Ernesto Araújo é desmentido em rede mundial sobre as queimadas da Amazônia

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A vergonha que o Brasil passa toda vez que seu ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, abre a boca para proferir algum absurdo lógico. Mas ontem (04/09) o nível de vergonha brasileira (já que o ministro parece ter perdido a capacidade de se envergonhar) atingiu outro patamar durante uma entrevista concedida à rede estadunindense CNN onde Ernesto Araújo estava sendo entrevistado pela âncora Christianne Amanpour e teve a pachorra de afirmar que “a Amazônia não está queimando acima do normal. Tivemos incêndios este ano um pouco mais que no ano passado, mas um pouco abaixo da média nos últimos 20 anos” (ver vídeo abaixo)

O problema para Araújo é que, enquanto ele tentava desmentir o óbvio, a CNN mostrava simultaneamente cenas das queimadas que estão devastando a Amazônia brasileira neste momento. Em outras palavras, a CNN demonstrou, ainda que subliminarmente que o chanceler brasileira estava mentindo para a audiência mundial que a emissora possui.

Depois que ocorrer uma boicote mundial às commodities agrícolas brasileiras por causa da postura anti-ambiental do governo Bolsonaro e de ministros como Ernesto Araújo, ainda vai ter gente que ficará surpresa. 

Mas, convenhamos, com um tipo de ” anti poster boy” como Araújo, como é que se pode esperar qualquer resultado que não seja um bloqueio comercial ao Brasil?

Por causa da Amazônia, de Portugal à Suécia cresce a pressão pelo boicote à carne brasileira

boicote

Dois jornais europeus (um de Portugal e outro da Suécia) publicaram de ontem para hoje matérias que colocam claramente em xeque as exportações da carne bovina produzida pelo Brasil por causa do atual ciclo de desmatamento e fogo que está ocorrendo na Amazônia brasileira.

carne brasileiracarne suecia

No caso português, a matéria assinada pela jornalista Margarida Cardoso informa que um número crescente de açougues e restaurantes portugueses estão trocando a carne brasileira por aquelas produzidas no Uruguai e na Argentina. A razão para isto é simples: os portugueses estão questionando cada vez mais a procedência da carne que irão consumir. 

Essa propensão dos portugueses a não querer consumir carne oriunda de desmatamentos realizados na Amazônia brasileira também está aparecendo em outros países da Europa, incluindo a Suécia que foi palco da primeira convocação de boicote aos produtos agrícolas brasileiros por meio de uma convocação realizada pelo CEO da rede de mercearias orgânicas Paradiset, Johannes Cullberg (ver vídeo abaixo dirigido aos brasileiros).

Um elemento novo que está surgindo nos países europeus é que a população parece não estar disposta a esperar pela ação de seus governos para impor de forma difusa um boicote popular aos produtos brasileiros. Esse boicote de natureza popular será mais difícil de ser combatido pelos próprios governantes europeus que não têm demonstrado muita disposição para enfrentar as políticas anti-ambientais do governo Bolsonaro, a começar por Angela Merkel que continua defendendo o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, apesar do que está acontecendo na Amazônia.

Diante do quadro que está se formando na Europa, fico curioso sobre como se comportarão os barões do agronegócio exportador diante dos danos evidentes que as políticas anti-ambientais implantadas pelo governo Bolsonaro estão tendo sobre seus lucros.

O Brasil na imprensa alemã (28/08)

Queimadas na Amazônia continuam dominando o noticiário na Alemanha. Mídia atribui desastre à política ambiental de Bolsonaro e sua ligação com o agronegócio. Mas consumidores alemães também são responsáveis, diz revista.

queimada“Imagens de florestas tropicais queimadas e troncos de árvore carbonizados correm o mundo”

Süddeutsche Zeitung – Dias de fogo (26/08)

Em face dos devastadores incêndios na Amazônia, cresce a pressão para que o Brasil mude sua política ambiental. Também o ministro alemão do Exterior, Heiko Maas, propõe agora que o Brasil seja pressionado a adotar uma maior proteção climática por meio do acordo comercial com o Mercosul. “O fato de o acordo com o Mercosul ter sido finalmente resolvido nos dá oportunidades e meio de pressão para influenciar o que lá acontece”, disse o político social-democrata nesta segunda-feira. Ele acrescentou que existem certos valores e padrões “sem os quais nós não embarcamos”. O presidente francês, Emmanuel Macron, também fez comentários similares.

