Sindicâncias foram transformadas em ferramentas de perseguição política na Seeduc/RJ, mostra relatório

Um relatório publicado em 2024, mas ainda relativamente desconhecido, e que foi produzido pelo do Grupo de Trabalho Contra Perseguição Política do SEPE/ RJ, com revisões e contribuições da equipe do Observatório Nacional da Violência contra Educadoras/a, e acompanhado e assinado pelo Campanha Nacional pelo Direito à Educação e pela Associação Brasileira de Ensino de Ciências Sociais trouxe evidências robustas de como sindicâncias foram transformadas em ferramentas de perseguição política na Secretaria Estadual de Educação do estado do Rio de Janeiro (Seeduc/RJ).

O estudo se baseia em publicações feitas no Diário Oficial do estado do Rio de Janeiro entre 01 de janeiro de 2020 e 31 de maio de 2024 (em um total de 1.320 sindicâncias). A partir da análise dos dados coletados, os responsáveis pelo relatório realizaram uma análise detalhada dos processos de sindicância e identificaram padrões inequívocos de utilização dessa ferramenta que levam a um diagnóstico inequívoco sobre o assédio continuada que vem se cometendo contra os educadores em todas as regiões onde está presente rede estadual fluminense.

Desta forma, a partir de reclamações, denúncias e depoimentos colhidos junto a profissionais da Educação de diferentes regiões do Rio de Janeiro,  foi possível desnudar os métodos que estão sendo utilizados pela referida Seeduc/RJ  para perseguir política e institucionalmente educadores divergentes da linha ideológica seguida no âmbito do governo estadual, atualmente comandado por Cláudio Castro.

Os dados mostram que, por meio da manipulação do instrumento de sindicância, os agentes públicos perseguidores têm buscado criminalizar, isolar, silenciar e impedir os educadores de participarem da vida democrática de suas comunidades escolares.  Os autores do relatório apontam que tais práticas têm trazido, também, prejuízos significativos para as vidas funcionais dos educadores perseguidos.

A partir da leitura dos resultados desse relatório é evidente que há uma política de militarização das sindicâncias na Seeduc/RJ com o objetivo claro de impedir as práticas pedagógicas de cunho crítico, o que impede a formação daquilo que Darcy Ribeiro chamava de consciência cidadã nos estudantes. A lógica parece ser de oprimir e silenciar os educadores para viabilizar a formação de estudantes dóceis para as forças que hegemonizam a política e a economia do estado do Rio de Janeiro.

Quem desejar ler o relatório em sua íntegra, basta clicar [Aqui!]. Ler e disseminar este relatório é uma tarefa urgente para todos os que desejam que a educação no Rio de Janeiro possa atender efetivamente ao desenvolvimento de formas de conhecimento que transformem para melhor a vida dos estudantes e de suas famílias, além de garantir um ambiente democrático e saudável de trabalho para os educadores fluminenses.

Estudo revela que humanos inalam até 68.000 partículas de microplástico por dia

Partículas são pequenas o suficiente para penetrar nos pulmões, diz relatório, com impactos na saúde ‘mais substanciais do que imaginamos’

close de microplásticos nos dedos

Entre outras questões, os microplásticos estão associados à inflamação pulmonar crônica, que pode levar ao câncer de pulmão. Fotografia: pcess609/Getty Images/iStockphoto

Por Tom Perkins para o “The Guardian” 

Cada respiração que as pessoas dão em suas casas ou carros provavelmente contém quantidades significativas de microplásticos pequenos o suficiente para penetrar profundamente nos pulmões, de acordo com uma nova pesquisa revisada por pares , trazendo à tona uma rota pouco compreendida de exposição e ameaça à saúde.

O estudo, publicado na revista Plos One, estima que os humanos podem inalar até 68.000 minúsculas partículas de plástico por dia. Estudos anteriores identificaram pedaços maiores de microplásticos no ar, mas estes não representam uma ameaça tão grande à saúde, pois não permanecem no ar por tanto tempo nem se movem tão profundamente no sistema pulmonar.

Os pedaços menores medem entre 1 e 10 micrômetros, ou cerca de um sétimo da espessura de um fio de cabelo humano, e representam um risco maior à saúde, pois podem ser distribuídos mais facilmente por todo o corpo. As descobertas “sugerem que os impactos da inalação de microplásticos na saúde podem ser mais substanciais do que imaginamos”, escreveram os autores.

