Entidades se articulam e grupo de senadores assina requerimento para que o PL que enfraquece fiscalização sanitária dos alimentos seja votado em plenária

Organizações alertam que se aprovado, este PL do Autocontrole poderá trazer enormes prejuízos para a saúde pública, para o bem-estar dos animais, terá impacto ambiental, comprometerá a renda de pequenos produtores, além de ir contra o direito do consumidor.

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São Paulo, 01 de julho de 2022 – ONGs de proteção animal, ambiental, de defesa do consumidor, direitos dos trabalhadores da indústria de alimentos, direito dos pequenos produtores rurais, organizações de saúde humana e os próprios fiscais agropecuários se uniram contra o Projeto de Lei (PL) Nº 1.293/2021, também conhecido por PL do Autocontrole. As organizações estão preocupadas com os riscos que esse PL pode trazer para a sociedade, pois ele visa transferir para o setor privado a responsabilidade da fiscalização sanitária, que de acordo com a Constituição Federal, é responsabilidade do Estado.

O PL foi aprovado pela Comissão de Agricultura e Reforma Agrária e seguiria para sanção do presidente Bolsonaro, mas após intensa mobilização das organizações em questão, elas conseguiram que o PL passe por votação plenária, ou seja, todos os demais senadores também deverão avaliar e votar o PL. De acordo com o regimento da Casa, a votação plenária pode ser solicitada, mesmo após a aprovação de uma comissão, caso seja apresentado um recurso assinado por ao menos 9 senadores (10% do total de parlamentares). Por meio da articulação das organizações, já houve a adesão de 16 senadores (veja a lista abaixo) e a expectativa agora é que o Senado barre definitivamente o PL do Autocontrole. “Consideramos imoral aprovar um projeto que visa transferir do poder público a responsabilidade de supervisionar a saúde pública e a dignidade animal”, destacam as organizações em carta aberta.

As organizações alertam que os prejuízos que podem ser causados pelo PL são inúmeros. Entre eles: dificuldade de identificar e punir fraudadores em caso de adulteração e contaminação de produtos como leite, carne, azeite, bebidas em geral e outros alimentos; registro automático de medicamentos para animais, que podem gerar resíduos nos alimentos e colocar a saúde do consumidor em risco, por exemplo ingerir carne ou leite com resíduos de antibióticos; aumento de doenças e infecções por causa da ingestão de produtos impróprios para consumo humano; pequenos produtores e agricultura familiar poderão ser severamente prejudicados por não conseguirem arcar com os custos da fiscalização privada.

Para o presidente do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais (ANFFA Sindical), Janus Pablo, o PL além de desastroso, possui muitas lacunas e ambiguidades que podem favorecer as grandes empresas agropecuárias em detrimento da sociedade. “Os auditores agropecuários atuam em todas as áreas de produção de alimentos, incluindo a supervisão dos agrotóxicos utilizados na produção agrícola. Sem a fiscalização agropecuária governamental, na prática, as empresas ficarão livres para reportar se elas estão cumprindo as normas sanitárias, sem que seja necessário o auditor conferir as informações in loco“, diz.

Além de riscos para a saúde pública, o PL também representa um grave risco para o bem-estar dos animais. Sem a fiscalização governamental, os animais serão ainda mais expostos ao extremo sofrimento nos abatedouros, a exemplo de cenas documentadas por organizações de defesa dos animais como a Animal Equality e a Mercy For Animals, que mostram as péssimas condições que os animais são submetidos quando os fiscais agropecuários não estão presentes e o não cumprimento das normas higiênico-sanitárias.

Algumas das organizações que estão fazendo parte dessa articulação são: ACT Promoção da Saúde, Alianima, Animal Equality, Associação dos Fiscais Agropecuários do Rio Grande do Sul (AFAGRO), Associação dos Municípios da Microrregião do Vale do Paranaíba (AMVAP), Aliança pela Alimentação Adequada e Saudável, Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação e Afins (CNTA), Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal, Greenpeace, Instituto Akatu, Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC), Instituto Protecionista S.O.S. Animais e Plantas, Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), Instituto Socioambiental (ISA), Mercy for Animals, Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Núcleo de Justiça Animal da Universidade Federal da Paraíba, Observatório do Clima, Organização pelo Direito Humano à Alimentação e à Nutrição Adequadas (FIAN), Proteção Animal Mundial (World Animal Protection), Slow Food Brasil, Sinergia Animal, Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais (ANFFA Sindical) e TJCC – Movimento Todos Juntos Contra o Câncer.

Várias outras organizações têm apoiado diretamente os Auditores Fiscais Federais, como pode ser visto neste comunicado recém lançado. É importante destacar que se os próprios auditores fiscais, que são quem mais entende de fiscalização, são contra o PL do Autocontrole, obviamente o PL representa uma ameaça se for aprovado da forma que está redigido.

Senadores que assinaram o requerimento para votação plenária:

  1. Senador Paulo Rocha (PT/PA)
  2. Senador Jean Paul Prates (PT/RN)
  3. Senador Fabiano Contarato (PT/ES)
  4. Senador Paulo Paim (PT/RS)
  5. Senador Jaques Wagner (PT/BA)
  6. Senadora Eliziane Gama (CIDADANIA/MA)
  7. Senador Rogério Carvalho (PT/SE)
  8. Senadora Mara Gabrilli (PSDB/SP)
  9. Senadora Leila Barros (PDT/DF)
  10. Senadora Zenaide Maia (PROS/RN)
  11. Senador Alessandro Vieira (PSDB/SE)
  12. Senador Randolfe Rodrigues (REDE/AP)
  13. Senador Reguffe (UNIÃO/DF)
  14. Senador Telmário Mota (PROS/RR)
  15. Senador Jorge Kajuru (PODEMOS/GO)
  16. Senador Humberto Costa (PT/PE)

Agro é pop? Devastação ambiental, fome e inflação: entenda porque o modelo é insustentável

Brasil troca cada vez mais áreas de plantio de alimentos pela produção de commodities para exportação

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As exportações do agronegócio brasileiro tiveram um saldo positivo de US$ 43,7 bilhões no acumulado do ano – SILVIO AVILA / AFP

Por Gabriela Moncau para o jornal “Brasil de Fato”

 trabalhador rural alegre, operando um trator no meio da plantação. Uma família sorridente passando manteiga no pão ao sol da manhã. A cana de açúcar e uma narração dizendo como ela possibilita que os carros andem pelas ruas. A criação de ovelhas e depois vistosas roupas na vitrine do shopping.  

“Agro é pop, agro é tech, agro é tudo”: o slogan das propagandas transmitidas desde 2016 pela rede Globo trazem a ideia de que o modelo do agronegócio fornece, basicamente, todas as coisas boas e necessárias da vida.  

A “indústria” que, segundo o bordão da peça publicitária, é a “riqueza do Brasil” e que tem como base a produção e exportação de commodities  (produtos em estado bruto, de origem agropecuária ou de extração mineral, usados como matéria prima para a fabricação de outros produtos), em especial a soja transgênica, só cresce em um país que vê sua população empobrecer. 

Com um saldo de US$ 43,7 bilhões (cerca de R$ 210 bi) no acumulado do ano, as exportações do agronegócio brasileiro em abril de 2022, de acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), foram 81,6% maiores que o mesmo mês de 2019, 52,3% maiores que em 2020 e 14,9% que 2021. 

