“Menos amor, mais glifosato” derruba o mito da dominação marxista nas universidades brasileiras

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Menos amor, mais glifosato, a mensagem “engraçada” de estudantes de Agronomia da Universidade Federal de Goiás.

Encontrei a notícia abaixo circulando pela minha linha do tempo na rede social Facebook e, apesar, de ser quase 2 anos velha, a mesma me parece muito útil para o necessário debate acerca de uma suposta dominação do “Marxismo Cultural” nas universidades brasileiras, especialmente as públicas.  Essa fotografia que foi retirada da página oficial da EMATER de Goiás mostra um grupo de estudantes do curso de Agronomia da Universidade Federal de Goiás fazendo uma estranha apologia do herbicida mais vendido no mundo, o Glifosato, que hoje se encontra sob profundo escrutínio por suas supostas relações causais com o Linfoma de Non-Hodgkin, uma forma bastante agressiva de câncer que atinge células sanguíneas.

glifosato amor

Pois bem, mesmo que a relação causal do glifosato com o Linfoma de Non-Hodgkin seja motivo de controvérsia, o que de fato ela segue sendo, o que pode levar a um grtupo de jovens estudantes e futuros engenheiros agronômos, que estão sendo formados por uma universidade pública, a exporem uma mensagem tão acientífica como esta? E, pior, ainda lucrarem com isso já que cada camiseta era vendida a R$ 35,00!

Afora a questão imediata do que significa espalhar que venenos agrícolas são mais importantes que o amor, o problema mais de fundo se refere à própria formação curricular que está sendo dada a esses estudantes. É que não há como simplesmente aparecer a ideologia do “veneno vencendo o amor” do nada. Há que haver firmada uma profunda convicção de que agrotóxicos não só são “seguros”, mas como podem ser motivo de piadas e formas de profundo de renda até com camisetas vestidas por estudantes.

E voltando à questão inicial da suposta invasão do “Marxismo Cultural” nas universidades públicas, o que este caso escancara é que o problema que nos aflige é de natureza bem diversa, e começa pela aceitação de que temos de naturalizar os inevitáveis riscos trazidos por um modelo produtivo que reconhecidamente é viciado em venenos agrícolas. Essa aceitação tem tudo a ver com uma lógica que não tem como estar associada a qualquer variante (real ou imaginada) do Marxismo.

Finalmente, eu fico curioso para saber se a coordenação do curso de Agronomia da Universidade Federal de Goiás adotou algum tipo de medida pedagógica para aumentar o grau de consciência dos estudantes e futuros profissionais  sobre as implicações sociais, ambientais e econômicos do alto uso de venenos agrícolas pela agricultura brasileira. E quando falo de pedagógica, isto falando no sentido literal da palavra. É que a suposta piada contida na camiseta dos estudantes goianos revela, acima de tudo, que eles não entendendo a gravidade do problema com que terão de se defrontar na sua vida profissional.

 

Planta com cheiro substitui agrotóxico

Roberto Custódio / Jornal de Londrina
Roberto Custódio / Jornal de Londrina / O doutorando Mateus Carvalho comprovou a redução de 70% na incidência de mosca branca em meio à plantação de tomate
O doutorando Mateus Carvalho comprovou a redução de 70% na incidência de mosca branca em meio à plantação de tomate

Aposta em cultivo consorciado de plantas é alternativa pesquisada na UEL para o controle de pragas que afetam morango e tomate

O cultivo de frutas e hortaliças em consórcio com outros alimentos pode ser um método bastante eficaz no combate de pragas e doenças na agricultura. É o que constataram pesquisadores do Centro de Ciências Agrárias (CCA) da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Eles escolheram o tomate e o morango – dois dos alimentos mais suscetíveis a pragas e, portanto, ao uso de agrotóxicos – para mostrar como técnicas alternativas podem ajudar a repelir insetos de forma natural. Os métodos deram certo e já estão sendo utilizados por produtores orgânicos da região Norte do estado.

