Sistema registrou o desmatamento de mais de 659 mil hectares do bioma no ano passado, maior área desde o início do projeto em 2019.
Desmatamento no Cerrado atingiu cerca de 659 mil hectares em 2022, segundo dados do MapBiomas Alerta. Esse número representa um aumento de 32,4% em relação a 2021, quando foram desmatados cerca de 498 mil hectares, segundo dados publicados no RAD (Relatório Anual de Desmatamento no Brasil), divulgado nesta segunda-feira.
Essa é a maior área registrada pelo MapBiomas Alerta no Cerrado, desde o início do monitoramento pelo projeto, em 2019. A área total desmatada em 2022 no bioma representa quase um terço da supressão da vegetação nativa no país (32,1%).
No Cerrado, a Bahia foi o estado que mais desmatou no ano passado, com mais de 157 mil hectares derrubados, um aumento de 67,8% em relação a 2021. O Maranhão, que liderou a lista em 2020 e 2021, desmatou cerca de 152 mil hectares e ficou em segundo lugar. No Piauí, o desmatamento aumentou 137% em relação a 2021, o maior aumento entre todos os estados, totalizando mais de 136 mil hectares desmatados.
O levantamento também mostra que é na região do Matopiba – composta por áreas dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia – que se concentra a maior parte do desmatamento no Cerrado, cerca de 77,7%. Foram mais de 512 mil hectares desmatados no ano passado.
Área desmatada por estado no Cerrado em 2022 (Fonte: RAD/MapBiomas Alerta/IPAM)
Municípios no Matopiba na liderança do desmatamento
Cerca de 708 municípios do Cerrado registraram pelo menos um evento de desmatamento em 2022 e a lista dos 10 maiores desmatadores é dominada por cidades do oeste baiano, sul do Maranhão e no sudoeste do Piauí, localizados na região do Matopiba.
Desmatamento nos 10 municípios que mais desmataram no Cerrado em 2022, todos localizados na região do Matopiba.
O município de São Desidério, no oeste baiano, um dos principais produtores de soja e algodão do Brasil, lidera o ranking, tendo desmatado mais de 36 mil hectares no ano passado. Formosa do Rio Preto (33.416 ha), Balsas (27.854 ha), Uruçuí (23.745 ha) e Jaborandi (20.665 ha), completam as cinco primeiras posições do ranking.
“Essa região abriga grandes produtores de soja, milho e algodão. Este cenário em conjunto com a expansão de novas áreas para agricultura e pastagem, e a deficiência de ações de fiscalização por parte dos órgãos ambientais, contribui para a concentração do desmatamento nesta região. Essa destruição da vegetação nativa tem impactos na biodiversidade, no abastecimento dos corpos hídricos e nas comunidades tradicionais, que necessitam de um ambiente equilibrado”, destaca Roberta Rocha, pesquisadora do IPAM.
Ritmo acelerado
O ritmo de desmatamento no bioma também cresceu. Em média, o Cerrado perdeu 1,8 mil hectares por dia, em 2022. No município de Alto Parnaíba, no Maranhão, foi registrado o desmatamento com a maior velocidade média diária do Brasil. Foram 1.912,9 ha desmatados em apenas oito dias.
Alerta de desmatamento com maior velocidade média diária do país, no município de Alto Parnaíba (MA) com média de 239,1 ha desmatados por dia (Fonte: IPAM/Reprodução/Planet Imagens)
Na Fazenda Estrondo, condomínio de propriedades rurais localizado no município baiano de Formosa do Rio Preto, o MapBiomas Alerta captou o maior alerta de desmatamento do país em 2022. Autorizado pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (INEMA) da Bahia, foram desmatados mais de 12 mil hectares de vegetação nativa inserida na APA (Área de Proteção Ambiental) do Rio Preto.
“Junto com a Amazônia, o Cerrado apresenta vários recordes de desmatamento. Enquanto deveríamos focar esforços para ações de fiscalização e redução do desmatamento no Cerrado, o desmatamento no Cerrado continua crescendo, em ritmo acelerado e caracterizado com grandes desmatamentos, inclusive vários deles com autorização pelos órgãos estaduais.” destaca Julia Shimbo, pesquisadora do IPAM.
Territórios protegidos ameaçados
No geral, o desmatamento dentro de Unidades de Conservação aumentou 47%. Foram 52 mil hectares desmatados, sendo que 98% desse desmatamento ocorreu em APAs. Por outro lado, as terras indígenas no Cerrado tiveram uma queda na área desmatada em 2022, cerca de 26%.
Segundo o projeto, 99% de tudo que foi desmatado no Cerrado teve a expansão agropecuária, na forma de abertura de novas lavouras e pastagens, como principal motivador. Além disso, o desmatamento atingiu principalmente a formação savânica, caracterizada por árvores e arbustos espalhados por campos de gramíneas, que concentrou 76% das perdas de vegetação.
“Uma das justificativas para o aumento do desmatamento é a abertura de novas áreas com foco na expansão agropecuária. A combinação de investimentos em técnicas de correção do pH dos solos do Cerrado, que são ácidos, bem como condições de relevo adequadas e solos bem desenvolvidos, favorecem a atividade agropecuária”, aponta Roberta.]
Ilegalidade e soluções
O relatório também aponta que quase 99% do desmatamento detectado no Cerrado apresenta algum indício de irregularidades. A observação foi feita cruzando dados das autorizações de desmatamento com as coordenadas de reservas legais, áreas de proteção permanente, nascentes e áreas protegidas. Apenas 1,2% dos alertas não apresentaram irregularidades.
“Para reduzir o desmatamento no Cerrado, precisamos de ações integradas por meio do fortalecimento dos órgãos de comando e controle, além da ampliação da fiscalização e da implementação de punições severas contra grileiros e desmatadores ilegais, levando a autuações e ao embargo dessas áreas” destaca Dhemerson Conciani, pesquisador do IPAM.
O pesquisador também destaca a necessidade de uma atuação mais eficiente na proteção do Cerrado e de seus habitantes, assim como a necessidade de posicionamentos claros do setor privado.
“O Cerrado e as pessoas que o habitam precisam de mais proteção. É necessário ampliar as Unidades de Conservação, especialmente em regiões e tipos de vegetação mais ameaçadas; reconhecer e homologar o território de comunidades tradicionais e indígenas; e cuidar de quem tanto cuida do Cerrado. Além disso, os bancos e o agronegócio também fazem parte deste processo e precisam adotar práticas mais robustas e transparentes para evitar o financiamento do desmatamento, eliminar a ilegalidade da cadeia de suprimentos e valorizar o produtor rural que produz de forma sustentável”, destaca.
Sobre o RAD e MapBiomas Alerta
O RAD (Relatório Anual de Desmatamento) do MapBiomas reúne dados consolidados de desmatamento de todo o Brasil. Ele analisa os alertas de desmatamento detectados entre 2019 e 2022, e que foram validados e refinados sobre imagens de satélite de alta resolução pelo MapBiomas Alerta.
Nesta quarta edição, no Cerrado, os alertas gerados pelo DETER (Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real do INPE), SAD Caatinga (Sistema de Alerta de Desmatamento da Caatinga, da UEFS e Geodatin), e SIRAD-X (Sistema de indicação por radar de desmatamento na Bacia do Xingu, do ISA), foram utilizados para localizar os alertas de desmatamento nas imagens de satélite diárias de alta resolução espacial. OSAD Cerradodesenvolvido pelo IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) está em fase de inclusão no sistema do MapBiomas Alerta.
Todos os dados são disponibilizadosde forma pública e gratuita em plataforma web para que órgãos de fiscalização, agentes financeiros, empresas e sociedade civil possam agir para reduzir o desmatamento ilegal. O relatório completo com todos os dados está disponível no site doMapBiomas Alerta.
A diretriz da OMS recomenda interromper o uso de adoçantes para controlar o peso ou prevenir doenças. Crédito da imagem: Open Grid Scheduler/Grid Engine, Flickr , imagem de domínio público
Por Aleida Rueda para a SciDev.Net
Enquanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou recentemente sobre os possíveis malefícios dos adoçantes para a saúde e a falta de evidências de seu uso para emagrecer, especialistas na América Latina —onde produtos que incluem essas substâncias sãocomercializados.
Adiretriz da OMS é contundente ao desaconselhar o uso de adoçantes para controlar o peso ou prevenir doenças e adverte que seu uso prolongado pode estar associado a um risco aumentado de diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e mortalidade em adultos.
Na América Latina, os produtos com adoçantes abrangem toda a linha alimentícia: desde sucos, leites e refrigerantes, até biscoitos, cereais ou doces. Estes e outros produtos contêm aspartame, sacarina, sucralose ou estévia, entre outros, que são precisamente os recomendados pela OMS.
“O que verificamos nos produtos é que combinam mais de quatro adoçantes. Eles colocam até nove adoçantes em um único produto para obter esse nível de doçura. Mesmo que não ultrapasse a quantidade máxima daquele adoçante, eles estão dando um mix de efeitos adversos ao consumidor”.
Alejandra Contreras, Instituto Nacional de Saúde Pública, México
Esses adoçantes, aliás, são vendidos, na maioria dos países, sem o rótulo que os adverte.
É o caso do Chile. Em 2016, após vários anos de discussões, foi o primeiro país da região a estabelecer rótulos alertando sobre o excesso de açúcar, calorias, gordura saturada e sódio em alimentos e bebidas. Mas isso levou a indústria alimentícia a modificar muitos produtos e, no lugar do açúcar, adicionar adoçantes sem o selo de advertência.
“Após a mudança feita pela indústria, no Chile, 70% das bebidas carbonatadas e 90% dos leites aromatizados já são sem açúcar, mas possuem adoçantes sem rótulo (…)”, explica Samuel Durán à SciDev.Net, PhD emnutrição e pesquisador da Universidade de San Sebastián, no Chile.
