Americanas foi palco de uma das ‘maiores fraudes contábeis da iniciativa privada’, diz Bradesco

“Hoje, passadas duas semanas do evento, ninguém mais tem receio de dizer que o que se sucedeu nos livros da Americanas não foi um acidente”, aponta a ação do banco

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Beto Sicupira, Jorge Paulo Lemann e Marcel Telles (Foto: Reuters | Reprodução)

247 – A ação do Bradesco contra as Americanas, assinada pelo escritório Warde Advogados, não poupa a empresa pela fraude bilionária nem seus controladores Jorge Paulo Lemann, Beto Sicupira e Marcel Telles. “A Americanas foi palco de uma das maiores fraudes contábeis da iniciativa privada, afirmam os advogados do Bradesco em resposta a rede de varejo, que decidiu recorrer nesta sexta-feira, 27, ao Tribunal de Justiça de São Paulo da decisão do dia anterior, que determinou, entre outros pontos, a busca e a apreensão de e-mails de executivos e funcionários da rede de varejo, em caráter de urgência”, aponta reportagem do Estado de S. Paulo.

“Os advogados comentam que é difícil evitar a tentação de associar os R$ 20 bilhões do rombo que Americanas diz terem sumido dos seus balanços, ao longo de dez anos, com os R$ 2 bilhões que foram distribuídos aos seus acionistas no mesmo período, ou com os quase R$ 800 milhões que foram pagos aos seus administradores. A alegação na petição do banco é que o rombo da Americanas foi criado justamente para viabilizar dividendos e bônus aos principais executivos da empresa”, prossegue a reportagem.

“Hoje, passadas duas semanas do evento, ninguém mais tem receio de dizer que o que se sucedeu nos livros da Americanas não foi um acidente, fruto de um equívoco, de um erro cometido por um grupo de contadores e que teve o azar de se propagar inadvertidamente por anos e anos. Não, hoje ninguém mais economiza palavras para dizer o que já era intuído, mas ficou óbvio: a Americanas foi palco para uma das maiores fraudes contábeis da iniciativa privada”, escrevem os advogados.


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Este texto foi inicialmente publicado pelo “Brasil 247” [Aqui!]

Americanas falida deve cerca de US$ 8 bilhões, conclui tribunal

americanasPessoas passam em frente a loja da Lojas Americanas em Brasília, 12 de janeiro de 2023. REUTERS/Ueslei Marcelino/Foto de arquivo

Por Gabriel Araújo

SÃO PAULO, 25 Jan (Reuters) – A varejista brasileira Americanas SA (AMER3.SA) deve a vários credores cerca de US$ 8 bilhões, declarou um tribunal do Rio de Janeiro nesta quarta-feira, fornecendo o quadro mais detalhado até agora dos bancos e outros grupos expostos à falência da empresa.

A Americanas, apoiada pelo trio bilionário que fundou a 3G Capital, entrou em recuperação judicial na semana passada depois de divulgar “inconsistências” em sua contabilidade, levando grandes investidores como BlackRock e Capital Group a reduzir suas posições na empresa.

A lista fornecida na quarta-feira inclui cerca de R$ 41,2 bilhões (US$ 8,1 bilhões) em dívidas, segundo o tribunal, que inicialmente não divulgou os nomes dos credores.

Mais tarde, a Americanas revelou a lista completa de 7.720 credores em um depósito de títulos, variando de pequenas dívidas com pessoas físicas e municipais a dívidas multibilionárias com bancos.

O Deutsche Bank (DBKGn.DE) liderou a lista de credores divulgada pela Americanas com US$ 1 bilhão, mas o credor alemão disse posteriormente que não tinha exposição ao varejista e não seria afetado por sua falência.

“O Deutsche Bank não foi afetado, pois não tem uma relação de empréstimo nem qualquer exposição de crédito à empresa em questão”, afirmou em comunicado por e-mail.

Uma fonte familiarizada com a situação disse que o Deutsche Bank atuou como fiduciário de dois títulos de US$ 500 milhões cada garantidos pela Americanas.

Os bancos brasileiros BTG Pactual (BPAC3.SA) , Bradesco (BBDC4.SA) e Santander Brasil (SANB3.SA) – que analistas afirmavam estar entre os mais expostos – também foram listados, com dívidas de mais de 3,5 bilhões de reais cada.

O Santander recorreu do pedido de falência e o Bradesco planeja entrar com uma ação internacional contra a Americanas, informou a Reuters, enquanto um juiz suspendeu uma decisão anterior que permitiria ao BTG proteger 1,2 bilhão de reais que a Americanas tinha em uma conta naquele banco.

Os credores não responderam imediatamente aos pedidos de comentários depois que a lista de credores se tornou pública.

Mais tarde na quarta-feira, a Americanas buscou proteção sob o Capítulo 15 do código de falências dos EUA. Essa seria uma medida que ajudaria a empresa a proteger seus ativos nos EUA dos credores e permitiria buscar o reconhecimento judicial dos EUA para sua reestruturação brasileira.

A empresa americana de gestão de investimentos BlackRock Inc (BLK.N) reduziu drasticamente sua posição na empresa após o escândalo contábil, disse a Americanas.

Dados publicados no site da Americanas mostraram que em dezembro de 2022 a BlackRock possuía mais de 45,5 milhões de ações ordinárias da empresa, uma participação de aproximadamente 5,05%.

A varejista disse que a BlackRock reduziu sua posição para pouco mais de 1 milhão de ações, ou cerca de 0,12%, além de alguns instrumentos derivativos representando 0,36% do total de ações ordinárias.

No início desta semana, a Capital International Investors também anunciou que havia reduzido sua posição em Americanas para 4,07%, de 7,04%. As ações da Americanas subiram 20% para R$ 0,96 na quarta-feira, mas ainda acumulam queda de cerca de 90% no ano.

(US$ 1 = 5,1170 reais)

Reportagem de Gabriel Araujo; Reportagem adicional de Dietrich Knauth; Edição por Mark Potter e Rosalba O’Brien

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Este artigo escrito inicialmente em inglês foi publicado pela agência Reuters [Aqui!].