Crime dispara na Amazônia, e maioria diz que governo não age

Pesquisa aponta que 81% dos eleitores querem respostas dos candidatos

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O enfrentamento ao crime organizado na Amazônia precisa estar nos planos dos candidatos a presidente da República. Oito em cada dez eleitores esperam do próximo mandatário medidas urgentes de combate à violência na região, que cresceu em ritmo bem superior à média do país, segundo o mais recente relatório do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Os presidenciáveis, para 81% dos eleitores, devem também ter a proteção da Floresta Amazônica entre suas prioridades.

Os resultados são de uma pesquisa encomendada pelo Instituto Clima e Sociedade (iCS) ao PoderData e feita junto a 3 mil eleitores de todo o país entre 28 e 30 de julho. Para a grande maioria (65%), o governo federal não está trabalhando para combater a grilagem, o tráfico de drogas, a exploração ilegal de madeira e outros crimes na Amazônia. Só 17% acham que o presidente Jair Bolsonaro trabalha para conter as práticas criminosas. 

Tráfico, grilagem e garimpo ilegal

 O tráfico de drogas foi apontado por 39% dos eleitores como o crime que mais prejudica a floresta e suas populações. Em seguida aparecem a grilagem de terras, com 17%, e o garimpo ilegal, com 13%. A corrupção (9%), a exploração ilegal de madeira (8%) e o tráfico de animais (4%) também foram destacados. As perguntas sobre violência foram incluídas na série de pesquisas após os assassinatos do jornalista britânico Dom Phillips e do indigenista brasileiro Bruno Pereira, que tiveram repercussão mundial. 

 A pior avaliação do desempenho do governo no combate à violência na Amazônia foi detectada exatamente nos estados da região Norte: 69% disseram que o governo não está trabalhando para combater crimes na região, contra apenas 9% de avaliação positiva. Para o sociólogo Renato Sérgio de Lima, diretor-presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a percepção da maioria, especialmente dos moradores da Amazônia, é de que o Estado brasileiro está sem o controle da região, sem conseguir controlar a criminalidade. A população sente na pele. 

Violência letal maior na Amazônia 

 A edição 2022 do Anuário do Fórum, informa Lima, apontou que a violência letal da Amazônia foi 38% superior às demais regiões. “São mais de 20 organizações criminosas regionais e duas nacionais disputando as rotas de armas e drogas”, destaca Renato. “Qualquer projeto de desenvolvimento para a Amazônia deve considerar a necessidade de recuperar os territórios das mãos das facções e milícias, prevenir a violência e enfrentar o crime, o que, para a população, não está sendo feito pelo governo. Assim, não há investimento socioambiental que dê conta”, acrescenta. 

 A pesquisa detectou também um aumento dos que querem ver a proteção da Amazônia entre as prioridades dos candidatos a presidente da República. No levantamento anterior, de 3 a 5 de junho, o índice era de 76%, e agora chegou a 81%. A maior parcela, 49%, considerou ruim ou péssima a atuação do governo federal na proteção da Floresta, um ponto percentual a mais do que na pesquisa anterior. O índice dos que consideram essa atuação ótima ou boa caiu de 19% para 15%. Na Região Norte, o governo tem o menor índice de ótimo e bom na proteção da floresta, apenas 7%, e o maior índice de ruim e péssimo: 45%. 

 Imagem do Brasil no exterior

 Cresceu também, em relação à pesquisa anterior, o índice dos que acham a preservação da floresta “muito importante” para a imagem do Brasil no exterior: de 41% para 44%. Foram de 25% para 29% os que consideram “mais ou menos importante”. O “pouco importante” se manteve em 12%, e o “não tem importância” oscilou de 9% para 8%. 

 O eleitor também foi consultado sobre a relação entre a preservação da floresta e a questão da fome no Brasil: 62% acham que a proteção da floresta pode ter um impacto positivo no combate à fome, enquanto 15% consideram que essa proteção impacta negativamente. 

 A maioria dos entrevistados, 65%, considerou que a proteção da Amazônia é importante para o desenvolvimento econômico do Brasil, contra 19% que não a consideram importante. Três pensamentos foram apresentados aos entrevistados. O mais votado, por 64%, diz que “o desenvolvimento do Brasil depende da proteção da Amazônia”. Em seguida, com 21%, aparece a frase “para o Brasil se desenvolver, proteger a Amazônia não é uma prioridade”. A menos cotada, com 5% das respostas, diz que “o Brasil consegue se desenvolver mesmo sem proteger a Amazônia”. 

Modelo de desenvolvimento fracassou

 Para Marilene Corrêa, doutora em Ciências Sociais pela Unicamp e coordenadora do Laboratório de Estudos Interdisciplinares da Amazônia na Universidade Federal do Amazonas, a pesquisa enterra a ilusão de que a Amazônia poderia copiar os modelos de industrialização, urbanização e agricultura intensiva de outras regiões do país. “Esses modelos fracassaram aqui na Amazônia por incompreensão da relação entre natureza e cultura. As cidades se tornaram precárias, e a transformação da floresta em pasto não gerou empregabilidade. Esses modelos fracassados ampliaram a agressão aos povos da Amazônia, as principais vítimas da desigualdade e da violência”, diz Marilene. 

