que o aumento dos serviços ecossistêmicos impulsionados pelo reflorestamento, entre eles a polinização, resulta em um incremento na produção de café, compensando os custos referentes à restauração da floresta. Essa descoberta pode auxiliar os formuladores de políticas públicas a promover a adoção generalizada da restauração em paisagens agrícolas, aliando a mitigação das mudanças climáticas, a conservação da biodiversidade e a produção agrícola. Além disso, no caso do Brasil, em que a legislação ambiental já prevê a restauração/conservação de vegetação nativa em propriedades rurais, o estudo pode servir como um estímulo adicional para o cumprimento da lei.

O levantamento analisa diferentes cenários, estabelecendo um limiar em torno de 25% de cobertura florestal nas fazendas como ponto de equilíbrio para que, ao longo de 20 anos, os custos de restauração possam ser compensados pelos benefícios dos serviços ecossistêmicos no aumento da produção de café. Os resultados apontam ainda que um valor de CO₂ de pelo menos 20 dólares seria o ideal para aumentar a viabilidade financeira da restauração.

“Nossa pesquisa mostra que, ao impulsionar os rendimentos das colheitas e combinando ganhos provenientes do sequestro de carbono, a restauração se torna uma abordagem economicamente eficaz em paisagens agrícolas, indo na contramão do senso comum que considera o agronegócio e a conservação ambiental como atividades incompatíveis”, explica Francisco d’Albertas. “São, entretanto, necessárias medidas adicionais, como a consolidação do mercado de carbono, para tornar a restauração amplamente viável e imediatamente atraente para os agricultores”, completa.

A Organização das Nações Unidas (ONU) designou o período de 2021 a 2030 como a Década da Restauração de Ecossistemas. Na Conferência de Biodiversidade da ONU de 2022, a COP 15, a Mata Atlântica foi reconhecida como um dos dez ecossistemas emblemáticos nessa iniciativa. Além disso, evidências indicam o bioma como uma das áreas prioritárias para a restauração global, dada sua capacidade de combater as mudanças climáticas e preservar a biodiversidade e os recursos hídricos.

Nesse sentido, Luís Fernando Guedes Pinto ressalta a importância das descobertas apresentadas pela pesquisa. “Para atender aos compromissos do Acordo de Paris, o Brasil deve eliminar completamente o desmatamento e restaurar em grande escala. Para a Mata Atlântica, a meta mais ambiciosa são 15 milhões de hectares de florestas naturais até 2030, estabelecida pelo Pacto pela Restauração do Bioma, que só poderá ser atingida com o apoio do agronegócio. E agora está evidente que o reflorestamento é uma abordagem positiva para todas as pessoas e setores econômicos”, afirma.

A pesquisa traz um estudo de caso ilustrativo que, para ampliar o entendimento sobre em que medida e em quais condições os benefícios da restauração compensam os custos, pode ser expandido para outras regiões do Brasil e do mundo. O estudo completo, intitulado Yield increases mediated by pollination and carbon payments can offset restoration costs in coffee landscapes (“Aumentos na produção, mediados pela polinização e pagamentos de carbono, podem compensar os custos de restauração em paisagens de café”, em tradução livre), está disponível, em inglês, no site da OneEarth.

Sobre a Fundação SOS Mata Atlântica 

A Fundação SOS Mata Atlântica é uma organização da sociedade civil brasileira sem fins lucrativos. Fundada em 1986, tem como missão inspirar a sociedade na defesa do bioma mais devastado do país. Atua para promover políticas públicas para conservar e restaurar a Mata Atlântica, trabalhando de maneira integrada as temáticas de água, biodiversidade e clima. Monitora a situação das florestas e ecossistemas associados, além de trabalhar para recuperar áreas já degradadas. Também defende e cria políticas públicas em prol do bioma. Essa causa beneficia diretamente mais de 70% da população brasileira, que vive na Mata Atlântica e depende dela para ter qualidade de vida.

Estudo expõe preocupações dos consumidores europeus sobre o impacto de alimentos ultraprocessados ​​na saúde

Num estudo pan-europeu, o Observatório do Consumidor Alimentar do EIT constatou uma crescente apreensão entre os consumidores relativamente às implicações para a saúde dos alimentos ultraprocessados

Elderly couple of spouses buy ready-made meals for picnic with friends in culinary department. Model

Apesar de a maioria dos consumidores europeus expressar preocupações sobre o impacto dos alimentos ultraprocessados ​​na saúde, a falta de sensibilização, compreensão e meios dificulta escolhas informadas e saudáveis, de acordo com o estudo apoiado pelo Instituto Europeu de Inovação e Tecnologia (EIT)

Por Editor da fleischwirtschaft.com

O estudo revela uma lacuna significativa entre as preocupações dos consumidores europeus sobre os alimentos ultraprocessados ​​e a sua capacidade de fazer escolhas informadas. O estudo, que abrange um inquérito a 10.000 consumidores de 17 países europeus, juntamente com um acompanhamento qualitativo, lança luz sobre os desafios que os indivíduos enfrentam ao navegar pelas complexidades dos alimentos processados.

