Observatório dos Agrotóxicos: em plena COP30, governo Lula libera mais 30 agrotóxicos

As contradições entre discurso e prática do presidente Lula e seu governo são evidentes a cada dia e cada ato prático, por mais corriqueiro que seja. Como alguém que acompanha com interesse a situação da aprovação de agrotóxicos no Brasil desde 2019, pensei que pelo menos para disfarçar, o governo federal não publicaria nenhum daqueles infames atos de liberação de agrotóxicos para comercialização no território nacional.

Pois bem, pensei errado.  É que hoje o Diário Oficial da União traz a publicação do ATO Nº 54, de 11de  Novembeo de 2025 que libera a comercialização de mais 30 agrotóxicos do tipo Produto Técnico, que é aquela classificação que se refere a produtos concentrados que serão usados para a fabricação dos produtos formulados que serão consumidos no final das contas.

Já olhei a lista dos agrotóxicos inclusos nesse ato é vejo ali velhos conhecidos e aquela costumeira característica de serem produzidos, explicitando uma espécie de colonialismo químico sul-sul, e não norte-sul.

De qualquer forma, como os agrotóxicos são emissores de gases estufa,  o que fica claro é que o governo Lula, quando seu líder não está no palco da COP30 vendendo a sua imagem de exportação, não hesita em rasgar a fantasia da sustentabilidade para introduzir mais venenos perigosos no já sobrecarregado mercado brasileiro de agrotóxicos.

Essa história de COP é semelhante àquela festa em que vamos todos bem vestidos para tomar um porre com whisky barato para acordar no dia seguinte com uma tremenda ressaca.  E, pior, quem dá a festa já sabendo que a ressaca será devastadora.

E depois ainda vai ter gente em 2026 dizendo que é melhor votar em Lula do que arriscar a ter a extrema-direita bolsonarista de volta no poder por causa da devastação ambiental que vai acontecer. Pura hipocrisia. Afinal, na hora de acalentar os lucros do agronegócio, essas duas vertentes estão juntas e misturados. E tome agrotóxicos na água e na comida dos brasileiros!

Agrotóxicos sem Fronteiras: Um Dilema Global, o documentário

Filmado no Brasil, Bélgica, França e Suíça, o documentário “Agrotóxicos sem Fronteiras” acompanha a geógrafa Larissa Bombardi em uma investigação que atravessa fronteiras geográficas e políticas para revelar o colonialismo químico — a cadeia que conecta o agronegócio brasileiro às decisões europeias sobre a produção, exportação e uso de agrotóxicos altamente perigosos.

Larissa Bombardi conduz conversas com cientistas, lideranças indígenas, juristas e ativistas que expõem o custo humano e ambiental desse modelo. Entre eles, a toxicologista Angelique Lise Massu; Lia Giraldo (Fiocruz) e Vanderlei Pignati (UFMT), que relacionam o uso intensivo de agrotóxicos a doenças graves; a chef Bela Gil, que fala sobre a alimentação como forma de resistência; Joenia Wapichana e Watatakalu Yawalapiti, que relatam os impactos diretos das pulverizações sobre os territórios indígenas; Marcos Orellana, Relator Especial da ONU para Substâncias Tóxicas, que enquadra o tema como uma questão de direitos humanos; e Arnaud Apoteker, articulador do Tribunal Monsanto em Paris, que discute as possibilidades de responsabilização diante da insuficiência dos mecanismos oficiais.

Com entrevistas, imagens de arquivo e animações originais, o filme traduz ideias complexas — regulação internacional, lobby corporativo e justiça socioambiental — em uma narrativa poética, acessível e contundente. “Agrotóxicos sem Fronteiras” é um chamado por soberania alimentar, transição agroecológica e cooperação global, onde ciência, arte e ativismo se unem em defesa da vida.

O agronegócio terá a sua vez para tentar se apropriar da COP30

As expectativas para a COP no Brasil são altas após duas cúpulas sediadas por empresas petrolíferas, mas o agronegócio pode novamente comprometer o progresso climático

Aumento da inadimplência no agronegócio levou o Banco do Brasil a perder R$ 7,7 bilhões em valor de mercado no fim de julho

O agronegócio exerce forte influência sobre o Estado brasileiro, seja ele governado pela esquerda ou pela direita, por Lula ou por Bolsonaro. – Yasuyoshi Chiba / AFP

Por Larissa Parker 

O agronegócio abriu caminho a passos largos nas últimas décadas, tornando o Brasil o maior exportador de carnes e rações para animais. Todas as maiores corporações agroalimentares do mundo colheram lucros enormes com esse boom, incluindo algumas empresas nacionais, como a gigante da carne JBS, com uma pegada climática que rivaliza com a de Bangladesh ou Espanha. A combinação de desmatamento, grilagem de terras, pecuária intensiva e campos encharcados de agrotóxicos e fertilizantes tornou o Brasil notório pela destruição climática. No entanto, embora o setor seja responsável por três quartos das emissões de gases de efeito estufa do Brasil, ele está excluído da lei nacional de carbono do país.

O agronegócio exerce forte influência sobre o Estado brasileiro, seja ele governado pela esquerda ou pela direita, por Lula ou Bolsonaro. Portanto, não é surpresa que a COP deste ano esteja se configurando como um exercício monumental de greenwashing do agronegócio.

O destaque principal é uma “Zona Agrícola” próxima às sessões oficiais da COP. Enquanto todos os outros disputam espaço na superlotada “Zona Verde”, gigantes do setor de alimentos ultraprocessados ​​como Nestlé e PepsiCo, e as grandes empresas agroquímicas Bayer e Yara, ganham um espaço exclusivo para impressionar os delegados da COP. Os principais grupos de lobby do setor, como a CropLife e o Conselho de Exportação de Lácteos dos EUA, realizarão sessões, assim como Bill Gates, cuja fundação, como uma das principais patrocinadoras da Zona Agrícola, apresentará a África como a próxima fronteira do agronegócio. A Netafim, empresa israelense de irrigação apontada pelo Relator Especial da ONU por seu envolvimento na ocupação ilegal de terras palestinas, também realizará uma sessão.

O povo brasileiro talvez não saiba, mas está arcando com a maior parte dos custos desse espetáculo corporativo. O evento está sendo organizado pela Embrapa, a agência nacional de pesquisa agropecuária do Brasil, que já está em parceria com grandes empresas para reformular a imagem do agronegócio brasileiro por meio de programas como “pecuária leiteira com emissão zero” com a Nestlé e “soja de baixo carbono” com a Bayer. Até mesmo o Ministério da Agricultura e Pecuária, que não implementa a reforma agrária devido a uma suposta falta de verbas, é um dos patrocinadores. Outros governos também participarão, como os da Austrália, Canadá, França, Alemanha, Japão, Holanda e Reino Unido.

O objetivo aqui não é apenas promover o agronegócio como empresa verde. As COPs do clima se tornaram palcos de negociações, comparáveis ​​a Davos, e este ano o gigante brasileiro do agronegócio tem um grande acordo em jogo.