 “Todos sabem que pecuária, garimpo, soja, contaminação dos rios, tudo isso agride e não se torna fonte de desenvolvimento. Após tantas frustrações, a proteção da Floresta precisa se impor à agenda do desenvolvimento, com aproveitamento inteligente dos recursos naturais”, diz Marilene. Ela também ressalta a preocupação com o crescimento do crime. O modelo predador e a falta de mecanismos de comando e controle, segundo ela, “estimularam as forças primitivas de acumulação de riqueza, que não usam a tecnologia nem a sabedoria tradicional, só a força para saquear e matar.” 

 A região passou por várias ondas de violência contra as populações, lembra a pesquisadora, e agora vive a onda do narcotráfico e do crime enraizado no garimpo e na extração de madeira. “A Amazônia poderia ser um enorme laboratório de desenvolvimento sustentável, com três grandes focos de riqueza: água, floresta e alimentos. Temos muitos peixes e fontes inesgotáveis de riquezas como fungos, enzimas, extratos à espera de programas científicos de longo alcance que movimentem a bioeconomia, a bioindústria e a biotecnologia.”

Desmatamento está transformando tornando a Amazônia mais seca, mostra estudo inédito

O aquecimento global está secando as florestas tropicais. Ciclo de água interrompido aumenta os danos, especialmente nas áreas de borda

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Em breve menos nuvens de chuva sobre a floresta amazônica? Foto: Universidade de Leeds/Jessica Baker
Por Norbert Suchanek para o “Neues Deutschland”

Enquanto o aquecimento global na Europa está levando a secas mais frequentes e ocorrências mais frequentes de chuvas torrenciais e inundações , as secas em particular estão se tornando mais frequentes e mais longas na Bacia Amazônica. Novas pesquisas agora indicam que a maior área de floresta tropical da Terra é muito mais suscetível à seca do que se pensava anteriormente. Grandes áreas da Amazônia podem se tornar inteiramente savanas ou estepes secas. A borda sul da região da floresta tropical está em maior risco, onde o desmatamento contínuo para a instalação de pastagens ou o cultivo de soja vem aumentando a resiliência da floresta há anos.

“Para cada terceira árvore que seca na bacia amazônica como resultado das mudanças climáticas, uma quarta árvore morre – mesmo que não seja diretamente afetada pela seca”. Universidades de Utrecht, Santa Catarina e São Paulo no Brasil sob a liderança do Potsdam Institute for Climate Protection Research (PIK). De acordo com o estudo , mesmo que um período de seca afete apenas uma determinada área de floresta tropical, os danos ultrapassam essa região por um fator de 1,3, que apareceu no Proceedings of the US National Academy of Sciences (PNAS). Segundo o primeiro autor Nico Wunderling, essa regra também se aplica ao desmatamento.  “Isso significa que se você cortar um hectare de floresta amazônica, na verdade você está destruindo, na verdade, 1,3 hectares”.

A causa é a interrupção da »reciclagem de água« na floresta tropical causada por seca ou desmatamento. O solo absorve tanto quanto as plantas da chuva que cai sobre o dossel. Através da evaporação e transpiração, ambos liberam grandes quantidades de volta para a atmosfera, o que, por sua vez, leva à formação de nuvens e chuvas nas áreas vizinhas. A floresta intacta gera, assim, até metade das chuvas da própria bacia amazônica.As secas, agravadas pelas mudanças climáticas, reduzem o volume de água circulante, ao mesmo tempo em que a redução da cobertura arbórea reduz a evaporação. Como resultado, também há menos precipitação nas regiões vizinhas, o que afeta áreas florestais ainda maiores.

“À medida que a cobertura florestal diminui, isso resulta em menos água no sistema geral devido ao efeito de rede e, portanto, desproporcionalmente mais danos. Períodos intensos de seca são iminentes”, explica Wunderling. Os modelos climáticos mostram que anos excepcionalmente secos como 2005 e 2010 na região amazônica provavelmente se tornarão o novo normal a partir de 2050.

Em sua análise de rede, os pesquisadores também levaram em conta as diferenças regionais nas florestas amazônicas. “Na região amazônica, as árvores e os sistemas florestais são adaptados de forma diferente à disponibilidade de água, pois algumas regiões naturalmente têm uma estação seca pronunciada, enquanto outras chovem o ano todo”, explica o coautor Boris Sakschewski do PIK. “No entanto, descobrimos que mesmo aquelas partes da Amazônia que estão adaptadas a estações secas severas não sobreviverão necessariamente a uma nova normalidade climática. O risco é alto de que áreas inteiras se transformem em savanas ou até mesmo em uma paisagem completamente sem árvores. As consequências para a biodiversidade seriam catastróficas – assim como para o clima local, regional e global.«

Nem tudo está perdido, no entanto, resume a pesquisadora climática de Potsdam, Ricarda Winkelmann, que também trabalhou no estudo. Uma grande parte da floresta amazônica ainda é relativamente estável. Os efeitos de rede identificados das secas provavelmente estão limitados ao sudeste e sudoeste da Amazônia, onde a floresta já sofreu severamente com o desmatamento para pecuária e cultivo de soja. É importante reduzir rapidamente as emissões de gases de efeito estufa e proteger a floresta tropical.

