Adaptação climática na Amazônia deve priorizar segurança alimentar da população com espécies resilientes

A adaptação à nova realidade deve incluir a valorização da natureza e dos conhecimentos tradicionais

Na Amazônia, impactos das mudanças climáticas como alterações na temperatura e no regime de chuvas, comprometem a biodiversidade e, por consequência, a vida das populações que dependem diretamente da floresta para sua sobrevivência. A adaptação à nova realidade deve incluir a valorização da natureza e dos conhecimentos tradicionais, a restauração florestal em larga escala e a proteção das águas – essenciais tanto para a produção agrícola como para o transporte na região, dependente das rotas fluviais. Também estão entre as medidas necessárias a proteção e restauração de serviços ecossistêmicos como a polinização e a dispersão de sementes, com a formação de bancos de sementes e redes de coletores, por exemplo, além da identificação de espécies alimentares resilientes às mudanças climáticas – e de sua diversidade genética.

É o que propõe o policy brief “Estratégias de Adaptação Climática Visando o Bem-Estar das Populações Amazônidas”lançado na sexta (29) e elaborado por pesquisadores do Instituto Tecnológico Vale Desenvolvimento Sustentável (ITV) em parceria com autores de instituições como Universidade de São Paulo (USP) e Instituto Brasileiro de Pesquisas Espaciais (INPE). A partir da literatura científica, o material reúne um conjunto de recomendações e ações para políticas públicas que garantam segurança alimentar e hídrica especialmente a povos indígenas, comunidades ribeirinhas e quilombolas, além de moradores das áreas rurais e urbanas.

A pesquisadora do ITV Tereza Cristina Giannini, coordenadora da publicação, explica que a iniciativa multidisciplinar reúne cientistas que trabalham com bioeconomia e sustentabilidade de cadeias alimentares na Amazônia e faz parte de projetos em andamento vinculados ao ITV e ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). A principal motivação foi a constatação, em estudos prévios da equipe, de cenários negativos do impacto das mudanças climáticas sobre cerca de 200 espécies de plantas consumidas por povos nativos da Amazônia, como a castanha-do-pará.

A equipe também busca responder à indicação do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) de priorizar a adaptação às mudanças climáticas, já que alguns impactos ambientais são irreversíveis, indo além de esforços voltados somente à mitigação – ou seja, à tentativa de redução dos efeitos das mudanças climáticas. “Às vezes, acredita-se que a mudança climática é unidirecional, mas não é. É um mosaico de impactos muito amplos e que envolve as comunidades humanas de um jeito complexo”, pontua Giannini.

Os projetos de pesquisa seguem adiante e têm como próximos passos a criação de uma cartilha sobre “plantas do futuro”, com foco em espécies potencialmente resilientes e pouco conhecidas; análise do impacto das mudanças climáticas em polinizadores agrícolas, especialmente os envolvidos na produção de cacau, açaí e castanha-do-pará; o mapeamento da vulnerabilidade alimentar de povos indígenas, identificando áreas onde essas populações podem ser mais afetadas por mudança de clima e vulnerabilidade alimentar; e a finalização de um trabalho sobre o genoma do cacau, buscando adaptações às mudanças climáticas para indicar possíveis melhorias genéticas e áreas de preservação.

“O policy brief foi uma grande síntese do conhecimento multifacetário que existe sobre impacto da mudança climática no que diz respeito à alimentação. Essa talvez tenha sido a maior contribuição: ter tantos pontos de vista diferentes e igualmente capacitados, engajados em expor a complexidade do tema e traçar caminhos possíveis”, conclui Giannini.


Fonte: Agência Bori

Cooperação internacional convida para pesquisa sobre políticas de conservação do patrimônio cultural em Campos dos Goytacazes

Os professores Carlos Eduardo de Rezende,  da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf), e William Vásquez, da Fairfield University (EUA) convidam para participação em uma pesquisa sobre preferências individuais por políticas públicas voltadas à conservação do patrimônio cultural em Campos dos Goytacazes.

O questionário é simples, leva aproximadamente de 10 a 15 minutos para ser preenchido, e a participação é voluntária e totalmente confidencial. As respostas coletadas contribuirão com dados relevantes para identificar políticas de conservação do patrimônio cultural que a população campista apoiaria ou rejeitaria.

Quem desejar saber mais sobre o projeto e responder ao questionário, basta clicar [Aqui!].

