Produção agrícola para alimentar pessoas, não porcos e carros

O lobby agrícola na UE está exacerbando a crise alimentar global, os grãos não deveriam alimentar principalmente animais e tanques de carros

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Greenpeace protesta em frente ao Ministério Federal dos Transportes contra o uso de grãos para o chamado biocombustível. Foto: dpa/Carsten Ko
Por Anke Herold para o “Neues Deutschland”

Em resposta à escassez global de grãos causada pela guerra na Ucrânia, a UE liberou quatro milhões de hectares das chamadas áreas de foco ecológico . Plantas alimentícias e forrageiras agora podem ser cultivadas lá – também com o uso de fertilizantes e agrotóxicos. Essas áreas financiadas pela UE servem, na verdade, para manter e aumentar a biodiversidade na agricultura. Além disso, há apelos para suspender a retirada de quatro por cento das terras aráveis, que deve ser aplicada a partir de 2023 como parte da reforma da política agrícola comum da UE.

A partir de julho, a República Checa assumirá a presidência do Conselho da UE. O Diretor-Geral para Assuntos Europeus do governo tcheco, Štěpán Černý, já sugeriu que se esqueça por alguns meses a estratégia Farm to Fork da UE. É de se recear que, a pretexto da guerra na Ucrânia, venham a ocorrer novos ataques ao objetivo finalmente de tornar a política agrícola da UE mais respeitadora do ambiente e do clima. Ao mesmo tempo, essas propostas não contribuem para resolver a crise alimentar global e o aumento dos preços dos alimentos, mas provavelmente agravarão ainda mais a crise global.

De acordo com um estudo da Fundação Heinrich Böll, a abolição da meta de retirada de terras da UE da agricultura poderia aumentar a produção global de grãos em 0,1%, enquanto a quebra de safra na Ucrânia e a proibição do comércio russo reduziriam os grãos disponíveis globalmente em 4%. O preço do grão seria reduzido apenas em 0,1%. A falta de terras retiradas dificilmente pode compensar a perda das exportações de grãos da Ucrânia, especialmente porque as localidades marginais muitas vezes servem como terras de pousio que não são adequadas para a produção de grãos.

62% dos grãos europeus são usados ​​como ração para porcos, gado e aves. 70 por cento das sementes oleaginosas (como sementes de girassol) na UE também vão para os comedouros. Cerca de 20% dos grãos europeus vão para os tanques dos carros como biocombustível . Todos os dias na Europa, 10.000 toneladas de trigo são transformadas em etanol para carros – o equivalente a 15 milhões de pães. Apenas 20% dos grãos vão para a produção de alimentos na Europa.

A segurança alimentar global é importante para nós? Se realmente se importam, então devemos priorizar a produção de alimentos para pessoas, não animais e carros. Globalmente, produzimos comida suficiente para todos, mas a distribuição é injusta. Preferimos despejar o trigo nos cochos dos porcos cuja carne é exportada para a China. O consumo de carne e laticínios na Europa está bem acima do que pode ser considerado uma dieta saudável. Ao mesmo tempo, esse método de produção causa imensos custos ambientais e emissões de gases de efeito estufa e destrói os ecossistemas naturais e a saúde do solo. Uma redução do gado a um nível para que possamos produzir ração na forma de forragem verde e leguminosas,

A segurança alimentar global depende da natureza. Restaurar agroecossistemas saudáveis ​​e resilientes é um requisito fundamental para mitigar os efeitos das mudanças climáticas e evitar falhas de colheita muito maiores no futuro. As colheitas estão estagnadas na UE há muito tempo – não por causa das regulamentações ambientais, mas por causa da crise climática, da perda de polinizadores e da degradação dos solos. Não resolveremos a crise dos preços dos alimentos exacerbando as crises do clima e da biodiversidade. As medidas ambientais da Política Agrícola Comum contribuem significativamente para aumentar a resiliência à crise da agricultura. Seria, portanto, fatal adiar ou cancelar essas medidas em particular.


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Este texto foi originalmente escrito em alemão e publicado pelo jornal “Neues Deutschland” [Aqui!].

Rio Paraná está com água de baixa qualidade, mostra estudo

Antes mesmo de lançamento de efluentes, mais da metade das amostras de água do rio Paraná não tinham boa qualidade

Ponte da Integração Brasil- Paraguai, no Rio Paraná

Ponte da Integração Brasil- Paraguai, no Rio Paraná.  Foto: TV Brasil/Agência Brasil

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A região hidrográfica do rio Paraná, que abrange os estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais e Distrito Federal, é a mais populosa e de maior desenvolvimento econômico do país. A partir de 2020, a nascente de seu principal rio, o Paraná, passou a ser receptora dos efluentes secundários da estação de tratamento de esgoto (ETE) localizada em Aparecida do Taboado (MS). Em artigo publicado na sexta (10) na “Revista Engenharia Sanitária e Ambiental”, pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Universidade de São Paulo (USP) e Universidade Brasil alertam que o lançamento desses efluentes pode causar deterioração da qualidade da água – que já era comprometida – afetando as atividades de piscicultura, turismo e recreação da região.

