Agrotóxicos à base de glifosato persistem por anos em plantas selvagens e causam infertilidade

O glifosato é um herbicida comumente usado em operações florestais em British Columbia, Canadá. Os pesquisadores investigaram como o produto químico pode afetar a saúde reprodutiva da rosa selvagem espinhosa, uma planta perene encontrada sob a copa da floresta. O novo estudo, da editora de acesso aberto Frontiers, descobriu que a viabilidade do pólen diminuiu em média 66% em comparação com as plantas não tratadas um ano após a aplicação inicial do herbicida, com traços de glifosato persistindo por pelo menos dois anos.

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Flor de rosa espinhosa, Rosa acicularis. Crédito da imagem: BSG_1974 / Shutterstock.com]

Por Peter Rejcek para Frontiers Science News

Um herbicida amplamente utilizado na agricultura, silvicultura e outras aplicações pode causar efeitos deletérios na saúde reprodutiva de uma planta perene selvagem comum encontrada em florestas na Colúmbia Britânica, Canadá. Os pesquisadores relataram na revista Frontiers in Plant Science que os herbicidas à base de glifosato (GBH) deformaram várias partes reprodutivas da rosa espinhosa ( Rosa acicularis ), um ano ou mais depois que os produtos químicos foram aplicados pela primeira vez em locais de campo e parcelas experimentais.

O estudo é um dos primeiros a examinar os efeitos do GBH na morfologia reprodutiva de uma planta perene prevalente em uma operação florestal comercial. O herbicida é comumente usado para controlar plantas que podem competir com coníferas que são cultivadas para serem colhidas em áreas conhecidas como ‘blocos de corte’. O glifosato tem sido usado desde a década de 1970, mas tem sido cada vez mais investigado nos últimos anos devido a preocupações com os efeitos cancerígenos na saúde humana.

Investigadores da University of Northern British Columbia (UNBC) coletaram e analisaram amostras de partes reprodutivas de rosa espinhosa de três blocos de corte, bem como de plantas selvagens cultivadas em estufas, e as compararam com plantas não tratadas de fontes semelhantes.

Os resultados foram surpreendentes. A viabilidade do pólen de plantas tratadas com glifosato caiu em média 66% em comparação com os controles um ano após a aplicação inicial. Mais de 30% das anteras, a parte do estame que contém o pólen, não se abriram (um processo conhecido como ‘deiscência’), condenando essas flores à infertilidade. Além disso, os pesquisadores encontraram traços de GBH nas flores das plantas dois anos depois que o herbicida foi pulverizado pela primeira vez. 

“As mudanças nas plantas foram documentadas no passado, em plantas agrícolas, então não é surpreendente encontrá-las nas florestas”, disse a Dra. Lisa J. Wood, professora assistente do Departamento de Ciência e Gestão de Ecossistemas da UNBC. “O importante é o cronograma. Continuar a encontrar esses efeitos um a dois anos após as aplicações de herbicidas, em novas partes de plantas em crescimento, é digno de nota. ”


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Durante séculos, os indígenas usaram a rosa selvagem espinhosa como alimento e remédio, principalmente nas partes reprodutivas. R. acicularis também é uma planta importante ecologicamente, em parte porque fornece alimento para polinizadores. As abelhas, por exemplo, são atraídas por cores específicas exibidas nas flores.

Wood e a autora principal Alexandra Golt, uma estudante de graduação da UNBC, observaram mudanças de cor nas pétalas e anteras das flores de plantas tratadas. Essas anormalidades na coloração podem afetar a interação entre flores e polinizadores.

Wood disse que um estudo de acompanhamento investigará se as mudanças de coloração nas flores tratadas com GHB as tornam menos ou mais atraentes para os polinizadores. Os pesquisadores também vão testar insetos polinizadores e fezes de beija-flores para verificar se há resíduos de glifosato.

“Isso vai nos dizer se os polinizadores estão absorvendo resíduos das plantas de que se alimentam”, explica ela. “Também vamos pesquisar outras plantas para ver se as mudanças que observamos na rosa selvagem também são encontradas em outras flores.”

Wood disse que, embora pesquisas anteriores mostrem que o glifosato não é agudamente tóxico para a maioria dos organismos nos níveis aplicados comercialmente no Canadá, os cientistas não sabem muito sobre as implicações crônicas do uso do glifosato ou como ele muda a dinâmica do ambiente natural – como as interações entre as espécies ou a qualidade dos alimentos disponíveis.

“Quanto mais aprendemos, melhor e a pesquisa sempre pode ser usada para informar melhor a administração”, observou Wood. “As práticas de herbicida podem mudar, se a pesquisa mostrar que isso é do melhor interesse do público.”

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Este texto foi escrito originalmente em inglês e publicado pela Frontiers Science News [Aqui!].

Observatório dos Agrotóxicos: com mais 64 liberações, governo Bolsonaro chega a 1.238 agrotóxicos liberados em 29 meses

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Estava estranhando a falta de novas liberações de agrotóxicos pelo governo Bolsonaro ao longo do mês de maio, mas agora verifiquei que no dia 09 de junho, o Diário Oficial da União publicou o Ato No 26 de 28 de maio de 2021 que traz a liberação de mais 64 agrotóxicos.  Como sempre faço, nos próximos dias o Observatório dos Agrotóxicos do Blog do Pedlowski trará a lista completa e principais características desses 64 produtos que agora estão liberados para venda no mercado brasileiro de venenos agrícolas.

