Agrotóxicos: Perto de completar 30 anos, farra tributária do ICMS terá R$ 1,93 bi de isenção somente em SP 

Valor previsto na lei orçamentária para 2026 é semelhante ao repasse anunciado pelo governo Tarcísio à saúde de 645 municípios paulistas

Pulverização aérea de agrotóxicos em fazenda no interior paulista. Foto: reprodução vídeo YouTube

Cida de Oliveira 

Passou quase despercebida a prorrogação, em julho, do convênio que desde 1997 garante aos fabricantes de agrotóxicos isenção ou descontos de 60% no ICMS. Principal fonte de recursos dos estados, o imposto incide sobre operações relativas à circulação de mercadorias e prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação. A renovação garante ao setor a continuidade de lucros exorbitantes em todo o Brasil até 31 de dezembro de 2027, quando a mamata tributária completará 30 anos. É difícil calcular a perda de arrecadação dos estados brasileiros em todo esse tempo, mas dá para ter uma ideia. Um estudo do grupo de pesquisa em justiça ambiental, alimentos, saberes e sustentabilidade da Universidade do Vale do Taquari (RS), calculou soma da renúncia de todos os estado e Distrito Federal 2017. E atualizou para valores de 2023 com base no IPCA, encontrando perda de R$ 7,05 bilhões.

Em novembro do ano passado, o lobby do veneno agradeceu ao governador de São Paulo, o bolsonarista Tarcísio de Freitas (Republicanos) por se antecipar em defesa da manutenção do convênio e pedir ao legislativo paulista providências nesse sentido. Foi mais uma ação generosa do gestor aliado ao agro e defensor da manutenção dos privilégios dos seus barões.

Um dos 26 estados, incluindo o Distrito Federal, que isentaram os agrotóxicos de recolher o imposto em operações internas, além da redução de 60% na alíquota de 18% nas operações interestaduais, SP ocupa o segundo estado no ranking do consumo nacional de agrotóxicos. Faz a festa das fábricas, que venderam 98,2 milhões de toneladas desses produtos em 2023, conforme relatório do Ibama. Perdeu apenas para o Mato Grosso, com 165,6 milhões. Com tanto agrotóxico comprado para despejar sobre lavouras de cana, soja e outras, não chega a causar surpresa a presença de 14 tipos deles na chuva em cidades do interior e da capital. A constatação veio de pesquisa da Unicamp divulgada em março, em uma publicação científica estrangeira. Entre os venenos encontrados estava a atrazina, proibida em diversos países justamente devido aos seus efeitos altamente tóxicos.

Pelas contas da equipe econômica de Tarcísio, a perda paulista com agrotóxicos estará próxima dos R$ 2 bilhões no ano que vem. Mais precisamente R$ 1,93 bi, segundo a Lei de Diretrizes Orçamentárias 2026, aprovada em 1º de julho. Desse total, R$ 1,81 bi vem da redução de 60% na base de cálculo. E R$ 121,8 milhões da isenção total do imposto. O total da renúncia com os agrotóxicos está próximo dos R$ 2 bilhões que Tarcísio repassou em junho último à área da saúde dos 645 municípios paulistas desde que tomou posse, em janeiro de 2023. Entre os quais certamente muitos carentes de recursos para tratar intoxicações e doenças causadas por esses produtos à sua população.

Benefícios a perder de vista

Mas há também previsão de perdas com outros setores do agro que elegeu Tarcísio. A lei prevê mais R$ 1,13 milhão para o setor que inclui agricultura e pecuária”. E ainda R$ 902,5 milhões para “agricultura, pecuária e serviços relacionados”. Com isso o estado fica sem arrecadar R$ 3,92 bilhões. Um montante três vezes maior que o R$ 1,3 bi que o mesmo governo repassou neste ano a 145 instituições conveniadas ao SUS na região Metropolitana de São Paulo.

Enquanto fabricantes como Syngenta, Bayer, Basf e outras fazem a festa nos estados, para desespero de muitos governadores, o da Califórnia aprovou mudanças significativas nas leis que afetam essas indústrias, com aumento na alíquota sobre a venda de agrotóxicos e prazos para a reavaliação. E também reforçar a regulamentação dos produtos, programas de segurança e melhorar a eficiência e a transparência do processo de registro.

O ralo de recursos públicos não se limita a isenções e redução de alíquotas do ICMS. Os fabricantes de agrotóxicos se beneficiam também das isenções em impostos e contribuições federais, que foram sendo concedidas a partir da década de 1990: o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), o Imposto de Importação (II), Contribuição Social para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e as Contribuição Social dos Programas de Integração Social (PIS) e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep). A alíquota zero dessas contribuições, aliás, impediram os cofres públicos de arrecadar R$ 8,9 bilhões de 2010 a 2017, conforme um relatório do Tribunal de Contas da União (TCU). Segundo dados divulgados pela Receita Federal com base em informações declaradas pelas empresas sobre créditos tributários decorrentes de benefícios fiscais, de janeiro a agosto de 2024 os agrotóxicos deixaram de pagar mais de R$ 10,7 bilhões em impostos federais. A Syngenta deixou de recolher R$ 4 bilhões, a Bayer R$ 2,11 bilhões e a Basf, R$ 1,87 bi.

Introduzidos a partir da década de 1990, os incentivos fiscais a esses produtos foram sendo ampliados nos anos seguintes. Inclusive nos governos progressistas, com o mesmo argumento dos fabricantes. Ou seja, de que contribuiriam para tornar os alimentos mais baratos. A falácia, aliás, tenta endossar outra balela do setor: o princípio da seletividade e da essencialidade tributária que justificariam todas essas isenções e benefícios.

Distorções

No entanto, a assessora jurídica da organização Terra de Direitos, Jaqueline Andrade, disse ao Blog do Pedlowski que há, na verdade, uma distorção. “São classificados como produtos essenciais, apesar de serem cientificamente e comprovadamente danosos à saúde e ao meio ambiente”, afirma. “Essa classificação é política, tanto que privilegia determinadas parcelas de grupos econômicos e produtivos do país. Especialmente setores do agronegócio extensivo, com um altíssimo custo à coletividade e à população brasileira, ao patrimônio e ao erário público.”

Como exemplo, ela menciona resultado de estudo dos pesquisadores Marcelo Firpo Porto, da Fiocruz, e Wagner Soares, do IBGE, sobre os impactos negativos à economia da saúde: para cada US$ 1 gasto na compra de agrotóxicos, é gerado um custo de até US$ 1,28 com o tratamento apenas das intoxicações agudas causadas por agrotóxicos.

