Estação meteorológica mais alta dos Andes tropicais foi instalada no Peru, perto do pico nevado de Ausangate

Os dados da estação meteorológica ajudarão as comunidades locais e científicas a monitorarem o impacto das mudanças climáticas nos reservatórios de água da região

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São Paulo, 08 de agosto de 2022 – A National Gographic Society acaba de anunciar a instalação de uma estação meteorológica logo abaixo do pico nevado de Ausangate, a 6.349 metros de altitude, sendo a mais alta dos Andes tropicais. É um feito para a expedição Perpetual Planet pela Amazonia da National Geographic e da Rolex 2022, um trabalho que durará dois anos e percorrerá a bacia amazônica desde os Andes até o Oceano Atlântico. 

Os altos Andes tropicais, no sul do Peru, têm importantes reservatórios de água que abastecem a natureza e as comunidades locais desde as regiões glaciais até a bacia amazônica. Em 25 de julho, os exploradores da National Geographic Baker Perry e Tom Matthews – com apoio de uma equipe Quechua do Peru e de especialistas bolivianas em escalada, conhecidas como “las Cholitas Escaladoras” – escalaram o pico nevado de Ausangate, o mais alto do sul do Peru, para instalar uma estação meteorológica perto de seu cume e investigar os processos meteorológicos que influenciam no clima e no comportamento das geleiras.

“O pico nevado de Ausangate é uma das montanhas mais importantes dos altos Andes e a principal fonte de água doce para os ecossistemas andinos e para os rios abaixo”, diz Perry. “É fundamental que usemos as observações meteorológicas dos picos mais altos do mundo para compreender melhor os impactos das mudanças climáticas para as comunidades locais e globais. As alterações que acontecem em Ausangate são especialmente importantes para compreender as flutuações e adaptações de toda a bacia Amazônica”.

A nova estação meteorológica compila dados como temperatura, precipitação, umidade, radiação e profundidade da neve quase em tempo real. Tudo isso ajudará os governos locais e a comunidade científica internacional a observar os impactos das mudanças climáticas sobre as fontes de água que afetam as comunidades locais.

A equipe de expedição também fez uma análise in loco da atmosfera e analisou as propriedades da neve para obter dados sobre a água destas acumulações de neve. Como parte da avaliação, a equipe colheu amostras para detectar se há microplásticos nessa remota região, ainda considerada relativamente intocada. Se forem detectados, isso indicaria que existe transporte atmosférico de longa distância, ou seja, que os microplásticos podem ser transportados pelos ventos.

“O pico nevado de Ausangate é a maior fonte de vida da região de Cusco”, disse Santos Huaman, prefeito de Chilca, o município mais próximo do Vale de Ausangate. “Essa nova estação meteorológica nos ajudará a entender quanto de neve derrete, por que derrete e como podemos recuperá-la. Isso é muito importante para nossa comunidade”, completou.

Ruthmery Pillco, exploradora da National Geographic, se juntou a Perry e Matthews durante parte da expedição para examinar a cabeceira da bacia localizada em Ausangate e para investigar como ela afeta a floresta nublada, onde faz sua própria pesquisa sobre ursos andinos. Também se juntou à equipe o explorador e fotógrafo da National Geographic Tom Peschak, que documentou tudo como parte da reportagem visual da expedição Perpetual Planet pela Amazonia.

“A colaboração entre exploradores para estudar todas as facetas da bacia Amazônica é fundamental para aprofundar nossa compreensão do entorno dinâmico dos rios locais”, disse Nicole Alexiev, vice-presidente dos Programas de Ciências e Inovação da National Geographic Society. “Esforços como os de Baker, Tom e Ruth para estudar o importante ecossistema de Ausangate, somados ao modo único de Tom Peschak de contar histórias com as imagens, estão na vanguarda de nossa parceria com a Rolex. Nosso objetivo final é ilustrar de maneira singular o papel tão importante que esta região desempenha na estabilização da saúde do Planeta, ao mesmo tem em que se pensa em como garantir sua proteção”.

