Campos dos Goytacazes é uma das cidades com 27 agrotóxicos na água que chega em suas torneiras

A postagem que acabo de publicar sobre um estudo de alcance nacional que foi realizado para determinar a presença de agrotóxicos na água que chega nas torneiras da população das cidades estudadas traz resultados preocupantes para Campos dos Goytacazes, onde foram encontrados todos os 27 produtos estudados.

Campos agrotóxicos

O mais grave é que 11 desses agrotóxicos estão associados a  doenças crônicas como câncer, defeitos congênitos e distúrbios endócrinos. Além disso, em determinados casos, os agrotóxicos encontrados estavam acima dos limites legais existentes no Brasil.

agrotoxicos acima do limite

No dia    publiquei aqui mesmo os resultados de uma pesquisa realizada na Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) que havia detectado a presença de vários agrotóxicos em água sendo consumida por assentados do Assentamento Zumbi dos Palmares.

Agora com essa pesquisa de alcance nacional sabemos que o problema é realmente muito grave e deveria demandar ações urgentes por parte das autoridades municipais para exigir que mudanças sejam urgentemente realizadas no sistema de tratamento das águas que são servidas pela concessionária Águas do Paraíba à população campista.

Quem desejar verificar quais foram os agrotóxicos detectados em Campos dos Goytacazes, a publicação oferece uma forma dinâmica de acesso  [Aqui!]

“Coquetel” com 27 agrotóxicos foi achado na água de 1 em cada 4 municípios

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São Paulo, Rio de Janeiro e outras 1.300 cidades acharam agrotóxicos na rede de abastecimento. Dados do Ministério da Saúde revelam que a água do brasileiro está contaminada com substâncias que podem causar doenças graves

Por Ana Aranha e Luana Rocha – Repórter Brasil / Agência Pública

Um coquetel que mistura diferentes agrotóxicos foi encontrado na água de 1 em cada 4 cidades do Brasil entre 2014 e 2017. Nesse período, as empresas de abastecimento de 1.396 municípios detectaram todos os 27 pesticidas que são obrigados por lei a testar. Desses, 16 são classificados pela Anvisa como extremamente ou altamente tóxicos e 11 estão associados ao desenvolvimento de doenças crônicas como câncer, malformação fetal, disfunções hormonais e reprodutivas. Entre os locais com contaminação múltipla estão as capitais São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza, Manaus, Curitiba, Porto Alegre, Campo Grande, Cuiabá, Florianópolis e Palmas.

Os dados são do Ministério da Saúde e foram obtidos e tratados em investigação conjunta da Repórter BrasilAgência Pública e a organização suíça Public Eye. As informações são parte do Sistema de Informação de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano (Sisagua), que reúne os resultados de testes feitos pelas empresas de abastecimento.

Os números revelam que a contaminação da água está aumentando a passos largos e constantes. Em 2014, 75% dos testes detectaram agrotóxicos. Subiu para 84% em 2015 e foi para 88% em 2016, chegando a 92% em 2017. Nesse ritmo, em alguns anos, pode ficar difícil encontrar água sem agrotóxico nas torneiras do país.

Embora se trate de informação pública, os testes não são divulgados de forma compreensível para a população, deixando os brasileiros no escuro sobre os riscos que correm ao beber um copo d’água. Em um esforço conjunto, a Repórter Brasil, a Agência Pública e a organização suíça Public Eye fizeram um mapa interativo com os agrotóxicos encontrados em cada cidade. O mapa revela ainda quais estão acima do limite de segurança de acordo com a lei do Brasil e pela regulação europeia, onde fica a Public Eye.

Saiba o nível de contaminação da sua cidade clicando na imagem abaixo

O retrato nacional da contaminação da água gerou alarde entre profissionais da saúde. “A situação é extremamente preocupante e certamente configura riscos e impactos à saúde da população”, afirma a toxicologista e médica do trabalho Virginia Dapper. O tom foi o mesmo na reação da pesquisadora em saúde pública da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) no Ceará, Aline Gurgel: “dados alarmantes, representam sério risco para a saúde humana”.

Entre os agrotóxicos encontrados em mais de 80% dos testes, há cinco classificados como “prováveis cancerígenos” pela Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos e seis apontados pela União Europeia como causadores de disfunções endócrinas, o que gera diversos problemas à saúde, como a puberdade precoce.  Do total de 27 pesticidas na água dos brasileiros, 21 estão proibidos na União Europeia devido aos riscos que oferecem à saúde e ao meio ambiente.

A falta de monitoramento também é um problema grave. Dos 5.570 municípios brasileiros, 2.931 não realizaram testes na sua água entre 2014 e 2017.