Na COP28 em Dubai, com o Brasil já escolhido para sediar a COP30, o governo brasileiro anunciou seus planos para uma parceria público-privada de US$ 100 bilhões para converter 40 milhões de hectares de pastagens degradadas em monoculturas de soja e outras culturas de exportação. Alega-se que o cultivo dessas culturas irá repor o carbono no solo e que as empresas podem investir como forma de compensar suas emissões de combustíveis fósseis.

Desde então, o governo brasileiro e o lobby do agronegócio têm enviado missões ao redor do mundo – incluindo Riad, Pequim e Nova York – para atrair investidores estrangeiros para o projeto, agora chamado Caminho Verde Brasil. O fundo soberano da Arábia Saudita, que detém participação majoritária na gigante brasileira de carnes Minerva, manifestou interesse e já está adquirindo créditos de carbono. O mesmo ocorre com o fundo soberano dos Emirados Árabes Unidos, Mubadala, por meio de uma subsidiária brasileira que está plantando 180 mil hectares do Cerrado com macaúba para produzir biocombustíveis para aviões a jato, como parte do programa. Grandes instituições financeiras do agronegócio também aderiram – como o Rabobank, da Holanda, e o BTG, do Brasil, ambos comprando terras para plantações de árvores e, assim, gerar créditos de carbono para a Microsoft.

O governo está agora tentando atrair investidores estrangeiros com participações acionárias em fazendas, utilizando um novo instrumento financeiro, chamado Fiagros, que lhes permitiria contornar as restrições à propriedade estrangeira de terras. Acordos de fornecimento também estão sendo elaborados com empresas chinesas, nos quais investimentos iniciais em dinheiro seriam pagos com soja, açúcar e carne.

Essa nova “forma verde” nada mais é do que uma expansão da antiga forma de fazer agronegócio no Brasil. A venda de pastagens desmatadas para conversão em fazendas intensivas de soja, cana-de-açúcar, eucalipto ou gado incentivará ainda mais o desmatamento e a grilagem de terras com o deslocamento do gado, além de aumentar o uso de agrotóxicos e fertilizantes químicos, com impactos drásticos na saúde pública, especialmente em comunidades camponesas e indígenas . Toda a produção será destinada à exportação, e todos os lucros continuarão sendo embolsados ​​por banqueiros, latifundiários e acionistas de multinacionais. As emissões reais aumentarão mais rápido, mais longe e por mais tempo do que qualquer carbono que o programa consiga sequestrar temporariamente no solo.

Se houver alguma esperança de que a COP deste ano seja diferente, ela estará a poucos quilômetros da Zona Agrícola, na Cúpula dos Povos, onde comunidades que há muito sofrem com o boom do agronegócio brasileiro estão organizando seu próprio espaço. Ali, organizações e movimentos sociais trabalharão juntos para construir sistemas alimentares que possam realmente responder à emergência climática e às demais crises ambientais, sanitárias e sociais alimentadas pelo agronegócio.

Larissa Packer concentra-se nas tendências do agronegócio na América Latina, especialmente em relação à digitalização, reforma agrária, greenwashing climático e grilagem de terras. Ultimamente, ela tem se envolvido em trabalhos sobre leis de sementes e lutas mais amplas pela soberania alimentar na região. Ela representa a GRAIN na Alianza Biodiversidad (Aliança para a Biodiversidade), uma coalizão de 10 organizações/movimentos que lutam pela soberania alimentar em toda a América Latina.


Fonte: Jornal Brasil de Fato

Por que 70% dos agrotóxicos largamente usados no Brasil foram banidos na União Europeia?

As autoridades de lá consideram alertas científicos da relação dessas substâncias com o câncer, malformações fetais, danos à reprodução, rins e fígado, autismo, Parkinson, Alzheimer, contaminação da água e muito mais

Tecnologia avançada para aplicar aqui venenos proibidos em outros países. Foto: ANAC

Cida de Oliveira* 

Atentas aos alertas da ciência sobre os riscos que os agrotóxicos representam para a saúde pública e o equilíbrio dos ecossistemas – e, claro, à pressão dos consumidores – autoridades da União Europeia já baniram 223 ingredientes ativos químicos desde 2001. Pesou na decisão a relação desses produtos com a alarmante lista do início desta reportagem, que vai bem além. Ou seja, foram proibidas as substâncias que foram utilizadas até que a efetividade e a segurança foram questionadas por estudos mais modernos e abrangentes. Portanto, deixaram de ser aceitáveis perante os novos conhecimentos científicos.

Já o Brasil, em sentido oposto, segue autorizando esses produtos por aqui. Tanto que esses 223 correspondem a 52% dos 429 ingredientes químicos permitidos no país pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). São matérias primas usadas na formulação de uma infinidade de herbicidas, fungicidas, inseticidas, acaricidas e reguladores do crescimento das plantas, que compõem as milhares de toneladas vendidas todo ano no Brasil, o maior mercado consumidor desses venenos.

Para piorar, desses agentes banidos pelos europeus, 7 estão na lista dos 10 mais vendidos no Brasil em 2023, segundo dados do Ibama divulgados no início do ano. No final da reportagem, você poderá conferir um recorte a partir do parecer publicado nesta terça (28) aqui no Blog do Pedlowski. Trata-se de um documento produzido e divulgado de maneira voluntária pela professora juntamente com Leonardo Melgarejo, coordenador adjunto do Fórum Gaúcho de Combate aos Efeitos dos Agrotóxicos, para respaldar organizações e setores do governo e legislativo na discussão de possibilidades relacionadas ao Programa Nacional de Redução de Agrotóxicos (Pronara).

 “São moléculas banidas há muito tempo porque são velhas, mais tóxicas. E aqui se usa já há muitos anos, desde 1985. Isso impede a entrada de outras mais novas, menos tóxicas e melhor testadas”, disse ao Blog a engenheira química Sonia Corina Hess, professora aposentada da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e coautora de um parecer técnico detalhando dados sobre esses produtos banidos na União Europeia. “Não é por falta de opção que a gente está usando essas moléculas velhas. E sim porque são despejadas aqui devido ao preço mais baixo desse lixo em relação a moléculas novas. É por isso que entre os mais vendidos estão 7 banidos. A gente vai cumprindo assim esse papel de lixeira mesmo”.

De acordo com ela, que se dedica arduamente ao estudo desse caldeirão de venenos, a situação é bem complexa. Entre suas causas principais está o poder das transnacionais fabricantes, com seu lobby sobre os poderes da República. “A indústria química foca muito no Brasil porque é o maior mercado de agrotóxicos do mundo. Vale muito dinheiro. Há forte pressão até para impedir o banimento. Por isso a gente está com esse cenário tão trágico para o povo brasileiro, que praticamente não tem defesa diante desse poder das indústrias multinacionais”.

Regulação frágil

Esse lobby onipresente, aliás, explica em parte a fragilidade da regulação brasileira quando comparada à do bloco europeu. Lá o conjunto de países observa vários pontos no processo de análise de pedido de registro e de sua validade. “Na União Europeia a reavaliação dos produtos é periódica. Trata-se de um trabalho extenso, que pode levar 6 anos ou até mais; um processo bem bacana, em que um país assume a liderança desses estudos. Depois é feito um parecer que é apresentado para os demais países. Entra então em consulta pública. Se aparece algum ponto que pode sinalizar para o banimento, eles convocam a indústria para justificativas. É bem sério”, disse.