Contraditoriamente, nesse mesmo período, entre 2019 e o fim de 2021, a população vivendo abaixo da linha da pobreza no Brasil saltou, segundo a FGV Social, de 23 para 28 milhões de pessoas.  

Pior: enquanto o agronegócio infla em lucro e em área ocupada, sobem também os números da inflação, da fome, e da devastação ambiental no país. Segundo pesquisadores e ativistas ouvidos pelo Brasil de Fato, não é coincidência que tudo isso cresça junto. 

Commodity não enche barriga 

“O agronegócio não produz comida. Produz commodities”, sintetiza Kelli Maffort, da direção nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).  

Citando o último Censo Agropecuário do Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE), feito em 2017, Maffort ressalta que quem produz alimentos é a agricultura familiar e camponesa. No Brasil, no entanto, a área de plantio de alimentos vem perdendo significativo espaço para as commodities.  

“Na região sudoeste do estado de São Paulo houve um avanço significativo da soja sobre áreas que antigamente se dedicavam à produção de feijão. Então obviamente que isso vai representar uma diminuição de oferta de alimentos”, ilustra Kelli. 

Tendo como base os dados do IBGE, o artigo Expropriação, violência e R-existência: uma geografia dos conflitos por terra no Brasil (2021) mostra que em 1988 o país dedicava 24,7% da sua área cultivada para arroz, feijão e mandioca. Em 2018, essa proporção despenca para 7,7%.  

Em contrapartida, salientam os autores Carlos Walter Porto-Gonçalves, Luiz Jardim Wanderley, Amanda Guarniere, Pedro Catanzaro da Rocha e Vinícius Martins, nesse período de 30 anos, as culturas voltadas para a exportação, que representavam 49,8% da área de cultivo do país, passaram a ocupar 78,3% dela. 


Arte: Brasil de Fato / Arte: Brasil de Fato

“Mais de 3/4 do total da área das lavouras temporárias e permanentes são de apenas três produtos: soja, cana e milho”, expõe o artigo, ao explicar que esses cultivos são voltados, primordialmente, para alimentar gado e produzir combustíveis fora do Brasil. “Se a função primeira da agricultura é a alimentação”, avaliam os autores, “o padrão da agricultura brasileira vem ignorando sua própria população”. 

Para Sílvio Isoppo Porto, professor da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), “é incontestável a redução de área na produção de alimentos para o mercado interno”.  

“Em decorrência da desestruturação de políticas e de sistemas de produção vinculados à agricultura familiar e camponesa, de cultivos diversificados, há uma transferência de área, principalmente para a soja”, aponta Isoppo, que é também diretor de Sistemas Alimentares e Agroecologia do Instituto Fome Zero.  

A venda e o arrendamento de terras para o agronegócio se explicam, reflete Sílvio, pela falta de políticas que estimulem a produção de alimentos básicos e possivelmente também pelo envelhecimento da população rural. “Isso afeta diretamente a disponibilidade, o que por consequência agrava a situação de abastecimento do país”, salienta.  

Escolha política 

E a rota, pelo visto, segue nesse sentido. Até 2030 o Ministério da Agricultura prevê, por um lado, a redução de dois milhões de hectares para arroz, feijão e mandioca e, por outro, o avanço em 27% da área voltada para soja e milho, com a projeção de que até lá esses cultivos ocupem 70,8 milhões de hectares.  

Mas nem é preciso consultar as projeções do Ministério da Agricultura para confirmar que esse processo faz parte de uma política estatal. “A produção de alimentos no Brasil está completamente abandonada”, avalia Maffort.   

“Não tem programa melhor para enfrentar a fome do que o PAA [Programa de Aquisição de Alimentos], porque o governo compra a preço justo o alimento do agricultor e o direciona para quem está ligado a entidades sociais, nas periferias, quem está precisando de comida. No governo Bolsonaro o seu orçamento foi reduzido”, explica a dirigente do MST. 

“Também o PNAE [Programa Nacional de Alimentação Escolar], a lei obriga os municípios a destinarem 30% do investimento em alimentos da agricultura familiar, camponesa, indígena”, diz Kelli, “mas o governo federal faz de tudo para desidratar essa política e a obrigatoriedade. Há verdadeiras máfias por trás das merendas”. 

Sílvio Isoppo argumenta que a redução das áreas de plantio de banana, batata, cebola e tomate na última década não se explica só pelo avanço da soja, mas por uma falta de estímulo estatal – como um consistente seguro agrícola em caso de perdas – que, em sua visão, vem desde 2005. 

“De lá para cá, o crédito para o agronegócio cresce sistematicamente, assim como o volume de recursos aplicados pelo tesouro para fazer a equalização de juros”, diz Isoppo, ex-diretor da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). 

Na lista de exemplos da opção política do governo em fomentar o modelo do agronegócio em detrimento da produção de alimentos saudáveis, Sílvio cita a alíquota zero para exportação; o desmantelamento das normas e fiscalizações ambientais que tem feito avançar o fogo, o desmatamento e a grilagem de terras; e a liberação de 1.529 novos agrotóxicos durante o governo Bolsonaro.  

O professor também menciona a Lei Assis Carvalho (14.274/2021), que prevê um auxílio financeiro para agricultores familiares prejudicados pela pandemia de covid-19. “Até agora o governo não aportou nem um centavo”, critica.  

O que isso tem a ver com a inflação 


Um dos resultados imediatos da alta inflação é o aumento no custo médio da cesta básica / Foto: Annelize Tozetto

alta no preço dos alimentos, que vem esvaziando o carrinho de supermercado de boa parte da população brasileira, se explica por uma combinação de fatores – que não são apenas, como vem bradando Jair Bolsonaro (PL), decorrentes da guerra na Ucrânia e da pandemia. A hegemonia do agronegócio é um deles.  

Engenheiro agrônomo especializado em economia rural e engenharia de produção, Leonardo Melgarejo estabelece conexões entre o destino do que é produzido no Brasil, a desvalorização da moeda, a escassez de alimentos, a fome e a alta de preços no mercado interno.  

“A terra é escassa. Se vier a ser utilizada com um tipo de lavoura, as outras opções serão descartadas. A redução na oferta de produtos como feijão, arroz e mandioca faz com que seus preços aumentem”, apresenta Melgarejo.  

“O real se desvalorizando em relação ao dólar faz com que as exportações de soja e minérios sejam mais rentáveis e atraentes. Isso aumenta a busca por novas áreas de plantio e de mineração. Resulta no que estamos vendo”, constata Leonardo, que faz parte da coordenação do Fórum Gaúcho de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos.  

“Questão agrária e ambiental estão intrinsecamente ligadas”   

Enquanto isso, no primeiro semestre de 2022, as queimadas no Pantanal, na Amazônia e no Cerrado não só continuaram, como já superam as de 2021. Conforme dados do Instituo Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), só no Pantanal os focos de incêndio cresceram 18,2% em relação ao ano passado. No Cerrado, subiram 20%.   

dossiê Agro é Fogo, lançado no fim do ano passado por uma rede de cerca de 30 movimentos e pastorais sociais, traz evidências de que boa parte dos grandes incêndios recentes no Brasil foram provocados por ações humanas e beneficiaram o agronegócio.  

Imagens de satélite e cruzamento de dados como focos de calor e mapeamento de áreas atingidas mostram que, em 2020, o fogo no Mato Grosso começou em cinco fazendas de gado e, no Mato Grosso do Sul, em outros quatro latifúndios. 

Para Diana Aguiar, pesquisadora da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), o desmatamento e a grilagem de terras tem conexão intrínseca.  