Os professores Rezende e Vásquez agradecem antecipafamente aos que decidirem participar desta pesquisa tão importante para os esforços de conservação do patrimônio cultural de Campos dos Goytacazes.

Estudo conclui que colapso da AMOC não é mais de baixa probabilidade

Cientistas dizem que descoberta ‘chocante’ mostra que cortes rápidos nas emissões de carbono são necessários para evitar consequências catastróficas

Um oceano agitado

Novas modelagens sugerem que o ponto crítico que torna inevitável o fechamento da AMOC provavelmente será ultrapassado em poucas décadas. Fotografia: Henrik Egede-Lassen/Zoomedia/PA 

Damian Carrington Editor de meio ambiente, para o The Guardian

O colapso de uma corrente crítica do Atlântico não pode mais ser considerado um evento de baixa probabilidade, concluiu um estudo, tornando cortes profundos nas emissões de combustíveis fósseis ainda mais urgentes para evitar o impacto catastrófico.

A circulação meridional de reviravolta do Atlântico (Amoc) é uma parte importante do sistema climático global. Ela traz água tropical aquecida pelo sol para a Europa e o Ártico, onde esfria e afunda, formando uma corrente de retorno profunda. Já se sabia que a Amoc estava em seu nível mais fraco em 1.600 anos, como resultado da crise climática.

Modelos climáticos indicaram recentemente que um colapso antes de 2100 era improvável, mas a nova análise examinou modelos que foram executados por mais tempo, até 2300 e 2500. Eles mostram que o ponto crítico que torna o desligamento da Amoc inevitável provavelmente será ultrapassado dentro de algumas décadas, mas que o colapso em si pode não acontecer até 50 a 100 anos depois.

A pesquisa constatou que, se as emissões de carbono continuassem a aumentar, 70% das execuções do modelo levariam ao colapso, enquanto um nível intermediário de emissões resultaria em colapso em 37% dos modelos. Mesmo no caso de baixas emissões futuras, o desligamento da Amoc ocorreu em 25% dos modelos.

Cientistas já alertaram anteriormente que o colapso da Amoc deve ser evitado “a todo custo” . Isso deslocaria a faixa de chuvas tropicais da qual milhões de pessoas dependem para cultivar seus alimentos, mergulharia a Europa Ocidental em invernos extremamente frios e secas de verão, e adicionaria 50 cm ao já crescente nível do mar.

A circulação de reviravolta do Atlântico Sul está enfraquecendo e entrou em colapso no passado distante

Os novos resultados são “bastante chocantes, porque eu costumava dizer que a chance de a Amoc entrar em colapso como resultado do aquecimento global era inferior a 10%”, disse o professor Stefan Rahmstorf, do Instituto Potsdam de Pesquisa de Impacto Climático, na Alemanha, que integrou a equipe do estudo. “Agora, mesmo em um cenário de baixas emissões, mantendo o acordo de Paris, parece que pode ser algo em torno de 25%.

Esses números não são muito precisos, mas estamos falando de uma questão de avaliação de risco, em que até mesmo 10% de chance de um colapso da Amoc seria muito alta. Descobrimos que o ponto crítico em que o fechamento se tornará inevitável provavelmente ocorrerá nos próximos 10 a 20 anos, aproximadamente. Essa também é uma descoberta bastante chocante e a razão pela qual precisamos agir muito rápido para reduzir as emissões.

Cientistas identificaram sinais de alerta de um ponto de inflexão em 2021 e sabem que a Amoc já entrou em colapso no passado da Terra. “Observações no fundo [extremo Atlântico Norte] já mostram uma tendência de queda nos últimos cinco a dez anos, consistente com as projeções dos modelos”, disse o professor Sybren Drijfhout, do Instituto Real de Meteorologia dos Países Baixos, que também integrou a equipe.

Mesmo em alguns cenários de emissões intermediárias e baixas, a Amoc desacelera drasticamente até 2100 e desliga completamente depois disso. Isso mostra que o risco de desligamento é mais sério do que muitas pessoas imaginam.

O estudo, publicado na revista Environmental Research Letters , analisou os modelos padrão utilizados pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). Os cientistas ficaram particularmente preocupados ao constatar que, em muitos modelos, o ponto de inflexão é atingido na próxima década ou duas, após o qual o desligamento da Amoc se torna inevitável devido a um feedback autoamplificador.

