Cientistas descobrem herbicida natural que pode substituir glifosato

Eles encontraram uma molécula de açúcar que é inofensiva para as células humanas.

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Por Redação CicloVivo

Pesquisadores da Universidade de Tübingen, na Alemanha, descobriram uma substância natural que pode competir com o controverso herbicida glifosato. Trata-se de uma recém-descoberta molécula de açúcar sintetizada a partir de cianobactérias que inibe o crescimento de vários microorganismos e plantas, mas é inofensiva para humanos e animais. O estudo foi conduzido pelo Dr. Klaus Brilisauer, professor Stephanie Grond (Instituto de Química Orgânica) e professor Karl Forchhammer (Instituto de Interfaculdade de Microbiologia e Medicina de Infecção) e foi publicado na revista Nature Communications.

Ingredientes ativos para uso farmacêutico ou agrícola geralmente se originam de substâncias naturais. Estas substâncias podem consistir em estruturas químicas complexas, mas também podem ser relativamente simples. A engenhosidade desses ingredientes ativos geralmente reside em sua simplicidade: os antimetabólitos interagem com os processos vitais da célula, imitando os produtos metabólicos. Isso interrompe o processo biológico, que pode inibir o crescimento celular ou até mesmo matar a célula.

Químicos e microbiologistas da Universidade de Tübingen descobriram um antimetabólito muito incomum com uma estrutura química impressionantemente simples: uma molécula de açúcar com o nome científico de “7-deoxy-sedoheptulose (7dSh)”. Ao contrário dos carboidratos comuns, que normalmente servem como fonte de energia para o crescimento, essa substância inibe o crescimento de várias plantas e microorganismos, como bactérias e leveduras. A molécula de açúcar bloqueia uma enzima chave da via do chiquimato, uma via metabólica que ocorre apenas em microorganismos e plantas. Por essa razão, os cientistas classificam a substância como inofensiva para humanos e animais e já demonstraram isso em estudos iniciais.

O raro açúcar foi isolado das culturas da cianobactéria de água doce Synechococcus elongatus, que é capaz de inibir o crescimento de cepas bacterianas relacionadas. Enquanto procuravam a causa dessa inibição do crescimento, os cientistas conseguiram decifrar a estrutura do composto natural. 

Em detalhe, os cientistas descobriram que o 7dSh bloqueia a DHQS (Dehydroquinatesynthase), uma enzima da via do chiquimato. Um dos inibidores mais conhecidos desta via metabólica até agora é o herbicida glifosato. “Em contraste com o glifosato, o açúcar desoxi recém-descoberto é um produto totalmente natural. Acreditamos que ele tem boa degradabilidade e baixa ecotoxicidade”, afirma o Dr. Klaus Brilisauer. Até agora, o 7dSh inibe o crescimento das plantas de forma promissora. “Vimos aqui uma excelente oportunidade de usá-lo como um herbicida natural”, completa. 

Os cientistas esperam substituir a longo prazo os herbicidas controversos, que representam um risco para a saúde. No entanto, a eficácia no campo, a degradabilidade do solo e a inofensividade para o gado e os seres humanos, em relação ao 7dSh, ainda precisam ser mais investigadas em estudos abrangentes de longo prazo.

O estudo completo, em inglês, pode ser lido aqui.


Este artigo foi originalmente publicado pelo site CicloVivo [Aqui!]

TV Yle da Finlândia exibe documentário com graves denúncias contra a Veracel e a Stora Enso

Disputas por terras públicas, corrupção e violência; O mundo de olho na Stora Enso

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Por Redação Futucando Notícias

O que antes eram suposições foi mostrado com extrema realidade e caiu como uma bomba na Finlândia e na Suécia, onde um documentário produzido pela TV Yle mostra destruições de alimentos e histórias reais de centenas de famílias expulsas de terras públicas que são utilizadas pela multinacional Veracel para plantar eucaliptos. Há graves denúncias de corrupção, suspeitas de fraudes em documentos e de deslocamento de propriedades unificadas indevidamente. O documentário em vídeo pode ser assistido clicando aqui.

Leia atentamente a matéria abaixo, de autoria da Jornalista Finladesa Jessica Stolzmann com todas as traduções do que é mostrado no vídeo que já foi exibido na Finlândia e na Suécia.

“Pequenos agricultores no Brasil estão lutando contra a Stora Enso”

Leia abaixo matéria traduzida:

“Os guardas vieram com machados e ameaçaram nos matar se não desistíssemos”

A Stora Enso está envolvida em disputas de terras com uso de violência no estado da Bahia no Brasil. A empresa Veracel, que é parcialmente pertencente a Stora Enso, é acusada de corrupção e violência contra pequenos agricultores e sem terra. A batalha pelo chão é dura e feia.

É bom que você venha, diz Antonio Ferreira quando nos encontra na estreita estrada de areia no sul da Bahia.

– A mídia brasileira não quer falar conosco. Ou eles trabalham para a empresa ou não se importam conosco, brasileiros comuns.

