Pela proibição do glifosato & Co.: cientistas europeus apelam pela redução no uso de agrotóxicos

As metas de redução de pesticidas da União Europeia não são suficientes

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Ação de protesto em frente à sede da Bayer. Foto: dpa/Fabian Sommer
Por Olaf Brandt para o “Neues Deutschland”

As crises climática e da perda de biodiversidade já chegaram há muito tempo às nossas portas e aos nossos jardins. Não resta muito tempo para mudar de rumo. O uso de agrotóxicos desempenha um papel importante na perda de biodiversidade. Uma redução destes chamados agrotóxicos é, portanto, urgentemente necessária.

As associações ambientalistas lutam há anos para reduzir e proibir agrotóxicos que são particularmente perigosos para as pessoas e para o ambiente, sendo que o glifosato está na vanguarda. O ingrediente ativo foi classificado como provavelmente cancerígeno em humanos pela Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC) da Organização Mundial da Saúde. E como herbicida total, o glifosato mata qualquer planta que não tenha sido geneticamente modificada. Isso significa que os insetos têm menos comida. O glifosato prejudica abelhas selvagens, crisopídeos, minhocas e sapos e polui o solo, o ar e a água. Na União Europeia (UE), será tomada uma decisão sobre a reaprovação do herbicida mais utilizado em Outubro. O coalisão do “semáforo” que governa a Alemanha concordou  em retirar o glifosato do mercado no final de 2023. Apenas o partido de direita FDP, membro da coligação que governa a Alemanha é contra. Seus membros afirmam que quando usado corretamente, o glifosato é seguro e até bom para a proteção do clima, a biodiversidade e a criação de húmus, e na prática esfregam os olhos diante das ambições de conservação.

Mais de 3.300 cientistas da Europa apelam aos políticos, numa carta aberta, para que minimizem significativamente a utilização de agrotóxicos. Estão preocupados com a ligação entre a utilização de agrotóxicos e o declínio de insetos e aves, bem como com o impacto negativo na saúde global. Preocupações semelhantes levaram mais de um milhão de cidadãos europeus a apelar à redução no uso de agrotóxicos e em favor da proteção para os insetos e ao apoio aos agricultores na bem sucedida iniciativa de cidadania “Salvar Abelhas e Agricultores”.

A morte dos insetos é, em última análise, a nossa morte. Menos insetos significa menos polinização das nossas culturas. Mas também menos pássaros, morcegos e peixes, porque precisam dos insetos como alimento. É por isso que a Comissão Europeia estipulou no Pacto Ecológico e na “Estratégia do Campo ao Prato” que a quantidade e o risco dos agrotóxicos devem ser reduzidos para metade até 2030. Mas mesmo este objetivo ainda não é suficientemente ambicioso. Seria necessária uma eliminação gradual da utilização de agrotóxicos químicos sintéticos. Todos arcamos com os custos da operação. O sistema de abastecimento de água tem de filtrar todos estes resíduos da nossa água potável e o sistema de saúde tem de pagar pelas doenças. Na Europa, os custos externos causados ​​pelos agrotóxicos são superiores a dois bilhões de euros (algo próximo de R$ 10 bilhões), sendo cerca de duas vezes superiores aos lucros líquidos da indústria química. A introdução do princípio do poluidor-pagador seria uma solução possível. Um imposto sobre agrotóxicos que teve sucesso na Dinamarca também poderia ser introduzido na Alemanha. O dinheiro gerado desta forma poderia ser usado para apoiar os agricultores na utilização de métodos alternativos.

O FDP também está a bloquear a proibição da exportação de agrotóxicos perigosos, embora este mesmo projeto esteja no acordo de coligação. Uma lei correspondente foi anunciada pelo Ministério da Agricultura há exatamente um ano. Muitos ingredientes ativos já estão proibidos na UE porque são demasiadamente perigosos para as pessoas e para o ambiente. Empresas fabricantes de agrotóxicos como a Bayer e a BASF ainda estão autorizadas a produzir essas substâncias e a vendê-las a países do Sul global. Não importa se os agrotóxicos adoecem os trabalhadores e os residentes e prejudicam os ecossistemas em outros pontos da Terra. O principal é que os lucros e os retornos não estejam em risco. E o maior burburinho vem da economia.

