Área que recebeu aplicação de agrotóxicos no Brasil cresceu 1,8% no 1º trimestre de 2025

Entre janeiro e março de 2025, a área impactada pelo uso de agrotóxicos no Brasil cresceu 1,8% em relação ao mesmo período de 2024, totalizando mais de 831 milhões de hectares. Os dados são do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para a Defesa Vegetal (Sindiveg), com levantamento realizado pela Kynetec Brasil. A métrica utilizada foi o PAT (Potencial de Área Tratada), que considera tanto o número de aplicações quanto os produtos utilizados simultaneamente no manejo.

O volume de agrotóxicos aplicados avançou 3,4% no trimestre, com os herbicidas representando 42% do total, seguidos por inseticidas (28%), fungicidas (22%), tratamento de sementes (1%) e outras categorias (7%), como adjuvantes, reguladores de crescimento e inoculantes. As culturas mais tratadas foram milho (36%), soja (35%) e algodão (13%), cana-de-açúcar representou apenas 3%.

Apesar da expansão em área e volume, o faturamento do setor dos agrotóxicos caiu 11,1%, somando US$ 6,6 bilhões frente aos US$ 7,4 bilhões do mesmo período em 2024. A retração é atribuída à queda dos preços e à desvalorização do real. 

As regiões com maior participação no mercado foram Mato Grosso e Rondônia (37%), seguidas por BAMATOPIPA (16%), São Paulo e Minas Gerais (14%), Paraná (10%), Mato Grosso do Sul (8%), Goiás e Distrito Federal (8%) e Sul do país (5%).

Em 2024, o Brasil registrou crescimento anual de 12,2% na área tratada com agrotóxicos, superando 2,5 bilhões de hectares. O volume aplicado subiu 13,6%, com destaque para herbicidas (45%). Mesmo assim, o faturamento do ano foi de US\$ 19,9 bilhões, queda de 6,6% em relação a 2023.


Fonte: Agrolink

Degradação da Amazônia cresce 163% em dois anos, enquanto desmatamento cai 54% no mesmo período

‘Saldo negativo’ da proteção do bioma registrado entre 2022 e 2024 pode comprometer metas internacionais do Brasil, alertam pesquisadores do Inpe e colaboradores na revista Global Change Biology

Enquanto o desmatamento remove totalmente a cobertura de vegetação nativa, a degradação enfraquece a floresta sem destruí-la por completo (foto: Vinícius Mendonça/Ibama)

Por Luciana Constantino | Agência FAPESP 

O acelerado crescimento da degradação da Amazônia brasileira, causado principalmente por incêndios, ofuscou a expressiva queda do desmatamento entre 2022 e 2024. Esse “saldo negativo” na proteção do bioma compromete as metas internacionais de combate à crise climática assumidas pelo país, que neste ano é sede da Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30).

O alerta vem de um artigo publicado na revista Global Change Biology por cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) em parceria com a Universidade de São Paulo (USP) e instituições do Reino Unido e dos Estados Unidos. Enquanto o desmatamento remove totalmente a cobertura de vegetação nativa, a degradação enfraquece a floresta sem destruí-la por completo (por exemplo, por meio do corte seletivo de árvores).

Segundo o estudo, os alertas de degradação na Amazônia subiram 44% de 2023 para 2024 – 163% em relação a 2022. Isso significa que somente no ano passado 25.023 quilômetros quadrados (km2) de floresta foram degradados, sendo cerca de 66% por incêndios florestais. Trata-se de uma área maior do que o Estado de Sergipe.

No sentido oposto, o desmatamento caiu, respectivamente, 27,5% e 54,2%, representando o menor incremento em dez anos. Foram 5.816 km2 desmatados no período referente a 2024, de acordo com dados do Programa de Monitoramento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (Prodes), do Inpe.

“A degradação é um processo mais difícil de ser identificado do que o desmatamento porque ocorre enquanto ainda existe a floresta em pé. É decorrente principalmente do fogo, que nos últimos dois anos foi agravado pelo cenário de seca na Amazônia. Há ainda o corte seletivo de árvores e o efeito de borda. Tudo isso diminui os serviços ecossistêmicos prestados por essas florestas. O entendimento desse dado contribui para a formulação de políticas públicas”, diz Guilherme Mataveli, pós-doutorando na Divisão de Observação da Terra e Geoinformática do Inpe.