“Já no Brasil a validade é eterna, não tem prazo. Uma vez aprovado, não há regras definindo datas para reavaliação. Por isso a gente tem moléculas que são vendidas no Brasil desde 1985. Para conseguir banir é um processo muito complicado; é no varejo e não no atacado, como na Europa. Como lá cada substância tem uma validade e se naquele prazo não se justificar a manutenção, eles vão banir. Existe uma organização, uma sistemática de reavaliação que não tem no Brasil”, disse. “Isso é que falta aqui. E cada vez que tem reavaliação de agrotóxicos no Brasil é aquele drama, um ‘Deus nos acuda’, com o lobby todo contrário pressionando. E ninguém leva em consideração a saúde pública, o gasto no SUS, a tragédia que é o adoecimento das pessoas. Uma tragédia brasileira diante desse poderio das multinacionais.”

Sonia Hess lembra ainda o processo de enfraquecimento da legislação do setor. “A lei dos agrotóxicos, em vez de mais rigorosa, ficou mais branda, dificultando o banimento. Mas os números da saúde pública estão aí. A incidência de câncer em pessoas mais jovens está aumentando. Autismo, desregulação endócrina. São muitas doenças que provêm de contaminação ambiental e os agrotóxicos têm papel muito decisivo nisso”, disse a especialista, que se vê particularmente preocupada com a qualidade da água de abastecimento. “Cada vez que a gente analisa a água encontra uma série de substâncias perigosas, inclusive agrotóxicos.”

Interesses em conflito

O engenheiro agrônomo Leonardo Melgarejo, com extenso currículo envolvendo o tema, acrescenta outro fator agravante: o poder do agro no poder, inclusive sobre o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), por trás da liberação dos agrotóxicos. “O MAPA afirma que precisamos usar no Brasil venenos desnecessários na União Europeia por conta de nosso clima tropical. Oculta com isso um fato simples: aqueles produtos hoje proibidos na União Europeia já foram utilizados lá; eram necessários para a agricultura até que se comprovaram perigosos demais para a saúde humana e ambiental. Mas como a agricultura européia se mantém, sem eles? Utilizando outras formulações”, apontou.

“O fato é que estas outras formulações são mais caras, enquanto o lixo tóxico, que não pode ser comercializado lá é desviado para cá, a preços baixos. Lixo tem preço baixo”, disse, fazendo coro a Sonia Hess. Na sua análise, trata-se tambem de uma questão de contabilidade, onde os gastos com saúde são desprezados por aqueles só enxergam os resultados da lavoura, a cada safra, desprezando o horizonte de uso de seus próprios territórios. “Estão acabando com a microvida e a fertilidade dos solos, envenenando a água, multiplicando tragédias familiares e justificam isso com base em argumentações falaciosas”, completou.

Após uma década de espera pelos movimentos e organizações da sociedade civil, em junho deste ano o governo federal instituiu, por decreto, o Pronara. A política visa a redução gradual e contínua do uso de agrotóxicos, principalmente os altamente perigosos ao meio ambiente e extremamente tóxicos para a saúde. 

Mensagem de repúdio ao Pacote do Veneno projetado em edifício. Foto @projetemos

atribui ao mesmo MAPA, entre outras coisas, priorizar o registro de agrotóxicos de baixa toxicidade e de bioinsumos. Ou seja, uma incumbência que destoa dos horizontes do poderoso comando da pasta. Para Melgarejo, o nó dessa improvável convergência de interesses só pode ser desatado pela sociedade. E isso quando estiver plenamente consciente da situação.

“As pessoas que residem nas ‘zonas de sacrifício’ não estão cientes de que seus parentes estão sofrendo doenças incuráveis que poderiam ser evitadas, que gestações estão sendo perdidas, que se multiplicam casos de oncologia infantil e distúrbios nos sistemas endócrinos, nervoso e reprodutivo porque a água está sendo envenenada. E se soubessem que isso tudo poderia ser evitado com mudanças nas regras de financiamento, isenção de impostos e autorização de uso, aqui, de venenos que são PROIBIDOS em outros países, não reagiriam?”, pondera, lembrando que “zonas de sacrifício” são áreas nas quais os índices de mortalidade, afecções cancerígenas, gestações perdidas e casos de autismo e infertilidade superam as médias nacionais.

 Nessa perspectiva, Melgarejo defende que a sociedade seja informada sobre a gravidade da situação em que vive. “As pessoas estão sendo enganada a respeito dos agrotóxicos. E o Pacote do Veneno é um instrumento criminoso a serviço de interesses econômicos, cego aos direitos humanos fundamentais, antiético e contrário à civilidade”, disse. “Os números e fatos relatados no parecer demonstram isso. A sociedade precisa ser informada para avaliar aqueles seus representantes que vêm sendo escolhidos para ocupar espaços no poder legislativo. A maioria deles, como demostram as decisões envolvendo o pacote do veneno e as dificuldades para discussão de um modelo de desenvolvimento amistoso à natureza, zombam da saúde de seus eleitores”, diz.

Ele defende também que esta disseminação de informações sobre o tema dê o devido espaço para os avanços das práticas agroecologias, “um sistema de produção mais coerente com as necessidades de soberania alimentar e de enfrentamento ao aquecimento global, está sendo bloqueado pelo estímulo ao uso de lixo tóxico entre nós”. “Precisamos de proteção para as regiões onde a agroecologia se expande, que sejam estabelecidas áreas livres de agrotóxicos e os avanços possam ser multiplicados.

Mas não é só. Como tudo isso depende de políticas públicas, a importância de esclarecimento da sociedade ganha ainda mais relevância. “Até mesmo para o ganho de força na correlação que levou o agro ecocida a dominar o estado”, diz Melgarejo. “Eles estão no legislativo e ocupam postos chave no executivo, em todos os governos. Ocuparam o estado, que precisa se aproximar mais das necessidades da população e se afastar dos mecanismos que nos subordinam a interesses ofensivos à saúde humana e ambiental.”

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Confira a seguir


Cida Oliveira é jornalista e colaboradora regularmente com o Blog do Pedlowski.

A Revolução Verde na América Latina: debates, perspectivas e interdisciplinaridade, o livro

LRV

Abordar o legado da Revolução Verde a partir de uma perspectiva latino-americana exige examinar a dinâmica das mudanças agrárias, seus atores, gestão e fatores condicionantes, além de monitorar suas trajetórias em evolução. O livro “A Revolução Verde na América Latina: debates, perspectivas e interdisciplinaridade” surge do desejo de explicar o passado da América Latina em relação à Revolução Verde e o lugar da América Latina em sua trajetória global. O octogésimo aniversário, em 2023,  impeliu os autores desta obra a considerar a pluralidade e a diversidade da Revolução Verde, cujas várias interpretações revelam que o processo em questão se transformou em múltiplas revoluções verdes.

