Uma imagem vale mais do que milhões de palavras para demonstrar a letalidade da COVID-19

Das lentes do fotógrafo Edmar Barros, o mesmo cemitério com 37 dias de separação, a clareza do impacto da COVID-19 em um cemitério em Manaus, capital do estado do Amazonas.

mesmo cemitério

Diante dessa evidência irrefutável da letalidade da COVID-19, especialmente entre os mais pobres, é que me parece que qualquer tentativa de flexibilizar o isolamento social no Brasil neste momento não pode ser caracterizado como algo menos do que um genocídio.

Por isso, aos leitores deste blog, reforço que é fundamental continuarmos o trabalho de solidariedade que é convencer todos os que são próximos, e também não tão próximos, que não é possível relativizar a gravidade que a pandemia da COVID-19 assumiu no Brasil. Cuidar de si e todos os que forem possíveis de serem alcançados. Depois a gente faz os devidos acertos políticos com quem permitiu que essa situação alcançasse o nível que está alcançando.

A enigmática menção de Damares Alves aos ciganos vivendo no Brasil

Especial dia dos CiganosComunidades ciganas sofrem com discriminação e falta de acesso a serviços como educação e saúde nas Américas. Foto: EBC.

Muita coisa já se escreveu sobre os significados visíveis e ocultos das falas dos presentes na famigerada reunião ministerial de 22 de abril.  Até aqui a pior repercussão nacional e internacional está sendo, pasmem, a fala do ministro (ou seria anti-ministro?) do Meio Ambiente que falou em aproveitar a distração causada pela pandemia da COVID-19 para “passar a boiada” (ou o rodo se preferirem) na legislação ambiental existente no Brasil.

Entretanto, uma fala mais pontual da ministra Damares Alves, do ministério que supostamente deve defender as mulheres, as famílias e os direitos humanos.  É uma referência incompleta, e errada, em relação ao número de ciganos vivendo no Brasil (ver imagem abaixo).

Damares e ciganos

A referência é incompleta porque ela começa a falar sobre os ciganos, mas é interrompida. É errada porque Damares Alves fala que existiriam um milhão e quinhentos mil ciganos vivendo no Brasil, enquanto que os números oficiais falam em um terço disso, ou seja, 500 mil indívuos. 

Se vivêssemos sob um governo que queira ressaltar as diferenças para proteger os invisibilizados, eu até relevaria esse “pequeno erro” de contagem de 1 milhão de pessoas. Mas o fato é que não apenas no Brasil, mas em todo o mundo, os chamados ciganos (que ainda preservam parte de sua identidade nômade onde quer que estejam no planeta) são vítimas de duras perseguições, e tratados como verdadeiros párias pelas classes dominantes.

Há ainda que se lembrar que os ciganos foram especialmente visados pelo regime nazista comandado por Adolf Hitler e também foram alvo das mesmas táticas de extermínio a que foram submetidos os judeus porque também eram julgados como “racialmente inferiores“. A crueldade contra os povos ciganos na Europa sob domínio direto ou indireto do regime nazista foi tão ampla que, na língua utilizada por uma parte da população cigana, o holocausto cigano recebeu o nome de “Baro Porrajmos” que pode ser traduzido em português como Grande Consumação da vida humana, mas também pode esta relacionada ao estupro.

Holocausto-CIgano-2Ciganos são detidos para deportação, pelo governo alemão, em 22 de maio de 1940. Foto: Bundesarchiv, R 165 Bild-244-48 / CC-BY-SA 3.0

Mas voltando ao presente no Brasil, se eu fosse um dos 500 mil ciganos vivendo no Brasil, eu ficaria com a orelhas bem em pé em relação à enigmática menção que lhes fez a ministra Damares Alves na reunião ministerial de 22 de abril. É que dificilmente ela mencionou os ciganos para expressar preocupação com as difíceis condições que a invisibilidade social lhes impõe no Brasil. 

