O relatório técnico da Academia Brasileira de Ciências sobre a exploração de petróleo na Foz do Amazonas e suas limitações

Imagem de satélite da região da Foz do Amazonas, na Margem Equatorial da América do Sul — Foto: Landsat/Nasa 

A mídia corporativa e também a alternativa (Aqui!Aqui!Aqui!) estão divulgando um relatório técnico produzido pela Academia Brasileira de Ciências (ABC) intitulado “ Petróleo na Margem Equatorial Brasileira,  ” em que são feitas uma série de considerações sobre a “legitimidade” da exploração de petróleo na região da Foz do Amazonas nas quais o material produzido por 12 pesquisadores escolhidos pela direção da entidade tecem considerações sobre os riscos envolvidos e apontam que qualquer decisão deve estar amparada por ciência, transparência e salvaguardas ambientais. 

Minha reação inicial após uma leitura inicial do relatório é que faltou na equipe técnica que preparou este relatório, cientistas que estão há mais de uma década realizando pesquisas robustas sobre o chamado Grande Sistema Recifal Amazônico (GARS), abarcando áreas que incluem a ecologia do sistema recifal como, também, em aspectos relacionados à circulação oceânica, e ainda sobre o impacto potencial de derrames de óleo nos bosques de manguezais.  Ao não incluir esse grupo, das quais conheço alguns pesquisadores de alta competência científica, a ABC parece ter se guiado mais por critérios políticos do que científicos, o que, convenhamos, atenta contra o bom nome da instituição. 

Aliás, também notei a ausência do físico e professor da USP, Paulo Artaxo, membro do IPCC, que possui posições contrárias à exploração do petróleo na Foz do Amazonas. Neste caso, faltou oferecer a voz contrária, algo que é crítico para a produção da ciência de excelência que a ABC diz representar.

Além disso, o relatório circunavega (para não dizer omite) as questões de natureza socioambiental que advirão não apenas de eventuais derramamentos de óleo em uma região ecologicamente tão sensível, mas, principalmente, os impactos sociais que se seguirão à instalação da indústria petrolífera. E não falo aqui apenas das estruturas de exploração, mas também das estruturas secundárias que envolverão o transporte, estocagem e apoio.  Assim, os efeitos deletérios sobre pescadores artesanais, comunidades quilombolas e povos indígenas tenderá a ser avassalador, reproduzindo o que já ocorrerá em outras áreas de exploração existentes em outras regiões brasileiras. Cito aqui o exemplo da Baía da Guanabara que foi transformada em uma lixeira química da indústria do petróleo, e onde se trava um feroz disputa por espaço entre pescadores artesanais e a Petrobras e suas subsidiárias.

Mas o que me preocupa mais ainda é o aceno de que a exploração do petróleo na Foz do Amazonas seria “legítimo”, sem que se fale para quem a legitimidade será lucrativo.  Há que se lembrar que no último leilão realizado pela Agência Nacional do Petróleo, 3 petroleiras estrangeiras ficaram com o filé mignon da exploração do petróleo na Foz do Amazonas (i.e., a americana ExxonMobil, a americana Chevron e a chinesa CNPC), sendo que a Petrobras acabou ficando com uma participação minoritária nesse processo todo. Em outras palavras, todo o esforço para abrir a fronteira da Foz do Amazonas terminará beneficiando empresas multinacionais, como, aliás, acaba de ocorrer com a descoberta de um mega campo pela inglêsa BP na camada Pré-Sal na bacia de Santos. Assim, falar em legimitidade sem cotejar quem se beneficiará da destruição que se seguirá à chega da indústria petrolífera naquela região acaba comprometendo qualquer análise séria sobre um problema tão importante.

Finalmente, o principal problema que eu tenho com esse relatório é que o tratamento da contradição existente em propor transição energética com exploração de petróleo em um momento de agravamento da crise climática, inclusive com efeitos dramáticos no funcionamento dos ecossistemas amazõnicos.  Se é para se ter um documento dessa natureza, a bomba climática e social que a exploração do petróleo representa na Foz do Amazonas representa teria que ser tratada de forma mais direta. Afinal, falar em transição energética sem falar na necessidade de transformação imediata e radical da matriz energética acaba sendo uma forma sofisticada de enxugar gelo, ou ainda tentar curar um paciente com câncer nos pulmões oferecendo cigarros sem filtro. E aí, convenhamos, não precisamos dos cientistas da ABC para produzir textos, pois a indústria petrolífera já tem os seus think tanks para fazer isso.