A organização é amicus curiae na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 5.553, que tramita desde 2016 no Supremo Tribunal Federal (STF). Apresentada pelo Partido Solidariedade e Liberdade (Psol), a petição questiona a legalidade de pontos do convênio ICMS 100/97 e da legislação do IPI ao beneficiar agrotóxicos. Segundo a advogada, os argumentos para a criação e renovação do convênio já se provaram insustentáveis e falsos. “O censo agropecuário de 2017 mostra que as pequenas propriedades, de até 100 hectares, as maiores em número no Brasil, cultivadas majoritariamente pela agricultura familiar, afirmam gastar até 4,9% das despesas de produção com agrotóxicos. Por outro lado, as grandes propriedades, com mais de 500 hectares, que representam menos propriedades no Brasil, afirmam gastar mais com agrotóxicos”, ponderou.

Comida, commodities e golpismo

O fato de o Brasil ter 71,2 milhões de hectares plantados, dos quais a soja representa 42%, o milho, 21% e a cana, 13%, conforme estudos da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), é outro aspecto para o qual Jaqueline chama atenção.  “Juntos, estes três cultivos representaram 76% de toda a área plantada do Brasil e foram os que mais consumiram agrotóxicos, correspondendo a 82% de todo o consumo do país em 2015. Paralelamente são as culturas majoritariamente exportadas. Assim, o uso intensivo de agrotóxicos é direcionado para a produção de commodities, não de alimentos”, ressalta.

Em contraposição, como lembra, a produção de alimentos é a menor dependente desses produtos. “O Censo Agropecuário de 2017 mostra que a maioria dos alimentos vem da agricultura familiar. São estes estabelecimentos da agricultura familiar que produzem 69,6% do feijão, 83% da mandioca, 45,6% do milho em grão, 21% do trigo e 38% do café, os quais permanecem no mercado brasileiro para consumo interno da população brasileira. Assim, a tributação dos agrotóxicos impacta quase que de forma insignificante na produção massiva de alimentos no país e no repasse ao consumidor. Impactará grandes proprietários rurais que destinam a produção para exportação e que já são beneficiados por outros incentivos e benefícios no sistema tributário nacional, como é o caso das desonerações para exportações e do financiamento por bancos públicos. É uma escolha que premia poucos, mas impacta muitos.”

Aplicação de agrotóxicos em lavoura de cana, principal cultura do Estado de SP. Foto: Reprodução YouTube

Para além da questão agrícola, a advogada considera os aspectos políticos e ideológicos dos beneficiados pelas isenções aos setores do agronegócio. No caso, a estreita ligação do setor com os financiadores da logística dos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. “A relatora Eliziane Gama apontou, por exemplo, o sojicultor Argino Bedin e a Aprosoja — que teve R$ 20 milhões bloqueados — como financiadores de caravanas de caminhões e protestos em Brasília”, lembrou. “Delações, como a de Mauro Cid, também confirmaram que o general Braga Netto buscou recursos junto ao ‘pessoal do agro’ para viabilizar a tentativa de golpe, no custeio de transporte, alimentação e estrutura de acampamentos. Nos resta então perguntar: por que o estado brasileiro beneficiar o agronegócio, ao passo que esse recurso é o mesmo utilizado para a articulação e execução de ações antidemocráticas?”

Justiça social tributária

Advogada e membro do coletivo jurídico Zé Maria do Tomé e da Rede Nacional de Advogados e Advogadas Populares, Geovana Patrício acompanha de perto a tramitação da ADI 5.553. Para ela trata-se de uma ação que busca efetivar o princípio da capacidade contributiva e justiça social tributária, segundo a qual quem tem maior capacidade econômica, paga mais. Ou, no caso, paga a tributação regular, tanto que o provimento da ação sequer implica em sobretaxação aos agrotóxicos.

O relator, ministro Edson Fachin, havia marcado julgamento para junho. Mas o cenário inicial não era bom, segundo Geovana Patrício. “Tinha o voto favorável do relator pela procedência, Carmen Lúcia acompanhou, o ministro Gilmar Mendes abriu divergência, pela total improcedência da ação. E foi acompanhado pelo Cristiano Zanin, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes”, lembrou. “André Mendonça abriu uma segunda divergência, reconhecendo, de maneira parcial, a inconstitucionalidade da isenção fiscal. E determinou que União e estados avaliem o benefício e apresentem estudos que justifiquem a continuidade da política. Na opinião dele, os agrotóxicos são danosos e é necessária uma taxação conforme o nível de toxicidade”.

De acordo com a advogada, os assessores jurídicos que assinam a petição do Psol solicitaram a realização de uma audiência pública para aprofundar o debate, o que ocorreu em novembro. (Clique aqui e aqui para conferir a íntegra). O Ministério da Saúde e do Meio Ambiente se manifestaram pela procedência da ação, ao contrário da Agricultura. O que falta, segundo Geovana, é o relator marcar novo julgamento, muito embora o governo federal ainda não tenha apresentado os dados solicitados.

Argumentos e reforma tributária

“A nossa expectativa é que o voto do relator Fachin seja seguido diante de todos os argumentos que foram apresentados em audiência. E que a isenção seja considerada inconstitucional, até porque vai ter um novo debate ano que vem, quando entra em vigor a reforma tributária que colocou na Constituição a redução da alíquota em 60%. A gente considera que isso não é compatível com os preceitos constitucionais. Penso que o relator está avaliando como vai ficar essa questão”.

Em janeiro de 2026 terá início a transição do sistema tributário com vistas à implementação escalonada da reforma, que deverá ser concluída em 2033. Até lá, impostos estaduais, municipais e federais (ICMS,ISS, PIS, COFINS e IPI) deverão ser substituídos pelo IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e o IS (Imposto Seletivo), com incidência sobre produtos considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente. É o caso de cigarros, bebidas alcoólicas e os agrotóxicos. Entretanto, foram novamente agraciados. Vão gozar da redução de 60% na alíquota do IBS. E enquanto isso o governo sanciona, com 11 anos de atraso, o Programa Nacional de Redução de Agrotóxicos. Parece piada.

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Rússia pode parar compra de soja brasileira por excesso de agrotóxicos


Cida de Oliveira é jornalista

Escândalo científico: estudo assinado por 63 pesquisadores e liderado pela USP é despublicado por fraude

Um estudo sobre os efeitos de fragmentos do virus SARS-Cov-2 em organismos aquáticos que foi publicado pela “Science of the Total Enviroment” em 2022 acaba de ser “despublicado”  após uma investigação conduzida em nome do periódico por equipe de integridade em Pesquisa e Ética da editora  Elsevier que descobriu irregularidades sérias que teriam cometidas pelos autores.

Uma das descobertas foi que três das revisões do artigo eram fictícias.  A investigação determinou que  três revisões submetidas sob o nome de cientistas conhecidos não foram feitas por eles.  A Elsevier também determinou que os nomes e dados de contato fictícios dos revisores foram submetidos pelo autor de correspondência do autor, o professor Guilherme Malafaia do Instituto Federal de Goiás.