“Acontece com o iogurte e outros produtos, muitos de nossos alimentos têm adoçantes, mas não têm selos”, diz Durán.
Já no Brasil, no início deste ano, um grupo de pesquisadores relatou em artigo que , após analisar a presença de adoçantes em bebidas energéticas, pelo menos cinco das marcas mais vendidas são rotuladas como “zero açúcar”, mas contêm edulcorantes, e suas quantidades não são informadas no rótulo.
Muitos desses produtos são consumidos por crianças . Em um estudo de 2020 , das 250 crianças chilenas entre 6 e 12 anos pesquisadas, elas descobriram que todas consumiram pelo menos um produto “reduzido em açúcar, mas com adição de adoçantes” durante o mês anterior. O aspartame foi o que apresentou maior média de ingestão, sendo proveniente principalmente de bebidas.
Também na Argentina foi relatado um alto consumo desses produtos entre crianças, inclusive pré-escolares. Umestudo de 2018 que analisou 2.664 crianças em Buenos Aires revela que mais da metade consumia adoçantes diariamente, especialmente sucos em pó, refrigerantes diet e águas com sabor.
Além disso, há relatos de que o uso desses adoçantes durante a gravidez aumentou consideravelmente, com 30% das mulheres grávidas consumindo-os agora.
A OMS reconhece que as evidências sobre os impactos do consumo de adoçantes na saúde entre crianças e mulheres grávidas são limitadas e de qualidade moderada. Mas ele alerta que os danos em adultos, como o risco de diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares, podem ser extrapolados para essa população vulnerável .
Alejandra Contreras, pesquisadora do Instituto Nacional de Saúde Pública, no México, diz que “não é necessário ter 100% de evidências para tomar decisões que evitem possíveis problemas de saúde”. No caso dos adoçantes, diz ele, “as evidências são suficientes para regulamentar”.
E uma das coisas que precisa ser regulamentada é a forma enganosa como os adoçantes costumam ser apresentados no mercado latino-americano.
Por exemplo, no Peru, o governo informou em 2022 que várias marcas de adoçantes não incluem tabela nutricional e que existem “adoçantes que informam ter zero açúcar em seus rótulos, apesar de declararem substâncias como maltodextrina e dextrose em seus ingredientes, o que Eles podem aumentar a glicose.
Eles também identificaram mensagens nos rótulos que incentivam seu consumo, como “permitido para crianças, gestantes e diabéticos”. “Isso pode influenciar na decisão dos consumidores, por isso é preciso ficar atento à sua veracidade”, diz o relatório.
Contreras alerta que outro problema tem a ver com as misturas de adoçantes que também não são informadas. “O que verificamos nos produtos é que combinam mais de quatro adoçantes. Eles colocam até nove adoçantes em um único produto para obter esse nível de doçura. Mesmo que não ultrapasse a quantidade máxima daquele adoçante, eles estão dando um mix de efeitos adversos ao consumidor”, explica.
Uma investigação de 2017 que analisou o consumo de estévia no México afirma que os extratos em pó vendidos nos supermercados “estão dispersos em um veículo que pode ser maltodextrina, dextrina, sucralose, adoçantes artificiais, etc., adulterando o produto.
Por todas essas incoerências na venda de adoçantes, especialistas acreditam que a diretriz da OMS ajudará a regular as falsas promessas de adoçantes criadas pela indústria.
“Isto incentivará os futuros rótulos de alimentos e bebidas, nos países da região que estão prestes a adicioná-los, a incluir o aviso de que contêm adoçantes”, diz Durán.
Contreras está confiante de que “a indústria vai parar de usar tantos adoçantes, porque quando o consumidor ler o produto e ver o aviso, vai pensar duas vezes antes de comprá-lo”.
Este artigo foi produzido pela edição América Latina e Caribe de SciDev.Net
Este texto escrito originalmente em espanhol foi publicado pela SciDev.Net [Aqui!].
Ministra Luciana Santos esteve nesta sexta-feira (9) na Organização Europeia para Pesquisa Nuclear (CERN). Acordo de acessão deve ser analisado pelo Congresso Nacional ainda neste ano
Foto: Raul Vasconcelos
O Brasil pode se associar ao maior e mais avançado centro científico do mundo. Localizada na fronteira entre a Suíça e a França, a Organização Europeia para Pesquisa Nuclear (CERN) é uma infraestrutura de pesquisa voltada para física de altas energias. Entre os grandes feitos, estão a comprovação do bóson de Higgs ou “partícula de Deus”; a construção do LHC, o mais potente acelerador de partículas do planeta; a invenção do World Wide Web (www); além de experimentos e descobertas sobre a origem do universo.
O CERN tem a missão quase poética de responder a questões fundamentais da humanidade: como surgiu o universo e quais são as forças que o controlam. Para investigar esses mistérios, os pesquisadores construíram o maior acelerador de partículas do mundo. O LHC funciona dentro de um túnel de 27 quilômetros a cem metros abaixo do solo, onde as partículas são aceleradas a uma velocidade próxima à da luz, produzindo 1 bilhão de colisões por segundo. O experimento levou mais de dez anos para ser concluído até a primeira volta, em 2011. Com ele, os cientistas reproduziram as condições dos instantes seguintes ao Big Bang, mas 95% da massa e da energia que compõem o universo ainda são um grande mistério.
Criado em 1954, logo após a Segunda Guerra Mundial, o CERN começou com uma colaboração internacional entre 12 países. Hoje, possui 23 estados-membros plenos e oito associados. Em 2010, a organização estendeu a possibilidade de países não-europeus se tornarem membros associados. Com um volume histórico de cooperação científica, o Brasil iniciou os trâmites que resultaram na assinatura do Acordo de Acessão, em 2022. Para ser ratificado, o acordo precisa ser aprovado pelo Congresso Nacional e sancionado pelo presidente da República.
Em visita ao CERN nesta sexta-feira (9), a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, reafirmou o compromisso do governo brasileiro com o processo de acessão. Acompanhada de uma delegação parlamentar, ela conheceu as instalações, se reuniu com pesquisadores brasileiros que atuam na organização científica e reiterou que a associação ao CERN integra a estratégia de ampliar o acesso do Brasil a infraestruturas globais de pesquisa. Para aderir à organização, o país precisa contribuir com US$ 12 milhões por ano – valor que, segundo a ministra, não compromete o financiamento e traz enormes benefícios para a ciência brasileira.
“Esta parceria será de grande importância para a comunidade científica brasileira, mas, principalmente, para a indústria nacional de base inovadora. É prioridade do governo do presidente Lula a reindustrialização em novas bases, com o objetivo de promover e apoiar o desenvolvimento tecnológico e a inovação nas empresas nacionais”, disse a ministra.
Para além do mistério que cerca a existência do universo, a ciência produzida no CERN permite o desenvolvimento de experimentos que oferecem soluções para a saúde, a indústria e o meio ambiente. A partir do grande acelerador LHC, outros empreendimentos científicos foram construídos. Um deles é o Sirius, que funciona no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas (SP).
Os dois aceleradores já possuem acordo de cooperação, mas a associação do Brasil ao CERN vai elevar a transferência de tecnologia para outro patamar. Grande parte das tecnologias desenvolvidas pela organização acontece em parceria com a indústria por meio de contratos de pesquisa e desenvolvimento e de fornecimento de serviços e matéria-prima. Para se ter uma ideia, os investimentos do CERN com contratos e encomendas junto à indústria alcançaram cerca de US$ 500 milhões nos últimos anos. Se aprovada, a adesão vai permitir a participação das empresas brasileiras nos contratos com o CERN, além de assegurar o acesso de pesquisadores e cientistas à organização, ampliando a formação de recursos humanos altamente qualificados, o que é importante para a reindustrialização do país.
Minerais estratégicos
Outra vantagem da associação do Brasil à Organização Europeia para Pesquisa Nuclear é o acesso do país a matérias-primas especiais, como o nióbio, largamente utilizado para a fabricação de ímas. Em vez de adquirir o minério em sua forma natural, o CERN opta pelo produto final para aplicação em seus componentes. “O Brasil tem todo o interesse em absorver a tecnologia utilizada na fabricação das ligas de nióbio, titânio e cobre em vez de ser apenas um exportador de matéria-prima”, ressaltou a ministra Luciana Santos.
Segundo o diretor-geral do CNPEM, Antonio José Roque da Silva, diferente do CERN, o Sirius é um acelerador de elétrons que gera a luz necessária para a investigação dos materiais e, por isso, está mais próximo de aplicações práticas, como a investigação das rochas do pré-sal, das células do organismo e das proteínas para o desenvolvimento de fármacos, por exemplo. Mas as pesquisas realizadas pelo CERN são fundamentais para o Brasil dar um salto no desenvolvimento científico e tecnológico.
“A ciência e a tecnologia possuem vários componentes que transformam uma sociedade. A formação de recursos humanos qualificados, avançar no conhecimento da humanidade como um todo, a transferência de tecnologia de ponta para empresas, gerando novos empregos, e a internacionalização, que permite ao Brasil ser parte dessa grande rede mundial de pesquisa. E o CERN é um ponto central para tudo isso”, resumiu Roque.
O alto custo da ‘reformatação’ faz com que os periódicos mudem seus requisitos
Os periódicos científicos têm requisitos de formatação de manuscritos muito diferentes, incomodando bastante os pesquisadores. Crédito: Tatomm/Getty
Por Max Kozlov para a Nature
Para os cientistas que enviam seus artigos para periódicos, há um exercício muito familiar: passar horas formatando o artigo para atender às diretrizes do periódico; se o artigo for rejeitado, gaste mais tempo reformatando-o para outro periódico; repita.