Resta esperança para o bom senso e para que os políticos levem a sério os riscos do glifosato. Nesse caso, provavelmente não haverá maioria qualificada para a votação em meados de Outubro. Na Conferência Mundial sobre Produtos Químicos que terá início na segunda-feira em Bonn, a comunidade de ONGs apelará no sentido de que adotada uma rápida proibição global de agrotóxicos altamente perigosos.

Olaf Bandt é presidente da Federação para o Meio Ambiente e Conservação da Natureza da Alemanha (BUND)


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Este escrito originalmente em alemão foi publicado pelo jornal “Neues Deutschland” [Aqui!].

Com uso itenso, inseto desenvolve resistência a três agrotóxicos no cultivo de cítricos no Brasil

Pesquisa do Fundecitrus em parceria com a Esalq/USP confirmou a fase inicial de resistência do psilídeo ao ingrediente ativo malationa

psilideoPsilídeo dos citros – O maior desafio da citricultura

Por Fundecitrus

Pesquisa do Fundecitrus em parceria com a Esalq/USP confirmou a fase inicial de resistência do psilídeo ao ingrediente ativo malationa, do grupo químico dos organofosforados, em algumas microrregiões do cinturão citrícola de São Paulo e Triângulo/Sudoeste Mineiro. É o terceiro grupo químico que apresenta esse tipo de ocorrência comprovada. A resistência do inseto vetor do greening já foi constatada para os ingredientes bifentrina e imidacloprido, respectivamente dos grupos dos piretroides e neonicotinoides.

De acordo com a lista ProteCitrus, apenas a malationa consta como ingrediente ativo pertencente ao grupo dos organofosforados disponível para o uso no campo. Porém, há outros ingredientes ativos registrados para uso em citros e que não constam na lista, como acefato, clorpirifós, dimetoato, fosmete, metidationa e pirimifós-metílico. Os dados fazem parte de estudos conduzidos pelo engenheiro-agrônomo e pós-doutorando da Esalq/USP no Fundecitrus, Fernando Amaral. Para a constatação da resistência a essa molécula, Amaral avaliou em laboratório populações de psilídeos de quatro regiões do parque citrícola utilizando as gerações subsequentes dos insetos coletados no campo.

De acordo com ele, embora a resistência esteja comprovada nessas microrregiões, a ocorrência ainda não atingiu os mesmos parâmetros de ineficácia no combate ao psilídeo encontrados em produtos dos grupos piretroides e neonicotinoides. “Podemos dizer que é uma fase inicial do processo de evolução da resistência. Isso mostra, mais uma vez, que ocorreu uma alta frequência do uso desse ingrediente ativo sem a correta rotação com outros modos de ação ou uma dosagem abaixo do indicado na bula”, explica Amaral.

Neste momento, o citricultor deve ficar atento à incidência de ninfas e psilídeos adultos nos pomares. “Se observadas falhas de controle, o organofosforado deve sair temporariamente da lista de opções do citricultor para o manejo do inseto. Isso deve ocorrer até que haja, no futuro, o restabelecimento da suscetibilidade”, orienta.

Divulgando livro que trata a questão dos agrotóxicos de forma integrada

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A questão dos agrotóxicos é certamente um dos pontos de maior interesse deste blogueiro, pois considero que o Brasil é hoje o lócus de um experimento avançado das corporações químicas globais que fizeram do nosso país um ponto estratégico para a geração de lucros estratosféricos às custas da saúde dos brasileiros.

Em função disso é com satisfação que estou disponibilizando hoje a obra “Desastres sócio-sanitário-ambientais do agronegócio e resistências agroecológicas no Brasil” que tem o professor Wanderlei Antonio Pignati da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), um dos maiores conhecedores dos impactos terríveis que o uso amplo, geral e irrestrito de agrotóxicos está causando na saúde humana no Brasil.

livro pignati

A partir de um enfoque multidisciplinar, este livro permite aos seus leitores entender não apenas as consequências devastadoras dos agrotóxicos sobre os brasileiros, mas também oferece alicerces teóricos e metodológicos para que novos estudos sejam realizados, de forma a ampliar o conhecimento existente sobre a guerra química que está em curso no Brasil neste momento.

