Amazônia em chamas: fogo consome APA de Alter do Chão

alter do chão

Área de Proteção Ambiental de Alter do Chão, localizada em Santarém (PA), está sendo consumida por um gigantesco incêndio.

Apesar de ter saído das manchetes dos principais veículos da mídia corporativa brasileira, as queimadas continuam devastando boa parte da Amazônia brasileira, atingindo inclusive conhecidos redutos de turismo. 

O vídeo abaixo mostra as chamas que estão devastando o distrito paraense de Alter do Chão, município de Santarém, um dos principais pontos de turismo da Amazônia.

A situação é tão grave que o governo do Pará já solicitou o auxílio da chamada Força Nacional para tentar controlar o gigantesco incêndio que está ocorrendo em Alter do Chão.

alter do chão 2

O fato é que a Amazônia continua vivendo um período drástico de devastação, muito em parte como resultado do desmanche da precária governança ambiental e dos mecanismos de comando e controle pelo governo Bolsonaro.

Negacionismo climático de Ernesto Araújo causará graves danos econômicos ao Brasil

araujoEm seu tour pelos EUA, o chanceler Ernesto Araújo parece disposto a aumentar o enorme imbróglio diplomático em que o Brasil está metido.

O ministro de Relações Exteriores do governo Bolsonaro, o embaixador junior Ernesto Araújo, é um conhecido negacionista das mudanças climáticas.  Araújo já declarou, inclusive, que as mudanças climáticas não passam de um complô orquestrado por marxistas.

Até aqui a veia negacionista do chanceler brasileiro estava mais ou menos restrito ao consumo interno. Mas com sua fala no dia de ontem no “think thank” conservador Washington’s Heritage Foundation, as ideias e percepções de Ernesto Araújo passaram a ser de conhecimento planetário, inclusive nos EUA onde existe um acirrado debate sobre as posturas negacionistas do governo de Donald Trump (ver vídeo abaixo).

Em sua fala para plateia amiga, Ernesto Araújo chega a divulgar um conceito pouco corrente, o “climatismo”,  que seria segundo ele uma espécie de tese alarmista com o objetivo de violentar as formas democráticas de governança.  Mas a azeitona da empada de Araújo foi quando ele concluiu afirmando que “A Amazônia é o palco inicial na luta contra o globalismo e pela recuperação da dignidade humana”.

Ainda que a posição de negacionismo das mudanças climáticas do chanceler do governo Bolsonaro possa agradar a setores extremistas da política mundial, o problema é que todas os dados e falas usados para negar o óbvio terão como consequência o afastamento de investidores do Brasil, justamente em um momento em que o país necessita de aportes econômicos para serem injetados em atividades produtivas.

Um sintoma de que a fala de Araújo caiu muito mal até nos EUA foi uma série de tweets de Ishaan Tharoor, jornalista do jornal “The Washington Post” ,  onde o chanceler brasileiro é retratado, no mínimo, como um excêntrico de extrema direita que é defensor de posições incoerentes e que resvalam em conhecimento obtido no Wikipedia.

A verdade é que Ernesto Araújo não é o único negacionista climático dentro do ministério formado por Jair Bolsonaro, apenas o mais tentado a se posicionar publicamente sobre o tema, ainda que sob o risco de parecer um lunático desvairado. 

 

Desmatamento na Amazônia em agosto cresce 222% em relação a 2018

Floresta perdeu 1.698 quilômetros quadrados de vegetação, segundo Inpe. Em agosto de 2018, foram 526 quilômetros quadrados. Nos oito primeiros meses de 2019, área desmatada foi 92% superior à do mesmo período de 2018.

desmatamento amazoniaFoto de satélite mostra áreas desmatadas na Amazônia: em julho, desmate cresceu 278% em relação a mesmo mês de 2018

A Amazônia perdeu em agosto deste ano 1.698 quilômetros quadrados de cobertura vegetal, área 222% maior do que a desmatada no mesmo mês de 2018, que foi de 526 quilômetros quadrados, segundo dados divulgados neste domingo pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Os números indicam que, apesar da devastação, houve redução na comparação com julho deste ano, em que houve destruição de 2.254 quilômetros quadrados.