De acordo com as conclusões, 65% dos consumidores europeus acreditam que os alimentos ultraprocessados ​​representam riscos para a saúde, contribuindo inclusive para a obesidade, a diabetes e outros problemas relacionados com o estilo de vida. No entanto, apesar desta consciência, 56% dos consumidores admitem ainda escolher alimentos processados, indicando um paradoxo no comportamento do consumidor.

Uma das principais razões por trás desta contradição é a falta de compreensão dos níveis de processamento de alimentos. O estudo expõe que os consumidores muitas vezes subestimam ou superestimam o quanto seus alimentos são processados. Por exemplo, enquanto 61% identificam corretamente as bebidas energéticas como ultraprocessadas, apenas 34% e 22%, respetivamente, rotulam corretamente o queijo vegan e as barras de chocolate como tal.

Curiosamente, as alternativas à base de plantas enfrentam um escrutínio adicional, com 54% dos consumidores a evitá-las devido a preocupações com o ultraprocessamento. Isto é particularmente prevalente entre os consumidores de carne e laticínios, levantando questões sobre o impacto das preocupações com a saúde na adoção de dietas baseadas em vegetais.

Em resposta às conclusões, Klaus Grunert, professor da Universidade de Aarhus, na Dinamarca, e diretor do Observatório do Consumidor Alimentar do EIT, sublinha a necessidade de uma rotulagem, orientação e educação mais claras e apela a esforços contínuos para compreender e chegar a acordo sobre a forma como os alimentos são classificados, avaliados. e rotulado “para que nossos conselhos aos consumidores sejam informados pela ciência mais recente”.

O aspecto qualitativo do estudo sugere que conveniência, preço e sabor continuam sendo os principais impulsionadores do consumo de alimentos ultraprocessados. Apesar das preocupações, a maioria dos consumidores está relutante em reduzir a sua ingestão, na esperança de equilibrar os alimentos processados ​​com alternativas menos processadas e caseiras. No entanto, os consumidores com menos recursos em termos de tempo e dinheiro têm menos poder nas suas escolhas alimentares e é pouco provável que dêem prioridade ao valor nutricional em detrimento da conveniência.

Sofia Kuhn, Diretora de Engajamento Público da EIT Food, reconhece o papel que os alimentos processados ​​desempenham na dieta das pessoas: “Seja um molho de macarrão pré-embalado para uma refeição rápida em casa ou uma refeição fast-food fora com a família, ultra- os alimentos processados ​​fazem parte do dia-a-dia das dietas dos consumidores em toda a Europa. No entanto, é evidente a partir destas descobertas que as pessoas têm preocupações reais sobre os aspectos de saúde e sustentabilidade destes alimentos.” Kuhn também destaca a responsabilidade do sector em criar um ambiente que promova decisões informadas.

O relatório conclui com recomendações para o setor alimentar melhorar a rotulagem, a educação e a orientação sobre alimentos ultraprocessados. Apela às instituições de saúde e aos cientistas para que definam os alimentos ultraprocessados ​​de forma conclusiva e comuniquem eficazmente com os consumidores sobre o processamento dos alimentos e as possíveis implicações para a saúde.


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Este texto escrito originalmente em inglês foi publicado pela Fleischwirtschaft.com [Aqui!].

Novo estudo encontra agrotóxico pouco conhecido, o Clormequato, em cada quatro de cinco pessoas testadas

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Campo de aveia onde o clormequato é comumente aplicado.  Fonte: Unsplah/CCO. Public Domain

Por Environmental Working Group 

Um novo estudo do  Enviromental Working Group (EWG) encontrou clormequato (um regulador de crescimento vegetal), um agrotóxico pouco conhecido, em quatro em cada cinco pessoas testadas. Como o produto químico está ligado a problemas reprodutivos e de desenvolvimento em estudos com animais, as descobertas sugerem o potencial de danos semelhantes aos seres humanos.

A pesquisa do EWG, publicada em 15 de fevereiro no Journal of Exposure Science and Environmental Epidemiology , e testou a urina de 96 pessoas quanto à presença de clormequato, encontrando-o em 77 delas.