(…)

As Forças Armadas brasileiras começaram a jogar água nas áreas de incêndio com aviões de transporte Hércules. Ao mesmo tempo, a polícia está investigando os organizadores do chamado Dia do Fogo. A mídia local relatou que fazendeiros teriam combinado de queimar grandes áreas ao mesmo tempo, para dar espaço para pastos e plantações de soja. O ministro da Justiça, Sergio Moro, tuitou: “Incêndios criminosos na Amazônia serão severamente punidos.”

Esse é um novo tom, já que o presidente Jair Bolsonaro vem incentivando os agricultores a produzir fatos. O Ministério do Meio Ambiente teria tido conhecimento do planejado “Dia do Fogo”, mas não fez nada, segundo tuitou o jornalista investigativo Glenn Greenwald, que mora no Brasil. A diretora da Fundação Heinrich Böll no Rio de Janeiro, Annette von Schönfeld, também não vê mudanças políticas. “O governo Bolsonaro realmente não tem nenhum pensamento de política ambiental”, disse.

Spiegel Online – O negócio bilionário com os recursos naturais do Brasil (23/08)

Jair Bolsonaro ainda tem grandes planos para a Amazônia. Ele queria fazer da imensa área em torno do mais poderoso rio do mundo a “alma econômica” do Brasil, como anunciou o presidente recentemente durante uma visita à cidade de Manaus. “Nossa Amazônia, a região mais rica do planeta Terra”, disse Bolsonaro, acrescentando que ela pode se tornar o ponto de partida para uma nova recuperação econômica por todo o país. Em harmonia com a proteção ambiental, é claro.

O aumento dramático no desmatamento desde que Bolsonaro assumiu em janeiro ainda era uma questão regional na Amazônia naquela época. Mas agora as imagens de florestas tropicais queimadas, troncos de árvore carbonizados, grandes clareiras estéreis e o céu cinza escuro sobre São Paulo correm o mundo. E as estatísticas do instituto de pesquisa estatal Inpe parecem dar razão a todos os críticos, que sempre alertaram que a Amazônia seria impiedosamente explorada sob a égide de Bolsonaro.

(…)

Bolsonaro havia anunciado que reduziria as multas por delitos ambientais, reduziria os controles e liberaria as reservas indígenas para a mineração. Para ele, a conservação da natureza deve estar subordinada aos interesses da economia. E existem algumas empresas, corporações e indústrias que ganham muito dinheiro com a exploração da Amazônia. Em primeiro lugar está a poderosa indústria agrícola.

Focus Online – Nossa fome por carne e soja alimenta os incêndios florestais no Brasil (24/08)

As florestas tropicais do Brasil se tornaram um brinquedo das corporações do agronegócio. Onde hoje há incêndios, tem gado pastando amanhã. Os consumidores na Alemanha também são responsáveis pela ameaça à Região Amazônica. O maior apetite, no entanto, é dos chineses.

As imagens da floresta tropical em chamas no Brasil estão causando preocupação em todo o mundo. Embora os incêndios aconteçam a milhares de quilômetros da Alemanha, o desastre do outro lado do Atlântico também tem a ver com o comportamento do consumidor na Europa. Acima de tudo, o desejo por bifes suculentos e costeletas quentes alimenta o desmatamento e a queimada de grandes áreas na Amazônia.

“É claro que nossas ações na Alemanha têm muito a ver com a perda da floresta tropical”, diz o professor da economia mundial de alimentos da Universidade de Göttingen, Matin Qaim. “Por exemplo, estamos importando grandes quantidades de soja como ração para nossos bovinos e suínos, e o aumento do cultivo da soja está contribuindo para o corte de florestas tropicais no Brasil.”

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Este compêndio de notícias da imprensa alemã sobre a catástrofe ambiental na AmaZônia foi originalmente publicado pela Deutsche Welle [Aqui!].