Em comparação aos mesmos períodos de 2018, os meses de junho e julho apresentaram, respectivamente, crescimento de 90% e 278% no desmate.

Com os saltos, a área desflorestada da Amazônia nos oito primeiros meses de 2019 chegou a 6.404 quilômetros quadrados, número 92% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior (3.337 quilômetros quadrados).

Os dados foram obtidos pelo Deter, levantamento rápido de alertas de evidências de alteração da cobertura florestal na Amazônia, feito pelo Inpe.

Os informes podem ser usados para indicar tendências de aumento ou diminuição no desmate e servem de parâmetro para que os fiscais do Ibama atuem nas regiões mais ameaçadas.

Incêndios

Em agosto deste ano, foram registrados 30.901 focos de incêndio no bioma Amazônia, segundo dados divulgados dia 1° de setembro pelo Programa de Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Esse é o maior número registrado para o mês desde 2010, quando houve 45.018 focos.

Os dados mostraram ainda que, em relação ao mesmo mês do ano passado, os focos de incêndio triplicaram. Em agosto de 2018, foram registrados 10.421 incêndios. Entre janeiro e agosto deste ano, foram registrados ao todo 46.825 focos de incêndio na Amazônia. Esse número é mais do que o dobro observado no mesmo período do ano passado, 22.165.

Em resposta aos incêndios na Amazônia, o presidente Jair Bolsonaro anunciou um decreto proibindo queimadas em todo o Brasil, por 60 dias. Um dia depois, porém, Bolsonaro voltou atrás e autorizou a prática em regiões que estão fora da Amazônia Legal.

A recente aceleração da devastação fez com que os governos de Alemanha e Noruega suspendessem repasses de verba ao Brasil para financiar projetos de desenvolvimento sustentável.

Devido ao desmatamento e às queimadas na região, Bolsonaro se tornou alvo de pesadas críticas de políticos europeus, que ameaçaram suspender o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia (UE). Alguns políticos alemães chegaram a pedir sanções ao Brasil em razão da maneira como o governo Bolsonaro lida com o meio ambiente.

Bolsonaro se envolveu numa proloNgada troca de farpas com o presidente da França, Emmanuel Macron, que o acusou de mentir sobre suas políticas ambientais durante o encontro do G20 em junho, no Japão, onde foi concluído o pacto comercial entre o bloco dos países sul-americanos e a UE.

MD/efe/ots

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Este artigo foi originalmente produzido pela Deutsche Welle [Aqui!].

Jair Bolsonaro vira o Coringa em um dos principais programas de TV dos EUA

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Trevor Noah, do “The Daily Show” durante o sketch em que comparou o presidente do Brasil ao vilão “Coringa” por causa das queimadas na Amazônia.

O “The Daily Show” é comandado pelo comediante Trevor Noah e vai ar de segunda a quinta feira pelo canal “Comedy Central”.  O “The Daily Show” é um daqueles programas satíricos que revolve em torno de temas políticos, sendo que Trevor Noah substituiu outro comediante com forte ação política nos EUA,  Jon Stewart.

Nao segmento dedicado a abordar os problemas que estão ocorrendo na Amazônia brasileira e suas repercussões globais em função das mudanças climáticas, Trevor Noah faz um sketch com fortes tintas nos quais o pintado em cores menos favorecidas é justamente o presidente Jair Bolsonaro que é citado como o “Coringa” (em referência ao vilão “preferido” do Batman) das mudanças climáticas.

Apesar do material estar em inglês é bem fácil entender a lógica e a péssima conotação com que o presidente do Brasil é usado para fazer a série de tiradas satíricas que Trevor Noah faz (ver vídeo abaixo).

Mas que ninguém ache que o “The Daily Show” é só um programa de piadas, pois o mesmo representa um amplo espectro político dentro dos EUA, especialmente entre os que se opõe ao governo de Donald Trump.

Assim,  os setores que dependem da exportação de commodities agrícolas e minerais (os quias apoiaram de forma massiva a eleição de Jair Bolsonaro) devem estar muito preocupados com esse segmento do “The Daily Show”. É que apesar de ser o presidente Jair Bolsonaro o “escada” da vez, a piada acaba sendo mesmo a condição em que o Brasil foi colocado pelo seu governo. E , cada vez mais, em meio a boicote que se amplia na Europa, as tiradas de Trevor Noah não têm nada de engraçado para o Brasil.