“Como sabemos, grilagem é um tipo de roubo de terras que do ponto de vista jurídico são públicas, as chamadas terras devolutas. Essas terras, em sua imensa maioria, ainda não foram regularmente destinadas para os regimes fundiários prioritários, que seriam, a titulação de territórios tradicionais, os assentamentos de reforma agrária e a regularização de pequenos agricultores posseiros ou a proteção ambiental”, explica Aguiar. 

“Grileiros se aproveitam da leniência e inação do Estado, invadem terras públicas, desmatam e fraudam os registros de propriedade”, expõe Diana.  

“É nessas terras – com frequência ocupadas por povos tradicionais, com a vegetação nativa e ricas em biodiversidade – onde se dá a maior parte dos conflitos no campo, em razão da pressão da expansão da fronteira agrícola para a produção de commodities”, resume. 

“Titular os territórios e fazer a reforma agrária é, ao mesmo tempo, uma questão de direitos dos povos do campo e também é o melhor caminho para conter o desmatamento”, defende Diana Aguiar.  

Em sua opinião, esse “problema estrutural mostra que a questão agrária e a questão ambiental estão intrinsecamente conectadas no Brasil”.


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Este texto foi originalmente publicado pelo jornal “Brasil de Fato”  [Aqui! ].

Preços mundiais de alimentos sobem em ritmo recorde em meio ao conflito Rússia-Ucrânia

bélgicaUma cliente escolhe óleo de cozinha no supermercado Colruyt em Bruxelas, Bélgica, 29 de março de 2022. Devido ao aumento dos altos preços da energia, os mercados da Bélgica testemunharam o aumento dos preços da gasolina, diesel, óleo de cozinha, farinha, etc. [Foto/Xinhua]

ROMA – Os preços mundiais das commodities alimentares deram um salto significativo em março para atingir seus níveis mais altos, à medida que o conflito entre a Rússia e a Ucrânia continua aumentando os custos de energia e causando desacelerações na cadeia de suprimentos.

O índice mensal de preços dos alimentos, divulgado sexta-feira pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), subiu 12,6%, atingindo 159,3 pontos em março, em comparação com uma linha de base de 100 pontos para a média de 2014-2016 (ajustada pela inflação).

Este é de longe o maior total da história do índice, que foi lançado em sua forma atual em 1990.

Todas as cinco subcategorias do índice subiram, com os preços de grãos e cereais – o maior componente do índice – subindo impressionantes 17,1%.

A FAO disse que o principal fator por trás desse aumento é que a Rússia e a Ucrânia são grandes produtores de trigo e grãos grossos, e os preços deles dispararam devido ao conflito.

Preocupações com as condições das colheitas nos Estados Unidos também foram um fator, disse a FAO. Os preços do arroz, por sua vez, ficaram praticamente inalterados em relação a fevereiro.

Enquanto isso, os preços dos óleos vegetais subiram 23,2% devido ao aumento dos custos de transporte e à redução das exportações, novamente devido ao conflito Rússia-Ucrânia.

Os outros subíndices foram todos mais altos, mas subiram menos dramaticamente. Os preços dos lácteos foram 2,6% mais altos, os preços da carne subiram 4,8% e os preços do açúcar 6,7%. O conflito e questões relacionadas também foram fatores por trás desses aumentos de preços, disse a FAO.

O Índice de Preços de Alimentos da FAO é baseado nos preços mundiais de 23 categorias de produtos alimentícios, abrangendo os preços de 73 produtos diferentes em comparação com um ano de referência.


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Este texto foi escrito inicialmente em inglês e publicado pelo jornal “China Daily” [Aqui!].

O longo braço do colonialismo digital do Facebook na Índia não deixa nem a comida de fora

Controle total: como o Facebook está impulsionando a monopolização do fornecimento de alimentos na Índia

india cartõesProtesto contra o poder corporativo: agricultores queimam cartões SIM Reliance Jio em Amritsar (30/09/2020)

Por Satyajeet Malik para o JungeWelt

Um estudo do grupo de jornalistas indianos The Reporters’ Collective, publicado em meados de março, está causando um rebuliço no país. De acordo com o relatório, o Facebook, a rede social de propriedade da empresa norte-americana Meta, cobra menos dinheiro para anúncios do partido nacionalista hindu Bharatiya Janati (BJP) do primeiro-ministro Narendra Modi do que de outros partidos políticos. Esses anúncios foram veiculados no Facebook por uma startup de tecnologia de propriedade da Reliance Industries (RI), como a Al-Jazeerarelatado. A RI é a maior empresa privada da Índia com monopólios no varejo, telecomunicações e petroquímica. No entanto, os relatórios são apenas uma pequena indicação da complexa colaboração entre o Facebook e a Reliance, que é um bom exemplo de “colonialismo digital”.

E o Facebook conquista a Índia

A Índia é o maior e possivelmente o mais importante mercado para o Facebook. Dos cerca de 1,4 bilhão de habitantes do país, cerca de 1,15 bilhão utilizam os serviços do Facebook, WhatsApp e Instagram, que também pertencem ao Meta. A Índia também é uma das maiores áreas de teste para novos produtos e recursos.

O Facebook há muito tenta ganhar uma posição mais forte no país, mas encontrou obstáculos. Ele falhou em 2016 com o lançamento de seu aplicativo Free Basics, que oferece acesso gratuito, mas limitado à internet. Várias organizações protestaram, acusando a Free Basics de monopolizar a Internet. O Whats-App queria lançar um aplicativo para pagamentos móveis (Whats-App Pay), mas encontrou vários obstáculos legais relacionados à privacidade. O serviço de mensagens também tentou atuar como um provedor de empréstimos para pequenas empresas. As coisas não estavam indo bem para o Facebook até conhecer a Reliance Industries.

Entre outras coisas, a empresa é proprietária da Reliance Jio, a maior provedora de telecomunicações da Índia, com quase 428 milhões de usuários. Também é proprietária da Reliance Jio Fibre, a segunda maior provedora de banda larga com 3,71 milhões de clientes. O RI também é o maior player no varejo, onde a mercearia online Reliance Jio Mart domina o mercado de US$ 900 bilhões. O RI também está a caminho de se tornar o maior comprador de produtos agrícolas e lançou o aplicativo Jio Krishi – uma plataforma para comprar diretamente dos agricultores. As duas plataformas – Jio Krishi e Jio Mart – estão conectadas.

A situação do Facebook na Índia mudou quando a empresa adquiriu uma participação de 9,9% na Reliance Jio por US$ 5,7 bilhões em 2020. Desde então, o Facebook recebeu permissão para adotar totalmente o WhatsApp Pay. O sistema de pagamento também integrou a plataforma de mercearias Reliance Jio Mart, o que significa que os pagamentos podem ser feitos ao Jio Mart sem sair do Whats-App. Além disso, estão agora a ser concedidos empréstimos a pequenas empresas até ao equivalente a 11.800 euros, que podem ser aprovados em dez minutos.

O poder de precificação

No entanto, o acordo Reliance-Facebook é muito mais do que apenas a entrada da empresa norte-americana no segmento de pagamentos móveis e empréstimos para pequenas empresas da Índia. Trata-se de um »controle de 360 ​​graus« sobre toda a cadeia de abastecimento alimentar.