Aula Magna na Academia Brasileira de Ciências celebra centenário da visita de Albert Einstein ao Brasil

O físico e historiador da ciência Ildeu de Castro Moreira proferiu a Aula Magna sobre o Centenário da visita de Albert Einstein ao Brasil

Por Academia Brasileira de Ciências 

A Reunião Magna 2025 marcou o centenário da visita de Albert Einstein ao Brasil e à Academia Brasileira de Ciências (ABC) com uma conferência magna especial do físico e historiador da ciência Ildeu de Castro Moreira. O palestrante já produziu trabalhos importantes para a memória da Academia, como sobre a visita de J. Robert Oppenheimer e o papel da ABC na criação da primeira rádio do Brasil.

Em 1925, o ilustre físico alemão veio ao Brasil na esteira de uma visita à Argentina e graças ao esforço de um seleto grupo de pesquisadores brasileiros, que na ocasião compunham a Sociedade Brasileira de Sciencias, primeiro nome da ABC, então com nove anos de fundação. “Einstein fez parte de um conjunto maior de visitantes que a ABC recebeu, como Émile Borel, Marie Curie, Richard Feynman, Enrico Fermi. Esses nomes atraíam todos os jornais e tornavam a Academia conhecida”.

A visita foi dividida em duas etapas. Na primeira, uma rápida parada antes de seguir para a Argentina, foi suficiente para ser capa de jornais importantes da época. No dia 21 de março, Einstein foi recebido pelo então presidente da ABC, Aristides Pacheco Leão, e visitou o Jardim Botânico, marcando a ocasião em seu diário:

“(…) Jardim Botânico, bem como a flora de modo geral supera os sonhos das 1.001 noites. Tudo vive e cresce a olhos vistos por assim dizer. Deliciosa é a mistura étnica nas ruas. Português-índio-negro com todos os cruzamentos. Espontâneos como plantas, subjugados pelo calor. Experiência fantástica. Uma indescritível abundância de impressões em poucas horas”, registrou.

O trecho é simples, mas mostra uma atitude amena de Einstein quanto à diversidade étnica brasileira. Numa era de racismos ditos “científicos”, essa visão não era, de forma alguma, consenso entre as elites. Para Ildeu Moreira, é preciso ter cuidado para não rotular figuras históricas de forma anacrônica, trazendo outra passagem da vida do cientista. “Em 1946, Einstein fez questão de visitar a única universidade negra dos EUA, a Universidade de Lincoln, onde chamou o racismo de ‘a pior doença da América’”, exemplificou.

Mas voltando ao Brasil, a segunda estadia de Einstein, após passar pela Argentina, foi mais ativa. Durante uma semana ele visitou instituições científicas brasileiras como o Clube da Engenharia, a Escola Politécnica da então Universidade do Brasil, hoje UFRJ, o Museu Nacional, o Instituto Oswaldo Cruz, o Observatório Nacional, e, é claro, a ABC. Recebido em sessão solene pelo Acadêmico Juliano Moreira, que viria a ser o primeiro homem negro a presidir uma academia de ciências em qualquer país do mundo, Einstein apresentou um tema de vanguarda que nutria debates acalorados: a física quântica.

Albert Einstein em conferência na sede da ABC, em 1925

“Einstein proferiu uma conferência breve sobre o estado da teoria da luz, apresentando uma questão inovadora, o problema da realidade do quantum de luz, o que viríamos a conhecer como fóton. Ele havia proposto o quantum de luz, mas a comunidade cientifica não aceitava a ideia de que a luz era feita de partículas”, explicou Moreira. Os primeiros experimentos comprovando a posição de Einstein começaram a ser publicados meses depois.

Na ocasião, o físico escreveu um artigo à mão que viria a ser traduzido e publicado pelo Acadêmico Roberto Marinho de Azevedo na Revista da Sociedade Brasileira de Sciencias, precursora dos Anais da ABC. Einstein também fez uma transmissão radiofônica pela primeira rádio brasileira, a Rádio Sociedade, criada pela ABC. O trecho, traduzido pelo Acadêmico Mário Saraiva, comemora o poder social da radiodifusão:

“Após minha visita a esta Rádio Sociedade, não posso deixar de mais uma vez admirar os esplêndidos resultados a que chegou a ciência aliada à técnica, permitindo aos que vivem isolados os melhores frutos da civilização. (…) Na cultura levada pela radiotelefonia, desde que sejam pessoas capacitadas as que se encarreguem das divulgações, quem ouve recebe além de uma escolha judiciosa, opiniões pessoais e comentários que aplainam os caminhos e facilitam a compreensão: esta é a grande obra da Rádio Sociedade.”

Para Ildeu Moreira, além da exposição e do interesse gerado pela visita, Einstein contribuiu para influenciar uma nova geração de Acadêmicos a questionar o ideário positivista reinante no Brasil. “Este não gostava da ideia de universidades e do estímulo à ciência pura. Dessa forma, Einstein ajudou a fortalecer os pesquisadores e as instituições científicas nacionais”, finalizou.

Baixe aqui o livro desenvolvido pela ABC sobre a visita de Einstein.