Entre 2023 e 2024, uma forte seca atingiu a Amazônia, com déficits de precipitação de 50 a 100 milímetros ao mês; aumento de temperatura acima de 3 °C e atraso na estação chuvosa, deixando os rios em níveis mínimos. Com isso, o bioma registrou no ano passado o maior número de focos de calor desde 2007 – foram 140.328 no total.

Primeiro autor do artigo, Mataveli faz parte do laboratório Tropical Ecosystems and Environmental Sciences (Trees), liderado pelos pesquisadores Luiz Aragão, que também assina o trabalho, e Liana Anderson.

Para Aragão, a importância do estudo foi demonstrar que hoje os satélites – tecnologias espaciais críticas para o país e utilizadas no sistema de monitoramento do Inpe – já permitem a detecção dos processos de degradação. “Esses processos vinham comprometendo a integridade de nossas florestas de forma silenciosa. As tecnologias atualmente conferem não só capacidade de monitorar os eventos, reportar as emissões de carbono associadas, seus impactos no ambiente, na população e no clima planetário, como também permitem o planejamento estratégico para uma gestão territorial sustentável e de baixo carbono”, diz o pesquisador do Inpe e coordenador do Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG).

E completa: “A liderança do Brasil no cenário internacional em relação a ações de combate às mudanças climáticas e à perda da biodiversidade depende de respostas eficazes à degradação florestal. Reportar as emissões associadas a esses processos é um caminho sem volta dentro dos Inventários Nacionais de Gases de Efeito Estufa. Portanto, a intensificação de medidas de controle, com a implantação de políticas consistentes que abordem esse processo, torna-se uma prioridade nacional”.

O Brasil foi o primeiro país a entregar à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) a nova Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC, sigla para Nationally Determined Contributions). Nela, assume o compromisso de reduzir de 59% a 67% as emissões líquidas de gases de efeito estufa até 2035 em comparação com os níveis de 2005 (850 milhões a 1,05 bilhão de toneladas de CO2 equivalente).

As NDCs são as metas de cada país para reduzir a emissão de gases estufa e evitar que o aumento médio da temperatura global ultrapasse 1,5 °C, conforme estabelecido no Acordo de Paris. Elas devem ser revisadas e atualizadas até a COP30, que acontece em novembro, em Belém (PA).

Impacto

Embora não remova totalmente a vegetação nativa, a degradação degenera a floresta que “sobra”, afetando a biodiversidade e reduzindo a capacidade de fornecer serviços essenciais, como a captura de carbono e a regulação do ciclo da água, funções vitais para a resiliência do ecossistema.

Pesquisas anteriores já mostraram que quase 40% das florestas em pé na Amazônia são degradadas por fatores como incêndios, efeito de borda, extração ilegal de madeira e eventos extremos de seca, enfatizando ainda mais a escala e a importância do problema. Nesse cenário, as emissões de carbono da perda gradual de vegetação – entre 50 milhões de toneladas e 200 milhões de toneladas ao ano – foram equivalentes ou até maiores do que as por desmatamento – entre 60 milhões de toneladas e 210 milhões de toneladas/ano (leia mais em: agencia.fapesp.br/40568).

No artigo publicado agora, os cientistas sugerem que sejam adotados esforços para a melhoria do manejo de incêndios, juntamente com projetos de restauração e reflorestamento em larga escala. Outro caminho é uma integração dessas estratégias com mercados de crédito de carbono, criando incentivos financeiros para que proprietários de terras, empresas e comunidades locais adotem práticas sustentáveis.

Eles apontam ainda desafios no aprimoramento de rastreio e quantificação da degradação, além da criação de mecanismos para responsabilizar responsáveis.

O estudo teve apoio da FAPESP por meio do Centro de Pesquisa e Inovação de Gases de Efeito Estufa (RCGI); de um Projeto Temático liderado pelo pesquisador Paulo Artaxo, do Centro de Estudos de Sustentabilidade Amazônica da Universidade de São Paulo (USP); e de bolsas concedidas a Mataveli (19/25701-8 e 23/03206-0) e a Lucas Maure, do Inpe (24/06641-2). Artaxo e Maure também são autores do trabalho.

O artigo Forest Degradation Is Undermining Progress on Deforestation in the Amazon pode ser lido em: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/gcb.70209.


Fonte: Agência Fapesp

Atingidos pelo rompimento da barragem de Brumadinho realizam ato em Belo Horizonte no dia 13 de maio

Mobilização organizada pelo MAB cobrará justiça, continuidade do PTR e transparência no uso de recursos da reparação

Atingidos e atingidas da Bacia do Paraopeba vão se reunir em Belo Horizonte hoje, (13/05), para um dia de mobilização por justiça e reparação. A atividade, organizada pelo Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), denuncia a reparação ineficiente que tem ocorrido nesses mais de seis anos após o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho e deve contar com a presença de mais de 700 atingidos das cinco regiões da bacia, com marchas nas ruas da capital e reuniões com representantes das Instituições de Justiça.