O trabalho mostra que o rio Paraná, antes do lançamento dos efluentes, tinha mais da metade de suas amostras analisadas (57% – 61%) comprometidas, não atendendo à Resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) n° 357/05 para demanda bioquímica de oxigênio e fósforo total, respectivamente. O potencial de impactos negativos está relacionado a esses dois fatores e à presença da bactéria Escherichia coli, indicando que o lançamento pode resultar na deterioração da qualidade da água do rio e comprometer seus múltiplos usos. Já a análise realizada no córrego Rondinha, quando ainda era o receptor dos efluentes da estação de tratamento de esgoto de Aparecida do Taboado, apontou a qualidade da água entre ruim e péssima.

A qualidade da água nestes pontos amostrais foi avaliada por meio do índice da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (IQACETESB), que utiliza parâmetros físicos, químicos e biológicos, como temperatura, turbidez, pH, demanda bioquímica de oxigênio, fósforo total e coliformes fecais (Escherichia coli). A escala do índice compreende as gradações ótima (80 – 100), boa (52 – 79), regular (37 – 51), ruim (20 – 36) e péssima (0 – 19). A qualidade geral do rio Paraná foi avaliada como boa (IQACETESB ≥ 72).

Por que a coleta das amostras precedeu o lançamento de efluentes?

Os autores explicam que a análise foi feita antes do lançamento dos efluentes para poder fornecer uma base documental e subsídios para discussões sobre os possíveis impactos ambientais e sociais da ampliação da estação de tratamento de esgoto, operada pela Empresa de Saneamento de Mato Grosso do Sul (Sanesul). Os monitoramentos foram realizados em quatro pontos específicos, no período de agosto de 2019 a fevereiro de 2020. Em junho de 2019, também foi feita uma coleta de amostras em três locais do córrego Rondinha, onde eram lançados os efluentes anteriormente.

Para João Miguel Merces Bega, um dos autores do artigo e doutorando do Programa de Engenharia Hidráulica e Saneamento da Escola de Engenharia de São Carlos da USP, diante desse quadro é necessário monitorar constantemente a qualidade da água. Isso deve ser feito, principalmente, na área a jusante do ponto de lançamento, onde há empreendimentos turísticos, como um balneário e ranchos utilizados para moradia, locação e lazer.

A princípio, segundo ele, o estudo não terá continuidade. “No entanto, pesquisadores e gestores ambientais podem consultar o artigo e usar os nossos resultados em seus trabalhos. Seria interessante avaliar a qualidade da água do rio Paraná, nos mesmos pontos amostrais do nosso trabalho, para verificar as alterações provocadas pelo lançamento dos esgotos tratados”, sugere.


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Este texto foi originalmente publicado pela Agência Bori [Aqui!].

Entendimento do STJ sobre rol taxativo vai aumentar judicialização e lucro dos planos

rol taxativoGrupo de mães se acorrentou em frente ao STJ, em fevereiro, para protestar contra o Rol Taxativo.Créditos: Reprodução/Twitter/@andreawerner

Em julgamento bastante aguardado, desta quarta-feira, 8, no Superior Tribunal de Justiça (STJ), o rol de procedimentos da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) — que estabelece cobertura mínima dos planos de saúde — foi considerado taxativo. Isso significa que as operadoras não serão mais obrigadas a arcar com tratamentos, medicamentos ou procedimentos que não estão previstos na lista da agência. Em modulação, a segunda Seção do STJ decidiu ainda que a taxatividade poderá ser superada em algumas situações.

Para especialistas, a decisão dificultará a vida dos clientes de planos de saúde.

Washington Fonseca, especialista em Direito Médico, Mestre em Direito pela PUC/SP e sócio do Fonseca Moreti Ito Stefano Advogados, avalia que o julgamento foi “absolutamente lamentável”. Segundo ele, os clientes serão os maiores prejudicados. “Os planos de saúde foram as empresas que mais lucraram na pandemia, principalmente o ano de 2020. Agora, pelo fato de existir a pontualidade nos atendimentos, os planos vão ficar muito mais à vontade e terão a legitimidade de negar tratamentos necessários. Acredito que, com o passar do tempo, essa decisão vai mudar, mas, infelizmente, de maneira imediata, ela vai ser aplicada, aumentando a judicialização.

Nycolle Araújo Soares, advogada especialista em Direito Médico e Proteção Jurídica Aplicada a Saúde e sócia do escritório Lara Martins, também avalia que a decisão é passível de recurso e pode chegar ao Supremo Tribunal Federal (STF). Mas lamenta o entendimento do STJ. “O cenário é predominantemente favorável aos convênios. Para os beneficiários, um verdadeiro retrocesso, já que os planos de saúde poderão rejeitar as coberturas dos procedimentos que não estejam elencados no rol. A decisão é passível de recurso ao STF, mas de todo modo a discussão sobre as coberturas se torna ainda mais difícil para os beneficiários de planos de saúde.”

Mérces da Silva Nunes, advogada especialista em Direito Médico, autora de obras sobre o tema e sócia do escritório Silva Nunes, define a decisão como uma “tragédia para a saúde da população brasileira”. Mas, se de um lado os brasileiros perderam, por outro os planos saíram ganhando. “Os lucros dos planos de saúde deverão aumentar vertiginosamente com a limitação das coberturas apenas aos eventos e procedimentos em saúde listados no rol da ANS”, lamenta.

