Do Blog do Maurício Tuffani: Desmatamento na Amazônia mantém tendência de dobrar,

Por MAURÍCIO TUFFANI 

A estimativa da devastação florestal na Amazônia em março feita pelo Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia) não afastou a perspectiva de dobrar a taxa anual do desmatamento na região, que deverá ser divulgada no segundo semestre pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

Os dados mais recentes do SAD (Sistema de Alerta de Desmatamento), do Imazon, apontaram um aumento de 214% no corte raso na floresta Amazônica brasileira de agosto do ano passado a março deste ano em comparação com o mesmo período de oito meses de 2013 a 2014, como mostra o gráfico a seguir, extraído do boletim divulgado na semana passada pela ONG.

Desmatamento por corte raso até março

Gráfico comparativo dos registros de desmatamentos na Amazônia Legal nos períodos de agosto de 2013 e julho de 2014 (barras azuis) e de agosto de 2014 a março de 2015 (barras vermelhas) pelo Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente na Amazônia). Imagem: SAD/Imazon/Divulgação

Esses dados mostram a manutenção da tendência que vem sendo apontada pelo Imazon, que no mês passado apontou o aumento de 215% no corte raso de agosto do ano passado a fevereiro deste ano em comparação com o período equivalente de sete meses de 2013 a 2014, com mostrou a figura a seguir, que já havíamos apresentado neste blog no post A volta da pátria desmatadora (22.mar).

Desmatamento por corte raso até fevereiro

Gráfico comparativo dos registros de desmatamentos na Amazônia Legal nos períodos de 2013-2014 e 2014-205 pelo Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente na Amazônia). Imagem: SAD/Imazon/Divulgação

A redução de um ponto percentual nessa comparação, estendida com o acréscimo dos dados de março, não atenua a tendência de a devastação dobrar na parte brasileira da floresta Amazônica. O corte raso, que havia sido reduzido com sucesso de 2005 a 2012,  já havia voltado a crescer no período 2012-2013.

Degradação

No corte raso foi registrado o total de 1.761 km2 de áreas de floresta derrubada nesses oito meses, em comparação com os 560 km2 no mesmo período entre 2013 e 2014, segundo o SAD. Os três maiores desmatadores continuaram sendo os mesmos: Mato Grosso (639 km2), Pará (434 km2) e Rondônia (347 km2).

Além do dobro do corte raso, o SAD registrou também que cresceu mais de sete vezes a degradação sem derrubada total da floresta agravada por secas e queimadas e induzida por extração seletiva e outras formas de exploração, como mostram as barras cor de laranja na figura a seguir.

Degradação da floresta sem corte raso até março

Degradação florestal sem corte raso até março: gráfico comparativo dos registros de áreas degradadas de floresta sem derrubada total na Amazônia Legal nos períodos de agosto de 2013 a julho de 2014 (barras pretas) e de agosto de 2014 a março de 2015 (barras cor de laranja) pelo Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente na Amazônia). Imagem: SAD/Imazon/Divulgação

Os boletins do SAD são mensais. Para o mês de fevereiro, apesar de mais da metade (59%) da área florestal da Amazônia Legal ter sido coberta por nuvens, esse sistema detectou 42 km2 de desmatamentos. Esse dado corresponde a quase o triplo (282%) dos 11 km2 registrados em fevereiro de 2014, quando a cobertura de nuvens foi maior (69%).

Mata Atlântica

Como já havia assinalado este blog, o aumento da devastação florestal com queda na economia é ainda mais preocupante. Até alguns anos atrás os períodos de desaquecimento da atividade econômica sempre dificultaram os desmatamentos, chegando até a reduzi-los.

Antes da fase de reduções das taxas anuais de desmatamento da Amazônia por meio de programas de fiscalização do governo federal, a partir de 2007, o índice mais baixo havia sido o de 1991, ano posterior ao início do governo de Fernando Collor (1990-1992), que congelou investimentos, inclusive cadernetas de poupança.

Entre outros fatores, não há como desvincular esse retrocesso do esquartejamento do Código Florestal que foi alterado por uma lei aprovada em 2012, desprovida da sistematização normativa de preceitos ambientais e fundamentos científicos. Algumas pesquisas já deixaram clara essa conexão, como uma publicada pela revista Science em maio do ano passado.

Até julho de 2014 foram desmatados 764.061 km2 da floresta Amazônica, uma área pouco maior que a da metade do Amazonas ou do triplo do Estado de São Paulo —ou do triplo do Reino Unido, se for preferível uma comparação internacional. E​ssa extensão corresponde a 19,1% da extensão original da floresta Amazônica, que era de aproximadamente 3,99 milhões de quilômetros quadrados.