No entanto, o que está acontecendo no Brasil hoje é exatamente o contrário. Na semana passada, o órgão de proteção ambiental brasileiro IBAMA deu luz verde para a expansão da estrada federal BR-319, que vai de Porto Velho em Rondônia a Manaus e corta a maior área de floresta tropical praticamente intacta no coração da Amazônia . Segundo o pesquisador climático Philip Martin Fearnside, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia INPA em Manaus, a BR-319 é ​​atualmente a pior ameaça para toda a região amazônica e além. Sua conclusão pode levar a um aumento de cinco vezes no desmatamento da floresta tropical até 2030 e colapsar o ecossistema amazônico. Até agora, a destruição da floresta se concentrou na chamada “curva do desmatamento” no sul e sudeste na borda da Bacia Amazônica, de acordo com Fearnside. A BR-319 totalmente pavimentada, no entanto, conectaria esse arco de destruição florestal com áreas de floresta tropical ainda intactas e abriria as comportas para madeireiros profissionais, grileiros, pecuaristas, especuladores de terra e sem-terra.


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Este texto escrito originalmente em alemão foi publicado pelo jornal “Neues Deutschland” [Aqui!].

Destruição desenfreada na Amazônia: alertas de desmate em julho empatam com 2021

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Com 8.590 km2 de devastação captados pelo sistema Deter em 2022, Amazônia mantém tendência do governo Bolsonaro; expectativa de asfaltamento da BR-319 transforma Amazonas em novo epicentro da tragédia.

A área de alertas de desmatamento na Amazônia em julho atingiu 1.487 km2, um empate técnico em relação a julho do ano passado (1.498 km2). É uma área equivalente à da cidade de São Paulo (1.500 km2) destruída num único mês. Os dados são do Deter-B, o sistema de detecção de desmatamento em tempo real do Inpe, e foram divulgados nesta sexta-feira (12/8).

Como a medição do desmatamento é feita de agosto de um ano a julho do ano seguinte, já é possível estimar a área acumulada de alertas na Amazônia em 2022: 8.590 km2, a terceira mais alta da série histórica iniciada em 2015 (todas ocorreram no regime Bolsonaro). Isso deve refletir numa taxa oficial de desmatamento acima dos 10.000 km2 pelo quarto ano consecutivo. Os dados finais vêm de um outro sistema do Inpe, o Prodes, que é mais acurado que o Deter, mas cujas estimativas só são divulgadas no fim do ano.

Como no ano passado um número do Deter de 8.780 km2 correspondeu a uma taxa oficial de desmatamento de 13.038 km2, ainda não é possível descartar uma inédita quarta elevação seguida na destruição da Amazônia. Jair Bolsonaro já é hoje o único presidente desde o início do monitoramento por satélite da floresta (em 1988) a ver o desmatamento crescer por três anos seguidos de seu mandato.

“É mais um número que estarrece, mas não surpreende: o desmatamento fora de controle na Amazônia resulta de uma estratégia meticulosa e muito bem implementada de Bolsonaro e seus generais para desmontar a governança socioambiental no Brasil”, afirma Marcio Astrini, secretário executivo do Observatório do Clima.

O sistema Deter foi criado em 2004 e não serve para calcular área desmatada; seu objetivo é detectar o desmate enquanto ele acontece para orientar a fiscalização do Ibama. A administração de Bolsonaro, no entanto, destruiu a fiscalização: segundo dados do MapBiomas Alerta, apenas 2,4% dos alertas de desmatamento emitidos pelos satélites corresponderam a uma ação em campo de autuação ou embargo de propriedade pelos órgãos ambientais federais de 2019 a 2021.

Não foi só a inação que levou o corte raso a sair do controle: a ação também. Durante o governo Bolsonaro, o asfaltamento da BR-319, rodovia que corta o maior bloco de florestas intactas da Amazônia, começou a avançar mais rapidamente — até a concessão da licença prévia para o trecho ambientalmente mais sensível da obra, no último dia 28, atropelando pareceres de técnicos do próprio governo.

A expectativa da pavimentação foi um dos fatores que levaram o desmatamento a explodir no Amazonas. O Estado passou Mato Grosso pela primeira vez como segundo mais desmatado da Amazônia Legal em 2022 (o Pará é o líder). Foram 3.072 km2 de alertas no PA, 2.292 no AM e 1.433 em MT. Os municípios de Lábrea (AM) e Apuí (AM), na zona de influência da BR, foram respectivamente o 1º e 2º com maior área de alertas de desmatamento de toda a região amazônica.

“A divulgação dos dados do Deter um dia depois da festa cívica da leitura das cartas pela democracia nos lembra do risco que a floresta e o país correm caso Bolsonaro triunfe em seu plano de romper a ordem institucional no Brasil”, completa Astrini. “Qualquer solução para a floresta começa em outubro, nas urnas, com a derrota do mandatário que deu ao crime o controle sobre metade do território do Brasil.”

Sobre o Observatório do Clima – Fundado em 2002, é a principal rede da sociedade civil brasileira sobre a agenda climática, com mais de 70 organizações integrantes, entre ONGs ambientalistas, institutos de pesquisa e movimentos sociais. Seu objetivo é ajudar a construir um Brasil descarbonizado, igualitário, próspero e sustentável, na luta contra a crise climática. Desde 2013 o OC publica o SEEG, a estimativa anual das emissões de gases de efeito estufa do Brasil.