“Ficamos bastante surpresos com os níveis de microplástico que encontramos – eram muito maiores do que o estimado anteriormente”, disse Nadiia Yakovenko, pesquisadora de microplásticos e coautora do estudo na Universidade de Toulouse, na França. “O tamanho da partícula é pequeno e sabidamente se transfere para os tecidos, o que é perigoso porque pode entrar na corrente sanguínea e penetrar profundamente no sistema respiratório.”

Microplásticos são pequenos pedaços de plástico adicionados intencionalmente a bens de consumo ou que são produtos da decomposição de plásticos maiores. As partículas contêm cerca de 16.000 substâncias químicas presentes no plástico, muitas das quais, como BPA, ftalatos e Pfas, apresentam sérios riscos à saúde .

A substância foi encontrada em todo o corpo humano e pode atravessar as barreiras placentárias e cerebrais . Acredita-se que alimentos e água sejam a principal via de exposição, mas a nova pesquisa destaca os riscos da poluição do ar. Entre outras questões, os microplásticos estão associados à inflamação pulmonar crônica, que pode levar ao câncer de pulmão.

Todos os dias, respiramos dezenas de milhares de partículas microplásticas.
Estimativa da média diária de partículas microplásticas inaladas (1 a 10 micrômetros de diâmetro).

As concentrações no ar interno são muito maiores do que no ar externo, o que, segundo os autores do estudo, é preocupante, visto que os humanos passam cerca de 90% do dia em ambientes fechados. Yakovenko afirmou que as concentrações em ambientes fechados são maiores porque se trata de um ambiente fechado com altos níveis de plástico em uma área pequena, e geralmente há pouca ventilação.

O estudo mediu o ar em vários cômodos de vários apartamentos, bem como em cabines de carros enquanto os autores dirigiam. Acredita-se que a fonte dos microplásticos nos apartamentos seja o plástico degradado presente em produtos de consumo, desde roupas a utensílios de cozinha e carpetes.

Praticamente qualquer atividade humana libera microplásticos, pois os fragmentos são muito leves. Os níveis eram muito mais altos em um apartamento onde moravam duas pessoas, devido a praticamente qualquer atividade humana que liberasse partículas. Partículas menores permanecem suspensas no ar por mais tempo porque são mais leves, disse Yakovenko.

“Qualquer movimento de ar, vibrações, seu movimento, se você anda, senta, levanta, se você abre uma janela — tudo isso vai ressuspender as partículas”, disse Yakovenko.

Enquanto isso, a concentração de plástico no ar dos carros era cerca de quatro vezes maior do que nos apartamentos. Por ser um ambiente fechado e menor, os carros têm uma concentração maior de plástico, e a ventilação não é boa, disse Yakovenko. Os pesquisadores compararam o material microplástico com o usado no painel, maçaneta, volante e outros componentes.

Embora seja impossível evitar todos os microplásticos no ar, as exposições podem ser reduzidas eliminando o máximo possível de plástico do ambiente doméstico – compre produtos feitos de madeira, metal e fibras ou materiais naturais.

Os sistemas de filtragem de ar HEPA demonstraram ser eficazes na remoção de microplásticos, e Yakovenko afirmou que aspirar regularmente com um aspirador HEPA e tirar o pó pode ajudar. Reduzir os níveis no carro é mais desafiador. Abrir as janelas pode ventilar o interior do carro, mas isso pode permitir a entrada de microplásticos provenientes dos pneus.


Fonte: The Guardian

Chuvas de 2024 no Rio Grande do Sul provocaram o maior evento de deslizamentos de terra no Brasil

Deslizamentos de terra no RS

A equipe identificou 16.862 pontos de início de deslizamento, distribuídos ao longo de cerca de 18 mil quadrados 

As fortes chuvas que atingiram o Rio Grande do Sul entre abril e maio de 2024 ocasionaram o maior evento de deslizamentos de terra já registrado no Brasil. É o que revela estudo publicado na quinta (28) na revista Landslides. A pesquisa teve coordenação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), envolvendo instituições nacionais e internacionais como o Instituto Federal de Goiás (IFG) e o Serviço Geológico do Brasil (SGB), e mapeou a ocorrência de 15.376 deslizamentos. As conclusões podem contribuir para a formulação de políticas e estratégias preventivas, bem como planos de ação para novas ocorrências semelhantes.