Mas posso adiantar que substâncias altamente nocivas tiveram vários produtos liberados, a começar pelo “assassino de abelhas“, o Fipronil, que teve pelo menos 8 novos produtos liberados, e o Glifosato, herbicida produzida pela multinacional alemã Bayer que é considerado um precursor do linfoma de Non-Hogdkin, com mais 5 liberações. Mas também identifiquei liberações de produtos banidos na União Europeia por seus efeitos danosos à saúde como a Ametrina e a Atrazina.

Em outras palavras, enquanto o presidente Jair Bolsonaro distrai os brasileiros com suas peripécias motorizadas, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina (DEM/MS), continua com sua marcha de aprovação de venenos agrícolas altamente venenosos.  Com isso, se completa um circulo vicioso de envenenamento e mortes por COVID-19.

Ciclo do veneno: frutas exportadas pelo Brasil levam agrotóxicos proibidos na Europa à mesa dos alemães

Teste realizado a pedido do Greenpeace com alimentos brasileiros vendidos em quatro cidades alemãs encontrou 35 substâncias, 11 delas proibidas na Europa. Brasil minimiza e diz que produção agrícola atende a regras internacionais

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Figo, mamão, manga, melão e limão brasileiros dentre as frutas analisadas pelos laboratórios alemães.BENTE STACHOWSKE / © BENTE STACHOWSKE / GREENPEACE

Por Marina Rossi para o jornal “El País”

A Alemanha está consumindo agrotóxicos que são proibidos ali por meio de alimentos importados do Brasil. Testes realizados por laboratórios independentes alemães, a pedido do Greenpeace, com 70 frutas brasileiras, detectaram ao menos 11 substâncias cujo uso é banido em toda a União Europeia. No total, foram encontrados 35 agrotóxicos diferentes em frutas brasileiras, como manga, mamão, limão e figo, comercializadas nas cidades alemãs de Hamburgo, Colônia, Leipzig e Stuttgart. Dessas, 21 pertencem ao grupo de Pesticidas Altamente Perigosos, uma classificação criada pela agência da ONU para a alimentação e agricultura (FAO) e a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Apesar da proibição do uso em solo europeu, muitos desses agrotóxicos são produzidos por empresas sediadas em países da Europa, como as alemãs BASF e Bayer, e depois exportados para o Brasil. Segundo o Greenpeace, no início de 2020 essas duas empresas detinham a produção de 12% dos pesticidas aprovados no Brasil. Marina Lacôrte, porta-voz da campanha de Agricultura e Alimentação do Greenpeace Brasil, defende, portanto, que não só o uso mas também a produção dessas substâncias sejam proibidas no território europeu. “Se o governo estabelece que os alemães não podem ingerir essa substância, por que não ter uma legislação proibindo a produção delas?”, questiona. “Por que uma criança europeia não pode consumir determinados agrotóxicos e as crianças brasileiras podem?.”

Os questionamentos de Lacôrte são levantados em um momento crucial tanto para o Brasil quanto para países europeus, já que a exportação agrícola é uma das peças-chave do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul. O tratado ainda precisa ser ratificado por todos os países envolvidos, mas a França em especial tem se mostrado resistente, exigindo cláusulas de proteção aos seus produtos agrícolas e um compromisso do Governo brasileiro com o desmatamento, um dos pontos nevrálgicos do Governo Bolsonaro. Por outro lado, a mesma França encabeça o ranking dos países europeus exportadores de agrotóxicos para o Mercosul, seguida pela Grã-Bretanha, Alemanha, Bélgica e Espanha, segundo a ONG ambiental. Diante do impasse, os ambientalistas pedem que a União Europeia seja “consistente” e não ratifique o acordo, que pode deixar inclusive os agrotóxicos mais baratos, por meio de isenções fiscais, e “aumentar significativamente a venda e o uso de venenos agrícolas europeus.”

Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Brasil, responsável por fazer o controle de resíduos de agrotóxicos acima do limite e nos alimentos para exportação, afirmou por meio de nota que “assim como o Brasil permite o uso de alguns pesticidas não registrados na Europa, o oposto também é verdadeiro. Há agrotóxicos registrados na Europa que não são permitidos em território brasileiro”, diz, sem mencionar quais. Segundo o órgão, “essa diferença decorre das diferenças de cultivos, clima e pragas que infestam as plantações em cada parte do globo”, afirma a pasta. “Os pesticidas são, portanto, registrados e utilizados conforme as necessidades nacionais.”

No estudo, foi detectado que 64% das frutas brasileiras estavam com algum resíduo de pesticida. O mamão foi campeão, chegando a apresentar até nove substâncias diferentes em uma única fruta, no que a ONG classifica como um “verdadeiro coquetel de pesticidas”. Entre 2017 e 2020, o Brasil foi responsável por 77% dos mamões importados pela Alemanha. O Greenpeace afirma ter comunicado o Governo alemão sobre os resultados.