Os autores adotaram uma perspectiva crítica sobre a comemoração, visando contribuir para uma renovação das interpretações. Essa iniciativa também abrange questões historiográficas referentes à periodização, ao local de sua produção, aos contextos que justificaram seu estudo e às questões que ainda precisam ser exploradas.

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Estudo realizado na Bélgica e na Holanda mostra que agrotóxicos se acumulam na poeira depositada no interior das residências

Outbreak Management | Contamination Control Co.

Residências estão se tornando reservatórios de múltiplos agrotóxicos

A poeira depositada nos quartos — espaços onde os indivíduos passam tempo substancial — pode atuar como um reservatório para resíduos de agrotóxicos.  Isso é o que mostra um estudo publicado pela revista “Environmental Pollution” que analisou a poeira coletada no do piso de 112 quartos na Bélgica e na Holanda para avaliar os níveis de agrotóxicos em relação a dois fatores: proximidade de campos agrícolas e presença de animais de estimação, juntamente com uma avaliação cumulativa de risco à saúde.

As casas utilizadas no estudo estavam localizadas a menos de 250 m de campos agrícolas (55 com animais de estimação, 49 sem) ou em áreas urbanas/periurbanas a mais de 500 m dos campos (10 casas; 5 com animais de estimação, 5 sem), servindo como controles. As análises do material coletado foi analisado com o uso de cromatografia líquida e gasosa-espectrometria de massas. um total de 494 agrotóxicos foram analisados e os determinantes da ocorrência foram estudados por meio de regressão logística.  O estudo detectou a presença de resíduos de 120 agrotóxicos (61 aprovados, 59 não aprovados). Os agrotóxicos se mostraram onipresentes já que mais de 98% das casas estudadas tinham a presença de resíduos de pelo menos um produto, enquanto 95% continham cinco ou mais. A mistura mais comum — diclorano, permetrina, 2-fenilfenol, DEET e propiconazol — foi encontrada em 33% das amostras.

Os resultados do estudo mostram ainda que domicílios próximos a terras agrícolas tenderam a apresentar maiores probabilidades de detecção de múltiplosagrotóxicos, enquanto lares com animais de estimação apresentaram níveis elevados de fipronil e permetrina. Ambos os compostos são proibidos para uso agrícola na União Europeia, mas permanecem autorizados como biocidas.

Uma avaliação de risco cumulativo do pior caso indicou que a maioria dos sistemas orgânicos apresentou valores de índice de risco (IH) abaixo de 1, sugerindo baixo risco geral à saúde. O limiar de neurotoxicidade (IH = 1,45) foi excedido em um domicílio com concentrações excepcionalmente altas de fipronil, ilustrando um potencial cenário de pior caso em vez de um efeito em toda a população.

A detecção frequente de pesticidas antigos e que não estão mais necessariamente em uso ressalta sua persistência em ambientes internos, pqie  destaca o desafio de mitigar a exposição a longo prazo. Os resultados sugerem a necessidade de avaliações de exposição mais abrangentes e estratégias direcionadas para mitigar a contaminação por agrotóxicos em ambientes residenciais.

‘Eu estava contaminado’: estudo revela o quão difícil é evitar a exposição a agrotóxicos

Pulseiras de silicone usadas por voluntários na Holanda capturaram 173 substâncias em uma semana

O estudo descobriu que os agrotóxicosda pulverização de plantações podem acabar longe das áreas agrícolas. Fotografia: Dewald Kirsten/Shutterstock

Por Ajit Niranjan, correspondente ambiental da Europa, para o “The Guardian” 

Durante décadas, Khoji Wesselius notou o cheiro oleoso de agrotóxicos durante os períodos de pulverização, quando o vento soprava em sua pequena vila agrícola em um canto rural da Holanda.

Agora, depois de se voluntariar em um experimento para contar a quantas dessas substâncias as pessoas são submetidas, Wesselius e sua esposa estão um passo mais perto de entender as consequências de viver em campos de batata-semente, beterraba, trigo, centeio e cebola pulverizados com produtos químicos.

“Ficamos chocados”, disse Wesselius, um funcionário aposentado do governo provincial, que foi exposto a oito agrotóxicos diferentes através da pele, com ainda mais produtos químicos encontrados em exames de sangue, urina e fezes. “Fui contaminado por 11 tipos de agrotóxicos. Minha esposa, que é mais rigorosa com sua alimentação orgânica, tomou sete tipos de agrotóxicos.”

Os órgãos reguladores monitoram de perto a ingestão alimentar de pesticidas para decidir se eles são seguros o suficiente para o mercado, mas pouca atenção tem sido dada aos efeitos da inalação ou absorção pela pele. De acordo com um novo estudo , mesmo pessoas que vivem longe de fazendas estão expostas a diversos tipos de pesticidas de fontes não alimentares – incluindo substâncias proibidas.

“O mais surpreendente é que não podemos evitar a exposição a agrotóxicos: eles estão em nosso ambiente direto e nosso estudo indica contato direto”, disse Paul Scheepers, epidemiologista molecular da Universidade Radboud e coautor do estudo. “A verdadeira questão é quanto é absorvido [pelo corpo], e isso não é tão fácil de responder.”

Os pesquisadores fizeram com que 641 participantes em 10 países europeus usassem pulseiras de silicone continuamente por uma semana para registrar a exposição externa a 193 agrotóxicos. Em testes de laboratório, eles detectaram 173 das substâncias testadas, com agrotóxicos encontrados em todas as pulseiras e uma média de 20 substâncias para cada participante.

Agricultores não orgânicos apresentaram o maior número de agrotóxicos em suas pulseiras, com uma mediana de 36, seguidos por agricultores orgânicos e pessoas que moram perto de fazendas, como Wesselius e sua esposa. Consumidores que moram longe de fazendas apresentaram o menor número, com uma mediana de 17 agrotóxicos.

“Eu me perguntei se valia a pena saber de tudo isso”, disse Wesselius, que conta que alguns prestadores de serviços para os agricultores perto de sua aldeia parecem não levar em consideração a direção do vento ao aplicar agrotóxicoscomo glifosato e neonicotinoides. “Isso fica na minha cabeça. Toda vez que vejo um trator [com um sistema de pulverização], tenho uma sensação estranha de que estou sendo envenenado.”

Os agrotóxicos ajudaram o mundo a produzir mais alimentos em menos espaço – poluindo as regiões onde são pulverizados e reduzindo a área de terra que precisa ser explorada para produção de alimentos –, mas têm preocupado médicos que apontam para um crescente conjunto de evidências que os associam a doenças. A UE descartou uma meta proposta no ano passado para reduzir pela metade o uso e o risco de pesticidas até 2030, após pressão de lobbies agrícolas e de alguns Estados-membros, que argumentaram que os cortes eram muito profundos.

Bartosz Wielgomas, chefe do departamento de toxicologia da Universidade Médica de Gdansk, que não participou do estudo, disse que os resultados foram de “grande valor”, mas podem até subestimar a exposição a agrotóxicos. As pulseiras de silicone não absorvem todas as substâncias na mesma proporção, disse ele, e os pesquisadores testaram menos da metade dos agrotóxicos aprovados na UE.