Coquetel tóxico

A mistura entre os diversas químicos foi um dos pontos que mais gerou preocupação entre os especialistas ouvidos. O perigo é que a combinação de substâncias multiplique ou até mesmo gere novos efeitos.  Essas reações já foram demonstradas em testes, afirma a química Cassiana Montagner. “Mesmo que um agrotóxico não tenha efeito sobre a saúde humana, ele pode ter quando mistura com outra substância”, explica Montagner, que pesquisa a contaminação da água no Instituto de Química da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), de São Paulo. “A mistura é uma das nossas principais preocupações com os agrotóxicos na água”.

Os paulistas foram os que mais beberam esse coquetel nos últimos anos. O estado foi recordista em número de municípios onde todos os 27 agrotóxicos estavam na água. São mais de 500 cidades, incluindo a grande São Paulo – Guarulhos, São Bernardo do Campo, Santo André e Osasco – além da própria capital. E algumas das mais populosas, como Campinas, São José dos Campos, Ribeirão Preto e Sorocaba. O Paraná foi o segundo colocado, com coquetel presente em 326 cidades, seguido por Santa Catarina e Tocantins.

Os especialistas falam muito sobre a “invisibilidade” do efeito coquetel. As políticas públicas não monitoram a interação entre as substâncias porque os estudos que embasam essas políticas não apontam os riscos desse fenômeno. “Os agentes químicos são avaliados isoladamente, em laboratório, e ignoram os efeitos das misturas que ocorrem na vida real”, diz a médica e toxicologista Dapper.

Por isso, ela lamenta, as pessoas que já estão desenvolvendo doenças em decorrência dessa múltipla contaminação provavelmente nunca saberão a origem da sua enfermidade. Nem os seus médicos.

Questionado sobre quais medidas estão sendo tomadas, o Ministério da Saúde enviou respostas por email reforçando que “a exposição aos agrotóxicos é considerada grave problema de saúde pública” e listando efeitos nocivos que podem gerar “puberdade precoce, aleitamento alterado, diminuição da fertilidade feminina e na qualidade do sêmen; além de alergias, distúrbios gastrintestinais, respiratórios, endócrinos, neurológicos e neoplasias” (Leia a íntegra das respostas do Ministério da Saúde).

A resposta, porém, ressalta que ações de controle e prevenção só podem ser tomadas quando o resultado do teste ultrapassa o máximo permitido em lei. E aí está o problema: o Brasil não tem um limite fixado para regular a mistura de substâncias.

“O esforço deve ser na prevenção porque o sistema de tratamento convencional não é capaz de remover os agrotóxicos da água”, diz Rubia Kuno, da Cetesb

Essa é uma das reivindicações dos grupos que pedem uma regulação mais rígida para os agrotóxicos. “É um absurdo esse problema ficar invisível no monitoramento da água e não haver ações para controlá-lo”, afirma Leonardo Melgarejo, engenheiro de produção e membro da Campanha Nacional Contra os Agrotóxicos e Pela Vida “Se detectar diversos agrotóxicos, mas cada um abaixo do seu limite individual, a água será considerada potável no Brasil. Mas a mesma água seria proibida na França”.

Ele se refere à regra da União Europeia que busca restringir a mistura de substâncias: o máximo permitido é de 0,5 microgramas em cada litro de água – somando todos os agrotóxicos encontrados. No Brasil, há apenas limites individuais. Assim, somando todos os limites permitidos para cada um dos agrotóxicos monitorados, a mistura de substâncias na nossa água pode chegar a 1.353 microgramas por litro sem soar nenhum alarme. O valor equivale a 2.706 vezes o limite europeu.

O risco das pequenas quantidades

Mesmo quando se olha a contaminação de cada agrotóxico isoladamente, o quadro preocupa. Dos 27 agrotóxicos monitorados, 20 são listados como altamente perigosos pela Pesticide Action Network, grupo que reúne centenas de organizações não governamentais que trabalham para monitorar os efeitos dos agrotóxicos.

Mas, aos olhos da lei brasileira, o problema é pequeno. Apenas 0,3% de todos os casos detectados de 2014 a 2017 ultrapassaram o nível considerado seguro para cada substância. Mesmo considerando os casos em que se monitora dez agrotóxicos proibidos no Brasil, são poucas as situações em que a presença deles na água soa o alarme.

E esse é o segundo alerta feito por parte dos pesquisadores: os limites individuais seriam permissivos. “Essa legislação está há mais de 10 anos sem revisão, é muito atraso do ponto de vista científico” afirma a química Montagner. “É como usar uma TV antiga, pequena e preto e branco, quando você pode ter acesso a uma HD de alta definição”.

Ela se refere a pesquisas mais recentes sobre os riscos do consumo frequente e em quantidades menores, um tipo de contaminação que não gera reações imediatas. “Talvez certo agrotóxico na água não leve 15% da cidade para o hospital no mesmo dia. Mas o consumo contínuo gera efeitos crônicos ainda mais graves, como câncer, problemas na tireoide, hormonal ou neurológico”, alerta Montagner. “Já temos evidências científicas, mas a água contaminada continua sendo considerada como potável porque não se olha as quantidades menores”, afirma. 