A estação meteorológica do pico nevado Ausangate complementa a estação meteorológica mais alta instalada no Hemisfério Sul na parte Oeste, no pico do vulcão Tupungato, no Chile. As duas estações fornecem dados fundamentais para estudar as interações entre o clima e a neve na zona de acumulação e caracterizar o clima extremo nas elevações mais altas dos Andes.

Este trabalho se baseia em expedições anteriores do Perpetual Planet para instalar estações meteorológicas nos entornos de montanhas de altitude, incluindo as expedições ao Monte Logan, em 2022, e ao Monte Everest, em 2019 e 2022, ambas guiadas por Perry e Matthews.

A Rolex apoia essas expedições como parte de sua iniciativa Perpetual Planet. Para saber mais sobre as expedições, visite: https://www.nationalgeographic.com/environment/topic/perpetual-planet

Geleiras dos Andes tropicais encolheram 42% desde 1990

Mudanças climáticas e aumento das queimadas na Amazônia entre as causas da perda
de quase metade da superfície das geleiras tropicais nos Andes nos últimos 30 anos

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As geleiras dos Andes tropicais estão passando por uma rápida redução, com potenciais impactos ambientais, culturais e econômicos para as populações locais, alerta um artigo científico publicado na revista Remote Sensing por especialistas da iniciativa MapBiomas Amazônia em colaboração com a Universidade Nacional Agrária La Molina, o Instituto de Pesquisas em Glaciares e Ecossistemas de Montanha, ambos do Peru, e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, do Brasil. O paper será debatido em webinar hoje (20/05) a partir de 11h no canal de YouTube da RAISG.

O estudo aponta que entre 1990 e 2020 foi constatada uma perda de 42% da cobertura das geleiras tropicais andinas, que passou de um máximo de 2.429,38 km2 para apenas 1.409,11 km2. O recuo registrado nas últimas três décadas equivale a quase metade da extensão das geleiras tropicais andinas registrada em 1990. Esse crescimento sem precedentes da perda de geleiras, tanto em extensão quanto em volume, pode ser atribuído às mudanças climáticas e a fatores não climáticos como o aumento das queimadas florestais nos últimos anos na Amazônia, que geram carbono negro que pode acelerar o recuo das geleiras ao entrar na superfície das geleiras.

“A queima das florestas gera carbono negro, que acelera o recuo das geleiras quando entra em contato com sua superfície”, explica Efrain Turpo, que liderou o estudo. Turpo destaca que a perda de geleiras afeta a integridade dos ecossistemas que dependem do ciclo da água, agricultura, abastecimento de água potável, geração de eletricidade, turismo, entre outros. Maria Olga Borja, coautora do artigo, reforça a importância de reduzir as emissões que se originam na destruição de florestas para dar lugar a outros usos da terra, como agricultura e pecuária. O estudo ressalta ainda a urgência de os governos nacionais tomarem medidas decisivas para combater a crise climática, incluindo políticas e programas de adaptação às alterações climáticas, nomeadamente em bacias com geleiras, de forma a reduzir os impactos do degelo.

As geleiras tropicais andinas estão localizadas entre o Trópico de Câncer e o Trópico de Capricórnio (entre as latitudes 23◦N e 23◦S) dentro da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT). O ritmo de mudança é rápido, com uma perda média anual de 28,42 km2. As mais afetadas foram as geleiras que estão a menos de 5.000 metros acima do nível do mar, que em 30 anos perderam quase 80,25% de sua área. A aceleração foi mais significativa a partir de 1995, quando a perda da Bacia Amazônica supera a de outras bacias. Em 2020 elas possuíam uma área aproximada de 869,59 km2.

Ao cobrir toda a região dos Andes tropicais em 36 anos de mapeamento anual, este estudo do MapBiomas Amazônia pode ser considerado o mais abrangente atualmente disponível, diz Raúl Espinoza, coautor do trabalho.

Os países mais afetados

As geleiras tropicais andinas estão presentes, com extensões muito variadas, em todos os países andinos. Aqueles com as maiores áreas são Peru (72,76%), Bolívia (20,35%) e Equador (3,89%). As maiores áreas glaciais, 44,75% do total, ocorrem na faixa entre −14◦ a −10◦ latitude, que contém as Cordilheiras Peruanas Blanca, Vilcanota, Vilcabamba e Urubamba. Nesses países, o recuo das geleiras em 2020 em relação a 1990 foi de 41,19% no Peru, de 42,61% na Bolívia e de 36,37% no Equador.
 