Os interessados em baixar o arquivo contendo a íntegra desta importante obra, basta clicar [Aqui!].

Filme inédito explora ligação controversa entre Europa e Brasil na fabricação e uso de agrotóxicos

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O documentário inédito Pesticidas: O Pesadelo Brasileiro”, a ser exibido no Curta!, revela a perigosa ligação entre a Europa e o Brasil na fabricação e no consumo de agrotóxicos O filme, realizado por Stenka Quillet e escrito por Anne-Vigna com Nicolas Glimois, foca em dois grandes eixos: os grandes fabricantes europeus que faturam bilhões com a exportação de agrotóxicos proibidos na Europa e o uso indiscriminado desses mesmos produtos pelos gigantes do agronegócio brasileiro. Há ainda uma consequência inesperada para os próprios europeus: como num círculo vicioso, eles importam o que é produzido nas plantações brasileiras e, consequentemente, acabam consumindo agrotóxicos proibidos em seus países.

“Pesticidas: O Pesadelo Brasileiro” mostra que, a cada ano, cerca de 80 mil toneladas dessas substâncias são vendidas ao país por empresas como a suíça Syngenta e as alemãs Basf e Bayer. Em paralelo, aqui há uma legislação permissiva ao uso de químicos já banidos em solo europeu há décadas, além de práticas também proibidas como a disseminação através de aviões de pequeno porte. 

Enquanto tais corporações lucram, cidades inteiras — sobretudo os trabalhadores rurais — sofrem com as consequências da contaminação dos alimentos, do solo e da água. Além das gigantescas áreas ocupadas pelas monoculturas de soja, milho e algodão — que tomam o lugar de matas nativas do Cerrado brasileiro —, o agronegócio brasileiro cria “zonas de sacrifício”, onde a população está mais vulnerável aos impactos dos agrotóxicos. Como num círculo vicioso, os europeus importam o que é produzido nas plantações brasileiras e, consequentemente, acabam consumindo agrotóxicos proibidos em seus próprios países.

O documentário baseia-se na pesquisa da professora da USP e geógrafa Larissa Bombardi, que revela como a indústria química europeia depende da expansão das áreas agrícolas no Brasil. Ao ser convidada a Bruxelas por eurodeputados, a professora pediu à União Europeia que revisse seus padrões de comércio e impedisse suas transnacionais de venderem ao Brasil os defensivos agrícolas proibidos pelo bloco. 

“É desumano vender substâncias que são proibidas no próprio território. A população no Brasil vale menos? Cerca de 20% da população intoxicada no Brasil é composta por crianças e jovens de 0 a 19 anos. Então, estamos diante de uma forma de infanticídio. Eu fico tranquila para usar essa palavra porque os dados mostram isso. O que são 500 bebês intoxicados com agrotóxicos? Como isso é possível?”, disse Bombardi em depoimento para o documentário. Os dados alarmantes apresentados por ela indicam que o total de bebês intoxicados pode chegar a 25 mil. 

No Brasil, o tema dos agrotóxicos parece ser um tabu devido ao grande poder político-econômico do agronegócio. No entanto, jornalistas, pesquisadores, cientistas e demais ativistas ambientais se esforçam para informar a população e pressionar os parlamentares. O documentário destaca que, a cada ano, cinquenta deles são assassinados no Brasil. A própria produção do filme foi marcada por incidentes, incluindo ameaças a membros da equipe e a necessidade de apagar partes da gravação devido a pressões locais.

O documentário traz um pouco do contexto político dos últimos anos. Após a eleição de Jair Bolsonaro, em 2018, os grandes donos do agronegócio — apelidados de “ruralistas” — ganharam carta branca para garantir seus interesses. Por fim, o longa deixa em aberto o que acontecerá com a política ambiental do Brasil a partir de 2023, com o início de um novo governo. O noticiário recente, porém, revela que nada mudou. No primeiro semestre deste ano, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento aprovou o registro de 231 pesticidas, mantendo um ritmo semelhante ao do primeiro ano de mandato de Jair Bolsonaro.