A equipe de integridade em Pesquisa da Elsevier ainda considerou que, embora o artigo tenha sido revisado por revisores adicionais escolhidos pelo Editor da Science of the Total Environent, a violação cometida pelo autor de correspondência comprometeu todo o processo editorial., levando a uma perda perda de confiança na validade/ integridade do artigo e em suas conclusões.

A conclusão inevitável que o artigo deveria ser “despublicado” ( ver imagem abaixo).

Há que se lembrar que Guilherme Malafaia é um velho conhecido de despublicações, e já teve mais 40 artigos despublicados por má conduta científica, incluindo o cometimento de plágio. Uma pergunta que muitos poderão fazer é a seguinte: como um pesquisador com um histórico segue sendo incluído em autoria de artigos? E como um artigo com dezenas de autores, de instituições de ponta, passa por um processo de revisão tão fraudulento em uma revista de tamanha tradição?

Das duas uma: tem mais gente participando de esquemas fraudulentos ou vivemos uma epidemia de ingenuidade correndo solta na comunidade científica brasileira.

Estudantes da UENF são convidados para participar em pesquisa sobre manguezais

Aves e Árvores: Visita à Reserva Biológica de Guaratiba (RJ)

Os professores Carlos Eduardo de Rezende, do Laboratório de Ciências Ambientais do Centro de Biociências e Biotecnologia (CBB), e William Vasquez,  da Fairfield University (EUA),  estão convidando os estudantes da  Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) para participar de uma pesquisa sobre as preferências dos estudantes em relação às reservas florestais de manguezal.

O questionário é simples, leva aproximadamente 15 minutos para ser respondido, e a participação dos estudantes é voluntária, não remunerada e totalmente confidencial. As respostas coletadas contribuirão com dados relevantes para subsidiar políticas públicas e programas voltados ao aprimoramento da gestão dessas áreas. 

Quem desejar  saber mais sobre o projeto e responder ao questionário, deve clicar no link abaixo:

[https://fairfield.iad1.qualtrics.com/…/SV_7WY8pUUBke3tNnE]

Os professores Rezende e Vasquez agradecem antecipadamente a quem se dispuser a participar da pesquisa.

Pesquisas eleitorais e seus resultados (nada) misteriosos: nem tudo que reluz é ouro

Por Douglas Barreto da Mata

O mau do esperto é imaginar que todos à sua volta são tolos.  Pois é.  Em alguns casos, a tentativa de passar a perna em todos acaba por trazer momentos vergonhosos para os “espertos”. As pesquisas eleitorais servem para muita coisa: análises sérias, mas também para propaganda, manipulação de resultados e até auto engano. 

Eu não saberia dizer quais das circunstâncias levou o pré-candidato Rodrigo Bacellar a se expor dessa maneira.  Eu creio que ele não fez isso sozinho, ou só pegou carona na estratégia alheia, ou é um “inocente útil”. Eis a receita dos “alquimistas políticos”, que desejam transformar pedra em metal valioso.

Primeiro, a “inacreditável sabedoria” de suprimir o nome de Wladimir Garotinho, nesta pesquisa Quaest.  O prefeito campista é um dos principais rivais do deputado estadual, e apareceu em segundo, seguido de Washington Reis, e depois, em quarto, o próprio presidente da Alerj, na pesquisa Prefab.

Quem observar os números das duas pesquisas vai poder concluir que Rodrigo só chega a 9%, na pesquisa Quaest, por causa da ausência de Wladimir.  Todos os demais permanecem com números parecidos.  Ou seja, Wladimir vai bem com Rodrigo, mas Rodrigo não resiste à presença de Wladimir no questionário.

Ah, sim, mas o contratante da pesquisa tem o direito de explorar os cenários que deseja.  O contratante, sabemos, é o grupo Globo, ou alguém que contratou a sondagem para ser divulgada pela empresa de comunicação, como principal plataforma de repercussão.

Rodrigo Bacellar embarcou na jogada? Claro, ninguém rejeita um “vento a favor”, porém, correndo o risco do ridículo de acreditar em uma nota de três reais.  O truque fica pior, acreditem. Quem olhar o cartão com os números, nomes e partidos verá que o partido atribuído ao Rodrigo é o PL.  PL, como assim?  Rodrigo Bacellar é do União Brasil/PP.

Por que esse “erro”?  Ora, para induzir o eleitor a acreditar que Rodrigo é o candidato dos Bolsonaro, justamente aqueles que disseram que ele não é candidato dos Bolsonaros, de acordo com Flávio Bolsonaro, que fala pelo pai nesse assunto.

Bem, um leitor ou leitora mais atenta poderá perguntar:  Uai, a pesquisa contratada e amplamente divulgada pela Globo favorecendo a Rodrigo Bacellar, será que a Globo escolheu ele como candidato?  Se ele acredita nisso, ou nos números apresentados, é desespero puro.

Qual é, então, a mão que balança o berço? O que fez essa distorção de colocar o PL como partido de Rodrigo e a supressão do seu principal rival?  Bem, eu não tenho elementos para provar que foi Eduardo Paes, mas ele é o principal beneficiado.  Como? Ora, todas as pedras portuguesas do calçadão de Copacabana sabem que Eduardo Paes quer disputar com Rodrigo Bacellar, e tem pavor de imaginar uma disputa com uma aliança Wladimir com Washington, ainda mais com apoio de Bolsonaro.

Não por outra razão, Eduardo fez gestões para ter um dos dois em sua chapa, e nunca o fez em direção ao Presidente da Alerj, ao menos não publicamente, como fez com os WW. Ao mesmo tempo, inflar Rodrigo é bagunçar o jogo no campo de Wladimir e Washington, ainda mais com o desempenho do campista na pesquisa Prefab, sendo somente a segunda vez que ele aparece em sondagens, e não tendo se declarado candidato. Com a “subida” de Rodrigo, Paes imagina empurrar os WW para seu campo.

A colheita invisível: agrotóxicos, câncer e a crise de saúde no interior do Missouri

Os condados com maior uso de agrotóxicos por quilômetro quadrado estão todos localizados em Bootheel, Missouri. Muitos desses condados têm algumas das maiores taxas de câncer do estado e suas opções de assistência médica estão diminuindo

Um agricultor pulveriza agrotóxicos, que são uma classificação de substâncias utilizadas para proteger as plantações, em 21 de maio de 2025 em Senath, Missouri. Foto de Michael Baniewicz, para o Investigate Midwest 

Unyielding é um projeto da Escola de Jornalismo da Universidade do Missouri para o Investigate Midwest.

Por Alex Cox ,  Adeleine Halsey ,  Kyla Pehr  e  Savvy Sleevar , para Investigate Midwest

KENNETT, MO — Aninhada em Bootheel, Missouri, fica a pequena cidade de Kennett, sede do Condado de Dunklin. Com pouco mais de 10.000 habitantes, é uma comunidade unida onde provocações bem-humoradas são uma demonstração comum de afeto.