É hoje! Anunciando o lançamento do livro “Em defesa do Eldorado” de Bernardo Salgado Rodrigues

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É hoje o lançamento do livro “Em defesa do Eldorado: competição internacional pela Amazônia Brasileira e Sul-Americana” de Bernardo Salgado Rodrigues e que trata de uma questão estratégica para o futuro do Brasil que é a integração da Amazônia à economia capitalista. O lançamento ocorrerá no Multifoco Bistrô que está localizado no centro da cidade do Rio de Janeiro.

Abaixo segue uma breve descrição da obra:

Amazônia se apresenta como uma das últimas fronteiras de expansão do capitalismo mundial. Como uma área geopoliticamente estratégica para o crescimento da economia mundial, constitui um espaço vital do século XXI. Assim sendo, inúmeros são os desafios dos países amazônicos: no plano doméstico, se apresenta a questão da sua “ocupação e integração” com a efetiva presença do Estado; no regional, a integração com os países vizinhos sob a máxima de “integrar para não entregar”; no internacional, a problemática da histórica disputa pelos seus territórios com o binômio “soberania ou internacionalização”.

Os fatos citados denotam a importância de uma estratégia para a Amazônia Brasileira, haja vista que novas modalidades de guerra e disputa se encontram cada vez mais presentes. Esta preocupação, tão recorrente nos países centrais do sistema internacional, carece de uma fundamentação teórica e científica mais assertiva no contexto específico e estritamente particular das condições amazônicas.

O presente livro busca delinear uma narrativa das disputas internacionais na Amazônia desde a colonização até os dias atuais. Desta forma, verifica-se a presença crescente das potências estrangeiras, e como essa expansão é diretamente proporcional à carência de um projeto autônomo de defesa. Logo, uma pauta propositiva é necessária a fim de qualificar o debate contemporâneo acerca de um projeto estratégico baseado na ciência, tecnologia e inovação para a Amazônia Brasileira e Sul-Americana.

Alertas de desmatamento do mês de julho fecham mais um ano de destruição

De agosto a julho deste ano, monitoramento registrou 8.590 km² de alertas de desmatamento

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IDesmatamento de floresta pública não destinada na Amazônia – Christian Braga / Greenpeace Brasil

Manaus, 12 de agosto, de 2022 – Dados do sistema DETER, do Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe), divulgados hoje mostram 1.487 km² de alertas de desmatamento no mês de julho. Trata-se do 4° maior número da série histórica, somente perdendo para os anos anteriores do governo atual. No acumulado de 1° de agosto 2021 a 31 de julho 2022, período em que a taxa anual do desmatamento é medido, os alertas apontaram para uma área total desmatada de 8.590 km², uma pequena queda de 2% em relação ao ano passado, porém, analisando os últimos três anos, foram em média 8.862 km² de alertas por ano, área 65,6 % maior que os 5.351 km² que é a média dos três anos anteriores.

“O que chamou atenção nos sobrevoos que realizamos neste último ano, além do avanço do desmatamento, é a quantidade de grandes áreas desmatadas em terras públicas não destinadas, em propriedades privadas e até mesmo em áreas protegidas. Isso reitera que o desmatamento da Amazônia não é fruto da pobreza e do desespero de pessoas em situação de grande vulnerabilidade. Trata-se de esquema organizado, patrocinado por grandes proprietários e grileiros de terra que sentem-se protegidos pelo derretimento das políticas de proteção ambiental e combate ao desmatamento que ocorreram nos últimos anos”, afirma Rômulo Batista, porta-voz de Amazônia do Greenpeace Brasil.

Acesse fotos e vídeos dos sobrevoos realizados entre agosto de 2021 e julho de 2022

Dentre os Estados que mais desmataram, destaca-se o Pará, que registrou 3.072 km² (35,7% do total), seguido pelo Amazonas com 2.292 km² (26,7% do total). Apesar da pequena queda no acumulado dos últimos 12 meses, tivemos seis meses onde o sistema DETER-B de alertas de desmatamento foram recorde desde 2016, ano do início de sua operação. Além do atual cenário de destruição ambiental, avançam também no Congresso projetos de lei que dão ao povo brasileiro ainda mais motivos para se preocupar, tal como o 2633/2020, que anistia grileiros, e o PL 490/2007, que abre terras indígenas para atividades predatórias, acrescentam mais uma camada de pressão sobre nossas florestas.

“Ao invés do poder executivo e dos parlamentares estarem focados em conter os impactos da destruição da Amazônia sobre a população e o clima, no combate ao crime que avança na floresta, e que não só destrói nossas riquezas naturais, mas também a imagem e a economia do país, eles tentam aprovar projetos que irão acelerar ainda mais o desmatamento, os conflitos no campo e a invasão de terras públicas. Nosso país não precisa da aprovação destes projetos, mas sim de uma política que promova um real avanço no combate ao desmatamento, queimadas e grilagem de terras e que defenda os povos da floresta”, finaliza Rômulo.