Segundo Antônio Ferreira, é sabido que a Veracel, metade pertencente à Stora Enso. A Veracel possui grandes áreas de terra aqui na cidade.

Possuir ou não possuir? Fica a dúvida. O problema é que, em muitos casos, parece pouco claro o que a Veracel realmente detém e como a empresa adquiriu as terras.

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Ao longo das estradas no sul da Bahia há muitos acampamentos em muitos lugares com brasileiros sem terra. Foto: Jessica Stolzmann / Yle

A pequena localidade onde nos encontramos é chamada de Santa Cruz Cabrália. Há uma grande disputa de terras e está próxima da cidade de Eunápolis, no sul da Bahia.

Ao longo da estrada, uma longa fila de barracos se inclina. Neles vivem 60 (sessenta) famílias que se sustentam no cultivo de feijão e mandioca nos campos ao redor. A mandioca é a cultura mais importante da região. Os tubérculos são moídos em farinha usada em todo o cozimento.

Os acampados sofrem para conseguir comida na mesa. O que pode sobrar, eles vendem no mercado local.

Entramos em um dos barracos. Copos e panelas são arrumados ao longo da parede. Não há água corrente aqui e a eletricidade vai e vem.

Arroz e feijão são cozidos em fogo aberto em uma cozinha ao ar livre.

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Essas famílias tiveram que construir suas casas várias vezes depois de terem sido destruídas. Foto: Jessica Stolzmann / Yle

– Temos direito a esta terra, mas a empresa Veracel vem aqui e destrói tudo o que temos, diz Antonio Ferreira. Esta é uma terra do estado, a Veracel não é proprietária.

Ferreira refere-se à constituição brasileira sob a qual os sem-terra têm o direito de tomar posse de terras devolutas do Estado, se mostrarem que podem usá-lo efetivamente para cultivo e sustento.

Antonio Ferreira e os outros do acampamento lutam contra a Veracel há anos. Eles se organizaram. Na bandeira, bem no meio, está o nome de sua  luta, URC (União da Resistência Camponesa, em sueco sobre “A União para a Resistência do Camponês”)

Mais recentemente, a Veracel e a polícia chegaram aqui há algumas semanas, diz Ferreira e mostra um vídeo que ele filmou com seu celular.

Eles deveriam ter tido uma ordem oficial de despejo para poder nos tirar, mas não o fizeram ”, explica Ferreira.

– A empresa diz que eles são os que decidem aqui, que nenhum papel da justiça é necessário.

Eles tinham machados e primeiro cortaram as casas de nossos amigos. Então eles vieram até nós. Contou Maria da Silva.

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Maria da Silva com os netos. Foto: Jessica Stolzmann / Yle

Uma das acampadas, Maria da Silva, fala sobre o ocorrido há alguns anos atrás quando os seguranças da Veracel vieram e destruíram todos os barracos.

– Eles chegaram aqui tarde da noite com lanternas apagadas quando estávamos dormindo. Eles tinham machados e primeiro cortaram as casas de nossos amigos. Então eles vieram até nós, mas eu estava acordada. Eu gritei para eles que há pessoas aqui, mas eles continuaram. Nós temos medo deles.

Quando Maria da Silva ouve que devemos conhecer o Presidente da Veracel, ela quer mandar uma pergunta..

A floresta onde os pássaros não cantam

O Presidente da Veracel, Andreas Birmoser, nos recebe em uma cabana, um pouco fora de Eunápolis, a maior cidade do sul da Bahia.

Um condicionador de ar esfria a cabana. Lá fora, é quarenta graus à sombra.

– Temos problemas com algumas organizações sem terra, mas nunca usamos violência contra elas. Nossos guardas são treinados para respeitar os direitos humanos, diz Birmoser e acrescenta que os aldeões que enviaram as perguntas ocupam ilegalmente as terras da empresa.

O boato de que os jornalistas finlandeses estão na Bahia se espalhou. Na mesma época em que nos encontramos com o presidente da Veracel, recebemos uma mensagem. Um homem que diz que trabalha para a Veracel como segurança, quer nos conhecer porque tem algo a dizer. Nos encontraremos alguns dias depois.

Há muitos casos legais contra a Veracel no momento.– Markus Kröger, pesquisador HU

A Veracel é parcialmente detida pela gigante finlandesa de papel sueca Stora Enso e metade pela brasileira Suzano.

O maior proprietário individual da Stora Enso é o estado finlandês, via Solidium, FPA e Ilmarinen.

A empresa produz 1,1 milhão de toneladas de celulose branqueada anualmente. Metade vai para a Stora Enso, que envia a celulose para a Finlândia e a Ásia. Haverá, entre outras coisas, papel de arte, embalagens de cosméticos e copos de macarrão, ou seja, produtos que o crescente mercado asiático não pode obter o suficiente.

No sul da Bahia, a Veracel possui mais de 200.000 hectares de terra. O eucalipto é cultivado em metade da área.

O clima da Bahia é excelente. Tudo é na medida certa, tem sol, calor e chuvas.