Antigamente um grande pântano, hoje é uma extensão de campos planos e férteis, onde a agricultura é a espinha dorsal da economia da região.

As casas de Kennett não ultrapassam um andar e, ao passearem pela rua principal, os visitantes são recebidos por uma mistura de restaurantes, butiques e um aconchegante salão de beleza. Esses prédios são ofuscados por um hospital silencioso e fechado com tábuas, cuja ausência é uma lembrança do que a comunidade perdeu.

É o tipo de comunidade em que, se algo trágico acontece, todos descobrem.

Bobbi Bibbs descobriu isso da maneira mais difícil. Ela descobriu que tinha câncer no cólon em dezembro de 2023, que depois metastatizou para o fígado, tornando-o um diagnóstico de estágio quatro.

Bibbs não está sozinha. O Condado de Dunklin está entre os 10 condados com as maiores taxas desse tipo de câncer no estado. Isso não é apenas uma estatística; Bibbs disse que consegue ver e quase não consegue compreender.

“Há tantos (casos) de onde viemos”, disse Bibbs. “Tipo, tem que estar vindo de algum lugar.”

Bibbs está cercada de pessoas que entendem suas dificuldades, muitas das quais trabalham na indústria agrícola. No Condado de Dunklin, existem centenas de milhares de hectares de plantações — e a maior parte dessas terras está coberta de agrotóxicos.

Estimativas sugerem que milhares de quilos de agrotóxicos são pulverizados em terras agrícolas do Missouri todos os anos. Em alguns lugares, o lodo de esgoto contendo “produtos químicos eternos” — substâncias perfluoroalquiladas e polifluoroalquiladas — é  aplicado em terras agrícolas como fertilizante .

Vários estudos científicos exploraram uma conexão entre o uso de agrotóxicos e o câncer, apontando para uma crise silenciosa de saúde pública que atinge particularmente as comunidades rurais.

A Universidade do Missouri (MU), em parceria com a Investigate Midwest, conduziu uma análise condado por condado das taxas de câncer e uso de agrotóxicos, usando os dados mais recentes disponíveis para pesticidas que são repetidamente citados em pesquisas como provavelmente associados ao risco de câncer.

Os seis condados com o maior uso desses agrotóxicos por quilômetro quadrado estão todos localizados em Bootheel, incluindo Dunklin. Quatro desses condados estão entre os 15 com maior índice geral de câncer no Missouri. Todos os condados com as maiores taxas de câncer são rurais.

Então, em Kennett, há altas taxas de uso de produtos químicos, altas taxas de câncer — e o  centro de trauma mais próximo no estado fica a mais de uma hora e meia de distância.

Em outras palavras, é uma típica cidade rural do Missouri.

Colinas verdes e quilos de produtos químicos

Embora o Missouri tenha sua parcela de colinas cobertas por árvores e folhagens selvagens, grande parte da terra é bem desenvolvida para atender às necessidades dos agricultores e suas plantações. Há cerca de 27 milhões de acres de terras agrícolas cultivadas no Missouri e quase 88.000 fazendas, de acordo com o  Centro de Análise de Políticas Agrícolas e Financeiras Rurais .

A maior atividade econômica do estado é a agricultura, empregando cerca de 460.000 pessoas em todo o estado, de acordo com o  Departamento de Agricultura do Missouri . Soja, milho e trigo são algumas das culturas que colorem a maior parte da paisagem do estado.

A agricultura é uma atividade perigosa que exige uma grande quantidade de equipamentos pesados ​​e ferramentas especializadas. Essas ferramentas incluem produtos químicos.

Isain Zapata é um cientista de dados que  pesquisou a relação entre agrotóxicos e a incidência de câncer . Ele analisou misturas complexas de agrotóxicos, adaptadas a culturas específicas, que são pulverizadas em diferentes regiões.

“Quando olhamos para esses agrotóxicos, não se trata apenas de um — é um coquetel”, disse Zapata. “É todo um arco-íris de cores diferentes.”

Ele descobriu que essas combinações coloridas estão fortemente ligadas a certas taxas de câncer em todo o país.

“O linfoma não-Hodgkin e as leucemias estão intimamente associados ao uso de agrotóxicos”, disse Zapata. “Mas também vimos que o uso geral de agrotóxicos tem um efeito sobre todos os outros tipos de câncer não óbvios.”

Outras pesquisas mostram uma associação entre certos pesticidas e um risco aumentado de  câncer de cérebro, próstata ,  mama ,  rins  e cólon.

Agrotóxicos são uma classificação de substâncias usadas para proteger as plantações. Isso inclui matar ervas daninhas, insetos ou até mesmo fortalecer a madeira para evitar que pragas danifiquem a planta. Os agricultores normalmente aplicam agrotóxicos nas plantações usando métodos como pulverização aérea ou equipamentos terrestres.

Os agrotóxicos representam sérios riscos, pois podem prejudicar tanto a saúde humana quanto o meio ambiente. A exposição pode levar a problemas de saúde a curto ou longo prazo, além de contaminar o solo e a água, o que pode perturbar os ecossistemas e afetar a vida selvagem.

Mas os agrotóxicos fazem o que fazem de melhor. Zapata enfatiza que, sem agrotóxicos, as economias baseadas na agricultura e as comunidades a elas vinculadas sofreriam.

“Não sou a favor nem contra agrotóxicos”, disse Zapata. “Sei que precisamos deles. Não gosto deles, mas sei por que precisam estar lá.”

Ele disse que as áreas agrícolas rurais abrigam uma combinação intensa de fatores que multiplicam o nível de risco.

Os agricultores estão sob pressão para manter ou aumentar sua produtividade, e isso tem como custo o uso de compostos que trazem riscos à saúde, disse Zapata. As áreas rurais costumam ser mal atendidas por unidades de saúde, o que significa que muitas vezes há poucos profissionais de saúde e recursos nessas áreas para monitorar e gerenciar o risco adicional do uso de pesticidas.

“É simplesmente a tempestade perfeita”, disse Zapata. “Você combina vários fatores (uso excessivo de pesticidas, regulamentação e monitoramento deficientes, disparidades socioeconômicas) e piora a situação.”

A rodovia de um milhão de acres

Mike Milam é um especialista local em aplicação de agrotóxicos. Baseado em Kennett, ele é especialista de campo em agricultura e meio ambiente na MU Extension, atendendo os condados de Dunklin, New Madrid e Pemiscot.

“Algumas pessoas me disseram, especialmente aquelas que não gostam nem um pouco de produtos químicos, que nossos corpos não foram projetados para respirar esses produtos químicos”, disse Milam. “E elas têm razão.”

