Governo Bolsonaro faz a festa dos fabricantes de venenos agrícolas, mostra publicação chinesa

agrotoxicos lucrosGoverno Bolsonaro está “passando a boiada” e fazendo a festa das grandes fabricantes de venenos agrícolas

O site especializado “AgroPages“, editado na China, publicou ontem informações sobre o momento altamente lucrativo por que passam os fabricantes de agroquímicos (um eufemismo usado para não explicitar a presença de venenos agrícolas na agricultura das Revolução Verde) no Brasil.  Segundo informou a publicação chinesa,  a venda de agroquímicos (agrotóxicos, quer dizer)  no Brasil resultou em uma receita de US$ 13,7 bilhões em 2019, o que foi 5,8% superior ao ano de 2018, representando um recorde no setor.

Por outro lado, a Agropages notou que o mercado de agrotóxicos do Brasil é altamente concentrado. Em função disso, a receita total das dez principais empresas líderes (incluindo multinacionais) atingiu US$ 11,392 bilhões, representando 83,2% de todas as vendas do mercado brasileiro de agrotóxicos em 2019.  

De acordo com uma pesquisa realizada pela AgroPages, as 10 principais empresas agroquímicas locais geraram US $ 1,069 bilhão em vendas em 2019, representando 7,8% de todo o mercado. A Nortox, a única empresa local a aparecer na lista geral do ranking (que inclui multinacionais), ficou em primeiro lugar na lista das 10 principais empresas agroquímicas brasileiras. A receita da Nortox aumentou 18%, para US $ 342 milhões em 2019. O crescimento foi impulsionado pelo lançamento pela Nortox de seu fungicida Mancozeb, além de outros seis lançamentos de pesticidas em 2019.

A aceleração do registro e liberação comercial de agrotóxicos pelo governo Bolsonaro foi apontado como positiva para o setor,  já que segundo a “Agropages” isto incentiva as empresas locais a registrar e lançar mais produtos. Isso explica, por exemplo, porque as vendas da Nortox S/A tiveram um aumento expressivo nos dois últimos anos. A Agropages informa ainda que outras duas empresas que registraram crescimento de dois dígitos são a ALTA e a CropChem LTDA (a figura abaixo mostra o ranking das 10 maiores fabricantes de agrotóxicos no Brasil em 2019).

brazilian top

No caso da CropChem, isto ocorreu após a empresa obter 19 registros em três anos, o mesmo tendo acontecido com a   Ourofino Agrociência que associou o crescimento dos lucros  da empresa à aprovação de novos agrotóxicos após a colheita de 2018/2019 e começaram a gerar receita no ano passado.

Algo que está mais evidente no relatório anual da Agropages sobre o mercado de agrotóxicos na América Latina [Aqui!] é que muitas dessas empresas que hoje concentram as vendas em nosso continente nada de têm de local, sendo braços de grandes fabricantes mundiais de agrotóxicos ou ainda que sejam “locais” têm parte do seu controlado por corporações multinacionais. A publicação chega a classificar este tipo de empresa como sendo “campeões ocultos”, citando o caso de corporações japonesas como a Sumitomo, a Nippon Nohyaku e a Mitsui (que detém parte do capital da Ourofino Agrociência, 3a. maior vendedora de venenos agrícolas no Brasil em 2019).

Mas nem tudo é alegria para os fabricantes de agrotóxicos. É que em uma postagem de hoje surge a informação de que a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), informo que as importações brasileiras de agrotóxicos totalizaram 270.101 toneladas no primeiro semestre de 2020,  representando uma queda de 6,3% em volume em comparação com os primeiros seis meses do ano passado.  O Brasil teria comprado 130.558 toneladas de ingredientes ativos, queda de 7% e 139.542 toneladas de produtos formulados, queda de 5,6%, entre janeiro e junho de 2020.  Mesmo, considerados os valores envolvidos, o Brasil comprou US$ 2,118 bilhões no primeiro semestre de 2020, um aumento de 2,1% sobre US$ 2,075 bilhões no mesmo período de 2019. Os ingredientes ativos somaram US$ 735,264 milhões, uma queda de 4%, enquanto formulados os produtos cresceram 5,6% no valor de US $ 1.383 milhões em compras brasileiras do exterior. 

Todas essas informações apontam para a crescente dependência da agricultura de exportação do uso de venenos agrícolas, muito deles proibidos em outras partes do mundo, e com preços cada vez mais altos. Essa situação coloca em xeque o discurso da ministra da Agricultura, Tereza Cristina (DEM/MS) no sentido de que a enxurrada de aprovação de novos agrotóxicos visa eliminar produtos altamente tóxicos e ultrapassados e diminuir o custo financeiro arcado pelos agricultores brasileiros. 

A única coisa que parece estar ocorrendo mesmo é o aumento do lucro fabuloso das fabricantes de veneno. Simples assim!

Indústria química, bancada ruralista e agrotóxicos: tudo a ver!