“Pesticidas – O Pesadelo Brasileiro” pode ser assistido também no Curta!On – Clube de Documentários, disponível na Claro TV+ e em CurtaOn.com.br. Novos assinantes inscritos pelo site têm sete dias de degustação gratuita de todo o conteúdo. O documentário tem produção da ARTE France. A estreia é na Sexta da Sociedade, 8 de setembro, às 23h.

Agrotóxicos: governo Lula libera mais 63 venenos agrícolas e segue firme na trilha deixada por Bolsonaro

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O Diário Oficial da União traz hoje mais um ato (o 37 de 22 de agosto) do Ministério da Agricultura que libera para uso no Brasil um total de 63 agrotóxicos, o que eleva o total do governo Lula para parrudos 324 venenos agrícolas liberados nos oito primeiros meses de 2023.

Esse é um desenvolvimento particularmente infeliz do governo do presidente Lula, na medida em que não só durante a sua campanha, mas também no discurso da vitória, o compromisso claro era de que haveria um giro no sentido de um modelo mais sustentável de agricultura, visto que a atual dependência em relação a venenos com grandes repercussões ambientais e sobre a saúde humana é literalmente desastroso.

Como foi feito ao longo do governo Bolsonaro, ao longo da próxima semana será feita pelo Observatório dos Agrotóxicos, a divulgação da base de dados com todos os produtos liberados pelo Ato No. 37 e também a base que contém todos os produtos liberados pelo governo Lula.

Em uma primeira análise da lista de agrotóxicos liberados, há a persistência de produtos já presentes no mercado nacional, mas também vários produtos que combinam diferentes princípios ativos, o que tem sido uma tendência nos últimos anos, provavelmente para combater o aumento da resistência dos alvos a principios ativos aplicados de forma individual. Isto demonstra que apesar de toda a guerra química realizada com produtos altamente perigosos, o modelo agrícola dependente de venenos caminha para sua própria inviabilização.

Mas é de se lamentar que continuemos na trilha iniciada por Jair Bolsonaro e Tereza Cristina. Caberá aos movimentos sociais e à população resistir e demandar mudanças práticas. É que do mato do governo Lula, além de não sair coelho, está saindo muito agrotóxico.

Estudo confirma que exposição ao glifosato está associada à depressão grave e ao declínio cognitivo em adultos americanos

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Por Sustainable Pulse

Um novo estudo revisado por pares e divulgado por um grupo de cientistas em Taiwan revelou uma ligação surpreendentemente forte entre depressão grave, declínio cognitivo e exposição ao herbicida mais usado no mundo, o glifosato.

O estudo foi publicado na íntegra na terça-feira passada no altamente respeitado Elsevier Journal, Environmental Research , e foi recebido com silêncio pelos fabricantes de herbicidas à base de glifosato, como a Bayer/Monsanto, que produz o infame herbicida Roundup.

Os autores do estudo declararam que: “realizaram análises sobre os dados existentes coletados de 1.532 adultos da Pesquisa Nacional de Saúde e Nutrição dos EUA (NHANES) de 2013–2014 para explorar a possível relação entre a exposição ao glifosato e a função cognitiva, sintomas depressivos, incapacidade e condições médicas neurológicas.”

“Nosso estudo utilizou uma coorte representativa da população adulta em geral dos EUA e encontrou uma correlação negativa significativa entre os níveis de glifosato urinário e os resultados dos testes de função cognitiva. Além disso, as nossas descobertas sugerem que as probabilidades de ter sintomas depressivos graves foram significativamente maiores do que não ter sintomas em indivíduos com níveis mais elevados de glifosato, conforme medido pelo PHQ-9”, continuaram os cientistas.