“As conclusões deste estudo são altamente significativas: os agrotóxicos são onipresentes, não apenas em áreas agrícolas, mas também em ambientes distantes dos campos de cultivo”, disse ele.

Os pesquisadores descobriram que os participantes do estudo também foram expostos a agrotóxicos que foram retirados do mercado, com produtos de decomposição do DDT (diclorodifeniltricloroetano), proibido há décadas por questões de saúde, comumente encontrados nas pulseiras. Eles também detectaram alguns inseticidas proibidos, como dieldrin e propoxur.

Embora a presença de agrotóxicos nas pulseiras não indique efeitos diretos à saúde, os autores expressaram preocupação com a quantidade de diferentes tipos. Pesquisadores sugeriram que algumas misturas de diferentes produtos químicos amplificam seus efeitos no corpo humano além do que estudos de exposição isolada constataram.

Wesselius, cujos resultados o motivaram a consumir mais alimentos orgânicos, disse: “Não é algo agradável de se saber. Mas é ainda pior continuar com essa prática.”


Fonte: The Guardian

Agrotóxicos usados ​​perto de comunidades rurais estão associados a um câncer infantil raro, mas mortal

pulverização de pesticidas

Por Brian Bienkowski para “The New Lede” 

Crianças cujas mães moravam perto de propriedades agrícolas e campos tratados com certos  agrotóxicos durante a gravidez têm maior risco de desenvolver um câncer mortal que é mais comumente encontrado em bebês antes do primeiro aniversário, de acordo com um novo estudo. 

O novo estudo, publicado no periódico Environmental Research , descobriu que mulheres grávidas na Califórnia que moravam perto de áreas tratadas com inseticidas — flonicamida, cipermetrina ou permetrina — ou um fungicida agora proibido chamado benomil tinham maior probabilidade de ter bebês que sofreriam de neuroblastoma, um câncer das células nervosas que raramente é diagnosticado após os cinco anos de idade. 

Embora seja considerado raro — há cerca de 600 a 800 novos casos a cada ano nos EUA — o neuroblastoma é o câncer mais comum em bebês e é responsável por cerca de 15% das mortes por câncer infantil nos EUA a cada ano. 

Estudos anteriores encontraram uma associação entre alguns  agrotóxicos e neuroblastoma, mas este é o primeiro a examinar as ligações entre a exposição pré-natal de agrotóxicos específicos pulverizados perto de casa e a doença. 

“Só saber que os agrotóxicos podem estar amplamente associados ao câncer não fornece uma estratégia viável”, disse Julia Heck, autora sênior do estudo e professora e epidemiologista da Universidade do Norte do Texas. “Queríamos saber quais são os agentes nocivos.”

Heck e colegas analisaram dados de mais de 200.000 crianças nascidas na Califórnia entre 1998 e 2016, incluindo 199 crianças com neuroblastoma. Eles usaram o sistema de notificação de uso de agrotóxicos do estado para estimar a exposição das mães a dezenas de agrotóxicos diferentes que já foram associados a cânceres. A exposição pré-natal a flonicamida, cipermetrina, permetrina e benomil foi associada a um risco aumentado de 33%, 53%, 24% e 20%, respectivamente, para neuroblastoma após o nascimento, em comparação com bebês que não tiveram exposição estimada a esses pesticidas.

“Só saber que os agrotóxicos podem estar amplamente associados ao câncer não fornece uma estratégia viável. Queríamos saber quais são os agentes nocivos.” – Julia Heck, Universidade do Norte do Texas

Flonicamid e cipermetrina são amplamente utilizados para matar insetos em algodão e algumas culturas. Os dados mais recentes sobre o uso mostram que ambos são pulverizados no Vale Central da Califórnia. O uso da cipermetrina diminuiu drasticamente desde o pico de uso no início da década de 1990. A permetrina, usada para controlar insetos em culturas e pomares, é amplamente utilizada na região do Vale Central da Califórnia e também é comumente usada para controlar mosquitos por meio de roupas tratadas ou pulverizações. 

Flonicamid, cipermetrina e permetrina são todos usados ​​na região do Vale Central da Califórnia. (Crédito: vhines200/flickr )

Amy MacPherson, vice-diretora de divulgação e comunicações do Departamento de Regulamentação de Pesticidas da Califórnia (DPR), disse que o uso da proximidade com aplicações de agrotóxicos como um indicador de exposição no estudo é “um ponto de partida útil, [mas] não leva em conta fatores importantes como as propriedades químicas de agrotóxicos individuais, níveis reais de exposição ou outros fatores de risco potenciais para neuroblastoma”.

Ela disse que, embora a cipermetrina e a permetrina tendam a se ligar ao solo — tornando-as menos propensas a se tornarem aerotransportadas — o estado as incluiu em seu esforço de monitoramento de agrotóxicos no ar, publicado em 2023. Ambas “foram detectadas apenas algumas vezes, e sempre em níveis residuais muito abaixo dos níveis de triagem baseados em saúde do DPR”, disse ela. O flonicamida não foi incluído no relatório. 

O benomil foi proibido nos EUA em 2001 devido a preocupações com sua toxicidade. Heck disse que a descoberta da possível ligação do benomil com o neuroblastoma décadas após sua proibição demonstra a dificuldade de estudar os danos causados ​​por pesticidas à saúde. 

“Há proibições, pragas se tornam resistentes, empresas de agrotóxicos lançam novas fórmulas”, disse Heck. “É difícil acompanhar algo que muda tão rápido.”

Carcinógenos suspeitos

Em suas avaliações mais recentes de saúde humana, a Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA) classificou tanto o flonicamida quanto a permetrina como tendo “evidências sugestivas de potencial cancerígeno” e a cipermetrina como um “possível carcinógeno humano”.

A agência, no entanto, não avaliou os riscos potenciais da pulverização de permetrina ou cipermetrina nas proximidades, afirmando que não há necessidade, pois a exposição de pessoas que as utilizam perto de suas casas, que foi avaliada, seria maior. Para ambos os produtos químicos, a agência concluiu que “não há riscos preocupantes” para uso residencial ou devido à dispersão da pulverização. 

No entanto, para o flonicamida, a agência reconhece que “a deriva da pulverização é uma fonte potencial de exposição para indivíduos que estão localizados próximos às aplicações de pesticidas”. 

A EPA não pôde ser contatada para comentar o novo estudo devido à paralisação do governo federal. 

Heck disse que espera que o trabalho chame a atenção da EPA ou de organismos internacionais como a Organização Mundial da Saúde para melhor abordar os danos causados ​​pelos pesticidas. “Estamos tentando adicionar evidências que, idealmente, permitirão que eles tomem medidas”, disse ela. 

MacPherson disse que o DPR analisa novos estudos como este como parte de sua supervisão contínua.

Imagem em destaque: Getty Images/Unsplash+

Sobre o autor

Brian Bienkowski é o editor-chefe do The New Lede. Repórter e editor veterano, ele já recebeu prêmios locais e nacionais por suas reportagens sobre saúde e meio ambiente. É membro da Sociedade de Jornalistas Ambientais.