Em um dos experimentos, o mestrando do programa de pós-graduação em Agronomia Fernando Hata utilizou o plantio de alho com o morango para afastar o ácaro rajado. A praga, que causa o apodrecimento das folhas da planta, foi repelida pelo cheiro forte do alho. “Podemos diminuir em até 50% a população de ácaro com o plantio do alho próximo ao morango. Isso reduz bastante o uso de veneno, se o agricultor tiver uma produção convencional”, comenta o pesquisador.

Fazenda Escola testa mais métodos e plantas

Criar condições para que inimigos naturais das pragas surjam para controlá-las também pode ser uma alternativa para eliminar o uso de agrotóxicos na agricultura. Pesquisador na área de controle biológico conservacionista, o professor de Agronomia Ayres de Oliveira Menezes Júnior, também da Universidade Estadual de Londrina, explica que a estratégia consiste na preservação da diversidade ecológica existente nas áreas naturais. “Se isso for conservado [a natureza], o produtor vai observar que os inimigos naturais das pragas farão o controle. Mas ele precisa ter consciência disso para aproveitar estes benefícios”, afirma o pesquisador.

Outra forma equilibrada ecologicamente de substituir a aplicação de veneno nas plantações é o cultivo paralelo de plantas com outras aptidões, como o apresentado na pesquisa do morango e tomate. Mas o produtor, salienta o professor, pode ir além, usando girassol, mamona e trigo sarraceno, por exemplo, para atrair inimigos naturais das pragas que atingem a cultura principal. Na Fazenda Escola da UEL, a estratégia é utilizada em meio ao plantio de soja e de milho. O trigo sarraceno atrai joaninhas que ajudam a combater pulgões do milho. Já a mamona atrai vespas que se alimentam, por sua vez, de lagartas que atacam a soja.

O professor do Departamento de Agronomia da UEL e orientador das pesquisas envolvendo morango e tomate, Maurício Ventura, observa que outra vantagem da pesquisa é a possibilidade de evitar o manuseio e aplicação de agrotóxicos, a partir destas estratégias.

Isso, destaca ele, ajuda a garantir mais saúde ao agricultor e ao consumidor final do produto.

Hata assinala que, no caso do produtor orgânico, a técnica também propicia um controle melhor sem o uso de agrotóxicos. A alternativa já é empregada por produtores de Pinhalão e Jandaia do Sul.

Ervas

O doutorando Mateus Gimenez Carvalho, por sua vez, plantou coentro e manjericão entre mudas de tomate. O resultado foi uma repelência natural à mosca branca, praga que transmite um vírus que afeta o desenvolvimento da planta. Assim como na outra pesquisa foi o odor liberado pelas plantas cultivadas em consórcio que espantou as moscas. Agora, Carvalho busca uma maneira de afastar outro inimigo dos agricultores – a traça do tomateiro. “Essas [mosca branca e traça] são duas pragas que causam muitos danos ao tomate. Quero me aperfeiçoar nesta pesquisa”, salienta.

O estudante observa que o experimento já realizado ajuda a reduzir em até 70% a mosca branca na produção. Além disso, a contribuição com o meio ambiente é garantida a partir da diminuição no uso de agrotóxicos, prática cada vez mais comum nesse tipo de cultura. “Tem produtor que aplica de duas a três vezes por semana agrotóxicos no tomate, ainda mais quando se cultiva em época de muito calor. A praga cria até resistência e tudo chega ao consumidor final”, alerta.

Quem aderiu à estratégia de Carvalho já relata benefícios. “A técnica ameniza bastante as pragas. Só usamos inseticida em último caso”, afirma Almir Almeida Ramos, que administra uma propriedade rural de Londrina. A plantação de tomate do local passou a contar com coentro desde a última safra.