Amazônia em chamas: couro, carne e soja são as primeiras baixas da catástrofe ambiental causada pelo governo Bolsonaro

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O portal UOL publicou hoje um artigo assinado pelo jornalista Lucas Borges Teixeira onde são informadas as primeiras retaliações por governos estrangeiros e corporações multinacionais contra um portfólio que inclui couro, carne e soja contra o qual se inicia um boicote por causa das queimadas que estão consumindo áreas consideráveis na Amazônia brasileira.

Há que se notar que quando o fundador e CEO da rede sueca de mercearias orgânicas Paradiset, Johannes Cullberg, deu o pontapé inicial no que agora pode se transformar um amplo boicote comercial às commodities agrícolas produzidas no Brasil, muita gente deu de ombros e desconsiderou a iniciativa em função do tamanho relativamente pequeno da empresa. 

timberland

Entretanto, agora são empresas como a Nestlé e o conglomerado VF Corp (dono de marcas como KIippling, Timberland e Vans) e a Mowi (maior produtora de salmão do mundo) que estão se movendo para punir o Brasil por causa das queimadas na Amazônia. Além disso, o governo da Finlândia vem insistindo em boicote à carne brasileira. Quando colocados juntas, essas ações antecipam um processo de boicote que poderá ser devastador para a capacidade do Brasil de colocar suas commodities agrícolas em grandes mercados internacionais.

Enquanto isso no Brasil, o governo Bolsonaro insiste em uma posição que mistura arrogância com ignorância e oferece sinalizações claras que continuará desmontando a governança ambiental e os mecanismos de comando e controle existentes na Amazônia com o fechamento de escritórios do IBAMA em vários estados amazônicos. Além disso, persiste o discurso de revisão da demarcação de áreas indígenas e a abertura dessas terras à exploração por latifundiários e mineradoras.

A postura do governo Bolsonaro se assemelha a um jogador de pôquer que insiste em jogar todo o dinheiro que possui, apesar de ter ao seu dispor cartas que significam derrota certa, por acreditar que se pode blefar e sair ileso porque os adversários jamais vão pagar para ver. 

O problema é que, dados os grandes interesses em jogo por causa da importância estratégica da Amazônia na mitigação das mudanças climáticas globais, esta insistência em blefar pode trazer efeitos econômicos desastrosos para o Brasil. 

Para piorar todo esse cenário conspira o fato de que o pico das queimadas na Amazônia brasileira normalmente ocorre anualmente ao longo da primeira quinzena de setembro por motivos que se relacionam ao simples fato de que as florestas derrubadas demoram algum tempo para alcançar o ponto ideal de flamabilidade. Por isso, é bem provável que ainda vejamos grandes manifestações contra o Brasil no exterior ao longo do mês de setembro. A ver!

Queimadas na Amazônia geram boicote de grandes marcas internacionais ao couro brasileiro

California wild fire near Yosemite

Em carta enviada ao ministro (ou seria anti-ministro?) do Meio Ambiente, }Ricardo Salles,  o presidente do Centro de Indústria de Curtumes do Brasil (CICB), José Fernando Bello, informa que pelo menos 18 grandes marcas mundiais (Timberland,  Dickies,  Kipling,  Vans, Kodiak,  Terra,  Walls, Workrite,  Eagle Creek,  Eastpack, JanSport,  The North Face,  Napapijri,  Bulwark,  Altra,  Icebreaker,  Smartwoll,  Horace Small) suspenderam a compra de couro brasileiro “em função de notícias relacionando queimadas na região amazônica ao agronegócio do país”.  O presidente do CICB informa ainda que seria uma “informação devastadora” por atingir um setor que chega “a gerar US$ 2 bilhões em vendas ao mercado externo em um único ano“.

E pensar que o presidente Jair Bolsonaro chega a declarar que as questões relacionadas ao meio ambiente só importam “aos veganos que só comem vegetais“. O problema é que não apenas isso não é verdade, como muitos veganos entre os consumidores das marcas que estão suspendendo a compra de couro brasileiro por causa da devastação que as políticas anti-ambientais comandadas por ele e por Ricardo Salles tão eficazmente aplicaram em oito meses de governo.

Agora vamos ver como se vira Jair Bolsonaro em uma briga que não é com um presidente francês, mas com um ramo poderoso da indústria da moda e vestuário.  Aos consumidores dessas marcas resta agora ver de onde sairá o couro com que serão fabricados os produtos que eles tanto gostam. A ver!

