Uma das razões pelas quais o projeto educacional de Darcy Ribeiro certamente desperta antipatia é o seu objetivo de gerar profissionais com uma consciência cidadã. Esse era o mote que embalou a criação da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF ), e continua sendo vivenciado todos os dias dentro do campus Leonel Brizola.
Agora com a greve unificada de professores, servidores e estudantes que demandam diferentes pautas do (des) governo do Rio de Janeiro, um cartaz postado no acampamento montado pelos estudantes na entrada da reitoria da UENF deverá aumentar ainda mais o desprazer nos atuais ocupantes do Palácio Guanabara em relação da capacidade de síntese que eles se mostraram capazes de fazer.
Universitários, técnicos administrativos e docentes da instituição estão em greve desde março. Estudante faz greve de fome
O DIA
Rio – Cerca de 20 alunos em paralisação desde o dia 17 de março ocuparam a reitoria da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf), em Campos dos Goytacazes, Norte do Estado, na manhã desta terça-feira. Foi colocada uma mesa em frente à entrada para impedir o acesso ao local, por volta das 7h. Entre as principais reivindicações está o funcionamento imediato do restaurante universitário e o aumento de 75% das bolsas de assistência estudantil e auxílio aos cotistas, ambos de R$ 300, atingindo o valor de R$ 525. Eles também pede a criação de moradia estudantil.
De acordo com Braullio Fontes, diretor geral do DCE Apolônio de Carvalho, várias reuniões entre Uenf e governo foram realizadas, mas os estudantes não foram convidados a participar de nenhuma delas. “Falta diálogo por parte do governo. Queremos uma solução definitiva para os nossos problemas”. Um aluno do curso de Agronomia, identificado como Luiz Alberto Araújo da Silva, iniciou na tarde de ontem uma greve de fome em apoio ao protesto e divulgou uma carta-manifesto.
Alunos ocuparam reitoria da Uenf, em Campos
Foto: Antonio Guzzo / Whatsapp O DIA
A reitoria da universidade reconheceu a legitimidade das reivindicações dos alunos e disse que trabalha para cumprí-las, mas depende de todos os trâmites legais para dar início ao funcionamento do Restaurante Universitário. Já foram iniciados os trabalhos referentes ao processo licitatório para a compra de equipamentos e utensílios para o restaurante.
A Uenf também disse que analisa internamente, junto à nossa Diretoria Geral Administrativa, a viabilidade do reajuste das bolsas. Segundo a universidade, havendo viabilidade financeira, a proposta será submetida aos colegiados competentes. A questão do auxílio moradia já é um tema de discussão interna dentro da UENF e a Reitoria tem tentado buscar alternativas para implementá-lo, disse a nota.
Alunos apoioam greve de técnicos e professores
Aluno do curso de Agronomia da Uenf faz greve de fome
Foto: Leitor WhatsApp O DIA
Braullio disse que os alunos estão juntos em apoio à greve dos técnicos administrativos e docentes da Uenf e servidores da Fenorte, que estão em greve desde os dias 20, 13 e 17 de março, respectivamente. Os estudantes apoiam as reivindicações das categorias.
Está prevista para amanhã uma manifestação envolvendo as três frentes, saindo do campus da Uenf em direção ao Centro de Campos. Os servidores pedem revisão do Plano de Cargos e Vencimentos. Já os docentes pedem
Os servidores da Fenorte (Fundação Estadual do Norte Fluminense) reivindicam a transferência do quadro de funcionários para a Universidade do Norte Fluminense (Uenf). O servidor Antonio Guzzo pede a transferência para que possam trabalhar e criticou o desperdício de dinheiro em salários e encargos para funcionários sem função. “O reitor da Uenf já solicitou nossa transferência, no entanto, até o momento, sem apoio do governo”, disse.
Em nota, o governo do Estado disse que está dialogando constantemente com representantes de todas as categorias envolvidas, apesar dos alunos dizerem o contrário. Quanto as reivindicações dos servidores, a secretaria estadual de Ciência e Tecnologia disse que a concessão de reajustes e outros benefícios está condicionada ao fim imediato da greve e ao retorno à normalidade das atividades administrativas e acadêmicas. A secretaria aponta a paralisação como inoportuna.