Em resposta a essa crítica, um grupo de trabalho foi criado pelo Ministério da Saúde para rever os limites da contaminação. “Estamos fazendo um trabalho criterioso”, afirma Ellen Pritsch, engenheira química e representante da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental no grupo. Segundo ela, pesquisas internacionais e regulações de outros países estão sendo levados em conta. Criado em 2014, a previsão é que os trabalhos sejam concluídos em setembro.

Pelo menos 144 cidades detectaram o mesmo pesticida de modo contínuo durante os quatro anos de medições seguidos, segundo os dados. Mais uma vez, São Paulo é o recordista desse fenômeno de intoxicação. Especialistas ouvidos pela reportagem apontam o uso de pesticidas na produção de cana de açúcar como a provável origem para a larga contaminação do estado. “A cultura da cana é a que tem mais herbicidas registrados. Como São Paulo é um dos maiores produtores de cana, isso justifica sua presença elevada [de pesticidas na água]”, afirma Kassio Mendes, coordenador do comitê de qualidade ambiental da Sociedade Brasileira da Ciência das Plantas Daninhas.

O diuron, um dos principais herbicidas usados pelo setor, foi detectado em todos os testes feitos na água dos mananciais das regiões onde mais se cultiva cana no estado, segundo dados de 2017 da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). A substância é uma das apontadas como provável cancerígena pela Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos.

São Paulo é o estado recordista no número de cidades com contaminação contínua e onde todos os 27 agrotóxicos estavam na água

De quem é a responsabilidade?

Depois de contaminada, são poucos os tratamentos disponíveis para tirar o agrotóxico da água. “Alguns filtros são capazes de tirar alguns tipos de agrotóxicos, mas não há um que dê conta de todos esses”, afirma Melgarejo. “A água mineral vem de outras fontes, mas que são alimentadas pela água que corre na superfície, então eventualmente também serão contaminadas”.

O trabalho preventivo, ou seja, evitar que os agrotóxicos cheguem aos mananciais, deveria ser primordial, afirma Rubia Kuno, gerente da divisão de toxicologia humana e saúde ambiental da Cetesb. “O esforço deve ser na prevenção porque o sistema de tratamento convencional não é capaz de remover os agrotóxicos da água”, afirma.

É grande o debate sobre a complexidade em se enfrentar o problema, mas é difícil encontrar quem está assumindo a responsabilidade.

A reportagem procurou as secretarias do Meio Ambiente, Agricultura e Saúde  e Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) para entender quais ações são tomadas no estado com o maior índice de contaminação. As respostas foram dadas pela Sabesp e pela assessoria do meio ambiente com informações técnicas sobre o monitoramento. Nem as secretarias nem a empresa esclareceram o que está sendo feito para controlar ou prevenir o problema. (respostas na íntegra da Sabesp e da Secretaria do Meio Ambiente)

O Ministério da Saúde diz que a vigilância sanitária dos municípios e dos estados deve dar o alerta aos prestadores de serviços de abastecimento de água para que tomem as providências de melhoria no tratamento da água. “Caso os dados demonstrem que o problema ocorre de forma sistemática, é preciso buscar soluções a partir da articulação com os demais setores envolvidos, como órgãos de meio ambiente, prestadores de serviço e produtores rurais”, diz a nota enviada pelo órgão.

Questionado sobre quais ações estão sendo tomadas, o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg), que representa os produtores de agrotóxicos, fez uma defesa sobre a segurança dos pesticidas. Em nota, o grupo afirma que a avaliação feita pela Anvisa, Ibama e Ministério da Agricultura garante que eles são seguros ao trabalhador, população rural e ao meio ambiente “sempre que utilizados de acordo com as recomendações técnicas aprovadas e indicadas em suas embalagens”.

O sindicato afirma que a aplicação correta dos produtos no campo é um desafio e atribui a responsabilidade aos trabalhadores que aplicam os pesticidas. “O setor de defensivos agrícolas realiza iniciativas para garantir a aplicação correta de seus produtos, uma vez que alguns problemas estruturais da agricultura como a falta do hábito da leitura de rótulo e bula e analfabetismo no campo trazem um desafio adicional de cumprimento às recomendações de uso” (respostas na íntegra).

Ao contrário do que ocorre em outros países, no Brasil as empresas que produzem agrotóxicos não se envolvem com o monitoramento da água, que é custeado pelos cofres públicos e pelas empresas de abastecimento.