Os eucaliptos podem ser colhidos depois de seis anos, enquanto na Finlândia levaria de 60 (sessenta) a 70 (setenta anos) para que uma árvore crescesse até o tamanho real aqui do Brasil.

Dentro das plantações, todas as outras plantas e animais morreram.

É completamente silencioso, nenhum pássaro ou outro animal é ouvido. Apenas folhas secas farfalhando no chão.

No passado, a Mata Atlântica se espalhava por grande parte do sul da Bahia. A floresta tropical é um dos ecossistemas mais ricos em espécies do mundo e também um dos mais ameaçados. Apenas sete por cento da floresta tropical original permanece após décadas de agricultura e pecuária.

Ao longo dos anos, a Veracel esteve envolvida em mais de mil ações judiciais relacionadas, entre outras coisas, a questões trabalhistas, crimes ambientais e disputas de terras.

– Há muitos casos judiciais acontecendo no momento. Por exemplo, a mais alta autoridade legal do Brasil, a Comissão Nacional de Justiça, investiga se a Veracel e o cartório local falsificaram documentos para que a empresa possa reivindicar que possui terras onde esses sem-terra estão “, diz Kröger.

Temos documentos legais e completos para plantar em nossas terras.– Markus Mannström, Stora Enso

Tanto a Veracel quanto a Stora Enso, que afirmam ter total transparência na Veracel, negam que esse seria o caso. De acordo com o presidente da Veracel, Andreas Birmoser, todos as fazendas foram adquiridas de boa fé e a empresa tem todos os seus documentos em condições.

A Veracel é apoiada por Markus Mannström, que é membro da equipe de gerenciamento da Stora Enso e também do conselho da Veracel. Nós o encontramos na sede em Helsinque.

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Markus Mannström, que é membro da equipe administrativa da Stora Enso e do conselho da Veracel, costuma visitar a Bahia. Foto: Taisto Lapila / Yle

– Temos bases jurídicas e legais completas para operar em nossas terras. Nós adquirimos a maior parte da terra junto com nossos parceiros no final dos anos 90 e início dos anos 2000. Nós temos papel em todos os lugares.

Mannström está ciente de que há alguma insatisfação entre os moradores. Essa foi a razão pela qual a Veracel foi a favor de um diálogo mais ativo com alguns dos movimentos sem terra há sete anos.

Alguns pequenos agricultores assinaram acordos com a Veracel

A Veracel firmou um acordo com dez movimentos representando os sem-terras e afirma ter vendido ou doado 20.000 hectares de terras a eles nos últimos anos.

“Não é por não sermos proprietários de nossas terras que agora começamos a dispor delas”, diz o presidente da Veracel, Birmoser. Queríamos encontrar uma situação sustentável para essas famílias.

Para mostrar que a empresa carrega sua responsabilidade social, a Veracel nos leva em um tour. Encontramos famílias que antes não tinham terras, mas que agora assinaram um contrato com a Veracel. Uma das aldeias tem uma farinheira para moer a sua mandioca.

– No passado, eu achava que a Veracel era um monstro, mas eles fizeram muito por nós, diz Raquel Figuiredo, apontando para uma alta produção de eucalipto que a Veracel doou.

Em outra aldeia onde vivem os índios pataxós foi dada uma escola e um poço.

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Ubiratan Silva mostra bem o poço que recebeu da Veracel. O poço tornou a vida cotidiana mais fácil para os aldeões dos aldeões. Foto: Jessica Stolzmann / Yle

Ubiratan Silva é o chamado chefe ou cacique da aldeia indígena. Ele se senta olhando para um programa de comida na TV quando a gente visita. Ele está satisfeito que sua aldeia tenha entrado em acordo com a Veracel.

Eles esperaram pela primeira vez por alguns anos pelos eucaliptos que a Veracel tinha plantado para poder colher depois que eles se mudaram.

“Eu sei que todos os índios pataxós não quiseram cooperar com a Veracel e isso levou à fragmentação entre nós”, diz Ubiratan Silva.

A terra é vendida e comprada, mas quem realmente é dono?

Lú Souza, porta-voz do movimento sem-terra Associação 2 de Julho, tomou a decisão mais difícil de sua vida no outono passado.

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Lú Souza afirma ter certeza de que a Veracel não possui a terra que comprou da empresa. Foto: Jessica Stolzmann / Yle

A Associação 2 de Julho recebeu uma oferta da Veracel para comprar as terras. Lú Souza e as 126 famílias do acampamento querem paz há muito tempo. Finalmente, eles aceitaram a compra sob pressão.

Agora eles começaram a se arrepender. As famílias estão cada vez mais preocupadas porque entendem que nunca obterão documentos de propriedades das suas terras preciosas.

Eles suspeitam que a Veracel não possuía realmente a terra que foi vendida para eles

– Somos muitos aqui que têm certeza de que essa terra é do estado e, portanto, não queríamos realmente entrar em acordos com a Veracel, diz Lú Souza, presidente do 2 de Julho.

Os acampados decidiram, no entanto, assinar o acordo por medo de novas destruições e eles dizem que a Veracel demoliu seus barracos por sete vezes e que não aguentariam construir tudo de novo.