Em tempo, o Instituto Cigano do Brasil já fez publicar uma nota de repúdio não à Damares Alves, mas ao ministro da Educação, Abraham Weintraub, que, também durante a reunião de 22 de abril, proferiu a lapidar frase “odeio o termo ‘povos indígenas’, odeio esse termo. Odeio. O ‘povo cigano’. Só tem um povo nesse país. Quer, quer. Não quer, sai de ré””.  O Instituto Cigano considera que “manifestações deste tipo são injustas, covardes e causam grande sofrimento o nosso Povo Cigano e os Indígenas. É um ataque à dignidade humana, além de desrespeito a etnias pertencentes ao povo diverso do Brasil“.   É provável, ao menos eu espero isso, que o Instituto Cigano também preste atenção na fala de Damares Alves. Afinal, não pode significar nada de bom para os ciganos que tenham sido lembrados duas vezes na mesma reunião e por ministros tão “ilustres” como Damares e Weintraub.

Ricardo Salles comete sincericídio e sugere uso da COVID-19 para enfraquecer as leis ambientais no Brasil

ricardosalles-abreNa reunião de 22 de abril, Ricardo Salles pediu que o governo Jair Bolsonaro aproveitasse a atenção da imprensa voltada à pandemia de COVID-19 para aprovar “reformas infralegais de desregulamentação e simplificação” na área do meio ambiente e “ir passando a boiada”.  

Um dos momentos mais interessantes e reveladores do que já foi mostrado na divulgação do vídeo da reunião ministerial de 22 de abril veio na fala do ministro (ou seria anti-ministro?) do Meio Ambiente, o improbo Ricardo Salles (ver sequência de imagens abaixo).

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Dentre as pérolas oferecidas por Ricardo Salles está o pedido para que o governo Jair Bolsonaro aproveitasse a atenção da imprensa voltada à pandemia de COVID-19 para aprovar “reformas infralegais de desregulamentação e simplificação” na área do meio ambiente e “ir passando a boiada“.  

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Além disso, Salles afirmou que “então para isso precisa ter um esforço nosso aqui enquanto estamos nesse momento de tranquilidade no aspecto de cobertura de imprensa, porque só fala de COVID e ir passando a boiada e mudando todo o regramento e simplificando normas”.

Salles ainda sugeriu que o governo fizesse mudanças relacionadas ao meio ambiente sem o aval do Congresso Nacional.  Para que isso seja possível, Salles ressaltou que a  Advocacia Geral da União (AGU) precisaria ficar de prontidão para eventuais contestações do governo na Justiça.  Nesse sentido, Salles afirmou que “então pra isso nós temos que tá com a artilharia da AGU preparada para cada linha que a gente avança ter uma coi … mas tem uma lista enorme, em todos os ministérios que têm papel regulatório aqui, pra simplificar“.

Em suma: para Ricardo Salles, a pandemia da COVID-19 seria proveitosa no sentido de avançar o processo de desmanche da governança e da legislação ambiental, evitando que tais mudanças tivessem que passar pelo Congresso Nacional. Se isso não for o suprassumo do oportunismo político, sinceramente não sei o que seria.

Em minha modesta opinião, será essa fala de Ricardo Salles que criará mais embaraço para o Brasil nas relações econômicas e políticas, pois fica explícito o processo de desmanche que ele comanda à frente do Ministério do Meio Ambiente. É que, ao contrário do que parecem acreditar os membros do governo Bolsonaro, o período pós-pandemia não será tão tolerante com a destruição ambiental em curso no Brasil.

Mas mais do que nunca, Salles tem carimbado na testa o rótulo de “Exterminador do meio ambiente”.  Nada mais justo para quem se aproveita de uma pandemia mortal para destruir a governança ambiental duramente construída no Brasil.

No vídeo abaixo é possível ver o momento exato da fala “passa a boiada” de Ricardo Salles.