PS – Desde o dia 13 assumi a função de editor-chefe da revista “Scientific American Brasil”. Desse modo, não estou mais colaborando com reportagens diárias para a Folha, mas continuo com a satisfação de manter o blog. Aproveito para agradecer aos leitores por toda a atenção dispensada e também pela participação com sugestões, críticas e comentários.

FONTE: http://mauriciotuffani.blogfolha.uol.com.br/2015/04/21/desmatamento-na-amazonia-mantem-tendencia-de-dobrar/

Carajás: em meio à falsa polarização política, o saque das riquezas nacionais e a desvastação ambiental e da memória histórica continuam

Outra mina de ferro a céu aberto é esculpida na floresta tropical do Brasil

DOM PHILLIPS | THE WASHINGTON POST  

 BRAZIL-MINE

O projeto de mineração S11D no Brasil, deverá entrar em funcionamento no próximo ano.  

Serra Sul, Carajás, Brasil – A linha de caminhões e pick up jogam nuvens de poeira vermelha enquanto serpenteiam até a colina no final da estrada de terra. Do alto, a floresta tropical brasileira cobre a distância até onde os olhos podem alcançar.  Um vasto quadrilátero está sendo esculpido nas encosta por um exército de máquinas,formando uma cicatriz de terra vermelha nas colinas verdes.

 O S11D, como este projeto é conhecido sem a menor cerimônia, é uma mina de minério de ferro a céu aberto que está sendo escavada neste canto da Amazônia brasileira, no estado do Pará.  A gigante da mineração do Brasil, Vale, diz que a mina foi projetado para causar um mínimo impacto ambiental e  alcançar máxima rentabilidade. É para começar a operar no próximo ano, e em 2018 estará produzindo cerca de 100 milhões de toneladas anuais de do mais puro minério de ferro do mundo – uma força vital para a pálida economia  do Brasil.

Mas os ambientalistas argumentam que S11D poderá destruir os raros ecossistemas de cerrado  encontrados em duas lagoas acima das jazidas de minério de ferro. Dezenas de cavernas que potencialmente contém elementos de habitações antigas da Amazônia foram perdidas. Este grandioso projeto de 17 bilhões dólares projeto é emblemático, um dilema brasileiro muito contemporâneo: é possível o país desenvolver e utilizar seus ricos recursos naturais sem causar danos irreparáveis ao seu meio ambiente e sua história?

“Eu discordo totalmente quando alguém diz que não é possível desenvolver, mantendo preservação e sustentabilidade”, disse Jamil Sebe, diretor de projetos ferrosos da Vale para o norte do Brasil, que está no comando da mina. Sebe disse trabalha há um quarto de seus 44 anos no projeto, que emprega técnicas inovadoras de mineração e de engenharia importadas do Canadá e da Austrália para reduzir os impactos e os custos.

“Este é o ano para colocar tudo junto”, disse ele.

O S11D está a apenas 30 km ao sul de maior mina de minério de ferro do mundo, também executado pela Vale na mesma Floresta Nacional de Carajás. As atividades da empresa aqui, que incluem cobre, manganês e ouro, podem afetar 3 %dos 1.591 km2 do parque nacional, tão rico em natureza como ela é em minerais.

 “A Vale quer garimpar tudo. Vai depender dos órgãos ambientais do governo brasileiro para proteger esta área ” disse Frederico Martins, analista ambiental No Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade e gerente da Floresta Nacional de Carajás. “Há um monte de minério de ferro lá.”

 A controvérsia gira em torno duas lagoas situadas a leste de construção atual, mas em cima da jazida de minério de ferro. As agências governamentais negociaram uma zona de exclusão de 546 jardas em torno deles, como proteção – mas isto pode não ser suficiente.

Levou três horas para dirigir em estradas de terra traiçoeiras que cruzam a floresta para chegar a maior, a Lagoa da Guitarra. No caminho, um javali fugiu correndo pela pista, e a o 4 × 4 avançou em torno de uma imensa serpente, e o guia florestal José de Costa parou sob um ninho de gavião-real do tamanho de uma banheira, enquanto a cabeça da ave balançava sobre a sua borda.