O teste foi realizado entre a segunda quinzena de abril e início de maio deste ano. Segundo o laudo, apenas 11 das 70 amostras de frutas não continham agrotóxicos. O Ministério da Agricultura afirma que o fato desses alimentos terem ingressado em território estrangeiro “demonstra que os limites encontrados estão abaixo daqueles internacionalmente considerados como seguros pelas autoridades do país importador ou pelo CODEX Alimentarius [coletânea de padrões reconhecidos internacionalmente sobre segurança alimentar] (FAO/OMS)”. Ainda por meio de nota, o Governo brasileiro diz que “os produtos produzidos e comercializados pelo Brasil são seguros para consumo humano.

Frutas sendo examinadas durante o teste pelo laboratório alemão.

Frutas sendo examinadas durante o teste pelo laboratório alemão. BENTE STACHOWSKE / © BENTE STACHOWSKE / GREENPEACE

No ano passado, o Brasil bateu recorde na aprovação de novos agrotóxicos. Somente em 2020 foram aprovadas 321 substâncias, segundo o Ministério da Agricultura, 59% a mais que em 2019, quando foram liberados 202 pesticidas de acordo com o órgão. Esses registros vêm crescendo ano após ano, mas o Governo minimiza o aumento da aprovação e diz que “97% dos produtos registrados são genéricos, ou seja, já estavam disponíveis no mercado com outros nomes comerciais.”

Para ser registrado no Brasil, um pesticida precisa passar por três instâncias: a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) avalia e classifica toxicologicamente os agrotóxicos. A avaliação da agência considera tanto o impacto da exposição dos aplicadores quanto os riscos dos resíduos que eventualmente podem ser encontrados nos alimentos tratados. Em seguida, o Ibama realiza a avaliação ambiental das substâncias, estabelecendo suas classificações quanto ao potencial de periculosidade para o meio ambiente. E, então, o Ministério da Agricultura avalia a eficiência agronômica dos agrotóxicos. É também a pasta que concede o registro do químico, após receber os pareceres favoráveis dos órgãos de saúde e do meio ambiente.

O ministério, chefiado pela ministra Tereza Cristina, ainda esclareceu à reportagem que “há tendência de queda no volume médio de defensivos agrícolas aplicados por área tratada”. De acordo com a nota, em 2020 houve redução de 0,1% na quantidade de quilos por hectare. Em 2019 e 2018, sempre na comparação com os anos anteriores, também havia registro de queda, na média, de 1,1% e 0,5%, respectivamente.

Veneno no pacote

Os resíduos de agrotóxicos perigosos para a saúde não estão somente nos alimentos naturais, como frutas, verduras e legumes. O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) divulgou recentemente um estudo apontando para a presença dessas substâncias em alimentos ultraprocessados. Cereais, salgadinhos, biscoitos, bebidas de soja, pães e bolos de diferentes marcas apresentaram as substâncias em sua composição. Até mesmo o controverso glifosato, um dos herbicidas mais usados no Brasil ―e um dos proibidos na Europa― e classificado como “provavelmente carcinogênico” pela OMS, foi encontrado em alguns alimentos.

Ao todo, 27 produtos foram analisados pelo Idec, divididos em oito categorias. Dessas, seis apresentaram resíduos de agrotóxicos. Os alimentos onde foram identificados agrotóxicos são: a bebida de soja Naturis (Batavo); o cereal matinal Nesfit (Nestlé); os salgadinhos Baconzitos e Torcida (ambos da Pepsico); os pães bisnaguinha Pullman (Bimbo), Wickbold, Panco e Seven Boys (da Wickbold); os biscoitos de água e sal Marilan, Triunfo (Arcor), Vitarela e Zabet (ambos da M Dias Branco); as bolachas recheadas Bono e Negresco (Nestlé), Oreo e Trakinas (Mondeléz).

O Idec afirma que comunicou aos fabricantes sobre os resíduos encontrados em seus produtos. As empresas que responderam ao Instituto afirmaram que seguem boas práticas dos fornecedores de matéria-prima, ou que a quantidade de substâncias está dentro dos limites. Não há, no entanto, regulação sobre os limites máximos de agrotóxicos em alimentos ultraprocessados, já que a Anvisa monitora essas substâncias apenas nos alimentos naturais.

A Lactails, responsável pela Batavo, informou, após a publicação desta reportagem, que não foi comunicada sobre o estudo do Idec. Por meio de nota, a empresa também afirma que todos seus insumos “são controlados e monitorados através de laudos externos e atendem rigorosamente à legislação brasileira”, e que “a empresa tem uma política rígida na escolha de seus fornecedores de insumos, homologando apenas aqueles que cumprem com todas as exigências legais e de segurança alimentar”.

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Este texto foi publicado originalmente pelo jornal “El País” [Aqui!].

Solos do mundo ‘sob grande pressão’, diz relatório da ONU

Os solos fornecem 95% de todos os alimentos, mas são danificados pela poluição industrial, agrícola, da mineração e urbana

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O herbicida glifosato é pulverizado em um campo de milho no noroeste da França. Fotografia: Jean-François Monier / AFP / Getty

Por Damian Carrington, editor de Meio Ambiente do “The Guardian”

Os solos do mundo, que fornecem 95% dos alimentos da humanidade, estão “sob grande pressão”, de acordo com um relatório da ONU sobre a poluição dos solos.

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Os solos também são o maior estoque ativo de carbono, depois dos oceanos, e, portanto, cruciais no combate à crise climática. Mas o relatório disse que a poluição industrial, mineração, agricultura e gestão deficiente de resíduos estão envenenando os solos, com o princípio do “poluidor pagador” ausente em muitos países.