Silvério Freitas, reitor da UENF, e o (des) governador Luiz Fernando Pezão. Esta proximidade é que explica as ações da reitoria da UENF para desinformar e criar confusão sobre o real andamento das negociações para encerrar a greve geral que ocorre na instituição.
A reitoria da UENF lançou no final da tarde de 6a. feira uma nota intitulada “Reajuste de docentes e técnicos será enviado em maio à Alerj” (Aqui!) cujo conteúdo é tão dispare da nota lançada pela associação de docentes em seu blog (Aqui!) que mais parece que aconteceram duas reuniões com os mesmos personagens, só que com enredos e finais completamente opostos.
Essa aparente dissincronia se explica menos por problemas auditivos, mas mais pelo claro empenho da reitoria da UENF em cumprir o triste papel de interventora do (des) governo do Rio de Janeiro dentro da UENF. Até agora a principal derrotada pela greve, a reitoria da UENF continua no seu firme propósito de impedir ganhos substanciais por parte do movimento unificado que reúne os três segmentos da comunidade universitária. É que qualquer vitória substancial servirá para aumentar ainda mais o descrédito em que a gestão do reitor Silvério Freitas está imersa.
Assim ao em vez de se unir com a comunidade que o elegeu, Silvério e sua equipe se comportam como interventores dentro da UENF. Enquanto isso, questões básicas como a reposição das perdas salariais de servidores e professores, abertura do bandejão e elevação dos valores das bolsas acadêmicas continuam sem qualquer solução.
Deste modo, o lançamento de uma nota que desinforma e serve apenas para criar confusão é apenas a repetição de um padrão que está estabelecido dentro da reitoria da UENF desde que lá adentrou o grupo que controlou as últimas três gestões. Por isso é tão importante que se tenha conseguido avançar no processo de superação das divisões que foram propositalmente criadas para desunir professores, servidores e estudantes.
Agora, se a intenção de emitir esta nota era enfraquecer o movimento de greve, o clima dentro do campus Leonel Brizola nesta segunda-feira (07/04) já mostrou que esta finalidade não foi alcançada, e a greve continua firme e forte. E mais do que isso, com todos os segmentos se preparando para novas atividades de natureza unificada para pressionar o (des) governador Luis Fernando, o Pezão.
O movimento estudantil da UENF vem mantendo um perfil de atividade alta desde que foi decretada a greve dos estudantes. Agora num gesto de cobrança explícita, os estudantes “empastelaram” a porta de entrada da reitoria com suas múltiplas demandas. Uma das delas é a exigência de abertura imediata do bandejão cuja obra foi iniciada em novembro de 2008. Além disso, os estudantes cobram maior transparência na aplicação dos recursos enviados pelo Ministério de Educação e Cultura (MEC) através do Programa Nacional de Assistência Estudantil (PNAEST).
Essa ação dos estudantes demonstra que na greve em curso na UENF, a qual abarca todos os três segmentos da comunidade universitária, o (des) governo do Rio de Janeiro, agora liderado por Luiz Fernando Pezão, não poderá repetir a ladainha de que a greve prejudica os estudantes. Agora está claro que quem prejudica os estudantes é, no plano externo, a política de asfixia financeira e salarial que foi executada pelo ex-(des) governador Sérgio Cabral. Já no plano interno, os estudantes parecem ter identificado bem onde o problema está localizado.
Agora vamos ver como se comporta a reitoria da UENF, normalmente avessa a qualquer tipo de cobrança sobre sua inação e ineficácia para resolver problemas básicas que ocorrem cotidianamente dentro da instituição criada por Darcy Ribeiro.
Uma cena que raramente visto em qualquer universidade do mundo ocorreu hoje no campus da Universidade Estadual do Norte Fluminense em Campos dos Goytacazes. É que cansados do descaso e intransigência do (des) governo comandado até ontem por Sérgio Cabral, membros de todos os segmentos da comunidade universitária lacraram hoje todas as entradas, impedindo o acesso ao seu interior.