A área da Lagoa  da Guitarra é um mundo a parte da densa floresta emaranhada  que existe em torno dele – um ecossistema distinto definido como sendo uma “savana metálica” de rochas escuras e matagal.  Gafanhotos verdes descansavam no sol, enquanto jacarés e tartarugas vagavam através do lago. Mais de 40 espécies de plantas – entre eles Ipomoea marabaensis, com uma flor lilás – são encontradas somente aqui nas savanas de Carajás, com o seu ambiente formado pelas próprias rochas, ricas em minério de ferro, que põem em perigo a sua sobrevivência.

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A sujeira vermelha cobre o chão perto da mina da Vale em Carajás. É a maior mina de minério de ferro no mundo, 13 de abril de 2015. Bonnie Jo Mount / The Washington Post

À distância, o zumbido das escavadeiras era audível. No ano passado, os estudantes universitários locais formaram um “SOS” em rochas na beira do lago para protestar contra os danos que dizem o Lago Guitarra sofrerá uma vez a mineração e as explosões diárias envolvidas comecem.

“Se ele sobrevive, ele vai perder todo o seu contexto”, disse da Costa, que participou. “Você não vai ter toda esta vida.”

A Vale está discutindo a redução da zona de exclusão com o órgão ambiental do governo brasileiro. Martins disse que qualquer redução seria “comprometer a existência do lago”.

O minério de ferro foi encontrado pela primeira vez em Carajás em 1967 por um geólogo manganês prospecção Brasileira para US Steel. Em 1985, a produção começou na Serra Norte, agora a maior mina de minério de ferro do mundo. A cidade de 180.000, Parauapebas, cresceu nas proximidades. A Vale e seus contratados empregam 46.000 pessoas no Pará.

O capitalismo de Estado e proteção ambiental andam de mãos dadas aqui. Em 1998, a reserva da Floresta Nacional de Carajás foi criada tanto para isolar a área da mina de posseiros como protegê-la do desmatamento que devastou tanto  este canto sul da Amazônia.

“Se não fosse para a mineração, isso poderia ter sido pior”, disse Martins. O acesso é controlado pela Vale e pelo Instituto Chico Mendes.

A mina de Serra Norte é um enorme complexo industrial de poços, correias transportadoras e unidades de processamento que estão afundados profundamente na floresta. Tudo é escuro, vermelho oxidado: o metal e a terra. Em uma manhã recente, o gerente de operações da mina Evandro Euzébio estava num mirante com vista para a mais antiga da mina. Centenas de metros abaixo dele, caminhões gigantes se arrastavam até as estradas de terra, cada um transportando até 400 das 120 milhões de toneladas de minério de Vale produz há cada ano.

“É o melhor minério de ferro do mundo”, disse Euzébio.

O minério é transportado cerca de 900 km por uma linha férrea até o porto de São Luís, no Maranhão. De lá, os navios de carga levam o produto para a China, que importa metade do que a Vale produz a cada ano. A linha ferroviária está sendo duplicada para lidar com a produção da S11D. Os preços do minério de ferro foram reduzidos pela metade para cerca de US $ 55 por tonelada ao longo do último ano, mas a Vale insistiu que o projeto ainda era viável.

“Ninguém rasga dinheiro”, disse o diretor Vale do Norte ferroso, Paulo Horta.

A construção da S11D, com a expansão do porto e  da linha de trem, emprega 30.000 trabalhadores. Quando a mina estiver funcionando, 2600 vão trabalhar lá, com 7.000 no setor de serviços relacionados. Umanova cidade, Canaã dos Carajás, cresceu nas proximidades.

Em vez de os caminhões usados  na Serra Norte, a cinco quilômetros, correias transportadoras vão levantar o minério para fora dos boxes para processar em empresas situadas fora da área da floresta. As plantas industriais são feitas de módulos, encaixadas como peças de Lego, uma técnica adotada a partir do exemplo da indústria petrolífera, que exige menos trabalhadores no local. Empresas de engenharia alemãs, canadenses e australianas projetaram a maior parte equipamento, mas a maioria foi fabricada na China.  O Brasil possui as matérias-primas, mas não fabrica as máquinas.

A linha do S11D sozinha possui  mais de cinco quilômetros de comprimento.

“É a maior emenda, a maior reserva de que a Vale tem. No futuro, será uma plataforma de crescimento para a empresa “, disse Sebe.

Mas também vai consumir uma parte do passado do Brasil. Arqueólogos dizem que cavernas da região contem pistas para habitações de populações amazônicas que eram desconhecidas até os anos 1980.

Evidências dessas cavernas sugere, que povos nômades viviam na Amazônia até 9.000 anos atrás, cultivando mandioca e açaí.