Como já mencionado, o aplicativo Jio Krishi está conectado ao Jio Mart, que por sua vez está conectado ao Whats-App Pay. O aplicativo Jio Krishi não é apenas uma plataforma para compra de produtos agrícolas, mas também um serviço de análise de dados. Usando dados sobre terras agrícolas, o aplicativo informa os agricultores sobre o momento certo para semear, irrigar e fertilizar suas plantações. Estes Reliance mais tarde comprariam do fazendeiro. A integração do Jio Krishi com o Jio Mart e o Whats-App Pay forneceria à Reliance e ao Facebook informações completas sobre o que está sendo produzido, quais insumos são necessários para a produção e qual é a situação financeira do agricultor.

Para cada transação feita através do Whats-App Pay, o Whats-App obteria informações financeiras valiosas de seus usuários, que podem ser compartilhadas com o Facebook. O Facebook pode vender esses dados do usuário para terceiros, o que ajuda a empresa a gerar grandes receitas. Além disso, o acesso aos dados financeiros dos agricultores permitiria que o WhatsApp emitisse empréstimos com altas taxas de juros.

Um monopólio sobre o setor alimentar, o mercado retalhista e a distribuição retalhista ajudaria a Reliance a fixar os preços em toda a cadeia de abastecimento alimentar. Essa parceria coloca a Reliance e o Facebook em posição de usar seu poder de empréstimo e monopólio geral para sujeitar concorrentes, fornecedores e compradores ao poder de precificação da Reliance. “É um controle de 360 ​​graus”, comentou Parminder Jeet Singh, diretor executivo da organização de direitos humanos “IT for Change”, à revista norte-americana Washington Monthly em junho de 2021.

Trabalhar com a Reliance permitiria ao Facebook alavancar o amplo alcance da empresa nos mercados indianos e extrair dados. Por outro lado, a Reliance tem a oportunidade de trabalhar com os recursos de análise de dados do Facebook. Juntos, eles monopolizariam grande parte do mercado indiano, de sistemas de pagamento móvel ao varejo, de informações do usuário a decisões sobre o que os agricultores produzem, compram e vendem e, potencialmente, toda a cadeia de fornecimento de alimentos.


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Este texto foi originalmente escrito em alemão e publicado pelo jornal “JungeWelt” [Aqui!].

Certificadora “Red Tractor” não regulamenta uso de agrotóxicos que chegam nos supermercados do Reino Unido

Pesquisa considera o esquema de garantia agrícola e alimentar ineficaz para ajudar os agricultores a reduzir o uso de produtos químicos nocivos

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Um pulverizador químico em ação. Estudos recentes revelaram declínios globais alarmantes nas populações de insetos devido em parte ao uso de agrotóxicos. Fotografia: geogphotos/Alamy

Por Helena Horton para o “The Guardian”

O esquema Red Tractor, usado para marcar alimentos produzidos com “alto padrão”, não está regulamentando o uso de agrotóxicos nas fazendas, segundo um relatório.

Como o maior esquema de garantia agrícola e alimentar do Reino Unido, que certifica cerca de 50.000 agricultores, a Red Tractor é confiável para manter os padrões ambientais. Os produtos são vendidos em todos os principais supermercados do Reino Unido. 

O esquema Red Tractor certifica cerca de 50.000 agricultores.O esquema Red Tractor certifica cerca de 50.000 agricultores. Fotografia:  Red Tractor

No entanto, a maioria dos agricultores entrevistados pela Nature Friendly Farming Network disse que o esquema não os ajudou a reduzir os pesticidas.

No geral, os agricultores sentiram que a Red Tractor estava falhando em ajudá-los a considerar seu manejo de pesticidas de maneira significativa e era ineficaz em ajudá-los a reduzir o uso de pesticidas. Apenas cinco dos 24 entrevistados da pesquisa disseram que foram incentivados pela Red Tractor a revisar seu gerenciamento de pesticidas.

Martin Lines, coautor do relatório e presidente da Nature Friendly Farming Network, disse: “Nossas entrevistas com agricultores certificados pela Red Tractor revelaram que os padrões são pouco encorajadores – e muito menos apoiam – os agricultores a reduzir o uso de pesticidas.

“Há muitos agricultores do Reino Unido trabalhando duro para mudar para o uso de alternativas não químicas e é hora da Red Tractor, como nosso maior esquema de garantia de fazendas e alimentos, se tornar um ator fundamental na condução da transição para sistemas agrícolas mais sustentáveis. Os agricultores querem – e precisam – do seu apoio para trabalhar com a natureza em vez de contra ela.”

O relatório também apontou que a Red Tractor não tinha metas para reduzir o uso desses produtos químicos nocivos. Estudos recentes revelaram declínios globais alarmantes nas populações de insetos , com mais de 40% das espécies de insetos em declínio e um terço em perigo. Juntamente com a perda de habitat, os agrotóxicos foram identificados como um dos principais fatores que impulsionam esses declínios. No Reino Unido, as borboletas diminuíram 50% desde 1976 e 13 espécies de abelhas foram extintas.

Talvez como resultado do declínio dos insetos, mais acima na cadeia alimentar as aves agrícolas caíram 54% desde 1970 e o número de ouriços caiu até 50% nas áreas rurais desde 2002.

Além disso, os pesticidas que representam maiores riscos à saúde humana e ao meio ambiente, conhecidos pela ONU como “agrotóxicos altamente perigosos”, não estão sendo eliminados pelo esquema. Os padrões da Red Tractor não incluem quaisquer restrições adicionais sobre quais pesticidas os agricultores podem usar.

Josie Cohen, chefe de políticas e campanhas da Pesticide Action Network UK, disse: “Se quisermos ter alguma esperança de resolver a crise da biodiversidade, devemos nos afastar de nossa dependência de pesticidas. Mas os padrões da Red Tractor continuam a priorizar o uso de produtos químicos, sem colocar limites em quanto ou onde eles podem ser usados. Ao contrário de muitos supermercados do Reino Unido, a Red Tractor permite que seus agricultores usem qualquer agrotóxico legal, independentemente das preocupações com os impactos à saúde humana ou ao meio ambiente.”

A Red Tractor respondeu que o setor como um todo precisava mudar sua atitude em relação aos agrotóxicos, caso contrário, um grande número de agricultores seria deixado para trás e excluído dos esquemas de padrões. Acrescentou que o novo relatório “faz algumas sugestões construtivas sobre como o conteúdo da Red Tractor pode evoluir para enfrentar esses desafios e congratulamo-nos com esta contribuição para o debate”.


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Este texto foi escrito originalmente em inglês e publicado pelo jornal “The Guardian” [Aqui!].

Produtos químicos eternamente tóxicos contaminam o ar de interiores em níveis preocupantes, segundo estudo

Alimentos e água foram considerados as principais formas pelas quais os humanos são expostos ao PFAS, mas o estudo aponta para o risco de respirá-los

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Os especialistas acreditam que os produtos tratados com PFAS, como carpetes, são a fonte dos compostos de PFAS transportados pelo ar. Fotografia: Alamy Stock Photo

Por Tom Perkins para  o “The Guardian”

Compostos tóxicos de PFAS estão contaminando o ar dentro de casas, salas de aula e lojas em níveis alarmantes, descobriu um novo estudo.

Pesquisadores da Universidade de Rhode Island e do Green Science Policy Institute testaram o ar interno em 20 locais e detectaram os “produtos químicos eternos” em 17 locais. Acredita-se que os compostos transportados pelo ar se desprendam de produtos tratados com PFAS (substâncias per e polifluoroalquil), como carpetes e roupas, e se fixem na poeira ou flutuem livremente no ambiente interno.