O acordo com o qual os acampados relutantemente concordaram também não estava isento de condições. Entre outras coisas, o acampamento deve desistir de todas as ações na justiça por indenizações contra a Veracel e permitir que a empresa plante em partes das suas terras

Se uma família não pagar a prestação, a Veracel teria o direito de cancelar o contrato, explica Lú.

Os agricultores pagarão cerca de 2 milhões de euros pela terra e mais de 100.000 euros por ano durante 17 anos. Isso significa cerca de 800 euros por ano para cada família.

– Como conseguiremos o dinheiro? Aqui estão famílias que nem sequer almoçam todos os dias. Falta comida.

Na Stora Enso, Markus Mannström está bem familiarizado com os acordos. Ele diz que os acampados conseguiram a terra por valores bem abaixo do preço de mercado.

“Isso foi baseado no voluntariado, não havia ninguém que os obrigasse a participar”, diz ele.

A Veracel não poderia ter vendido a terra se não tivesse documentos que possuía, acrescenta Mannström.

Eles pisaram em fazendas e disseram que matam os habitantes se não desaparecerem– Markus Kröger, pesquisador HU

Em uma sala de trabalho na Universidade de Helsinque, a poucos passos da sede da Stora Enso, vemos evidências do oposto do que diz a Stora Enso.

Markus Kröger, que pesquisa o registro de terras por autoridades brasileiras no sul da Bahia, recolhe uma pilha de documentos oficiais.

Entre os documentos, ele encontra um que dá a Lú Souza razão em seus argumentos. Pelo menos partes da terra onde o acampamento 2 de Julho está localizado pertencem ao estado e não à Veracel.

– Estes são registros oficiais e documentos dos arquivos da promotoria de justiça, explica Kröger.

Segundo Kröger, há evidências de que empresa que antecedeu a Veracel nos anos 80 e 90 grilou e roubou terras com violência.

– Eles pisaram em fazendas e disseram que matariam os habitantes se não desaparecerem de lá. Há muitas histórias, documentos e testemunhos que aconteceu assim.

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O pesquisador Markus Kröger passou longos períodos na Bahia quando pesquisou as disputas de mercado lá. Imagem: Yle

Segundo Kröger, pode-se encontrar declarações de Delegacias de terras, policiais do estado desde o início da década de 1980, onde foram feitos relatos que dizem que grandes áreas foram tomadas ilegalmente, após o que os documentos foram forjados.

Guarda de segurança anônima afirma que a Veracel corrompe a polícia

Os anúncios da Veracel são ouvidos no rádio do carro quando cruzamos e cruzamos o sul da Bahia. A Veracel promove seu papel ativo na sociedade e propagam que eles trabalham pelo meio ambiente.

Poucas veículos de mídia, sites, jornais, rádios e TVs relatam os conflitos e as acusações contra a Veracel. De acordo com um jornalista com quem estamos conversando, é porque a Veracel tem contratos de publicidade com a mídia e através de pagamentos pontuais, os silencia para que falem so o que interessa para a imagem da empresa Veracel.

No rádio do carro, uma voz aguda diz que a Veracel reflorestou a floresta tropical, em uma superfície correspondente a 96 campos de futebol, em suas terras.

A empresa não faz mais que sua obrigação e com isso é forçada a cumprir com a lei. Todos os proprietários de terras são obrigados a manter florestas como reserva legal em algumas de suas terras.

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Muitos dos camponeses sem terra e pequenos dizem que a Veracel tem grande poder econômico e político na região. Foto: Jessica Stolzmann / Yle

Eles agem com métodos da máfia. Eles sabem que nossa empresa de segurança tem guardas que não hesitam em recorrer à violência contra pais de família e pessoas simples.– Guarda de segurança em denúncia anônima

Durante nosso último dia na Bahia, encontramos o segurança que nos contatou. Tem sido difícil encontrar um tempo que se adapte porque ele trabalha à noite e dorme durante o dia.

Ele está nervoso e com medo de ser reconhecido. Ele não quer que ninguém o veja falar com a imprensa estrangeira.

Ele diz que trabalha para a empresa de segurança Visel, que é subcontratada da Veracel.

Quando perguntamos por que ele entrou em contato com a gente, ele diz estar cansado do jogo sujo que a Veracel faz e é culpada.

Concordamos em não divulgar sua identidade. O assunto é grave e ele assume grandes riscos.

– Na Veracel, todo mundo deve saber o que está acontecendo, do presidente a gerência para baixo. Eles agem com métodos puros da máfia. Eles sabem que nossa empresa de segurança tem guardas que não hesitam em recorrer à violência. É uma pena agredirem os sem terras.

O homem também alega que um funcionário da Veracel de nome Leones, através de documentos (dinheiro) teria pago a polícia para lidar com o trabalho sujo da empresa sem ordens judiciais.

A complicada cadeia de transações financeiras entre empresas, autoridades, órgãos do governo e funcionários individuais que ele delata segue um padrão que é bem conhecido no Brasil, onde a corrupção é generalizada.