Para enfrentar um dos maiores desafios da gestão de deslizamentos no Brasil, a falta de inventários abrangentes e padronizados, a equipe organizou um banco de imagens de satélite de alta resolução registradas no período estudado. Ao todo, 474 imagens, captadas entre 4 de maio e 31 de agosto de 2024, foram analisadas e utilizadas para caracterizar os deslizamentos.

A equipe identificou 16.862 pontos de início de deslizamento, distribuídos ao longo de cerca de 18 mil quilômetros quadrados em 150 dos 497 municípios do Rio Grande do Sul. Isso corresponde a 30% das cidades gaúchas. Além dos deslizamentos, as chuvas de 2024 provocaram inundações, e 96% das cidades gaúchas foram atingidas por pelo menos uma dessas consequências do evento extremo – que afetou quase 2,4 milhões de habitantes, desalojou mais de 600 mil pessoas e resultou em 182 mortes. Clódis de Oliveira Andrades-Filho, professor do Instituto de Geociências da UFRGS e autor do estudo, explica que a magnitude do acontecimento está relacionada ao extraordinário acumulado de chuvas de abril a maio de 2024, e que a maior parte das encostas íngremes do estado se encontrava na área exposta à precipitação.

De acordo com o levantamento, os pontos de início dos deslizamentos ocorreram principalmente em encostas voltadas para norte, norte-nordeste e noroeste-norte, áreas com cobertura vegetal mais esparsas comparadas às voltadas para o sul. Esses setores também sofrem maior pressão de intervenções humanas, como desmatamento, cortes para estradas e construções residenciais. A combinação desses fatores reduz a estabilidade das encostas e ajuda a explicar a concentração observada de deslizamentos nessa orientação. “Estas características, juntamente com demais características do relevo, como o grau de declividade, permitem indicar quais aspectos do terreno predominam nas áreas com maior ocorrência de deslizamentos”, explica Andrades-Filho. “Isso é essencial para estabelecer novos modelos e mapas que indiquem as áreas dos municípios com maior exposição a deslizamentos em grandes episódios de chuva”, defende.

O autor também destaca a identificação de 2.430 trechos de estradas afetados por deslizamentos, resultando no isolamento de comunidades rurais e cidades, além de mortes, feridos e perdas materiais. Segundo a equipe, considerar as características do terreno e o risco geológico de cada região no planejamento e na adaptação das vias pode ser decisivo para evitar consequências mais severas em eventos extremos.

Além de apoiar a identificação de áreas suscetíveis e embasar planos de gestão de riscos, a publicação pode orientar estratégias de recuperação nas regiões afetadas. “Os resultados ainda oferecem suporte para a formação de profissionais voltados à gestão de riscos de desastres, sobretudo em capacitação geotecnológica, além de contribuir para elaboração e implementação de ações de educação e monitoramento comunitário”, explica Andrades-Filho. O pesquisador destaca que a equipe segue empenhada em apoiar esses objetivos por meio de ações como o uso de novas tecnologias para aprimorar o mapeamento, incluindo inteligência artificial, e esforços para tornar a prevenção mais eficiente. Isso inclui desde a comunicação de risco adaptada às condições de comunidades rurais até o planejamento de rotas de fuga e o monitoramento da estabilidade de terrenos.


Fonte: Agência Bori 

Uenf: visita de Flávio Serafini serviu para preparar a paralisação dos professores no dia 11/9

A presença do deputado estadual Flávio Serafini (PSOL) no campus Leonel Brizola serviu para o momento de reflexão dos professores que estiveram na sede social da Aduenf na tarde de ontem (26/8).  A presença significativa de professores no encontro com o presidente da Comissão de Servidores Públicos da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) é um parâmetro da insatisfação com o desprezo demonstrado pelo governador Cláudio Castro com a implementação do novo Plano de Cargos e Vencimentos.

A principal observação feita por Flávio Serafini foi no sentido de que está se abrindo uma janela de oportunidade para que o novo PCV da Uenf seja apreciado pela Alerj, mas que isso vai depender diretamente do nível de mobilização de professores e servidores técnico-administrativos, já que outras categorias estão pleiteando a recuperação dos seus salários. Segundo o deputado, sem mobilização e pressão, as chances de que o novo PCV da Uenf continue engavetado serão grandes. E, pior, que outras categorias tenham suas demandas atendidas antes.