Renata Abalém, advogada especialista em Direito do Consumidor e diretora jurídica do Instituto de Defesa do Consumidor e do Contribuinte, explica que os casos de exceção — aqueles em que se permitirá cobertura não prevista no rol — ainda deverão ser melhor entendidos após a publicação dos votos. “Na verdade, cogitou-se uma modulação desse rol taxativo, mas nós vamos entender até onde vai essa modulação somente quando forem publicados os votos. A verdade é que as famílias poderão ter cassados os seus direitos adquiridos, muitos inclusive por meio de liminar”.

Histórico

Criado para servir como base dos serviços que devem ser prestados pelos convênios médicos, o rol da ANS está previsto da Lei 9.656/98 — considerada um avanço quando publicada, há 24 anos. O rol descreve os eventos mínimos que os planos de saúde devem cobrir na contratação de serviços por seus usuários.

Até o entendimento do STJ desta quarta-feira, inúmeras decisões mostravam a tendência da jurisprudência majoritária, que entendia que o rol de procedimentos da ANS é exemplificativo e que as operadoras devem disponibilizar o tratamento necessário para a cura ou controle das doenças. Embora houvesse uma pequena corrente na Quarta Turma do ST J, que entendia ser o rol taxativo, a maioria dos magistrados seguia o entendimento unânime da Terceira Turma do STJ, de que o Rol da ANS é exemplificativo. Esse entendimento majoritário levou, inclusive, o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo — o maior do país — a editar a Súmula 102, que diz: “havendo expressa indicação médica, é abusiva a negativa de cobertura de custeio de tratamento sob o argumento da sua natureza experimental ou por não estar previsto no rol de procedimentos da ANS”.

A divergência entre as turmas do STJ, no entanto, levou os magistrados a se debruçarem sobre o tema, em ação que culminou no resultado deste 8 de junho de 2022.

Bruno Pereira e Dom Phillips: caso faz parte do retrocesso ambiental promovido pelo governo brasileiro

Atuação do Exército brasileiro segue ineficiente após mais de 48 horas do desaparecimento

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Foto: Divulgação

São Paulo, 7 de junho de 2022 –O desaparecimento do jornalista inglês Dom Phillips e do indigenista brasileiro Bruno Pereira, desde o último domingo (6), tem mobilizado organizações nacionais e internacionais de defesa do meio ambiente e a sociedade civil para denunciar o ocorrido. Na manhã de hoje, os militares brasileiros emitiram um comunicado dizendo que ainda aguardam uma ordem do Governo Federal para se engajarem em uma missão de busca e salvamento. De acordo com fotos publicadas nesta terça-feira (7) no Twitter do Ministro de Estado da Justiça e Segurança Pública do Brasil, Anderson Torres, a busca atualmente compreende um grupo de seis homens em um barco, dando um sinal claro de que o governo brasileiro está despreparado e não está dando ao caso a urgência e importância necessárias.

Os povos indígenas no Brasil nunca foram tão atacados como nos últimos três anos. Em setembro de 2021, o relatório “A última linha de defesa”, da ONG Global Witness, incluiu o Brasil em quarto lugar no ranking dos países mais perigosos para ambientalistas, com 20 assassinatos de ativistas ligados à causa ambiental em 2020, ficando atrás apenas de Colômbia, México e Filipinas. Da mesma forma, a edição mais recente do relatório “Violência contra os Povos Indígenas no Brasil”, editado pelo Conselho Indigenista Missionário (CIMI), apresenta que os assassinatos em terras indígenas tiveram um aumento de 61%, com 182 casos registrados em 2020 e os conflitos territoriais também aumentaram, com 96 casos do tipo em 2020 — 174% a mais do que no ano anterior.

O Brasil de Bolsonaro agoniza diante do afrouxamento de normas, retaliação a servidores de agências ambientais, paralisação dos processos de multas, estrangulamento orçamentário, invasão e grilagem de Terras Indígenas, proliferação dos garimpos, extração ilegal de madeira, além do já citado aumento vertiginoso da violência. Soma-se a isso os diversos projetos de lei que tramitam atualmente no Congresso e representam graves riscos à integridade dos povos originários, como é o caso do PL 191/2020, que libera a mineração e outras formas de exploração econômica dentro de TIs; e do PL 490/2007 que, de maneira inconstitucional, advoga em favor do Marco Temporal.

Para o porta-voz de Amazônia do Greenpeace Brasil, Danicley de Aguiar, o desaparecimento de Dom Phillips e Bruno Pereira faz parte do retrocesso ambiental que o governo Bolsonaro tem promovido com empenho nas áreas protegidas e contra ativistas ambientais: “O silenciamento de ativistas, lideranças sociais e jornalistas é a ponta de uma política de extermínio a serviço da economia da destruição que consome floresta e viola os direitos humanos na Amazônia”.