Agora, uma análise colocou um preço em todo esse trabalho árduo: US$ 230 milhões em tempo foram desperdiçados por cientistas em todo o mundo reformatando artigos enviados para revistas biomédicas apenas em 2021 1 . Chocados com esse custo exorbitante, os autores da análise, publicada na BMC Medicine em 10 de maio, propõem que os periódicos permitam submissões em formato livre para que os pesquisadores possam gastar seu tempo e dinheiro em pesquisas.
“Não consigo imaginar por que alguém se importaria com a aparência de um artigo na primeira vez que um periódico o vê”, diz David Shiffman, biólogo de conservação marinha da Arizona State University em Tempe, que não participou do estudo. “Não acho que seja um uso produtivo do meu tempo.”
Exigente, exigente
São principalmente as inconsistências entre as diretrizes dos periódicos que forçam os pesquisadores a reformatar e, às vezes, reescrever seus manuscritos, diz Laura Hilton, genômica do câncer no BC Cancer, um centro de atendimento em Vancouver, Canadá. Por exemplo, alguns periódicos exigem resumos gráficos, enquanto outros não; alguns combinam as seções de resultados e discussão, mas outros os mantêm separados. Os periódicos estabelecem limites extremamente diferentes para o número de caracteres no título de um artigo, a contagem de palavras do resumo, o tamanho da lista de referências e muito mais.
Nem todos os periódicos rejeitam submissões que não estejam de acordo com suas especificações, mas há uma pressão implícita para segui-las, diz Tibor Varga, epidemiologista da Universidade de Copenhague e coautor da análise. Pesquisadores que falaram com a Nature dizem que não se importam em formatar seus artigos para se adequarem ao estilo de uma revista, desde que estejam fazendo esse trabalho depois que seu estudo foi aceito.
Essa carga de tempo afeta desproporcionalmente os pesquisadores em início de carreira , diz Michelle Starr, nefrologista pediátrica da Escola de Medicina da Universidade de Indiana, em Indianápolis. “Quando as pessoas estiverem mais estabelecidas, elas podem ter uma equipe inteira que pode ajudar com esta peça.” Dos cinco manuscritos de Starr que os periódicos estão considerando, quatro deles retornaram a ela em poucos dias para que ela pudesse corrigir os erros de formatação encontrados pela equipe do periódico.
Para ter uma ideia do custo da reformatação, Varga e seus colegas estimaram ossalários acadêmicos médios por hora nos Estados Unidos e na União Européia, o tempo gasto na reformatação por manuscrito (quatro horas) e o número anual de reapresentações. Eles calcularam que, se as práticas atuais dos periódicos não mudarem, a reformatação pode custar cerca de US$ 2,5 bilhões em tempo dos pesquisadores entre 2022 e 2030. Muitos periódicos passaram a publicar pesquisas apenas online, o que significa que muitas dessas diretrizes de formatação são “artefatos históricos” de layouts de impressão, diz Varga.
Proposta de meio termo
Outros pesquisadores propuseram que todos os periódicos deveriam ter o mesmo conjunto de diretrizes ou permitir submissões em formato totalmente livre. Mas, com base em uma revisão das diretrizes de mais de 300 periódicos e entrevistas com cientistas e editores de periódicos, os autores recomendam uma solução “meio-termo” que permitiria aos pesquisadores enviar manuscritos sem seguir exigências específicas de formatação, mas, em vez disso, cumprir requisitos mínimos requisitos estruturais, como contagem total de palavras.
Varga e seus colegas estão planejando lançar uma campanha de divulgação “agressiva” para periódicos, editores, universidades, financiadores e organizações como o Comitê Internacional de Editores de Periódicos Médicos (ICMJE) para implementar suas recomendações. Eles já lançaram uma petição online que mais de 100 pessoas assinaram.
A coautora Amy Clotworthy, etnóloga da Universidade de Copenhague, diz que os autores se concentraram principalmente em revistas biomédicas porque elas tendem a ter um formato específico diferente, por exemplo, das publicações de ciências sociais. Mas ela diz que as recomendações dos autores para envios em formato livre também se aplicam a outras disciplinas.
Sistema insustentável
Christine Laine, editora-chefe da revista Annals of Internal Medicine com sede na Filadélfia, Pensilvânia, que é a secretaria do ICMJE, diz que, dado que existem milhares de revistas com diferentes “públicos e ‘personalidades’”, é “muitas vezes apropriado” para periódicos terem requisitos diferentes para contagem de palavras e outros aspectos de um artigo. Ela acrescenta que os editores da revista Annals submeteram manuscritos que não seguem suaorientação de formatação.
A Nature oferece uma longalista de diretrizes de formataçãopara manuscritos. Mas Magdalena Skipper, editora-chefe da Nature, com sede em Londres, diz que o formato inicial de uma submissão à revista “não influencia a consideração do manuscrito” e que a revista “considerará cuidadosamente” as sugestões apresentadas por a análise. ( A equipe de notícias da Nature é editorialmente independente de sua equipe de periódicos.)
Varga reconhece que alguns periódicos se tornaram mais tolerantes com a formatação do manuscrito na submissão. Mas há um sentimento crescente de que os pesquisadores não tolerarão práticas que “os incomodem muito”, diz ele. “O sistema atual não é sustentável.”
Documentos internos da gigante química Syngenta revelam táticas para patrocinar artigos científicos simpatizantes e enganar os reguladores sobre pesquisas desfavoráveis
por Carey Gillam para o The Guardian
A gigante química global Syngenta procurou influenciar secretamente a pesquisa científica sobre as ligações entre seu herbicida mais vendido e o mal de Parkinson, mostram documentos corporativos internos.
Embora vários pesquisadores independentes tenham determinado que o herbicida, paraquat, pode causar alterações neurológicas que são características do Mal de Parkinson, a Syngenta sempre sustentou que as evidências que ligam o paraquat a esta doença seriam “fragmentárias”e “inconclusivas” .
Mas o registro científico que eles apontam como prova da segurança do paraquat é o mesmo que funcionários, cientistas e advogados da Syngenta nos EUA e no Reino Unido trabalharam durante décadas para criar e, às vezes, manipular secretamente, de acordo com o tesouro de arquivos internos da Syngenta revisado pelo The Guardian e pelo New Lede.
Os arquivos revelam uma série de táticas, incluindo o recrutamento de um proeminente cientista do Reino Unido e outros pesquisadores externos que escreveram literatura científica que não revelou nenhum envolvimento com a Syngenta; enganar os reguladores sobre a existência de pesquisas desfavoráveis conduzidas por seus próprios cientistas; e envolvendo advogados para revisar e sugerir edições para relatórios científicos de forma a minimizar descobertas preocupantes.
Os arquivos também mostram que a Syngenta criou o que as autoridades chamam de “equipe Swat” para estar pronta para responder a novos relatórios científicos independentes que possam interferir na “liberdade de vender” o paraquat da Syngenta . O grupo, também conhecido como “Equipe de Gerenciamento de Comunicações do Paraquat”, deveria se reunir “imediatamente após a notificação” da publicação de um novo estudo, “fazer a triagem da situação” e planejar uma resposta, inclusive comissionando uma “crítica científica”.
Um dos principais objetivos era “criar um consenso científico internacional contra a hipótese de que o paraquat é um fator de risco para o Mal de Parkinson”, afirmam os documentos.
Em outro exemplo de tática da empresa, um advogado externo contratado pela Syngenta para trabalhar com seus cientistas foi solicitado a revisar e sugerir edições nas atas de reuniões internas relacionadas à segurança do paraquat. O advogado pressionou os cientistas a alterarem a “linguagem problemática” e as conclusões científicas consideradas “inúteis” para a defesa corporativa do paraquat.
A decisão da Syngenta de envolver advogados na edição de seus relatórios científicos e outras comunicações de forma a minimizar as descobertas potencialmente relacionadas à saúde pública é inaceitável, disse Wendy Wagner, professora de direito da Universidade do Texas que atuou em várias Academias Nacionais de Ciências comitês. “Claramente, os advogados estão envolvidos para limitar a responsabilidade”, disse ela.
“Isso acontece regularmente nos casos em que a pesquisa interna de uma corporação a coloca em alto risco de processos judiciais caros. Lamentavelmente, esse tipo de redação legal eficaz de relatórios científicos acontece com muita frequência na indústria química. Cientificamente, não parece aceitável”, disse Wagner.
Quando solicitado a comentar sobre o conteúdo dos documentos, um porta-voz da Syngenta disse: “Nos preocupamos profundamente com a saúde e o bem-estar dos agricultores e nos dedicamos a fornecer a eles produtos seguros e eficazes. Como uma empresa responsável, gastamos milhões de dólares em testes de nossos produtos para torná-los seguros para o uso pretendido”.
A Syngenta disse ainda que houve mais de 1.200 estudos de paraquat e nenhum “estabeleceu uma conexão causal entre o paraquat e a doença de Parkinson”.
No entanto, muitos cientistas discordam dessa posição. Algumas pesquisas mostraram que o paraquat aumenta o risco de Mal de Parkinson em150%e é citado em um livro de 2020 , Ending Parkinson’s Disease, por quatro dos principais neurologistas do mundo como um fator causal para a doença.
Os documentos que revelam os esforços da Syngenta para influenciar a ciência baseiam-se em outras evidências de práticas corporativas questionáveis com relação ao paraquat. Um conjunto de documentos internosrevelados no ano passado pelo The Guardian e pelo New Lede deixou claro, entre outras coisas, que a Syngenta tinha evidências há 50 anos de que o paraquat poderia se acumular no cérebro humano.
Esses documentos mostraram que a Syngenta estava ciente há décadas de evidências de que a exposição ao paraquat poderia prejudicar o sistema nervoso central, desencadeando tremores e outros sintomas em animais experimentais semelhantes aos sofridos por pessoas com Parkinson.