Em Santa Catarina, que está entre os três estados com maior contaminação, o Ministério Público Estadual chamou a responsabilidade de prefeituras, secretarias estaduais, concessionárias de água, agências reguladoras e sindicatos de produtores e trabalhadores rurais. A iniciativa partiu dos resultados de um estudo inédito que encontrou agrotóxicos na água de 22 municípios. “Alertamos todos os órgãos públicos e privados envolvidos para buscar soluções, é preciso aplicar medidas corretivas para diminuir os riscos dos cidadãos”, diz a promotora Greicia Malheiros, responsável pela investigação. A iniciativa teve início em março desse ano e ainda não tem resultados.

Mais do que remediar a contaminação da água, a coordenadora técnica do estudo, a engenheira química Sonia Corina Hess, defende a proibição do uso dos pesticidas que oferecem maior risco. Das substâncias encontradas em seu estudo no estado catarinense, sete estão proibidas na União Europeia por oferecer risco à saúde humana. “Tem que proibir o que é proibido lá fora, tem que proibir o que é perigoso. Se faz mal para eles porque no Brasil é permitido?”, questiona. 

Perigoso na Europa, permitido no Brasil

O controle da água feito pelo Brasil também está distante dos parâmetros da União Europeia. Com o objetivo de eliminar a contaminação, o continente fixou a concentração máxima na água em 0,1 micrograma por litro – valor que era o mínimo detectável quando a regulação foi criada.

Para descobrir como a água do Brasil seria avaliada pelo padrão europeu, a organização Public Eye classificou os dados fornecidos pelo Ministério da Saúde segundo o critério daquele continente. Alguns dos agrotóxicos mais perigosos ultrapassaram os limites europeus em mais de 20% dos testes. Entre eles, o glifosato e o mancozebe, ambos associados a doenças crônicas, e o aldicarbe, proibido no Brasil e classificado pela Anvisa como “o agrotóxico mais tóxico registrado no país, entre todos os ingredientes ativos utilizados na agricultura”. 

O glifosato é o caso mais revelador sobre as peculiaridades do Brasil na regulação sobre agrotóxicos. Classificado como provável carcinogênico pela Agência Internacional de Pesquisa em Câncer, órgão da Organização Mundial da Saúde, o pesticida está sendo discutido em todo o mundo. Há milhares de pacientes com câncer processando os fabricantes nos Estados Unidos – e vencendo nos tribunais – além de protestos e petições pedindo a sua proibição na Europa. Não há consenso, entre as agências reguladoras, sobre sua classificação. No Brasil, que oficialmente colocou a substância em revisão desde 2008, o Ministério da Agricultura liberou novos registros para a venda de glifosato no início deste ano. O pesticida passou a ser vendido em novas formas, quantidades e por número maior de fabricantes.

Nos testes com a água do país, a controversa substância foi a que mais ultrapassou a margem de segurança segundo o critério da União Europeia: 23% dos casos acima do limite. Pela lei brasileira, o glifosato foi um dos que menos soou o alarme: apenas 0,02% dos testes ultrapassaram o nosso limite.

“Isso é um escândalo de saúde pública. Nós colocamos o limite alto, lá na estratosfera, e aí comemoramos que temos uma água segura”, questiona a pesquisadora Larissa Bombardi, professora de geografia na Universidade de São Paulo e autora de um atlas que compara a lei brasileira e europeia no controle dos agrotóxicos. Seu estudo revela como nossos limites chegam a ser 5 mil vezes mais altos que os europeus.  O caso mais grave é o do glifosato: enquanto na Europa é permitido apenas 0,1 miligramas por litro na água, aqui no Brasil a legislação permite até 500 miligramas por litro.

Como o glifosato é o agrotóxico mais vendido no país, e também o que tem o limite mais generoso para presença na água, Bombardi lança suspeitas sobre os critérios usados: “no caso do glifosato é realmente difícil encontrar justificativa científica, parece ser mais uma decisão política e econômica”. O pesticida foi o mais consumido em 2017 no Brasil com 173 mil toneladas vendidas, segundo o Ibama. O volume corresponde a 22% das estimativas de vendas para esse químico em todo o mundo no mesmo ano – o que faz do Brasil um importante mercado para as fabricantes, entre elas as gigantes Syngenta e a Monsanto – comprada pela Bayer no ano passado.

Limites generosos

A larga diferença entre os limites fixados pela União Europeia e pelo Brasil é um dos principais argumentos dos críticos do uso da substância no Brasil. “Essa diferença só pode se dar por dois motivos. Ou porque nossa sociedade é mais forte, somos seres mais resistentes aos agrotóxicos. Ou mais tola, porque estamos sendo ingênuos quanto aos riscos que corremos”, provoca Melgarejo, da Campanha Contra os Agrotóxicos.

A engenheira química Ellen Pritsch, representante da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental no grupo de trabalho que reavalia os limites dos pesticidas na água, discorda. Para ela, os atuais limites são seguros e foram fixados com embasamento científico. “O critério brasileiro é dez vezes menor do que o efeito que geraria problema. Então, mesmo que seja encontrado um percentual acima esse valor, ainda assim seria menor [estaria abaixo do risco]”, afirma.