Com aumento de queimadas, degradação pode ser ameaça à Amazônia

Pesquisadora do Climate Policy Initiative (CPI/PUC-Rio), Clarissa Gandour, explica como focos de fogo, que devem se tornar ainda mais frequentes entre agosto e setembro, geram degradação ambiental

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  • O desmatamento não é o único dano ambiental que afeta a Amazônia brasileira. A degradação florestal – a perda gradual de vegetação – é uma uma ameaça relevante à preservação da floresta. Ela afeta uma área bem maior do que o desmatamento em corte raso. Entre 2017 e 2020, o sistema Sistema de Detecção de Desmatamentos em Tempo Real (DETER) emitiu uma média de 17.000 quilômetros quadrados de alertas de degradação florestal por ano. Isso é quase o dobro da área desmatada anualmente medida pelo Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (PRODES) neste mesmo período.
     
  • As queimadas são uma das principais causas de degradação florestal na Amazônia. Entre 2017 e 2020, os alertas referentes a áreas queimadas na Amazônia representaram 70% da área degradada detectada pelo DETER. A ocorrência de fogo na Amazônia é mais comum no período de seca, com auge nos meses de agosto e setembro. Os números são preocupantes. Só no mês passado, dados do Instituto Nacional de Pesquisa Espaciais (Inpe) mostram que o número de focos de incêndio foi 8% maior em relação ao mesmo período do ano passado.
     
  • O fogo não é um fenômeno natural em florestas tropicais em razão da alta umidade desse ecossistema. Isso significa que o fogo em florestas úmidas, como a Amazônia, resulta da ação humana. Em áreas já desmatadas, ele é tipicamente usado para eliminar remanescentes de biomassa no terreno ou como técnica de manejo agropecuário. O fogo também pode atingir áreas de floresta tanto devido a práticas intencionais quanto a vazamentos acidentais de queimadas em áreas já desmatadas.
     
  • Como florestas tropicais são úmidas, elas não queimam facilmente de uma só vez. O primeiro contato com o fogo consome a vegetação mais frágil e compromete a resiliência da remanescente, que se torna mais vulnerável a queimadas subsequentes. Ou seja, o fogo produz estragos não só durante a sua ocorrência, mas também nos anos posteriores.
     
  • O fogo torna a floresta menos resiliente a danos futuros, contribui para a perda de biodiversidade e afeta a capacidade de a floresta absorver e estocar carbono. Os incêndios também contribuem para o agravamento da crise climática, ao liberar toneladas de gás carbônico para a atmosfera.
     

Ao longo do mês de agosto, o CPI/PUC-Rio realizará uma campanha em suas redes sociais para trazer mais informações sobre #fogoflorestal e #queimadas. Confira no Twitter (CPI_PUCRio), LinkedIn (Climate Policy Initiative/PUC-Rio) e Instagram ( CPI_PUCRio).

O desmatamento está avançando na Amazônia com consequências catastróficas

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Espaço para pecuária e cultivo de soja em vez de mata atlântica: desmatamento na fronteira da Amazônia (28 de julho de 2021)

Por Norbert Suchanek para o JungeWelt

O desmatamento na Amazônia brasileira continua. Durante os primeiros seis meses deste ano, 3.988 quilômetros quadrados de floresta tropical foram desmatados, 10% a mais do que no mesmo período do ano passado. Esse é o resultado dos últimos dados de satélite do Instituto de Pesquisas Espaciais INPE, responsável pelo monitoramento florestal. O aumento do desmatamento levou ao aumento dos incêndios florestais em junho. A situação pode piorar nos próximos meses mais secos, teme a ecologista Manoela Machado, do Woodwell Climate Research Center, informou a agência de notícias Reuters em 8 de julho. “Se tivermos muito desmatamento, é inevitável que também tenhamos muitas queimadas”, diz o pesquisador.

Após a derrubada e remoção das árvores valiosas, os abatedores geralmente incendeiam a floresta remanescente para ganhar terras aproveitáveis ​​para criação de gado ou cultivo de soja. Também é alarmante que o desmatamento tenha aumentado, especialmente na região central da Amazônia. De janeiro a junho deste ano, o estado do Amazonas registrou mais destruição de floresta tropical pela primeira vez do que os líderes anteriores Rondônia, Mato Grosso e Pará no sul e sudeste da região. Machado: “Esta é uma notícia extremamente ruim.”

A reforma da rodovia federal BR-319, com quase 900 quilômetros de extensão, que vem sendo discutida há anos, também visa o coração da bacia amazônica. Segundo o renomado cientista Philip Martin Fearnside, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia INPA, este projeto é atualmente a pior ameaça para toda a região e além, como explicou em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo em 17 de julho.

O governo militar brasileiro fez com que a BR-319, inaugurada em 1976, cortasse a floresta tropical para ligar a capital amazônica de Manaus a Porto Velho, no estado de Rondônia, no sudoeste da Amazônia. No entanto, defeitos de construção e altos custos de manutenção fizeram com que a »trilha da selva« se tornasse cada vez mais intransitável e, finalmente, em 1988, foi completamente abandonada e deixada por conta própria.

Embora o presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2003) quisesse renovar a estrada construída durante a ditadura, foi seu sucessor, Lula da Silva, que começou a restaurá-la em 2005. No entanto, as avaliações de impacto ambiental interromperam o projeto em 2015. Agora é o atual presidente de direita Jair Bolsonaro que o apoia veementemente e quer avançar independentemente das perdas.

Faltam cerca de 400 quilômetros de asfalto na área núcleo e uma licença ambiental para concluir a BR-319, que Fearnside acredita que nunca deve ser emitida.