O herbicida Roundup é alvo de milhares de processos judiciais alegando que causa câncer, o que o coloca em evidência. Milam listou outros produtos químicos que têm causado preocupação, incluindo paraquate, vydate e dicamba.

Agricultores e trabalhadores contratados para a colheita frequentemente interagem com produtos químicos. Da mistura ao despejo e à pulverização, eles estão presentes em todos os momentos. Eles também se deparam com produtos químicos de outros agricultores quando uma substância pulverizada em uma área se espalha para algum lugar que não deveria.

“Conheci uma situação em que pessoas nos campos foram pulverizadas, ou pulverizaram perto delas, e depois a substância transbordou. E coisas assim”, disse Milam. “Aliás, quando eu estava na pós-graduação, eu estava em um campo na Louisiana, e eles estavam pulverizando bem ao nosso lado. Tivemos que sair do campo.”

A deriva direta ocorre quando um aplicador aplica umagrotóxico e o vento o sopra para outro lugar, tornando o monitoramento das condições climáticas parte integrante do processo. Quanto mais forte o vento, maior o potencial de deriva.

Dito isso, os agricultores têm um prazo limitado para semear e fertilizar seus campos durante a temporada de plantio. As condições climáticas flutuantes podem tornar isso ainda mais difícil. Só nesta primavera, o Bootheel enfrentou tornados,  tempestades de areia  e  inundações históricas , todos com potencial para atrapalhar o trabalho de campo.

“Saímos aqui, plantamos uma safra, ela parece linda, uma enchente a destrói e temos que começar tudo de novo”, disse o senador Jason Bean, republicano de Holcomb, agricultor de Bootheel de quinta geração.

Milam disse que alguns agricultores acabam pulverizando suas plantações quando as condições não são ideais.

“Os agricultores não estão prestando atenção ou simplesmente decidem ir em frente e (se candidatar) de qualquer jeito porque precisam fazer o trabalho”, disse Milam. “Eles estão sob muito estresse, tentando colher as colheitas.”

Jason Mayer, agricultor de quarta geração da Bootheel e um dos diretores da Associação de Soja do Missouri, acredita que, nove em cada dez agricultores estão fazendo a coisa certa. Para ele, são os “maus atores” que vão contra as melhores práticas. Bean compara isso ao excesso de velocidade na rodovia.

Em sua analogia, assim como os motoristas que respeitam o limite de velocidade na estrada, a maioria dos agricultores segue as regras. Assim como sempre haverá aquele motorista ultrapassando todos os outros na faixa da esquerda, haverá agricultores que infringem as regras.

Reguladores agrícolas — como o Departamento de Agricultura do Missouri ou a EPA — atuam como policiais na beira da estrada na metáfora. Eles intervêm quando há suspeita de uso indevido. Os inspetores da Agência de Proteção Ambiental (EPA) podem aparecer a qualquer momento e pedir para ver os registros de um agricultor, disse Milam.

Com milhões de hectares de terras agrícolas no Missouri, essa é uma grande rodovia a ser observada. Portanto, se as agências não flagrarem alguém infringindo as regras, cabe aos fazendeiros locais denunciar seus vizinhos ao órgão estadual de controle de pesticidas.

Bean enfatizou que a aplicação adequada de agrotóxicos não se resume apenas à conformidade, mas também ao melhor interesse do agricultor. O uso indevido desperdiça produtos químicos caros, reduz a eficácia das culturas e diminui a confiança do consumidor nos produtos cultivados localmente.

“Eu diria que somos grandes administradores da terra”, disse Bean. “Vamos continuar assim, porque, no geral, os agricultores querem produzir para o mundo o produto mais seguro e abundante.”

Milam afirmou que a chave é usar os produtos químicos adequadamente para minimizar a exposição. Ele afirmou que usar equipamentos de proteção individual durante a aplicação é uma prática recomendada. Portanto, medidas como usar calças compridas, camisas de manga comprida, máscaras e óculos de proteção são essenciais para o uso seguro.

Bean não acredita que agrotóxicos causem ou aumentem o risco de câncer. Mayer compartilha esse sentimento, enfatizando sua experiência de vida com cultivos e aplicações químicas.

“Hoje, faço 42 anos — graças a Deus —”, disse Mayer. “Ainda sou relativamente jovem, perfeitamente saudável e estou na fazenda desde os 14 anos.”

Esperando em uma sala de espera

Iniciar uma conversa sobre assistência médica em Kennett certamente levará a um tópico: o hospital.

Kennett não tem mais um; o Twin Rivers Regional Medical Center fechou suas portas em 2018.

Para suturas rápidas ou tratamento de infecção, o Pronto-Socorro St. Bernards está aberto todos os dias. Fecha às 19h30, o que significa que os moradores de Kennett precisam ir a outro lugar para receber atendimento noturno.

Há várias opções em condados próximos, ou até mesmo em estados vizinhos, mas se alguém precisar de atendimento de emergência, por exemplo, é preciso caminhar bastante.

Embora haja um Mercy Hospital localizado nas proximidades de Dexter, com um rodízio de médicos especialistas, o centro de trauma mais próximo de Kennett no Missouri fica em Cape Girardeau, a cerca de uma hora e meia de distância.

“(Se) eu tiver um ataque cardíaco às oito horas da noite, ou um derrame, e se (o pronto-socorro) ainda estiver aberto, eles podem me dar aquele pequeno comprimido sofisticado e me ajudar a chegar ao hospital para receber ajuda”, disse Cheryl Bruce, diretora executiva do Dunklin/Stoddard Caring Council, uma organização sediada em Kennett que oferece um programa de serviços de assistência a moradores do Condado de Dunklin com câncer.

O antigo prédio do hospital de Kennett ainda está de pé na rua principal da cidade. As janelas estão fechadas com tábuas, e andar pelos corredores exige desviar de fios e andar na ponta dos pés sobre cacos de vidro.

O atual proprietário está em uma batalha de zoneamento para transformar o hospital em algo. Eles ainda não conseguiram encontrar compradores, pois precisam de várias aprovações da prefeitura para realizar qualquer obra que torne o prédio vendável.

Kennett não é o único a enfrentar o acesso limitado a cuidados de saúde. Desde 2014, 21 hospitais fecharam em todo o estado, incluindo 12 em áreas rurais, de acordo com a Associação de Hospitais do Missouri.

Além disso, o relatório de 2023-2024 do Centro de Qualidade em Assistência Médica e Reforma de Pagamento   descobriu que 26 hospitais rurais no Missouri correm risco de fechamento devido a dificuldades financeiras — nove deles estão em “risco imediato”.

O CEO da Twin Rivers disse em uma declaração de 2018 que o fechamento do hospital foi parte de um esforço para consolidar as operações com o Poplar Bluff Regional Medical Center,  “à medida que a prestação de cuidados de saúde evolui e a inovação médica torna os serviços de internação menos necessários”,   informou a KFVS12 TV na época.