“Eles conseguiram cultivar a floresta sem derrubá-la”, disse Marcos Magalhães, um arqueólogo do Museu Emílio Goeldi na capital do estado do Pará, Belém, que estudou cavernas na área. “A Amazônia foi o Jardim do Éden.”

Em uma das cavernas acima do lago, cacos de cerâmica estavam espalhados no chão. A partir de fotos, Magalhães disse que estes provavelmente são datados de outra ocupação por grupos indígenas nômades cerca de 500 anos atrás, antes da colonização do Brasil pelos portugueses. A caverna será pesquisada este ano e não está marcada para ser destruição.

Mas de 187 cavernas existentes em Serra Sul, 40 vão sofrer “impacto irreversível”, disse Leanardo Neves, gerente de meio ambiente e sustentabilidade Vale.  Magalhães e sua equipe pesquisaram e removeram artefatos de cinco delas antes que fossem destruídas.

A Vale planeja compensar cada caverna destruída com a proteção de duas cavernas em uma área semelhante, na vizinha Serra da Bocaina. A equipe de Magalhães ainda não estudou nenhuma caverna naquela área, mas eles já encontraram vestígios de uma mina pré-histórica perto de Serra Sul, onde rochas foram escavadas para a determinação de grau de pigmentação. “A história da região”, disse ele. “sempre foi mineração.”

FONTE: http://www.washingtonpost.com/world/the_americas/another-huge-and-open-iron-mine-is-carved-out-of-brazils-rain-forest/2015/04/13/cc1ce49a-cd75-11e4-8730-4f473416e759_story.html

Desmatadores da Amazônia fazem a festa com o Código Florestal de Dilma Rousseff

Artigo científico na Science mostra que mineração e hidrelétricas ameaçam Amazônia

Em um artigo publicado na renomada revista “Science” um grupo de pesquisadores liderados pela pesquisadora Joice Nunes Ferreira da “EMBRAPA Amazônia Oriental” alerta para os riscos que estão sendo colocados sobre as unidades de conservação da natureza existentes na Amazônia por causa da construção de hidrelétricas e de autorização de projetos de mineração (Aqui!). Ainda que esse problema já esteja em efervescência desde o desmanche do IBAMA que resultou na criação do ICMBIO, o problema se agravou bastante durante o primeiro mandato de Dilma Rousseff, e promete se agravar ainda mais no segundo.

A figura abaixo mostra a sobreposição que existe entre as unidades de conservação e terras indígenas com hidrelétricas e projetos de mineração. A análise destas imagens deixa claro que a lógica do modelo neodesenvolvimentista do PT que privilegia a exportação de commodities agrícolas e minerais representa uma grave ameaça à proteção dos diversos biomas existentes no Brasil, mas é mais grave na bacia Amazônica.

amazonia

Essa ameaça à conservação da natureza, especialmente na região Amazônica, é que deveria receber grande atenção de todos os que se preocupam com efeitos sociais, econômicos, culturais e ambientais da forma neopetista de gerar crescimento econômico. É que essa forma de sobrepor o econômico a outros aspectos igualmente estratégicos do desenvolvimento econômico ameaça não deixar nada intocado, com custos inimagináveis para toda a sociedade, e benefício restritos aos mesmos de sempre.

Katiamente falando

“Esse final de ano promete. Com o anúncio do nome de Katia Abreu para ministra da Agricultura se configura um cenário dramático. Com esse tipo de costura, por cima, os povos indígenas e seus direitos são jogados numa arena de ferozes inimigos. Muito ritual, fortalecimento das alianças e mobilizações poderão barrar mais essas violências e agressões aos povos indígenas e seus direitos”, escreve Egon Heck, do secretariado nacional do Conselho Indigenista Missionário – CIMI.

Eis o artigo de Egon Heck publicado pelo IHU online.

Oh, pessoal, é o seguinte! Tem muita gente xingando minha merecida indicação para o Ministério da Agricultura. Nada mais justo! Afinal de contas a presidente Dilma bem me conhece e reconhece minhas indiscutíveis aptidões.

Afinal de contas deve haver uma grande desinformação de alguns setores ligados a coletivos rebeldes,  à terra, povos indígenas, quilombolas e outras populações tradicionais.

Creio que terei uma grande missão frente ao ministério da Agricultura. Basta lembrar uma feliz expressão de um antecessor meu nesse ministério, Cirne Lima, na década de 70 já dizia que a agropecuária seria expandida pela “missão civilizadora do boi”.

