TJ/RJ mantém suspensão de desapropriação no Porto do Açu

Decisão da justiça fluminense representa séria derrota para a CODIN

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No dia 30 de janeiro informei neste blog que o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro havia suspendido a desapropriação de uma propriedade no V Distrito de São João da Barra por causa de irregularidades que cercaram a ação da Companhia de Desenvolvimento Industrial do Rio de Janeiro (CODIN) naquele processo (Aqui!).

Pois bem, de lá para cá, a CODIN recorreu da decisão liminar da desembargadora Elizabete Filizzola, e como mostra a imagem abaixo, teve o seu recurso negado!

codin negada

Ainda que esta seja apenas uma vitória parcial dos agricultores, ela é ainda mais expressiva em função do fato de que o TJ/RJ não entendeu como suficientes as alegações que a CODIN apresentou em seu recurso.  E é mais importante ainda porque acata liminarmente o argumento dos agricultores de que não apenas a propriedade não estava incluída nos decretos de desapropriação mas que, no processo de desapropriação, seus direitos constitucionais não foram respeitados pela CODIN.

Esta decisão também é importante porque sinaliza, mais uma vez, para a revisão dos preços pagos pela CODIN pelas terras desapropriadas, já que o preço irrisório da desapropriação foi um dos fatores que motivou a entrada do processo de recorrência dos agricultores em primeiro lugar.

Assim sendo, fica patente que mais problemas se avizinham para a CODIN já que esta decisão vai animar a que outros agricultores que se sentiram prejudicados pelo rumoroso processo de desapropriação promovido para beneficiar o conglomerado do ex-bilionário Eike Batista a também entrarem na justiça para reclamar seus direitos.

Finalmente, esta decisão é altamente significativa porque sinaliza que os tempos em que todas as questões relacionadas às desapropriações feitas no V Distrito começavam e terminavam em São João da Barra.

Eletricidade, o calcanhar de Aquiles do Porto do Açu

O alerta sobre as limitações graves que estão sendo enfrentadas pelas empresas já instaladas no Porto do Açu no que se refere ao fornecimento de eletricidade já foi dado pelo jornalista Esdras Pereira em seu blog no jornal Folha da Manhã com o sugestivo título de “Uma Ampla no meio do caminho” (Aqui!). Mas a imagem abaixo, vinda do Facebook, mostra o calcanhar de Aquiles que a falta de uma linha de transmissão representa para todo o empreendimento.

eletricidade

Alguém devia ter avisado a Eike Batista e à Ampla que a eletricidade não chega só com a colocação das torres de sustentação. Há que haver fiação e, mais importante, eletricidade para ser transmitida. Agora, essas torres ficam lá no Açu como símbolos maiores da falta de planejamento básico para um empreendimento de tamanha envergadura. Com tanta incompetência, não é preciso nem que existisse críticos.

Entretanto, não custa nada lembrar que um número imenso de famílias, como por exemplo a do falecido José Irineu Toledo, tiveram suas terras expropriadas justamente para a passagem dessa linha de transmissão. Parece inexplicável e é.

Enquanto isso, haja gerador!

As vozes do Açu continuam contando a história que a propaganda oficial quer esconder

Nas últimas semanas tenho recebido vários depoimentos via comentários postados por este blog que mostram novas facetas da crise social (e ambiental) instalada no V Distrito de São João da Barra a partir das desapropriações realizdas pela Companhia de Desenvolvimento Industrial do Rio de Janeiro (CODIN) para beneficiar o ex-bilionário Eike Batista e seu outrora “superporto do Açu”.

Vejam abaixo mais um desses depoimentos, pois ele nos permite realizar uma reflexão coletiva sobre o modelo de desenvolvimento que queremos para a nossa região e, por extensão, para o Brasil.

Eis o depoimento:

“Sou um grande leitor desse BLOG. Fico atento todos os dias as notícias divulgadas com relação as desapropriações do V Distrito de São João da Barra, e não poderia deixar de escrever algo. A maioria dos agricultores (pessoas idosas) nem sequer receberam dinheiro algum por suas terras! Pegaram mas não pagaram, e dizem que são os donos! Como assim? Nas minhas andanças pelo V Distrito verifiquei que alguns agricultores, além de ter perdido as lavouras devastadas pelas máquinas, tiveram que vender seus poucos gados leiteiros por falta de pastagens. Não tinha mais suas terras! Queijo da roça e leite do V Distrito não se acha mais!

Nós é que estamos pagando pelo desgoverno! Esses agricultores não sabem fazer outra coisa a não ser plantar e colher, pois foi a cultura passada de geração em geração.O que eles vão apender nessa idade? Trabalhar no porto? Tomara que a perícia seja favorável a esses agricultores tão sofridos e que haja justiça finalmente!”

Esse relato nos dá acesso a outras dimensões do encurtamento do cobertor econômico dos agricultores que, além de terem suas terras tomadas por preços irrisórios e nem isto receberem, tiveram que vender seu gado por absoluta falta de pasto. Enquanto isso, milhares de hectares jazem improdutivos à espera de um distrito industrial que já se sabe dificilmente sairá do papel. E no dicionário que eu olhei, o nome disso não é desenvolvimento.