Essa indicação do deputado que presidente a Comissão de Servidores Públicos da Alerj confirma o acerto da decisão da última assembleia dos professores de paralisar as atividades no próximo dia 11 de setembro quando ocorrerá uma audiência pública para discutir as demandas salariais dos servidores da Uenf, a começar pela aprovação do novo PCV.

A partir dessa reunião claramente exitosa, a diretoria da Aduenf deverá se concentrar em preparar a paralisação do dia 11/9 e garantir a ida de uma comitiva representativa de professores para participar da audiência pública que ocorrerá na Alerj.

Calor causado por desmatamento matou meio milhão de pessoas nos últimos 20 anos, revela estudo

Aumentos localizados de temperatura causados ​​pelo desmatamento causam 28.330 mortes relacionadas ao calor por ano, descobrem pesquisadores

Desmatamento na Amazônia

O desmatamento é responsável por mais de um terço do aquecimento global sentido pela população que vive nas regiões afetadas. Fotografia: luoman/Getty 

Por Jonathan Watts para o “The Guardian” 

O desmatamento matou mais de meio milhão de pessoas nos trópicos nas últimas duas décadas como resultado de doenças relacionadas ao calor, segundo um estudo .

O desmatamento está aumentando a temperatura nas florestas tropicais da Amazônia, do Congo e do sudeste da Ásia porque reduz a sombra, diminui as chuvas e aumenta o risco de incêndio, descobriram os autores do artigo.

O desmatamento é responsável por mais de um terço do aquecimento experimentado pelas pessoas que vivem nas regiões afetadas, o que se soma aos efeitos da perturbação climática global.

Cerca de 345 milhões de pessoas nos trópicos sofreram com esse aquecimento localizado causado pelo desmatamento entre 2001 e 2020. Para 2,6 milhões delas, o aquecimento adicional acrescentou 3°C à sua exposição ao calor.

Em muitos casos, isso foi mortal. Os pesquisadores estimaram que o aquecimento global devido ao desmatamento foi responsável por 28.330 mortes anuais nesse período de 20 anos. Mais da metade ocorreu no sudeste da Ásia, devido às populações maiores em áreas vulneráveis ​​ao calor. Cerca de um terço ocorreu na África tropical e o restante na América Central e do Sul.

O estudo foi publicado na quarta-feira na revista Nature Climate Change . Pesquisadores no Brasil, Gana e Reino Unido compararam as taxas de mortalidade não acidentais e as temperaturas em áreas afetadas pelo desmatamento de terras tropicais.

Estudos anteriores mostraram como o corte e a queima de árvores causam aquecimento localizado a longo prazo, mas o novo artigo é o primeiro a calcular o número de mortes resultante.

O professor Dominick Spracklen, da Universidade de Leeds, disse que a mensagem era que “o desmatamento mata”. Ele esperava que muitas pessoas ficassem chocadas com as descobertas, pois os perigos locais do desmatamento muitas vezes se perdem no debate climático global e na expansão das fronteiras agrícolas focada no mercado.

Como exemplo, ele citou a região brasileira do Mato Grosso, onde houve desmatamento massivo para abrir espaço para vastas plantações de soja. Agricultores dessa região agora pressionam pelo fim da moratória da soja na Amazônia para que possam desmatar mais terras.

Spracklen disse que manter a cobertura vegetal intacta salvaria vidas e aumentaria a produção agrícola. “Se o Mato Grosso conseguir manter suas florestas em pé, a população local sofrerá menos estresse por calor”, disse ele. “Não se trata apenas do Ocidente defendendo a proteção das florestas em prol do clima global. As florestas beneficiam diretamente as comunidades locais. Elas regulam a temperatura, trazem chuvas e sustentam a agricultura da qual as pessoas dependem. Essas florestas não estão ociosas – elas estão trabalhando muito duro e fazendo algo realmente importante para nós.”