As entranhas do governo Bolsonaro são expostas ao vivo na TV

reunião

A tarde hoje começou com uma ameaça nada velada do general da reserva e do ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno Ribeiro Pereira, que chegou a falar em uma ameaça institucional caso seja aprovada a decisão de recolher o telefone celular do presidente Jair Bolsonaro (ver imagem abaixo).

carta general heleno

A manifestação do general Heleno foi entendida por muitos como uma ameaça ao Supremo Tribunal Federal às vésperas da decisão do ministro José Celso de Mello Filho sobre a liberação do vídeo completo da reunião ministerial do dia 22 de abril que terminou motivando o pedido de demissão do então ministro da Justiça, Sérgio Moro.

Se a intenção do general Heleno foi realmente coagir a decisão do ministro decano do STF, Celso de Mello, a aposta foi um famoso “tiro pela culatra”, pois neste momento milhões de brasileiros já estão assistindo ao vídeo da reunião ministerial de 22 de abril no que pode ser classificada como uma exposição ao vivo das vísceras de um governo em plena pandemia da COVID-19.

Das partes que já foram mostradas, a mais significativa é a que indica que o ex-ministro Sérgio Moro efetivamente foi pressionado a mudar a direção da Polícia Federal no estado do Rio de Janeiro por causa do medo expresso pelo presidente Jair Bolsonaro de que amigos e familiares poderiam ser alcançados por investigações em curso.

Obviamente outras partes, especialmente aquela em que o presidente Jair Bolsonaro diz querer “armar o povo” para impedir uma ditadura.  Esse “armar o povo” certamente demandará a explicação a que o povo se referiu o presidente.

Com certeza, os próximos dias serão cheios de novas imagens dessa reunião, o que deverá aprofundar ainda mais a crise política que consome o Brasil em um momento que milhares de brasileiros estão morrendo por causa da COVID-19.

Para quem tiver interesse em ler a íntegra do que foi dito durante a reunião ministerial de 22 de abril, basta clicar Aqui!

Greenpeace: Governo está sendo cobrado judicialmente para fazer aquilo que é sua obrigação de Estado

DESMATAMENTO

Em decisão judicial emitida ontem (21), a 7ª Vara Federal Ambiental e Agrária Seção Judiciária do Amazonas requer simplesmente que a União, o Ibama, ICMBio e Funai cumpram seus deveres e implementem ações de comando e controle para contenção de crimes ambientais, inibição da propagação da COVID-19 junto aos Povos e Comunidades Tradicionais da Amazônia, entre outros.

“Ao invés de cumprir o seu papel, o Governo Federal insiste em enfraquecer a proteção da floresta e dos povos indígenas. No lugar, em um esforço teatral e milionário para convencer mercados internacionais exigentes, militariza o comando de operações e retira dos principais órgãos de fiscalização, controle e preservação ambiental, o protagonismo para exercer aquilo que sabem e devem fazer pelo país – proteger o meio ambiente. Ao final, exige esforço da Procuradoria Pública e da Justiça Federal para não apenas combater o crime lá fora, mas aquele que ocorre dentro do próprio governo quando o mesmo decide agir contra seus deveres”, comenta Luiza Lima da campanha de Políticas Públicas do Greenpeace.

Para conter o desmatamento – que já é o maior da década, com indicativos de subir ainda mais este ano – o governo federal colocou em campo uma operação faraônica do exército, que, em um mês, vai custar quase o mesmo valor do orçamento anual do Ibama para fiscalização. Em sua primeira ação, contudo, já mostrou que foi a campo para acobertar o crime ao ignorar a orientação daqueles que levam a sério a proteção da floresta. Conforme divulgado na imprensa, foram 97 agentes, 2 helicópteros, dezenas de viaturas e zero multas, prisões e apreensões. Fizeram vistoria em locais já vistoriados, mesmo tendo sido alertados pelo Ibama, que sugeriu outra área.

“O que a justiça quer, e os países que negociam com o Brasil esperam, são resultados reais de redução de desmatamento e disputas nesses territórios. E as escolhas do governo só nos levam, e mensalmente são comprovadas com dados dos satélites, para a direção contrária”, finaliza Luiza.