“Isso é um escândalo de saúde pública. Nós colocamos o limite alto, lá na estratosfera, e aí comemoramos que temos uma água segura”, diz a pesquisadora Larissa Bombardi

Antes de aprovar os registros dos agrotóxicos, as empresas fabricantes entregam estudos com testes feitos com animais em laboratórios. O Sindiveg, sindicato da indústria de fabricantes de pesticidas, defende que esses estudos são o suficiente para avaliar os riscos das substâncias. “São estudos de bioconcentração em peixes e micro-organismo, algas e organismos do solo, abelhas, microcrustáceos, peixes e aves”, afirma nota enviada pelo Sindiveg em resposta às perguntas da reportagem (Leia na íntegra).

A principal reivindicação dos grupos que fazem campanha pelo controle dos agrotóxicos é por mais restrição e até pela proibição de alguns dos pesticidas hoje aprovados no país, como a atrazina, o acefato e o paraquate, que são campeões de venda no Brasil, mas proibidos na União Europeia.

Chamada à Câmara para explicar as liberações de novos registros de agrotóxicos, a ministra da Agricultura chamou de “desinformação” os estudos que apontam os riscos dessas substâncias (Foto: Agência Câmara)

Mas o governo aponta na direção oposta. A responsável pela pasta da agricultura, ex-líder da bancada ruralista Tereza Cristina, foi presidente da comissão especial na Câmara que aprovou, em junho passado, o Projeto de Lei que propõe agilizar a aprovação de novos agrotóxicos no país. Apelidado pelos críticos como o “PL do veneno”, já gerou grande polêmica, sendo criticado em uma carta assinada por mais de 20 grupos da comunidade científica.

Sem previsão de conseguir maioria no Congresso para aprovar o PL, a estratégia parece ter mudado. Desde o início do ano, o Ministério da Agricultura publicou novos registros para 152 agrotóxicos, uma velocidade recorde de 1,5 aprovações por dia. Chamada para esclarecer as liberações em audiência na Câmara na última terça-feira (9), a ministra disse que “não existe liberação geral” e que longos processos de aprovação só atrasam o agronegócio brasileiro. Ela chamou de “desinformação” os estudos que apontam os riscos dessas substâncias e, usando o mesmo argumento do sindicato dos produtores de agrotóxicos, declarou que as intoxicações ocorrem devido ao modo como os trabalhadores aplicam as substâncias. Um dia depois da audiência, o governo aprovou a comercialização de mais 31 agrotóxicos no Brasil.

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Esta reportagem foi originalmente publicada no site da Repórter Brasil [Aqui!].

Estudo de organização de acionistas críticos mostra que aumentou o padrão duplo da BAYER sobre as vendas de agrotóxicos no Brasil

As vendas de agrotóxicos produzidos pela BAYER no Brasil, que não estão autorizados a nível da UE, de acordo com a Base de Dados de Pesticidas da UE, aumentaram em 50% entre 2016 e 2019.

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Foto: christianrussau

Em 26 de abril, a reunião de acionistas da BAYER de 2019 será realizada em Bonn, Alemanha. Mais uma vez haverá protestos e discursos críticos contra os duplos padrões estabelecidos pela BAYER no Brasil.

Em 2016, a organização abrangente de  “Acionistas Críticos” realizou um exame dos produtos agrotóxicos oferecidos pela BAYER no Brasil. Os Acionistas Críticos queriam saber se e quais ingredientes ativos a Bayer vende no Brasil, o que não é permitido em nível da UE, de acordo com o Banco de Dados de Pesticidas da UE 1 . Repetimos essa investigação três anos depois. O resultado: o número de ingredientes ativos comercializados pela BAYER no Brasil, mas não autorizado no nível da UE, de acordo com o Banco de Dados de Praguicidas da UE, não diminuiu, mas, ao contrário, aumentou.

Substâncias vendidas pela BAYER no Brasil (2016) que não estão autorizadas a nível da UE:

  • Carbendazim
  • Ciclanilida
  • Dissulfotom
  • Etiprol
  • Etoxissulfuron
  • Ioxinil
  • Thidiazuron
  • Tiodicarbe

Substâncias vendidas pela BAYER no Brasil (2019) que não estão autorizadas a nível da UE:

  • Carbendazim
  • Ciclanilida
  • Etiprol
  • Etoxissulfuron
  • Fenamidona
  • Indaziflam
  • Ioxinil
  • Oxadiazon
  • Propinebe
  • Thidiazuron
  • Tiodicarbe
  • Tirame

Enquanto em 2016 ainda havia oito ingredientes ativos que a BAYER vende no Brasil, mas que não são aprovados no nível da UE de acordo com o Banco de Dados de Pesticidas da UE, em 2019 já havia doze substâncias ativas distribuídas no Brasil, mas de acordo com a UE Banco de Dados de Pesticidas não são permitidos. Isso corresponderia a um aumento de 50%.