Estratégia abre espaço para renda extra

Foi na propriedade do agricultor Lauro Wittmann, 52 anos, de Jandaia do Sul, que o pesquisador Fernando Hata viu pela primeira vez o plantio de morango em consórcio com alho. Na época, Wittmann já observava os benefícios da iniciativa no controle de praga e o pesquisador percebeu que a estratégia precisava ser mais bem estudada. “O plantio era sem muita certeza de que daria certo”, lembra Hata.

É por experiência própria, no entanto, que o produtor de morangos conta como o alho é útil para repelir o ácaro rajado. Agricultores conhecidos dele chegaram a tentar usar ervas, como o manjericão, no controle de pragas do morango, mas o resultado não foi semelhante. “As plantas faziam sombras no morango e atrapalhavam o cultivo. Com o alho, não. É algo que não compete com o morango e acaba sendo mais uma fonte de renda”, diz Wittmann. Ele abriu mão do uso de agrotóxicos em sua produção desde 1999 e comercializa o alho produzido com o morango em feiras orgânicas da região.

FONTE: http://www.gazetadopovo.com.br/vidaecidadania/conteudo.phtml?id=1446065

Primavera silenciosa versão 2.0

Por: Jean Remy Davée Guimarães

Nos anos 1960, foi disparado alerta contra o DDT, que controlava pragas, mas matava insetos que não eram seu alvo e também aves. O problema está de volta – agora com o uso dos neonics, como mostra Jean Remy Guimarães em sua coluna de julho.

Primavera silenciosa versão 2.0

Análise de cientistas filiados à União Internacional para a Conservação da Natureza revela que os inseticidas neonics ameaçam polinizadores como as abelhas, além de outros grupos animais. (foto: William Droops/ Flickr – CC BY-NC-SA 2.0)

Uma análise da literatura das últimas duas décadas sobre os inseticidas neonicotinoides e fipronil confirma que eles são um fator significativo de declínio das abelhas e outros invertebrados úteis, comprometendo serviços ambientais como a polinização e o controle de pragas.

Apesar das eloquentes evidências, estas parecem nunca ser suficientes para deflagrar uma ação regulatória mais enérgica – ou menos anêmica, dependendo do ponto de vista –, visando à limitação do uso dos neonicotinoides.

Mas um pequeno grupo de irredutíveis guerreiros empreendeu uma profunda análise da literatura disponível nos últimos 20 anos e concluiu que já há evidências de sobra para acionar o alarme e ações regulatórias enérgicas para limitar ou suspender o uso de neonicotinoides e fipronil, apelidados de neonics para não enrolar a língua.

O Grupo de Trabalho sobre Pesticidas Sistêmicos, que reúne cientistas independentes filiados à União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês), se debruçou sobre 800 trabalhos revisados por pares e publicados em revistas indexadas.

Os resultados da iniciativa, batizada Worldwide Integrated Assessment (algo como Avaliação Global Integrada), serão publicados na revista Environment Science and Pollution Research.

Testemunhamos uma ameaça à produtividade de nosso ambiente natural e agrícola tão grave quanto aquela causada no passado pelos organofosforados e pelo DDT

A meta-análise concluiu que esses compostos são uma séria ameaça às abelhas e a outros polinizadores, como borboletas e zangões, e também a uma vasta gama de invertebrados, como as minhocas, além de vertebrados, inclusive aves. Estamos na fila – e as filas andam.

Segundo Jean-Marc Bonmatin, do Centro Nacional de Pesquisa Científica, da França, um dos autores do estudo, as evidências são claras: testemunhamos uma ameaça à produtividade de nosso ambiente natural e agrícola tão grave quanto aquela causada no passado pelos organofosforados e pelo DDT.

Não custa lembrar que em 1962 a pesquisadora norte-americana Rachel Carson publicou o seminal Primavera silenciosa, em que descrevia os efeitos imprevistos da aplicação indiscriminada de DDT em cultivos. O pesticida de fato controlava diversas pragas, mas não havia como evitar que pássaros comessem sementes contaminadas e morressem, o que explica o título do livro, considerado fundador da moderna consciência ambiental.