Markus Mannström rejeita as alegações. Tanto a Veracel quanto a Stora Enso são totalmente contra todas as formas de corrupção.

“Se subornos forem descobertos em nossos negócios, nós imediatamente interviremos e as pessoas que trabalham com essas ferramentas não devem mais trabalhar conosco”, diz Mannström.

 

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Os aldeões de Santa Cruz de Cabrália se reuniram para limpar os grãos juntos. Foto: Jessica Stolzmann / Yle

De volta à beira da estrada em Antonio Ferreira, os aldeões se reuniram. Eles espalharam o feijão em um pano grande e se sentaram ao redor com tigelas em seus braços, onde coletam os grãos limpos.

A renda que recebem pelas colheitas vai para todo o acampamento.

Antonio Ferreira não desistirá. Ele não quer se render a Veracel. Ele acha que um dia será assentado na terra que não é da Veracel e sim do estado.

Então, de acordo com a constituição brasileira, ele tem o direito de cultivar a terra para conseguir comida para o dia a dia. A lei foi escrita para que os sem-terra não fossem obrigados a viver de apoio social, mas teriam a oportunidade de se sustentar plantando e colhendo.

É exatamente o que o Antônio Ferreira quer. Apoio para a sustentabilidade.

– Eu tenho um pedido para vocês, finlandeses. Entendemos que se a Finlândia precisa sobreviver do Brasil, nós também precisamos sobreviver.

Matéria publicada no site: https://svenska.yle.fi
Por Jornalista Internacional: Jessica Stolzmann / Yle
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Esta reportagem foi inicialmente publicada em português pelo portal de notícias Futucando Notícias [Aqui!]

Águas do Paraíba, aquela que não pode perder nunca

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No dia 05 de maio de 2018 descrevi neste blog a situação de minha conta de água cobrada pela concessionária Águas do Paraíba sob o título de “A Águas do Paraíba nunca perde, só ganha”.  Passado quase um ano e no primeiro mês de vigência do “muy generoso” aumento  de 10% concedido pelo jovem prefeito Rafael Diniz (PPS) nos valores que podem ser cobrados pelos serviços de fornecimento de água e tratamento de esgotos em Campos dos Goytacazes, a minha certeza é que para a Águas do Paraíba, do Grupo Águas do Brasil ou “Saneamento Ambiental Águas do Brasil” (leia-se Developer S.A. – Grupo Carioca Engenharia, Queiroz Galvão Participações – Concessões S.A., Trana Participações e Investimentos S.A. e Construtora Cowan S.A.), só é permitido vencer.

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Como cheguei à essa certeza? Pelo simples examinar da conta que recebi referente aos serviços supostamente prestados em fevereiro de 2019 (ver imagem abaixo).

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Como pode ser observado sou tipicamente um consumidor que fica abaixo do consumo de 10 m3 mensais, o que implica na cobrança do valor mínimo que é exatamente de 10 m3.  Mas como em Campos dos Goytacazes prevalece a esquisita equivalência entre água fornecida e esgoto tratado,  o valor da minha conta entre março de 2018 e janeiro de 2019 foi R$ 78,88.   Interessante notar que em janeiro, por motivo de viagem, meu consumo mensal foi de meros 2 m3, o que significou um sobrepreço de 8 m3 de água e esgoto!

Mas com o generoso reajuste concedido pelo jovem prefeito Rafael Diniz, a conta que era de R$ 78,88, agora é de R$ 87,26! E não sei se sou o único a pensar assim, sem que se veja grande melhoria nos serviços prestados pela Água do Paraíba.

O pior dessa situação é que para mim que sou funcionário público e possuidor de um salário acima da média, a majoração concedida por Rafael Diniz pode ser até vista com um agravante na minha impaciência com o que considero uma cobrança exagerada por um serviço que certamente não precisaria ser reajustado neste momento. Mas como ficam aquelas milhares de famílias que hoje contam cada centavo que possuem para pagar todas as contas e ainda terem algum para comprar comida? É que 10% de aumento na conta enviada pela Águas do Paraíba pode ser pouco para uma minoria, mas certamente é muito para a maioria.

E a troco de quê? A única coisa que me vem à cabeça é a manutenção dos lucros fabulosos dessa concessão extremamente generosa para os cofres do Grupo Águas do Brasil.  O problema é que a imensa maioria da população campista não é acionista da empresa e se vê hoje cativa de um monopólio privado de um bem essencial que é a água. Simples assim.

Chove veneno no Brasil

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Uma lei auspiciosa aprovada no estado do Ceará deveria ter sido mais amplamente divulgada por causa da sua alta pertinência para a saúde humana e ambiental. Falo aqui da Lei  16.820/19 que proibiu a pulverização aérea de agrotóxicos em todo o território cearense.  Segundo informa a Assessoria de Comunicação da Assembleia  Legislativa do Ceará, a iniciativa foi proposta por meio do projeto de lei nº 18/15, de autoria dos deputados Renato Roseno (Psol), Elmano Freitas (PT) e Joaquim Noronha (PRP), e terminou por ser aprovada em dezembro de 2018.