O NHANES é um inquérito nacional bienal que recruta uma amostra representativa da população. A população estudada apresentou média de idade (DP) de 48,15 (18,32) anos e média de IMC (DP) de 29,15 (7,25) kg/m 2 . A maioria dos participantes eram mulheres (51,5%), enquanto a etnia mais comum era a branca não hispânica (47,1%). Em relação ao nível socioeconómico, 53,7% dos participantes relataram um rendimento familiar ≥ 4.500 dólares por ano. Além disso, 37,2% dos participantes apresentavam índice de massa corporal ≥30 kg/m 2 . A proporção de indivíduos com níveis detectáveis ​​de glifosato foi de 80,4%.

“Como muitos dos principais questionários do sistema neurológico usados ​​para avaliar a função neurológica no NHANES estão disponíveis apenas para adultos, restringimos a nossa população de estudo aos maiores de 18 anos de idade”, acrescentaram os cientistas.

“Concluindo, nosso estudo fornece evidências importantes de uma associação entre os níveis urinários de glifosato e resultados neurológicos adversos em uma coorte representativa da população adulta dos EUA. Especificamente, observamos pontuações mais baixas de função cognitiva, maiores chances de sintomas depressivos graves e aumento do risco de dificuldades auditivas graves em indivíduos com maior exposição ao glifosato”, concluíram os cientistas.

A indústria não realizou quaisquer estudos de neurotoxicidade a longo prazo sobre o Roundup, a substância a que as pessoas e os animais estão realmente expostos. No entanto, alguns outros estudos independentes recentes sugerem que tanto o glifosato isolado como os herbicidas à base de glifosato, como o Roundup, são neurotoxinas.

Um estudo toxicológico em ratos descobriu que o glifosato esgotava os neurotransmissores serotonina e dopamina. Neurotransmissores são substâncias químicas em nosso corpo que transmitem sinais de uma célula cerebral para outra.

Um estudo epidemiológico realizado em Minnesota, EUA, constatou que os filhos de aplicadores de agrotóxicos expostos aos herbicidas glifosato apresentavam maior incidência de distúrbios neurocomportamentais, incluindo TDAH (transtorno de déficit de atenção e hiperatividade). A descoberta sugeriu que o herbicida glifosato impacta o desenvolvimento neurológico.

Em um estudo realizado por pesquisadores argentinos, descobriu-se que o glifosato danifica o cérebro e as células do fígado de ratos. O glifosato foi mais tóxico em combinação com o fungicida zineb e o inseticida sistêmico dimetoato do que sozinho. Esses três produtos químicos são frequentemente usados ​​em combinação na Argentina. Os pesquisadores comentaram que seus resultados eram consistentes com a possibilidade de que esses produtos químicos desempenhassem um papel no desenvolvimento do distúrbio neurológico, a doença de Parkinson.


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Este texto escrito originalmente em inglês foi publicado pelo “Sustainable Pulse” [Aqui!].

Observatório dos Agrotóxicos divulga lista completa de liberações feitas no governo Lula

Como feito ao longo dos quatro anos do governo Bolsonaro, o “Observatório dos Agrotóxicos” do Blog do Pedlowski divulga nesta 6a. feira a lista completa dos 261 agrotóxicos iberados pelo governo Lula a partir de janeiro de 2023. Além de divulgar a base completa, divulgo ainda os 29 agrotóxicos  do tipo produto técnico que foram liberados pelo Ato No. 34 de 01 de agosto de 2023.

No caso específico dos 29 agrotóxicos liberados pelo Ato No 34, repete-se  a hegemonia de fabricantes chineses, fato que ocorreu de forma semelhante durante o governo Bolsonaro. Com isso, fica mantida a dependência brasileira dos produtos-base para a produção de agrotóxicos formulados que são aqueles que serão efetivamente utilizados pelos produtores rurais.

Além disso, ao contrário do que foi declarado ainda no governo Bolsonaro, a maioria dos agrotóxicos liberados em 2023 já estão sendo comercializados no Brasil, fazendo com que essa nova onda de liberações seja uma espécie de grande museu de velhas novidades. Este aspecto é reforçado pelo fato de que boa parte desses produtos é do tipo “pós-patente”, o que faz com que parte deles já tenha sido banida em países com legislação mais restritiva para agrotóxicos cujos impactos negativos sobre a saúde e o meio ambiente já estão fartamente documentados cientificamente.