Fonte: The New Lede

Número de espécies de abelhas selvagens em risco de extinção na Europa duplica em 10 anos

Número de espécies de abelhas selvagens em risco de extinção na Europa duplica em 10 anos

Número de espécies de borboletas ameaçadas de extinção também está aumentando em meio à destruição de habitat e ao aquecimento global, segundo estudo

Abelhas europeias voam perto de uma colmeia selvagem em um carvalho em Monmouthshire, País de Gales.

Abelhas europeias voam perto de uma colmeia selvagem em um carvalho em Monmouthshire, País de Gales. Fotografia: Nature Picture Library/Alamy

Por Patrick Barkham para o “The Guardian” 

O número de espécies de abelhas selvagens na Europa em risco de extinção mais que dobrou na última década, enquanto o número de espécies de borboletas ameaçadas de extinção quase dobrou.

O perigo enfrentado por polinizadores cruciais foi revelado por estudos científicos para a lista vermelha de espécies ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) , que descobriram que pelo menos 172 espécies de abelhas de 1.928 estavam em risco de extinção na Europa.

O número de borboletas ameaçadas de extinção na Europa aumentou de 37 para 65 desde o último estudo, realizado há 14 anos. Uma espécie, a borboleta branca-grande-da-madeira ( Pieris wollastoni ), foi declarada extinta.

Além de sua beleza e significado cultural, polinizadores como abelhas e borboletas são vitais para nossa saúde, nossos sistemas alimentares e nossas economias – sustentando as frutas, vegetais e sementes que nos nutrem”, disse Grethel Aguilar, diretora-geral da UICN. “As últimas avaliações da Lista Vermelha Europeia revelam sérios desafios, com ameaças crescentes para borboletas e espécies cruciais de abelhas selvagens.”

As causas dos rápidos declínios recentes são a destruição ou os danos contínuos aos habitats causados ​​pela intensificação da agricultura e pelo abandono de terras, pela drenagem de áreas úmidas, pelo pastoreio excessivo pelo gado e pelo uso de fertilizantes e agrotóxicos, incluindo neonicotinoides . A fragmentação de habitats favoráveis ​​aos polinizadores aumenta consideravelmente o risco de extinções locais.

O aquecimento global também se revelou uma grande ameaça: 52% de todas as borboletas ameaçadas de extinção na Europa estão ameaçadas pela crise climática — aproximadamente o dobro de uma década atrás.

Até 90% das plantas com flores na Europa dependem da polinização animal, de acordo com o Dr. Denis Michez, coordenador principal da avaliação de abelhas selvagens. “Infelizmente, as populações de abelhas selvagens estão em declínio drástico e não podem ser facilmente substituídas por colônias manejadas”, disse ele. “Se as abelhas selvagens desaparecerem, muitas plantas selvagens também poderão estar em risco – das quais prados ricos em flores e belas espécies de orquídeas são apenas alguns exemplos.”

Quinze espécies de mamangabas, que desempenham um papel crucial na polinização de ervilhas, feijões, amendoins e trevos, e 14 espécies de abelhas-celofane, conhecidas por polinizar árvores como salgueiros e bordos vermelhos, estão agora classificadas como ameaçadas. Simpanurgus phyllopodus , uma abelha mineira exclusiva do continente e a única espécie deste gênero na Europa, está agora classificada como criticamente em perigo – a categoria científica mais próxima da extinção na natureza.

Borboletas encontradas apenas no topo das montanhas são particularmente vulneráveis ​​ao aquecimento global, pois precisam se deslocar para áreas mais altas à medida que seus habitats se tornam mais quentes, mas acabam ficando sem espaço. No sul da Espanha, o tímalo-de-nevada e a borboleta azul-anômala-da-andaluza estão entre os mais de 40% dos endemismos europeus (encontrados apenas na Europa) ameaçados de extinção.

No Mediterrâneo, espécies como o grayling de Karpathos, espécie criticamente ameaçada , estão ameaçadas pela seca extrema e pelos incêndios florestais .

Enquanto isso, no Círculo Polar Ártico, o aquecimento global está fazendo com que a linha das árvores se mova dezenas de metros para o norte a cada ano, com a vegetação rasteira invadindo pântanos e tundras. As condições mais quentes também impedem que as renas atravessem o gelo para pastar nas pastagens árticas e mantê-las abertas. Oito espécies de borboletas estão ameaçadas de extinção nesta região, incluindo a borboleta-de-freyja e a borboleta-anelada-do-ártico.

 O maior habitat para todos esses polinizadores são as pastagens ricas em flores, que estão desaparecendo muito rapidamente em toda a Europa devido a todos esses fatores”, disse Martin Warren, um dos principais coordenadores da avaliação das borboletas. “O lado positivo é que muitas pessoas se importam agora e há muito mais conscientização. De acordo com a legislação de restauração da natureza da UE , todos os estados-membros precisam reverter o declínio dos polinizadores até 2030 e terão que começar a fazer algo. Há proprietários de terras interessados. Esperemos que eles consigam os incentivos que os ajudarão em seu caminho.”

De acordo com Warren, há “frutos fáceis” em termos de ação para os polinizadores que não reduzirão a produção de alimentos — e podem aumentá-la — como agricultores criando margens ricas em flores ao redor de seus campos.

Jessika Roswall, comissária da UE para o meio ambiente, resiliência hídrica e economia circular competitiva, descreveu o estado de conservação das abelhas selvagens, borboletas e outros polinizadores como “terrível”.

 É necessária uma ação urgente e coletiva para enfrentar esta ameaça. Juntamente com os Estados-membros, a Comissão Europeia implementou um sistema de monitorização de polinizadores em toda a UE, com base no regulamento da UE para a restauração da natureza, que ajudará a acompanhar o nosso progresso. Agora, precisamos de nos concentrar na implementação e na cooperação com os Estados-membros para proteger os nossos polinizadores”, afirmou.

A publicação das avaliações sobre abelhas e borboletas ocorre após a primeira avaliação europeia sobre moscas-das-flores , outro grupo polinizador crucial. Publicada em 2022, a avaliação revelou que 37% de todas as espécies de moscas-das-flores na Europa estavam ameaçadas de extinção.


Fonte: The Guardian

Apesar do discurso conservacionista, Brasil segue liberando agrotóxicos altamente tóxicos e se consolida como lixeira química do mundo

Semana passada o governo Lula anunciou registro para mais 27 produtos obtidos a partir de 13 princípios ativos. Em sua maioria são muito perigosos aos ecossistemas e 6 deles foram banidos no bloco europeu

Pulverização aérea de agrotóxicos: mais venenos na agricultura da potência ambiental.  Foto: Arquivo EBC

Por Cida de Oliveira* 

O Brasil tem se apresentado como candidato a líder ambiental global. Nesse sentido vai sediar em novembro, em Belém, a conferência mundial da ONU sobre o clima, a COP30. A pretensão, no entanto, não coaduna com os sinais de desprezo pelo meio ambiente e a saúde pública ao reforçar a defesa dos interesses do setor de agrotóxicos. Na última quinta-feira (2) o Ministério da Agricultura publicou uma nova lista de registros, desta vez com 27 ingredientes ativos concentrados (produtos técnicos), que as indústrias utilizam para fabricar tantos outros produtos aplicados principalmente nos latifúndios do agronegócio exportador.

