Evidências científicas dos impactos das hidrelétricas na hidrologia da Amazônia

Resultado de imagem para The changing hydrology of a dammed Amazon

A revista acaba de lançar um artigo de autoria dos pesquisadores Kelsie Timpe e David Kaplan, da University of Florida- Gainesville, que analisa os impactos que as hidrelétricas da Amazônia têm sobre a hidrologia da bacia.   A partir dos resultados obtidos, os autores deste artigo argumentam que o tipo e a magnitude das alterações hidrológicas variam de usina a usina, mas os maiores impactos acontecem nas grandes represas localizadas em baixas elevações.

hidreletricas

A principal conclusão que o artigo apresenta é de que o impacto cumulativo de múltiplas usinas sequenciais é significativo, mas somente sobre certos aspectos do regime hídrico.

É importante apontar que esta pesquisa representa um primeiro, mas importante, passo para a elaboração de planos ambientais e políticas públicas relevantes para a região amazônica neste aspecto.

Quem quiser baixar este interessante artigo, basta clicar [Aqui!].

Incêndio criminoso destrói sede do ICMBio em Humaitá (AM)

O jornalista acreano Altino Machado divulgou no início da noite desta 6a. feira (27/10) em sua página pessoal na rede social Facebook que atacantes ainda identificados atearam fogo na sede do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio/Ibama) em Humaitá (AM) [1].

Este slideshow necessita de JavaScript.

Altino Machado informou ainda que alguns servidores do ICMBio estão desaparecidos após o ataque  de natureza claramente criminosa, apesar de alguns já terem dado notícias.

Esse ataque somado a outros que já ocorreram a unidades do ICMBIO ao longo de 2017 reflete a ação ostensiva de diversos grupos (madeireiros, garimpeiros) contra as ações de fiscalização desenvolvidas para conter as suas atividades ilegais que hoje impactam biomas e comunidades tradicionais na Amazônia brasileira.

Abaixo um vídeo postado por Altino Machado mostra supostos garimpeiros celebrando o resultado do incêndio que eles próprios teriam iniciado nas dependências do ICMBio como uma forma de retribuição às atividades de fiscalização do órgão.

 


[1] https://www.facebook.com/altinomachado

Amazônia será tema do próximo USP Talks

A imagem pode conter: texto

Como desenvolver a Amazônia sem destruí-la? Como fomentar o desenvolvimento social e econômico da região sem colocar a floresta abaixo para isso? Agropecuária, mineração e conservação ambiental podem conviver pacificamente no mesmo espaço?

Este será o tema da próxima edição do USP Talks, que acontece no dia 25 de outubro, com os pesquisadores Carlos Nobre e Eduardo Assad.

Carlos Nobre é um dos maiores especialistas em mudanças climáticas e Amazônia no Brasil. Foi pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) durante 30 anos, com protagonismo internacional nas discussões sobre desmatamento e o futuro da floresta amazônica em grande escala.

Eduardo Assad é engenheiro agrícola, pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) desde 1987; considerado um dos maiores especialistas do país no estudo das interações entre agricultura, clima, economia e sustentabilidade na Amazônia e no Cerrado.

—————————————————————–

USP Talks – Amazônia


Data: 25 de outubro de 2017
Local: Faculdade Cásper Líbero – Edifício Gazeta (Av. Paulista, 900)
Horário: 18h30 às 19h30
Lotação máxima do auditório: 420 lugares (Não é necessária inscrição prévia nem haverá distribuição de senhas no dia do evento. Basta chegar no horário e participar).
O evento tem duração de uma hora, com duas apresentações de 15 minutos, mais meia hora de debate com o público. A entrada é gratuita e haverá transmissão ao vivo pela internet. Ao início da sessão, as portas serão fechadas para garantir a acomodação de todos os presentes.

Siga nossas redes sociais!
… Site oficial: bit.ly/usptalks_site
… Facebook: bit.ly/usptalks_FB
… YouTube: bit.ly/usptalks_YT
… Twitter: bit.ly/usptalks_TW

Realização: Pró-Reitoria de Pesquisa da USP e Estadão
Apoio: Faculdade Cásper Líbero

 

Governo Temer prepara o terreno para ampla destruição ambiental e social na Amazônia brasileira

Resultado de imagem para mineração renca povos indigenas

Está ficando cada vez mais claro que um amplo ataque está sendo preparado pelo governo “de facto” de Michel Temer contra os ecossistemas amazônicos e as populações que neles habitam.  O exemplo mais recente foi a extinção da Reserva Nacional do Cobre e Associados (Renca) que abrirá um território equivalente à Dinamarca à sanha exploradora das mineradoras [1, 2].  

el pais amazonia

Além disso, temos em andamento uma ampla regressão da legislação que regula o processo de licenciamento ambiental que facilitará não apenas a expansão das atividades de mineração, mas também da implantação ainda mais rápida de pastagens. Se não bastasse isso, também há um processo em curso para afrouxar o Código de Mineração.