O governo Lula segue a senda do envenenamento

Um aspecto que chama a atenção não é exatamente a quantidade de agrotóxicos que foram liberados nos oito primeiros meses de governo que seguem em um ritmo próximo ao que ocorreu durante o governo Bolsonaro. 

O que chama a atenção é que não apenas o processo de liberação adotado pelo governo Bolsonaro está mantido, mas também insiste em adotar uma forma errada de classificação de risco sobre a saúde humana e o ambiente. Ao manter os padrões adotados sob Jair Bolsonaro, Lula incorre em um descumprimento de suas promessas eleitorais que envolveram não apenas a diminuição da dependência em relação aos agrotóxicos, mas principalmente a atuação para a adoção de uma novo padrão de produção mais orientado pelos princípios da agroecologia.

Até aqui o que temos é a manutenção do padrão de agricultura viciada em agrotóxicos que vem contribuindo para a contaminação ambiental e o adoecimento dos brasileiros.

E lembremos que atualmente o Senado Federal tenta aprovar o famigerado “Pacote do Veneno” que deverá enfraquecer ainda mais a legislação que regula a liberação e venda de agrotóxicos no Brasil. Desde já, indico que se o Pacote do Veneno for aprovado pelo Congresso Nacional, não vislumbro nenhuma possibilidade do mesmo ser vetado pelo presidente Lula.

Ameaça contra a vida: Senado pretende votar Pacote do Veneno

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Por Roberta Quintino l Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida

O Senado Federal está prestes a tomar uma decisão crucial que afeta profundamente a saúde pública, o meio ambiente e a busca por um futuro mais sustentável. O Pacote do Veneno, cuja votação pode acontecer a qualquer momento, traz um conjunto de medidas que impõe retrocessos e danos irreparáveis à biodiversidade, à saúde humana e ao desenvolvimento econômico e social do Brasil.

Em maio, atendendo mobilização popular, materializada no requerimento nº 152/2023, de autoria da senadora Eliziane Gama (PSD-MA), o Projeto de Lei nº 1.459 de 2022 – Pacote do Veneno – foi enviado para a Comissão de Meio Ambiente (CMA) na perspectiva do aprofundamento do debate em torno da proposta, o que até o momento não aconteceu. Porém, há rumores de que o relatório está sendo finalizado e em breve deve ser apreciado pela CMA. E o mínimo que se espera é que um ciclo de audiências ocorra para o devido debate da matéria e do parecer do relator, Fabiano Contarato.

Embora a posição da Campanha, baseada nas entidades que a compõem, seja de que o PL não tem conserto, é fundamental que, além da CMA, o debate sobre a proposição ocorra em outras comissões antes de ser pautado em plenário. Para a Campanha, a votação precipitada do Pacote do Veneno significaria a continuidade de uma política de destruição e morte como a do governo anterior. 

Não podemos ignorar ainda o fato de que diversos agrotóxicos proibidos em outros países são usados livremente no Brasil. A aprovação do Pacote do Veneno não apenas ignora essa realidade, mas também sinaliza um desrespeito às normas internacionais de segurança alimentar e saúde ambiental. O que deveria estar em discussão no momento, é o banimento efetivo desses agrotóxicos e não a liberação de mais veneno nos corpos e na mesa da população.

Além disso, os agrotóxicos, que têm sido reconhecidos como altamente prejudiciais ao meio ambiente e à saúde humana, recebem benefícios fiscais bilionários, uma contradição gritante, pois está na contramão da busca por uma agricultura mais saudável e sustentável.

Cabe destacar que o uso de agrotóxicos gera despesas orçamentárias para a seguridade social, impactando o Sistema Único de Saúde – SUS, por meio de casos de intoxicação, tratamentos de cânceres e problemas de saúde crônicos. Nesse sentido, o governo não deveria desonerar o setor do agronegócio responsável por sobrecarregar o sistema de saúde. Pelo contrário, estes produtos devem ser tributados considerando sua periculosidade e seus consequentes impactos econômicos e sociais.