Fonte: The Guardian

Porto do Açu com fama de mau pagador espanta prestadores de serviço

Bolsa Calote: 500 empresas devem R$ 392 bilhões à União! Confira a lista  dos caloteiros - SMC - Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba

Em uma dessas coincidências que ocorrem em cidade pequena, tive a oportunidade de compartilhar a conversa com um prestador de serviços de transportes de passageiros para o Porto do Açu.  Aparentemente a estratégia do empreendimento de contratar empresas locais que subcontratam outras empresas menores anda dando muito chabu no momento em que as quarteirizadas  precisam ver a cor do rico dinheiro a quem fazem jus por seus serviços. Em outras palavras, as quarteirizadas ficam a ver navios, e não são aqueles estacionados na frente do Porto do Açu.

Essa situação, segundo essa fonte, está fazendo com que muitas empresas pequenas prefiram aceitar serviços que não sejam relacionados ao Porto do Açu, dado que o emprendimento está ficando com uma clara fama de mau pagador. É aquela velha história: melhor receber menos do que receber nada.

Aí eu é que pergunto aos leitores deste blog: se estamos diante do maior empreendimento privado da América Latina como anuncia a propaganda dos gestores do Porto do Açu, como é que há esse ar de calote pairando sobre as cabeças de quem ainda se arrisca a prestar serviços para o empreendimento?

Estudo analisa o impacto das exportações de carne e soja no agravamento da escassez hídrica no Brasil

Um estudo publicado hoje pela revista científica “Communications Earth & Environment”, do grupo Nature, traz informações inéditas sobre o impacto das cadeias produtivas da carne bovina e da soja sobre o uso de água no Brasil, e eles não são nada desprezíveis segundo os autores do trabalho.

Os autores quantificaram o volume e a fonte de água doce utilizados para a produção e exportação de soja e carne bovina brasileiras para a China e a União Europeia (UE) juntamente com o desmatamento e as emissões de gases de efeito estufa para o período de 2015 a 2017. 

Os resultados obtidos demonstram que ambos os setores dependem principalmente de sistemas de abastecidos pelas águas das chuvas, mas também de  soja produzida a partir de sistemas irrigados, e de uma combinação de abeberamento do gado e reservatórios que servem como fonte de água potável.

Um dado particularmente preocupante é que entre  20% e 50% da água doce necessária para exportações para a China e a UE, respectivamente, dependem de bacias hidrográficas que apresentam escassez hídrica alta ou crítica. 

Quem desejar ler o trabalho em sua íntegra, basta clicar [Aqui!].

Deputado Flávio Serafini vem a Campos para cumprir agendas na 3a. feira (26/8), duas delas na Uenf

O deputado estadual Flávio Serafini (PSOL), que preside a Comissão de Servisores da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) estará em Campos dos Goytacazes para cumprir uma série de compromissos, dois deles no campus da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf) (ver imagem abaixo).

Essa visita é particularmente importante porque os servidores da Uenf esperam há mais de dois anos pelo envio do seu Plano de Cargos e Vencimentos (PCV) para a Alerj,  e demandam que o governador Cláudio Castro pague duas parcelas atrasadas de parte das perdas inflacionárias ocorridas nos últimos anos.

Os servidores da Uenf também estão preocupados com a decisão do governador de retirar recursos dos royalties do seu fundo próprio de pensão, o RioPrevidência.  Se o projeto de lei enviado por Cláudio Castro for aprovado é quase certo que haverá muita instabilidade na capacidade de pagamento de pensões e aposentadorias pelo RioPrevidência.

Por isso, a vinda de Flávio Serafini ganha uma relevância espacial, especialmente porque os professores já decidiram que irão paralisar suas atividades no dia 11 de setembro para participar de uma audiência pública que ocorrerá na Alerj para tratar das pautas que deverão ser abordadas nos encontros desta 3a. feira.

Karl Marx como um crítico romântico da alienação

Quanto de ecologia já havia em Marx? Heinrich Detering quer contribuir para essa questão

Marx na verdade inspirou como um teórico materialista – ele também pode ser lido como um amante romântico da natureza?