Fonte: Academia Brasileira de Ciências

Três ganhadores do Prêmio Nobel encontram estudantes no Rio e em SP

ABC e Nobel Prize Outreach promovem evento em abril na UERJ, USP e Fiesp

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Estudantes de diferentes partes do Brasil e de países da América Latina terão a oportunidade de conversar com três premiados com a mais alta láurea científica no mundo: o Prêmio Nobel. A agenda faz parte do Diálogo Prêmio Nobel Rio e São Paulo 2024, promovido pela Academia Brasileira de Ciências (ABC) em parceria com a Fundação Nobel nos dias 15 de abril, no Rio de Janeiro, e 17, em São Paulo.

Participam do encontro David MacMillan (Nobel de Química em 2021), May-Britt Moser (Medicina, 2014) e Serge Haroche (Física, 2012).

“Ao reunir laureados com o Nobel, estudantes e especialistas regionais, pretendemos inspirar a próxima geração de cientistas a adotar um papel ativo no apoio à construção da sociedade que queremos”, afirmou Adam Smith, diretor-científico da Nobel Prize Outreach.

Com o tema “Creating our future together with science” (Criando o nosso futuro juntos com a ciência), o grupo vai abordar como a ciência pode ser usada pela sociedade para trazer mudanças em direção a um mundo melhor. “O tema do Diálogo Prêmio Nobel Rio e São Paulo 2024 traz a ciência com a perspectiva de construção do futuro, unindo os três laureados, estudantes, convidados e Unesco. Muitas vezes as pessoas esquecem a razão da ciência. Tornar a humanidade mais sábia? Sim, perfeito. Mas a ciência precisa servir à sociedade. É o momento de mostrar que esse futuro precisa ser construído pela ciência junto com a sociedade”, afirma a presidente da ABC, Helena Nader.

O primeiro evento será no Rio de Janeiro, na Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), em 15 de abril. Os laureados vão se juntar a estudantes, cientistas e convidados. Entre os participantes, estão Anna Cristina D’Addio, analista sênior da equipe do Relatório de Monitoramento Global de Educação da Unesco, Erika Lanner, diretora do Nobel Prize Museum em Estocolmo e outros. A programação completa pode ser vista aqui. 

O grupo vai debater o valor da ciência, como tornar a prática de pesquisa mais inclusiva e como adotar estratégias mais efetivas de divulgação científica. Também serão discutidos a responsabilidade dos cientistas, o papel das universidades e as estratégias de transição para um mundo mais sustentável.

Dia 17 será a vez de São Paulo receber os laureados. A programação na capital paulista será dividida em dois encontros, o primeiro no Centro de Difusão Internacional da USP, de 10h às 12h. Como no Rio, o foco é permitir o diálogo com estudantes, professores e membros da comunidade acadêmica. À tarde, os laureados terão um encontro com empresários, autoridades e formuladores de políticas públicas na Fiesp.

Este é o terceiro evento no Brasil da ABC em parceria com a Fundação Nobel, o primeiro presencial – os dois anteriores foram virtuais, em 2021, devido à pandemia de Covid. O Diálogo Prêmio Nobel Rio e São Paulo 2024 tem o apoio da 3M, ABB, Capgemini, EQT, H2 Green Steel e Scania, parceiros internacionais do Nobel, e da Finep, Fapesp e Klabin, parceiras no Brasil. UERJ, USP e FIESP são apoiadores locais da atividade.

Saiba mais informações sobre os laureados que participam do Diálogo Prêmio Nobel Rio e São Paulo 2024:

David MacMillan é um químico britânico e professor da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, desde 2006. Em 2021, foi laureado com o Nobel de Química junto com Benjamin List pela criação de novos métodos de construção de moléculas orgânicas, processo conhecido como organocatálise assimétrica. Catalisadores são substâncias que aceleram reações químicas sem se tornarem parte do produto final – importantes para os químicos construírem moléculas. Em 2000, os pesquisadores desenvolveram um novo tipo de catálise que se baseia em pequenas moléculas orgânicas e tem tornado a química mais amigável ao meio ambiente. É usada, por exemplo, em pesquisa farmacêutica.

May-Britt Moser é psicóloga e neurocientista norueguesa, chefe do departamento do Centro de Computação Neural na Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia. Recebeu o Nobel de Medicina em 2014, com Edvard Moser e o britânico-americano John O’Keefe. Juntos, descobriram células importantes para a codificação do espaço e também para a memória episódica. Seu trabalho abriu portas para a ciência conquistar novos conhecimentos sobre os processos cognitivos e déficits espaciais associados a condições neurológicas, como a doença de Alzheimer.

Serge Haroche é um físico francês, professor do Collège de France desde 2001. Em 2012, foi laureado com o Nobel da Física, ao lado de David Wineland, “por métodos experimentais inovadores que permitem a medição e a manipulação de sistemas quânticos individuais”. Os dois foram pioneiros no campo da óptica quântica. Suas pesquisas lançaram as bases técnicas para computação quântica, área que usa a mecânica quântica para resolver problemas complexos mais rapidamente do que em computadores tradicionais.