Em outras palavras, temos um processo misturado de modificações nas proteções (frágeis é preciso que se diga) que foram colocadas em vigência a partir da Conferência  Mundial sobre o Homem e o Meio Ambiente realizada pela ONU em Estocolmo em 1972.

Mas não bastassem esses riscos evidentes, ainda temos a informação dada pela cadeia inglesa BBC de que no caso da extinção da Renca, os representantes do governo “de facto” de Michel Temer já haviam avisado à mineradores canadenses já em Abril de 2017 que isto seria feito [3].

bbc amazonia

O oferecimento deste tipo de informação a potenciais mineradoras se reveste num completo escândalo já que estas deveriam ser informações confidenciais. Mas como estamos vivendo sob o jugo de um presidente que não tem o menor prurido em confrontar leis, mais esse absurdo está passando em brancas nuvens.

As consequências do que o jornal espanhol El País rotulou de “nova caça ao ouro na Amazônia” serão devastadoras não apenas na região anteriormente protegida pela Renca, mas em outras áreas que sofrerão destino semelhante.  E a devastação não será apenas em termos ambientais, mas também sobre populações que vivem em direta dependência da integridade ecológica dos ecossistemas amazônicos, começando pelos povos indígenas [4, 5].

Aos que esperam que algo milagroso aconteça nas eleições presidenciais de 2018, o problema é  que se o governo Temer continuar operando da forma que está, principalmente em termos da inexistência reação dos setores mais organizados da sociedade brasileira, a situação será tão explosiva que nem Lula conseguirá impedir graves conflitos de natureza socioambiental na Amazônia brasileira.


[1]  https://brasil.elpais.com/brasil/2017/08/24/politica/1503605287_481662.html.

[2] http://www.diretodaciencia.com/2017/08/25/da-forma-como-foi-feita-extincao-da-renca-traz-risco-para-a-amazonia/

[3] http://www.bbc.com/portuguese/brasil-41033211?ocid=socialflow_facebook.

[4] https://www.nexojornal.com.br/expresso/2017/08/25/Governo-extingue-reserva-de-min%C3%A9rios.-Por-que-isso-pode-impactar-o-meio-ambiente

[5] https://noticias.uol.com.br/meio-ambiente/ultimas-noticias/redacao/2017/08/23/governo-extingue-reserva-de-cobre-para-atrair-investimentos-em-mineracao.htm

 

Voz da Alemanha: Retrocesso ambiental deve pôr Brasil em saia-justa na Europa

Recuo na política ambiental e poucos avanços na implementação do Acordo de Paris ameaçam levar governo a Temer a constrangimentos e reprimendas em conferência do clima da ONU na Alemanha.

default

Desmatamento na Amazônia teve alta acima de 20% em dois anos seguidos, 2015 e 2016

O Brasil deve sofrer reprimendas de outros países e pode até passar por constrangimentos na próxima Conferência do Clima da ONU (COP23), que ocorre em novembro na Alemanha, em meio ao que ambientalistas descrevem como um pacote de retrocessos na política ambiental do governo.

O aumento do desmatamento na Amazônia, a possível redução do nível de proteção de áreas florestais e o foco excessivo da política energética nos combustíveis fósseis são fatores que farão o país chegar com uma imagem ruim à conferência deste ano. Presidida por Fiji, a próxima edição da COP, que ocorre anualmente, será realizada em Bonn, na Alemanha.

Embora o Brasil tenha feito até agora um bom trabalho em seus esforços diplomáticos na conferência, estes não têm sido acompanhado por avanços na implementação de medidas para reduzir as emissões de gases do efeito estufa e cumprir o Acordo de Paris, diz o secretário-executivo do Observatório do Clima, Carlos Rittl.

“Seis ou sete anos atrás, o Brasil chegava às COPs, um dos diplomatas fazia o anúncio da taxa de desmatamento e isso era seguido de uma salva de palmas porque significava que o Brasil estava enfrentando o desafio de reduzir o desmatamento e, com isso, diminuindo muito suas emissões. Agora não existe mais ambiente para aplausos”, afirma Rittl. “Pelo contrário, o presidente Michel Temer ter criado um ambiente onde as questões socioambientais são moeda de troca para conseguir votos no Congresso é constrangedor por si só.”