Moderna? Há controvérsias. A espécie humana se destaca por sua capacidade não só de memória, mas também de esquecimento. Tanto que estamos repetindo exatamente o mesmo roteiro de meio século atrás. Os insetos, polinizadores ou não, estão de novo desaparecendo. Desaparecendo os insetos, somem seus predadores, entre os quais as aves são os mais visíveis. E audíveis. Ou ao menos eram, até aqui.

Não é para menos. Os chamados neonics são neurotoxinas com efeitos imediatos e crônicos. Exposições crônicas a baixas doses podem também ser prejudiciais, com efeitos que incluem comprometimento do olfato e da memória, redução da fecundidade, alteração no padrão de voo, maior susceptibilidade a doenças, alteração no padrão de alimentação e forrageio, alteração (em minhocas) no padrão de construção de tocas.

Minhoca
Invertebrados como minhocas e até vertebrados também estão ameaçados quando expostos cronicamente a doses, mesmo baixas, dos neonics. Em minhocas, viu-se mudança no padrão de construção de tocas. (foto: Daniel Kinpara/ Flickr – CC BY-NC 2.0)

Esses são alguns dos efeitos investigados e quantificados. Aguardamos trabalhos sobre os efeitos que ainda não foram investigados ou que ainda não são mensuráveis de forma confiável.

Estamos cercados

Os neonics contaminam espécies não-alvo de forma direta, como é o caso dos insetos que consomem o néctar de plantas tratadas, e atingem áreas anexas às áreas intencionalmente tratadas, o que alguns técnicos chamam pudicamente de “deriva técnica”.

Talvez eles dessem nomes menos pudicos se fossem vítimas desse infortúnio. Mas, mesmo que não frequentemos áreas tratadas com esses prodígios da revolução verde, sua solubilidade garante ampla dispersão para zonas ribeirinhas, estuarinas e costeiras.

Os neonics representam cerca de 40% do mercado global de pesticidas e movimentaram 2,62 bilhões de dólares em 2011

Que chato, pois eles representam cerca de 40% do mercado global de pesticidas e movimentaram 2,62 bilhões de dólares em 2011. Bem, mas isso é problema de quem vive no campo, não meu. Ledo engano, pois os mesmos produtos são usados em fórmulas para combater pulgas em cães e gatos, e cupins em estruturas de madeira. Você está cercado.

Mas convém resistir. Segundo Maarten Bijleveld van Lexmond, que preside o grupo de trabalho da IUCN, os resultados do levantamento são preocupantes, uma vez que evidenciam ameaças graves ao funcionamento dos ecossistemas e ao fornecimento de serviços ambientais como polinização e controle natural de pragas.

Resta explicar por que as entidades que regulam o setor não perceberam o que estava fartamente disponível na literatura. O grupo da IUCN chegou às suas preocupantes conclusões sem sequer levantar da cadeira; bastaram alguns cliques e muitos homens-hora e mulheres-hora de leitura.

As abelhas e seu sumiço são, já há algum tempo, a parte mais visível (sem trocadilho) do problema. Mas nem assim se tomaram medidas para limitar o uso dos neonics, à exceção de tímidas ações da Comissão Europeia.

Ativista do Greenpeace
Ativista do Greenpeace descansa após fixar cartaz em Basileia, na Suíça, pedindo o banimento de neonicotinoides. (foto: Greenpeace Switzerland/ Flickr – CC BY-NC-ND 2.0)

Enquanto isso, os fabricantes dos neonics juram que estes não têm culpa no colapso das abelhas e que alegações em contrário são obra da concorrência (qual?) e do poderoso lobby ambientalista internacional, que quer nos levar de volta a uma era de fome e doença.

Aluguel de polinizadores

Para as abelhas, tal era chegou faz algum tempo. Concentrações ambientalmente realistas de neonics afetam seriamente sua capacidade de orientação, aprendizado, coleta de alimento, resistência a doenças, fecundidade e longevidade.