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Não fosse o Brasil hoje o maior consumidor mundial de agrotóxicos, incluindo um bom número de substâncias banidas em outras partes do mundo, eu diria que a notícia abaixo seria apenas uma nota de intenções sem maiores impactos sobre a população brasileira e todos os que consomem a produção oriunda do latifúndio agro-exportador. Mas o caso é justamente o contrário, e o que se monta no horizonte é um aumento ainda maior da poluição das águas, solos e atmosfera cujos efeitos certamente serão drásticos.

Agora, há que se notar o papel que o BNDES se propõe a ocupar na intensificação da verdadeira guerra química que está sendo promovida pelos latifundiários, e em direta aliança com a indústria química. Também há que se levar em conta o papel dos representantes políticos do latifúndio no congresso nacional que é de diminuir ainda mais os já frágeis controles que existem neste setor. Finalmente, há que se notar o papel da ministra/latifundiária Kátia Abreu que a partir do Ministério da Agricultura quer acelerar a liberação de agrotóxicos e diminuir a capacidade de controle de órgãos como a ANVISA e IBAMA que, para começo de conversa, já é limitado.

A situação é preocupante, e só uma reação bem organizada poderá impor controles mais estritas sobre um setor (o de venenos agrícolas) que está usando o Brasil como zona de descarte de agrotóxicos banidos.

Associação brasileira de industria quimica, cria Comissão aumentar vendas para o Agronegócios

A primeira reunião da Comissão de Químicos para o Agronegócio foi realizada no dia 1 de junho, na Abiquim. O objetivo da nova comissão é contribuir para a formulação de políticas públicas visando a maior competitividade dos produtos químicos para o agronegócio e o fortalecimento da indústria química no Brasil.

O setor de químicos para o agronegócio (defensivos agrícolas e fertilizantes) corresponde a 18% do faturamento da indústria química no Brasil. Em 2014, somadas, as indústrias de defensivos e fertilizantes geraram um déficit para a balança comercial do setor de US$ 14,3 bilhões.

De acordo com o Estudo de Diversificação da Indústria Química do BNDES, o setor de defensivos agrícolas tem um dos maiores potenciais de investimentos na indústria química, podendo alcançar US$ 5,3 bilhões em 2030. Além disso, o BNDES avalia que esses investimentos podem resultar em um impacto de até US$ 18 bilhões na balança comercial do setor a partir de 2030. 

A Comissão de Químicos para o Agronegócio, que se reunirá mensalmente, é coordenada por Augusto Moraes (Basf) e tem como vice-coordenador Eduardo Bastos (Dow). A coordenadora-executiva é a gerente de Assuntos Institucionais da Abiquim, Marina Mattar.

Em 2 de julho, a Abiquim participou do lançamento da Frente Parlamentar em Defesa do Desenvolvimento da Região Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), presidida pelo deputado federal Irajá Abreu (PSD/TO), coordenador do setor de fertilizantes da Frente Parlamentar da Química e também presidente da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados. O evento contou com a participação da ministra Kátia Abreu e diversos parlamentares.

A nova Frente Parlamentar visa promover o aprimoramento de políticas públicas para a região Matopiba, defendendo ações integradas de desenvolvimento econômico, por tratar-se de fronteira agrícola que se destaca no mercado de grãos no Brasil.

A primeira reunião da Comissão de Químicos para o Agronegócio foi realizada no dia 1 de junho, na Abiquim. O objetivo da nova comissão é contribuir para a formulação de políticas públicas visando a maior competitividade dos produtos químicos para o agronegócio e o fortalecimento da indústria química no Brasil.

O setor de químicos para o agronegócio (defensivos agrícolas e fertilizantes) corresponde a 18% do faturamento da indústria química no Brasil. Em 2014, somadas, as indústrias de defensivos e fertilizantes geraram um déficit para a balança comercial do setor de US$ 14,3 bilhões.

De acordo com o Estudo de Diversificação da Indústria Química do BNDES, o setor de defensivos agrícolas tem um dos maiores potenciais de investimentos na indústria química, podendo alcançar US$ 5,3 bilhões em 2030. Além disso, o BNDES avalia que esses investimentos podem resultar em um impacto de até US$ 18 bilhões na balança comercial do setor a partir de 2030. 

A Comissão de Químicos para o Agronegócio, que se reunirá mensalmente, é coordenada por Augusto Moraes (Basf) e tem como vice-coordenador Eduardo Bastos (Dow). A coordenadora-executiva é a gerente de Assuntos Institucionais da Abiquim, Marina Mattar.

Em 2 de julho, a Abiquim participou do lançamento da Frente Parlamentar em Defesa do Desenvolvimento da Região Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), presidida pelo deputado federal Irajá Abreu (PSD/TO), coordenador do setor de fertilizantes da Frente Parlamentar da Química e também presidente da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados. O evento contou com a participação da ministra Kátia Abreu e diversos parlamentares.

A nova Frente Parlamentar visa promover o aprimoramento de políticas públicas para a região Matopiba, defendendo ações integradas de desenvolvimento econômico, por tratar-se de fronteira agrícola que se destaca no mercado de grãos no Brasil.