Os especialistas consideravam anteriormente que comida e água eram as duas principais rotas pelas quais os humanos são expostos ao PFAS, mas os autores do estudo observaram que muitos humanos passam cerca de 90% de seu tempo dentro de casa, e as descobertas sugerem que respirar os produtos químicos provavelmente representa um terço rota de exposição significativa.

“É uma fonte subestimada e potencialmente importante de exposição ao PFAS”, disse Tom Bruton, coautor e cientista sênior da Green Science.

Ling Ling e Tom Perkins.Eu testei minha água da torneira, meus produtos domésticos e meu gato quanto a ‘produtos químicos para sempre’ tóxicos. 

PFAS são uma classe de cerca de 9.000 compostos usados ​​para tornar os produtos resistentes à água, manchas ou calor. Por serem tão eficazes, os produtos químicos são usados ​​em dezenas de indústrias e em milhares de produtos de consumo diário, como protetores contra manchas, carpetes e sapatos. Os fabricantes de tecidos os usam para produzir roupas à prova d’água e são usados ​​em ceras para pisos, utensílios de cozinha antiaderentes, embalagens de alimentos, cosméticos, espuma de combate a incêndios e muito mais.

PFAS são apelidados de “produtos químicos para sempre” porque eles não se decompõem naturalmente. Eles se acumulam em animais, incluindo humanos, e estão ligados ao câncer, defeitos congênitos, doenças do fígado, doenças da tireóide, diminuição da imunidade, distúrbios hormonais e uma série de outros problemas graves de saúde.

Uma análise do Guardian de fevereiro de produtos domésticos encontrou flúor , um indicador de PFAS, presente em 15 itens. Os produtos químicos são tão amplamente usados ​​que é difícil dizer com precisão de onde vêm todos os PFAS transportados pelo ar, embora o novo estudo também tenha detectado sua presença em tapetes e roupas em alguns locais.

O estudo, publicado na terça-feira na Environmental Science & Technology , usou uma nova técnica de medição PFAS para verificar o ar. Ele encontrou níveis particularmente altos em várias salas de aula do jardim de infância e também verificou o estoque de uma loja de roupas ao ar livre, escritórios, várias salas de aula da universidade, laboratórios da universidade e um elevador.

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Um estudo de 2017 encontrou uma correlação entre altos níveis de PFAS no ar e no soro do sangue humano, e o novo estudo usou um modelo que descobriu que os alunos do jardim de infância provavelmente foram expostos a mais PFAS respirando-os do que ingerindo os compostos.

“Isso reforça que enquanto houver PFAS nos produtos que temos ao nosso redor em nossas casas e em nossas vidas, vai haver uma quantidade que vai acabar no ar, vai acabar em pó, e vamos acabar respirando ”, disse Bruton.

Também são notáveis ​​os tipos de PFAS que o estudo detectou. Entre os mais prevalentes estava o FTOH 6: 2, um composto usado em ceras para pisos, protetores contra manchas e embalagens de alimentos. A indústria alegou anteriormente que o FTOH 6: 2 era seguro, mas em maio o Guardian revelou que dois grandes produtores de PFAS ocultaram estudos que sugeriam que os compostos são altamente tóxicos em baixas doses em animais de laboratório e permanecem nos corpos dos animais por muito mais tempo do que antes conhecido anteriormente.

A ciência da indústria, agências federais e pesquisadores independentes agora liga 6: 2 FTOH a doenças renais, câncer, danos neurológicos, problemas de desenvolvimento, dentes manchados e doenças autoimunes, enquanto os pesquisadores também encontraram taxas de mortalidade mais altas entre animais jovens e mães humanas expostas aos produtos químicos .

O novo estudo também encontrou altos níveis de 8:2 FTOH, um tipo de composto que os principais fabricantes de PFAS nos EUA alegaram ter retirado de produção por ser muito perigoso. Sua presença sugere que nem todas as empresas o eliminaram ou que ele está em produtos feitos em países onde o produto químico não foi eliminado.

“Para mim, este é mais um motivo para fechar a torneira da produção e do uso do PFAS”, disse Bruton.

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Este texto foi escrito originalmente em inglês e publicado pelo jornal “The Guardian” [Aqui!  ].

CONTAG denuncia extinção do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e exigência de contrapartida em “programa substituto”

paa-16-10A Medida Provisória 1061/2021, encaminhada pelo governo federal ao Congresso Nacional no último dia 9, vai extinguir o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). É o que afirma a Contag em nota divulgada nesta sexta-feira (20). No comunicado, a Contag informa que está propondo emendas a parlamentares para alterar o texto da MP.

Após analisar com calma a Medida Provisória 1061/2021, que institui o Programa Auxílio Brasil e o Programa Alimenta Brasil, e propor emendas a parlamentares para alterar o seu conteúdo, a Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (CONTAG) vem denunciar a proposta.

Duas coisas iniciais são fundamentais: a primeira é que o governo apresentou uma MP que não tem clara a fonte de recursos nem a estimativa orçamentária e financeira, um argumento utilizado por ele, inclusive, para vetar quase todos os projetos aprovados pelo Congresso Nacional; a segunda é que não tem nenhum parâmetro claro sobre questões centrais como a linha de base para a definição de situação de pobreza e extrema pobreza, além dos valores para os demais programas, como o Auxílio de Inclusão Produtiva.

Estas e outras definições serão feitas somente posteriores à aprovação da referida MP, o que a CONTAG vê como um grande risco para os beneficiários e beneficiárias do Programa Bolsa Família e do PAA, atualmente, pois muitas pessoas que estão hoje poderão ficar de fora.

Com esta MP, o que está em jogo é a extinção do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), um dos principais programas de geração de renda no campo brasileiro, de formação de estoques e de fortalecimento da Agricultura Familiar. Outro retrocesso é a exigência de pagamento por parte dos(as) beneficiários(as) da ação “Inclusão Produtiva Rural” do Programa Auxílio Brasil e é omisso quanto às regras da entrega da contrapartida exigida.

Conforme o texto da MP, o programa visa beneficiar famílias que se enquadrem nas condições de pobreza extrema, ou pobreza, mas não traz os critérios de enquadramento no seu conteúdo. Ao mesmo tempo, faz duras exigências de contrapartidas a quem acessar a linha de Inclusão Produtiva Rural que se constitui como um benefício provisório: já no primeiro ano, após três meses, o pagamento do auxílio inclusão produtiva só será mantido mediante a efetivação da doação de alimentos para famílias em situação de vulnerabilidade social, em valor correspondente a 30% do valor anual do auxílio recebido. Ou seja, se a família mantém microestrutura para resolver a sua segurança alimentar e nutricional, enfrentará o maior sufoco para começar a pagar o auxílio no curtíssimo prazo, e criará um cenário de inadimplência por não atender a tal exigência, ampliando o endividamento e o consequente bloqueio ao acesso a outras políticas em decorrência da pandemia.

Diante de tais riscos para a agricultura familiar brasileira, que depende de políticas que realmente a incentive a produzir mais e com qualidade, inclusive estimulando a sua permanência no campo, a CONTAG afirma que é contrária a essa Medida Provisória, que já está dialogando com as bancadas para evitar mais um retrocesso para os agricultores e agricultoras familiares.