Lamentavelmente o Ceará ainda o único estado brasileiro onde algum legislador se deu ao trabalho de estudar os efeitos dramáticos da aspersão aérea de agrotóxicos, em que pese já terem ocorrido incidentes gravíssimos quando agrotóxicos lançados por via aérea atingiram áreas populadas, como foi o caso ocorrido no município matogrossense de Lucas de Rio Verde em 2013, quando centenas de moradores foram atingidos pelo altamente tóxico Paraquate.

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Aspersão aérea de agrotóxicos se tornou um problema de saúde coletiva no Brasil.

Mas a verdade é que a ação praticamente descontrolada de centenas de aviões que fazem a aspersão de agrotóxicos todos os dias nas áreas dominadas pelo latifúndio agroexportador acabam passando praticamente despercebidas pela maioria da população (inclusive a que é diretamente atingida pela chuva de venenos), e isso contribuiu para que esse tipo de atividade continue a passos largos.  Assim, a falta de exemplos visíveis contribui para que os grandes proprietários rurais continuem no ritmo  do “Laissez-faire, laissez-aller, laissez-passer”  (que em bom português significa  literalmente “deixai fazer, deixai ir, deixai passar”).

Pois bem, para mostrar a gravidade desse problema posto abaixo um vídeo mostrando a realização de pulverização aérea próximo ao Rio Pardo, mais objetivamente entre os municípios de Jardinópolis e Ribeirão Preto, onde predomina a monocultura de cana de açúcar.

A figura abaixo mostra a exata posição da área recebendo os agrotóxicos que são despejados pelo avião, com detalhes da proximidade do Rio Pardo e de áreas habitadas.

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A verdade é que mesmo que os habitantes das áreas vizinhas não sejam atingidas diretamente há uma chance nada desprezível que sua principal fonte de água (o Rio Pardo) esteja sendo contaminada, com efeitos deletérios para a saúde. Além disso, os impactos locais não ficam restritos aos seres humanos, como bem mostra o vídeo acima.

Como sempre observo quando abordo as pesquisas que realizo há mais de 15  anos com assentados de reforma agrária que utilizam agrotóxicos, a agricultura familiar é uma espécie de canário na mina de carvão, na medida em que esse setor usa normalmente uma quantidade insignificante de agrotóxicos quando comparado com o que é usado pelo latifúndio agroexportador.  Assim, se em estudos com agricultores familiares aparecem sinais concretos de contaminação, o que podemos esperar de áreas ocupadas por grandes monoculturas? Ora, muito mais contaminação!

A coisa fica ainda mais grave com a política de aprovação “fast track” que está sendo adotado pelo governo Bolsonaro que já aprovou 74 novos compostos, a maioria altamente tóxica, para comercialização no Brasil apenas em 2 meses de governo. Como esses produtos se destinam a suprir o latifúndio agro-exportador, não fica difícil imaginar que chuvas de venenos ainda mais tóxicas estão começando a cair sobre a cabeça de milhões de brasileiros neste momento.

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A saída para impedir o aprofundamento desta hecatombe química já foi mostrada pelo estado do Ceará. Pressionar para que outros estados sigam o exemplo cearense se tornou uma obrigação para todos os que discordam desse processo de envenenamento coletivo a que estamos submetidos por um modelo de agricultura que está viciado em veneno. Quanto mais cedo começar a pressão, menos envenenados teremos. Simples assim!

 

Barragem da CSN Congonhas (MG) está por um fio

Imagens de satélite indicam rachadura em barragem da CSN em Congonhas

Para arquiteto que fez estudos sobre situação de diversas barragens, a da mineradora e siderúrgica é a mais crítica. Nesta semana, Ministério Público de Minas recomendou retirada de famílias do entorno

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Vista geral da região de Congonhas. As linhas vermelhas indicam o perímetro da barragem Casa de Pedra, conforme imagem de 12 de fevereiro de 2018

Por Cida Moreira para a Rede Brasil Atual

São Paulo – Imagens de satélite obtidas por meio do aplicativo Google Earth indicam rachaduras e grandes manchas de umidade na barragem Casa de Pedra, da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), em Congonhas (MG). O reservatório de rejeitos de mineração da empresa privatizada em 1993 é cinco vezes maior que o do Córrego do Feijão, da mineradora Vale, em Brumadinho, que se rompeu em 25 de janeiro, matando pelo menos 308 pessoas – 203 corpos já foram resgatados e há 105 desaparecidos. 

Na quarta-feira (12), o Ministério Público de Minas Gerais (MP-MG) divulgou recomendação para que a CSN remova 600 famílias moradoras dos bairros Cristo Rei e Residencial Guarter Monteiro, no entorno da barragem. E que garanta o pagamento emergencial de aluguel no valor de R$ 1.500 por mês, em bairros com infraestrutura e oferta de creches e escolas, até que se tenha um plano de compensação para essas pessoas que já moravam nas imediações quando o empreendimento foi instalado. 