Os poluentes incluem metais, cianetos, DDT e outros agrotóxicos e produtos químicos orgânicos de longa duração, como PCBs, disse o relatório, tornando os alimentos e a água inseguros, reduzindo a produtividade dos campos e prejudicando a vida selvagem. No entanto, ele disse que a maioria das emissões de poluentes que acabam nos solos não são facilmente quantificadas e, portanto, o verdadeiro dano permanece altamente incerto.

A produção global de produtos químicos industriais a cada ano dobrou desde 2000 para 2,3 bilhões de toneladas, disse o relatório, e está projetada para quase dobrar novamente até 2030, o que significa que a poluição do solo deve aumentar ainda mais. A ONU também alerta sobre contaminantes emergentes, incluindo produtos farmacêuticos, antimicrobianos que levam a bactérias resistentes a medicamentos e plásticos.

“Os solos globais estão sob grande pressão”, disse Qu Dongyu, chefe da organização de alimentos e agricultura da ONU. “Esta fina crosta da superfície da Terra, o solo, sustenta toda a vida terrestre e está envolvida em muitos serviços ecossistêmicos essenciais para o meio ambiente e para a saúde e o bem-estar humanos.”

Inger Andersen, chefe do programa ambiental da ONU (Unep), disse: “A poluição do solo pode ser invisível aos olhos humanos, mas compromete os alimentos que comemos, a água que bebemos e o ar que respiramos. A poluição não conhece fronteiras – os contaminantes se movem pelo solo, pelo ar e pela água.

“É hora de nos reconectarmos com nossos solos, pois é aí que começa a nossa alimentação”, disse ela. “A poluição do solo não deveria mais ser uma realidade oculta. Vamos todos ser parte da solução para a poluição do solo. ”

O futuro dos solos parece “sombrio” e seu estado é pelo menos tão importante quanto a emergência climática e a destruição do mundo natural acima do solo, de acordo com os cientistas por trás de outro relatório da ONU sobre a biodiversidade do solo , publicado em dezembro. Desde a Revolução Industrial, cerca de 135 bilhões de toneladas de solo foram perdidas em terras agrícolas e, uma vez que leva milhares de anos para os solos se formarem, é necessária a proteção e restauração urgente dos solos restantes, disseram os cientistas.

O novo relatório da ONU conclui: “Os contaminantes do solo podem ter consequências irreparáveis ​​para a saúde humana e do ecossistema”. A maior fonte de poluição do solo varia por região, concluiu. O maior problema é a poluição industrial na Europa Ocidental e América do Norte, agricultura na Ásia, América Latina e Europa Oriental, e mineração na África Subsaariana. No norte da África e no próximo leste, a poluição urbana é a maior fonte de contaminação.

“A etapa fundamental para identificar o responsável pela poluição ainda está faltando em muitos estados”, disse o relatório. “Espera-se que a poluição do solo aumente, a menos que haja uma rápida mudança nos padrões de produção e consumo e um compromisso político em direção a uma gestão sustentável real onde a natureza seja totalmente respeitada.”

“É necessário um maior compromisso político, empresarial e social para buscar alternativas ao uso de contaminantes altamente tóxicos e para aumentar o investimento em pesquisa, prevenção e remediação”, disse o relatório, observando que limpezas após a poluição podem custar centenas de milhões de dólares . Os solos do mundo também estão sendo danificados por outros fatores, incluindo erosão, acidificação, contaminação por sal e compactação.

Um relatório de 2017 descobriu que um terço das terras do planeta está gravemente degradado e que o solo fértil estava sendo perdido a uma taxa de 24 bilhões de toneladas por ano. O secretário de meio ambiente do Reino Unido disse em 2017 que o país estava de 30 a 40 anos longe da “ erradicação fundamental da fertilidade do solo ” em alguns lugares.

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Este texto foi escrito inicialmente em inglês e publicado pelo jornal “The Guardian” [Aqui!].

Documento aponta relação entre agrotóxicos e o agravamento da COVID-19

Documento aponta relação entre agrotóxicos e o agravamento da COVID-19

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Por Rede Brasil Atual

São Paulo – Documento lançado pela Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) aponta a relação dos agrotóxicos com o agravamento da COVID-19. Maior mercado consumidor mundial desses produtos, que tende a aumentar, o Brasil avança para chegar a meio milhão de mortos.

Trata-se do relatório Agronegócio e pandemia – uma sindemia está agravando a pandemia de covid-19?.

“Segundo os pesquisadores, os agrotóxicos têm efeitos no sistema imunológico e neurológico. E a covid-19 é uma doença sistêmica, o que pode agravar os quadros de infecção”, disse à repórter Girrana Rodrigues, da TVT, a médica Lia Giraldo, professora da pós-gradução em Saúde Pública no Instituto Aggeu Magalhães, em Pernambuco.

Sindemia dos agrotóxicos

Essa relação dos agrotóxicos com a covid-19, aliás, tem um nome ainda pouco conhecido: sindemia. É a interação sinérgica entre duas ou mais doenças que se desenvolvem simultaneamente em indivíduos de um dado grupo populacional marcado por condições socioeconômicas desfavoráveis, como populações indígenas, negras e de trabalhadores rurais pobres, afetando negativamente a evolução de cada uma dessas doenças.