A mobilização tem como foco a defesa da continuidade do Programa de Transferência de Renda (PTR) através de um Auxílio Financeiro Emergencial, como garantido na lei de direitos dos atingidos (PNAB), e a cobrança de participação na gestão dos recursos do Anexo 1.1 (projetos de demandas das comunidades atingidas), além da transparência na gestão do fundo de Estruturas de apoio (fundo de 700 milhões). O movimento também denuncia a falta de participação das vítimas nas decisões e a postura das Instituições de Justiça, que têm promovido retrocessos no processo de reparação.

Durante o dia, os manifestantes realizarão encontros com a juíza da 2ª instância, relatora da ação sobre criação de um novo Auxílio Emergencial e o juiz da 1ª instância responsável por decidir questões do Anexo 1.1, além de uma reunião com o Ministério Público. Uma marcha também está prevista no centro da capital mineira.

Segundo o MAB, o objetivo é sensibilizar os tribunais, exigir transparência no uso dos recursos e defender os direitos garantidos na Política Nacional dos Atingidos por Barragens (PNAB).

Programação

  • 10h – Concentração em frente ao Tribunal de Justiça de Minas Gerais (Av. Afonso Pena 4001)
  • 10:30h – Reunião com juíza Maria Dolores Cordovil (Relatora do processo do Auxílio Emergencial na segunda instância)
  • 14h – Marcha pela cidade (Saindo do INCRA – Afonso Pena, 3500 , passando pela Praça Sete de Setembro e finalizando na Praça da Estação)
  • 15h – (a confirmar) Reunião com Ministério Público de Minas Gerais (discutir ação do auxílio emergencial e Anexo 1.1)
  • 16h – Reunião com juiz da primeira Instância (discutir ação do auxílio emergencial e Anexo 1.1)

Fonte: ASCOM – MAB

Os preparativos para a “coroação” do novo “donatário” da capitania Rio de Janeiro: surpresas sempre podem acontecer!

Por Douglas Barreto da Mata

Bem, quem acompanha esse blog já leu nossas considerações sobre a sucessão antecipada do cargo de governador do Rio de Janeiro (Aqui!Aqui! Aqui!).  Agora vamos aos detalhes, justamente onde mora o diabo.  E todo mundo sabe, e Raul Seixas cantava, o “diabo é o pai do rock”.

Brincadeiras a parte, toda “coroação” tem um roteiro, que não se inicia com a “morte” do monarca. No estado do Rio de Janeiro, o “rei Cláudio Castro” já anunciou, não a sua morte, mas a abdicação. Começaram então os ritos para saber quem vai ser o herdeiro do “trono”.  Já debatemos nos textos acima as variáveis, agora vamos aos ritos. A constituição estadual diz o seguinte:

Constituição do Estado do Rio de Janeiro

“(…)Art. 141. Em caso de impedimento do Governador e do Vice-Governador, ou de vacância dos respectivos cargos, serão sucessivamente chamados ao exercício da chefia do Poder Executivo o Presidente da Assembleia Legislativa (Alerj) e o Presidente do Tribunal de Justiça.

Art. 142. Vagando os cargos de Governador e de Vice-Governador do Estado, far-se-á eleição noventa dias depois de aberta a última vaga.

* § 1º Ocorrendo a vacância nos últimos dois anos do período governamental, a eleição para ambos os cargos será feita trinta dias depois da última vaga, pela Assembleia Legislativa, na forma da lei. (NR)

* Nova redação dada pelo art. 6º da Emenda Constitucional nº 53, de 26/06/2012. (D.O. de 27/06/2012)

§ 2º Em qualquer dos casos, os eleitos deverão completar o período de seus antecessores.(…)”

Pois é.  Para se tornar o “imperador” do Rio de Janeiro, o presidente da Alerj, deputado Rodrigo Bacelar, não precisa apenas da renúncia de Thiago Pampolha e de Cláudio Castro, não necessariamente nesta ordem. Ele vai ter que promover uma eleição indireta, no prazo máximo de 30 dias, de forma indireta, onde os eleitores são seus pares, os deputados estaduais. 