Ernesto Araújo é desmentido em rede mundial sobre as queimadas da Amazônia

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A vergonha que o Brasil passa toda vez que seu ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, abre a boca para proferir algum absurdo lógico. Mas ontem (04/09) o nível de vergonha brasileira (já que o ministro parece ter perdido a capacidade de se envergonhar) atingiu outro patamar durante uma entrevista concedida à rede estadunindense CNN onde Ernesto Araújo estava sendo entrevistado pela âncora Christianne Amanpour e teve a pachorra de afirmar que “a Amazônia não está queimando acima do normal. Tivemos incêndios este ano um pouco mais que no ano passado, mas um pouco abaixo da média nos últimos 20 anos” (ver vídeo abaixo)

O problema para Araújo é que, enquanto ele tentava desmentir o óbvio, a CNN mostrava simultaneamente cenas das queimadas que estão devastando a Amazônia brasileira neste momento. Em outras palavras, a CNN demonstrou, ainda que subliminarmente que o chanceler brasileira estava mentindo para a audiência mundial que a emissora possui.

Depois que ocorrer uma boicote mundial às commodities agrícolas brasileiras por causa da postura anti-ambiental do governo Bolsonaro e de ministros como Ernesto Araújo, ainda vai ter gente que ficará surpresa. 

Mas, convenhamos, com um tipo de ” anti poster boy” como Araújo, como é que se pode esperar qualquer resultado que não seja um bloqueio comercial ao Brasil?

Por causa da Amazônia, de Portugal à Suécia cresce a pressão pelo boicote à carne brasileira

boicote

Dois jornais europeus (um de Portugal e outro da Suécia) publicaram de ontem para hoje matérias que colocam claramente em xeque as exportações da carne bovina produzida pelo Brasil por causa do atual ciclo de desmatamento e fogo que está ocorrendo na Amazônia brasileira.

carne brasileiracarne suecia

No caso português, a matéria assinada pela jornalista Margarida Cardoso informa que um número crescente de açougues e restaurantes portugueses estão trocando a carne brasileira por aquelas produzidas no Uruguai e na Argentina. A razão para isto é simples: os portugueses estão questionando cada vez mais a procedência da carne que irão consumir. 

Essa propensão dos portugueses a não querer consumir carne oriunda de desmatamentos realizados na Amazônia brasileira também está aparecendo em outros países da Europa, incluindo a Suécia que foi palco da primeira convocação de boicote aos produtos agrícolas brasileiros por meio de uma convocação realizada pelo CEO da rede de mercearias orgânicas Paradiset, Johannes Cullberg (ver vídeo abaixo dirigido aos brasileiros).

Um elemento novo que está surgindo nos países europeus é que a população parece não estar disposta a esperar pela ação de seus governos para impor de forma difusa um boicote popular aos produtos brasileiros. Esse boicote de natureza popular será mais difícil de ser combatido pelos próprios governantes europeus que não têm demonstrado muita disposição para enfrentar as políticas anti-ambientais do governo Bolsonaro, a começar por Angela Merkel que continua defendendo o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, apesar do que está acontecendo na Amazônia.

Diante do quadro que está se formando na Europa, fico curioso sobre como se comportarão os barões do agronegócio exportador diante dos danos evidentes que as políticas anti-ambientais implantadas pelo governo Bolsonaro estão tendo sobre seus lucros.

O Brasil na imprensa alemã (28/08)

Queimadas na Amazônia continuam dominando o noticiário na Alemanha. Mídia atribui desastre à política ambiental de Bolsonaro e sua ligação com o agronegócio. Mas consumidores alemães também são responsáveis, diz revista.

queimada“Imagens de florestas tropicais queimadas e troncos de árvore carbonizados correm o mundo”

Süddeutsche Zeitung – Dias de fogo (26/08)

Em face dos devastadores incêndios na Amazônia, cresce a pressão para que o Brasil mude sua política ambiental. Também o ministro alemão do Exterior, Heiko Maas, propõe agora que o Brasil seja pressionado a adotar uma maior proteção climática por meio do acordo comercial com o Mercosul. “O fato de o acordo com o Mercosul ter sido finalmente resolvido nos dá oportunidades e meio de pressão para influenciar o que lá acontece”, disse o político social-democrata nesta segunda-feira. Ele acrescentou que existem certos valores e padrões “sem os quais nós não embarcamos”. O presidente francês, Emmanuel Macron, também fez comentários similares.