Somos contra qualquer tipo de contrapartida, principalmente envolvendo agricultores(as) familiares em situação de pobreza e extrema pobreza. Se o Congresso Nacional entender que há a necessidade de contrapartida, ao menos que seja uma única vez, num volume aceitável para quem está em situação de pobreza e que seja no final do ciclo de 36 meses. Também somos contra a extinção do PAA sem qualquer justificativa, sendo substituído por um programa sem vínculo institucional definido por esta MP e sem um valor claro por linha; bem como esta Medida deixa claro que boa parte do público da agricultura familiar estará excluída do programa e que também fica extinta a modalidade de aquisição de sementes.

Continuaremos na luta para evitar mais retrocessos para a agricultura familiar, setor estratégico para o país e responsável pela produção de alimentos saudáveis que chegam diariamente às nossas mesas.

Governos são cúmplices dos agrotóxicos e suas violações de direitos

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Nocivo para a saúde e o ambiente, os agrotóxicos são praticamente isentos de impostos

Por Redação RBA

São Paulo – Governos de países da América Latina são coniventes com a expansão do uso de agrotóxicos e com violações ao direito humano à alimentação e nutrição adequadas. Esta é a principal conclusão do informe regional 2020 Agrotóxicos na América Latina: violações contra o direito à alimentação e à nutrição adequadas, lançado esta semana pela FIAN Brasil. Essa conivência se deve, basicamente, “à fidelidade ao modelo agroalimentar, econômico e político destrutivo, de pilhagem, e à sua suspeita cumplicidade com os interesses corporativos e comerciais que estão por trás da promoção desses tóxicos”, diz trecho do documento.

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Uma fidelidade, aliás, que envolve benefícios e estímulos aos fabricantes de insumos agrícolas venenosos. É o que acontece no Brasil, que sob o governo de Jair Bolsonaro já liberou 1.172 agrotóxicosem 845 dias de mandato. Em média 1,39 agrotóxico liberado por dia.

Fabricantes de agrotóxicos

Além disso, historicamente os governos brasileiros dão subsídios tributários ao setor. Enquanto a população tem uma pesada carga tributária, pagando impostos diretos e indiretos, essas empresas têm redução de 60% da alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) – redução esta que pode chegar à isenção total. Além disso, os agrotóxicos têm isenção completa do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e de contribuições como o PIS/Pasep.

“As mudanças nos regulamentos e na arquitetura institucional de nossos Estados, que foram adotadas para favorecer o aumento da demanda e o uso de agrotóxicos, são contrárias aos princípios dos direitos humanos. A falta de vontade política para reverter essas mudanças aumenta as violações de direitos e faz crescer o poder de influência e captura corporativa das empresas multinacionais e de outros atores políticos e econômicos que lucram com os agrotóxicos”, diz outro trecho do documento.

Engrenagem do agronegócio

Os agrotóxicos são engrenagens na máquina do agronegócio baseado no monocultivo em latifúndios que plantam basicamente soja, milho e algodão. Além de que essas substâncias contaminam os solos e as águas, causando intoxicações e doenças graves e letais, o latifúndio está associado à violência no campo.

É a disputa por terras que faz vítimas entre assentados, pequenos proprietários, povos indígenas e outras populações tradicionais. E que também avança sobre florestas, colocando em risco a manutenção da biodiversidade. E tudo isso sem produzir comida de verdade para a população.

A notícia boa, segundo o informe, é que no continente crescem as ações de resistência contra os agrotóxicos e o modelo que os sustenta. Uma luta que precisa de outros atores e de mais visibilidade. Até porque, reforça o texto, os danos e impactos decorrentes do uso de agrotóxicos não se limitam à nossa espécie, à nossa geração e nosso território.

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Este texto foi originalmente publicado pela Rede Brasil Atual [Aqui!].

Antibióticos e os alimentos que comemos

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Por Roberto Kolter para o blog “Small Things Considered”

Quando se trata dos animais que os humanos criam para comer, uma rápida olhada em seus números mostra-se preocupante. Em todo o mundo, existem cerca de 650 milhões de porcos, 1 bilhão de cabeças de gado e 26 bilhões de galinhas. Esses números não podem ser alcançados por práticas tradicionais de criação de animais que usam extensas áreas de superfície. Em vez disso, a maioria desses animais é cultivada em densidades populacionais muito altas, o que é denominado produção intensiva. Além do fato de que a maioria desses animais acabará como comida, há mais uma coisa que eles têm em comum. A única maneira de tal criação intensiva de animais ser possível é através do uso de antibióticos. Não é surpresa que cerca de 70% da produção total mundial de antibióticos seja usada na pecuária e na agricultura. Isso é aproximadamente 70 bilhões de gramas dos 100 bilhões de gramas estimados (ou seja, 100.000 toneladas) de antibióticos produzidos anualmente em todo o mundo.

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Figura 1. Produção intensiva de frangos. Fonte

Existem três maneiras pelas quais os antibióticos ajudam na criação intensiva de animais: terapeuticamente, profilaticamente e como promotores de crescimento. Usar um antibiótico para tratar um indivíduo doente faz sentido. Mas, uma vez que tantos animais ficariam doentes nas condições de crescimento usadas, há um uso profilático generalizado para evitar que eles se infectem. E, por último, há o uso de doses subterapêuticas de antibióticos para promover o crescimento animal. Este último uso é particularmente problemático em termos de disseminação da resistência, de modo que a prática está agora sob vigilância em muitos países com vários graus de sucesso. O problema é que é difícil traçar o limite entre a profilaxia e a promoção do crescimento. Como consequência, o uso mundial de antibióticos na criação de animais continua a aumentar, apesar dos esforços e da legislação promissora. Como a maioria dos antibióticos fornecidos aos animais não são absorvidos e são degradados lentamente, a maioria deles acaba no solo e nos efluentes. Hoje, é difícil encontrar ambientes puros que não contenham antibióticos produzidos industrialmente. Além dos problemas óbvios relacionados à disseminação da resistência, o uso massivo de antibióticos está ajudando a alimentar o aumento de muitas das “doenças da modernidade”, por exemplo, obesidade, asma, alergias, diabetes e certas formas de câncer, como foi convincentemente argumentado por Martin Blaser em Micróbios ausentes . Como entramos nessa bagunça? Um breve exame da história do desenvolvimento e uso de antibióticos fornece uma resposta a essa pergunta.

Demorou mais de uma dúzia de anos desde a descoberta da penicilina por Fleming em 1928 até o primeiro uso clínico bem-sucedido da penicilina no início dos anos 1940. O tempo todo, apenas pequenas quantidades do antibiótico puderam ser obtidas. Em 1942, quando 0,3 grama salvou a vida de Anne Miller, apenas alguns gramas estavam disponíveis em todo o mundo. Mas o mundo mudou dramaticamente nos anos que se seguiram, desde a devastação econômica da Grande Depressão até o horror generalizado da Segunda Guerra Mundial. Como foi o caso em todas as guerras anteriores, mais soldados morreram de infecções durante aquela guerra do que qualquer outra coisa. Uma vez que o notável poder curativo da penicilina foi reconhecido, a ideia de que as infecções de feridas não precisavam mais ceifar tantas vidas se consolidou e justificou o aumento maciço da produção da “droga milagrosa da guerra”. A mentalidade de guerra colocou de lado quaisquer considerações ecológicas e a economia de guerra permitiu uma enorme infusão de fundos para alcançar a expansão. De alguns gramas em 1942, a produção disparou para 4.000 kg por mês no final da guerra. Nesse processo, a indústria farmacêutica se tornou um grande negócio. Com essa grande capacidade de produção, crescia a necessidade de novos mercados de massa, além do tratamento de infecções. O acaso teria um grande papel na descoberta de um novo mercado para os antibióticos. além do tratamento de infecções. O acaso teria um grande papel na descoberta de um novo mercado para os antibióticos. além do tratamento de infecções. O acaso teria um grande papel na descoberta de um novo mercado para os antibióticos.