Bruno Araújo e Dom Phillips já estão há mais de 48 horas desaparecidos e é urgente que o governo brasileiro mobilize todos os esforços necessários para encontrá-los. Caso contrário, estará dando um sinal claro de que nada fará para reverter o atual contexto de insegurança disseminado pela política de “vale-tudo” que se estabeleceu na Amazônia.

Agência reguladora da União Europeia descartou evidências científicas ligando o glifosato à câncer em roedores

A avaliação positiva da Agência Química Europeia para a venda continuada da substância é falha, dizem ativistas ambientais

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Um agricultor francês pulverizando herbicida glifosato em um milharal. Fotografia: Jean-François Monier/AFP/Getty Images

Por Arthur Neslen para o “The Guardian”

Oficiais técnicos da União Europeia (UE) descartaram as principais evidências científicas que ligam o glifosato a tumores de roedores em uma avaliação positiva que deram para as vendas contínuas da substância na semana passada, de acordo com um novo relatório de ativistas ambientais.

O glifosato é o herbicida mais usado no mundo e seu relicenciamento na UE se tornou um marco em uma batalha mais ampla entre ambientalistas e agronegócios sobre o futuro da agricultura.

Um estudo separado na semana passada descobriu que o glifosato estava prejudicando seriamente a capacidade das abelhas selvagens de regular a temperatura das colônias.

Enquanto isso, o relatório das ONGs diz que a avaliação da Agência Química Europeia (Echa) contém “graves deficiências científicas que questionam sua objetividade científica”, por causa de uma suposta rejeição dos resultados de 10 dos 11 estudos que ligam o ingrediente herbicida ao tumor formações.

O Dr. Peter Clausing, co-autor do relatório, disse: “Os animais expostos ao glifosato desenvolveram tumores com incidências significativamente maiores em comparação com o grupo controle não exposto – um efeito considerado como evidência de carcinogenicidade pelas diretrizes internacionais e europeias.

“No entanto, os avaliadores de risco da UE descartaram todos os achados do tumor de sua análise, concluindo que todos ocorreram por acaso e que nenhum deles estava realmente relacionado à exposição ao glifosato”.

Sete dos estudos em animais são apoiados por dados históricos de controle, e cinco deles mostram que camundongos e ratos desenvolveram mais de um tipo de tumor, diz o relatório. Em quatro dos estudos com roedores, o número de tumores aumentou à medida que a dose de glifosato aumentou, acrescenta.

Linfomas malignos, tumores renais e hepáticos e ceratoacantomas de pele foram encontrados nos estudos, disse o professor Christopher Portier, especialista cuja análise informou o novo relatório da Health and Environment Alliance.

“O glifosato alimenta o câncer”, disse Portier, especialista convidado do painel da Organização Mundial da Saúde (OMS) que descobriu que o glifosato é “provavelmente cancerígeno para humanos” em 2015.

“Não importa como você olhe, há evidências mais do que suficientes de carcinogenicidade, e essas evidências atendem aos critérios para classificar o glifosato como uma substância com potencial carcinogênico para humanos”, disse ele.

A decisão da Echa de não aplicar nem mesmo uma classificação de carcinogenicidade secundária – usada onde as evidências são limitadas – foi “incompreensível”, disse o relatório.

A última revisão da Echa seguiu de perto as recomendações feitas por um “Grupo de Avaliação do Glifosato ” composto por especialistas de quatro países – França, Holanda, Hungria e Suécia.

O parecer completo do comitê de avaliação de risco (RAC) da Echa, que prepara o cenário para uma decisão mais definitiva da Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (Efsa) no próximo ano, será publicado em meados de agosto.

Mas um resumo online conclui que “não se justifica” classificar o glifosato como cancerígeno, embora seja tóxico para a vida aquática e cause sérios danos aos olhos.

A agência de produtos químicos diz que seu RAC produziu uma “revisão completa e completa” de todos os estudos relevantes, incluindo os artigos que encontraram tumores em camundongos e ratos.

Um porta-voz da Echa disse: “Os resultados dos estudos realizados com o glifosato não foram descartados, mas não foi estabelecida uma relação causal entre a exposição à substância e a incidência de tumores observados”.

Vários reguladores contestaram a descoberta de carcinogenicidade da OMS para o glifosato, incluindo a Autoridade Europeia de Segurança Alimentar da UE e a Agência de Proteção Ambiental dos EUA .

O glifosato foi originalmente desenvolvido pela empresa de agronegócios americana Monsanto, que foi vendida para a gigante química alemã Bayer por US$ 63 bilhões (£ 50 bilhões) em 2018.

Esse acordo levou a Bayer a pagar a conta de uma série de disputas judiciais em andamento sobre as supostas ligações do glifosato com o linfoma não-Hodgkin. Nos dois anos e meio após a Monsanto perder seu primeiro processo judicial nos EUA sobre o pesticida RoundUp, a participação da Bayer caiu 45% . O Wall Street Journal descreveu a aquisição como “um dos piores negócios corporativos” dos últimos tempos.

Utz Klages, porta-voz da Bayer , saudou a avaliação da Echa, observando que também não classificou o glifosato como tendo toxicidade para órgãos-alvo específicos, ou como sendo uma substância mutagênica ou reprotóxica.

