Direita caiu na própria armadilha ao reclamar de censura do STF: ex-presidente Lula agora poderá conceder entrevistas

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Ex-presidente Lula, preso em Curitiba, agora poderá conceder entrevistas após imbróglio envolvendo suposta censura pelo STF.

Se há algo de que não se pode falta reclamar no Brasil atualmente são as jogadas sofisticadas que estão ocorrendo no tabuleiro do xadrez político que se move em meio à notícia de que o peso da economia brasileira no cenário global é o mais baixo em 38 anos.

Falo aqui explicitamente das movimentações ocorridas para pressionar o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF),  José Antonio Dias Toffoli, por causa de sua decisão de suspender a circulação de uma matéria que se valia de mais um vazamento do interior da Operação Lava Jato  em que uma denúncia débil o ligava às propinas pagas pela empreiteira Odebrecht.

Pois bem, ao se ver atacado por todos os lados por ter atendido o pedido do presidente do STF, o também ministro Alexandre Moraes, resolvi suspender a sua decisão e permitiu a circulação da matéria.

Mas para quem pensou que Dias Toffoli estava posto em condição de xeque mate, eis que ele agora mostrou que de peão não tem nada ao liberar o acesso ao ex-presidente Lula, que havia sido proibido pelo ministro Luiz Fux, para que ele conceda entrevistas a quaisquer órgãos de imprensa que desejar saber o que pensa o ex-mandatário.

Esse movimento no tabuleiro no xadrez político poderá ter efeitos de desastabilização imprevisíveis no governo Bolsonaro e suas políticas ultraneoliberais, pois é sabido que o medo em relação aos atos e gestos de Lula supera qualquer limite da razoabilidade.

O que deverá piorar o humor dentro do Palácio do Planalto é o fato que o acesso a Lula vem justamente no momento em que se pretende aprovar um suposto caráter constitucional da contrarreforma da Previdência a fórceps. O ex-presidente Lula certamente terá coisas a dizer sobre esse assunto caso seja perguntado.  O problema é que essa deverá ser uma das principais, senão a principal, questões que lhes serão apresentadas por veículos da mídia nacional e internacional.

Em outras palavras, a direita pensou que estava dando em xeque mate em Dias Toffoli e pode ter acordado com a desgostosa sensação de que acabou de levar um.

E uma coisa é certa: de tédio ninguém morre no Brasil.

Dias Toffolli, o “petista”, cassa liminar da segunda instância e expõe fragilidade institucional do STF

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Ao responder à pergunta acerca da chance da sua decisão de libertar os presos em segunda instância ser seguida, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Marco Aurélio Mello, respondeu que se o STF ainda fosse o STF, sua decisão teria de ser obedecida [1].

Pois bem, poucas horas depois, o atual presidente da suprema corte do Brasil, Antonio Dias Toffoli, rebateu mais do que rapidamente a bola levantada por seu colega Marco Aurélio Mello, e anulou de forma igualmente monocrática uma decisão que só poderia ser revogada pelo pleno do STF, a decisão que poderia também beneficiar o ex-presidente Lula [2].

Nesse meio tempo, até reunião do alto comando do exército ocorreu para se analisar uma decisão que não cabe, de forma alguma, ser analisada em outro foro que não fosse o próprio STF e apenas por seu pleno.

Depois ainda tem gente que vem falar em funcionamento normal das instituições e da condição saudável da democracia brasileira.  Ou ainda que devemos esperar 2022 para apresentar um novo projeto político para os trabalhadores e a juventude brasileira.

O que esse Carnaval fora de época no STF, nas palavras do colunista Josias de Souza do site UOL, mostra é que não há normalidade alguma, e que não como esperar por 2022 para que tenhamos o mesmo tipo de reação que está se vendo em países como França e Hungria, onde um amplo arco de alianças está tratando de enfrentar os duros ataques que estão sendo desfechados contra direitos sociais e trabalhistas que foram duramente conquistados ao longo da história.

Em relação ao caso específico, toda a velocidade usada para impedir a liberdade do ex-presidente Lula graças à liminar expedida por Marco Aurélio Mello, o que fica evidente não é apenas o medo à sua liderança entre a maioria pobre da população brasileira, mas também a completa fragilidade em que se encontra o sistema político brasileiro, o qual poderá implodir muito mais fácil do que se pensa. O temor a Lula espelha essa realidade maior que parece estar sendo propositalmente ignorada pela maioria dos analistas políticos. É aquela máxima de que se balançar a roseira, a coisa pode feder. A ver!


[1]https://g1.globo.com/politica/blog/valdo-cruz/post/2018/12/19/se-o-supremo-ainda-for-supremo-a-minha-decisao-tem-que-ser-obedecida-diz-marco-aurelio.ghtml

[2] https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2018/12/19/toffoli-suspende-decisao-de-marco-aurelio-contra-prisao-apos-2-instancia.htm