“O novo estudo do EWG sobre o clormequato é o primeiro desse tipo nos EUA”, disse o toxicologista do EWG, Alexis Temkin, Ph.D, principal autor do estudo. “A onipresença deste pesticida pouco estudado nas pessoas faz soar o alarme sobre como ele pode causar danos sem que ninguém saiba que o consumiu”.

Alguns estudos em animais mostram que o clormequato pode danificar o  e perturbar o crescimento fetal, alterando o desenvolvimento da cabeça e dos ossos e alterando os principais processos metabólicos. Esta pesquisa levanta questões sobre se o clormequato também pode prejudicar os humanos.

Para o seu estudo, o EWG obteve  recolhidas entre 2017 e 2023 de 96 pessoas nos EUA e testou-as para clormequato num laboratório especializado no Reino Unido.

Os testes encontraram clormequato na urina de mais pessoas e em concentrações mais elevadas em amostras recolhidas em 2023 do que em anos anteriores, sugerindo que a exposição dos consumidores ao clormequato pode estar a aumentar.

Os regulamentos da Agência de Proteção Ambiental permitem que o produto químico seja usado apenas em  – cultivadas nos EUA.

Mas desde 2018, a EPA permitiu o clormequato em aveia e outros alimentos importados, aumentando a quantidade permitida em 2020. Ambas as alterações regulamentares ocorreram durante a administração Trump. Muitas aveia e produtos de aveia consumidos nos EUA vêm do Canadá.

Em abril de 2023, em resposta a um pedido apresentado pelo fabricante de clormequato Taminco em 2019, a Biden EPA propôs permitir o primeiro uso de clormequato em cevada, aveia, triticale e trigo cultivados nos EUA. O EWG se opõe ao plano. A regra proposta ainda não foi finalizada.

“O governo federal tem um papel vital em garantir que os pesticidas sejam adequadamente monitorados, estudados e regulamentados”, disse Temkin. “No entanto, a EPA continua a abdicar da sua responsabilidade de proteger as crianças dos potenciais danos à saúde causados ​​por produtos químicos tóxicos como o clormequato nos alimentos.”

O EWG insta o Departamento de Agricultura e a Food and Drug Administration a testarem a presença de clormequato nos alimentos e solicita que os Centros de Controle e Prevenção de Doenças adicionem clormequato ao seu programa de biomonitoramento. A organização também pede mais pesquisas sobre os efeitos do clormequato na saúde humana.

O EWG conduziu seus próprios testes de alimentos à base de aveia em 2022 e 2023, encontrando clormequato em vários produtos não orgânicos à base de aveia. Os produtos de aveia orgânica tiveram pouca ou nenhuma detecção do produto químico.

Mais informações: Um estudo piloto de clormequato em alimentos e urina de adultos nos Estados Unidos de 2017 a 2023, Journal of Exposure Science & Environmental Epidemiology (2024).DOI: 10.1038/s41370-024-00643-4


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Este texto escrito originalmente em inglês foi publicado pelo “Enviromental Working Group” [Aqui!].

Novo estudo revela ligação da dieta com ‘produtos químicos eternos’ de PFAS no corpo humano

Pesquisa dos EUA mostra que alimentos como manteiga e carne processada podem aumentar os níveis de PFAS tóxicos no sangue ao longo do tempo

grocery store nyUm supermercado na cidade de Nova York. Fotografia: Angela Weiss/AFP/Getty Images

Por Tom Perkins para o “The Guardian” 

Dietas ricas em alimentos como carne processada e manteiga provavelmente aumentam os níveis de PFAS tóxicos “produtos químicos para sempre” no sangue humano ao longo do tempo, descobriu uma nova pesquisa revisada por pares.

O artigo identificou uma variedade de alimentos que estão entre os causadores de altos níveis de PFAS , incluindo chás, carne de porco, doces, bebidas esportivas, carne processada, manteiga, batatas fritas e água engarrafada. A pesquisa também apontou níveis sanguíneos mais elevados de PFAS entre aqueles que consumiam mais comida para viagem ou preparada em restaurantes.

“A principal lição é não demonizar certos alimentos ou dizer: ‘Meu Deus, este alimento é tão prejudicial à saúde’”, disse Hailey Hampson, estudante de doutorado da Universidade do Sul da Califórnia e principal autora do estudo. “O objetivo é destacar que precisamos de mais testes desses alimentos, e isso nos dá um caminho para dizer: “OK, esses alimentos podem ter níveis mais elevados de PFAS, então devemos fazer um monitoramento mais direcionado deles”.