Ele disse: “Continuamos convencidos de que temos uma forte base científica para uma aprovação renovada do glifosato, que continuaria a fornecer aos agricultores e usuários profissionais uma tecnologia importante em uma abordagem integrada de manejo de ervas daninhas.

“Os herbicidas à base de glifosato desempenham e continuarão a desempenhar um papel importante na agricultura sustentável e no portfólio de produtos da Bayer.”

A atenção no debate do glifosato na Europa agora mudará para a próxima avaliação da Efsa do produto químico, que disse na semana passada que seria publicada em julho de 2023, um ano depois do planejado.

A UE deve decidir se deve relicenciar o produto até 15 de dezembro de 2022 , embora também seja possível uma extensão temporária da licença existente.


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Este texto foi escrito inicialmente em inglês e publicado pelo jornal “The Guardian”  [Aqui!].

Volkswagen acionada na justiça por crimes contra o meio ambiente e trabalho escravo na Amazônia

Subsidiária brasileira da Volkswagen tem que responder por condições de trabalho análogas à escravidão

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A  VW  fez negócios sujos no Brasil (São Paulo, 8 de janeiro de 2015)

Por Norbert Suchanek, Rio de Janeiro para o JungeWelt

A entrada do Grupo Volkswagen na pecuária na Amazônia durante a ditadura militar brasileira foi um escândalo desde o início. A 2.200 Km da sede da empresa em São Paulo, a subsidiária da montadora alemã VW do Brasil comprou 139.392 hectares de terra no sul da Amazônia a preços baixos em 1973, e também recebeu subsídios robustos equivalentes a vários milhões de euros do regime militar. A fim de criar espaço para 110.000 cabeças de gado, a empresa lançou então um »massacre de motosserra« que foi inigualável. Em meados de 1981, a VW do Brasil já havia destruído cerca de 33.000 hectares de floresta nativa.

Agora, a Volkswagen está nos tribunais por causa de sua antiga fazenda de gado “Companhia Vale do Rio Cristalino”. Nas décadas de 1970 e 1980, o grupo tinha centenas de funcionários trabalhando em condições “escravas”, segundo alegações do Ministério Público brasileiro. Além disso, abusos e estupros teriam ocorrido na fazenda da VW. A VW do Brasil já foi intimada para uma audiência na Justiça do Trabalho em Brasília no dia 14 de junho. O ex-gerente da fazenda, o agrônomo suíço Friedrich Brügger, agora com 84 anos, nega qualquer culpa. A responsabilidade era da agência de empregos, disse ele ao NDR na semana passada. »Quando há 1.000 homens em um lugar, é óbvio que as coisas nem sempre são muito suaves.« Era bastante comum que os trabalhadores temporários ficassem endividados. Mas a culpa era deles se consumiam demais na fazenda.

O procurador responsável, Rafael Garcia Rodrigues, deixou claro em um comunicado emitido no dia 30 de maio: “A vida dos trabalhadores estava nas mãos de quem os empregava”. Aqueles que tentaram fugir foram baleados, amarrados a árvores, espancados por dias e torturados. Rodrigues salientou ainda que as pessoas foram obrigadas a trabalhar em áreas de criação de gado distantes sem cumprir as normas mínimas de higiene, saúde e segurança. De acordo com reportagens dos jornais NDR , SWR e Süddeutsche Zeitung , o conselho da VW em Wolfsburg sabia dos incidentes.

O Ministério Público brasileiro investiga o Grupo VW desde 2019, com base em documentação detalhada do “Grupo de Pesquisa sobre Trabalho Escravo” da Universidade Federal do Rio de Janeiro.  O seu coordenador, Ricardo Rezende Figueira, já havia acusado o grupo de agravos sociais e violações de direitos humanos em sua pecuária na década de 1980 – na época em vão. Nas décadas de 1970 e 1980, o padre e cientista social, que recebeu vários prêmios por sua luta pelos direitos humanos, coordenou a pastoral rural católica na região do Araguaia, no estado do Pará, onde ficava a fazenda de gado da VW. Ex-funcionários lhe contaram mesmo então sobre as condições inaceitáveis ​​e as violações dos direitos humanos.

As primeiras denúncias de trabalho escravo na fazenda VW, estimada em 600 a 1.000 trabalhadores, vieram através do Sindicato dos Trabalhadores Rurais do Araguaia, lembrou Ricardo Rezende em entrevista de 31 de maio ao jornal O Globo. Em 1983, três jovens trabalhadores conseguiram escapar. — Você disse coisas terríveis. As pessoas foram espancadas, estupradas e assassinadas”, diz Rezende. No estudo histórico “VW do Brasil na ditadura militar brasileira 1964-1985”, publicado pelo próprio Grupo VW, a responsabilidade é transferida para as agências de emprego privadas. Esses “gatos” estavam armados e “não raramente faziam cumprir os contratos de trabalho com guardas armados”.

Em 1987 a VW vendeu a “Companhia Vale do Rio Cristalino” – segundo o relato oficial, a denúncia negativa era apenas de importância secundária. Na verdade, a subsidiária da VW vinha tendo prejuízos desde 1980: o propósito original da fazenda de gado como modelo de economia de impostos simplesmente acabou.