Naquele mesmo período, que alguns teimosamente insistem em chamar de ditadura civil militar, foi elaborado pelo ministro general Rangel Reis, um sábio projeto que com um canetaço acabaria com 80% dos índios sobreviventes no Brasil.  Um pequeno grupo de pessoas, especialmente do Cimi insuflaram os índios e infelizmente o projeto foi enterrado e não  mais vingou até hoje. Até que o Cabral, não aquele da invasão primeira, mas o da comissão de Sistematização na Constituinte, em 1987, apresentou proposta semelhante, segundo o qual os índios “aculturados”, deixariam de receber a proteção do Estado. Eram considerados aculturados os que falavam  português, vestiam roupas ou tinham relógio e coisas do gênero. Sua proposta também  foi derrotada.

Nas últimas décadas houve um grande esforço de parlamentares e do governo em agilizar a demarcação das terras indígenas, passando essa responsabilidade para o Congresso. Mais uma vez indígenas e quilombolas, a meu ver equivocadamente, obstruíram a aprovação dessas emendas constitucionais e portarias.

Agora é chegado o momento de avançar. No ministério da agricultura serei mais uma interlocutora do movimento indígena e outros movimentos sociais que quiserem se alinhar com a expansão da agricultura, trazendo mais lucros para o país e commodities para nossa economia. É claro que não vamos conseguir isso com enxadas ou flechas. Algum veneno eficaz vai sobrar na mesa de todo mundo. É o preço do progresso.

Estou lembrando de uma visita que os índios vieram me fazer, no ano  passado, na CNA (Conselho Nacional da Agricultura). Foi uma pena que eu não estava lá, pois creio que os convenceria das nobres intenções do agronegócio em relação às terras produtivas. Continuo acreditando, e o faço com muita fé, que não é de terra que os índios e quilombolas precisam, mas de uma articulação com os produtores rurais e subsídios federais.

Lembram daquele projeto de lei que liberaria 50% das terras indígenas para os dentes das motosserras e os cortantes discos dos tratores. Pena que um  grupinho de radicais continuam combatendo essas iniciativas do agronegócio.  Mas agora que ampliamos a nossa bancada no Congresso e eu agirei no Ministério da Agricultura, tudo será mais fácil. Temos tempos promissores pela frente. Quem sabe os índios e populações tradicionais descubram o caminho de meu ministério.

FONTE: http://www.ihu.unisinos.br/noticias/537817-katiamente-falando

Dilma Rousseff convida Kátia Abreu para ser ministra da Agricultura: vem mais desmatamento e agrotóxicos por ai!

Eu não votei em Dilma Rousseff no segundo turno da última eleição presidencial, apesar dos clamores de muitas pessoas. Me neguei a cair no engodo do mal menor como muitos neopetistas e até pessoas iludidas com a propaganda de que o segundo mandato seria de “esquerda”. 

Um dos motivos pelos quais me mantive intransigente em não apoiar Dilma Rousseff foi sua aliança com o latifúndio agro-exportador, personificado de forma objetiva nas juras de amor que ela trocou de forma insistente com a dublê de latifundiária e senadora Kátia Abreu do PMDB de Tocantins. Aliás, para quem não liga o nome à latifundiária, Kátia Abreu é conhecida internacionalmente como a “Chainsaw Queen” (rainha da motosserra) por causa de sua defesa intransigente da derrubada das florestas amazônicas como meio de fortalecer o latifúndio agro-exportador.

Passada a eleição, eis que “Dilma coração de leão” resolveu selar de vez sua aliança com o latifúndio ao convidar sua amigona Kátia Abreu para ser a nova ministra da Agricultura. Com essa indicação, Dilma Rousseff está sinalizando duas coisas básicas:  mais desmatamento na Amazônia e uso mais intensivo de agrotóxicos na agricultura brasileira. Não é à toa que Kátia Abreu fez campanha para Dilma Rousseff justamente por ver nela uma parceira mais confiável para avançar o ataque às florestas e disseminar ainda mais venenos agrícolas no Brasil.

Agora vamos ver como reagirão os movimentos sociais do campo, a começar pelo MST. Será que eles engolirão essa ministra em nome de um apoio ao governo de “esquerda” de Dilma Rousseff? Uma coisa já se sabe: ao convidar Kátia Abreu para ser ministra da Agricultura e de lhe dar carta branca para montar sua equipe ministerial, Dilma Rousseff já está avisando quem serão seus aliados no campo no seu segundo mandato, e eles certamente não serão os trabalhadores rurais sem terra, indígenas, quilombolas e caboclos.