SERVIÇO

Diálogo Prêmio Nobel Rio e São Paulo 2024

Rio de Janeiro

Data: 15 de abril

Horário: 10h às 16h

Local: UERJ – Teatro Odylo Costa Filho

Endereço: R. São Francisco Xavier, 524 – Maracanã, Rio de Janeiro – RJ

Interessados em acompanhar os debates podem fazer suas inscrições aqui.

São Paulo

Data: 17 de abril

Horário: de 10h às 12h

Local: Auditório do Centro de Difusão Internacional da USP

Endereço: Av. Prof. Lúcio Martins Rodrigues, 310, Butantã, São Paulo – SP

Interessados em acompanhar os debates podem fazer suas inscrições aqui.

Mais informações: Link

“Ciência para a Transformação Mundial” será tema de encontro

Academia Brasileira de Ciências presidirá reunião inaugural do Science20, no Rio de Janeiro, em 11 e 12 de março

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G20 reúne as 19 maiores economias do mundo, somadas aos blocos da União Europeia e União Africana. Como parte da agenda do G20, a Academia Brasileira de Ciências (ABC) presidirá a 8ª edição do Science20 (S20), encontro do grupo de engajamento para a área de ciência e tecnologia. O fórum reúne os países membros para promover o diálogo entre as comunidades científicas em temas críticos e produzir recomendações aos chefes de governo e de Estado.

Durante a presidência brasileira, as Academias de Ciências discutirão a “Ciência para a transformação mundial”, lema escolhido para o encontro no Brasil. Abordagens inovadoras serão apresentadas pela ABC para o debate dos desafios relacionados à inclusão social, inteligência artificial, bioeconomia, transição energética e saúde, com enfoque nas diferenças demográficas e o impacto destas na sociedade.

Segundo a presidente da ABC, Helena Nader, “a conscientização sobre aspectos demográficos é fundamental para que os países do G20 tomem decisões informadas que moldem o bem-estar de seus cidadãos, impulsionem a prosperidade econômica e contribuam para o desenvolvimento sustentável global”.

Serão realizadas duas reuniões presenciais (Reunião de Iniciação e Cúpula) e reuniões virtuais, abordando cinco enfoques principais:

  • Bioeconomia: impulsionando o mundo em direção a um planeta sustentável.
  • Desafios da saúde: qualidade, equidade e acesso.
  • Inteligência Artificial: ética, impacto social, regulamentação e compartilhamento de conhecimento.
  • Justiça Social: promovendo a inclusão, acabando com a pobreza e reduzindo as desigualdades.
  • Processo de transição energética: energias renováveis, considerações sociais e econômicas.

A Reunião de Iniciação (Inception Meeting) será realizada no Rio de Janeiro, nos dias 11 e 12 de março. Além das apresentações das Academias de Ciências e organizações científicas internacionais, serão proferidas quatro conferências e a apresentação de um novo projeto da UNESCO focado no aprendizado em ciências para a educação (UNESCO Global Alliance of Science Learning for Education):

  • Fernanda De Negri, economista e diretora de estudos setoriais do IPEA. Conferência: “Inteligência artificial: desafios para a democracia e a sociedade”.
  • Márcia Castro, demógrafa e chefe do Departamento de Saúde Global e População da Escola de Saúde Pública de Harvard. Conferência: “Demografia e desafios da saúde no G20”.
  • Carlos Henrique de Brito Cruz, vice-presidente sênior da Elsevier Research Networks e professor emérito da Unicamp. Conferência: “Oportunidades e desafios para colaboração em pesquisa no G20”.
  • Pedro Wongtschowski, presidente do Conselho Superior de Inovação da FIESP. Conferência: “Inovação para inclusão social e sustentabilidade”.

Participam do S20 as Academias de Ciências da África do Sul, Alemanha, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, Coreia do Sul, Estados Unidos, França, Japão, Índia, Indonésia, Itália, México, Reino Unido, Rússia, Turquia e a Academia Europaea, representando a União Europeia. Pela primeira vez, organizações científicas internacionais foram convidadas a participar do processo anual do S20. Foram confirmadas as presenças de representantes da Parceria InterAcademias (IAP), Conselho Internacional de Ciência (ISC), Academia Mundial de Ciências (TWAS), Rede Interamericana de Academias de Ciências (IANAS), Associação de Academias e Sociedades de Ciências da Ásia (AASSA).