“Quando relatórios nos mostram que a saúde da população está sendo prejudicada, que o sistema imunológico da população está sendo enfraquecido, que diversas dessas comorbidades agravam ainda mais os efeitos da covid-19 são causadas pelos agrotóxicos, a gente consegue reforçar e ter muito mais clareza de que a luta contra os agrotóxicos é necessária”, disse o coordenador da Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida, Alan Tygel.

 O estudo aponta ainda que o desflorestamento e a exploração de recursos naturais, acentuados nos dias atuais, podem causar outras pandemias tão graves como a COVID-19. “Desflorestar, que é o que o agronegócio faz, cria um ambiente propício a novos episódios dessas pandemias zoonóticas”, disse Lia Giraldo.

A saída é a agroecologia

Para reverter esse quadro, segundo os especialistas, a única saída é uma política pública que incentive a expansão da agroecologia.

“Nós temos por um lado o agronegócio, que desde os anos 1960 recebem incentivos estatais e até de fora do país para se estabelecer. E por outro lado o modelo da agroecologia, que vive lutando por parcos recursos aqui e ali. Quando a gente tiver, de fato, investimentos em política pública séria e focada na produção de alimentos agroecológicos, as barreiras técnicas deixam de existir”, disse Tygel.

Participaram do estudo do Grupo de Trabalho Saúde e Ambiente da Abrasco a Rede Internacional para Eliminação dos Poluentes (International Pollutants Elimination Network – IPEN).

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Este texto foi inicialmente publicado pela Rede Brasil Atual [Aqui!].

Webinar sobre a exposição ocupacional a agrotóxicos e seus efeitos na saúde dos trabalhadores agrícolas: estudos epidemiológicos no Chile e no Brasil

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12 de maio de 2021

Hora: 12:00h – 13:30h (EST, USA) (Washington DC)

Série de webinars ISEE LAC-OPAS: uma colaboração para a educação permanente em epidemiologia ambiental

Inscreva-se aqui

Organização:  Capítulo para América Latina e Caribe da Sociedade Internacional de Epidemiologia Ambiental (ISEE-LAC) em colaboração com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS / OMS)

Objetivos:  Apresentar os resultados de pesquisas recentes focadas na exposição ocupacional a agrotóxicos e gerar um espaço para discutir sua relevância e implicações para a saúde dos trabalhadores agrícolas dos países da América Latina e do Caribe.

Público-alvo:  Alunos inscritos no  Curso Online de Epidemiologia Ambiental do Campus Virtual de Saúde Pública ; alunos de graduação e pós-graduação, técnicos, profissionais e gestores de saúde ambiental e de saúde pública em geral e a população em geral com interesse no assunto.

Apresentações e palestrantes: 

1. introdução
A região da América Latina e do Caribe representa 14% da produção agrícola mundial e 23% das exportações mundiais de produtos agrícolas e pesqueiros. Embora a produção agrícola na região deva desacelerar nos próximos anos, seu rápido crescimento nas últimas décadas tem sido associado ao uso extensivo de pesticidas, uso limitado de equipamentos de proteção individual pelos trabalhadores agrícolas e à falta ou implementação inadequada de regulamentos relacionados a o uso de agrotóxicos. O uso intensivo de agrotóxicos na região, para fins agrícolas e de controle de vetores (por exemplo, para combater a dengue e a malária), resultou na exposição ocupacional crônica dos trabalhadores agrícolas aos agrotóxicos. Esses trabalhadores são expostos a misturas de pesticidas como inseticidas (por exemplo, organofosforados) e herbicidas (por exemplo, glifosato) por meio de sua aplicação direta ou de seu trabalho em campos agrícolas tratados com esses produtos químicos. Vários estudos epidemiológicos têm mostrado que a intoxicação aguda por pesticidas representa uma das principais causas de morbidade e mortalidade entre os trabalhadores agrícolas. Além disso, a exposição de longo prazo a pesticidas como organofosforados e carbamatos tem sido associada a uma ampla gama de efeitos crônicos na saúde, incluindo função neurocomportamental prejudicada, problemas respiratórios, obesidade e diabetes.

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Apresentadora: Julieta Rodriguez, MD MScA SO

Bio:  Dra. Rodríguez é especialista em Saúde Ocupacional. Ela tem um Mestrado em Saúde Ocupacional e um Diploma em Epidemiologia Ocupacional. O Dr. Rodríguez atua como Assessor Regional de Saúde do Trabalhador na Unidade PS de Promoção da Saúde e Determinantes Sociais do Departamento de Família, Promoção e Curso de Vida FPL da Organização Pan-Americana da Saúde / Organização Mundial da Saúde (OPAS / OMS).
 

2. Exposição ocupacional e ambiental a agrotóxicos e efeitos na saúde dos agricultores familiares no Brasil

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Palestrante: Dr. Rafael Buralli 

O Dr. Buralli apresentará os resultados de seu projeto de doutorado na Universidade de São Paulo. O projeto transversal avaliou a exposição a agrotóxicos e sintomas de intoxicação e efeitos na saúde respiratória e mental de agricultores familiares no Estado do Rio de Janeiro, Brasil.