As temperaturas do ar estão subindo rapidamente no Ártico devido à crise climática, o que significa que o oceano esfria mais lentamente. A água mais quente é menos densa e, portanto, afunda mais lentamente nas profundezas. Essa desaceleração permite que mais chuva se acumule nas águas superficiais salgadas, tornando-as menos densas e retardando ainda mais o afundamento, formando o ciclo de retroalimentação. Outro novo estudo , utilizando uma abordagem diferente, também concluiu que o ponto de inflexão provavelmente será atingido por volta de meados deste século.

Apenas alguns dos modelos do IPCC foram executados além de 2100, então os pesquisadores também buscaram verificar quais dos modelos executados até o final deste século mostravam que a Amoc já estava em declínio terminal. Isso produziu os números de 70%, 37% e 25%. Os cientistas concluíram: “Esses números não correspondem mais ao evento de baixa probabilidade e alto impacto usado para discutir um colapso abrupto da Amoc no [último relatório do IPCC]”.

Rahmstorf disse que os números reais podem ser ainda piores, porque os modelos não incluem a torrente de água derretida da calota polar da Groenlândia , que também está melhorando as águas do oceano.

A Dra. Aixue Hu, do Laboratório de Dinâmica Climática Global no Colorado, EUA, que não participou da equipe do estudo, disse que os resultados foram importantes. “Mas ainda é muito incerto quando o colapso da Amoc ocorrerá ou quando o ponto de inflexão da Amoc será ultrapassado devido à falta de observações diretas [do oceano] e aos resultados variáveis ​​dos modelos.”

O estudo que concluiu que um colapso total da Amoc era improvável neste século foi liderado pelo Dr. Jonathan Baker, do Met Office Hadley Centre, no Reino Unido. “Este novo estudo destaca que o risco aumenta após 2100”, disse ele. “[Mas] essas porcentagens devem ser analisadas com cautela – o tamanho da amostra é pequeno, portanto, mais simulações [após 2100] são necessárias para quantificar melhor o risco.”

No entanto, disse Baker, “o oceano já está mudando, e as mudanças projetadas na convecção do Atlântico Norte são uma preocupação real. Mesmo que um colapso seja improvável, espera-se um enfraquecimento significativo, e isso por si só poderia ter impactos sérios no clima da Europa nas próximas décadas. Mas o futuro da circulação do Atlântico ainda está em nossas mãos.”


Fonte: The Guardian

Sindicâncias foram transformadas em ferramentas de perseguição política na Seeduc/RJ, mostra relatório

Um relatório publicado em 2024, mas ainda relativamente desconhecido, e que foi produzido pelo do Grupo de Trabalho Contra Perseguição Política do SEPE/ RJ, com revisões e contribuições da equipe do Observatório Nacional da Violência contra Educadoras/a, e acompanhado e assinado pelo Campanha Nacional pelo Direito à Educação e pela Associação Brasileira de Ensino de Ciências Sociais trouxe evidências robustas de como sindicâncias foram transformadas em ferramentas de perseguição política na Secretaria Estadual de Educação do estado do Rio de Janeiro (Seeduc/RJ).

O estudo se baseia em publicações feitas no Diário Oficial do estado do Rio de Janeiro entre 01 de janeiro de 2020 e 31 de maio de 2024 (em um total de 1.320 sindicâncias). A partir da análise dos dados coletados, os responsáveis pelo relatório realizaram uma análise detalhada dos processos de sindicância e identificaram padrões inequívocos de utilização dessa ferramenta que levam a um diagnóstico inequívoco sobre o assédio continuada que vem se cometendo contra os educadores em todas as regiões onde está presente rede estadual fluminense.

Desta forma, a partir de reclamações, denúncias e depoimentos colhidos junto a profissionais da Educação de diferentes regiões do Rio de Janeiro,  foi possível desnudar os métodos que estão sendo utilizados pela referida Seeduc/RJ  para perseguir política e institucionalmente educadores divergentes da linha ideológica seguida no âmbito do governo estadual, atualmente comandado por Cláudio Castro.

Os dados mostram que, por meio da manipulação do instrumento de sindicância, os agentes públicos perseguidores têm buscado criminalizar, isolar, silenciar e impedir os educadores de participarem da vida democrática de suas comunidades escolares.  Os autores do relatório apontam que tais práticas têm trazido, também, prejuízos significativos para as vidas funcionais dos educadores perseguidos.