Bem, muita gente acredita que não será tarefa difícil, mas nunca se sabe, afinal, do outro lado está o candidato favorito nas eleições de 2026, Eduardo Paes.  Embora a influência de Bacelar sobre seus colegas se aproxime do temor reverencial, não é impossível que alguns deputados façam um cálculo pragmático, ou seja, agradar aquele que tem maiores chances de conquistar o “trono”, elegendo outro nome para governador interino. 

Afinal, o eleito teria o poder de ajudar a decidir o pleito. Dizem os antigos que eleição e mineração, resultado só na apuração.  Ainda mais com eleitores tão específicos.

Crise climática ameaça a banana, a fruta mais popular do mundo, mostra pesquisa

A quarta cultura alimentar mais importante está em perigo, enquanto a América Latina e o Caribe sofrem com um desastre climático de início lento

Um cacho de bananas crescendo em uma árvore.

Mais de 400 milhões de pessoas consomem da banana entre 15% e 27% de suas calorias diárias. Fotografia: Christian Ender/Getty Images

A crise climática está ameaçando o futuro da fruta mais popular do mundo, já que quase dois terços das áreas de cultivo de banana na América Latina e no Caribe podem não ser mais adequadas para o cultivo da fruta até 2080, segundo uma nova pesquisa.

Temperaturas em alta, condições climáticas extremas e pragas relacionadas ao clima estão afetando países produtores de banana, como Guatemala , Costa Rica e Colômbia , reduzindo a produtividade e devastando comunidades rurais em toda a região, de acordo com o novo relatório da Christian Aid , Going Bananas: How Climate Change Threatens the World’s Favourite Fruit.

A banana é a fruta mais consumida no mundo – e a quarta cultura alimentar mais importante do mundo, depois do trigo, do arroz e do milho. Cerca de 80% das bananas cultivadas globalmente são para consumo local, e mais de 400 milhões de pessoas dependem da fruta para obter de 15% a 27% de suas calorias diárias.

Estima-se que 80% das exportações de banana que abastecem supermercados ao redor do mundo vêm da América Latina e do Caribe — uma das regiões mais vulneráveis ​​a condições climáticas extremas e desastres climáticos de início lento.

E, no entanto, a cultura está ameaçada pela crise climática causada pelo homem e ameaça uma fonte vital de alimento e os meios de subsistência de comunidades que praticamente não contribuíram para os gases de efeito estufa que provocam o aquecimento global.

“A mudança climática está matando nossas plantações. Isso significa que não há renda porque não conseguimos vender nada. O que está acontecendo é que minha plantação está morrendo. Então, o que está acontecendo é a morte”, disse Aurelia Pop Xo, 53, produtora de banana na Guatemala , aos pesquisadores da Christian Aid.

As bananas, especialmente a cavendish, são frutas sensíveis. Elas precisam de uma faixa de temperatura entre 15°C e 35°C para prosperar, e água suficiente – mas não em excesso. São sensíveis a tempestades, que podem fazer com que a bananeira perca folhas, dificultando muito a fotossíntese da planta.

Embora existam centenas de variedades de banana, a cavendish é responsável pela grande maioria das exportações, pois foi escolhida pelos conglomerados de frutas por seu sabor decente, robustez e alto rendimento.

É essa falta de variação genética que torna as bananas particularmente vulneráveis ​​às rápidas mudanças climáticas.

A crise climática prejudica diretamente as condições de cultivo e contribui para a disseminação de doenças fúngicas que já estão dizimando plantações e meios de subsistência. O fungo da folha preta pode reduzir a capacidade das bananeiras de realizar fotossíntese em 80% e prospera em condições úmidas, colocando as bananeiras em risco devido a chuvas irregulares e inundações. O aumento das temperaturas e a mudança nos padrões de chuva estão exacerbando outro fungo, o fusarium tropical raça 4, um micróbio transmitido pelo solo que está devastando plantações inteiras de cavendish em todo o mundo.

A Christian Aid está convocando as nações ricas e poluidoras, mais responsáveis ​​pela crise climática, a abandonarem urgentemente os combustíveis fósseis e cumprirem suas obrigações de fornecer financiamento para ajudar as comunidades a se adaptarem às mudanças climáticas.

“As bananas não são apenas a fruta favorita do mundo, mas também um alimento essencial para milhões de pessoas. Precisamos acordar para o perigo que as mudanças climáticas representam para esta cultura vital”, disse Osai Ojigho, diretor de políticas e campanhas da Christian Aid. “A vida e o sustento das pessoas que nada fizeram para causar a crise climática já estão ameaçados.”