Eles também mostraram que a Syngenta trabalhou secretamente para impedir que um cientista conceituado que estuda as causas do Parkinson participasse de um painel consultivo da Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA), o principal regulador dos EUA para paraquat e outros agrotóxicos.
Os novos documentos surgiram em um momento delicado para a Syngenta. Em menos de seis meses, a gigante química suíça enfrenta o primeiro julgamento em litígio movido por agricultores americanos e outros que alegam que o herbicida paraquat da empresa causa o mal de Parkinson.
Influenciar trabalhos futuros’ de pesquisadores
Era 2003 e os executivos da Syngenta deveriam estar comemorando: o herbicida paraquat autoproclamado “blockbuster” da empresa, vendido sob a marca Gramoxone, era considerado um dos melhores herbicidas do mundo, usado por agricultores em todo o mundo. As vendas de US$ 420 milhões foram previstas a partir de um crescimento constante do seu consumo.
Mas, ao mesmo tempo, vários pesquisadores independentes relataram cada vez mais evidências de que o herbicida pode ser a causa do aumento dos níveis do Mal de Parkinson, uma doençaobservada principalmente em agricultores. Cerca de 90.000 americanos são diagnosticados a cada ano com o Mal de Parkinson. Os sintomas incluem tremores, rigidez dos músculos, perda de coordenação e dificuldade para falar.
Diante da pesquisa em desenvolvimento, mostram os novos documentos, a Syngenta decidiu que precisava de uma “estratégia coerente em todas as disciplinas com foco na influência externa, que difundisse proativamente as ameaças potenciais que enfrentamos”, de acordo com a ata de junho de 2003 da empresa. reunião.
Para atingir esse objetivo, a empresa estabeleceu vários objetivos, incluindo a tentativa de “influenciar futuros trabalhos de pesquisadores externos sempre que possível”.
Uma estratégia importante foi a contratação de cientistas de fora da empresa que pudessem escrever artigos que apoiassem a defesa do paraquat pela Syngenta.
Estratégias semelhantes foram adotadas por outras empresas químicas e em outras indústrias quando surgiram questões de segurança sobre produtos lucrativos. Descobriu-se que a Monsanto, por exemplo, escreveuestudos científicos sobre um produto químico amplamente usado chamado glifosato, o ingrediente ativo do herbicida Roundup da Monsanto.
A sinalização da Syngenta é exibida do lado de fora do estande da empresa durante o Farm Progress Show em Decatur, Illinois, em agosto de 2017. Fotografia: Bloomberg/Getty Images
Os registros recém-descobertos mostram que entre os cientistas com os quais a Syngenta tinha um acordo de consultoria estava o proeminente patologista britânico Sir Colin Berry, que em 2003 se tornou presidente da Academia Britânica de Ciências Forenses.
De acordo com o depoimento prestado pelo principal cientista da Syngenta, Philip Botham, e outros registros, Berry tornou-se um participante da “equipe ampliada de ciências da saúde” da Syngenta, participando de reuniões da empresa sobre paraquat. A empresa teve vários relacionamentos semelhantes com cientistas externos que escreveram artigos para enviar a revistas científicas, mostram os registros.
Berry foi coautor de um artigo publicado em 2010 intitulado “Paraquat and Parkinson’s Disease” em Cell Death & Differentiation, uma revista de propriedade da Nature Portfolio. A pesquisa do artigo seria “limitada” e baseada em dados “insuficientes”. Junto com Berry, dois outros cientistas externos foram listados como autores.
A declaração de ética do jornal não revelou que nenhum dos três tinha um relacionamento específico com a Syngenta. Afirmou apenas que “os pesquisadores trabalharam com empresas farmacêuticas e químicas como consultores externos. Este trabalho reflete sua experiência científica e pontos de vista independentes”.
Mas um memorando de um advogado que assessora a Syngenta sugere que o trabalho não foi independente. O memorando enfatiza a “importância de publicar proativamente estudos de pesquisa que desacreditam a suposta conexão entre paraquat e a doença de Parkinson” – e cita, nesse contexto, o “trabalho contínuo (patrocinado pela Syngenta)” de Berry e os outros dois autores da publicação de 2010 papel.
O mesmo memorando observou que o conhecimento público do trabalho “patrocinado pela Syngenta” poderia ter “consequências adversas”.
A Syngenta cita o estudo em seu website “Paraquat information center”.
Quando questionado sobre seu trabalho para a Syngenta, Berry reconheceu um relacionamento contínuo, mas disse que o jornal de 2010 não foi “patrocinado” pela empresa. Ele disse que atualmente atua como presidente de um “comitê de ética” da Syngenta.
Outro autor do artigo, Pierluigi Nicotera, diretor científico e presidente do conselho executivo do Centro Alemão de Doenças Neurodegenerativas, disse que seu contrato de consultoria com a Syngenta terminou em 2008 e ele não foi pago para escrever o artigo de 2010. Ele disse que o artigo “refletia as opiniões dos autores com base nos dados disponíveis na época”. Ele disse que não sabia por que a Syngenta se referiria ao trabalho dele, de Berry e do outro autor como patrocinado pela empresa.
“Até hoje, continuo fortemente cético sobre a ligação entre o uso de paraquat e Parkinson”, disse Nicotera. “Uma ligação entre exposição e doença só é sugerida por estudos epidemiológicos, que, como você sabe, não estabelecem uma relação de causa e efeito, mas apenas riscos genéricos”.
O terceiro autor não respondeu a um pedido de comentário.
Experimentos com animais
Embora tenha funcionado para divulgar pesquisas que apoiavam a segurança do paraquat, a Syngenta manteve silêncio sobre uma série de experimentos internos com animais que analisaram os impactos do paraquat no cérebro de camundongos, de acordo com registros da empresa e depoimentos.
Os cientistas que estudam a doença de Parkinson estabeleceram que os sintomas se desenvolvem quando os neurônios produtores de dopamina em uma área específica do cérebro chamada substância negra pars compacta (SNpc) são perdidos ou degenerados. Sem produção suficiente de dopamina, o cérebro não é capaz de transmitir sinais entre as células para controlar o movimento e o equilíbrio.
A cientista da Syngenta, Louise Marks, fez uma série de estudos com camundongos entre 2003 e 2007 que confirmaram o mesmo tipo de impacto cerebral da exposição ao paraquat que pesquisadores externos haviam encontrado. Ela concluiu que as injeções de paraquat nos camundongos de laboratório resultaram em uma perda “estatisticamente significativa” dos níveis de dopamina na substância negra pars compacta .
A Syngenta não publicou a pesquisa de Marks, nem compartilhou os resultados com a EPA. Em vez disso, os documentos mostram que quando a Syngenta se reuniu com funcionários da EPA em fevereiro de 2013 para atualizar a agência sobre sua pesquisa interna sobre o potencial do paraquat causar a doença de Parkinson, não houve menção aos resultados adversos dos estudos de Marks. Em vez disso, a Syngenta disse à EPA que estudos internos mostraram que altas doses de paraquat não reduziram os neurônios produtores de dopamina, contrariando diretamente as conclusões de Marks.
Em uma apresentação de acompanhamento da “Atualização do Programa de Pesquisa do Paraquat ” aos funcionários da EPA em fevereiro de 2017, a Syngenta manteve essa posição. A apresentação afirmou que uma série de estudos com animais da Syngenta não encontrou “efeito estatisticamente significativo do [paraquat] no número de células neuronais dopaminérgicas”. Mais uma vez, a empresa não mencionou as conclusões do estudo de Marks à EPA, de acordo com o depoimento do executivo da Syngenta, Montague Dixon, que atua como o principal contato da empresa com a EPA.
A apresentação à EPA concluiu que o paraquat “não tinha efeito” no cérebro e que “não havia suporte para uma relação causal entre o paraquat e o Parkinson”.
Enquanto a Syngenta determinava quais estudos compartilhar com a EPA, os funcionários da empresa também estavam alertas para pesquisas externas relacionadas ao paraquat e ao Parkinson. Parte disso envolvia a unidade interna da Syngenta chamada de “equipe Swat”.
O trabalho da equipe Syngenta Swat incluiu não apenas cientistas, mas representantes do departamento jurídico e de assuntos corporativos da empresa, e envolveu uma variedade de táticas potenciais para responder a artigos científicos independentes, mostram os registros. Em um e-mail de 2011, designado “COMUNICAÇÃO CONFIDENCIAL E PRIVILEGIADA”, sinalizou um estudo epidemiológico analisando fatores de risco para causas de Parkinson por cientistas não-Syngenta a serem abordados pela equipe do Swat para uma resposta.
As ações sugeridas incluíram a produção de uma “declaração de posição” da empresa ou uma “revisão crítica mais ampla da abordagem” usada pelos pesquisadores externos em seu artigo.
Trazendo os advogados
Era o início de 2008 quando os cientistas da Syngenta se reuniram em Atlanta, Geórgia, para discutir as pesquisas mais recentes sobre o paraquat e a doença de Parkinson. Um advogado de defesa corporativo chamado Jeffrey Wolff participou da reunião.
Embora a reunião tenha sido ostensivamente chamada de “Revisão Científica”, Wolff passou 30 minutos aconselhando os cientistas sobre como eles deveriam fazer anotações e gerenciar suas comunicações de maneira que permitisse à empresa posteriormente manter o trabalho longe da vista do público, alegando “advogado privilégio do cliente” em caso de litígio, de acordo com o depoimento de um importante cientista da Syngenta e documentos internos.
Wolff “estava nos orientando sobre como nos comunicar”, disse o cientista Philip Botham em seu depoimento.