A partir da leitura dos resultados desse relatório é evidente que há uma política de militarização das sindicâncias na Seeduc/RJ com o objetivo claro de impedir as práticas pedagógicas de cunho crítico, o que impede a formação daquilo que Darcy Ribeiro chamava de consciência cidadã nos estudantes. A lógica parece ser de oprimir e silenciar os educadores para viabilizar a formação de estudantes dóceis para as forças que hegemonizam a política e a economia do estado do Rio de Janeiro.

Quem desejar ler o relatório em sua íntegra, basta clicar [Aqui!]. Ler e disseminar este relatório é uma tarefa urgente para todos os que desejam que a educação no Rio de Janeiro possa atender efetivamente ao desenvolvimento de formas de conhecimento que transformem para melhor a vida dos estudantes e de suas famílias, além de garantir um ambiente democrático e saudável de trabalho para os educadores fluminenses.

Estudo revela que humanos inalam até 68.000 partículas de microplástico por dia

Partículas são pequenas o suficiente para penetrar nos pulmões, diz relatório, com impactos na saúde ‘mais substanciais do que imaginamos’

close de microplásticos nos dedos

Entre outras questões, os microplásticos estão associados à inflamação pulmonar crônica, que pode levar ao câncer de pulmão. Fotografia: pcess609/Getty Images/iStockphoto

Por Tom Perkins para o “The Guardian” 

Cada respiração que as pessoas dão em suas casas ou carros provavelmente contém quantidades significativas de microplásticos pequenos o suficiente para penetrar profundamente nos pulmões, de acordo com uma nova pesquisa revisada por pares , trazendo à tona uma rota pouco compreendida de exposição e ameaça à saúde.

O estudo, publicado na revista Plos One, estima que os humanos podem inalar até 68.000 minúsculas partículas de plástico por dia. Estudos anteriores identificaram pedaços maiores de microplásticos no ar, mas estes não representam uma ameaça tão grande à saúde, pois não permanecem no ar por tanto tempo nem se movem tão profundamente no sistema pulmonar.

Os pedaços menores medem entre 1 e 10 micrômetros, ou cerca de um sétimo da espessura de um fio de cabelo humano, e representam um risco maior à saúde, pois podem ser distribuídos mais facilmente por todo o corpo. As descobertas “sugerem que os impactos da inalação de microplásticos na saúde podem ser mais substanciais do que imaginamos”, escreveram os autores.

“Ficamos bastante surpresos com os níveis de microplástico que encontramos – eram muito maiores do que o estimado anteriormente”, disse Nadiia Yakovenko, pesquisadora de microplásticos e coautora do estudo na Universidade de Toulouse, na França. “O tamanho da partícula é pequeno e sabidamente se transfere para os tecidos, o que é perigoso porque pode entrar na corrente sanguínea e penetrar profundamente no sistema respiratório.”

Microplásticos são pequenos pedaços de plástico adicionados intencionalmente a bens de consumo ou que são produtos da decomposição de plásticos maiores. As partículas contêm cerca de 16.000 substâncias químicas presentes no plástico, muitas das quais, como BPA, ftalatos e Pfas, apresentam sérios riscos à saúde .

A substância foi encontrada em todo o corpo humano e pode atravessar as barreiras placentárias e cerebrais . Acredita-se que alimentos e água sejam a principal via de exposição, mas a nova pesquisa destaca os riscos da poluição do ar. Entre outras questões, os microplásticos estão associados à inflamação pulmonar crônica, que pode levar ao câncer de pulmão.

Todos os dias, respiramos dezenas de milhares de partículas microplásticas.
Estimativa da média diária de partículas microplásticas inaladas (1 a 10 micrômetros de diâmetro).

As concentrações no ar interno são muito maiores do que no ar externo, o que, segundo os autores do estudo, é preocupante, visto que os humanos passam cerca de 90% do dia em ambientes fechados. Yakovenko afirmou que as concentrações em ambientes fechados são maiores porque se trata de um ambiente fechado com altos níveis de plástico em uma área pequena, e geralmente há pouca ventilação.

O estudo mediu o ar em vários cômodos de vários apartamentos, bem como em cabines de carros enquanto os autores dirigiam. Acredita-se que a fonte dos microplásticos nos apartamentos seja o plástico degradado presente em produtos de consumo, desde roupas a utensílios de cozinha e carpetes.