Fonte: The Guardian

Exploração no litoral brasileiro ameaça espécies, comunidades tradicionais e pesca artesanal, alerta diagnóstico inédito

Foto: Stéfano Girardelli / Unsplash 

 

A ocupação desordenada, a pesca industrial não manejada e projetos de infraestrutura colocam em risco tanto espécies marinhas e costeiras quanto os modos de vida de povos indígenas e comunidades tradicionais. É o que aponta o “1º Diagnóstico Brasileiro Marinho-Costeiro sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos”, lançada na quinta (8). Conforme a publicação, essas populações sofrem com os impactos negativos de políticas de desenvolvimento, como poluição, degradação ambiental, e com políticas de conservação integral, que podem provocar retirada compulsória de populações tradicionais de seus territórios.

O documento sintetiza o conhecimento disponível sobre a biodiversidade e os serviços ecossistêmicos na zona costeira e no ambiente marinho brasileiros. Esse diagnóstico pode orientar iniciativas que previnam e reduzam impactos ambientais e sociais nessas áreas. Trabalharam na obra 53 especialistas acadêmicos e governamentais, 12 jovens pesquisadores e 26 representantes de povos indígenas e populações tradicionais do Brasil, em diálogo com atores do poder público e da sociedade civil. O projeto foi coordenado pela Plataforma Brasileira de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (BPBES) e pela Cátedra Unesco para a Sustentabilidade do Oceano.

A publicação sucede o Sumário para Tomadores de Decisão, divulgado pela mesma equipe em novembro de 2023. O relatório integra o conhecimento acadêmico com saberes tradicionais, e inova ao apresentar um capítulo construído somente a partir das narrativas de povos e comunidades que dependem diretamente dos ecossistemas costeiros.

“Esses povos e comunidades tradicionais devolveram ao longo das décadas um profundo conhecimento sobre as dinâmicas dos ecossistemas que exploram e, muitas vezes, criaram ou adaptaram técnicas de manejo dos recursos que exploram para garantir a sua continuidade”, destaca Cristiana Simão Seixas, pesquisadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas Ambientais (NEPAM), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que co-editou o documento junto com Alexander Turra e Beatrice Padovani Ferreira. Para a cientista, é essencial envolver essas populações em processos como a elaboração de planos de manejo de unidades de conservação, planos de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas, planos de gerenciamento costeiro e planejamento espacial marinho.

A pesca industrial, se não manejada, pode inviabilizar o futuro da pesca artesanal. A preocupação está ainda no acesso às áreas exploradas, na medida em que as atividades consideradas depredatórias levam à exclusão das populações indígenas e tradicionais de seus territórios, o que tem sido observado nos processos de implantação de projetos de infraestrutura e ocupação desordenada em todo o litoral brasileiro. A pressão econômica acaba levando ao deslocamento dessas populações para áreas mais afastadas, longe de suas raízes ancestrais.

Seixas defende políticas públicas que fomentem o desenvolvimento integrado à conservação socioambiental. “Ou seja, não estamos falando de colocar as comunidades tradicionais em redomas de vidro e isolá-las do mundo exterior. Ao contrário, é necessário dar condições para que se desenvolvam socioeconomicamente, tendo acesso a educação e saúde de qualidade, mas que isso se dê de forma que não percam sua identidade e que continuem a praticar seus modos de vida, seja na pesca artesanal, no extrativismo ou nas roças tradicionais. E dentro dessa abordagem, o turismo de base comunitária, se fomentado adequadamente, pode ser uma excelente solução”, ressalta a autora.

A publicação recebeu recursos de uma emenda parlamentar do então Deputado Federal Rodrigo Agostinho, do Instituto Serrapilheira e do Programa Biota/Fapesp.


Fonte: Agência Bori

Usina Nova Canabrava: o risco começa no corte e termina na moagem

Carregamento De Cana Inteira | TikTok

Hoje recebi vários vídeos (mostro um logo abaixo) sobre as condições precárias de transporte da cana que está sendo moída pela Usina Nova Canabrava. Segundo a pessoa que me enviou os vídeos, trabalhadores da própria usina está reclamando que a situação de risco de acidentes começa na hora do corte, continua no transporte, e alcança o processo de moagem dentro da usina, pois os equipamentos estariam sem a devida manutenção, colocando em risco principalmente quem trabalha nas partes altas da planta industrial.