Dilma convida Kátia Abreu para a Agricultura

A senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) foi convidada na quarta-feira à noite pela presidente Dilma Rousseff para ser a futura ministra da Agricultura. Presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), ela sinalizou positivamente.

Kátia Abreu tem o apoio do presidente do PMDB, Michel Temer, e agora está conversando com outras lideranças do partido a fim de ampliar a rede de apoios. Dilma disse à senadora que ela terá “carta branca” para montar a nova equipe.

FONTE: http://g1.globo.com/politica/blog/blog-do-camarotti/post/dilma-convida-katia-abreu-para-agricultura.html

 

Desmatamento da Amazônia dispara e governo segurou dados, diz jornal.

Em agosto, foram desmatados 890,2 km², um salto de 208% sobre os 288,6 km² do mesmo mês de 2013. (Foto: Reprodução)

Em agosto, foram desmatados 890,2 km², um salto de 208% sobre os 288,6 km² do mesmo mês de 2013. (Foto: Reprodução)

Agora é oficial: o desmatamento na Amazônia disparou em agosto e setembro. Foram devastados 1.626 km² de florestas, um crescimento de 122% sobre os mesmos dois meses de 2013, segundo informa nesta sexta-feira (7) o jornal Folha de São Paulo, em reportagem de Marcelo Leite.

O governo federal já conhecia esses dados antes do segundo turno da eleição presidencial, realizado no último dia 26. Adiou sua divulgação para não prejudicar a votação da presidente Dilma Rousseff (PT), candidata à reeleição. As análises mensais do sistema de alertas de desmatamento Deter estavam prontas pelo menos desde 14 de outubro no Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). No dia 24, foram encaminhados pelo diretor do Inpe, Leonel Fernando Perondi, ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

A Folha tentava obter esses dados do Inpe desde 20 de outubro. Eles estão sendo divulgados nesta sexta-feira (7), às 14h, em entrevista coletiva na sede do Ibama em Brasília. Em agosto, foram desmatados 890,2 km², um salto de 208% sobre os 288,6 km² do mesmo mês de 2013. Em setembro foram 736 km², 66% mais que em setembro do ano passado. Nesse que é o primeiro bimestre do “ano fiscal” do desmatamento amazônico, a taxa de aumento combinada foi de 122%. (Folha de São Paulo)

FONTE: http://www.jornaldamidia.com.br/noticias/2014/11/07/Blog_do_JM/Desmatamento-da-Amazonia-dispara-e-governo-segurou-dados-diz-jornal.shtml

Mineração ameaça 20% das áreas de proteção

Cientistas brasileiros e ingleses mapearam 315 mil km² em risco só na Amazônia

POR CLEIDE CARVALHO

Fratura exposta. Uma grande mina de ferro na região de Carajás, no Pará: um dos projetos em tramitação do Congresso reserva 10% de todas as reservas naturais à exploração mineral Foto: Jacques Jangoux / PhotoresearchersFratura exposta. Uma grande mina de ferro na região de Carajás, no Pará: um dos projetos em tramitação do Congresso reserva 10% de todas as reservas naturais à exploração mineral – Jacques Jangoux / Photoresearchers

SÃO PAULO – Pelo menos 20% das áreas de proteção ambiental integral no Brasil, incluindo as terras indígenas, estão ameaçadas por interesses de exploração mineral com pedidos de pesquisa protocolados no Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), do Ministério das Minas e Energia. De 505 unidades de proteção integral analisadas, 236 têm pedido de pesquisa mineral – 47% do total. De 578 terras indígenas, 251 (ou 43%) estão na mesma situação.

A áreas foram identificadas por pesquisadores brasileiros e britânicos, que fizeram a sobreposição dos registros do DNPM aos mapas das unidades de conservação. O estudo, publicado pela revista “Science”, mostra que a Amazônia tem 315.560 quilômetros quadrados de áreas sob risco – ou algo como sete vezes o Estado do Rio de Janeiro. Desse total, 34.117 quilômetros quadrados integram unidades de conservação integral, e 281.443 quilômetros quadrados estão em terras indígenas. Chama ainda a atenção os interesses de mineração em mais de dois mil quilômetros quadrados de reservas de Mata Atlântica, o bioma mais devastado do país, com só 8,5% da cobertura original. Já o terceiro bioma mais visado é a caatinga, onde as áreas de interesse mineral abrangem 440 quilômetros quadrados em áreas protegidas.