O Pacote do Veneno apresenta-se como uma ameaça direta aos esforços de proteção do meio ambiente, promoção da saúde e combate à crise climática. Desta forma, é  urgente rejeitar o Projeto de Lei nº 1.459 de 2022 e direcionar o Brasil para um caminho de sustentabilidade, saúde e progresso através de políticas de redução dos agrotóxicos e de promoção da agroecologia.


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Este texto foi publicado pela “Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida” [Aqui!].

Seguindo a trilha venenosa de Bolsonaro, governo Lula autoriza mais 29 agrotóxicos e chega a 261 liberações em 2023

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O Observatório dos Agrotóxicos do Blog do Pedlowski detectou hoje a publicação pelo Diário Oficial da União do Ato Nº 34,  de 01 de agosto de 2023, por meio do qual, o Ministério da Agricultura comandado pelo ruralista Carlos Fávaro liberou mais 29 agrotóxicos do tipo “produto técnico”, o que elevou o total de produtos liberados desde 01 de janeiro a 261.

Com isso, o governo Lula confirma que está seguindo a mesma trilha venenosa adotada pela dupla Tereza Cristina e Jair Bolsonaro, o que significa um claro abandono com as promessas eleitorais de buscar um modelo agroecológico para a agricultura brasileira.

Afora os impactos que mais agrotóxicos sendo liberados para um mercado que já se encontra fartamente abastecido de substâncias altamente perigosas, o que a continuição destas liberações representa é o aumento dos riscos ambientais e para a saúde humana que as grandes monoculturas causam para a maioria dos brasileiros.  Essa continuidade de liberações de agrotóxicos representa um desserviço à população brasileira, apenas para continuar mantendo de pé um modelo de agricultura que não sobreviveria sem os pesados subsídios governamentais que lhe são dados.

O Observatório dos Agrotóxicos irá liberar as planilhas com os produtos liberados no Ato Nº 34 e a que traz todos os agrotóxicos já liberados desde o início do terceiro mandato do presidente Lula.

Agrotóxicos são detectados em cera e mel de abelha em estudo da Unicamp

Mortandade de inseto despertou interesse de pesquisadora pelo tema 

abelha florAs abelhas são responsáveis pela polinização de 70% de todas as plantas do planeta

Por Liana Coll,  Fotos: Felipe Bezerra, Edição de imagem: Paulo Cavalheri | Alex Calixto

Desde o início dos anos 2000, mais de 1 bilhão de abelhas morreram no Brasil. As causas estão relacionadas à expansão das monoculturas, que utilizam massivamente os agrotóxicos. Os impactos da mortandade são preocupantes, pois esses insetos polinizam cerca de 70% de todas as plantas do planeta e, também, facilitam a produção agrícola, sendo até mesmo indispensáveis para alguns cultivos, como o de mamão. Tendo em vista a importância das abelhas para o equilíbrio do ecossistema, a química e pesquisadora Ana Paula de Souza, do Centro Pluridisciplinar de Pesquisas Químicas, Biológicas e Agrícolas (CPQBA) da Unicamp, analisou a presença dos agrotóxicos no mel e na cera, em sua tese de doutorado, defendida na Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA).

Os produtos apícolas, segundo a pesquisadora, são bioindicadores da contaminação. Analisar diretamente as abelhas é difícil devido ao seu pequeno tamanho — elas pesam cerca de um décimo de grama.

Das 40 amostras de mel analisadas, seis apresentaram resíduos do herbicida glifosato acima do limite legal permitido. Nas ceras, foram detectados um ou mais agrotóxicos em 90% das amostras. O pior resultado nas ceras, diz Souza, está associado à reutilização deste produto. “As abelhas produzem a cera, que é, posteriormente, reciclada. De tempos em tempos, o apicultor a tira, monta o pente [parte da base da colmeia] e o coloca em novas colmeias. Se essa cera está contaminada, a contaminação vai progredindo ao longo dos anos e expondo as abelhas”, explica.