O Science20 Brasil 2024 é organizado pela Academia Brasileira de Ciências, tendo como Sherpa –nome dado a quem coordena os debates e atividades– a profª Helena Bonciani Nader. O encontro conta com apoio financeiro da FINEP e do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

Sobre o Science20

Criado em 2017, o S20 atua como grupo de engajamento do G20 para a área de ciência e tecnologia, envolvendo as Academias de Ciências dos países membros. Os debates ocorrem anualmente, sendo coordenados pela Academia de Ciências do país que preside o G20. As reuniões anteriores foram sediadas pela Alemanha (2017), Argentina (2018), Japão (2019), Arábia Saudita (2020), Itália (2021), Indonésia (2022) e Índia (2023).

As recomendações emanadas do S20 são apresentadas oficialmente para consideração na reunião de Cúpula dos Chefes de Estado e de Governo.

Academia Brasileira de Ciências promove mesa sobre El Niño e Crise Climática

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No dia 16 de novembro, às 10, na sede da Academia Brasileira de Ciências (ABC), será realizada a mesa-redonda “Crise climática e desastres como consequência do El Niño 2023-2024: impactos observados e esperados no Brasil. A atividade terá participantes presencialmente no auditório e transmissão pelo YouTube da ABC.

O evento é promovido pela ABC, pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), em parceria com o Ministério do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas (MMA), o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Mudanças Climáticas Fase 2 (INCT MC2).

Na mesa-redonda serão discutidos diferentes aspectos do El Niño 2023-2024, sendo destacadas semelhanças e diferenças em relação a outros eventos do El Niño, bem como os impactos já observados em 2023 e aqueles esperados para o verão e outono de 2024. O foco da atividade está nas possíveis consequências das anomalias climáticas resultantes do El Niño 2023-2024 em temas como desastres (secas, risco de incêndios, inundações e deslizamentos de terras provocados por extremos de chuva), segurança hídrica, alimentar e energética, infraestrutura, entre outros. Também serão considerados possíveis cenários do El Niño como resultado das mudanças climáticas e ações que possam levar a medidas de adaptação para enfrentamento da crise climática. 

Inscrições gratuitas pelo link.

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ABC e Ianas reúnem comunidade científica das Américas para debater futuro sustentável da Amazônia

Encontro em Manaus visa apoiar o desenvolvimento de soluções de longo prazo e ancoradas na ciência

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Academia Brasileira de Ciências (ABC) e a Rede Interamericana de Academias de Ciências(Ianas) reúnem em Manaus as Academias de Ciências das Américas para discutir o desenvolvimento de soluções sustentáveis para a região amazônica. O evento Ciência por e para a Amazônia acontece nos dias 2 e 3 de agosto, no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

“Um encontro como este para promover a ciência feita na Amazônia e pela Amazônia é central neste momento que estamos vivendo de preparação para a COP30, daqui a dois anos. Sem ciência, não é possível construir a sustentabilidade que buscamos para o planeta como um todo, mas especialmente para o bioma amazônico, tão estratégico para as metas que queremos atingir até 2030”, afirma Helena Nader, presidente da ABC e copresidente da Ianas.

Um dos objetivos da reunião intercontinental é gerar contribuições da comunidade científica para a Cúpula dos Países Amazônicos, que será realizada em Belém na semana seguinte, em 8 e 9 de agosto.

Durante o encontro no Inpa, haverá palestras de atores regionais relevantes, como André Baniwa, diretor do departamento de Territórios na Secretaria de Direitos Ambientais do Ministério dos Povos Indígenas, e María Alexandra Moreira López, secretária-geral da Organização do Tratado da Cooperação Amazônica (OTCA).

Representantes do Painel Científico para a Amazônia (SPA, na sigla em inglês) falarão sobre a construção de um futuro sustentável para a Amazônia. E acadêmicos de todos os países com território amazônico apresentarão suas visões sobre como aliar ciência e políticas públicas para levar mais sustentabilidade à floresta. O vice-presidente da ABC para a Região Norte, Adalberto Val, participará deste debate.

No dia 3, as copresidentes da Ianas, Helena Nader e Karen Strier, vão apresentar a Carta de Manaus, na qual as Academias de Ciências e outras organizações científicas do continente se comprometerão a fortalecer parcerias entre países amazônicos e não amazônicos para desenvolver políticas para restauração e conservação da floresta. A versão final do documento será encaminhada às delegações dos países participantes da Cúpula Amazônica, em Belém.

Credenciamento para a imprensa

Clique aqui para acessar a programação completa do evento, que será fechado para convidados. Jornalistas credenciados poderão participar presencialmente. Para se credenciar, o jornalista deve enviar nome, CPF, veículo de imprensa e contato para o endereço carlacamargo@corcovadoestrategica.com.br até às 18h de terça-feira, 1° de agosto. Haverá ainda transmissão ao vivo no canal da ABC no Youtube.