O pesquisador da Amazônia de 75 anos tem certeza de que a restauração dessa estrada terrestre levará ao desmatamento do grande bloco de floresta tropical no coração da Amazônia, que até agora está praticamente intacto. E esse pode ser o chamado ponto sem volta para toda a região, ou seja, o ecossistema amazônico pode entrar em colapso com graves consequências climáticas em todo o mundo e principalmente para o abastecimento de água potável do Sudeste do Brasil, que depende em grande parte das chuvas vindas da Amazônia região. Em 2018, o cientista climático brasileiro Carlos Nobre estimou que esse ponto sem retorno poderia ser alcançado com 20 a 25% de desmatamento na floresta amazônica. Hoje, de acordo com Fearnside, 20% da floresta tropical já foi destruída.


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Este texto escrito originalmente em alemão foi publicado pelo jornal “JungeWelt” [Aqui!].

Conversão de florestas em pastagens devasta a Amazônia brasileira

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Visão impressionante da magnitude do desmatamento da Amazônia no estado brasileiro do Maranhão Crédito da imagem: Felipe Werneck (Ibama)/Flickr , sob licença Creative Commons (CC BY-SA 2.0)

“Não sabemos nem medir o impacto do corte de uma árvore na biodiversidade , e na Amazônia estamos falando de milhares de quilômetros quadrados de desmatamento”, disse Niro Higuchi, cientista do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, em Manaus , disse SciDev.Net .

Higuchi, que não participou da pesquisa do PNAS, considera importante que a ciência se preocupe em explicar as causas do desmatamento, “porque sem essa informação não podemos prever os rumos desse fenômeno”.

Ele também destacou a necessidade de incorporar o estudo das trocas de água e carbono entre as florestas e a atmosfera e saudou a inclusão da biodiversidade no artigo.

O objetivo da pesquisa foi justamente medir os diferentes níveis de impacto sobre os componentes da ecologia amazônica, como biodiversidade, estoques de carbono e qualidade do solo. Os pesquisadores constataram que a biodiversidade é o componente ecológico mais afetado por todas as atividades humanas avaliadas.

Agricultura mecanizada , pastagens para alimentação de gado, corte e queima da Amazônia são outras atividades humanas que contribuem para o desmatamento e degradação florestal na Amazônia brasileira, embora cada uma tenha efeitos diferentes.

Assim, a transformação do solo amazônico em pastagens diminuiu a diversidade de espécies entre 18 e 100 por cento. Além disso, a magnitude das terras afetadas por essa transição chega a uma média de 24.000 quilômetros quadrados por ano. Dessa forma, torna-se a única atividade classificada como de alto impacto e com maior prevalência.

No entanto, eles também chamam a atenção para as transições da floresta tropical para a agricultura mecanizada. Nesses casos, o impacto ecológico na floresta amazônica foi o mais alto, com redução de 100% na diversidade de árvores e cipós, além de -77,9% de aves, entre outros componentes. No entanto, seu nível de ocorrência é menos frequente.

Através de suas pesquisas nas paisagens de selva de Santarém e Paragominas no estado do Pará, no norte do Brasil, eles também determinaram que as florestas secundárias (terras desmatadas em processo de regeneração) são áreas cuja proteção é de extrema importância nos esforços para regenerar a Amazônia Brasileira.

“Florestas secundárias com 20 anos podem ter níveis de biodiversidade e estoques de carbono quase semelhantes às florestas primárias [aquelas sem intervenção humana]. É importante deixá-los amadurecer e protegê-los.”

Cássio Alencar, Universidade Federal de Lavras, Brasil, e Lancaster University, Reino Unido

Dessa forma, os autores pretendem oferecer evidências robustas para subsidiar a tomada de decisões sobre conservação e regeneração de florestas tropicais no Brasil.

“Florestas secundárias com 20 anos podem ter níveis de biodiversidade e estoques de carbono quase semelhantes às florestas primárias [aquelas sem intervenção humana]. É importante deixá-los amadurecer e protegê-los”, destaca o líder da pesquisa, Cássio Alencar.

Nesses tipos de paisagens, a diversidade de árvores altas dobrou, enquanto o número de árvores pequenas aumentou 55%.

“Estamos tentando trazer esses resultados para a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas para destacar a importância de levar em consideração a perda de biodiversidade, não apenas a perda de serviços de carbono”, continua o pesquisador da Universidade Federal de Lavras, no Brasil. Lancaster University do Reino Unido.

Desmatamento continua a aumentar na Amazônia

De acordo com o Sistema de Alerta de Desmatamento, publicado mensalmente pelo Instituto do Povo e Meio Ambiente da Amazônia, em maio deste ano a área de território desmatado no Brasil aumentou 31% em relação a maio de 2021. Os mais afetados são os estados do Brasil. Amazonas, Pará, Mato Grosso, Rondônia, Acre e Maranhão.

Por outro lado, as áreas florestais degradadas (que sofreram alguns danos enquanto permanecem floresta tropical) aumentaram 67% em relação a maio de 2021.

O desmatamento é um fenômeno que atinge todos os países por onde se estende a floresta amazônica. De acordo com o Projeto de Monitoramento da Amazônia Andina, Brasil, Bolívia, Peru e Colômbia concentraram os maiores níveis de danos à floresta tropical em 2021.