Segundo Rittl, o país já levou notícias ruins para a COP de 2016, como o aumento de 24% do desflorestamento na Amazônia em 2015 e a alta da violência no campo. Mas agora o cenário é ainda pior, com mais uma alta no desmatamento amazônico em 2016, de quase 30%, a pior taxa desde 2008.

Temer já levou ao Congresso um projeto de lei para alterar os limites da Floresta Nacional do Jamanxim, no Pará, reduzindo o nível de proteção ambiental da área. O projeto, que conta com apoio da bancada ruralista no Congresso, removeria restrições a atividades rurais e à mineração, e aqueles que ocuparam a região ilegalmente poderiam obter o título das terras.

O avanço do desmatamento já fez com que o governo brasileiro tomasse uma bronca da Noruega, que, questionando as políticas de conservação brasileiras, cortou pela metade, em quase 200 milhões de reais, o repasse ao Fundo Amazônia. A Alemanha também condicionou a manutenção de suas contribuições à redução dos índices de desmatamento.

No âmbito do Acordo de Paris, o Brasil tem como meta reduzir suas emissões de gases de efeito estufa em 37% até 2025 e em 43% até 2030, tendo como referência os níveis de 2005. Para isso, se comprometeu a zerar o desmatamento ilegal na Amazônia até 2030 e expandir a participação de energias renováveis na matriz energética brasileira, incluindo as energias eólica, biomassa e solar.

Impulso para os biocombustíveis

Uma nova política para biocombustíveis, o RenovaBio, pode ser a única notícia positiva que o Brasil terá a apresentar na conferência, mas, ainda assim, a falta de clareza sobre suas metas preocupa. O programa deve ser tema de um evento oficial do governo brasileiro na COP23, segundo o Ministério do Meio Ambiente.

O objetivo do RenovaBio é contribuir para que o país aumente a participação de bioenergia sustentável na sua matriz energética para aproximadamente 18% até 2030, expandindo o consumo de biocombustíveis, aumentando a oferta de etanol e a parcela de biodiesel na mistura do diesel.

Contudo, o governo precisa mostrar números mais concretos para ser convincente com o RenovaBio, diz o professor Tercio Ambrizzi, do Departamento de Ciências Atmosféricas da USP. “Quanto efetivamente vamos contribuir para o corte de emissões? Como isso vai ser importante? Se não se colocar números associados a ele, o anúncio desse programa é como anunciar um programa político”, afirma Ambrizzi, que prevê uma participação “pífia” do país na COP23.

Ainda que a política para biocombustíveis seja implementada, Ambrizzi ressalta que ela pouco trará se não for aliada a uma mudança na matriz energética. E não há indícios de grandes transformações. O Plano Decenal de Expansão de Energia, publicado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), vinculada ao Ministério de Minas e Energia, ainda prevê mais de 70% dos investimentos até 2026 no segmento de combustíveis fósseis, isto é, petróleo e gás natural.

Esse planejamento também foi alvo de críticas da organização Climate Action Tracker (CAT), que monitora o progresso de vários países para alcançar as metas do Acordo de Paris. Em avaliação publicada sobre o Brasil em maio, a CAT afirmou que “acontecimentos recentes no planejamento da infraestrutura energética e níveis crescentes de desmatamento evidenciam uma piora na implementação da política climática do Brasil, na direção oposta do que é necessário para atingir a meta do Acordo de Paris”.

A CAT também mencionou o corte de 50% no orçamento do Ministério do Meio Ambiente e outras áreas, o que, na sua avaliação, aumenta as preocupações sobre a capacidade do governo de monitorar o desflorestamento.

Pior do que Trump?

A COP23 será a primeira Conferência do Clima realizada desde que o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou a intenção de deixar o Acordo de Paris, o que deverá influenciar os debates. Porém, na avaliação de Rittl, do Observatório do Clima, o que tem ocorrido em termos de política ambiental e climática no Brasil chega a ser pior do que o abandono do acordo por Trump.

“Nos EUA, a decisão de Trump acabou gerando uma reação muito positiva de governos estaduais, prefeituras e no setor privado, com muitos anunciando que vão manter proporcionalmente as metas. No Brasil, o que estamos vendo é a desconstrução muito acelerada da política socioambiental num país que era exemplo.”