Mesmo quando transferidas para um campo não tratado, cerca de metade das abelhas antes expostas a um campo tratado não consegue retornar à colmeia e acaba morrendo.

Cerca de metade das abelhas expostas a um campo tratado com neonics não consegue retornar à colmeia e acaba morrendo

Mas pare de sofrer. Seus problemas acabaram. A iniciativa privada, sempre atenta às demandas do mercado, já tem solução para os problemas que ela própria causou: o aluguel de polinizadores, com colmeias volantes que são alugadas a agricultores.

Naturalmente, elas são criadas em áreas não tratadas antes de ir para o sacrifício. O serviço é caro, porque há poucas áreas não tratadas à disposição dos apicultores e porque as perdas de abelhas são elevadas, já que boa parte delas perde o rumo de casa após o trabalho – e não é porque pararam nalgum bar…

Não há dúvida, o mercado tem solução para tudo. Mas não para todos. Reserve já sua colmeia para a safra 2015: a demanda é maior que a oferta.

Jean Remy Davée Guimarães, Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho, Universidade Federal do Rio de Janeiro

FONTE: http://cienciahoje.uol.com.br/colunas/terra-em-transe/primavera-silenciosa-versao-2.0

Estudante da UENF em greve de fome faz declaração pública sobre as razões do seu protesto

O estudante Luiz Alberto Araujo do curso de Agronomia da UENF que se encontra em greve há mais de 72 horas gravou hoje uma declaração pública para explicar as razões do seu protesto. Veja o vídeo com as contundentes declarações do Luiz Alberto logo abaixo.

 

Jornal Terceira Via repercute greve de fome de estudante da UENF

Estudante faz greve de fome em frente à reitoria da UENF

O aluno do curso de Agronomia, Luiz Alberto Araújo da Silva, está desde a tarde ontem sem comer. Outros estudantes planejam aderir a greve

Luiz Alberto morava no Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, e ingressou na universidade por meio das cotas destinadas aos estudantes negros. Ele quer chamar a atenção da sociedade para o descaso do Governo do Estado do Rio de Janeiro, não só com os professores e funcionários da instituição, mas também com os alunos.

De acordo com ele, por falta de recursos, a UENF não oferece alimentação – embora haja um bandejão na universidade -, não existem alojamentos ou auxílio moradia e o valor da bolsa de estudos é baixo, cerca de R$300. “Atualmente, a instituição não dispõe de condições mínimas para garantir a permanência dos estudantes. Todos estão muito insatisfeitos, alunos, professores e funcionários de modo geral. Por isso, muitos universitários são forçados a abandonar os estudos por causa das dificuldades que encontram”, alegou.
O estudante Gustavo Frare Ribeiro, que cursa Ciências Biológicas, é de Uberlândia e acabou de retornar de uma viagem. Ele afirma que também vai aderir à greve de fome. “Essa medida é necessária. Acredito que só a greve não será suficiente tamanho é o descaso do estado. Peço que a reitoria tome providências urgentes para que a gente não se prejudique ainda mais”, disse.

Outros alunos estão acampados em frente ao gabinete da reitoria.

FONTE: http://www.jornalterceiravia.com.br/noticias/campos_dos_goytacazes/45656/estudante_faz_greve_de_fome_em_frente_a_reitoria_da_uenf

Estudante da UENF em greve de fome dá entrevista coletiva para explicar as razões do seu protesto

O estudante do curso de Agronomia da UENF, Luiz Alberto Silva, que se encontra em greve para demandar uma resposta imediata para as demandas da greve dos estudantes participou de uma entrevista coletiva nesta manhã, enquanto a reitoria permanece ocupada por um grupo de estudantes ligados ao Diretório Central dos Estudantes.

