Inaugurando sua condição de candidato a vice-presidente na chapa encabeçada pelo deputado federal Jair Bolsonaro, o general Antonio Hamilton Mourão decidiu ir fundo nas elaborações do seu companheiro ao afirmar que o Brasil é uma economia periférica por causa da “indolência” do índio e a “malandragem” do negro [1].

Mourão ainda arrematou dizendo que “infelizmente gostamos de mártires, líderes populistas e dos macunaímas“, adicionando ainda que ” Isso faz parte do DNA do brasileiro. Nós não somos nenhuma raça pura. Somos uma amálgama dessas culturas“.
Por mais que se saiba que a chapa Bolsonaro/Mourão possui um parcela do eleitorado que não só pensa a mesma coisa, mas como compartilha, digamos, a sinceridade da dupla, há que se ver qual é efetivamente a razão desse tipo de manifestação que nos remete às formas mais explícitas de validação de teses eugenistas. Ampliação da quantidade de votos não me parece ser a mais prioritária.
O que parece cada mais claro é que Jair Bolsonaro e seu parceiro de chapa estão dispostos a cumprir nestas eleições o papel de boi de piranha para ver se consegue atravessar a sua caravana para outras batalhas eleitorais.
De toda forma, as declarações do general Mourão mostram que se tem quem acha que essa campanha presidencial será de baixo nível, o nível pode ser bem pior do que esses pessimistas estão achando.
De minha parte, como já testemunhei a luta de vários grupos indígenas para sobreviver em suas aldeias e acompanho todos os dias o trabalho duro que os negros brasileiros são obrigados a cumprir em condições completamente desiguais em termos de qualidade de vida e salários pagos, só posso lamentar que um general da reserva não se sinta constrangido a não emitir este tipo de opinião rasa e desconectada das verdadeiras razões pelas qusis o Brasil não alcança seu potencial estratégico.