Perícia judicial para avaliar real preço de terras desapropriadas poderá entornar de vez o caldo no Porto do Açu

No dia 15 de outubro de 2013 informei aqui neste blog que o Tribunal de Justiça havia atendido a quatro agricultores do V Distrito de São João da Barra e suspendido a desapropriação de suas terras por causa do preço irrisório pago pela Companhia de Desenvolvimento Industrial do Rio de Janiero (CODIN), o que contraria a legislação vigente no Brasil (Aqui!).

Pois bem, a nova perícia judicial que foi determinada para verificar o real valor das terras desapropriadas pela CODIN deverá ocorrer na próxima segunda-feira (10/02). Se for mantida a tendência que está ocorrendo em casos semelhantes de reavaliação é bem provável que o custo inicial que foi calculado pela CODIN vá subir substancialmente. E se isto se confirmar, todo o processo de desapropriações promovido pelo (des) governo de Sérgio Cabral para beneficiar o empreendimento conhecido como superporto do Açu, liderado ex-bilionário Eike Batista, vai resultar em custos astronômicos para o tesouro estadual.

A questão agora é a seguinte: se não foi a CODIN que pagou pelas desapropriações de baixo custo, mas a empresa Grussaí Siderúrgica do Açu, quem é que vai pagar a salgada diferença? Afinal, como prevê a constituição, se não houver o justo ressarcimento pela desapropriação de uma propriedade, a mesma de voltar para o seu legítimo proprietário.

E no presente caso, os legítimos proprietários são humildes agricultores que tiveram suas vidas devassadas e seus direitos básicos desrespeitados.  Assim, no frigir dos ovos, quem é que vai pagar por todos os prejuízos que essa gente sofreu?

No colapso do Império X, enquanto muitos perderam tudo, 14 executivos levaram 3,4 bilhões de dólares

O jornalista Lauro nos informa hoje em sua coluna que no meio dos escombros do ex-império X, quatorze executivos do conglomerado do ex-bilionário Eike Batista saíram do naufrágio com as contas contas bancárias inundadas de dólares (conferir nota abaixo). Juntos esse executivos amealharam uma bagatela que gira em torno de 3,4 bilhões de dólares!

Uma coisa que Lauro Jardim não nos contou (apesar dele certamente ter a chave desse segredo) foram os nomes desses executivos. Assim ficaremos sem saber, pelo menos neste momento, quem foram os que ganharam bastante com esse naufrágio de deixar o Titanic rubro de vergonha. Agora, os perdedores já sabemos de cor e salteado: os agricultores e pescadores do V Distrito de São João da Barra. Estes, ao contrário dos milionários executivos do ex-império X, perderam tudo, inclusive o direito de serem tratados com dignidade pelo (des) governo de Sérgio Cabral.

Alguns ganharam

Muitos perderam, poucos ganharam muito

A conta foi feita, em detalhes, por quem conhece a alma do (ex?) grupo X.Entre os executivos que passaram pelas empresas de Eike Batista, nove saíram de lá com a carteira recheada com pelo menos 100 milhões de dólares.

 

Outros cinco felizardos mandaram para suas contas-correntes cerca de 500 milhões de dólares.

FONTE: http://veja.abril.com.br/blog/radar-on-line/economia/grupo-x-35-bilhoes-de-dolares-a-executivos-de-saida/

Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro suspende outra desapropriação no Porto do Açu

Desembargadora deferiu liminar de agricultor desapropriado que reclamou de não estar incluído nos decreto expropriatório

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, acatando parecer da Desembargadora Elizabete Filizzola, concedeu liminar aos agricultores Denancy Gonçalves Azeredo e Henrique Viana Toledo que moveram ação contra a Companhia de Desenvolvimento Industrial do Rio de Janeiro (CODIN). Segundo as alegações apresentados ao TJ, a CODIN inclui indevidamente a propriedade de 10,52 hectares no processo de desapropriação de terras. Além disso, a CODIN não teria procedido com a avaliação das terras expropriadas antes da emissão de posse, o que fere o direito dos desapropriados de ter a prévia e justa indenização em dinheiro pela tomada de sua propriedade pelo Estado.

Confira abaixo os termos da decisão Tribunal de Justiça:

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Como esse não foi o único caso em que este tipo de violação dos agricultores do V Distrito ocorreu, é de se esperar que a CODIN veja suas vitórias na justiça de São João da Barra revertidas pelo TJ.

Mas o que mais me impressiona é o fato de que o TJ esteja tendo que entrar em ação para garantir direitos básicos que deveriam ter sido devidamente tratados no âmbito da justiça local.  Afinal, desapropriar terra que não foi incluída, sem indenizar previamente os proprietários é, no mínimo, estranho.