ONG fundada por Leonardo DiCaprio lança fundo de defesa da Amazônia

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A EarthAlliance,  organização não-governamental criada em julho de 2019 pelo ator Leonardo DiCaprio, pela víuva do fundador da Apple, Laurene Powell Jobs e pelo investidor e filantropista Brian Sheth, formou um Fundo em Defesa da Floresta Amazônica com um compromisso de US $ 5 milhões para concentrar recursos essenciais para comunidades indígenas e outros parceiros locais que trabalham para proteger a biodiversidade da Amazônia contra o surto de incêndios atualmente queimando em toda a região.

A  Earth Alliance também lançou uma campanha mundial de arrecadação de fundos na sua página oficial, e informou que 100%  das doações irão para parceiros que estão trabalhando no local para proteger a Amazônia. Entre as primeiras organizações beneficiadas pelo Fundo Amazônia estão o Instituto Kabu (ligada aos Kayapó), o Instituto Raoni (também ligado aos Kayapó) e o Instituto Socioambiental.

Esse é um desdobramento que deverá incomodar bastante o presidente Jair Bolsonaro que já vê a ação as ações pretéritas das ONGs ambientalistas como uma espécie de obstáculo aos planos de transformar a Amazônia em uma espécie de fronteira aberta para o saque das riquezas naturais ali existentes, nem que para isso seja preciso eliminar os povos indígenas e outras comunidades tradicionais que habitam as florestas.  O fato das doações iniciais da Earth Alliance estarem indo para duas organizações ligadas à etnia Kayapó deverá ser outro elemento causador de contrariedades.

Mas o que a principal contrariedade com a decisão da Earth Alliance de lançar o Fundo Amazônia deverá ser a capacidade de atração de doações que esta ONG possui em função de estar diretamente ligada à Leonardo DiCaprio, cuja proeminência em defesas de causas ambientais o tem colocado como uma personalidade altamente confiável a amplas setores da população mundial.

A boa notícia é que esta ação do Earth Alliance irá fornecer recursos financeiros que estão em alta demanda para fazer a ampla defesa das florestas da Amazônia e de seus povos.

 

 

Após recusa de Bolsonaro ao G-7, líder de boicote aos produtos brasileiros lança campanha para financiar a proteção da Amazônia

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Após recusa do governo Bolsonaro em receber doação do G-7, líder do boicote a produtores brasileiros na Suécia lança campanha de apoio financeiro à proteção da Amazônia

O fundador e CEO da rede sueca de mercearias orgânicas Paradiset, Johannes Cullberg, que iniciou em junho uma campanha de boicote a produtos brasileiros por causa do uso de agrotóxicos banidos na União Europeia e do aumento no desmatamento na Amazônia, reagiu hoje à recusa do governo Bolsonaro em aceitar o apoio financeiro do G-7 para combater as queimadas na Amazônia.

Em vídeo, Cullberg informou que está lançando uma campanha financeira nas redes sociais e na rede Paradiset para levantar fundos que não serão entregues ao governo Bolsonaro, mas sim à ONG Earth Alliance, que é apoiada publicamente pelo ator Leonardo DiCaprio, e ao chamado Amazon Forest Fund

Johannes Cullberg também está convocando outras redes de supermercado e  quaisquer outros negócios na Suécia e na Europa a seguirem o caminho que ele está apontando, pois esta seria a hora de agir, não importando o a quão grande ou pequeno o tamanho da empresa que decida participar do movimento.

A mensagem política de Cullberg fica ainda mais clara quando ele afirma que é preciso  mostrar a Jair Bolsonaro “o incrível poder de muitos quando estamos unidos para proteger o futuro de nossos filhos” (ver abaixo o vídeo explicando o lançamento da campanha).

Essa decisão de Cullberg, mesmo que se concentre inicialmente na Suécia, tem tudo para atingir outros países da Europa em função da esperada repercussão negativa que a recusa do governo Bolsonaro em receber os recursos oferecidos pelo G-7 definitivamente terá na Europa.