Uma análise do arquiteto e urbanista independente Frederico Lopes Freire, de Colatina (ES), que comparou imagens do período de 2002 a 2018, aponta que a área da barragem (imagem a seguir) está completamente tomada por uma mistura de água e resíduo de mineração. “O encharcamento dos resíduos funciona como um gatilho para uma possível liquefação estática, que leva uma barragem a se romper”, disse Freire, referindo-se a Mariana e Brumadinho. 

O processo de erosão e o acúmulo de água, que exerce pressão sobre os rejeitos secos, segundo ele, já podia ser visto em 2011, quando foi concluída a primeira fase da barragem Casa de Pedra. A comparação das imagens mostra que nessa época já não havia mais o córrego ou canal natural de drenagem.

Imagens de 2013 indicam reforços e reparos. Mas a obra de ampliação da barragem, em 2015, não resolveu o problema da erosão. Houve tentativas de controle do processo, conforme o arquiteto, que não obtiveram êxito, conforme imagens de 2017. Tanto que a mancha de umidade e a erosão aumentaram.

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Imagens da mesma barragem. Foto da esquerda indica erosões, lago e solo completamente encharcado

Independente, isenta de preconceitos ou tendências subjetivas, como definição de responsabilidades ou possíveis culpados, como Freire fez questão de ressaltar à RBA, sua análise tem como objetivo ajudar a evitar a ocorrência de novos desastres, a exemplo de Brumadinho, que o levou a pesquisar imagens de satélite e constatar deformações e rachaduras que serão tema de outra reportagem.

Ele passou a analisar imagens das barragens de Mar Azul, em Nova Lima, Pontal, em Itabira, e Casa de Pedra, em Congonhas, todas em Minas Gerais. “Sabemos que a liquefação estática leva ao colapso da barragem. Não há dúvidas. Então, a imprevidência quanto aos seus efeitos, sem um planejamento das consequências a longo prazo, traz a perspectiva de mais um acontecimento funesto”, disse.

A boa notícia, segundo o arquiteto, é que existem alternativas ao desmonte das barragens ou retirada dos rejeitos, que podem desestabilizá-las e até contribuir para outro tipo de liquefação, a dinâmica. Entre as tecnologias, a estabilização elétrica e eletroquímica, que consiste na descarga elétrica no solo em tensões específicas conforme as características e objetivos. “É preciso que os responsáveis pelas mineradoras se conscientizem de que não há um caminho fácil para uma solução, mas a ação tem de ser imediata”.

Desde a primeira análise, de Brumadinho, Freire tentou, sem êxito, contato com os grupos empresariais proprietários dos empreendimentos e a Prefeitura de Congonhas. No entanto, seus estudos foram recebidos por especialistas da organização internacional de pesquisa World Mine Tailings Failures, que mantém um banco de dados sobre falhas e eventos adversos significativos na deposição e armazenamento de rejeitos minerais, de fundições e refinarias.

Segundo a entidade, de 1990 para cá é crescente o número de falhas, cada vez mais graves. Os especialistas do World Mine defendem mudanças na legislação e regulamentação, nas práticas da indústria e em novas tecnologias mais seguras. Diante das condições atuais, as estimativas são de pelo menos 19 graves desastres até 2027.

A reportagem tentou contato com a CSN e com a prefeitura de Congonhas, mas não obteve posicionamento até o fechamento desta reportagem. Em sua página oficial, a mineradora e siderúrgica mantém uma mensagem. Afirma lamentar “profundamente o ocorrido em Brumadinho” e que a “barragem de Casa de Pedra, com método de construção a jusante, é segura”. Diz ainda que “a empresa está na vanguarda do tratamento de rejeitos, com investimento de R$ 250 milhões na tecnologia de empilhamento a seco, que já cobre 40% do volume de seus rejeitos, o maior empreendimento do tipo já feito no Brasil”.

Afirma também que até o fim de 2019 estará processando “100% do seu minério a seco, descartando a utilização de barragens para o processo produtivo”. “A população de Congonhas pode ficar tranquila.”


Esta matéria foi originalmente publicada pela Rede Brasil Atual [Aqui!]

Mudanças climáticas: estudantes fazem greve em mais de 100 países para forçar governos a agir

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Estudantes realizam protesto em frente do Parlamento do Reino Unido para demandar respostas aos efeitos das mudanças climáticas. Fonte: The Guardian

Jovens em mais de 125 do mundo realizaram hoje demonstrações para pressionar governos a adotarem ações mais decisivas para conter a degradação ambiental da Terra e principalmente para responder aos crescentes desafios criados pelas mudanças climáticas que hoje causam grandes transformações no funcionamento dos principais sistemas planetários (ver abaixo vídeo produzido pelo jornal The Guardian mostrando as manifestações ocorridas em diversos países)

Lamentavelmente não tenho notícia de que atos semelhantes tenham ocorrido no Brasil, pois o nosso país tem experimentado efeitos diretos das mudanças climáticas, incluindo chuvas extremamente intensas com a presença de nuvens Funil, típicas de situações pré-tornados (ver vídeo  com imagens da cidade de Araucária que fica localizada na região metropolitana de Curitiba).