“Science for and by the Amazon”

Data: 2 e 3 de agosto

Local: Bosque da Ciência – Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa)

End.: R. Bem-Ti-VI, s/n – Petrópolis, Manaus – AM, 69060-001

Horário: de 9h às 17h40

Academia Brasileira de Ciências apresenta propostas para reduzir contaminação por mercúrio, desafio nacional

Academia defende que garimpo ilegal seja banido no Brasil

garimpo mercurio

Garimpo ilegal faz subir a níveis perigosos os índices de mercúrio em peixes da Amazônia

A Academia Brasileira de Ciências (ABC) define a contaminação por mercúrio como um desafio nacional que deve mobilizar todos os níveis governamentais, o setor privado e as organizações sociais, em documento publicado nesta terça-feira (11). O estudo faz um diagnóstico das emissões do metal no país e lista oito recomendações para lidar com esse desafio, iniciando um debate sobre a gestão do metal no Brasil.

“A contaminação por Mercúrio representa uma grave ameaça a todo o ecossistema do nosso País, de Norte a Sul e de Leste a Oeste”, alerta o professor Jailson Bittencourt de Andrade, vice-presidente da ABC e coordenador do estudo.

O documento Contaminação por mercúrio – Por que precisamos de um plano de ação? explica que o mercúrio é tóxico por conta de sua alta afinidade com compostos de enxofre presentes em proteínas e em muitas enzimas essenciais para o metabolismo das células humanas. Quando o metal se liga a enzimas e outras proteínas, elas são inativadas de forma irreversível, o que pode gerar graves complicações clínicas, como vertigens, tremores e danos aos pulmões e ao cérebro.

Extração de ouro é atividade que mais contribui para emissões de mercúrio no Brasil

O Grupo de Trabalho que realizou o estudo aponta que, apesar de várias localidades brasileiras serem afetadas pela contaminação, o mercúrio está fortemente associado ao garimpo ilegal e ao uso do metal para extração do ouro. É a atividade que mais contribui para as emissões de mercúrio no país. A técnica usada particularmente na extração ilegal faz com que o ouro e o mercúrio se fundam em um amálgama, para que o metal precioso possa ser extraído de rochas e areia. Depois, o amálgama é aquecido, fazendo o mercúrio evaporar e passar a circular na atmosfera.

A ABC expressa, no documento, sua preocupação com o garimpo realizado em terras indígenas, o que é proibido pela Constituição. Entretanto, a invasão a esses territórios segue acontecendo de maneira sistemática. Isso impacta diretamente as populações indígenas, inviabilizando a continuidade de seus modos de vida e de suas culturas. A entidade aponta a necessidade da proibição irrestrita do garimpo ilegal no país.

“O mercúrio é um legado da irresponsabilidade no trato do meio ambiente que vai ainda assombrar a humanidade por gerações”, ressalta Luiz Drude de Lacerda, Membro Titular da ABC e integrante do Grupo de Trabalho.

Exposição humana se dá principalmente por pescado contaminado

O grupo observa, no entanto, que muitos problemas de contaminação ambiental por mercúrio são devidos não apenas ao aumento das emissões, mas também à tendência de maior concentração do metal em peixes, humanos e outros organismos, observada ao longo dos últimos 20 anos. O fenômeno é atribuído à alteração do uso do solo, particularmente na conversão de florestas para extração de madeira e para a agropecuária.

A exposição humana ao mercúrio se dá principalmente pela ingestão de pescados. Assim, os riscos à saúde são ainda maiores em populações ribeirinhas da Amazônia e em pescadores artesanais do litoral brasileiro. O Grupo de Trabalho da ABC recomenda que sejam subsidiadas medidas para melhorar a segurança alimentar dessas populações, com um esforço continuado de monitoramento da contaminação de peixes e outros produtos da aquicultura.

O grupo defende que o Brasil volte a ser participante ativo na Convenção de Minamata, que traz uma série de medidas de controle sobre o uso do mercúrio em todo o mundo. O tratado internacional foi firmado em 2013 e tem por objetivo proteger o meio ambiente dos efeitos adversos do metal. O texto ressalta que o Brasil chegou a sediar a Conferência sobre Mercúrio como Contaminante Global, em 1999, mas que as iniciativas do país no âmbito multilateral vêm se reduzindo drasticamente nos últimos anos.

Outras sugestões presentes no documento são a atualização dos inventários de emissões de mercúrio, a substituição de produtos que contêm o metal por alternativas e ainda o desenvolvimento e a implementação de tecnologias voltadas à redução de emissões de fontes incidentais de mercúrio. Por fim, a ABC se compromete a realizar reuniões regionais, nacionais e internacionais, identificando gargalos e propondo mais soluções.

O governo e o desmatamento: a negação como mecanismo de defesa

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Leia artigo da Coalizão Ciência e Sociedade*, que inclui membros da ABC, entre outros (lista no final):

Em entrevista recente (03/07/2019) à BBC News, o General Augusto Heleno Ribeiro Pereira (Gabinete de Segurança Insitucional) quesiona os dados de desmatamento da Amazônia e, em grave acusação, aponta que os mesmos são manipulados.