Se essa campanha tiver o alcance esperado por Johannes Cullberg, estaremos diante de um exemplo claro de como arrogância misturada com forte virulência verbal tende a causar fortes prejuízos econômicos. No caso atual do atual cenário econômico do Brasil, isto terá efeitos desastrosos, e não adiantará o presidente Jair Bolsonaro ou seus ministros anti-ambiente espenearem. É que eles vão acabar colhendo o que estão plantando. Simples assim!

 

Amazônia em chamas: pirosoberania para devastar é o lema do governo Bolsonaro

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As ações do governo Bolsonaro confirmam que estamos diante de um executivo federal que está fortemente determinado a colocar o Brasil em um curso de irreversível recolonização, sendo os EUA o candidato favorito a ser a nossa nova metrópole tuteladora.  Só assim para se entender a recusa em aceitar cerca de R$ 90 millhões oferecidos pelo G-7 para auxiliar no combate aos incêndios devastadores que estão hoje ameaçando áreas inteiras da Amazônia inteira.

O interessante é que o mesmo governo que trabalha para nos transformar em uma espécie de neocolônia estadunidense age para fazer parecer que a recusa do auxílio financeiro (pequeno e claramente insuficiente, diga-se de passagem) seria uma espécie de ato em defesa da soberania nacional que estaria ameaçada pelo presidente da França, Emmanuel Macron. 

Nessa versão rocambolesca daquilo que eu já rotulei de “pirosoberania”, tivemos de ouvir o porta-voz da presidência da república, o general da reserva Otávio Santana do Rêgo Barros, que afirmou que sobre a Amazôniafalam os brasileiros e as Forças Armadas”.   A afirmação do general porta-voz seria reconfortante se o exército brasileiro não estivesse ponderando liberar 25.000 recrutas por falta de recursos financeiros.

Mais expressiva dessa versão de defesa da soberania em relação às manifestações de Emmanuel Macron são os insistentes discursos do presidente Jair Bolsonaro no sentido de abrir a Amazônia para ser explorada diretamente pelos EUAAparentemente a intromissão na soberania só aparece mesmo quando a discussão gira em torno da proteção do meio ambiente e dos povos indígenas. 

O problema para Jair Bolsonaro é que nem nos EUA a devastação da Amazônia tem apoio completo, com setores importantes se mobilizando neste momento para denunciar a devastação causada na região por uma combinação de omissão estatal que propiciou a ação livre de madeireiros, garimpeiros e grileiros.  Pior ainda será a situação se o presidente Donald Trump for apeado do poder nas eleições presidenciais que ocorrerão em 2020 e for substituído por um democrata que se alinhe mais com a visão que emanada da maioria dos líderes do G-7.

Por isso, todos os arroubos discursivos que estão sendo cometidos por Jair Bolsonaro e seus ministros contra as posições enunciadas por Emmanuel Macron podem até ser apresentados como defesa da soberania nacional, mas não resolvem a questão essencial que é o fato de que o controle sobre a Amazônia, caso a devastação em curso continue sendo tolerada, passará  inevitavelmente por um debate sobre os mecanismos de controle internacional.

Mas antes disso é possível que assistamos ao recrudescimento dos pedidos de boicote às commodities brasileiras vindas das áreas desmatadas na Amazônia.  Quando isso acontecer, e vai acontecer, vamos ver como ficarão os membros do governo Bolsonaro que hoje posam de valentes e recusam a ajuda externa para combater a devastação que suas políticas anti-ambientais trataram de acelerar.

Finalmente, quero notar aqui o massacre sofrido pelo ministro (ou seria anti-ministro) do Meio Ambiente, Ricardo Salles, no programa Roda Viva que ocorreu no dia de ontem (26/08). A clara incapacidade de Salles em responder a questões básicas levantadas pela competente bancada de jornalistas e a insistência de se comportar como um “Rolando Lero” são a melhor expressão da eficiência das políticas anti-ambientais existentes no Brasil. Mas, mesmo assim, não deixa de ser lamentável notar a que ponto chegamos graças à presença de um personagem como esse à frente de uma área tão estratégica para o destino do Brasil.

Aumento no uso agrotóxicos e crescimento do desmatamento na Amazônia: juntos e misturados

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Quando o CEO da rede sueca de mercearias Paradiset, Johannes Cullberg, decidiu lançar o seu boicote contra produtos agrícolas brasileiros, ele o fez por sua oposição ao aumento no uso de agrotóxicos proibidos na União Europa e ao crescimento das taxas de desmatamento na Amazônia (ver vídeo abaixo onde ele envia mensagem aos brasileiros para explicar as razões do seu boicote).