Foi uma perda palpável para Kennett — as pessoas sentem falta do hospital, disse Bruce.

“Quando o hospital fechou, tudo o que todos falavam era: ‘Vamos ter outro?’”, disse Bruce.

De 2020 a 2024, o programa de serviços de assistência ao câncer do Caring Council gastou US$ 22.650 ajudando mais de 400 pessoas com transporte. Para tratamento do câncer, os moradores de Kennett costumam viajar uma hora até Jonesboro, Arkansas, ou uma hora e meia até Cape Girardeau, Missouri. “Seja qual for o tipo de tratamento oncológico que você precisar”, disse Bruce, “você precisa dirigir para obtê-lo”.

A falta de profissionais de saúde também significa que a detecção precoce de problemas médicos, incluindo câncer, pode ser mais difícil.

Alguns programas de transporte para assistência médica estão disponíveis em áreas rurais, mas Bruce disse que vê necessidade em sua comunidade por serviços mais robustos.

“Não estou pedindo um sistema de ônibus como em St. Louis, Kansas City ou Jeff City”, disse Bruce. “Estou apenas pedindo acesso à assistência médica, seja lá o que isso signifique.”

Pulverizado por todos os lados

Aonde quer que você vá em Kennett, sempre haverá alguém que viveu ali a vida toda. Jan McElwrath, secretária municipal de Kennett, é uma dessas pessoas. Além de uma breve passagem pela Universidade do Missouri, ela passou quase todos os seus 68 anos na cidade.

Ela voltou por um motivo clássico: amor. Casou-se, constituiu família e construiu uma vida enraizada nas mesmas ruas onde cresceu.

Ao longo das décadas, ela viu empresas abrirem e fecharem, comemorou inúmeros marcos comunitários e enfrentou desastres naturais. Em meio a tudo isso, McElwrath observou uma constante: apesar das diferentes crenças e opiniões, o povo de Kennett sempre encontra uma maneira de se unir.

“Nossa força é o nosso povo, sem dúvida”, disse ela.

Isto é especialmente importante quando consideramos os desafios únicos da vida rural.

Um índice criado pelo CDC mostra que Dunklin é o condado do Missouri menos preparado para lidar com desafios econômicos ou ambientais. De acordo com a Feeding America,  mais de 20% do Condado de Dunklin sofre de insegurança alimentar , apesar de a região ser coberta por terras agrícolas. Milam afirmou que isso se deve, em grande parte, ao fato de as fazendas em Dunklin serem agronômicas, ou seja, as lavouras nem sempre são cultivadas para consumo humano direto.

“Ajudaria muitas pessoas se tivessem vegetais frescos”, explicou ele.

Com a saída de empregos na indústria de muitas áreas de Bootheel, Kennett sentiu o impacto econômico. Embora a chegada da Cim-Tek Filtration há dois anos tenha trazido de volta alguns empregos na indústria, Kennett perdeu sua fábrica da Emerson Motor Company em 2006.

Uma indústria que permanece é a agricultura.

A terra é pontilhada por plantações de algodão, soja e arroz em fileiras. McElwrath chama as fileiras de algodão prontas para a colheita de “neve do sul”, mas para obter essa neve, os agricultores geralmente precisam dar um empurrãozinho nas plantas com desfolhantes.

A desfolha é um processo natural, embora possa ser induzido artificialmente quando produtos químicos são aplicados às plantas para fazê-las abrir, facilitando a colheita do algodão branco.

McElwrath disse que é difícil notar os agricultores desfolhando no início. Mas então, de repente, seus seios nasais ardem, seus olhos ardem, talvez uma dor de cabeça apareça. Parece sempre acontecer na mesma época todos os anos, bem quando a feira do condado está acontecendo — com a poeira, o solo seco, a corrida de demolição — tudo se misturando.

Os desfolhantes não só aceleram o processo; eles também contribuem para uma qualidade superior do algodão — o que significa que há menos resíduos afetando o produto final. A qualidade determina o valor.

Muitos moradores de Kennett reconhecem a necessidade de desfolhantes e outros produtos químicos agrícolas. Para alguns, é isso que coloca comida na mesa. Mas então chega a época do ano novamente, e todos experimentam aquela sensação familiar.

“Estamos cercados pela agricultura”, disse McElwrath. “Reconhecemos (os produtos químicos) como um risco, mas nossa economia aqui é muito dependente da agricultura.”

(Este artigo faz parte de uma série produzida por alunos da Escola de Jornalismo da Universidade do Missouri.)


Fonte: Investigate Midwest

Presidente da Comissão de Servidores da Alerj, Flávio Serafini visitará Uenf para encontros com servidores

Em meio a uma série de ataques promovidos contra todos os servidores públicos estaduais pelo governo de Cláudio Castro (PL), o presidente da Comissão de Servidores da Alerj, deputado Flávio Serafini (PSOL), vai visitar o campus Leonel Brizola da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf) na próxima 3a. feira (26/8) onde deverá manter encontros com professores e servidores (ver imagem abaixo).

O primeiro encontro envolverá uma reunião específica com a diretoria da Aduenf e professores e uma que envolverá outras categorias de servidores, da Uenf e fora dela.

Além da questão do novo Plano de Cargos e Vencimentos dos servidores da Uenf que está engavetado há mais de dois anos e as parcelas não pagas de reposição das perdas inflacionárias, Serafini deverá abordar os recentes ataques promovidos pelo governo de Claúdio Castro contra o caixa do RioPrevidência.

Por outro lado, uma questão que está preocupando os servidores estaduais é a militarização das corregedorias de órgãos públicos, as quais têm acarretado uma série de punições indevidas. No caso da Uenf, a ocupação do posto de corregedor a um policial civil tem gerado bastante preocupação.

Esse encontro é de suma importância não apenas para os servidores da Uenf, mas de outras categorias do serviço público estadual, em especial da área da Educação.

Para beneficiar monocultura de árvores, governo Lula prorroga uso do Imidacloprid que é mortal para as abelhas

O Imidacloprid é um inseticida da classe dos Neonicotinóides que se encontra banido na União Europeia por ser um “bee killer” (ou em bom português, assassino de abelhas).  Pois bem, nesta sexta-feira (22/8), o governo Lula fez publicar o Ato nº 38, de 21 de Agosto de 2025 que oficializa a prorrogação da “autorização de uso do imidacloprid na cultura do pinus, nas modalidades “imersão/rega das bandejas de mudas” ou para aplicação através da rega das mudas após o transplante, conforme definido no Ato nº 71 de 29 de junho de 2022, até o dia 31 de agosto de 2027″.  A razão para tal extensão é o combate à Cinara Atlântica, também conhecida como “pulgão-gigante-do pinus”.