A Psicanálise deine a negação como um mecanismo de defesa que basicamente se manifesta pela recusa em reconhecer que um evento ocorreu. A negação tem um componente inconsciente, mas também pode ter um elemento consciente signiicaivo, com o intuito de simplesmente “fazer vista grossa” para uma situação desconfortável.

As declarações do General Augusto Heleno Ribeiro Pereira são um exemplo triste de negação, em consonância com outras vozes inluentes no governo que também negam a extensão das preocupações ambientais no Brasil.

A negação da realidade objeiva do desmatamento nos cobra um alto custo, na diminuição do bem-estar da população brasileira, da credibilidade e reputação da comunidade cieníica nacional e de nossas perspecivas de inserção como parceiro comercial em um mundo onde a sustentabilidade abre as portas para mercados importantes e cooperações relevantes.

A comunidade cieníica brasileira trabalhando em insitutos de pesquisa e universidades públicas é reconhecida internacionalmente por seu pioneirismo não só no monitoramento de ecossistemas tropicais e apoio às políicas públicas mas também na apresentação transparente e fundamentada de seus resultados.

O sensoriamento remoto (principal ferramenta usada na avaliação do desmatamento) é igualmente importante e plenamente reconhecido no âmbito das Forças Armadas. Por exemplo, por meio dos projetos desenvolvidos pelo Centro de Imagens e Informações Geográicas do Exército (CIGEx )que colabora como Infraestrutura Nacional de Dados Espaciais.

Em paricular, destaca-se o indiscuível desenvolvimento cieníico e tecnológico conduzido pelo Insituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). O INPE desempenha um papel fundamental na pesquisa cieníica em sua área de atuação e na formação de recursos humanos no monitoramento ambiental (seus egressos nuclearam outros centros importantes em todas as regiões do Brasil), tendo diversiicado a plataforma brasileira de sistemas para o entendimento dos processos complexos associados à cobertura e uso do solo no Brasil. O já mencionado CIGEx conta com parceria do INPE e o Banco de Dados do Exército-BDGEx tem como pilar um sotware livre para Sistemas de Informação Geográica (SIG) desenvolvido no INPE.

O mundo inteiro hoje é capaz de, por meio de uma constelação ampla de satélites com alta resolução e frequência de imageamento, avaliar o desmatamento da Amazônia e dos demais biomas brasileiros. Ou seja, não é mais possível “tapar o sol com a peneira” ao negar dados reais e públicos com base em airmações sem embasamento, e muito menos despresigiar o trabalho sério e criterioso realizado pela ciência nacional. Ao contrário, nossos dirigentes demonstrariam amadurecimento e compromisso com o bem do país se tratassem de frente e com coragem a realidade objeiva do desmatamento, a começar pelo respeito e coniança na capacidade cieníica brasileira.

* Coalizão Ciência e Sociedade (em ordem alfabéica):