(…)

As Forças Armadas brasileiras começaram a jogar água nas áreas de incêndio com aviões de transporte Hércules. Ao mesmo tempo, a polícia está investigando os organizadores do chamado Dia do Fogo. A mídia local relatou que fazendeiros teriam combinado de queimar grandes áreas ao mesmo tempo, para dar espaço para pastos e plantações de soja. O ministro da Justiça, Sergio Moro, tuitou: “Incêndios criminosos na Amazônia serão severamente punidos.”

Esse é um novo tom, já que o presidente Jair Bolsonaro vem incentivando os agricultores a produzir fatos. O Ministério do Meio Ambiente teria tido conhecimento do planejado “Dia do Fogo”, mas não fez nada, segundo tuitou o jornalista investigativo Glenn Greenwald, que mora no Brasil. A diretora da Fundação Heinrich Böll no Rio de Janeiro, Annette von Schönfeld, também não vê mudanças políticas. “O governo Bolsonaro realmente não tem nenhum pensamento de política ambiental”, disse.

Spiegel Online – O negócio bilionário com os recursos naturais do Brasil (23/08)

Jair Bolsonaro ainda tem grandes planos para a Amazônia. Ele queria fazer da imensa área em torno do mais poderoso rio do mundo a “alma econômica” do Brasil, como anunciou o presidente recentemente durante uma visita à cidade de Manaus. “Nossa Amazônia, a região mais rica do planeta Terra”, disse Bolsonaro, acrescentando que ela pode se tornar o ponto de partida para uma nova recuperação econômica por todo o país. Em harmonia com a proteção ambiental, é claro.

O aumento dramático no desmatamento desde que Bolsonaro assumiu em janeiro ainda era uma questão regional na Amazônia naquela época. Mas agora as imagens de florestas tropicais queimadas, troncos de árvore carbonizados, grandes clareiras estéreis e o céu cinza escuro sobre São Paulo correm o mundo. E as estatísticas do instituto de pesquisa estatal Inpe parecem dar razão a todos os críticos, que sempre alertaram que a Amazônia seria impiedosamente explorada sob a égide de Bolsonaro.

(…)

Bolsonaro havia anunciado que reduziria as multas por delitos ambientais, reduziria os controles e liberaria as reservas indígenas para a mineração. Para ele, a conservação da natureza deve estar subordinada aos interesses da economia. E existem algumas empresas, corporações e indústrias que ganham muito dinheiro com a exploração da Amazônia. Em primeiro lugar está a poderosa indústria agrícola.

Focus Online – Nossa fome por carne e soja alimenta os incêndios florestais no Brasil (24/08)

As florestas tropicais do Brasil se tornaram um brinquedo das corporações do agronegócio. Onde hoje há incêndios, tem gado pastando amanhã. Os consumidores na Alemanha também são responsáveis pela ameaça à Região Amazônica. O maior apetite, no entanto, é dos chineses.

As imagens da floresta tropical em chamas no Brasil estão causando preocupação em todo o mundo. Embora os incêndios aconteçam a milhares de quilômetros da Alemanha, o desastre do outro lado do Atlântico também tem a ver com o comportamento do consumidor na Europa. Acima de tudo, o desejo por bifes suculentos e costeletas quentes alimenta o desmatamento e a queimada de grandes áreas na Amazônia.

“É claro que nossas ações na Alemanha têm muito a ver com a perda da floresta tropical”, diz o professor da economia mundial de alimentos da Universidade de Göttingen, Matin Qaim. “Por exemplo, estamos importando grandes quantidades de soja como ração para nossos bovinos e suínos, e o aumento do cultivo da soja está contribuindo para o corte de florestas tropicais no Brasil.”

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Este compêndio de notícias da imprensa alemã sobre a catástrofe ambiental na AmaZônia foi originalmente publicado pela Deutsche Welle [Aqui!].