Estava: Dr. Rafael Buralli é fisioterapeuta, mestre e doutor em Saúde Pública pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP / USP), com intercâmbio no Centro de Pesquisas em Meio Ambiente e Saúde da Criança (CERCH), da University of California (UC) em Berkeley e outro na University of Chile. Atualmente, o Dr. Buralli é consultor da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS / OMS) na Coordenação-Geral de Saúde Ocupacional do Ministério da Saúde do Brasil (CGSAT / DSASTE / SVS / MS), atuando em diversos temas de vigilância na saúde, saúde ambiental, emergências ocupacionais e de saúde pública. Ela tem um interesse especial em questões relacionadas à saúde ambiental e ocupacional, saúde materno-infantil e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

3. Plataforma de pesquisa para trabalhadores agrícolas para estabelecer danos à saúde no Chile 

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Palestrante: Sandra Cortés, PhD

Bio:  Dra. Cortés é Médica Veterinária, Mestre em Ciências Biológicas e Doutora em Saúde Pública (Universidade do Chile). Ela trabalha como Professora Associada no Departamento de Saúde Pública da Pontificia Universidad Católica de Chile. Dr. Cortés é Pesquisador Associado do Centro Avançado de Doenças Crônicas e da Coorte Maule (MAUCO) e Pesquisador Associado do Centro de Desenvolvimento Urbano Sustentável. Ela também é a Diretora Acadêmica do Diploma de Saúde Ocupacional da Universidade Católica (http: //educacioncontinua.uc. Cl / 39087-tab-nuevo-diploma-em-saúde-ocup … ) e Pesquisadora-chefe da Rede Chilena de Pesquisadores em Trabalhadores na Agricultura.

4. Discussão

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Moderadora: Ana María Mora, PhD – representante de ISEE-LAC

Estava: Dra. Mora é pesquisadora do Centro de Pesquisa sobre Meio Ambiente e Saúde Infantil da UC Berkeley (CERCH). Ele obteve seu diploma de Medicina pela Universidade da Costa Rica em 2005 e seu Ph.D. em Epidemiologia pela Escola de Saúde Pública da UC Berkeley em 2014. Seus estudos estão focados principalmente nos efeitos sobre a saúde da exposição a substâncias tóxicas ambientais. como pesticidas, metais e ftalatos, em populações vulneráveis. Dr. Mora é um co-investigador de dois estudos de coorte de nascimento: o Programa ISA na Costa Rica e o Estudo do Centro de Avaliação da Saúde Materno-Infantil de Salinas (CHAMACOS) na Califórnia, Estados Unidos. Atualmente faz parte do Comitê Executivo do Capítulo LAC do ISEE.

Agenda

Hora Atividade Responsável
12:00 – 12:10 Boas-vindas, introdução, apresentação dos palestrantes
 
Julieta Rodriguez
12:10 – 12:30 Exposição ocupacional e ambiental a agrotóxicos e efeitos na saúde de agricultores familiares no Brasil Rafael Buralli
12:30 – 12:50 Plataforma de pesquisa para trabalhadores agrícolas para estabelecer danos à saúde no Chile Sandra Cortes
12:50 – 13:20 Discussão Ana maria Mora
13:20 – 13:30 Fechando Ana maria Mora

Tribunal da França manobra e livra indústrias de agrotóxicos de condenação no caso Agente Laranja

Ao se declarar incompetente para julgar, corte francesa favorece indústrias de agrotóxicos que supriram exército dos EUA de armas químicas que até hoje fazem vítimas no Vietnã

agente-laranjaHelicóptero dos Estados Unidos despeja combinação de agrotóxicos altamente tóxicos sobre floresta no Vietnã

Por Cida de Oliveira, da RBA

São Paulo – Um tribunal da França favoreceu indústrias de agrotóxicos ao se declarar incompetente para julgar uma ação na qual eram acusadas de causar diversas danos à saúde de Tran To Nga, uma ativista franco-vietamita de 79 anos. Em decisão anunciada nesta segunda-feira (10), a Justiça de Evry, nos arredores de Paris, declarou não ter competência para julgar a responsabilização da Bayer, dona da Monsanto, a Dow Química e mais uma dezena de fabricantes de herbicidas componentes do Agente Laranja, arma química usada pelos Estados Unidos contra o Vietnã.

O tribunal também se declarou incompetente para julgar ações do governo dos Estados Unidos durante a guerra contra aquele país asiático. Segundo a imprensa local, o argumento foi que “as empresas estavam agindo por ordem do governo dos Estados Unidos, que estava envolvido em um ato soberano”.

Entre 1962 e 1971, aviões e helicópteros das forças estadunidenses despejaram milhares de toneladas de Agente Laranja sobre florestas e lavouras. O objetivo era localizar e atingir soldados vietnamitas, além de quebrar a produção de alimentos do país.

Agrotóxicos na guerra

A ativista, uma ex-jornalista nascida em 1942 na então Indochina francesa, também acusou os fabricantes de agrotóxicos de causar danos graves a outras pessoas. Desde a guerra, mais de 150.000 crianças nasceram com graves deformidades. E muitos casos continuam sendo registrados mesmo após 50 anos do fim da guerra.

Organizações de defesa dos direitos humanos e do meio ambiente estimam que quatro milhões de pessoas no Vietnã, Laos e Camboja foram expostas aos 76 milhões de litros de Agente Laranja pulverizados.