As “notas de ação” daquela reunião afirmavam que “o trabalho de estudo deve ser rotulado como Material de Doutrina de Produto de Trabalho Confidencial e conter a declaração de Privilégio do Cliente do Advogado”.
Wolff então se envolveu mais profundamente, mostram os registros. O advogado foi solicitado a comentar sobre um documento de estratégia científica do paraquat detalhando um plano para certos estudos de paraquat a serem realizados e enviou de volta comentários “destinados a melhorá-lo no caso de cair nas mãos de adversários”.
Em julho de 2008, um advogado interno da Syngenta enviou um e-mail a Wolff pedindo sua “revisão e comentário” sobre notas e atas de reuniões internas relacionadas a uma avaliação de risco da exposição ao paraquat. Os advogados internos disseram a Wolff que havia “uma série de declarações no jornal que, tiradas do contexto, seriam potencialmente inúteis”.
Por exemplo, os cientistas da Syngenta escreveram que, em testes de laboratório com paraquat, “a única descoberta consistente do corpo de estudos com animais é a perda de neurônios dopaminérgicos na substância negra pars compacta (de camundongos machos) real, estar relacionado ao tratamento e ser de natureza adversa. Na ausência de evidência em contrário, é prudente assumir que esta descoberta é potencialmente qualitativamente relevante para o homem”.
Wolff escreveu de volta sugerindo a remoção das palavras “e ser adverso por natureza”, questionando a frase da relevância para os seres humanos e outras mudanças, concordando com o advogado interno que a declaração em geral era “inútil”.
Entre outros casos, em 2009, os registros mostram que Wolff trabalhou com um advogado interno da empresa para editar uma apresentação de um cientista da empresa para a equipe de liderança da Syngenta intitulada “Paraquat e a doença de Parkinson”.
Wolff expressou preocupação com “declarações contundentes” e a “natureza sensível do assunto”, e aconselhou que apenas uma única cópia eletrônica fosse apresentada porque “não era do interesse da Syngenta que várias cópias deste documento estivessem em circulação”.
Em uma edição importante, Wolff sugeriu excluir uma declaração que dizia: “A combinação de dados experimentais e dados epidemiológicos fornece plausibilidade à alegação de que PQ [paraquat] está implicado na DP [doença de Parkinson].”
Wolff também discordou de uma declaração que dizia que apenas uma pequena porcentagem dos casos de Parkinson era genética, com a “maioria resultante de ambiente genético ou causas ambientais”. Wolff sugeriu, em vez disso, que a apresentação dissesse “A grande maioria dos casos de DP é idiopática ou de causa desconhecida”.
Hoje estábem estabelecido que a grande maioria dos casos de Parkinson não é causada pela genética e que fatores ambientais, incluindo poluição do ar e agrotóxicos, desempenham um papel importante.
Em outra rodada de edições em uma apresentação de slides científica, Wolff recomendou a exclusão de uma declaração que dizia “Podemos mostrar perda de células” na substância negra pars compacta . A declaração foi “uma admissão inútil que confirma afirmações inúteis feitas na literatura” sobre o paraquat. Ele disse que a observação poderia ser feita verbalmente.
Ele também pediu aos cientistas que revisassem um slide que, segundo ele, “sugere que a exposição ao [paraquat] leva à morte celular e danos diretos às células neuronais”. Os registros mostram que slides revisados foram criados.
Em 2009, Wolff deu um passo adiante, discutindo o envolvimento jurídico na produção de pesquisas. Ele aconselhou a empresa a usar consultoria jurídica externa na preparação de um estudo epidemiológico, que envolveria discussões com ex-trabalhadores sobre sua exposição ao paraquat em uma fábrica da empresa em Widnes, noroeste da Inglaterra.
Uma comunicação do advogado Jeffrey Wolff na qual ele discute se as entrevistas com ex-trabalhadores da Syngenta em Widnes seriam confidenciais.
Um cientista da empresa planejava fazer as entrevistas. Mas Wolff escreveu no memorando que se o cientista fizesse as entrevistas “é muito provável que qualquer informação que ele aprenda ou resumos de entrevistas por escrito que ele prepare não sejam protegidos pelos privilégios advogado-cliente ou produto do trabalho”.
As entrevistas realizadas por um advogado, por outro lado, poderiam ser mantidas em sigilo com mais facilidade. “O mais alto nível de proteção seria fornecido se as entrevistas fossem conduzidas por um advogado externo.”
Wolff não respondeu a um pedido de comentário.
‘Porta giratória’
O envolvimento de advogados com os cientistas da Syngenta parece semelhante a práticas altamente criticadas pela indústria do tabaco nas décadas de 1970 e 1980, que minimizavam os perigos do fumo, disse Thomas McGarity, ex-consultor jurídico da EPA e coautor do livro de 2008 intituladoDobrando a Ciência: Como Interesses Especiais Corrompem a Pesquisa em Saúde Pública.
“Parece que o fabricante de paraquat adotou quase todas as estratégias que delineamos em nosso livro sobre como distorcer a ciência”, disse McGarity.
“A ciência importa. Temos que ser capazes de depender da ciência”, disse ele. “Quando é pervertido, quando é manipulado, obtemos maus resultados. E um resultado é que os agrotóxicos que causam coisas terríveis como o mal de Parkinson permanecem no mercado”.
Um trator pulveriza agrotóxico sobre um campo verde. Fotografia: fotokostic/Getty Images/iStockphoto
Quando ele trabalhava na EPA, os lobistas de agrotóxicos eram tão persistentes em tentar influenciar as autoridades que os funcionários da agência se referiam a eles como “rastreadores de corredor”, disse McGarity.
A agência tem um histórico de relações estreitas com a indústria, e os críticos dizem que há uma “porta giratória” de funcionários que se movem entre os dois, resultando em regulamentação frouxa.
De fato, o tesouro de documentos da Syngenta revela que seu escritório de advocacia contratou um alto funcionário aposentado da EPA como testemunha especialista para ajudar a defender a empresa no litígio. Jack Housenger, diretor até fevereiro de 2017 do Escritório de Programas de Agrotóxicos da EPA, que é o principal regulador do paraquat e outros agrotóxicos concordou em fazê-lo por US$ 300 a hora.
Housenger não respondeu a um pedido de comentário. Em um relatório que escreveu para a defesa da Syngenta, ele disse que a EPA realizou uma “análise aprofundada” da associação entre paraquat e Parkinson e descobriu que há “evidências insuficientes” de uma relação entre o herbicida e a doença.
Este texto originalmente escrito em inglês foi publicado pelo jornal “The Guardian” [Aqui!].
Daniela Mercury, cantora, ativista e integrante da Comissão Arns, e Zélia Duncan, cantora e compositora, estão entre os artistas que participaram da mobilização, que ocorreu nesta quarta-feira (07/06), nas escadarias do Theatro Municipal de São Paulo.
A presidente de honra da Comissão Arns, Margarida Genevois, estava presente ao lado dos ex-ministros José Carlos Dias, Paulo Vannuchi e Paulo Sergio Pinheiro, da antropóloga Manuela Carneiro da Cunha, das sociólogas Maria Victoria Benevides e Maria Hermínia Tavares, do ex-senador italiano José Luiz del Roio, da ativista Cida Bento, da jornalista e diretora-executiva Laura Greenhalgh, e dos advogados Antonio Mariz de Oliveira, Belisário dos Santos Jr. e Oscar Vilhena, todos membros da entidade.
Ato foi organizado pela Comissão Arns, Apib, Instituto Vladimir Herzog, Comissão Justiça e Paz e Comissão de Direitos Humanos da OAB-SP.
São Paulo, 07 de junho de 2023 – Nesta quarta-feira (07/06), dia em que o Supremo Tribunal Federal (STF) retomou a tese do marco temporal, representantes da sociedade civil se mobilizaram junto a artistas e lideranças indígenas no ato “Marco Temporal, não!”, organizado pela Comissão de Defesa dos Direitos Humanos D. Paulo Evaristo Arns, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), o Instituto Vladimir Herzog, a Comissão Justiça e Paz e a Comissão de Direitos Humanos da OAB-SP. A cantora Daniela Mercury, ativista e integrante da Comissão Arns, e a cantora e compositora Zélia Duncan estão entre os artistas que participaram do ato, realizado na hora do almoço nas escadarias do Theatro Municipal de São Paulo, no centro da capital.
Também estiveram presentes lideranças indígenas de diversas etnias, como Guarani, Kariri-Xokó, Fulni-ô, Pankararé, Pankararu, Maxakali e Pataxó, que realizaram cerimônias e apresentações tradicionais. O ex-ministro da Justiça José Carlos Dias, presidente da Comissão Arns, se juntou a eles no clamor para que os ministros do Supremo Tribunal Federal rejeitem a tese, considerada uma ameaça aos direitos dos povos indígenas, na sessão desta quarta-feira. Dias estava no ato ao lado de Margarida Genevois, presidente de honra da Comissão Arns e uma referência em todo o país na defesa dos direitos humanos, dos ex-ministros Paulo Vannuchi e Paulo Sergio Pinheiro, da antropóloga Manuela Carneiro da Cunha, das sociólogas Maria Victoria Benevides e Maria Hermínia Tavares, do ex-senador italiano José Luiz del Roio, da ativista Cida Bento, da jornalista e diretora-executiva Laura Greenhalgh, e dos advogados Antonio Mariz de Oliveira, Belisário dos Santos Jr. e Oscar Vilhena, todos membros da entidade.
O tema do marco temporal voltou ao crivo do STF em uma ação específica de reivindicação de terras indígenas em Santa Catarina, mas a decisão deve repercutir nos casos semelhantes em todas as instâncias da Justiça. Após o voto do ministro Alexandre de Moraes contra a tese, o ministro André Mendonça pediu vistas e o julgamento foi suspenso. De acordo com o regimento interno da corte, ele terá até 90 dias para devolver a ação ao plenário do Supremo.