Marx na verdade inspirou como um teórico materialista – ele também pode ser lido como um amante romântico da natureza? Foto: pixabay 
Por Klaus Weber para o “Neues Deutschland”

Mesmo que pouco mais dos escritos de Marx tenha finalmente penetrado na consciência pública, muitos agora sabem que sua crítica às condições capitalistas não se dirigia apenas à exploração dos trabalhadores, mas também à destruição da “natureza”. Marxistas como Kohei Saito , Simon Schaupp e Donna Haraway podem, portanto, com Marx, atacar a destruição de nossos meios de subsistência através da natureza da economia capitalista. Eles se referem, por exemplo, à maravilhosa frase que escandaliza a propriedade de uma parte da humanidade sobre uma parte muito maior, incluindo a Terra inteira, de uma perspectiva utópica: “Do ponto de vista de uma formação social econômica superior, a propriedade privada de indivíduos no globo parecerá tão absurda quanto a propriedade privada de uma pessoa sobre outra. Mesmo uma sociedade inteira, uma nação, na verdade, todas as sociedades contemporâneas em conjunto, não são donas da Terra. São meramente seus possuidores, seus beneficiários e, como boni patres familias, devem legá-la melhorada às gerações seguintes.”

Mas como é possível que um renomado estudioso da literatura como Heinrich Detering, ordenado diácono em 2019 e membro do Comitê Central dos Católicos Alemães desde 2016, veja Marx, com esta citação, como um pioneiro e coautor de uma crítica ecológica radical da sociedade? Como é possível que alguém que, de outra forma, escreve estudos sobre Thomas Mann, Johann Wolfgang Goethe e outras figuras literárias importantes, estude os escritos de Marx (de ponta a ponta) e admire seu “ecossocialismo”?

Mais humanístico que as pessoas

Detering explora as origens de Marx na poesia romântica da natureza (Wackenroder, Tieck, Günderode, Novalis) e nos poemas que ele próprio escreveu no “Livro do Amor” (“ecoando Goethe”) e no “Livro dos Cânticos” (“com referência explícita a Heine”) na década de 1830. No entanto, a “evocação nostálgica da floresta e da natureza” que Detering reconhece não impede Marx de acusar aqueles que veem a floresta e as árvores como mera propriedade, a serem exploradas exclusivamente em benefício dos ricos, seis anos depois, na famosa série de artigos “Debates sobre a Lei do Roubo de Madeira” (1842). Como as árvores deixam cair sua madeira velha, da qual os pobres precisam desesperadamente para o calor do inverno, Marx as descreve como “um poder amigo, mais humano que o poder humano”.

Afastando-se dos “temas românticos de seus escritos juvenis”, Marx desenvolveu “uma preferência por uma retórica da frieza”, segundo Detering. Em meados da década de 1840, nos “Manuscritos de Paris ” , nos quais a força de trabalho como mercadoria ainda não era tema, ele afirmou: “O trabalho produz maravilhas para os ricos, mas produz degradação para o trabalhador. Produz beleza, mas paralisante para o trabalhador (…). Produz intelecto, mas produz absurdo, cretinismo para o trabalhador.” Para Detering, isso significa: a humanidade é alienada da natureza pelo trabalho capitalista: “Não foi o trabalho original que rompeu o vínculo entre o homem e a natureza. Foi sua transformação em capital que provocou isso.”

Contra Kohei Saito, que descreve como “banal” a afirmação postulada por Marx de que o homem e a natureza não podem existir em sua relação recíproca na realidade, Detering enfatiza a singularidade das considerações de Marx. Suas observações expandem o conceito de natureza e minam as dicotomias simples entre natureza e cultura. Os humanos, portanto, não são apenas parte inescapável da natureza, mas “tudo o que eles produzem, desde a primeira ferramenta até o argumento mais abstrato e a obra de arte mais sutil, é e permanece parte de uma relação entre a natureza e ela mesma “. Para Detering, portanto, em relação ao capitalismo: “Com sua transformação dos meios de trabalho, dos trabalhadores e dos produtos do trabalho em valores de troca, em mercadorias, em capital — este capitalismo é a desordem metabólica fatal deste corpo. É assim não apenas em seus efeitos, mas também em sua própria constituição.”

Gaia romântica kitsch

Por mais que Detering critique o sistema econômico capitalista, ele é incapaz de criticar adequadamente as condições pré-capitalistas; às vezes, elas lhe parecem idílicas e excessivamente harmoniosas. Goethe e Schiller podem ter vivido bem em suas circunstâncias de classe média – mas, para a maioria das pessoas nos séculos XVIII e XIX, a questão central era a sobrevivência em condições de trabalho e dependência, por vezes cruéis. Essa idealização do Romantismo também pode ter levado Detering a pensar em Marx como um precursor da hipótese de Gaia do sociólogo Bruno Latour: “A imagem da família concebida em torno de Gaia, a mãe-terra, percorrerá o capital como um fio condutor . A terra permanece sempre a provedora original, e o ser humano original aparece como seu aluno.” No entanto, Detering não usa “O Capital” de Marx como fonte para sua imagem da família, mas sim os “Manuscritos de Paris” – algo que não pode ser ignorado por um estudioso da literatura.