Adalberto Luis Val (Insituto Nacional de Pesquisas da Amazônia)
Alexandre Turra (Universidade de São Paulo)
Blandina Felipe Viana (Universidade Federal da Bahia)
Carlos Afonso Nobre (Insituto de Estudos Avançados – Universidade de São Paulo)
Carlos Alfredo Joly (Universidade Estadual de Campinas)
Caia Nunes da Cunha (Universidade Federal de Mato Grosso)
Crisiana Simão Seixas (Universidade Estadual de Campinas)
Crisina Adams (Universidade de São Paulo)
Daniele Vila Nova (Painel Mar)
Eduardo José Viola (Universidade de Brasília)
Enrico Bernard (Universidade Federal de Pernambuco)
Erich Arnold Fischer (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul)
Fabio Rubio Scarano (Universidade Federal do Rio de Janeiro)
Francisca Soares de Araujo (Universidade Federal do Ceará)
Gabriela Marques di Giulio (Universidade de São Paulo)
Geraldo Wilson Fernandes (Universidade Federal de Minas Gerais)
Gerd Sparovek (Universidade de São Paulo)
Gerhard Ernst Overbeck (Universidade Federal do Rio Grande do Sul)
Gislene Maria da Silva Ganade (Universidade Federal do Rio Grande do Norte)
Gustavo Romero (Universidade Estadual de Campinas)
Helder Lima de Queiroz (Instituto Mamirauá)
Helena de Godoy Bergallo (Universidade do Estado do Rio de Janeiro)
Ima Célia Guimarães Vieira (Museu Paraense Emilio Goeldi)
Jean Paul Walter Metzger  (Universidade de São Paulo)
Jean Pierre Ometto (Centro de Ciência do Sistema Terrestre/INPE)
Joice Nunes Ferreira (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária)
José Alexandre Felizola Diniz Filho (Universidade Federal de Goiás)
José Antonio Marengo Orsini (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais)
José Sabino (Universidade Anhanguera – Uniderp, MS)
Leandra Gonçalves  (Universidade de São Paulo)
Leonor Costa Maia (Universidade Federal de Pernambuco)
Leopoldo Cavaleri Gerhardinger (Associação de Estudos Costeiros e Marinhos dos Abrolhos – ECOMAR)
Leticia Couto Garcia (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul)
Ludmilla Moura de Souza Aguiar (Universidade de Brasília)
Luiz Antonio Martinelli  (Universidade de São Paulo)
Marcelo Tabarelli (Universidade Federal de Pernambuco)
Marcia Cristina Mendes Marques (Universidade Federal do Paraná)
Margareth da Silva Copertino (Universidade Federal do Rio Grande)
Maria Alice dos Santos Alves (Universidade do Estado do Rio de Janeiro)
Maria Manuela Ligeti Carneiro da Cunha (Uni Chicago)
Maria Teresa Fernandez Piedade (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia)
Mercedes Maria da Cunha Bustamante (Universidade de Brasília)
Michele Dechoum (Universidade Federal de Santa Catarina)
Paulo Eduardo Artaxo Netto (Universidade de São Paulo)
Pedro Luís Bernardo da Rocha (Universidade Federal da Bahia)
Rafael Dias Loyola (Universidade Federal de Goiás e Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável)
Renato Sérgio Balão Cordeiro (Instituto Osvaldo Cruz)
Ricardo Bomfim Machado (Universidade de Brasília)
Ricardo Ribeiro Rodrigues  (Universidade de São Paulo)
Rômulo Simões Cezar Menezes (Universidade Federal de Pernambuco)
Ronaldo Bastos Francini Filho (Universidade Federal da Paraíba)
Sergio Ricardo Floeter (Universidade Federal de Santa Catarina)
Sidinei Magela Thomaz (Universidade Estadual de Maringá)
Tatiana Maria Cecy Gadda (Universidade Federal Tecnológica do Paraná)
Thomas Michael Lewinsohn (Universidade Estadual de Campinas)
Valério De Patta Pillar (Universidade Federal do Rio Grande do Sul)

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Este artigo foi publicado inicialmente pela Academia Brasileira de Ciências [Aqui!].

Evento discute os rumos da ciência no Brasil pós corte

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“É o fim? Um debate sobre os rumos da ciência no Brasil. E inspirações de Berlim” é o tema do debate que acontece no dia 1º de fevereiro, às 18h30, no espaço de eventos da livraria Fnac Paulista. Depois do ano tumultuado no Brasil – ainda sem uma perspectiva de alívio –, convidados de peso discutem por que é importante para o país investir em ciência.

Para [a membro titular da Academia Brasileira de Ciências (ABC) ] Helena Nader , que esteve por 10 anos à frente da SBPC (Sociedade Brasileira para Progresso da Ciência) e participa do debate, esse investimento não é despesa. Pesquisadora da Unifesp, ela fala em impactos negativos da redução de recursos para pesquisa, que abalam a prosperidade econômica e social do Brasil.

Não falta só dinheiro. Falta estratégia. Essa é a crítica feita por Paulo Artaxo , pesquisador da USP, Universidade de São Paulo [ e Acadêmico da ABC]. Um dos cientistas brasileiros de maior prestigio internacional, Artaxo vê a diminuição da importância do Brasil no cenário mundial como uma das sequelas da perda de recursos.

Para que tenha defensores, a ciência não pode ficar restrita aos laboratórios. Esse é o trabalho que Herton Escobar, jornalista do Estadão e colaborador da Science, leva muito a sério, e que ele dará mais detalhes no debate. O jornalista é um dos organizadores da USP Talks, iniciativa que aproxima o público da universidade.

De Berlim, capital da Alemanha, um dos países que mais investem em pesquisas científicas, Nina Mikolaschek, da Humboldt-Universität zu Berlin, trará exemplos de como o investimento é considerado uma das prioridades. Berlim, que carregou por décadas o slogan “É pobre, mas é sexy”, tenta cumprir à risca um planejamento para se tornar a “cidade cérebro”, novo slogan a ser emplacado.

O evento será mediado pela jornalista Nádia Pontes, que organizou o debate como parte das atividades do Berlin Science Communication Award, concedido pela Humboldt-Universität zu Berlin e financiado pela Sociedade Alemã de Amparo à Pesquisa (DFG), com apoio do Ministério de Educação e Pesquisa da Alemanha (BMBF).

Serviço:
“É o fim? Um debate sobre os rumos da ciência no Brasil. E inspirações de Berlim”
Data: 01/02
Horário: Às 18h30
Local: Fnac Paulista (Av. Paulista, 901 – Bela Vista, São Paulo). 
Entrada livre

FONTE: http://www.abc.org.br/centenario/?Evento-discute-os-rumos-da-ciencia-no-Brasil-pos-corte