Até agora, apenas veteranos militares dos Estados Unidos e de seus aliados Austrália e Coreia obtiveram indenização pelos efeitos colaterais do produto químico altamente tóxico. Isso inclui deformidades graves em filhos desses soldados.

A gigante química alemã Bayer, dona da Monsanto, e as outras empresas acusadas argumentaram que não podiam ser responsabilizadas pelo uso que os militares americanos fizeram de seu produto.

Tribunal na França

Para o agrônomo Leonardo Melgarejo, coordenador-adjunto do Fórum Gaúcho de Combate aos Agrotóxicos, a decisão do tribunal na França é um “atestado de ausência de culpa, para quem tem culpa. Ou seja, uma espécie de troféu”. “Passa um verniz de inocência e preocupação com a saúde pública, que não é real”, disse à RBA.

Conforme destacou, essas empresas são responsáveis por danos concretos a toda uma gama de direitos humanos. “E gastam milhões na formatação de discursos ilusórios. Com certeza se beneficiarão de todo elemento que contribua para desviar o foco de dramas reais”.

“Isso fica evidente em publicação recente da FIAN, bem como posicionamento do relator especial da ONU sobre produtos tóxicos. Alias, é o terceiro relator da ONU a apontar os mesmos crimes, o que demonstra a longevidade da prática e a fragilidade dos governos quando o assunto é agrotóxicos e os direitos humanos”.

Vietnã no Brasil

Para o geógrafo Marcos Pedlowski, professor e pesquisador da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) a decisão isenta as corporações produtoras de venenos agrícolas. “Além disso, contribui para a dupla moral dos países sede dessas companhias, que proíbem muitos deles dentro dos seus territórios. Mas liberam para venda no sul global ou permitem o seu uso como arma de guerra”, disse.

Conforme ele, o uso recente de agrotóxicos como armas químicas contra comunidades indígenas e quilombolas no Brasil mostra que a herança da Guerra do Vietnã está muito viva. “O que me parece evidente é que na inexistência de estruturas de contenção do avanço do latifúndio agroexportador sobre territórios ocupados por comunidades tradicionais, o agrotóxico está se tornando mais um instrumento para a sua remoção de áreas alvo para a implantação de monoculturas de exportação.”

“Em outras palavras, está se usando os agrotóxicos na sua função original, já que foi criado para serem armas químicas”, ponderou Pedlowski.

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Este texto foi inicialmente publicado pela Rede Brasil Atual [Aqui!  ].

Live do lançamento do livro “Geografia da Assimetria: o ciclo vicioso dos agrotóxicos e colonialismo entre o Mercosul e a União Europeia” de Larissa Bombardi

larissa bombardi

Como anunciado aqui no blog, hoje ocorreu o lançamento no Parlamento Europeu do livro “Geografia da Assimetria: o ciclo vicioso dos agrotóxicos e colonialismo entre o Mercosul e a União Europeia” de autoria da professora Larissa Bombardi, do Departamento de Geografia da USP, e que atualmente se encontra exilada na Bélgica em função de ameaças sofridas por causa da publicação de sua obra anterior, o “Atlas Geográfico do Uso de Agrotóxicos no Brasil e Conexões com a União Europeia“.

geografia assimetria bombardi

Ainda que o evento de lançamento tenha durado em torno de 2 horas, disponibilizo abaixo dois vídeos que mostram a apresentação feita pela professora Larissa Bombardi do seu novo livro.

Quem desejar baixar a obra “Geografia da Assimetria: o ciclo vicioso dos agrotóxicos e colonialismo entre o Mercosul e a União Europeia” em sua versão em inglês, basta clicar  [Aqui!]

Exilada por causa das suas pesquisas sobre agrotóxicos no Brasil, Larissa Bombardi lança novo livro no Parlamento Europeu

Agrotóxicos e  relações comerciais assimétricas entre a UE e o Mercosul. Pesquisadora exilada discute a circulação de agrotóxicos. Próximos padrões coloniais. Parlamentares de esquerda da UE e ONGs participarão de evento no Parlamento Europeu

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Por Ulrike Bickel para o Amerika21

Bruxelas . Amanhã a professora de geografia brasileira Larissa Bombardi apresentará seu novo estudo sobre política de agrotóxicos nas relações comerciais entre a União Européia (UE) e a aliança econômica Sul-americana Mercado do Sul (Mercosul). No evento organizado pelo grupo de esquerda no Parlamento Europeu, parlamentares e organizações não-governamentais das duas regiões farão comentários sobre a situação. Eles também discutirão abordagens para combater o uso indevido de pesticidas.

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Empresas químicas se beneficiam da redução tarifária planejada de 14 a zero por cento nas exportações de pesticidas para o Mercosul.  FONTE:BILATERAIS

Participantes: Lilian Galán, membro da Frente Amplio do Uruguai, Nilto Tatto,  deputado federal do Partido dos Trabalhadores Brasileiros (PT) e presidente da frente parlamentar ambiental, da Alemanha Peter Clausing da Rede de Ação de Pesticidas (PAN) e da França Arnaud Apoteker da Justice Pesticides e Sara Lickel do Veblen Institute.