PFAS, ou substâncias per e polifluoroalquil, são uma classe de cerca de 15.000 produtos químicos frequentemente usados ​​para tornar produtos resistentes à água, manchas e calor. Eles são chamados de “produtos químicos eternos” porque não se decompõem naturalmente e estão ligados ao câncer, problemas de fígado, problemas de tireoide, defeitos congênitos, doenças renais, diminuição da imunidade e outros problemas graves de saúde.

Embora a exposição através da água tenha atraído a maior atenção regulamentar, existe um consenso científico de que os alimentos contaminados representam, em grande parte, a maior ameaça à saúde humana.

A Food and Drug Administration (FDA) dos EUA testa anualmente a presença de PFAS nos alimentos e relatou muito pouca contaminação. Mas a agência tem enfrentado críticas de cientistas independentes que afirmam que as suas metodologias de testes são falhas e concebidas para fazer parecer que os alimentos estão menos contaminados do que realmente estão.

Entre as principais fontes de contaminação de alimentos estão a água contaminada, embalagens de alimentos à prova de gordura , alguns plásticos , agrotóxicos ou fazendas onde o lodo de esgoto contaminado com PFAS é espalhado como fertilizante.

O estudo analisou duas coortes com um total combinado de mais de 700 pessoas. Para um grupo, os autores verificaram o consumo alimentar e os níveis de PFAS durante um período de quatro anos.

Entre as evidências de contaminação de embalagens de alimentos estava a descoberta de que burritos, fajitas, tacos, batatas fritas e pizzas feitas em casa estavam associadas a concentrações mais baixas de PFAS. Mas aqueles que comeram os mesmos pratos preparados em restaurantes normalmente apresentaram concentrações aumentadas de PFAS no sangue.

“É realmente interessante descobrir que esses alimentos que talvez não sejam tão saudáveis, quando cozinhados em casa, eram uma fonte menor de PFAS, e isso definitivamente aponta para as embalagens de alimentos”, disse Hampson.

A pesquisa também descobriu que a manteiga provavelmente aumentou os níveis de PFAS. Embora o consumo de nozes estivesse associado a níveis mais baixos de substâncias químicas no sangue, a manteiga de nozes apresentou níveis mais elevados. A manteiga costuma ser embrulhada em papel vegetal, observou Hampson, embora a contaminação também possa ser proveniente de vacas ou do processamento.

Níveis mais elevados de PFAS no sangue associados ao maior consumo de água engarrafada também podem indicar embalagens contaminadas ou contaminação da fonte de água. E os autores suspeitam que a ligação entre o chá e os níveis elevados de PFAS pode resultar em grande parte dos saquinhos de chá tratados com os produtos químicos, embora sejam necessárias mais pesquisas.

As carnes processadas em geral pareciam aumentar os níveis sanguíneos de PFAS. Hampson disse que a descoberta não foi surpreendente porque o processamento abre vários pontos de entrada para os produtos químicos, embora os cortes de carne suína não processados ​​​​também tenham mostrado uma forte associação. Isso sugere que os porcos provavelmente estão contaminados.

Aqueles que consumiram níveis mais elevados de açúcar, bebidas de frutas e refrigerantes normalmente apresentaram níveis mais baixos de PFAS, o que os autores disseram que os pegou de surpresa. Eles levantam a hipótese de que os jovens adultos que compunham uma de suas coortes bebem níveis mais elevados de refrigerantes e bebidas de frutas, que geralmente podem estar menos contaminados com PFAS do que a água da torneira ou engarrafada.

A associação foi uma das várias em que os alimentos não saudáveis ​​pareciam proteger as pessoas da contaminação por PFAS, enquanto alguns alimentos saudáveis ​​pareciam aumentar os níveis de PFAS.

“Precisamos de mais monitoramento da saúde pública, especialmente de alimentos saudáveis, para garantir que não tenhamos exposições químicas não intencionais em alimentos que sabemos serem saudáveis ​​de muitas outras maneiras”, disse Jesse Goodrich, pesquisador e co-autor do estudo da USC.


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Este texto escrito originalmente em inglês foi publicado pelo jornal “The Guardian” [Aqui!].

Os idiotas da objetividade em face da guerra em Gaza

netanyahu-lula

Por Douglas Barreto da Mata

Não sou fã de Nelson Rodrigues, a quem considero um plagiador desbocado de Freud, e que assim construiu uma psicanálise de botequim (não que eu ache isso ruim) que só chamava atenção pela obscenidade…

Mais ou menos como os jargões freudianos, sempre mal entendidos, e mediados por uma lascívia barata.

Aviso que também não comungo das ideias do vienense, mas é preciso respeito à obra, coisa que Rodrigues e outros enrustidos da brigada conservadora brasileira não terão nunca.