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Figura 2. Propaganda da penicilina durante a Segunda Guerra Mundial. Fonte A , Fonte B

Após a descoberta da estreptomicina por Albert Schatz e Selman Waksman em 1943, uma infinidade de empresas farmacêuticas começou a descobrir novos antibióticos a partir de bactérias do solo. Cientistas do Lederle Laboratories of American Cyanamid descobriram uma vez essa bactéria, que formou colônias douradas e produziu um antibiótico dourado. Eles o chamaram de Streptomyces aureofaciens(o fabricante de ouro), aludindo à esperança de que isso possa trazer ouro de verdade para a empresa. O antibiótico, a primeira das tetraciclinas descobertas, foi batizado de aureomicina. Ao mesmo tempo, em Lederle, Thomas Jukes e Robert Stokstad estavam envolvidos em tentativas de encontrar uma cura para a anemia perniciosa (agora conhecida por ser causada por uma deficiência de vitamina B12). Eles desenvolveram um sistema de modelo animal para a doença usando galinhas recém-nascidas e mantendo-as em uma dieta de fome. Essas galinhas poderiam ser resgatadas por extratos de fígado e a atividade de resgate foi mais tarde demonstrada ser devida à vitamina B12. Em busca de fontes de atividades semelhantes, eles também alimentaram as galinhas com os resíduos que sobraram fermentações de S. aureofacien.  No dia de Natal de 1948, como seu técnico estava em casa para o feriado, Jukes entrou para ver como estavam suas galinhas. As sobras da fermentação de S. aureofaciens resgataram as galinhas da morte certa. O mais impressionante é que essas galinhas eram muito maiores e mais gordas do que o grupo de controle. Logo depois disso, Jukes mostrou que a promoção do crescimento se devia às pequenas quantidades de aureomicina na ração. Assim, por acaso nasceu a prática de usar doses subclínicas de antibióticos para promover o crescimento animal.

Em 9 de abril de 1950, os cientistas do laboratório Lederle anunciaram seus resultados na reunião anual da American Chemical Society. Aqui estão algumas das declarações do artigo do New York Times cobrindo o anúncio, intitulado ‘Droga Maravilha’ Aureomicina encontrada para estimular o crescimento de 50%.

“Acredita-se que a descoberta do novo papel da aureomicina, descrita no anúncio como ‘espetacular’, tem um enorme significado de longo prazo para a sobrevivência da raça humana em um mundo de recursos cada vez menores e populações em expansão.”

“Cinco libras de um produto não purificado, vendido a 30 a 40 centavos de dólar a libra, quando adicionado a uma tonelada de ração animal, afirma o relatório, ‘aumentou a taxa de crescimento dos suínos em até 50 por cento.’ Resultados semelhantes foram obtidos em galinhas e perus. “

“Investigações clínicas em humanos, para verificar a possibilidade de que os poderes nutricionais até então insuspeitados da aureomicina também possam ajudar no crescimento de crianças desnutridas e subdimensionadas, além de estender o suprimento mundial de carne e diminuir seu custo, estão em andamento, afirma o relatório. . “

E, finalmente, “Nenhum efeito colateral indesejável foi observado.”

A corrida para produzir mais proteína animal e mais barata acabava de receber um grande impulso, que levaria os humanos a um consumo cada vez maior. Isso estava de acordo com a mentalidade da época, com pouca ou nenhuma consideração pelas possíveis consequências ecológicas. Avance até os dias de hoje e parece não haver fim à vista para o aumento contínuo na tonelagem de antibióticos produzidos e usados ​​anualmente, apesar de tantas tentativas mundiais de desacelerar as coisas.

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Figura 3. Manchete da primeira página do New Times anunciando aureomicina como um promotor de crescimento animal. Fonte

Apesar da perspectiva sombria, acho que há motivos para nos sentirmos pelo menos um pouco otimistas em relação ao futuro. A mentalidade do mundo mudou drasticamente para incluir as implicações ecológicas das práticas de produção de alimentos. Para muitas pessoas, a mudança climática está agora na frente e no centro como uma questão chave. Eles estão, portanto, se tornando cada vez mais cientes dos custos ocultos (o que os economistas chamam de ‘ externalidades negativas) dos alimentos que consomem. Mesmo assim, a demanda por proteína animal barata continua crescendo e os produtores, para se manterem competitivos, devem manter o fornecimento por meio de práticas intensivas. A solução, ao que parece, não será apenas por meio de medidas legislativas. Não, as fontes que fornecem proteína barata que os consumidores desejam consumir precisam ser substituídas de animais por vegetais e fungos. E é aí que vejo motivos para estar otimista. Começando com a Impossible Foods de Pat Brown e continuando com um grande número de novas empresas, há uma clara mudança em direção à produção de fontes alternativas de proteína muito saborosas que podem algum dia reduzir a carga no planeta atualmente causada pela produção intensiva de proteína animal. Uma vez que os micróbios, sem dúvida, estarão envolvidos, espero estar falando sobre o progresso nessa área em um futuro próximo.

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Este texto foi escrito originalmente em inglês e publicado pelo blog “Small Things Considered” [Aqui!].

Brasil é um dos cinco países em que os preços dos alimentos está causando preocupação

Um fornecimento seguro de nutrição acessível está emergindo novamente como um risco para governos e economias. Tiramos uma foto dos principais países

World food prices hit 18-month high | Dhaka Tribune

Por  Agnieszka de Sousa e  Jeremy Diamond para a Bloomberg

O mundo está correndo para vacinar para sair da pandemia do coronavírus, mas outro desafio já surgiu para alguns governos e economias mais vulneráveis.  Os preços globais dos alimentos estão nos mais altos em mais de seis anos , impulsionados por um salto no custo de tudo, da soja ao óleo de palma, devido à demanda da China, cadeias de abastecimento vulneráveis ​​e clima adverso.

Alguns bancos alertam que o mundo está caminhando para um “ superciclo” de commodities . A inflação está pressionando novamente os consumidores que sofrem com a recessão induzida pela pandemia e – em alguns lugares – com a queda das moedas.

Custos de Surgimento

A inflação de alimentos está afetando as nações de forma desigual.

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Desde o início do ano, protestos ocorreram no Sudão, enquanto a ansiedade em relação à obtenção de alimentos contribuiu para os conflitos no Líbano e na Tunísia, marco zero para os levantes da Primavera Árabe há uma década. Na Índia, os agricultores se revoltaram contra os esforços para baixar os preços. Rússia e Argentina restringiram os embarques de safras para suprimir os preços internos. Até mesmo países ricos como os Emirados Árabes Unidos estão considerando possíveis limites de preço para alguns alimentos.

“Esses aumentos de preços são desestabilizadores, não apenas porque induzem muitas dificuldades às comunidades e famílias, mas também porque há essa expectativa de que o governo fará algo a respeito”, disse Cullen Hendrix , bolsista sênior não residente do Peterson Institute for International Economics, um think tank com sede em Washington. “As implicações vão durar mais tempo e além da pandemia.”

Como sempre, o impacto é desproporcional. Nos países ocidentais ricos, pode ser apenas um caso de troca de marca de produto. Nas nações mais pobres, pode significar a diferença entre mandar uma criança para a escola ou sair para ganhar dinheiro.