Eu não me surpreenderia nem um pouco se essa extensão de prazo fosse prorrogada novamente em 2027, na medida em que avançam as monoculturas de árvores em todo o território nacional, incluindo espaços generosos para diferentes tipos de pinus.

Há que se lembrar que, por causa da proibição no continente europeu em 2018, o Brasil se tornou um dos principais desitnos desse agrotóxico que é mortal para polinizadores, especialmente as abelhas. Quem agradece a disposição brasileira de consumir Imidacloprid com toda a sede tropical é a multinacional alemã Bayer que fabrica este agrotóxico neonicotinóide. Há que se lembrar que das 13,2 mil toneladas de Imidacloprid exportadas pela Europa em 2021, o Brasil consumiu 6,272 toneladas (ou seja, quase a metade!).

Jair Bolsonaro e seus recebimentos millionários: R$ 44 milhões em apenas 15 meses

Bolsonaro recebeu pix milionário e suspeito, diz investigação; veja valores

Em uma matéria assinada pelos jornalistas Renata Galf e José Marques e publicada pelo jornal “Folha de São Paulo“, temos acesso na manhã desta sexta-feira (22/8) a uma série de informações sobre as movimentações financeiras do ex-presidente Jair Bolsonaro entre março de 2023 e junho de 2025, e os números são de cair o queixo. É que segundo dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), neste período, as contas de Bolsonaro receberam a fabulosa quantia de R$ 44 milhões (ver figura abaixo).

A matéria não explica como foi possível para Jair Bolsonaro receber tamanha fortuna, o que poderá vir a ser revelado em outras matérias. Mas uma coisa é certa: Jair Bolsonaro é fã de carteirinha do PIX que seu ídolo estudanidense Donald Trump. É que desses R$ 44 milhões, R$ 20,7 milhões teriam vindo via transações no PIX.

Apesar desse ser um caso em desenvolvimento, qualquer pessoa minimamente curiosa vai se perguntar sobre a origem de toda essa bufunfa nas contas de Bolsonaro, já que ele não é sequer proprietário de uma franquia especializada na venda de chocolate, como é o caso do seu filho Flávio.

É bem possível que nos próximos dias e semanas, fiquemos sabendo as fontes de abastecimento das contas de Jair Bolsonaro, apesar de seus esforços, segundo a matéria, para dissimular a origem e o destino dos recursos financeiros aportados em suas contas. A ver!

Entidades repudiam homenagem da ALEMG à mineradora Sigma Lithium

MAB e aliados elaboraram Nota Pública de Repúdio à homenagem pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais à empresa Sigma Lithium. Em menos de 36 horas, o manifesto teve a adesão de 68 entidades e parlamentares e mais de 460 assinaturas

Foto da Comunidade Piauí Poço Dantas, município de Itinga (MG), onde retrata a realidade das casas dos atingidos próximos às pilhas de rejeito da mineradora SIGMA LITHIUM. Foto: Joyce Silva / MAB

Com surpresa e muita indignação, recebemos a informação da convocação de uma reunião especial da Assembleia Legislativa de Minas Gerais visando a entrega de título de Cidadã Honorária do Estado de Minas Gerais à Ana Cabral, CEO da empresa Sigma Lithium. O evento ocorrerá nesta quinta-feira, dia 21/08.

A condecoração e homenagem à representante da empresa Sigma Lithium está em sintonia com as iniciativas e articulações conduzidas pelo Governador Romeu Zema (Partido Novo), que busca ostensivamente mercantilizar as riquezas minerais da região do Vale do Jequitinhonha, como barganha política para interesses políticos pessoais, saquear e vender o território e impor um novo epistemicídio à região, propagandeando o termo pejorativo “vale do lítio”.

Na mesma esteira, importante recordar alguns fatos transcorridos, sobretudo na gestão do Governo Zema:

  1. i) através da Deliberação Normativa Copam n° 240/2021, a classificação da atividade de pilha de rejeito/estéril para pegmatitos – rocha de onde se extrai o lítio – deixou de ser considerada alta, passando a ser analisada como médio potencial poluidor/degradador, o que simplificou os pedidos de licenciamento ambiental, sem análise rigorosa, criteriosa e em etapas dos impactos decorrentes;
  2. ii) em 2022, 33,33% das ações da Companhia Brasileira de Lítio (CBL), que pertencia ao Estado de Minas Gerais, foram vendidas pelo Governo Zema à preço de banana para o mercado e;

iii) em 2024, o próprio governador esteve em Nova Iorque, Wayne e Washington, nos Estados Unidos, para propagandear o “vale do lítio” às empresas e acionistas do mercado. Além de buscar, por atos administrativos, restringir o direito de consulta prévia, livre e informada (CLPI) aos Povos e Comunidades Tradicionais (PCTs) em processos de licenciamento ambiental em nosso estado.

Atualmente, a empresa canadense Sigma Lithium tem promovido sistemáticas violações de direitos humanos, irregularidades nos processos e deficiências nos estudos de licenciamento ambiental. Além da utilização de tecnologias ultrapassadas, que provocam um dano socioambiental 30 vezes maior do que outras tecnologias existentes. Neste ano, em audiências públicas realizadas no município de Araçuaí (MG), o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), decorrente de abertura de inquérito civil, apresentou relatórios técnicos que evidenciam a “ocorrência de impactos socioambientais negativos não adequadamente mitigados, compensados ou indenizados” pela empresa, proprietária do empreendimento Grota do Cirilo.

Desde 2023, mais de 100 famílias atingidas no entorno do empreendimento sofrem diariamente com impactos negativos, danos coletivos e individuais, como altos índices de ruídos, poeira, rachaduras nas casas, problemas de saúde e perdas na produção de alimentos. Ainda mais grave, confirmado pelo MPMG, tanto no licenciamento inicial quanto no processo de novo licenciamento ambiental de ampliação do empreendimento, a empresa Sigma Lithium negligenciou e violou a legislação brasileira de proteção às comunidades quilombolas, com conivência dos órgãos ambientais estaduais e omissão do poder executivo estadual.

Assim, manifestamos nosso completo repúdio à homenagem pretendida, que se pinta de novo e de verde, mas expressa a manutenção de um modelo de exploração neocolonialista, primário exportador, com a rapina de nossos recursos naturais de forma submissa à volúpia do lucro de grandes empresas, que aprofunda o racismo ambiental, as desigualdades sociais e promove a violação de direitos de sociais e ambientais.

Seguiremos em defesa de um outro projeto de mineração e de país: que valorize e respeite a manutenção, a reprodução dos modos de vidas e os direitos dos povos e comunidades tradicionais, que esteja alicerçado no desenvolvimento de pesquisas, tecnologias e da indústria nacional, com geração de emprego, de renda e na distribuição social das riquezas produzidas, que respeite os direitos humanos e da natureza, na edificação de um país justo e soberano.