1 Ver http://ec.europa.eu/food/plant/pesticides/eu-pesticides-database/public/?event=homepage&language=EN .

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Este artigo foi publicado originamente em alemão organização não-governamental KoBra [Aqui!]

 

Água de córrego no norte da Bélgica está tão poluída que poder ser usada como agrotóxico

Cientistas dizem que o córrego chamado de “mais poluído na Europa” é um lembrete dos efeitos da agricultura intensiva

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O córrego na Flandres Ocidental (Bélgica) que é considerado o mais poluído da Europa. Foto: /

Por Daniel Boffey em Bruxelas para o “The Guardian”.

Entre os prados verdejantes da zona rural da Flandres ocidental, região localizada no norte da Bélgica, o riacho Wulfdambeek é lembrado com carinho como um lugar onde os garotos locais enchiam suas garrafas de água antes dos jogos de futebol.

Mas uma pesquisa da Universidade de Exeter ofereceu uma forte lembrança de como os métodos agrícolas intensivos estão mudando a face do interior do norte da Europa de maneiras que os cientistas afirmam não estar sendo adequadamente compreendidos.

O pequeno afluente pitoresco nos arredores da vila de Ledegem, a cerca de 24 quilômetros a leste de Ypres, foi descrito pela mídia belga esta semana como a mais poluída da Europa, segundo um relatório publicado na revista Science of The Total Environment.

Em uma pesquisa com 29 pequenos corpos aquáticos em 10 países europeus, uma amostra de Wulfdambeek contém 70 agrotóxicos perigosos – 38 herbicidas, 10 inseticidas, 21 fungicidas, um protetor contra herbicidas e resíduos de ácido acetilsalicílico, uma aspirina usada em Medicina veterinária.

Tão variados foram os poluentes no córrego, e sua concentração alta, que a própria água provavelmente funcionaria como um agrotóxico, disse o pesquisador Jorge Casado, do Greenpeace Research Laboratories da Universidade de Exeter.

“É incrível”, disse Casado. “A coisa mais importante a destacar é que há uma falta de maneiras de avaliar como essa mistura de materiais perigosos está afetando o ecossistema”.

O prefeito da cidade, Bart Dochy, disse que ficou chocado com os resultados, até porque havia evidências de que os peixes usavam o córrego. “Temos armadilhas no riacho para pegar ratos. Apenas mais acima no córrego de onde a amostra foi tirada, pegamos um pique em uma semana passada ”, disse ele. “Tinha 50cm de comprimento. Ok, não é água para beber. Mas está limpa o suficiente para ter peixe nela.

Dochy disse que estaria encomendando testes na água para ver se ele poderia descobrir de onde os poluentes estavam vindo.

“Esta é uma área bonita – a terra ao redor é principalmente agrícola. Cultivamos vegetais – alho-poró, couve-flor e couve de Bruxelas ”, disse ele. “A amostra foi tirada quando houve uma seca e não muita água no córrego. É possível que possa ter influenciado isso ”.

Jarmo Cluyse, de 21 anos, disse ao jornal Het Nieuwsblad que ele costumava beber água do riacho quando era jovem. “Os ratos estão aqui, eu sei disso, mas também patos”, disse ele. “Na verdade, não nos incomodamos com esse fluxo. Você vê, eu ainda estou vivo.

Os agrotóxicos acabam em córregos devido à deriva da pulverização ou devido à lixiviação das plantas e do solo, ou o escoamento da água da chuva. Os córregos no estudo foram escolhidos para amostragem no último verão devido à alta densidade de gado em fazendas corporativas e produção agrícola ​​dentro de suas áreas de captação.

A pesquisa encontrou mais de 100 agrotóxicos e 21 medicamentos, dos quais um quarto é proibido na União Europeia. Metade dos riachos analisados ​​- na Áustria, Bélgica, Dinamarca, França, Alemanha, Itália, Holanda, Polônia, Espanha e Reino Unido – continha pelo menos um agrotóxico acima dos níveis legalmente permitidos.

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Este artigo foi produzido originalmente em inglês e publicado pelo jornal “The Guardian”  [Aqui!]

Flupyradifurone: o agrotóxico “seguro para abelhas” que pode não ser tão seguro quanto anunciado

honeybee, New Mexico

Por Aristos Georgiou para a NewsWeek

Nos últimos anos, tem crescido a preocupação sobre os efeitos dos pesticidas agrícolas na saúde das abelhas, com grande parte da atenção voltada para os chamados “neonicotinóides” ou “neonics”.