Esse conjunto de ingredientes tem em sua composição 13 substâncias. Seis são classificadas como muito perigosas ao meio ambiente, uma é altamente perigosa e seis, perigosas. Quanto à toxicidade à saúde, 12 são categorizadas como “improvável de causar danos agudos” devido à exposição. E uma está entre aquelas “sem classificação” porque não haveria dados toxicológicos suficientes para determinar seu nível e tipo de toxicidade.

Os ingredientes ativos glufosinato de amônio, tidiazurom e trifloxistrobina são os mais prevalentes. Cada um corresponde a quatro dos novos registros, conforme a tabela a seguir.

Venenos e transgênicos

O herbicida glufosinato de amônio foi banido na União Europeia em 2009. Um dos substitutos do paraquate, proibido no Brasil em 2020, a substância se supera em vendas desde então. Em 2021 foram 6.627,19 toneladas vendidas, mais de 2,5 vezes que as 2.628,74 toneladas no ano anterior. Vendeu 11.321,06 toneladas em 2022 e 9.580,15 em 2023. Em 2017 a comercialização era de 1.137,65 toneladas, segundo o Ibama.

Aplicado em lavouras de soja, milho, cana, citros e eucalipto, entre outras, tende a vender muito mais com o trigo transgênico resistente ao agrotóxico. Em março de 2023, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) autorizou o plantio e a venda do cereal geneticamente modificado no país, contrariando apelos de cientistas, consumidores e até fabricantes do setor. A presença de resíduos do agrotóxico no pão de cada dia, no macarrão, pizza, biscoitos e tantos outros produtos assusta e desagrada o consumidor. O herbicida é prejudicial a organismos aquáticos e do solo devido a seus efeitos tóxicos, desequilibrando assim as comunidades microbianas e os ecossistemas interligados.

Há indícios fortes de prejuízos à saúde, como mutações no DNA das células, levando ao desenvolvimento de doenças como o câncer. A professora Sonia Hess, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), menciona, entre outros, os resultados de uma pesquisa da Universidade Agrícola da China publicada em 2019. Os autores constataram efeitos tóxicos sobre o fígado e o sistema reprodutivo, com danos aos testículos, de lagartos machos expostos a solo contaminado com glufosinato de amônio.

Já o pesquisador argentino Eduardo Martin Rossi, da organização Naturaleza de Derechos, compilou trabalhos científicos sobre as intoxicações agudas e crônicas causadas pelo glufosinato (acesse aqui). Entre eles, danos ao sistema nervoso, respiratório, coração e músculos. E mais: Alterações na memória, autismo e um desequilíbrio da flora intestinal, que por sua vez prejudica a absorção dos nutrientes.

Tidiazurom 

O princípio ativo do herbicida está em quatro produtos registrados no Brasil em 2024, após 16 anos que a substância perdeu seu registro na União Europeia. Após avaliação, uma comissão sobre agroquímicos do bloco considerou o produto obsoleto e decidiu pelo fim do registro em 2008. A substância se mostrou ultrapassada quando comparada com outros de tecnologia mais avançada. Conforme autoridades ambientais, a substância é muito tóxica para a vida aquática, com efeitos duradouros.

Trifloxistrobina

O fungicida está na mira de autoridades dos Estados Unidos e União Europeia devido a indícios de danos aos ecossistemas aquáticos. Estudos mostram acúmulo de resíduos altamente tóxicos para peixes e outros invertebrados. E Também para a saúde do solo, já que afeta a ação de comunidades microbianas sobre nutrientes e atividades enzimáticas, prejudicando o processo de sequestro de carbono pela vegetação.

Segundo autoridades ambientais, o princípio ativo representa prejuízos à reprodução. Estudos mostram que ratos de laboratório expostos à trifloxistrobina tiveram redução nos níveis de testosterona, o que sugere a possibilidade de problemas na reprodução masculina. Foi observada também a redução de bactérias intestinais associadas ao bom funcionamento de hormônios. Há ainda outros estudos que levantam a suspeita de desregulação endócrina.

Agentes mais tóxicos

A lista do Ministério da Agricultura inclui o herbicida lambda-cialotrina, classificado como altamente perigoso ao meio ambiente. Quanto à toxicidade à saúde, vai do extremamente tóxico ao improvável de causar dano agudo, dependendo da formulação. O perigo da substância às abelhas foi constatado em estudos realizados em vários países. As abelhas têm papel importante na reprodução vegetal, já que participam da reprodução da maior parte das espécies vegetais. Portanto, sem elas a produção de alimentos e as florestas correm ainda mais riscos. Há ainda pesquisas que alertam para a correlação da substância com danos às células do fígado e à toxidade no sistema nervoso de ratos.

Alta contaminação em águas subterrâneas

O herbicida S-Metolacloro teve suas vendas ampliadas no Brasil, segundo dados do Ibama. Passou de 7.238 toneladas, em 2020, para 9.374 toneladas, 11.599,70 toneladas e 13.327,58 toneladas nos anos subsequentes. Porém está proibido no mercado europeu desde o ano passado. Autorizações para produtos derivados da substância também foram retiradas e há um prazo para o descarte e o uso dos estoques existentes. A rejeição foi justificada pela alta concentração do ingrediente em águas subterrâneas. Durante o processo, a agência europeia para produtos químicos considerou tamém estudos que demonstraram potencial riscos de tumores hepáticos em ratos expostos à substância.

Atualmente o S-Metolacloro está sendo reavaliado no Canadá. Autoridades consideram os impactos ambientais e à saúde. A agência reguladora do setor abriu recentemente consulta pública e aguarda manifestações que podem levar a uma possível proibição.

O herbicida Dicamba está no centro de debates na União Europeia, Estados Unidos e Canadá, que avaliam medidas contra os efeitos nocivos da sua alta volatização. O produto tem atingido e destruído plantações vizinhas, que não são alvo da ação herbicida. A Justiça dos Estados Unidos proibiu o uso em lavouras de soja e algodão transgênicos em 2020 e 2024. A medida incluiu a suspensão da pulverização excessiva.

Consulta pública e possível proibição

Agora em setembro o governo do Canadá abriu consulta pública visando à reavaliação especial do registro do agente ativo e seus derivados. Autoridades canadenses estão preocupadas com esse mesmo risco às plantas vizinhas. Estão sendo cogitadas mudanças para reduzi-lo, com atualização das zonas de proteção de deriva de pulverização e adoção de medidas de mitigação para volatilidade. A proibição não é descartada.

Já em relação à toxicidade à saúde, evidências científicas sugerem que o dicamba seja um disruptor endócrino, podendo interferir na ação de hormônios e, por tabela, no funcionamento normal de organismos e na reprodução. Há também estudos apontando que usuários do produto têm risco aumentado de câncer, e outros que relacionam a exposição ao aumento do risco de hipotireoidismo.

