Comissão do Ambiente da ABGF promove live sobre El Niño, crise climática e adaptação no Brasil

A Comissão do Ambiente da Associação Brasileira de Geografia Física (ABGF) realizará, no próximo dia 20 de agosto, às 15h, a live “Brasil sob o El Niño: crise climática, impactos socioambientais e urgência da adaptação”, reunindo alguns dos mais destacados pesquisadores brasileiros dedicados ao estudo das mudanças climáticas e de seus efeitos sobre o território nacional.

A atividade acontece em um momento particularmente oportuno. As projeções mais recentes indicam o fortalecimento de um novo ciclo do El Niño, fenômeno que tende a intensificar eventos climáticos extremos em diferentes regiões do Brasil. A combinação entre o aquecimento anômalo do Oceano Pacífico, o aquecimento persistente do Atlântico Tropical e o avanço da crise climática global amplia os riscos de secas severas, queimadas, ondas de calor, escassez hídrica e episódios de chuvas intensas, com impactos diretos sobre a agricultura, os ecossistemas, a infraestrutura e a saúde pública.

Diante desse cenário, a Comissão do Ambiente da ABGF propõe um debate que articula ciência de excelência e compromisso com a sociedade. A live reunirá pesquisadores que vêm produzindo algumas das contribuições mais relevantes para a compreensão das transformações ambientais em curso no país.

Participarão como palestrantes a Dra. Luciana Gatti (INPE), reconhecida internacionalmente por seus estudos sobre o balanço de carbono da Amazônia e os efeitos do desmatamento sobre o clima; o Prof. Dr. Paulo Artaxo (USP), uma das principais referências brasileiras em física da atmosfera, mudanças climáticas e aerossóis; e o Prof. Dr. Roberto Verdum (UFRGS), pesquisador com ampla trajetória nos estudos sobre geografia física, vulnerabilidade ambiental e ordenamento territorial. A mediação ficará a cargo do Prof. Dr. Marcos Pedlowski (UENF), pesquisador da área de geografia política e ambiental, que conduzirá o diálogo entre os convidados e o público.

Mais do que discutir previsões meteorológicas, o encontro buscará analisar os desafios que o Brasil enfrenta para construir políticas efetivas de adaptação climática, reduzir vulnerabilidades socioambientais e fortalecer a capacidade de resposta das instituições públicas diante da intensificação dos eventos extremos.

A transmissão ocorrerá pelo canal GENATUFPB no YouTube e representa uma oportunidade para estudantes, pesquisadores, profissionais, gestores públicos e todos os interessados em compreender como o conhecimento científico pode contribuir para enfrentar um dos maiores desafios do século XXI.

Serviço

Live: Brasil sob o El Niño: crise climática, impactos socioambientais e urgência da adaptação
Data: 20 de agosto
Horário: 15h

Comissão do Ambiente da ABGF emite declaração sobre participação efetiva dos atingidos nas discussões da COP30

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Declaração da Comissão do Ambiente da Associação Brasileira de Geografia Física (ABGF)

Pela participação efetiva dos atingidos pela crise climática nas discussões da COP30

A realização da COP30, em Belém, em novembro de 2025, ocorre em um momento decisivo para a humanidade. Diante da escalada da crise climática e do esvaziamento político das últimas conferências, a Comissão do Ambiente da AGBF reafirma que não há justiça ambiental sem a presença, a voz e o protagonismo dos mais atingidos — povos originais, comunidades tradicionais, ribeirinhos e trabalhadores rurais e urbanos que enfrentam cotidianamente os impactos dos extremos climáticos e das mudanças ambientais que se avizinham.

Esses povos e comunidades não devem ser meros “participantes” do debate: são sujeitos históricos e portadores de saberes e práticas de manejo e gestão territorial/ambiental que apontam caminhos reais para uma transição justa.  O processo de participação dos atingidos não pode se restringir a espaços simbólicos ou painéis paralelos; deve ser estruturante nas decisões e compromissos assumidos durante a COP30.

A Comissão do Ambiente da AGBF alerta que o formato atual das COPs favorece corporações, interesses financeiros e governos alinhados ao capital, perpetuando as causas da própria crise climática. No Brasil, as contradições são evidentes — como a abertura de novas fronteiras petrolíferas na Margem Equatorial e os projetos de infraestrutura que ameaçam florestas e territórios indígenas e tradicionais. Não basta “comparecer”: é preciso romper com o modelo que transforma a crise climática apenas em oportunidade de negócio.

Garantir a presença efetiva dos atingidos exige recursos materiais, segurança, respeito aos protocolos próprios de participação e compromisso com a demarcação de territórios e a reparação de danos históricos. A exclusão desses sujeitos equivale a perpetuar a injustiça climática que a COP30 deveria combater.

A Comissão do Ambiente da AGBF, comprometida com a ciência crítica, a justiça ambiental e os direitos humanos, convoca seus associados e instituições parceiras a:

  • pressionar o poder público por condições reais de participação dos povos originais, comunidades tradicionais e trabalhadores;
  • articular documentos e posicionamentos junto a essas organizações;
  • ampliar a visibilidade crítica e a transparência do evento;
  • promover espaços de escuta e preparação coletiva com os sujeitos diretamente afetados.

A crise climática é também uma crise civilizatória. Enfrentá-la requer superar o modelo de exploração que a sustenta. A COP30 só terá sentido se efetivamente colocar os verdadeiros guardiões da terra e do clima no centro das decisões. Caso contrário, repetirá o fracasso das conferências anteriores.

Outubro de 2025

Comissão do Ambiente da Associação Brasileira de Geografia Física (ABGF)