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Este artigo foi escrito originalmente em alemão e publicado pelo jornal “JungeWelt” [Aqui!].

Imagens do dia na Cúpula das Américas em Los Angeles e a pergunta que não quer calar

O presidente Jair Bolsonaro foi recebido com protestos na Cúpula das Américas organizada pelo governo dos EUA e que está ocorrendo na cidade de Los Angeles. Um protesto foi realizado por ocasião de um encontro bilateral entre Bolsonaro e Biden que deve ocorrer entre hoje e sexta-feira (10) (ver imagens abaixo).

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Os manifestantes pediram para que o governo dos EUA não dê visibilidade a falsas promessas climáticas de Bolsonaro e alertam para o estado atual da política de meio ambiente no país, destacando o desaparecimento do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Phillips. Eles também alertaram os EUA sobre o desrespeito de Bolsonaro pela democracia brasileira e seu apoio à tentativa de golpe de Estado em 6 de janeiro de 2021 nos Estados Unidos.

Brasil campeão mundial do agronegócio: com a fome batendo na porta ou dentro de casa

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Quem não vive de olhos fechados para a realidade já tem a perfeita noção de que a fome transbordou para fora dos seus redutos tradicionais das áreas rurais mais pobres da região Nordeste para alcançar todo o território nacional. Agora, o II Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da COVID-19 no Brasil produzido pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Penssan) veio confirmar isso com números dramáticos.

Como pode ser verificado pela figura abaixo, o Brasil possui hoje algo em torno de 33 milhões de pessoas passando fome, e o pior é que o ritmo de pessoas que estão entrando nessa condição é muito alto, o que significa dizer que ao final de 2022 o número de famélicos será ainda maior, já que inexistem políticas públicas que sequer tentem minimizar as causas estruturais do problema.  Além disso, os números mostram que 125,2 milhões de pessoas vivem com algum grau de insegurança alimentar, o que representa simplesmente a metade da população brasileira.

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Se olharmos as tendências regionais das diferentes categorias que expressam existência ou ausência de segurança alimentar veremos que embora os níveis mais altos de fome estejam nas regiões Norte e Nordeste, o problema continua avançando nas demais regiões, inclusive na mais rica que é a Sudeste.

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Como chegamos a esse quadro é relativamente simples de detectar, na medida em que a piora coincide com o golpe parlamentar contra a presidente Dilma Rousseff e a aprovação da chamada PEC do Teto de Gastos que exterminou a maioria das políticas sociais que precariamente mantinham a comida na mesa dos brasileiros pobres. 

Os dados mostram ainda que a fome é mais grave entre pessoas negras e é pior ainda para mulheres negras. Esse dado não é um dado acidental, pois o Brasil continua sendo um país que nega direitos elementares a negros e mulheres, mas deixa ainda mais clara a relação entre uma sociedade hierarquicamente voltada para atender os interesses da minoria rica (e majoritariamente branca) da população.

A fome de metade da população deveria deixar os que ainda comem dentro dos níveis considerados seguros com um forte nível de indignação e preocupação. Mas não é o que verifico na maioria dos casos, pois a fome de tantos continua sendo tratada como elemento secundário nos debates políticos e no princípio de campanha eleitoral que já está ocorrendo.  Não debater uma questão tão fundamental em troca de generalidades como a necessidade de defender uma democracia que inexiste na prática para mim é o melhor caminho de garantir que nada vai mudar, independente de quem for eventualmente eleito.

Alguém mais atento poderá se perguntar após ler este texto sobre como é possível que o mesmo país que é um dos campeões mundiais na exportação mundial de commodities agrícolas seja também um que tenha tanta gente passando fome. O problema, meus caros, é que o latifúndio agro-exportador não produz alimentos, mas ração para alimentar rebanhos animais em outras partes do mundo, principalmente na China. Quem produz comida para ser colocada na mesa dos brasileiros é a agricultura familiar.  O problema é que enquanto o latifúndio tem sido generosamente financiado com subsídios públicos, a agricultura familiar foi fortemente sabotada a partir de 2016 quando se deu a ascensão via golpe parlamentar do presidente “de facto” Michel Temer.

Quem desejar ler o documento completo com os resultados da pesquisa feita pela Rede Penssar, basta clicar [Aqui!].

 

Como o desmatamento e as mudanças climáticas transformam a Floresta Amazônica em fonte de carbono para a atmosfera

Os países amazônicos são privilegiados ambientalmente e devem utilizar esta vantagem para desenvolverem-se de forma sustentável e contribuírem com a transição global para uma sociedade em que os componentes ambientais, sociais e econômicos sejam equilibrados

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Colniza, MT, Brasil: Área degradada no município de Colniza, noroeste do Mato Grosso. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Marcelo Camargo / Agência Brasil

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Por Luciana V. Gatti, Luiz Aragão e Marcos H. Costa

A Amazônia, maior floresta tropical do mundo, estende-se por oito países e um território da América do Sul. Esta floresta não é apenas um conjunto de árvores, é sobretudo um enorme reservatório de carbono (150 a 200 bilhões de toneladas) e de biodiversidade. Cerca de 50% do peso de cada árvore desta imensa floresta, incluindo as raízes, troncos, galhos e folhas, é composto de carbono. Devido a sua enorme extensão, cobrindo cerca de 7 milhões de km2 e metade da área de florestas tropicais no planeta, o funcionamento da Floresta Amazônica está intimamente interligado ao clima.