Para a antropóloga Manuela Carneiro da Cunha, que tem longa trajetória na defesa dos povos indígenas, o marco temporal é um retrocesso climático e humanitário que pode colocar em xeque não só a sobrevivência dos povos indígenas, mas também o futuro do nosso planeta. “É uma ameaça para a gente, para as florestas, para os rios e até para a agricultura, pois é um incentivo à grilagem, às invasões e à criminalidade. Por isso digo ‘Não ao marco temporal!’’.
Por Nayara Felizardo para o “The Intercept Brasil”
Ao menos 20 empresários do agronegócio desembolsaram, juntos, R$ 2,1 milhões para financiar as campanhas de nove parlamentares que agora são membros daComissão de Saúdena Câmara dos Deputados. O levantamento feito pelo Intercept considerou apenas as doações a partir de R$ 50 mil. A quantia e o número de membros favorecidos, portanto, pode ser ainda maior.
Recriada este anoa partir da separação da Comissão de Seguridade Social e Família, a Comissão de Saúde é responsável por analisar projetos de lei e outras propostas legislativas relacionadas ao tema. Os principais financiadores dos parlamentares que discutem como alimentação e nutrição, SUS e patentes lucram com venda de açúcar, batata frita, ultraprocessados e até cachaça. Não por acaso, propostas como a maior tributação desses alimentos ou a regulamentação de publicidade do setor têm encontrado resistência para serem aprovadas.
Quem mais deu dinheiro para a campanha de titulares da comissão foi o empresário Robert Carlos Lyra, que atua no ramo sucroalcooleiro em Minas Gerais. Foram R$ 400 mil, divididos igualmente entre o atual presidente da comissão, Zé Vitor, do PL, e o deputado Pinheirinho, do PP.
Em 2009, quando ainda era sócio da Usina Caeté, em Alagoas, Lyra foidenunciado pelo Ministério Público Federal, o MPF. A investigação apontou que a empresa teria cometido 16 crimes ambientais desde 2001 e foi autuada seis vezes pelo Ibama entre 2005 e 2007, mas nunca obedeceu às ordens para interromper o desmatamento e recuperar a área degradada. Ao todo, teriam sido devastados 28 hectares para plantar cana-de-açúcar em área de preservação permanente na Unidade de Conservação Federal Reserva Extrativista, no município de Jequiá da Praia, a 61 quilômetros de Maceió.
Inicialmente Lyra e os outros réus foram absolvidos, mas o MPF recorreu, de acordo com a assessoria de imprensa do órgão. Em 2021, o processo retornou à primeira instância para análise das provas. O MPF reiterou o pedido de condenação de todos eles e o processo está em andamento.
A usina Caeté faz parte do Grupo Carlos Lyra, que até 2012 incluía também as usinas de Minas Gerais. Depois de uma cisão naquele ano, as usinas de Alagoas continuaram como parte do grupo, e Lyra ficou com as do Sudeste, dando origem a uma nova empresa, a Delta Sucroenergia.
Segundo arevista Forbes, 11 anos após seu surgimento, a Delta figura entre as 100 maiores do agronegócio brasileiro. Com a produção de açúcar para exportação e para o mercado interno, além de etanol e bioenergia, a empresa tem uma receita anual de R$ 2,14 bilhões. Em 2022, a Federação das Indústrias de Minas Gerais elegeu Lyra oindustrial do ano.
Além dos deputados Zé Vitor e Pinheirinho, Lyra também ajudou financeiramente a campanha de Jair Bolsonaro em 2022, com uma doação de R$ 300 mil, e de mais sete deputados mineiros que não estão na Comissão de Saúde. O empresário ocupa o 22º lugar no ranking de doadores, com mais de R$ 1,8 milhão desembolsados.
O segundo maior doador para campanhas de deputados que agora ocupam a Comissão de Saúde foi Renato Romeu Sorgatto, produtor de tomate e dono de uma fábrica de processamento que fornece polpa para o mercado de molhos, ketchup e pratos congelados. Ele desembolsou R$ 320 mil para Célio Silveira, do MDB de Goiás. A quantia representa mais da metade de todas as doações de pessoas físicas e deixa o deputado em segundo lugar entre os membros que mais receberam financiamento do agronegócio, atrás apenas do presidente da comissão, Zé Vitor, que recebeu mais de R$ 900 mil.
Deputado Zé Vitor, presidente da comissão de Saúde. Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados
Agrados ao presidente da comissão
Em razão do seu posto, cabe ao deputado Zé Vitor indicar os relatores dos projetos de lei que tramitam na Comissão de Saúde, além de definir o que entra na pauta de votação ou fica engavetado. Por isso, é relevante saber quem são seus financiadores e que interesses eles defendem. Considerando apenas as doações a partir de R$ 50 mil, o parlamentar do PL recebeu R$ R$ 925.489,10 mil de 10 empresários, principalmente do ramo sucroalcooleiro. O valor representa 47,7% de todas as doações de pessoas físicas.
Assim como Robert Carlos Lyra, João Emílio Rocheto foi um dos maiores financiadores de campanha do deputado: doou R$ 200 mil. O empresário é fundador da Bem Brasil, uma fabricante de batatas pré-fritas congeladas que tem uma série de redes de fast food entre seus clientes.
Zé Vitor está no segundo mandato e atualmente faz parte de 10 frentes parlamentares relacionadas à saúde, mas sua trajetória sempre esteve ligada ao agronegócio. Ele também é membro da Frente Parlamentar da Agropecuária e sócio-administrador da empresa Campo Brasil, do ramo de alimentos e fertilizantes.
Gráfico: Rodrigo Bento/Intercept Brasil
O deputado Zé Vitor não respondeu o e-mail que enviamos. Exceto o Grupo Cerradinho, que não conseguimos contato para enviar os questionamentos, todas as empresas cujos donos financiaram a campanha do parlamentar receberam nossos e-mails, mas não responderam até o fechamento dessa reportagem.
Projetos contra alimentos nocivos emperram
Odossiê“Big Food: como a indústria interfere em políticas de alimentação”, lançado em 2022 pela ONG ACT Promoção em Saúde e pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor, mostra quais são as estratégias do setor, incluindo as grandes corporações do agronegócio, para alterar, atrasar ou anular políticas públicas que poderiam melhorar a qualidade de vida dos consumidores, mas ameaçam o lucro das empresas.
A interferência se dá, entre outras formas, por meio de lobby direto ou indireto com os parlamentares, financiamento de políticos e partidos ou mesmo ameaça de retirada de incentivos. As doações de campanha são uma das maneiras de influenciar diretamente os deputados, para que eles votem de acordo com os interesses dos seus financiadores.
Segundo um levantamento da ONG, ao menos 11 projetos de lei que tramitam na Câmara de Deputados contrariam interesses do agronegócio – oito deles passaram, já estão ou ainda vão passar pela Comissão de Saúde. Desses, três dispõem sobre comércio e publicidade de bebidas com baixo teor nutricional e alimentos ultraprocessados ou com quantidades elevadas de açúcar, gordura saturada, gordura trans e sódio. Outros três projetos tratam da rotulagem desses produtos e de bebidas industrializadas, para alertar sobre os riscos do consumo em excesso. Por fim, dois projetos propõem aumentar os impostos para bebidas não-alcoólicas, ou produtos com adição de açúcar, edulcorantes e aromatizantes.
‘O agronegócio influencia diretamente a agenda regulatória da saúde.’
Paula Johns, diretora executiva da ACT e membro do comitê gestor da Aliança pela Alimentação Adequada e Saudável, afirma que o agronegócio influencia diretamente a agenda regulatória da saúde, seja por meio das entidades representativas do setor, como o Instituto Pensar Agro, ou de forma institucional, por meio da Frente Parlamentar Agropecuária.
Segundo ela, está mais difícil aprovar na Comissão de Saúde projetos de lei que antes passariam facilmente, diante de evidências científicas que justificassem a importância de determinada regulação – a exemplo dos alimentos ultraprocessados, cujo consumo está associado ao aumento de problemas de saúde como obesidade, hipertensão e diabetes.
Gráfico: Rodrigo Bento/Intercept Brasil
“Acompanho o Congresso há 20 anos. Havia uma certa garantia de que a gente conseguia avançar com as propostas regulatórias na Comissão de Saúde. Os projetos normalmente paralisavam na Comissão de Assuntos Econômicos. Agora, aumentou o grupo de resistência”, afirmou Johns.
Osmar Terra recebeu R$ 300 mil
Cinco empresários do Grupo Alibem, produtor de carne bovina e suína, além de ultraprocessados, doaram para a campanha de outro membro da Comissão de Saúde, o deputado Osmar Terra, do MDB do Rio Grande do Sul. Médico de formação, ele se destacou como um negacionistadurante a pandemia. Em 2020, chegou a propor um projeto de leicontra o isolamento de pessoas que já tivessem contraído o vírus da covid-19, como se não fosse possível se contaminar novamente e transmitir o vírus para outras pessoas.
Nada disso foi relevante para os empresários Eduardo Shen Pacheco da Silva, José Roberto Fraga Goulart, Lee Shing Wen, Maximiliano Chang Lee e Michele Shen Lee. Juntos, eles desembolsaram R$ 250 mil para o negacionista de uma pandemia que causaria mais de700 mil mortes no Brasil. O valor representa 45% de todas as doações feitas ao deputado por pessoas físicas.
O Grupo Alibem foi alvo de umaoperação da Polícia Federal em 2015, que investigou casos de corrupção envolvendo empresas do agronegócio gaúcho e a Superintendência Federal da Agricultura no Rio Grande do Sul. De acordo com a denúncia, a Alibem teria oferecido propina para o então superintendente Francisco Signor, para que ele a favorecesse com fiscalizações menos rígidas em seus frigoríficos. Seis anos após a operação, em 2021, o Ministério da Agricultura multou a Alibem em R$ 159,2 milhões com base na Lei Anticorrupção. O Ministério da Agricultura não respondeu se a multa foi paga.