No artigo, os cientistas lembram que o Brasil demorou dez anos para criar o Sistema Nacional de Áreas Protegidas, consolidado após consulta à sociedade, e projetos de lei que reduzem áreas de proteção tramitam silenciosamente no Congresso Nacional sem que os brasileiros se deem conta do seu conteúdo. Um desses projetos, o 3.682/2012, é citado na revista. Ele permite a mineração em todas as unidades de conservação, limitando a atividade a 10% do total das terras.

– As áreas de conservação integral abrigam ecossistemas e espécies-chave, que só ocorrem ali. Um exemplo é a Reserva Biológica de Poço das Antas, no Rio. O mico-leão-dourado só vive ali. Cada caso é um caso, e não é possível estabelecer um percentual válido para todas – afirma Luiz Aragão, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), um dos signatários do estudo.

Os cientistas lembram que desmatar a Floresta Amazônica significa colocar em risco o ciclo de chuvas em outras regiões do país, como o Sudeste, que agora já sofre com seca. Paulo Barreto, pesquisador do Imazon, diz que a própria Amazônia já sofreu com secas intensas em 2005 e 2010:

– As secas intensas na Amazônia só ocorriam de cem em cem anos. Mas nos últimos cinco houve duas bem graves. E a chuva no resto do país depende da umidade que sai da região.

A seca atinge seis das principais bacias hidrográficas brasileiras, entre elas a do Rio São Francisco, que nasce na Serra da Canastra (MG). O Parque Nacional da Serra da Canastra é ameaçado pela mineração. A intenção é explorar diamantes. Joice Ferreira, pesquisadora da Embrapa Amazônia Oriental, diz não ser possível limitar os danos da mineração a só um pedaço das reservas.

– Mesmo que a área minerada seja pequena, são construídas estradas e obras de infraestrutura. Os projetos geram migração, provocam pressão de desmatamento e degradação – diz Joice, assinalando que o estudo é mais um alerta dos cientistas às autoridades. – Se tomarem a decisão errada, será um caminho sem volta. Um projeto de mineração dura 50 anos. As florestas são um tesouro mais valioso e de longo prazo.

FONTE: http://oglobo.globo.com/sociedade/sustentabilidade/mineracao-ameaca-20-das-areas-de-protecao-14492223#ixzz3IODxfbKE

A seca no sudeste brasileiro e o desmatamento na Amazônia e no cerrado

O meteorologista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Antonio Nobre, está causando furor internacional com seu alerta de que o desmatamento na bacia Amazônica é responsável pela falta de chuvas que castiga atualmente partes do Brasil (Aqui! e Aqui!). A tese de Nobre, a qual ele defende já faz algum tempo e tem bases científicas que é a da “savanização da Amazônia”, estipula, entre outras coisas, que o desmatamento diminui a taxa de umidade que chega ao centro sul do Brasil e contribui para a ocorrência de chuvas.

Como venho estudando as mudanças da cobertura vegetal na Amazônia há mais de duas décadas, acredito que Nobre está parcialmente correto e, na prática, não está afirmando nada que a ciência já não tenha prognosticado. A novidade real é que Nobre está colocando em xeque a versão idílica que foi propagada nos últimos três governos, com a ajuda preciosa de “cientistas amigos”, de que o problema do desmatamento estaria controlado na parte brasileira da Amazônia.  O fato é que não está, e as ações estruturantes no âmbito do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) acabaram contribuindo para o aumento da remoção da cobertura vegetal a partir de projetos hidrelétricos, ferrovias e estradas.

Essa separação entre programas de fortalecimento da infra-estrutura e a proteção ambiental foi iniciada de forma mais objetiva no primeiro mandato do ex-presidente Lula, sob a batuta do “ecologismo de resultados” de Marina da Silva, e ganhou aceleração após a entrada de Carlos Minc e Izabella Teixeira no comando do Ministério do Meio Ambiente. Esses dois passaram de uma versão mais pragmática para outra de concessão escancarada de licenças ambientais e de falta de controle sobre os diferentes agentes que causam o aumento da perda da floresta amazônica.

Agora com as declarações de Nobre é provável que ele caia em desgraça dentro do governo Dilma Rousseff, onde ocupou cargos importantes. Por outro lado, é provável que a pressão (cínica é preciso dizer) dos países ricos para que o Brasil faça alguma coisa para conter o processo de desmatamento, visto que as repercussões climáticas da perda da floresta amazônica ultrapassam os limites nacionais, impactando até parte do hemisfério norte. É esse aumento da pressão que talvez, eu disse talvez, causem algum tipo de tratamento sério do problema. Do contrário, a soma de projetos do PAC com a ação descontrolada do agronegócio vão causar ainda mais perda de floresta nativa na Amazônia.