A perda de 18% da Floresta Amazônica, cerca do total desmatado até o presente, além de 17% de florestas degradadas, não significa apenas perder uma grande quantidade do total de carbono estocado na floresta, mas também significa perder em torno de 1/3 da sua contribuição na produção das chuvas, devido a evapotranspiração das árvores, além de também perder biodiversidade e serviços ambientais essenciais para a sociedade.

Enquanto as raízes retiram água do solo, e as folhas lançam vapor d’água na atmosfera, a superfície terrestre é resfriada, pois a água necessita de energia para evaporar. Uma árvore de médio porte, com uma copa de 5 m de diâmetro, produz um resfriamento da ordem de 2200 W, o mesmo que um aparelho de ar-condicionado de 7500 Btu/h. Por isto, a floresta ao mesmo tempo produz chuva e reduz a temperatura regional. Nossa gigantesca Floresta Amazônica, ao produzir chuva exerce um importante papel de regular o clima, tanto em nosso continente como no globo. Podemos, portanto, comparar a Amazônia a uma fábrica de chuva, que produz cerca de três milhões de litros de água por dia por km2, e cerca de 21 trilhões de litros de água considerando toda sua extensão, funcionando como um climatizador natural, protegendo o planeta contra as mudanças climáticas, ajudando a produzir chuva, reduzindo a temperatura e ainda absorvendo carbono enquanto as árvores estão crescendo.

O desmatamento que atinge a Amazônia concentra-se em regiões com infraestrutura para escoar a produção agropecuária e mineral, como estradas, portos e energia elétrica. Nos últimos 40 anos, a região leste da Amazônia perdeu entre 30-40% de sua floresta, e foi observada uma redução de chuvas (30-40%) e um aumento de temperatura de 2 a 2,5˚C durante a estação seca, nos meses de agosto, setembro e outubro. Estas mudanças afetam negativamente as árvores reduzindo a fotossíntese – processo pelo qual as plantas absorvem o CO2 (dióxido de carbono) da atmosfera – podendo até mesmo resultar na mortalidade dessas árvores. Um estudo utilizando 9 anos (2010-2018) de medidas de CO2 com aeronaves, concluiu que, na média, a Floresta Amazônica consegue absorver apenas 1/3 do total emitido pelas atividades humanas na região, em especial, devido ao desmatamento seguido de queimadas. No sudeste da Amazônia, região que apresenta a maior mudança no clima, com grande redução de chuva e aumento de temperatura, a própria floresta se transformou em uma fonte de carbono para a atmosfera. Nesta região, os processos florestais naturais representam 1/3 das emissões totais, e as emissões humanas são responsáveis pelos 2/3 restantes. E assim, nesta região, a Floresta Amazônica, de protetora das mudanças climáticas, passa a ser um acelerador das mudanças climáticas emitindo 1,06 bilhões de toneladas de COao ano, contribuindo com o aquecimento do planeta, alterando os padrões das chuvas e ajudando a aumentar a temperatura.

Considerando que a agricultura no Brasil movimenta 500 bilhões de reais em exportações, manter as condições climáticas ideais é essencial para essa atividade. Para tal, precisamos valorizar nossas florestas e entender que já desmatamos a Amazônia mais do que deveríamos. Nos últimos três anos o desmatamento foi muito intenso e acelerado e os eventos extremos de chuvas e secas intensas também se aceleraram. Os lucros do desmatamento beneficiam poucas pessoas com retorno questionável para a nação e trazendo prejuízos ecológicos, sociais e financeiros para a sociedade em geral, que estão cada vez mais bem caracterizados pela ciência. Manter a floresta protegida produz para a economia até US$ 737 (R$ 3 mil) por hectare por ano. A conversão de floresta para pecuária, gera em média apenas US$ 40 (R$ 167) por hectare por ano.

Os países Amazônicos são privilegiados ambientalmente e devem utilizar esta vantagem para desenvolverem-se de forma sustentável e contribuírem com a transição global para uma sociedade em que os componentes ambientais, sociais e econômicos sejam equilibrados. A preservação dos estoques de carbono, ao zerar o desmatamento e a degradação florestal, e a restauração florestal podem gerar recursos por meio de iniciativas globais de proteção do clima em associação com planos nacionais de pagamentos por serviços ambientais e implementação de uma nova bioeconomia baseada na floresta em pé. Por meio do uso dos recursos locais e incentivos econômicos adequados pode-se criar um mercado sustentável inovador para os países Amazônicos.

Precisamos valorizar a Floresta Amazônica, pois este tesouro da Terra é um grande trunfo para colocar o planeta rumo a um futuro sustentável.