Em julho de 2018, quando a investigação ainda estava em andamento, o deputado Osmar Terra acompanhou o empresário Roberto Fraga Goulartem uma reunião com o então secretário executivo do Ministério da Agricultura e Pecuária no governo de Michel Temer, Eumar Roberto Novacki. O órgão também não respondeu qual foi a pauta do encontro, assim como Terra e Goulart. As perguntas foram enviadas por e-mail.
Outro empresário que se interessou em financiar a campanha de um negacionista foi Gilson Lari Trennepohl, dono da Stara Máquinas Agrícolas. Logo após o primeiro turno da eleição de 2022, a empresa enviou uma carta aos fornecedores, comunicando que reduziria sua base orçamentária em 30%, caso Lula ganhasse. Ele doou R$ 50 mil para a campanha de Osmar Terra e a mesma quantia para o deputado Pedro Westphalen, do PP, que é o terceiro vice-presidente da Comissão de Saúde. Já Bolsonaro recebeu R$ 350 mil.
Assim como Terra, os empresários do agronegócio que financiaram sua campanha não responderam o contato que fizemos por e-mail.
Gráfico: Rodrigo Bento/Intercept Brasil
Apenas o deputado Ruy Carneiro respondeu nosso contato e disse que integra a Comissão de Saúde há muito tempo. Ele acrescentou também que nunca integrou a bancada do agronegócio e até apresentou um projeto que contraria os interesses do setor – o PL do Bem-estar Animal, que disciplina o abate de animais pela indústria agropecuária. “Com relação às doações, todas foram realizadas seguindo rigorosamente o que determina a lei e de forma transparente”, rebateu.
Com exceção da Cachaça Pitu e do Grupo Vale do Verdão, que não conseguimos contato para enviar os questionamentos, todas as empresas receberam nossos e-mails, mas não responderam nossos questionamentos.
Johns defende a necessidade de a sociedade civil formar uma frente ampla que envolva as questões de saúde, de justiça social e ambiental para enfrentar o lobby do agronegócio. “Se a gente não descobrir uma maneira de impedir a escalada dessa influência, vamos ficar patinando. Hoje, não conseguimos avançar com nenhum tema, ou avançamos a passo de cágado”.
Esta reportagem foi produzida com o apoio do Instituto Serrapilheira.
Este texto foi orginalmente publicado pelo site “The Intercept Brasil” [Aqui!].
País tem uma das maiores taxas do ranking, em 4ª posição no G20 e na América Latina
Com 9,4 milhões de desempregados, o Brasil é o 4ª país com mais desempregados do G20.
Somente a África do Sul, Espanha e Turquia ficam a frente do Brasil, que possui 8,8% de desempregados.
Na ponta oposta, Singapura é o país com a menor taxa de desemprego, com apenas 1,8%.
É o que revela um estudo divulgado pela plataforma de descontos CupomValido.com.br sobre os dados de desemprego.
Ao comparar com países da América Latina, o Brasil também fica na 4ª posição, atrás do Haiti, Costa Rica e Colômbia.
Já a Guatemala é o país que tem a menor taxa de desemprego na América Latina, com 2,2%.
Cenário de Desemprego no Brasil
Com 12,2% de desempregados, o Nordeste é a região com a maior taxa de desempregados do Brasil.
O valor é mais que duas vezes o valor da região Sul, com 5,0%, sendo a região com a menor taxa.
O Centro-Oeste, Sudeste e Norte, estão respectivamente com as taxas: 7,0%, 8,6% e 9,1%.
No Brasil existem 97,8 milhões de pessoas ocupadas (que exerce atividade profissional, seja formal ou informal), e o valor expressivo de 9,4 milhões de desempregados.
Um outro número que impressiona, é a quantidade de desalentados (pessoas que desistem de procurar emprego). Atualmente existem mais de 3,9 milhões de desalentados no Brasil.
Além das perdas para as comunidades tradicionais, decisões colocam em risco a segurança climática da Amazônia e do país
Um estudo inédito produzido pelo IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) alerta para um potencial de destruição futura da vegetação nativa na Amazônia Legal – abrangendo também parte do Cerrado e Pantanal -, caso sejam aprovados o projeto de lei (490/2007 na Câmara dos Deputados, encaminhado como 2903/2023 no Senado Federal), que restringe a demarcação de terras indígenas, e a fixação do marco temporal pelo Supremo Tribunal Federal. A estimativa é que entre 23 milhões de hectares e 55 milhões de hectares de áreas nativas sejam desmatados e possam desaparecer, resultando na emissão de 7,6 a 18,7 bilhões de toneladas de carbono, equivalentes a 5 e 14 anos de emissões do Brasil, ou a 90 e 200 anos de emissões dos processos industriais, respectivamente.
“Além de serem totalmente descabidas à luz da Constituição Federal, que protege o direito dos povos indígenas às suas terras, o projeto de lei e a tese do marco temporal ainda colocarão em risco o equilíbrio climático da região Amazônica, afetando o país como um todo. Podemos dar adeus à meta de desmatamento zero do atual governo e ao compromisso do país em reduzir as emissões de carbono. Nos aproximaremos perigosamente do “ponto sem retorno” que dezenas de cientistas vêm preconizando; estas iniciativas esdrúxulas ameaçam a segurança nacional”, afirmou Paulo Moutinho, pesquisador sênior do IPAM e coordenador do estudo.
A análise do IPAM levou em consideração 385 terras indígenas, cujo decreto de homologação foi assinado após a Constituição Federal de 1988.
Os pesquisadores levantaram dois cenários para as TIs existentes: I. grave, com previsão de desmatamento futuro de 20% nas terras indígenas na Amazônia e de 50% para Cerrado e Pantanal; e II. muito grave, com desmatamento de 50% nas terras indígenas da Amazônia e de 70% para Cerrado e Pantanal.
O avanço da destruição da vegetação nativa, previsto pelo estudo, trará implicações para o regime de chuvas na região, com consequentes alterações nas condições climáticas em todo o país. Os impactos na agricultura, pecuária e geração de energia poderão ser particularmente relevantes. Efeitos das mudanças climáticas em curso já afetam a produção em 28% das áreas agrícolas de soja e milho no centro-oeste brasileiro. Sem adaptação, a porcentagem de agricultura fora do ideal climático no Brasil pode chegar a 50% na próxima década e a 70% em trinta anos.
“É preciso entender que respeitar os direitos originários é essencial para todos. Povos indígenas são as raízes da nossa sociedade e seus conhecimentos tradicionais são a base para mantermos o clima equilibrado. Diversos países e cientistas já reconhecem essa importância, agora o Brasil precisa fazer seu dever de casa”, acrescentou Martha Fellows, coordenadora do núcleo de estudos indígenas do IPAM.
Terras indígenas ocupam apenas 13% do território nacional e são as categorias fundiárias com as menores taxas de desmatamento (< 2%) da região amazônica, quando comparadas com o desmatamento em áreas privadas (> 30%). Porém, de 2019 a 2021, só na Amazônia, o aumento do desmatamento em terras indígenas foi de 153% em comparação com o triênio anterior. O cenário, causado, sobretudo, pelo aumento da grilagem e do desmatamento ilegal, poderá se agravar se as alterações na legislação sobre os direitos indígenas forem aprovadas.
Recomendações
Para além da manutenção dos direitos indígenas, tanto pelo Congresso Nacional quanto pelo Supremo Tribunal Federal, o estudo recomenda providências imediatas:
– Extinguir toda e qualquer tentativa de reduzir ou retirar direitos originários;
– A demarcação e proteção de todos os territórios tradicionais que aguardam o processo de demarcação e aplicar a destinação correta das Florestas Públicas Não Destinadas de acordo com os usos, costumes e natureza de cada área;
– Fim das atividades ilegais em terras indígenas, uma vez que interesses privados elevam o grau de insegurança dentro dos territórios criando conflitos, e isso é especialmente grave em territórios onde vivem povos indígena isolados;
– Fortalecimento da Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas) e o recém-criado Ministério dos Povos Indígenas enquanto órgãos que têm competência para administrar uma agenda que demanda conhecimentos específicos.
– Promover mais pesquisa para compreender a interdependência dos regimes de chuva que irriga a agricultura e a cobertura florestal.
O evento reúne diversas instituições que trabalham com a temática do oceano. A programação conta com palestras, exposições, contação de história, atividades culturais, show, limpeza de praia e muito mais
Começou no último domingo a 9ª edição da Semana do Mar, um evento organizado pelo Aquário de Ubatuba, Instituto Argonauta e Fundação Projeto Tamar, e que conta com o apoio da Prefeitura Municipal de Ubatuba, e ainda com a participação de diversos parceiros que trabalham com a temática oceânica. A 9ª edição do evento se estende até sábado (10), e integra a programação do 12º Festival da Mata Atlântica, que teve início no dia 22 de maio, e terá encerramento também no próximo 10 de junho.
A 9ª edição da Semana do Mar celebra além do Dia Internacional da Biodiversidade (22/5); os Dias Nacionais da Mata Atlântica (27/5) e da Educação Ambiental (03/6); e os Dias Mundiais do Meio Ambiente (5/6) e dos Oceanos (8/6).