No estudo, que estará online em breve, Bombardi explica como o planejado acordo de livre comércio UE-Mercosul aumentará o comércio desigual entre as duas regiões e prejudicará ainda mais o clima e os ecossistemas. Organizações como o Greenpeace já demonstraram que as empresas químicas europeias se beneficiam enormemente das reduções tarifárias planejadas de 14 a zero por cento nas exportações de agrotóxicos para o Mercosul. Algumas delas são substâncias químicas proibidas na UE, como os inseticidas altamente perigosos para as abelhas Fipronil da BASF, Tiametoxam da Syngenta, Clotianidina e Imidaclopride da Bayer.

Continuaram as críticas de que os cortes tarifários sobre produtos agrícolas sul-americanos, como carne bovina e de frango, açúcar e bioetanol, acelerariam o desmatamento e consolidariam o modelo agrícola industrial que depende de monoculturas e safras geneticamente modificadas de alto desempenho. Por sua vez, as empresas químicas se beneficiam disso.

As aplicações corriqueiros de agrotóxicos em enormes plantações por avião também destruíram biomas ricos em espécies florestas e savanas, povos indígenas e agricultores foram deslocados, e os serviços de saúde da população local ficaram sobrecarregados. Com a exportação de produtos agrícolas sul-americanos, as substâncias perigosas voltaram aos pratos dos consumidores europeus: dentro e em restaurantes locais . Além disso, o acordo UE-Mercosul dá continuidade ao papel da América Latina como exportador de commodities agrícolas, como mostram os mapas do estudo da Bombardi.

Em termos puramente monetários, um certo equilíbrio foi estabelecido no comércio. Em 2018, a UE exportou bens no valor de cerca de 41 bilhões de euros para o Mercosul, enquanto os países do bloco sul americano exportaram bens no valor de cerca de 43 bilhões de euros para a UE. A Alemanha domina as importações do Mercosul com uma participação de 20 % das exportações totais, seguida pelos Países Baixos com 17% e França com 14%. O principal exportador do Mercosul para a UE é o Brasil, com mais de 70% do volume total de exportação. A Argentina tem 20%, Paraguai e Uruguai, 5%.

No entanto, segundo Bombardi, a aparente igualdade de valores financeiros das exportações esconde a subordinação dos ecossistemas, dos direitos humanos e das necessidades humanas no Mercosul. Enquanto as principais exportações da UE são produtos processados, como máquinas, veículos, reatores nucleares, produtos farmacêuticos e equipamentos eletrônicos, os principais produtos de exportação do Mercosul permaneceram principalmente matérias-primas, como farelo de soja, ração animal, minérios, grãos, celulose, óleos vegetais, frutas e café.

Oito dos doze produtos mais exportados do Mercosul para a UE vieram do setor agrícola, três da mineração e apenas um era um produto industrial. Por outro lado, dos doze produtos mais exportados da UE para o Mercosul, onze estavam relacionados com tecnologias de alto valor agregado: por exemplo, veículos, máquinas, aparelhos eletrônicos, produtos farmacêuticos e químicos, peças de aeronaves, aço. Apenas a décima segunda categoria de produtos continha matérias-primas.

Segundo Bombardi, isso reproduz o modelo comercial colonial de uma divisão internacional assimétrica do trabalho que as potências coloniais europeias estabeleceram há 500 anos.

Uma aliança de mais de 450 organizações sociais e ambientais da América Latina e da Europa está agora protestando contra o acordo comercial UE-Mercosul . De acordo com um parecer jurídico recente do Greenpeace e Misereor, as melhorias com uma cláusula adicional sobre proteção ambiental e florestal, propostas pelo Comissário de Comércio da UE Dombrovskis, são completamente inadequadas para garantir a sustentabilidade e os direitos humanos.

Quem desejar se inscrever para participar deste evento, basta clicar [Aqui!]

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Este texto foi originalmente escrito em alemão e publicado pelo Amerika21 [Aqui!].

No dia 15 de maio, Paris realizará marcha contra a Monsanto-Bayer e agroquímicos

MARCHA MUNDIAL

Em 15 de maio de 2021, pelo 9º ano consecutivo, dezenas de milhares de pessoas se mobilizarão novamente para denunciar o sistema agroquímico industrial e suas consequências desastrosas para a saúde humana e o meio ambiente em todo o mundo.

Para marchar em Paris, encontre-se na Place Stalingrad a partir das 13h para caminhar em direção à Place de la République, onde os estandes da associação serão montados.

Em 15 de maio, venha e caminhe para defender:
– a biodiversidade
– a saúde de todos
– os direitos das vítimas do sistema agroindustrial (agente laranja, clordecona, glifosato e outros agrotóxicos)
– agroecologia e criação camponesa
– comida saudável acessível a todos
– agricultura sem pesticidas sintéticos ou Organismos Geneticamente Modificados (OGMs)
– redistribuição justa do dinheiro do CAP
– justiça ambiental
– o fim dos tratados de livre comércio
– a luta contra as desigualdades


Numa altura em que se acumulam escândalos e processos judiciais (clordecona, agente laranja, glifosato, novos OGMs), devemos mobilizar-nos maciçamente (respeitando os gestos de barreira, é claro) para denunciar este agrosistema destruidor industrial e promover alternativas para torná-lo um modelo virtuoso para a saúde humana e a biodiversidade.

O evento nacional que lista todos os mercados da França: https://www.facebook.com/events/842880852933885/