Praticamente qualquer atividade humana libera microplásticos, pois os fragmentos são muito leves. Os níveis eram muito mais altos em um apartamento onde moravam duas pessoas, devido a praticamente qualquer atividade humana que liberasse partículas. Partículas menores permanecem suspensas no ar por mais tempo porque são mais leves, disse Yakovenko.

“Qualquer movimento de ar, vibrações, seu movimento, se você anda, senta, levanta, se você abre uma janela — tudo isso vai ressuspender as partículas”, disse Yakovenko.

Enquanto isso, a concentração de plástico no ar dos carros era cerca de quatro vezes maior do que nos apartamentos. Por ser um ambiente fechado e menor, os carros têm uma concentração maior de plástico, e a ventilação não é boa, disse Yakovenko. Os pesquisadores compararam o material microplástico com o usado no painel, maçaneta, volante e outros componentes.

Embora seja impossível evitar todos os microplásticos no ar, as exposições podem ser reduzidas eliminando o máximo possível de plástico do ambiente doméstico – compre produtos feitos de madeira, metal e fibras ou materiais naturais.

Os sistemas de filtragem de ar HEPA demonstraram ser eficazes na remoção de microplásticos, e Yakovenko afirmou que aspirar regularmente com um aspirador HEPA e tirar o pó pode ajudar. Reduzir os níveis no carro é mais desafiador. Abrir as janelas pode ventilar o interior do carro, mas isso pode permitir a entrada de microplásticos provenientes dos pneus.


Fonte: The Guardian

Chuvas de 2024 no Rio Grande do Sul provocaram o maior evento de deslizamentos de terra no Brasil

Deslizamentos de terra no RS

A equipe identificou 16.862 pontos de início de deslizamento, distribuídos ao longo de cerca de 18 mil quadrados 

As fortes chuvas que atingiram o Rio Grande do Sul entre abril e maio de 2024 ocasionaram o maior evento de deslizamentos de terra já registrado no Brasil. É o que revela estudo publicado na quinta (28) na revista Landslides. A pesquisa teve coordenação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), envolvendo instituições nacionais e internacionais como o Instituto Federal de Goiás (IFG) e o Serviço Geológico do Brasil (SGB), e mapeou a ocorrência de 15.376 deslizamentos. As conclusões podem contribuir para a formulação de políticas e estratégias preventivas, bem como planos de ação para novas ocorrências semelhantes.

Para enfrentar um dos maiores desafios da gestão de deslizamentos no Brasil, a falta de inventários abrangentes e padronizados, a equipe organizou um banco de imagens de satélite de alta resolução registradas no período estudado. Ao todo, 474 imagens, captadas entre 4 de maio e 31 de agosto de 2024, foram analisadas e utilizadas para caracterizar os deslizamentos.

A equipe identificou 16.862 pontos de início de deslizamento, distribuídos ao longo de cerca de 18 mil quilômetros quadrados em 150 dos 497 municípios do Rio Grande do Sul. Isso corresponde a 30% das cidades gaúchas. Além dos deslizamentos, as chuvas de 2024 provocaram inundações, e 96% das cidades gaúchas foram atingidas por pelo menos uma dessas consequências do evento extremo – que afetou quase 2,4 milhões de habitantes, desalojou mais de 600 mil pessoas e resultou em 182 mortes. Clódis de Oliveira Andrades-Filho, professor do Instituto de Geociências da UFRGS e autor do estudo, explica que a magnitude do acontecimento está relacionada ao extraordinário acumulado de chuvas de abril a maio de 2024, e que a maior parte das encostas íngremes do estado se encontrava na área exposta à precipitação.

De acordo com o levantamento, os pontos de início dos deslizamentos ocorreram principalmente em encostas voltadas para norte, norte-nordeste e noroeste-norte, áreas com cobertura vegetal mais esparsas comparadas às voltadas para o sul. Esses setores também sofrem maior pressão de intervenções humanas, como desmatamento, cortes para estradas e construções residenciais. A combinação desses fatores reduz a estabilidade das encostas e ajuda a explicar a concentração observada de deslizamentos nessa orientação. “Estas características, juntamente com demais características do relevo, como o grau de declividade, permitem indicar quais aspectos do terreno predominam nas áreas com maior ocorrência de deslizamentos”, explica Andrades-Filho. “Isso é essencial para estabelecer novos modelos e mapas que indiquem as áreas dos municípios com maior exposição a deslizamentos em grandes episódios de chuva”, defende.