Uma das razões para que os estudantes brasileiros estivessem ausentes das mobilizações que ocorreram em diversas partes do mundo é a ação orquestrada pelo governo Bolsonaro e outros tantos governos estaduais (o de São Paulo governado por João Dória, por exemplo) estão promovendo um verdadeiro desmanche das estruturas governamentais de proteção ambiental. 

Além disso, o verdadeiro estado de pânico que vem grassando em amplas camadas da população em função de repetidos episódios de alta violência, onde os jovens têm sido alvos preferenciais, também contribuiu para que as mobilizações não ocorressem no Brasil.

Entretanto, como já foi demonstrado em outros países, é muito provável que a pauta da luta contra os efeitos das mudanças climáticas acaba tendo que se carregada pelos jovens, visto que eles serão os adultos que terão que conviver com as condições drásticas que serão criadas na Terra caso não haja uma ação decisiva para processar os ajustes impostos pela realidade climática que está se estabelecendo.

Aliás, como em tantos outros países, não vai ser surpreendente se forem as questões ambientais que venham a estar no centro das disputas políticas e que os jovens sejam as principais lideranças nos enfrentamentos que deverão ocorrer.

Novo Panorama Ambiental Global da ONU alerta: sobrevivência na Terra está ameaçada

O cenário não é dos melhores, por isso, ações efetivas e com grande adesão mundial se fazem necessárias

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Descongelamento – Foto: Pavel Špindler CC BY 3.0

Por Mayumi Yamasaki – Editorias: Atualidades, Rádio USP, Jornal da USP no Ar – 

O sexto Panorama Ambiental Global (GEO-6), principal avaliação periódica da  Organização das Nações Unidas (ONU) sobre a situação do meio ambiente, evidencia novamente a urgência de uma mudança na postura em relação aos problemas ambientais. De acordo com o relatório, caso isso não ocorra, daqui a alguns anos os acordos que visam à melhora das condições do planeta não serão cumpridos e, mais que isso, a sobrevivência na Terra se tornará insustentável.

As consequências dessa forma de vida que foi assumida ao longo de anos já foram constatadas em diversos estudos. O derretimento do gelo contido no Oceano Ártico é um exemplo. O relatório da ONU cita o aumento das temperaturas na superfície polar como a causa do fenômeno e ainda aponta como decorrência dele a alteração dos padrões climáticos, uma vez que o aumento dos níveis oceânicos pode interferir na dinâmica das correntes marinhas. Serão afetados pela transformação do clima os animais vertebrados, inclusive os terrestres.

Assim, a documento mostra que houve uma queda bem significativa no índice global da vida no planeta. Essa diminuição envolve também vários outros fatores, como o desmatamento e a caça, mas a informação mostra como os vários ecossistemas estão conectados.

Pela interligação dos ecossistemas, o ser humano acaba se tornando outra vítima de suas próprias ações, seja de um modo direto ou indireto. Dados que constam no documento mostram a elevação, ao longo dos anos, da ocorrência de terremotos, tornados, deslizamentos de terra e outros fenômenos naturais que causam perdas para a sociedade. Isto é, os impactos desse processo na vida humana estão cada vez mais notáveis.

O GEO-6  analisa quão efetivas estão sendo as políticas de inovação e abordagens do governo que visam a diminuir os problemas ambientais. A análise da ONU é otimista, concluindo que essas medidas funcionam sim, apesar de demandar certos ajustes, e cita os acordos multilaterais como colaboradores para o aprendizado entre os países.

No final do relatório, a Organização das Nações Unidas indica a integração entre os setores de elaboração de políticas, incluindo agricultura, turismo, indústria, transporte e outros, além de investimento em estudos e sistemas de conhecimento (dados, indicadores, avaliações etc.) para possibilitar medidas mais efetivas e que possam ser aplicadas em mais lugares. Tais ações, certamente, demandariam mudanças nas preferências de consumo e responsabilidade corporativa, mostrando que as saídas existem. E que levarão, além da salvação dos ecossistemas, à promoção da saúde humana e sua prosperidade.

Jornal da USP no Ar, veiculado pela Rádio USP, repercutiu o lançamento do GEO-6 com o professor Paulo Artaxo, do Instituto de Física da USP, coordenador científico do Painel GEO-6 da ONU, e com Paulo Saldiva – professor da Faculdade de Medicina e diretor do Instituto de Estudos Avançados da USP –  para comentar o conteúdo do relatório, onde ressaltam e explicam a importância do documento. Confira:

Paulo Artaxo, professor do Instituto de Física da USP e coordenador científico do Painel GEO-6 da ONU.

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Paulo Saldiva, professor da Faculdade de Medicina e diretor do Instituto de Estudos Avançados da USP

Faça o download do relatório Aqui!

Você pode sintonizar a Rádio USP em São Paulo FM 93,7, em Ribeirão Preto FM 107,9, pela internet em www.jornal.usp.br ou pelo aplicativo no celular.


Esta reportagem foi originalmente publicada pelo Jornal da USP [Aqui!]