Penso que essa é uma situação que deveria merecer uma rigorosa fiscalização em linha do fiscais do Ministério do Trabalho e do Ministério Público do Trabalho  e até da Polícia Rodoviária Federal. Afinal de contas, existem dezenas de vidas que estão sendo colocadas em risco todos os dias, inclusive quem trafega na RJ-194 (Campos-São Francisco do Itabapoana). E isso não é nem perto do aceitável.

A quarta-feira de cinzas da sucessão estadual: vai ter nota 10 ou choro na Apoteose?

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Por Douglas Barreto da Mata

Eu não tinha nenhuma intenção de fazer uma espécie de “minissérie” de análises sobre a sucessão estadual, mas o desenrolar dos acontecimentos torna irresistível esse formato, algo como um enredo, ou uma mini novela.  Nos dois primeiros textos [Aqui! e Aqui!) , que você pode ler abaixo, o eixo central foi a intrincada engenharia que será necessária para tornar candidato a governador o presidente da Alerj, deputado Rodrigo Bacelar.

Apesar da torcida de seus correligionários, e das “análises” de seus órgãos de imprensa, o fato é que a coisa é mais complicada do que parece.  Hoje vamos tentar dar um desfecho no raciocínio, deixando claro, óbvio, que não temos a pretensão de ir além da mera projeção de cenários.

Se a candidatura de Rodrigo Bacelar depende da renúncia de Thiago Pampolha, é sobre essa questão que devemos nos debruçar, embora haja outras subjacentes, que não podem ser desprezadas, como ressentimentos e vinganças guardadas como iguarias no freezer para serem consumidas no devido tempo.

Aqui eu menciono a possibilidade de Cláudio Castro devolver ao presidente da Alerj todas as desfeitas que teve que suportar nesse trajeto, soprando ao ouvido de Pampolha que aceite o acordo, mas não renuncie.

Mas voltemos ao principal, isto é, para onde vai Thiago Pampolha?  Ora, os “bacelar-boys” juram que o vice-governador aceitou ir para o TCE. 

Tomemos isso como certo.  A questão não é querer, pois Thiago, por ele mesmo, já sabe que ficou com poucas opções eleitorais.  Talvez uma candidatura de deputado federal pelo MDB. O problema é Thiago acreditar em Rodrigo Bacelar e Cláudio Castro.

Com a possibilidade de discussão judicial de sua indicação, como já anunciou o advogado Travanca, e com a jurisprudência recente do STF, acionada recentemente pelo MP, contra o deputado Albertassi, fica claro que não há vaga certa.

Ora, como já disse em outro texto, seria o “crime perfeito”. A promessa  da dupla Rodrigo/Castro a Pampolha, lembremos, é de indicação e aprovação do nome, não é de assunção da vaga.  Assim, como disse um amigo observador atento dos bastidores, Thiago ficaria sem a vaga, que seria reservada para Castro ou o próprio Rodrigo, caso os planos eleitorais de ambos não dessem certo.

Bem, Thiago pode ter pensado nisso.  Porém, Thiago pode ser muito mais esperto do que julgam. Afinal de contas, ele sabe, e todos os integrantes deste desfile sabem que Thiago é um dos candidatos que mais pode atrapalhar Eduardo Paes, ainda mais se ele tiver um vice com Wladimir Garotinho.  Seria uma nova formatação capital e interior.

Para Wladimir Garotinho não seria má ideia, já que ele seria vice de um governador de um mandato, já que Pampolha não poderia se reeleger.  Para o campo da direita seria ótimo, dois jovens, de centro, um evangélico, um vice-governador, com alguma penetração na capital, e outro herdeiro de uma família de governadores.

Thiago, se tiver noção desse cacife, pode ter negociado com Eduardo Paes, não para compor a chapa dele, já que os dois se sobrepõem na capital, e ambos sabem que essa vaga deve ser ofertada a Wladimir.  Pampolha pode receber de Eduardo as chaves da prefeitura do Rio, e a garantia de torná-lo o futuro prefeito em 2028. Não é pouca coisa.  Esse arranjo pode ter selado a sorte de Rodrigo Bacelar e de Castro, quem sabe?

Thiago Pampolha, nesse momento, está “fingindo de morto para ver quem vai a seu enterro”. Por que trocar um acordo com melhores chances de concretização com Paes, para ficar com uma promessa de quem já lhe maltratou tanto?

Enfim, por onde quer que se olhe, as chances de Pampolha renunciar ao cargo de vice-governador para que Rodrigo Bacelar seja candidato é uma ilusão de Carnaval, que pode acabar em choro na Apoteose.