Outros proibidos

O inseticida tiamexam é um neonicotinóide que, segundo pesquisas, afeta o sistema nervoso central das abelhas, causa desorientação, o que as impede até mesmo de retornar às suas colmeias. Há também trabalhos científicos que apontam danos ao sistema digestivo, reprodutivo e imunológico desses polinizadores, que em muitos casos levam à morte. Por essa razão o produto tem sido banido em vários países. A União Europeia baniu em 2009. O impacto para as abelhas tem levado também a restrições do uso, como no Brasil. Após reavaliação ambiental, no início de 2024 o Ibama limitou esses agrotóxicos, proibindo a pulverização aérea ou com tratores sobre lavouras de cana, soja, trigo algodão, eucalipto e milho, entre outros.

O herbicida diclosulam é outro que não tem registro no bloco europeu para fins agrícolas. O pedido para renovação do registro foi rejeitado devido a potenciais riscos ambientais. Em sua decisão, a autoridade europeia para a segurança dos alimentos considerou a toxicidade para aves e organismos aquáticos. E ainda o risco potencial de contaminação generalizada e duradoura das águas subterrâneas.

O fungicida picoxistrobina perdeu seu registro na União Europeia e no Reino Unido em 2018, após reavaliação. Preocupações com os altos riscos à vida aquática, minhocas, mamíferos e abelhas justificaram a decisão. Diversos estudos chamam atenção para o risco potencial de danos a esses polinizadores.

O herbicida Sulfentrazona é outro banido em 2009 na União Europeia devido à potencial toxicidade para o desenvolvimento e a reprodução animal. Isso inclui redução do peso corporal fetal e redução/atraso na ossificação esquelética observados em estudos em camundongos, ratos e cães. Nos Estados Unidos a substância tem uso controlado devido aos riscos ambientais quanto a lixiviação para águas subterrâneas. E também danos à vida aquática. Por isso não pode ser aplicado perto de corpos d’água e em áreas com águas subterrâneas rasas ou solos arenosos para evitar contaminação.

Os “menos” perigosos

O inseticida metoxifenozida tem degradação ambiental lenta, com potencial de persistência, podendo contaminar águas subterrâneas e intoxicar a vida aquática. Águas superficiais de solos permeáveis, como aqueles de plantio de arroz irrigado, também podem ser afetados. Por essas razões o inseticida é considerado altamente tóxico para a vida aquática. Atualmente o produto é alvo de medidas de controle na União Europeia.

Autoridades para segurança dos alimentos no bloco reduziram recentemente o limite máximo de resíduos permitidos em algumas hortaliças. A adequação terá de ser cumprido até janeiro do próximo ano. Em 2014, um processo de reavaliação encontrou dados de ensaios de resíduos incompletos para a berinjela, por exemplo. E os fornecidos a partir de então apontaram para a necessidade de redução desses limites  para aumentar a segurança quanto à presença de resíduos.

O herbicida flumioxazim apresenta riscos ao meio ambiente por ser altamente tóxico para plantas aquáticas e invertebrados. E moderadamente tóxico para peixes, com potencial de prejudicar plantas não alvo durante a deriva da aplicação. Pesquisas mostram que o produto é tóxico ao desenvolvimento em mamíferos, incluindo ratos. Isso porque interfere em funções bioquímicas importantes.

O uso do produto enfrenta oposição na União Europeia, onde o potencial de toxicidade para o meio ambiente e a reprodução está no centro de debates. As autoridades do setor o classificam como candidato à substituição. A Comissão Europeia chegou a propor que sua autorização seja estendida, mas enfrentou objeções do Parlamento Europeu e de diversas organizações de saúde e meio ambiente.

E por fim, o fungicida protioconazol também tem sua regulação em discussão no bloco europeu. O processo de avaliação de renovação de registro já recebeu pleitos para restrições em sua utilização. E também para a segurança do aplicador e a proteção de organismos aquáticos, aves e pequenos mamíferos.

Novos produtos velhos

Como deu para perceber, esses registros recentes não são de novos, melhores e nem mais seguros, conforme o lobby do agronegócio para mudar leis e garantir isenções tributárias. O problema se agrava quanto mais desses produtos são registrados sem parar.  Incansável, a professora Sonia Hess catalogou dados de agrotóxicos aprovados no Brasil, com base em publicações oficiais da coordenação geral de agrotóxicos e afins do Ministério da Agricultura. Um recorte dessas informações, ao qual a reportagem teve acesso, dá uma ideia do volume de autorizações para esses produtos “novos” a partir de 2019: São mais de 500, conforme a tabela.

Lixeira química

Em meio a tantos dados relativos a quantidades e à toxicidade ao meio ambiente e à saúde aqui descritos, é de se questionar os motivos para esses produtos terem no Brasil o selo de “improváveis de causar danos”. Essa contradição foi estabelecida em 2019, em uma espécie de maquiagem promovida pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) no primeiro ano do então governo de Jair Bolsonaro (PL). Embora o mandato tenha acabado, o que veio na sequência ainda mantém a classificação, apesar de duramente criticada por especialistas e movimentos.

Para lembrar, a medida em questão reclassificou mais de 1.900 agrotóxicos, retirando 600 produtos da categoria de alta toxicidade à saúde. Nessa espécie de passe de mágica, o glifosato, presente em quase 130 produtos para uso na soja, café, feijão e frutas, deixou de ser classificado como extremamente tóxico. E entrou na categoria dos improváveis de causar danos, apesar de que a substância mantém a mesma composição química. Seja como for, a reclassificação brasileira também não altera as evidências científicas de forte relação do glifosato com diversos tipos de câncer, infertilidade e problemas neurodegenerativos, como Alzheimer e Parkinson e até mesmo depressão e autismo.

Celeiro do mundo ou lixeira tóxica?

Sob o slogan de “Brasil celeiro do mundo”, o país torma-se lixeira química do mundo. Enquanto isso, indústrias com sede na União Europeia aproveitam para limpar seus estoques. Segundo artigo publicado semana passada pelas organizações Unearthed e Public Eye, essas empresas desovaram 75 produtos em outros países, somente em 2024. Praticamente o dobro do número das exportações em 2018. E isso apesar de a fabricação e exportação dessas substâncias serem proibidas. “A maioria dos pesticidas proibidos atualmente exportados foram recentemente proibidos. Entre eles, estão produtos químicos como o mancozeb, um fungicida proibido no final de 2020 após ser considerado “tóxico para a reprodução” – o que significa que pode prejudicar a fertilidade e os bebês no útero. No ano passado, empresas da UE emitiram notificações para a exportação de mais de 8.500 toneladas de produtos à base de mancozeb para 59 países”, diz trecho do artigo publicado no último dia 22 de setembro pelo Greenpeace do Reino Unido.

O texto lembra que a União Europeia continua exportando milhares de toneladas de neonicotinoides, os inseticidas “matadores de abelhas” envolvidos no declínio dos polinizadores em todo o mundo. Seu uso em campos europeus está proibido desde 2019 devido aos riscos “inaceitáveis” para as abelhas. O próprio bloco considera que essas substâncias representam grave ameaça à biodiversidade e à segurança alimentar global. No entanto, continua a exportar grandes quantidades. E o Brasil segue comprando.

*Cida de Oliveira é jornalista