Minas Gerais, 21 de agosto de 2025.

Assinam esta Nota Pública:

Academia de Letras do Vale do Jequitinhonha (ALVA)
Aldeia Cinta Vermelha – Pankararu e Pataxó (Araçuaí/MG)
Articulação de Mulheres Negras de Minas Gerais (AMN/MG)
Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD – Núcleo MG)
Associação Brasileira de Pesq. Negros (ABPN)
Associação Estadual de Defesa Ambiental e Social (AEDAS)
Associação Nacional dos Atingidos por Barragens (ANAB)
Associação Sócio Cultural Nzo Mona Jindanji
Casa Socialista
Central de Movimentos Populares do Vale do Aço – CMP VA
Central Única dos Trabalhadores – CUT MG
Centro de Agricultura Alternativa Vicente Nica – CAV
Coletivo Povos e Comunidades de Tradição Religiosa Ancestral de Matriz Africana (Coletivo PCTRAMA)
Coletivo Vozes Maria
Comissão das Comunidades Quilombolas do Vale Jequitinhonha (COQUIVALE)
Comissão de Direitos Humanos (OAB/MG)
Comissão Pastoral da Terra – Regional MG (CPT/MG)
Comunidade Quilombola Baú – Araçuaí/MG
Comunidade Quilombola Cardoso – Virgem da Lapa/MG
Comunidade Quilombola Córrego Narciso do Meio – Araçuaí/MG
Comunidade Quilombola Malhada Branca – Virgem da Lapa/MGComunidade Quilombola Onça – Virgem da Lapa/MG
Conselho Missionário
Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ)
Deputada Estadual Beatriz Cerqueira – PT
Deputada Estadual Bella Gonçalvez – PSOL
Deputada Estadual Leninha Souza – PT
Deputada Federal Célia Xakriabá – PSOL
Deputado Estadual Leleco Pimentel – PT
Deputado Federal Padre João Siqueira – PT
Deputado Federal Rogério Correia – PT
Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Minas Gerais (FETAEMG) – Polo Regional Alto Jequitinhonha
Federação Regional dos Urbanitários do Sudeste (FRUSE)
Grupo de Estudos e Pesquisas Socioambientais (GEPSA/UFOP)
Grupo Terra Teia de Estudos Rurais e Raciais (UFVJM)
Guardiãs das Palavras Benditas
Instituto Carlos Campos
Instituto de Promoção Humana
Instituto Esperança Maria
Instituto Guaicuy
Instituto Janelas do Jequitinhonha
Marcha Mundial das Mulheres (MMM)
Mídia Ninja
Movimento Brasil Popular
Movimento Camponês Popular de Minas Gerais (MCP/MG)
Movimento de Atingidos por Barragens (MAB)
Movimento de Mulheres Camponesas (MMC/MG)
Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST)
Movimento Pela Soberania Popular na Mineração (MAM)
Movimientos de Afectados por Represas (MAR)
Núcleo Interdisciplinar de Investigação Socioambiental (NIISA) da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes)
Observatório dos Vales e do Semiárido Mineiro da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM)
Observatório Fundiário do Vale do Jequitinhonha (OBVFJ) da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG)
Povo Indígena Aranãs Caboclo
Povo Indígena Maxakali
Rede Nacional de Advogadas e Advogados Populares (RENAP/MG)
Salve as Serras – Movimento Socioambiental
Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Araçuaí (STR) Araçuaí
Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Turmalina (STR) Turmalina
Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Virgem da Lapa (STR) Virgem da Lapa
Sindicato Intermunicipal dos Trabalhadores na Indústria Energética de Minas Gerais (SINDIELETRO/MG)
Terra de Direitos
Vereador Bruno Abreu Gomes Pedralva – PT
Vereadora Luiza Dulci – PT
Vereadora Moara Saboia – PT
Vereadora Professora Cida Lima – PT
Vereadora Shyrlei Rodak – PT

IA, a bolha

Is an AI Bubble Inevitable?

Quando se pensa que a crise sistêmica do Capitalismo não pode ficar mais ruim do que já está, a realidade vem mostrar que, como na primeira Lei de Murphy, que aquilo que há sempre espaço para piora.

Vejam abaixo extratos de uma reportagem assinada pela jornalista Tamires Vitorio para a revista Exame sobre o que está exarando no movimento das bolsas estadunidenses em relação às empresas de tecnologia que produzem a chamada Inteligência Artificial (IA).

Segundo Vitorio,  as gigantes de tecnologia não conseguiram escapar do mal-estar dos mercados em elação a elas nesta semana.  Isto ocorreu por causa dos temores de uma possível bolha, as ações das big techs, juntas, acumulam queda de 5,6% até esta quinta-feira, 21, enquanto o Nasdaq Composite, principal índice de tecnologia nos Estados Unidos, caiu 2,1% em dois dias. Assim, empresas como Palantir, Nvidia, Apple e Microsoft lideram as quedas, com investidores começando a questionar se as expectativas de crescimento do setor são, de fato, sustentáveis.

A repórter da Exame também informou que um estudo recente do Massachusetts Institute of Technology (MIT) intensificou as preocupações ao apontar que 95% das empresas que investem em inteligência artificial ainda não viram retornos sobre esses investimentos.  Segundo o MIT, a maioria das startups e empresas que estão na vanguarda da IA queimam mais dinheiro do que geram receita. Em média, de acordo com a pesquisa, as companhias gastam US$ 5 para cada US$ 1 de receita. Outro ponto destacado pelo MIT foi a dificuldade de muitos projetos de IA de se traduzirem em soluções concretas e escaláveis, com uma grande parte dos produtos de IA ainda não gerando nenhum faturamento. Em 2024, uma análise de 600 empresas B2B revelou que 42% dos produtos de IA ainda não tinham gerado receita alguma.

Por outro lado, a reportagem afirma que Sam Altman, CEO da OpenAI, dona do ChatGPT, também adicionou tensão ao mercado ao afirmar que a IA está “em uma bolha”. Altman destacou que, embora a IA tenha o potencial de ser uma revolução tecnológica, o entusiasmo atual cria expectativas inflacionadas sobre os retornos que essas empresas podem gerar no futuro. Para ele, a situação atual reflete uma “euforia” que pode não ser sustentada, já que o desenvolvimento de IA em larga escala ainda enfrenta grandes desafios e, por enquanto, os lucros não acompanham o ritmo das valorizações das empresas.

O resultado dessa sensação de bolha da IA (sensação?) é que às 07h42 desta 5a. feira, no horário de Brasília, as principais ações de tecnologia operavam em queda no pré-mercado dos EUA.

Resumo da ópera: todo o frenesi em torno da IA e seus impactos futuros sobre o trabalho pode não passar de uma bolha, uma ilusão.