De toda forma essa é uma vitória importante para os que ao longo dos últimos cinco anos estão lutando para defender os direitos de milhares de famílias do V Distrito de São João da Barra.

E Eike Batista entrega outro “anel”: agora a CCX é a bola da vez

Como já era esperado, Eike Batista continua com o desmanche de seu império de empresas pré-operacionais que se juntavam sob a bandeira do Grupo EB(X). Agora a empresa que se vai é a CC(X), empresa que possui reservas consideráveis de carvão na Colômbia. Aliás, nesse caso há que se lembrar que Eike Batista chegou a bancar um tour recheado de regalias para um grupo de políticos colombianos, justamente para ver se conseguia, digamos, “amaciar” o processo de liberação de licenças ambientais (Aqui!). Agora, combalido financeiramente, Eike não está tendo outra saída a não ser entregue mais este “anel”.

Agora fico imaginando como se sentem aqueles que diziam que todas as ponderações feitas sobre a viabilidade dos projetos de Eike Batista eram só inveja de um homem rico e de sucesso. Houve até “eikete” que jurou não vender as ações que dizia ter das empresas “X”; Se aquilo não foi só discurso da boca para fora há gente chorando lágrimas de sangue por causa do prejuízo.

De minhas parte, a única coisa que realmente interessa é sobre quando vão anular os decretos de desapropriação do V Distrito de São João, retornar as terras para seus legítimos donos e, sim pagar as justas reparações financeiras por todo o dano que foi causado a centenas de famílias de trabalhadores rurais e de pescadores.

Eike Batista venderá CCX para grupo da Turquia

O ex-bilionário mais famoso do mundo vai se desfazer do controle de mais uma empresa “X”

 
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Diogo Max, de 

Fabio Pozzebom/AGÊNCIA BRASIL

 O empresário Eike Batista, controlador do grupo EBX

 Nos últimos dois anos, Eike Batista perdeu 60 bilhões de reais

 São Paulo – Eike Batista, o ex-bilionário mais famoso do mundo, vai se desfazer do controle de mais uma empresa “X”. Dessa vez, é a CCX, a mineradora que possui minas de carvão na Colômbia, de acordo com a revista VEJA.

Segundo notícia publicada neste sábado pelo jornalista Lauro Jardim, na coluna Radar, o negócio está quase fechado e um grupo da Turquia deve levar a companhia.

Recentemente, a CVM abriu processo contra Eike e os executivos da CCX. O xerife do mercado brasileiro investiga se houve infração às normas que tratam da divulgação de informações e fatos relevantes pela companhia.

É possível que a investigação da CVM esteja relacionada a rumores sobre o fechamento de capital da CCX, em meados do ano de 2012.

Derrocada

Nos últimos dois anos, Eike Batista, que já foi considerado o 7º homem mais rico do mundo, perdeu 60 bilhões de reais e deixou o seleto clube do bilhão.

Em outubro passado, a OGX, petroleira do grupo de empresas controlado por ele, pediu recuperação judicial. A empresa conseguiu adiar até a próxima sexta-feira o plano de recuperação à justiça. Em novembro, foi a vez da OSX, companhia de construção naval, pedir recuperação judicial

Também em outubro do ano passado, Eike também deixou de controlar a mineradora MMX. Ele também vendeu o controle da LLX, sua empresa de logística, em agosto passado.

FONTE: http://exame.abril.com.br/negocios/noticias/mais-uma-empresa-x-vai-deixar-de-ser-de-eike

CODIN e seus réus ignorados do Porto do Açu

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Hoje fiz um levantamento na base de dados do Tribunal de Justiça sobre os processos abertos pela Companhia de Desenvolvimento Industrial (CODIN) no município de São João da Barra e encontrei um número que beira a 300. Deste total, um fato que salta aos olhos: o número de processos que foram abertos contra a figura do “réu ignorado” que totalizou 56, o que equivale a quase 20% do total.

Essa é uma coisa que não se explica nem pela realidade no campo onde quase todas as propriedades têm donos bem conhecidos porque estão nas mãos das mesmas famílias há várias gerações ou, tampouco, pela falta de um cadastro no registro de imóveis. Além disso, como a CODIN fez  seu próprio cadastramento antes de começar as desapropriações, poucos proprietários são mesmo ignorados.

Então a pergunta que se coloca: por que tantos processos foram abertos pela CODIN contra réus supostamente ignorados?

Mas uma coisa é certa: ignorados mesmo no V Distrito só os direitos dos agricultores e pescadores.

Do Blog do Bastos: Gabeira no Açu

Gabeira no Açu

No domingo (08), às 18h30, o programa “Gabeira na Globo News” vai apresentar histórias de produtores rurais do 5º Distrito de São João da Barra. Em uma conversa franca com o ex-deputado federal, homens e mulheres humildes relatam que lagoas doces ficaram salgadas e como o sal arruinou a plantação de pequenos produtores de abacaxi da região.

FONTEhttp://www.blogs1.fmanha.com.br/bastos/2013/12/06/gabeira-no-acu/