Um problema que parece ter sido esquecido por Antonio Nobre, ou omitido pela imprensa, é que outros biomas importantes estão sendo alvo do avanço do desmatamento, principalmente o cerrado e a caatinga. Esses dois biomas são igualmente importantes para a regulação climática e para o equilíbrio hídrico, mas são convenientemente tratados como secundários, coisa que não são. E aqui, novamente, há que se lembrar dos diversos projetos do governo federal que contribuem para a perda de áreas desses biomas, e que são apresentados sob a capa protetora do “desenvolvimento econômico”. 

Finalmente, a seriedade da questão deveria ser objeto de uma discussão prática e responsável por parte das autoridades federais que seguram boa parte da estrutura logística que poderia ser usada para começar a atacar o problema. Contudo, com os anúncios de que Kátia Abreu, dublê de latifundiária e senadora, poderá ser a próxima ministra da Agricultura não me deixa muito otimista sobre a capacidade do governo Dilma mudar o seu curso de comportamento. A reação se vier terá que vir da sociedade brasileira e dos movimentos sociais organizados. Ai é que mora a chave do problema: quem é que vai ousar atacar a esfinge?

Desmate na Amazônia sobe 290% em setembro

Nacho Doce/Reuters

Desmatamento da floresta amazônia em 2012

Desmatamento: o monitoramento foi realizado em 93% do território da Amazônia Legal

Do Estadão Conteúdo

O desmatamento na Amazônia Legal chegou a 402 km² em setembro de 2014 – um aumento de 290% em relação ao mesmo mês do ano anterior, quando foram desmatados 103 km².

O monitoramento foi feito pelo Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), da organização de pesquisa Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), de Belém (PA).

De acordo com o boletim publicado pelo Imazon e revelado pelo jornal Folha de S.Paulo, a perda florestal acumulada no período de agosto a setembro de 2014 – que corresponde aos dois primeiros meses do calendário oficial de medição do desmatamento – chegou a 838 km².

O aumento foi de 191% em relação ao período de agosto a setembro de 2013, quando foram desmatados 288 km².

Em setembro de 2014, o monitoramento foi realizado em 93% do território da Amazônia Legal. Por causa da cobertura de nuvens, em setembro do ano anterior o monitoramento abrangia 79% do território.

Segundo boletim, 59% do desmatamento detectado em setembro de 2014 foi registrado em áreas privadas. O restante foi registrado em assentamentos de reforma agrária (20%), Unidades de Conservação (19%) e terras indígenas (2%).

Rondônia foi o Estado mais afetado pelo desmatamento, com o registro de um terço de toda a derrubada de árvores apontada pelo Imazon. O restante se distribuiu entre Pará (23%), Mato Grosso (18%), Amazonas (12%), Acre (10%), Roraima (4%) e Tocantins (1%).

Os municípios que mais desmataram foram Nova Mamoré (RO), Novo Progresso (PA) e Colniza (MT), respectivamente com 53,1 km², 30,1 km² e 25,5km² de floresta derrubada.

Além dos dados sobre corte raso na mata, o Imazon divulgou também números sobre a degradação florestal – áreas onde a floresta não foi inteiramente suprimida, mas foi intensamente explorada ou atingida por queimadas.

Em setembro, as florestas degradadas na Amazônia Legal somaram 624 km². Em relação a setembro de 2013 houve um aumento de 3.797%, quando a degradação florestal somou apenas 16 km².

Sistemas paralelos

O SAD emprega imagens dos mesmos sensor e satélite utilizados pelo Sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que fornece ao governo federal informações sobre novas áreas de desmatamento na Amazônia.

Entretanto, as metodologias usadas pelo Imazon e pelo Inpe são diferentes. Os dados de desmatamento do Deter para setembro ainda não foram divulgados pelo governo federal.

Além do Deter, que monitora o desmatamento em tempo real, o Inpe opera o sistema Degrad, que mapeia áreas expostas à degradação florestal, e o sistema Prodes, que tem resolução maior e fornece ao governo as taxas anuais oficiais de desmatamento na Amazônia Legal.

Segundo os dados do Prodes, entre agosto de 2012 e julho de 2013, foram devastados 5.891 km²: 29% a mais que no período anterior de 12 meses. O Degrad detectou que a área degradada caiu de 8,6 mil km², em 2012, para 5,4 mil km² em 2013.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

FONTE: http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/desmate-na-amazonia-sobe-290-em-setembro