Pois bem, após as recentes controvérsias acerca do papel cumprido pelo governo Bolsonaro na liberação de agrotóxicos altamente venenosos (30% proibidos na União Europeia) e a celeuma causada pelo aumento exponencial das queimadas na Amazônia, as razões levantadas por Cullberg estão sendo confirmadas por pesquisadores que buscam entender as razões pelas quais o Brasil experimentou um crescimento de 25% no uso de agrotóxicos apenas nos últimos cinco anos, uma taxa considerada alta para todos os países do mundo (ver vídeo abaixo postado no canal do jornalista Bob Fernandes no Youtube.

Segundo a professora e pesquisadora do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo, Larissa Bombardi, uma das prováveis razões para o crescimento acentuado no uso de agrotóxicos no Brasil foi justamente o deslocamento do uso de agrotóxicos para estados que formam o chamado “Arco do Desmatamento” (i.e.,  Acre, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia e Tocantins). 

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O arco do desmatamento vem rapidamente se transformando no “arco dos agrotóxicos”, uma combinação que mostra que o agro é tóxico.

Em outras palavras, como havia notado Johannes Cullberg, o aumento exponencial no uso de agrotóxicos proibidos na União Europeia caminha “pari passu” com o desmatamento que em 2019 causou uma quantidade recorde de incêndios, muitos dos quais relacionados à derrubada de florestas nativas na Amazônia.

Imaginem então o que vai acontecer quando essa informação sobre conexão direta entre aumento no uso de agrotóxicos e o crescimento do desmatamento na Amazônia chegar aos segmentos sociais que hoje estão cobrando punições ao Brasil por causa das queimadas ocorrendo em 2019. 

Mídia brasileira “passa o pano” para livrar Jair Bolsonaro de suas responsabilidades na Amazônia

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Li as manchetes das matérias que dominam as capas dos principais veículos da mídia corporativa brasileira e o que vi pode ser sintetizado como um esforço coletivo de “passar o pano” na imagem combalida de Jair Bolsonaro que está completamente chamuscada pelos incêndios devastadores que suas políticas anti-ambientais alimentam na Amazônia e por seus excessos na rede social Twitter, incluindo o ataque sexista à primeira dama da França, a qual já foi vigorosamente respondido por Emmanuel Macron.

Aliás, no tocante às manifestações de Emmanuel Macron, o que verifiquei foi a existência de uma tentativa de mostrá-lo como voz isolada dentro do G-7 e que teria sido derrotado em suas postulações em relação ao controle internacional da Amazônia, caso o Brasil continue permitindo a devastação de uma região que possui papel estratégico no controle das mudanças climáticas.

Aqui é preciso que ninguém caia nesse engano, pois não apenas Emmanuel Macron não é uma voz isolada, pois outros países membros da União Europeia estão dispostos a seguir a mesma orientação da França.  O que parece ter havido na reunião do G-7 foi a tomada de uma posição mais pragmática em prol dos interesses comerciais dos seus membros, principalmente os da Alemanha e da Espanha. Entretanto, os bombeiros dentro do G-7 não vão poder conter a disposição de medidas punitivas contra o Brasil se não houver uma reversão das posições expressas publicamente pelo presidente Jair Bolsonaro sobre o que eu caracterizei como sendo o exercício da “pirosoberania”. 

Outra coisa que precisa ser mencionada é que mais uma vez foram os veículos internacionais que expuseram a verdadeira dimensão da tragédia que continua ocorrendo na Amazônia. Tivesse o problema sido apenas tratado por veículos da mídia corporativa brasileira, o mais provável é que continuássemos totalmente desinformados e achando que essa era apenas mais uma estação “normal” de queimadas.  Entretanto, como os veículos internacionais não apenas possuem bons profissionais, mas como os colocam em campo para fazer jornalismo de verdade, pudemos ver que não há nada de normal no que está acontecendo na Amazônia.

É graças à mídia internacional e ao funcionamento intenso das redes sociais que não se pode mais esconder o que as pesadas colunas de fumaça estavam escondendo.  Simples assim!