Nossa porta-voz está disponível para comentar o assunto.

Fonte: Assessoria de Imprensa Greenpeace, imprensa.br@greenpeace.org

“The Lancet” publica artigo negando benefícios da cloroquina no combate à COVID-19

Did chloroquine really fail a COVID-19 study—or was the trial ...Estudo científico mostra que cloroquina e hidroxicloroquina são ineficazes no combate à COVID-19, com ou sem o acompanhamento de antibióticos

Uma das principais, senão a principal, revista científica na área da Medicina, a “The Lancet” acaba de publicar um artigo que nega quaisquer benefícios associados ao uso da cloroquina ou da hidroxicloroquina no tratamento da COVID-19.

cloroquina trial

De autoria de pesquisadores ligados ao  Brigham and Women’s Hospital Heart  e ao Vascular Center and Harvard Medical School (Massachusets, EUA),  à Surgisphere Corporation (Illinois, EUA), à University Heart Center, University Hospital Zurich (Suiça), ao Department of Biomedical Engineering da Universidade de Utah (Utah, EUA), e ao HCA Research Institute (Tennessee, EUA), o artigo aponta de forma categórica que “não foi possível confirmar o benefício da hidroxicloroquina ou cloroquina, quando usado isoladamente ou com um macrólido (pertencentes a um grupo de antibióticos de amplo espectro), nos resultados hospitalares do COVID-19. Cada um desses esquemas medicamentosos foi associado à diminuição da sobrevida hospitalar e a um aumento da frequência de arritmias ventriculares quando usado no tratamento do COVID-19“.

Este novo estudo é provavelmente um dos (senão o mais) robustos realizados sobre o uso de cloroquina ou hidroxicloroquina, na medida em que inclui resultados obtidos com 96.032 pacientes (idade média 53,8 anos, 46,3% mulheres) que tiveram COVID-19  e foram hospitalizados durante o período do estudo, tendo preenchido critérios de inclusão. Os autores informam ainda que 14.888 pacientes analisados estavam nos grupos de tratamento (1868 receberam cloroquina, 3783 receberam cloroquina com um macrólido, 3016 receberam hidroxicloroquina e 6221 receberam hidroxicloroquina com um macrólido, sendo que  81.144 pacientes foram colocados no chamado grupo de controle. O resultado final é que 10.698 (11,1%) pacientes morreram no hospital.

Como se vê, quando submetido a uma análise  rigorosa, o mito da utilidade da cloroquina e da hidroxicloroquina para combater a COVID-19 se esfarela rapidamente, não resistindo ao exame próprio de quem realmente tem a capacidade de analisar dados científicos. Por isso, enquanto a comunidade cientifica não produz as alternativas eficazes contra a COVID-19, a melhor alternativa continua e continuará sendo o isolamento social, independente do que pensem os bufões que eventualmente são eleitos para presidir países como o Brasil (Jair Bolsonaro) e os EUA (Donald Trump).

Financial Times prevê mais de 100.000 mortos por COVID-19 no Brasil

APTOPIX Virus Outbreak BrazilFinancial Times prevê que número de mortos por COVID-19 no Brasil deverá ultrapassar 100.000 nos próximos meses

O jornal britânico “Financial Times”, que não chega nem de perto de ser uma versão contemporânea do “Gazeta Renana” de Karl Marx, publicou ontem um artigo assinado pelos jornalistas Bryan Harris e Andres Schiapini sob o título “Brazil emerges as a top global coronavirus hotspot” (ou em português “O Brasil emerge como um dos principais epicentros de coronavírus do mundo”).   Com base nas previsões de vários especialistas consultados, Harris e Schiapini apontam que mais de 100.000 brasileiros irão morrer por causa da COVID-19 no mundo, com a possibilidade de que este número esteja subestimado em função da flagrante subnotificação de casos e falta de uma política de testagem em massa da população.