A imagem brasileira fica ainda mais negativa em comparação com a de outros países emergentes. De acordo com a CAT, medidas positivas de China e Índia, que estão acelerando a transição para energias renováveis e começando a abandonar usinas a carvão, superam significativamente os impactos negativos das propostas do governo Trump nos EUA.

Enquanto isso, especialistas apontam que o Brasil parece estar retrocedendo, o que põe em xeque a capacidade brasileira de cobrar outros países sobre suas ações climáticas nas discussões da COP.

“Em 2016, acendemos a luz amarela. O que está acontecendo agora no Congresso acende a luz vermelha. O alarme precisa ser ligado”, diz Rittl.

FONTE: http://www.dw.com/pt-br/retrocesso-ambiental-deve-p%C3%B4r-brasil-em-saia-justa-na-europa/a-40094991

Florestas amazônicas sob grave risco: Financial Times sugere que Michel Temer troca árvores por votos da bancada ruralista

Deforestation-Amazon

O “Financial Times”, um dos mais respeitados  veículos da mídia mundial na área de negócios e notícias econômicas, publicou nesta 3a. feira (18/07) um artigo de autoria do jornalista Joseph Leahy que deve causar mais dor de cabeça para o presidente “de facto” Michel Temer nas suas já conturbadas relações com outros líderes mundiais.

Sob o título de “Temer pushes Amazon deforestation bill in Brazil” (o que pode ser traduzido literalmente para o português como “Temer empurra lei de desmatamento da Amazônia no Brasil”) [Aqui!], Joseph Leahy sugere que o presidente “de facto” do Brasil está trocando a proteção das florestas amazônicas por votos da bancada ruralista no seu esforço de se manter no poder.

ft amazon

Um dado oferecido pela matéria, e que demonstra a real necessidade de Michel Temer de adular os apoiadores do latifúndio agro-exportador, é de que a bancada ruralista contaria neste momento com 230 membros dentro de um total de 513 deputados.  E como a bancada ruralista não é de brincar em serviço quando se trata de defender os latifundiários, esse controle quase total da Câmara de Deputados explica bem uma série de votações que retroagiram uma série de direitos, começando pela contra-reforma trabalhista.

Partindo do Financial Times,  a afirmação de que Michel Temer está realizando uma troca crua das florestas amazônicas por votos que o mantenham no poder pode ter efeitos diretos nos interesses dos grandes capitalistas do agronegócio que operam no Brasil, visto que já existe um claro desconforto entre governos europeus de receber commodities produzidas em áreas de desmatamento novo.

Eu chamaria ainda atenção para os dados apresentados na matéria sobre o ritmo de desmatamento na Amazônia brasileira que foram produzidos pelo Instituto Nacional de Pesquisas Especiais (INPE) (ver figura abaixo).

deforestation 1

É que estes dados são referentes apenas às taxas de desmatamento de corte raso, que seria aquele que ocorre quando todo uma área é desprovida de sua floresta. O problema é que atualmente na Amazônia existem outras formas graves de degradação florestal que podem facilitar o avanço da mancha de desmatamento, incluindo a extração ilegal de madeira e incêndios.  Assim se somarmos, o desmatamento de corte raso aos danos causados pela extração ilegal de madeira e os incêndios, a ameaça sobre a Amazônia é ainda maior do que apontado pela matéria.

Um detalhe importante que foi mostrado por Joseph Leahy é que a principal ameaça neste momento que paira neste momento é a diminuição das áreas protegidas (um risco que eu e o um conjunto de colegas já havíamos antecipado em um artigo publicado em 2005 na revista “Environmental Conservation” [Aqui!]). 

Entretanto, ao conversar com o meu parceiro de pesquisas Eraldo Matricardi, do Departamento de Engenharia Florestal da UNB, ele ponderou que um aspecto particularmente desestabilizador para os esforços de conservação é a perda que está ocorrendo nas estruturas de comando e controle que foram implantadas a duras penas nas últimas quatro décadas na região.  É que com os drásticos cortes que estão sendo feitos no orçamento do Ministério do Meio Ambiente e da Ciência e Tecnologia, haverá uma inevitável degradação nas atividades de monitoramento via sensoriamento remoto e da ações coibitivas no solo.  E nessa perda de comando e controle, os muitos inimigos e saqueadores da floresta vão ficar livres para agir.

Em suma, o que está ruim poderá ainda piorar. É que pelo andar da carruagem, Michel Temer ainda vai precisar muito dos votos da bancada ruralista para escapar de seu processo impeachment.