Neste ano, os eventos marcam a Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável – Agenda 2030 – Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), uma iniciativa global liderada pelas Nações Unidas que ocorrerá até 2030, com o objetivo de promover a pesquisa e ações científicas para apoiar o desenvolvimento sustentável dos oceanos, abrangendo uma ampla gama de áreas de pesquisa, incluindo o estudo dos ecossistemas marinhos, a análise dos impactos das mudanças climáticas nos oceanos, a conservação da biodiversidade marinha, a gestão sustentável dos recursos pesqueiros e a redução da poluição marinha. E marcam também a Década da Restauração de Ecossistemas 2021-2030, que tem como objetivo enfrentar a degradação ambiental e promover a restauração de ecossistemas em todo o mundo, promovendo a recuperação e a conservação de ecossistemas terrestres, aquáticos e marinhos degradados ou destruídos, com o intuito de melhorar a resiliência, a biodiversidade e os serviços ecossistêmicos.
O Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado em 5 de junho, é uma oportunidade importante para destacar a importância dos oceanos e conscientizar as pessoas sobre a necessidade de protegê-los. Os oceanos cobrem mais de 70% da superfície da Terra e desempenham um papel vital em muitos aspectos, como a regulação climática, a biodiversidade, a economia, a segurança alimentar e a estabilidade dos ecossistemas globais. E, nesse contexto, a 9ª Semana do Mar busca sensibilizar, promover a reflexão e conectar toda a sociedade sobre os impactos e as condições críticas que encontram nossos mares.
A programação está repleta de atividades gratuitas, entre elas palestras, exposições, contação de história, atividades culturais, show, limpeza de praia e outras diversas atividades que envolvem temas de conscientização ambiental, pesquisa, biologia marinha e educação.
No Dia Mundial do Meio Ambiente (5), a programação teve início às 9h, com encerramento às 19h. A primeira atividade foi a Roda de Conversa “Bioma Mata Atlântica”, promovida pelo Grupo Tamoio de Ubatuba, que aconteceu na Escola Municipal Carpinetti. Às 10h e 14h aconteceu a palestra Ciência Oceânica nas Escolas: “Tubarões e Raias: mergulhando no conhecimento”, promovida pelo Aquário de Ubatuba, mas que aconteceu no Museu da Vida Marinha. Nos mesmos horários, ocorreu também no Museu a Contação de História: “Além de nós…Quem mora comigo?”, contada por Rosana Gaeta. Na Escola Municipal Professora Olga Ribas de Andrade Gil, ocorreu às 14h o Jogo “Caminho das Águas”, promovido pela APAMLN e pelo Programa PSA – Mar Sem Lixo. A programação do dia encerrou-se com a Mesa Redonda “Cultura Oceânica”, às 19h, com Andrée de Ridder Vieira (Instituto Supereco), Ronaldo Christofolleti (Maré de Ciência UNIFESP), e Helbert Ramon (Cernes e Associação dos Amigos e Remadores da Canoa Caiçara (AARCA), no Aquário de Ubatuba.
Terça-feira, dia 6, a programação teve início às 10h e se estende até às 19h. Iniciou com a Vivência dos Saberes Ancestrais, promovida pelo Sr. Higino e pelo Projeto Monitoramento Mirim Costeiro Ubatuba, no Aconchego da Barra, na Praia Barra Seca. Nos horários 10h e 14h, a palestra Ciência Oceânica nas Escolas: “O Projeto Tamar e a conservação das tartarugas marinhas” ministrada pela Fundação Projeto Tamar, acontece no Museu da Vida Marinha. Para fechar a manhã, às 11h, a atividade Cultura Oceânica: “SOS Mata Atlântica”, promovida por Lidi Keche (Tamoio de Ubatuba) e Patrícia Barros (Projeto Ribeira Viva), na Rádio Beira Mar FM 101,5MHz. A programação do dia se encerra com o bate-papo online “Os Caminhos do Lixo no Mar”, às 19h, que será conduzido por Hugo Gallo (Aquário de Ubatuba) e Alexander Turra (IO/USP), no canal oficial do YouTube do Instituto Argonauta.
Dia 7, quarta-feira, a programação começa às 10h, com última atividade prevista para às 19h. Para começar o dia, atividade Ciência Oceânica nas Escolas “Um Oceano de Vida” promovida pelo Instituto Argonauta, no Museu da Vida Marinha, programada também para acontecer no período da tarde, às 14h. Também nos mesmos horários, acontece simultaneamente a atividade “A vida de Georgina”, com Marlene Giraud do Grupo Manguezal Terra do Guaiamum, mas em local diferente, no Aquário de Ubatuba. Às 9h e às 16h, a ação Dia Mundial dos Oceanos acontece no Píer Saco da Ribeira, e será conduzida pelo Projeto Ribeira Viva, Área de Proteção Ambiental Marinha do Litoral Norte (APAMLN), Projeto PSA Mar Sem Lixo, Instituto Argonauta, Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Tamoio de Ubatuba, Projeto Meros do Brasil e Fundação Florestal.
Ainda no dia 7, ocorre às 15h a Contação de História: “Vivi no fundo do mar”, que será contada por Gabriela Reynaldo Pereira do Projeto Meros do Brasil, no Píer Saco da Ribeira. Às 18h, acontece cinema e exposição itinerante, conduzidos por Projeto Monitoramento Mirim Costeiro Ubatuba, na Praça Capricórnio. Para encerrar o dia, às 19h a Mesa Redonda: “Unidades de Conservação e o Turismo Sustentável”, com participação de Priscila Saviolo (Parque Estadual da Ilha Anchieta/Fundação Florestal), Kellen Leite (Refúgio da Vida Silvestre do Arquipélago de Alcatrazes/ICMBio), e Márcio José dos Santos (Área de Proteção Ambiental Marinha do Litoral Norte/Fundação Florestal), no Aquário de Ubatuba.
Na quinta-feira, dia 8, acontecem duas atividades: às 14h Contação de Histórias: “Vivi no fundo do mar” com Gabriela Reynaldo Pereira (Projeto Meros do Brasil), na Fundação Projeto Tamar, e às 19h no Aquário de Ubatuba a palestra “Carbono Azul – o caso do Manguezal”, ministrada por Laís Zayas (ESALQ/USP).
No penúltimo dia, sexta-feira (9), ocorrerão também duas atividades: às 18h o cinema e exposição itinerante conduzidos pelo Projeto Monitoramento Mirim Costeiro Ubatuba, na Praça Capricórnio, e a Mesa Redonda “A conservação das espécies marinhas”, às 19h, com participação de Henrique Becker (Fundação Projeto Tamar) e Rafaela Souza (Projeto Baleia Jubarte).
O último dia da 9ª edição da Semana do Mar, sábado (10), já inicia com uma prática de yoga na Praça da Baleia, com a professora Maharani Satya (Ekomat), às 7h30. Das 8h às 13h estão programadas três atividades na Praça da Baleia: a exposição de Tendas das Instituições parceiras, limpeza de praia e do mar e a apresentação do Boi de Conchas. A partir das 18h, acontece o encerramento do evento na Fundação Projeto Tamar, com apresentação de curtas ambientais e do Coral Guarani Aldeia Boa Vista. Para fechar, às 20h, o show com Luara Oliveira e as Comadres.
Sobre o Instituto Argonauta
O @institutoargonauta foi fundado em 1998 pela Diretoria do Aquário de Ubatuba @aquariodeubatubaoficial_ e reconhecido em 2007 como OSCIP (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público). O Instituto tem como objetivo a conservação do Meio Ambiente, em especial a conservação dos ecossistemas costeiros e marinhos. Para isso, apoia e desenvolve projetos de pesquisa, resgate e reabilitação da fauna marinha, educação ambiental e resíduos sólidos no ambiente marinho, entre outras atividades. O Instituto Argonauta também é uma das instituições executoras do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS).
Seja um Argonauta!
Venha conhecer o Museu da Vida Marinha @museudavidamarinha, na Avenida Governador Abreu Sodré, 1067 – Perequê-Açu, Ubatuba/SP, aberto diariamente.
Também é possível baixar gratuitamente o aplicativo Argonauta, disponível para os sistemas operacionais iOS (APP Store) e Android (Play Store). No aplicativo, o internauta pode informar ocorrências de animais marinhos debilitados ou mortos em sua região, bem como informar ainda problemas ambientais nas praias, para que a equipe do Argonauta encaminhe a denúncia para os órgãos competentes.
É o primeiro privado do Brasil aberto à visitação do público e pioneiro no conceito de educação ambiental por meio do contato direto com animais. Destaca-se no país pelos projetos e realizações ao longo de 24 anos, completados em fevereiro do ano passado. Pioneiro em ter elasmobrânquios sob cuidados humanos, um tanque de águas vivas e um tanque de contato no Brasil. A instituição, ainda, possui certificado de bem-estar animal emitido pela Associação dos Zoológicos e Aquários do Brasil (AZAB) em parceria com a Wild Welfare Worldwide e é premiada e reconhecida por iniciativas práticas de conservação e por ter sido a primeira em colocar em exercício iniciativas sustentáveis. Atende, gratuitamente, estudantes de escolas públicas da cidade mediante capacitação de professores.
O Aquário de Ubatuba é aberto todos os dias, das 10h às 22h, e contém o Selo Turismo Responsável. O endereço é Rua Guarani, 859, Itaguá, Ubatuba/SP e telefone para contato (12) 3834-1382.
É uma instituição privada, sem fins lucrativos e que, desde a década de 1980, atua na proteção das cinco espécies de tartarugas marinhas que ocorrem no Brasil, sendo quatro espécies ameaçadas de extinção e uma dependente de ações para conservação. A Fundação Projeto Tamar tem como missão Promover a recuperação das tartarugas marinhas, através de ações de pesquisa, conservação e inclusão social. Hoje tem 22 bases em oito estados brasileiros. Em Ubatuba, recebe apoio da Prefeitura Municipal de Ubatuba.
O Centro de Visitantes do Projeto Tamar em Ubatuba funciona de quinta a terça das 10h às 17h.