Colômbia, Chile e Argentina juntos respondem por 6,89% da cobertura das geleiras tropicais andinas (3,89%, 2,18%, 0,78% e 0,04%, respectivamente). A Venezuela tem percentual inferior a 0,01%, ou cerca de 0,03 km2. Apesar disso, teve uma perda de cobertura em 2020 em relação a 1990 de 96,93%. Na Colômbia, esse percentual foi de 60,19%; no Chile, de 47,24%; e na Argentina, de 45,47%.
 

Além dos impactos ambientais e econômicos, a retração das geleiras leva à perda de bens culturais, uma vez que as montanhas nevadas são de especial valor para as populações locais. “As populações dos países andinos vivem ainda hoje uma simbiose única entre o telúrico, o emocional e o natural, de modo que suas montanhas nevadas ao longo da Cordilheira dos Andes formam parte de sua visão de mundo, envolvendo mitos, lendas e práticas sociais e culturais ancestrais que sobrevivem até hoje, então a perda das geleiras representa um impacto em sua vida material e simbólica cotidiana”, aponta o sociólogo Raúl Borja Núñez.

Metodologia

Espinoza destaca a abordagem metodológica inovadora utilizada, uma vez que a extensão das geleiras foi derivada por meio de algoritmos de classificação semiautomatizados aplicados a dados de satélite. Ele afirma que isso tem sido possível graças aos avanços em termos de acessibilidade e continuidade temporal dos dados de satélite e ao desenvolvimento de plataformas de computação em nuvem.

“A análise do MapBiomas Amazônia apresenta uma nova compreensão das mudanças que as geleiras estão experimentando anualmente em diferentes áreas da cordilheira tropical dos Andes, conhecimento que é vital para uma melhor gestão dos recursos hídricos e adaptação às mudanças climáticas das populações andinas”, afirma Maria Olga Borja, coautora do artigo. Graças aos avanços nos últimos anos na acessibilidade e continuidade temporal dos dados de satélite e no desenvolvimento de plataformas de computação em nuvem, como o Google Earth Engine, foi possível mapear a evolução histórica da mudança das geleiras.

O MapBiomas Amazônia utiliza tecnologia de ponta para monitorar as mudanças no uso da terra na Bacia Amazônica e monitorar as pressões sobre suas florestas e ecossistemas naturais. Essa iniciativa resulta da colaboração da Rede MapBiomas, com sede no Brasil, e da Rede Amazônica de Informações Socioambientais Georreferenciadas (RAISG), que reúne organizações civis de seis países amazônicos.

Leia o artigo completo aqui.

Saiba mais sobre o projeto MapBiomas Amazônia.

Webinar

  • Sexta, 20 de maio, a partir de 11h (horário de Brasília)
    Ao vivo pelo YouTube RAISG

Panelistas:

  • Jesús Gómes Lópes – Importancia de los glaciares para la region
  • Homero Paltán – Las consecuencias de la pérdida de los glaciares en la seguridad hídrica
  • Pablo Fuchs – El futuro de los glaciares
  • Carlos Souza Jr. – La importancia del monitoreo del agua y el cambio climático
  • Efraín Yuri Turpo – Mapeo de tres décadas de cambios en los glaciares andinos tropicales utilizando datos LandSat procesados en Earth Engine

Diretoria do ANDES-SN repudia apoio de reitores à candidatura de Dilma

O ANDES-SN divulgou, nesta sexta-feira (12), nota de indignação e repúdio da Diretoria da entidade à ação de 54 reitores, que declaram apoio à candidatura de Dilma, durante visita solene ao Palácio do Planalto na quinta (11).

Para a diretoria do Sindicato Nacional, os reitores, neste ato “demonstram que abriram mão de representar as instituições que dirigem, função que exige o respeito à autonomia universitária consagrada na Constituição Federal, para serem cabos eleitorais de candidatura à presidência da república. Isto é uma ação anti-republicana e antiética”.

Abaixo a manifestação de repúdio em sua íntegra.

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