Reincidente: pecuarista que participou da morte de Dorothy Stang invade área protegida no Acre

dorothy stang

O ACJornal trouxe ontem (19/04) uma matéria envolvendo uma denúncia ao Ministério Público de Sena Madureira, no Acre, contra pecuaristas que estariam “comprando terras públicas”, e derrubando áreas na mata para iniciar a  criação de gado no interior da Floresta Estadual do Antimary.  Um dos elementos mais explosivos da denúncia é a de que um dos fazendeiros citados é Amair Feijoli da Cunha (também conhecido como Tato), que foi condenado a 18 anos de prisão pela morte da missionária Dorothy Stang, em 12 de fevereiro de 2005, em Anapú, no Pará.

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Segundo as investigações realizadas para apurar os responsáveis pelo assassinato de Dorothy Stang, Amair da Cunha foi quem fez a intermediação dos pecuaristas Vitalmiro Bastos e Regivaldo Galvão com os dois pistoleiros contratados por R$ 50 mil para matar a religiosa defendia a preservação da floresta amazônica.

Os posseiros que fizeram a denúncia ao MP do Acre levaram dezenas de fotografias que mostram parte da Floresta Estadual do Antimary sendo derrubada, com estradas sendo feitas na área onde deveria ser conservada e apenas seringueiros poderiam viver na reserva com 47.000 hectares.

ALTINO MACHADO: "EMPATE" NO ACRE

Os posseiros disseram no MP do Acre que a Secretaria Estadual de Meio ambiente do Acre, que deve fiscalizar e proteger a reserva, sabe de atuação de pecuaristas e não vem fazendo nada para impedir a devastação da
floresta. Mas até aí nenhuma surpresa, pois o atual governador do Acre, Gladson Cameli (PP)  já foi flagrado dizendo em público para que ninguém pagasse multas ambientais emitidas pelo Instituto do Meio Ambiente do Acre (Imac).

O mais provável é que quando os representantes do governo de Joe Biden tiverem acesso a essa notícia, as chances de Jair Bolsonaro de emplacar o arrecadar US$ 20 bilhões supostamente para proteger a Amazônia vão diminuir bastante (isto é se ainda havia alguma).

Se nada for feito, reserva extrativista Chico Mendes vai virar pasto

Imazon indica aumento de 39% nos índices relativos ao aumento de desmatamento; Pecuária está tomando conta, relata companheiro de Chico Mendes

Resex-Chico-Mendes-1Desmatamento abre pastos na reserva criada na para o sustento de famílias extrativistas, que dependem da floresta em pé

Dois dias após o presidente Jair Bolsonaro (PSL) autorizar o plantio de cana na Amazônia e Pantanal, além de outras regiões, nesta quarta-feira (6), a semana terminou com outra notícia no mínimo preocupante. O Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) divulgou estudo mostrando que a ameaça e pressão por desmatamento em áreas protegidas na Amazônia aumentaram 39% no período relativo a agosto de 2018 a julho deste ano, quando comparando ao período anterior. Isso corresponde a um total de 5.054 quilômetros quadrados de florestas derrubadas na Amazônia Legal.

Chama atenção no estudo, entre outros aspectos, o fato de que as mesmas áreas protegidas (APs) continuam no ranking das que mais sofrem ameaça e pressão. A Reserva Extrativista (Resex) Chico Mendes, no Acre, manteve a liderança no ranking das mais ameaçadas de desmatamento. E a Área de Proteção Ambiental (APA) Triunfo do Xingu, no Pará, também manteve-se como a mais foi pressionada.

O Imazon considera pressão a ocorrência de desmatamento no interior da área protegida, o que pode levar a perdas ambientais e até mesmo redução ou redefinição de limites da Área Protegida. E ameaça é o risco iminente de ocorrer desmatamento no interior da área protegida.

Chico Mendes

Criada em março de 1990, pouco mais de um ano após o assassinato de Chico Mendes, a Reserva Extrativista batizada com o nome do líder seringueiro é uma unidade de conservação localizada no sul do estado do Acre, próximo da divisa com a Bolívia. Mais de dez mil pessoas moram na reserva, que tem área área de 970.570 hectares.

Um dos maiores legados de uma das maiores lideranças ambientalistas de seu tempo, as reservas foram concebidas conforme o conceito de reforma agrária para as comunidades locais, que ao usufruírem dos frutos da terra, participam da preservação da floresta.

De olho também nas riquezas sob os territórios indígenas, garimpeiros, mineradoras ilegais e ruralistas avançam sobre essas terras, principalmente após a chegada de Jair Bolsonaro à presidência. Defensor dessas atividades na Amazônia e de seus atores, o capitão tem contribuído para a degradação do bioma com seu discurso e com ações, por meio de políticas de desmonte da estrutura de fiscalização e de preservação ambiental de seu ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles.

Morador da Resex Chico Mendes e integrante do movimento comandado pela liderança seringueira assassinada em dezembro de 1988, Raimundo Mendes disse à equipe da SOS Amazônia que essas áreas de floresta vêm perdendo espaço para a pecuária.

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Este artigo foi originalmente publicado pelo site Amazônia notícia e informação [Aqui!].