Ex-capitão Adriano da Nóbrega temia virar “queima de arquivo”: paranoia ou premonição?

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Ex-capitão do Bope, Adriano da Nóbrega, e as armas que teriam sido apreendidas em seu poder no momento da sua morte.

A notícia mais importante do dia deste domingo é sem dúvida alguma a morte do ex-capitão do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da PMERJ, Adriano da Nóbrega Silva.  Um detalhe no mínimo curioso acerca da morte de Nóbrega é que o agora falecido ex-capitão tinha a estranha certeza de que nunca seria preso, mas que morreria assassinado dentro ou fora de uma prisão, no que poderia se constituir em uma “queima de arquivo“. Pelo menos isso é o que está dizendo o advogado Paulo Emílio Catta Preta, o último a representar o agora falecido ex-capitão do Bope.

Uma pergunta que não para de gritar para ser respondida é a seguinte: quem Adriano da Nóbrega acreditava estar interessado em torná-lo uma “queima de arquivo”?

Mais importante ainda seria perguntar se Nóbrega teria tido uma espécie de premonição sobre o futuro que o aguardava, ou tudo não passaria de uma coincidência.

 

 

Com a morte do ex- capitão do BOPE, Adriano da Nóbrega, fecha-se um arquivo humano

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Ex-capitão do BOPE, Adriano da Nóbrega, foi homenageado com Medalha Tiradentes e tinha mãe e esposa lotadas no gabinete do hoje senador Flávio Bolsonaro

A mídia corporativa informa nesta manhã de domingo que foi morto na área rural do pequeno município baiano de Esplanada (cerca de 170 km ao norte de Salvador), o ex capitão do Batalhão de Operação Especiais (Bope) da Polícia Militar do Rio de Janeiro, Adriano da Nóbrega. As notícias dão conta que Nóbrega teria enfrentado uma força policial composta de contingentes de pelo menos 3 estados e morrido em uma unidade hospitalar em função dos tiros que recebeu durante um tiroteio que eclodiu quando os policiais tentavam entregar um mandado de prisão.

Com a morte do ex-capitão do Bope sobre quem pesam acusações de ser um chefe de milícias e membro de um grupo de matadores de aluguel (o “Escritório do Crime”) ficaremos sem saber se ele realmente esteve envolvido na morte da vereadora carioca Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes, ocorrido em 14 de março de 2018. 

Mas a morte do ex-capitão Adriano da Nóbrega faz mais do que nos deixar desprovidos de informações cruciais sobre  a morte de Marielle e Anderson. É que precisamos lembrar que Nóbrega não apenas foi homenageado com a principal honraria emitida pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), a Medalha Tiradentes, pelo hoje senador Flávio Bolsonaro, mas como teve sua mãe e esposa ocupando cargos no gabinete do então deputado estadual. Além disso, Adriano da Nóbrega era amigo de outra figura notória por causa de suas relações com a família Bolsonaro, o ex-policial e motorista Fabrício Queiróz.

Por essas questões todas é que a morte de Adriano da Nóbrega pode ser facilmente classificado como o fechamento de um arquivo humano, pois o ex-policial certamente tinha um vultoso acerca de informações de suas relações profissionais e pessoais com setores que hoje teriam muito a perder se ele resolvesse contar tudo o que sabia. Por isso, desconfio que a sensação que algumas cabeças coroadas da república estejam tendo hoje seja mais de alívio do que de tristeza. Afinal, para quem tinha relações com esse arquivo, melhor ele fechado do que aberta, não é?