A medida que o uso dos neocotinóides se torna mais restrito, outros agrotóxicos considerados “seguros para abelhas” estão sendo desenvolvidos. No entanto, uma dessas substâncias, a flupiradifurona (FPF) – vendida sob o nome Sivanto – pode causar danos às abelhas quando um conhecido fungicida também está presente. Isso é de acordo com um estudo publicado na revista Proceedings da Royal Society B: Biological Sciences.

O FPF funciona de maneira semelhante ao neonics. No entanto, por estar marcado como “seguro para abelhas”, ele pode ser usado enquanto os insetos estão se alimentando ativamente.

“O processo que leva à definição da segurança de um pesticida leva em consideração uma série de testes específicos, cujo objetivo é testar os efeitos do produto químico nas abelhas”, disse Simone Tosi, principal autora do estudo da Universidade da Califórnia, San Francisco. Diego, disse à Newsweek. “Os resultados desses testes levarão à aprovação ou não deste pesticida para certos usos no campo.”

Os autores do estudo dizem que suas novas descobertas colocam em questão a segurança dos pesticidas aprovados porque as avaliações de risco não levam em consideração como a toxicidade é influenciada pelas combinações entre os diferentes produtos químicos.

As abelhas podem ser expostas a vários agrotóxicos que podem interagir sinergicamente, amplificando seus efeitos colaterais”, escreveram os autores no artigo.

Até o momento, os impactos da FPF não foram minuciosamente investigados. Assim, para seu estudo, os pesquisadores decidiram testar os efeitos tóxicos letais e subletais do produto químico nas abelhas em diferentes estações do ano e para diferentes tipos de trabalhadores, bem como as interações da substância com um fungicida comum conhecido como propiconazol (PRO). Eles usaram doses de FPF projetadas para imitar as quantidades às quais os insetos são expostos em situações da vida real.

“Percebemos que há uma lacuna de dados importante sobre o que é testado para avaliar o risco de agrotóxicos e os efeitos reais que os pesticidas podem representar: por um longo tempo, subestimamos a extensão dos efeitos de pesticidas nas abelhas”, disse Tosi. “Assim, decidimos explorar o papel dos agrotóxicos na saúde das abelhas mais profundamente, avaliando seus efeitos com uma abordagem mais holística que leva em consideração como a toxicidade dos agrotóxicos muda em relação ao complexo meio ambiente em que as abelhas vivem”.

Os pesquisadores descobriram que as abelhas expostas ao FPF, em combinação com o fungicida, demonstraram má coordenação, hiperatividade e apatia, potencialmente afetando suas chances de sobrevivência.

Além disso, eles descobriram que esses efeitos foram significativamente influenciados pelo tipo de abelha e pela estação do ano: as abelhas forrageiras foram quatro vezes mais afetadas do que as abelhas in-hive, e ambos os grupos foram mais afetados nos meses de verão em comparação com a primavera. Estes resultados são preocupantes, uma vez que ambos os produtos químicos são freqüentemente encontrados juntos no meio ambiente, dizem os pesquisadores.

“Embora o rótulo do produto proíba que a flupiradifurona seja misturada em um tanque de aplicação com certos fungicidas, incluindo PRO, as abelhas podem ser simultaneamente expostas à FPF e a outros produtos químicos – formando coquetéis de pesticidas – que são comumente usados ​​em lavouras adjacentes ou que persistem ao longo do tempo, “Tosi disse. “FPF e PRO poderiam ser usados ​​nas mesmas culturas e plantas ornamentais, incluindo frutas, sementes oleaginosas e cereais.”

“Esses pesticidas também podem ser usados ​​várias vezes ao longo de um ano – e em diferentes épocas – e aplicados de várias maneiras”, disse Tosi. “Além disso, as abelhas também podem ser expostas a pesticidas que derivam de diferentes culturas ou são armazenados na mesma colmeia. FPF e PRO são facilmente absorvidos pelas plantas e, assim, o solo e a água contaminados podem levar a absorção não intencional. Isso pode resultar em prolongada contaminação plurianual “.

O gráfico abaixo, fornecido pela Statista, ilustra o declínio global de diferentes populações de insetos.

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Os autores dizem que suas descobertas mais recentes podem ter implicações significativas sobre como certos a são agrotóxicos são aprovados para uso.

“Este trabalho é um passo em direção a uma melhor compreensão dos riscos que os agrotóxicos podem representar para as abelhas e para o meio ambiente”, disse Tosi. “Nós fornecemos a primeira demonstração de que a combinação de dois agrotóxicos pode aumentar sinergicamente a frequência de polinizadores com comportamentos anormais e sugerir metodologias que poderiam ser implementadas para avaliar os riscos causados pelos pesticidas”.

“Nossos resultados destacam a importância de avaliar os efeitos dos agrotóxicos no comportamento dos animais e demonstram que a sinergia, a sazonalidade e a idade das abelhas são fatores-chave que alteram sutilmente a toxicidade dos pesticidas”, disse ele.