Essa situação decorre do lento, porém consistente, processo de sucateamento a que a UENF vem sofrendo ao longo dos últimos 7 anos, e que culmina numa situação de penúria salarial, inexistência de políticas para assistência estudantil e encurtamento orçamentário. Todas essas variáveis somadas é que explicam porque uma medida tão dramática foi tomada, ainda que de forma ordeira e pacífica.
O aspecto mais importante desse evento foi a retomada de uma ação unificada por todos os três segmentos, o que revela que todas as tentativas realizadas para desunir e impedir a ação unificada de professores, servidores e estudantes. A principal demonstração disso foi a reunião de todos os comandos de greve que ocorreu na sede da ADUENF logo após o encerramento do trancamento do campus.
Agora é importante que os representantes do novo/velho (des) governo estadual saibam que não haverá diálogo e retomada da normalidade dentro da UENF com a repetição das chantagens e humilhações que foram a marca do mandato do ex-(des) governador Sérgio Cabral. Assim, quanto antes aparecem negociadores com autoridade e disposição para resolver as diversas pautas existentes, menor será a sangria a que o novo (des) governador Luiz Fernando Pezão sofrerá com a manutenção da greve geral que ocorre atualmente na UENF.
Qualquer servidor público fluminense que já teve que ir à luta em busca de melhores salários sabe que o (des) governo comandado pela dupla Sérgio Cabral/Luiz Fernando Pezão além de ter arrochado salários ao extremo, não tem muita disposição para dialogar. Pior ainda é quando uma determinada categoria decide entrar em greve. Além das experiências de repressão explícita com nos casos de bombeiros e professores, a máxima desse (des) governo é “só negocio se sairem de greve”. E o pior, como bem sabem os professores da UENF, sair de greve é normalmente a dica para mais desrespeito e procrastinação por parte de Cabral e seus (des) secretários. Aliás, esse (des) governo só é rápido mesmo quando se trata de atender as demandas de grandes grupos econômicos. Ai Sérgio Cabral e Pezão são só amor.
Pois bem, após 21 dias de uma greve que reúne todos os segmentos da comunidade universitária da UENF e que já ganhou repercussão nacional, o (des) secretário estadual de Planejamento e Gestão, Sérgio Ruy Pereira, está tendo que descer do seu altar de intransigência e se reunir com o comando de greve dos professores para retomar um processo de negociação que já foi suspenso duas vezes, após a aceitação da chantagem “ou sai de greve ou não negociamos”. A questão é que dessa vez, os professores não estão dispostos a esta demanda que só implicou na necessidade de fazer novas greves.
De toda forma, essa reunião que deverá ocorrer nesta 5a. feira (03/04) já é uma primeira vitória do movimento de greve. Afinal, a reunião acontecerá com os professores dos dois campi da UENF (Campos e Macaé) firmemente em greve, mas também nas ruas realizando atividades políticas que servem não apenas para expor a miséria salarial que foi criada pelo (des) governo Cabral, mas principalmente para renovar um diálogo sempre necessário com a população que é a principal interessada na existência de uma universidade pública, gratuita e de qualidade.
E é bom que o (des) governo do Rio de Janeiro saiba que dessa vez não serão ameaças vãs que vão acabar com a esta greve. Esta vai ser a hora de negociar uma solução duradoura para a UENF. Ou é isso ou a greve vai continuar.
Após duas semanas de greve, os professores da UENF se reuniram novamente na tarde desta 5a. feira (27/03) e rejeitaram tanto a proposta de reajuste de 35% em duas parcelas, como a exigência feita pelo (des) governo Cabral para eles suspendam o movimento para que uma proposta seja enviada à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Essa posição não foi contestado por nenhum dos professores presentes, e reflete a solidez da atual greve. As informações prestadas pelo Comando de Greve sobre as diferentes reuniões realizadas com representantes da SECT, parlamentares na ALERJ e a excelente recepção que o movimento está tendo nas ruas de Campos dos Goytacazes serviram como razões objetivas para estas decisões.