Estudo sugere que comer mais fibras pode reduzir PFAs,’produtos químicos permanentes’, no corpo

Estudo descobre que a fibra alimentar reduz efetivamente os níveis de dois Pfas mais comuns e perigosos, com mais pesquisas planejadas 

um par de mãos segura vegetais verdes folhosos sob uma torneira aberta

Por Tom Perkins para o “The Guardian”

Consumir grandes quantidades de fibras reduz os níveis de PFAs tóxicos , “substâncias químicas eternas” no corpo humano, sugere um novo estudo piloto revisado por pares.

A pesquisa constatou que as fibras reduzem com mais eficácia o Pfos e o Pfoa, dois dos Pfas mais comuns e perigosos. Cada um deles pode permanecer no organismo por anos, e dados federais mostram que praticamente todas as pessoas têm esses compostos químicos no sangue.

Os pesquisadores estão “animados” com os resultados dos estudos com camundongos e uma pequena população humana, disse Jennifer Schlezinger, coautora do artigo na Universidade de Boston. Um estudo maior está em andamento.

“Ainda estamos na metade do experimento, mas estamos vendo resultados muito promissores”, disse ela. “O importante é que isso seja viável, acessível e econômico.”

Os PFAs são uma classe de cerca de 15.000 compostos usados ​​com mais frequência para tornar produtos resistentes à água, manchas e gordura. Eles têm sido associados a câncer, defeitos congênitos, diminuição da imunidade, colesterol alto, doenças renais e uma série de outros problemas graves de saúde. São chamados de “produtos químicos eternos” porque não se decompõem naturalmente no meio ambiente.

A Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA) não encontrou nenhum nível seguro de exposição a Pfos ou Pfoa na água potável. A meia-vida deles no sangue humano varia de dois a cinco anos, segundo a maioria das estimativas. Isso significa que o corpo expele metade da quantidade da substância química presente no sangue durante esse período. Dependendo dos níveis sanguíneos, pode levar décadas para que o PFA seja completamente expelido.

As bases militares são frequentemente focos de PFAs que expuseram um número incontável de militares aos produtos químicos, e o Departamento de Defesa dos EUA está financiando a pesquisa.

Os autores teorizam que as fibras alimentares formam um gel que pode impedir que as células que revestem o intestino absorvam os Pfas. Eles observam que as fibras formam um gel que impede a absorção de ácidos biliares, levando ao aumento da eliminação de ácidos biliares nas fezes.

Os ácidos biliares são quimicamente semelhantes aos PFAs de cadeia longa, e os PFAs podem entrar no intestino com a bile. O mecanismo nas fibras alimentares formadoras de gel que eliminam o ácido biliar parece ter o mesmo efeito para os PFAs.

Schlezinger disse que fibras solúveis e insolúveis são necessárias, e estas podem ser adicionadas a um copo de suco. O betaglucano de aveia também é eficaz. Deve ser tomado com as refeições, pois é quando o corpo produz mais bile, o que precisa ser sincronizado com o consumo de fibras.

Pfoa e Pfos são classificados como PFAs de “cadeia longa”, o que significa que estão entre os compostos maiores da classe química. A fibra pareceu, em geral, funcionar bem na captura e eliminação desses compostos pelas fezes, mas não funcionou tão bem para Pfas menores de “cadeia curta”.

Os PFAs de cadeia curta são excretados pela urina, mas os de cadeia longa não.

A colestiramina, um medicamento para colesterol, também tem sido usada para reduzir os níveis sanguíneos de Pfas. No entanto, descobriu-se que ela causa fezes frequentes, grandes e duras em camundongos, disse Schlezinger. A fibra, por outro lado, produz fezes fáceis de evacuar e traz benefícios adicionais à saúde, observou ela.


Agrotóxicos afetam mais de 17 mil famílias no Brasil: saiba como denunciar as intoxicações

Canais oficiais vão do SUS ao sistema judicial, mas mobilização popular ainda tem papel essencial no cenário

Trator é usado na pulverização de agrotóxicos em lavoura no município de Belterra, região metropolitana de Santarém – João Romano 

Por Nara Lacerda para o “Brasil de Fato”

Nos últimos anos, a utilização de agrotóxicos como armas químicas vem sendo observada como um elemento que, cada vez mais, potencializa os conflitos no campo brasileiro. Segundo o mais recente relatório da Comissão Pastoral da Terra (CPT) sobre conflitos no campo, no ano passado mais de 17 mil famílias sofreram com intoxicações.