O autor também destaca a identificação de 2.430 trechos de estradas afetados por deslizamentos, resultando no isolamento de comunidades rurais e cidades, além de mortes, feridos e perdas materiais. Segundo a equipe, considerar as características do terreno e o risco geológico de cada região no planejamento e na adaptação das vias pode ser decisivo para evitar consequências mais severas em eventos extremos.

Além de apoiar a identificação de áreas suscetíveis e embasar planos de gestão de riscos, a publicação pode orientar estratégias de recuperação nas regiões afetadas. “Os resultados ainda oferecem suporte para a formação de profissionais voltados à gestão de riscos de desastres, sobretudo em capacitação geotecnológica, além de contribuir para elaboração e implementação de ações de educação e monitoramento comunitário”, explica Andrades-Filho. O pesquisador destaca que a equipe segue empenhada em apoiar esses objetivos por meio de ações como o uso de novas tecnologias para aprimorar o mapeamento, incluindo inteligência artificial, e esforços para tornar a prevenção mais eficiente. Isso inclui desde a comunicação de risco adaptada às condições de comunidades rurais até o planejamento de rotas de fuga e o monitoramento da estabilidade de terrenos.


Fonte: Agência Bori 

Uenf: visita de Flávio Serafini serviu para preparar a paralisação dos professores no dia 11/9

A presença do deputado estadual Flávio Serafini (PSOL) no campus Leonel Brizola serviu para o momento de reflexão dos professores que estiveram na sede social da Aduenf na tarde de ontem (26/8).  A presença significativa de professores no encontro com o presidente da Comissão de Servidores Públicos da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) é um parâmetro da insatisfação com o desprezo demonstrado pelo governador Cláudio Castro com a implementação do novo Plano de Cargos e Vencimentos.

A principal observação feita por Flávio Serafini foi no sentido de que está se abrindo uma janela de oportunidade para que o novo PCV da Uenf seja apreciado pela Alerj, mas que isso vai depender diretamente do nível de mobilização de professores e servidores técnico-administrativos, já que outras categorias estão pleiteando a recuperação dos seus salários. Segundo o deputado, sem mobilização e pressão, as chances de que o novo PCV da Uenf continue engavetado serão grandes. E, pior, que outras categorias tenham suas demandas atendidas antes.

Essa indicação do deputado que presidente a Comissão de Servidores Públicos da Alerj confirma o acerto da decisão da última assembleia dos professores de paralisar as atividades no próximo dia 11 de setembro quando ocorrerá uma audiência pública para discutir as demandas salariais dos servidores da Uenf, a começar pela aprovação do novo PCV.

A partir dessa reunião claramente exitosa, a diretoria da Aduenf deverá se concentrar em preparar a paralisação do dia 11/9 e garantir a ida de uma comitiva representativa de professores para participar da audiência pública que ocorrerá na Alerj.

Calor causado por desmatamento matou meio milhão de pessoas nos últimos 20 anos, revela estudo

Aumentos localizados de temperatura causados ​​pelo desmatamento causam 28.330 mortes relacionadas ao calor por ano, descobrem pesquisadores

Desmatamento na Amazônia

O desmatamento é responsável por mais de um terço do aquecimento global sentido pela população que vive nas regiões afetadas. Fotografia: luoman/Getty 

Por Jonathan Watts para o “The Guardian” 

O desmatamento matou mais de meio milhão de pessoas nos trópicos nas últimas duas décadas como resultado de doenças relacionadas ao calor, segundo um estudo .

O desmatamento está aumentando a temperatura nas florestas tropicais da Amazônia, do Congo e do sudeste da Ásia porque reduz a sombra, diminui as chuvas e aumenta o risco de incêndio, descobriram os autores do artigo.

O desmatamento é responsável por mais de um terço do aquecimento experimentado pelas pessoas que vivem nas regiões afetadas, o que se soma aos efeitos da perturbação climática global.

Cerca de 345 milhões de pessoas nos trópicos sofreram com esse aquecimento localizado causado pelo desmatamento entre 2001 e 2020. Para 2,6 milhões delas, o aquecimento adicional acrescentou 3°C à sua exposição ao calor.