Por outro lado, numa demonstração de que a solidariedade entre os diferentes segmentos que compõe a comunidade universitária já é um dos grandes ganhos desta greve, a assembléia aprovou a realização de reuniões para articular as atividades que serão promovidas por professores, estudantes e servidores da UENF. Além disso, foi aprovada também um convite para que o comando de greve dos servidores da FENORTE também participe das atividades conjuntas, o que representa outro saldo extremamente positivo deste movimento.
Na questão específica da FENORTE, os professores aprovaram uma moção de solidariedade aos servidores da FENORTE que estão sendo ameaçados pelo corte de ponto como forma de quebrar a justa greve que eles realizam neste momento.
Uma coisa é certa: se o (des) governo comandado por Sérgio Cabral e Pezão acreditava que iria chantagear novamente os professores da UENF a saírem de greve de mãos abanando, a assembléia de hoje mostra que isto não vai acontecer desta vez. Aliás, o que parece claro é que a paciência da maioria dos presentes com o (des) governo do Rio de Janeiro se esgotou de vez em função de tantas promessas descumpridas. Agora que está assumindo o timão de uma nau que parece desgovernada, Pezão faria muito bem para si mesmo negociando em vez de continuar o método da chantagem e da enrolação que prevaleceu até agora.
Apesar de persistir um silêncio sepulcral por parte do (des) governo de Sérgio Cabral, a greve que une todos os segmentos que formam a comunidade universitária da UENF teve um momento importante quando foi feita a inauguração simbólica da obra do bandejão universitário, uma obra que se arrasta desde 2008. Em que pese o fato de que essa foi uma atividade convocada inicialmente pelos estudantes, todos os segmentos se fizeram presente, num sinal claro de que as pressões para finalizar esse movimento histórico vão encontrar fortes resistências em todos os segmentos que diariamente constroem a UENF.
O curioso é que até o momento o (des) governo Cabral se mantem em silêncio sepulcral depois que sua chantagem aos professores de que só haveria negociação após o final da greve teve como resposta a deflagração de movimentos semelhantes entre estudantes e servidores.
O próximo evento em que a comunidade universitária da UENF participará será a audiência que ocorrerá nesta 4a. feira (26/03) sob os auspícios da Comissão de Educação da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro. Para tanto, uma delegação sairá de Campos dos Goytacazes e deverá levar uma mensagem clara aos deputados que estarão na ALERJ: Cabral e Pezão, chega de enrolação!
A greve que ocorre na UENF e envolve os três segmentos da comunidade universitária teve um momento de demonstração de força na manhã desta segunda-feira com a visita dos deputados Jânio Mendes (PDT) e Clarissa Garotinho (PR). Ainda que esse tipo de visita seja essencialmente simbólico, o fato é que os deputados puderem ver de perto um momento de unificação não apenas dentro da UENF, mas também com os servidores da FENORTE.
Como mostram as imagens abaixo, a força desta greve, que ainda está apenas no começo, desafia as noções fáceis de que movimentos grevistas não são ferramentas úteis para avançar a luta dos trabalhadores. O fato é que apenas através do uso deste tipo de ferramenta é que os trabalhadores podem estabelecer alianças que podem arrancar ganhos maiores do que governos e patrões estão normalmente dispostos a conceder.
No caso da presente greve, a unificação que alcança os servidores da FENORTE que realizam um inédito movimento que expõe as entranhas de um processo de apropriação dos seus 40 cargos comissionados por grupos políticos que perdem eleições. Aliás, nesse sentido, a fala da deputada Clarissa Garotinho foi interessante, na medida em que ela defendeu a não extinção da fundação, mas concedeu que aqueles servidores que desejarem ser transferidos para a UENF possam ter esse direito.
Participe das Atividades da Semana 24 a 28 de março
. “Abrace o Bandejão” – Atividades Culturais Distribuição de cachorro-quente – Debates sobre a situação da UENF – Bandejão da UENF – terça-feira – 16 hs.
. Ida a ALERJ (Rio de janeiro) para participar de reunião com a Comissão de Educação – Saída da UENF – quarta-feira 05 hs.
. Assembleia Geral dos Professores – Sede Cultural da ADUENF – quinta-feira às 15 hs.