Naquele ano, a Bolívia perdeu 161.000 hectares de floresta primária devido ao desmatamento. O Peru, por sua vez, viu a extensão de sua floresta diminuir em 132.400 hectares e a Colômbia em 98.000 hectares.

Cássio Alencar e sua equipe visitaram 310 parcelas para realizar o estudo. Ele descreve a experiência de entrar em uma área danificada pelo desmatamento como uma visão silenciosa: “Às vezes você encontra uma floresta vazia. Você não vê os animais, você não os ouve. É assim que se sente quando uma floresta foi danificada.”

Link para estudo completo no PNAS


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Este texto escrito originalmente em espanhol foi publicado pela SciDev [Aqui!].

Documentos mostram que ouro extraído ilegalmente na Amazônia está sendo comprado por grandes corporações de tecnologia

garimpeiroGarimpeiro usa uma bacia e mercúrio para encontrar ouro em uma área desmatada da floresta amazônica  no município de Itaituba, estado do Pará  

Por Jake Spring para a Reuters 

SÃO PAULO (Reuters) – A polícia brasileira alega que uma refinaria italiana comprou ouro de um comerciante que o compra ilegalmente na região da floresta amazônica, de acordo com documentos da polícia, e divulgações corporativas mostram que a refinaria forneceu o metal precioso para quatro das maiores empresas de tecnologia do mundo .

Registros públicos da Amazon.com (NASDAQ: AMZN ), Apple (NASDAQ: AAPL ), Microsoft (NASDAQ: MSFT ) e Alphabet (NASDAQ: GOOGL ) nomeiam a empresa privada italiana Chimet como fonte de algum ouro usado em seus produtos. As empresas de tecnologia costumam usar pequenas quantidades do metal em placas de circuito para eletrônicos de consumo.

De acordo com documentos policiais obtidos pela empresa de jornalismo investigativo Repórter Brasil e revisados ​​pela Reuters, a polícia federal brasileira acusou Chimet de comprar milhões de dólares em ouro do comerciante CHM do Brasil, que supostamente adquiriu o metal precioso ilegalmente de garimpeiros.

A CHM do Brasil, respondendo às perguntas por meio de um advogado, disse que todo o seu ouro foi adquirido legalmente com documentação adequada.

A mineração ilegal aumentou no Brasil desde que o presidente de direita Jair Bolsonaro assumiu o cargo em 2019, defendendo os invasores e buscando legalizar a mineração em terras indígenas.

As minas não regulamentadas destruíram as terras da floresta tropical na Amazônia enquanto poluíam rios com mercúrio mortal. Os mineiros entraram em confronto violento com as tribos indígenas que protegiam suas terras, deixando um rastro de morte, doenças e intimidações.

O think tank brasileiro de sustentabilidade Instituto Escolhas estimou que o país produziu 84 toneladas de ouro ilegal nos primeiros dois anos de Bolsonaro no cargo, um aumento de 23% em relação aos dois anos anteriores e equivalente a quase metade da produção total de ouro do Brasil.

 “Uma empresa que está comprando ouro do Brasil já sabe que há um risco enorme de comprar ouro ilegal – ouro de sangue da Amazônia”, disse Larissa Rodrigues, autora do relatório Escolhas.

Um representante da Chimet disse que a empresa cortou relações com a CHM ao saber das alegações em outubro de 2021, quando a polícia realizou batidas em nove estados brasileiros e no distrito federal visando a CHM e outros supostamente envolvidos no comércio ilegal de ouro.

Um documento policial resumindo a investigação datado de agosto de 2021 afirma que Chimet supostamente comprou 2,1 bilhões de reais (US$ 385 milhões) em ouro da CHM entre 2015 e 2020.

Um porta-voz da Polícia Federal no estado do Pará se recusou a comentar a investigação porque ela está em andamento e permanece sob sigilo. As acusações provavelmente serão anunciadas quando a investigação for concluída ainda este ano, disse ele.

Os promotores federais teriam então que decidir se apresentariam queixa, acrescentou.

As quatro empresas de tecnologia dos EUA listaram a Chimet entre mais de 100 refinarias de ouro em suas cadeias de suprimentos durante o período de cinco anos da investigação e nas divulgações mais recentes de 2021.

A Chimet não tem um relacionamento direto com as quatro grandes empresas de tecnologia, mas vende ouro para bancos que podem revendê-lo para diversos usos, disse o representante da empresa, Giovanni Prelazzi, em comunicado à Reuters. Ele não citou os bancos.

A Apple não abordou especificamente a Chimet, mas disse em comunicado que suas políticas proíbem o uso de minerais extraídos ilegalmente. As empresas que não podem cumprir são removidas de sua cadeia de suprimentos, disse a fabricante do iPhone.

Amazon, Alphabet e Microsoft se recusaram a comentar.

A Chimet disse que, após tomar conhecimento da investigação da CHM no Brasil, contratou a empresa de contabilidade Deloitte para realizar uma auditoria de seus outros fornecedores e em abril de 2022 foi novamente certificada pela associação de mercado de barras LBMA como atendendo aos padrões de fornecimento responsável de ouro.

Um representante da LBMA disse à Reuters que as ações da Chimet mostraram que problemas semelhantes não existiam com outros fornecedores e que os métodos de verificação estavam sendo fortalecidos.

Não registrado

Os documentos policiais alegam que a CHM não estava registrada no Banco Central do Brasil como uma entidade legalmente autorizada a comprar e vender ouro, conhecidas como DTVMs.