Em muitos casos, isso foi mortal. Os pesquisadores estimaram que o aquecimento global devido ao desmatamento foi responsável por 28.330 mortes anuais nesse período de 20 anos. Mais da metade ocorreu no sudeste da Ásia, devido às populações maiores em áreas vulneráveis ​​ao calor. Cerca de um terço ocorreu na África tropical e o restante na América Central e do Sul.

O estudo foi publicado na quarta-feira na revista Nature Climate Change . Pesquisadores no Brasil, Gana e Reino Unido compararam as taxas de mortalidade não acidentais e as temperaturas em áreas afetadas pelo desmatamento de terras tropicais.

Estudos anteriores mostraram como o corte e a queima de árvores causam aquecimento localizado a longo prazo, mas o novo artigo é o primeiro a calcular o número de mortes resultante.

O professor Dominick Spracklen, da Universidade de Leeds, disse que a mensagem era que “o desmatamento mata”. Ele esperava que muitas pessoas ficassem chocadas com as descobertas, pois os perigos locais do desmatamento muitas vezes se perdem no debate climático global e na expansão das fronteiras agrícolas focada no mercado.

Como exemplo, ele citou a região brasileira do Mato Grosso, onde houve desmatamento massivo para abrir espaço para vastas plantações de soja. Agricultores dessa região agora pressionam pelo fim da moratória da soja na Amazônia para que possam desmatar mais terras.

Spracklen disse que manter a cobertura vegetal intacta salvaria vidas e aumentaria a produção agrícola. “Se o Mato Grosso conseguir manter suas florestas em pé, a população local sofrerá menos estresse por calor”, disse ele. “Não se trata apenas do Ocidente defendendo a proteção das florestas em prol do clima global. As florestas beneficiam diretamente as comunidades locais. Elas regulam a temperatura, trazem chuvas e sustentam a agricultura da qual as pessoas dependem. Essas florestas não estão ociosas – elas estão trabalhando muito duro e fazendo algo realmente importante para nós.”


Fonte: The Guardian

Porto do Açu com fama de mau pagador espanta prestadores de serviço

Bolsa Calote: 500 empresas devem R$ 392 bilhões à União! Confira a lista  dos caloteiros - SMC - Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba

Em uma dessas coincidências que ocorrem em cidade pequena, tive a oportunidade de compartilhar a conversa com um prestador de serviços de transportes de passageiros para o Porto do Açu.  Aparentemente a estratégia do empreendimento de contratar empresas locais que subcontratam outras empresas menores anda dando muito chabu no momento em que as quarteirizadas  precisam ver a cor do rico dinheiro a quem fazem jus por seus serviços. Em outras palavras, as quarteirizadas ficam a ver navios, e não são aqueles estacionados na frente do Porto do Açu.

Essa situação, segundo essa fonte, está fazendo com que muitas empresas pequenas prefiram aceitar serviços que não sejam relacionados ao Porto do Açu, dado que o emprendimento está ficando com uma clara fama de mau pagador. É aquela velha história: melhor receber menos do que receber nada.

Aí eu é que pergunto aos leitores deste blog: se estamos diante do maior empreendimento privado da América Latina como anuncia a propaganda dos gestores do Porto do Açu, como é que há esse ar de calote pairando sobre as cabeças de quem ainda se arrisca a prestar serviços para o empreendimento?

Estudo analisa o impacto das exportações de carne e soja no agravamento da escassez hídrica no Brasil

Um estudo publicado hoje pela revista científica “Communications Earth & Environment”, do grupo Nature, traz informações inéditas sobre o impacto das cadeias produtivas da carne bovina e da soja sobre o uso de água no Brasil, e eles não são nada desprezíveis segundo os autores do trabalho.

Os autores quantificaram o volume e a fonte de água doce utilizados para a produção e exportação de soja e carne bovina brasileiras para a China e a União Europeia (UE) juntamente com o desmatamento e as emissões de gases de efeito estufa para o período de 2015 a 2017. 

Os resultados obtidos demonstram que ambos os setores dependem principalmente de sistemas de abastecidos pelas águas das chuvas, mas também de  soja produzida a partir de sistemas irrigados, e de uma combinação de abeberamento do gado e reservatórios que servem como fonte de água potável.

Um dado particularmente preocupante é que entre  20% e 50% da água doce necessária para exportações para a China e a UE, respectivamente, dependem de bacias hidrográficas que apresentam escassez hídrica alta ou crítica. 

Quem desejar ler o trabalho em sua íntegra, basta clicar [Aqui!].