Da mesma forma, uma crítica àquela “nova sociologia para uma nova sociedade”, na qual o “conceito profano de sociedade deve ser dissolvido”, como postula Bruno Latour, teria sido absolutamente necessária. Para esse “inovador heideggeriano”, como Latour se autodenominava, a “Mãe Terra” e seus filhos sentam-se em um “parlamento das coisas” para punir a humanidade — distinções de classe esquecidas — por sua destruição da natureza. Mesmo que seja duvidoso que “O Capital” trate apenas da Terra como Mãe Natureza, o autor pode demonstrar com inúmeras passagens que, em muitos de seus escritos posteriores, Marx vê a economia “de forma mais profunda e abrangente do que (…) em suas reflexões anteriores, como inserida em contextos naturais”, “dos quais ela é tão dependente quanto a existência contínua da espécie humana”.

Detering conhece a famosa carta de Marx a Vera Zasulich, escrita dois anos antes de sua morte (1883). Nela, ele questiona se “no caminho da libertação (…) é preciso superar as etapas da sociedade capitalista” ou se o estilo de vida e o sistema econômico da “comunidade rural russa autossuficiente” constituem uma forma possível de se alcançar uma comunidade comunista por outros caminhos que não a conquista do poder estatal pela classe trabalhadora. Marx consegue dar à socialista russa uma resposta a essa questão: ela vê a “propriedade comum da terra arável” como um pré-requisito, mas também enfatiza que a falta de identidade nacional dessa forma de propriedade comum e a ameaça representada pelos interesses do capital constituem um grande problema. Somente quando a “propriedade comunista” atinge um estágio mais avançado é que se pode falar de uma mudança na formação. Mas a incerteza de Marx sobre essa questão não deve nos preocupar. Permite-nos considerar por nós mesmos se existem possíveis “ilhas” de comunitarismo e não alienação nas atuais condições sociais que lançam um “vislumbre” (Ernst Bloch) de um mundo diferente e justo.

Curar a alienação?

Embora o Detering católico nunca cite a Bíblia, ele se refere duas vezes ao Gênesis com a Queda do Homem através da “mordida da maçã”: “Esta foi a transgressão da fronteira entre o homem e Deus; para Marx, esta é a ruptura da relação original entre os trabalhadores, de um lado, seu trabalho físico, e a terra como recurso primário, de outro”. Essa “ruptura” do homem com a natureza e do homem consigo mesmo — é “curável” em uma imaginação utópica?

Para Detering, a “saída” reside numa sociedade comunista. No capítulo com este título, ele cita a famosa passagem dos “Manuscritos Econômicos e Filosóficos” de 1844, que – como escreve Brecht – mostra que o comunismo é a coisa simples que é tão difícil de alcançar: ” O comunismo como a abolição positiva da propriedade privada como autoalienação humana e, portanto, como a verdadeira apropriação da natureza humana pelo e para o homem… É a verdadeira resolução do conflito entre o homem e a natureza e entre o homem e o homem.”

Apesar da concepção, às vezes retrógrada, de uma relação entre o homem e a natureza, que ignora as contradições da vida real, o livro de Detering é pelo menos escrito como ele afirma que Marx foi: “Marx escreve de forma poderosa e terna, imaginativa e dura, apaixonada, indignada e empática, e escreve em diálogo contínuo”.

Heinrich Detering: A Revolta da Terra. Karl Marx e a Ecologia. Wallstein 2025, 221 pp., capa dura, € 28.