Embora a pesquisa sobre o FPF ainda seja limitada, um estudo anterior descobriu que o produto químico prejudicava o gosto e a cognição da abelha quando expostas a doses altas, que não eram realistas em condições de campo. Outro artigo descobriu que a exposição crônica teve um impacto no sistema olfativo dos animais.

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Este artigo foi originalmente escrito em inglês e publicado pela NewsWeek [Aqui!]

Dados de toxicidade desmontam falácia sobre segurança do pacote de venenos aprovado nos primeiros 100 dias do governo Bolsonaro

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Governo Bolsonaro acelerou a liberação de agrotóxicos com alto poder destrutivo da saúde humana e do meio ambiente em seus primeiros 100 dias.

Um dos vários argumentos falaciosos apresentados pela ministra  da Agricultura, Tereza Cristina (DEM/ES) e de vários deputados federais  que a acudiram durante a audiência realizada na última 4a. feira (09/04) é de que a velocidade espantosa de novos agrotóxicos para o mercado brasileiro serviria para substituir substâncias mais antigas e com maior toxicidade para seres humanos e para o meio ambiente.

Pois bem, ao examinar os dados específicos sobre toxicidade humana e ambiental dos 152 produtos liberados nos primeiros 100 dias do governo Bolsonaro encontrei fatos que desmontam essa falácia, visto uma forte incidência de compostos classificados como  sendo extremamente ou altamente tóxicos para a saúde humana (44% do total) ou extremamente ou altamente perigosos para o meio ambiente (54% do total). Já os de suposto menor impacto têm uma participação de apenas 12% para a toxicidade humana e de 6% para o ambiente (ver figura abaixo).

Toxicidade humana e ambiental

Classificação por toxicidade humana e ambiental dos 152 agrotóxicos liberados nos primeiros 100 dias do governo Bolsonaro. Fonte: Atos de Concessão de Registro do MAPA.

E ao contrário do que afirmou a ministra Tereza Cristina, os trabalhadores envolvidos no manuseio e aplicação destes compostos não se contaminarão por causa do tabagismo, mas sim por causa do nível de toxicidade das substâncias liberadas por ela e pelo governo que ela representa.

Ainda estou por realizar a análise de quantas dessas substâncias está banida em outras partes do mundo, mas pelo menos uma delas, o Acefato, está banida na União Europeia por ser considerado cancerígena.

Como se vê, há muito caroço dentro do angu preparado pela ministra Tereza Cristina, a mesma que nos mandou comer mangas para não passarmos fome.  Aliás, dois dos agrotóxicos liberados pela ministra são em tese exclusivos para cultivos de manga.

Enquanto Tereza Cristina falava “mangas”, governo Bolsonaro autorizava comercialização de mais 31 agrotóxicos

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Ministra Tereza Cristina recomenda manga para matar a fome dos brasileiros, enquanto libera quantidade recorde de agrotóxicos banidos em outras partes do mundo.

Enquanto a ministra da Agricultura, Tereza Cristina (DEM/ES), tecia suas peculiares considerações sobre o papel da manga na erradicação da fome no Brasil, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento publicava na edição de ontem do Diário Oficial da União o ATO N° 24, DE 9 DE ABRIL DE 2019 com o resumo dos pleitos de registro concedidos para a comercialização de mais 31 agrotóxicos.

ato 24

Apesar de estar difícil de contar do número total de agrotóxicos aprovados desde o dia 9 de janeiro de 2019 quando foi publicado o Ato N°1 que autorizou 28 compostos, as minhas contas indicam que desde então foram autorizados o astronômico total de 152 agrotóxicos nos famosos primeiros 100 dias do governo Bolsonaro.

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Agrotóxico Sulfoxaflor que é relacionado ao extermínio de meio bilhão de abelhas só no Rio Grande do Sul foi liberado para comercialização no Brasil no dia 09 de janeiro de 2019.

A velocidade das aprovações parece estar confundindo a própria Tereza Cristina que na audiência de ontem que o Sulfoxaflor que está sendo associado ao extermínio de meio bilhão de abelhas no Rio Grande do Sul possa ser comercializado legalmente, quando o mesmo teve sua publicação aprovada por meio do Ato N°1 de 9 de janeiro de 2019 (ver imagem abaixo). Em outras palavras, temos diante de nós duas situações: ou a ministra autorizou sem saber ou autorizando sabendo e fingiu amnésia na audiência!

sulfoxaflor

Diante desse recorde de aprovações “fast track” de agrotóxicos, muitos deles banidos nos principais mercados consumidores das commodities brasileiras, o que está se plantando é o isolamento do Brasil em face dos riscos crescentes em consumir o que é produzido com tantos venenos agrícolas.

Mas nada disso parecer importunar a ministra Tereza Cristina, provavelmente pela crença de que se tudo der errado, ainda poderemos saciar nossa fome consumindo mangas.