Nelson Rodrigues é tão obsceno quanto Jair Bolsonaro comendo farofa de boca aberta, ou aparecendo em Angra dos Reis com aquela camisa branca e de sunga.

São o mesmo fenômeno, eu creio.

Mas há frases de Rodrigues que são muito boas, isso não pode negar, como “só o inimigo não trai nunca” ou “invejo a burrice, porque é eterna”.

Nestes tempos bicudos de 140 letras (chamadas de “caracteres”) é preciso cuidado com os idiotas da objetividade…

Rodrigues combatia com todas as forças o pensamento raso, superficial, que sempre que desmascarado se apresenta como “objetivo”, como de “fácil leitura”.

Ora, essa noção carrega um duplo desrespeito, que se retroalimentam para eternizar a burrice:

– O ato de pensar com profundidade, para além das unanimidades (outra categoria atacada por Rodrigues) seria uma afronta ao leitor médio, uma desfeita soberba, já que o leitor médio é sempre incapaz de ir além do óbvio.

Bem, eu discordo, e aqui ombreio Rodrigues para dizer, é preciso ir além da obviedade.

É preciso pensar!

Vamos à vaca fria então…

A mídia por completo, e toda a fauna das redes sociais, está em “transe espumante”…

Lula comparou Netanyahu a Hitler…

“Antissemita”, “louco”, “comunista”…

Arf, dá até pena (de alguns, porque outros são cínicos mesmo)…

Em 1948, ninguém menos que o judeu Albert Einstein, aquele físico da língua de fora, escreveu a Menachem Begin sobre o fascismo do movimento sionista israelense.

Está aqui (Aqui!) para quem tiver interesse.

Os idiotas são incapazes de enxergar que cada ato de diplomacia, cada frase ou discurso, cada movimenta de geopolítica entre países são cuidadosamente estudados, outros nem tanto, é verdade, mas sempre há um nexo causal entre o que acontece e o que houve algum tempo atrás, algo chamado de História, ou processo histórico.

Sabem quem armou e financiou secretamente o Estado Islâmico, aquele grupo que ficou famoso pelas decapitações pela internet, para derrubar o regime sírio?

Pois é, os CIA/EUA

Osama Bin Laden?

Sim, a CIA para que ele agisse contra a então ex-URSS na guerra de ocupação do Afeganistão.

Sabe quem armou o Hamas?

Israel, para que esse grupo pudesse desestabilizar a Autoridade Palestina na Cisjordânia, no processo de negociação do estado palestino.

Lula tem vários defeitos, é verdade, e eu mesmo os sei, e os recito de cor a salteado.

Porém, a burrice não é um deles.

Um dos melhores setores da burocracia lulista é a política exterior, desde Celso Amorim e Garcia (Marco Aurélio).

Lula sabe o que está por trás dos ataques dos EUA aos Houthis (e vice-versa) no Mar Vermelho.

É a necessidade de o governo Biden conferir a ele alguma virilidade, em um conflito-palanque, já que, recentemente, o tema de sua senilidade veio à tona.

Nos EUA pode-se impedir o presidente por senilidade.

Na Ucrânia os EUA (e a Europa) levaram uma surra de Vladmir Putin, que se prepara para deslocar seu interesse em retomar suas posições na Síria, e para ajudar o Irã, os EUA partem para transformar o conflito Israel/Hamas/Iêmen em algo maior.

O cálculo é sempre parecido, já que guerras dão popularidade e grana às petrolíferas.

Então, como não são capazes de “vencer guerras” (na verdade, desde 1945, ninguém foi, de fato), as grandes potências agem para pulverizar e ampliar os estragos da instabilidade, em outras palavras, quanto maior a bagunça, melhor.

Lula e seu time já perceberam que a atual ordem ocidental está em frangalhos, e como o Brasil não tem peso para apitar nada mesmo, resta a ele a retórica (e isso ele é ótimo) para se alinhar e buscar um lugarzinho na janela no ônibus da nova ordem mundial, que falará chinês, é claro.

Por exemplo, o débil mental argentino, que vociferou impropérios ao dragão, está entalado até a medula com moeda chinesa que vem sendo aceita pelos “hermanos” para pagar soja e carne.

Em troca, os chineses lhes “vendem” manufaturas de todo tipo, em moeda, moeda, moeda?

Chinesa.

Lula sabe que Netanyahu é cachorro quase morto, pois o papel que ele cumpre naquela região está quase no fim, e é por isso que Lula bateu com força no Hitler que trocou a suástica pela Estrela de David.

Então, minha gente, problemas complexos requerem reflexão e não objetividade…