Mídia brasileira “passa o pano” para livrar Jair Bolsonaro de suas responsabilidades na Amazônia

fogo-amazonia

Li as manchetes das matérias que dominam as capas dos principais veículos da mídia corporativa brasileira e o que vi pode ser sintetizado como um esforço coletivo de “passar o pano” na imagem combalida de Jair Bolsonaro que está completamente chamuscada pelos incêndios devastadores que suas políticas anti-ambientais alimentam na Amazônia e por seus excessos na rede social Twitter, incluindo o ataque sexista à primeira dama da França, a qual já foi vigorosamente respondido por Emmanuel Macron.

Aliás, no tocante às manifestações de Emmanuel Macron, o que verifiquei foi a existência de uma tentativa de mostrá-lo como voz isolada dentro do G-7 e que teria sido derrotado em suas postulações em relação ao controle internacional da Amazônia, caso o Brasil continue permitindo a devastação de uma região que possui papel estratégico no controle das mudanças climáticas.

Aqui é preciso que ninguém caia nesse engano, pois não apenas Emmanuel Macron não é uma voz isolada, pois outros países membros da União Europeia estão dispostos a seguir a mesma orientação da França.  O que parece ter havido na reunião do G-7 foi a tomada de uma posição mais pragmática em prol dos interesses comerciais dos seus membros, principalmente os da Alemanha e da Espanha. Entretanto, os bombeiros dentro do G-7 não vão poder conter a disposição de medidas punitivas contra o Brasil se não houver uma reversão das posições expressas publicamente pelo presidente Jair Bolsonaro sobre o que eu caracterizei como sendo o exercício da “pirosoberania”. 

Outra coisa que precisa ser mencionada é que mais uma vez foram os veículos internacionais que expuseram a verdadeira dimensão da tragédia que continua ocorrendo na Amazônia. Tivesse o problema sido apenas tratado por veículos da mídia corporativa brasileira, o mais provável é que continuássemos totalmente desinformados e achando que essa era apenas mais uma estação “normal” de queimadas.  Entretanto, como os veículos internacionais não apenas possuem bons profissionais, mas como os colocam em campo para fazer jornalismo de verdade, pudemos ver que não há nada de normal no que está acontecendo na Amazônia.

É graças à mídia internacional e ao funcionamento intenso das redes sociais que não se pode mais esconder o que as pesadas colunas de fumaça estavam escondendo.  Simples assim!

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