Fonte: Neues Deutschland

Vento sob demanda cria disputas: excesso parques eólicos offshore rouba capacidade de geração elétrica

As empresas de energia estão chegando a acordos para combater o “roubo de energia eólica” em parques eólicos offshore. Como os grandes rotores roubam a energia uns dos outros 

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Um ladrão mais ousado que o outro: turbinas eólicas são posicionadas de forma inteligente

Por Gerrit Hoekman para o “JungeWelt”

Sem brincadeira: três empresas de energia assinaram um acordo para impedir que umas às outras roubem energia eólica. O acordo, assinado pela Energie Baden-Württemberg (EnBW), pela Jera Nex BP, com sede em Londres, e pela dinamarquesa Ørsted, pode até servir de modelo. Com a construção de parques eólicos offshore cada vez maiores, o “roubo de energia eólica” é um problema sério no setor, podendo até mesmo separar países.

Há vento mais do que suficiente no agitado Mar da Irlanda – qualquer pessoa que já tenha pegado a balsa de Holyhead, no País de Gales, para Dun Laoghaire, na Irlanda, pode confirmar isso. No entanto, surgiu uma disputa entre as três empresas de energia sobre a distribuição justa dessa energia eólica. A EnBW e a Jera Nex BP querem construir o parque eólico “Morgan” ao norte do Mar da Irlanda, que cobrirá aproximadamente 300 quilômetros quadrados. Ørsted, no entanto, já opera o parque eólico offshore “Burbo Bank” nas proximidades. Os dinamarqueses temiam que “Morgan” tirasse o vento de suas velas, ou melhor, de suas pás de rotor. Isso teria um impacto nas vendas e nos lucros – porque é disso que se trata, afinal.

Os detalhes exatos do acordo para resolver a disputa são desconhecidos. A EnBW e a Jera Nex BP declararam apenas na quarta-feira que “estão satisfeitas com o acordo e ansiosas para levar o projeto adiante e trabalhar com Ørsted no futuro”. O planejamento para “Morgan” pode, portanto, continuar.

“As turbinas eólicas são projetadas para capturar o vento do ar. Se você medir atrás de uma turbina eólica, o vento sopra com menos força. Atrás de um parque eólico com muitas turbinas posicionadas próximas umas das outras, a velocidade do vento é significativamente menor”, explicou Remco Verzijlbergh, da Universidade Técnica (TU) de Delft, o fenômeno preocupante na Rádio Belga 1 em maio.

O chamado efeito esteira pode se estender por distâncias de até 100 quilômetros. Um estudo recente da Universidade Belga de Leuven constatou que o novo parque eólico planejado na costa belga poderia reduzir a produção dos outros dez já instalados em mais de 10%. A cada cinco dias de alta produção, as perdas podem chegar a ultrapassar 15%.

O acordo entre a EnBW, a Jera Nex BP e a Ørsted pode ser o primeiro do gênero, mas provavelmente não será o último, visto que os parques eólicos estão cada vez mais próximos uns dos outros. Isso significa que o “roubo de energia eólica” se tornará ainda mais comum no futuro. Os parques eólicos holandeses já estão reclamando. A Universidade Técnica de Delft estima que os parques eólicos na costa da província holandesa de Zelândia geram de dois a três por cento menos eletricidade porque o vento vem principalmente do sudoeste e sopra primeiro pelos parques belgas.

“Mais de 170 turbinas eólicas estão operando na costa da Zelândia. Mas o vento que elas tentam capturar muitas vezes já foi parcialmente roubado”, explicou a emissora regional Omroep Zeeland , que descreveu o problema. Isso não foi intencional, é claro, acrescentou a emissora. Mas as consequências podem ser significativas: “Mesmo uma queda de alguns pontos percentuais na produtividade pode impactar negativamente a situação financeira dos parques eólicos, que tradicionalmente são financiados com dívidas significativas. Em alguns casos, os governos precisam fornecer fundos adicionais para mecanismos de apoio”, segundo o jornal econômico flamengo De Tijd .

Encontrar uma solução é difícil. Pedir para o vento vir de uma direção ou de outra provavelmente é inútil. Pesquisadores já estão considerando como esse efeito pode ser reduzido de outras maneiras. Engenheiros suspeitam que uma leve oscilação das pás do rotor poderia ajudar. “Ninguém sabe ainda se isso vai funcionar, e em que porcentagem”, diz Remco Verzijlbergh, demonstrando paciência. Até lá, certamente seria benéfico se certos parques eólicos fossem um projeto conjunto envolvendo todos os envolvidos, governos e empresas, desde a fase de planejamento. Porque uma coisa é clara: cada novo parque eólico coloca outro em seu vácuo.


Fonte: JungeWelt