A CHM não aparece no diretório online do banco central de DTVMs registradas. É ilegal para qualquer pessoa, exceto mineradores e suas associações, comprar e vender ouro no Brasil sem tal registro.

A CHM disse que não comprou ouro como instrumento financeiro e que não é necessário registro para comprar ouro como commodity.

O banco central disse que não regulamenta “operações com ouro classificado como commodity”.

Uma análise de 2020 das leis relevantes por promotores federais descobriu que esse registro é necessário para qualquer pessoa que não seja mineradora para comprar e vender ouro, independentemente de seu uso.

Registros financeiros de transferências bancárias mostram que a CHM comprou ouro da cooperativa e diretamente de vários indivíduos no sul do estado do Pará, que faz parte da Amazônia brasileira.

 A cooperativa COOPEROURI tem permissão para minerar em uma área próxima à reserva indígena Kayapó protegida, mas a polícia encontrou tanto a CHM quanto a cooperativa comprada de garimpeiros independentes sem licença, de acordo com os documentos da investigação.

A direção COOPEROURI não foi encontrada para comentar. 

O relatório da polícia disse que os garimpeiros cooperativos e individuais estariam extraindo minério ilegalmente na reserva indígena, embora não tenha indicado a base para essa alegação.

No relatório policial, imagens de satélite da reserva Kayapó – uma região maior que a Bélgica – mostram vastas faixas de piscinas de mineração lamacentas e pistas de pouso clandestinas para acessá-las.

(US$ 1 = 5,45 reais)


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Este texto escrito originalmente em inglês foi publicado pela agência Reuters [Aqui!].

Relatório Anual de Desmatamento mostra situação gravíssima na Amazônia e no Cerrado com papel central da pecuária na destruição das florestas

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Acaba de ser liberado o terceiro “Relatório Anual de Desmatamento” produzido pelo projeto Mapbiomas, abrangendo todos os biomas brasileiros, com três objetivos manifestos:

◆ Apresentar um panorama consolidado sobre os alertas de desmatamento detectados em todos os biomas brasileiros ao longo do ano de 2021 e que foram validados e refinados com imagens de alta resolução pelo projeto MapBiomas Alerta

◆ Apresentar uma avaliação do grau de regularidade do desmatamento e uma estimativa do total de desmatamento com evidências de ilegalidade.

◆ Apresentar um panorama das ações realizadas pelos órgãos de controle ambiental e do setor privado
para controlar e combater o desmatamento ilegal.

Os autores do RAD 2021 esclarecem que os dados de desmatamento processados e analisados neste relatório se limitam aos locais onde houve alertas de detecção de desmatamento pelos sistemas de monitoramento (ex. DETER/INPE, SAD/Imazon, GLAD/UMD, SAD Caatinga/Geodatin e SIRAD-X/ISA).  E que, portanto, apesar dos números apresentados serem expressivos, os mesmos ainda subestimam, em
algum grau, o desmatamento real, já que existem áreas desmatadas que não foram detectadas por esses sistemas.

Amazônia e Cerrado como foco do desmatamento no Brasil

Os dados do RAD 2021 mostram que cerca de 90% do desmatamento ocorrido estão situados nos biomas da Amazônia e do Cerrado, sendo que os 3 estados com maior nível de desmatamento (i.e., Amazonas, Mato Grosso e Pará) estão localizados dentro da Amazônia Legal. No entanto, há ainda um avanço considerável também na Caatinga, que está paulatinamente sendo desmatada (ver figura abaixo).

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Os números em relação aos municípios onde o desmatamento está concentrado também indicam que dos 50 municípios mais desmatados, a imensa maioria está localizado nos estados amazônicos, o que explica que apenas 10 municípios pertencentes à região Norte concentrem 23% de todo o desmatamento realizado em 2021.

Além disso, o RAD 2021 aponta que houve um avanço significativo sobre unidades de conservação e terras indígenas (que são categorias de terras públicas), o que reforça o aspecto criminoso da destruição completa das florestas que estas áreas protegidas abrigam (ver figuras abaixo para visualizar a situação das unidades de conservação e terras indígenas).

Outro detalhe importante se refere ao papel central que a pecuária vem desempenhando na destruição das florestas brasileiras, na medida que 97% dos desmatamentos ocorridos em 2021 estão relacionados ao aumento da criação do gado bovino, reforçando a tese de que estamos trocando a rica biodiversidade existente nas florestas brasileiras pelo direito de comer hambúrger em alguma rede de fast food que termina amealhando fortunas em troca de uma pseudo comida turbinada com desmatamento.

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De toda forma, os números gerais do RAD 2021 são dramáticos e, uma vez mais, expõe a situação catastrófica criada pelo governo de Jair Bolsonaro que agiu para desmantelar todo o frágil sistema de comando e controle que conseguia conter o avanço descontrolado do desmatamento no Brasil. Com isso, temos a perda de áreas significativas de florestas, sem que haja qualquer vislumbre de que se esteja buscando formas sustentáveis de ocupar a Amazônia e o Cerrado, ao contrário do que declaram as entidades ligadas ao latifúndio agro-exportador.

Quem desejar baixar o arquivo contendo o sumário dos dados do RAD 2021, basta clicar [Aqui!] .