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Entre as razões estruturais pelas quais a COVID-19 deverá ter um efeito tão devastador no Brasil está a profunda desigualdade social e econômica existente no Brasil, que torna extremamente difícil que os habitantes dos cinturões de pobreza extrema possam adotar as medidas de isolamento social que estão sendo propostas por governadores e prefeitos.  Uma expressão usada para exemplicar esta situação de superpopulação em áreas pobres,  Harris e Schiapini apontam que “as pessoas estão vivendo nas favelas umas em cima da outras”.

Um dado colocado na matéria é particularmente chocante para os que não conhecem o Brasil, pois é citada a cifra de que em 2019 ” a renda média mensal dos 1%  brasileiros mais ricos foi mais de 33 vezes a renda média dos 50% inferiores da população”. Tal desproporção de renda é que estaria alimentando a dispersão particularmente agressiva nas áreas mais pobres.

Entretanto, a matéria do Financial Times é particularmente crítica da postura adotada pelo presidente Jair Bolsonaro na gestão da pandemia da COVID-19 no Brasil, a pontos dos jornalistas incluírem a afirmação que o nosso país está enfrentando dois vírus neste momento: o coronavírus e o bolsonarovírus.  Harris e Schiapini apontam ainda que o tratamento da pandemia por Jair Bolsonaro já levou à saída de dois ministros da saúde, sendo que o último, Nelson Teich, foi substituído por um oficial militar, que não tem experiência na área da saúde ou no complexo serviço de saúde pública do Brasil.

A matéria lembra ainda que a gravidade do surto combinada com a falta de uma resposta política coerente abalou a confiança dos negócios e levou a moeda a cair.  Em função disso, desde janeiro, o real caiu 32% em relação ao dólar, enquanto o Produto Interno Bruto (PIB) deverá cair 7% ou mais em 2020.

O fato é que, dado o público leitor preferencial do Financial Times, esta matéria deverá repercussões sérias entre os chamados investidores internacionais. À parte da “toxicidade” do Real, a instabilidade social e política que deverá se seguir ao imenso número de mortos deverá tornar os investimentos no Brasil pouquíssimo interessantes, mesmo para especuladores do mercado financeiro.

Mas enquanto o Financial Times traça um perfil tão sombrio para a evolução da pandemia no Brasil, as elites econômicas e os governantes parecem estar em um processo paralelo de compreensão da realidade (como se vivem na “Matrix”  das irmãs Wachowski). É que apenas no dia de ontem, ouviu-se a mesma ladainha de que a vida precisa voltar ao normal e o comércio reabrir, inclusive na cidade do Rio de Janeiro onde a própria prefeitura estima que nas próximas duas semanas mais de 40.000 pessoas deverão ser infectadas pelo coronavírus.

Aliás, a cereja no bolo dos negacionistas da gravidade que a pandemia assumiu no Rio de Janeiro foi a volta aos treinos da equipe do Clube de Regatas do Flamengo. É que dada a imensa de massa de torcedores que o time tem não apenas no Rio de Janeiro, mas em todo o Brasil, as imagens dos seus jogadores batendo bola alegremente, como se não houvesse pandemia, certamente será usada em imagens televisivas para defender a volta ao trabalho.

A verdade inescapável é que se dependermos do compromisso do presidente Jair Bolsonaro e da maioria dos governadores e prefeitos, a pilha de mortos poderá ser maior do que o estimado na matéria do Financial Times. Esta é a verdade pura e simples, pois a realidade é que as elites brasileiras nunca se preocuparam com a vida (e muito menos a morte dos pobres que o modelo de capitalismo implantado no Brasil gerou). A saída para impedira concretização dos piores cenários para esta pandemia terá de sair da ação de movimentos sociais, sindicatos e da população organizada. Lamentavelmente esse esforço terá de se dar em meio à condições marcadas pela extrema miséria e pela violência do aparelho de estado, como vem ocorrendo no Rio de Janeiro nos últimos dias.