Sobre os Autores

Luciana V. Gatti é química, pesquisadora titular e coordenadora do Laboratório de Gases de Efeito Estufa do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, em São José dos Campos. Investiga as emissões/absorções de CO2, CH4, N2O e CO da Amazônia e quais são os fatores que interferem nestes processos. Luciana é autora dos capítulos566.1 e 7 do Relatório de Avaliação da Amazônia 2021 produzido pelo Painel Científico para a Amazônia.

Luiz Aragão é biólogo, Chefe da Divisão de Observação da Terra e Geoinformática do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, em São José dos Campos. Sua pesquisa busca entender as causas e consequências das mudanças ambientais em ecossistemas tropicais, especificamente utilizando satélites e pesquisas de campo na Amazônia. Aragão é autor dos capítulos 66.1 e 19 do Relatório de Avaliação da Amazônia 2021produzido pelo Painel Científico para a Amazônia.

Marcos H. Costa é engenheiro, professor titular da Universidade Federal de Viçosa. Sua pesquisa foca no uso de vários tipos de modelos ambientais, sensoriamento remoto e dados de campo para estudar as relações entre mudanças climáticas, mudança de uso da terra e o clima, recursos hídricos, agricultura e ecossistemas naturais. Marcos é autor dos capítulos 567e 23 do Relatório de Avaliação da Amazônia 2021produzido pelo Painel Científico para a Amazônia.


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Este texto foi originalmente publicado pela Agência Bori [Aqui!].

Um brinde ao glifosato

Críticas à decisão da Agência de Produtos Químicos da União Europeia (UE) de classificar o herbicida da Bayer/Monsanto como »não cancerígenos«

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Um gole da garrafa nem sempre é fácil de digerir, especialmente quando vem “batizada” com glifosato

Por Ralf Wurzbacher para o JungeWelt

A lista é longa: glifosato em frutas, legumes, pão, queijo, mostarda e massas. Não importa o que esteja na mesa, quase nunca falta uma porção extra deste herbicida. Não é realmente novidade: a substância tóxica também é encontrada na cerveja alemã, como a revista de consumo Öko-Test mais uma vez relatou em sua edição de junho. Doze das 50 Pilseners examinadas continham vestígios de glifosato, incluindo gigantes da indústria como Beck’s, Flensburger, Krombacher e Jever. Porque as quantidades não ultrapassam os valores máximos permitidos na União Europeia, os candidatos passaram a linha de chegada com o rótulo “recomendado”. Bem, então aplausos!

A Coordenação Contra os Perigos da Bayer (CBG) também lista a última decisão da Agência Europeia de Produtos Químicos (ECHA) como uma “decisão flagrantemente errada” de classificar o agrotóxico como não cancerígeno “apesar das evidências esmagadoras”. No início da semana passada, a autoridade anunciou que manteria sua posição anterior “após uma revisão abrangente das descobertas científicas”. Segundo o estudo, o herbicida de amplo espectro pode causar sérios danos aos olhos e prejudicar a vida aquática, mas não é cancerígeno. Ao fazê-lo, a ECHA mais uma vez “desconsiderou a classificação da Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer da Organização Mundial da Saúde OMS, que certificou o medicamento em 2015 como ‘provavelmente cancerígeno para humanos'”.

A avaliação da agência é considerada inovadora no processo contínuo de avaliação de risco para o ingrediente ativo de controle de pragas vendido pela subsidiária da Bayer, a Monsanto. A aprovação, concedida pela última vez em 2017, termina em 15 de dezembro de 2021. Há muitas indicações de que a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) e a Comissão Europeia seguirão a votação da ECHA e recomendarão que os estados membros permitam o uso da toxina vegetal por mais cinco anos. Já em meados de maio, a Comissão indicou que a aprovação existente seria prorrogada até o outono de 2023 devido ao extenso procedimento de teste. “Como resultado do adiamento, a Bayer agora pode revender um pesticida com status incerto por cerca de um ano e, assim, embolsar mais um milhão de euros”, destacou Stelzmann.

A aliança europeia “Ban-Glyphosate” expressou fortes críticas aos eventos da semana passada. “Mais uma vez, a ECHA confiou unilateralmente em estudos e argumentos da indústria”, afirmou em comunicado. Uma meta-análise recente do Instituto de Pesquisa do Câncer de Viena de 35 estudos relacionados a negócios classificou “apenas dois como confiáveis” e 18 como “não confiáveis” devido a desvios significativos das diretrizes de teste aplicáveis. Além disso, a ECHA tratou apenas da substância ativa, mas não do produto final da Monsanto/Bayer, o “Roundup”. Este contém uma variedade de ingredientes com alto potencial de risco na opinião de muitos cientistas.

Isso inclui o bioquímico Helmut Burtscher-Schaden, da organização austríaca de proteção ambiental Global 2000. É muito alarmante ver a ECHA repetir o seu “erro” de há cinco anos. Para julgar dessa maneira, era preciso “ignorar ou descartar achados tumorais significativos em cinco estudos de carcinogenicidade em camundongos e outros tantos em ratos”, disse ele na quarta-feira passada. “Isso só é possível se você violar as diretrizes relevantes e os regulamentos aplicáveis ​​da UE.”


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Este texto foi originalmente escrito em alemão e publicado pelo jornal “JungeWelt” [Aqui!].