A pesquisa foi realizada com o mel e a cera das abelhas Apis mellifera L., conhecidas como abelhas africanizadas ou abelhas comuns. O orientador foi o professor da FEA Felix Reyes, com coorientação da coordenadora da Divisão de Química Analítica do CPQBA, Nadia Rodrigues.

A coordenadora da Divisão de Química Analítica do CPQBA e coorientadora da pesquisa, Nadia Rodrigues: falta de legislação específica apontando os limites toleráveis para os níveis de defensivos agrícolas nos alimentos infantis é preocupante

A coordenadora da Divisão de Química Analítica do CPQBA e coorientadora da pesquisa, Nadia Rodrigues: falta de legislação específica apontando os limites toleráveis para os níveis de defensivos agrícolas nos alimentos infantis é preocupante

O interesse pelo tema surgiu frente à preocupação com a morte massiva das abelhas no Brasil, fenômeno que também ocorre na Europa e nos Estados Unidos, bem como pela relevância desses insetos na polinização de plantações. “Tem havido a mortandade de abelhas, e elas têm um papel muito importante para a produção agrícola. Precisamos entender o que está acontecendo, porque normalmente é em decorrência dos casos de contaminação por agrotóxicos”, afirma Rodrigues.

A pesquisadora destaca também que o mel é um alimento saudável, bastante utilizado na alimentação de crianças e na composição de xaropes. Diante disso, determinar se há contaminação torna-se, ainda, mais importante. O fato de não haver uma legislação específica apontando os limites toleráveis para os níveis de defensivos agrícolas nos alimentos infantis, segundo Rodrigues, é preocupante. “Todo mundo acha [o mel] um alimento super saudável, natural. Então, surgiu daí a intenção de realmente saber se há ou não contaminação.”

Já no caso das ceras, as pesquisadoras destacam que elas são muito utilizadas na indústria de cosméticos, como em batons e cremes faciais.

Análise buscou 160 agrotóxicos

Para detectar os herbicidas e inseticidas, foram utilizadas duas técnicas analíticas, a cromatografia líquida e a cromatografia gasosa, que são métodos de separação de substâncias, associadas à espectrometria de massa, que detecta as moléculas a partir do peso da sua massa e por fluorescência. As análises ocorreram no CPQBA, no Laboratório de Toxicologia de Alimentos da FEA e no Laboratório Europeu de Referência em Frutas e Hortaliças, da Universidade de Almería, Espanha, onde Souza realizou um estágio doutoral, sob a supervisão do professor Amadeo Fernández-Alba.

O estudo buscou 160 agrotóxicos, entre os quais o glifosato, nas ceras e no mel. “O glifosato é o herbicida mais utilizado, e doses pequenas têm efeitos nos neurônios e no comportamento das abelhas, conforme já apontam alguns artigos. O produto, que foi encontrado no mel acima de limites aceitáveis para a comercialização, pode afetar a memória associativa, fazendo com que os insetos saiam da colmeia e não consigam voltar, o que acarreta sua morte”, observa.

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A autora da tese, Ana Paula de Souza: contaminação pode ocorrer por diversas vias

A contaminação, sugere Souza, pode ocorrer por diversas vias.“As abelhas provavelmente estão em campo e vão trazendo os agrotóxicos no corpo, nos pelinhos, que, dessa forma, vão sendo depositados nas colmeias. Também pode ocorrer a contaminação pelas correntes de vento ou pela água.” Esse processo tem como consequência a mortandade dos insetos e desequilíbrios no ecossistema, algo que tem sido documentado. Os prejuízos podem se estender também à produção de alimentos, dado o papel fundamental das abelhas na polinização.

Para evitar que os agrotóxicos permaneçam afetando a população de abelhas e a biodiversidade, a pesquisadora recomenda que as práticas agrícolas sejam submetidas a um controle mais adequado quanto ao uso desses produtos. Ela também se preocupa com a liberação, no mercado, de outros defensivos agrícolas, resultantes de novas combinações de substâncias. “Nos últimos anos, aumentaram muito as combinações e formulações novas, e não sabemos ainda bem quais serão as consequências.”

 


Este texto foi originalmente publicado pelo “Jornal da Unicamp” [Aqui!].