Segundo Luiz Alberto explicou a greve de fome é um gesto extremo para garantir sua permanência na UENF, visto que ele é o último de um grupo de cinco alunos cotistas que entraram no curso de Agronomia. Além disso, ele apontou que o valor do auxílio-cota de R$ 300,00 é insuficiente para que ele e outros estudantes carentes consigam arcar com todos os custos decorrentes da vida universitária.

Outro ponto específico de reclamação é a falta da abertura do bandejão que poderia permitir um alívio no custo de vida dos estudantes, mas cuja obra se arrasta desde 2008 e ainda sem uma perspectiva de quando o mesmo será finalmente inaugurado.

Abaixo algumas imagens da entrevista concedida pelo estudante em greve de fome.

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Estudante de agronomia começa greve de fome para cobrar soluções da reitoria da UENF e do (des) governo agora comandado por Pezão

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Cansado da inoperância da reitoria da UENF e do descaso do (des) governo do Rio de Janeiro em relação às demandas dos estudantes (as quais incluem a abertura imediata do bandejão, aumento da cota-auxílio e a concessão de um auxílio moradia), o estudante do curso de agronomia Luiz Alberto Araújo da Silva começou na tarde desta segunda-feira (07/04) uma greve fome por tempo indeterminado. 

Esta decisão já foi comunicado à reitoria da UENF durante a reunião do Colegiado Acadêmico (COLAC) que ocorreu hoje. Para formalizar as razões desta decisão extrema, Luiz Alberto preparou uma carta aberta se declarando em greve de fome, a qual já foi enviada para todos os deputados da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro.

Abaixo segue o documento preparado pelo estudante Luiz Alberto, onde ficam expressas não só as demandas aprovadas na assembléia em que os estudantes decidiram entrar em greve, como também as razões pessoais para a adoção do gesto extremo da greve de fome.

 Vamos ver agora o que farão a reitoria da UENF e o (des) governador Luiz Fernando Pezão. No caso da reitoria, o contato com o Luiz Alberto poderá ser direto, visto que ele pretende conduzir sua greve de fome dentro do campus e bem próximo da reitoria.

 

CARTA ABERTA E DECLARAÇÃO DE GREVE DE FOME

Campos dos Goytacazes, 7 de abril de 2014   

UENF – Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro

Me chamo Luiz Alberto Araujo da Silva, tenho 20 anos, sou de origem humilde em uma favela do Rio de Janeiro, ingressei na Graduação em Agronomia na UENF como Cotista Negro, comprovando minha condição de carência junto a universidade. Sou o primeiro em minha família com oportunidade no ensino superior!

Recebo mensalmente 300 reais a título de COTA-AUXILIO e mais nada. A Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro tem o Restaurante Universitario em processo de construção a 6 anos, por falta de recursos não fornece alimentação, temos um elefante branco. Não existem Alojamentos ou auxilio moradia para receber os estudantes que vem de outras cidades, sendo de nossa responsabilidade o custo de vida e de manutenção.

Neste momento estamos em Greve Estudantil, cobrando a assistência necessária a garantia da democratização do ensino superior, combate as desigualdades sociais e a afirmação das Cotas como instrumento de inclusão social. Pedimos o funcionamento imediato do Restaurante Universitário e a implementação de auxilio moradia aos que precisam, condições minimas para garantir a permanência dos estudantes!

Atualmente muitos são forçados a abandonar os estudos por canta das dificuldades, agora, o fantasma da evasão bate a minha porta. NÃO VOU DESISTIR, VOU LUTAR, VOU PERMANECER E CONCLUIR MINHA FORMAÇÃO NESTA UNIVERSIDADE PUBLICA.

Declaro GREVE DE FOME, exigindo da Reitoria UENF e do Estado do Rio de Janeiro providências urgentes na resolução dos problemas, esta e uma luta por todos os carentes que passam dificuldades e pelos que virão e tem o direito de encontrar condições favoráveis ao sucesso em seu caminho na educação pública.

 POVO NEGRO UNIDO, POVO NEGRO FORTE! NÃO TEME A LUTA, NÃO TEME A MORTE !