Embora existam mecanismos de denúncia desse tipo de crime, a subnotificação e a impunidade são realidades constantes. Do Sistema Único de Saúde (SUS) aos tribunais, a população ainda tem dificuldade de acesso e acolhimento, pontos que exigem preparo da máquina pública.

Em conversa com o Brasil de Fato durante a 5ª Feira Nacional da Reforma Agrária, que acontece até domingo (11), em São Paulo (SP), Alan Tygel, da Campanha Permanente contra os Agrotóxicos, afirma que a construção desse suporte também demanda resistência e envolvimento da de movimentos populares e da sociedade civil. “É uma realidade que vamos precisar construir. Parte da nossa luta é manter essa mobilização e fazer essas denúncias chegarem, fazer essa pressão.”

Um dos primeiros passos possíveis para buscar ajuda em caso de intoxicação é procurar o SUS. No atendimento nas unidades de saúde, pacientes têm direito de registrar a situação com o preenchimento de uma ficha de notificação de intoxicação exógena. O documento deve ser disponibilizado mesmo em caso de suspeita.

Nele devem constar dados considerados essenciais, como o tipo de trabalho realizado pela pessoa intoxicada, data, hora e local da ocorrência. Além disso, deve conter informações sobre as substâncias envolvidas e do que é produzido na região onde o problema aconteceu.

Essa notificação é obrigatoriamente repassada ao Ministério da Saúde, por meio do Sistema Nacional de Agravos de Notificação Compulsória (Sinan), que tem o dever de investigar o ocorrido.

Outro caminho possível e importante é a denúncia judicial. Ela pode ser feita para o Ministério Público, para a polícia ambiental ou nas delegacias da polícia civil, com um boletim de ocorrência. É fundamental que o fato seja documentado de forma consistente e evidências como fotos e vídeos, quando possível, são muito importantes.

“Uma das ações que temos tentado fazer é justamente trazer à tona essa realidade, que já existe no Brasil há muito tempo, mas é uma realidade escondida, que fica nos subterrâneos. Uma das nossas tarefas é orientar a população para que essas denúncias sejam construídas de forma consistente” ressalta Tygel.

Para facilitar o processo e orientar a população, a Campanha Permanente contra os Agrotóxicos também oferece recursos online. No site da organização é possível acessar um passo a passo sobre como denunciar. O botão para chegar ao guia está em destaque na página principal.

Problema do mundo

Iniciativas populares de luta também desempenham um papel essencial de fortalecimento das denúncias contra os agrotóxicos. Um exemplo de força vem da Rede de Agroecologia do Maranhão (Rama), que desde 2021 sentiu a necessidade de atuar de maneira mais prática para auxiliar a população do estado nesse processo.

Linalva Cunha, que integra o movimento, também conversou com o BdF sobre o tema. No depoimento emocionante, ela falou sobre a situação dramática que ampliou a ação da Rama. “Em 2021, a comunidade Araçá do município de Buriti recebeu veneno por conta de uma plantação ao lado do território. Vimos ali a imagem de uma criança atingida diretamente, com o corpo ferido e a pele que derretia por causa do veneno.”

Diante do caso, segundo ela, a necessidade de abrir novas frentes no trabalho da rede em torno do combate aos venenos agrícolas se tornou urgente, “nós entendemos que não dava para só ouvir e falar sobre a importância da agroecologia. Sabíamos que era preciso combater outras outras temáticas que agridem a perpetuação dos povos, uma delas é o agrotóxico”.

A partir de então, a rede passou a discutir instrumentos e formas de levar o debate aos territórios e, ao mesmo tempo, fazer levantamentos in loco, com ajuda das comunidades. Hoje, a Rama atua na formação e informação para denúncias, em parcerias para estudos e pesquisas sobre qualidade da terra e da água e articulações políticas nacionais e internacionais, inclusive na luta por legislação sobre o tema.

“Nós queremos que o Nordeste, o Sul, o Sudeste, o Brasil compreendam que a luta contra os agrotóxicos é um problema do mundo. A crise climática e todas essas questões que temos enfrentado mexem com a nossa capacidade de produzir e se reproduzir no chão que pisamos.”

Alan Tygel e Linalva Cunha conversaram com o BdF diretamente da 5ª Feira da Reforma Agrária do MST. O evento ocorre no Parque da Água Branca, na capital paulista, até o próximo domingo (11). Ouça a entrevista completa no tocador de áudio abaixo do título desta matéria.

Editado por: Nicolau Soares


Fonte: Brasil de Fato