No entanto, é nos maiores países de renda média que os efeitos podem repercutir mais no mundo. Eles são alguns dos lugares mais populosos do planeta e onde os custos dos alimentos representam uma parcela maior das cestas de preços ao consumidor. São também onde os governos estão sob maior pressão para agir.

Brasil: pressão populista

A maior economia da América Latina se destaca entre os mercados emergentes por ter o aumento mais rápido nos preços dos alimentos no ano passado em relação à inflação geral devido ao declínio sustentado da moeda, de acordo com Oxford Economics Ltd. 

Enquanto isso, a popularidade do presidente Jair Bolsonaro está caindo para níveis quase recordes e ele está tentando encontrar novas maneiras de apaziguar o eleitorado. Em 19 de fevereiro, ele destituiu abruptamente o chefe da estatal petrolífera após uma discussão sobre os preços dos combustíveis. Ele também tem pressionado por uma nova rodada de ajuda ao coronavírus para os pobres, depois que a distribuição de dinheiro terminou em dezembro.

Risco de agitação

Potencial dos países para se recuperar da Covid19 vs. risco de mobilização social.

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O problema é que o dinheiro serviu para elevar os preços dos alimentos, segundo Maria Andreia Lameiras , pesquisadora do Instituto de Pesquisas Econômicas (Ipea). O arroz cresceu 76% no ano passado, enquanto o leite e a carne bovina subiram mais de 20%. “O governo distribuiu dinheiro para a população com maiores gastos com alimentação”, disse Lameiras.

O custo de garantir uma nutrição vital ameaça aumentar a desigualdade em um país com a maior lacuna de renda da região, uma situação que só foi exacerbada pela pandemia. Mesmo que a ajuda retorne, o pagamento mensal seria menor e atingiria menos pessoas, limitando seu alcance para mitigar a pobreza extrema.

Rússia: Lição de História

Memórias de preços em alta e prateleiras vazias após o colapso da União Soviética ainda são vivas para muitos russos. Com sua popularidade mal tendo voltado do ponto mais baixo e protestos exigindo a libertação do líder da oposição preso Alexei Navalny, o presidente Vladimir Putin está desconfiado do impacto político dos custos dos alimentos.

Nas últimas semanas, o maior exportador de trigo do mundo impôs tarifas e cotas destinadas a conter as vendas no exterior e baixar os preços domésticos. Os maiores varejistas da Rússia também foram obrigados a congelar alguns preços dos alimentos, com batatas e cenouras aumentando em mais de um terço em relação ao ano passado.

Mas esses limites podem sair pela culatra e acabar alimentando a inflação geral. A Câmara de Auditoria, órgão fiscalizador do governo, estimou em janeiro que os preços gerais dos alimentos vão subir quando as restrições forem suspensas no final de março.

Mulher soviética em uma mercearia vaziaAs memórias das prateleiras vazias após o colapso da União Soviética ainda são vivas para muitos russos. Fotógrafo: Shepard Sherbell / Corbis SABA / Corbis / Getty Images

“A Rússia pode ver alguma mobilização política real em torno dos preços dos alimentos”, disse Hendrix. “Os governos autoritários tendem a ser um pouco mais permissivos com esses tipos de protestos de“ problema da mesa da cozinha ”do que com campanhas mais gerais contra a corrupção e o governo autoritário. Embora, como a Primavera Árabe demonstrou, o primeiro pode se tornar o último – às vezes muito rapidamente. ”

Nigéria: tempestade perfeita

Os preços dos alimentos na maior economia da África representam mais da metade do índice de inflação do país e subiram pelo ritmo mais rápido em mais de 12 anos em janeiro. Uma família nigeriana média gasta mais de 50% de seu orçamento com alimentos. Os custos estão se somando a uma tempestade perfeita de desafios à segurança alimentar que tem assombrado a Nigéria durante a pandemia.

Mercados de alimentos como pandemia expõem a insegurança alimentar da Nigéria

Os comerciantes descarregam sacos de laranjas de um caminhão de entrega no Orange Market em Mararaba, Nigéria. Fotógrafo: KC Nwakalor / Bloomberg

As reservas de moeda estrangeira necessárias para importar bens secaram após uma queda nos preços do petróleo. Gargalos de oferta e ataques aos agricultores  também pesaram sobre a oferta de produtos agrícolas. Também houve escassez de alimentos básicos, como arroz, depois que as autoridades restringiram as importações e fecharam as fronteiras terrestres por 16 meses. Eles reabriram em dezembro, mas isso fez pouco para aliviar a inflação.

Queixas relacionadas à comida desempenharam um papel na sustentação dos protestos #EndSARS no outono. O que primeiro começou como manifestações contra a brutalidade policial sob o presidente Muhammadu Buhari se transformou em pilhagem de armazéns que armazenavam coisas como macarrão, arroz e macarrão.

Turquia: Líder Irritado

Como o maior consumidor per capita de pão do mundo e seu maior exportador de farinha, a Turquia está particularmente exposta a uma alta nos mercados de commodities. Os preços dos alimentos subiram 18% em janeiro em relação ao ano anterior, com grandes saltos nos produtos básicos, dos grãos aos vegetais.

A Turquia vem lutando contra uma inflação de alimentos de dois dígitos há anos, mas as implicações políticas para o presidente Recep Tayyip Erdogan estão aumentando à medida que os custos dos alimentos atingem sua base de apoio central junto com a queda no valor da lira.

Economia turca enquanto a inflação pressiona o banco central a apertar a política

Os preços dos alimentos na Turquia subiram 18% em janeiro em relação ao ano anterior. Fotógrafo: Nicole Tung / Bloomberg

Erdogan ordenou uma investigação sobre o aumento dos preços dos alimentos. Ele disse que óleo, leguminosas, vegetais e frutas eram a “principal preocupação”. O Ministério do Comércio pode impor multas às empresas que vendem produtos alimentícios a preços elevados, alertou o presidente em janeiro. O problema é que as ameaças do governo e as penalidades financeiras em 2019 mal moveram a agulha.

Índia: ato de equilíbrio

Lar das terras mais aráveis ​​depois dos Estados Unidos, a Índia é o maior exportador mundial de arroz e o segundo maior produtor de trigo. Ao mesmo tempo, milhões de pessoas não têm acesso a alimentos acessíveis e o país tem algumas das taxas mais altas de desnutrição infantil.

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Embora os custos dos alimentos básicos tenham subido mais lentamente nas últimas semanas, os alimentos continuam no centro das tensões políticas que têm dominado a Índia. Os protestos de agricultores aumentaram devido a uma ação do governo do primeiro-ministro Narendra Modi de liberalizar o mercado de safras. Os produtores estão preocupados que a nova lei baixe os preços.

Modi está promovendo reformas que muitos acreditam que visam, em última instância, cortar a conta de subsídios aos alimentos da Índia , a maior do mundo. O governo disse em janeiro que estava se tornando “incontrolável” grande. Cortes nos subsídios aos alimentos e combustíveis muitas vezes se traduzem em inquietação e as projeções não parecem boas nos próximos dois anos, de acordo com a Verisk Maplecroft . 

– Com a ajuda de Samuel Dodge, Cagan Koc, Tope Alake, Irina Reznik, Sophia Chalmer, Marisa Wanzeller, Tatiana Freitas, Pratik Parija, Simon Kennedy e Max De Haldevang

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Este texto foi escrito originalmente em inglês e publicado pela agência Bloomberg [Aqui!].