 

 

 

O explosivo desmatamento na Amazônia brasileira e suas múltiplas consequências sociais e ambientais

26Forest1-master675 (1)

Jim Wickens/Ecostorm

Graças ao jornalista Maurício Tuffani do “Direto da Ciência” tive acesso a uma matéria assinada pelo jornalista Jamil Chade para o jornal “O ESTADO DE SÃO PAULO” sobre declarações estapafúrdias proferidas pelo ecretário-executivo do Ministério da Agricultura, Eumar Novacki que classificou os aportes da Noruega em torno de US$ 1 bilhão para proteção da Amazônia brasileira como “migalhas” (Aqui!).  Além disso, Novacki ainda emitiu os costumeiros lugares comuns sobre o esforço que o Brasil estaria fazendo para preservar suas florestas.

Antes que eu me concentre no que realmente importa, não me surpreende que o governo “de facto” de Michel Temer contenha personagens tão truculentos quão desinformados como Eumar Novacki. Aliás, essa é a essência de qualquer governo originado por golpes de Estado, e o de Michel Temer não teria como ser exceção.

Agora, se Eumer Novacki tivesse se dado ao trabalho de ler a edição 1141 da “insuspeita” revista Exame teria visto que a matéria mostrada na capa, e que é assinada pelas jornalistas Ana Luíza Herzog e Renata Vieira, era justamente uma que mostra os gravísssimos riscos que hoje ameaçam a floresta amazônica brasileira (para os interessados em ler a matéria na íntegra basta clicar (Aqui!)

exame amazonia0001

Os números e tendências mostrados na matéria são alarmantes, pois mostram um forte reaquecimento das taxas de desmatamento anuais, com um aumento de 60% entre 2014 e 2016. Mais mais importante do que as taxas anuais é o espalhamento das áreas de remoção de floresta nativa que agora estão atingindo regiões previamente intocadas, o que sugiro um forte agravamento do problema (ver figuras abaixo).

Este slideshow necessita de JavaScript.

Mas outras informações trazidas pela matéria são igualmente alarmantes sobre a situação do desmatamento na Amazônia.  Por exemplo:

desmata

 Um aspecto que é elucidado na matéria é a relação direta que existe entre o aumento do desmatamento e o da produção agrícola (ver figura abaixo).  Esa associação não apenas desmente a propaganda disseminada por entidades ligadas ao latifúndio agro-exportador em termos das causas do aumento do total produzido, como também levanta elementos de risco para o futuro das exportações brasileiras de commodities agrícolas.

desmatamento

Mas esse boom no desmatamento amazônico também custos sociais graves e os seguidos massacres de trabalhadores rurais sem terra e indígenas que estão ocorrendo neste momento são apenas uma das facetas mais evidentes. É que ao se facilitar o avanço do desmatameto, não raramente com a intervenção direta das forças policiais em prol do latifúndio, centenas de comunidades estão sob o risco de desaparecer por estarem no caminho do avanço do desmatamento e de todas as atividades que precedem e se seguem à eliminação das florestas.

A relação macabra entre o avanço do desmatamento e o aumento da violência está expressa nos resultados divulgados no dia de hoje pela organização não governamental Global Witness que colocou o Brasil como líder mundial no assassinato de ativistas pró-ambiente com um total de 46 mortes (Aqui!)

Como já publiquei diversos artigos científicos sobre as causas do desmatamento na Amazônico, vejo o atual momento como extremamente grave. É que temos uma combinação muito ruim de personagens dentro do governo federal. Por um lado, o latifundiário sojeiro Blairo Maggi controla o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), enquanto o inexpressivo Zequinha Sarney está à frente do Ministério do Meio Ambiente. De quebra, o presidente “de facto” Michel Temer, atolado em graves denúncias de corrupção, está cada vez mais dependente do suporte político da bancada ruralista no congresso nacional. Essa conjunção de forças aponta para a possibilidade de que o processo de desmatamento ainda irá se agravar ao longo dos próximos anos. Se isto se confirmar, as consequências também serão desastrosas em termos das alterações climáticas e para o regime de vazão dos principais rios amazônicos (os quais já estão sendo impactdos por uma malha cada vez maior de hidrelétricas). 

A recente promulgação pelo presidente “de facto” Michel Temer da Medida Provisória (MP) 759/2016, conhecida como “MP da Grilagem”, que estabelece a regularização fundiária e promove alterações estruturais em legislações do campo e da cidade (Aqui!) é uma clara demonstração da força do latifúndio agro-exportador, e um prenúncio de vem mais desmatamento por aí. 

Em suma, o cenário na Amazônia brasileira está mais ou menos como o da conjuntura política: ruim, com tendências a piorar.